sábado, 31 de outubro de 2009

Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 1



CAPITULO 1

Este capítulo é dedicado à BakkaPhoenix Books em Toronto, Canadá. Bakka é a livraria dedicada à ficção científica mais antiga do mundo, e me fez o mutante que sou hoje. Entrei nela por volta dos 10 anos, e pedi algumas recomendações. Tanya Huff (que não era a escritora famosa que é hoje) me levou até a seção de usados e colocou em minhas mãos um exemplar de Little Fuzzy de H.Beam Piper e mudou para sempre a minha vida. O tempo passou e, quando eu tinha 18 anos, eu trabalhava na Bakka; assumi o lugar de Tanya quando ela se aposentou para se dedicar a escrever em tempo integral e aprendi lições para uma vida toda sobre como e porque as pessoas compram livros. Acho que todo escritor deveria trabalhar em uma livraria (e muitos trabalharam na Bakka. No aniversário de 30 anos da livraria, eles fizeram uma antologia dos escritores que trabalharam na Bakka, que incluía trabalhos de Michelle Sagara (ou Michelle West), Tanya Huff, Nalo Hopkinson, Tara Tallan e eu!)
BakkaPhoenix Books: 697 Queen Street West, Toronto ON Canada M6J1E6, +1 416 963 9993

Sou um veterano na escola César Chávez, no ensolarado distrito da Missão, em São Francisco. E isto me faz uma das pessoas mais vigiadas do mundo. Meu nome é Marcus Yallow, mas antes da historia começar, eu era W1N5T0N. Pronuncia-se ‘Winston’.

Não pronuncie como ‘Dáblio-um-ene-cinco-tê-zero-ene’ - a não ser que você seja um oficial de disciplina sem noção que não sabe de nada e que ainda chama a Internet de “a super-via da informação”.
Eu conheço uma destas pessoas sem noção e seu nome é Fred Benson, um dos três vice-diretores da César Chávez. Ele é um ser humano desprezível. Mas se você vai ter um carcereiro, é melhor que seja um idiota do que alguém que saiba das coisas.

‘Marcus Yallow’ ele disse no sistema de som em uma sexta-feira pela manhã. O sistema de som da escola não é propriamente muito legal, e quando você combina com o habitual balbuciar de Benson, você consegue sons que mais parecem alguém com problemas em digerir um burrito estragado do que um aviso escolar. Mas os seres humanos são bons em identificar seus nomes no meio da confusão sonora - é uma questão de sobrevivência.

Agarrei minha mochila e guardei dentro o laptop, meio aberto - eu não queria perder os meus downloads e me preparei para o inevitável.
“Venha imediatamente ao escritório da administração.”

Minha professora de estudos sociais, Senhorita Galvez, olhou pra mim e eu para ela.
O sujeito estava pegando no meu pé só por que eu atravessava os firewalls da escola como se fossem feitos de guardanapos molhados, enganava o software de reconhecimento e detonava os chips delatores que eles usam para nos rastrear. Senhorita Galvez é legal, de qualquer modo nunca me causou problemas (principalmente quando eu a ajudo com seu webmail, para que ela consiga falar com seu irmão que está servindo no Iraque.)

Meu mano Darryl me beliscou o traseiro quando passei por ele. Conheço Darryl desde o tempo que usávamos fraldas e fugíamos da creche;  e eu sempre estava nos metendo ou nos tirando de confusões. Levantei meus braços sobre minha cabeça como um boxeador ao vencer uma luta e caminhei para fora da classe começando meu trajeto de humilhação como um condenado até o escritório.

Estava no meio do caminho quando meu celular tocou. Era um daqueles telefones baratos e configuráveis, “muy proibido” na escola - mas por que isso iria me impedir? Me enfiei num banheiro e me fechei numa cabine central, (a cabine mais longe estava sempre cheia por que muitos a procuravam, querendo escapar do cheiro ruim e  das coisas mais repugnantes - a jogatina e a higiene ficavam nas cabines do meio) Verifiquei o celular - meu PC de casa me mandara um email para dizer que tinha algo de novo acontecendo em Harajuku Fun Madness, que era o melhor jogo jamais inventado.

Comecei a rir. Passar as sextas na escola era um tédio e fiquei feliz em ter uma desculpa para escapar dali.
Arrastei-me pelo resto do caminho até o escritório de Benson e acenei para ele enquanto entrava em sua sala.
“Se não é ‘Dablio-um-ene-cinco-tê-zero-ene’, ele disse.

Frederick Benson número de seguro social 545-03-2343, data de nascimento 15 de Agosto de 1962, nome de solteiro da mãe “Di Bona”, natural de Petaluna - é um pouco mais alto que eu. Tenho 1,73 enquanto ele mede 2,01. E seus dias de basquetebol na faculdade haviam ficado a muito para trás, de forma que os músculos peitorais haviam se tornado frouxos peitinhos perceptíveis através de sua camisa pólo, brinde de uma empresa pontocom. Ele sempre parecia pronto para chutar seu traseiro e ainda elevava a voz para aumentar o efeito dramático. Ambas estratégias haviam começado a perder sua eficácia devido à repetição.

“Desculpa, mas não sei quem é este seu R2D2.”
“W1n5t0n.” Ele disse, soletrando de novo. Olhou-me de esguelha, desconfiado, e esperou que eu me acalmasse. Era claro que era o meu Nick há anos, e era a identidade que eu usava quando fiz minhas contribuições ao campo da pesquisa de segurança aplicada. Você sabe, como escapar da escola e desabilitar o rastreio do meu telefone. Mas ele não sabia então que este era meu nick. Só um pequeno grupo de pessoas tinha essa informação, gente confiável.

“Hum, não tem nenhuma campainha tocando” Eu disse. Eu fizera um bom trabalho por aí, com aquele nick - tinha orgulho de ter liquidado aqueles delatores - mas se ele fosse capaz de juntar as duas identidades, então eu estava ferrado. Ninguém na escola me chamava de W1n5t0n ou mesmo Winston. Nem meus amigos. Eu era apenas Marcus.

Benson protegeu-se atrás de sua mesa e seu anel de grau batia nervosamente na mesa. Isso sempre acontecia quando as coisas estavam pretas para ele. Os jogadores de pôquer chamavam isso de “dica” - algo que ajuda você a saber o que está se passando dentro da cabeça do adversário. Eu conhecia todas as dicas de Benson de trás para frente.

“Marcus, espero que você perceba que a situação é muito séria.”
“Perceberei assim que me explicar do que se trata, senhor.” Eu sempre dizia “senhor” para uma autoridade quando eu estava sendo irônico com ela. Era a minha “dica”.

Ele balançou a cabeça e olhou para baixo. Outra dica. Daqui a pouco ele iria começar a gritar comigo.
“Escute aqui, garoto! Já é hora de você se tocar que sabemos tudo o que você anda fazendo e que não seremos tolerantes! Você vai ter com sorte se não for expulso antes desta conversa terminar. Você quer se formar?”
“Senhor Benson, o senhor ainda não me explicou qual é o problema...”
Ele socou a mesa e apontou para mim.
“O problema, Senhor Espertinho, é que você se envolveu em uma conspiração criminosa para subverter o sistema de segurança da escola e forneceu dispositivos de contramedida para seus amigos estudantes. Você sabe que conversamos com Graciella Uriarte semana passada sobre o uso de um de seus dispositivos.”
Uriarte tinha sido enganada. Comprara um bloqueador de rádio de uma espelunca perto da estação BART (Bay Area Rapid Transit) na rua 16 e ele deixou de funcionar bem na entrada da escola. Não era minha culpa, mas tive pena dela.
“E o senhor  pensa que estou envolvido nisso?”
“Temos informações confiáveis de que você é o W1N5T0N (novamente ele soletrou e eu comecei a imaginar se ele não tinha percebido ainda de que o 1 era I e o 5 um S). Nós sabemos que este tal de W1N5T0N é responsável pelo roubo dos testes standard no ano passado.”

Não verdade eu não tinha feito isso, mas era o tipo de coisa que você gosta que seja dito de você, como um elogio.
 “Além do mais, este fato é suscetível a muitos anos de detenção, a não ser que coopere comigo.”
“O senhor tem ‘informações confiáveis’? Eu gostaria de vê-las!”
Ele me encarou. “Sua atitude não vai ajudá-lo.”
“Se existe uma prova, senhor, acho que devia chamar a polícia e entregar a coisa para eles. Parece coisa séria, e eu não gostaria de ficar no caminho de uma investigação apropriada pelas autoridades responsáveis.”
“Quer que chame a polícia.”
“E meus pais, eu acho. Seria melhor assim.”

