sábado, 31 de janeiro de 2009

The shadow out of time - H.P.Lovecraft


“The Shadow out of Time” is H. P. Lovecraft’s last major story, written in a four-month period from November 1934 to February 1935. It was first published in Astounding Stories for June 1936. And yet, this text has never been published as Lovecraft wrote it -- until now.

The recent discovery of Lovecraft’s handwritten manuscript allows readers to appreciate this magnificently cosmic story exactly as originally written. All previous editions of the story contain hundreds of serious errors, including errors in paragraphing, omissions and mistranscriptions of many words and passages, and erroneous punctuation. But now, the breathtaking scope of this novella -- the story of the Great Race’s conquest of time and space by means of mind-projection, and the hapless fate of Professor Nathaniel Wingate Peaslee as a victim of the Great Race’s quest for all the secrets of the universe -- can, for the first time, be fully understood.


The shadow out of time [ Download ]
El abismo en el tiempo [ Download ]

A Ficção Científica em Lovecraft - Robert Silverberg

,
Estive relendo recentemente "The shadow out of time", uma história que encontrei pela primeira vez no distante ano de 1947, quando eu tinha 12 anos, na maravilhosa antologia de Donald A. Wollheim sobre os romances de Lovecraft.

Como já disse mais de uma vez, ler essa história mudou a minha vida e agora, com uma nova edição sendo publicada, quero falar sobre isso novamente.

O livro de Donald continha quatro histórias curtas de Ficção Científica: H. G. Wells - "The First Man in the Moon", John Taine - "Before the Dawn", Olaf Stapledon - "Odd John" e o romance de Lovecraft. Cada uma, do seu jeito, contribuiu para dar forma à imaginação do jovem que iria crescer e escrever centenas de histórias de ficção.

Stapledon falava diretamente para mim, que era, nas circunstâncias, um garoto peculiar, cercado por gente normal; Wells abria meus horizontes para as viagens através do espaço; Taine me propiciava uma viva recriação da era mezozóica, que como a maioria dos garotos da minha idade, era obcecado por dinossauros e desesperadamente queria experimentar tudo isso. Mas foi Lovecraft, eu penso, que teve o impacto mais significativo no desenvolvimento das minhas intenções como um criador de Ficção Científica (FC).

Havia uma qualidade visionária que me maravilhava e eu desejava escrever como ele, porém, sem habilidade para fazê-lo quando tinha 12 anos, tinha que me satisfazer escrevendo péssimas imitações dele.

Devotei muito esforço por muitas décadas até poder criar histórias que se aproximassem da grandeza de Lovecraft.

Note que eu me refiro a "The shadow out of Time" como FC, e que Donald incluiu em sua coletânea, explicitamente chamada "Romances da Ciência", apesar de Lovecraft ser convencionalmente considerado como um escritor de histórias de terror. E ele era. A maioria de suas melhores histórias são de terror, de fato, geravam o mesmo estranhamento especulativo utilizado em FC nos trabalhos de Robert A. Heinlein, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke.

A grande diferença é que para Robert, Isaac e Arthur, a ciência é excitante e maravilhosa, enquanto que para Lovecraft, a ciência é fonte para o terror.

Porém, uma história que é dirigida pelo temor à ciência ao invés da admiração não é menos FC.

E era o que a ficção de Lovecraft também fazia. "Elder Gods of the Cthulhu" não são nada mais do que alienígenas de outra dimensão que vêm invadir a Terra e este é um tema clássico de FC.
Outras histórias de Lovecraft como "The Rats in the Walls" e "The Colour out of Space" podem, também, ser consideradas FC.

Ele não estava particularmente interessado nos impactos da tecnologia na vida dos seres humanos, em escrever sátiras sócio-políticas do tipo de George Orwell ou em inventar engenhocas. Para ele, a ciência era fonte de visões aterrorizantes. Que terríveis segredos jaziam enterrados no distante passado? Que terríveis transformações o futuro nos traria? Desta forma, ele via os segredos como abominações, assim como as transformações, o que garantia que fazia parte do gênero de horror e o afastava do espectro da FC, como a de Arthur, Isaac e Robert.

É interessante perceber que a maioria das primeiras ficções de Lovecraft apareceram pela primeira vez na revista pioneira de horror e fantasia chamada Weird Tales, "The Shadow out of Time" já havia sido, apropriadamente, publicada primeiro em junho de 1936, na revista Astounding Stories, que era a revista dominante em FC na época e que lançara escritores importantes como John W. Campell, Jack Williamsom e E. E. Smith.



Devo ressaltar que o editor da Astounding Stories, F. Orlin Tremaine, não estava satisfeito de expor seus leitores, acostumados a uma prosa de ficção bastante básica ao estilo mais elegante de Lovecraft. Tremaine submeteu "The shadow out of Times" a diversos cortes e edições na tentativa de homogenizá-la, tornando-a mais familiar aos seus leitores. Desta forma, cortando rudemente os parágrafos cuidadosamente escritos pelo estilo de Lovecraft. Assim também alterou pontuações e removeu deliciosos arcaísmos do vocabulário. Esta versão foi reimpressa muitas e muitas vezes durante anos, mas agora, uma nova edição está para ser lançada, baseada nos manuscritos originais de Lovecraft que, inesperadamente, apareceram em 1995.
A nova edição, pelos editores S.T. Joshi e David E. Shultz, publicada com elegante acabamento pela Hipocampus Press, traz uma deliciosa ilustração de um 'monstro olhudo', conforme apareceu no original de 1936.

Apesar da revisão de Tremaine, alguns leitores da Astounding ainda achavam Lovecraft ótimo, mesmo para a sensibilidade de 1936. Reações a essa história foram, geralmente favoráveis, conforme podemos ver nas cartas dos leitores publicadas em agosto de 1936.

É claro que eu não tinha idéia que Tremaine havia mexido no estilo de Lovecraft quando li a história pela primeira vez, onze anos depois de sua primeira publicação. Apesar disso, posso ver agora, na nova versão, o poder notável que foi retirado daquele texto pelos cortes de Tremaine. Talvez o uso de parágrafos menores tivesse tornado mais fácil o entendimento para alguém na pré-adolescência. Em todo caso, em 1947, eu achei que "The shadow Out of the Time" era a melhor coisa que eu havia lido.

A passagem-chave para mim está no quarto capítulo, em que Lovecraft conjura uma visão inesquecível de um ser gigantesco movendo-se em uma estranha biblioteca cheia de horríveis anais de outros mundos e de outros universos junto a seres sem forma que viviam em outros universos. Eram as descrições desses outros seres que haviam povoado o mundo em um passado esquecido, e as crônicas assustadoras de grotescas inteligências que viveram milhares de anos depois da morte do último ser humano.

Eu queria, apaixonadamente, explorar aquela biblioteca, e sabia que não podia. Eu queria saber mais a respeito dos pré-humanos hiperboreanos, dos construtores de Tsathoggua e sobre todos os abomináveis Tcho-Tcho que Lovecraft escolhera me contar, sem falar que eu me depararia com a mente de Yiang-Li, o filósofo do cruel império Tsan-Chan que vivera no ano cinco mil depois de Cristo ou conhecer o rei de Lomar, que governara a terrível terra polar por cem mil anos antes que os ynutos amarelos viessem do oeste e os invadissem.

Devo ter lido esta página do conto de Lovecraft dez mil vezes, é a página 429 da antologia de Donald e é a página 56 da nova edição. E, mesmo agora, relendo-a esta manhã, senti-me quixotesco procurando absorver cada palavra dela, sentindo o mesmo encantamento que comecei a conhecer sobre os mistérios de reinos imaginários perdidos do passado e do futuro.

O que é extraordinário em Lovecraft, em "The shadow out of time" é a sensação de uma história alternativa da terra, diferente do que estudamos, dos trilobites se tornando anfíbios e répteis até os primitivos mamíferos que me recordam a quarta série, mas o selvagem zigue-zague de espécies pré-humanas e raças alienígenas vivendo em nosso planeta bilhões de anos antes do nosso tempo, seres que não deixaram o menor traço ou fóssil mas em quem eu desejava de todo coração acreditar.

É a última palavra em fantasia arqueológica, pois o protagonista de Lovecraft nos leva direto às ruínas de uma cidade que, na sua história, ao menos, permanece conservada na remota Austrália. É aqui que o caminho escolhido por Lovecraft faz o horror emergir da ciência.

Para o narrador, assim como qualquer arqueólogo que eu já conheci, é bastante assustador aproximar-se deste estranho mundo. Ele é visitado nos sonhos por visões que agora ele passa a viver no mundo real, "idéias e imagens de um terror absoluto surgem para mim, e obscurecem meus sentidos"; ele parece achar que conhece aquela cidade em ruínas, pois a viu em seus sonhos. Sua sanidade se esvai. Ele luta contra ondas de pavor que o cercam de forma inimaginável, de uma maneira que se pode esperar apenas de um conto escrito por Lovecraft.

Eu também ficaria por demais assustado se eu me encontrasse raptado telepaticamente e atirado em uma civilização de 150 mil anos atrás, como o protagonista. Porém, uma vez de volta, perceberia que eu consegui sobreviver a tudo. Eu me lembraria de tudo pelo encantamento, não por causa do monstruoso, apavorante, terror lovecraftiano; se eu tropeçasse nos arquivos dessa civilização perdida.

Mas se "The shadow Out of Time" é exagerada, ela é gloriosamente exagerada, até quando tenta nos assustar. Ela cria uma sensação, pelo menos enquanto se lê, que a História não começou nas cavernas conforme a nossa ciência conta, mas que o mundo já existia num passado incalculável quando o homem evoluiu e a povoou diversas vezes, junto a outras raças inteligentes, muito antes do primeiro mamífero sequer ter aparecido.

Isto é que é maravilhoso na Ficção Científica.

Eu convoco você a procurá-la para ler. Nela, Lovecraft nos faz testemunhas de uma escavação do nosso passado há cento e cinqüenta milhões de anos atrás, a maior de todas as descobertas arqueológicas, talvez a maior de todos os tempos. A tumba de Tutancâmon foi feita apenas há uma fração de segundos atrás, se comparada.

Eu me sinto de volta a quando tinha 12 anos, novamente relendo hoje esta estonteante história, e penso que poderia ter sido verdade.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Shadow Twin - Gardner Dozois, George RR Martin e Daniel Abraham

"Shadow Twin" is a finely crafted science-fiction novel that was started in the mid-1970s by Gardner Dozois. A few years later, Dozois passed the unfinished manuscript on to George R.R. Martin to complete -- but while both writers agreed the story had promise, neither could work up the initiative to finish it. Over the next 20-some years, the story languished in a creative limbo between them; both worked on it now and again, but neither could or would finish it. Then, in 2002, young turk Daniel Abraham got his mitts on it and finally polished the thing off. Ramon wakes up in a mysterious tank surrounded by aliens that have a quest for him. He must find the other human that escaped from them. Since he is human, he would know how the other man will behave. Ramon is leashed like a police tracking dog, and sent out with an alien to supervise his mission. The tension of the chase, the harsh wilderness, and being a captive himself culminate into an unforgettable ending where Ramon discovers an unbelievable truth.
Shadow Twin - Gardner Dozois, George RR Martin e Daniel Abraham [ Download ]

El Eternauta y otros cuentos de ciencia ficción - Hector G. Oesterheld


—¿Usted sabe algo de lo que pasa? — dije no bien me recobré. Es que ríe pronto volvía a recordarlo tocio: la nevada de la muerte, la invasión de los Ellos, la enorme desolación tendida como un invisible pero abominable sudario sobre todo Buenos Aires, los combates contra los Gurbos, mi desesperado reencuentro con Martita y con Elena, la carrera hacia el interior,los hombres-robots persiguiéndonos... Recordé a Favalli, a los demás amigos, todos ya convertidos en hombres robot...
Es curioso, pero en aquel momento no recordé para nada mi entrada a la cosmonave de los Ellos ni el encuentro con el Mano, allá en su planeta...

El Eternauta y otros cuentos de ciencia ficción - Hector G.Oesterheld [ Download ]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Modern Classics of Science Fiction - Gardner Dozois

This new collection from the editor of The Year's Best Science Fiction and Isaac Asimov's Science Fiction Magazine generally lives up to its billing. Deliberately avoiding oft-anthologized stories, Dozois serves up a wide variety of SF from 1955 to 1989, offered here chronologically and ranging from the disturbing settings characteristic of Damon Knight, Richard McKenna and Ursula K. Le Guin, to touching character studies from Samuel R. Delaney, Roger Zelazny and Connie Willis, to the complex futures of James Tiptree Jr., Pat Cadigan and William Gibson. A highlight is Jack Vance's brilliant tale of alien anthropology, "The Moon Moth." The collection's weak link is Keith Roberts's "The Lady Margaret," which moves too slowly toward an uninteresting climax. Readers might enjoy Bruce Sterling's "Dori Bangs," but only if they're familiar with rock critic Lester Bangs and with cartoonist Dori Seda. Dozois's introductions tend toward hyperbole (many contributors are labeled "giants" or "masters"). Also included are tales by L. Sprague de Camp, Cordwainer Smith, Theodore Sturgeon, R. A. Lafferty, Gene Wolfe, Joanna Russ and eight others.

Contents
Preface
The Country of the Kind Damon Knight
Aristotle and the Gun L. Sprague de Camp
The Other Celia Theodore Sturgeon
Casey Agonistes Richard McKenna
Mother Hitton’s Littul Kittons Cordwainer Smith
The Moon Moth Jack Vance
The Golden Horn Edgar Pangborn
The Lady Margaret Keith Roberts
This Moment of the Storm Roger Zelazny
Narrow Valley R. A. Lqfferty
Driftglass Samuel R. Delany
The Worm That Flies Brian W. Aldiss
The Fifth Head of Cerberus Gene Wolfe
Nobody’s Home Joanna Russ
Her Smoke Rose Up Forever James Tiptree, Jr
The Barrow Ursula K. Le Guin
Particle Theory Edward Bryant
The Ugly Chickens Howard Waldrop
Going Under Jack Dann
Salvador Lucius Shepard
Pretty Boy Crossover Pat Cadigan
The Pure Product John Kessel
The Winter Market William Gibson
Chance Connie Willis
The Edge of the World Michael Swanwick
Dori Bangs Bruce Sterling
Afterword

Modern Classics of Science Fiction - Gardner Dozois [ Download ]

El Eternauta, el Regreso - Libro III

El Eternauta, El Regreso nos oferece um presente paralelo, é o ano de 2003 e Buenos Aires foi reconstruida após a invasão dos alienígenas e do ataque nuclear efetuado em resposta. Tudo parece igual ao que conhecemos, pelo menos no aspecto externo.

Buenos Aires foi reconstruída graças à tecnologia dos 'Manos'. Os sobreviventes regressaram à suas vidas normais e os homens-robôs foram libertados do controle mental.
Os Manos ocupam um lugar de destaque na sociedade, como benfeitores e orientadores de toda uma nova geração.

Humanos e alienígenas convivem em harmonia e a invasão parece agora ter sido um mal-entendido, uma má experiência do primeiro contato com civilizações de outros mundos.

Martita, uma orfã adotada e criada pelos bondosos Manos, descobrirá que seu pai está vivo e que se encontra perdido no espaço-tempo, por ter se oposto à invasão, por ter defendido sua família e seu mundo...

Os subterrâneos de Buenos Aires guardam uma história que precisa ser contada.

El Eternauta, el Regreso - Desenhos de Francisco Solano López, escrito por Pablo Maiztegui
- Libro III [ Download ]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

The New Space Opera - Gardner Dozois & Jonayhan Strahan


The new space opera shares with the old the interstellar sweep of events and exotic locales, but Dozois and Strahan's all-original anthology shows how the genre's purveyors have updated it, with rigorous science, well-drawn characters and excellent writing. Many of the 18 stories play with the scope that characterizes classic space opera. In Greg Egan's Glory, creatures embody themselves as aliens to perform archeological research, only to get caught up in a struggle between two worlds. Robert Reed's Hatch, limited in locale to the hull of a giant ship, proves that the scope of the struggle for life is always epic. Stephen Baxter's Remembrance walks a line between the personal and the global as resisters against Earth's conquerors remember one man's struggle against the alien invaders. Kage Baker's humorous Maelstrom, in which an acting troupe on frontier Mars puts on a Poe story for the miners there, tells a personal story in an epic setting. The new space opera teaches us that despite the bizarre turns humanity may take to conquer these outré settings, a recognizable core of humanity remains.

INTRODUCTION
SAVING TIAMAAT-Gwyneth Jones
VERTHANDI’S RING-Ian McDonald
HATCH-Robert Reed
WINNING PEACE-Paul J. McAuley
GLORY-Greg Egan
MAELSTROM-Kage Baker
BLESSED BY AN ANGEL-Peter F. Hamilton
WHO’S AFRAID OF WOLF 359?-Ken Macleod
THE VALLEY OF THE GARDENS-Tony Daniel
DIVIDING THE SUSTAIN-James Patrick Kelly
MINLA’S FLOWERS-Alastair Reynolds
SPLINTERS OF GLASS-Mary Rosenblum
REMEMBRANCE-Stephen Baxter
THE EMPEROR AND THE MAULA-Robert Silverberg
THE WORM TURNS-Gregory Benford
SEND THEM FLOWERS-Walter Jon Williams
ART OF WAR-Nancy Kress
MUSE OF FIRE-Dan Simmons

The New Space Opera - Gardner Dozois [ Download ]

El Eternauta, el Regreso - Libro II


El Eternauta, El Regreso nos oferece um presente paralelo, é o ano de 2003 e Buenos Aires foi reconstruida após a invasão dos alienígenas e do ataque nuclear efetuado em resposta. Tudo parece igual ao que conhecemos, pelo menos no aspecto externo.

Buenos Aires foi reconstruída graças à tecnologia dos 'Manos'. Os sobreviventes regressaram à suas vidas normais e os homens-robôs foram libertados do controle mental.
Os Manos ocupam um lugar de destaque na sociedade, como benfeitores e orientadores de toda uma nova geração.

Humanos e alienígenas convivem em harmonia e a invasão parece agora ter sido um mal-entendido, uma má experiência do primeiro contato com civilizações de outros mundos.

Martita, uma orfã adotada e criada pelos bondosos Manos, descobrirá que seu pai está vivo e que se encontra perdido no espaço-tempo, por ter se oposto à invasão, por ter defendido sua família e seu mundo...

Os subterrâneos de Buenos Aires guardam uma história que precisa ser contada.

El Eternauta, el Regreso - Desenhos de Francisco Solano López, escrito por Pablo Maiztegui
- Libro II [ Download ]

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A Knight of ghosts and shadows - Gardner Dozois


An old man is haunted by strange ghostly beings whom he believes to be time travelers watching him. He was previously the leader of a movement that warned against man's rapid technological advances. But now he finds that today something special must be about to happen, something that could impact the rest of human existence, and he seems to be at the crux of it. A sweeping view of a radically different future, this story touches on so many ideas it's hard to describe. Time travel, cybernetics, AI, robotics, genetic engineering, space travel, it's all here in a grand vision. Nebula Award(R) Nominee.

A Knight of ghosts and shadows - Gardner Dozois [ Download ]

El Eternauta, el Regreso - Libro I

o
El Eternauta, El Regreso nos oferece um presente paralelo, é o ano de 2003 e Buenos Aires foi reconstruida após a invasão dos alienígenas e do ataque nuclear efetuado em resposta. Tudo parece igual ao que conhecemos, pelo menos no aspecto externo.

Buenos Aires foi reconstruída graças à tecnologia dos 'Manos'. Os sobreviventes regressaram à suas vidas normais e os homens-robôs foram libertados do controle mental.
Os Manos ocupam um lugar de destaque na sociedade, como benfeitores e orientadores de toda uma nova geração.

Humanos e alienígenas convivem em harmonia e a invasão parece agora ter sido um mal-entendido, uma má experiência do primeiro contato com civilizações de outros mundos.

Martita uma orfã adotada e criada pelos bondosos Manos, descobrirá que seu pai está vivo e que se encontra perdido no espaço-tempo, por ter se oposto à invasão, por ter defendido sua família e seu mundo...

Os subterrâneos de Buenos Aires guardam uma história que precisa ser contada.

El Eternauta, el Regreso - Desenhos de Francisco Solano López, escrito por Pablo Maiztegui
- Libro I [ Download ]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

The year's best science-fiction - Gardner Dozois


The year's best science-fiction 10th annual edition
Summation: 1992
Griffin’s Egg – Michael Swanwick
Even the Queen – Connie Willis
The Round-Eyed Barbarians – L. Sprague de Camp
Dust – Greg Egan
Two Guys From The Future – Terry Bisson
The Mountain To Mohammed – Nancy Kress
The Coming Of Vertumnus – Ian Watson
A Long Night’s Vigil At The Temple – Robert Silverberg
The Hammer Of God – Arthur C. Clarke
Grownups – Ian R. MacLeod
Graves – Joe Haldeman
The Glowing Cloud – Steven Utley
Gravity’s Angel – Tom Maddox
Protection – Maureen F. McHugh
The Last Cardinal Bird In Tennessee – Neal Barrett, Jr.
Birth Day – Robert Reed
Naming Names – Pat Cadigan
The Elvis National Theater Of Okinawa – Jonathan Lethem And Lukas Jaeger
The Territory – Bradley Denton
The Best And The Rest Of James Joyce – Ian McDonald
Naming The Flowers – Kate Wilhelm
Snodgrass – Ian R. MacLeod
By The Mirror Of My Youth – Kathe Koja
Outnumbering The Dead – Frederik Pohl
Honorable Mentions
The year's best science-fiction 10th annual- Gardner Dozois [ Download ]


The year's best science-fiction 20th annual edition
Introduction
Breathmoss -Ian R. MacLeod
The Most Famous Little Girl in the World -Nancy Kress
The Passenger -Paul McAuley
The Political Officer -Charles Coleman Finlay
Lambing Season -Molly Gloss
Coelacanths -Robert Reed
Presence -Maureen F. McHugh
Halo -Charles Stross
In Paradise -Bruce Sterling
The Old Cosmonaut and the Construction Worker Dream of Mars -Ian McDonald
Stories for Men -John Kessel
To Become a Warrior -Chris Beckett
The Clear Blue Seas of Luna -Gregory Benford
V.A.O. -Geoff Ryman
Winters are Hard -Steven Popkes
At the Money -Richard Wadholm
Agent Provocateur -Alexander Irvine
Singleton -Greg Egan
Slow Life -Michael Swanwick
A Flock of Birds -James Van Pelt
The Potter of Bones -Eleanor Arnason
The Whisper of Disks -John Meaney
The Hotel at Harlan’s Landing -Kage Baker
The Millennium Party -Walter Jon Williams
Turquoise Days -Alastair Reynolds
Honorable Mentions: 2002

The year's best science-fiction 20th annual- Gardner Dozois [ Download ]

El Eternauta

El Eternauta talvez seja a melhor série de quadrinhos de Ficção Científica sul-americana já feita. Escrita pelo Héctor Germán Oesterheld (assassinado durante o regime militar) e originalmente desenhada por Francisco Solano López, foi primeiramente publicada na revista argentina Hora Cero Semanal, entre 1957 e 1959.

