terça-feira, 31 de março de 2009

A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício - Philip Pullman

CAPÍTULO UM

Quinze mil quilômetros atrás, em um país a leste da selva e ao sul das montanhas, viviam um Fabricante de Fogos de Artifício chamado Lalchand e sua filha Lila.

A mulher de Lalchand morrera quando Lila era pequena. A menina era um toquinho de gente mal-humorado, sempre chorando e fazendo birra para comer, até que Lalchand construiu um berço para ela e o pôs num canto da oficina, de onde ela podia ver as fagulhas brincando e ouvir os silvos e os estalidos da pólvora.

Assim que saiu do berço, ela ensaiou seus primeiros passos pela oficina, rindo quando o fogo brilhava e as fagulhas dançavam. Muitas vezes queimava os dedinhos, mas Lalchand borrifava-lhes água e dava um beijinho no dodói, e logo Lila estava brincando de novo.


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Arthur e a guerra dos dois mundos - Luc Besson


M., o Maldito, sempre maquiavélico, aproveitou a abertura do raio da Lua para crescer e passar para o mundo dos humanos. Todos temem o pior, pois essa criatura abominável agora mede mais de dois metros de altura e está decidida a conquistar novas terras.

Diante de uma ameaça tão terrível, Arthur e seus amigos usarão todas as artimanhas, aproveitarão todas as situações mais inesperadas, enfim, farão de tudo para estragar o assustador plano de Maltazard.

Mas será que vale a pena lutar contra um monstro gigantesco quando se mede apenas dois milímetros de altura?



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segunda-feira, 30 de março de 2009

Scroogled - Cory Doctorow



"Quer falar o que aconteceu em junho de 1998?"

Greg olhou para ele e disse. "Como?"

"Você colocou uma mensagem em alt.burningman3 em 17 de junho de 1998, sobre os seus planos para ir a um festival. Você perguntou 'São os alucinógenos assim tão nocivos?'"

O interrogador na sala de controle era um homem mais velho, tão magro que de frente parecia estar de lado. E de lado parecia ter ido embora. As suas perguntas iam muito além da curiosidade de Greg sobre alucinógenos.

"Fale-me sobre seus passatempos. Você gosta de aeromodelismo ou lançamento de réplicas de foguetes em miniatura?"

"O quê?"

"Foguetes em miniatura."

"Não," disse Greg, "Não, não lido com isto." Já imaginando o rumo que a conversa ia tomar.
O homem tomou umas notas e digitou qualquer coisa. "Pergunto isto porque vejo um grande número de anúncios relacionados a combústivel de avião nos resultados de suas pesquisas no Google e também no e-Mail."

Greg sentiu um aperto. "Você está vendo os resultados das pesquisas que fiz? Está acessando meu e-Mail?" Greg não tocava num computador há mais de um mês, mas sabia que o quer que tivesse introduzido naquele campo de pesquisa seria bem mais revelador do que tudo o que já tinha dito ao seu psiquiatra.

"Senhor, tenha calma, por favor. Não estou vendo suas pesquisas e nem acessando seu e-Mail”, disse o homem com seriedade. "Isto seria violação de privacidade e é anticonstitucional. Nós apenas vemos os anúncios que aparecem quando você lê seu e- Mail e faz pesquisas no Google. Tenho aqui um folheto da companhia que explica tudo. Poderá lê-lo quando terminarmos."

“Mas os anúncios não significam nada”, contestou Greg. “Eu recebo anúncios de termas toda vez que recebo por e-Mail notícias de uma amiga em meu celular. Ela fala muito de uma cadela que cuida desde filhote!”

O homem acenou em concordância. "Entendo. E é exatamente por isso que estou falando contigo. Porque acha que estes anúncios sobre combústivel de aviação aparecem tão frequentemente?"

Greg pôs os neurônios para funcionar. "Faça isto. Procure por clube do café". Ele era um membro bastante ativo do clube, ajudando-os a lançar o site e o serviço café-do-mês. A mistura que iam lançar chamava-se Jet Fuel4. "Jet Fuel" e "lançamento" – isso faria com que o Google enchesse a página com anúncios de combústivel para motores a jato e aviação.

Já estavam na reta final da entrevista quando o funcionário encontrou as fotos do Halloween. Estavam na terceira página dos resultados da busca por "Greg Lupinski".

"Era uma festa com o tema Guerra do Golfo," disse ele.

"E você está vestido de...?"

"Homem bomba", respondeu meio constrangido.
Dizer aquelas palavras era bastante comprometedor àquela altura do campeonato.

"Venha comigo, Sr. Lupinski," disse o agente.


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Site Craphound.com

Beautiful Robot Characters Illustration







Naldz Graphics

domingo, 29 de março de 2009

SF and Technology as Mystification - Joanna Russ

Talk about technology, long familiar to science-fiction readers and writers, is getting popular in Academia too.

Particularly interesting to humanists is the connection between technology and whatever their own particular subject happens to be; I've attended three such formal symposia in the last five years, six including SF conventions, and including informal discussions among students, in writing classes, SF classes, and elsewhere, somewhere between fifty and sixty.

Consider, for example, Star Wars. I was dragged to see this film past a bookstore displaying the sword-and-sorcery novel a friend of mine has rather unkindly nicknamed The Sword of Sha Na Na. What is important about coupling these two in one sentence (and one event) is not that the film is as bad as the book, but that both are bad in exactly the same way.

This is not to say that neither is without some interesting or seductive elements.
For no addictive stimulus is simply bad or dull; if it were, nobody would want it at all.
What such artifacts do is follow the formula for physiological addiction in the psychic, cultural realm: they satisfy a need partially, and at the same time they exacerbate it.

Publishers and movie-makers' formulas for a "real hit" are obviously those of an addiction: not just enjoyment or desire but intense craving (lines stretching around the block), not just intense craving but sudden intense craving which must be satisfied at once (opening in sixteen million theatres tomorrow, a theatre near you!), not just sudden intense craving but insatiable craving; thus people see the film many times and — this is a dead-giveaway — a minor industry grows up about the film: buttons, sweatshirts, TV programs about how the film was made, TV programs (possibly) about how the first TV programs about the film were made, and so on.

These are what the trade calls "spin-offs."

Please note that addictive culture is not identical with what we like to call "escapist culture."

Perhaps there is no way of escaping in art from one's society, as any social product will of necessity embody the society's values and pressures, and the less these values or pressures are confronted and examined in the work, the more in force they will be. Thus Star Wars — which is being sold to the public as "fun" — is in fact racist, grossly sexist, not apolitical in the least but authoritarian and morally imbecile, all of this both denied and enforced by the opportunism of camp (which the youngsters in the audience cannot spot, by the way) and spiced up by technical wonders and marvels, some of which are interesting, many of which are old hat to those used to science fiction. Addictive culture, to succeed, can't be all bad. (Perhaps somebody, some time, will cotton to the fact that the most interesting film form for SF is the travelogue — although even travelogues cannot be made without moral and political assumptions.)


SF and Technology as Mystification - Joanna Russ [ Download ]

Joanna Russ


Joanna Russ (22 de Fevereiro de 1937), escritora e feminista, nascida em Nova Iorque (EUA), formada na universidade de Yales (Artes), é autora de inúmeros trabalhos de Ficção Científica (FC), incluindo o aclamado 'Female Man', considerado para muitos, não somente um dos romances mais impactantes da FC mundial, como um marco da literatura feminista. Neste livro, Russ examina e teoriza sobre como diferentes sociedades são capazes de produzir versões diferentes da mesma pessoa.
Joanna Russ começou a ganhar notoriedade no início da década de 70, em uma área predominantemente masculina, tanto de autores quanto leitores, logo chamou a atenção pela sua abordagem dferenciada de temas conhecidos.
Russ também escreveu livros de terror, além de se destacar como ensaísta e por vários anos dedicou-se a dar palestras e divulgar seu trabalho não-ficcional, como a coleção de ensaios
Magic Mommas, Trembling Sisters, Puritans & Perverts e seu estudo sobre o feminismo moderno What Are We Fighting For?
Ganhou os Prêmios Hugo('Souls', 1983), Nebula('When it changed', 72), Locus, James Tiptree Jr e SF Chronicle Award. Até bem pouco tempo atrás, lecionava na faculdade de Washington, em Seattle.

Coleção Joanna Russ (Como Dorothy mantuvo alejada la primavera, Poor Man Beggar Man, Picnic En Paraiso, La muerte del caos, The extraordinary voyages of Amelie Bertrand, Second Inquisituin, Almas(Souls), Female Man) [ Download ]

sábado, 28 de março de 2009

Frases úteis para turistas - Joanna Russ


Locrinia: Península e arredores - Lokrina D.C. - X 437894 = H
Bastante semelhante com a Terra (ver filmes gravados e transliterações).
Para Fisiologia, ecologia, religião e costumes, consultar Wu e Fabricant, Locrinia, Informações úteis para turistas, Praga, 2355, Vol. 2.


NO HOTEL

Esta é minha esposa. Não se trata de uma gorjeta.

Vou chamar o gerente.

Este não pode ser meu quarto, pois não posso respirar amoníaco.

Sentirei-me bem com temperaturas que variam entre 20 e 30 graus.

Garçom! Esta comida está viva!


NUMA REUNIÃO

Isso é você?

Isso é você por inteiro?

O quanto (que quantidade) de você (ou vocês) se encontra aqui?

Prazer em conhecer seu clone.

Você é venenoso?

Você é comestível?

Eu não sou comestível.

Humanos não se regeneram.

Minha esposa não é comestível.

Isto é minha orelha.

Sou venenoso.

É assim que vocês copulam?

Suponho que isso deva ser erótico?

Muito obrigado.

Explique-se, por favor.

Você troca de cor?

Vou embora desta sala.

Não podemos ser apenas amigos?

Levem-me imediatamente ao Consulado Terrestre.

Sinto-me muito lisonjeado com o convite, porém não posso acompanhá-lo ao campo de
procriação, pois sou vivíparo.

Segundo as regras de amizade interestelar quanto precisarmos ter alguma relação física, devo pedir que não o faça.


NO HOSPITAL

Não.

Meu orifício de alimentação não se encontra no extremo do meu corpo.

Prefiro fazer isso sozinho.

Por favor, não deixe escapar a atmosfera, eu ficaria bastante desconfortável.

Não me alimento de chumbo.

Se colocar o termômetro ai, não vai conseguir minha temperatura.


EM EXCURSÕES

Você não é meu guia. Meu guia é bípede.

Nós da Terra não fazemos isso.

Não posso demonstrar isso.

Isso é impossível.

Isso é ridículo.

Já vi exemplares melhores que este.

Por favor, me leve ao mamífero inteligente mais próximo.

Leve-me imediatamente ao Consulado Terrestre.

Oh, que magnífica piscina (curral de procriação).

A que horas a princesa é atirada no vulcão em erupção?

Podemos participar?



NO TEATRO

Vocês acham isso divertido?

Sinto muito, não queria ofendê-lo.

Você pode se deformar um pouquinho mais?

Estou imaginando isso?

Preciso me preocupar com esta água ao chão?

Onde está a saída?

Socorro!

É uma obra de arte!

Minhas convicções religiosas me impedem de tomar parte no espetáculo.

Não me sinto bem.

Sinto-me muito sujo.

Não me alimento de comida viva.

Vocês acham isso erótico?

Posso levar para casa?

Isso é parte do espetáculo?

Pare de me tocar.

Senhor, ou senhora, isso é meu (extrínseco).

Senhor, ou senhora, isso é meu (intrínseco).

Quero visitar as unidades de recuperação de lixo.

Você terminou?

Posso começar?

Você está no meu caminho.

Sob nenhuma circunstância.

Se não parar de fazer isso chamarei o responsável.

Isso é proibido na minha religião.

Senhor ou senhora, este é um local privado.

Senhor e senhora, este é um lugar privado.

Não foi minha intenção sentar-me em você. Não percebi que este assento estava ocupado.

Meus olhos são sensíveis a luz somente entre 3.000 e 7.000 Angstroms.


CUMPRIMENTOS

Você está maior do que antes.

Seu cabelo é falso.

Se descobrir os pés eu desmaio com certeza.

Não tem lugar.

Asseguro que você estará aqui amanhã.


INSULTOS

Você é sempre o mesmo.

Vocês são cada vez mais.

Você vê seus dedos.

Como você está limpo!

Você é limpo, mas apesar disso é alegre.


GENERALIDADES

Leve-me ao Consulado Terrestre.

Carregue-me ao Consulado Terrestre.

O Consulado Terrestre ficará sabendo disso.

Isso não são modos de tratar um visitante.

Por favor, me indique para onde foi meu hotel.

Meu veiculo não está passando bem.

Estou morrendo.

A que horas aparece a lua?

Vocês têm uma lua?

Essa é a lua cheia?

Leve-me imediatamente ao Consulado Terrestre.

Pode me dar o segundo volume de Wu w Fabricant, chamado Fisiologia, ecologia, religião e costumes dos locrinos?

Pago qualquer preço.


Useful Phrases For The Tourist (1995) - Joanna Russ

sexta-feira, 27 de março de 2009

A literatura de ficção científica questiona a ciência e sua ética


No século XIX, o desenvolvimento material resultante da aplicação de descobertas científicas a diversas instâncias da vida humana trouxe consigo inúm eras novidades e expectativas. O avanço tecnológico fazia com que m uitas previsões futuristas, que se acumulavam desde o renascimento, passassem a fazer parte do quotidiano das grandes cidades. (Booker, 1994). É, portanto, natural que esta época tenha testemunhado o nascimento do gênero literário que ficou mais tarde conhecido como ficção científica (FC). Afinal, como definiu Isaac Asimov, a FC é “ o ramo da literatura que trata das respostas do homem às mudanças ocorridas ao nível da ciência e da tecnologia” (Asimov, 1984, p. 46)

Até bem pouco tempo, a FC era vista freqüentemente como uma literatura de segunda categoria, provedora de diversão barata e escapista. Nos anos 70 surgiram os primeiros estudos que a reabilitavam, como o de Scholes, que defendendo a literatura cujo imaginário se projeta no futuro, afirma que ela é extr emamente relevante não só quando aler ta sobre a conseqüência de ações ainda não realizadas, mas quando “nos faz sentir essas conseqüências, em nossos corações e nossas vísceras” (Scholes, 1975, p.16). O olhar positivo sobre esse gênero literário tem perdurado e, bem mais recentemente, Moylan argumenta que “o famoso ‘escapismo’ atribuído à ficção científica não implica necessariamente numa fuga da realidade que aliena, mas também pode levar a um “escape que fortalece e que faz refletir, a uma maneira muito diferente de pensar o mundo, e possivelmente de se situar no mundo” (Moylan, 2000,p.5). A pausa para pensar um lugar no mundo envolve o questionamento do papel das instituições na sociedade, entre as quais está a ciência, sendo esse um dos temas mais recorrentes na FC.

Neste ponto, gostaríamos de parar para pensar na imbricação entre a ficção, com esse papel de questionamento, e o campo da divulgação científica, que se expandiu extraordinar iamente, assim como esse gênero literár io que aqui tratamos, a partir do início do século XX.

A literatura de ficção científica questiona a ciência e sua ética em A Lição de Prático, de Maurício Luz, e Oryx e Crake, de Margaret Atwood. Lucia de La Rocque & Claudia Kamel [ Download ]

Espectros da ficção científica – a herança sobrenatural do gótico no cyberpunk


O artigo tem como objeto de análise a Ficção Científica e, mais especificamente o cyberpunk, enquanto gênero herdeiro da tradição do romantismo gótico. Através de uma periodização histórica dos seus subgêneros desde a época clássica até chegar ao cyberpunk nos anos 80, algumas características da ficção gótica permanecem na literatura, no cinema e na própria
cultura contemporânea.

A subjetividade, o indivíduo frente às transformações sociais e tecnológicas, o medo e o horror representado através de fantasmas e/ou máquinas, o corpo humano como experimento sujeito à
violência e outros ressurgem em cada época da FC, como temáticas que continuam presentes
no imaginário pulsional da sociedade tecnológica.


Espectros da ficção científica – a herança sobrenatural do gótico no cyberpunk [ Download ]
Adriana Amaral

quinta-feira, 26 de março de 2009

Informação e Tecno-ciência em textos fílmicos de Ficção Científica


(...São analisados 10 filmes de sci-fi, com um instrumento desenvolvido para dar conta dos
elementos da representação da informação técnica e da informação de conteúdo ficcional e de linguagem especificamente cinematográfica. Da articulação dos indicadores de informação, memória e documento salientamos as representação da informação ficcional, a partir da narrativa de sci-fi, e sua relação com as informações que funcionam como estratégias de remetimento ao contexto de época e produção que sustentam a construção de uma memória de futuro baseada na visão técnico-maquínica do presente das narrativas.)

2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968) - Stanley Kubrick
Barbarella (1968) – Roger Vadin
Fahrenheit 451 (1966) – François Truffaut
Gattaca (1997) - Andrew Niccol
Máquina do Tempo (2001) – Simon Wells
Metrópolis (1926) - Firtz Lang
Solaris (1972) - Andrei Tarkovski
Vampiros de almas (1956) - Don Siegel
Viagem à Lua (1902) - Georges Méliès
Vingador do Futuro (1990) - Paul Verhoeven



Informação e Tecno-ciência em textos fílmicos de Ficção Científica: construindo o conceito de memória de futuro em bases informacionais utópicas e distópicas [ Download ]
(Leila Beatriz Ribeiro, Valéria Cristina Lopes Wilke, Carmen Irene C. de Oliveira, André Januário da Silva, Wagner Miquéias Félix Damasceno, Eduardo Menezes de Barros)

De olho no futuro - Ficção Científica na sala de aula



Ingressar no silêncio que era a cidade às oito de uma noite enevoada de novembro, por os pés
na calçada irregular de concreto, evitando pisar nas fendas onde crescia o mato e ir em frente,
mãos nos bolsos, através dos silêncios, era o que o senhor Leonard Mead mais gostava de fazer
(Bradbury, 1979, p. 18).


Em 2053 dC, entretanto, esse é um comportamento anormal, pois todos deveriam estar em casa, assistindo suas TVs, segundo nos conta Ray Bradbury no conto O Pedestre. Leonard Mead vê-se
em apuros quando uma viatura de polícia interpela-o durante um desses passeios.

Em poucas páginas, Bradbury nos insere de forma contundente em questionamentos sobre os caminhos da tecnologia e onde ela pode nos levar. É sobre o futuro que esse conto, escrito em
1951, está falando? Não exatamente.

Poderíamos dizer mais precisamente que está trazendo possíveis tendências futuras colocadas pelas questões do momento histórico em que foi escrito. Segundo Jameson (2005, p. 345),

“a ficção científica é entendida geralmente como a tentativa de imaginar futuros inimagináveis. Mas seu assunto mais profundo pode ser de fato nosso próprio presente histórico”.

A idéia de que a ficção científica (FC) pode ter um papel no ensino de ciências data praticamente da origem moderna do gênero, sendo considerada como veículo de divulgação científica e às vezes como possuindo finalidades educacionais explícitas (Fiker,1985, p. 41).

No ensino formal, o uso da ficção científica vem sendo sugerido por diversos autores, como Dubcek (1990, 1993, 1998), que propõe a utilização de filmes para ilustrar ou apresentar conceitos e fenômenos científicos.

Outros, como Nauman e Shaw (1994), vão além da abordagem de conceitos, propondo a leitura de histórias de ficção científica também para abordar questões sociais envolvendo a ciência e a
tecnologia.


De olho no Futuro: Ficção Científica para debater questões sociopolíticas de Ciência e Tecnologia
em sala de aula ( Luís Paulo Piassi - Maurício Pietrocola) [ Download ]

quarta-feira, 25 de março de 2009

A importância da leitura na vocação técnico-científica


Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do Sol, da Lua e das estrelas, os astrônomos conheciam perfeitamente.

Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?

Matutei na lembrança de Emília, Eu, os astrônomos, que doidice! ter as coisas do céu, que havia de supor?

E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas....

Os astrônomos eram formidáveis. "Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes."


Graciliano Ramos, "Os astrônomos", in Infância , São Paulo, Livraria Martins, 1972.


Leitura é um processo de compreensão de uma mensagem codificada em sinais visuais, em geral letras, cifras e símbolos. É o mais importante e eficiente instrumento capaz de permitir o desenvolvimento e fixação dos conhecimentos culturais, sejam eles científicos ou técnicos. A leitura constitui o mais importante meio de aquisição e transmissão de saberes dos mais diversos setores culturais, desde a cultura artística à científica e tecnológica. As próprias expressões matemáticas são, na realidade, uma mensagem codificada que exige uma leitura.

O aprendizado e a difusão desse processo de compreensão – a leitura – é a principal meta de todo o sistema educativo, que se inicia, de início, na vida familiar e, mais tarde, na escola primária, passando por todos os níveis de ensino para atingir a sua mais completa plenitude na sociedade. Com a informática, a leitura atingiu um grau de extrema sofisticação.

