segunda-feira, 31 de agosto de 2009

No espaço ninguém pode ouvir seu grito


Em parte porque há pouco terror por lá.

No ano passado a NASA respondeu a um pedido do Freedom of Information Act que solicitava:

1-A lista, índice ou diretório ou catálogo de livros recreacionais para leitura no tempo de folga, mantido na ISS (Estação Espacial Internacional).

2-A lista, índice ou diretório ou catálogo de filmes e programas de televisão mantido na ISS.

3-A lista, índice ou diretório ou catálogo de livros de música mantido na ISS.

A resposta da NASA forneceu alguns vislumbres interessantes sobre os hábitos de leitura de nossos homens no espaço.

Não é nenhuma surpresa que os livros de Sci-Fi são os favoritos na estação espacial.

No entanto pode ser uma surpresa que Lois McMaster Bujold, autor da série Vorkosigan Saga, é o autor com mais títulos no espaço (com 8 livros), junto com David Weber e a série Honor Harrington (8 livros). Isaac Asimov tem apenas dois livros que orbitam o planeta. Jules Verne tem apenas um. Arthur C. Clark não está representado e H.G. Wells continua a ser um escritor estritamente terrestre.

Fiquei surpreso ao ver que o livro de auto-ajuda TEN DAY MBA aparece na prateleira da ISS.
O aprendiz de capitalista diria: "Claro, ser um astronauta é bacana e tudo mais - mas um dia eu vou ter que conseguir um emprego de verdade".

Talvez o mais estranho livro na prateleira do ISS é de Wayne Grudem, Teologia Sistemática: Uma introdução a Doutrina Bíblica, um tijolo de 1.200 páginas sobre interpretação bíblica contemporânea. A inclusão deste livro é ainda mais estranha, considerando que nas prateleiras da estação espacial não há uma Bíblia.

Eles no entanto tem A Origem das Espécies, de Darwin.

O único romance de horror disponível para astronautas é Winter Haunting de Dan Simmons, uma história de assombração sobre um homem que retorna à sua pequena cidade natal para enfrentar o sobrenatural.

Isto sugere que a Lei de Barker (a hipótese de Clive Barker, de que em cada lar americano há uma Bíblia e um livro de Stephen King) não ocorre no espaço.

Partindo do princípio que os cérebros no controle de terra decidiram, em algum momento, que a última coisa que um monte de caras presos em uma pequena coleção de latas pressurizadas flutuando em um enorme vazio precisavam, era de filmes para enlouquecê-los, há pouquíssimos filmes de terror à bordo da ISS. Mesmo os títulos que podem ser considerados de terror, possuem um tanto de ação, thriller, ou são do gênero Sci-Fi.

O Relatório da NASA diz que King Kong está disponível, ainda que não esteja claro se os astronautas estão assistindo o clássico original ou a versão CGI de Jackson. Stir of Echoes, estrelado por Kevin Bacon, é mantida a bordo da ISS. Por fim, O Sexto Sentido orbita sobre nós, embora, sinceramente, só é assistido uma vez a cada missão. Uma vez que os astronautas assistem e sabem seu final, o filme passa a ganhar poeira espacial na prateleira, até um novo lote de novatos.

O que vocês acham? Devemos comprar para a NASA, o dvd de Alien, para a Estação Espacial Internacional?


Retirado do blog And now the screaming starts


Description of document: NASA List of books, movies, television shows, and music maintained on the International Space Station (ISS) for recreational/off-duty consumption
Requested date: 10-April-2007
Released date: 23-April-2008
Posted date: 29-April-2008
Source of document: JSC FOIA Public Liaison Officer
Johnson Space Center





domingo, 30 de agosto de 2009

Entrevista com Brian Aldiss



Brian W. Aldiss é uma das lendas vivas da Ficção Científica britânica.

Nascido em 1925, começou a publicar seus contos em meados dos anos 50, e alguns anos depois teve início a sucessão de livros de Ficção Científica que o tornariam famoso.

Fortemente associado com a New Wave britânica da década de 60, Aldiss é um experimentador literário radical desde então e continua a ser uma voz distinta na FC e fora dela. Um estilista, um ambicioso, um pensador audacioso da inventiva ficção especulativa, um crítico moral e um brilhante contador de histórias. Ele é, além disso, um dos mais importantes historiadores da FC.



Pergunta: Você comemorou recentemente o 50 º aniversário da publicação de seu primeiro conto. Olhando para trás para sua obra extraordinariamente rica e variada, qual parece ser para você, os maiores destaques? Qual de seus livros te deixa mais orgulhoso?


Aldiss: Estou orgulhoso de ter escrito um livro: When the Feast is finished (1999). É a história da minha esposa Margaret, vida e morte, e do nosso amor, de nossa família encantadora. Em um período de sofrimento, fiquei feliz por criar este modesto memorial para ela.

Quanto ao resto, bem, orgulhoso? Aliviado, desculpe ... Não exatamente orgulhoso; porque sempre se sente, quando a coisa está concluída, que talvez poderia ter sido melhor, ter formulado melhor, ter tentado mais, por exemplo com a formação de sentenças individuais. E com FC há sempre o perigo de se falar besteira. Entre pela magia e você estará mal...

Claro, eu fiquei feliz por Hothouse ser tão bem sucedido, apesar de que eu estava um pouco preocupado. Ah, eu estou muito satisfeito com Report on probability, uma vez que saiu tão bom quanto era a intenção. E há Forgotten Life (1988). E como eu ri enquanto escrevia Cretan Teat (2002)!


Pergunta: Algo que passa através de sua ficção, seja ela FC ou mainstream, é seu conhecido e freqüentemente cáustico, mas também muito carinhoso, comentário sobre a sociedade Inglesa, suas desigualdades e suas excentricidades. Como você vê a Inglaterra hoje em dia, em relação ao que era.


Aldiss: Sim, sei o suficiente para perceber o quão pouco sei. A ameaça de devastação e destruição, fora dos limites do mundo ocidental, tem aguçado minha apreciação dos benefícios que gozamos aqui e principalmente aqueles aos quais estamos acostumados.

Tenho um bom exemplo da nossa boa sorte: O aeroporto de Viena. Supondo que você chega lá vindo da Macedônia, um país bastante agradável, você fica impressionado com a beleza e a organização do aeroporto. Pessoas elegantes sentadas em espaços abertos, bebericando um bom café, conversando, rindo. As lojas são lindas, abastecidas com produtos atraentes. As pessoas são educadas. Tudo funciona sem problemas. E não apenas para aquele dia que você passa por ali. Todos os dias. Ano após ano. O Ocidente floresce porque seus habitantes estão preparados para trabalhar e sustentar aquilo que eles começaram.

Eu amo profundamente a Inglaterra, embora muitas vezes ela possa ser irritante. Certamente ela tem melhorado desde que eu era um rapaz: não só em seus muitos avanços científicos, mas na liberdade das relações entre as pessoas, pelo menos em certos setores da sociedade.


Pergunta: Há um otimismo, quase de utopia, ao contrário da tecnofília dos escritores americanos de Ficção Científica, que muitas vezes aparecem para expressar uma filosofia relativamente fatalista do futuro humano. Neste século, o aquecimento global e o conflito crescente entre ricos e pobres... o quanto esperançoso você está quanto a duração da prosperidade a da sobrevivência da raça humana?


Aldiss: Olhando a situação do mundo, você vê motivos de esperança e motivos para desespero. Eu gosto do desespero, é tão desintoxicante. Serve melhor à prosa. Eu adorei The Day After Tomorrow. O mundo vai para o inferno de vez. Mas, em muitos aspectos, pode-se ver alguma melhora. O século 20 foi um período de crescimento fenomenal. Você não pode duvidar disso se você for uma mulher e olhar para o passado... ou um homem olhando para o que está por vir

Eu acho que nós vamos nos manter à tona, até a chegada do próximo Grande Meteoro.


Pergunta: Ao mesmo tempo que você conseguiu sintetizar tão bem a Inglaterra, você sempre exibiu um certo exotismo extravagante, como em Hothouse, The Malacia Tapestry e Helliconia. Nomes como Hanra TolramKetinet, Itsobeshiquetzilaha, locais como o continente que abrange as árvores Banyan, a lua capturada nas teias de aranha, bizâncios alternativos, um mundo cujas estações duram séculos... De onde vem tudo isso? Você serviu no exército britânico no sudeste da Ásia, é claro que você é muito viajado...


Aldiss: É impossível dizer de onde o exotismo vem. Tem sido sempre uma parte de mim. Claro que eu vi a árvore Banyan, no Jardim Botânico de Calcutá ... a "maior árvore do mundo", sempre crescendo. Não tenho dúvidas de que os quatro anos de exílio no Extremo Oriente, ajudou a minha imaginação. Eu ainda tenho uma nostalgia, não por East Dereham, Norfolk, onde eu nasci, mas por Sumatra, onde vivi por um ano após a Segunda Guerra Mundial. Medan, a capital destruida, semi-funcional, calma, perigosa, exótica, sem dinheiro, mas pelo menos uma mulher adorável vive lá.


Pergunta: Sempre saboreei seu estilo de escrita, a sua opulência periódica, a sua poesia, a sua mistura de elegância cercada de aspereza. Quais foram suas influências literárias e como você avaliaria o seu desenvolvimento estilístico desde os anos 50?


Aldiss: "Opulência periódica"! Essa é boa. O estilo desenvolveu-se a partir de muita leitura, coisas que mais tarde seriam vistas como inúteis, assim como os chamados "bons livros". Certamente que o gosto pelo exótico, como por exemplo 'The Lost Steps' de Alejo Carpentier, maravilhosamente traduzido para a lingua inglesa, vem de estar sempre atento para sua origem estrangeira. Um livro que gostaria de ter escrito. Também 'Sabres of Paradise' de Lesley Blanche, um livro tão denso, com sabor de assado de javali selvagem, com presas e tudo. Um dos livros mais nutritivos que já li. Blanche ainda está viva aos 101, vivendo no sul da França. É claro.

Desenvolvimento estilístico. Você certamente fica mais exigente ao longo da vida. Doris Lessing (Shikasta, etc) tem sido bom exemplo para mim... por que um romance comum não pode suavemente ser visto através da ficção científica? Como aconteceu com Somewhere East of Life (um romance que eu ainda gosto muito, ao menos por razões não-literários... ele me levou ao Turquemenistão).

Depois de trabalhar com Stanley Kubrick em IA, e com a chegada de um novo século, eu gostaria de tentar novas formas de contar uma história. Com Super-State (2002), eu tentei abolir a estrutura narrativa, ou dividi-la em episódios. Esses episódios, ficando distantes, tinham que ser nítidos e incisivos. Eu nunca vou perdoar Little Brown por sua falta de cuidado na edição e promoção desse livro, que deveria ter tido uma grande audiência.