Uma estranha nevasca fosforescente cai sobre Buenos Aires, matando a população em pouco tempo. Juan Salvo, sua esposa, sua filha e amigos (Favalli e Lucas), conseguem sobreviver aos flocos assassinos. Graças a trajes protetores, conseguem deixar o abrigo e obter suprimentos vitais para a sobrevivência do grupo.

Logo eles descobrem a verdadeira natureza daquele estranho fenômeno.
Alienígenas invadiram a Terra e a neve alienígena é parte do plano de invasão.

Juan e seu grupo se juntam à resistência armada para lutar contra os invasores e no caminho para a capital, lutam contra insetos gigantescos (cascarudos), uma espécie humanóide com dezenas de dedos em cada mão (manos), bestas gigantes (gurbos), e contra outros humanos que foram escravizados e que agora obedecem as ordens dos invasores através de implantes cerebrais.

Os invasores que são chamados de 'Ellos' (Eles), pouco aparecem. Seriam uma raça de conquistadores que invadem mundos em busca de recursos e para usar seus habitantes como escravos e soldados. Assim, cascarudos, manos e gurbos nada mais são do que outras espécies igualmente escravizadas, de mundos dominados.

Depois de algumas poucas vitórias, o grupo é emboscado. Juan, sua esposa e filha conseguem escapar usando uma das naves alienígenas, mas acidentalmente acionam um dispositivo temporal. Como resultado os três são atirados em dimensões de tempo distintas, conhecidas como 'continums'.

Juan Salvo então inicia sua jornada pelo tempo, na tentativa de mudar a história.

El eternauta [ Download ]

Site Continum4 dedicado a El Eternauta.

Investigadores de la historieta

domingo, 25 de janeiro de 2009

Cory Doctorow


Cory Doctorow (17 de Julho de 1971) nasceu em Ontário, Canadá. Jornalista, blogueiro, consultor, escritor de Ficção Científica, cresceu em um ambiente familiar fortemente influenciado por ideías socialistas. Desde muito cedo participou de movimentos pelo desarmamento nuclear e pelo Greenpeace, além de participar de comissões para promoção da justiça social e educação de ativistas. Estudou em escolas não-ortodoxas e passou por quatro faculdades sem se formar.

Cory Doctorow é referência mundial quando o assunto são direitos autorais. Seus trabalhos normalmente tratam de compartilhamento de arquivos pela internet, utopias socialistas e proteção da individualidade.

Em 1999 Doctorow fundou uma empresa (Opencola) voltada para a criação e discussão de software livre e dirigiu a regional do Canadá dos Escritores de Ficção Cientifica e Fantasia (SFFW).

Doctorow trabalhou como coordenador londrino da Eletronic Frontier Foundation, antes de se mudar em 2006, para Los Angeles. Foi professor-palestrante sobre direitos de publicação digital na University of Southern California e recentemente mudou-se para Londres novamente.

Seu primeiro livro, 'Down and out in the Magic Kingdom' foi publicado em 2003, também foi o primeiro de seus livros lançado sob uma licença da Creative Commons. Esta licença permite aos leitores distribuir a edição eletrônica livremente, desde que não seja comercializada ou utilizada para outros trabalhos que não sejam aprovados pelo autor.

Cory ganhou o Prêmio John W.Campbell como Melhor Novo Escritor de 2000, o Prêmio Locus de melhor livro de 2003 ('Down and out in the Magic Kingdom'), o Sunburst de 2004, de Melhor Livro de Ficção Científica Canadense ('A Place So Foreign'). O conto '0wnz0red' foi indicado ao Prêmio Nebula de 2003.

Doctorow lançou em 2008, 'Little Brother', sob licença da Creative Commons.

Fonte Wikipedia

Site CRAPHOUND de Cory Doctorow

Coleção Cory Doctorow [ Download ]
(A place so foreign, Andas Game, Down and out in the Magic Kingdom, Eastern Standard tribe, Home again, home again, Overclocked - I robot, Liberation Spectrum, Little Brother, Printcrime, Return to pleasure island, Scroogled, Shadown of the mothaship, Someone comes to town-someone leaves town, The superman and bugout, Welcome to hard times, Craphound, When Sysadmins ruled the earth, The complete idiot's guide to publish Science fiction)

The Chronicles Of Narnia (7 livros) - C.S. Lewis


THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
PRINCE CASPIAN
THE VOYAGE OF THE DAWN TREADER
THE SILVER CHAIR
THE HORSE AND HIS BOY
THE MAGICIAN'S NEPHEW
The LAST BATTLE

The Chronicles Of Narnia (7 livros) - C.S. Lewis [ Download ]

sábado, 24 de janeiro de 2009

Star Wars Republic Commando Hard Contact - A Clone Wars Novel - Karen Traviss



Okay, this is how it happened.
It’s pitch black below and we’re fast-roping into the crevasse,too fast: I can feel the impact in my back teeth when I land. I’m first down and I flood the chamber with my helmet spot-lamp.
There’s a triple-sealed blast door between us and the Geonosians and I haven’t got time to calculate the charge needed to blow it. A lot, then.P for plenty, like I was taught. Stick the thermal tape around the edges and push in the detonator. Easier said than done: the alloy door’s covered with crud.

Delta Squad’s CO gets on the helmet comlink. “You having a party down there, Theta?”
“Can’t rush an artist. . .”
“You want to tell that to the spider droids?”
“Patience, Delta.”Come on, come on. Stick to the metal, will you? “Nearly there.”
“Alot of spider droids. . .”
“I hear you, Delta.”
“In your own time. No pressure. None at all. . .”
“Clear!”

We flatten ourselves against the cavern walls. It’s all white light and painful noise and flying dust for a fraction of a second. When we can see again, the doors are blown inward, ripped apart, billowing smoke.

"Delta Squads—clear to enter.Take take take.”
“I thought you’d never ask.” Delta Squad hits the ground and they’re straight in, firing, while we stand back and cover their six. It’s a warren of tunnels down here. If we’re not careful, something could jump us from any direction.

My helmet’s supposed to protect against high decibels, but war is noisy.Really noisy. I can’t hear my helmet comlink through theomph-omph-omph of the Geonosians’ sonic rounds and our own blasterfire. I can hear anti-armor going off, too.Fierfek, I can feel it through my boots.

Movement catches my eye up ahead, and then it’s gone. I’m looking up through the DC-17’s scope, checking that it was just my imagination, and Taler gestures toward another of the five tunnels facing us.

“Darman, take that E-Web and hold this position.” He beckons Vin and Jay and they move almost back-to-back toward the mouth of the tunnel, checking to all sides.
And then I look up, overhead.
There’s more Geonosians around than we thought. Alot more. I take down two above me and then more come out of the tunnel to the left so I open fire with the repeating blaster, nice and early, because if I let them get too close the blast will fry me as well.
Even so, it’s knocking me back like a trip-hammer.

“Taler, Darman here, over.” I can’t see him. I can’t see any of them, but I can hear rapid fire. “Taler, Darman here, you receiving me, over?”
Not so much silence as an absence of a familiar voice. Then a few fragmented, crackling shouts of “. . . down! Man down here!”

Who? Who’s down? “Taler? Vin? Jay? You receiving, over?”
I’ve lost contact with my squad. It’s the last time I see them.


Star Wars Republic Commando Hard Contact - A Clone Wars Novel - Karen Traviss[ Download ]

A coisa dos direitos autorais. - Cory Doctorow



A licença da Creative Commons que utilizo no meu livro ‘Little Brother’, provavelmente serve como dica de que eu tenho uma visão um pouco não-ortodoxa sobre direitos autorais.
Aqui vai o que eu penso a respeito disso, em poucas palavras: Com apenas um pouco se chega longe, mais do que isso é exagero.

Gosto do fato de que os direitos autorais me permitem vender os direitos para meus editores e para a indústria de cinema e por ai vai. É algo bom, pois eles não podem simplesmente pegar minhas coisas sem permissão e ficarem ricos com isso sem me dar uma parte disso. Tenho plenas condições, quando me sento para negociar com estas companhias. Possuo um bom agente e uma década de experiência com leis de direito autorais e licenciamento (inclusive no cargo de delegado da WIPO, uma agência da UN que trata sobre ameaça aos direitos autorais mundiais).
Além do mais, mesmo se eu vender cinqüenta ou cem edições diferentes de 'Little Brother' (o que seria estar no topo, um milionésimo de toda ficção vendida) ainda assim teria uma centena de negociações que eu precisaria gerenciar.

Odeio o fato de que os fãs que querem fazer aquilo que os leitores sempre fizeram, tenham que jogar pelas mesmas leis que todos aqueles poderosos agentes e advogados.

É uma coisa estúpida dizer que uma classe escolar tenha que falar com um advogado de uma empresa global gigantesca, para encenar uma peça sobre um livro meu. É ridículo dizer que pessoas que querem emprestar uma copia eletrônica do meu livro para um amigo, precisem de uma licença para isso.

Emprestar livros é algo mais antigo do que qualquer editor no planeta, e é uma coisa bacana!

Recentemente vi Neil Gaiman responder em uma palestra, de como ele se sentia a respeito da pirataria de seus livros. Ele disse: ‘Levante a mão se você descobriu seu escritor favorito de graça, por que alguém te emprestou uma cópia ou ganhou de alguém? Agora levante a mão se você descobriu seu escritor predileto numa prateleira de livraria e teve que pagar por isso’.
A audiência preponderante disse ter descoberto seus autores prediletos de graça, por ter ganho um livro ou recebido emprestado. Quando se trata dos meus escritores preferidos não há limite. Comprarei sempre cada livro que eles publicarem, apenas para tê-los. (As vezes compro mais do que um, apenas para poder presentear amigos que eu penso que precisam ler aquele livro!) Pago para vê-los vivos. Compro camisetas com a capa dos livros impressas.

Neil (Gaiman) continuou dizendo que é parte de uma tribo de leitores, uma pequena minoria de pessoas pelo mundo que tem prazer em ler, comprando livros porque amam livros. Uma coisa que ele sabe sobre as pessoas que baixam seus livros na Internet sem permissão, é que são leitores, pessoas que amam os livros.

Aqueles que estudam os hábitos de pessoas que compram música, descobriram algo curioso. Os maiores piratas são também aqueles que mais gastam. Se você pirateia música a noite toda, existe a chance de que você também seja uma dessas poucas pessoas que vão a uma loja de discos (lembra-se delas?) durante o dia. Você provavelmente vai a shows no fim de semana, e provavelmente acompanha música. Se você é membro de uma tribo de viciados em música, você faz coisas que tem a ver com a música, desde cantar no chuveiro, à pagar por uma cópia em vinil de um raro disco pirata vindo do leste europeu, de uma das suas bandas favoritas de death-metal.

A mesma coisa acontece com os livros. Trabalhei em livrarias, sebos e bibliotecas. Já acessei sites piratas de ebooks (‘bookwarez’?) on-line. Sou um viciado em livros, e vou em feiras de livros por diversão. E sabe o que mais? São as mesmas pessoas em todos estes lugares: Pessoas que amam os livros e que fazem tudo que se pode fazer com um livro. Eu compro edições malucas, edições horríveis chinesas dos meus livros prediletos, por que são malucas e horríveis e ficam muitos bem entre as outras oito ou nove edições que eu paguei, destes mesmos livros. Procuro por livros na biblioteca, no Google, quando preciso de uma citação, carrego uma dezena deles no meu celular e centenas no meu laptop e tenho (hoje) mais de 10.000 livros guardados em um armazém em Londres, Los Angeles e Toronto.

Se eu pudesse emprestar todos os meus livros físicos, sem abrir mão da posse deles, eu o faria.
O fato de eu poder fazer isso com uma cópia digital não é um erro. É uma característica e uma das melhores.

Fico embaraçado ao ver todos estes escritores e músicos e artistas expressando pesar pelo fato de que a arte possui esta incômoda característica, esta capacidade de ser compartilhada. É como assistir donos de restaurante chorando por causa da nova máquina de comida grátis e que irá alimentar um mundo de gente faminta, e por que ela os forçará a reconsiderar seus modelos de negócios. Sim, irá requerer muito deles, mas não vamos perder de vista o que mais interessa: Comida grátis !!

Acesso universal ao conhecimento da humanidade está em nossas mãos pela primeira vez na história do mundo. Isso não é algo ruim.


No caso de não ser o bastante para você, aqui está o que considero a minha grande jogada, o porquê dar ebooks faz sentido hoje.
Dar ebooks me proporciona uma satisfação artística, moral e comercial.
A questão comercial é aquela que mais freqüentemente vem à tona: como dar seus livros de graça e ainda assim ganhar dinheiro?

Para mim, e para a maioria dos escritores, o grande problema não é a pirataria, mas o anonimato. (Agradeço a Tim O’Reilly por este precioso aforismo).

Todas as pessoas que deixam de comprar um livro hoje, na maioria, não o compraram por nunca terem ouvido falar que ele existe, não por que ganharam uma cópia de graça. Os mega-hiper-mais-vendidos livros de Ficção Científica(FC) vendem meio milhão de cópias - em um mundo em que um evento como a San Diego Comic Con sozinho recebe 175 mil pessoas, dá para imaginar que a maioria das pessoas que gostam de FC (e junto a isso coisas como quadrinhos, games, Linux e por ai vai) na verdade não compram livros.

Meu interesse maior é trazer maiores audiências para dentro deste círculo, mais do que garantir que cada um compre um ingresso para entrar.

Ebooks são verbos, não substantivos. Você os copia, é da natureza deles. E muitas das cópias tem um destino, uma pessoa para a qual ele foi planejado, uma transferência manual de uma pessoa para outra, guardando uma recomendação íntima entre duas pessoas que confiam uma na outra o suficiente para trocar bits. Este é o tipo de coisa com que os autores (deveriam) sonham.

Fazendo meus livros disponíveis para serem passados a frente, torno mais fácil para as pessoas que gostam deles, ajudar a outras pessoas a também gostarem deles.

E tem mais, eu não vejo ebooks substituindo os livros de papel para a maioria das pessoas. E não por que a tela do monitor não seja boa o bastante; se você for como eu, você já deve passar horas em frente a uma, lendo textos. Mas por mais que você goste desta ‘literatura de computador’, menos provavelmente você irá ler longos textos na tela, por que as pessoas que gostam de ficar na frente da tela, fazem muitas outras coisas. Nós estamos no Messenger, escrevendo e-mail, e usamos os navegadores de um milhão de maneiras diferentes. Temos os games rodando e infinitas possibilidades de músicas para ouvir. Quanto mais coisas você faz com seu computador, menos você se dedica a elas, pois a cada seis ou sete minutos começa algo diferente.
Isso faz com que o computador seja um meio extremamente ineficaz para longas leituras, a não ser que você possua a auto-disciplina de um monge.

A boa notícia (para os escritores) é que isso significa que os ebooks acabam sendo um incentivo a comprar o livro impresso (que é, afinal de contas, mais barato, fácil de ter e de usar) do que o seu substituto.
Você provavelmente vai ler o bastante do livro na tela para perceber que precisa o ler no papel.

Então ebooks vendem livros. Todo escritor que eu ouvi que distribuiu ebooks para promover
seus livros, voltou a fazê-lo de novo. Este é o lado comercial de dar ebooks de graça.

Agora o lado artístico. Estamos no século vinte e um. Copiar coisas nunca mais será mais difícil do que já é hoje (se isso acontecer será por que a civilização chegou ao seu fim e neste ponto, este será o menor dos problemas) Discos rígidos não serão mais enormes, caros ou com pequena capacidade. As redes não serão mais lentas e difíceis de acessar. Se você estiver fazendo arte sem levar em consideração de que ela será copiada, então realmente você não estará fazendo arte para o século vinte e um. Existe algo sedutor sobre fazer um trabalho que você não quer que seja copiado, da mesma maneira que é legal ir até uma vila dos pioneiros e ver como o ferreiro colocava ferraduras em um cavalo, em sua forja tradicional. Mas dificilmente, vai achar que isso possa ser contemporâneo. Sou um escritor de ficção cientifica. É o meu trabalho escrever sobre o futuro ou ao menos sobre o presente. Arte que não se supõe ser copiada é coisa do passado.

Finalmente, vamos ver pelo lado moral. Copiar é natural. É como nós aprendemos (copiando nossos pais e as pessoas ao nosso redor). A primeira história que escrevi, quando tinha seis anos, era uma versão excitante de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que eu acabara de ver no cinema. Agora que a Internet (a mais eficiente máquina copiadora do mundo) se tornou presente em toda parte, nosso instinto de copiar só aparecerá mais e mais. Não há como impedir meus leitores de copiar meus livros e se eu o fizesse, seria um hipócrita. Quando eu tinha 17 eu gravava fitas, xerocava livros, tudo que eu podia. Se a Internet existisse na época, eu estaria usando-a para copiar o tanto quanto eu pudesse.

Não há como parar com isso, e as pessoas que tentarem terminar com isso estarão fazendo um mal maior do que a pirataria jamais o fará. A ridícula guerra sagrada da indústria contra aqueles que compartilham arquivos (mais de 20 mil fãs de música processados e contando) exemplifica o absurdo da coisa toda.

Se a escolha está entre permitir a cópia ou partir bufando contra tudo e contra todos, eu escolho a primeira.
Trecho retirado do livro 'Little Brother'.


O programa de 12 passos de Godzilla - Joe R.Lansdale



Um: Trabalho honesto

Godzilla em seu caminho para o trabalho na fundição, vê um prédio grande que parece ser feito de cobre brilhante e negro, refletindo o sol. Ele vê sua própria imagem refletida e pensa nos velhos tempos, pensa em como seria pisoteá-lo todo, queimá-lo, arrebentar aquelas janelas com seu bafo de fogo e então dançar entre as ruínas e a fumaça.
Um dia de cada vez, disse para si mesmo. Um dia de cada vez.
Forçou-se a olhar para o prédio e então foi para a fundição.
Colocou seu capacete. Soprou seu fogo dentro do barril de partes de carros usados, transformando-os em metal derretido. O metal escorreu pelas calhas para dentro de novos moldes de novas partes de carros. Portas, tetos, etc.
Godzilla sentiu que parte da tensão se dissipava.

Dois: Recreação

Depois do trabalho, Godzilla evitou o centro da cidade. Parar de soprar as chamas após o trabalho era difícil. Foi ao Centro Recreacional Grande Monstro. Gorgo está lá, bebendo água com óleo, como sempre. Gorgo está falando sobre os velhos tempos. É sempre assim. Os velhos tempos.
Eles vão para os fundos e queimam alguns destroços colocados lá diariamente para uso do Centro. Kong também está lá, bêbado. Está brincando com algumas bonecas Barbie. Ele sempre faz isso. Finalmente as guarda no bolso do casaco, pega seu andador e balança-se até Godzilla e Gorgo.
Gorgo diz: ‘Desde aquela queda, ele não faz mais porra nenhuma. E qual é o lance dele com aquelas bonecas de plástico? Será que ele não sabe que existem mulheres de verdade no mundo?’
Godzilla pensa ver lágrimas nos olhos de Gorgo, que saudoso observa Kong caminhar com dificuldade. Godzilla reduz algumas sucatas em cinzas, mas para não é o bastante, poderia soprar fogo o dia inteiro e mesmo assim não chegaria ao máximo de sua compulsão.
Não era sequer tão satisfatório quanto a fundição.
Foi para a casa.

Três: Sexo e destruição

Naquela noite exibiram um filme de monstros na televisão. O de sempre. Grandes monstros espalhando destruição, uma cidade após a outra. Esmagando pedestres debaixo de seus pés.
Godzilla examinou a sola de seu pé direito, a cicatriz continuava lá, cicatriz de achatar carros. Lembrava-se da sensação das pessoas serem espremidas entre os dedos. Pensou sobre tudo isso e mudou de canal. Assistiu 20 minutos de ‘Mister Ed’, desligou a televisão e masturbou-se com a lembrança de cidades queimando e carne esmagada.
Depois, tarde da noite, acordou banhado em suor. Foi até o banheiro e rápidamente fez algumas figuras humanas, bem toscas, a partir das barras de sabão. Esmagou então o sabão entre os dedos, de olhos fechados, tentando se lembrar da sensação.

Quatro: Viagem à praia e a grande tartaruga

Sábado Godzilla foi até a praia. Um monstro bêbado que parecia uma grande tartaruga, voou na sua direção e o acertou em cheio. Xingou-o, procurando briga.
Godzilla lembrou do nome da tartaruga. Gamera.
Gamera sempre fora um problema. Ninguém gostava de Gamera. Era um verdadeiro pé no saco!
Godzilla cerrou os dentes e segurou as chamas. Deu as costas para ele e voltou-se para a praia. Murmurava um mantra secreto, dado a ele por seu orientador.
A tartaruga gigante continuou a persegui-lo, xingando-o.
Godzilla guardou seus apetrechos de praia e foi para casa. Nas suas costas, ouvia a tartaruga ainda xingando, ainda pressionando-o. Tudo que podia fazer era não fazer nada com aquela idiota miserável. Tudo que podia fazer. Sabia que a tartaruga estaria nas manchetes amanhã.
Ela acabaria destruindo alguma coisa.
Godzilla pensou que talvez devesse tentar conversar com ela, apresentá-la ao programa dos doze passos. Era o que supostamente devia fazer. Ajudar aos outros. Talvez a tartaruga conseguisse se tranqüilizar. Mas você só pode ajudar aqueles que se ajudam. Godzilla percebeu que não poderia salvar todos os monstros do mundo. Precisavam tomar suas decisões sozinhos.
Fez uma anotação mental de que deveria andar com folhetos dos 12 passos com ele, a partir de agora.
Mais tarde ligou para seu orientador e contou sobre seu dia miserável. Que queria voltar a queimar edifícios e brigar com a grande tartaruga.
Reptilicus disse que era assim mesmo. Que ele teria dias como aquele.
Uma vez um monstro sempre um monstro. Mas que ele era um monstro recuperado. Levava a vida um dia de cada vez. Era o único jeito de ser feliz. Você não podia queimar e matar e mastigar humanos e suas criações, sem pagar o preço da culpa, sem ser alvo da artilharia.
Godzilla agradeceu Reptilicus e relaxou.
Sentiu-se melhor por algum tempo, mas por dentro ele pensava o quanto de culpa ele guardava em seu coração.
Pensou que talvez fosse a artilharia e os disparos de foguetes o que ele realmente detestava, não a culpa.

