terça-feira, 26 de outubro de 2010

Magazine de Ficção Científica num.3 (1970)



EDITORIAL

Recebendo este terceiro número do “Magazine de Ficção Científica” o leitor brasileiro já pode verificar que tem nas mãos um pequeno tesouro e, o que é melhor, um tesouro que se oferece todos os meses à sua gulodice intelectual e literária.

A FC é realmente um tesouro no campo da literatura: um gênero que, nascido não faz muito tempo, conquista terreno rapidamente, impondo-se à preferência das pessoas que, gostando de ler, se encontram subitamente ante um panorama extraordinário que só pode ser visto quando corajosamente se afastam as cortinas que impediam à imaginação o avanço no espaço e no tempo — cortinas que permanecem cerradas à literatura tradicional.

Nesta época tumultuada, em que os povos se agitam, a ciência e a técnica avançam como carros de assalto, o homem de pensamento precisa de novos meios para se exprimir. Onde buscar esses novos meios? Na ciência e na técnica, no tumulto do pensamento moderno.
É a ficção científica que nos dá a possibilidade dessa realização. Por isso é a literatura do momento e é, principalmente, a literatura do futuro: progride, cresce, se avoluma juntamente com a ciência e a técnica, juntamente com o pensamento, as dúvidas, as reivindicações do nosso século. É o retrato mais válido desta época de transição que estamos vivendo, momento em que os cientistas moldam, em todos os campos, o mundo futuro.

Temos neste número uma noveleta de Evelyn E. Smith: “Preto + Branco = Verde”. É um estranho trabalho, cheio de humor, em que se debatem o problema racial, o problema sociológico, o choque das gerações.
“Metamorfose”, do grande Damon Knight é um conto curtinho, que poderíamos chamar de brincadeira literária, deliciosa e dramática fantasia de amor e ciúme com feitiçaria pelo meio.

O conto nacional é de Walter Martins o qual; que nos lembremos, só não juntou o cômico à tragédia em sua estória “Tuj” (publicada na coletânea da EDART “Além, do Espaço e do Tempo”). Em outras, como “Ohmmmmmml”, “O Forte” ou “O olho”, o autor tira das situações embaraçosas em que vivem suas personagens, uma deliciosa comicidade irônica. Neste conto, “A volta de Adalbeu”, ele deixa a FC e se diverte no mundo da fantasia, fazendo o diabo com o pobre diabo Adalbeu.

Queremos destacar, ainda o 2.° artigo “metálico” de Asimov, “O Sétimo Metal”, que continua o assunto começado no n.° 2 e se encerrará no n.° 4. É, como das outras vezes, uma estória rigorosamente científica, com o sabor delicioso que Asimov sabe dar ao que escreve.


Editorial
Contos Estrangeiros
Preto + Branco = Verde - Evelyn E. Smith 
A Metamorfose - Damon Knight 
Hora de Partir - Douglas Angus 
Depois do Enfer - Philip Lathan 
Alter Ego - Hugo Correa 
O Décimo Segundo Leito - Dean R. Koontz 
A Estrada Real Para Lá - Robert M. Green Jr. 
Fora de Tempo e de Lugar - George Collyn 
Bichos - Charles Harness 131
Conto Brasileiro
A Volta de Adalbeu - Walter Martins
Ciência
O Sétimo Metal - Isaac Asimov
Cartas

Magazine de Ficção Científica  num.3 (1970) [ Download ]