sábado, 29 de março de 2008

HUGO CORREA

Hugo Correa (11 de Maio de 1927, 25 de Março de 2008). Jornalista e escritor chileno, era considerado o pai da ficção científica de seu país. Correa publicou em 1959 'Los Altísimos', seu primeiro romance, seguido por 'El que merodea en la lluvia' (1962), 'Los títeres' (1969), e 'Alguien mora en el viento' (1959), que lhe rendeu o prêmio Alerce da Sociedade de Escritores do Chile.
Traduzido para inglês, francês, português, alemão e sueco, Correa é um dos clássicos modernos do gênero, junto aos argentinos Adolfo Bioy Casares e Angélica Gorodischer e o cubano Angel Arango.
Seu trabalho foi publicado na prestigiada revista especializada em FC, 'Fantasy and Science Fiction', em Abril de 1962 com o conto “The last element” e em Julho de 1967 com “Alter Ego”.

Alter Ego
Carrusel
Cuando Pilato se opuso
El ataque de los selenitas
La 322
La Bestia Marciana
La Campana
La esfera lunar
Los altissimos
Los ojos del Diablo
Meccano
Los Invasores

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Aos sonhadores




Ainda dentro da comoção causada pelo adeus ao mestre Clarke, fomos todos pegos de surpresa, pelo falecimento de Hugo Correa, o pai da Ficção Científica chilena.
O Capacitor Fantástico, presta sua homenagem aos sonhadores:

"Gostamos de saber que existem homens e mulheres extraordinários.
E momentos extraordinários, quando a História dá um salto adiante graças ao esforço desses indivíduos.
Que o que pode ser imaginado, pode ser alcançado.
Que você deve ousar sonhar, mas não há substituto para a perseverança, o trabalho duro.
E quando comemoramos a grandeza desses eventos e os indivíduos que as alcançaram, não podemos esquecer o sacrifício daqueles que tornaram estas conquistas e estes sonhos possíveis."


X-Files, episódio 'Lapso de Tempo' -parte 2

domingo, 23 de março de 2008

2001: Space Odyssey



Arthur C Clarke/Stanley Kubrick screenplay - 2001: Space Odyssey [ Download ]

A última entrevista - Arthur C.Clarke



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Ao mestre com carinho



Livros de Arthur C.Clarke em inglês [ Download ]

2001-2010-2061-3001 – The complete odyssey
A fall of moondust
A time odyssey 1 – Time’s eye
A time odyssey 2 – Sunstorm
Childhood's end
Cradle
Expedition to Earth
History lesson
Imperial Earth
Islands in the sky
Nightfall
Rama 1 – Rendez-vous with Rama
Rama 2 – Rama revisited
Rama 3 – The garden of Rama
Rama 4 – Rama revealed
Reach for tomorrow
Tales from the white hart
The fountains of paradise
The ghost from the Grand Banks
The lost worlds of 2001
The nine billion names of God
The pacifist
The sand os Mars
The trigger
The light of other days
The songs of Distant Earth

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ARTHUR CHARLES CLARKE

Arthur Charles Clarke (16 de Dezembro, 1917 - 18 de Março de 2008)

O maior talento de Arthur Charles Clarke consistia em transitar entre a arte e a ciência com igual clareza, inteligência e paixão.

Seus trabalhos, de descobertas científicas a literatura de ficção, da aplicação técnica ao entretenimento, tiveram um impacto direto na vida das pessoas, no presente e nas futuras gerações.

Arthur C.Clarke, filho de uma família de fazendeiros ingleses, nasceu na cidade costeira de Minehead em Somerset, Inglaterra. Depois de completar estudos básicos em sua cidade, Clarke se mudou para Londres em 1936 e desde bem cedo, demonstrava interesse em ciências espaciais, se filiando a British Interplanetary Society (BIS) para a qual passou a contribuir com artigos, antes mesmo de escrever ficção científica.

Como ocorreu com muitos jovens de sua idade naquela época, a Segunda Guerra Mundial interrompeu esta rotina e em 1939 ele se alistou na RAF e pouco depois se tornaria oficial encarregado do primeiro equipamento de radar do tipo talk-down, ainda em fase experimental. Após a guerra, Clarke retornou para Londres e para a BIS, tornando-se seu presidente de 1947 a 1950 e novamente em 1953.

Em 1945, a revista inglesa ‘Wireless World’ publicou um de seus ensaios técnicos ‘extra-terrestrial Relays’ onde pela primeira vez se propunha os princípios de um satélite de comunicação em órbita geoestacionária – que só se tornaria realidade 25 anos depois. Clarke trabalhou junto a cientistas e engenheiros na evolução nesta sua idéia, nos EUA, além de ajudar a desenvolver sistemas de lançamento e orientação de espaçonaves e na mesma época, discursou nas Nações Unidas quando das deliberações do uso pacífico do espaço.

Ao mesmo tempo que colaborava em assuntos estritamente científicos, Clarke exercitava sua veia de escritor. Sua primeira história vendida, ‘Rescue Party’ foi publicada na revista ‘Astounding Science’ (Maio 1946). Era o começo de uma carreira prolífica e brilhante, com mais de 70 títulos de ficção que lhe deram os prêmios Nebula em 1972, 1974 e 1979 e o Hugo em 1974 e 1980, além de ter recebido o título de Grande Mestre dos Escritores de Ficção Científica da América em 1986.

Um exemplo da sua genialidade literária aliada ao seu caráter visonário-tecnológico, está em ‘O Vento Solar’, uma coletânea de todos seus contos escritos na década de 60 e que consegue abarcar temas como o laser, o código genético, as primeiras sondagens de Marte e Vênus com robôs, o descobrimento dos pulsars e o desembarque na Lua.

Se Asimov tinha suas leis robóticas, Arthur elaborou as Leis de Clarke e que dizem assim:

1. Quando um cientista reconhecido e experiente, diz que algo é possível, ele está provavelmente certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.