Nós ficamos nos encarando através da mesa. Ele esperava que eu me entregasse assim que soltou a bomba sobre mim. Eu não me dobrei. Eu tinha um truque para desarmar gente como Benson: eu olhava levemente para a direita das suas cabeças e pensava nos versos de velhas canções irlandesas, do tipo que tem trezentos versos. Isso me fazia parecer perfeitamente controlado e despreocupado.
 E a asa veio do pássaro, e o pássaro veio do ovo, e o ovo estava no ninho, e o ninho estava na folhagem, e a folhagem estava no galho, e o galho estava no ramo, e o ramo estava no tronco, o tronco está na árvore, a árvores estão no pântano, o pântano no vale - ho!
“Pode voltar para a sua classe. Eu o chamarei assim que a polícia estiver pronta para falar com você.”
“Vai chamar agora a polícia?”
“O processo para chamar a polícia é complicado. Eu esperava poder resolver isso de forma clara e rápida. Mas já que você insiste…”
“Eu posso esperar enquanto o senhor os chama. Não me importo.”
Ele bateu seu anel novamente e eu esperei a explosão.
“Saia daqui! Saia do meu escritório, seu miserável!”

Saí, mantendo minha expressão neutra. Ele não iria chamar os tiras. Se ele tivesse provas suficientes para ir até a polícia, ele teria feito isso primeiro. Ele me odiava. Então imagino que tivesse ouvido algum boato e esperava me assustar o bastante para que eu o confirmasse.

Fui seguindo pelo corredor, leve e solto, mantendo o passo para evitar as câmeras de vigilância. Elas tinham sido instaladas um ano antes e eu amava enganá-las. Algum tempo atrás nos tínhamos câmeras de reconhecimento facial cobrindo cada espaço público das escolas, mas a corte julgou como anti-constitucional. Então Benson e outros administradores paranóicos gastaram o dinheiro dos nossos computadores escolares comprando aquelas câmeras idiotas que deveriam ser capazes de acompanhar as pessoas. Tá certo, me engana que eu gosto!

Voltei para a classe e me sentei. Senhorita Galvez me recebeu preocupada. Desempacotei o computador escolar modelo standard e entrei no modo sala de aula. Estes computadores eram a tecnologia mais delatora que havia:  registravam cada tecla apertada, vigiavam o tráfego da rede procurando palavras chaves suspeitas, contavam cada clique, mantendo registro de cada pensamento que você colocasse na rede. Nós já tínhamos isso quando eu era calouro, e levava pouco mais de um mês para perder a graça. Uma vez que as pessoas percebiam que estes laptops grátis trabalhavam para “os omi” e exibiam uma lista sem fim de anúncios odiosos quando se ligava, eles passaram a parecer pesados e incômodos.

Crackear meu computador escolar foi fácil. O crack ficava online e não precisava fazer muito mais - só baixar uma imagem para um DVD, queimá-lo, inseri-lo e dar boot, enquanto se apertava varias teclas ao mesmo tempo. O DVD fazia o resto: instalava um monte de programas que ficavam escondidos na máquina mesmo quando a comissão educacional fazia seu acesso diário remoto para checar a integridade dela.  Agora mesmo eu fazia um update do software para driblar os testes mais recentes da comissão, mas isso era um preço pequeno a se pagar para se ter um pouco de controle da coisa.

Disparei meu IMParanoid, um messanger instantâneo secreto que eu usava quando queria ter uma conversa sem ser registrado bem no meio da aula. Darryl já tava logado.
>O jogo está de pé! Tem alguma coisa de sinistro acontecendo com o Harajuku Fun Madness. Tá dentro?
>De jeito nenhum. Se eu for pego, estou frito. Cara, você sabe. Deixa pra depois da escola.
>Você tem o recreio e a sala de estudos, certo? São duas horas. Tempo bastante prá sair fora e voltar antes que eles percebam. Vou levar o time completo.

Harajuku Fun Madness era o melhor jogo já lançado. Eu sei que eu já disse isso, mas não custa repetir. É um ARG, um game de realidade alternativa. A história era sobre uma gangue de adolescentes japoneses transados que descobre uma pedra de cura miraculosa em um templo em Harajuku. Esse era o lugar onde os japoneses adolescentes espertos haviam inventado toda e qualquer subcultura dos últimos dez anos. Eles são então caçados por monges do mal, a Yakusa (Máfia japonesa), alienígenas, inspetores de impostos, pais e uma inteligência artificial canalha. No jogo havia mensagens codificadas que nós precisávamos decodificar e outras pistas.

Imagine a melhor tarde que você já passou na vida vagabundeando pelas ruas da cidade, encontrando todo tipo de gente estranha, dinheiro de mentira maneiro e lojas iradas. Agora acrescente uma caçada que requer que você pesquise uns filmes antigos muito loucos, músicas e toda cultura jovem ao redor do planeta, através do tempo e do espaço. E é uma competição, onde o time vencedor ganha o prêmio de dez dias em Tóquio, curtindo em Harajuku, passeando por Akirabara, e levando para casa todo o Astro Boy que puder comer, exceto aquele chamado “Atom Boy” no Japão.

Isso era Harajuku Fun Madness e uma vez que você resolve um enigma ou dois, você não precisa voltar atrás nunca mais.
>Não cara, não mesmo! Nem vem!
>Eu preciso de você, D. Você é o melhor que eu tenho. Eu juro. A gente sai e volta e ninguém vai saber. Você sabe que eu consigo fazer isso.
>Eu sei que pode.
>Então você tá dentro?
>Caramba, não!
>Vamos lá, Darryl! Você não vai pro seu leito de morte desejando ter passado mais tempo estudando.
>Nem vou pro meu leito de morte esperando ter passado mais tempo em ARG também.
>Tá, mas pense... você pode ir pro seu leito de morte desejando ter passado mais tempo com Vanessa Pak?
Vanessa fazia parte do meu time. Ela tinha vindo de uma escola particular para moças de East Bay, mas eu sabia que ela estava querendo escapar e ir para a Missão comigo. Darryl tinha uma queda por ela há anos, mesmo antes que a puberdade a favorecesse em abundância com seus presentes. Darryl se apaixonara por ela. Triste verdade.
>Você não presta.
> Você vem?
Ele olhou para mim e balançou a cabeça. Então concordou. Pisquei para ele e comecei a trabalhar para juntar meu time.

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Nem sempre estive metido com ARG. Eu tinha um segredo obscuro. Eu costumava ser um LARPeiro. LARP significava Jogo de Representação e Interpretação de Personagens; nele você anda por aí vestindo fantasias, falando com sotaque, fingindo ser um super-espião, um vampiro, ou um cavaleiro medieval. É como Roube a Bandeira combinado com monster-drag, com uma pitada de Drama Club. E os melhores eram aqueles em que jogávamos em acampamentos fora da cidade, em Sonoma ou na Península. Esses épicos de três dias costumavam ser barra, marchas de um dia inteiro, batalhas com espadas de bambu, atirando feitiços uns nos outros gritando ‘Bola de Fogo’ e coisas assim. Muito divertido, se você é um tanto bobo. Nem de perto tão estúpido quanto se sentar numa mesa apinhada de latas de diet Coke e miniaturas pintadas e ficar falando sobre o que o seu elfo vai fazer; era algo bem mais físico do que ficar em casa em mouse-coma, diante de um game multi-jogadores estúpido.
A coisa que me deixava mal de verdade eram os mini-games em hotéis. Toda vez que um convenção de Ficção Científica chegava à nossa cidade, alguns LARPeiros conseguiam convencê-los a realizar mini-games de seis horas durante a convenção, meio que aproveitando o espaço alugado deles. Ter um bando de garotos entusiasmados, vestindo fantasias e correndo por toda parte acabava dando um pouco de animação ao evento, e nós podíamos ter nossa festa no meio de pessoas mais socialmente depravadas do que nós mesmos. O problema com os hotéis é que eles costumam ter um monte de gente que não está lá para jogar - e não falo só do pessoal da ficção científica. Pessoas normais, quero dizer. Vindas de lugares que os nomes terminam com muitas vogais, pessoas de férias.
E algumas vezes, estas pessoas não compreendem que se trata de um jogo.
Bom, vamos deixar assim, ok?

