terça-feira, 14 de abril de 2009

A Maga


Trinta anos antes de Harry Potter, Ursula K. LeGuin escrevia romances sobre uma escola para magos. Assim como seus romances tratavam do bem e do mal, também falavam sobre raça e gênero.

Ursula K.Le Guin encontra inspiração para criar seus mundos fantásticos, tanto na literatura quanto na paisagem. Sua casa nas colinas a oeste de Portland, acima do rio Willamette, tem uma vista espetacular para o Monte Helena, que entrou em erupção vinte e cinco anos atrás, mas agora repousa tranquilo. Neste paraíso privilegiado, sua casa por quase meio século, Le Guin escreveu os livros que a fizeram ganhar reconhecimento como 'Grand Master', tanto da Ficção Científica quanto da Fantasia.

Trinta anos antes de Harry Potter, em 'A Wizard of Earthsea' (1968), ela mandou Ged, também conhecido como Sparrowhawk, para uma escola de magos, em um arquipélago pre-industrial, repleto de dragões e feiticeiros, governado pela magia e pela morte. Le Guin também escreve ficção 'realística', poesia, ensaios e livros para crianças.

'Não tenho paciência com esta ideia de rotular o gênero como um sinônimo de falta de qualidade. Talvez se tivéssemos uma crítica menos ignorante, poderíamos fazer algo mais interessante'.

Ela credita a JK Rowlings ter dado à fantasia 'um grande empurrão' com certo remorso.

'Não penso que ela me plagiou, como alguns dizem, porém ela poderia ter sido mais gentil com seus predecessores. Minha incredulidade se limita aos criticos que acharam o primeiro livro dela maravilhosamente original.

Ela tem muitas virtudes, mas originalidade não é uma delas. Isto me revolta.'



Para Margareth Atwood, Le Guin representa a quintessência do escritor americano, de uma inquestionável qualidade literária, 'para aqueles que se perguntam para onde estamos indo'.

Seus mundos, diz Le Guin, não são inventados, mas sim descobertos.

'Eu paro para observar algo, uma pessoa numa paisagem, e tenho que descobrir o que é aquilo'.

Mas mesmo viajando por mundos internos ou externos, seus olhos permanecem no aqui e agora. Aos 76 anos, Le Guin fala sobre sua filiação aos movimentos pela paz e pelas mulheres ('Tenho o prazer perverso de chamar a mim mesma de feminista') e sobre o Taoismo ('profundo e subversivo').

Seus últimos romances, como 'Gifts', agora pela Editora Orion, começa uma nova série para 'jovens adultos', 'The annals of Western Shore'. O segundo, 'Voices', será publicado em Março.

'Escrever fantasia não é escrever para crianças, mas apaga as distinções, é inerentemente um gênero crossover.

Muito do escrever fantasia, é sobre o poder, veja Tolkien, por exemplo. Significa observar o que o poder faz com a pessoa que o tem e aos outros. Acredito, como Shelley, que "o grande instrumento da boa moral é a imaginação", se você não é capaz ou não imagina o resultado suas ações, não há como você agir moralmente ou com responsabilidade.'

'Crianças pequenas não conseguem fazê-lo, bebês são moralmente monstros - completamente ávidos. Sua imaginação tem que ser treinada para a observação e a empatia.'

Não é uma tarefa fácil, como uma vez ela escreveu:

'Claro, é simples, escrever para crianças é tão simples quanto tê-las.'