domingo, 25 de julho de 2010

Thea von Harbou



Thea Gabriele von Harbou (27 de Dezembro de 1888 - 1 de Julho de 1954) nasceu em Tauperlitz (Alemanha), mas viveu sua infância em Niederlössnitz, próximo a Dresden, onde completou sua formação colegial e iniciou seus estudos de artes dramáticas.

Descendente da nobreza prussiana, a jovem Thea era leitora ávida de Karl May, colaborava escrevendo para o jornal local com histórias ingênuas. Começou a escrever poemas em 1902 e publicou seu primeiro romance ("Wenn's Morgen wird") em um jornal de Berlin em 1905.

Em 1922, já trabalhando como atriz e integrante de vários grupos de teatro, Thea divorciou-se do diretor de teatro Rudolph Klein-Rogge, para casar-se com o também diretor austríaco Fritz Lang, que conhecera ao trabalharem juntos na adaptação de um livro para o cinema ("Das Indische Grabmal" ("Mistérios da Índia")).

Alternando sua carreira de atriz no teatro e no cinema, com a de escritora e roteirista, Thea passou a escrever todos os roteiros de Lang, de "Das wandernde Bild" ("The Moving Image", 1920) a "Das Testament des Dr. Mabuse" ("The Testament of Dr. Mabuse", 1933). Também escreveu roteiros para outros diretos importantes da época, como F. W. Murnau ("Der brennende Acker" ("Burning Soil") e "Phantom" ("The Phantom"); "Die Austreibung" ("The Expulsion") e "Die Finanzen des Großherzogs" ("The Grand Duke’s Finances"), Carl Theodor Dreyer ("Michael" ("Chained") e Arthur von Gerlach ("Zur Chronik von Grieshuus" ("The Chronicles of the Gray House").

Von Harbou ganhou o apelido de "A Condessa do Kitsch" do cinema alemão, misturando sentimentalismo com tendências revolucionárias e anseios populares, procurando agradar não a aristocracia, mas ao alemão comum.

A ideia de Metrópolis nasceu em 1924, como um projeto arrojado para a época, o de escrever um romance como série, a princípio para o jornal, utilizando-se de imagens/fotos/desenhos. Em 1925 tornou-se um livro e em 1927, um filme, nas mãos de seu marido, já na época, um dos ícones do expressionismo alemão.

Metrópolis foi o filme mais caro já realizado até aquela data, em todo o mundo.

Metrópolis crítica a mecanização da vida nos grandes centros urbanos, questionando o sentimento humano perdido com o progresso tecnológico.

Apesar de seu prestigio, Lang necessitou realizar cortes drásticos na sua versão para o mercado internacional, e também recebeu fortes críticas. H.G.Wells, por exemplo, acusou-o, não formalmente, de plagiar sua obra.

Outro livro de Thea, "Die Frau im Mond" também seria filmado por Lang, e lançado como "Woman in the Moon" ("Frau im Mond") em 1929, mas sem alcançar o mesmo sucesso de público e crítica de Metrópolis. "Frau im Mond" é considerado por muitos estudiosos como o primeiro filme "sério" de Ficção Científica.

Um ano antes de Hitler subir ao poder, Thea tornou-se membro do Partido Nazista, o que teria causado seu divórcio de Lang, que partiria para Paris em 1934 após seu filme, "O testamento do Doutor Mabuse" (Das Testament des Dr. Mabuse) ser declarado ilegal na Alemanha, por fazer críticas a ideologia nazista.


No auge do regime, Thea foi presidenta da associação de roteiristas da Alemanha, e devido a sua credibilidade, recebeu incentivos para escrever e dirigir dois filmes ("Elisabeth und der Narr" e "Hanneles Himmelfahrt"), além de tornar-se o principal nome na produção de cinema para a propaganda nazista.

Com a vitória aliada, Thea foi feita prisioneira pelos ingleses e obrigada a trabalhar na reconstrução das cidades bombardeadas, destruidas pela guerra. Posteriormente recebeu permissão para trabalhar na sincronização de filmes e continuou a escrever roteiros para cinema e alguns poucos livros.



Apesar de ter escrito outros livros bem sucedidos, entre prosa, poesia e ficção, foi Metrópolis que marcou sua carreira como escritora e a imortalizou, graças ao enorme sucesso do filme.

Metrópolis - Thea Von Harbou  [ Download ]




Introdução por Forrest J. Ackerman, vencedor do Prémio Hugo e um fã de Metrópolis.