Cinco: Saindo dos trilhos

Aconteceu de uma hora para outra. Voltava do trabalho quando viu uma pequena casa de cachorro, com um cachorro junto da entrada. Ninguém por perto. O cachorro parecia velho, estava preso por uma corrente. Um cachorro qualquer, vagabundo. A tigela de água vazia.
O cachorro vivia uma vida miserável. Preso. Entediado. Sem água.
Godzilla saltou sobre a casinha e esmagou o cachorro. Queimou o que restou do cachorro e da casinha. Pulou sobre os restos carbonizados. Cinzas negras e cachorro queimado entre seus dedos o lembraram dos velhos tempos.
Rápido deixou o local, ninguém o vira. Sentiu-se mal. Ligou para Reptilicus e ouviu da secretária eletrônica:
‘Não estou em casa agora, por favor deixe sua mensagem e eu ligarei de volta’.
A máquina bipou. Godzilla disse: ‘Socorro'.

Seis: O orientador

A casa de cachorro ficou em sua cabeça por todo o dia seguinte. Enquanto trabalhava, pensava em como o cachorro queimara, como a casinha se partira em pedaços. Pensou na dança que fez sobre as cinzas.
Aquele dia se arrastou como uma eternidade. Pensou que após o trabalho, talvez pudesse achar outra casa de cachorro, outro cachorro.
No caminho de casa, manteve-se atento, mas nada de casas de cachorro ou mesmo cachorros.
Em casa, uma luz piscava em sua secretária eletrônica. Uma mensagem de Reptilicus, que dizia: ‘Me ligue.’
Godzilla ligou e disse: ‘Reptilicus! Perdoe-me! Eu pequei.’

Sete: Desilusão e desapontamento

A conversa com Reptilicus não ajudara muito. Godzilla reduziu a pedacinhos todos os folhetos do programa dos doze passos. Limpou o traseiro com alguns e os atirou pela janela. Os que restaram, colocou na pia e queimou. Queimou a mesa de café e uma cadeira e quando se deu conta do que tinha feito, sentiu-se pior. Sabia que a proprietária iria esperar que ele repusesse os móveis. Ligou o radio e chorou na cama ao ouvir uma estação de antigos sucessos.
Dormiu enquanto “Martha and the Vandellas” cantavam "Heat Wave" (Onda de calor).

Oito: Desempregado

Godzilla sonhava que o Deus escamoso tinha surgido para ele, cuspindo fogo. Disse que tinha vergonha de Godzilla. Disse que esperava mais dele. Godzilla acordou, afogando-se em seu suor. Estava só. Sentiu-se culpado. Tinha vaga lembrança de ter acordado e saído por ai, pela cidade,queimando e destruindo. Estava cansado, mas não se lembrava de tudo que havia feito. Talvez lesse a respeito nos jornais sobre isso. Cheirava a madeira carbonizada e plástico derretido. Havia uma coisa gosmenta entre seus dedos e algo lhe dizia que não era sabão.
Queria se matar. Foi buscar sua arma, mas estava bêbado demais para encontrá-la. Caiu ao chão. Sonhou com o demônio desta vez. Parecia-se com o Deus, exceto por ter uma só sobrancelha que se esticava sobre ambos os olhos. O demônio disse que tinha vindo atrás dele.
Godzilla lutou e rugiu. Sonhou que trocava socos com o demônio e que seu fogo não fazia efeito nele. Acordou tarde no dia seguinte. Lembrava-se do sonho. Não dava para trabalhar daquele jeito e dormiu o resto do dia. De noite leu sobre ele nos jornais. Realmente fizera alguns estragos, queimando parte da cidade. Havia uma foto bem clara dele, arrancando a cabeça de uma mulher.
Recebeu uma ligação de seu gerente naquela noite. Disse que Godzilla estava demitido.

Nove: Sedução

No dia seguinte apareceram os humanos. vestiam ternos pretos e sapatos polidos e mostraram credenciais. Estavam armados também.
Um deles disse: ‘Você é um problema. Nosso governo quer mandá-lo de volta ao Japão.’
‘Eles me odeiam por lá. Eu acabei com Tóquio!’ disse Godzilla.
‘Você também não tem se dado bem por aqui. Por sorte você queimou uma parte menos privilegiada da cidade, ou você estaria ferrado. Isso dito, temos uma proposta de trabalho para você.’
‘Qual?’
‘Você coça nossas costas e nós coçamos as suas.’
Então o homem contou o que tinha em mente.

Dez: Escolhas

Godzilla mal dormiu naquela noite. Levantou-se e brincou de esmagar seu pequeno toca-discos. Dançou pela sala como se estivesse se divertindo, mas não estava.. Foi ao Centro Recreacional Grande Monstro.
Encontrou Kong num banco, despindo uma de suas Barbies, e tocando entre as pernas, a vagina que desenhara com caneta azul. Agora ele desenhava pêlos pubianos nela.
Godzilla achava que talvez Kong pudesse fazer o trabalho por ele.
Por Deus, você não quer acabar como Kong. Completamente fora deste mundo.
Por outro lado, se ele tivesse algumas bonecas para queimar, serviria para acalmá-lo.
Não. Depois de experimentar a coisa de verdade, para que serviria uma Barbie? Era como cerveja sem álcool. Como aqueles escombros nos fundos. Cerveja sem álcool. A fundição. O programa de doze passos. Tudo cerveja sem álcool.

Onze: Trabalhando para o governo

Godzilla ligou para os desgraçados do governo.
‘Certo! Eu farei.’
‘Ótimo. Achávamos que toparia. Olhe em sua caixa de correio. O mapa e as instruções estão lá dentro.’
Godzilla saiu de casa e foi conferir. Havia um envelope pardo com instruções dentro. Dizia:
‘Queime todos os pontos que estão no mapa. Quando terminar com estes, encontrará outros. Apenas tenha certeza de que ninguém irá escapar. Até o último homem, mulher e criança.’
Godzilla abriu o mapa. Haviam vários pontos marcados de vermelho. Sob as marcações ele podia ler: ‘Cidade dos Crioulos’, ‘Vila dos Amarelos’, ‘Enclave do lixo branco’, ‘Bairro das piranhas’. ‘Monte de Democratas’.
Godzilla entendeu o que poderia fazer. Poderia ser espontâneo. Queimar sem culpa. Esmagar sem culpa. E não somente isso, eles haviam lhe mandado um cheque.
Ele fora contratado por sua cidade adotiva para limpar a sujeira, ou era como eles viam.

Doze: O passo final

Godzilla parou perto do primeiro lugar da lista: ‘Cidade dos crioulos’
Viu crianças brincando nas ruas. Cães. Pessoas olhando para ele, imaginando o que ele fazia ali.
Godzilla derrepente sentiu algo dentro de si. Sabia que estava sendo usado. Virou-se e saiu dali. Foi em direção a área da cidade onde ficavam os prédios do governo.
Começou pela mansão do governador.
Estava fora de controle. A artilharia caiu encima dele, mas de nada serviu.
Estava enlouquecido. Como nos velhos tempos.
Reptilicus apareceu com um megafone, tentando acalmar Godzilla, mas ele não o ouvia. Queimava o topo do prédio da prefeitura, descendo e queimando e mais, até o chão.
Kong apareceu e o saudou. Kong então atirou longe o andador e passou a destruir tudo ao redor e depois subiu no prédio do governo. Balas zuniam à volta do macaco gigante.
Godzilla ficou olhando Kong alcançar o topo, segurando-se com uma das mãos enquanto balançava uma boneca Barbie com a outra. Kong então colocou a Barbie entre os dentes e do bolso tirou um Ken despido. Kong havia feito um tipo de pênis em Ken e gritava ‘É isso ai! É isso ai! Eu sou de Antes e Depois de Cristo, seus filhosdaputa!’
Jatos apareceram e lançaram um ataque contra Kong, que levou um míssil bem entre os dentes.
Barbie, dentes e pedaços de cérebro encheram o céu cinzento. Kong caiu.
Gorgo saiu do meio da multidão e debruçado sobre o macaco, chorando, pegou-o nos braços.
A mão de Kong lentamente se abriu, revelando Ken e seu ‘pinto’ quebrado.
A tartaruga voadora apareceu e Kong arrancou o topo do prédio e bateu em Gamera com ele.
Até os policiais e o exército aplaudiram.
Godzilla bateu, bateu e bateu na tartaruga, espalhando pedaços de carne de tartaruga por toda parte, igual a quando se sobreaquece um poodle em um forno de microondas.
Alguns pedestres recolheram nacos da carne e levaram para casa para assar, por que havia um boato que dizia que tinha gosto de galinha.
Godzilla levou três foguetes no peito, cambaleou e tombou. Os tanques o cercaram.
Godzilla abriu sua boca sangrenta e riu. Pensou, se a coisa não se resolver aqui, terei que acabar com os negros, com os amarelos, o lixo branco e os homossexuais.
Pro inferno com o programa dos doze passos. Pro inferno com a humanidade.
Então Godzilla morreu e fez a maior nojeira na rua.
Os militares saíram de perto, pisando na ponta dos pés e segurando seus narizes.
Mais tarde Gorgo reclamaria o corpo de Kong.
Reptilicus, entrevistado pelos repórteres da tevê, declarou:
‘Zilla quase conseguiu, caramba! Quase! Se ele tivesse conseguido completar o programa, ele ficaria ok. Mas a pressão da sociedade foi demais pra ele. Você não pode culpá-lo pelo que a sociedade fez com ele.’
No caminho de casa, Reptilicus lembrou dos prédios em chamas. Dos disparos das armas. Igualzinho aos velhos tempo, quando ele, Zilla, Kong e a idiota da tartaruga eram jovens.
Reptilicus pensou em Kong, balançando o boneco Ken, com Barbie entre os dentes.
Lembrou de Godzilla morrendo de rir.
Um monte de velhos sentimentos afloraram em Reptilicus. Era duro lutar contra isso.
Encontrou um local remoto e uma casa às escuras e urinou pela janela esquecida aberta, então foi para casa.

Joe R.Landscape, 'Godzilla's twelve step program', 1994.
Originalmente publicada na coleção ‘Writer of the Purple Rage’.

Battlestar Galactica - Jeffrey A. Carver


The Cylons were created by Man. Created to make life easier on the Twelve Colonies.

They began as simple robots—toys for the amusement of the wealthy and the young—but it was not long before they became useful, and then indispensable, workers. As their sophistication grew, the Cylons were used for the dif cult and dangerous work that humans preferred to avoid: mining, heavy industry, deep space construction.

And nally, perhaps inevitably, they were used for war. Not against enemies from without, but by human against human, as the Twelve Colonies found reason to wage war against one another.

The Cylons were the greatest soldiers in the history of warfare. They were smart, fast, and deadly. Successive models had become increasingly independent, capable of making decisions without human orders. And they were utterly without conscience.

Killing, to the Cylons, was simply one of the functions for which they had been superbly designed.
In hindsight, perhaps it should not have been a surprise that the day would come when the Cylons decided to kill their masters. And when that day came, the horror of war was unleashed upon all twelve of the Colonies of Man. For ten long and bloody years, humanity fought—not just for freedom, but for survival.

The Twelve Colonies, facing a common, implacable foe, at last came together and joined as one. Many fought, and many died, in the effort to destroy the mechanized race that humanity itself had conceived and brought into being.

There would be no victory. But through valiant fighting, and with the mobilization of every available resource throughout the human sphere, the Cylons were gradually driven from the immediate part of space oc- cupied by humanity. In the end, an armistice was declared. Humanity would live in peace, while the Cylons left to and another world to call their own.
Live and let live was the philosophy...

if “live” was a term that could be applied to the existence of the robots. No one knew the location of the Cylon world. But to maintain the peace, a remote space station was built in the dark emptiness between the stars, to be a place where Cylon and human would meet and maintain diplomatic relations.

Once a year, every year, the Colonials sent an oficcer for the scheduled meeting. After the rest year, the Cylons sent no one. No one had seen or heard from the Cylons in over forty years.

That was about to change.

Battlestar Galactica - Jeffrey A. Carver [ Download ]

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

The Yiddish Policemen's Union - Michael Chabon


Uma história alternativa vencedora do Hugo e do Nebula Awards, de um autor já laureado com o Pulitzer e que será transportada para o cinema pelos irmãos Coen.

A história... Israel não aconteceu.
Para lidar com o problema do pós-Holocausto, os EUA cedem um pedaço do Alaska para onde os judeus poderem migrar. Em 2005, no entanto, 60 anos após a cessão, as terras estão para voltar à posse do governo norte-americano. A língua que se fala nas ruas é o iídiche, não o hebraico. Está todo mundo meio desesperado para conseguir um visto para algum lugar do planeta – é preciso se mudar. E, em meio a esta confusão, acontece o assassinato de um homem desconhecido que, naturalmente, tem tudo a ver com tudo. Esse é o cenário em que um policial tem que desvendar o crime, que inclui um menino gênio de xadrez que pode ser o messias!

The Yiddish Policemen's Union - Michael Chabon [ Download ]

fonte Pedro Doria Leituras

Writing popular fiction - Dean R. Koontz


A NOTE TO THE READER

This book can be valuable to the new writer. It provides insights into category fiction, offers suggestions not to be found elsewhere, and ought to save you time and rejection slips on the way to a sound, professional writing career. I will be pleased to hear from anyone who, having read the book, feels he's gained from it. However, spare me letters that say:

—"You forgot to mention theme!" I didn't forget. I neglected it on purpose. The theme, the "meaning" of a story, is not something you can sit down and plan out ahead of time. Or, anyhow, it shouldn't be. Theme should grow from your characters and your plot, naturally, almost subconsciously. If you sit down to deliver a Great Message to the reader, above all else, then you are an essayist, not a novelist.

—"Some of these writers whose books you recommend are not really that terribly good." I know. For the most part, I've tried to point you to the best people in each field. But, occasionally, a mediocre writer achieves such stunning success that he must be mentioned in the discussion of his genre. If, out of the hundreds of books I recommend, I steer you to a couple of bums, please realize that you can learn something from those bums, if only the taste of a large part of that genre's readership.

-"You list seven science fiction plot types, but I have found an eighth!" Okay. But it may be the only one of its kind; and with enough thought and enough familiarity with the field-Western, suspense, science fiction or whatever—you probably will find it fits into my list just fine.
—"You don't show us how to make writing easy!" I know I don't. It's hard work, and it's frustrating, and it's lonely. I'm writing this to inform you, not deceive you. So set to work, and good luck!

CONTENTS
1 Hammer, Nails, and Wood
2 Science Fiction and Fantasy
3 Suspense
4 Mysteries
5 Gothic- Romance
6 Westerns
7 Erotica
8 The Most Important Chapter in This Book



CHAPTER TWO - Science Fiction and Fantasy

Rayguns, helpless maidens stranded on alien planets, bug-eyed monsters, invasions of the Earth by wicked creatures, arch-fiends bent on the destruction of the race, super heroes—if you believe this is what science fiction is about, you either stopped reading it circa 1930, or have formed your opinion from motion pictures and television programs.

The science fiction stories of the 1930's and 1940's were often ludicrous, but they have long ago given way to the same sophistication of theme, background, characters, and style found in other genres.

The film medium has rarely done justice to the field—notable exceptions being 2001: A Space Odyssey, A Clockwork Orange, Village of the Damned, and THX-1138. Before trying to write science fiction, read it (a truism applicable to each category of fiction, because each has its special requirements). When you read the work of Poul Anderson, John Brunner, Arthur Clarke, Harlan Ellison, Robert Heinlein, Barry Malzberg, Samuel R. Delany, Theodore Sturgeon, Robert Silverberg, and Roger Zelazny, you'll discover that the rayguns have been packed in mothballs; the helpless maidens have taken to women's liberation; the heroes, once flawless, are now quite human.

Writing popular fiction - Dean R. Koontz [ Download ]

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Steampunk Musha - Victoriental adventures (RPG)

The Tale of Yu
ALL THESE THINGS TOOK PLACE IN A TIME BEFORE TIME WAS MEASURED, BEFORE THE GODS KNEW THEIR OWN NAMES.

THE GREAT CELESTIAL DRAGONS, WHOSE NAMES MAN MAY NOT SPEAK, EXISTED IN A PLACE THAT HAD NO FORM, A PLACE SO SHAPELESS THAT NO THOUGHTS COULD CONTAIN IT, AND NOT EVEN THE DRAGONS CONSIDERED ITS EXISTENCE. ITISSAID THEY WENT ON FOR UNCOUNTABLE MOMENTS IN THEIR WAY, KNOWING THE THINGS THAT THE DRAGONS KNOW, DOING THINGS THAT THE DRAGONS DO.

PERHAPS EONS PASSED, BUT THE TRUTH OF THIS IS LOST TO MEN. WHAT IS KNOWN IS THIS: THE GREAT CELESTIAL DRAGONS DECIDED THAT THE FORMLESS PLACE SHOULD HAVE SOME FORM, THAT ITS LIFELESSNESS SHOULD BE FILLED WITH BREATH. SO THEY BREATHED IN THE SHAPELESS PLACE AND BREATHED OUT THE ONE CALLED YU.



Steampunk Mucha (RPG) [ Download ]

O Parque dos Dinossauros - Michael Crichton

John Hammond está prestes a ver concretizado o sonho de sua vida: inaugurar um sofisticado (e lucrativo) parque turístico em que o ambiente foi construído para se parecer com a Terra de milhões de anos atrás e cujos animais são... dinossauros! Confinados em Islã Nublar, uma pequena ilha da Costa Rica, os quase trezentos espécimes produzidos com a mais revolucionária tecnologia da engenharia genética parecem sob o controle absoluto dos supercomputadores e dos cérebros geniais que os criaram.

Contudo, um detalhe foi esquecido.

Desaparecidos da face do planeta antes que o homem viesse a habitá-lo, os dinossauros podem apresentar reações inesperadas aos seres humanos. Ante a iminência de uma catástrofe de dimensões notáveis entra em cena o paleontólogo Alan Grant, a quem sobra a colossal tarefa de enfrentar monstros enlouquecidos. Com suspense de tirar o fôlego e um final imprevisível, O Parque dos Dinossauros é uma obra de literatura e ficção científica que também incursiona magistralmente no campo das novas teorias matemáticas e dos assombrosos feitos da informática, propondo uma reflexão cuidadosa sobre o uso que se pode fazer da ciência.

O Parque dos Dinossauros - Michael Crichton [ Download ]

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Autumn (5 livros) - David Moody





By offering the first AUTUMN novel as a free download, David Moody created an Internet phenomenon. More than half a million downloads later, and with a movie adaptation ready for release in 2009, the five book series is set to be republished by Thomas Dunne Books.
A German language edition of the series is available from Otherworldverlag of Austria.

A bastard hybrid of Day of the Triffids and Night of the Living Dead, the AUTUMN books chronicle the struggle of a small group of survivors coming to terms with a world torn apart by a deadly disease. More than 99% of the population of the planet are killed in less than 24 hours. Days after the initial outbreak, the dead begin to rise. At first slow, blind, dumb and lumbering, over time the bodies gradually regain their most basic senses and abilities... sight, hearing, basic motor skills... Trapped by the restraints of their rapidly decomposing shells, the bodies gravitate towards the survivors - the only remaining attraction in the silent, lifeless world. Unable to understand what is happening to them or to communicate, the dead become increasingly violent and aggressive. The survivors are outnumbered more than 100,000 to 1.

Without ever using the 'Z' word, the AUTUMN books offer a new perspective on the traditional zombie story. There's no flesh eating, no fast-moving corpses, no gore for gore's sake. Combining the atmosphere and tone of George Romero's classic living dead films with the attitude and awareness of 28 Days (and Weeks) later, these bleak novels are filled with relentless cold, dark fear.

The original AUTUMN trilogy (AUTUMN, AUTUMN: THE CITY and AUTUMN: PURIFICATION) follows the plight of a group of survivors as they fight to make sense of the chaos of the dead world and find shelter from the increasing numbers of corpses which relentlessly pursue them. A companion book (AUTUMN: THE HUMAN CONDITION) delves into the back-stories of many of the characters from the previous novels (where were you when the world ended?!) and also includes a number of additional novellas and short stories telling the stories of, amongst others, an office worker who carries on with the day-to day and refuses to accept that the rest of the world is dead, an 8 year old boy who tries to survive alone without his parents, a man who refuses to give up his home no matter what the cost, a local politician who is terrified he's going to have to take charge of what's left of his town...

The fifth book in the series - AUTUMN: DISINTEGRATION - is an as yet unpublished story of two separate groups who have both managed to survive by adopting very different tactics. Although not directly linked to the other books, the events of AUTUMN: PURIFICATION indirectly affect the actions of the survivors in DISINTEGRATION.

Autumn (5 livros) - David Moody [ Download ]

Autumn site

Crepúsculo - Stephenie Meyer

PREFÁCIO

Eu nunca pensei muito sobre como eu iria morrer - achei que eu tinha motivos suficientes nos últimos meses - mas mesmo que eu não tivesse, eu não iria imaginar assim. Eu encarei sem respirar através do longo aposento, dentro dos olhos escuros do caçador, e ele olhou agradavelmente de volta pra mim. Com certeza essa foi uma boa forma de morrer, no lugar de outra pessoa, outra pessoa que eu amava. Nobre, até. Que deve ser levado em conta pra alguma coisa. Eu sabia que se eu nunca fosse para Forks, eu não estaria encarando a morte agora.
Mas, aterrorizada como eu estava, eu não podia lamentar a decisão.

Crepúsculo - Stephenie Meyer [ Download ]

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Perigo, Perigo...


Bob May, o homem na 'roupa' do robô de 'Perdidos no Espaço', morreu no fim de semana passado, aos 69 anos.