2. O único jeito para desvendar o limite do possível é ir além dele, através do impossível.

3. Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.

Em 1964 começou a trabalhar com o já famoso produtor de cinema Stanley Kubrick, naquele que seria seu maior sucesso de público e que o faria conhecido mundialmente. Quatro anos depois ele dividiria a indicação ao Oscar com Kubrick pela versão para cinema de ‘2001: A Space Odyssey’.

Em 1985 Clarke publicaria a sequência ‘2010: Odyssey Two’ e com o diretor Peter Hyams trabalharia para a versão para o cinema. O trabalho só foi possível pela utilização de um computador Kaipro e um modem, ligando Clarke em Sri Lanka com Peter em Los Angeles.

Na televisão, participou junto de Walter Cronkite e Wally Schirra da cobertura da CBS das Missões Apolo 12 e 15. Não só escreveu para diversas séries de televisão como teve uma série própria ‘Arthur C.Clarke Mysterious World’ em 1981.

Seu trabalho lhe rendeu inúmeros prêmios e homenagens.

A órbita geo-estacionária, 36 mil quilômetros acima da linha Equador, foi oficialmente batizada pela International Astronomical Union como sendo a Órbita Clarke.

Além disso, seu nome batizou um asteróide, 4923 Clarke, e uma espécie de dinossauro, Serendipaceratops arthurcclarkei, descoberto em Inverloch na Austrália. Mas a maior das honras lhe coube quando a Rainha da Inglaterra o agraciou com o título de nobreza, em cerimônia que ocorreu em Sri Lanka, conduzida pelo Príncipe Charles.

Sir Arthur morava em Colombo, Sri Lanka (ex-Ceilão) desde 1956, e era um entusiasta, praticante e incentivador da exploração submarina, tendo escrito diversos livros voltados para esta sua paixão.

Em 2004 sobreviveu ao terrível tsunami que praticamente destruiu toda a região, porém perdeu sua escola de mergulho em Hikkaduwa.

Nos seus últimos anos de vida, Arthur estava preso a uma cadeira de rodas, devido a complicações da poliomielite, que se agravara bastante.

Arthur Charles Clarke também ficou famoso pelas suas frases e em uma delas dizia:

“Se nós tivermos aprendido algo da história das invenções e descobertas, é que, à longo prazo – e muitas vezes a curto prazo – as profecias mais audaciosas parecem ridiculamente conservadoras.”

Site oficial:
http://www.clarkefoundation.org/

O projeto 2001:
http://www.2001exhibit.org/

Bibliografia e dados pessoais:
http://www.arthurcclarke.net/

Coleção de livros de Arthur C.Clarke em português [ Download ]

2001: Uma odisséia no espaço
2010: Odisséia Dois
2061: Odisséia Três
3001: A Odisséia Final
A cidade e as estrelas
A estrela
A luz das trevas
A sonda do tempo
A última ordem
Alvorada de Saturno
As canções da terra distante
As fontes do paraíso
Contos da taberna
Crime em Marte
Dinossauros
Massa crítica
Não haverá outra manhã
O fim da infância
O outro lado do céu
O martelo de Deus
O vento solar
Os náufragos de Selene
Rama I
Rama II
Sentinela
Terra Imperial
Um processador de textos acionado por vapor

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Adeus Clarke



"Para cada homem vivo hoje existem trinta fantasmas, pois é esta a proporção que o número dos mortos excede o dos vivos.

Desde o início dos tempos, cerca de cem bilhões de seres humanos caminharam sobre o planeta Terra.

Ora, este é um número interessante, pois, por uma curiosa coincidência, há aproximadamente cem bilhões de estrelas no nosso 'universo local', a Via Láctea.

Portanto, para cada homem que algum dia viveu, brilha uma estrela."


Prólogo de '2001, uma odisséia no espaço'.

sábado, 15 de março de 2008

Guia de como sobreviver a um ataque de zumbis


Introdução

Os mortos caminham entre nós. Zombies, mortos vivos - não importa o nome - estes sonâmbulos são a maior ameaça para a humanidade, mais do que a própria humanidade.

Chamá-los de predadores e nós de presas não seria correto. Eles são a doença, e a raça humana seu hospedeiro. As vítimas de sorte são devoradas, seus ossos são limpos, sua carne consumida.
Aqueles sem sorte se juntam aos atacantes, transformados em monstros carnívoros podres. Armas comuns não fazem efeito contra estas criaturas, assim como o pensamento convencional. A ciência da exterminação, desenvolvida e aperfeiçoada desde o início de nossa existência, não pode nos proteger desde inimigo que não está 'vivo' para poder ser morto.

Isso quer dizer que os morto vivos são invencíveis? Não. Podem ser parados? Sim.

A ignorância é o aliado mais poderoso dos zumbis.É por isso que este livro foi escrito, para prover de conhecimento necessário para sobreviver a estas bestas sub-humanas.

Sobrevivência é a palavra chave - não vitória, conquista, apenas sobrevivência.
Este livro não ensinará você a se tornar um caçador profissional de zombies. Alguém que estiver buscando devotar sua vida a esta profissão, deve procurar treinamento em outra parte.
Este livro não foi escrito para a polícia, para militares ou qualquer agência do governo.
Estas organizações, se desejarem se preparar contra a ameaça, possuem recursos que vão além de simples pessoas comuns.
É para as pessoas comuns que este guia foi escrito, cidadãos, pessoas com tempo limitado e poucos recursos mas que se recusam a se tornar vítimas.

Dito isso, conhecimento é apenas uma parte da luta.O resto depende de você.
É sua escolha pessoal, o desejo de sobreviver, de estar atento quando o perigo surgir!
Sem isso, nada irá protegê-lo.

Na última página do livro, faça a você mesmo uma pergunta: O que farei? Morrer passivamente ou me levantar e gritar: 'Não serei uma vítima de vocês! Eu sobreviverei!'
A escolha é sua.