Gostei das dificuldades na escrita e da forma de Super-State, assim tentarei novamente, em uma escala menor. Hampden Ferrers é a história de uma aldeia fictícia e de seus habitantes. A brincadeira, o surrealismo e o romance, adocicam a pílula do debate sobre a natureza do universo. Trata-se de FC ou não? Bem, claramente não. E no entanto... Você acha que eu me importo com o que ela é? Eu acredito que o fiz provavelmente para ninguem, a não ser para mim mesmo.

Então eu fui ainda mais fundo. Sanity and the Lady (Peter Crowther Publishing) é sobre uma família e uma mulher corajosa, em particular. Não é certamente FC tradicional. É o que eu faço.
Experimentar novos estilos e temas ajuda a manter-me fresco e pronto.


Pergunta: Seus romances mais recentes, como você diz, geralmente podem ser lidos como mainstream ou como FC/Fantasia, e uma observação semelhante pode ser feita sobre seus trabalhos anteriores. ... Assim sendo, gêneros e categorias de publicação não se aplicam em sua escrita?


Aldiss: Eu não sei a resposta para esta pergunta. Eu só sei que a minha opção não é pelo caminho da riqueza ou da fama. Tenho me educado para não buscar essa ilusão, fama. Estamos na era das celebridades. A minha popularidade foi nos anos 60 e 70, quando eu não me importava com o que eu escrevia. Embora é claro que eu perdi um pouco com isso, mas me alegro que minha criatividade continua funcionando, que as palavras ainda fluem, que o meu jardim dê flores ainda, que a minha TV ainda está desligada, que minha amada tem o poder maravilhoso de uma mulher para desafiar e encantar.


Pergunta: Você se tornou conhecido muito cedo, por suas magníficas coletâneas de contos, tais como Espaço, Tempo e Nathaniel, gemas individuais como "Old Hundredth", e você permaneceu razoavelmente prolífico em contos curtos desde então. Quais são para você, as principais virtudes de um conto de FC? Por que você ficou tão fortemente comprometido com ele?


Aldiss: Não se esqueça que eu comecei a minha vida de escritor como um campeão em contar histórias em dormitórios escuros, de várias escolas públicas. Eu contava histórias e as crianças todas escutavam. Contos meio que surgem. Você pode estar no meio de um romance e após uma frase, digamos, desperta uma questão secundária. Você estaciona o romance numa rua secundária e conta para si mesmo a tal história.

Nos anos 70, eu costumava me exercitar assim: Rabiscava seis frases mais ou menos aleatórias. "Uma nuvem em forma de um piano, um piano em forma de uma nuvem." "Como é o arrebatamento, querida?" "Todos esses encantos duradouros da idade."

Eventualmente, eles serviram como ingredientes ou pelo menos, trampolins de mergulho para as histórias de Last Orders. Talvez eu fosse um pouco louco na época.
Talvez eu não seja um escritor de FC. Talvez eu seja um surrealista.


Pergunta: Um bom número de seus primeiros livros, Non-Stop, The Dark Light Years (1964)... são space-operas de uma espécie inovadora, não-convencional, e mais tarde você editou uma série de importantes antologias de space-opera. Hoje a space-opera domina a FC britânica.
Qual é o encanto deste subgênero, antes desprezado. Seria devido a sua fecundidade experimental? Porque você acha que ela é tão popular hoje em dia?


Aldiss: Eu não sei. Talvez seja popular porque você pode percorrê-la com sua mente e perder-se por lá.


Pergunta: Você, J.G. Ballard e Michael Moorcock formavam o ABC (ou ABM), da New Wave britânica dos anos 60 e início dos anos 70. Analisando a New Wave hoje, quais foram suas principais realizações, em geral e para você pessoalmente?


Aldiss: O que Mike Moorcock fez quando assumiu a revista New Worlds? Ele jogou fora toda aquela assustadora ficção de segunda categoria. Aquelas ideias eram claramente gastas, escritas imitando o estilo americano, meras sombras de Bester, Blish, Simak, etc . Não quero ser rude, mas era feita por fãs, por amadores. Nos termos de Mike, a literatura tinha que ser renovada.

Surgiu uma nova audiência, uma audiência inteligente (que não estava drogada). As convenções mudaram bruscamente de um ano para o outro, de repente havia gente que você queria conhecer. Nunca se esqueça de nossa dívida com Mike. Já não sentiamos vergonha de estar escrevendo Ficção Científica. O bom e velho Mike quase morreu fazendo o que fez.


Pergunta: Nos anos 70 você escreveu Frankenstein Unbound, uma homenagem apocalíptica à obra prima de Mary Shelley, e Billion Year Spree (1973), que apregoava "Frankenstein" como sendo o primeiro romance de FC genuíno. Você mantêm a sua opinião de que a FC é moldada predominantemente a partir do gótico?


Aldiss: A popular "virada", onde sempre algo terrível está para acontecer, é uma invenção gótica. O maravilhoso romance de Mary Shelley tem a influência da escrita de seu pai, William Godwin, que escreveu Caleb Williams. Este mês eu estava no Kansas para receber um prêmio póstumo por Mary Shelley. Eu penso que Frankenstein, ou The Modern Prometheus, é o primeiro romance científico. Por que os leitores ingleses nunca apoiaram minha escolha? O caso é completamente explicado em Billion e Trillion Year Spree.


Pergunta: Sobre esta última questão, nos anos 80 você e David Wingrove expandiram Billion Year Spree para a atual Trillion Year Spree. Uma Quadrillion Year Spree está por vir?


Aldiss: Há uma edição, ligeiramente revisada, de Trillion, disponível na House of Stratus para impressão por demanda. É grande, 340 páginas. Mas Quadrilion? Esqueça! Estou descansando meus remos.


Pergunta: Seu excepcional romance dos anos 70, do gênero fantástico, The Malacia Tapestry: barroco, cheio de vida e ainda assim e acima de tudo, um estudo da decadência, do extâse cultural artificial. Como foi que sua visão de Malacia surgiu primeiro e, posteriormente evoluiu? Você ainda está tentado a escrever uma seqüência?


Aldiss: Barroco, sim, isso é o que é Malacia. Alguns tolos dizem que não tenho idéias novas, na verdade, eu senti que a Inglaterra naquela época tinha crescido mas não avançado, ficou presa em seu passado, e eu pretendia usar Malacia como uma metáfora. Porém mais do que isso, fiquei maravilhado com aquilo, adorando, um pouco como G.B. Tiepolo (pintor veneziano), capricci e scherzi. Gravuras de um mundo misterioso, de sacrifício e adoração do diabo, e a vida popular escavada a partir do solo, e serpentes queimando nos altares pecaminosos e tudo o que é balbuciado, ele representou aquilo tão bem. Lembre que ele foi um artista que tinha pintado centenas de belos tetos em toda a Europa. Alguma vez você viu sua obra-prima no Residenz em Wurzburg? Aposentou-se, passando a viver em Veneza, e em sua velhice ele pintava estes pequenos retratos de um mundo estranho e suntuoso. Era sobre isso que eu queria escrever, arabescos e tudo mais.

Sem sequências porêm. Nunca olhe para trás, como eu estou fazendo aqui.


Pergunta: Sua trilogia Helliconia do início e meados dos anos 80, continua a ser uma conquista retumbante, um dos maiores romances planetários de FC. Que vasto quadro você pintou! Que dificuldades você encontrou ao escrever tal épico? E foi esta trilogia de alguma forma, a sua despedida da FC em grande escala, sua palavra final sobre a FC como um gênero amplo?


Aldiss: Eu queria que Helliconia estivesse no centro de um romace científico. Eu vi a avalanche de imitações de Tolkien quebrando como ondas de um mar venenoso, sobre aquilo que eu considerava como sendo a velha FC, a FC direta e rígida, presidida por John Campbell no auge da revista Astounding... O vasto quadro era uma exigência para estender o Grande Ano de Helliconia. Eu estava doente na época, sofrendo do que é conhecido como síndrome de fadiga pós viral.

Após dois anos de pesquisa, comecei a escrever, para encher a minha tela com os seres humanos e phagors e sabe Deus mais o quê. Beleza e terror, amor e emoção e a estupidez. Isso se chama liberdade criativa.

Você pergunta se ela foi o meu Adeus para alguma coisa. Acho que sim. E o meu Olá para outra...


Pergunta: Seu interesse em mitos gregos parece vir à tona no seu próximo trabalho (The Cretan Teat, etc). Por que isso? São romances históricos ou algo totalmente diferente?


Aldiss: Provavelmente algo totalmente diferente, como você diz. Meu querido filho Clive, e sua esposa grega, Youla, vivem em Atenas. Naturalmente eu tenho a tendência de aparecer por lá. Depois de Creta Teat vem Jocasta, que deve aparecer pela Rose Press em uma edição limitada em setembro. Eu também escrevi uma ópera, Édipo em Marte, o neto de Jocasta, para a qual a música está sendo composta.


Pergunta: Que outros projetos estão por vir? Você parece tão prolífico como sempre...


Aldiss: Novos contos serão lançados pela Tachyon Publications nos Estados Unidos. Título, Cultural Breaks. Minha conexão francesa ainda é forte. Estou trabalhando na penúltima revisão do meu tomance ainda inacabado, Walcot. É mais uma ambiciosa história de uma família ligeiramente disfuncional ao longo do século 20. Talvez fique boa. Talvez seja um fracasso. 'Talvez' é algo ótimo. Como é excitante não saber! Mas vale a pena tentar de qualquer maneira. E eu acho que há uma centelha, ou eu não me incomodaria sequer em continuar. Poucos contos nascem de verdade. Palestras. Interrupções como esta entrevista...



Entrevista dada a Nick Gevers - Science Fiction Weekly (Julho/2004).

Brian Aldiss


Brian Wilson Aldiss (18 de Agosto de 1925) nasceu em East Dereham, Norfolk, Inglaterra.

Prolífico romancista, poeta, ensaísta, historiador e crítico literário, foi como escritor de Ficção Científica que alcançou a notoriedade.

Após deixar o serviço militar (Royal Signals) Aldiss trabalhou como vendedor de livros em Oxford, por quase uma década, uma experiência que lhe ajudou a escrever seu primeiro livro The Brightfount Diaries (1955), uma coletânea de contos. Seu primeiro romance, Non-Stop, foi lançado em 1958, quando já trabalhava como editor do jornal Oxford Mail.