O primeiro contato com a leitura deve-se fazer através dos pais, na intimidade do lar, aos quais cumpre dar acesso às formas gráficas mais simples. Às vezes, o ato da leitura de textos associados à cultura científica pelos pais é um fator fundamental à futura formação voltada para a pesquisa. Ela pode despertar a vocação dos jovens. Falo em leitura pelos pais, antes mesmo que se inicie a alfabetização. Num mundo moderno, onde predomina a televisão, uma atividade dessa natureza pelos pais – lendo textos aos filhos – ou dos responsáveis pelo órgão de comunicação lendo livros, durante uma apresentação televisiva, estimula a curiosidade das crianças que descobrem no livro um meio de “navegação” tão instigante quando a internet .

Todos os pioneiros da astronáutica foram estimulados pela leitura de ficção científica, às vezes lida pelos pais, antes que as crianças tenham sido alfabetizadas, como ocorreu com o físico norte-americano George Gamow. Vejamos a importância da leitura de texto de ficção científica.

A conquista do espaço é um velho sonho da humanidade. Logo que se constatou que os astros eram corpos sólidos, o homem começou a pensar em visitá-los. Entretanto, por falta de meios tecnológicos suficientes, seus planos ficaram limitados aos relatos dos escritores que, influenciados pelo desenvolvimento do início do século XIX, deram origem à literatura de ficção científica. De todos os relatos sobre os meios de conquista do espaço, os mais importantes foram os do escritor francês Jules Verne (1828-1905), que publicou em 1865 o imortal livro: De la Terre à la Lune . Neste livro, os fatos científicos são sensivelmente tão exatos, como o permitiam os conhecimentos da época. Embora tenha sido o escritor francês Achille Eyraud quem primeiro imaginou o emprego de foguetes a reação, como está relatado no seu livro Voyage à Venus , publicado em 1863, foram Jules Verne e, mais tarde, o escritor H. G. Wells os grandes divulgadores das idéias que influenciariam os pioneiros da astronáutica.

O primeiro cientista a compreender a utilidade dos foguetes na Astronáutica e a estudar as bases teóricas de sua utilização foi o cientista russo Konstantin Edwardovitch Tsiolkovski (1857-1935) que assim escreveu sobre Jules Verne: "Durante muito tempo pensei no foguete como todo mundo, considerando-o apenas um meio de diversão, com algumas aplicações pouco importantes na vida corrente. Não me lembro exatamente quando me veio a idéia de fazer os cálculos dos seus movimentos. Provavelmente, os primeiros germes dessa idéia foram fornecidos pelo fantástico Jules Verne e, em conseqüência deste grande autor, meu pensamento orientou-se nesta direção, estimulando o desejo que mais tarde impulsionou o espírito do meu trabalho".

Não foi, entretanto, Tsiolkovski o único a sofrer as influências do escritor francês; o engenheiro norte-americano Robert Hutchings Goddard (1882-1945), pai da moderna tecnologia dos foguetes, em um ensaio autobiográfico escrito em 1927 e publicado em 1959 na revista Astronautics, reconheceu a influência das obras de ciência-ficção, tais como os clássicos de De la Terre à la Lune de Jules Verne e The War of the Worlds de H. G. Wells, com as seguintes palavras: "Eles afetaram maravilhosamente a minha imaginação, incitando-me a pensar sobre os caminhos e meios possíveis à realização dessas maravilhas."

Outro pioneiro que teve o seu interesse pela astronáutica estimulado pelos grandes romancistas da ciência-ficção do século XIX, em especial por Jules Verne, foi o terceiro grande responsável pelas idéias fundamentais da ciência espacial, o engenheiro alemão Hermann Oberth (1894-1989). Assim escreveu Oberth em sua autobiografia: "Tinha onze anos quando recebi de presente de minha mão os célebres livros de Jules Verne, que já li ao menos cinco ou seis vezes, até os saber de memória".

O próprio engenheiro Wernher Von Braun (1912-1977), que dirigiu os primeiros lançamentos de satélites e foguetes norte-americanos, confessou inúmeras vezes que os autores de ficção científica, dentre eles Jules Verne, haviam-no entusiasmado profundamente na juventude.

Tal influência, entretanto, não se fez somente junto àqueles que estabeleceram as bases fundamentais da astronáutica, pois a leitura, de Jules Verne na juventude, iria animar também outros homens de ciência, tais como astrônomos, biólogos, físicos, matemáticos etc.

Assim, o grande físico norte-americano George Gamow que, além de ter sido o responsável pela moderna cosmologia, escreveu também inúmeros livros de divulgação científica, traduzidos em quase todos os idiomas, confessou que desde a idade de sete anos fora fascinado pelas histórias de Jules Verne que sua mãe lia em voz alta.

Livros como os de Jules Verne certamente fizeram e ainda fazem muito mais no sentido de inspirar as vocações de futuros cientistas, do que todos os ensinamentos ministrados nas escolas, pois a dedicação desses jovens nas aulas de Ciências foi, sem dúvida, motivada por aquelas leituras.

Como toda sociedade precisa cultivar a leitura dos textos sobre Ciência, pois ela está intimamente associada à evolução de nossa civilização, é fundamental procurar incentivar o interesse dos jovens pelas ciências o mais cedo possível, através de leituras voltadas para as histórias de antecipação científica, como aliás se pode fazer indiretamente por intermédio de filmes ou histórias em quadrinhos, onde ocorrem relatos de conquista espacial. Isto é o que se vem fazendo nos outros países, como nos EUA, onde se procura desenvolver o caráter criativo da criança desde cedo. Assim também ocorreu com as histórias de Jules Verne, que entusiasmou os pioneiros da Astronáutica.

Finalizando, gostaria de fazer um questionamento: Será que o atraso do poder inventivo dos brasileiros não estará associado à ausência da leitura voltada para a ficção científica?


A importância da leitura na vocação técnico-científica:
o caso especial dos pioneiros da astronáutica
Rogério Mourão

Foi realmente Jules Verne o pai da Ficção Científica?


(...Em geral, as obras de Verne estão carregadas de um grande carácter pedagógico e a sua missão principal é criar um espírito científico tanto no leitor, como no protagonista juvenil da época. Neste sentido, muitas das obras que formam a colecção, entram nesta categoria de obras iniciadoras...)


Foi realmente Jules Verne o pai da Ficção Científica? [ Download ]
Mundo Verne - Set/Outubro 2007

terça-feira, 24 de março de 2009

Before and After Cyber


Introdução: Para uma Genealogia da Cibercultura
Ao averiguar sobre as origens da cibercultura – ou, para ser mais concreto, de todo o conjunto de práticas que se convencionou associar a esse termo –, é tão necessário retraçar a ligação ao aglomerado de ciências e engenharias que permitiram criar infra-estruturas como a Internet (os computadores, a possibilidade de ligá-los em rede, as interfaces gráficas, etc.) quanto a todo um imaginário que, extrapolando se não mesmo especulando1 a partir do pouco que havia sido concretizado na viragem para a segunda metade do século XX, criou toda uma apetência para adoptar (e talvez influenciar) as inovações que entretanto se foram sucedendo.

É certo que muitas dessas inovações ultrapassaram ou se desviaram das previsões mais eufóricas – por exemplo, dificilmente se imaginaria, quando foram criadas as primeiras aplicações de correio electrónico, que não só o seu uso seria tão universal como também que serviria para enviar os mais diversos tipos de documentos.

É certo também que outras aspirações ficaram – até ver – aquém de expectativas então consideradas modestas: a ilustração talvez mais flagrante é o facto de terem passado mais de cinquenta anos sobre as primeiras promessas de inteligência artificial e elas continuarem por cumprir apesar do brutal aumento nas capacidades de computação.

Um outro é o do aproveitamento comercial (e consequente «democratização») da exploração espacial, como no sonho por vezes referido da criação de hotéis em estações espaciais. Mas em todo o caso, não pode ser ignorada a importância desse universo, paralelo ao da realidade concreta mas aparentado das reflexões ensaísticas de autores-cientistas como Alan Turing, Norbert Wiener, Wernher von Braun ou Arthur C. Clarke, que é o da ficção.

Before and After Cyber - Jorge Martins Rosa [ Download ]
Texto realizado no âmbito do Projecto «Tendências da Cultura das Redes em Portugal»

Estética Cyberpunk e semioses subversivas: Prováveis virtualidades reais


A cultura cyberpunk origina-se da ficção científica, tendo como principais autores George Orwell, com “1984”, William Gibson e seu “Neuromancer”, Isaac Azimov com “Eu, robô”, dentre vários outros títulos, Aldous Huxley com “Admirável mundo novo” e Anthony Burgess com “Laranja mecânica”.

Enraizada na literatura, a cultura cyberpunk apresenta atualmente diversos exemplos cinematográficos, dentre os quais pode-se citar os filmes Blade Runner, Terminator, Matrix, Nirvana, Resident Evil, Robocop, Absolon, Aeon Flux, Ghost in the Shell e Serial Experiments Lain.

Também são vários os games relacionados ao Movimento: Splinter Cell, Tron, Resident Evil, Neuromancer, Computer Underground, System Shock, Deux Ex-machina, Blade Runner.

Surgida no contexto tecnourbano da década de 80, a cultura cyberpunk, desdobramento da contracultura norte-americana, tem como mote principal a contestação do sistema capitalista e a apropriação social da tecnologia. A atitude cyberpunk é definida por ideais libertários, pelo uso e domínio das tecnologias digitais e pelo desafio às normas estéticas e culturais.

Os cyberpunks combatem o panopticum eletrônico da tecnocracia e disseminam o lema punk “do it yourself” por meio do compartilhamento de informações, dos softwares de código aberto, como o sistema operacional Linux e de diversas formas de crítica em relação à privatização do ciberespaço. Seus anti-heróis são outsiders que fazem uso das tecnologias digitais para minar a estabilidade de valores que consideram equivocados.

São hackers, crackers, phreakers, cypherpunks, ravers, zippies e otakus, uma diversificada gama de usuários de tecnologias digitais que herdaram da literatura de ficção científica um imaginário composto por ambientes urbanos, caóticos, distópicos, palmilhados por anti-heróis que adentram submundos tecnológicos, uma espécie de marginália digital embebida em ideais punks de contestação ao capitalismo e à sociedade de consumo.

No universo dos cyberpunks, a dissolução de limites é imperativa. Mescla-se o virtual e o real, o orgânico e o inorgânico, e a percepção é marcada pela abertura dos sentidos, exemplificada pela metáfora das drogas alucinógenas e pela experimentação do fantástico, do pensamento mágico e do misticismo como facetas perfeitamente cabíveis ao universo da vida cotidiana.


Estética Cyberpunk e semioses subversivas: Prováveis virtualidades reais [ Download ]
Deborah Lopes Pennachin
Mestre em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea pela UFMG e Bacharel em
Jornalismo pela mesma instituição.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Saudades do futuro: o cinema de ficção científica como expressão do imaginário social sobre o devir



A metáfora saudades do futuro apresenta a questão central desta tese: o cinema de ficção científica como expressão do imaginário social sobre o devir, formulado pelos habitantes das grandes metrópoles ocidentais contemporâneas.

As preocupações relativas ao futuro, que acompanham a humanidade desde os seus primórdios, ganharam visibilidade apenas no século XX por meio da linguagem cinematográfica, nos filmes de ficção científica, como resultado dos entrecruzamentos entre desenvolvimento científico e tecnológico, espírito inventivo, ilusionismo e arte.

As metáforas científico-ficcionais das narrativas fílmicas são vistas como testemunhos dos contextos sociais e históricos nos quais são produzidas, e sua análise parte dos elementos internos da narrativa, buscando estabelecer relações com os ambientes nos quais estão
inscritas. O conceito de imaginário social aqui é entendido como a base na qual cada sociedade elabora a imagem de si mesma e do universo em que vive.

A idéia de “passado”, “presente” e “futuro” referencia a experiência da construção social humana na noção de tempo, e o futuro, ou, os futuros, projetam as inquietações que habitam
o imaginário de homens e mulheres quanto às transformações do corpus social do qual fazem parte.

As cidades são personagens centrais nos filmes de ficção científica, porquanto habitadas por massas humanas, devastadas por guerras, cenários de heróis, palcos de lutas e degradação do meio ambiente. A ameaça de instalação de sociedades totalitárias atravessou décadas, tomando a forma de questionamentos quanto às possibilidades de controle do comportamento social por meio da comunicação de massa, do desenvolvimento tecnológico, e do desenvolvimento da ciência biogenética.

Sobre as cidades científicoficcionais pairam sempre as ameaças trazidas pela presença do outro,
seres alienígenas, de origem e natureza estranhos, estrangeiros, predadores, macacos quase humanos violentos e autoritários, máquinas inteligentes que suplantam a humanidade, viajantes no tempo.

O discurso ideológico, que orienta as narrativas científicoficcionais, apropria-se de elementos do universo do imaginário, para justificar seus projetos. No entanto, o imaginário social, situado além
das manipulações ideológicas, preside a produção do “amálgama” das instituições sociais.
Mais que isso, os mecanismos que dão expressão ao imaginário cumprem papel histórico na popularização de questões científicas e tecnológicas.

Nas histórias de ficção científica prevalece o desejo primevo de voltar ao princípio, ao anel de moebius do tempo, ao elo mítico onde o passado remoto e o futuro longínquo se entrelaçam e se
confundem para dar sentido à grande viagem da saga humana.
Por isso: saudades do futuro...


Saudades do futuro: o cinema de ficção científica como expressão do imaginário social sobre
o devir - Alice Fátima Martins (Doutorado em Sociologia - resumo de tese - UnB/2004)

Ficção Científica e Memória da Futuro


(...O texto fílmico necessita ser entendido dentro de um contexto que envolve a produção cinematográfica, seus códigos, e a própria delimitação do que vem a ser um texto...)

(...Nosso campo é constituído por filmes de ficção-científica que nos propiciam narrativas que entendemos como projetivas: lançam questões em outros tempos e espaços. Ou seja, tais questões sustentam a possibilidade de uma memória que se constrói nas expectativas presentes, mas projeta-se para o futuro como uma visão concretizável ou não. A esta memória, denominamos memória de futuro.)


Ficção Científica e Memória da Futuro - representações imagéticas do presente [ Download ]
(Leila Beatriz Ribeiro - Valéria Cristina Lopes Wilke - Carmen Irene C. de Oliveira)

domingo, 22 de março de 2009

Watchmen e Alan Moore


Nas artes sempre encontramos uma série de obras que são representativas de cada área, que transcendem gostos pessoais ou escolhas artísticas. Exemplos como a Gioconda na pintura, a 9°sinfonia na música, Don Quixote na literatura. O cinema tem seu 'Cidadão Kane', porém até bem pouco tempo faltava para os quadrinhos, uma obra que estabelecesse um ponto de referência e de real significância.

Mesmo existindo um punhado de obras fantásticas, como 'Aventuras de Tintin', Little Nemo' ou 'Akira', nunca a crítica mundial teve uma postura unânime sobre um trabalho, que não deixasse dúvidas de sua universalidade e permanência.
Até surgir WATCHMEN, escrito por Alan Moore e desenhos de Dave Gibbons, em 1986, publicado pela editora DC Comics.



A versão dos quadrinhos que chegou finalmente em 2009 aos cinemas, 'corajosamente' pelas mãos do diretor Zack Snyder (responsável por '300'), já foi renegada pelo seu autor. Alan Moore declarou que não gostou, mesmo sem ter visto, e que Watchmen não se presta para o cinema. Seu nome não está nos créditos do filme, mas sim o de Dave Gibbons.
Entrevista com Zack Snyder sobre o filme.



A história:
Em plena Grande Depressão, surgem os primeiros vingadores mascarados, que se intitulam como sendo os 'Minutemen' e durante a década de 30 e 40, se dedicam a perseguir criminosos.

Na década de 50, inicia-se o ocaso dos mascarados, quando o crime se organiza. Os mafiosos usam gravata e se torna um pouco ridículo perseguí-los de capa e máscara.

Em 1959 outro golpe: O nascimento do Doutor Manhattan, primeiro e único super-herói com super-poderes. Os mascarados que se tornaram antiquados, como punhos diante de um panzer, assistem nos anos 60 a crise se instalar.

Uma reunião, presidida pelo Capitão Metrópolis, trata de reconstruir um grupo semelhante ao Minutemen, a fim de combater as novas formas de crime: drogas, motins raciais, subversão estudantil, promiscuidade sexual, etc. Porém tal iniciativa fracassa diante do cinismo do Comediante (único Minutemen ainda ativo). Esta reunião, um dos pontos chave da história, é narrada por diferentes pontos de vista, em diferentes momentos.

No início dos anos 70, a América ganha a guerra do Vietnam graças a decisiva ajuda do Doutor Manhattan. Isto assegura a reeleição de Nixon e ainda um terceiro mandato.

O golpe final contra os mascarados ocorre em 1977, quando é criada a Lei Keene, que os converte em criminosos. Excetuando claro, aqueles que trabalham para o Governo: o Doutor Manhattan, a super-arma definitiva e o Comediante, uma mistura de Oliver North e Rambo, envolvido com todos os golpes na América do Sul, salvador dos refens de Teerã, 'silenciador' de Watergate e provável assassino de Kennedy.

O ano de 1985 começa com a ameaça de guerra no Afeganistão...
E o assassinato do Comediante.




Watchmen (em português) - 12 volumes [ Download ]
Who Watches the Watchmen, David Hughes [ Download ]
Roteiro para Watchmen [ Download ]
Extras de Watchmen (várias capas e desenhos não utilizados, storyboard original, sketchs, relatos dos criadores, etc) [ Download ]
DC Heroes RPG - Who Watches the Watchmen [ Download ]
DC Heroes RPG - Watchmen - Taking Out The Trash [ Download ]
Cubeecraft Watchmen - Rorschach [ Download ]
Cubeecraft Watchmen - Dr. Manhattan [ Download ]
World Of The Watchmen - Alan Moore [ Download ]

Alan Moore


Alan Moore (18 de Novembro de 1953) nasceu em Northampton, Inglaterra. Cartunista e escritor, foi como roteirista de histórias em quadrinhos, que Alan Moore ganhou respeito e admiração.

Moore teve uma infância e adolescência difícil, devido a pobreza de sua família e ao seu temperamento arredio, sendo expulso de várias escolas.
Apesar disso, desde cedo demonstrava talento em artes e se interessava por desenho e pintura.

Na década de 70, trabalhou em diversas revistas, principalmente como ilustrador, atividade que ele assumiria tempos depois, não ser seu forte.

A partir de 1980, a vida de Moore deu uma guinada completa. Escolhido como Melhor Escritor de quadrinhos de 1982 e 83, por 'Miracleman' e 'V de Vingança' respectivamente, Moore demonstrava talento e aptidão, levando o que era considerado uma arte menor, ao seu mais alto patamar.

Na DC Comics, Alan Moore encabeçou a reconstrução do universo dos Super-heróis, criando o que é considerado até hoje, a melhor história em quadrinhos de todos os tempos, Watchmen.
Apesar do sucesso, Alan Moore (que não detinha os direitos de sua obra) dá outra guinada em sua carreira ao abandonar a DC e se dedicar a projetos para editoras independentes, afastando-se de qualquer pretensão comercial, como seria de se esperar.

Recluso em sua cidade natal, continua trabalhando em projetos pessoais enquanto estuda para se tornar um mago. De um desses projetos, nasceu o elogiado livro 'Voice of the fire', várias histórias que contam a vida de pessoas que viveram na mesma região da Inglaterra (a sua Northampton) durante 5 mil anos. Sombrio e intenso, o livro trata de sua visão do que seria o lado pouco conhecido da história da humanidade. Tal qual Borges e Kipling, Moore inventa novos vocábulos, misturando com maestria ficção e fatos reais, medo e desejo.

Apesar de avesso a entrevistas, continua surpreendendo seus fãs e o público em geral, ganhando prêmios e aumentando a aura mística que envolve seu nome e obra.

Como escrever histórias em quadrinhos [ Download ]
A voz do fogo [ Download ]

Alan Moore, o Senhor do Caos

sábado, 21 de março de 2009

Os nove bilhões de nomes de Deus - Arthur C. Clarke



–- Este é um pedido um tanto estranho –- disse o doutor Wagner, com o que esperava poderia ser um comentário plausível. –- Que eu me lembre, é a primeira vez que alguém pede um computador de seqüência automática para um monastério tibetano. Eu não gostaria de me mostrar inquisitivo, mas me custa pensar que em seu... hum... estabelecimento, existam aplicações para semelhante máquina. Poderia me explicar o que tentam fazer com ela?

–- Com muito prazer –- respondeu o lama, arrumando a túnica de seda e deixando cuidadosamente a um lado a régua de cálculo que tinha usado para efetuar a equivalência entre as moedas. –- Seu ordenador Mark V pode efetuar qualquer operação matemática rotineira que inclua até dez cifras. Entretanto, para nosso trabalho estamos interessados em letras, não em números. Quando tiverem sido modificados os circuitos de produção, a máquina imprimirá palavras, não colunas de cifras.