Bob May era um ator veterano e dublê. Trabalhava desde criança em números de comédia em circos e espetáculos populares, e foi o próprio Irwin Allen, o criador da série, quem o contratou para 'encarnar' o protetor de metal da família Robinson (1965).

Allen contava que para pegar o emprego, o candidato tinha que simplesmente conseguir entrar dentro daquela 'roupa'. A voz do robô original era feita pelo também ator Dick Tufeld.

Na foto de 1995, alguns membros da tripulação original.
Da esquerda para direita, ao fundo, Bob May, Bill Mumy, Mark Goddard e Jonathan Harris.
Na frente, a partir da esquerda, June Lockart, Martha Kriste, e Angela Cartwright.

The Empty House And Other Ghost Stories - Algernon Blackwood


Conteúdo:

THE EMPTY HOUSE
A HAUNTED ISLAND
A CASE OF EAVESDROPPING
KEEPING HIS PROMISE
WITH INTENT TO STEAL
THE WOOD OF THE DEAD
SMITH: AN EPISODE IN A LODGING-HOUSE
A SUSPICIOUS GIFT
THE STRANGE ADVENTURES OF A PRIVATE SECRETARY IN NEW YORK
SKELETON LAKE: AN EPISODE IN CAMP
John Silence
The Lost Valley
The Listener


The Empty House And Other Ghost Stories - Algernon Blackwood [ Download ]

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


QUEIMAR ERA UM PRAZER!

Era um prazer muito especial ver as coisas arderem, vê-las calcinar-se e mudar.

Punho de cobre na mão, armado desse imenso piton que cuspia o veneno da sua gasolina sobre o mundo, sentia o sangue bater-lhe nas têmporas, e as suas mãos tornavam-se as mãos de uma espécie de maestro prodigioso dirigindo todas as sinfonias do fogo e do incêndio, ao ritmo das quais se desmoronavam os farrapos e as ruínas carbonizadas da história.

Avançou entre um fulgor de pirilampos.

Teria gostado acima de tudo, segundo a velha tradição, de mergulhar no braseiro uma alcachofra presa na ponta de um pau, enquanto os livros, com um bater de asas, morriam no umbral da casa e no jardim. Enquanto os livros se estorciam entre nuvens de fagulhas e partiam, calcinados, com o vento.

Montag sorriu, com o áspero sorriso de todos os homens chamuscados e repelidos pelas chamas.





Fahrenheit 451 - Ray Bradbury [ Download ]

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Room 13 and other ghost stories - M.R.James

Montague Rhodes James (1862-1936) was a scholar who wrote many books on history and languages. He also wrote many famous ghost stories.
He read these stories to his friends at King's College, Cambridge University.
Many of the people in the stories have plenty of money and do not need to work. They live in large houses and have servants to look after them.
Many of them like to travel. All of them are interested in books.
These people lived in the same way that M. R. James lived. But life for ordinary people was very different. As you read these stories, think about M. R. James.
He read these stories at Christmas. He sat in a room lit by candles. Outside it was dark and cold.
The gentlemen listened to James reading. They smoked cigars and drank brandy.
After you have read the story, it will be time to go to bed.
But don't turn out the light straight away.
Something may be waiting for you, in the dark!

Room 13 and other ghost stories - M.R.James [ Download ]

Celular - Stephen King


A civilização entrou na sua segunda idade das trevas em um pouco surpreendente rastro de sangue, mas com uma rapidez que não poderia ser prevista nem mesmo pelo mais pessimista dos futurólogos. Era como se estivesse engatilhado. No dia 10 de outubro, Deus estava no céu Dele, a Bolsa de Valores estava em 10.140 pontos e a maioria dos aviões estava no horário (exceto os que chegavam e partiam de Chicago, o que era de se esperar). Duas semanas depois, os céus pertenciam aos pássaros novamente e a Bolsa de Valores era uma lembrança.
Já no Dia das Bruxas, todas as grandes cidades, de New York a Moscou, fediam sob o céu vazio, e o mundo como ele havia sido antes era uma lembrança.

O PULSO

O evento que veio a ser conhecido como O Pulso começou às 15h03, horário da costa leste, na tarde do dia 10 de outubro. O termo era inapropriado, é claro, porém, dez horas depois do evento, a maioria dos cientistas capazes de apontar isso estava morta ou louca.
Seja como for, o nome não tinha importância. O importante foi o efeito.


Cell & Celular - Stephen King [ Download ]

domingo, 18 de janeiro de 2009

Thomas Disch


Thomas M. Disch (2 de Fevereiro 1940 – 4 de Julho de 2008 ), escritor de ficção, poeta, crítico de ópera, nasceu em Des Mondes, Iowa, EUA, e estudou em Minnesota, de onde só sairia para se alistar no exército. Esta passagem lhe renderia meses internado em um hospício militar por ter desertado posteriormente.

Começou cedo a escrever para revistas de Ficção Científica e aos 25 publicou aquele que seria seu trabalho mais conhecido, 'The Genocides', a história de uma invasão de alienígenas, que utilizam nosso planeta para plantio, e tratam os seres humanos como indesejáveis pragas que precisam ser eliminadas.

Já morando em Nova Iorque, onde trabalhou na Ópera Metropolitana, fez parte do movimento da Ficção Científica conhecido como 'New Wave' - escreveu livros de terror, poesias e outros gêneros, e sempre obteve elogios da crítica, por obras como 'Camp Concentration' e '334' (apesar de pouco conhecido mesmo em seu país).

Ganhou diversos prêmios, como o Ditmar (1969), 2 Prêmios Gigamesh (1993 e 1991),
Prêmio da Associação Britânica de FC (1980), Prêmio Locus (1981), Prêmio Michael Braude (Academia de Artes e letras), e o Hugo (1999), este último por 'The Dreams Our Stuff Is Made Of' (Melhor livro de não-ficção)

Polêmico em seu discurso e por suas escolhas de vida, Dish tinha aversão ao catolicismo e era amante da ópera e do balé, além de passar grande parte da sua vida viajando pelo mundo fazendo palestras.

Uma de suas viagens, em 1991, incluiu o Brasil, onde apresentou sua controversa palestra "The Embarrassments of Science Fiction", de 1975.
Seu discurso, inteligente e provocador, desagradou grande parte daqueles que o assistiam, pois Disch sempre repetia que a literatura de Ficção Científica em sua maioria, não era nada mais do que um ramo de diversão para crianças, não possuia sofisticação e servia tão somente para projetar ressentimentos das classes baixas, sendo simplesmente 'fantasia compensatória'.

É claro que seu discurso muito se devia a própria postura do movimento do qual fizera parte.
A 'New Wave' precisava colocar abaixo o panteão sagrado da FC , criticando pesadamente a geração 'Golden Age' e seus ícones.

Disch cometeu suicídio em 4 de Julho de 2008.

Coleção de romances e contos (Bajando, Conceptos, El descubrimento del Nulitron, El ejecutivo, El valiente tostadorcito, En alas de la cancion, Los Genocidas, 334, Problemas del genio creador, Eco alredor de sus huesos, Carrusel, El hombre que no tenia ni ideia, El judio errante, Las ultimas ordenes, El número que se ha alcanzado, The shadow, The Pressure of Time) [ Download ]

Últimos posts do site Endzone

sábado, 17 de janeiro de 2009

Make room! Make room! (Soylent Green) - Harry Harrison



Make Room! Make Room! foi escrito em 1966, uma extrapolação das consequências do super crescimento populacional e serviu de base para o filme 'Soylent Green' (1973).

No futuro de 1999, os recursos naturais consumidos pelos EUA e outros países, são cada vez mais escassos. A população mundial chega a 7 bilhões e toda infra estrutura social está prestes a sofrer um colapso. Make Room! Make Room! conta o dia-a-dia de alguns personagens, entre os quase 35 milhões de uma Nova York quente e superpovoada.

PROLOGUE

In December, 1959, The President of the United States, Dwight D . Eisenhower, said: "This government... will not... as long as I am here, have a positive political doctrine in its program that has to do with this problem of birth control. That is not our business."
It has not been the business of any American government since that time.

In 1950 the United States--with just 9.5 per cent of the world's population--was consuming 50 percent of the world's raw materials. This percentage keeps getting bigger and within fifteen years, at the present rate of growth, the United States will be consuming over 83 per cent of the annual output of the earth's materials. By the end of the century, should our population continue to increase at the same rate, this country will need more than 100 per cent of the planet's resources to maintain our current living standards. This is a mathematical impossibility--aside from the fact that there will be about seven billion people on this earth at that time and -perhaps-they would like to have some of the raw materials too.
In which case, what will the world be like?





Make room! Make room! (Soylent Green) - Harry Harrison [ Download ]

Divirta-se com sua própria cabeça - Thomas DIsch


As cabeças são graciosas e possuem milhares de risos armazenados para você, na nova e melhorada cabeça.

Todos podem desfrutar de uma cabeça falante, jovens e adultos também.

Saboreie, veja, ouça, e ‘sinta dor’ com uma cabeça.

Experimente cada emoção conhecida pela cabeça, e se você já teve uma, deve se lembrar do que dizem: ‘Duas cabeças são melhores do que uma’.

Todos podem desfrutar de uma cabeça falante, cada minuto é diferente do outro, no incrível caos de pensamentos de uma cabeça e cada cabeça é diferente da outra!

As cabeças são graciosas, escute a cabeça desmembrada falar sobre ‘liberdade’, ‘morte’ e ‘Deus’. Faça com que sua cabeça lhe fale sobre ‘amor’. Qualquer cabeça está pronta para falar sobre 'amor', se forem seguidas as instruções do manual de entretenimento.

Observe uma cabeça usada morrer, falando, falando, falando até desfalecer.
Sem dúvida não é um exagero dizer que são maravilhosas!

Saboreie, veja, ouça e ‘sinta dor’ com uma cabeça.

Cada comprador de uma cabeça recebe absolutamente grátis um suprimento vitalício de ‘alimento’. Ponha ‘alimento’ na ‘boca’ de sua cabeça, depois insira o dispositivo co-sensitivo em ‘clavícula esquerda’, e você desfrutará de cada molécula de ‘alimento’ em sua ‘boca’.
Somente aqueles que já comeram com ‘boca’ podem entender as incríveis sensações do ‘alimento’.

A ‘clavícula esquerda’ é também a interface de entrada/saída para ‘olho esquerdo’ e ‘olho direito’. Veja um estranho mundo através do ‘olho direito’, olhando para você próprio!
Veja através do ‘olho esquerdo’ também! Então veja através do ‘olho direito’ e do ‘olho esquerdo’ juntos. Cada cabeça da Exo-Export vem com dois ‘olhos’. Não aceite menos!

‘Clavícula esquerda’ também é interface para ‘nariz’. Agora com a nova cabeça melhorada, você pode experimentar o desconcertante e primitivo mundo do ‘sexo’, já que o centro da nova resposta sexotrópica da cabeça foi retirado da área obsoleta e inalcançável do osso sacro e direcionada para o gracioso ‘nariz’.
Apenas mais uma razão para que duas cabeças sejam ainda melhores do que uma.

‘Clavícula esquerda’ também é interface para ‘queixo’ sensível a ‘dor’.
Em todas as galáxias existem criaturas, frequentemente as mais insignificantes, que podem experimentar o famoso ‘prazer negativo’, e agora com uma cabeça, você também poderá fazê-lo! A nova cabeça melhorada possui mais 35% de sensibilidade à ‘dor’, graças aos refinamentos introduzidos em ‘queixo’.

‘Clavícula esquerda’ também é interface de controle para ‘pomo de adão’.
Nada é mais fácil do que manusear a função-falar de sua cabeça.
Divirta seus amigos falando através de sua própria cabeça! O que poderia ser mais divertido do que falar para outra cabeça que pensa que você também é uma cabeça?

Todos podem desfrutar de uma cabeça falante, jovens e adultos também!
E mais divertida do que sua função-falar é sua função-pensar. Insira o dispositivo ‘compaixão’ na ‘clavícula direita’ e experimente cada emoção conhecida da cabeça. Você sentirá o assombroso ‘amor’ da uma cabeça. Você ficará paralisado com ‘terror’ e a ‘dor’ de sua cabeça e sua própria e inevitável ‘morte’. Você se odiará a si mesmo, talvez a sensação mais excitante de todas.

As cabeças são educativas.
Todos deveriam ter uma cabeça própria com a qual poderiam crescer. As cabeças fornecem uma introdução fácil e estimulante à conceitos básicos de Exo-linguagem e Exo-cultura. Cada cabeça possui uma base completa de assombrosas tradições culturais de seu planeta de origem.
Um terço da vida de uma cabeça da Exo-Export é dedicado para educação.

As cabeças são perfeitamente seguras para os mais jovens. Os dentes pontudos são extraídos da ‘boca’ de cada cabeça e pseudo-dentes hidráulicos inofensivos são instalados.

Muitos decoradores consideram que as cabeças são uma atrativa adição na decoração de interiores, especialmente quando dispostas junto a Exo-flora e a Exo-fauna contrastantes. Para aqueles preocupados com a moda, já estão disponíveis cabeças em uma ampla variedade de cores naturais, desde o castanho até o rosado. Se tratada com a nova fórmula especial Fungi-X, as cabeças também podem ter cores mais agradáveis, apesar de que desta forma, as cabeças terão seu tempo de vida encurtado.

Todos deveriam ter sua própria cabeça e agora todos podem!
Graças a diminuição do volume do ‘peito’, as novas e melhoradas cabeças são o resultado de recentes avanços em biominiaturização e são mais baratas do que o modelo anterior! Também comem menos e ocupam menos espaço! Então, por que voce não compra sua nova cabeça hoje mesmo?

Qualquer cabeça que você comprar da Exo-Export, tem a garantia de que pertence ao planeta de origem, pois é lá que se encontram os responsáveis pelo desmembramento e fabricação das cabeças, onde se pratica à muito tempo a bioengenharia necessária.

São milhares de risos armazenados para você na sua nova e melhorada cabeça!
Por que não comprar sua nova cabeça hoje?
Por que não comprar sua nova cabeça hoje?
Por que não comprar sua nova cabeça hoje?

Somente 49,95 nos Mercados Exo-Export!


Fun With Your New Head (1972)-Thomas Disch

Escultura de Jamie Salmon

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quicksilver - Book 1 of the Baroque Cycle - Neal Stephenson

Neal Stephenson's new novel is set in the 17th century, in another world of secrets, codes and conflict. Having challenged Robert Harris in his previous book, Stephenson now sets his sights on Patrick O'Brien... Neal Stephenson follows his international bestseller, the WWII thriller Cryptonomicon, with a novel set in the 16th and 17th centuries, as he tells the stories of Daniel Waterhouse and Enoch Root, the ancestors of his central characters in the previous book, following them from their childhoods in London, to education at Cambridge amidst the political and religious fervour and tensions of the Reformation, through the English Civil War, and travels as far as afield as Poland and the American colonies. With a cast of characters that includes Newton, Leibniz, Christopher Wren, Charles II, Cromwell and the young Benjamin Franklin, Stephenson again shows his extraordinary ability to get inside a place and time; as he did for the futures of his science fiction (Snowcrash, The Diamond Age) and for WWII (Cryptonomicon), here he does for the England of the Civil War and the Europe of the Wars of Religion and the Scientific Revolution.
Quicksilver is yet another tour-de-force from a writer who is simply unique.

Quicksilver - Book 1 of the Baroque Cycle - Neal Stephenson [ Download ]

334 - Thomas M. Disch

334, escrito em 1972, é uma coletânea de contos, todos relacionadas a um prédio na 334 East 11th Street, no início do século 21, em uma Manhattan distópica. É considerado como um dos melhores trabalhos deste brilhante e controverso autor, que se suicidou em Julho de 2008.

334 - Thomas M. Disch [ Download ]

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Contato - Carl Sagan


(...Os comentaristas japoneses falavam do Machindo, o Caminho da Máquina - a perspectiva cada vez mais disseminada da Terra como um imico planeta e de todos os seres humanos como iguais no futuro. Alguma coisa assim havia sido proclamada em algumas religiões - mas não todas.

Os adeptos dessas últimas mostravam-se compreensivelmente ressentidos com o efeito que estava sendo atribuído a uma Máquina alienígena. Se a aceitação de uma nova concepção do nosso lugar no universó representa uma conversão religiosa, pensou Ellie, nesse caso uma revolução teológica estava varrendo a Terra. Até mesmo os milenaristas americanos e europeus tinham sido influenciados pelo Machindo.

Entretanto, se a Máquina não funcionasse e a Mensagem desaparecesse, quanto tempo, refletia Ellie, duraria esse novo modo de pensar? Mesmo que tivéssemos cometido algum erro de interpretação ou construção, ela meditava, mesmo que nunca mais viéssemos a saber coisa alguma sobre os veganos, a Mensagem demonstrava, sem sombra de dúvida, que existiam outros seres no universo, e que eles eram mais adiantados do que nós. Isso ajudaria a manter o planeta unificado durante algum tempo.

Ellie perguntou a Eda se algum dia passara por uma experiência religiosa transformadora.

"Já", disse ele.

"Quando?" Às vezes era preciso estimulã-lo a falar.

"Quando comecei a estudar Euclides. E também quando compreendi pela primeira vez a gravitação newtoniana. E as equações de Maxwell, e a relatividade geral. E durante meu trabalho sobre a superunificação. Tive a sorte de passar por muitas experiências religiosas."

"Não", replicou Ellie. "Você sabe o que eu quero dizer. Fora da ciência."...)


Contato - Carl Sagan [ Download ]

La nave abandonada y otros relatos de horror en el mar - William Hope Hodgson


William Hope Hodgson (1875- 1918) es sin duda uno de los representantes más originales de lo que se ha dado en llamar el «cuento materialista de terror». La asombrosa facilidad de Hodgson para recrear atmósferas angustiosas y oprimentes fascinó a H. P. Lovecraft y los escritores de su círculo. La nave abandonada reúne los mejores relatos de terror que Hodgson dedicó a los misterios de las profundidades del mar. La soledad de los vastos desiertos de las aguas, el horror apenas insinuado, el acecho de entidades que están más allá de la esfera humana, la pesadilla creciente, las embarcaciones abandonadas en la noche profunda de los mares inmóviles, son algunos de los temas recurrentes de la presente selección, descritos con la intensidad y el suspense de un maestro del género.

La nave abandonada y otros relatos de horror en el mar - William Hope Hodgson [ Download ]

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

El sentido de la ciencia-ficción - Pablo Capanna (1966)


Con algunos momentos de obra filosófica, otros de obra de historia y otros aún de crítica literaria, no resulta sencillo comentar el libro El sentido de la ciencia ficción de Pablo Capanna (Editorial Columba, Bs. As. 1966), dado su carácter multifacético.

En su afán por definir lo que la ciencia ficción es, el autor aborda la cuestión desde diferentes ángulos:

Hace la crítica del nombre “ciencia-ficción” [s-f]; Realiza una genealogía del “género”, considerando como fundamentador a Platón, y como fundador a H. G. Wells; Historiza las características y el desarrollo de la s-f en diferentes países (Inglaterra, Francia, USA, Rusia, etc.); Cuestiona las principales definiciones que de la s-f se han dado; Se detiene en comentar la obra de varios autores destacados; Analiza las distintas formas que adopta el “genero” (space-opera, gadget story, utopías positivas y negativas, ucronías, etc.); Sintetiza, en unos pocos rasgos, el carácter del aficionado a la lectura de s-f; Llega a poner en duda la pertenencia de la s-f a la literatura, ubicándola en un platónico campo de confluencia entre el mito y la teoría. De todo este sustancioso recorrido, opino que este último punto es lo medular de su planteo y lo que hace que esta obra sobre s-f, publicada en 1966, esté destinada a no perder vigencia.

Ciencia Ficción y Mito

La s-f, según sostiene Capanna, antes que una manifestación literaria, sería un mito experimental en donde se expresaría, a nivel popular, el impacto del imperio actual de la ciencia y de la técnica en la existencia humana.

La s-f no sería literatura, en el sentido clásico, porque no predomina en ella la caracterización de personajes, a partir de los cuales se despliega una historia ambientada en un determinado contexto espacio-temporal. Lo importante no son los problemas humanos, en cuanto individuales, sino las vicisitudes que pueda atravesar el ser humano en cuanto especie: En s-f, a la inversa de la literatura convencional, cuenta más el Hombre que los hombres, el asunto que la trama, el tema que los personajes. El espíritu científico, del cual está imbuida, provocaría en el género la predominancia de lo universal, es decir, de la ley respecto del caso individual, lo que haría dudar si la s-f es propiamente una manifestación literaria o es algo que habría que ubicar entre el mito y la teoría. De ahí la denominación mito experimental.

Al hablar de “mito”, Capanna no se refiere a lo que habitualmente se conoce como tal, sino que apunta a ese recurso metodológico utilizado profusamente por Platón y que es, más bien, del orden de la “alegoría”. Se trata de recursos imaginarios que posibilitan una mejor intuición de conceptos sumamente abstractos. Así, Platón nos describe en el Critias la Atlántida como modelo de Estado, cuyos principios había establecido en la República. De forma similar, en la s-f se trataría de relatos que permitirían, al hombre común, hacer imaginables los efectos de la técnica tanto en la propia existencia como en la existencia de las futuras generaciones. Los mitos platónicos serían un modelo para toda utopía y para toda obra de s-f.

La diferencia fundamental entre el mito tradicional y el platónico, entre mitología y s-f, hace evidente una profunda diferencia entre la posición existencial del hombre antiguo y el hombre moderno. El mito arcaico manifiesta una posición existencial que implica una visión del mundo cerrada, para la cual el tiempo está ligado al ciclo cósmico, fijado en ciertas formas que remiten siempre al momento inicial de la creación. El presente debe ser recreado de acuerdo a lo establecido en el origen, estando garantida su permanencia en la fidelidad de tal recreación; y el futuro solo tiene sentido como repetición del pasado. En cambio, la s-f no parte de ninguna certeza, sino que trata, a partir de lo problemático hoy, dar cuenta de lo que nos puede suceder mañana: la resolución, incierta, queda proyectada al futuro. Diferencia entre certeza y posibilidad, entre Repetición y Progreso.

¿Qué es Ciencia Ficción?

El término “science fiction” (s-f) nace en USA con la fundación en 1926, por parte de Gernsback, de la primer revista especializada: Amazing Stories. Con él se pretendía nombrar un tipo de literatura fantástica que tomaba como tema la ciencia, los científicos y el método.