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A aula terminou em dez minutos e não me deixou tempo suficiente para me preparar. A primeira coisa a ser feita era tratar das câmeras do corredor. Como eu disse, elas haviam começado como câmeras de reconhecimento facial, mas então foram decretadas como anti-constitucionais. Pelo que sei, nenhuma corte determinou sequer se estas câmeras de acompanhamento eram legais, e até eles decidirem, continuávamos dando um jeito nelas.

 ‘Galope’ é uma palavra engraçada para um jeito de andar. As pessoas eram boas em identificar jeitos de andar - a próxima vez que for viajar para um acampamento, preste atenção no movimento da lanterna enquanto um camarada seu vem em sua direção. Existe uma grande chance de você identificá-lo apenas pelo movimento da luz, pelo jeito característico de subir e descer que diz ao nosso cérebro de macaco que é uma pessoa se aproximando.

O software de reconhecimento de galope tira fotos do seu movimento, tentando isolá-lo nas fotos como silhuetas e então tenta comparar a silhueta num banco de dados pra ver quem é você. É um identificador biométrico, como impressão digital ou scan de retina, mas tem bem mais ‘choques’ do que estes outros. Um ‘choque’ biométrico se dá quando se encontra mais do que uma combinação possível. Apenas você possui a sua impressão digital, mas sua maneira de andar pode ser imitada por outros.

Não exatamente, é claro. Seu caminhar, centímetro a centímetro, é pessoal e somente seu. O problema é que ele muda, de acordo com seu cansaço, ou devido ao material de que o chão é feito, do jeito que mexe o tornozelo machucado no basquete, ou se está com um tênis diferente. Então o sistema policia seu perfil, procurando pessoas que caminhem do jeito que você caminha.

E tem um monte de gente que anda como você. E mais, é fácil andar diferente do normal - basta tirar um pé do sapato. É claro você sempre andará como você anda com um sapato apenas. Neste caso, então as câmeras eventualmente vão ver que ainda é você. Por este motivo eu prefiro injetar uma pequena randomicidade em meus ataques ao reconhecimento de galope. Eu coloco uma mão cheia de cascalhos em cada pé de tênis. Barato e efetivo e nunca dois passos se parecem com outro. Além disso, você ganha uma ótima massagem reflexológica dos pés neste processo. (Estou brincando. Reflexologia é sobre o uso cientifico do reconhecimento de galope)

 As câmeras costumam disparar um alarme a cada vez que alguém não-reconhecido entra no campus.
As nossas não funcionam assim.
Os alarmes são desligados a cada dez minutos. Quando o carteiro entra, quando um pai ou mãe aparece no pátio, quando alguém lá da rua entra na quadra de basquete, quando um aluno aparece com um tênis novo.
Então basta tentar saber quem está aonde e quando. Se alguém passa pelos portões da escola durante a aula, seu andar é checado para ver se combina com o andar de algum aluno senão o alarme dispara!

A Escola Chávez é cercada por canteiros de cascalhos. Eu costumo ter sempre um punhado de pedras na mochila, para o caso de ser preciso. Silenciosamente, passei para Darryl dez ou quinze destas pequenas miseráveis e nós enchemos nossos tênis com elas.
 A aula estava prestes a acabar e percebi que ainda não tinha checado o site do Harajuku Fun Madness para ver onde estava a próxima pista! Tinha ficado focado demais no lance da fuga e não me preocupei em saber para onde iríamos.

Voltei-me para o teclado do PC escolar. O navegador (web-browser) que usávamos vinha com a máquina. Era uma versão limitada e controlada do Internet Explorer, a bosta de um crashware da Microsoft que ninguém com menos de 40 anos usava voluntariamente.

Eu tinha uma copia do Firefox no meu drive USB já preparado do meu jeito, mas não era o bastante - o PC escolar rodava Windows Vista 4School, um antigo sistema operacional desenhado para dar aos administradores escolares a ilusão de que controlavam os programas que seus alunos podiam usar.

Mas o Vista4School era seu pior inimigo. Havia um monte de programas que ele não te deixava encerrar - protetores com senhas, softwares de censura - e estes rodavam em um modo especial que era invisível ao sistema. Não dava para desativá-los porque você sequer conseguia encontrá-los.

Qualquer programa cujo nome começasse com $SYS$ é invisível para o sistema operacional. Não aparece em listas do conteúdo do disco rígido ou num monitor de processos. Então a minha copia do Firefox se chamava $SYS$Firefox - e quando eu a ativa, ela  se tornava invisível ao Windows e aos softwares de detecção e busca da rede.

Neste instante eu já tinha um navegador independente rodando. Eu precisava de uma conexão de rede independente também. A rede da escola registrava cada entrada e saída do sistema, o que é péssimo se você está planejando entrar no site do Harajuku Fun Machine atrás de alguma diversão extra-curricular.

A resposta era algo chamado de TOR -  The Onion Router (O roteador cebola).

Um roteador cebola é um site de internet que pega pedidos de acessos a páginas da web e os passa através de outro roteador e para outro roteador até que um deles decide finalmente pegar a página e trazê-la de volta até você pelas camadas da cebola. O tráfego pelos roteadores cebola é criptografado, o que significa que a escola não consegue ver o que você está procurando, e as camadas da cebola não sabem para quem estão trabalhando. São milhões de nós - o programa fora criado para o Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos para ajudar pessoas afetadas por softwares de censura em países como Síria e China, o que significava que era perfeito para ser operado no confinamento da média das escolas Americanas.

Tor funcionava por que a escola tinha uma lista negra de sites de conteúdo proibido e os endereços dos nós mudavam o tempo todo; não tinha como a escola manter uma lista atualizada de todos eles. Firefox e TOR me transformavam no homem invisível, impenetrável aos xeretas do Comitê Escolar, livre para visitar o Harajuku Fun Machine e ver o que estava rolando.

Havia uma nova pista. Como todas as pistas do HFM, havia um componente físico, online e mental. O componente online era um quebra-cabeças que devia ser resolvido, o que requeria que você pesquisasse a resposta em um bando de charadas obscuras. Este pacote incluía um bom número de perguntas sobre tramas de d™jinshi -- livros de quadrinhos desenhados por fãs de mangá (histórias de quadrinho japonesas). Eles podiam ser tão grandes quanto o quadrinho original que os inspirou, mas bem mais esquisitos, com outras histórias combinadas e algumas vezes com canções e outras coisas bem idiotas. Histórias de amor aos montes, é claro. Todo mundo gostava de ver seu personagem de quadrinhos favorito amarrado.
Eu iria resolver os enigmas depois, quando chegasse em casa. Eram mais fáceis de resolver junto com a turma toda, baixando toneladas de arquivos de d™jinshi e vasculhando-os atrás das respostas do quebra-cabeça.

Tinha acabado de salvar todas as pistas quando a campainha soou e começamos nossa fuga. Disfarçadamente, com minhas botas curtas Blindstones australianas cheias de cascalho, ótimas para correr e escalar, com seu design botou-tirou sem laços, bastante conveniente devido aos número sem fim de detectores de metal que estavam por ai.

Nós também tínhamos que evitar a vigilância física, mas isso se tornava mais fácil na medida em que acrescentavam outra camada de bisbilhotice - todas as campainhas e buzinas acalmavam nossa amada escola com uma falsa sensação de segurança. Deslizamos na multidão dos corredores, em direção à minha saída favorita. Na metade do caminho, Darryl chiou ‘Caracas! Eu esqueci, tô com um livro da biblioteca na minha mochila.’

‘Tá brincando’ Falei, e empurrei-o pra dentro do banheiro mais perto. Livros de biblioteca eram má noticia. Todos tinham um arphid - uma lingüeta identificadora de radiofreqüência - colada, que tornava possível aos bibliotecários checar os livros através de uma leitora e a estante de livros sabia se o livro estava ou não em seu lugar.

Mas isso também permitia que a escola soubesse onde você estava o tempo inteiro. Era outra daquelas ‘aberturas’ na lei, as cortes de justiça não permitiam que as escolas usassem as arphids para rastreamento de alunos, apenas dos livros da biblioteca e usar estes registros para dizer a eles quem estava carregando qual livro.