–- Não compreendo...

–- É um projeto em que estivemos trabalhando durante os últimos três séculos; de fato, desde que se fundou o lamaísmo. É algo estranho para seu modo de pensar; assim espero que me escute com a mente aberta, enquanto explico.

–- Naturalmente.

–- Na realidade, é muito singelo. Estivemos recolhendo uma lista que conterá todos os possíveis nomes de Deus.

–- O que quer dizer?

–- Temos motivos para acreditar –- continuou o lama, imperturbável –- que todos esses nomes se podem escrever com não mais de nove letras em um alfabeto que idealizamos.

–- E estiveram fazendo isto durante três séculos?

–- Sim; achávamos que nos custaria ao redor de quinze mil anos completar o trabalho.

–- Oh! –- exclamou o doutor Wagner, com expressão um tanto aturdida. –- Agora compreendo por que quiseram alugar uma de nossas maquinas. Mas qual é exatamente a finalidade deste projeto?

O lama vacilou durante uma fração de segundo e Wagner se perguntou se o tinha ofendido.
Em todo caso, não houve rastro alguma de zanga na resposta.

–- Chame-o de ritual, se quiser, mas é uma parte fundamental de nossas crenças. Os numerosos nomes do Ser Supremo que existem: Deus, Jehová, Alá, etcétera, só são etiquetas feitas pelos homens. Isto encerra um problema filosófico de certa dificuldade, que não me proponho discutir, mas em algum lugar entre todas as possíveis combinações de letras que se podem fazer estão os que se poderiam chamar de verdadeiros nomes de Deus. Mediante uma permutação sistemática das letras, tentamos elaborar uma lista com todos esses possíveis nomes.

–- Compreendo. começaram com o AAAAAAA... e continuaram até o ZZZZZZZ...

–- Exatamente, embora nós utilizemos um alfabeto especial próprio. Modificando os tipos eletromagnéticos das letras, arruma-se tudo; e isto é muito fácil de fazer. Um problema bastante mais interessante é o de desenhar circuitos para eliminar combinações ridículas. Por exemplo, nenhuma letra deve figurar mais de três vezes consecutivas.

–- Três? Certamente você quer dizer dois.

–- Três é o correto. Temo que me ocuparia muito tempo explicar o por que, mesmo que você entendesse nossa língua.

–- Estou seguro disso –- disse Wagner, apressadamente –- Continue.

–- Por sorte, será fácil adaptar seu computador de seqüência automática a esse trabalho, posto que, uma vez sendo programado adequadamente, permutará cada letra por turno e imprimirá o resultado. O que iria demor quinze mil anos se poderá fazer em cem dias.

O doutor Wagner ouvia os débeis ruídos das ruas de Manhattan, muito abaixo. Estava em um mundo diferente, um mundo de montanhas naturais, não construídas pelo homem. Nas remotas alturas de seu longínquo país, aqueles monges tinham trabalhado com paciência, geração após geração, enchendo suas listas de palavras sem significado. Havia algum limite às loucuras da humanidade? Não obstante, não devia insinuar seus pensamentos.
O cliente sempre tinha razão...

–- Não há dúvida –- replicou o doutor –- de que podemos modificar o Mark V para que imprima listas deste tipo. Mas o problema da instalação e a manutenção já me preocupa mais. Chegar ao Tibet nos tempos atuais não vai ser fácil.

–- Nos encarregaremos disso. Os componentes são bastante pequenos para podermos transportar de avião. Este é um dos motivos de ter eleito sua máquina. Se você pode fazer chegar à Índia, nós proporcionaremos o transporte dali em diante.

–- E querem contratar dois de nossos engenheiros?

–- Sim, para os três meses que se supõe que dure o projeto.

–- Não duvido de que nossa seção de pessoal lhes proporcionará as pessoas idôneas. –- O doutor Wagner fez uma anotação na caderneta que tinha sobre a mesa –- há outras duas questões –- antes de que pudesse terminar a frase, o lama tirou uma pequena folha de papel.

–- Isto é o saldo de minha conta do Banco Asiático.

–- Obrigado. Parece ser... hum... adequado. A segunda questão é tão corriqueira que vacilo em mencioná-la... mas é surpreendente a freqüência com que o que consideramos óbvio acaba nos atrapalhando. Que fonte de energia elétrica vocês tem?

–- Um gerador diesel que proporciona cinqüenta kilowatts a cento e dez volts. Foi instalado faz uns cinco anos e funciona muito bem. Faz a vida no monastério muito mais cômoda, mas, certamente, na realidade foi instalado para proporcionar energia aos alto-falantes que emitem as preces.

–- Certamente –- admitiu o doutor Wagner. –- Devia ter imaginado.

A vista do parapeito era vertiginosa, mas com o tempo se acostuma a tudo.

Depois de três meses, George Hanley não se impressionava pelos dois mil pés de profundidade do abismo, nem pela visão remota dos campos do vale semelhantes a quadrados de um tabuleiro de xadrez. Estava apoiado contra as pedras polidas pelo vento e contemplava com displicência as distintas montanhas, cujos nomes nunca se preocupou de averiguar.
Aquilo, pensava George, era a coisa mais louca que lhe tinha ocorrido jamais.

O “Projeto Shangri-Lá”, como alguém o tinha batizado nos longínquos laboratórios.
Por semanas o Mark V estava produzindo quilômetros de folhas de papel cobertas de galimatias.
Pacientemente, inexoravelmente, o computador ia dispondo letras em todas suas possíveis combinações, esgotando cada classe antes de começar com a seguinte.
Quando as folhas saíam das máquinas de escrever electromáticas, os monges as recortavam cuidadosamente e as pregavam a uns livros enormes. Uma semana mais e, com a ajuda dos céus, teriam terminado. George não sabia que obscuros cálculos tinham convencido aos monges de que não precisavam preocupar-se com as palavras de dez, vinte ou cem letras.

Um de seus habituais quebra-cabeças era que se produzisse alguma mudança de plano e que o grande lama (a quem eles chamavam Sam Jaffe, embora não lhe parecesse absolutamente) anunciasse de repente que o projeto se estenderia aproximadamente até o ano 2060 da Era Cristã. Eram capazes de uma coisa assim.

George ouviu que a pesada porta de madeira se fechava de repente com o vento ao tempo que Chuck entrava no parapeito e parava ao seu lado. Como de costume, Chuck ia fumando um dos charutos puros que lhe tinham feito tão popular entre os monges que, parece, estavam completamente dispostos a adotar todos os menores e grande parte dos maiores prazeres da vida. Isto era uma coisa a seu favor: podiam estar loucos, mas não eram tolos.
Aquelas freqüentes excursões que realizavam à aldeia abaixo, por exemplo...

–- Escuta, George –- disse Chuck, com urgência. –- Soube algo que pode significar um desgosto.

–- O que aconteceu? A máquina não funciona bem? –- Esta era a pior contingência que George podia imaginar. Era algo que poderia atrasar a volta e não havia nada mais horrível. Tal como se sentia ele agora, a simples visão de um anúncio de televisão lhe pareceria um maná caído do céu. Pelo menos, representaria um vínculo com sua terra.

–- Não, não é nada disso. –- Chuck se instalou no parapeito, o que não era habitual nele, porque normalmente lhe dava medo o abismo. –- Acabo de descobrir qual é o motivo de tudo isto.

–- O que quer dizer? Eu pensava que sabíamos.

–- Certo, sabíamos o que os monges estão tentando fazer. Mas não sabíamos por que. É a coisa mais louca...

–- Isso eu imagino –- grunhiu George.

–- ...mas o velho me acaba de falar claramente. Sabe que ele aparece a cada tarde para ver como vão saindo as folhas. Pois bem, desta vez parecia bastante excitado ou, pelo menos, mais do que está acostumado a estar normalmente. Quando lhe disse que estávamos no ultimo ciclo, me perguntou, nesse sotaque inglês tão fino que tem, se eu tinha pensado alguma vez no que tentavam fazer. Eu disse que eu gostaria de sabê-lo... e então me explicou.

–- Continua; estou entendendo.

–- O caso é que eles acreditam que quando tiverem feito a lista de todos os nomes, e admitem que há uns nove trilhões, Deus terá alcançado seu objetivo. A raça humana terá acabado aquilo para o qual foi criada e não terá sentido algum continuar. Certamente, a idéia é algo assim como uma blasfêmia.

–- Então que esperam que façamos? Suicidarmo-nos?

–- Não há nenhuma necessidade disto. Quando a lista estiver completa, Deus entra em ação, acaba com todas as coisas!

–- Oh, já compreendo! Quando terminarmos nosso trabalho, será o fim do mundo.

Chuck deixou escapar uma risadinha nervosa.
–- Isto é exatamente o que disse ao Sam. E sabe o que ocorreu? Olhou-me de um modo muito estranho, como se eu tivesse cometido alguma estupidez e disse: “Não se trata de nada tão corriqueiro como isso”.

George pensou durante um momento.
–- Isto é o que eu chamo de uma visão ampla do assunto –- disse depois. –- Mas o que supõe que deveríamos fazer a respeito? Não vejo que isso faça a mínima diferença para nós. Afinal já sabíamos que estavam loucos.

–- Sim... mas não percebe o que se pode acontecer? Quando a lista estiver acabada e o plano final não der certo, ou não ocorrer o que eles esperam, seja o que for, podem-nos culpar do fracasso. É nossa máquina que estiveram usando. Esta situação eu não gosto nem um pouco.

–- Compreendo –- disse George, lentamente. –- Há nisso um certo interesse. Mas esse tipo de coisas ocorreu outras vezes. Quando eu era um menino, lá em Louisiana, tínhamos um pregador louco que uma vez disse que o fim do mundo chegaria no domingo seguinte. Centenas de pessoas acreditaram e algumas até venderam suas casas. Entretanto, quando nada aconteceu, não ficaram furiosos, como se pode esperar. Simplesmente, decidiram que o pregador tinha cometido um engano em seus cálculos e seguiram acreditando. Parece-me que alguns deles acreditam ainda.

–- Bom, mas isto não é Louisiana, se por acaso ainda não deu conta. Nós não somos mais que dois e monges há a centenas aqui. Eu tenho consideração por eles e sentirei pena pelo velho Sam quando vir seu grande fracasso. Mas de todo modo, eu gostaria de estar em outro lugar.

–- Isso eu estive desejando durante semanas. Mas não podemos fazer nada até que o contrato tenha terminado e cheguem os transportes aéreos para nos levar. Claro que –- disse Chuck, pensativamente –- sempre poderíamos tentar uma ligeira sabotagem.

–- E isso só pioraria as coisas.

–- O que eu quis dizer não foi isso. Olha -- Funcionando as vinte e quatro horas do dia, tal como está fazendo, a máquina terminará seu trabalho dentro de quatro dias a partir de hoje. O transporte chegará dentro de uma semana. Pois bem, tudo o que precisamos fazer é encontrar algo que tenha que ser reparado, quando fizermos uma revisão; algo que interrompa o trabalho durante um par de dias. Nós consertaremos, certamente, mas não com muita pressa. Se calcularmos bem o tempo, poderemos estar no aeródromo quando o último nome ficar impresso no registro. Então já não nos poderão agarrar.

–- Não gosto da idéia –- disse George. –- Seria a primeira vez que abandonei um trabalho. Além disso, faria-lhes suspeitar. Não; vamos ficar e aceitar o que vier.

–- Ainda não gosto dessa disso –- disse ele, sete dias mais tarde, enquanto os pequenos mas resistentes cavalinhos de montanha os levavam para baixo, serpenteando pela estrada. –- E não pense que fujo porque tenho medo. O que passa é que sinto pena desses infelizes e não quero estar junto deles quando perceberem quão tolos foram. Pergunto-me como vai ser com Sam.

–- É curioso –- replicou Chuck –- mas quando lhe disse adeus, tive a sensação de que ele sabia que nós partíamos e que não lhe importava, porque sabia também que a máquina funcionava bem e que o trabalho ficaria muito em breve acabado. depois disso... claro que, para ele, já não há nenhum depois...

George se voltou na cadeira e olhou para trás, atalho acima.
Era o último sítio de onde se podia contemplar com claridade o monastério. A silhueta dos achaparrados e angulares edifícios se recortava contra o céu crepuscular: aqui e alí se viam luzes que resplandeciam como as janelas do flanco de um transatlântico. Luzes elétricas, certamente, compartilhando o mesmo circuito que o Mark V. Quanto tempo seguiriam compartilhando?, perguntou-se George. Destroçariam os monges o computador, levados pelo furor e o desespero? Ou se limitariam a ficar tranqüilos e começariam de novo todos seus cálculos?

Sabia exatamente o que estava passando no alto da montanha naquele mesmo momento.
O grande lama e seus ajudantes estariam sentados, vestidos com suas túnicas de seda e inspecionando as folhas de papel, enquanto os monges principiantes as tiravam das máquinas de escrever e as pregavam aos grandes volumes.
Ninguém diria uma palavra.
O único ruído seria o incessante golpear das letras sobre o papel, porque o Mark V era por si completamente silencioso, enquanto efetuava seus milhares de cálculos por segundo.
Três meses assim, pensou George, era para subir pelas paredes.

–- Ali está! –- gritou Chuck, assinalando abaixo para o vale. –- Não é belo!?
Certamente era, pensou George. O velho DC3 estava no final da pista, como uma pequena cruz de prata. Dentro de duas horas os estaria levando para a liberdade e a sensatez.
Era algo assim como saborear um licor de qualidade. George deixou que o pensamento lhe enchesse a mente, enquanto o cavalinho avançava pacientemente para baixo.

A rápida chegada da noite nas alturas do Himalaia quase lhes caia em cima. Felizmente, o caminho era muito bom, como a maioria dos da região e eles foram equipados com lanternas.
Não havia o mais ligeiro perigo: só certo desconforto causado pelo intenso frio. O céu estava perfeitamente iluminado pelas familiares e amistosas estrelas. Pelo menos, pensou George, não haveria risco de que o piloto não pudesse decolar por conta das condições do tempo.
Esta tinha sido sua ultima preocupação.

Ficou a cantar, mas deixou disso logo. O vasto cenário das montanhas, brilhando por toda parte como fantasmas brancos e encapuzados, não o animava a cantar.
De repente, George consultou seu relógio.
–- Estaremos lá dentro de uma hora –- disse voltando-se para Chuck. Depois, pensando em outra coisa, acrescentou: –- Pergunto-me se o ordenador terá terminado seu trabalho. Estava calculado para esta hora.

Chuck não respondeu; assim George se voltou completamente para si. Pôde ver a cara do Chuck; era um oval branco voltado para o céu.

–- Olhe –- sussurrou Chuck; George elevou a vista para o espaço.

Sempre há uma última vez para tudo.
Viram sem nenhuma comoção... as estrelas estavam apagando-se.



FIM

- x -

Esta história foi escrita, na falta de algo melhor para fazer num final de semana chuvoso no Hotel Roosevelt. J. B. S. Haldane (famoso geneticista e biólogo britânico) disse sobre ela: "Você é uma das poucas pessoas vivas que escreveu algo original sobre Deus. Se você se propusesse a escrever uma hipótese teológica, você poderia ser um sério problema público."
Estou satisfeito em permanecer um profeta, com 'p' minúsculo,
Todavia, parece que criei um mito duradouro: não faz muito tempo, um programa de rádio da BBC, se referiu a primeira parte desta história como um fato atual. Computadores da IBM estariam entrando no campo dos estudos bíblicos, talvez este tema esteja se aproximado um pouquinho da realidade.
The Nine Billion Names of God (1953) - Arthur C. Clarke

Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source com a intenção de facilitar o acesso ao conhecimento a quem não pode pagar e também proporcionar aos Deficientes Visuais a oportunidade de conhecerem novas obras. Se quiser outros títulos nos procure Viciados em Livros, será um prazer recebê-lo em nosso grupo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Essas estrelas são nossas - Poul Anderson


Invasão! Os seres que vêm do espaço cósmico já conquistaram, saquearam, escravizaram as civilizações de inúmeras galáxias no seu avanço arrasador. Agora chegou a vez do sistema solar!
Só Flandry, a tripulação humanóide de sua espaçonave, além de Kit, a espiã loura do planeta condenado, podem salvar o mundo dos humanos!
Mas como derrubar o líder dos invasores que é um gênio telepata?

Essas estrelas são nossas - Poul Anderson [ Download ]

A mágoa de Odin - Poul Anderson


Ao crepúsculo, o vento soprava quando a porta se abriu.

Os fogos que ardiam ao longo do salão cintilaram nos seus sulcos; as chamas ondularam efluíram dos candeeiros de pedra; o fumo acre rolava dos orifícios no tecto por onde deveria ter saído.

Esta repentina luminosidade refletia-se nas pontas das lanças, dos machados, nas bainhas das espadas, nos ornamentos dos escudos, nas ara-mas guardadas perto da entrada.

Os homens que enchiam aquela grande sala, ficaram imóveis e atentos, tal como as mulheres que distribuíam os chifres de cerveja.

Eram os deuses esculpidos nos pilares que pareciam mover-se por entre as sombras inquietas. O pai Tiwaz, o maneta, Donar do Machado e os Cavaleiros Gêmeos - eles e as bestas e os heróis e os
ramos entretecidos gravados no lambril. Uuuu... gemia o vento, um ruído gélido como ele próprio.

Hathawulf e Solbem entraram. A mãe, Ulrica, estava no meio deles e a expressão da sua cara era não menos terrível que a expressão dos seus filhos. Os três pararam por um breve momento, mas demasiado longo para aqueles que aguardavam as suas palavras.
Então, Solbern fechou a porta enquanto Hathawulf dava uns passos em frente e levantava o seu
braço direito. O silêncio abateu--se sobre o salão, a não ser pelo estalar dos fogos e os bafos agitados.

No entanto, foi Alawin quem falou primeiro. Levantando-se do seu banco, a figura frágil, tremendo, gritou:
-Então, iremos vingar-nos! - a voz falhou-lhe; tinha apenas quinze-Invernos.

A mágoa de Odin (O Patrulheiro do Tempo) -Poul Anderson [ Download ]

quinta-feira, 19 de março de 2009

A fazenda blackwood - Anne Rice


Bem-vindos à Fazenda Blackwood.

Imensas colunas brancas, salas de estar espaçosas, jardins banhados pelo sol e uma faixa escura do fechado pântano de Sugar Devil.

Este é o mundo de Quinn Blackwood, um jovem assombrado desde o nascimento por um misterioso duplo, seu alter ego, um espírito conhecido como Goblin, entidade de um mundo onírico do qual Quinn não consegue escapar, e que o impede de integrar-se ao que quer que seja.

Ao tornar-se vampiro, Quinn perde tudo que era seu por direito e ganha uma imortalidade indesejada e seu duplo se torna mais vampiresco e aterrador do que o próprio Quinn.

Enquanto a história avança e recua no tempo, desde a infância de Quinn na Fazenda Blackwood até os dias de hoje em Nova Orleans, da antiga Pompéia a Nápoles do século XIX, Quinn sai em busca do lendário vampiro Lestat, na esperança de livrar-se do espectro que o atrai inexoravelmente de volta ao pântano de Sugar Devil e ao explosivo segredo que oculta.

Tal como A hora das bruxas, A Fazenda Blackwood é a saga de uma família, seus dramas e segredos, seus sonhos de juventude e promessas.

Uma história da perda e da procura do amor, dos mistérios e do destino, em que Anne Rice supera-se em descrições de cenários macabros, casarões sinistros e a lascívia que motiva seus sugadores de sangue e impulsiona suas narrativas fantasmagóricas.

E Anne Rice na plenitude de seu estilo.


A fazenda blackwood - Anne Rice [ Download ]

Sombras da noite - Stephen King


A máquina de passar roupa - The Mangler [movie adaptation]
A mulher no quarto - The Woman in the Room
A saideira - One for the Road
As crianças do milharal - Children of the Corn [movie adaptation]
Caminhões - Trucks [movie adaptation "Trucks", "Maximum Overdrive"]
Campo de batalha - Battleground
Espuma noturna - Night Surf
Eu sou o umbral da porta - I Am the Doorway
Ex-fumantes ltda - Quitters, Inc. [movie adaptation "Cat's Eye"]
Jerusalem's Lot - Jerusalem's Lot
Matéria cinzenta - Gray Matter
O fantasma - The Boogeyman
O homem que adorava flores - The Man Who Loved Flowers
O homen do cortador de gramas - The Lawnmower Man
O ressalto - The Ledge [movie adaptation "Cat's Eye"]
O último degrau da escada - The Last Rung on the Ladder
Primavera vermemelha - Strawberry Spring
Sei o que você precisa - I Know What You Need
Turno do cemitério - Graveyard Shift [movie adaptation]
Às vezes eles voltam - Sometimes They Come Back [movie adaptation]

Sombras da noite - Night Shift (1978) - Stephen King [ Download ]

quarta-feira, 18 de março de 2009

Espadas de Marte - Edgar Rice Burroughs


Prólogo

A lua tinha aparecido por cima do bordo do canhão próximo às fontes do Pequeno Avermelhado. Banhava com uma luz tênue os leitos que bordeaban a ribeira da pequena corrente da montanha e os álamos, sob os quais se encontrava a pequena cabana onde eu levava várias semanas acampado nas Montanhas Brancas do Arizona.