En castellano, la mejor traducción sería “ficción científica”, pero terminó por imponerse “ciencia ficción”, que llega a través de la editorial Minotauro, a imitación del francés. Término bastardo, discordante, que transforma el “science” inglés de especie o adjetivo en género o sustantivo: no es la ciencia que califica a un tipo de ficción, sino la ficción que califica a un tipo de ciencia.
Lo fortuito del nombre “ciencia-ficción” es en parte responsable de interminables discusiones sobre la definición del género. Judith Merril, compiladora de algunas de las mejores antologías, intenta desenmarañar la polémica haciendo algunas distinciones: acepta y emplea la sigla s-f (science-fiction) haciendo la salvedad de que la “S” puede significar tanto “ciencia” (science) como “especulación” (speculation) y la “F” abarca tanto “ficción” (fiction) como “fantasía” (fantasy) o “hechos” (facts).

También es de esta autora la definición de s-f que Capanna hace suya: ciencia-ficción es la literatura de la imaginación disciplinada. Desde esta perspectiva, lo específico de la s f sería cierta actitud metódica y cierta lógica consecuente, de corte científico, para tratar aun las hipótesis más descabelladas o agotar las posibilidades implícitas en una situación dada.

Lo que caracteriza a una teoría científica, en cuanto tal, no es su capacidad de explicar hechos sino, más bien, el predecir los hechos que se producirán de acuerdo con ella: el método científico se caracteriza por la predicción. Y es esta pretensión de predecir lo que emparentaría a la ciencia con la s-f que, entonces, no se definiría tanto por la cientificidad de sus temas, sino por el modo en que los trata. Lo cual marca su diferencia con otros géneros cercanos, tales como la literatura fantástica.

Es por eso que se podría hacer s-f sin necesidad de tratar temas científicos, sino simples relaciones humanas, y aún tratando temas que tradicionalmente son fantásticos. Lo cientíifico no es el contenido sino la actitud, fundada en el método científico, que exige imaginación y el empleo de una cierta lógica (por ej., los condicionales contrafácticos) y cierto método (por ej., la “extensión al absurdo” o la extrapolación lógica).

Quizás lo más interesante, y al mismo tiempo dificil de captar, es que Capanna no propone una clasificación sino una definición de la s-f que abarca muchas de las temáticas en que se ha intentado clasificar el género, e incluso muchas de las definiciones que de él se han dado. De hecho, bajo su definición, entran productos tan disímiles como la Atlántida de Platón, Utopía de Moro, Frankestein de Shelley, 1984 de Orwell, La Naranja Mécanica de Burgess… y por supuesto, todo lo que se entiende habitualmente por s-f. Y queda fuera, entre otros, la mayoría de lo que se ha denominado “space opera”, es decir novelas de aventuras ambientadas en el espacio y/o en el futuro.

Por ejemplo, dentro de este último rubro quedaría ubicada The dragon masters, novela de Jack Vance, dado que una historia que trate de guerras con extraterrestres y participen naves espaciales no significa que sea una obra de s-f. Sin embargo, alguién podría opinar que el relato pormenorizado que se hace de la cría de dragones, y del lugar que ocupa la misma en la economía de la civilización relatada por Vance, la hace merecedora de ser considerada dentro del género de la s-f.

Estamos aquí en un punto crucial: si sostenemos que el tema de la cría de dragones está tratado con coherencia y consistencia lógica, si se deriva en forma verosimil de lo que sabemos de la condición humana, y si nos permite ver desde una nueva perspectiva tal condición, entonces deberemos concluir que la novela de Vance pertenece al campo de la s-f. Según mi criterio, el tema de la cría de dragones no cumple, por lo menos, con la tercera condición.
A mi entender, la clave de lo propuesto por Capanna está en cierta lógica y cierta metodología que la s-f toma de la ciencia, y que apunta a la pretensión de predicción, ya sea con el fin de anticipar el porvenir, o con el fin de construir el escenario para una mirada crítica hacia la evolución de la humanidad. Es decir, que la pretensión de predicción, inherente a la s-f, es tal en la medida que nos incita y nos posibilita saborear con nuevas sensaciones alguna cuestión relativa a lo fáctico de nuestra existencia humana. Lo cual la diferencia netamente de la literatura fantástica.
Para finalizar, sólo me resta recomendarles con entusiasmo la lectura del libro.

Pancho Drake

El sentido de la ciencia-ficción - Pablo Capanna (1966) [ Download ]

All you zombies - Robert A. Heinlein



Vingança, mudança de sexo, paradoxo temporal, viagem no tempo... e zumbis?
'All you Zombies', desde sua publicação em 1958, é considerada a mais famosa história já escrita sobre viagem no tempo. Indicada para o prêmio Balrog.

Entenda o conceito de 'time loop' usado no livro.


All you zombies - Robert A.Heinlein [ Download ]

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Four and twenty blackbirds - Cherie Priest


Vencedor do prêmio Blooker de 2008, na categoria Ficção.

Cherie Priest's horror novel follows the seemingly haunted Eden, as she grows up in an adopted family, in atmosphere suffused with family secrets. Secrets tied to why a man attempted to kill her when she was still a child, and who exactly the ghosts haunting her - or protecting her - are. Priest keeps up the tension surrounding the central mystery, but the physical threat to Eden is never entirely convincing until it gets ratcheted up at the end; and the incompetence of the police is odd. It's still a good horror novel, with blood and family center stage.


Four and twenty blackbirds - Cherie Priest [ Download ]

Paises Imaginários - Ursula K.Le Guin

En esta colección de relatos fascinantes, Ursula K. Le Guin revela la misma gracia, el mismo virtuosismo que le ganaron un lugar tan elevado en el ámbito de la ciencia-ficción.
En estos relatos ha creado el hechizo de una serie de países imaginarios habitados por personas imaginarias con problemas reales. Su estilo, mesurado y a la vez deslumbrante de ingenio, puede compararse al extraño encanto de Isak Dinesen. La trama de los relatos avanza y retrocede en al tiempo, pero en ell os aparecen temas constantes: el insaciable anhelo de libertad humana, los terrores de la ti ranía y la persecución,
la irr eprimible necesidad de amor.
La riqueza de l a imaginación de Ursula K. Le Guin desborda en Países imaginarios. Una vez más, esta escritora se revela como uno de los autores más importantes de nuestra época.

Paises Imaginarios - Ursula K.Le Guin [ Download ]

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Day by day Armageddon - J.L.Bourne

Day by Day Armageddon is everyday man's field guide to survival.

With the gritty, no-nonsense voice of a young Naval officer, Bourne details the evolution of an outbreak of a virus that spreads rapidly from China to America, turning everyone in its path into hordes of mindless, hungry undead. Trapped in his home in San Antonio, Texas the man begins keeping a daily diary of his experiences, detailing in dreary, realistic terms the progression of the downfall of the United States. After making allies with another survivor a few houses away, an engineer by the name of John, they flee the city only hours before the U.S. government is to drop nuclear warheads on all major national cities, including San Antonio. Day after day, with his sanity wearing thin and rations running low, the men continue what seems to be a hopeless struggle for survival in a world overrun with flesh-eating zombies.


Day by day Armageddon -J.L.Bourne [ Download ]

All Flesh must be eaten - One of the living


Se zumbis tomassem conta do planeta, você lutaria para viver? 'One of the Living' (Um dos vivos) é um suplemento do RPG 'All flesh must be eaten', e que foca nos sobreviventes.

All Flesh must be eaten - One of the living [ Download ]

domingo, 11 de janeiro de 2009

A Steampunk's guide to the apocalipse

Então você decidiu sobreviver ao Apocalipse! Parabéns!

Sua força de vontade e determinação já colocam você na frente da competição. E seu aprendizado das tecnologias do amanhã, irão levá-lo ainda mais longe. Centenas de metros acima, na verdade, se você conseguir um dirigível.

Considere este livro como sua companhia pelos tempos difíceis que terá pela frente.

Não apenas um companheiro, mas este pequeno guia poderá ajudar a mantê-lo alimentado, aquecido, hidratado, vestido e protegido contra a miríade de perigos e ameaças, como o clima, humanos e feras.

O Futuro dos corajosos está na nossa frente. Vamos dar adeus para o mundo cibernético.
Nosso futuro está na tecnologia simples, dentro de nossos domínios,uma tecnologia que não nos abandonou e que não requer o Óleo Negro das profundezas.

Se você está em dúvida se vai passar das primeiras páginas, então vai aqui um pensamento: 'Aquele que se junta à modernidade, irá desaparecer com ela. Mas aquele que escolher construir um refrigerador à vapor, irá saborear os frutos de verão.'


A Steampunk guide to the apocalipse [ Download ]

Joe R. Lansdale


Joe R Lansdale (28 Outubro de 1951) nasceu em Gladewater, Texas, EUA, prolífico, Lansdale escreve histórias de horror, western, mistério e suspense, nas mais diversas mídias, livros, filmes, televisão, games e quadrinhos, apesar de só ter começado sua carreira aos 32 anos.

Lansdale escreveu mais de 26 romances e cerca de 200 contos, reunidos em 16 coletâneas, algumas já adaptadas para o cinema, como o recente 'Bubba Ho-Tep'. Escreveu também para as séries animadas, Superman e Batman.

Tamanha produção lhe rendeu aplausos da crítica e do público, além de muitos prêmios. Lansdale ganhou 7 Prêmios Bram Stoker, um Prêmio New York Times Notable Book, um British Fantasy Award, o American Mystery Award, o Horror Critics Award, o Booklist Editor's Award, e Critic's Choice Award.

O autor também se destaca como praticante de artes marciais, e tem títulos de luta em modalidades como Aikido, Daito Ryu Aikijujutsu, Combat Hapkido, American Combat Kempo, e Shen Chuan, constando do International Martial Arts Hall of Fame.

Recentemente foi escolhido para fazer parte do Instituto de Letras do Texas, vive com a família em Nacogdoches, Texas.

Segundo Lansdale, seu sucesso se deve principalmente a duas coisas: A sua disciplina, desenvolvida com a prática das artes marciais e ao seu 'Mojo'. Lansdale trabalha em seus escritos por seis horas todos os dias e passa três horas na sua academia, Self Defense Systems, onde também é professor . É conhecido como 'O Stephen King do Texas.'

Coletânea de Horror (The Job/ The Pit/ Bizarre Hands / Tight Little Stitches in a Dead Man’s Back / Hell Through a Windshield ) [ Download ]

Coletânea de 50 contos variados (Steppin' Out, Summer, '68, The Last of the Hopefu, On the Far Side of the Cadillac, Desert with Dead Folks, A Change of Lifestyle (with Karen Lansdale),
The Steel Valentine, I Tell You It's Love, An All American Hero, The Windstorm Passes,
Billie Sue,The Fat Man and the Elephant, The Pasture, Old Charlie, The Companion (with Keith and Kasey Jo Lansdale), God of the Razor, By the Hair of the Head, The Shaggy House, Pentecostal Punk Rock, The Full Count,The Fat Man,The White Rabbit, A Frog-strangler (with Roy Fish), Bar Talk, Bob the Dinosaur Goes to Disneyland, Bubba Ho-Tep, Cowboy, Drive-In Date,Duck Hunt,Everybody Plays the Fool, Fish Night, Godzilla’S Twelve Step Program,Hell Through A Windshield,Huitzilopochtli, Incident On and Off a Mountain Road,Listen, Long Gone Forever, Man With Two Lives, Night Drive, Not From Detroit, One Death, Two Episodes, Quack, The Big Blow, The Dump, The Job, The Mummy Buyer, The Phone Woman, The Two-Bear Mambo: Chapter Six, Trains Not Taken, Veil's Visit (with Andrew Vachss))
[ Download ]

sábado, 10 de janeiro de 2009

Prazeres Malditos - Laurell K. Hamilton

Expoente da literatura gótica norte-americana da atualidade, a escritora Laurell K. Hamilton já vendeu mais de seis milhões de livros, em 16 idiomas, da série protagonizada pela sexy caçadora de vampiros Anita Blake. O sucesso da autora, freqüentadora assídua das listas de mais vendidos americanas, mostra que o gótico não sai de moda e que, desde clássicos como Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker, até o contemporâneo Entrevista com o vampiro, de Anne Rice, vampiros, zumbis e todo tipo de criaturas extraordinárias continuam à solta no universo literário.

Prazeres malditos é o primeiro de uma série de livros protagonizados por Anita Blake, uma típica garota urbana contemporânea, descolada e bem-humorada, que ganha a vida de uma maneira peculiar: caçando vampiros e ressuscitando mortos. Através dessa ghostbuster contemporânea, a autora dá um tom original e divertido a histórias sobrenaturais, que continuam atraindo a atenção de milhões de leitores em todo o mundo. As aventuras apimentadas de Anita Blake ganharão ainda adaptação para o formato graphic novel, que a Marvel Comics pretende colocar em breve no mercado.

Prazeres Malditos - Laurell K.Hamilton [ Download ]



fonte:Banca de Revista

Equilíbrio - Mike Resnick

Susan Calvin subiu ao palco e observou a sua audiência: acionistas da US Robóticos e Homens Mecânicos.

'Quero agradecer a todos pelo comparecimento. Vou atualizá-los sobre nossos últimos desenvolvimentos' disse ela em seu jeito breve e profissional.

Que rosto medonho ela tem, pensou August Geller, sentado na quarta fileira da platéia. Ela me lembra a minha professora de inglês da sétima série, aquela que eu temia.

Calvin iniciou com uma detalhada explicação dos novos circuitos que haviam sido introduzidos no cérebro positrônico, em termos que um leigo - mesmo um acionista - pudesse entender.

Que mente brilhante, pensou Geller. Absolutamente brilhante. Imagine um semblante como esse sem um cérebro para contrabalançar.

'Alguma pergunta até este ponto?' Perguntou Calvin, seus olhos azuis escaneando a audiência.

'Eu tenho uma' disse uma bela e jovem moça, ficando de pé.

'Sim?'

A moça fez sua pergunta.

'Eu pensei ter explicado esta questão' respondeu Calvin fazendo o máximo para esconder sua irritação e começou a explicar de uma forma ainda mais simplista.

Não é surpreendente? Pensou Geller. Temos aqui duas mulheres, uma possui uma mente primorosa, a outra possui um QI que poderia congelar a água, e ainda assim não consigo tirar os olhos daquela que fez esta pergunta estúpida. Pobre doutora Calvin, a natureza tem um senso de humor bastante malicioso.

Calvin reparou que um bom número de homens estava admirando a questionante. Não era a primeira vez que aqueles homens haviam encontrado algo mais fascinante do que Calvin para direcionar suas atenções, nem a centésima, nem a milésima.
Que vergonha, ela pensou, que eles não eram mais parecidos com os robôs, que eles deixavam seus hormônios sobrepujassem a lógica. Aqui estou eu, explicando como gastei doze bilhões de dólares do dinheiro deles e eles estão mais interessados em um rosto bonito.

Após completar sua resposta, começou a discutir sobre as tentativas que estavam fazendo para tornar os corpos mais fortes para os robôs desenhados para uso extraterrestre usando a aplicação de ligas moleculares de titânio.

Imagino, pensou Geller, se ela algum dia já teve um encontro com um homem?
Ou uma noite de paixão selvagem.
Sabe Deus, apenas uma refeição, quem sabe uma ida ao teatro, onde ela não falaria de negócios.
Ele balançou a cabeça quase imperceptivelmente. Não, provavelmente este tipo de coisa a entediaria. Tudo com o que ela deve se importar são fórmulas e equações. Uma bela aparência seria inútil nela.

Calvin percebeu que Geller a encarava e permanecia assim.
Que homem elegante, ela pensou. Será que já o tinha visto antes em alguma reunião? Tenho certeza de que lembraria. Por que ele está me olhando assim, tão intensamente?

Imagino, pensou Geller, se ela já amou alguém e se foi correspondida.

Provavelmente era apenas mais um homem deslumbrado diante de uma mulher com cérebro, ela concluiu.

De fato, pensou Geller, será que ela já amou alguém?

Olhe para aquele bronzeado, pensou ela, ainda encarando Geller. É atraente, sem dúvida, mas será que ele trabalha ou passa o tempo descansando na praia, sem pensar em nada? Ela sentiu necessidade urgente de elaborar melhor seu pensamento. Às vezes é difícil imaginar que pessoas como eu e você pertencemos à mesma espécie; eu tenho muito mais em comum com meus robôs.

Às vezes, pensou Geller, quando a ouço dissertar assim, cheia de entusiasmo sobre cérebros positrônicos e ligas moleculares, é difícil acreditar que pertencemos à mesma espécie; ela parece um de seus robôs.

Ainda assim, pensou Calvin, contra a sua vontade, você é alta e elegante, e certamente tem um ar de autocontrole; a maioria dos homens não quer ou não conseguem me olhar assim. E seus olhos são azuis claros...

Ainda assim, pensou Geller, deve haver algo nela, algum espectro de feminilidade debaixo desta carapaça e dentro desta mente analítica.

Calvin balançou a cabeça inadvertidamente e quase perdeu o fio do que estava dizendo.
Ridículo, ela concluiu, absolutamente ridículo.

Geller continuou olhando para ela, estudando o seu queixo forte, os ombros largos, a postura agressiva, o rosto desprovido de maquiagem, o cabelo que poderia ser um pouco mais atraente.
Ridículo, ele concluiu, absolutamente ridículo.

Calvin falou por mais quinze minutos - então chegou a parte das perguntas.
Foram feitas duas e ambas respondidas sucintamente.

'Eu quero agradecer à Doutora Calvin por ter separado parte de seu tempo para passar conosco' concluiu Linus Becker, o jovem chefe de operações e executivo da US Robôs e Homens Mecânicos.

'Enquanto tivermos sua notável inteligência trabalhando para nós, estou confiante de que continuaremos a progredir e expandir os parâmetros da ciência robótica.'
'Eu quero acrescentar que quando nós tivermos condições de produzir um cérebro positrônico com a metade da capacidade da nossa doutora, a área de robótica terá chegado ao seu auge' disse um dos acionistas majoritários.

'Obrigada' disse Calvin, ignorando uma estranha sensação de vazio. 'É uma honra.'

'Nós é que estamos honrados com tal brilhante presença.' disse Becker suavemente.

Ele a aplaudiu e logo toda a audiência também aplaudia, incluindo Geller, que se ergueu e deu a ela sua ovação de pé. Então cada um deles avançou na sua direção, se apresentando e apertando sua mão e comentando sobre sua inteligência e criatividade.

'Obrigada' disse Calvin, agradecendo outro cumprimento.
Você pegou minha mão como se esperasse que fosse de tungstênio ou aço, ao invés de carne e osso. Será que eu pareço tanto assim com meus robôs?

'Adorei seus comentários.' disse Calvin para outro acionista. Imagino se amantes falam um com o outro assim neste mesmo tom amigável.

Então Geller deu um passo à frente e apertou sua mão, e ela quase pulou com aquela sensação, a eletricidade passando através de sua mão forte e bronzeada.

'Acho que você é nosso ativo mais valioso, Doutora Calvin' ele disse.

'Nossos robôs são nosso maior ativo.' ela respondeu graciosamente e completou: 'Sou apenas uma parteira científica.'

Ele a confrontou intencionalmente por algum tempo e subitamente a tensão se desfez. Impossível. Você é por demais parecida com seus robôs. Se eu a convidasse para sair, você acharia ser um ato de caridade, e penso que você é muito orgulhosa para aceitar esta gentileza.

Ela olhou nos olhos dele mais uma última vez. Impossível. Tenho meu trabalho a fazer e meus robôs nunca me desapontaram, provando serem mais do que meramente humanos.

'Atenção! Lembrem-se que haverá um banquete daqui a três horas' disse Becker, e virando-se para Calvin disse: 'Você vai estar lá, é claro.'
Calvin assentiu. 'Estarei.'

Ela só tinha quatro horas para se trocar, vestindo algo mais formal para o banquete e já estava atrasada.

Entrou em seu indescritível apartamento, caminhando através da sala de estar e do quarto, ambos repletos de jornais e suplementos científicos, abriu o closet e começou a tirar suas roupas de dentro dele, esticando-as sobre a cama.

'Alguém já lhe disse que você tem os mais belos olhos azuis?' perguntou o robô mordomo.

'Obrigada' disse Calvin.

'É verdade, sabe, lindos, lindos olhos, tão azuis quanto safiras.'

A robô arrumadeira entrou no quarto para ajudá-la a se vestir.

'E um belo sorriso.' disse a arrumadeira, e completou 'Se eu tivesse um sorriso como esse, os homens brigariam apenas pelo prazer de vê-lo.'

'Você é muito gentil' disse Calvin.

'Ah, não, senhorita Susan. Você é muito bonita.' Corrigiu a empregada.

Calvin percebeu que seu robô cozinheiro estava parado à entrada do quarto.

'Pare de olhar para mim' ela falou. 'Eu estou apenas meio-vestida. Onde estão os seus modos?'

'Com pernas como as suas, você achava que eu pararia de olhar?' disse o cozinheiro com uma risada seca e mecânica. 'Toda noite eu sonho em encontrar uma mulher com pernas assim.'

Calvin escorregou para dentro do vestido e esperou a robô empregada subir o zíper nas suas costas.

'Uma pele tão clara e macia.' sussurrou a empregada. 'Se eu fosse uma mulher, este seria o tipo de pele que eu iria querer ter.'

Eles eram criaturas com percepção extrema, refletiu Calvin em frente ao espelho e aplicou uma camada leve de batom. Que criaturas adoráveis. Era claro que estavam apenas respondendo às necessidades da Primeira Lei - minhas necessidades - mas quanta consideração eles tinham.

Pegando a bolsa, seguiu para a porta.
Pensou se eles se cansavam de recitar esta litania.

'Você será a mais bela da festa' disse prontamente o robô mordomo, enquanto ela atravessava o apartamento.

'Obrigada, muito obrigada.' disse ela 'Você se torna mais bajulador a cada dia que passa.'

O robô inclinou sua cabeça metálica e disse pouco antes da porta se fechar atrás dela:
'Só se fosse mentira, minha senhora.'

Com seu equilíbrio emocional plenamente restaurado, como sempre se fazia necessário ao chegar em casa após lidar com seres humanos, ela tomou o caminho do banquete sentindo-se revigorada e renovada.