Dono de um estilo elegante e sofisticado, poético e tecnicamente provocador, Aldiss conquistou uma enorme quantidade de fãs por todo o mundo, sendo sua obra traduzida para mais de 20 idiomas.

Escolhido durante a Convenção Mundial de FC de 1958, como o mais promissor escritor naquela ocasião, ocupou a presidência da Academia Britânica de Ficção Científica de 1960 a 1966.

Aldiss criou com seu amigo e colaborador Harry Harrison, o primeiro jornal voltado exclusivamente para crítica literária de FC, o Science Fiction Horizons, de curta existência.

Além do seu sucesso como escritor, Aldiss ficou conhecido pelas antologias que organizou.

Foi homenageado com o título de Grande Mestre em 1999, tendo ganho 4 prêmios Hugo, 5 prêmios Nebula entre outros tantos prêmios como o Kurd Lasswitz Award (da Alemanha) e um Prix Jules Verne (Suécia).

Três de seus trabalhos foram adaptados para o cinema. Frankenstein Unbound (1990) baseado no livro de mesmo nome, AI dirigido por Steven Spielberg baseado no conto Super Toys Last All Summer Long e Brothers of the Head (2006).

Brian Aldiss permanece na ativa, lançando seus livros ou escrevendo para antologias, participando de conferências e dando palestras em universidades, além de estar à frente de um projeto dedicado as artes plásticas, sua segunda maior paixão depois dos livros.

Em 2005, "Sir" Brian Aldiss recebeu a maior honraria possível para um inglês, a Ordem do Império Britânico (OBE), por serviços prestados a Literatura.


The Official Brian W. Aldiss Website


Brian Aldiss (Afuera, 3 canciones para amantes enigmaticos, Nataniel, Un mundo devastado, Viaje el infinito, Espaço y Tiempo, A rude awakening, Appearence of Life, Barefoot in the head, Better Morphosis, Brothers of the head, But Who can raplace a man, Enemies of the system, Equador & Segregation, Four Ladies of the apocalypse,Frankenstein desencadenado, Greybeard, Heliconia Spring, Heliconia Summer, Heliconia Winter, Intangibles Inc., Man in his time, Man on bridge, Neanderthal planet, Outside, Perlous Planet, Saliva Tree, Starship, Super-toys last all summer, Swastika, Tarzan of the alps, The canopy of time, The dark light years, The interpreter, The moment of eclipse, The skeleton, The worm that flies, There is a tide, Tomorrows Yesterdays, Total environment, White Mars, Imperios Galacticos I-IV )
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sábado, 29 de agosto de 2009

Viagem Fantástica 2 - Rumo ao Cérebro - Isaac Asimov



A viagem, por si só, pode ser a melhor parte da
empreitada, mas só se você conseguir chegar até seu destino. Dezhnev (pai)



MORRISON SENTIU calor imediatamente e perdeu o fôlego. Como dissera Konev, a temperatura era de trinta e sete graus, como a de um dia quentíssimo de verão, sem que houvesse sombra ou brisa para refrescar.

Olhou em volta, tentando se orientar. Ficou claro que Natália miniaturizara ainda mais a nave enquanto ele estivera lutando para se enfiar no escafandro.

A parede ladrilhada do capilar estava bem mais longe.

Ele só conseguia ver um pequeno pedaço dela, porque havia um imenso objeto nebuloso atrapalhando a visão: um glóbulo vermelho, era claro. Uma plaqueta também passou entre o eritrócito e a parede, deslizando bem devagar.

Tanto os objetos quanto a nave e ele próprio estavam navegando com a corrente muito lenta do interior do capilar, pelo que ele pôde deduzir quando escolheu alguns “ladrilhos” como referência.
Morrison tornou a se perguntar por que sentia tão pouco o movimento browniano.

Continuava tendo a sensação de tremor, ainda que pouco intensa, e podia ver que os objetos à sua volta também pareciam tremer. Até o desenho das células da parede parecia se alterar um pouco, de um forma estranha. Mas não tinha tempo para especulações e análises.

Tinha que cumprir a missão e voltar para a nave.

Estava a mais ou menos um metro dela. Um “metro subjetivo”, pensou. Quantos mícrons teria, de quantos milionésimos de metro seria a distância real? Não se deu ao trabalho de tentar calcular.

Começou a manobrar com as nadadeiras para voltar à superfície da nave. O plasma era muito mais viscoso que a água do mar e a sensação era desagradável.

O calor, naturalmente, continuava. Não diminuiria enquanto o corpo dentro do qual se encontrava estivesse vivo. Sua testa já estava coberta de suor. Tinha que trabalhar rápido. Esticou o braço para tocar o ponto pelo qual deixava a nave, mas não conseguiu. Era quase como se a mão estivesse apertando uma almofada elástica de ar comprimido, mas ele não via nada entre ela e o casco, a não ser o próprio fluido.

Compreendeu logo o que estava acontecendo. A superfície externa do escafandro tinha carga elétrica negativa e a porção do casco que tentara tocar, também. Estava sendo repelido. Mas aquilo não deveria causar problema: era só achar algum pedaço do casco com carga contrária. Tateou até sentir o plástico mas isso não adiantou muito.

A sensação era a mesma que tocar uma superfície incrivelmente escorregadia.

De repente, com um “clique” quase audível, a mão esquerda grudou no casco. Encontrara um ponto com carga positiva. Tentou soltá-la com um pequeno esforço e, logo em seguida, com toda a força do braço. Era como se a mão estivesse soldada à superfície.

Começou a tatear com a direita, procurando um ponto de apoio para livrar a esquerda. “Clique”, outra vez. Apoiou o peso do corpo na direita e puxou a esquerda com toda a força.

Nada aconteceu. Estava preso ao casco, crucificado nele.

O suor rolava fortemente pelo rosto e depositava-se sob as axilas.
Começou a gritar, inutilmente, e a agitar as pernas. Os da nave acompanhavam com os olhos todos os seus movimentos, mas como gesticular sem usar as mãos?

O glóbulo vermelho que o vinha acompanhando o tempo todo aproximou-se e apertou seu corpo contra a nave. Seu tronco, no entanto, não ficou grudado.

Tocara, por sorte, uma área sem carga positiva. Sophia estava observando-o fixamente, tentando dizer-lhe alguma coisa, mas Morrison não sabia ler os movimentos de seus lábios, pelo menos em russo.

Notou que ela mexia num controle do computador e o braço esquerdo soltouse.
A moça devia ter reduzido a intensidade da carga. Balançou a cabeça para ela, torcendo para que entendesse seu gesto de agradecimento.
Tudo o que tinha a fazer agora era caminhar com os braços, saltando de carga em carga positiva, até a popa da nave.

Foi-se movimentando aos poucos, com dificuldade, e descobriu que, mais que a força da interação eletromagnética, o que atrapalhava agora era a pressão macia do glóbulo vermelho.
— Sai! Vai embora! — gritou em vão. O corpúsculo desempenhava um papel completamente passivo. Não era afetado por gritos.

Empurrou-o com força, usando os dois pés e uma das mãos. A superfície elástica e fina do glóbulo, de início, recuou e afundou, mas a resistência foi aumentando à medida que seus membros foram avançando.

Morrison viu que aquilo não adiantava.
Cansado, deixou o corpo ser empurrado de volta contra a nave.
Tentou recuperar o fôlego, o que não foi fácil, quente e ensopado de suor como estava. Começou a tentar imaginar o que o poria fora de combate primeiro: a desidratação ou a febre, que fatalmente viria, se continuasse incapaz de se livrar do calor produzido pelo próprio corpo e, ainda por cima, extenuando-se daquele jeito na luta para afastar o glóbulo vermelho.

Levantou o braço o máximo que conseguiu e o baixou com toda a força num golpe, voltando a borda da nadadeira manual contra a película do glóbulo, que se rompeu como um balão de borracha. A tensão superficial foi alargando cada vez mais o corte e o conteúdo começou a vazar: uma nuvem fina de grânulos.

O corpúsculo foi esvaziando e encolhendo.
Morrison sentiu-se culpado. Teve a sensação de que matara uma criatura inofensiva. Consolou-se com o pensamento de que havia trilhões daqueles no sistema circulatório e que seu tempo de vida, de qualquer maneira, não passava de uns quatro meses.

Agora já podia se deslocar até a popa. Não havia condensação no plástico do escafandro. Nem poderia haver: tudo estava à mesma temperatura e o tecido fora desenvolvido de forma a não aderir a nada.

O que poderia se condensar provavelmente estava rolando de um lado para outro, com seus movimentos, e se acumulando nas dobras do escafandro.
Chegou à popa, ao ponto em que as linhas aerodinâmicas da nave eram rompidas pelas saídas dos três motores a microfusão.

Estava o mais longe possível do centro de gravidade. Confiou na sorte e esperou que os outros quatro tivessem a mesma idéia e se reunissem o mais perto possível da proa.

Lamentou não lhes ter recomendado aquilo antes.
O que tinha a fazer agora era encontrar áreas com cargas positivas para apoiar as mãos e empurrar com força.

Sentiu-se um pouco tonto. A causa seria física ou emocional?
Não fazia diferença. O efeito era o mesmo.

Respirou profundamente, sentindo os olhos ardendo com as gotículas de suor que escorriam sobre eles. Não podia fazer nada quanto a elas. Teve outro acesso de fúria contra os idiotas que haviam projetado aquele traje de mergulho.

Entre aquilo e nada, pouca diferença havia.
Conseguiu firmar as mãos no casco e começou a bater as nadadeiras dos pés. Daria certo? A massa que tinha que movimentar era de alguns microgramas, apenas, mas de que energia dispunha? Uns poucos microergs? Sabia que a relação entre quadrados e cubos lhe dava uma vantagem enorme mas, mesmo assim, qual seria a eficiência de seu empurrão?

A nave moveu-se. Era fácil constatar o movimento, usando os “ladrilhos” da parede do capilar como referência. Seus pés já podiam tocar a parede, o que significava uma rotação de noventa graus.

O eixo principal da nave estava perpendicular à corrente. Firmou os pés na parede e empurrou de novo, com um exagero de força.

Se rompesse o capilar, as conseqüências poderiam ser terríveis, mas sabia que não dispunha de muito tempo, e não estava suficientemente lúcido para pensar a longo prazo. Felizmente, seus pés soltaram-se das células da parede, como se tivesse chutado uma cama elástica, e a nave girou um pouco mais.

Em seguida, encalhou.
Morrison procurou entender o que estava acontecendo, apertando os olhos com esforço para ver melhor. Estava perdendo a respiração no calor úmido e abafado do escafandro.
Era, com certeza, outro glóbulo vermelho. Só podia ser.