Eu tinha um pequeno Faraday de bolso na mochila - pequenas pastas cobertas com fios de cobre que efetivamente bloqueavam sinais de radio, silenciando arphids. Mas os de bolso eram feitos para neutralizar cartões de identificação e etiquetas transponders, não livros.
 “Introdução à Física?” Eu gemi Esse livro era do tamanho de um dicionário!


Pequeno Irmão - Capítulo 1 [ Download ]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Doomsday Film Festival



Um festival de cinema (e arte em geral) dedicado ao tema 'fim do mundo' - em todas suas formas.


Star Wars art














quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Conversations on the Edge of the Apocalypse





THE FUTURE HAS NEVER LOOKED BRIGHTER OR MORE BLEAK. NEVER BEFORE IN human history has there been so much cause for both hope and alarm.

We are living in a world of increasing uncertainty, and each day brings new reasons for both celebration and concern. Are we headed toward a glistening new world of technological marvels and wonders or our own extinction?

We are facing a looming environmental crisis and an incalculable loss of biodiversity, as well as threats from AIDS and new antibiotic-resistant pathogens. Recent terror attacks left many Americans alarmed by the specter of more terrorism and war and concerned about the fate of their vanishing constitutional rights.

At the same time, new technological advances and scientific breakthroughs offer hope bordering on the miraculous—the Internet, genetic engineering, stem cell research, advances in neuroscience, quantum computing, artificial intelligence, robotics, and nanotechnology promise to end poverty and eliminate disease, provide society with cheap, pollution-free energy, and predict a future so fantastic it staggers the imagination.

In these pages you’ll find in-depth conversations with cutting-edge visionaries that explore the future evolution of the human race and the mystery of consciousness, from scientific, philosophical, and spiritual perspectives.

Some of the world’s most brilliant (and entertaining) minds—world-class experts in genetics, neuroscience, language, artificial intelligence, robotics, space flight, science fiction, comedy, magic, visionary art, and Eastern philosophy—discuss life’s most ancient and compelling philosophical puzzles, such as the origin of human consciousness and the notion of teleology in evolution. Reflecting on these timeless mysteries creates fertile ground from which to contemplate important questions regarding humanity’s future.

The human species is headed down a path that could very well lead to its own destruction. This book was inspired by the hope that in viewing our precarious situation from a larger, more evolutionary perspective, we may be able to glean some valuable insights and, possibly, some enlightening proposals for our potential future.

As with my two previous interview books, Mavericks of the Mind and Voices from the Edge, the people I chose to interview are some of the most creative and controversial thinkers on the intellectual frontiers of science and art—the mavericks, those who have stepped outside the boundaries of consensus thought.

These are experts from various fields who have seen beyond the traditional and conventional view, who dare to question authority and think for themselves.

It is often the capacity for independent thought in these remarkable individuals that lies at the heart of their exceptional abilities and accomplishments. In questioning old belief systems and traveling beyond the edges of the established horizons to find their answers, they have gained revolutionary insights into the nature of consciousness, and they offer some unique solutions to the problems that are facing modern day society.

I chose people who were not only courageous and controversial, but largely people whose work has influenced one another. The interviews are designed not only to be interdisciplinary, but also to connect with each other, by exploring what the interviewees think about some of the same questions as well as about one another’s ideas.

For example, controversial areas of science—such as the study of psychic phenomena or the alien abduction phenomena—are debated in the following pages by having the interviewees respond to one another’s work and comments.

Giving the interviewees an opportunity to discuss one another’s opinions helps to create a lively, more interactive debate as well as a larger, more holistic point of view. By running common threads through the conversations and interlinking the interviews, the very format of this book also helps to demonstrate one of its primary themes: that the world is a deeply interconnected place.

What emerges from these interviews—as a whole—is far more than one might expect from viewing them separately. No single person has the answers to the Big Questions. But when we put our best minds together a collective vision begins to form, a meta-intelligence is created that transcends that of any individual. We start to see a balance between perspectives—such as rational analysis and intuition, serious thought and playful humor, practical application and imaginative speculation.

Like the social insects that cooperate in highly coordinated ways to form complex hives and colonies, we too seem capable of a type of group intelligence that transcends our limitations as individuals and behaves in a manner akin to that of a single organism. Each one of us holds a piece to the puzzle, and the pieces begin to come together when our best minds explore the frontiers of thought together.

Some of the questions that I will be discussing with the extraordinary individuals

I interviewed for this book have grand implications. Will the human species survive, or is it doomed to destroy itself? How will our current political trends affect the future? How is technology affecting the biosphere, our chances of survival, and the evolution of human consciousness? What happens to consciousness after death? What is God? Is there any teleology in evolution or intelligent design in nature? Are psychic phenomena real? Do intelligent extraterrestrials exist? Can science and spirituality be compatible? If we do survive, what does the future evolution of the human race hold in store? Speculating on these important questions can help us to understand ourselves better and to chart the course of our future—if, indeed, we have one. Let’s take a look at some of these questions more closely.


Introduction
David Jay Brown

Interviews

Chemistry and the Mind Field - Kary Mullis

Language, Politics, and Propaganda - Noam Chomsky

Molecules of Mind and Body - Candace B. Pert

From Outer Space to Inner Space and Beyond - Edgar D. Mitchell

Experiments That Could Change the World  - Rupert Sheldrake

Science and Psychic Phenomena  - Dean Radin

Alien Encounter Therapy - John E. Mack

Designing Higher Intelligence - Ray Kurzweil

Robots and Children of the Mind  - Hans Moravec

Strange Brains and Mathematical Games - Clifford Pickover

Future Cultures and Subcultures - Bruce Sterling

Bio-Media Theory - Douglas Rushkoff

Quantum Sociology and Neuropolitics - Robert Anton Wilson

Napalm, Silly Putty, and Human Nature - George Carlin

Realist and Surrealist - Paul Krassner

Raising the IQ of the Global Brain - Peter Russell

Quantum Spirituality - Deepak Chopra

Here, Now, and Tomorrow - Ram Dass

Medical Freedom and Cannabis Consciousness - Valerie Corral

Magic, Magick, and Shamanism - Jeff McBride

Sacred Reflections and Transfigurations - Alex Grey

Glossary
Internet Resources
About the Author
Photo Credits


Conversations on the Edge of the Apocalypse [ Download ]
Contemplating the Future with Noam Chomsky, George Carlin,Deepak Chopra, Rupert Sheldrake,
and Others - David Jay Brown

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A cidade do Rio de Janeiro através da ficção científica de Humberto de Campos



[... Pudemos perceber na análise da crônica de Humberto de Campos um desejo de discutir a realidade vigente na capital da República. As descrições sobre o desenvolvimento da cidade estavam atreladas a uma crítica dos processos em busca da “civilização”. As imagens de velocidade e agilidade no comércio e nas relações pessoais com o outro, com a informação e com a própria cidade figuram como extremamente necessárias ao desenvolvimento da cidade. É deste modo que o Rio de Janeiro, na crônica de Campos, configura toda sua organização estrutural, utilizando este princípio como base.

Essas hipóteses estão, ainda assim, vinculadas à realidade vigente com a qual o escritor mantêm seus entendimentos sobre o futuro e o destino final da sociedade. A figura de Pamórfio,portadora de uma visão negativa do desenvolvimento da sociedade serve, como ponto de apoio para a análise do cronista acerca deste ambiente. Assim o autor se posiciona à distância ao mesmo tempo em que comunga do imaginário de um destino apocalíptico para a humanidade.]


A cidade do Rio de Janeiro através da ficção científica de Humberto de Campos [ Download ]
Prof. Dr. Sílvio Roberto dos Santos Oliveira1 (UNEB)
Mestrando Marcos Antonio Maia Vilela2 (UNEB) 
XI Congresso Internacional da ABRALIC - Tessituras, Interações, Convergências - 13 a 17 de julho de 2008 - USP – São Paulo, Brasil

terça-feira, 27 de outubro de 2009

2012 - Onda Zero



Uma prova do que a ficção científica brasileira, quando bem produzida, pode ser capaz!

A história:
Perturbado com os últimos eventos bizarros acontecidos em sua vida, o jovem JP pode estar à beira de um colapso.

Visões, pressentimentos estranhos, paranóia, pânico.