Pensou se poderia sentar próximo ao elegante August Geller, que havia prestado tanta atenção nela durante sua explanação. Depois de refletir, esperou que pudesse sentar em qualquer lugar. Ele parecera manifestar alguns sentimentos desconfortáveis a seu respeito, aquele homem jovem e galante - e as fantasias, uma vez que tudo tivesse sido dito e feito, existiam somente para intelectos inferiores que, diferente dela, não sabiam lidar com as frias verdades do mundo real.

Fim

A Ficção Científica está morrendo? - Nick Sagan


Para um gênero que se pretende olhar para o futuro, a Ficção Científica tem certamente olhado muito para trás nos últimos tempos.

Nostalgia é o que mais se vende, os leitores gastam seu dinheiro em livros que são tirados de filmes de sucesso, e das seqüências de séries de longa duração.

Sim, também há novos livros fantásticos de Ficção Científica (basta ver os últimos vencedores do Hugo para se ter certeza disso) mas cada vez mais leitores preferem universos já estabelecidos como Star Wars e Duna.



Mesmo os escritores que estão fora disso hoje, já tiraram algum benefício desta nostalgia – John Scalzi com sua magnífica série Old Man’s War, não deve nada a Heinlein, algo assim dos tempos gloriosos da FC.

Nós estamos nos habituando com aquilo que é confortável. Não que tenha algo errado com isso. Mas levanta a questão para onde a FC está indo.

A FC britânica e canadense me parece estar olhando para frente, mais do que a americana, como evidencia o sucesso de Ian M.Banks, Charlie Stross, Robert Charles Wilson e Cory Doctorow.
A FC americana caiu em um abatimento em parte pelo sentimento anti-científico que é prevalecente em nossa cultura ultimamente.
Estamos mais preocupados com a estética do que com a ciência. ('Não é sinistro o novo Ipod?’)

Não estamos nos fazendo as perguntas que importam, sobre nosso futuro, o futuro de nossa espécie, perguntas que a FC regularmente explora mostrando-nos o melhor e o pior do que podemos vir a ser.

Quando o mundo se achar inspirado por uma nova iniciativa cientifica, da escala de um programa Apolo, digo, energia renovável para proteger nosso planeta da mudança climática ou uma missão tripulada a Marte, onde nós podemos colocar nossos pés – então haverá um ressurgimento da FC e surgirá uma nova geração de leitores, e o gênero poderá ir por novos, inesperados e excitantes caminhos.

O próximo livro de Nick Sagan (filho de Carl Sagan) vai se chamar Future Proof: The greatest gadgets and gizmos ever imagined

Site oficial de Nick Sagan

Little Brother - Cory Doctorow


Quando eu era criança, eu via os computadores como ferramentas de libertação.
Quando meu pai trouxe para casa o primeiro PC (um Apple), em 1979, com uma placa modem embutida, minha vida mudou para sempre.
Eu podia ir para lugares, aprender coisas, acessar mais ferramentas, ideías e grupos, mais do que jamais alguém na década passada poderia imaginar.

E com o passar do tempo, a coisa foi ficando cada vez melhor.
As redes ficaram mais rápidas, a quantidade de pessoas com quem eu conseguia me comunicar ficou maior, a capacidade de armazenação ficou mais barata, a variedade de informações cresceu, eu assisti o triunfo da tecnologia, convencido de que minhas amadas máquinas salvariam o mundo, e terminariam com todo autoritarismo e repressão.

Hoje, eu não estou tão certo disso.

Se eu fosse uma criança hoje, eu penso que, com razão, teria medo dos computadores e do que eles podem fazer. Nunca houve tanta ameaça quanto a privacidade e a liberdade das crianças como existe hoje. Companhias especializadas em software de censura de conteúdo, se propõe a bloquear todas as coisas ruins e somente liberar as boas. Não fazem nem uma coisa nem outra.
Não há gente treinada suficiente para catalogar e avaliar cada página da internet, por isso as crianças acabam tendo seu acesso bloqueado a milhões de temas legítimos e sendo expostas a outros milhões bastante perigosos - sem contar o risco de permitir a estas empresas terem um registro de cada página que acessamos da internet.

As crianças são espionadas por controles de qualidade das televisões desde a infância, rastreadas com braceletes GPS desenhados originalmente para vigiar criminosos, vítimas na WEB de pavarosas campanhas de marketing, gravadas e seguidas em lugares públicos. Seus telefones e consoles de video-game tem instalados 'DRM' (controle de direitos digitais) feitos para controlar a cópia e o uso do software - mas que permite monitoramento remoto para impingir políticas em sua propriedade, sem seu consentimento ou conhecimento.

Isso é o bastante para fazer você querer viver em uma caverna.

Mas as crianças estão contra-atacando. Elas entendem que tomando controle de seus aparelhos - dominando os meios de informação - elas podem desequilibrar o balanço de forças a seu favor.
A diferença entre uma distopia como '1984' e uma utopia como 'Eu, o robô', está entre nós controlarmos as máquinas, ou elas nos controlarem.

Nunca antes houve um tempo tão importante para garantirmos nossa liberdade tecnológica.
O fantasma do terrorismo é uma ótima desculpa para sequestrar nosso poder. Arquitetura é política; as máquinas de hoje irão determinar a sociedade em que viveremos amanhã - e foi por isso que eu escrevi 'Little Brother' (Pequeno Irmão); para dar às crianças as ferramentas que elas precisam para tomar para elas o poder que resulta em ser o senhor de suas máquinas, de fazê-las dançar conforme a sua música.

Eu espero que você compartilhe este livro com as suas crianças e eu espero que elas compartilhem com seus amigos, antes que isso se torne algo impossível de ser feito.

Little Brother - Cory Doctorow [ Download ]


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Ficção Científica está morrendo? - Kim Stanley Robinson


Ficção Científica é hoje nada mais do que realismo, a definição do nosso tempo.

Você pode imaginar o gênero então se fundindo a outra coisa qualquer e desaparecendo, mas as histórias estarão sempre lá, no futuro, atraindo interesse e existe uma categoria devotada a publicá-las.

Então existe um futuro para a Ficção Científica.
Será algo mais trabalhoso, penso, porque precisa lançar-se da realidade do nosso tempo, não do passado, não das idéias do passado.

Os dias de hoje, com tal velocidade de acontecimentos tecnológicos, a política volátil global e as inevitáveis mudanças climáticas, tudo combina com a contingência de se imaginar nosso real futuro. Algo vai acontecer, mas nós não sabemos o que.

Uma solução é saltar para o próximo século, para o conforto familiar da ficção espacial.
Se sobrevivermos, poderemos sair de lá e será ótimo. Sem isso, a conexão entre o hoje e o próximo século, estará quebrada, e a ficção espacial se tornará um tipo de fantasia.
Temos que imaginar a coisa toda.

O que temos que fazer é o impossível, ou seja, imaginar o próximo século.

A probabilidade pra começar é ruim – não só uma distopia, mas uma catástrofe, um evento de extinção em massa que nós seremos responsáveis por ter causado e sofreremos por isso.
É uma história que poderíamos contar, repetidamente, mas é só a metade desta zona de probabilidade. Também está dentro de nossos poderes, criar uma cultura sustentável em uma biosfera saudável.

O futuro é desta forma, um tipo de uma suave península, crescendo para frente com escarpas de ambos os lados. Não há possibilidade de escolher outra direção, ou resolvemos nossos problemas ou despencamos desastrosamente. É a utopia ou a catástrofe. E a FC é boa para estas duas modalidades.

Se será divertido também? Divertido sim, uma diversão provocante.

O próximo livro de Kim Stanley Robinson, irá se chamar Galileo's Dream.

Stephen King - The collective


Uma coleção de poemas, contos desconhecidos e outros trabalhos raros de Stephen King.

The Collective - Stephen King [ Download ]

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Ficção Científica está morrendo? - Ursula K. Le Guin



É assustador tentar falar sobre o futuro de algum tipo de ficção, mesmo do futuro dos livros, quando se publicar hoje se encontra no meio desta tumultuada mudança tecnológica.

Será que o sistema sob-demanda salvará o livro?
Será que em breve leremos os livros em nossos celulares, como os japoneses?
Textos interativos?
Ou será que a carta está morta?
Ninguém sabe.

Mas meu palpite é que algum tipo de FC irá ganhar força em outras formas como a graphic novel ou filme de animação.


Filmes de sci-fi com caros efeitos se tornaram um elefante branco dos blockbusters, mas as graphics e animações são leves e livres - a maior parte - como a imaginação dos escritores e leitores, e nós apenas começamos a enxergar a inteligência e a beleza que estas formas podem incorporar.

A Ficção Científica que se propõe mostrar-nos o futuro, falhou com o nosso presente.
Não fomos capazes de enxergar a revolução eletrônica por exemplo.

Agora que a ciência e a tecnologia caminham cada vez mais rápido, há muita FC que é na verdade fantasia, vestida com um traje pro espaço; esperamos desejosos por impérios galácticos e cibersexo - quase sempre um pouco reacionário.

As coisas são mais vivas do lado político-social, onde a natureza humana, não precisa se aprimorar a cada ano, pode ser contada, provendo bom material para romances.

Escritores como Geoff Ryman e China Miéville estão mostrando o caminho, ou Michael Chabon, que antecipa o futuro nos presenteando com presentes alternativos maravilhosos como em ‘The yiddish policemen’s Union’.

A distinção entre FC e realismo nunca foi tão clara quanto o gênero 'arrogante' gostaria que fosse. Eu me alegro ao pensar que ambos os termos já são grandemente históricos, eles são moldes dos quais a literatura está se libertando, e como sempre faz, encontrando novas formas.

Ursula publicou em 2008, seu livro muito elogiado pela crítica, 'Lavínia'.

Site oficial de Ursula K.Le Guin

Star Wars - Legacy of Force - Aaron Allston

A cada vitória contra os rebeldes Corelianos, Jacen Solo se torna mais e mais admirado, mais poderoso, e mais certo de conseguir a paz galática. Mas a paz pode ter seu preço. A despeito das relações estremecidas por conta de pontos de vista, Han e Leia Solo e Luke e Mara Skywalker permanecem unidos por uma terrível suspeita - Alguém está manipulando a guerra, e se ele ou ela, não for detido, todos seus esforços para uma reconciliação podem ser inúteis. Sinistras visões levam Luke a acreditar que a fonte do mal não é outra senão Lumiya, Lady Negra dos Sith.

Star Wars - Legacy of Force - Aaron Allston [ Download ]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A Ficção Científica está morrendo? - William Gibson

O futuro da FC ? Nós o estamos vivendo hoje.

Aquela série “História do Futuro” ( ‘Future History’, descreve um futuro projetado para a raça humana da metade do século 20 ao início do séc.23) que nós liamos nos livros de Robert A.Heinlein, quando eu tinha 14 anos de idade, ficou para trás.

Sempre havia uma ditadura teocrática americana. Acho que passamos disso.

Aquela coisa que chamamos de FC e que fazemos através da literatura, sempre estará conosco.

O gênero é chamado assim desde 1927.
É algo relativo a natureza dos gêneros, não a natureza da FC em si.

A coisa mais interessante que aprendi com a FC é que cada momento presente, é sempre o passado de alguém e o futuro de outro. Entendi isso quando criança, nos anos 50, quando eu lia FC escrita nos anos 40; antes mesmo de saber na verdade muita coisa sobre a história dos anos 40, ou sobre história como um todo. Eu literalmente tive que deduzir o fato da segunda grande guerra mundial, como se faz em engenharia-reversa, minha primeira iteração pessoal da história do século 20 fora da FC dos anos 40.

Eu cresci numa monocultura - o que era altamente problemático - e a FC me permitia um grau de perspectiva cultural salvadora, que eu nunca teria de outro modo.

Eu espero que isso ainda aconteça hoje, para pessoas que precisam disso, mas hoje em dia, temos outras possibilidades.

Poucos anos depois de descobrir as ‘Histórias do Futuro’ de Heinlein, eu adotei , como um completo idiota, o lema de Ballard - ‘A Terra é um planeta alienígena’ - de que o futuro é quase como hoje.

O espaço (para onde a FC nos levava) se tornou metafórico. Virou espaço interior.

Quando comecei a escrever FC, aos 20 e poucos anos, descobri que só poderia deixar a Terra de uma forma auto-consciente, nostalgicamente, algo do tipo orbita baixa, o futuro havia migrado para uma forma diferente que emergia, que eu decidi chamar de ciberespaço.

Quando eu tinha 20 anos eu não queria nada além de ser um escritor de FC.
Hoje eu não tenho certeza de que me tornei um.

Eu suspeito que eu já fosse algo mais quando comecei - provavelmente o que Donald Theall (1928-2008) definiu como ‘para-modernista’ significando qualquer texto cultural que não é nem moderno nem pós-moderno, mas que também pode ser classificado tanto quanto um como outro ou ambos. Eu assumo isso ao concordar que o momento presente é sempre infinitamente mais estranho e mais complexo do que qualquer futuro que eu possa imaginar.

Meu trabalho será (por um tempo, de qualquer maneira) capturar estranhos fragmentos deste nosso presente-alienígena em mundos (como dizemos em FC) que podem vir a ser ‘o futuro’.

Se eu pudesse magicamente acessar alguma informação do futuro de verdade, eu escolheria ver a história passada e aquilo que eles poderiam ter e que se parecesse com FC. Os produtos de duas diferentes atividades especulativas. Eles sabem tudo do nosso passado, mais do que nós sabemos, e tentando fazer uma engenharia reversa da história, fora dos sonhos, como eu me lembro, seria algo excitante e único.

O último livro de William Gibson se chama ‘Spook Country’.

Site oficial de William Gibson

Reflex - Steven Gould


Steven Gould começou sua carreira de escritor com um grande sucesso da Ficção Científica, intitulado 'Jumper'. Sua sequência só seria lançada quatorze anos depois; 'Reflex'.

Em 'Jumper', Davy descobre sua habilidade , quando em perigo, de se transportar no espaço-tempo. Davy procurava por um santuário, por explicações e acabou encontrando Millie, seu grande amor.

'Reflex' se passa doze anos depois de 'Jumper', Davy e Milie estão vivendo juntos e felizes, Davy ocasionalmente trabalha para a Agência de Segurança, embolsando um bom dinheiro 'honesto', realizando trabalhos considerados 'impossíveis'.
Mas nem tudo é perfeito, pois alguns caras malvados aparecem em cena, interessados nos poderes do rapaz.

Reflex - Steven Gould [ Download ]

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A Ficção Científica está morrendo? - Stephen Baxter


É verdade que muitos dos velhos sonhos da Ficção Científica já se realizaram ou estão ultrapassados.
A sensação que temos é que vivemos um tempo de mudanças aceleradas. Mas a FC não se trata - raramente - de predizer o futuro, mas de falar sobre nossa ansiedade e sonhos do tempo em que foram escritas.

Na época de HG Wells, a teoria da evolução das espécies causou um grande choque na sociedade, então o clássico de 1895, ‘The time machine’ (A máquina do tempo), não se trata realmente de predizer o ano de 802.701 mas uma meditação angustiante sobre as implicações do darwinismo sobre a humanidade.


Conforme a ciência avança, uma imensa variedade de futuros são gerados pela FC.

Durante as décadas de 50 e 60, tivemos as histórias sobre holocausto nuclear e suas conseqüências, como ‘A canticle for Liebowitz’ de Walter Miller.

Os anos 80 assistiram uma explosão de poder computacional, que levou a surgir o ciberpunk, como Neuromancer de William Gibson.

Hoje nós temos as possibilidades de um futuro trans-humano unindo informação tecnológica e biotecnologia - basta ver livros como ‘The secret life’ de Paul McAuley.
Temos também as questões da mudança do clima, exploradas pela série ‘Science in the Capitol’ de Kim Stanley Robinson e no meu livro ‘Flood’.

FC é uma maneira de se lidar com mudanças, ou aprender sobre isso, como internalizar isso - não tanto como a profecia está para a terapia de massas. É claro que nos dias de hoje podemos pegar um livro como ‘The Flood’ de Maggie Gee, um livro sobre desastres em um futuro próximo, publicado sem nenhuma referencia ao gênero FC. Não creio que esteja errado.
Na verdade, isso mostra o sucesso da literatura de sci-fi e de seus métodos.
A FC já foi assimilada, mas ainda continua lá, servindo para a mesma função.

Nos anos que estão por vir, quem sabe ficaremos sem petróleo, água ou ar. Sempre haverá material o bastante para a FC e a necessidade dela, no entanto, ela se encontrará rotulada como tal nas livrarias.

O último livro de Stephen Baxter chama-se ‘Flood’.

Site oficial de Stephen Baxter

Steampunk Magazine 1-4

Steampunk Magazine - 1 [ Download ]

Steampunk Magazine - 2 [ Download ]


Steampunk Magazine - 3 [ Download ]

Steampunk Magazine - 4 [ Download ]

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A Ficção Científica está morrendo? - Margaret Atwood

Se a FC está ficando fora de moda? Não há motivo para me perguntar isso - sou velha demais - mas eu tive uma conversa com Randy do meu banco, que parece ter uns 25 anos. (O que deve significar que tem uns 35, a medida que você envelhece, os outros parecem mais jovens, assim como quando você é jovem o velho parece mais velho ainda. Tempo é relativo. Sei disso de tanto ler FC.)

Eu sei que ele é um fã de sci-fi por que me disse ter gostado muito de ‘Oryx and Crake’.

Enquanto eu conversava sobre assuntos de banco com ele, pedi sua opinião.
A primeira parte da nossa conversa foi sobre o significado do termo FC.

Para Randy, e eu acho que ele é representativo, sci-fi inclui outros planetas, que podem ter ou não, dragões. Isto inclui toda a coisa paranormal, não aquela mesa da sua tia que sai vibrando ou coisas se partindo, mas pessoas capazes de mudar de forma e com olhos vermelhos, sem pupilas, e coisas que tomam conta do seu corpo. Isto sem falar nas naves espaciais e cientistas loucos e experimentos que dão terrivelmente errado.
O terror comum não conta - assassinos com serras-elétricas e coisas assim.
Randy e eu concordamos que você pode encontrar um desses andando pela rua. É aquilo que você não pode encontrar nas ruas é que conta, para Randy. E ele acha que estas coisas não saem de moda. Eu concordo com ele.

Nem tudo na FC é sobre ciência - a ciência ocorre em um outro nível da trama, como uma ferramenta, mas o que manda é a ficção.

A forma narrativa é o que interessa; é o caminho através da escuridão e a parte mais brilhante do mundo da imaginação humana; um mapa daquilo que mais desejamos e também do que mais tememos. É por isso que é tão importante. Fala do que faríamos se nós pudéssemos.
E graças a ciência, cada vez mais nós podemos.

O trabalho mais recente de Margaret Atwood é ‘Oryx and Crake’, uma ‘ficção especulativa’.

Site oficial de Margareth Atwood

A Ficção Científica está morrendo?

A Ficção Científica está morrendo?
Marcus Chown - New Scientist - 12/11/08


Anos atrás, em uma das minhas matérias para a New Scientist, fui entrevistar o astrônomo americano Carl Sagan em Londres. Carl Sagan, conhecido por seus livros de ciência e a popular série Cosmos feita para televisão, e seu romance ‘Contact’ (Contato), que acabou virando um filme estrelado por Jodie Foster.

Ao encontrar o homem em pessoa, perguntei-lhe o que preferia - Ciência ou Ficção Científica?
‘Ciência’. Disse sem hesitar. ‘Por que a ciência é bem mais estranha do que a Ficção Científica’.

De lá pra cá, descobrimos que 73% da massa-energia do universo se encontra na forma de ‘energia negra’ (dark energy), responsável por acelerar a expansão cósmica, descobrimos micro-organismos vivendo na escuridão das profundezas debaixo da terra e mesmo dentro de reatores nucleares, e vemos o crescimento da teoria da super-corda, onde a matéria, como pequenas cordas, vibram na décima dimensão espacial.

Se a ciência é mais estranha do que a Ficção Científica (FC), como Sagan me disse décadas atrás, então hoje é ainda bem mais estranha.

Isso leva muitas pessoas a reinvidicarem que a ciência - e a tecnologia - estão mudando tão rapidamente que é difícil para a FC manter-se à frente dela.

No passado a FC falhou em predizer o transistor, que a cada ano com a miniaturização, permitiu existirem computadores que dominassem o mundo moderno. No futuro, seguindo este argumento, será ainda mais difícil para os escritores de FC predizer os desenvolvimentos tecnológicos que irão mudar as nossas vidas.

Ficção Científica (FC), dizem os profetas do apocalipse, está morta, ou se ainda não está morta, se encontra em estado terminal.

‘A discussão sobre se a ciência está tornando a FC obsoleta está ocorrendo nas convenções de FC desde que eu as freqüento.’ diz John Cramer, um escritor de FC e físico da Universidade de Washington em Seatle.
‘Me lembro de 15 anos atrás, um proeminente editor de livros de FC, dizer que o programa espacial fizera a FC baseada em viagens espaciais (ficção espacial) desnecessária. ’

Tais reclamações são reminiscentes das perenes alegações de que a ciência está morta ou morrendo, quando o proeminente físico Lord Kelvin em 1900, declarou ‘Não há nada de novo para ser descoberto na física hoje. Tudo que sobrou é medição mais e mais precisa’. Isso, é claro, foi bem antes de o átomo ser partido e de todos os cientistas serem apresentados ao quantum. No caso da FC, a premissa dos profetas do apocalipse é que o gênero trata de predizer o futuro.

Na verdade pouco se trata disso.

A pergunta ‘o que é Ficção Científica’ é costumeiramente objeto de acalorados debates.
De qualquer maneira, em um nível bastante básico, a ciência e a extrapolação dela provêem mundos alternativos nos quais a história ocorre.

Contadores de história têm invocado mundos diferentes desde os tempos antigos para entreter seus ouvintes, com lendas que os levavam para longe da realidade, dando significado aos eventos de sua existência cotidiana.

Também como instrumento para se contar uma história, a FC freqüentemente articula nossas preocupações e ansiedades atuais - paradoxicalmente, se trata do aqui e agora, mais do que o futuro.

Como Stephen Baxter aponta no romance de 1895, ‘The time machine’(A máquina do tempo) de HG Wells, famoso por popularizar a idéia da viagem no tempo, ela fala mais propriamente sobre o que a seleção natural de Darwin fez com a raça humana. Em 1968 o romance ‘Stand on Zanzibar’, de John Brunner já imaginava as conseqüências da superpopulação. ‘The Lion of Comarre’ de Arthur C.Clarke, explora realidades artificiais criadas por computadores, que levariam as pessoas a desprezar a realidade pouco interessante.