Encontrava-me no alpendre da pequena cabana, desfrutando da suave beleza da noite do Arizona e, ao contemplar a paz e serenidade da cena, me parecia impossível que só uns poucos anos atrás o feroz e temível Jerónimo tivesse estado neste mesmo lugar, diante desta mesma cabana, ou que, gerações atrás, uma raça agora extinta tivesse povoado aquele canhão aparentemente deserto.

Tinha procurado em suas cidades em ruínas o segredo de sua origem e o ainda mais estranho secreto de sua extinção. Como eu gostaria que aqueles desmoronados escarpados de lava pudessem falar e me contar tudo o que tinham presenciado desde que brotaram como arroios incandescentes dos frios e silenciosas crateras que salpicavam a meseta que se elevava mais à frente do canhão!

Meus pensamentos voltaram de novo para o Jerónimo e a seus ferozes guerreiros, e estas erráticas reflexões me fizeram recordar ao capitão John Carter da Virginia, cujo corpo inerte tinha descansado durante dez largos anos em uma cova esquecida de umas montanhas situadas não muito longe daqui, para o sul..., a cova onde escondeu-se de seus perseguidores índios apaches.

Seguindo o caminho de meus pensamentos, esquadrinhei os céus com o olhar até descobrir o olho encarnado de Marte brilhando no vazio negro azulado; assim pois, Marte estava presente em meus pensamentos quando voltei para minha cabana a me preparar para uma boa noite de descanso sob as susurrantes folhas dos álamos, cuja suave e hipnótica canção de ninar se misturava com o gorgoteante murmúrio das águas do Pequeno Avermelhado.

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Tarzan no Centro da Terra - Edgar Rice Burroughs

Prefácio

Pellucidar, como é do conhecimento de todos os estudantes, significa, antes de mais nada, um mundo dentro do outro, localizado, como de fato está, no interior da superfície externa da esfera oca que é o nosso planeta, a Terra.

E esse mundo foi descoberto ocasionalmente por David Innes e Abner Perry, quando empreenderam uma viagem experimental a bordo de uma aeronave, idealizada por Perry, com o objetivo de descobrir novas jazidas de antracito (tipo de carvão fóssil). Devido à inabilidade dos exploradores em desviar o bico da nave, depois de começarem a descida em direção à crosta terrestre, percorreram oitocentos quilômetros na vertical, até que, no terceiro dia de viagem, quando Perry já se encontrava inconsciente pela falta de oxigênio, devido ao consumo de toda a reserva que levava, e quando David Innes já começava, também, a perder a lucidez, chegaram à face interna da Terra e a cabina de comando foi imediatamente invadida pelo ar fresco que trouxe pronta recuperação aos tripulantes.

Nos anos que se seguiram, estranhas e inconcebíveis aventuras sobrevieram aos dois exploradores. Perry nunca retornou à crosta externa do nosso planeta, e David voltou apenas uma vez, utilizando-se da mesma aeronave, numa viagem difícil e perigosa, a fim de trazer ao império que fundara, no mundo interior, meios de progresso e desenvolvimento de seus primitivos súditos, criaturas humanas que ainda estavam em plena Idade da Pedra, em relação ao adiantamento do mundo civilizado do século XX.

No entanto, devido às constantes lutas contra as feras e os répteis pré-históricos, bem como contra certas tribos de homens ainda mais primitivos do que os acima mencionados, o avanço do império de Pellucidar, no sentido da civilização, foi muito pequeno. E considerando a vastidão da área que compreendia o mundo interno, mais os milhares de anos que separavam seus habitantes dos de nosso mundo civilizado, David Innes e Abner Perry, por mais que fizessem, no sentido de fazer o povo progredir e se adiantar, representavam uma gota d’água num oceano.
Se atentarmos para o fato de que as áreas de terra e as áreas de água, na superfície de Pellucidar, estão situadas em oposição às mesmas áreas do mundo exterior em que vivemos, poderemos ter uma vaga idéia da extensão desse mundo dentro do nosso.

A área de terra da crosta externa do nosso planeta compreende cinqüenta e três milhões de milhas quadradas... (137.270.000 km2), ou seja, um quarto da área total da superfície da Terra. No entanto, em Pellucidar, três quartos de sua superfície são constituídos de terras, daí as florestas, as selvas, as montanhas e as planícies se estenderam interminavelmente por mais de 124.110.000 milhas quadradas...(321.444.900 km2), sendo que os oceanos ocupam apenas 41.370.000 milhas quadradas (107.148.300 km2).

Se considerarmos apenas as áreas de terra, encontraremos uma estranha anomalia de um mundo maior dentro de um mundo menor. Mas Pellucidar é um mundo à parte, um mundo de exceção, uma espécie de desvio do que nós, da face exterior da Terra, acabamos por aceitar como inalteráveis leis da Natureza.

Exatamente no centro daquele mundo interno, ergue-se o sol de Pellucidar, uma pequena esfera comparada com o nosso sol, mas o suficiente para iluminar Pellucidar e infiltrar seus raios através das frondosas e milenares árvores que povoam suas selvas e suas florestas. E aquele sol eternamente a pino não permite que haja noite em Pellucidar, e sim um meio-dia infindável.
Não havendo estrelas e nenhum movimento aparente do sol, Pellucidar não tem bússola. Não tem horizonte, uma vez que a sua superfície é em curva para cima, em todas as direções, esteja onde estiver o observador. Assim sendo, acima da linha dos olhos, as planícies, ou os mares, ou as cordilheiras de montanhas são em ascensão, desaparecendo na distância. E num mundo onde não existe movimento de sol, onde não existem estrelas nem lua, o tempo também não existe, dentro dos moldes do mundo civilizado da crosta externa. E num mundo onde o tempo não conta, não há estes constantes apelos e lembretes da face exterior do nosso planeta: “Tempo é dinheiro!” — “O Tempo é a alma do mundo!” — “O Tempo é a essência dos contratos!” — etc.

No passado, por três vezes, nós, do mundo civilizado, recebemos comunicações de Pellucidar. Sabemos que o primeiro presente de civilização foi dado aos pellucidarianos por Abner Perry, sob a forma da pólvora. Depois foram as espingardas de repetição, pequenos navios de guerra, sobre os quais eram montados canhões de pequeno calibre, e finalmente soubemos que ele chegara a montar um rádio.

Sendo Perry mais intuitivo do que propriamente um técnico, não nos surpreendeu o fato de que seu rádio não pudesse ser sintonizado em qualquer onda conhecida ou em ondas longas do mundo exterior, e ficou para Jason Gridley de Tarzana o privilégio de captar a primeira mensagem de Pellucidar, através da Onda Gridley, uma descoberta sua.

E as últimas palavras de Abner Perry, antes que suas mensagens deixassem de ser captadas, foram em relação a David Innes, primeiro Imperador de Pellucidar, que se encontrava preso numa masmorra, nas terras dos Korsars, muito distante, por mar ou por terra, de sua amada terra de Sari, situada sobre imenso platô, na região próxima ao oceano de Lural Az.

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terça-feira, 17 de março de 2009

Espaçonave Orion - 5 livros

Livro 1
A esse tempo, a Terra já dominava uma vasta área no universo, onde muitas culturas proliferavam. O major McLane era o comandante do cruzador Orion VII e, juntamente com sua equipe, já conseguira inúmeras vitórias para Terra. No entanto, ao se aproximarem de MZ-4, a estação retransmissora, a Orion percebe os estranhos sinais por ela emitidos; e aí se inicia mais uma dura prova para a tripulação da Orion VII.



Livro 2
A nave Orion VII, sob o comando do major Cliff, passaria por uma terrível prova de fogo... Desta vez, a missão era destruir o planeta teleguiado que se chocaria com a Terra. As dificuldades se tornam gigantescas pois, por trás dos acontecimentos, estão os poderosos seres extraterranos.




Livro 3
A mina da colônia Alpha Vinte e Um não estava mais produzindo o importante minério... Desobedecendo a uma ordem, Cliff tenta solucionar este mistério. Porém, ao pousar, surgem as complicações: os robôs estavam amotinados!



Livro 4
Ao descobrir que impulsos hipnóticos transformavam os comandantes das naves em perfeitas marionetes, McLane teria pela frente um enigma... E, em pleno hiperespaço, a Orion travaria uma batalha contra o sugestor desconhecido!



Livro 5
No ano de 1955, um cientista de nome Baade descobriu que uma pequena estrela, designada por Ross 614A, possuía um satélite. Esse sol, um anão vermelho, distava do sol terrano treze anos-luz, enquanto seu satélite orbitava em torno dele a uma distância de cerca de 600 milhões de quilômetros, o que correspondia à distância entre o sol terrano e o planeta Júpiter.
O satélite recebeu o nome de Ross 614B.
A massa total desse satélite equivalia a oito centésimos da massa solar, e sua capacidade luminosa era 63 mil vezes mais fraca que a do sol de Terra. As reações termonucleares no interior de Ross 614B eram responsáveis pela elevada temperatura na sua superfície, que era de 985 graus centígrados. O sol e seu satélite cintilante foram catalogados, e constituíram o tema de vários trabalhos na literatura especializada, uma vez que representavam um exemplo raro das relações entre sol e planeta. Foram incluídos no manual, recebendo um longo número de catálogo, seguido das suas coordenadas hiperespaciais.
Obtiveram uma certa notoriedade durante a 2.a guerra interestelar quando, nas imediações dessa estrela, se realizou um combate entre quatro naves de Terra e cinco unidades da Federação. Duas naves inimigas, fortemente atingidas, fugiram para o espaço livre e foram dadas como desaparecidas.
Depois desse incidente, Ross 614A e Ross 614B caíram no mais completo esquecimento.
Treze anos-luz... a posição situava-se inequivocamente dentro da primeira zona de distância de 45 parsec. Coordenadas: Um/sul 019.
Ninguém mais se lembrava do anão vermelho e seu satélite escaldante. E ninguém fazia a menor idéia da sorte daquelas grandes naves, que tinham fugido após o combate. Não havia quem se dirigisse voluntariamente àquela região.
Mais tarde, porém, tudo isso voltaria à lembrança, causando a maior consternação.



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segunda-feira, 16 de março de 2009

Os Meninos do Brasil - Ira Levin


Na noite de sexta-feira, 31 de janeiro, Mengele usava o nome Mengele.
Voara com os seus guarda-costas para Florianópolis, na ilha de Santa Catarina, mais ou menos a meio caminho entre São Paulo e Porto Alegre, onde, no salão de festas do Hotel Novo Hamburgo, decorado para a ocasião com suásticas e flâmulas vermelhas e negras, os Filhos do Nacional-
Socialismo davam um jantar-dançante a cem cruzeiros por cabeça.

Que emoção quando Mengele apareceu! Os nazistas importantes, os que haviam desempenhado papéis de grande importância no Terceiro Reich e eram conhecidos no mundo todo, costumavam mostrar-se esnobes com relação aos Filhos, recusando os seus convites sob pretexto de doença e fazendo comentários irritadiços a respeito do seu líder, Hans Stroop (que, até mesmo os Filhos reconheciam, às vezes excedia-se na sua imitação de Hitler).

Mas ali estava o próprio Herr Doktor Mengele, em pessoa e de dinner jacket branco, apertando mãos, beijando rostos, sorrindo, rindo, repetindo novos nomes.
Que gentileza a sua de vir!
E como parecia saudável e feliz!

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O Bebê de Rosemary - Ira Levin


Aquelas velas pretas que Minnie tinha trazido na noite da falta de energia elétrica tinham chamado de tal maneira a atenção de Hutch, que passara a se interessar e fazer indagações sobre o casal. Será que desconfiava de Roman e Minnie fossem, como dizia o livro, bruxos? Minnie com suas ervas e seu talismã de tannis? Roman com seu olhar perfurante? Mas que bobagem!

Bruxarias não existiam mais. Ou existiriam?

Lembrou-se então do resto do recado de Hutch: “O nome é um anagrama”. Tentou várias combinações com o nome do livro. Era difícil, pois as letras eram tantas que criavam a maior confusão. Precisaria de lápis e papel, ou melhor, do jogo de palavras cruzadas.
Foi buscar a caixa do jogo, tornou a sentar-se ao lado da janela e separou as pedrinhas com as letras que formavam o título do livro. O bebê já vai nascer jogando cruzadas, pensou Rosemary.
— Fique quietinho aí dentro.

Tentou várias combinações; primeiro com o nome do livro. Como nenhuma fazia sentido, pegou novas peças, agora para formar o nome do autor.

O nenê deu um pontapé vigoroso.
Começou a fazer um anagrama com o nome do autor, só conseguindo de J. R. Hanslet formar Jan Shrelt ou J. H. Snartle. Coitado de Hutch! Devia estar bem ruinzinho...

Pegou novamente a caixa do jogo e guardou as pedrinhas. Pegou o livro, que continuava a seu lado e abrira-se a esmo. Abrira-se na página que mostrava a foto de Adrian Marcato e sua família. Talvez Hutch tivesse forçado a encadernação, quando sublinhou o nome Steven.
O nenê estava agora completamente imóvel.

Rosemary tirou da caixa do jogo as letras que formavam o nome Steven Marcato.
Arrumou-as na ordem e depois, sem hesitação, mudou a posição das pedrinhas e olhou o resultado: Roman Castevet.

Fez nova transposição: Steven Marcato.
A partir daí, novamente Roman Castevet.

O nenê moveu-se ligeiramente.


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domingo, 15 de março de 2009

Ten Years of Nebula Awards (1975) - Gordon R. Dickson

("We have now had ten years' worth of science-fiction novels and shorter works which have been voted winners of the Nebula Award; and whatever else may be said about these stories, they cannot be denied the label of "representative. "

The winners as a group are the result of a decade of selections by those who themselves write in the field and who have endeavored annually to choose the best work that was being done...")

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Gordon R. Dickson


Gordon Rupert Dickson (1 de Novembro de 1923 - 31 de Janeiro de 2001), prolífico escritor canadense de Ficção Científica, Dickson, que apesar de nascer no Canadá, passou a maior parte de sua vida em Minneapolis, Minnesota(EUA), escreveu mais de 80 livros. Ficou mais conhecido por escrever sagas, entre elas o ciclo Childe e Dorsai.

Apesar do relativo sucesso comercial, foram os contos que lhe deram prêmios e reconhecimento. Vencedor de três prêmios Hugo ("Soldier, Ask Not,", "Last Dorsai" e "The Cloak and the Staff"), e um prêmio Nebula ("Call Him Lord").

Foi presidente da SFWA (Science Ficion Writers of America) de 1969 a 1971.

Coleção Gordon Dickson (Computers don't argue, Call him Lord, El sheriff de Canyon Gulch, Space winners, The lifeship, The Strangers, Forever man, Dorsai vol.1-5, Alien Art, Spacial Delivery, FutureLove, Gremlins go home, The Alien Way, The Last Master, Enter a Pilgrim)
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O Silêncio dos livros

Nós da Biblioteca Fantástica, como não poderia deixar de ser, somos apaixonados por livros e por tudo que se refere a esta nossa paixão.

Belas imagens sobre a relação livro-leitor, é o que encontramos em 'O Silêncio dos Livros'.











sábado, 14 de março de 2009

Sci-Fi Movies site


Filmes, séries, lançamentos, posters, resenhas...

SCI-FI Movies

The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009


Não é segredo que vivemos hoje a idade de ouro da Literatura Fantástica.

Mais livros do gênero são publicados hoje do que nunca antes.
Somado a isso, mais e mais títulos pouco conhecidos surgem na internet, levando a um aficcionado pela Ficção Científica e Fantasia, achar que morreu e está no Paraíso.

Cerca de 3.000 títulos (em inglês) são lançados a cada ano, sendo ao menos uma centena destes de alta qualidade e trazendo novos escritores.

Apesar dos grandes escritores, famosos e premiados estarem por ai, existe uma infinidade de novos talentos surgindo e isso demonstra a beleza da Ficção Científica/Fantasia, por ser tão variada e possuir um largo espectro de sub-gêneros e estilos à oferecer.

Durante anos, Avi Abrams do Dark Roasted Blend compilou informações sobre novos escritores, promessas da Ficção Científica, Fantasia, Terror/Horror e realismo Mágico.

O resultado deste trabalho se encontra disponível online:

The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009

Sci-Fi London Film Festival


Desde 2002 quando foi criado, o SCI-FI LONDON FILM FESTIVAL é um dos maiores eventos do cinema voltado exclusivamente para o gênero fantástico.

Neste ano de 2009, o Festival, que conta com lançamento mundial de uma dúzia de filmes e debates sobre o gênero na tv e na literatura, também abre espaço para que as pessoas possam enviar filmes de curta duração, abrangendo mídias alternativas.

O site do festival traz diversas informações sobre os lançamentos para 2009, além do link da SCI-FI-LONDON.TV onde é possível se assistir trechos dos filmes.



Sci-Fi London Film Festival


sexta-feira, 13 de março de 2009

O Gene Egoísta - Richard Dawkins



PREFÁCIO

Este livro deveria ser lido quase como se fosse ficção científica.

Ele destina-se a agradar a imaginação. Mas não é ficção científica: é Ciência.

Seja ou não um lugar-comum, "mais estranho do que
ficção" exprime exatamente como me sinto com relação à verdade.

Somos máquinas de sobrevivência – veículos robô programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes.

Esta é uma verdade que ainda me enche de surpresa. Embora a conheça há anos, parece que nunca me acostumo completamente a ela. Um de meus desejos é ter algum sucesso em surpreender a outros.

Três leitores imaginários olharam por sobre meu ombro enquanto escrevia, e agora a eles dedico o livro. Em primeiro lugar o leitor geral, o leigo. Por ele evitei o jargão técnico quase totalmente e onde tive que usar palavras especializadas eu as defini. Agora me pergunto por que não censuramos a maior parte de nosso jargão também das revistas especializadas. Supus que o leigo não tenha conhecimento especializado, mas não supus que ele seja estúpido. Qualquer um pode popularizar a Ciência se ele simplificar demasiadamente.

Trabalhei arduamente tentando popularizar algumas idéias sutis e complicadas em linguagem não matemática, sem perder de vista sua essência. Não sei quanto sucesso tive nisto, nem quanto sucesso tive em outra de minhas ambições: tentar tornar o livro tão fascinante e agradável quanto o assunto merece. Desde há muito senti que a Biologia deve parecer tão excitante quanto
uma história de mistério, pois ela é exatamente isto.

Não ouso esperar ter transmitido mais do que uma pequena fração da excitação que o assunto tem a oferecer.

Meu segundo leitor imaginário foi o especialista. Ele tem sido um crítico severo, suspirando
profundamente com algumas de minhas analogias e figuras de linguagem. Suas frases favoritas são "com exceção de", "por outro lado", e "ah, não". Ouvi-o atentamente e até reescrevi por completo um capítulo apenas em seu benefício, mas, no fim, tive que contar a história da minha maneira. O especialista ainda não estará completamente satisfeito com a maneira pela qual expus o assunto. No entanto, minha maior esperança é que até ele encontrará aqui algo de novo; uma nova maneira, talvez, de ver idéias familiares; até mesmo estímulo para idéias novas próprias. Se esta é uma aspiração alta demais, poderei pelo menos esperar que o livro o distraia em um trem?

O terceiro leitor que tive em mente foi o estudante, realizando a transição do leigo para o
especialista. Se ele ainda não decidiu em que campo quer se especializar, espero encorajá-la a considerar meu próprio campo da Zoologia. Há uma razão melhor para estudar a Zoologia do que sua possível "utilidade" e estima que os animais provocam. Esta razão é que nós animais somos as máquinas mais complicadas e perfeitamente planejadas do universo conhecido.
Apresentada desta forma, é difícil entender como alguém pode estudar qualquer outra coisa! Para o estudante que já se comprometeu com a Zoologia, espero que meu livro tenha algum valor educativo. Ele está tendo que estudar os artigos originais e livros técnicos nos quais minha exposição se baseia. Se ele achar as fontes originais difíceis de entender, talvez minha interpretação não matemática possa ajudar, como uma introdução e fonte suplementar.
Há perigos óbvios em se tentar agradar três tipos diferentes de leitores.

Só posso dizer que estive cônscio desses perigos e eles pareceram ser compensados pelas vantagens da tentativa.