Dentro do capilar, o trânsito engarrafava-se como os carros na avenida principal de alguma cidade grande. Desta vez não hesitou. Baixou logo a nadadeira da mão direita, repetindo o golpe anterior, e causou um enorme talho.

E não perdeu tempo, como antes, lamentando a execução de uma vítima inocente.
Tornou a bater os pés e a nave retomou a rotação.
Torceu para que estivesse na direção certa.

E se tivesse invertido sua posição durante o selvagem ataque ao eritrócito, deslocando a nave de volta à situação anterior? Deixou sem resposta a pergunta.
Já estava quase sem condições de raciocinar.
A nave agora estava paralela a eixo do capilar.

Completamente sem fôlego, ele tentou observar os “ladrilhos” da parede.
Se parecessem se deslocar na direção da popa, a proa estaria apontada de maneira correta, contra a corrente, voltada para a junção do capilar com a arteríola.

Achou que tudo estava certo. Não, não conseguia achar mais nada.
Certo ou errado, tinha que retornar para a nave.

Não estava disposto a dar a vida em troca de êxito.

Mas onde estava a escotilha? Tateou cegamente a superfície do casco, sentindo aqui e ali as áreas de carga positiva e deslocando o corpo aos trancos.

Conseguiu entrever quatro figuras no interior da nave, fazendo gestos que não foi capaz de interpretar. Os vultos começaram a sair de foco. Alguém. apontou para cima. E onde era para cima?

Encontrava-se sem força para mover o corpo.

O último pensamento foi o de que, para cima ou para baixo, não fazia muita diferença para quem não tinha massa nem peso.

Deu um impulso para cima, sem entender bem por quê, e a escuridão o envolveu completamente.




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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Outer Space Spirit (1952)


The series involved The Spirit accepting an experimental mission to the moon for the government accompanied by a scientist and a group of criminals to test the effects of man in space.
27 July 1952 - "Outer Space"

3 August 1952 - "Mission... The Moon"

10 August 1952 - "A DP On the Moon"

17 August 1952 - "Heat"

24 August 1952 - "Rescue" (First of the four page sections)

31 August 1952 - "The Last Man"

7 September 1952 - "The Man in the Moon"

14 September 1952 - "The Amulet of Osiris"

21 September 1952 - "The Spirit Back on Earth"

28 September 1952 - "Return From the Moon"

5 October 1952 - "Denny Colt, UFO Investigator"


Outer Space Spirit (1952) [ Download ]

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

The Matrix Comics Series




The Matrix Comic Series [ Download ]

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

The Science Fiction and Fantasy Readers' Advisory


THE LIBRARIAN’ S GUIDE TO CYBORGS, ALIENS, AND SORCERERS

PROLOGUE: Science Affliction

Book I
SCIENCE FICTION
Classic and General Science Fiction
Classic Science Fiction
General Science Fiction
The Aliens Are Coming! The Aliens Are Coming!
First-Contact Novels
Alien Invasion!
Celestial Bodies
Mars
The Moon
Other Celestial Bodies
Androids and Robots and Cyborgs . . . Oh My!
Attack of the Killer Computers!
Cyberpunk––Are You Looking at Me?
Science Fiction with an Attitude
Virtual Reality
It’s the End of the World: Holocaust Fiction
Alternate History
Time Travel
Science-Fiction Time Travel
Fantasy Time Travel
Superheroes, Graphic Novels, and Genetic Engineering
Superheroes
Graphic Novels
Genetic Engineering
Thrills and Chills in Zero Gravity: Science-Fiction
Mysteries and Thrillers
Mysteries
Thrillers
Biotech Thrillers
Science-Fiction Humor
Science-Fiction and Fantasy Blenders
Telepathic Mutants and Other Weirdos
Science-Fiction Romance and Religion
Romance
Religion
Space Operas
Star Wars
Star Trek

Book II
FANTASY
Fantastic Fantasy
Classic Fantasy
General Fantasy
The Long and Longer of It: Epic Fantasy
Questing, Questing, Questing
Quest Fantasy
Dungeons and Dragons
Fairy Tales: Not Just for Kids
Larger than Life
Legends and Myths
Arthurian Legend
Historical Fantasy
The Dark Side of Fantasy
Ever Since I Died, I Can’t Sleep at Night: Vampires,
Werewolves, Ghosts, and Other Undead
Vampires
Werewolves
Ghosts and Other Undead
Demons Loose in the City: Urban Fantasy
Crossing Over to the Other Side
Sword and Sorcery
The Magic of Music
Talking Cats, Dragons, Elves, and Other
Mythological Beasties
Cats and Other Beasts
Heroes: The Breakfast of Champion Dragons
Are You Calling Me a Fairy? I’m an Elf!
Humorous Fantasy
You Can’t Keep an Elven Sherlock Holmes Down:
Fantasy Mysteries
Fantasy Romance

APPENDIX
Hugo Award Winners
Nebula Award Winners
Mythopoeic Award Winners
World Fantasy Award Winners
INDEX


The Science Fiction and Fantasy Readers's Advisory [ Download ]

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Captain Rocket (1951)


Captain Rocket (1951) [ Download ]

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Star Wars Blueprints 1977





Star Wars Blueprints 1977 [ Download ]

Star Wars + Zumbis = $$$$$

Modelos em papel


Ponte de comando da Enterprise para montar [ Download ]


The Lower Hudson Valley Paper Model

domingo, 23 de agosto de 2009

Frederik Pohl


Frederik Pohl (26 de Novembro de 1919) nasceu em New York (EUA).

Em sua juventude, frequentou a então prestigiada Bronx High School of Science, onde conheceu Isaac Asimov, tornando-se seu amigo. Anos depois ingressaria no Partido Comunista Americano, mas logo se veria em conflito com membros seniores do Partido, por conta da ideía que a Ficção Científica disvirtuava e corrompia o espirito dos mais jovens.

Poucos escritores de FC estiveram tão envolvidos com cada fase do gênero como Frederik Pohl, primeiro como fã, depois como escritor, editor e agente literário.

Quando fã, foi um dos primeiros membros da Science Fiction League, talvez o mais antigo fã-clube americano de Ficção Científica e fez parte de muitos outros (como o conhecido Futurians).

Trabalhou aos 19 anos de idade nas revistas Astonishing Stories e na Super Science Stories, e mais tarde, tornou-se editor chefe da If, da Galaxy Science Fiction e da Worlds of Tomorrow, durante a chamada época de ouro da FC.

Pohl foi influenciado e influenciou a maior parte das correntes da FC.

Escreveu em parceria com diversos grandes nomes da FC americana, como Joseph Harold Dockweiler (Dirk Wylie), Donald A. Wollheim, James Blish, Isaac Asimov, Cyril Kornbluth, Robert Lowndes e Damon Knight.

Grande parte de sua obra é voltada para os contos. Um de seus melhores, The Space Merchants, é uma demonstração clara de sua capacidade inventiva e observadora, além de bem humorada sátira distópica ao mundo das agências de publicidade. Frequentemente Pohl era um crítico da valorização ao consumismo e da máquina propagandista americana dos anos 50 e 60.

A partir dos anos 70 Pohl passou a dedicar-se mais a romances, lançando alguns de seus melhores trabalhos como Man Plus e a série Heechee (vencedores do Prêmio Nebula, 1976 e Hugo 1978) The Voices of Heaven, além do aclamado Jem.

Pohl escreveu mais de 100 livros em 65 anos de carreira e ainda hoje trabalha na divulgação do gênero fazendo palestras e participando de conferências.

Blog de Pohl (The Way the Future blogs)


Frederik Pohl (Day Million, Farmer on the Dole, A hitch in time, Best of, Black Star Rising, Father of the Stars, Furthest Star, Hatching the Phoenix, Homegoing, Jem, Other End of Time, Plague of Pythons, Stopping at Slowyear, Terror, The boy who whould live forever, The Coming of Quantum Cats, The Far shore of time, The Midas Plague, The Reunion at the mile, The Siege of Eternity, The sweet sad Queen of Grazing Isles, The weapon, The world at the end of time, Critical Mass, Search the sky, Gladiator at law, The Space Merchants, Wolfbane, Land's End, Starchild Trilogy, Undersea series, Callistan Tomb, Heechee series, Perverso, Sobrevivientes, Happy Birthday Dear Jesus, Man Plus, Speed Trap, The day the Icicle Works closed, The tunnel under the World) [ Download ]

Uma lenda viva da Ficção Científica, Frederik Pohl, nos lembra sobre como era o Futuro



Pergunta: Você está perto dos 90 anos. Como se sente?

Pohl: Bem. Nunca planejei chegar até esta idade e não sei exatamente como isso aconteceu... mas acho que é melhor do que a outra alternativa.


P: Agora que você passou dos 80 anos, você continua com a sua rotina de escrever 4 páginas por dia?

Pohl: Sim e não. Alguns anos atrás eu comecei a ter problemas sérios para respirar e decidi parar de fumar. Isso me ajudou mas também arruinou, ao menos temporariamente, a coisa de escrever: 60 anos escrevendo com um cigarro queimando no cinzeiro ao lado era um hábito difícil de mudar. É quase impossível escrever qualquer coisa. Nos últimos meses a situação melhorou um pouco e acho que voltarei logo a escrever.


P: Existem rumores que você estaria escrevendo uma continuação de Gateway. É verdade?

Pohl: Sim, estou trabalhando em outro livro da série Heechee. Anos atrás, Bob (Robert) Silverberg, que é bem persuasivo quando quer ser, me convenceu a escrever um conto dentro do universo Heechee, para uma antologia que ele estava montando.Minha esposa e eu estávamos viajando pelo mediterrâneo e escrevi uma história a bordo do navio. Acabou sendo grande demais para sua antologia então escrevi outra e mandei para ele. Me dei conta de ter pelo menos 30.000 palavras para uma história sobre Heechee e resolvi escrever um pouco mais e transformar em um livro. Provavelmente se chamará From Gateway to the Core...


P: Gateway ganhou os prêmios Hugo, Nebula e o John W.Campbell Memorial. Também foi um campeão de vendas (se encontra na edição de núm.30). Você esperava tal reconhecimento ao escrevê-lo?

Pohl: Eu sabia que era um ótimo livro. Mas não sabia que ganharia tantos prêmios, mas fico feliz com isso. Eu ficaria desapontado se outro livro os tivesse ganho. É um bom livro.
Publiquei muito na minha vida e não sou louco por todos eles. Talvez por 20 ou 30 somente e Gateway é o que eu mais gosto ou esteja entre aqueles que mais gosto, eu acho. Isso muda todo dia, eu também gosto bastante de Chernobyl e The Years of City, mas Gateway, acho, é melhor.


