terça-feira, 19 de maio de 2009

A Ficção Científica como derivação da Utopia


A ficção científica é um gênero literário derivado da utopia, e sua consolidação ocorreu no século XIX. O homem como figura representativa do gênero teve seu processo de desenvolvimento iniciado no período clássico.

A noção da essência humana adquirida pelo homem antigo culminou na evolução do indivíduo que emerge no Renascimento, caminhando para o individualismo do mundo moderno.

As tragédias gregas representaram um homem em ebulição tentando conquistar seu espaço no aspecto universal, e como homem de estado.

No Renascimento, surge o homem virtú: o fecundador do mundo, aquele que se descobre como indivíduo, portanto volta-se à coletividade, projetando a arquitetura das cidades, e planejando a organização social. O Renascimento foi um período áureo em que o desenvolvimento e a liberdade de construção auxiliavam sem negar valores morais.

Na literatura surgem as utopias, projeções de mundos perfeitos, paralelos ao real.

Com a proibição do erro pelas utopias, as sociedades perfeitas se corrompem em função da negação da individualidade, e de outras condições básicas humanas, aparecendo as distopias: sociedades massificadas e infelizes.

A ficção científica funciona como um alerta para as conseqüências advindas dos excessos tecnológicos, como exemplo, cidades super-populosas, catástrofes naturais, e o enfraquecimento das noções éticas.

Enquanto a técnica e a ciência deram suporte ao homem, o mundo esteve equilibrado. A partir do momento que o homem se corrompe pelo poder do conhecimento, situações grotescas invadem as narrativas de ficção científica.

Diante do poder de imitação à natureza, o homem cria seres artificiais, sem dar conta do motivo ou das proporções de sua criação.


SUMÁRIO
CAPÍTULO I – A Ficção Científica
1. Surgimento e Precursores
1.1 Viajantes desbravadores e a lua
2. Características Gerais da Ficção Científica
3. Ficção Científica: Ficção, Ciência e Ética
4. Utopia e Ficção Científica
5. O Grotesco na Ficção Científica
6. A Popularização do Gênero e do Conhecimento Científico Através das Revistas
6.1 Breve comentário sobre ficção científica no Brasil
7. Lendas Marítimas e a Ficção Científica como Lenda Moderna
8. Dois Grandes Expoentes do Gênero
8.1 Júlio Verne (1828-1905)
8.2 Herbert George Wells (1866-1946)
9. Alguns Temas, Obras e Filmes Significativos

CAPÍTULO II – Antecedentes do Problema da Ficção Científica: o Desenvolvimento da Individualidade
1. Antigüidade: Sociedade, Família e Sagrado
1.1 Antigüidade e a ficção científica: o indivíduo
1.2 As tragédias abrem caminho para a individualidade
1.3 Antecedentes das tragédias
2. O Renascimento
2.1 O homem renascentista e utópico
2.2 Natureza, técnica e economia
3. A Utopia
3.1 Funcionamento
3.2 Fases e símbolos da utopia
3.3 Algumas utopias importantes
3.4 A utopia moderna
4. O Mito na Utopia
5. Antecedentes da Utopia
6. Distopia
6.1 Estrutura textual da distopia
6.2 Algumas distopias importantes

CAPÍTULO III – A Ficção Científica como Galho da Árvore Utópica
1. Conceitos
2. Literatura Maravilhosa, Literatura Fantástica e Ficção Científica
3. Problemática
4. Dois Grandes Modernizadores da Ficção Científica
4.1 Arthur Clarke (1917 - )
4.2 Isaac Asimov (1920 – 1992)
5. Fases Históricas da Ficção Científica
6. Ciência e Religião
7. Estrutura Romanesca
7.1 Mediações do romance
7.2 O novo herói
8. O Mito na Ficção Científica
9. Distopia e Ficção Científica

CAPÍTULO IV – A Inteligência Artificial Representada por Golems Lendários e Modernos
1. A Inteligência Artificial
2. Os Seres Artificiais
3. Frankenstein, Pinocchio e Golem
4. Versões e Leituras da Lenda do Golem
5. A Lenda do Golem como Mito nos Séculos XX e XXI
5.1 A estrutura do mito do Golem
6. Descobertas que Auxiliaram no Crescimento da Inteligência Artificial – O Golem como Arquétipo para a Informática
7. Questões Éticas na Inteligência Artificial
7.1 Sócrates, Platão e Aristóteles
7.2 Uma visão moderna da ética
Considerações Finais

A FC como derivação da Utopia - Marceli Giglioli Stoppa Baldessin [ Download ]
Dissertação apresentada ao Curso de História e Teoria Literária do Instituto de Estudos da
Linguagem da Universidade Estadual de Campinas