A constante sensação de que, a qualquer momento, poderá cair num abismo existencial e de que o mundo está prestes a ser destruído, são pensamentos que martelam a mente de JP.

O que ele não sabe é que pode estar sendo observado de perto.

Temendo que a realidade se desfaça a sua frente, JP se afasta da família, dos amigos, do trabalho e de sua namorada Wanessa.

Mas seu maior medo se torna real quando ele é levado a encarar um mundo completamente destruído e um observador tão sinistro quanto o pesadelo real em que ele está perdido.


2012 Onda Zero é uma websérie imperdível !

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Zombie Pin-ups








domingo, 25 de outubro de 2009

Henry Kuttner e C.L.Moore


Henry Kuttner (7 de Abril, 1915 - 4 de Fevereiro, 1958) nasceu em Los Angeles, California (EUA).
Catherine Lucille Moore (24 de Janeiro de 1911 - 4 de Abril de 1987) nasceu em Indianápolis, Indiana (EUA).

Catherine Lucille Moore ou C.L.Moore, é considerada uma desbravadora dentro dos gêneros Ficção Científica e Fantasia, pois através de seu trabalho, conquistou respeito dos leitores e da crítica, numa época em que nenhuma outra mulher escrevia estes gêneros. Leitora de revistas como Amazing Stories, Catherine resolveu mandar uma das suas próprias histórias (Shambleau)  para a revista Weird Tales, que não só a comprou, como também propôs a Catherine, um contrato de publicação. Ao longo da década de 30, C.L.Moore passaria a ser um nome constante desta revista.

Henry Kuttner é considerado por muitos como um dos cinco maiores escritores de Ficção Científica e Fantasia da década de 40. Conseguia produzir brilhantes insights com seus personagens, valorizando o aspecto humano, sem menosprezar o aspecto tecnológico/fantástico. Seu estilo requintado levou um crítico a descrever suas histórias como 'uma espiadela em um santuário secreto através de uma janela'. Trabalhava como agente literário, antes de vender sua primeira história, "The Graveyard Rats", para a revista Weird Tales em 1936.


Neste mesmo ano, Kuttner escreveu uma carta para "o escritor C.L.Moore", declarando ser fã de seus contos, pensando se tratar de um homem. A troca de cartas entre eles, acabou levando ao casamento em 1940, e a partir daí, e ao longo dos 10 anos seguintes, Kuttner e Moore passariam a escrever em parceria. Neste período, se utilizaram de mais de 15 pseudônimos para publicar, sendo Lewis Padget e Laurence O'Donnel os mais utilizados.

Ambos fizeram parte do Lovecraft Circle (Círculo Lovecraft), um grupo de escritores fanáticos por H.P.Lovecraft e que se correspondiam através de cartas com este, e Kuttner acabaria tornando-se amigo de Lovecraft, assim como de Clark Ashton Smith, passando a contribuir frequentemente escrevendo sobre o mito Cthulhu.

Também escreviam para a televisão e peças para rádio-teatro. 

Ao final da década de 50, ambos se sentindo exauridos, afastaram-se um pouco da literatura, dedicando-se a psicologia. Formaram-se na University of Southern California e a partir daí, seus escritos passaram a rarear.

Com a morte de Kuttner em 1958, vítima de um ataque do coração, Moore registraria seu nome em algumas obras solo, republicadas a partir dai, ainda escrevendo ou reescrevendo contos interrompidos e também para séries policiais e de mistério para TV. 


Marion Zimmer Bradley está entre os autores que se declararam influenciados pela prosa de Kuttner, e Roger Zelazny já declarou que Dark World, de Kuttner e Moore, foi sua mais forte inspiração para escrever a série Amber.

Bradbury chamava Kuttner de 'O Mestre negligenciado' e dedicou um livro a ele, assim como Richard Matheson.

Henry Kuttner (Android, Call him demon, Cold War, Don't look now, Gallegher plus, Juke-box, Mimsy were the borogoves, Mutant, Private eye, Return to otherness, See you later, Sword of tomorrow, The best of Henry Kuttner I, The creature from beyond infinity, The dark World, The ego machine, The portal in the picture, The proud robot, The sky is falling, The time axis, The well of the worlds, This is the house, Valley of the flame, Vintage season, We guard the black planet, c/C.L.Moore Earth last citadel, Prisioner in the skul, Aureola, El twonky, La maquina ambidextra, Las ratas del cemeterio, Lo mejor de Henry Kuttner II, Los engendros de dagon, Clash by night, Two handed engine, El beso siniestro, El horror de Salem,El robot vanidoso) [ Download ]

C.L.Moore (Daemon, Fruit of knowledge, Greater than Gods, Julhi, Miracle in Three Dimensions, No woman born, Shambleau, Song in a minor key, The best of C L Moore, The black gods kiss, The cold gray God, The tree of life, Tryst in time ) [ Download ]

sábado, 24 de outubro de 2009

Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Introdução



Eu escrevi Pequeno Irmão em um ataque de fúria entre 7 de maio de 2007 e 2 de julho de 2007; exatamente oito semanas desde o dia em que comecei e o dia que terminei. (Alice, para quem o livro é dedicado, teve que me agüentar digitando o capitulo final às 5 da manhã em nosso hotel em Roma, onde celebrávamos nosso aniversário de casamento.)

Sempre sonhei com um livro assim, que se materializasse, pronto, saindo da ponta dos meus dedos, sem suor, sem sofrimento - mas não foi exatamente tão divertido quanto eu pensei que seria. Houve dias que escrevi 10.000 palavras, debruçado sobre meu teclado em aeroportos, em trens, em táxis - qualquer lugar que eu pudesse digitar.

O livro tentava sair da minha cabeça, não importando que para isso eu deixasse de dormir, perdesse refeições e que meus amigos começassem a perguntar se eu estava com problemas.
Quando meu pai era um jovem estudante universitário em 1960, ele era um dos poucos sujeitos da contracultura que pensava que os computadores eram algo de bom. Para a maioria dos jovens daquela época, os computadores representavam a desumanização da sociedade. Os estudantes da universidade seriam reduzidos a números em um cartão perfurado, onde estava escrito ‘Não curve, não fure, não dobre ou rasgue’, levando a alguns estudantes usarem um broche onde se lia ‘Sou um estudante, não curve, não fure, não dobre ou rasgue. ’ Computadores eram vistos como um meio para facilitar com que as autoridades dominassem o povo, fazendo-o obedecer às suas vontades.

Quando eu tinha 17 anos, o mundo parecia caminhar para ser mais livre. O muro de Berlin estava prestes a cair. Computadores - que tinha até então sido uma coisa de nerds esquisitos - estavam em toda parte e o modem que eu usava para me conectar com BBS (Bulletin board system) locais agora permitia que me conectasse com o mundo inteiro através da Internet e de serviços online como ‘GEnie’. Minha longa experiência de vida como um ativista sofreu uma aceleração absurda quando vi que o principal problema com o ativismo, a organização, estava se tornando mais fácil. (Ainda me lembro da primeira vez que passei a usar um banco de dados de mail-list ao invés dos endereços de correspondência escritos a mão). Na União Soviética as ferramentas de comunicação eram usadas para levar informação - e revolução - aos cantos mais distantes do maior estado autoritário que o planeta já viu.

Porém, 17 anos depois, as coisas estão bem diferentes. Os computadores estão sendo utilizados para nos espionar, nos controlar e nos espiar. A Agência de Segurança Nacional (NSA) tem ilegalmente usado grampos telefônicos para gravar todo o EUA e ainda o fazem. Companhias de aluguel de veículos, de transporte de massa e autoridades de trânsito observam nossos movimentos, agindo como delatores para bisbilhoteiros, policiais e bandidos que conseguem informações nossas através de acesso a bancos de dados.

A Administração de Segurança dos Transportes mantém uma lista de pessoas que, apesar de nunca terem sido presas por qualquer crime, são consideradas perigosas demais para voar. O conteúdo desta lista é secreto. A orientação que a criou é secreta. O critério para ser adicionado a esta lista é secreto. Nesta lista existem crianças de 4 anos, e senadores Americanos e veteranos condecorados - heróis de guerra.