Sou etólogo e este é um livro sobre comportamento animal. Minha dívida à tradição etológica na
qual fui treinado será óbvia. Em particular, Niko Tinbergen não imagina a importância de sua influência durante os doze anos nos quais trabalhei sob sua direção em Oxford. A frase "máquina de sobrevivência", embora não seja, de fato, criação sua, poderia muito bem sê-lo. Mas a Etologia recentemente tem sido revigorada por uma invasão de idéias novas oriundas de fontes normalmente não consideradas etológicas.
Richard Dawkins

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Os Vírus da Mente - Richard Dawkins


Uma linda criança próxima de mim, com seis anos e a menina dos olhos de seu pai, acredita que
Thomas o Motor de Tanque [personagem de uma história infantil] realmente existe. Ela acredita em Papai Noel, e quando ela crescer sua ambição é ser uma fada do dente. Ela e seus amigos de escola acreditam na palavra solene de adultos respeitados de que fadas do dente e o Papai Noel realmente existem.

Esta pequena menina está em uma idade de acreditar em tudo que você lhe contar. Se você lhe contar sobre bruxas transformando príncipes em sapos ela acreditará em você. Se você lhe contar que crianças más ardem eternamente no inferno, ela terá pesadelos. Eu descobri há pouco que sem o consentimento do pai dela esta criança de seis anos encantadora, confiante e crédula está sendo enviada, para instrução semanal, a uma freira católica romana. Que chances ela tem?

Uma criança humana é moldada pela evolução para se saturar da cultura de seu povo.

Obviamente, ela aprende os essenciais do idioma de seu povo em questão de meses.

Um dicionário grande de palavras para falar, uma enciclopédia de informação para falar sobre, regras sintáticas e semânticas complicadas para ordenar a fala são todos transferidos de cérebros mais velhos ao dela antes que ela alcance metade de seu tamanho adulto.

Quando você é pré-programado para absorver informação útil a altas taxas, é difícil impedir ao mesmo tempo a entrada de informação perniciosa ou prejudicial. Com tantos bytes mentais para ser assimilados, tantos códons mentais para ser reproduzidos, não é nenhuma surpresa que cérebros de crianças sejam crédulos, abertos a quase qualquer sugestão, vulneráveis à
subversão, presas fáceis para Moonies, Cientologistas e freiras.

Como pacientes imuno-deficientes, crianças estão amplamente abertas a infecções mentais as quais adultos poderiam repelir sem esforço.

O DNA também inclui código parasitário. A maquinaria celular é extremamente boa em copiar DNA. No que tange o DNA, ele parece ter uma ânsia para copiar, parece ansioso em ser copiado. O núcleo da célula é um paraíso para o DNA, repleto de maquinaria de duplicação sofisticada, rápida e precisa.

A maquinaria celular é tão amigável para a duplicação de DNA que é pouca surpresa que células
tornem-se hospedeiras de parasitas de DNA – vírus, viróides, plasmídeos e um refugo de outros
camaradas viajantes genéticos. O DNA parasitário até mesmo se torna emendado aos cromossomos de forma quase imperceptível. “Genes saltantes” e extensões de “DNA egoísta” se cortam ou copiam para fora de cromossomos e se colam em outro lugar. Oncogenes mortais são quase impossíveis de distinguir de genes legítimos entre os quais eles estão trançados. No tempo evolutivo, há provavelmente um tráfico ininterrupto de genes “legítimos” para genes “foras-da-lei”, e de volta novamente (Dawkins, 1982).

O DNA é só DNA. A única coisa que distingue DNA virótico do DNA hospedeiro é seu método esperado de passar para gerações futuras. DNA hospedeiro “legítimo” é apenas DNA que aspira passar para a próxima geração pela rota ortodoxa de espermatozóide ou óvulo. DNA parasitário “fora-da-lei” é só DNA que busca uma rota mais rápida e menos cooperativa ao futuro, por uma minúscula gotinha ou fragmento de sangue, em lugar de por um espermatozóide ou óvulo.
Para dados em um disquete, um computador é um paraíso da mesma maneira que núcleos de
célula têm uma ânsia em duplicar DNA.

Computadores e seus leitores de disco e fita associados são projetados com alta-fidelidade em mente. Como com moléculas de DNA, bytes magnetizados não “querem” literalmente ser copiados de forma fiel. Não obstante, você pode escrever um programa de computador que toma medidas para se duplicar. Não apenas duplicar a si mesmo dentro de um computador, mas se espalhar para outros computadores. Computadores são tão bons em copiar bytes, e tão bons em obedecer as instruções contidas nesses bytes fielmente, que são vítimas fáceis para programas auto-reprodutores: amplamente abertos à subversão por parasitas de software.

Qualquer cínico familiar com a teoria de genes egoístas e memes teria sabido que computadores pessoais modernos, com seu tráfico promíscuo de disquetes e ligações de e-mail, estavam procurando por problemas. A única coisa surpreendente sobre a epidemia atual de vírus de computadores é que demorou tanto para ocorrer.



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quinta-feira, 12 de março de 2009

A Invasão Divina - Philip K. Dick



No distante planeta de metano CY30-CY30B, Herb Asher passa o tempo em seu domo ouvindo obsessivamente os teipes de sua cantora predileta, Linda Fox. Entretanto, no domo mais próximo, a jovem judia Rybys Rommey está morrendo de esclerose múltipla. Ela não sabe que, apesar de virgem, está grávida. A história se repete, só que em vez de estar levando no ventre o filho de Deus, como Maria, Rybys está gerando o próprio Deus.

Um dia Deus se manifesta a Herb e lhe ordena visitar Rybys. No domo da moça, os dois são visitados por um velho, conhecido há mais de 4.000 anos como o profeta Elijah. Elias, como se apresentou o profeta, diz aos dois que eles têm que se casar, pois deverão retornar à Terra com o pretexto de procurar auxílio médico para Rybys e assim a criança divina nasceria aqui.

Tudo foi feito como havia sido mandado, mas as autoridades política e religiosa tentam de todas as maneiras impedir o retorno dos três. Ao desembarcarem, Elias atrai a atenção dos policiais sobre si para que o casal possa sair sem problemas. No entanto, durante a fuga, o carro em que estão é envolvido em um acidente. Rybys temum trabalho de parto prematuro e morre. A criança nasce com lesão cerebral e Herb fica em suspensão criogênica durante 10 anos, aguardando um órgão para transplante.

Durante este período em que fica congelado, Herb lembra ou efetivamente revive tudo o que lhe aconteceu. Enquanto isso, Emanuel, o filho de Rybys, está sendo criado por Elias, que è obrigado a matriculá-lo numa escola especial, pois o acidente lhe provocou também uma espécie de amnésia. Lá Emanuel conhece uma menina misteriosa, uma entidade divina com poderes sobrenaturais, chamada Zina, com a qual discute Seu próprio destino e o da humanidade e reaprende Sua condição divina.

Com a combinação de seus poderes, Emanuel e Zina criam um mundo diferente, uma versão alternativa da Tetra, onde Rybys ainda vive e está casada com Herb que trabalha numa loja de aparelhos de som e está perdidamente apaixonado por uma cantora em início de carreira, Linda Fox. É neste mundo alternativo que começa a batalha entre Emanuel e o demônio Belial pela alma de Herb e pelo domínio ou liberação do mundo.


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Os Três Estigmas de Palmer Eldritch - Philip K.Dick

Num futuro não muito longínquo, Leo Bulero é um capitalista que distribui uma substância chamada Do-C aos habitantes de Marte, que à falta de outras distrações locais (se excluirmos o sexo) se entregam continuamente a ilusões da dita substância. No entanto, este monopólio de Bulero parece estar ameaçado por uma nova droga de translação designada U-Melhor. Palmer Eldritch, um homem de negócios exilado numa galáxia distante, é o detentor desta nova substância que em vez de ilusões, cria realidades, levando as pessoas a ela sujeitas a deslocarem-se, no espaço e no tempo, por vários futuros possíveis. O preço da utilização desta droga é o controlo de Palmer Eldritch do universo privado de cada um – universo esse do qual ninguém pode sair, nem mesmo morto.Quem se atreverá a deter esta terrível substância, capaz de transformar o mundo ou acabar com ele?

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Fonte: ZinedoVelho

O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick


Pensou: eu e ele podíamos nos engajar num foguete colonizador.

Mas os alemães não o aceitariam por causa de sua pele morena e a mim por meu cabelo escuro. Aqueles SS nórdicos, bichas, magros e pálidos, nos seus castelos de treinamento na Baviera.

Este sujeito — Joe não sei o quê — não tem nem mesmo a expressão correta no rosto; devia ter aquela expressão fria e contudo entusiasta de quem não crê em nada e assim mesmo tem fé absoluta. Sim, eles são assim. Não são idealistas feito Joe e eu; são cínicos dotados de uma fé total. É uma espécie de deficiência cerebral, como uma lobotomia — aquela mutilação que os psiquiatras alemães fazem e que é um miserável sucedâneo da psicoterapia.

O problema deles, concluiu, é o sexo; nos anos 30 já praticavam coisas infames e isso tem piorado. Hitler foi o iniciador com sua — o que era? Sua irmã? Tia? Sobrinha? E a família já sofria de consangüinidade; seus pais eram primos. Estão todos praticando incesto, voltando ao pecado original de desejar as próprias mães.

É por isso que eles, as bichas da elite do SS, têm aquele risinho angelical, aquela inocência loura de bebê; estão se guardando para a mamãe. Ou para os camaradas.

E quem é mamãe para eles? pensou ela. O líder, Herr Bormann, que dizem estar morrendo? Ou... o Doente.

O Velho Adolf, que se supõe estar num sanatório em alguma parte, num estado senil. Sífilis cerebral, datando de seus dias miseráveis de vagabundo em Viena... casacão preto comprido, cuecas sujas, abrigos para mendigos.

Obviamente, era a vingança irônica de Deus, como num filme mudo. Aquele homem horrível comido por uma sujeira interna, o castigo histórico para a maldade humana.

E o pior era que o Império Alemão atual era um produto daquele cérebro. No início um partido político, depois uma nação, depois metade do mundo. E os próprios nazistas haviam diagnosticado, haviam reconhecido, aquele curandeiro que cuidou de Hitler com plantas, aquele Dr. Morell que tratou Hitler com um remédio chamado Pílulas Antigas do Dr. Koester — fora inicialmente especialista em doenças venéreas.

O mundo inteiro sabia e, mesmo assim, o falatório do Líder ainda era sagrado, ainda era o Evangelho. Suas idéias já tinham agora contaminado uma civilização inteira e, como esporos do mal, as bichas louras cegas voavam da Terra aos outros planetas, espalhando a infecção.

Resultado do incesto: loucura, cegueira, morte.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

A Coisa - Stephen King


Agora, ali estava ele, perseguindo seu barco que descia pelo lado esquerdo da Rua Witcham. Corria depressa, mas a água era ainda mais rápida e seu barco avançava velozmente. Ouviu um forte rugido e viu que, cinqüenta metros além, na descida da ladeira, a água na sarjeta encachoeirava-se para um bueiro que ainda estava aberto. Era um comprido semicírculo escuro, recortado na cantaria e, enquanto George espiava, um galho solto, de casca tão escura e lustrosa como pele de foca, foi abocanhado pelo bueiro. Pairou sobre ele um instante e depois deslizou para o interior. E era para lá que o barco se encaminhava.

— Oh, que droga, que droga! — gritou ele, agoniado.

George acelerou a corrida e, por um momento, pensou que alcançaria o barco.

Então, um de seus pés escorregou e ele caiu, escarrapachado, esfolando um joelho e gritando de dor. De sua nova perspectiva, ao nível do piso da rua, viu seu barco balançar duas vezes, momentaneamente apanhado por outro redemoinho, para em seguida desaparecer.
— Droga e droga! — tornou a gritar, dando um soco no chão. Isso também doeu e ele começou a chorar um pouco.

Que maneira imbecil de perder o barco! Levantando-se, caminhou até o bueiro. Ficou de joelhos e espiou. A água fazia um ruído surdo e oco, ao despencar nas profundezas escuras. Era um som esquisito. Fez com que ele se lembrasse de...
— Huh!

O som pareceu ser arrancado de sua garganta, como que em uma fieira, e ele encolheu-se. Havia olhos amarelos lá dentro: o tipo de olhos que sempre imaginara no porão, mas que nunca vira. É um animal, pensou incoerentemente, é isso aí, um animal, talvez algum gato, que ficou preso lá dentro.

Ainda assim, ele estava pronto para correr — correria em mais um ou dois segundos, quando seu painel mental de instrumentos houvesse manejado o choque recebido por aqueles dois brilhantes olhos amarelos. George sentiu a superfície áspera do asfalto debaixo dos dedos e a fina camada de água fria fluindo por entre eles. Viu-se ficando em pé e recuando, mas foi então que uma voz — uma voz perfeitamente razoável e bem agradável — falou com ele, saindo de dentro do bueiro.

— Oi, Georgie!

George piscou e tornou a olhar. Mal podia crer no que via. Era como algo de uma
história inventada ou de um filme onde sabemos que os animais falarão e dançarão. Se
ele fosse dez anos mais velho, não acreditaria no que viam seus olhos. Entretanto, não
tinha dezesseis anos, tinha apenas seis.

Havia um palhaço no bueiro.



A Coisa (completo)- Stephen King [ Download ]

O Nevoeiro - Stephen King


- Não saiam! -gritou a Sra. Carmody. - É a morte! Sinto que a morte está lá fora!

Bud e Ollie Weeks, que a conheciam, pareceram impacientes e irritados, mas alguns veranistas à volta dela afastaram-se alguns passos, pouco ligando para seus lugares na fila.

Nas cidades grandes, as bag-ladies parecem ter o mesmo efeito sobre os demais, como se fossem portadores de alguma doença contagiosa. Quem sabe? Talvez sejam mesmo.

Então, as coisas começaram a acontecer em ritmo acelerado e confuso. Um homem entrou aos tropeções no supermercado, empurrando a porta ENTRE até o fim. Seu nariz sangrava.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - gritou.

Billy encolheu-se contra mim -fosse por causado nariz sangrento do homem ou pelo que ele dizia, eu não sei.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - repetiu ele. - Alguma coisa no nevoeiro agarrou John Lee! Alguma coisa... - Ele tropeçou de costas em uma amostra de adubo para jardim, amontoada junto às vidraças e sentou-se ali. -Alguma coisa no nevoeiro pegou John Lee e eu o ouvi gritando!

A situação mudou. Já nervosas pela tempestade, pela sirene policial e o apito de incêndios, pelo sutil deslocamento que qualquer interrupção da força elétrica provoca na psique americana e pelo ambiente de cada vez maior inquietude quando as coisas, de algum modo... alguma forma, se transformam (não sei como expressá-lo melhor do que isto), as pessoas começaram a mover-se como um todo.

(...)

- O que é aquele homem cheio de sangue, papai? O que é?

- Está tudo bem, Grande Bill. É só o nariz dele. Ele está bem.

- O que ele quis dizer, com alguma coisa no nevoeiro?-perguntou Norton.

Vi que ele franzia a testa inteiramente, sem dúvida a sua maneira de parecer confuso.

- Estou com medo, papai - disse Billy, através de lágrimas. - Será que a gente não podia ir para casa?

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terça-feira, 10 de março de 2009

Tau Zero - Poul Andersonl


OLHE... ALI... subindo pela Mão de Deus. Não é?

— Sim, acho que sim. Nossa nave.

Foram os últimos a ir embora quando Millesgarden fechou. Perambularam a maior parte daquela tarde entre as esculturas, ele espantado e fascinado pela experiência do primeiro contato com elas, ela dando um adeus sem palavras ao que ocupara em sua vida uma parte maior do que até então imaginara. Tinham sorte com o tempo, o verão se aproximava do fim.

Esse dia na Terra fora luminoso, brisas que faziam as sombras da folhagem dançarem nos muros da vila, um límpido som de fontes.

Mas quando o sol caiu, o jardim pareceu tornar-se abruptamente ainda mais vivo. Era como se os delfins estivessem dando cambalhotas por entre suas águas, Pégaso esbravejando para o céu, Folke Filbyter xeretando atrás do neto extraviado enquanto seu cavalo tropeçava no vau, Orfeu ouvindo, as jovens irmãs abraçando-se em sua ressurreição — tudo sem ruído, porque foi percebido num instante singular, embora o tempo em que aquelas formas realmente se moveram não tenha sido menos real que o tempo que transportava homens.

— Como se eles estivessem vivos, prontos a partir com destino às estrelas e nós devêssemos ficar e envelhecer — murmurou Ingrid Lindgren.

Charles Reymont não a ouviu. Achava-se no lajedo, sob uma bétula, cujas folhas farfalhavam e muito timidamente haviam começado a mudar de cor. Reymont olhava para a Leonora Christine. No alto de seu pilar, a Mão de Deus sustentava o Gênio do Homem, erguido em silhueta contra uma penumbra azul-esverdeada. Atrás, a minúscula e rápida estrela atravessou de um lado para outro e mergulhou outra vez.

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Os Guardiões do Tempo - Poul Anderson



Uma das concepções mais curiosas (e mais populares) da ficção científica são as incursões temporais organizadas.

Na trilha aberta genialmente por H. G. Wells com a "máquina do tempo", na qual um viajante se desloca pelo futuro, dando um cunho de autenticidade à experiência - ao contrário das viagens feitas em sonho ou com o uso de forças mentais —, os autores do gênero "aperfeiçoaram" meios de transporte que permitem o livre trânsito entre o presente, o futuro e o passado. Com os progressos da Ciência, não será nenhum exagero acreditar que um dia ela resolva os paradoxos do tempo e, assim, produza uma tecnologia capaz de enviar os homens em qualquer direção temporal.

A ficção científica apenas se antecipa de alguns milênios a essa probabilidade. Afinal de contas, sabemos que certas partículas subatômicas se comportam como se rumassem do presente para o passado.

Mas, quando o homem puder viajar livremente para qualquer época, hão de se oferecer problemas extremamente delicados, e um deles é que alguém, por deliberação ou inadvertência, possa alterar a História. Nem todos se contentarão em desfrutar da paisagem primitiva ou em assistir, sem participação alguma, a certos acontecimentos que mudaram os destinos da humanidade. Para isso, pensa Poul Anderson, será preciso criar a Patrulha do Tempo, homens treinados com absoluto rigor e que devem estar sobretudo atentos aos "clandestinos" das viagens temporais.

Em Os Guardiões do Tempo somos colocados diante de algumas situações típicas que a Patrulha deve enfrentar. Entre suas decisões podem figurar algumas terrivelmente drásticas, como eliminar povos e civilizações inteiras que surgiram de uma distorção criminosa da História. Se bem que, em certos casos, haja meios de corrigir "anomalias" resultantes de decisões anti-regulamentares. No conto que abre o volume, Anderson nos dá idéia de como e por que se formou essa misteriosa vigilância, explicando-nos engenhosamente suas principais coordenadas. Esse conto, "A Patrulha do Tempo", figura constantemente entre os clássicos desse ramo temático e foi mesmo incluído por Hubert Juin nos 20 Meilleurs Récits de Science Fiction, ao lado, entre outros, de Jorge Luis Borges, Dino Buzzati, Howard Fast, Júlio Cortázar e Ray Bradbury.

Outro conto famoso de Poul Anderson que aparece em Os Guardiões do Tempo é "Delenda Est" - brilhante incursão histórica que tem por fulcro uma tentativa de mudar o resultado da guerra entre Roma e Cartago. Quase o mesmo se pode dizer de "A Glória de Ser Rei" e de "A Única Diversão na Cidade" ("As Quedas de Gibraltar" é de feitura mais recente, 1975), nos quais mais uma vez se superpõem dois terrenos, a Física e a História, em que Poul Anderson se move como peixe na água.

Para os leitores da coleção "Mundos da Ficção Científica", que já o conhecem de O Viajante das Estrelas e de Tau Zero, este Os Guardiões do Tempo, com sua leitura excitante, servirá para tornar mais conhecido um autor de obra numerosa, mas de consistente elaboração, que nos Estados Unidos os aficionados elegeram como o mais popular, vale dizer, o mais lido do gênero.
FAUSTO CUNHA

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Sangue e Ouro - As crônicas vampirescas - Anne Rice


O OUVINTE

1

SEU NOME ERA THORNE. No antigo idioma das runas, era mais comprido — Thomevald. Mas, quando se tornou um bebedor de sangue, o nome fora mudado para Thorne. E Thorne ele continuava sendo agora, séculos depois, ali deitado na sua caverna no gelo, em sonhos.
Quando chegou pela primeira vez à terra congelada, sua esperança tinha sido a de dormir para sempre. No entanto, de vez em quando a sede de sangue o despertava; e, usando o Dom da Nuvem, ele alçava vôo e saía em busca dos Caçadores da Neve.

Alimentava-se deles, com cuidado para nunca tirar sangue demais, de tal modo que ninguém morresse por sua causa. E, quando precisava de peles e botas, também as apanhava antes de voltar para seu esconderijo.