P: Você é um fã, escritor e foi editor, tudo ao mesmo tempo, agente literário e até presidente da SFWA e da World SF, a organização internacional de pessoas ligadas a Ficção Científica. De todas estas experiências, de qual gosta mais?

Pohl: Escritor. Todo o resto é trabalho. Tinha muito prazer em ser editor sob certas circunstâncias, mas não se compara.


P: Como você consegue se manter sempre fascinado pela Ficção Científica?

Pohl: O que me mantêm interessado na FC é que é sobre ciência, uma constante desdobramento do conhecimento teórico através da observação de como funciona o universo e como pode se expressar através das histórias de FC.


P: Existem correntes da FC que não lhe interessam?

Pohl: Gosto de todo tipo de Ficção Científica. O que não me interessa são estas combinações de FC com Fantasia, pois nada me dizem, nada que C.L.Moore já não tenha feito antes. E melhor.


P: Dentro deste mesmo tópico, quais são estas correntes que o senhor acha que irão crescer?

Pohl: O bom da FC é que ela não é monolítica, não tem uma única tendência, vai em todas as direções ao mesmo tempo, na medida que os escritores surgem com pensamentos sobre coisas novas para explorar e outros aprendem com estes.


P: Você colaborou com outros escritores como C.M.Kornbluth, Isaac Asimov, Jack Williamson, Lester del Rey e L. Ron Hubbard. Qual o segredo de uma colaboração bem sucedida?

Pohl: Uma enorme paciência (risos). Você tem que ser amigável de verdade. Parece muito com um casamento, de muitas maneiras. Você não sabe para onde vai, até que já está dentro. Existem conflitos inevitáveis, de estilos e interesses. Não falo de estilo de se escrever mas de trabalhar. Algumas vezes pode ser fatal.

O livro que escrevi com Lester Del Rey, chamado Preferred Risk, custou um ano da minha vida. Um livro horrível. Se você for começar a lê-lo, não o faça. Foi originalmente publicado com um pseudônimo meu, que eu uso quando não quero assumir o livro. Ai a esposa de Lester, Judy Del Rey, republicou-o pela Del Rey Books e colocou nossos nomes nele. Nunca mais pude negar tê-lo escrito (risos).


P: Em sua obra, você freqüentemente se utiliza de comentários sobre assuntos sociais e políticos.

Pohl: Sou um interessado pela sociedade. Eu era um radical quando adolescente e me transformei num democrata, que basicamente é um tipo de radical se comparado aos republicanos. Li muitos livros sobre pensadores políticos, todos os utopistas e sobre tipos de sociedades que eu imaginava poder gostar de escrever sobre elas.

Não há dúvidas que existem coisas terrivelmente erradas com a nossa sociedade. A parte difícil é tentar imaginar como fazê-la melhor, no que eu tenho fracassado. Mas uma das vantagens de se escrever FC é que você pode pensar sobre como outras sociedades poderiam funcionar bem se as regras fossem um pouquinho diferentes, e então escrever a história e ver como as pessoas serão afetadas por isso. A maior parte da FC que eu gosto, trata disso. Contudo existe também uma outra parte que é uma espécie de celebração da ciência e da investigação do desconhecido. Mas eu passei bastante tempo escrevendo o que eles chamam de FC social.


P:A sátira é um elemento predominante no seu trabalho. Quais são suas influências literárias?

Pohl: Bem, a primeira ficção que me lembro de ter lido foi Voltaire. Cândida. Minha mãe me deu para ler quando eu tinha uns oito anos. Ela pensou que se tratasse de uma história de fadas. Voltaire foi um dos grandes escritores do Iluminismo, e li Jonathan Swift e todos os clássicos.
Existia um elemento de sátira na FC que eu gostava, quando comecei a ler. Até Edgar Rice Borroughs em sua série Mars (Marte), trata-se de uma sátira aos costumes, a religião e a política da Terra.

É claro, Brave New World (Admirável Mundo Novo) de Aldous Huxley e alguns escritores, como um homem chamado Stanton A.Cobletz em particular, que escrevia um tipo de FC bem pesada, crua mas muito satírica. Acho que me influenciaram, mas tudo que eu li me influenciou de certa maneira.


P: Quais são alguns de seus filmes de FC prediletos de todos os tempos?

Pohl: Acho que o que eu mais gostei foi 'Things to Come'. Foi lançado em 1936 e me acertou em cheio. Acho que vi umas 25 ou 30 vezes.

Também gostei de Forbidden Planet (Planeta Proibido). Me ofereceram a chance de escrever uma versão do filme antes dele ser lançado e eu pensei que não seria tão bom e recusei. Então quando eu o vi no cinema, fiquei muito chateado comigo mesmo, porque era um dos poucos filmes de FC que dariam uma boa história para ser publicada como livro.

O primeiro filme de FC que vi se chamava 'Just Imagine', lançado em 1930. Era sobre o incrível futuro distante de 1980. Nele Nova Iorque era cheia de arranha-céus e as pessoas viviam de pílulas. Quando um casal queria um bebê, colocavam vinte e cinco centavos numa máquina e o bebê surgia. Foi também o primeiro filme de Maureen O'Sullivan e eu me apaixonei por ela.


P: Durante sua vida, você assistiu a invenção dos computadores, os foguetes foram à lua, você viu o DVD, o telefone celular, forno de micro-ondas, todas estas invenções científicas importantíssimas. Será que a FC algumas vezes não se amedronta com o fato científico ?

Pohl: Não. Todas estas coisas vieram da FC. Quero dizer, nada disso me deixou surpreso por que eu já tinha lido algo sobre isso, bem antes de acontecer. Eu estava em Paris em Agosto de 1945 e eu estava cortando o cabelo numa barbearia no Champs Elyssees. Eu olhava sobre o ombro do homem ao meu lado e ele estava lendo um jornal e a manchete era 'Le Bomb Atomique'.

E a primeira coisa que eu pensei foi: 'Estes franceses malucos publicam qualquer coisa em seus jornais.' Então eu olhei mais de perto e vi que aquilo tinha mesmo acontecido. Eu senti, bem, eu já sabia que um dia aconteceria.

Todo mundo que lia Ficção Científica sabia que havia uma boa possibilidade. Existem vários tipos de FC que você não pode mais ler. Você não escreve mais sobre o primeiro robô inteligente, a primeira viagem a Lua ou a primeira guerra nuclear, por que já ocorreram, mas as conseqüências de tudo isso vão ficando mais claras a cada dia.


P: Você recentemente escreveu The Other End of Time, The Siege of Eternity e The Far Shore of Time ou Eschaton Sequence. O que é Eschaton?

Pohl: Eschaton é um termo teológico significando quando tudo fica diferente, quando todas as regras mudam. Foi usado pelo físico Frank Tippler para descrever o instante quando o universo tiver se expandido ao máximo e então irá sofrer um colapso, o chamado Big Crush. Quando tudo vai voltar a ser uma coisa só, é o que ele chama de Eschaton.


P: Como você acha que será o próximo século?

Pohl: Não dá para dizer em uma entrevista de 30 minutos (risos). Um jornal de Chicago me pediu para enumerar cinco coisas que não existirão em 2210. Eu respondi: 'Não existirão computadores, aparelhos de televisão, engarrafamentos de carros, hospitais ou aeroportos.' Tenho quase certeza disso. O que mais for acontecer, dependerá do que as pessoas fizerem.

Existem muitas tentativas por parte de pessoas brilhantes e bem informadas, de conceber metodologias para prever o futuro. Um monte de nomes estranhos como Delphi Herman Kahn, Mapeamento Metodológico, Extrapolações de tendências, etc. Todas tem uma coisa em comum: Nenhuma delas funciona.

Um homem chamado Dennis Gabor, que é mais conhecido por ter inventado o holograma, é um dos lideres no estudo do futuro e sumariza tudo ao dizer: 'É impossível se predizer o futuro, o melhor que podemos fazer é inventá-lo'.

Você não pode dizer o que vai acontecer no século 21 ou 22, pode apenas dizer o que poderá acontecer, e tem certas coisas que não estarão lá, como as cinco que mencionei.


P: No mesmo tema, que tipos de futuro-possíveis (futuribles) mais te intrigam ou o preocupam atualmente?

Pohl: Isso é uma coisa que me interessa: (a) a questão do aquecimento global (nota do editor: Pohl e Asimov escreveram 'Our Angry World' que trata exatamente disso); (b) como será o mundo quando computadores se tornarem menores que um botão e mais baratos que chiclete e estarão em todas as coisas; (c) antecipar os resultados do próximo megacrash do mercado de valores.


P: Qual foi a inspiração para 'Man Plus'?

Pohl: A inspiração original não é minha mas de uma mulher que queria produzir um filme. Ela tinha a idéia de que o filme deveria ser sobre ciborgues no espaço. Era tudo que ela sabia dizer sobre o filme. Eu passei alguns meses tentando escrever um roteiro para ela. Acabei não chegando em parte alguma. Nunca fui pago por isso também (risos). Depois eu juntei tudo e resolvi que escreveria um livro disso.


P: E o que pensa sobre a seqüência escrita por Thomas T. Thomas, Mars Plus ?

Pohl: A seqüência veio por que Jim Baen, o dono da Baen Books, me levou para almoçar um dia e disse: 'Quero que você me escreva um esboço para uma seqüência e outra pessoa escreverá o livro'. Eu concordei. Eu não costumava fazer isso e não estou certo de que o faria de novo.

Penso que Thomas T. Thomas fez um ótimo trabalho, não é o livro que eu escreveria, mas é um livro satisfatório, baseado nas minhas idéias. Eu o teria feito diferente, mas ele fez coisas que eu não pensei em fazer. Deu realmente uns toques bem interessantes.


P: Vênus é cenário de muitos de seus livros. O planeta tem apelo especial para você?

Pohl: Venus está mais próximo da Terra em muitos aspectos. As únicas coisas em que é diferente são a temperatura e a pressão atmosférica. E isso aparentemente se deve por estar 40 milhões de milhas mais perto do sol. Então, se você pudesse lidar com a temperatura, que é quente o bastante para derreter chumbo, ou a pressão do ar, que é grande o bastante para esmagar qualquer coisa viva, seria um bom planeta para se viver.