Quem tem 17 anos hoje em dia, entende facilmente como um computador pode ser perigoso.  Eles nasceram sob o pesadelo do autoritarismo dos anos 60. As sedutoras caixinhas sobre suas mesas e em seus bolsos acompanham cada movimento que fazem, os encurrala, sistematicamente os impede de alcançar a liberdade que eu gozei na minha juventude.

E tem mais: as crianças são claramente usadas como cobaias de um novo tipo de Estado tecnológico que está se aproximando, um mundo onde tirar uma foto será tanto pirataria (em um cinema, museu ou até mesmo na Starbucks) quanto terrorismo (em um espaço público), mas onde podemos ser fotografados, seguidos e catalogados centenas de vezes por dia por cada ditadorzinho, policial, burocrata e dono de loja. Um mundo em que qualquer medida, incluindo tortura, pode ser justificada apenas agitando as mãos e gritando ‘Terrorismo! 11/9! Terrorismo!’ até que todos aqueles que discordam sejam calados.  

Não precisamos ir por este caminho.

Se você ama a sua liberdade, se você pensa que a privacidade dignifica a condição humana, luta pelo direito de ficar em paz, pelo direito de explorar suas idéias (por mais malucas que sejam) desde que não magoe outras pessoas, então você tem uma causa pela qual lutar, pelas crianças que têm seus web-browsers (navegadores) e celulares usados para prendê-los e segui-los por ai.
Se você acredita que podemos consertar o que está errado com diálogo - ao invés de censura - então você está no caminho certo.

Se você acredita em uma sociedade com leis, um lugar onde nossos legisladores precisam nos dizer as regras, e tem que seguir também estas leis, então você é parte da luta para que todas  as crianças possam viver sob os mesmos direitos que os adultos.
Este livro tenciona ser parte da discussão sobre o significado de uma sociedade de informação: ela pressupõe o controle total ou a liberdade? Não se trata de um substantivo, mas de um verbo. Algo que você faz.

FAÇA ALGUMA COISA!

Este livro tem a intenção de ser algo que você possa fazer, não somente algo para ser lido.
A tecnologia que aparece neste livro é real ou quase. Você pode construí-la. Pode dividi-la com outros, e transformá-la (veja A COISA DOS DIREITOS AUTORAIS aí embaixo). Você pode usar as idéias para incendiar discussões importantes para acabar com a censura e ter uma Internet livre, mesmo que seu governo, seu patrão ou seu colégio não queiram.

FAÇA!

O pessoal do ‘Instructables’ criou alguns manuais sobre como construir a tecnologia neste livro. É fácil e muito divertido. Não há nada que recompense tanto no mundo quanto fazer coisas que tornam as pessoas mais livres. http://www.instructables.com/member/w1n5t0n/

Discussões: Há um manual do educador para este livro, que o meu editor, Tor compilou com toneladas de idéias para serem usadas na sala de aula, para ler em grupo e em discussões caseiras.
Combater a censura: O epílogo deste livro traz vários recursos para ampliar sua liberdade online, bloqueando bisbilhoteiros e impedindo bloqueio de conteúdo. Quanto mais gente souber disso, melhor.

SUAS HISTÓRIAS
Estou juntando histórias de pessoas que usaram a tecnologia para vencer quando confrontados com uma autoridade abusiva. Vou incluir as melhores histórias em um epílogo especial da edição britânica (veja abaixo) deste livro, e vou colocá-las online também. Enviem suas histórias para doctorow@craphound.com com o assunto "Abuses of Authority" (Abusos de Autoridade).

GRÃ-BRETANHA
Sou canadense e morei em diversos lugares (incluindo São Francisco, o cenário de Little Brother), e hoje vivo em Londres, Inglaterra, com minha esposa Alice e nossa pequena filha Poesy. Moro na Inglaterra há cinco anos e penso que amo este pais, mas tem uma coisa que sempre me incomodou: meus livros não estão disponíveis aqui. Algumas lojas mantêm estoques importados dos EUA, mas eu não tenho uma editora britânica.

Mas isso mudou! A HapperColins Inglesa comprou os direitos deste livro (assim como do meu próximo livro, ‘For the Win’) e ele será publicado pouco depois da edição Americana, em 17 de Novembro de 2008 (um dia depois da minha volta da lua-de-mel!)

Fico muito contente com isso. Não apenas por finalmente ter meus livros vendidos na terra que escolhi viver, mas também porque estou criando uma filha aqui, caramba, e a vigilância e a mania por controle neste país começa a dar nos nervos! Parece que a polícia e o sistema de governo se apaixonaram pelo reconhecimento por DNA, impressões digitais e gravação de vídeo de todos aqueles que algum dia possam fazer algo de errado. No começo de 2008, a autoridade maior da Scotland Yard (polícia inglesa) propôs seriamente que se coletasse o DNA de crianças de 5 anos que se mostrassem perigosas, pois elas cresceriam e provavelmente se tornariam criminosos. Na semana seguinte a polícia londrina espalhou pôsteres sugerindo que todas as pessoas que podem pagar por pequenas câmeras de vigilância são, provavelmente, terroristas.
A América não é o único país que perdeu a cabeça na ultima década.  

Precisamos ter esta conversa com todo o planeta.

Como eu disse, a edição britânica estará à venda em 17 de Novembro (ISBN: 978-0-00-728842-7).
Ainda haverá uma edição limitada, com uma capa diferenciada, para as pessoas que enxergam os livros como se fossem itens de coleção. Se quiser saber mais detalhes, escreva um email para  doctorow@craphound.com o assunto ‘LITTLE BROTHER UK EDITION’.

OUTRAS EDIÇÕES
Meu agente Russel Galen (e seu assistente Danny Baror) fez um excelente trabalho na pré-venda de direitos de ‘Little Brother’ em vários idiomas e formatos. Informações mais atualizadas você encontrará em http://craphound.com/littlebrother/download.

Audiobook da Random House.
Uma das condições do meu contrato com a Random House era de que eles não poderiam disponibilizar o áudio-livro usando do sistema ‘DRM’ (Digital Rights Management), que pretende controlar o uso e a cópia. Isso quer dizer que você não encontrará o áudio-livro de Little Brother para Audible e iTunes, pois a Audible se recusa a vender livros sem o sistema DRM (mesmo que o autor não queira) e iTunes só funciona com áudios-livro da Audible. De qualquer maneira, você pode comprar o arquivo em formato MP3 diretamente da RandomHouse. 

Meu agente para direitos no estrangeiro já pré-vendeu edições para a Grécia, Rússia, França e Noruega. Não tenho as datas de lançamento, mas eu informarei através do site quando estiver disponível. Você também pode se inscrever na minha mala-direta, para maiores informações. 

A COISA DOS DIREITOS AUTORAIS

A licença da Creative Commons que utilizo no meu livro ‘Little Brother’ provavelmente serve como dica de que eu tenho uma visão um pouco não-ortodoxa sobre direitos autorais. Aqui vai o que eu penso a respeito disso, em poucas palavras: Com apenas um pouco se chega longe, mais do que isso é exagero.
Gosto do fato de que os direitos autorais me permitem vender os direitos para meus editores e para a indústria de cinema e por ai vai. É bom, pois eles não podem simplesmente pegar minhas coisas sem permissão e ficarem ricos com isso sem me dar uma parte disso. Tenho plenas condições para negociar com estas companhias, possuo um bom agente e uma década de experiência com leis de direito autorais e licenciamento (inclusive no cargo de delegado da WIPO, uma agência da UN que trata sobre ameaça aos direitos autorais mundiais). Além do mais, mesmo se eu vender cinqüenta ou cem edições diferentes de Little Brother (o que seria estar no topo, um milionésimo de toda ficção vendida) ainda assim teria uma centena de negociações que eu precisaria gerenciar.

Odeio o fato de que fãs que querem fazer aquilo que os leitores sempre fizeram, tenham que jogar pelas mesmas leis que todos aqueles poderosos agentes e advogados. É uma coisa estúpida dizer que uma classe escolar tenha que falar com um advogado de uma empresa global gigantesca, para encenar uma peça sobre um livro meu. É ridículo dizer que pessoas que querem emprestar uma cópia eletrônica do meu livro para um amigo, precisem de uma licença para isso. Emprestar livros é algo mais antigo do que qualquer editor no planeta e é uma coisa bacana!