Zombie Survival Guide - Max Brooks [ Download ]

Star Wars Encyclopedia





The completely unofficial Star Wars Encyclopedia - Bob Vitas - 1892 páginas [ Download ]



Versão Online - http://www.theforce.net/swenc/

PRIMERA ANTOLOGÍA DE LA CIENCIA-FICCIÓN LATINOAMERICANA

Depois do êxito cada vez maior da nova narrativa latino americana por todo o mundo, não podemos deixar de nos surpreender que até hoje tenha se deixado de lado, quase como um continente perdido dentro da literatura do continente, a originalíssima FICÇÃO CIENTÍFICA, ainda escrita, em muitos casos, por jovens escritores sem contato com os outros de nossas terras.
Esta primeira antologia de Ficção Científica latino americana vem preencher este vazio.
Com sua leitura, junto com o assombro de descobrir valiosos novos escritores de vários países irmãos, não deixará também de se assombrar - nós também - que se tratando deste gênero,
que René Avilés Fabila tenha se antecipado em anos a absurda guerra entre El Salvador e Honduras por conta de uma partida de futebol, ou que Emilio Alarco tenha previsto também, muitos anos antes, o atual alge dos transplante de orgãos. E ainda tem mais surpresas!


ARGENTINA
Samantha, por Alicia Suárez

BRASIL
El paraíso perdido, por Clóvis García
El niño y la máquina, por Antonio Olinto

COLOMBIA
Rocky Lunario, por René Rebetez

COSTA RICA
El planeta de los perros, por Alberto Cañas

CUBA
El planeta negro, por Ángel Arango
El pirotécnico Li-Shiao, por Manuel Herrera
No me acaricies, venusino, por Juan Luis Herrero
Las montañas, los barcos y los ríos del cielo, por Germán Pinilla

ECUADOR
La doble y única mujer, por Pablo Palacio
EL SALVADOR
Misión cumplida por Alvaro Menén Desleal
El hombre y su sombra, por Alvaro Menén Desleal

HONDURAS
La búsqueda, por Oscar Acosta
El regresivo, por Oscar Acosta
Nacimiento último por Orlando Henríquez

MÉXICO
Hacia el fin del mundo, por René Avilés Fabila

PERÚ
Tesis por José Adolph
La magia de los mundos, por Eugenio Alarco

Organizada por RODOLFO ALONSO
Ciencia Ficcion Latinoamericana (1970) [ Download ]

segunda-feira, 10 de março de 2008

K3PO - Modelo de papel



Não, não se trata de C3PO, mas o modelo de papel de K3PO, um droid de serviço no centro de comando da Base Echo em Hoth.

K3PO [ Download]

SF PAPER CRAFT GALLERY
BLOG PAPERCRAFT

Destino pós-humano - Entrevista com Vernor Vinge

The archaeologists - De Chirico


O matemático e escritor de ficção científica Vernor Vinge aposta que o avanço tecnológico vai pôr fim à vida como a conhecemos
Profetas do apocalipse não faltam no planeta. E os há de todos os tipos. Os religiosos, sobretudo americanos, que aguardam para os próximos anos o fim deste mundo e o advento do Reino dos Céus. Há os que prevêem mudanças radicais no clima, capazes de destruir os habitats de várias espécies. Há quem preveja uma crise dramática de escassez de água. Mas, diferentes de todos esses, há pessoas como o matemático Vernor Vinge, de 60 anos, escritor de ficção científica e ganhador de quatro Hugo Awards, o Oscar do gênero. Ele enveredou por essa área da Literatura inspirado por seus ídolos, Arthur C. Clarke, Robert Heilein e Isaac Asimov. Sua fama surgiu com a publicação, em 1981, de 'True Names', na qual descrevia redes de computadores e os efeitos da internet - que na época nem sequer existia - sobre a vida das pessoas. O primeiro prêmio veio em 1992 com a obra 'A Fire Upon the Deep', em que descreve uma galáxia dividida em zonas de pensamento. Quanto mais distante do centro, mais elevado seria o nível de tecnologia nessas paragens. A Terra, na descrição de Vinge, ocuparia a zona lenta, onde estão os incapazes de superar a velocidade da luz. Há 30 anos, o então professor de Ciência da Computação da San Diego State University (ele se aposentou em 2002) desenvolveu a idéia de que o avanço tecnológico na área de informática vai pôr fim à vida como a conhecemos. Nos últimos anos, ele tem se dedicado a burilar e explicar esse conceito. Quem acha que se trata de delírio de cientista maluco precisa saber que Vinge dá consultoria para grandes empresas e suas palestras são concorridíssimas. A seguir, um pouco de suas idéias.

ÉPOCA - Como o senhor explica seu conceito de singularidade tecnológica?

Vernor Vinge - Acredito que entre 2005 e 2030 vamos conseguir criar um supercomputador muito mais inteligente do que nós. E a partir desse momento o mundo não será mais nosso. As máquinas terão consciência própria e capacidade de criar outras máquinas ainda mais inteligentes e criativas, e assim por diante.

ÉPOCA - Por que chamou isso de singularidade?

Vinge - É uma referência à Física. Singularidade para os físicos é um universo no qual as leis naturais que conhecemos não valem mais, e nem sequer somos capazes de imaginar esse outro universo (a palavra 'singularidade' costuma ser usada para se referir à situação do cosmos no momento imediatamente anterior ao big bang). Após a criação do supercomputador, nosso mundo vai mudar de tal forma que hoje somos incapazes de conceber. Daí a expressão singularidade tecnológica. É um mundo impenetrável para nós, para nossas mentes de hoje, acostumadas com o mundo no qual fomos criados.

ÉPOCA - Vamos desaparecer da face da Terra ou seremos escravizados pelas máquinas, como mostram alguns filmes de ficção científica?