Acho que já escrevi sobre cada planeta do sistema solar onde fosse possível suportar alguém caminhando em sua superfície. Os grandões como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, não parecem ter uma superfície, então não contam, mas você pode escrever histórias com Marte, Vênus, Mercúrio, Plutão, a Lua, Calisto, Ganimedes e vários outros satélites. Mas Vênus é o planeta mais fácil de se ir, é o mais próximo da Terra. Na maioria do tempo, mais próximo do que Marte. Não tenho mais carinho com o planeta do que isso.


P: Algo mais que queira dizer?

Pohl: Acabei de voltar de um cruzeiro pelo canal do Panamá, onde escrevi bastante. Cruzeiros estão se tornando um ótimo lugar para que eu possa escrever sossegado. O telefone nunca toca. A viagem pelo Canal foi especial. Passei meu primeiro ano de vida na cidade de Gatun, onde meu pai tinha um emprego trabalhando nas comportas e desde aquela época, nunca tinha voltado até lá. Então eu queria dar uma olhada no lugar e amei a viagem.



Entrevista concedida a Michael McCarty em 2001.

sábado, 22 de agosto de 2009

Além do corpo: a carne como ficção cientifica


As linhas do imaginário são verdadeiras linhas de vida.
Gaston Bachelard

– E o que você me conta de novo sobre seu corpo?
–Nada! Não quero mais desse corpo que não presta, que se estraga, que fica doente, que atrapalha meu pensamento e dificulta a minha própria razão... Não sou mais um corpo! Cogito ergo sum: Sou um puro espírito, um ser inteligente. Adeus corpo! (Le Breton, 1999)

Esse discurso sobre o corpo, que parece ser extrato de um romance de ficção científica é o tema central do novo livro de David Le Breton.

Só que David Le Breton não é romancista, mas antropólogo especializado nas questões ligadas à corporalidade humana e autor de mais de dez ensaios relativos ao corpo.

Para David Le Breton, o indivíduo, na sociedade contemporânea, pensa o corpo como um material, como um simples suporte e veículo da pessoa, assim andando e pensando, ele parece se afastar cada vez mais do seu próprio corpo e concebê-lo como uma matéria imperfeita, corrigível e finalmente dispensável.

Le Breton, nesse livro sobre o corpo na cultura ocidental pós-moderna, mostra até que ponto o novo imaginário do corpo revela a contemporaneidade do dualismo cartesiano e convida o leitor a segui-lo na sua “antropologia das aventuras do corpo dissociado da pessoa, percebido como um material acidental, infeliz e moldável” (1999: 21).

Ao longo dessa viagem de iniciação, Le Breton demostra como esse grande desprezo pelo corpo, essa vontade de corrigir e eliminar o corpo, está principalmente veiculado pelas tecno-ciências (medicina, genética, robótica, informática...) que pretendem liberar o homem do seu corpo, mudar a condição humana, declarando o fim do corpo e das suas imperfeições. Esse mito da saúde perfeita, analisado por Lucien Sphez, alimenta o discurso científico atual e nos anuncia uma profunda mutação epistemológica: pensar um homem sem corpo.

A partir das descobertas e experiências dos primeiros anatomistas (Vesale,1543), o corpo ocidental tornou-se matéria viva, “coisa” de medicina, e o dualismo cartesiano encontrou um imenso campo de experimentação “ao vivo”: a Ciência Moderna se lança de corpo e alma nos estudos do corpo como realidade autônoma, totalmente separada do homem, da pessoa.

Descartes corta, disseca, retira a inteligência do homem do seu corpo, da sua carne: “Eu não sou esse conjunto de membros que chamamos de corpo” (Descartes, 1970). Hoje, “o corpo é escaneado, purificado, gerado, remanejado, renaturalizado, artificializado, recodificado geneticamente, decomposto e reconstruído ou eliminado, estigmatizado em nome do grande ‘espírito’ ou do gene ‘ruim’. A sua fragmentação é conseqüência da do sujeito.
O corpo aparece hoje como o maior desafio político, ele é o analisador fundamental
das nossas sociedades contemporâneas” (1999: 21).

David Le Breton mostra como, nas representações pós-modernas do corpo e nas
novas técnicas corporais ocidentais, o espaço que separa o homem do seu corpo se estendeu. Para ele, já entramos no tempo “pós-biológico” da história humana, período no qual a humanidade busca superar as fragilidades e as imperfeições ligadas a sua condição “corporal”.

As novas tecnologias, com seus discursos, suas experiências e suas descobertas, sonham com um corpo biônico, tão perfeito e controlável quanto um computador, e nos convidam a conceber a carne do corpo como um puro feitiço, do qual seria melhor se livrar logo.

A ficção científica sempre esteve muito interessada nas conseqüências que as novas tecnologias poderiam ter sobre o corpo; do cinema à literatura, muitos foram os romancistas que entenderam que, no “futuro”, o homem iria querer mudar sua condição corporal e que a noção de corpo se constitui como uma grande musa da imaginação futurista.

Do doutor Frankenstein (Wells, 1990) aos trabalhos do doutor Moreau (Shelley, 1983), de Blade Runner a Matrix, o uso do corpo humano como um material biológico disponível coloca sempre em cena personagens cuja evidência “humana” é rompida e cujo estatuto antropológico suscita o medo. Em Matrix, a carne é considerada como uma doença, a condição corporal vista como epidemia e os corpos humanos são fabricados e controlados industrialmente pelos próprios robôs, que inverteram os papéis e demostraram a superioridade dos materiais eletrônicos sobre as matérias vivas, da eternidade sobre a morte.

Esse poder de “dar a vida” que têm os robôs no filme parece muito com os poderes que querem adquirir os geneticistas e os engenheiros da Inteligência Artificial do final do século XX.

As criaturas moldadas por Moreau na sua ilha de experimentação genética eram híbridas, hoje, a clonagem de animais (e a ciência de reprodução do “idêntico” ultrapassa tecnologicamente a das misturas) já foi realizada várias vezes (o primeiro caso foi de uma ovelha e do seu clone Dolly).

Através de uma leitura antropológica da literatura de ficção científica contemporânea (Dick, Ballard, Moravec, Gibson...), Le Breton coloca em evidência a velocidade das transformações nas representações e nos usos sociais e medicinais do corpo humano. Tradicionalmente inspirada pelas últimas descobertas científicas e as suas possíveis perspectivas futuras, a ficção científica de hoje está sendo, paradoxalmente, cada vez mais “realista”.

A aceleração das descobertas nas biociências e os avanços tecnológicos produzem um
“efeito de real” que ultrapassa muitas vezes o próprio desafio “futurístico” da ficção científica: descrever um futuro radicalmente diferente do presente, uma ficção do tempo no mundo.

“O nosso próprio mundo virou um universo de ficção cientifica” (1999: 159).

O futuro do corpo é hoje, nos avisa Le Breton, e ele está sendo questionado tanto pelas literaturas de ficção quanto pelos científicos.

David Le Breton, que já sabe há muito tempo que a única realidade do corpo é de ordem simbólica, mergulha entre o biológico e o ético, entre o corpo “real” e o “virtual” (ou feitiço), sem nunca se perder numa ficção antropológica, justamente porque ele sabe usar um para analisar o outro, e vice-versa. Nesse último livro, David Le Breton consegue navegar através dos novos paradigmas do corpo (o corpo-(alter)ego; o corpo virtual; o corpo genético...), conceitos que aparecem fundamentais para entender a condição humana no século XXI. Neste percurso, ele dirige o leitor com firmeza e precisão, e, ao mesmo tempo, o convida a viajar em torno dos futuros corpos, entre as descobertas e os delírios da ciência e da tecnologia.

Na primeira parte do livro, ele aborda as tentativas do indivíduo, nas nossas sociedades ocidentais, de dominar seu corpo, suas emoções, seu eu corporal tanto através de biopoderes coletivos (Foucault) quanto através de um autocontrole de si que passa por um profundo desprezo do corpo. O primeiro passo dessa desconfiança com o corpo concerne a sua aparência, sua exterioridade e visibilidade. Assim que o corpo chega, a sociedade toma conta dele, o corpo é concebido e vivido como se fosse um objeto inacabado, incompleto, um puro rascunho da identidade pessoal.

Em busca de um corpo ideal (Malysse, 1998), os indivíduos procuram incorporar as normas de uma nova estética corporal. No Rio de Janeiro, muitas pessoas procuram mudar seu corpo através de uma hipermalhação para transformar a imagem do seu “eu” e, assim, sua vida social.

Nessas práticas de modificação da aparência, o corpo é vivido como um parceiro e não se apresenta mais como dado, dando início a processos psicológicos e sociais, mas como produto desses processos. Nessa linha de pesquisa, Le Breton analisa também as marcas corporais (tatuagens, piercing...) como signos de uma mudança radical em relação ao corpo.

No vasto campo do body art, ele apresenta os trabalhos do Faquir Musafar, líder dos “Primitivos Modernos” que experimenta no seu próprio corpo várias modificações corporais inspiradas pelas culturas primitivas. David Le Breton considera também o transexualismo como uma marca corporal, pois “a marca corporal traduz a necessidade de completar, por iniciativa pessoal, um corpo que não chega a incorporar/encarnar a identidade pessoal” (1999: 98).

Nessas práticas de individualização, que levam a uma recriação de si, o corpo se torna uma extensão do eu, a parte visível do “ego” e Le Breton relaciona essas práticas de “correção” do corpo com a medicalização da vida cotidiana e com a produção farmacológica de si.

Por um lado, o corpo visível é reconstruído, por outro, as emoções e sensações são controladas através do uso cotidiano dos psicotrópicos. Do dentro ao fora, do visível ao sensível, essa desconfiança com o corpo leva os indivíduos a usar pílulas e medicamentos para tudo: para acordar, para dormir, para estar em forma, para combater o estresse, a apatia, para engordar, para emagrecer, para bronzear...

Para Le Breton, “o corpo humano virou um continente explorado pelos cientistas em busca de benefícios. No tempo dos anatomistas, os pesquisadores somente procuravam nomear cada fragmento do corpo, hoje eles tomam posse dele para melhor gerenciar os seus usos econômicos potenciais.
A colonização não é mais espacial, ela investe na corporeidade humana” (:117).

Através de uma leitura crítica dos avanços em genética humana e reprodução artificial, Le Breton mostra em quais pontos o homem procura dominar a sua incorporação ao mundo: a fecundação in vitro (FIV), os controles de “fabricação”, os testes do embrião, a idéia de uma infanticida na medicina, a utopia de uma gravidez masculina, estes são os signos de uma forma de eugenismo pós-moderno.

O Projeto Genome que tenta cartografar a estrutura do DNA humano, considerando que o nosso destino é inscrito nos nossos genes, e as experiências com a clonagem que aparecem como uma tentativa de avaliar as razões genéticas das coisas “humanas”: de explicar tudo pelo genético.