Recentemente vi Neil Gaiman dar uma entrevista em que respondia para alguém como ele se sentia a respeito da pirataria de seus livros. Ele disse, ‘Levante a mão se você descobriu seu escritor favorito de graça, por que alguém te emprestou uma cópia ou ganhou de alguém? Agora levante a mão se você descobriu seu escritor predileto numa prateleira de livraria e teve que pagar por isso’.
A audiência preponderante disse ter descoberto seus autores prediletos de graça, por ter ganhado um livro ou recebido emprestado. Quando se trata dos meus escritores preferidos não há limite. Comprarei sempre cada livro que eles publicarem, apenas para tê-los. (Às vezes compro mais do que um, apenas para poder presentear amigos que eu penso que precisam ler aquele livro!) Pago para vê-los vivos. Compro camisetas com a capa dos livros impressas.

Neil continuou dizendo que é parte de uma tribo de leitores, uma pequena minoria de pessoas pelo mundo que têm prazer ao ler, e compram livros porque amam livros. Uma coisa que ele sabe sobre as pessoas que baixam seus livros na Internet sem permissão é que são leitores, pessoas que amam os livros.
Aqueles que estudam os hábitos de pessoas que compram música descobriram algo curioso. Os maiores piratas são também aqueles que mais gastam. Se você pirateia música a noite toda, existe a chance de que você também seja uma dessas poucas pessoas que vão a uma loja de discos (lembra-se delas?) durante o dia.

Você provavelmente vai a shows no fim de semana, e provavelmente acompanha música. Se você é membro de uma tribo de viciados em música, você faz coisas que têm a ver com a música, desde cantar no chuveiro a pagar por uma cópia em vinil de um raro disco pirata vindo do leste europeu, de uma das suas bandas favoritas de death-metal.

A mesma coisa acontece com os livros. Trabalhei em livrarias, sebos e bibliotecas. Já acessei sites piratas de e-books (‘bookwarez’?) on-line. Sou um viciado em livros e vou a feiras de livros por diversão. E sabe o que mais? São as mesmas pessoas em todos estes lugares: Pessoas que amam os livros e que fazem tudo que se pode fazer com um livro. Eu compro edições malucas, edições horríveis chinesas dos meus livros prediletos, por que são malucas e horríveis e ficam muitos bem entre as outras oito ou nove edições que eu paguei destes mesmos livros. Procuro por livros na biblioteca, no Google, quando preciso de uma citação, carrego uma dezena deles no meu celular e centenas no meu laptop e tenho (hoje) mais de 10.000 livros guardados em um armazém em Londres, Los Angeles e Toronto.

Se eu pudesse emprestar todos os meus livros físicos, sem abrir mão da posse deles, eu o faria.
O fato de eu poder fazer isso com uma cópia digital não é um erro. É uma característica e uma das melhores.
Fico embaraçado ao ver todos estes escritores e músicos e artistas expressando pesar pelo fato de que a arte possui esta incômoda característica, esta capacidade de ser compartilhada. É como assistir donos de restaurante chorando por causa da nova máquina de comida grátis e que irá alimentar um mundo de gente faminta, e por que ela os forçará a reconsiderar seus modelos de negócios. Sim, irá requerer muito deles, mas não vamos perder de vista o que mais interessa: Comida grátis! 

O acesso universal ao conhecimento da humanidade está em nossas mãos pela primeira vez na história do mundo. Isso não é algo ruim.
No caso de não ser o bastante para você, aqui está o que considero a minha grande jogada, o porquê dar e-books faz sentido hoje.

Dar e-books me proporciona uma satisfação artística, moral e comercial. A questão comercial é aquela que mais freqüentemente vem à tona: como dar seus livros de graça e ainda assim ganhar dinheiro?
Para mim, e para a maioria dos escritores, o grande problema não é a pirataria, mas o anonimato.  (Agradeço a Tim O’Reilly por este precioso aforismo).

Todas as pessoas que deixam de comprar um livro hoje, na maioria, não o compram por nunca terem ouvido falar que ele existe, não por que ganharam uma cópia de graça. Os mega-hiper-mais-vendidos livros de FC vendem meio milhão de cópias - em um mundo em que um evento como a San Diego Comic Con sozinho recebe 175 mil pessoas, dá para imaginar que a maioria das pessoas que gostam de FC (e junto a isso coisas como quadrinhos, games, Linux e por ai vai) na verdade não compram livros. Meu interesse maior é trazer maiores audiências para dentro deste círculo, mais do que garantir que cada um compre um ingresso para entrar.

E-books são verbos, não substantivos. Você os copia, é da natureza deles. E muitas das cópias têm um destino, uma pessoa para a qual elas foram planejadas, uma transferência manual de uma pessoa para outra, guardando uma recomendação intima entre duas pessoas que confiam umas na outras o suficiente para trocar bits. Este é o tipo de coisa com que os autores (deveriam) sonham. Fazendo meus livros disponíveis para serem passados à frente, torno mais fácil para as pessoas que gostam deles ajudarem a outras pessoas a também gostarem deles.

E tem mais: eu não vejo e-books substituindo os livros de papel para a maioria das pessoas. E não por que a tela do monitor não seja boa o bastante; se você for como eu, você já deve passar horas em frente a uma, lendo textos. Mas por mais que você goste desta ‘literatura de computador’, menos provavelmente você irá ler longos textos na tela, por que as pessoas que gostam de ficar na frente da tela fazem muitas outras coisas ao mesmo tempo. Nós estamos no Messenger, escrevendo e-mail, e usamos os navegadores de um milhão de maneiras diferentes. Temos os games rodando por detrás e infinitas possibilidades de músicas para ouvir.
Quanto mais coisa você faz com seu computador, você se dedica a menos coisas, pois a cada seis ou sete minutos começa algo diferente. Isso faz com que o computador seja um meio extremamente ineficaz para longas leituras, a não ser que você possua a autodisciplina de um monge.
A boa notícia (para os escritores) é que isso significa que os e-books acabam sendo um incentivo a comprar o livro impresso (que é, afinal de contas, mais barato, fácil de ter e de usar) do que o seu substituto.

Você provavelmente vai ler o bastante do livro na tela para perceber que precisa o ler no papel.
Então e-books vendem livros. Todo escritor que eu soube que distribuiu e-books para promover seus livros voltou a fazê-lo de novo. Este é o lado comercial de dar e-books de graça.

Agora o lado artístico. Estamos no século vinte e um. Copiar coisas nunca mais será mais difícil do que já é hoje (se isso acontecer será por que a civilização chegou ao seu fim e neste ponto, este será o menor dos problemas) Discos rígidos não serão mais enormes, caros ou com menor capacidade. As redes não serão mais lentas e difíceis de acessar. Se você estiver fazendo arte sem levar em consideração de que ela será copiada, então realmente você não estará fazendo arte para o século vinte e um. Existe algo encantador sobre fazer um trabalho que você não quer que seja copiado, da mesma maneira que é legal ir até uma vila dos pioneiros e ver como o ferreiro colocava ferraduras em um cavalo em sua forja tradicional. Mas dificilmente você vai achar que isso possa ser contemporâneo. Sou um escritor de ficção cientifica. É o meu trabalho escrever sobre o futuro ou ao menos sobre o presente. Arte que não se supõe ser copiada é coisa do passado.

Finalmente, vamos ver pelo lado moral. Copiar é natural. É como nós aprendemos (copiando nossos pais e as pessoas ao nosso redor).  A primeira história que escrevi quando tinha seis anos, era uma versão excitante de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que eu acabara de ver no cinema. Agora que a Internet (a mais eficiente máquina copiadora do mundo) se tornou presente em toda parte, nosso instinto de copiar só aparecerá mais e mais. Não há como impedir meus leitores de copiar meus livros e, se eu o fizesse, seria um hipócrita.
Quando eu tinha 17 anos, eu gravava fitas, xerocava livros, tudo que eu podia. Se a Internet existisse na época, eu estaria usando-a para copiar o tanto quanto eu pudesse.
Não há como parar com isso, e as pessoas que tentarem terminar com isso estarão fazendo um mal maior do que a pirataria jamais o fará. A ridícula guerra sagrada da indústria de discos contra aqueles que compartilham arquivos (mais de 20 mil fãs de música processados e contando) exemplifica o absurdo da coisa toda. Se a escolha está entre permitir a cópia ou partir bufando contra tudo e contra todos, eu escolho a primeira.