Todos estes livros tratam de imaginar onde os dias atuais, freqüentemente preocupantes, e suas tendências cientificas e tecnológicas poderão nos levar.
Eles podem agir como um sinal de aviso ou no mínimo servir, nos preparando para o que o escritor americano Alvin Toffler chamou de ‘choque do futuro’.

Ficção Científica é literatura sobre mudança. Não é coincidência de que tenha surgido como gênero reconhecido com escritores como Jules Verne no final do século 19, uma era em que pela primeira vez na história, as crianças poderiam crescer em um mundo radicalmente diferente daquele dos seus pais. E esta mudança acelerou no século 20.

Enquanto que a mudança é uma parte das nossas vidas, FC se parece com sobreviver. Mesmo que de fato, a ciência seja bem mais estranha que a FC, isso não deveria deter os escritores.

‘Nós precisamos que nosso processo cerebral esteja bem lubrificado, para impedir que a imaginação atrofie.’ diz Cramer. ‘É algo que nós, escritores de FC hard, sempre fizemos.’

Existe também a idéia de que ao invés de estar morrendo, a FC está mudando.

De 1930 a 1950, a FC viveu no triste gueto das revistas populares (pulp magazines), cujas capas exibiam alienígenas com olhos de inseto, aterrorizando indefesas heroínas. Após batalhar para se ver livre destas correntes, a FC moderna, semi-respeitável, nasceu.

Mais tarde nós vimos não somente os romances de SCI-FI alcançarem as listas dos mais vendidos, o gênero alcançou audiências gigantescas através dos games e filmes como Star Wars (Guerra nas Estrelas) e The Matrix.


Os temas de sci-fi também se infiltraram na ficção comum.

Malorie Blackman, em seu best-seller ‘Noughts and Crosses’, uma trilogia para adolescentes, explorou um mundo onde negros e brancos trocavam de cor. Kazuo Ishiguro, em seu belo romance ‘Never let me go’, reconta a triste história de pessoas que foram clonadas especificamente para doar seus orgãos. E o que dizer sobre a vencedora de um Prêmio Nobel, Doris Lessing e sua ‘ficção espacial’, com seus maravilhosos livros sobre Shikasta. E Haruki Murakami, o mais famoso escritor do Japão, a quem a crítica atribuiu temas de FC em livros como ‘The wind-up Bird Chronicle’?

A linha entre FC e a literatura comum, se tornou incrivelmente imperceptível, contudo o gênero continuará sem dúvida, a ter sua própria seção nas livrarias, mesmo que para alguns, aquilo chamado de sci-fi, não seja leitura para qualquer um.

Como os dinossauros, longe de terem desaparecido da Terra, transformaram-se em pássaros que ainda povoam grande parte do planeta, a FC se metamorfoseou em uma multiplicidade de formas, muitas delas ainda bastante atuantes. A velocidade das mudanças, enfatizada por Sagan, simplesmente colocou a FC em um nível de imaginação superior para os escritores da atual geração. Não há por que não acreditar que também não aumentou o desafio.

Seis importantes autores de FC nos dizem o que pensam sobre para onde o gênero está indo.
Margaret Atwood, Stephen Baxter, William Gibson, Ursula K Le Guin, Kim Stanley Robinson e Nick Sagan.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Guerra e Matadouro Cinco



Com seu enorme bigodão e seu humor negro, Kurt Vonnegut era chamado de Mark Twain moderno.

De 1952 a 2005, Vonnegut escreveu dezenas de romances satíricos. A memória e a Segunda Grande Guerra Mundial, e seus efeitos sobre os indivíduos americanos e sobre seu pais, são os temas que prevalecem nos trabalhos de Vonnegut.

Kurt os encarou diretamente em sua obra prima, publicada em 1969, Matadouro Cinco, ou a Cruzada das Crianças.

Vários episódios dramáticos, como o suicídio de sua mãe no dia das mães, quando ainda jovem, e ter sobrevivido ao bombardeio aliado à cidade de Dresden, tiveram enorme impacto em seus trabalhos, principalmente em Matadouro Cinco.

Kurt Vonnegut era a quarta geração de uma família de descendentes de alemães.
Antes de se alistar para a Segunda Grande Guerra Mundial, formou-se em química e trabalhou como editor do jornal estudantil por dois anos, na faculdade de Cornell.

No Exército, serviu como tradutor de alemão na infantaria. Foi capturado durante a batalha de Bulge em 1944 e transportado para um campo de prisioneiros na cidade industrial de Dresden, na Alemanha.

Poucos dias após chegar em um campo de trabalhos forçados, Vonnegut sobreviveria e testemunharia o bombardeio a Dresden, que causou a morte de 135 mil civis alemães, quase o mesmo número obtido pelas duas bombas atômicas no Japão. Depois da Guerra, terminou a faculdade, obteve seu mestrado em antropologia na universidade de Chicago e trabalhou como repórter policial.

Em 1952, sua carreira de escritor começou, com a publicação de ‘Player piano’.



Matadouro Cinco é a historia de Billy Pilgrim. O protagonista é um fraco complacente.
Ele não tem medo de morrer, pois não tem paixão por viver.

Como um soldado americano na Segunda Grande Guerra, Billy tinha praticamente a mesma experiência de Vonnegut, - era um prisioneiro da Batalha de Bulge e tinha sobrevivido ao bombardeio de Dresden. Casara-se com uma mulher revoltante, pois o pai dela o faria rico.

Depois da queda de seu avião, Billy dizia ter sido raptado por Tralfamadorianos, seres extraterrestres que viajavam através do tempo e espaço.
Ele adotou uma atitude tralfamadoriana diante da morte – que era inevitável e previsível - e dizia uma frase, a cada vez que encontrava com a morte, incluindo a sua, algo como ‘coisas da vida’, fazendo a morte parecer rotineira.
Billy se tornara um prisioneiro dos extraterrestres, levado através do tempo.


Matadouro Cinco é tido como a obra prima de Vonnegut. Um marco da literatura pós-moderna.

Expondo a brutalidade da guerra e fazendo com que o bombardeio a Dresden ganhasse destaque, o romance transformou-se em uma ponderosa bandeira do sentimento pacifista.

Kurt fez do capítulo inicial do livro, um capitulo autobiográfico, escreveu sobre o começo da sua vida e dos eventos significantes que ocorriam durante o processo de escrever o livro, explicando os motivos de um veterano da segunda grande guerra ao escrevê-lo.

Seu impulso inicial fora de expor a atrocidade ocorrida em Dresden, e sobre esta experiência crucial escrevendo em seu próprio sistema, usando elementos de literatura, como repetição de frases e tempos. Em adição a isso, Vonnegut em pessoa, aparecia na história.
Desta forma, Vonnegut queria amplificar sua existência através da história contada.


A interação do personagem ficcional e do autor em pessoa, não somente mostra a intensa inter-relação dos períodos de tempo, como também demonstra certo tipo de paralelismo das vidas de Vonnegut e Billy Pilgrim.

Muitos críticos dizem que Matadouro Cinco seria uma semi-autobiografia de Kurt Vonnegut, mesmo se não existisse o primeiro capitulo.

‘Coisas da vida’ é a frase que mais freqüentemente assombra todo o livro.

A frase quase se tornou a marca registrada de Vonnegut. Ela se segue a cada morte da história, mesmo a morte de um simples homem, ou de uma multidão de civis, de uma bactéria ou mesmo de livros, e mesmo quando a morte é intencional, natural ou acidental.

‘Coisas da vida’, é a atitude que Billy Pilgrim adotou dos Tralfamadorianos.
Esta frase expressa sua particular atitude sedada diante da morte.

O autor utilize esta frase para transmitir sua opinião de como as atrocidades da guerra afetam as pessoas. A aparição rotineira de ‘coisas da vida’ não apenas ridiculariza a morte em seu livro, mas expõe o fato cruel de que na guerra a morte se torna algo banal. À medida que os leitores encontram mais e mais esta frase, mais e mais se tornam entorpecidos e distante da morte, assim como Billy Pilgrim.

O especialista Leslie Philips diz que ‘Billy parece querer que aceitemos a vida como ela é, e entender que a morte é inevitável, é algo que nós não devemos temer.’ Mas em vez disso, o objetivo de Vonnegut é instigar o medo nos leitores, levando-os a perceber o quão terrível é ser usado pela morte e através disso, desenvolver sua consciência sobre a devastação causada pela guerra.

Por exemplo, a descrição das velas e do sabão que os alemães fazem da gordura de seus inimigos mortos é assustadoramente suficiente para perturbar.

A mensagem nas entrelinhas e que Vonnegut tenta transmitir, não é somente contra as atrocidades de Dresden, mas contra todas as guerras.

Sem a amarga experiência prática de Vonnegut na segunda grande Guerra, não seria possível se gerar tão profundo sentimento sobre a vastidão da morte.



Poo-Tee-Weet?

'Poo-tee-weet' é outra misteriosa frase que aparece várias vezes no livro. É dita por pássaros.
No primeiro capitulo autobiográfico, Vonnegut escreve: ‘isto é tudo que se pode dizer do massacre, é algo como "poo-tee-weet?"’.

Ao final do livro, quando a guerra termina, Billy Pilgrim deixa a cocheira onde estava trancado e vê um pássaro falando com ele, dizendo ‘poo-tee-weet?’.
Não há significado literal, mas é de partir o coração. As ‘palavras’ do pássaro expressam a falta de palavras do autor diante da guerra sangrenta e das atrocidades humanas que testemunhou.

É de se notar que a frase é uma interrogação. Pode também ser interpretado como uma acusação do autor e uma indagação ao ato malévolo cometido pelos humanos uns contra os outros, perguntando ‘Por que isso aconteceu?’ .

De fato, este tipo de questionamento aparece por diversas vezes no livro – ‘Por que eu?’ – ‘Porque alguém?’. De outra forma, Vonnegut pode estar usando Billy Pilgrim como seu porta-voz através do livro. A frase ‘coisas da vida’ serve para Kurt Vonnegut, mostrando a relação indireta e interior entre Pilgrim e Vonnegut.

Escrever Matadouro Cinco, como Vees-Gulani aponta em seu estudo psiquiátrico sobre o livro, pode se tratar de um processo terapêutico para Kurt. Não é difícil imaginar o quanto a guerra e mais particularmente, a destruição de toda uma grande cidade como Dresden, devem tê-lo traumatizado.

A atrocidade que testemunhou teve significante impacto em seu físico e psicológico, assim como em sua fé. Vonnegut pensa em quão sem sentido a parte da sua memória de Dresden é para ele e ainda assim quanto incitante é Dresden, para lhe fazer escrever sobre ela. Podemos dizer que Vonnegut foi provavelmente evasivo quando trata de suas memórias do tempo da guerra, uma vez que ele observa que a maioria das experiências são imprestáveis.

Quando comparando Matadouro Cinco com Ardil 22 (Catch 22), outra obra fenomenal antibelicista, escrita por Joseph Heller, Alberto Cacicedo encontra nos dois autores, mais ou menos a mesma atitude de desdém diante da Guerra, como também sobre suas memórias traumáticas e que de alguma forma, fizeram seus livros ainda mais amargos.


Ao citar ao final do capitulo autobiográfico, a história bíblica da esposa de Lot (que se transforma numa estátua de sal), Vonnegut declara que as pessoas não devem olhar para trás.
Todavia, dando a chance de ele próprio de olhar para trás, Vonnegut na verdade realiza uma terapia efetiva de seu trauma de guerra. De fato, ele mesmo admitiu que seu romance tem um aspecto terapêutico, e que depois dele, ele era uma pessoa diferente, que ‘se livrou de um monte de porcarias’.

A despeito disso, Matadouro Cinco foi um dos livros mais perseguidos nos Estados Unidos.

Em alguns estados, ele faz parte do currículo do último ano escolar, enquanto que em outros, foi retirado das bibliotecas e do currículo de leituras.

Não termina ai, o livro já foi queimado, banido e contestado em inúmeros estados.
Várias razões são apontadas para a proibição do livro.
Linguagem repreensível, critica as ações do governo, manifesto contra a Guerra, antiamericanismo…etc.
Ironicamente o livro foi até alterado para servir à sua intenção inata, que era desencorajar adolescentes de lutar por seus países.

Em uma entrevista para Don Swaim, Vonnegut disse que não se importava com as pessoas que boicotavam seu livro por motivos pessoas, mas que as instituições públicas não tinham o direito de banir um livro que falava de algo real.

Respondendo as críticas de seu freqüente uso de profanações e redundâncias em seu livro, Kurt respondia com uma frase do mesmo livro:
‘Não há nada de inteligente que possa ser dito de um massacre.’
Ele tinha já declarado no começo de Matadouro Cinco, que seu livro era ‘curto, confuso e enervante’.

Kurt Vonnegut era um escritor profissional.
Ele poderia usar de palavras fáceis e fazer sua trama mais assimilável, a fim de agradar a mais pessoas. Mas não o fez. A experiência amarga da guerra determinou que Kurt Vonnegut deveria dizer sempre o que pensa sobre a guerra, e recusar-se a torná-la aceitável e bela, através de uma linguagem exuberante.

Binglong Yang – 17 de Maio de 2006

Kurt Vonnegut


Kurt Vonnegut Jr. (11 de Novembro, 1922 - 11 de Abril, 2007), escritor de Ficção Científica, humorista, repórter e artista plástico, nasceu em Indianapolis (EUA), em uma família de descendência alemã. Cursou a universidade Cornell, formando-se poucos dias antes de alistar-se no Exército. Foi combatente da infantaria na 2° Grande Guerra e recebeu a medalha do Coração Púrpura por serviços à Pátria. Esta experiência, particularmente sua captura na Batalha de Bulge e depois como prisioneiro e testemunha do bombardeio de Dresden (Alemanha), influenciaria toda a sua obra. Depois da guerra, Vonnegut estudou antropologia e trabalhou como repórter policial em Chicago.Posteriormente foi relações públicas da General Electric.

Em 1952 publicaria seu primeiro livro 'Piano Player'.

Muito do que Vonnegut escreveu, pode ser considerado autobiográfico. Do massacre de Dresden, Vonnegut extrairia o material para escrever aquela que seria considerada sua obra prima e um dos 100 livros mais lidos em todo mundo, Slaughterhouse-Five (Matadouro Cinco). No primeiro capítulo do livro, Kurt narra os acontecimentos à época da guerra e sobre seu processo de escrita, amplificando com idas e vindas históricas, seu próprio papel dentro do livro.

Uma das características do estilo de Vonnegut era saber utilizar do surreal, do tragicômico, do humor negro e da ironia, sem perder a esperança e o humor.

Com seu último livro, de 1996, Timequake (que marca o retorno de Kilgore Trout, alter-ego do escritor), Vonnegut anunciou que estava se aposentando da ficção, se limitando a contribuir para revistas, escrevendo sobre aspectos sociais e principalmente críticas à administração George W. Bush. À sua maneira, explicou a aposentadoria: "o radinho dentro da cabeça parou de transmitir"

Da sua obra, foram feitos dois filmes, Slaughterhouse-5 (dirigido por George Roy Hill, 1972) e Mother Night (dirigido por Keith Gordon, 1996).

Apesar de muitos de seus livros tratarem de temas da Ficção Científica(FC), Kurt conseguia alcançar aquelas pessoas que não se interessavam pelo gênero. Seu papel como defensor das ideías humanitárias, influenciado pelos líderes socialistas dos anos 60, lhe rendeu papel de destaque. Foi eleito presidente honorário da Associação Humanista da América.

Hocus Pocus [ Download ]
Jailbird [ Download ]
Cat's Cradle [ Download ]
Next Door [ Download ]
Player Piano [ Download ]
Slaughterhouse-5 [ Download ]
Time Quake [ Download ]
Harrison Bergeron [ Download ]
Las Sirenas de Titan [ Download ]
Galapagos [ Download ]
How to write with style [ Download ]

sábado, 3 de janeiro de 2009

A AMBIÇÃO DE UM HOMEM - Bertrand Chandler


A sala estava silenciosa, a não ser pela música suave, vinda do rádio ligado.
A sala estava silenciosa, o silêncio que só é possível quando se tem duas pessoas juntas.
Contudo não se tratava da calma afetiva de amantes, mas a serenidade da decepção que tinha como fundo a música, que apagava o passar do tempo; o ruído de uma vagarosa disputa.
Estavam lendo - ela sentada em sua poltrona de braços, ele na dele. Ele colocou o livro aberto sobre o colo, para encher seu cachimbo. Ela tossiu, quando a fumaça a alcançou.
'Você precisa, fumar esta coisa?' Ela pergunta.
'Eu gosto.' Ele responde.
'Outros homens fumam tabaco.' Ela completa.
'Eu fumo o que posso pagar.'
'Barato! Ela queixou-se. 'Barato, barato! Desde que fui tola o bastante para me casar com você, tem sido assim, tudo tem que ser barato! Um apartamento barato numa cidade barata. Comida barata. Bebidas baratas. Roupas baratas. Um carro barato ...'
'Nós vivemos na medida das nossas posses. '
'Se fosse apenas uma questão de coisas materiais eu não me importaria tanto, mas você é uma pessoa barata. Seu gosto para filmes é barato, seu gosto para música. E seu gosto para livros... '
'Não é barato... ' ele disse de súbito.
'Ah, não? Barato e adolescente, eu diria. Deixe-me ver. '
Levantou de sua poltrona, agarrou o livro dele, leu em tom de escárnio:
'Foguetes do Amanhã. Vai me dizer que isso não é coisa barata?'
'Não é. É uma boa antologia. '
'Escapismo barato. '
'Não é escapismo. Quantas vezes tenho que dizer a você, que a boa ficção científica não é escapismo – não posso dizer o mesmo sobre os romances históricos que você lê.'
'Não é escapismo? Foguetes na lua, homens verdes de Marte, discos voadores... '
'É a boa Ficção Científica. Ela lida com problemas que homens e mulheres precisarão encarar algum dia. Talvez em breve, quem sabe.'
'Certo.' Ela disse. 'Vou deixar você continuar tentando me convencer. Você parece estar na metade de uma história chamada "Julgamento de Eva". Do que se trata?'
'Você deveria ler'. Ele disse. 'É muito boa.'
'Ler este lixo! Me diga do que se trata, é tudo que eu quero saber.'
'Tudo bem. O autor assume que o sol está perto de se tornar uma Nova, o que significa é claro, que a Terra e todos seus habitantes serão incinerados. O povo já foi avisado sobre o que está prestes a ocorrer. A história trata de como homens e mulheres passam suas últimas horas de vida'.
'Ah, isso é muito útil. Suponho que depois de ler, você estará bem preparado para uma emergência deste tipo. Agora me diga, o que você faria se soubesse que o mundo acabaria amanhã?'
Ele encheu novamente o cachimbo. Sobre a pequena chama, mirou sua esposa.
'Deixe-me voltar ao meu livro'. Pediu.
'Ah não, não até que responda a minha pergunta. O que você faria?'
'Depende...'
'Depende do que? Uma resposta tipicamente evasiva. Depende, eu suponho, se você tem ou não tem habilidade e conhecimento para construir uma nave espacial para escapar para Marte ou Júpiter ou para onde quer que as pessoas estão fugindo, nesta sua história estúpida. E você ainda tem a coragem de dizer que não é escapista? Vamos, me responda!'
'Com tempo, uma nave poderia ser construída. '
'Mas não por você. '
'Não. '
'Então, o que você faria?'
'Me deixe em paz. ' Resmungou.
'Por que eu deveria? Você sempre diz que não conversamos mais e agora que eu me desvio dos meus interesses, para dar atenção aos seus interesses juvenis, você não quer conversar?'
'É impossível falar com você, logo você insiste em tornar a coisa toda pessoal, maldição!' Se não podemos conversar sobre algo de maneira objetiva, nós não podemos discutir coisa alguma!'
'Por que não?'
'Por que você leva tudo para o lado pessoal. A próxima coisa que você irá me dizer é que você conheceu no passado, pelos menos três homens maravilhosos que poderiam construir uma nave espacial com dois tambores de óleo e um aquecedor a querosene, e que te levariam para o cinturão de asteróides fácil.'
'Talvez eles pudessem mesmo. Mas você não respondeu a minha pergunta. O que você faria?'
'Eu não sei. ' Disse se levantando da cadeira.
'Aonde você vai?'
'Pegar uma cerveja na cozinha. Se importa? '
'Você poderia perguntar se eu quero uma também. '
'Quer?'
'Não. '
Foi até a cozinha. Pegou um copo da prateleira do armário. Abriu a geladeira e tirou uma garrafa de cerveja. Tinha o abridor à mão quando foi interrompido por alguns estalos baixos no rádio.
'Dê um jeito nesta estação. ' Disse a esposa. 'Parece que tem algo errado. '
'Espere um pouco. ' Ele respondeu.
Então, ao invés da música, ouviu uma voz assustada, falando afobada, a transmissão desaparecia e voltava segundos depois.
'Chamado de emergência... mísseis intercontinentais...hidrogênio...Nova Iorque foi... Londres... Washington destruída... Moscou... acredita-se que...cobalto...'
Você ouviu isso? Ela gritou. 'O que isso significa?'
Ele colocou a garrafa sobre a mesa e foi até o armário.
'Significa o fim do mundo. ' Abriu a gaveta de talheres.
'O que faremos?'
Ele caminhou de volta a sala de estar, carregando uma faca em sua mão.
'Voltando a sua pergunta, minha querida. Aqui está a sua resposta.'