Esses Caçadores da Neve não eram da sua gente. Tinham a pele morena e os olhos oblíquos, e falavam uma língua diferente, mas ele os havia conhecido nos tempos de outrora, quando viajara com o tio pelas terras do Oriente como mercador. Não gostara do comércio. Preferia a guerra. Mas havia aprendido muito naquelas aventuras.
Em seu sono no norte, ele sonhava. Não tinha como evitar.
O Dom da Mente fazia com que ouvisse a voz dos outros bebedores de sangue.

A contragosto, via através dos olhos deles e contemplava o mundo como eles o contemplavam. Às vezes não se importava. Até gostava. Objetos modernos o divertiam. Escutava a música elétrica ao longe. Com o Dom da Mente, compreendia coisas como locomotivas a vapor e estradas de ferro. Chegava mesmo a entender computadores e automóveis. Sentia que conhecia as cidades que deixara para trás, muito embora já se houvessem passado séculos desde que as abandonara.
Começara a ter consciência de que não iria morrer. A solidão em si não conseguiria destruí-lo. O desamparo não seria suficiente. E por isso dormia.

Aconteceu então uma coisa estranha. Uma catástrofe abateu-se sobre o mundo dos bebedores de sangue.

Surgira um jovem cantor de sagas. Chamava-se Lestat, e, em sua música elétrica, Lestat retransmitia antigos segredos, segredos que Thorne jamais conhecera.
Erguera-se então uma Rainha, ser nefasto e ambicioso. Alegava ter dentro de si o Cerne Sagrado de todos os bebedores de sangue, de tal modo que, se ela morresse, toda a espécie pereceria com ela.

Thorne ficara pasmo.

Nunca tinha ouvido esse tipo de mito a respeito da sua própria gente. Não sabia se acreditava naquilo.
No entanto, enquanto dormia, enquanto sonhava, essa Rainha começou, com o Dom do Fogo, a destruir os bebedores de sangue por toda parte no mundo inteiro. Thorne ouvia seus gritos quando tentavam fugir. Via sua morte quando outros a estavam presenciando.
Enquanto vagava pela terra, essa Rainha aproximou-se de Thorne, mas o ignorou. Ele estava mudo, oculto na sua caverna. Talvez ela não houvesse sentido sua presença. Mas ele havia percebido a dela, e nunca na vida encontrara tamanha idade ou força a não ser na bebedora que lhe dera o Sangue.

E ele se descobria pensando nela, na Criadora, a bruxa ruiva de olhos sangrentos.
A catástrofe entre sua gente piorou. Um número maior foi abatido; e dos esconderijos surgiram bebedores de sangue tão velhos quanto a própria Rainha; e Thorne viu esses seres.

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Quadribol através dos séculos - Kennilworthy Whisp


KENNILWORTHY WHISP é um famoso especialista em quadribol (e, segundo ele,um fã ardoroso deste esporte). É autor de muitas obras referentes ao quadribol,inclusive Os Assombrosos Vagamundos de Wigtown (The Wonder of Wigtown Wanderers), Um Louco no ar (He Flew Like a Madman) (uma biografia de Daí Llewellyn, "O perigo") e Como evitar Balaços - um estudo de estratégias defensivas em quadribol (Beatting the Bludgers - A Study of Defensive Strategies in Quidditch). Kennilworthy Whisp divide seu tempo entre uma residência em Nottinghamshire e "o lugar em que os Vagamundos de Wigtown estejam jogando na semana".
Seus passatempos incluem o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas

PREFÁCIO
Quadribol através dos séculos é um dos títulos mais procurados da biblioteca escolar de Hogwarts. Madame Pince, nossa bibliotecária, me informa que o livro é "manuseado, babado e de um modo geral maltratado" diariamente - o que é um enorme elogio para qualquer livro. Quem joga ou assiste quadribol regularmente apreciará esta obra do Sr. Whisp, bem como os que se interessam de uma maneira mais ampla pela história da bruxaria. Do mesmo modo que fomos inventando o jogo de quadribol, ele também nos inventou; o quadribol une bruxos e bruxas de todas as posições sociais e os reúne para compartilhar momentos de euforia, vitória e desespero (no caso torcedores dos Chudley Cannons (Canhões de Chudley)).

Foi com alguma dificuldade, devo confessar, que convenci Madame Pince a emprestar um dos seus exemplares para mandar copiá- lo e, dessa maneira, torná- lo acessível a um número maior de leitores. De fato, quando lhe contei que iria copiá- lo para que os trouxas pudessem lê- lo, ela não só perdeu a fala como não se mexeu nem piscou durante alguns minutos. Quando voltou a si, teve a consideração de me perguntar se perdera o juízo. Tive, então, o prazer de tranqüiliza- la a esse respeito e de explicar minhas razões para tomar essa decisão sem precedentes.

Os leitores trouxas não precisam que eu lhes diga o que é o Trabalho da Comic Relief, mas vou repetir as explicações que dei a Madame Pince para o beneficio das bruxas e bruxos que comprarem o presente livro. O Comic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libra desde que começou em 1985 - mais de 34 milhões de galeões).Todos os envolvidos a trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou com preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com a venda fossem destinados a fundo aberto em nome de Harry Potter pela Comic Relief e por J. K. Rowling. Este fundo foi criado especificamente para ajudar crianças necessitadas ao redor do mundo. Quando você comprar este livro - eu o aconselharia a comprá-lo porque se ficar folheando o livro sem pagar, vai descobrir que foi atingido pelo Feitiço contra Ladrão -, você também estará contribuindo para a missão mágica do Comic Relief.

Eu estaria enganando meus leitores se dissesse que essa explicação deixou Madame Pince mais feliz em ceder um exemplar da biblioteca para os trouxas. Ela sugeriu várias alternativas tais como dizer ao pessoal do Comic Relief que a biblioteca pegara fogo ou simplesmente fingir que eu morrera sem deixar instruções. Quando respondi que, de um modo geral, em preferia continuar meu plano original, ela concordou, com relutância, em me entregar o exemplar, ainda que na hora de soltá- lo tivesse perdido a coragem me obrigando a forçá- la a abrir cada um dos dedos com que apertava a lombada do livro.

Quadribol através dos séculos - Kennilworthy Whisp [ Download ]

domingo, 8 de março de 2009

David Gerrold


Jerrold David Friedman ou David Gerrold (24 de Janeiro de 1944) nasceu em Chicago, Illinois, EUA. Escritor, editor, roteirista de cinema e televisão, Gerrold foi o escritor mais jovem a se filiar ao Writers Guild of America, ao vender seu primeiro roteiro para televisão ('The trouble with Tribbles') aos 23 anos. O episódio foi indicado para receber o Prêmio Hugo e escolhido também pela Paramount Pictures como o mais querido episódio de Star Trek (Jornada nas Estrelas) de toda a série original.

De 1972 a 1973, Gerrold publicou nove livros, sendo dois de não ficção, viveu na Irlanda e em Nova Iorque. Para a Televisão, criou 'Land of the Lost' (O Elo Perdido), escreveu episódios para Star Trek a série animada, Logan's Run,Tales From The Darkside, Twilight Zone, The Real Ghost Busters, Superboy e Babylon 5.

Nos anos 80, além de trabalhar como consultor para a série de tevê, Star Trek: The Next Generation, começou a dar aulas sobre técnica de redação e adaptação para o cinema na Universidade Pepperdine de Malibu. Participa de palestras pelo mundo e ministra eventualmente seminários sobre criatividade.

Mais recentemente passou a se dedicar a escrever sagas (The War Against the Chtorr) e em adaptar para games alguns de seus livros, como 'Martian Child' (romance semi-autobiográfico sobre adoção) com o qual ganhou a 'tríplice coroa' da FC americana, ou seja, os prêmios Hugo, Nebula e Locus, de melhor romance do ano.
Martian Child foi filmado em 2007, com John Cusack no papel principal.
Gerrold mora atualmente na California.

Martian Child [ Download ]
When Charlie was one [ Download ]
Jumping off the planet [ Download ]
The man who folded himself [ Download ]
The Flying Sorceres (Com Larry Niven) [ Download ]
Star Trek The Next generation - Mission Fairpont [ Download ]

The Trouble With Tribbles - David Gerrold



O livro trata da história do script para uma série de televisão; de onde surgiu, como foi escrito e que eventualmente foi ao ar, como um episódio de Jornada nas Estrelas (a série original), 'The trouble with Tribbles' (um dos mais populares).

(...)

O episódio em si, desde o início, foi bastante atípico em se tratando de produção de tevê. Mas
Jornada nas Estrelas era uma série atípica. Por exemplo, era uma das séries mais difíceis de se escrever, pois a maioria dos escritores de tevê na época, nada sabiam sobre Ficção Científica, eles não compreendiam o formato. Não entendiam que Ficção Científica era mais do que somente faroeste com armas de raios.

E a maioria dos autores de Ficção Científica odiava a série. Eles conheciam seu trabalho, mas tinham que se submeter às exigências da produção. Alguns não aceitavam ter que escrever em blocos, devido aos intervalos comerciais - os autores exigiam no mínimo cinquenta minutos sem interrupção, nem mais, nem menos...


MCCOY
Jim, you’ve got to do something about these creatures.

KIRK
Why?

MCCOY
They’re getting out of hand. Do you know what these things are? They’re deadly!

KIRK
(stiffening)
Deadly?

MCCOY
Well, not in a physical sense, but the nature of the beast is such that—well, here, you hold one and see for yourself!

KIRK
I’ve held a fuzzy before, Bones.
McCoy gestures with it. Kirk takes it.

KIRK
(continuing)
So?
The fuzzy purrs contentedly in his hand. Absentmindedly he strokes it.

MCCOY
See! It’s habit forming. The thing is a parasite!

KIRK
(self-consciously handing the fuzzy to Spock, just to be rid of it)
Oh, come now, Bones. I’ll admit that love is distasteful—
(he glances at Spock)
—but hardly harmful.

SPOCK
I, personally find such open displays of emotion very distasteful.

MCCOY
Jim, these things are absolutely useless to the running of this ship. But they consume food…like…like…
(he is at a loss for a comparison)
…and once they start eating, they start producing more of them…

SPOCK
For once, I’m forced to agree with the doctor. It seems as if he is finally learning to think in a logical manner.

MCCOY
(eyeing Spock)
Even our computerized first officer agrees, Jim.

SPOCK
They are consuming our supplies and returning nothing.

KIRK
Well, I wouldn’t exactly say that love is a nothing…
(pause)
One must be tolerant, Mr. Spock.


The Trouble With Tribbles - David Gerrold [ Download ]

sábado, 7 de março de 2009

Um Grande Olá - Alastair Reynolds


Olá!

Se vocês estão recebendo esta mensagem (e se estão tendo sucesso em compreendê-la, é claro) então vocês já passaram pelo teste mais difícil. Vocês possuem a competência básica no que se refere à física e a engenharia, além de alguma compreensão do universo em que vivem, para interceptar sinais da Rede de Informações Galáctica,

Congratulações! Isso é muito mais do que a maioria das culturas alcançam, então vocês estão bem avançados! Congratulem-se com uma pancadinha no... bem, onde quer que vocês dêem pancadinhas de agrado entre vocês.

O próximo passo se escolher seguir em frente, é responder esta mensagem para a Rede de Informação Galáctica. É fácil - tudo que precisam fazer é gerar um sinal de onda gravitacional modulado de uma fonte de quatro bilhões de megawatts. Pode parecer muito, mas não é verdade - trata-se de apenas um por cento da energia emitida pela estrela tipo-G que seu planeta orbita. Vamos lá - não vão desistir agora!

Mas espere! Antes de enviar a mensagem de retorno (e estamos ansiosos por ouví-la) existem algumas poucas coisas que devem ter em mente! Chamem de regras, de orientações, do velho bom senso - não importa, desde que obedeçam sem questionar!
É brincadeira. Mas, existem algumas pequenas coisas que devem ter em mente. apenas para evitar gastar uma dispendiosa banda galáctica.
Para tal, vamos lhes dar algumas dicas e que podem vir a achar úteis.

Primeiro, as novas culturas gostam de saber um pouco sobre a Grande Comunidade Galáctica - e quem pode culpá-las! É uma velha e grande Galáxia lá fora e vocês acabaram de chegar à festa!
Por agora, tudo que vocês precisam saber é que vocês são um dos membros mais novos a habitarem esta galáxia e existem alguns testes pelos quais precisam passar, antes de ascender a um segundo nível de senciência.

Não fiquem desmotivados, vocês vão chegar lá no fim, se esforçarem-se para isso! Tudo que precisam é de inteligência, determinação, e talvez uma breve extensão na seqüência de vida normal da sua estrela! Enquanto isso, preparamos um Primeiro Pacote para que vocês possam iniciar. Existe tanta informação neste Primeiro Pacote - que é demais para ser comprimida em um sinal de onda gravitacional! Então o que fizemos foi pre-instalar o Primeiro Pacote de informações no oceano de hidrogênio metálico do maior planeta gigante gasoso do seu sistema!
É isso - ele já está lá!

E se vocês já encontraram este Primeiro Pacote, devem estar se perguntando para que serve aquela bola cinzenta, ela serve para - bem, agora vocês já sabem! Tenham cuidado a abrí-la - ou vocês já descobriram? Bem, era um belo gigante gasoso enquanto durou.

Brincadeirinha! Mas uma das coisas que vocês devem ter percebido no Primeiro Pacote é que ele não fala nada sobre viajar mais rápido do que a luz! As novas espécies ficam ansiosas sobre aprender como funciona, por alguma razão inexplicável! Tudo que podemos dizer neste momento é que uma vez que vocês tenham ascendido para o segundo nível de senciência, vocês acharão a questão do 'mais rápido que a luz' tão interessante quanto 'métodos rápidos de curar doenças de pele' ou 'maneiras rápidas de fermentar o fluido lácteo mamífero'! Acredite em nós! Já fomos assim, uma vez há muito tempo! (e não, nós não ligamos mais para nisso!)

O Primeiro Pacote deve responder várias perguntas básicas e ainda mais! Quase sempre, acreditem, vocês acabarão com mais perguntas do que gostariam! Não nos incomodamos com isso - estamos aqui para isso! Mas antes de começarem a disparar um monte de perguntas aleatoriamente, dêem uma rápida olhada no que se segue! Isso irá poupar seu tempo - e o nosso!

Primeiro, tenha certeza de que a sua pergunta não está respondida no Primeiro Pacote! Parece obvio - e é, mas vocês ficariam surpreso como muitas culturas não parecem ler seus primeiros pacotes por completo! Lembre que o Primeiro Pacote é altamente coerente e certas camadas de conteúdo podem não estar acessíveis diante do seu atual horizonte de percepção espaço-temporal! Sejam pacientes!

Segundo, alguns poucos tópicos estão cobertos pelo Primeiro Pacote que - podem parecer deixar a desejar quanto a perguntas de um certo nível cultural, que não são de nosso interesse! Francamente, estamos satisfeitos! Alguns - mas nem todos - destes tópicos, incluem perguntas relativas a Seres Supremos, O Nascimento, A Vida, A Morte, O Além, a possibilidade de outros universos, a explicação oficial sobre o grande vazio de z=10, e a imprevista inatividade da rota do Braço de Orion durante o décimo quinto ciclo de rotação galáctica e a possível implicação disso para a Nona Extinção em Massa (e o subseqüente encobrimento)!

Se vocês conseguirem passar além destes tópicos, camaradas, será ótimo!

E também, por favor, não respondam a nenhuma transmissão originalmente gerada do aglomerado globular de M13 em Hércules - e nunca mandem mensagens não solicitadas! Especialmente por rádio - eles odeiam rádio! Também cuidado com mensagens originadas de culturas ascendentes do nível três, especialmente daquelas que oferecem conversões baratas e suspeitas para seu sistema solar! Acreditem em nós - são boas demais para serem verdade!

Vocês também irão querer se manter distantes de qualquer entidade que finge ser herdeiro legal de ativos de culturas descidas do nível dois, no limite de Cisne - definitivamente não passem para eles as coordenadas de seu sistema!

Ah, antes que esqueçamos - nunca, jamais perguntem o que aconteceu com os humanos! A menos que vocês queiram descobrir!

PS - Quando for responder as mensagens recebidas, não respondam mantendo o conteúdo acima.

O Pós-humano e sua narrativa: a ficção científica



“O que conta num bom romance de ficção científica não é nem a ciência nem a ficção, mas a hipótese filosófica sobre nossa natureza, nossos poderes, nosso olhar no universo, nossos devires e nossos fins.”

Jean Louis Curtis


Na sua organização tipológica, geradora de uma lógica de oposição e diferenças, o próprio termo ficção científica seria um oxímoro, já que da expressão participam procedimentos de natureza totalmente diversa: o ficcional e o científico.

Ora, a ficção não tem os compromissos da ciência : nenhum projeto de atuação prática, não sujeita às provas de falsificação nem às de verificação, tendo exercido, no entanto, especialmente o romance moderno, o que Steven Johnson chama de “cultura da interface”, que realizaria um projeto de tradução, ou mediação, entre o desenvolvimento tecnológico e a vida cotidiana.

O Pós-humano e sua narrativa: a ficção científica - Ieda Tucherman [ Download ]

Posibilidades reales del viaje interestelar en la Ciencia-Ficción


Tenemos dos enfoques clásicos del problema: el viaje infralumínico y el supralumínico. En el primero, el principal problema es que debido a las enormes distancias implicadas el tiempo de tránsito entre estrellas es muy prolongado, superior al del lapso de una vida humana...

Posibilidades reales del viaje interestelar en la Ciencia-Ficción - Cristóbal Pérez-Castejón
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sexta-feira, 6 de março de 2009

I Understand Philip K. Dick - Terence Mckenna



The experience is private, personal, the best part, and ultimately unspeakable.

The more you know the quieter you get. The explanation is another matter and can be attempted. In fact it must be told, for the Logos speaks and we are its tools and its voice.

Phil says a lot of things in the Exegesis, he is aware that he says too much, so he keeps trying to boil it down to ten points or twelve parts or whatever. I have my own experience, equally
unspeakable, and my explanation, equally prolix. Phil (sometimes) thought he was Christ,
* I (sometimes) thought I was an extraterrestrial invader disguised as a meadow
mushroom.

What matters is the system that eventually emerges, not the fantasies concerning the source of the system. When I compare Phil’s system to mine, my hair stands on end.

We were both contacted by the same unspeakable something.

Two madmen dancing, not together, but the same dance anyhow.

Truth or madness, you be the judge.

What is trying to be expressed is this: The world is not real.

I Understand Philip K. Dick - Terence Mckenna [ Download ]

What Is Cyberpunk? - Rudy Rucker


Proximately, “cyberpunk” is a word coined by Gardner Dozois to describe the fiction of William Gibson. Gibson’s novel Neuromancer won the Science Fiction equivalent of the Triple Crown in 1985: the Hugo, the Nebula, and the Phil Dick award.

Obviously, a lot of SF writers would like to be doing whatever Gibson is doing right. At the 1985 National SF Convention in Austin there was a panel called “Cyberpunk.” From left to right, the panelists were me, John Shirley, Bruce Sterling, a nameless “moderator,” Lew Shiner, Pat Cadigan, and Greg Bear. Gibson couldn’t make it; he was camping in Canada, and the audience was a bit disappointed to have to settle for pretenders to his crown. Sterling, author of the excellent Schismatrix, got a good laugh by announcing, “Gibson couldn’t make it today, he’s in Switzerland getting his blood changed.” Talking about cyberpunk without Gibson there made us all a little uncomfortable, and I thought of a passage in Gravity’s Rainbow, the quintessential cyberpunk masterpiece:

On Slothrop’s table is an old newspaper that appears to be in Spanish. It is open to a peculiar political cartoon of a line of middle-aged men wearing dresses and wigs, inside the police station where a cop is holding a loaf of white . . . no it’s a baby, with a label on its diaper sez LA REVOLUCION . . . oh, they’re all claiming the infant revolution as their own, all these politicians bickering like a bunch of putative mothers . . .

SF convention panels normally consist of a few professional writers and editors telling old stories and deflecting serious questions with one-liners. Usually the moderator is a semi-professional, overwrought at being in public with so many SF icons, but bent on
explaining his or her ideas about the panel topic which he or she has chosen. The pros try
to keep the mike away from the moderator. The audience watches with the raptness of
children gazing at television, and everyone has a good time. It’s a warm bath, a love-in.
The cyberpunk panel was different. The panelists were crayfishing, the subnormal
moderator came on like a raving jackal, and the audience, at least to my eyes, began
taking on the look of a lynch mob. Here I’m finally asked to join a literary movement and
everyone hates us before I can open my mouth?
What is it about punk?

