sexta-feira, 3 de abril de 2009

Meia-noite - Dean R. Koontz


Mesmo antes da Mudança, Denny era um fanático por computador, um desses garotos que se autodenominavam hackers, para quem os computadores eram não só instrumentos, não só jogos e diversão, mas um modo de vida. Depois da conversão, sua inteligência e capacidade foram colocadas a serviço da New Wave.

Forneceram-lhe um terminal mais potente em casa e um modem ligado ao supercomputador no escritório central da New Wave — um mastodonte que, segundo a descrição de Denny, incorporava 6.500 quilômetros de fios e 33 mil unidades de processamento de alta velocidade — que, por razões que Loman não compreendia, eles chamavam de Sol, embora talvez este fosse seu nome porque todas as pesquisas na New Wave faziam uso intenso da máquina e, portanto, giravam ao seu redor.

Enquanto Loman continuava parado ao lado do filho, um enorme volume de dados passava pela tela do terminal. Palavras, números, gráficos e tabelas apareciam e desapareciam em tal velocidade que só alguém da Nova Gente, com sentidos de certa forma mais aguçados e concentração poderosamente mais intensa, poderia extrair significado deles.

Na verdade, Loman não podia lê-los porque não passara pelo treinamento que Denny recebera da New Wave. Além disso, não tinha nem tempo nem necessidade de aprender a exercer completamente seus novos poderes de concentração.

Mas Denny absorvia as contínuas ondas de dados, olhando fixamente, o olhar vazio, para a tela, sem nenhuma ruga de concentração na testa, o rosto relaxado. Desde que fora convertido, o garoto era tanto uma entidade eletrônica sólida quanto carne e sangue e esta nova parte de si mesmo relacionava-se com o computador com uma intimidade que ultrapassava qualquer relacionamento homem-máquina que qualquer pessoa da Antiga Gente experimentara.


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