Vinge - Não temos como saber. Por mais úteis que sejam, os computadores que usamos hoje são estúpidos, bastante simples se comparados a nossa capacidade intelectual. Somos bem melhores. As máquinas que antevejo serão absolutamente fantásticas. Se pudéssemos trazer de volta a nosso tempo um gênio como Benjamin Franklin, levaríamos mais ou menos um dia para explicar a ele as mudanças que ocorreram desde seu tempo. Agora, imagine fazer o mesmo com um peixinho dourado. Seremos o peixinho dourado após a singularidade. Qual foi a última invenção que seu cachorro ou gato fez? Pois é, nossas invenções e idéias vão parecer assim para esses supercomputadores.

ÉPOCA - Estamos vivendo novamente um período de medo de fim do mundo, com religiosos anunciando o apocalipse, o temor de grandes mudanças causadas pelo aquecimento global e por inovações como os transgênicos e a nanotecnologia?

Vinge - O século XXI é um século perigoso. Convivemos com os efeitos do aquecimento global, com o risco de esgotamento de recursos naturais, com novas pragas e doenças que se disseminam rapidamente. O sentimento de medo do fim do mundo não é novo - passamos os anos 60 e 70 com medo da hecatombe nuclear. Mas a sensação de medo se intensificou porque a tecnologia avança mais depressa e está muito presente em nossa vida.

ÉPOCA - De onde vêm suas idéias, da Matemática ou da ficção científica?

Vinge - Tento manter a ficção separada da Matemática. Minha idéia sobre a singularidade tecnológica é especulação, mas não é ficção - que é o que faço para ganhar dinheiro (risos). Tento ser o mais fiel possível ao que sabemos hoje em termos de tecnologia.

ÉPOCA - Como o senhor começou a enveredar para a ficção?

Vinge - Sempre me interessei por Ciência e pelo que ela poderia fazer. Para isso, a Matemática é fundamental. Ao mesmo tempo, sempre fui fascinado pelas revoluções tecnológicas e pelo impacto que produzem na sociedade. Esse é o terreno da ficção científica. Na verdade, a ficção científica foi a primeira área afetada por minhas idéias. Hoje boa parte dos livros trata da singularidade, se ela ocorre ou não, da impossibilidade de antever o futuro que se segue a ela.

ÉPOCA - Quais são os sinais de que esse momento estaria se aproximando?

Vinge - Essa singularidade pode ocorrer ou não. Se houver um interesse menor por inovações na área de computação, ela terá menos chances de ocorrer. Nada aqui é inevitável. Mas o sucesso cada vez maior das conexões sem fio é um sinal de sua aproximação. Outro é o desenvolvimento de softwares de computador capazes de se autoprogramar. No mundo da computação, algumas atividades estão ficando obsoletas e a programação é uma delas. Veremos também o crescimento do número de CPUs trabalhando em rede.

ÉPOCA - Qual é o futuro dos robôs no cenário que o senhor imagina?

Vinge - Eles ficarão cada vez mais perfeitos e nós teremos dificuldades para diferenciar o ser vivo da máquina. Temos hoje bonecas-robôs, cães-robôs e gatos-robôs, mas nenhum deles é capaz de nos enganar; sabemos que são máquinas. Mas vai chegar o dia em que ficaremos em dúvida de tão perfeitos que serão. O aparecimento, por exemplo, de um robô doméstico capaz de limpar um banheiro com perfeição pode ser o sonho das donas de casa, mas também pode apontar para a proximidade da singularidade. São avanços graduais todos eles. Tomados individualmente não têm muita importância, mas somados indicam um potencial cada vez maior.

ÉPOCA - A simbiose entre o homem e as máquinas seria outro indicador?

Vinge - Sem dúvida. Hoje você não consegue viver sem seu computador, uma máquina que aumenta sua capacidade mental, que permite a você ter todo tipo de informação à mão numa fração de segundo. Você também não vive sem celular, que oferece acesso à internet onde quer que você esteja. Temos os palms também. Cada vez mais a tendência é de desenvolvimento de equipamentos que acompanhem as pessoas o tempo todo, criando uma espécie de simbiose.

ÉPOCA - O filósofo americano Francis Fukuyama, aquele que ficou famoso há alguns anos pregando o 'fim da História', afirma que esse ponto de virada, em que nossa espécie passará por transformações radicais, virá da Biologia Molecular e da manipulação do DNA. O que o senhor acha disso?

Vinge - Não creio. A Biologia vai mudar muita coisa em nossa vida, nos dará diagnósticos mais precisos, drogas mais seguras, exames preditivos confiáveis. Vai até mesmo permitir que nossa memória seja preservada a despeito da idade. Mas nada disso será radicalmente significativo. Até porque grandes revoluções na Biologia dependem hoje de ferramentas de computação cada vez mais sofisticadas. O supercomputador consciente da própria existência e de sua capacidade virá primeiro.

ÉPOCA - E quanto tempo após a criação desse supercomputador seria necessário para que se criasse essa singularidade?

Vinge - Nós nos tornaríamos obsoletos umas cem horas após o aparecimento desse computador consciente. O que aconteceria conosco é impossível prever. A vida pode se tornar insuportável para nós em meio a esses computadores geniais que vão transformar o mundo segundo sua vontade e necessidade. Para eles, nossas criações seriam irrelevantes e inúteis. Pode ser que sejamos extintos. Pode ser também que alguns de nós sejam mantidos para executar algumas tarefas. Tudo pode acontecer.

ÉPOCA - Seres humanos são guiados por necessidades físicas claras - sexo, alimento e descanso. É claro que esses não seriam os mesmos imperativos de máquinas. O que o faz pensar que elas nos levariam à extinção?

Vinge - Elas também podem nos manter como animais de estimação. Particularmente, acho que a convivência com essas superinteligências seria mais fácil do que a convivência com outros seres humanos. Sucesso para nossa espécie é uma coisa sangrenta, obtida com esforço e luta, derramamento de sangue, guerras, conquistas. Máquinas não seriam tão intensas e passionais.


