terça-feira, 24 de março de 2009

Estética Cyberpunk e semioses subversivas: Prováveis virtualidades reais


A cultura cyberpunk origina-se da ficção científica, tendo como principais autores George Orwell, com “1984”, William Gibson e seu “Neuromancer”, Isaac Azimov com “Eu, robô”, dentre vários outros títulos, Aldous Huxley com “Admirável mundo novo” e Anthony Burgess com “Laranja mecânica”.

Enraizada na literatura, a cultura cyberpunk apresenta atualmente diversos exemplos cinematográficos, dentre os quais pode-se citar os filmes Blade Runner, Terminator, Matrix, Nirvana, Resident Evil, Robocop, Absolon, Aeon Flux, Ghost in the Shell e Serial Experiments Lain.

Também são vários os games relacionados ao Movimento: Splinter Cell, Tron, Resident Evil, Neuromancer, Computer Underground, System Shock, Deux Ex-machina, Blade Runner.

Surgida no contexto tecnourbano da década de 80, a cultura cyberpunk, desdobramento da contracultura norte-americana, tem como mote principal a contestação do sistema capitalista e a apropriação social da tecnologia. A atitude cyberpunk é definida por ideais libertários, pelo uso e domínio das tecnologias digitais e pelo desafio às normas estéticas e culturais.

Os cyberpunks combatem o panopticum eletrônico da tecnocracia e disseminam o lema punk “do it yourself” por meio do compartilhamento de informações, dos softwares de código aberto, como o sistema operacional Linux e de diversas formas de crítica em relação à privatização do ciberespaço. Seus anti-heróis são outsiders que fazem uso das tecnologias digitais para minar a estabilidade de valores que consideram equivocados.

São hackers, crackers, phreakers, cypherpunks, ravers, zippies e otakus, uma diversificada gama de usuários de tecnologias digitais que herdaram da literatura de ficção científica um imaginário composto por ambientes urbanos, caóticos, distópicos, palmilhados por anti-heróis que adentram submundos tecnológicos, uma espécie de marginália digital embebida em ideais punks de contestação ao capitalismo e à sociedade de consumo.

No universo dos cyberpunks, a dissolução de limites é imperativa. Mescla-se o virtual e o real, o orgânico e o inorgânico, e a percepção é marcada pela abertura dos sentidos, exemplificada pela metáfora das drogas alucinógenas e pela experimentação do fantástico, do pensamento mágico e do misticismo como facetas perfeitamente cabíveis ao universo da vida cotidiana.


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Deborah Lopes Pennachin
Mestre em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea pela UFMG e Bacharel em
Jornalismo pela mesma instituição.