Assim, hoje, certos cientistas americanos, pensam “seriamente” que a violência pode ser de origem genética, como seriam também o homossexualismo, o alcoolismo... e isso, “do mesmo jeito que, na época da escravidão, teriam descoberto a existência de um gene do escravo!”
(1999: 104).

As questões de Bioética, levantadas por essas novas ciências, aparecem aqui como novas perturbações introduzidas na configuração do corpo e na configuração do mundo. Da mesma forma, “o virtual marca o começo de um novo paradigma da relação do homem com o mundo” (: 16). Ciberespaço, cibersexualidade, inteligência artificial, mito do Andróide sensível e inteligente...

O corpo da realidade virtual aparece desencarnado e a carne vira uma pura ficção.

O ciberespaço parece poder livrar finalmente o homem da “escravidão do corpo” (Timothy Leary). A noção de “carne-no-mundo” e toda a fenomenologia do corpo desenvolvida por Merleau-Ponty não tocam mais ninguém, a relação com o mundo está sendo radicalmente transformada numa troca de informações, na qual os homens sonham ser “eletrônicos”... Esse mito do “homem silicium” pode assustar os mais sensíveis, os leitores mais emotivos, aqueles que ainda estão-no-mundo, mas o discurso de Le Breton é sem exagero e sem ambigüidades, ele termina seu livro confessando que “felizmente, ficamos em carne e osso para não perder o gosto do mundo”(: 223). Da sua “ciência” antropológica, David Le Breton consegue mostrar com explicações sábias os elementos mais recentes da imensa história do corpo descrevendo com fineza as conseqüências das novas tecnologias sobre o nosso “corpo” total (Mauss, 1950), social, biológico e psicológico.

Da sua paixão pela “ficção”, ele escolhe os melhores exemplos ilustrativos, as imagens mais marcantes do nosso novo imaginário do corpo. Como Paul Stoller, David Le Breton sabe desfrutar de todas as riquezas descritivas e evocativas da literatura e por meio desse diálogo incessante entre Antropologia e Literatura.

Ele criou um estilo de escrever a “Antropologia” rompendo definitivamente as fronteiras entre os gêneros. Ele faz na escrita, na sua prática antropológica, o que James Clifford e os pós-modernos americanos apenas teorizaram: “Para mim, somente a literatura pode realmente dar conta desse mundo de sutileza e de fragilidade do corpo humano” (Barthes, 1978).



Stéphane Rémy MALYSSE Coordenador do Núcleo Visual de Antropologia – UFBA REVISTA DE ANTROPOLOGIA, SÃO PAULO, USP, 2000, V. 43 nº 2.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

The Man with the Strange Head and Other Early Science Fiction Stories

In March 1926 a new magazine appeared on newsstands with a wondrous cover that showed skaters gliding on a sheet of ice with a Saturn-like planet looming in the background, and it featured classic stories by H. G. Wells, Jules Verne, Edgar Allan Poe, and others.

This was the April 1926 issue of Amazing Stories, and with its appearance a new literary genre, Science Fiction, was born. Well... not quite.

Sciencefiction had been around since the early nineteenth century when Mary Shelley published her classic novel Frankenstein in 1818 and had been a recognizable, but still largely undefined, genre when Verne penned his Voyages extraordinaries from 1864 to the end of the nineteenth century and Wells produced his scientific romances and stories in the 1890s.

The selection of reprinted stories that Hugo Gernsback included in Amazing’s first issue, and those he published over the course of the rest of 1926, bear this out. Still, Gernsback’s Amazing Stories was the first magazine devoted exclusively to science fiction (called “scientifiction” in the early years), and in its pages the genre, particularly in its American idiom, was formed and defined.

Contents

The Man wit h the Strange Head
Amazing Stories, January 1927

The Appendix and the Spectacles
Amazing Stories, December 1928

The Gostak and the Doshes
Am azing Stories, March 1930

Paradise and Iron
Amazing Stories Quart erly, Summer 1930

A Problem in Communication
Astounding Stories, September 1930

On Board t he Martian Liner
Amazing Stories, March 1931

Mechanocracy
Amazing Stories, April 1932

The Finger of the Past
Amazing Stories, November 1932

Millions for Defense
Amazing Stories, March 1935

Mars Colonizes
Marvel Tales, Summer 1935

The Oversight
Comet Stories, December 1940


Appendix 1: The Future of Scientiction
Amazing Stories Quarterly, Summer 1929
Appendix 2: Selected Letters
Source Acknowledgments
Breuer’s Science Fiction


The Man with the Strange Head and Other Early Science Fiction Stories [ Download ]
Edited and with an introduction by Michael R. Page

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Historical Dictionary of Fantasy Literature


ONCE UPON A TIME

Fantasy is the faculty by which simulacra of sensible objects can be reproduced in the mind: the process of imagination.

What we generally mean when we speak of “a fantasy” in psychological terms is, however, derived from an exclusive rather than an inclusive definition of the term.

The difference between mental images of objects and the objects themselves is dramatically emphasized by the fact that mental images can be formulated for which no actual equivalents exist; it is these images that first spring to mind in association with the idea of fantasy, because they represent fantasy at its purest.

For this reason, Geoffrey Chaucer, the first writer known to us who worked in a language recognizably akin to modern English, uses the word fantasye to refer to strange and bizarre notions that have no basis in everyday experience, and this is the sense in which it is usually used today when one speaks of “fantasy literature.”

Nor is the word a mere description in Chaucer’s usage; it has pejorative implications. Any dalliance with “fantasye” in the Chaucerian sense tends to be regarded as self-indulgent folly, whether it is a purely psychological phenomenon (a fanciful aspect of “daydreaming”) or a literary one.

This attitude is peculiar, if not paradoxical. There is no thought without fantasy, and the faculty of fantasizing may well be the evolutionary raison d’être of consciousness—and yet, the notion of “fantasy” comes readytainted with implications of unworthiness, of a failure of some alleged duty of the human mind to concentrate on the realities of existence.

It is partly for this reason that the notion of “fantasy” as a literary genre is so recent.

Before 1969, the description “fantasy,” with respect to literary works, was usually only applied to a variety of children’s fiction, the implication being that the folly of fantasizing was something that adults ought put away with other childish things.


Historical Dictionary of Fantasy Literature - Brian Stableford [ Download ]

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Fantastic Voyages - Learning Science Through Science Fiction Films



Do you relish science fiction films but do not have quite the same feeling about science?

If so, this book was written with you in mind. We, the authors, are college professors who also happen to love science fiction films.

Because of our scientific expertise, we can get even more enjoyment from screening science fiction films than the average viewer because we understand what is possible or what is truly “out of this world” in the universes portrayed on film.

After reading this book and working through the exercises at the end of each chapter, you will get more out of screening science fiction films you will have a deeper understanding of the scientific principles presented in the films and probably a new respect for those filmmakers who depict science fiction that is close to science fact.

The goal of this book is to provide basic physics and biology instruction, using scenes from science fiction films as examples of the concepts discussed. Your instructor will most likely use clips from the films to illustrate a scientific principle, and you will probably find that seeing a portrayal of a scientific principle (or of a principle’s violation) helps you to understand a concept better than more traditional methods of classroom instruction.

Furthermore, by watching films you will get a better feel for how different fields of science interact—rarely does a film deal with physics only and not for example, biology, astronomy, or the social sciences.

We hope that you will come to enjoy both science and science fiction films as much as we do. (Even if you have to forgo the popcorn!)




PHYSICS
CHAPTER 1 SCIENCE
A Brief History of Science
Science, Religion, and Technology
The Scientific Method
Science and the Media
The Andromeda Strain
Measurement and Uncertainty
Scientific Notation
Units and Standards
Changing Units
Exercises

CHAPTER 2 MECHANICS
Speed and Velocity
Frame of Reference
Acceleration
Newton’s Laws of Motion
Momentum
The Day the Earth Caught Fire / Superman / 2010
Energy
Forbidden Planet / The Empire Strikes Back / Terminator 2: Judgment Day
Rotational Motion
2001: A Space Odyssey / 2010
Gravity
The Black Hole
Satellite Motion
2001: A Space Odyssey / Aliens
Exercises

CHAPTER 3 ASTRONOMY
The Solar System: The Planets
The Sun
The Moon
2010 / Total Recall / Aliens
Meteors and Comets
Meteor / Deep Impact
The Galaxy and the Universe
The Black Hole
The Evolution of the Universe
Intelligent Life Elsewhere
Star Trek IV
Ancient Astronauts
2001: A Space Odyssey / Hangar 18
Exercises

CHAPTER 4 ELECTRICITY AND MAGNETISM
Electrical Forces
Electrical Charges
Electric Currents
Electric Power
The Day the Earth Stood Still
Magnetism
Computers
2001: A Space Odyssey / Colossus: The Forbin Project /
Terminator 2: Judgment Day / Blade Runner
Exercises

CHAPTER 5 ATOMIC AND NUCLEAR PHYSICS
The Atom
Antimatter
Atomic Spectra
Star Trek IV: The Voyage Home / The Fly (1986 Version) /
The Adventures of Buckaroo Banzai / Terminator 2: Judgment Day
The Nucleus
Effects of Radiation
Radiation Detectors
Nuclear Fission and Fusion
The Three Mile Island Accident
The Chernobyl Accident
The China Syndrome
Nuclear Terrorism
The Peacemaker
Forbidden Planet
Aliens
Elementary Particles
Fantastic Voyage / Outer Limits: “The Production and Decay of Strange Particles”
Exercises

CHAPTER 6 RELATIVITY AND TIME
Time Dilation
Time Travel
Star Trek IV: The Voyage Home / Superman: The Movie
Terminator 2: Judgment Day / The Time Machine
Length Contraction
Star Trek IV: The Voyage Home
Increase of Mass with Speed
Mass-Energy Transformation
General Theory of Relativity
Gravity and Time
The Black Hole
Exercises

CHAPTER 7 THE STATES OF MATTER
The Solid State
Star Trek: “Arena”
Density
Size, Mass, and Strength
Them!
The Liquid State
Pressure
The Abyss
Buoyancy
Pascal’s Principle
Gases: Atmospheric Pressure
The Gaseous State
Equation of Continuity
Bernoulli’s Principle
Star Wars / Blade Runner
Diffusion
Them!
Exercises

CHAPTER 8 HEAT, TEMPERATURE, AND THERMODYNAMICS
Temperature
Thermal Expansion
Heat
Specific Heat
Heat Transfer
Silent Running / The Empire Strikes Back /
Phase 4 / 2010
Change of State
Them! / The Thing (1951 Version)
Thermodynamics
First Law of Thermodynamics
Second Law of Thermodynamics
Zardoz
Exercises