Revista Época
RUTH HELENA BELLINGHINI

VERNOR VINGE

Vernor Steffen Vinge (10 Fevereiro, 1944) é formado em matemática, em ciência da computação e, como autor de Ficção Científica, teve seu talento reconhecido por ganhar 4 prêmios Hugo e por seu ensaio "The Technological Singularity" (1993), no qual ele argumenta que o crescimento exponencial tecnológico irá chegar a um ponto que sequer podemos imaginar as consequências.
Vinge publicou sua primeira história em 1965 na revista Analog. Na época, ele era um colaborador assíduo de revistas de Ficção Científica. Em 1981 com seu romance 'True Names', Vinge começou a ser notado. Este romance seria o ponto de partida para escritores como William Gibson e Neal Stephenson darem forma ao gênero ciberpunk, pois apresentava um conceito novo, o ciberespaço. Em 1992, Vinge depois de ser nomeado várias vezes, ganha seu primeiro Hugo por 'A Fire Upon the Deep'. Vinge aposentou-se em 2002 das aulas na universidade de San Diego State para se dedicar em tempo integral à literatura. Sua ex-esposa, Joan D.Vinge também é escritora de FC. Atualmente Vinge faz parte do comite de seleção ao prêmio da Fundação pelo Software Livre.

True Names [ Download ]
The Technological Singularity [ Download ]

Como desenhar Stars Wars

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Entrevista com Vernor Vinge



‘A FC é para a humanidade, o que o sonho é para o indivíduo’.

O nome Vernor Vinge não soa com a mesma força de nomes como Philip K Dick, Ursula K.Le Guin ou Isaac Asimov, mas o escritor e professor de matemática da Universidade da Califórnia está entre os grandes nomes da FC americana, como estes três legendários autores.
Entre outras coisas, Vinge ganhou o prêmio Hugo de 2007 com seu livro ‘Rainbows End’ (ganhou em 2000 por ‘Deepness in the sky’ e em 1993 por ‘Fire on the deep’). O Hugo é o prêmio mais importante da literatura de FC e Fantasia escrita em inglês e é entregue desde 1953.

Vinge é um escritor de FC hard. O que significa dizer que ele projeta mundos futuros onde o avanço tecnológico é extrapolado, com rigor científico, a partir da realidade atual. ‘Rainbows End’ se passa em San Diego, Califórnia, em 2025. As tecnologias de comunicação evoluíram ao ponto de haver uma realidade virtual coexistindo com a realidade cotidiana. Dispositivos como a roupa inteligente fazem com que a conectividade com a Internet seja constante e em 3 dimensões e as pessoas trocam mensagens mentais como se ‘telepaticamente’.
Neste mundo, que parece de certa forma, inevitável, Vinge questiona - entre outras muitas dúvidas existenciais futurísticas - sobre o fim da privacidade e da natureza da memória humana em um tempo de bases de dados infinitas e a onipresente ciber-vigilância.
Além de matemático e escritor, Vinge é um dos profetas da Singularidade Tecnológica, a idéia de que a evolução exponencial do desenvolvimento tecnológico irá criar uma espécie de super-inteligencia artificial que funcionaria de maneira independente da humanidade, como um novo ser vivo.

Vinge afirma que vivemos um momento na história do planeta, comparável a primeira aparição da vida, milhões de anos atrás. Longe de ser uma ficção, mas, sua descrição deste fenômeno (corroborado por muitos cientistas de prestígio internacional) foi apresentada oficialmente à NASA em março de 1993. Um ensaio na revista Technology Review do MIT, diz que os mundos imaginados por Vinge, tiveram um impacto real e importante no desenvolvimento de novas tecnologias. Em grande parte por que os inventores destas tecnologias eram leitores fanáticos de seu trabalho.

Em uma conversa telefônica, Vernor Vinge explicou a dedicatória em ‘Rainbows End’:
‘Para as ferramentas cognitivas da Internet que estão mudando nossas vidas: Wikipedia, Google, Ebay e outras.’

O que significam estas novas tecnologias para a cultura humana?

Vernor Vinge: Creio que há uma grande possibilidade de que a Internet - quero dizer, os computadores e as bases de dados e as pessoas ligadas a ela - sejam algo inédito, um fenômeno sem precedentes na história. Se fizer as contas, há centenas de milhões de pessoas instruídas que estão hoje se comunicando pela rede. E dentro desta grande massa há provavelmente um milhão de pessoas que são mais inteligentes que todas as pessoas que no passado mandaram neste mundo.
Além disso, qualquer coisa que queira saber, sobre qualquer tema, você pode encontrar milhares de especialistas no assunto, não importa o quão insignificante seja.
Toda esta gente está trabalhando por conta própria, sem um controle central, mas estão colaborando com algo que, pela primeira vez na história, não requer que alguém seja extraordinariamente rico ou bem aventurado para entender e está conectado com o panorama global, com aquilo que se passa no mundo.
Nos últimos 200 anos, mais ou menos, estivemos indo nesta direção lentamente, mas agora a coisa é tão intensa que já existe uma esperança de que se minimize bastante a influência dos governos sobre a humanidade. Não significa que os governos vão desaparecer. Apenas que eles se tornarão provedores de infra-estrutura, ao invés de serem donos de nossas vida.

Não te preocupa que a sociedade na rede, pode ter seu lado negro, por exemplo, a vigilância e o fim da privacidade?

VV: Antes de mais nada, creio que ninguém pode prever o futuro. Mas considero que há motivos para ser otimista. No caso dos governos, por exemplo. Creio que a cada vez mais estão se dando conta de que a base de seu poder não vem dos exércitos mas de ter uma população instruída. E que esta população de centenas de milhões de pessoas criativas, possuem uma liberdade genuína. Isso é o que necessitam e estão começando a dar conta disso.

