terça-feira, 10 de março de 2009

Os Guardiões do Tempo - Poul Anderson



Uma das concepções mais curiosas (e mais populares) da ficção científica são as incursões temporais organizadas.

Na trilha aberta genialmente por H. G. Wells com a "máquina do tempo", na qual um viajante se desloca pelo futuro, dando um cunho de autenticidade à experiência - ao contrário das viagens feitas em sonho ou com o uso de forças mentais —, os autores do gênero "aperfeiçoaram" meios de transporte que permitem o livre trânsito entre o presente, o futuro e o passado. Com os progressos da Ciência, não será nenhum exagero acreditar que um dia ela resolva os paradoxos do tempo e, assim, produza uma tecnologia capaz de enviar os homens em qualquer direção temporal.

A ficção científica apenas se antecipa de alguns milênios a essa probabilidade. Afinal de contas, sabemos que certas partículas subatômicas se comportam como se rumassem do presente para o passado.

Mas, quando o homem puder viajar livremente para qualquer época, hão de se oferecer problemas extremamente delicados, e um deles é que alguém, por deliberação ou inadvertência, possa alterar a História. Nem todos se contentarão em desfrutar da paisagem primitiva ou em assistir, sem participação alguma, a certos acontecimentos que mudaram os destinos da humanidade. Para isso, pensa Poul Anderson, será preciso criar a Patrulha do Tempo, homens treinados com absoluto rigor e que devem estar sobretudo atentos aos "clandestinos" das viagens temporais.

Em Os Guardiões do Tempo somos colocados diante de algumas situações típicas que a Patrulha deve enfrentar. Entre suas decisões podem figurar algumas terrivelmente drásticas, como eliminar povos e civilizações inteiras que surgiram de uma distorção criminosa da História. Se bem que, em certos casos, haja meios de corrigir "anomalias" resultantes de decisões anti-regulamentares. No conto que abre o volume, Anderson nos dá idéia de como e por que se formou essa misteriosa vigilância, explicando-nos engenhosamente suas principais coordenadas. Esse conto, "A Patrulha do Tempo", figura constantemente entre os clássicos desse ramo temático e foi mesmo incluído por Hubert Juin nos 20 Meilleurs Récits de Science Fiction, ao lado, entre outros, de Jorge Luis Borges, Dino Buzzati, Howard Fast, Júlio Cortázar e Ray Bradbury.

Outro conto famoso de Poul Anderson que aparece em Os Guardiões do Tempo é "Delenda Est" - brilhante incursão histórica que tem por fulcro uma tentativa de mudar o resultado da guerra entre Roma e Cartago. Quase o mesmo se pode dizer de "A Glória de Ser Rei" e de "A Única Diversão na Cidade" ("As Quedas de Gibraltar" é de feitura mais recente, 1975), nos quais mais uma vez se superpõem dois terrenos, a Física e a História, em que Poul Anderson se move como peixe na água.

Para os leitores da coleção "Mundos da Ficção Científica", que já o conhecem de O Viajante das Estrelas e de Tau Zero, este Os Guardiões do Tempo, com sua leitura excitante, servirá para tornar mais conhecido um autor de obra numerosa, mas de consistente elaboração, que nos Estados Unidos os aficionados elegeram como o mais popular, vale dizer, o mais lido do gênero.
FAUSTO CUNHA

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