Back in the ’60s — now safe and cozy under a twenty-year blanket of consensus history — the basic social division was straight vs. hip, right vs. left, pigs ’n’ freaks, feds ’n’ heads. Spiro Agnew vs. Timothy Leary. It was a clear, simple gap that sparked and sputtered like a high-voltage carbon arc. The country was as close to civil war as it’s been in modern times. News commentators sometimes speak of this as a negative thing — burning cities, correct revolutionary actions, police riots — but there was a lot of energy there. ’60s people think of the old tension as “good” in somewhat the same way that ’40s people look back on the energy of WWII as “good.”

A simple dichotomy. But during the ’70s times got tough, and all the ’60s people got older.

What Is Cyberpunk? -Rudy Rucker [ Download ]

Reprinted from Rudy Rucker, Seek! (Four Walls Eight Windows, NY 1999).
Originally appeared in REM, #3, February, 1986. REM was a zine published by Charles Platt. I
added the Postscript to my essay (included here) in response to a letter from a reader, so I suppose the Postscript must have appeared in issue #4. The Mondo 2000 editors latched onto my phrase “How fast are you? How dense?” and used it in their ad campaigns and on some of their T-shirts.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ciencia, Divulgación Científica y Ciencia Ficción


«Cualquier tecnología suficientemente avanzada es indistinguible de la magia», afirma Arthur C. Clarke en la tercera de sus leyes en torno a la tecnociencia.

Para mucha gente, el uso de la más variada tecnología se reduce a apretar un botón y ver cómo, casi por arte de magia, lo que tan sólo hace años parecía imposible, ahora se hace realidad. La incomprensibilidad de estos hechos, se ve reforzada por el hecho que la ciencia y la tecnología, por sus propias características, permanecen en un mundo cerrado y acotado, formado por los expertos. No obstante, los estudios realizados entorno a la percepción social de la ciencia y la tecnología demuestran que existe un alto grado de confianza social en torno a la figura del científico. Incluso a pesar que para muchos los resultados de la ciencia sigan siendo una curiosa especie de magia incomprendida.

Resulta ya evidente el gran papel que la ciencia y la tecnología, la «tecnociencia» en suma, desempeña en el mundo actual. Se dice que hoy están en activo más investigadores y científicos de los que nunca antes habían existido en toda la historia de la Tierra, y la cruda realidad es que los descubrimientos de la tecnociencia están transformando nuestro mundo de forma a un tiempo inexorable y, posiblemente, irreversible.

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Is Science Fiction Science?


ROBERT L. KUHN: Do you see science fiction in other cultures having a different
character to them?

DAVID BRIN: Japanese science fiction uh, Brazilian science fiction and, very
interesting science fiction literature that arose out of the Soviet Union, out of enthusiastic
socialists, very different, in many ways, than ours. But if you travel around the world
you can, as a science fiction author, know the difference between those countries in
which science fiction is popular and that which it isn’t. In Japan people will pick me up
at the airport, in India they won’t.

OCTAVIA BUTLER: I remember going to a conference in New York, it was a African
Women of the Diaspora, called The Yari Yari Conference, actually, The Future of the
Future. There were a lot of people from third world countries where it wasn’t a matter of
press freedom so much as finding the necessities, a printing press for one, finding some
way to get your book on paper and then to distribute it, all yourself.

DAVID BRIN: But there’s another essential point for why this is an American literature
to some degree, and that is all of the propaganda mills coming out of the American
experience, promote suspicion of authority and to some degree, tolerance. As Octavia
was saying, there are a lot of cultures in which authority is a much more revered thing, or,
much more of a problematical thing in day-to-day life.

OCTAVIA BUTLER: Or, just in which there are a lot more needs that aren’t being met.

DAVID BRIN: That’s exactly right.

Entrevista com diversos autores - Closer to Truth [ Download ]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Lo mejor de la ciencia ficción russa - Jacques Bergier


Esta selección de cuentos ha nacido en la mente del editor, ante todo, como un antídoto contra la banalidad. En efecto, se ha convertido en tema normal de conversación, ampliamente aprovechado por periodistas y conferenciantes, hablar del «gran florecimiento», de la «extraordinaria importancia», de la ciencia-ficción en la Unión Soviética.

Cualquier persona, dotada de un mínimo de facilidad de palabra, es capaz de improvisar, al menos durante tres cuartos de hora, sobre el tema de la relación entre la fantasía de
ciencia-ficción y la mentalidad de la nueva clase de tecnócratas que está tomando las riendas del poder en la Unión Soviética. También los parangones entre la ciencia-ficción soviética y la americana está al alcance de cualquier mentalidad. Según el punto de vista del conferenciante, es posible escuchar que la ciencia-ficción soviética es inferior a la americana por un exceso de preocupaciones ideológico-políticas, o que es superior por su mayor limpieza moral y por un mayor y serio empeño humano.

Pero en cuanto se intenta pedir a estos locuaces conferenciantes que den algún nombre, que citen algún ejemplo concreto, entonces un velo de niebla empieza a caer sobre todo y a confundir peligrosamente los contornos. Pueden estar satisfechos si oyen citar al clásico Nosotros, de Zamjatin, o la Aelita, de Tolstoj, textos que pertenecen, queriendo ser benévolos, a la prehistoria de la ciencia-ficción. Por lo demás, la contestación que se les da más frecuentemente es que una búsqueda en este campo es muy complicada y que haría falta, un día u otro, afrontar el problema seriamente.

Ahora, el editor, persuadido de que la Unión Soviética no es la Luna, sino un país cercano y
contemporáneo nuestro, tal como lo son Francia, Estados Unidos, Alemania o el Congo, ha hecho lo más sencillo que quedaba por hacer, aunque hasta ahora nadie lo hubiese pensado: enfrentarse con el problema.

Se ha dirigido, para ello, a uno de los mayores expertos europeos en ciencia-ficción, el francés Jacques Bergier, autor de un ejemplar artículo sobre «Ciencia-ficción», en la Enciclopedia de la Pléyade, de Queneau, y habitual lector de la literatura soviética de anticipación. Pero no han faltado ayudas de la misma Unión Soviética. En primer lugar, tenemos el deber de agradecer a los hermanos Strugackij sus amplias sugerencias e informaciones y que hayan puesto a nuestra disposición material preciosísimo y difícilmente recuperable.

Una frase de una carta de los hermanos Strugackij podría citarse aquí como blasón para nuestro trabajo:
«Los cuentos que os hemos indicado, escribían los Strugackij, os los hemos propuesto, simplemente, porque, entre la producción de los últimos años, son los que más nos gustan a nosotros y a nuestros amigos apasionados por la ciencia-ficción». Por lo tanto, la finalidad de esta antología no es el hacer la historia de la ciencia-ficción en la URSS, sino de proporcionar una verdadera radiografía del estado de la ciencia-ficción en la Unión Soviética, en estos años pletóricos de sputniks, de luniks y de proyectos interplanetarios; de ofrecer al lector occidental una idea, lo más exacta posible, de la mentalidad particular, del tipo de imaginación fantástica, de la carga sentimental del ciudadano soviético que esté destinado, posiblemente, a ser en el breve plazo de unos meses el primer hombre en el espacio. Dudincev y Efremov, Dneprov y los Strugackij, dan del “homo sovieticus” una representación muy diferente a la que nos han acostumbrado los habituales conferenciantes.
Es, por esta razón, que un editor, bien decidido a no rendirse a las exigencias de la banalidad, se siente hoy orgulloso de ofrecer a sus lectores esta modesta pero concreta antología.

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¿Que es la Ciencia-Ficcion? - Yuli Kagarlitski


In his Chto Takoe Fantastika (What is SF?--Moskva: Khudozhestvennaya Literature, 1974 352p), Juliy Kagarlitsky, who received the 1972 SFRA Pilgrim Award, sets himself the task of defining SF in a literary and social context, appealing first to the historical antecedents of the genre and then to its main present-day concerns. He limits himself primarily to British and American authors, but the problems upon which he touches are not theirs alone. The low quality of much of the SF produced for the mass market has, in Kagarlitsky's estimation, caused the works of even the best writers to be unjustly slighted. As a result, the positive social role of SF has been minimized or ignored. Kagarlitsky intends that his book should help to remedy this situation.

Selecting several scientific concepts and tracing them through various works important in the history of SF, Kagarlitsky sets off to explore some of the conflicts inherent in the genre. While SF is undoubtedly based in the scientific knowledge and social reality of its time, and while it may use realistic literary devices, its effect is destroyed if the illusion of reality thus created is too complete. On the contrary, as he points out, SF demands a complex interaction of belief and disbelief in its explorations of the unknown aspects of the known. Kagarlitsky suggests a possibly productive comparison of myth with SF: both are only analogues of reality, but while myth is based on faith, SF is based on the "dialectics of the investigative mind."

The fruits of some of the more notable "investigative minds" are examined in the next two chapters. He devotes the second chapter to a brief history of the genre, beginning with Rabelais' Gargantua and Pantagruel and the Renaissance utopian fiction, continuing through Swift and Voltaire's Micromégas, and concluding with works from the Romantic period, of which the most important is Mary Shelley's Frankenstein. He selects Gulliver's Travels for a closer analysis of the interrelationship of scientific ideas and SF; specifically, the experiments of the Projectors of Lagado demonstrate that Swift was writing from a close knowledge of the scientific advances of his period.

The second and more extensive section of the book (ch.4-9) deals with some of the major elements which have been present in the SF of the last 100 years. Revealing a broad knowledge of the works of many British and American authors, Kagarlitsky devotes particular attention not only to their scientific, but also their social bases. In the chapter "Chronoclasm," for example, Kagarlitsky--referring to works by Wells, Asimov, Lem, Aldiss, Bradbury, Heinlein and others--mentions some of the philosophical and social problems explored through time-travel. Moreover, he suggests that the preoccupation of writers with this device is a measure of their interest in the problems of history and the direction of the future. One result is the relatively new "historical novel about the future," exemplified here by John Wyndham's The Chrysalids.

Chapter 5 is devoted to the discussion of American mass-market SF. Although he deplores its low quality (earlier he had pointed out that in its unquestioning absorption of often pseudo-scientific ideas it resembles myth more than it does true SF), he sees in it, especially in the "space operas," a reflection of the epic element present in all SF, and proposes that it derives its popularity and distinctively American flavor from wholesale borrowing from Westerns. At the same time, he does acknowledge the high quality of much American SF.

In the next three chapters, Kagarlitsky discusses in considerable detail the reaction of SF to the social problems created or threatened by changing conceptions of the world, of man and of the role of technology. He deals with the social uses, as seen by SF, of such concepts as personal immortality, telepathy and robots. This analysis is extended in his last chapter, "SF, Utopia, Anti-utopia," which examines the SF portrayal of societies, ideal or otherwise. Although he has already passed the early utopias in review, he discusses them here in more depth. In addition, he treats anti-utopias such as Wells' Time Machine, Huxley's Brave New World, Orwell's 1984 and Bradbury's Fahrenheit 451, characterizing them as critical evaluations of progress and, incidentally, refuting claims that anti-utopias such as 1984 were aimed against communist states. Finally, he turns to visions of future societies in contemporary SF, enumerating frequent targets such as the desirability of prosperity, over-dependency on machines, or personality leveling. Particularly timely, in view of our present preoccupation with the return to the simple life, is Kagarlitsky's discussion of what he terms the Rousseauist utopia. Utopias such as B.F. Skinner's Walden Two are futile, in his opinion, since they are moving in an anti-historical direction by rejecting progress, and he interprets them as essentially, although not necessarily intentionally, reactionary. He sees the pessimism of many Western SF writers as a function of their limiting themselves to visions of progress only along the lines of bourgeois materialistic societies.

Whether or not one agrees with Kagarlitsky that the utopia for which British and American writers are searching lies in communism, he offers a valuable interpretation of the interaction of SF, and in particular of its basic themes, with society. This is both the strength and the limitation of his approach to what is after all fiction rather than futurology. Perhaps such an exclusive stress results from his popularizing intention, which is here pleasingly fused with solid erudition. Thus, although Kagarlitsky may not, as he confesses in his introduction, have provided a definitive answer to the question "What is SF?", he has instead suggested some promising lines of research on a number of basic problems with which modern SF deals, and on how it historically came to do so.

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terça-feira, 3 de março de 2009

A Pertinência do irreal


Ao imaginar futuros, a ficção científica faria de si uma memória de um tempo imaginário, que comunica mais do momento em que foi constituída do que pretende vislumbrar de tempos que, via de regra, jamais se constituirão. E assim nós, no futuro não previsto por esse passado, nosso presente que se volta para ele, podemos ver ao fundo do abismo do tempo um rosto que desejou futilmente fitarnos e no qual reconhecemos um olhar indagador que buscou saber como seríamos.

E, nesse ciclo de olhares, vislumbramos também o quanto o passado pode ser entendido como um espaço imaginário, tal como o presente será receptáculo da imaginação futura, e as eras futuras já o são para os que hoje as imaginam.

A PERTINÊNCIA DO IRREAL: RECONHECENDO FACES INEXPLORADAS NA FICÇÃO ESPECULATIVA - Vidal A. A. Costa [ Download ]

Monteiro Lobato e a ficção científica



Verne e Lobato: em busca de “saber” e “viagem”

Jules Verne foi um dos autores de ficção científica do século XIX mais lidos e imitados no
Brasil.1 O fascínio despertado por suas narrativas, que não somente exploravam as novidades
científicas da época, mas igualmente se passavam num futuro indeterminado, fizeram sonhar
muitos meninos e meninas brasileiros do final do século XIX, entre eles um menino de
Taubaté, José Bento Monteiro Lobato.

Na sua correspondência por mais de 40 anos, com seu amigo de juventude Godofredo Rangel, reunida no livro A Barca de Gleyre, Monteiro Lobato refere-se a Jules Verne em duas cartas (14.05.1907 e 12.01.1910) e no seu universo ficcional, no que se refere à sua literatura infantil, o autor fala, através de suas personagens, da impressão causada pelos livros de Verne. Em Serões de Dona Benta (1935),2 após as aulas de astronomia dadas por Dona Benta quotidianamente, Pedrinho começa a imaginar uma viagem à Lua, fala de Jules Verne e de suas premonições científicas, quase todas já realizadas: “Todos os romances de Júlio Verne são realidade, não são mais fantasia ; porque o livro Da Terra à Lua não iria se realizar?” (p. 169). Pedrinho refere-se ao livro de Jules Verne De la Terre à la Lune, no qual o autor conta a estranha viagem de um dos membros do Gun-Club à Lua.

No entanto, o livro francês nos deixa sem respostas sobre o destino da personagem; Verne parece não poder ultrapassar a linha da ciência e da realidade. Contrariamente ao seu antecessor, Lobato escreveu, sem pudores, sobre o jamais visto e vivido e se aventurou por terrenos “estrangeiros”, fazendo suas personagens, com o simples poder da imaginação, flutuar em plena Via-Láctea, conhecer São Jorge ou encontrar marcianos, no livro Viagem ao Céu de 1932. Nesta aventura, os picapauzinhos colocam em prática as aulas de astronomia e ciência dadas por Dona Benta, tão necessárias aos pequenos “positivistas” lobatianos.

Monteiro Lobato e a ficção científica: a “irradiação” da obra de Jules Verne no romance Choque das Raças ou O Presidente Negro - Flavia Mara de Macedo [ Download ]

segunda-feira, 2 de março de 2009

Bajo el Signo de Alpha - Coletanea Ciencia Ficcion y Fantasia Mexicana

Índice
Náyade
Visión de los vencidos
Se ha perdido una niña
Padre chip
Y3K
Dólares para una ganga
Llegar a la orilla
Perro de Luz
El rescate
Vuelo libre
El Libro de García
Los crímenes que conmovieron al mundo

Bajo el Signo de Alpha - Coletanea Ciencia Ficcion y Fantasia Mexicana [ Download ]

Historia de la Ciencia-Ficcion Moderna - 1911-1971 - Jacques Sadoul



La obra que tiene ante sí es una historia de la ciencia-ficción y nada más. No aspira en absoluto a una comprensión global del género, a un genial esfuerzo de síntesis, a la elaboración de una metafísica. Por otra parte, perdido como me encontraba en el mosaico de los centenares de relatos analizados, me habría resultado muy difícil disponer de una visión de conjunto y poder aplicar a ella una reflexión sintética. Dejo esa tarea a otros, esperando serles de utilidad al entregarles este estudio cronológico, que puede constituir un
punto de partida.

A fin de que el lector no se sienta también perdido en el gran número de títulos citados, esbozaré ahora la evolución de la C-F en los Estados Unidos desde 1911 hasta 1971, y haré otro tanto, referido a Francia, en la segunda parte del libro. Por lo que atañe al mundo anglosajón, he dividido el período considerado en siete capítulos de desigual longitud que me ha parecido corresponden a períodos esenciales en el desarrollo de la C-F. El título de cada
capítulo representa la idea motriz, la clave del período en cuestión.

Fundación (1911-1925): Al principio de este capítulo, explico por qué he elegido el mes de abril de 1911, fecha arbitraria, pero práctica, como se verá.
En realidad, en los países anglosajones la fundación de la C-F moderna comienza
a finales del siglo pasado. Abundan las utopías o contrautopías, y es innumerable la descendencia de Bellamy, por ejemplo. Las imitaciones de H. Rider Haggard invaden la literatura popular, que se encuentra entonces en las Dime novels, es decir, novelas baratas publicadas bajo la forma de pequeñas revistas. Los libros de H. G. Wells han aportado una nueva fuente de inspiración a estos autores populares, que agregarán los viajes por el
tiempo a sus temas habituales. Por último, la influencia de Julio Verne continúa viva y se mezcla frecuentemente en las Dime novels con la de Wells para llegar a la creación de novelas de aventuras con base seudocientífica (inventos delirantes, sabios locos, etc.). Al final de este capítulo, en 1925, tendremos ya toda una literatura de ciencia-ficción moderna o de sciencefantasy perfectamente definida, aunque falta todavía por precisar el uso de estos dos términos. La mejor prueba de ello es que la reedición de numerosas novelas aparecidas en esta época continúa siendo práctica corriente en los Estados Unidos en las colecciones de bolsillo especializadas. En 1925, la ciencia-ficción, tal como la concebimos hoy, se halla ya sólidamente establecida, pero le falta un punto de focalización, un cristalizador, que le permita diferenciarse de otras publicaciones populares con las que estas obras
se encuentran mezcladas.

Cristalización (1926-1933): Al crear en abril de 1926 la primera revista de ciencia-ficción Amazing Stories, Hugo Gernsback será el verdadero padre de la CF moderna en cuanto género separado. Algunos se lo reprocharán, estimando que ha encerrado así a la C-F en un ghetto y le ha cortado todo contacto con la literatura general. Esto es un absurdo, pues la ciencia-ficción de los años 1900-1925 no tenía la menor relación con la literatura general, sino con la novela folletín y las obras populares de más bajo nivel (a excepción, desde luego, de los últimos textos de Wells y London). Sin duda alguna, habría continuado
enmoheciéndose allí durante años, sin esperanza de salir, si Gernsback no la hubiera dotado de autonomía. Según confesión del propio Hugo Gernsback, tres maestros presidirán los destinos de la nueva revista: H. G. Wells, Julio Verne, Edgar Allan Poe. Esto no puede sorprendernos. La Ciencia (o, mejor dicho, las ideas científicas) aparecían como el cimiento de casi todos los textos de esta época. La Máquina, a la vez producto y derivado de la Ciencia, desempeña en ellos un papel preponderante. Por regla general, se halla al servicio del
hombre y le permite conquistar otros mundos u otras dimensiones, pero, a veces,
se vuelve contra él, ya sea por sí misma, ya sea en manos de algún sabio loco.
A partir de 1930, cierto número de nuevos autores utilizarán sus relatos de ciencia-ficción como vehículo de una crítica de la civilización contemporánea. Las clases sociales, el derecho de propiedad, la fuerza del dinero, el poder de los Bancos, la explotación de los trabajadores, etc., comienzan a ser objeto de acusación. Fue éste, sin duda, un fenómeno no previsto por Gernsback y que se ha desarrollado de manera autónoma, quizás, incluso, contra su voluntad. A finales de 1933, la ciencia-ficción sufre su primera mutación, y es esta palabra la
que servirá de título a mi tercer capítulo.

Mutación (1934-1938): Este período se halla influido por la personalidad de F. Orlin Tremaine, redactor jefe de la revista Astounding Stories, creada en enero de 1930. Tremaine no era un aficionado a la ciencia-ficción, sino un profesional de la edición, cuyo espíritu se hallaba extraordinariamente abierto a toda clase de novedades. Su finalidad confesada fue solamente hacer una revista mejor que la de sus dos competidores de entonces. Trató, así, de crear una ciencia-ficción fundada en ideas nuevas, provocadoras; sobre todo, no fijó ningún límite a la clase de temas que aceptaba publicar. Fue así como aparecieron relatos
tomados directamente de la época y criticando el racismo, la xenofobia, el ascenso del totalitarismo nazi, etc., a la manera de puras narraciones de aventuras espaciales o temporales. Llegó, incluso, hasta a abandonar el sacrosanto principio del texto con base científica, aceptando en sus columnas a autores de science-fantasy, tales como H. P. Lovecraft o Catherine L. Moore. Sin embargo, si bien la Ciencia no desempeña ya el primer papel, continúa siendo la aliada del hombre, y la Máquina se convierte en su apoyo para lanzarse hasta los confines de la galaxia e, incluso, como veremos, más allá.