Você foi um dos primeiros profetas da ‘Singularidade’. Acha que vamos viver o bastante para vê-la acontecer?

VV: Penso que a singularidade é um evento não-catastrófico, que irá ocorrer em nossas vidas. Se não ocorrer um desastre, acho que a veremos. Mas também acredito que se uma super inteligência nascer repentinamente, será talvez incompreensível para nós. Nem sequer poderemos entendê-la. Seria como tentar explicar uma chamada telefônica para um peixe, seria impossível. Esta é a escala da diferença.

Colocou seu livro online e para acesso livre. Por que o fez?

VV: Junto com a maioria das pessoas que ganham a vida escrevendo ficção, observo com ansiedade o que se passa com a idéia da propriedade intelectual. E creio que as pessoas que trabalham para as editoras também. Ao mesmo tempo, sei que posso publicar obras online grátis. No meu caso, vi que muitos ganhadores anteriores do Hugo já o fizeram. Então eu e meu editor decidimos tentar, para ver o que acontece. É uma experiência.

Foi dito que seus livros exercem uma verdadeira influência sobre o desenvolvimento de certos produtos tecnológicos. Quanta influência você acha que a Ficção Científica tem sobre o mundo real?

VV: A Ficção Científica (FC) faz duas coisas. A mais importante é que ela estimula os jovens a se interessar pela ciência e ingressar em carreiras tecnológicas. A outra coisa é - apesar de soar grandiloquente - é que a FC é para a humanidade o que o sonho é para o indivíduo. E você sabe que os sonhos não tem, em geral, nenhum valor como previsão, mas as vezes geram boas idéias, que não ocorreriam de outra forma.

Finalmente, te incomoda que a Ficção Científica seja um gênero marginalizado? Ou seria indelicado fazer esta pergunta?

VV: É preciso se dar conta de uma coisa. Nos anos 50 eu era uma criança e a FC estava marginalizada, no sentido real da palavra. Não creio que era visível para todos. Foi um gênero depreciado, mais do que é hoje em dia. Todavia, naquele tempo as pessoas pensavam que o progresso seguia seu curso muito rapidamente e estavam seguras sobre a maioria das coisas. Hoje a FC - de uma forma ou de outra e não necessariamente o que escrevem os autores de FC -é dominante na nossa cultura. Nos filmes e na cultura popular.
Minha sensação é que assimilamos profundamente o fato de que o futuro não vai ser como esperávamos. Não podemos planejar com antecedência. E se esta mentalidade e estilo de se pensar é hoje, comum a toda raça humana, a FC teve muito a ver com esta mudança.

Por André Hax.
http://vrinimi.org/rainbowsend.html

THÉOPHILE GAUTIER


Pierre Jules Théophile Gautier (30 de Agosto, 1811 – 23 de Outubro, 1872) nasceu em Tarbes, França. foi poeta, dramaturgo, romancista, jornalista e crítico literário. Sua vida esteve envolvida com a maior parte dos acontecimentos políticos e sociais na França do século 19, o que acabou por lhe render grandes obras de diversidade artística. Apesar de ser um defensor do romantismo, a obra de Gautier é complexa para ser classificada, pois flertou com diversas tradições literárias e estilos, como o parnasiano, o simbolismo e o modernismo. Mas Gautier, ao longo de sua carreira literária, ficou mais famoso por escrever um gênero bastante apreciado no século 19: o fantástico. Gautier era admirado por vários e escritores como Baudelaire, Flaubert e Oscar Wilde.

"Só é realmente belo aquilo que não serve para nada; tudo quanto é útil é feio."

La muerta enamorada [ Download ]
La novela de la mumia [ Download ]

O papel da cidade estrangeira nos contos fantásticos de Théophile Gautier



"Estes contos estranhos diferem de tal forma de todos os contos aparecidos até aqui, experimenta-se lendo-os a mesma impressão que um homem lançado de Paris para Pequim por uma catapulta, experimentaria à visão dos tetos envernizados, das muralhas de porcelanas, das grades vermelhas e amarelas de suas casas, das tabuletas das lojas cheias de caracteres bizarros e de animais fantásticos, e de toda esta população que nos parece tão barroca sobre as folhas de nossos pára-ventos, com seus pára-sois, seus chapéus em cône, ornado de sininhos, e de seus vestidos com relevos de largas flores e de pequenas serpentes aladas."

Sabrina Ribeiro Baltor
Mestranda em Língua Francesa e Literaturas de Língua Francesa - UFRJ


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sábado, 1 de março de 2008

Jules Verne - Modelos de papel





Modelos de papel para montar com temas de Jules Verne

Pedidos - Star Wars - Modelos de papel

Atendendo ao pedido do André Bueno de São Paulo, modelos de papel de Star Wars pra montar!


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O que matou a Ficção Científica (Lost Pages)



"O que matou a Ficção Científica
por Doutor Josiah Carberry, Professor de Inglês na Brown University de San Diego.

Resumo: O extinto gênero literário e cinemático, conhecido certa vez como 'Ficção Científica', nasceu em 1926 e alcançou seu auge em 1966, depois disso, uma série de catástrofes, tanto literárias quanto não, levaram o gênero ao seu declínio e virtual desaparecimento.

É difícil acreditar hoje em dia, em nosso atual panorama desprovido de trabalhos de especulação fantástica, que no passado, a literatura e o cinema fossem dominados por um agora esquecido, gênero de entretenimento, chamado ‘Ficção Científica’.

Alguns poucos aficcionados podem muito bem encontrar suas obras favoritas de ‘FC’, como era comumente chamada, nas quase desintegradas primeiras edições, revistas bolorentas e baratas, e em filmes deteriorados. Porém, descobertas recentes revelaram que – longe de conhecer as peculiaridades dos clássicos fora de catálogo deste gênero – aqueles que nasceram a partir de 1966 eram na maioria ignorantes, quanto a verdadeira noção de FC.
Este abismo de gerações de fato, representa o principal obstáculo para a ressurreição do gênero.