FIM

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O dia em que a Terra parou (Adeus ao Mestre - Harry Bates ) Parte 7/7


ADEUS AO MESTRE - HARRY BATES

Parte 7

Total silêncio e escuridão.
Cliff não se movia.
Sentiu que Gnut estava por perto, logo à frente e foi isso.
Sua mão metálica agarrou-o pela cintura, puxando-o contra seu corpo gelado e o levou consigo.
Luzes escondidas banhavam-nos com uma luz azulada.
Sentou Cliff e ficou observando-o.
O jovem já lamentava aquela sua atitude, mas o robô, exceto por seus olhos sempre assustadores, não parecia estar com raiva.
Apontou para um banco em um canto e Cliff rapidamente obedeceu e sentou-se quieto, sem sequer se atrever a olhar ao redor.
Estava em algum tipo de laboratório. Um aparato complexo de metal e plástico cobria as paredes e mesas, sem que ele reconhecesse sua utilidade.
Dominando o centro da sala havia uma longa mesa em cujo topo se via uma caixa larga, quase como aquela junto do caixão lá fora, mas conectada por fios com um aparelho mais distante.
Do alto descia um cone de luz brilhante projetada por vários tubos.
Uma coisa, meio coberta sobre uma mesa próxima, lhe pareceu familiar e bastante deslocada em relação ao resto. Pareceu-lhe, de onde estava, ser uma pasta comum. Ficou a pensar o que seria aquilo.
Gnut não lhe dava atenção. E, de uma vez só, com o topo de uma ferramenta fina, arrancou o topo da pequena caixa de registros. De dentro retirou o filme e por quase meia hora ajustou-o ao aparato no fim da mesa maior.
Cliff olhava tudo fascinado com a habilidade do robô em manusear tudo com aqueles dedos metálicos. Concluída esta tarefa, Gnut trabalhou por algum tempo em um aparato semelhante em outra mesa, então parou pensativo por um instante e puxou o que parecia ser uma alavanca.
Uma voz se ouviu como se vinda de dentro de uma caixa – a voz do embaixador morto.

‘Eu sou Klaatu e este é Gnut.’

Era a gravação! As primeiras e únicas palavras que o embaixador havia proferido.
Mas logo, no segundo seguinte, ele viu que não estava mais só. Havia um homem na mesa.
O homem sentou-se e Cliff viu o rosto lívido de Klaatu.

Klaatu pareceu surpreendido e falou algo rápido em uma língua desconhecida para Gnut, que pela primeira vez pelo que Cliff se lembrava, respondeu. As sílabas ditas por Gnut eram carregadas de emoção e a expressão em seu rosto mudou de surpresa para alegria.
Conversaram naquela língua por muitos minutos.
Klaatu, aparentemente fatigado, estava se deitando quando viu Cliff e parou no meio do caminho. Gnut falou de novo.
Klaatu então acenou para Cliff com uma das mãos e foi até ele.
‘Gnut me contou tudo’, disse com a voz gentil e então ficou olhando Cliff em silêncio, com um sorriso cansado no rosto.
Cliff tinha milhões de perguntas a fazer, mas mal se atrevia a abrir a boca.
‘Mas você’ começou a dizer, respeitoso mas ainda bastante excitado ‘não é o Klaatu que estava no túmulo?’
O sorriso desapareceu e ele balançou a cabeça.
‘Não’. Então virou-se para Gnut, disse algo em sua língua e suas palavras pareceram cheias de sofrimento. E voltou-se para Cliff e disse:
‘Eu estou morrendo.’ Novamente sua face mal segurava o fraco sorriso.
Cliff não sabia o que dizer.
Esperou desejando entender o que se passava. Klaatu parecia ter lido sua mente.
‘Percebo que não compreende. Apesar disso, diferente de nós, Gnut possui grandes poderes. Quando a ala foi construída e as apresentações começaram, isso serviu para ele como uma inspiração. Agindo apenas a noite, ele concebeu este aparato – e agora ele pode me fazer vivo de novo, a partir da minha voz gravada por seu povo. Como deve saber, um corpo possuiu uma voz característica. Ele construiu a maquina a partir do processo reverso de gravação, a partir do som ele fez o corpo característico.
Cliff engasgou. Então fora isso.
‘Mas você não precisa morrer. A sua voz foi gravada assim que saiu da nave, quando você estava bem! Tem que me deixar levá-lo para o hospital. Nossos médicos são talentosos!’
Klaatu balançou a cabeça negativamente.
‘Você ainda não entende. Sua gravação tem imperfeições. Talvez não tão grandes, mas acabam por arruinar o produto. Todos os experimentos de Gnut não viveram mais do que alguns minutos, ele me disse... e assim deve ser comigo também.’
Cliff de repente compreendeu a origem dos experimentos.
Lembrou-se de que no dia em que a ala foi aberta, um operador de som do Smithsonian perdera uma pasta contendo vários filmes com gravações de animais da fauna mundial. E ali estava a valise sobre a mesa. E os Stillwells foram feitos das gravações retiradas da mesa de controle de som.

Sentiu seu coração pesado. Não queria que o estranho morresse. Pouco a pouco uma idéia sensacional lhe ocorreu. Explicou com excitação crescente.
‘Você diz que a gravação tinha imperfeições, e é claro que sim. Mas a causa disso se deve ao uso de aparelhos imperfeitos para a gravação. Mas se Gnut puder reverter o processo, usando os mesmos pedaços do aparelho onde sua voz foi gravada, a imperfeição pode ser analisada, retirada e você viveria e não morreria.’
Assim que acabou de falar, Gnut começou a andar pelo lugar e então o abraçou. Uma reação verdadeiramente humana se via nos músculos de metal sua face.
‘Me traga o aparelho então’ disse ele em perfeito inglês e começou a empurrar Cliff para a porta, mas Klaatu ergueu sua mão e disse:
‘Não há pressa. É tarde demais para mim. Qual é seu nome meu jovem?’
Cliff respondeu.
‘Fique comigo até meu fim.’
Klaatu fechou os olhos e deitou-se, depois sorrindo um pouco, mas sem abrir os olhos, falou:
‘E não fique triste se eu não puder viver novamente... não é seu dever. Não sinto dor.’
Sua voz mais e mais ia enfraquecendo.
Cliff, apesar de tantas dúvidas, só conseguia olhar calado.
Klaatu parecia perdido em seus pensamentos.
‘Eu sei, eu sei. Você tem muitas perguntas para fazer. Sobre sua civilização, sobre Gnut...’
‘E sobre vocês.’
‘E sobre Gnut. Talvez... algum dia, talvez eu possa voltar.’
Ficou um longo tempo imóvel até Cliff entender que ele havia morrido. Lágrimas encheram seus olhos, levara apenas poucos minutos para aprender a amar aquele homem.
Olhou para Gnut. O robô sabia disso também, que ele estava morto, mas não havia lágrimas em seus olhos vermelhos e Cliff sabia agora o que ele pensava.
‘Gnut. Eu trarei o aparelho original. Eu o pegarei. Cada peça dele.’
Sem uma palavra, Gnut o conduziu até a porta. Fez os sons que a abririam e, uma vez aberta, o som de uma multidão de humanos entrou e uma onda de espanto correu pelo prédio.
As luzes estavam acesas e Cliff saiu descendo a rampa.
As duas horas seguintes sempre na memória de Cliff seriam como um sonho.
Como se aquele misterioso laboratório e seu homem pacífico e morto repousando nele fosse a parte central de sua vida, e aquela cena com aqueles homens barulhentos com quem falava fosse apenas um grosseiro e bárbaro interlúdio.
Não se afastou muito da rampa.

De onde estava contou apenas parte da história.
Eles acreditaram.
Aguardou quieto enquanto toda a pressão caía sobre os mais altos oficiais na terra que não mediam esforços para obter os aparelhos requisitados pelo robô.
Quando chegaram, Cliff o carregou para o chão junto da porta. Gnut estava lá, esperando, em seus braços trazia o corpo sem vida do segundo Klaatu.
Com gentileza, passou o corpo para Cliff, que o recebeu sem uma palavra, como se tudo tivesse sido combinado.
Pareceu para ele uma despedida.
De todas as coisas que Cliff queria dizer para Klaatu, uma permanecia imperativa em sua cabeça. Agora, com o robô à porta da grande nave verde, ele achou que era o momento apropriado.
‘Gnut, você precisa fazer uma coisa por mim. Ouça com atenção. Eu quero que diga ao seu mestre, aquele que ainda irá surgir – que o que aconteceu com o primeiro Klaatu foi um acidente e que todos na Terra nos sentimos terrivelmente mal por aquilo. Você o fará?’
‘Eu já sabia disso.’ Disse o robô gentilmente.
‘Mas me prometa dizer ao seu mestre estas palavras – assim que ele surgir?’
‘Você não compreende’ disse Gnut e ainda gentilmente disse apenas mais quatro palavras.
Ao ouvi-las Cliff sentiu-se atordoar e todo seu corpo estremeceu.
Assim que se recobrou e seus olhos se focaram, viu a grande nave desaparecer.
Tão subitamente quanto aparecera, já não estava mais lá.
Caiu. Em seus ouvidos, como sinos, as últimas palavras de Gnut ainda ressoavam.
Nunca as esqueceria até o dia de sua morte.
‘Você não compreende’ o poderoso robô havia dito. ‘Eu sou o mestre.’


FIM


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O dia em que a Terra parou (Adeus ao Mestre - Harry Bates ) Parte 6/7


ADEUS AO MESTRE - HARRY BATES

Parte 6

Às quatro da tarde, bastante descansado e com um visor infravermelho pendurado em seus ombros, Cliff passou através do cordão de segurança e entrou na ala interplanetária.
Ele era esperado e não houve problema.
Assim que seu olhar caiu em Gnut, uma estranha sensação percorreu-o e por alguma obscura razão ele quase sentiu pena do gigante.
Gnut jazia ma mesma posição de sempre, o pé direito ligeiramente avançado e a mesma expressão na face, mas agora parecia que havia algo mais.
Ele estava solidamente encapsulado em um enorme bloco de glasstex transparente.
Do chão ao topo dos seus seis metros e numa distância igual para a direita e para a esquerda, atrás e na frente, ele estava imerso em uma prisão transparente como água que confinava cada centímetro de sua superfície e que iria prevenir do mínimo movimento de seus impressionantes músculos.

Era um absurdo, sem dúvida, sentir pena de um robô, um mecanismo feito pelo homem, mas Cliff passara a pensar nele como um ser vivo de verdade, igual a um ser humano. Ele mostrara propósito e vontade, era capaz de executar tarefas complicadas, sua face era capaz de exprimir emoção de tristeza e muitas vezes parecia imerso em profundos pensamentos; tinha sido brutal com o gorila, gentil com o rouxinol e os outros dois corpos e tinha evitado magoar Cliff quando ele seria capaz. Cliff não duvidava que estivesse vivo, o que quer que ‘vivo’ significasse.
Mas do lado de fora esperavam os homens do rádio e da televisão; ele tinha trabalho a fazer.

Uma hora depois Cliff estava sentado sozinho a dez metros do chão, em uma grande árvore que ficava localizada do outro lado do passeio público em frente ao prédio, de onde podia ver, por uma janela, a parte superior de Gnut. Presos aos seus galhos ao seu redor, três instrumentos – seu visor infravermelho, um rádio e uma tevê infravermelha com som. O primeiro lhe permitiria ver na escuridão a imagem ampliada do robô como se fosse de dia, e os outros captariam sinais e sons incluindo de seus próprios comentários e os transmitiram para os estúdios através de milhares de quilômetros em todas as direções, através do espaço.

Nunca antes, provavelmente, um repórter fotográfico tivera tamanha importância – certamente não um que se esquecia de tirar fotografias. Mas agora isso era passado, e Cliff estava orgulhoso e preparado.
Longe dali, num grande círculo, uma multidão de curiosos e assustados. Será que o plástico glasstex prenderia Gnut? Se não o fizesse, ele tentaria se vingar por ter sido preso? Será que algo inimaginável sairia da nave e libertaria Gnut e, quem sabe, executaria a vingança?
Milhares esperavam agarrados a seus rádios; aqueles na distância não esperavam que algo acontecesse, ainda assim esperavam por algo e estavam preparados para correr.
Em lugares selecionados, não muito longe de Cliff, de todos os lados haviam baterias móveis de raios, manejados por unidades das forças armadas e bem à sua direita, um enorme tanque estacionado com um grande canhão.
Cada arma estava apontada para a porta da ala do museu.
Uma fileira de tanques menores e mais rápidos ao norte. Seus projetores de raios estavam virados para a entrada.
A noite caiu, os últimos oficias deixavam o prédio juntamente com políticos e outros privilegiados, e então as grandes portas foram fechadas e trancadas.
Logo Cliff ficou sozinho ali, a não ser pelos homens atrás das armas ao seu redor.
Horas passaram. Veio a lua.

De tempos em tempos Cliff relatava para o pessoal do estúdio que tudo estava quieto.
Seus olhos não podiam ver nada a não ser os dois pontos vermelhos dos olhos de Gnut, mas através do visor amplificador conseguia ver tudo em uma distância de cinco metros com clareza semelhante ao dia.
Exceto por seus olhos, não havia evidência de que havia algo senão metal não-funcional.
Mais outra hora. Agora e novamente Cliff verificava os níveis de seu pequeno monitor de rádio-televisão, apenas por alguns segundos de cada vez, para poupar a bateria.
A emissão não ia além de Gnut e por certa vez mostrara Cliff sentado em sua árvore, sozinho.
Poderosos televisores de infravermelho de grande distância continuavam a focalizá-lo de ângulos mais próximos.
Isso lhe dava uma sensação engraçada.
Então subitamente Cliff viu algo e rápido procurou o visor de amplificação.
Os olhos de Gnut se moviam, ao menos a intensidade da luz emitida estava variando.
Como se dois pequenos flashes vermelhos virassem de um lado para outro, cruzando como faróis o campo de visão de Cliff.
Excitado, Cliff sinalizou para os estúdios, iniciou a transmissão descrevendo o fenômeno. Milhões de pessoas vibravam excitadas com sua voz.
Poderia Gnut quebrar sua terrível prisão?

Minutos se passaram e os flashes dos olhos continuavam, mas Cliff não conseguia captar movimentos no corpo do robô. Em breves relatos ele descrevia o que observava.
Gnut estava claramente ativo, não havia dúvidas de que ele lutava contra seu cárcere transparente, mas, a não ser que pudesse quebrá-lo, não se moveria de forma alguma.
Cliff olhava para o amplificador quando começou.
Seus olhos captaram algo fabuloso acontecendo, apesar de não ser registrado pelo aparelho. Um brilho vermelho envolvia agora o corpo do robô.
Com os dedos tremendo, reajustou as lentes do televisor, o que fez apenas o brilho crescer em intensidade. Parecia que o corpo de Gnut estava incandescente de tão quente.
Descreveu o ocorrido em fragmentos de excitação, pois sua atenção estava em ajustar corretamente as lentes.
A figura de Gnut tornava-se mais e mais brilhante. E então se moveu.
Sem dívida, se moveu.

Ele podia de alguma forma aumentar a temperatura de seu corpo e usou isso para explorar esta limitação do plástico. O glasstex, Cliff lembrou, era um material termoplástico, ganhava a forma pelo resfriamento e uma vez aquecido tornava-se novamente macio.
Gnut o estava derretendo.
Cliff descreveu a cena em três frases. O robô tornara-se vermelho como uma cereja, as extremidades do bloco igual a gelo perderam seu formato e toda a estrutura começou a ceder.
O processo se acelerou e viu que o robô já podia se mover lá dentro.
O plástico já estava na altura da sua cabeça, depois do pescoço e depois na cintura, e então Cliff viu que Gnut estava livre. Então, ainda vermelho como uma cereja, se moveu, saindo de sua visão.

Cliff não conseguia mais ver ou ouvir nada, nada além do ruído de aclamação dos curiosos além do cordão de segurança dos policiais e, mais baixo, as vozes de comando nas baterias de tiro ao seu redor. Eles possivelmente também haviam ouvido e visto as imagens e estavam aguardando.
Minutos passaram. Então se ouviu um som metálico quando as grandes portas da ala do museu se abriram e dali saiu o gigante de metal, que não brilhava mais. Parou com os olhos indo e vindo de um lado para outro, vasculhando a escuridão.
Vozes na escuridão ordenaram e num segundo Gnut era atingido por raios coloridos de luz que cruzavam de todos os lados.
Atrás dele as portas de metal derretiam, mas seu corpo verde não parecia sofrer.
Então o mundo pareceu ter chegado ao fim, ouviu-se um urro tremendo, e tudo à frente de Cliff explodiu em fumaça e caos.
Sua árvore tombou para um lado e esteve a ponto de cair dela. Pedaços de reboco e fragmentos caiam. O tanque-canhão dispara e com certeza acertara Gnut.
Cliff esforçava-se para conseguir enxergar através da poeira. Reparou em um movimento próximo dos restos da porta e mais distintamente a grande forma de Gnut ficando de pé.

Levantou-se lentamente e virou-se para o canhão e de súbito atirou-se na direção dele. A grande arma tentou acompanhar o movimento, mas o robô saiu de sua mira e logo já estava sobre ele. Só houve tempo dos tripulantes fugirem e ele o destruiu com apenas um soco e então se voltou para olhar direto para Cliff.
Começou a vir na sua direção e logo já estava junto da árvore. Cliff conseguira subir até a copa superior. Gnut pôs as duas mãos ao redor da árvore, deu um safanão e o tronco inteiro saiu do chão com raízes e tombou. Antes que Cliff atingisse o chão, o robô o segurou com suas mãos.
Cliff pensou que sua hora havia chegado, mas muitas coisas estranhas ainda estavam por acontecer para ele naquela mesma noite.

Gnut olhou para ele em sua mão e depois o ergueu até sentá-lo em um de seus ombros, as pernas ao redor do pescoço. Virou-se então e começou a seguir pelo caminho leste deixando a área do prédio. Cliff não tinha como escapar.
Enquanto cruzavam o parque, via as bocas das armas se movendo acompanhando Gnut e a ele mesmo, nas suas miras. Mas não dispararam.
Ao colocá-lo em seus ombros, Gnut se assegurara de que não o fariam – Cliff esperava.
O robô seguiu para o memorial. A maior parte dos soldados os seguia hesitantes, à distância. Cliff pode ver ao longe que uma onda escura e confusa tomava a área antes vazia – a área de contenção policial havia se desfeito. A sua frente, uma clareira estreita rapidamente se fez, enquanto avançava entre a multidão, num corredor estreito, ouvia os gritos e insultos, que terminava alguns metros depois; poucos se atreviam a chegar muito perto.
Gnut não prestava atenção nisso ou em sua carga, como se fosse uma mosca. Seu ombro era um assento pouco confortável para Cliff, mas com a diferença de que havia o movimento de músculos flexionado a cada movimento, acompanhando o que se esperava em um ser humano.
Cliff ficou assombrado com aquela musculatura viva.
Reto como o vôo de uma abelha, acima dos caminhos, através das cercas e das fileiras de arvores menores, seguia Gnut, com o jovem ao ombro e o soar de milhares de vozes seguindo-o de perto.
Acima deles, helicópteros e jatos, ao redor carros da polícia com suas sirenes irritantes.
Logo à frente, o lago do Memorial e o tumulo de mármore onde repousava o embaixador Klaatu. Brilhando em negro gélido à luz das dezenas de faróis acesos na noite.
Seria aquilo uma visita ao morto?
Sem hesitação, Gnut entrou na água que lhe chegava até os joelhos, então até a cintura e logo os pés de Cliff estavam na água.
Marchando através das águas escuras até o túmulo, o robô seguiu seu caminho inexorável.
A massa escura de mármore subia alto quando chegaram perto.
O corpo de Gnut emergia das águas e já estava praticamente seco quando pisou o primeiro dos degraus da pirâmide.
Logo estavam no topo, na estreita plataforma cujo centro estava o túmulo oblongo.
Brilhando na luz dos refletores, o gigante caminhou ao redor dele e então curvou-se e desferiu um empurrão em sua tampa. O mármore se partiu e a tampa se partiu em pedaços.
Gnut se ajoelhou e olhou para dentro, trazendo Cliff para bem perto da borda.
Do lado de dentro, um caixão de plástico transparente na sombra, apesar das luzes de fora, selado a vácuo para preservar seu conteúdo ao rolar dos séculos, o corpo mortal de Klaatu, o visitante vindo do grande desconhecido.
Deitado, como se adormecido, o rosto transparecendo a nobreza de um quase deus que levara a alguns ignorantes a acreditar que se tratava de um ser divino.
Vestia a túnica com que chegara. Nada de flores, presentes ou ornamentos, que seriam profanos. Ao pé do caixão, uma pequena caixa selada, também de plástico transparente, contendo todos os registros feitos na Terra por ocasião da sua visita – uma descrição dos eventos que se deram com sua chegada, fotos de Gnut e do viajante e um filme capturando para sempre seus breves atos e palavras.
Cliff sentia-se solitário, desejando poder ver o rosto do robô.
Gnut também não se movia mais daquela posição de reverência e contemplação, mas não por muito tempo.
Ali na brilhante e iluminada pirâmide, sob os olhos da multidão amedrontada, Gnut prestava um cumprimento respeitoso e final ao seu belo e adorado mestre.
E então acabou.
Gnut agarrou a pequena caixa com os registros, ficou de pé e começou a descer os degraus.
De volta através da água, direto para o prédio do museu, através dos jardins e cercas como antes, em seu caminho inexorável. Atrás dele a turba caótica de pessoas se movia, seguindo-o o mais próximo que podia, se esbarrando e caindo e esforçando-se para mantê-lo à vista.
Não houve gravação televisionada deste seu retorno. Todas as câmeras haviam sido danificadas no seu caminho até o túmulo.
Ao se aproximarem do prédio, Cliff viu que o projétil do tanque fizera um buraco de uns doze metros estendendo-se do chão ao teto. As portas permaneciam abertas e Gnut, sem variar seu ritmo de passadas, passou por sobre os destroços e seguiu para a traseira da nave.
Cliff pensava se o deixaria ir. Deixou.
O robô o largou ao chão e apontou para a porta, então se virou e fez aqueles sons responsáveis por abrir a porta. A rampa desceu e ele entrou.
Então Cliff fez a coisa mais louca e corajosa que o tornaria famoso por uma geração.
Assim que a rampa começou a recuar, ele pulou para cima dela e entrou na nave.
As portas se fecharam.


Missile Gap - Charlie Stross


It’s 1976 again. Abba are on the charts, the Cold War is in full swing — and the Earth is flat. It’s been flat ever since the eve of the Cuban war of 1962; and the constellations overhead are all wrong. Beyond the Boreal ocean, strange new continents loom above tropical seas, offering a new start to colonists like newly-weds Maddy and Bob, and the hope of further glory to explorers like ex-cosmonaut Yuri Gagarin: but nobody knows why they exist, and outside the circle of exploration the universe is inexplicably warped.

Gregor, in Washington DC, knows but isn’t talking. Colonel-General Gagarin, on a years-long mission to go where New Soviet Man has not gone before, is going to find out. And on the edge of an ancient desert, beneath the aged stars of another galaxy, Maddy is about to come face-to-face with humanity’s worst fear…


Missile Gap - Charles Stross - online