CHAPTER 9 WAVE MOTION AND SOUND
Waves
Wave Speed
Transverse Waves
Longitudinal Waves
Interference
The Doppler Effect
Sound
Superman,
Speed of Sound
The Abyss / The Day of the Triffids
Resonance
Loudness
Shock Waves and the Sonic Boom
The Day the Earth Stood Still
The Electromagnetic Spectrum
The Day of the Triffids
Light
Polarization
Holography
Star Wars/ Total Recall
Exercises

CHAPTER 10 GLOBAL WARMING AND
THE GREENHOUSE EFFECT
How the Greenhouse Effect Works
Types of Greenhouse Gas
Projections of the Effects of Global Warming
Kyoto Protocol
What Can Be Done to Reduce the Impact of the Greenhouse Effect
Related Films
Star Trek: The Next Generation, A Matter of Time / The Arrival,
Exercises

BIOLOGY
CHAPTER 11 CHARACTERISTICS OF LIVING THINGS
The Cell Theory
Cell Structure and Function
Selected Organelles and Their Functions
Cell Size
Organisms
Kingdoms of Organisms
The Andromeda Strain
Exercises

CHAPTER 12 CELLULAR REPRODUCTION
Diploid and Haploid Cells
Fertilization and Meiosis
Development
Genes
Mutations and Them!
Exercises

CHAPTER 13 THE ENERGY NEEDS OF LIVING THINGS
Work Requires Energy
Organization Requires Energy
Enzymes and Pathways
Adenosine Triphosphate
Hydrogen and Electron Carrier Molecules
Photosynthesis
Glycolysis
Mitochondrial Pathways
Silent Running
Exercises

CHAPTER 14 PLANTS AND ANIMALS COMPARED
Differentiation
Tissues of Animals
Organs of Animals
Organ Systems in Animals
From Organs to Tissues in Plants
The Day of the Triffids
Exercises

CHAPTER 15 MULTICELLULARITY AND IMMUNITY
Multicellularity
Cell Adhesion Molecules
Histocompatibility
Immunity
Fantastic Voyage
Exercises

CHAPTER 16 EVOLUTION
Environments and Prevailing Organisms Change
Natural Selection by Survival of the Fittest
Adaptation and Speciation
Homologies, Development, and Vestigial Structures
Planet of the Apes
Extinction
Biodiversity
Jurassic Park
Exercises

FILM DESCRIPTIONS
FILMS WITH LITERARY COMMENTARY
2001: A Space Odyssey
2010: The Year We Make Contact
The Andromeda Strain
Blade Runner
Colossus: The Forbin Project
Contact
The Day of the Triffids
The Day the Earth Caught Fire
The Day the Earth Stood Still
Fantastic Voyage
Forbidden Planet
Hangar 18
Them!
The Thing (1951 version)
The Time Machine
Total Recall
FILMS WITHOUT LITERARY COMMENTARY
The Abyss
The Adventures of Buckaroo Banzai
After the Warming
Aliens
Star Trek: “Arena”
The Arrival
The Black Hole
The China Syndrome
Deep Impact
The Empire Strikes Back
The Fly (1986) Version
Independence Day
Jurassic Park
Meteor
The Peacemaker
Phase IV
Planet of the Apes (1968) Version
Planet of the Apes (2001) Version
The Production and Decay of Strange Particles (The Outer Limits)
Silent Running
Star Trek: The Next Generation—”A Matter of Time”
Star Trek IV: The Voyage Home
Star Wars
Superman
Terminator 2: Judgment Day
Zardoz
INDEX



Fantastic Voyages - Learning science through science fiction films [ Download ]

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

The Routledge Companion to Science Fiction


The Routledge Companion to Science Fiction is a comprehensive overview of the history and study of science fiction.

It outlines major writers, movements, and texts in the genre, established critical approaches and areas for future study. Fifty-six entries by a team of renowned international contributors are divided into four parts which look, in turn, at:

• History – an integrated chronological narrative of the genre’s development
• Theory – detailed accounts of major theoretical approaches including feminism, Marxism, psychoanalysis, cultural studies, postcolonialism, posthumanism, and utopian studies
• Issues and Challenges – anticipates future directions for study in areas as diverse as science studies, music, design, environmentalism, ethics, and alterity
• Subgenres – a prismatic view of the genre, tracing themes and developments within specific subgenres

Bringing into dialogue the many perspectives on the genre, The Routledge Companion to Science Fiction is essential reading for anyone interested in the history and the future of science fiction and the way it is taught and studied.

PART I - History

01 The Copernican Revolution
Adam Roberts

02 Nineteenth-century sf
ArThur B. Evans

03 Fiction, 1895–1926
John Rieder

04 Sf tourism
Brooks Landon

05 Film, 1895–1950
J.P. Telotte

06 Fiction, 1926–1949
Farah MendleSohn

07 Golden Age comics
Marek Wasielewski

08 Film and television, the 1950s
Mark Jancovich and Derek Johnston

09 Fiction, 1950–1963
Rob Latham

10 Film and television, 1960–1980
Peter Wright

11 Fiction, 1964–1979
Helen Merrick

12 Manga and anime
Sharalyn Orbaugh

13 Silver Age comics
Jim Casey

14 Film since 1980
Sean Redmond

15 Television since 1980
LinColn Geraghty

16 Fiction, 1980–1992
Michael Levy

17 Comics since the Silver Age
Abraham Kawa

18 Fiction since 1992
Paul Kincaid

PART II - Theory

19 Critical race theory
isiah Lavender

20 Cultural history
lisa Yaszek

21 Fan studies
Robin Anne Reid

22 Feminisms
Jane Donawerth

23 Language and linguistics
Mark Bould

24 Marxism
William J. Burling

25 Nuclear criticism
Paul Williams

26 Postcolonialism
Michelle Reid

27 Posthumanism and cyborg theory
VeroniCa Hollinger

28 Postmodernism
Darren Jorgensen

29 Psychoanalysis
Andrew M. Butler

30 Queer theory
Wendy Gay Peaeson

31 Utopian studies
Alcena Madeline DaviS Rogan

32 Virtuality
Thomas Foster

PART III - Issues and challenges

33 Animal studies
Joan Gordon

34 Design for screen sf
Piers D. Britton

35 Digital games
Tanya Krzywinska and Esther Maccallum-Stewart

36 Empire
Istvan Csicsery-Ronay JR

37 Environmentalism
Patrick D. Murphy

38 Ethics and alterity
Neil Easterbrook

39 Music
Ken MCleod

40 Pseudoscience
Roger Luckhurst

41 Science studies
Sherryl Vint

42 Space
James Kneale

43 Time, possible worlds, and counterfactuals
Matt Hills

44 Young adult sf
Joe Suttiff Sanders

PART IV - Subgenres

45 Alternate history
Karen Hellekson

46 Apocalyptic sf
Aris MouSoutzanis

47 Arthouse sf film
Stacey Abbott

48 Blockbuster sf film
Stacey Abbott

49 Dystopia
Graham J. murphy

50 Eutopia
Graham J. Murphy

51 Feminist sf
Gwyneth Jones

52 Future history
Andy Sawyer

53 Hard sf
David n. Samuelson

54 Slipstream
Victoria de Zwaan

55 Space opera
Andy Sawyer

56 Weird Fiction
China Miéville



The Routledge Companion to Science Fiction [ Download ]

domingo, 16 de agosto de 2009

Roger Zelazny


Roger Joseph Zelazny (13 de Maio, 1937 - 14 de Junho, 1995) nasceu em Euclid, Ohio (EUA).

Escritor de Fantasia e Ficção Científica (FC), ganhador de vários prêmios Nebula (3) e Hugo (6), era filho único de imigrantes poloneses.

Formado em lingua inglesa pela Universidade de Columbia, Zelazny possuia um raro dom para conceber mundos plausíveis e sedutores. Suas descrições cativantes, funcionavam tão bem no gênero Fantasia quanto para a Ficção Científica. Seus críticos costumavam dizer que esta falta de definição, este trânsito por um gênero ou por outro, lhe custara uma identificação que lhe permitisse se inserir por definitivo, no panteão dos grandes autores de um ou de outro gênero.

Escritor prolífico, Zelazny era capaz de criar todo um novo universo para cada um de seus livros. Sua FC não raramente era influenciada por mitologia, poesia e pelos clássicos literários franceses e ingleses do final do século 19 e início do 20.

Um de seus trabalhos 'Lord of Light', (considerada uma das 30 melhores histórias de Ficção Científica no mundo) é baseado na mitologia Hindu. Sua série Amber, se utiliza das cartas do Tarô, onde mágicos míticos viajam através do espaço-tempo. Deuses egípcios populam 'Creatures of Light and Darkness' e elementos da religião Navajo serviram de inspiração para 'Eye of cat'.

Seu livro 'Damnation Alley' foi adaptado para o cinema e a série Amber estava para se tornar uma mini-série, quando Zelanzy veio a falecer após vários meses de luta contra um câncer tardiamente descoberto.




O Caminho dos Condenados (Damnation Alley) [ Download ]

Roger Zelazny (He who shapes, For A Breath I Tarry, Eye of Cat, Doors of his face lamps of the his mouth, Devil car, The black throne, The chronicle of Amber 10 books, Sign of Unicorn, Amber SS 6 books, Hand of Oberon, Guns of Avalon, Tu él imortal, If at Faust You don't succeed, Bring me the head of Prince Charming, A face to be reckoned with, Wizard World 2 books, Unicorn variation, This mortal mountain, This moment of the storm, This Imortal, The stainless steel leech, The shrouding and the guisel The Saleman's tale, The night has 999 eyes, The naked matador, The monster and the maiden, The man who loved the faioli, The last defender of Camelot, The Jack of Shadows, The Great Slow Kings, The graveyard heart, The dream master, Roadmarks, Recital, Prologue to the trumps of Doom, Permafrost, My name is Legion, Love is an imaginary number, Lord of Light, Last of the wild ones, Keys to remember, Isle of the Dead, Here there be dragons, Hall of mirrors, Go starless in the night, Four for tomorrow, Engine at heartspring's center, Doorways in the sand, Divine Madness, Dismay light, Dilvish the damned, Deus Irae, Death and the executioner, Deadboy Donner and the Filstone cup, Corrida, Coming to a cord, Collectors Fever, Blue horse dancing mountains, And I only am escape to tell thee, A night in the lonesome October, A Museum piece, Three Descents ) [ Download ]