Talvez devamos falar brevemente sobre os dias gloriosos da FC, antes de examinar os fatores que a levaram ao seu infame aniquilamento.

Quando um empreendedor imigrante galês de nome Hugh Gormsbeck lançou sua revista Amazing Stories, em 1926, ele juntou uma profusão de histórias disparatadas e uma variedade de escritores, sob o rótulo ‘cientificação’, um termo que posteriormente se tornaria ‘ficção científica’ (FC). Criando regras e colocando a FC em campo, digamos assim, Gormsbeck pavimentou a estrada que sustentaria o crescimento, a popularidade e a camaradagem entre leitores e escritores.
Nos quarenta anos seguintes, por toda parte, o gênero adquiriu complexidade e sofisticação, estabelecendo padrões de excelência.
Saindo das revistas para os livros de capa dura (entre 1950 e 1960) a FC começou a produzir genuínas obras primas, como ‘Other Than Human’ (Theodore Sturgeon - 1953), ‘The Galaxy My Destination’ (Alfred Bester - 1957) e ‘The Nova Mob’ (Henry Kuttner - 1961).

Ao mesmo tempo, a FC começava a se infiltrar em outras mídias.
Rádio-dramaturgias como ‘The Shadow Lady’ e ‘Dimension X Squared’ empolgava milhares de ouvintes. Nos jornais, os quadrinhos como ‘Flashman Gordon’, ‘Buckminster Rogers’ e ‘The Black Flame’ disputavam a preferência com as revistas de quadrinhos mensais ‘Captain Marvelous’, ‘Kimball Kinnison’, ‘Galactic Lensman’, e ‘Superiorman’, para leitores não interessados em literatura.

Hollywood em peso aderiu ao gênero, com uma variedade de produções —‘Things that Might Come’ (1936) e ‘Destination Orbit’ (1950) —além do execrável ‘I Married a Martian’ (1949) e o muito esperado e decepcionante ‘Eye in the Sky ‘(1958).

A metade final dos anos 50 foi um período excitante para a FC, e o lançamento do primeiro satélite chinês, aumentou o interesse no gênero, refletindo-se em dezenas de novas revistas, publicações e peças televisivas (como ‘The Twilight Zone’, de Orson Welles).
Ao final dos anos 60, a FC já explodira como fenômeno popular de massa.
Clássicos cultuados como ‘Drifter in a Strange Land’ (Robert Heinlein - 1961), ‘Vril Revival’ (Thomas Pynchon - 1963) e ‘Dunebuggy’ (Frank Herbert - 1965) conquistaram os corações e as mentes de leitores adultos e jovens, flertando com as listas de best-sellers (o mesmo destino feliz foi vaticinado por especialistas para o triunvirato em progresso, sobre os romances de fantasia britânicos - a fantasia havia sido um aliado de longa data, de seu primo mais cientificamente respeitável. Mas a morte precoce do autor JRR Tolkien em 1955, depois de um único livro lançado, ‘The lord of the rings’, impediu sua realização.)

Adicionalmente, uma nova geração de escritores surgiu com uma visão literária mais sofisticada (H.Ellison, S.Delany, R.Zelazny, B.Malzberg, U.Le Guin) e começou a se tornar conhecida.

Tudo parecia correr bem para a FC até a metade desta década, porém sua ruína, como todos sabemos, estava próxima.

E o nome de sua nêmesis era JORNADA NAS ESTRELAS.

8 de Setembro de 1966, 8:30 da noite.
Raramente se pode apontar com tanta precisão, um momento de mudança histórica, mas retrospectivamente, este foi certamente o momento que marcou o fim da Ficção Científica.

Um todo-poderoso homem de Hollywood, mais famoso por seu anteriormente citado ‘Destination Orbit’, George Pal, acabara de chegar ao meio televisivo após seu gigantesco fracasso teatral, com o não intencionalmente cômico, ‘A Clockwork Orange’, de 1965.
Concebendo uma viagem imaginária, de um cruzador inter-estelar no século 23, chamado The Ambition, foi uma maneira bastante esperta de utilizar uma boa quantidade de cenários já existentes.

O primeiro e grande erro de Pal foi ao escolher o elenco.
Nick Adams interpretava o histriônico Capitão Tim Dirk, como uma espécie de James Dean de terceira categoria. O oficial alienígena de nome Strock foi concebido sobre um Bela Lugosi narcotizado. O médico de bordo ‘Bones’ LeRoi foi risivelmente interpretado por Larry Storch. O engenheiro ‘Spotty’ (chamado assim pelos fãns) encontrou o veterano Mickey Rooney longe de sua melhor forma. E para os elementos femininos- bem, uma definhante jovem modelo chamada Twiggy (no papel de Yeoman Sand) e uma bastante volupta Jayne Mansfield (como a Tenente de comunicações Impura).

O erro seguinte de Pal foi insistir em escrever ele mesmo, todo o roteiro da primeira temporada, por contenção de gastos. Se usando de todos os clichês encontrados na FC assim como em westerns, filmes de guerra e uma dúzia de outros gêneros, os roteiros de Pal foram qualificados pela crítica, como os piores já escritos na história da televisão.

Com dois enganos pesando contra ele, os outros fatores são menores, como primitivos efeitos especiais, vilões ridículos, vestimentas saídas de O Mágico de Oz no espaço, um tema musical enlouquecido e inconveniente - era apenas a cobertura no bolo do desastre.

Basta perguntar a qualquer pessoa de certa idade e que assista televisão, onde ela ou ele estava, quando o infame primeiro episódio de Jornada nas Estrelas (um ultra-confuso episódio de viagem no tempo intitulado ‘When did we go from then?’) foi ao ar.
Aproveitando-se de um momento de queda na programação de outono e garantindo que todos os seus competidores exibiam reprises, os minutos da estréia desta bomba televisiva, encontrou milhares de televisores ligados.