Recolección (1939-1949): La calidad de Astounding Stories y el choque provocado en el público por las ideas de sus autores formarán toda una nueva generación de jóvenes escritores que se revelará entre finales del año 1938 y comienzos de 1940. F. Orlin Tremaine abandonó la dirección de su revista y eligió para sucederle a un joven autor de space opera (es decir, de aventuras espaciales épicas), J. W. Campbell Jr. Éste era un fanático de la C-F y, al mismo tiempo, un espíritu científico que ha seguido cursos avanzados de Física. Dotado
de un temperamento muy autoritario, ejercerá considerable influencia sobre todos
los jóvenes escritores que aparecieron en esa época, pues les exigió relatos mucho más cuidados en cuanto al estilo y basados en elementos científicos más sólidos. Se produjo entonces el apogeo de la ciencia-ficción clásica, que duró hasta 1945: el Homo triomphans, servido por las máquinas amigas y la ciencia fiel, iba a conquistar el Universo. Cuando la bomba atómica fue lanzada sobre Hiroshima, se derrumbó el mito de la ciencia «buena» y amiga del hombre. Esto lo sintieron los autores de ciencia-ficción tanto más cuanto que habían creído sinceramente en ella, más quizá que el conjunto de los intelectuales, con
exclusión de los propios científicos. Surgen entonces numerosos y sombríos relatos de mundos post-atómicos bajo la pluma de autores hasta entonces optimistas: se sabe ya que los sabios locos no son los más peligrosos. Pero Campbell tiene una solución de recambio que proponer: en lugar de servir de vehículo a los mitos de la Ciencia o de cantar las alabanzas de sus máquinas, la ciencia-ficción se dedicará en lo sucesivo a prever el Futuro. La idea era
astuta, pues el mundo de los hombres vivía entonces en el terror del peligro atómico, al haberse instalado la guerra fría entre el Este y el Oeste desde el final de la Segunda Guerra Mundial. ¿Cuál sería en lo sucesivo el futuro del hombre, si es que le quedaba algún futuro? Sin duda, un numeroso público creyó poder encontrar la respuesta a esta pregunta en las revistas de ciencia-ficción, pues a comienzos de los años 50 se multiplicaron de manera considerable, lo que me da el título del capítulo siguiente.

Proliferación (1950-1957): En el espacio de tres años, el número de las revistas de ciencia-ficción va a pasar de una docena a más de cuarenta. Al mismo tiempo, se opera una metamorfosis: los pulps, 12 es decir, las revistas populares de formato bastante grande que habían sucedido a las Dime novéis de principios de siglo, desaparecen y ceden el puesto a los formatos digest. Entre los nuevos títulos, uno de ellos, Galaxy, dirigido por Horace L. Gold, desbancará desde su aparición a todos los títulos antiguos o nuevos. Esta revista ofrece una cienciaficción a la vez más literaria y más adulta sobre temas con frecuencia nuevos;
por ejemplo, el reconocimiento de los derechos cívicos de los androides en la sociedad del futuro. Un tema semejante da por supuesto, evidentemente, el reconocimiento de los derechos cívicos de los negros, y las revistas de C-F son casi los únicos órganos en que será respetada la libertad de expresión en este período de maccarthysmo. La conquista del espacio no es pensada solamente en términos de exploración o de guerra, sino esencialmente desde el punto de vista económico o comercial. En el plano puramente terrestre, además del
peligro atómico, los autores se preocupan de la explosión demográfica, del absurdo de la civilización industrial y de los problemas de la contaminación.
Se está ya en el mañana. Y, luego, en 1957, los rusos envían al espacio el primer sputnik. Gran número de jóvenes aficionados a la C-F (la mayoría del público se sitúa entre los trece y los veinticinco años) se da cuenta entonces con estupor de que las predicciones de los autores de ciencia-ficción se convierten en realidad. Pero el futuro, exaltado por las revistas de
abigarradas portadas bajo los colores de la aventura y de la epopeya, resulta no ser más que una técnica aburrida e impersonal. ¿Por qué seguirse interesando en ella? Y es la recesión, brutal, rápida.

Recesión (1958-1965): En el transcurso de pocos años, el número de revistas descenderá de 41 a 6. Los nuevos autores ignoran deliberadamente la Ciencia o la desprecian. No les parece que la predicción tenga ya interés ni para ellos mismos ni para sus lectores. ¿Hacia qué se volverán en lo sucesivo? Es un período de marasmo desde el punto de vista económico y de
titubeos entre los escritores que perciben la necesidad de abandonar los caminos trillados, pero no ven aún la dirección a tomar. Los ingleses creen encontrar la respuesta en las investigaciones formales de la revista New Worlds. La forma prevalece sobre el fondo, y la calidad del estilo se convierte en su preocupación dominante. Irán incluso más lejos, avanzando sobre las huellas de Raymond Roussel y de los autores de una lejana «vanguardia».13 El camino carecía por sí solo de salida, pero fue fecundo para el conjunto de los autores del género, que comprendieron que los problemas de estilo y de composición debían en lo sucesivo pasar al primer plano de sus preocupaciones. Ésta fue la primera etapa hacia la renovación.

Resurrección (1966-1971): Los autores contemporáneos procuran a partir de entonces, primeramente, escribir buena literatura y, luego, ciencia-ficción. Para ellos, la noción de ciencia queda ya completamente abandonada: es puesta entre paréntesis, relegada al almacén de los accesorios usados. Paralelamente, la science-fantasy, esa mezcla de C-F pura y del género maravilloso o fantástico, que ha sufrido un cierto eclipse durante el período
clásico (a causa de la desaparición de los pulps especializados, Unknown y, luego, Weird Tales), retorna vigorosamente, pero bajo las características de un nuevo estilo más épico, la Heroic-fantasy. Sería por ello erróneo querer simplificar hasta el extremo, como han hecho algunos, pretendiendo reunir en una misma escuela a todos los jóvenes escritores, como había sucedido en Inglaterra. Los grandes antiguos, si puedo decirlo así, y algunos jóvenes
autores de talento escriben todavía ciencia-ficción tradicional; otros autores veteranos y nuevos escritores han superado, por el contrario, una etapa y conciben en lo sucesivo sus obras de ciencia-ficción, no ya como orientadas hacia el futuro, sino como una crítica del presente. Se vuelve a lo que se había intentado en los años 33-37, pero de manera más profundizada, más adulta, más lúcida. El Hombre, que con frecuencia había sido dejado de
lado para ocuparse de los extraterrestres o estudiado solamente desde el punto de vista de sus reacciones a los acontecimientos exteriores, se torna ahora primordial en esta nueva forma de C-F. Su espíritu, sus fantasmas, su inconsciente mismo, son explorados, disecados. Ésta es, por otra parte, la causa de que los viejos aficionados no reconozcan ya el género literario que han amado y consideren estúpida y pretenciosa la ciencia-ficción
contemporánea, mientras que los nuevos lectores admiran solamente las producciones de estos últimos años, considerando polvorientas y caducas todas las antiguallas de antes de la guerra e, incluso, obras más recientes.
Estas dos actitudes son igualmente absurdas y sólo manifiestan el extremismo —es decir, la falta de madurez intelectual— de quienes las doptan. Cada época de la C-F, desde principios de siglo hasta nuestros días, aporta grandes alegrías a quienes saben descubrirlas. Confío en que este estudio será el hilo de Ariadna que le permitirá a usted encontrarlas.

INTRODUCCIÓN
I. EL CAMPO ANGLOSAJÓN
I. Fundación (1911- 1925)
«Argosy» y otros «Munsey magazines»; Weird Tales; Inglaterra.
II. Cristalización (1926 - 1933)
Amazing Stories; Science Wonder Stories; Astounding Stories of Super Science
Argosy; Weird Tales; Otras revistas; Obras aparecidas en librerías, El «Fandom»
III. Mutación (1934 - 1938)
«Astounding Stories»; Amazing Stories; Wonder Stories; Argosy; Weird Tales; Inglaterra; «Fandom»
IV. Recolección (1939 - 1949)
Astounding Science-Fiction; Amazing Stories; Startling Stories y Thrilling Wonder Stories; Otras revistas; Weird Tales; Unknown; Obras aparecidas en librerías; Inglaterra; «Fandom».
V. Proliferación (1950 - 1957)
Galaxy; F & SF; Astounding Science-Fiction; Otras revistas; Obras aparecidas en librerías; «Fandom».
VI. Recesión (1958 - 1965)
Galaxy; If; «F & SF»; Astounding Science-Fiction; Analog; Amazing Science-Fiction; Obras aparecidas en librerías; Inglaterra.
VII. Resurrección (1966 - 1971)
Galaxy; «F & SF»; Analog; Amazing Science-Fiction; New Worlds.
I. EL CAMPO FRANCÉS (1905-1972)
VIII. Ayer....(1905 - 1949)
IX. ....Y mañana (1950 - 1972)
Periodo 1950 - 1955; Segundo periodo 1956 - 1961; Tercer periodo 1962 – 1972.

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domingo, 1 de março de 2009

La naranja mecánica exprimida de nuevo



Publiqué la novela A Clockwork Orange en 1962, lapso que debería haber bastado para borrarla de la memoria literaria del mundo. Sin embargo se resiste a ser borrada, y de esto la versión cinematográfica de Stanley Kubrick es la principal responsable.

De buena gana la repudiaría por diferentes razones, pero eso no está permitido. Recibo cartas de estudiantes que tratan de escribir tesis sobre la novela, o peticiones de dramaturgos japoneses para convertirla en una suerte de obra de teatro noh. Así pues, es altamente probable que sobreviva, mientras que otras obras mías que valoro más muerden el polvo. Esta no es una experiencia inusual para los artistas. Rachmaninoff solía lamentarse de que se le conociera principalmente por un Preludio en Do menor sostenido que compuso en la adolescencia, mientras que sus obras de madurez no entraban nunca en los programas.

Los niños afilan sus dientes pianísticos en un Minueto en Sol que Beethoven compuso sólo para poder detestarlo. Tendré que seguir viviendo con La naranja mecánica, y eso significa que me liga a ella un cierto deber de autor. Tengo un deber muy especial hacia ella en los Estados Unidos, y será mejor que explique en qué consiste.

Expondré la situación sin rodeos.

La naranja mecánica nunca ha sido publicada completa en Norteamérica.

El libro que escribí está dividido en tres partes de siete capítulos cada una. Recurra a su calculadora de bolsillo y descubrirá que eso hace un total de veintiún capítulos. 21 es el símbolo de la madurez humana, o lo era, puesto que a los 21 tenías derecho a votar y asumías las responsabilidades de un adulto. Fuera cual fuese su simbología, el caso es que 21 fue el número con el que empecé. A los novelistas de mi cuerda les interesa la llamada numerología, es decir que los números tienen que significar algo para los humanos cuando éstos los utilizan. El número de capítulos nunca es del todo arbitrario.

Del mismo modo que un compositor musical trabaja a partir de una vaga imagen de magnitud y duración, el novelista parte con una imagen de extensión, y esa imagen se expresa en el número de partes y capítulos en los que se dispondrá la obra. Esos veintiún capítulos eran importantes para mí.

Pero no lo eran para mi editor de Nueva York. El libro que publicó sólo tenía veinte capítulos. Insistió en eliminar el veintiuno. Naturalmente, yo podía haberme opuesto y llevar mi libro a otra parte, pero se consideraba que él estaba siendo caritativo al aceptar mi trabajo y que cualquier otro editor de Nueva York o Boston rechazaría el manuscrito sin contemplaciones. En 1961 necesitaba dinero, aun la miseria que me ofrecían como anticipo, y si la condición para que aceptasen el libro significaba también su truncamiento, que así fuera. Por tanto hay una profunda diferencia entre La naranja mecánica que es conocida en Gran Bretaña y el volumen algo más delgado que lleva el mismo título en los Estados Unidos de América.

Sigamos adelante.
El resto del mundo recibió sus ejemplares a través de Gran Bretaña, y por eso la mayoría de las versiones (ciertamente las traducciones francesa, italiana, rusa, hebrea, rumana y alemana) tienen los veintiún capítulos originales. Ahora bien, cuando Stanley Kubrick rodó su película, aunque lo hizo en Inglaterra, siguió la versión norteamericana, y al público fuera de los Estados Unidos le pareció que la historia acababa algo prematuramente. No es que los espectadores exigieran la devolución de su dinero, pero se preguntaban por qué Kubrick había suprimido el desenlace. Muchos me escribieron a propósito de eso; la verdad es que me he pasado buena parte de mi vida haciendo declaraciones xerográficas, de intención y de frustración de intención, mientras que Kubrick y mi editor de Nueva York gozaban tranquilamente de la recompensa por su mala conducta. La vida, por supuesto, es terrible.

¿Oué ocurría en ese vigésimo primer capítulo? Ahora tienen la oportunidad de averiguarlo. En resumen, mi joven criminal protagonista crece unos años. La violencia acaba por aburrirlo y reconoce que es mejor emplear la energía humana en la creación que en la destrucción. La violencia sin sentido es una prerrogativa de la juventud; rebosa energía pero le falta talento constructivo. Su dinamismo se ve forzado a manifestarse destrozando cabinas telefónicas, descarrilando trenes, robando coches y luego estrellándolos y, por supuesto, en la mucho más satisfactoria actividad de destruir seres humanos. Sin embargo, llega un momento en que la violencia se convierte en algo juvenil y aburrido. Es la réplica de los estúpidos y los ignorantes. Mi joven rufián siente de pronto, como una revelación, la necesidad de hacer algo en la vida, casarse, engendrar hijos, mantener la naranja del mundo girando en las rucas de Bogo, o manos de Dios, y quizás incluso crear algo, música por ejemplo. Después de todo Mozart y Mendelssohn compusieron una música celestial en la adolescencia o nadsat, mientras que lo único que hacía mi héroe era rasrecear y el viejo unodós-unodós. Es con una especie de vergüenza que este joven que está creciendo mira ese pasado de destrucción. Desea un futuro distinto.

En el vigésimo capítulo no hay ningún indicio de este cambio. El chico es condicionado y luego descondicionado y contempla con júbilo la recuperación de una voluntad libre y violenta. «Sí, yo ya estaba curado», dice, y así concluyen el libro norteamericano y la película. El capítulo veintiuno concede a la novela una cualidad de ficción genuina, un arte asentado sobre el principio de que los seres humanos cambian. De hecho, no tiene demasiado sentido escribir una novela a menos que pueda mostrarse la posibilidad de una transformación moral o un aumento de sabiduría que opera en el personaje o personajes principales. Incluso los malos bestsellers muestran a la gente cambiando. Cuando una obra de ficción no consigue mostrar el cambio, cuando sólo muestra el carácter humano como algo rígido, pétreo, impenitente, abandona el campo de la novela y entra en la fábula o la alegoría. La Naranja norteamericana o de Kubrick es una fábula; la británica o mundial es una novela.

Pero mi editor de Nueva York veía mi vigésimo primer capítulo como una traición. Era muy británico, blando, y mostraba una renuencia pelagiana a aceptar que el ser humano podía ser un modelo de maldad impenitente. Venía a decir que los norteamericanos eran más fuertes que los británicos y no temían enfrentarse a la realidad. Pronto se verían enfrentados a ella en Vietnam.

Mi libro era kennediano y aceptaba la noción de progreso moral. Lo que en realidad se quería era un libro nixoniano sin un hilo de optimismo. Dejemos que la maldad se pavonee en la página y hasta la última línea y se ría de todas las creencias heredadas, judía, cristiana, musulmana o cualquier otra, y de que los humanos pueden llegar a ser mejores.
Un libro así sería sensacional, y lo es.

Pero no creo que sea una imagen justa de la vida humana.

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Anthony Burgess - Entrevista (The Art of Fiction n°48)

INTERVIEWER
Do you imagine an ideal reader for your books?

BURGESS
The ideal reader of my novels is a lapsed Catholic and failed musician, short-sighted, color-blind, auditorily biased, who has read the books that I have read. He should also be about my age.

INTERVIEWER
A very special reader indeed. Are you writing, then, for a limited, highly educated audience?

BURGESS
Where would Shakespeare have got if he had thought only of a specialized audience? What he did was to attempt to appeal on all levels, with something for the most rare ed intellectuals (who had read Montaigne) and very much more for those who could appreciate only sex and blood. I like to devise a plot that can have a moderately wide appeal. But take Eliot’s The Waste Land, very erudite, which, probably through its more popular elements and its basic rhetorical appeal, appealed to those who did not at rst understand it but made themselves understand it.
The poem, a terminus of Eliot’s polymathic travels, became a starting point for other people’s erudition. I think every author wants to make his audience. But it’s in his own image, and his primary audience is a mirror.

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Clockwork Orange - Roteiro de Anthony Burgess


INT. KOROVA MILKBAR - NIGHT
Tables, chairs made of nude fibreglass figures.
Hypnotic atmosphere.
Alex, Pete, Georgie and Dim, teenagers stoned on their milk-plus, their feet resting on faces, crotches, lips of the sculptured furniture.

ALEX (V.O.)
There was me, that is Alex, and my three droogs, that is Pete, Georgie and Dim and we sat in the Korova milkbar trying to make up our rassoodocks what to do with the evening. The Korova Milk Bar sold milkplus, milk plus vellocet or synthemesc or drencrom which is what we
were drinking. This would sharpen you up and make you ready for a bit of the old ultra-violence. Our pockets were full of money so there was no need on that score, but, as they say, money isn't everything.

INT. PEDESTRIAN UNDERPASS TUNNEL - NIGHT
A Tramp lying in tunnel, singing.

TRAMP
In Dublin's fair city
Where the girls are so pretty
I first set my eyes on sweet Molly Malone
As she wheeled her wheelbarrow
Through streets wide and narrow...

Shadows of the boys approaching fall across Tramp.

TRAMP
Crying cockless and mussels alive,
Alive O...
Alive, alive O... Alive, alive O...
Crying cockless and mussels alive,
Alive O...

ALEX (V.O.)
One thing I could never stand is to see a filthy, dirty old drunkie, howling away at the filthy songs of his fathers and going blerp, blerp in between as it might be a filthy old orchestra in his stinking rotten guts. I could never stand to see anyone like that, whatever his age might be, but more especially when he was real old like this one was.

The boys stop and applaud him.

TRAMP
Can you... can you spare some cutter, me brothers?

Alex rams his stick into the Tramp's stomach.
The boys laugh.

TRAMP
Oh-hhh!!! Go on, do me in you bastard cowards. I don't want to live anyway, not in a stinking world like this.

ALEX
Oh - and what's so stinking about it?

TRAMP
It's a stinking world because there's no law and order any more. It's a stinking world because it lets the young get onto the old like you done. It's no world for an old man any more. What sort of a world is it at all? Men on the moon and men spinning around the earth and there's
not no attention paid to earthly law and order no more.

The Tramp starts singing again.

TRAMP
Oh dear land, I fought for thee and brought you peace and victory.

Alex and gang move in and start beating up on old Tramp.



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Anthony Burgess

John Burgess Wilson ou Anthony Burgess (15 de Fevereiro de 1917 - 22 de Novembro de 1993), nasceu em Manchester, Inglaterra. Foi um prolífico romancista, crítico literário, jornalista, teatrólogo, roteirista, ensaísta, poeta, redator de turismo, tradutor e oficial educador (durante a segunda guerra). Morou no sul da ásia, nos Estados Unidos e em varios paises europeus.
De sua autoria sao ensaios renomados sobre as obras de Joyce, Hemingway, Shakespeare e Lawrence.
Traduziu e adaptou trabalhos como Cyrano de Bergerac, Oedipus the King e Carmen para o teatro. Compôs para orquestra e câmara.
Entre outros trabalhos, ficou conhecido por ter escrito e adaptado para o cinema, seu polêmico 'Laranja Mecânica' (Clockwork Orange - dirigido por Stanley Kubrick em 1971), que conta a história de Alex, um adolescente que com seus amigos sempre drogados, em um mundo futuro (?) distópico, repleto de violência e crueldade. Segundo o autor, Alex possui os atributos principais de todo ser humano, mas por ser jovem, não compreende a verdadeira importância da liberdade e a disfruta de um modo violento. Em certo sentido, vive no Éden e somente quando é capturado e preso, parece ser capaz de transformar-se em um ser humano.
O filme foi banido da Inglaterra por 27 anos e foi apelidado de 'pesadelo inglês', pelos tabloides sensacionalistas ingleses.

Segundo seus críticos, Burgess via a carreira de escritor como um negócio, aceitando a máxima de Samuel Johnson, que dizia que 'somente um tolo não escreve por dinheiro.'

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