DOAÇÕES E UMA PALAVRA AOS PROFESSORES E BIBLIOTECÁRIOS
Toda vez que coloco um livro online de graça, recebo emails de leitores que querem mandar-me uma doação em dinheiro pelo livro. Aprecio o espírito generoso destas pessoas, mas não estou interessado em dinheiro de doações, porque meus editores são muito importantes para mim. Eles contribuem imensamente para com o livro, tornando-o conhecido, apresentando-o a outros leitores que eu nunca conseguiria alcançar, me ajudando a fazer mais com o meu trabalho. Não tenho interesse de tirar os méritos deles.

Mas acho que encontrei uma maneira de direcionar esta generosidade para algo positivo.
O negócio é o seguinte: Existe um monte de professores e bibliotecários que adoraria receber exemplares desse livro para suas crianças, mas não tem grana para isso (os professores nos EUA gastam por volta de 1.200 dólares do próprio bolso com material escolar e o orçamento da escola não cobre as despesas ou as reembolsa. Por este motivo eu patrocino uma classe da escola elementar Ivanhoé, na minha velha vizinhança em Los Angeles; você também pode adotar uma classe.)

Existe esta gente toda que generosamente quer me pagar em agradecimento pelos meus e-books gratuitos.
Minha proposta é juntar as duas coisas.
Se você é um professor ou bibliotecário e quer um exemplar em papel deste livro, escreva um email para freelittlebrother@gmail.com, com seu nome e o nome e endereço da sua escola, e eu colocarei em meu site para que potenciais doadores possam ver.

Se você gostou da versão eletrônica do livro e quer doar em retribuição, procure por um professor(a) ou uma biblioteca que queira ajudar. Então entre no site da Amazon, ou na BarnesNoble ou seu site de venda de livros predileto e compre o livro. Mande uma cópia do recibo para freelittlebrother@gmail.com para minha assistente Olga. Se desejar agir de forma anônima e não quiser que saibamos de sua generosidade, agradecemos de qualquer maneira. 

Não sei se isso irá terminar com centenas, dezenas ou algumas poucos exemplares sendo enviados desta forma, mas eu tenho grande esperança de que funcione.

DEDICATÓRIA
Para Alice, que me completa.

COMENTÁRIOS
Uma história sobre uma rebelião geek tecnológica é necessária e perigosa como compartilhar arquivos, liberdade de opinião e uma garrafa de água em um avião.
- Scott Westerfeld, autor de UGLIES e EXTRAS

Posso falar sobre Little Brother em termos de especulação política corajosa ou sobre o uso brilhante da tecnologia: cada uma delas faz do livro uma leitura obrigatória. Fiquei assombrado com a universalidade do rito de passagem de Marcus e sua luta, uma experiência que qualquer adolescente hoje irá passar quando chegar o momento em que tiver que escolher seu caminho na vida e como alcançá-lo.
- Steven C Gould, autor de JUMPER e REFLEX

Eu recomendo Little Brother mais do que qualquer outro livro que eu li esse ano e gostaria de colocá-lo nas mãos de tantos meninos e meninas inteligentes de 13 anos quanto eu pude, porque eu penso que isso pode mudar vidas. Porque algumas crianças, talvez poucas, não serão as mesmas após terminar de ler este livro. Talvez elas mudem politicamente, talvez tecnologicamente falando. Talvez seja o primeiro livro de suas vidas que irão amar e que despertarão o geek que vive dentro delas. Talvez elas queiram argumentar ou discordar dele. Talvez elas queiram ligar seus computadores e procurarem o que há por ai. Eu não sei. Ele me fez querer ter 13 anos de novo e poder o ler pela primeira vez, e sair por aí fazendo o mundo um lugar melhor ou ainda mais estranho e esquisito. É um livro maravilhoso e muito importante, na maneira que aborda falhas sem sentido.
- Neil Gaiman, autor de ANANSI BOYS

Little Brother é uma aventura assustadoramente real sobre como a tecnologia pode ser abusiva e utilizada erroneamente para aprisionar Americanos inocentes. Um adolescente se transforma de hacker em um herói que se dispõe a enfrentar sozinho o governo por seus direitos básicos à liberdade. Este livro é um cheio de ação, com histórias de coragem, tecnologia e demonstração de desobediência digital como forma de protesto civil.
- Bunnie Huang, autor de HACKING THE XBOX

Cory Doctorow é um contador de histórias rápido e vibrante que pega todos os detalhes de uma realidade alternativa e oferece um nova visão de como este jogo pode ser jogado no contexto de um ataque terrorista. Little Brother é um romance brilhante com argumentos ousados: jogadores de vídeo-game e hackers podem ser a nossa melhor esperança para o futuro.
- Jane McGonical, Designer, I Love Bees

O livro certo no tempo certo do autor certo - e não inteiramente por coincidência, o melhor livro de Cory Doctorow também
- John Scalzi, autor de OLD MAN'S WAR

É sobre crescer em um futuro próximo em que as coisas continuam indo de um jeito que estão indo hoje e sobre hacking se tornar algo habitual, mas principalmente sobre crescer e de mudar e olhar para o mudo e perguntar o que você pode fazer a respeito. A voz dos adolescentes é perfeita para isso. Não consegui parar de ler e eu amei o livro.
- Jo Walton, autor de FARTHING

Um irmão mais novo e digno para 1984 de George Orwell. Little Brother de Cory Doctorow é vivo, precoce e o mais importante, um tanto assustador.
- Brian K Vaughn, autor de Y: THE LAST MAN

"Little Brother" soa como um aviso otimista. É uma extrapolação a partir de eventos atuais para nos lembrar das ameaças à nossa liberdade. Mas também ressalta que ela ultimamente reside em nossas atitudes e ações como indivíduos. Neste mundo cada vez mais autoritário, eu espero especialmente que os adolescentes e os jovens o leiam e convençam seus iguais, seus pais e professores sobre a necessidade de ficar atentos.
- Dan Gillmor, autor de WE, THE MEDIA

SOBRE AS DEDICATÓRIAS PARA AS LIVRARIAS
Cada capítulo do livro é dedicado a uma livraria diferente. Uma livraria que eu adoro, que me ajudou a descobrir os livros que abriram a minha cabeça, e que me ajudou na minha carreira. Estas lojas não me pagaram nada por isso, eu sequer disse a elas o que faria, mas me pareceu que era a coisa certa a se fazer. Por fim, espero que você leia este e-book e decida comprar a versão em papel, e só faz sentido dizer isso, sugerindo alguns lugares onde você poderá encontrá-lo.

Pequeno Irmão - Introdução [ Download ]

Pequeno Irmão - Cory Doctorow

O CAPACITOR FANTÁSTICO começa hoje a trazer para vocês, um livro que tem gerado boas críticas, indicado a diversos prêmios e que foi escrito por um dos autores de ficção mais interessantes e antenado dos últimos tempos: CORY DOCTOROW.

A cada sábado, um capítulo de Pequeno Irmão (Little Brother).

Se desejar baixar o livro completo em inglês, use este link.

Esta versão em português é exclusividade do CAPACITOR FANTÁSTICO, e já foi enviada para Cory, que respondeu dizendo que adorou a iniciativa.

Divirtam-se !

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Frank R. Paul


Talvez o que Isaac Asimov significou para a Ficção Científica como escritor, Frank R. Paul o foi como desenhista, capista e ilustrador.

É impossível falar do surgimento da FC nos Estados Unidos, através das pulp magazines (revistas populares) da primeira metade do século XX, sem utilizar uma ilustração feita por este arquiteto vienense que, antes de ser descoberto por Hugo Gernsback, trabalhava em um pequeno jornal em Nova Jersey.

Para Gernsback, Paul criou quase duzentas capas, fazendo inclusive ilustrações internas.
É creditado a 'FRP', como é também conhecido, o primeiro desenho de uma estação espacial, além de ter desenhado as primeiras capas dos livros de escritores famosos como Bradbury, de quem foi amigo.

Pertence a Paul, grande parte do mérito de povoar o imaginário de uma nação (e por que não dizer do mundo), com alienígenas, robôs e foguetes espaciais, em um tempo em que o americano médio sequer possuia um telefone.






















Frank R.Paul Gallery

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fanderson, Eagle Transporter.com e Project 21


Sites obrigatórios para quem tem Gerry Anderson como um Deus.