Queixos começaram a cair por todo o país e os telespectadores começaram a ligar uns para os outros, erguendo uma onda de atenção sobre a série.
Na época, a costa oeste dos Estados Unidos era o foco das séries que estreavam, e o episódio recebeu os índices mais altos de audiência já registrados.
Contudo, isso não era um bom sinal.

O dia seguinte trouxe um unânime e cruel linchamento.
Colunistas e editores dos jornais tiveram um ótimo dia com o espetacular fracasso, assim como os comediantes de tevê (Johnny Carson, por exemplo, dedicou seu monólogo de abertura de 9 de setembro, a este episódio).
Na semana seguinte, uma edição especial do Guia da TV, dedicou uma arrasadora avaliação de Jornada nas Estrelas e da FC televisiva em geral.
Imprudentemente, o canal NBC, empolgado pelo prestígio de Pal, já o havia contratado para mais 36 episódios. E preferindo, ao invés de fugir ou buscar auxilio, Pal agarrou-se à carta de autorização da emissora e partiu para a briga em face da desonra.
Semana após semana, o publico era jogado de um episódio horroroso para outro.
Inúmeras falas retiradas da série (‘Ele está... ele está morto Tim!’, ‘Eu sou um médico do século 23, maldição, e não um cientista cristão!’, ‘Um para subir Spotty’, ‘Pouco axiomático, Capitão.’) tornaram-se uma ironia nas conversas diárias.

E então o inevitável ocorreu.

Os escritores de FC passaram a levar a sério aquela porcaria.

O prejuízo embutido por toda aquela coisa do tipo ‘Buckmisnster Rogers’, nunca deixou a consciência do público. Ser visto lendo um livro de FC publicamente era o equivalente a usar nas costas, um cartaz escrito ‘ME CHUTE’.
Tudo que a literatura séria de FC tinha laboriosamente conseguido, desvaneceu de uma noite para outra.
As vendas dos livros e revistas de FC caíram vertiginosamente, leitores esporádicos e escritores começaram a deserdar do gênero em bandos. Falências - tanto pessoais quanto financeiras - proliferaram. Filmes ainda em produção foram cancelados.
Em uma espiral decrescente, um malogro seguia ao outro para o fundo.
Finalmente em 1968, muito depois da morte de Jornada nas Estrelas - surgiria uma campanha organizada por verdadeiros fãs de FC - enquanto a memória da tragédia estava viva, e alguns ferrenhos leitores e autores sobreviveram, de uma reminiscência miserável e esfarrapada do legado vital.

Persistia uma pequena dúvida, se a FC teria a capacidade literária de recuperar-se de uma tragédia desta dimensão. O cenário sempre fora propício a ciclos de sucessos que logo se transformavam em fracassos. Bastava um novo acontecimento de grande magnitude, um cataclisma extra-literário, para finalmente matar este gênero, testamento do vigor e do inerente encanto da natureza humana.

Primeiro e, antes de tudo, veio o desastre da Apollo 11 em 1969.
Quando o modulo de excursão lunar falhou ao tentar pousar na superfície lunar, o mundo assistiu a tragédia que solapou qualquer otimismo tecnológico deixado intacto após a guerra do Vietnam e o crescente alerta sobre a poluição ambiental.
(Os distúrbios pelo Dia da Terra 1972-1975).

A perversão da tecnologia para manutenção da ‘Big Nurse’, um banco de dados de contra-inteligência pelo FBI, sob a terceira administração Nixon e a subseqüente aprovação das leis que limitavam a manufatura de computadores de baixo desempenho, contribuíram para diminuir o fascínio por um futuro de máquinas sofisticadas.

O prego final no caixão da Ficção Científica ocorreu com o derretimento incontrolável da usina de Three Mile Island, em 1979.
Querendo ou não, a FC há muito estava relacionada com a energia nuclear na cabeça das pessoas, e esta catástrofe que contaminou toda orla marítima, transformou a FC em sinônimo de mortandade em massa.

Um último golpe de má sorte surgiu na forma de um filme underground de 16 milímetros, que teve a infelicidade de ganhar notoriedade na cena pornográfica de San Francisco, ‘Close Encounters of the Stars Wars Kind’ era uma aventura classificada como proibida para menores de 21 anos, dirigida pela dupla, George Lucas e Steven Spielberg, estrelado por desconhecidos atores e atrizes ( Charlie Sheen, Rob Lowe, Hugh Grant, Louise Ciccone, Janet Jackson, Hilary Rodham, Sly Stallone, Arnie Schwarzenegger, etc). Nesta repugnante pantomima, representantes de um império inter-estelar decadente, fizeram da Terra seu parque de diversões sexual, recebendo apenas a resistência de rebeldes nus, que se esforçavam para serem mais libidinosos e repreensíveis do que os tiranos.
Após a Corte Suprema acabar com Lucas e Spielberg, nenhuma outra pessoa em sã consciência iria se atrever a aproximar-se da FC.

Duas décadas após estes incidentes, a FC permanece como uma forma praticada somente por um punhado de amadores excêntricos, aparecendo em publicações mimeografadas, limitada a circulação entre cento e poucas pessoas no máximo.
(pelo menos nos EUA. A situação da FC no Reino Unido tem uma outra e complexa história. Procure pelo título "O Império da Mídia de Moorcock e Ballard, Ltda”.).

Que esta, certa vez orgulhosa tradição literária, termine desta forma, parece inevitável
devido a cadeia de circunstâncias aqui relatadas. Ainda que, por um minuto, podemos imaginar - se não fosse abusar de uma herética vertente da velha FC, conhecida como ‘realidade alternativa’ - como as coisas poderiam ter sido diferentes.”


Introduction—"What Killed Science Fiction?" - Paul Di Filippo - Lost Pages

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