domingo, 19 de abril de 2009

Ursula K. Le Guin


Ursula Kroeber Le Guin (21 Outubro de 1929) nasceu em Berkeley, California (EUA). Autora de romances, poesia, livros infantis, ensaios, mais conhecida por seus livros e séries de Ficção Científica e Fantasia e por seu estilo preciso e didático, abrangendo temas como taoísmo, anarquia, psicologia feminista e temas sociológicos.

Seu primeiro livro (de poesias) foi publicado em 1960 (quando lecionava francês) e atualmente é considerada como uma das melhores autoras de Ficção Científica moderna, tendo recebido 5 prêmios Hugo e 6 prêmios Nebula, além dos títulos de Mestre em Fantasia (Gandalf Grand Master em 1979) e Ficção Científica (Science Fiction and Fantasy Writers of America Grand Master Award em 2003).

Seu pai, Alfred Kroeber, um imigrante alemão, fundou o departamento de antropologia da faculdade de Berkeley. Sua mãe, Theodora, dividia sua fascinação pela vida nos americanos nativos, e escreveu 'Ishi in two worlds' (1961), um encontro dos indios Yahi com a civilização. 'Nos tinhamos uma casa cheia de folclore', diz Le Guin que vê a fronteira entre a civilização e a barbárie como os 'confins de uma mente solitária'.

Durante os verões no rancho da familia em Napa Valley, seus 'tios' nativo americanos lhe apresentaram ao rico mundo de sua cultura oral e o fanatismo que enfrentavam. Eles e o vale inspiraram 'Always comimg home' (1985), sobre um holocausto californiano, pós-nuclear.

'O homem branco não é pra mim o equivalente ao ser humano, como na maioria da fantasia que li', ela diz, 'Fiz uma escolha consciente para fazer a maior parte de meus personagens, pessoas de cor.'

Na saga 'Earthsea', Ged é moreno, cor de cobre avermelhado e seu amigo Vetch é negro.

'Estive em batalhas intermináveis com o departamento responsável pelas capas. Gradualmente as pessoas nos livros vão 'escurecendo'. Os primeiros livros deixaram de ser adaptados para a televisão no formato de mini-series para o canal Sci-fi no passado, mas isto já foi motivo de confusão e merece ser deixado em paz', diz Le Guin.

Seu roteiro para a tv foi esquecido ('eles disseram que não era o momento para 'fantasia' em Hollywood').

'De JRR Tolkien eu aprendi o truque de construir um ambiente com muito pouco, de modo que você se sente no mundo real, não em uma fantasia. '

Mas ela encontraria pela frente muito de C.S. Lewis 'simples apologia cristã, cheia de ódio e condenação àqueles que não se submetiam.'

'A divisão entre bem e mal era algo diferente em Tolkien, onde os seres maus eram apenas uma metáfora do mal em nossas vidas; ele nunca lançou a maldade como sendo algo externo, como C S Lewis gostava de fazer'.

Fantasia é quase sempre confundida com escapismo, para Le Guin, ela é a linguagem natural da jornada espiritual e da luta entre o bem e o mal na alma humana. E se assemelha ao sonho, 'os símbolos parecem ser universais e acessíveis para todos. São os mesmos através das épocas. Lemos sobre o épico de Gilgamesh e lá está. A linguagem simbolica é básica, mas não primitiva, nem infantil, é uma profunda gramática da compreensão'.

Ela preenche uma linhagem da fantasia, de Frankenstein a PKD, abarcando Borges, Calvino, Saramago e Gabriel Garcia Marquez. mas também se inspirou em outras tradições, de Dickens e Tolstoy.

'Você tem que mirar tão alto quanto você possa!'.

Le Guin abandonou o 'hardware e soldados' da Ficção Científica da sua adolescência.

'Eram concepções conservadoras, homem branco vai e conquista o universo. Como filha de um antropologista você começa a olhar pelo lado do conquistado. Eu costumava assistir Jornada nas Estrelas (Star Trek), até que o programa saiu dos trilhos com a Voyager. Não há muito para se ver na televisão americana, a não ser que você esteja viciado em violência e risadas enlatadas. Você sabia que a maioria das risadas destes programas são tão antigas que as pessoas que você ouve rindo do sitcom já estão mortos?'

Nos anos 60 ela tornou-se parte de uma geração 'não interessada na conquista do espaço, mas em usar a forma como uma caixa para metáforas, com que você pode brincar sem limites, como o músico faz com uma sonata.

Seus planetas alternativos relatados pelos emissários, como antropologistas da era espacial, são experimentos do pensar, assinalando o tempo presente e não predizendo ou extrapolando com o futuro. O romance retira o essencial da natureza humana, do mutável.

'Mudar é a palavra chave', você está abrindo a porta para a imaginação e para a possibilidade das coisas serem outras, diferentes do que são.

Ela também alimenta um interesse em gênero e sexualidade.

'É um tremendo playground, e não há prejuizo para a cabeça das pessoas quando as fazemos pensar. Faço o meu pensar de forma narrativa'.

No princípio de 'A mão esquerda da escuridão', era uma sociedade que nunca conheceu uma guerra. Mas todos são andróginos e o Rei está grávido.

'Eu eliminei o gênero para ver o que sobrava. Algumas feministas não aprovaram.'

'Enquanto que com a FC eu destrui o gênero, minha imaginação para a fantasia foi mais tradicional. '



Site de Ursula K.Le Guin


Ursula K.Le Guin ( Buffalo Gals, Day before the revolution, Dia del perdon, El nombre del mundo es bosque, El poder de los nombres, Abril em Paris, The Dispossessed, Seleção Amazing Stories, Hainish séries, Terramar séries, City of ilusion, The Telling, Darkrose and diamonds, Dragonfly, El mundo del Rocannon, Exile, Ways to forgiveness, Solitude, The flyers of Gy an interplanetary tale, The visionary, The word for world is forest, Unlocking the air, 10 books and short stories )
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