Bem-vindos à Metrópolis, a minha cidade.

População estimada pelo meu amigo A. E. van Vogt, cinqüenta milhões aproximadamente.
Eu moro aqui desde que eu tinha dez anos. É a cidade mais fabulosa e emocionante que existe na face da terra e debaixo da terra também. Londres, Los Angeles, Nova York, Paris, Berlim, Tóquio... todas misturadas e combinadas em uma! Tente imaginar!

Quando eu pronuncio o nome mágico - "Metrópolis" - se reúnem a arrogância do Empire State Building, com a elegância do Taj Mahal, a fama da Torre Eiffel e o mistério da Esfinge do Egito.

"Metrópolis"... A Nova Babel, uma obra prima, magnificência arquitetônica monolítica.
Os arranha-céus do século XX são insignificantes perto das megaestruturas do século XXI.
E abaixo dela, em cavernas feitas pelo homem, as máquinas monstruosas de Moloch, a incrível e inumana máquina Geyser, a máquina-coração, mantida pelos homens-relógio, os subhumanos do subterrâneo, operários impotentes que vivem sem esperança, servos dos seres da superfície, marionetes cegas das ordens do Senhor de Metrópolis.

O Mestre de Metrópolis, John Fredersen, o homem forjado em aço, frio como a superfície de Plutão e tão distante quanto. Um governante tão implacável quanto os antigos Césares.

Escondido em algum lugar da superestrutura futurista de Metrópolis, está um sobrevivente anacrônico do barroco e do gótico, um laboratório onde eles realizam maravilhas da alquimia.
Com o selo de Salomão, na porta, aqui poderia ter nascido - centenas de anos antes - o lendário Golem.
Uma aranha de olhos arregalados e cabelos brancos, um gênio sinistro que sacrificou uma mão para a sua ciência sobre-humana. É a morada do fantasmagórico Rotwang, o diabólico Ralph 124C41 + do seu tempo.
Rotwang criou um simulacro de mulher, fabricada de metal. A robô feminina com a qual Rossum poderia ter sonhado.

'Metrópolis', o livro, tem sido comparado com 'RUR' de Karel Capek, com o utópico romance 'Erewhon', de Samuel Butler, "sobre um tempo futuro em que máquinas desenvolvem uma alma", com 'A Máquina do Tempo', que a mente inquieta e antecipatória de H. G. Wells criou, um retrato inesquecível do desenvolvimento económico e social de seus Eloi, aristocratas e epicuristas do mundo futuro, e os Morlocks, seus escravos sem inteligência.

'When The Sleeper Wakes' (Wells), 'Land under England' (O'Neill) , 'Looking Backward' (Bellamy) e 'The summer of 3000' (Martin), lembram alguns aspectos deste livro.

Thea von Harbou, sua inteligente autora, deu provas durante a sua vida, de uma mente literária longe da realidade. Quando os foguetes interplanetários eram ainda um embrião, ela escreveu a famosa 'Mulher na Lua', tanto o livro como o roteiro do filme. 'Túmulo indiano', 'A Ilha dos Imortais', 'Siegfried' (adaptado no filme 'Doutor Mabuse') estão entre o legado literário e cinematográfico de Madame Von Harbou. Casada com o famoso diretor Fritz Lang, que concretizou seu trabalho na prodigiosa obra-prima, Metrópolis, para a tela, um filme que permanece um incomparável clássico da ficção científica.

"Metropolis é diferente de qualquer outro romance escrito no mundo", disse um observador entusiasmado na época. "É diferente, único, original. Mantém o drama das tremendas forças em conflito, com o tema do amor idílico".

A linguagem deste romance é tão rica quanto Shiel, caleidoscópica como Merritt em 'O Imperador de metal', austera como 'Skeleton' de Bradbury, tão poética como Poe, macabra como a de Machen.

Ciência e fantasia, horror e beleza, mistério, ameaça, loucura, magnificência, significado... pela primeira vez na vida, todos esses elementos combinados magicamente para criar o clássico, a obra suprema: Metrópolis.

Este é o livro que tem sido definido como uma obra de gênio.

Eu concordo. A experiência que envolve a leitura vai durar o resto de sua vida.

Forrest J. Ackerman
Apt 4E - Torres Rotwang.
Nível Lang - Air Way Harbou
Metrópolis
24 de novembro de 2026.




Recentemente, partes não utilizadas do filme original foram encontradas na Argentina, e em breve, uma nova versão (30 minutos maior) será lançada.