sexta-feira, 13 de março de 2009

Os Vírus da Mente - Richard Dawkins


Uma linda criança próxima de mim, com seis anos e a menina dos olhos de seu pai, acredita que
Thomas o Motor de Tanque [personagem de uma história infantil] realmente existe. Ela acredita em Papai Noel, e quando ela crescer sua ambição é ser uma fada do dente. Ela e seus amigos de escola acreditam na palavra solene de adultos respeitados de que fadas do dente e o Papai Noel realmente existem.

Esta pequena menina está em uma idade de acreditar em tudo que você lhe contar. Se você lhe contar sobre bruxas transformando príncipes em sapos ela acreditará em você. Se você lhe contar que crianças más ardem eternamente no inferno, ela terá pesadelos. Eu descobri há pouco que sem o consentimento do pai dela esta criança de seis anos encantadora, confiante e crédula está sendo enviada, para instrução semanal, a uma freira católica romana. Que chances ela tem?

Uma criança humana é moldada pela evolução para se saturar da cultura de seu povo.

Obviamente, ela aprende os essenciais do idioma de seu povo em questão de meses.

Um dicionário grande de palavras para falar, uma enciclopédia de informação para falar sobre, regras sintáticas e semânticas complicadas para ordenar a fala são todos transferidos de cérebros mais velhos ao dela antes que ela alcance metade de seu tamanho adulto.

Quando você é pré-programado para absorver informação útil a altas taxas, é difícil impedir ao mesmo tempo a entrada de informação perniciosa ou prejudicial. Com tantos bytes mentais para ser assimilados, tantos códons mentais para ser reproduzidos, não é nenhuma surpresa que cérebros de crianças sejam crédulos, abertos a quase qualquer sugestão, vulneráveis à
subversão, presas fáceis para Moonies, Cientologistas e freiras.

Como pacientes imuno-deficientes, crianças estão amplamente abertas a infecções mentais as quais adultos poderiam repelir sem esforço.

O DNA também inclui código parasitário. A maquinaria celular é extremamente boa em copiar DNA. No que tange o DNA, ele parece ter uma ânsia para copiar, parece ansioso em ser copiado. O núcleo da célula é um paraíso para o DNA, repleto de maquinaria de duplicação sofisticada, rápida e precisa.

A maquinaria celular é tão amigável para a duplicação de DNA que é pouca surpresa que células
tornem-se hospedeiras de parasitas de DNA – vírus, viróides, plasmídeos e um refugo de outros
camaradas viajantes genéticos. O DNA parasitário até mesmo se torna emendado aos cromossomos de forma quase imperceptível. “Genes saltantes” e extensões de “DNA egoísta” se cortam ou copiam para fora de cromossomos e se colam em outro lugar. Oncogenes mortais são quase impossíveis de distinguir de genes legítimos entre os quais eles estão trançados. No tempo evolutivo, há provavelmente um tráfico ininterrupto de genes “legítimos” para genes “foras-da-lei”, e de volta novamente (Dawkins, 1982).

O DNA é só DNA. A única coisa que distingue DNA virótico do DNA hospedeiro é seu método esperado de passar para gerações futuras. DNA hospedeiro “legítimo” é apenas DNA que aspira passar para a próxima geração pela rota ortodoxa de espermatozóide ou óvulo. DNA parasitário “fora-da-lei” é só DNA que busca uma rota mais rápida e menos cooperativa ao futuro, por uma minúscula gotinha ou fragmento de sangue, em lugar de por um espermatozóide ou óvulo.
Para dados em um disquete, um computador é um paraíso da mesma maneira que núcleos de
célula têm uma ânsia em duplicar DNA.

Computadores e seus leitores de disco e fita associados são projetados com alta-fidelidade em mente. Como com moléculas de DNA, bytes magnetizados não “querem” literalmente ser copiados de forma fiel. Não obstante, você pode escrever um programa de computador que toma medidas para se duplicar. Não apenas duplicar a si mesmo dentro de um computador, mas se espalhar para outros computadores. Computadores são tão bons em copiar bytes, e tão bons em obedecer as instruções contidas nesses bytes fielmente, que são vítimas fáceis para programas auto-reprodutores: amplamente abertos à subversão por parasitas de software.

Qualquer cínico familiar com a teoria de genes egoístas e memes teria sabido que computadores pessoais modernos, com seu tráfico promíscuo de disquetes e ligações de e-mail, estavam procurando por problemas. A única coisa surpreendente sobre a epidemia atual de vírus de computadores é que demorou tanto para ocorrer.



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