sábado, 20 de novembro de 2010

Solaris - Stanislaw Lem (parte 12)



 A CONFERÊNCIA

Estava deitado de costas, com a cabeça de Rheya apoiada no meu ombro.
A escuridão estava agora habitada. Podia ouvir passos. Algo se amontoava por cima de mim, cada vez mais alto, infinitamente alto. A noite trespassou-me; a noite apoderou-se de mim, envolveu-me e penetrou-me, impalpável, insubstancial.
Transformado em pedra, deixara de respirar.
Como se à distância, ouvia o bater do meu coração.
Reuni todas as forças que me restavam, retesei todos os nervos e esperei pela morte. Continuei à espera... Parecia que ia diminuindo em tamanho, e o céu invisível, sem horizonte, a imensidão sem forma do espaço, sem nuvens, sem estrelas, recuou, expandiu-se e cresceu em meu redor. Tentei arrastar-me para fora da cama, mas não havia cama; sob a cobertura da escuridão, havia apenas o abismo.
Comprimi as mãos sobre a face. Já não tinha dedos nem mãos. Quis gritar...
O quarto pairava numa penumbra azulada, que desenhava os contornos da mobília e das estantes cheias e que a tudo tirava a cor.
A janela estava inundada por uma brancura pérola.
Senti-me alagado em suor.

Olhei para o lado. Rheya olhava para mim.
Levantou a cabeça.
— O braço adormeceu?
Também os seus olhos tinham perdido a cor; sob as negras pestanas, estavam cinzentos, mas luminosos.
— O quê? — As palavras sussurradas tinham-me parecido uma carícia, mesmo antes de lhes perceber o significado. — Não. Ah, sim! — disse por fim.
Pousei a mão sobre o seu ombro; sentia o formigamento nos dedos.
— Teve um sonho ruim? — perguntou.
Apertei-a contra mim com a outra mão.
— Um sonho? Sim, estava sonhando. E você, não dormiu?
— Não sei. Acho que não. Estou apenas sonolenta. Mas que isso não te impeça de dormir... Por que me olha assim?
Fechei os olhos. O seu coração batia de encontro ao meu. O seu coração? “Um simples apêndice”, disse para comigo. Mas já nada me surpreendia, nem mesmo a minha própria indiferença. Ultrapassara as fronteiras do medo e do desespero.
Fora longe — mais longe do que qualquer outro ser humano antes de mim.

Ergui-me sobre o cotovelo.
O romper do dia... será a paz que vem com essa madrugada?
Uma trovoada silenciosa pusera em fogo todo horizonte sem nuvens. Um fio de luz, o primeiro raio de sol azul, penetrou no quarto e desfez-se em reflexos angulosos; houve um ricochetear de centelhas, que fizeram cintilar o espelho, os puxadores das portas, os tubos niquelados. A luz difundiu-se, caindo sobre todas as superfícies polidas, como se quisesse conquistar cada vez mais espaço, quisesse encher todo o quarto de luz.

Olhei para Rheya; as pupilas dos seus olhos cinzentos tinham-se contraído.
Perguntou em voz sem expressão:
— A noite já acabou?
— Aqui as noites nunca duram muito tempo.
— E nós?
— Nós, o quê?
— Vamos ficar aqui muito tempo?
A pergunta, partindo dela, não deixava de ter o seu lado cômico; mas quando falei, a minha voz não tinha traço de divertimento.
— Provavelmente muito tempo. Por quê? Não quer ficar aqui?
Seus olhos nem pestanejaram. Fitava-me de modo inquiridor.
Será que a vi piscar o olho? Não tinha a certeza.
Afastou para trás o cobertor e vi-lhe a pequena cicatriz rósea no braço.
— Por que olha para mim desse jeito?
— Porque é muito linda.
Sorriu, sem traço de maldade, modestamente aceitando o cumprimento.
— Verdade? É como se... como se...
— O quê?
— Como se duvidasse de alguma coisa.
— Besteira!
— Como se não confiasse em mim e eu estivesse escondendo algo de você...
— Tolices!
— Pelo modo como nega, adivinho que tenho razão.

A luz tornou-se cegante. Protegendo os olhos com a mão, procurei os óculos escuros. Estavam na mesa. Quando voltei para junto dela, Rheya sorriu.
— E eu?
Levou-me um minuto a compreender ao que se referia.
— Óculos escuros?
Levantei-me e pus-me à caça, por entre gavetas e prateleiras, afastando livros e instrumentos. Encontrei dois pares de óculos, que dei a Rheya. Eram demasiado grandes; caíam-lhe até quase à ponta do nariz.
As cortinas deslizaram sobre a janela; estava novamente escuro.
Ajudei Rheya a tirar os óculos e pus ambos os pares debaixo da cama.

— Que fazemos agora? — perguntou.
— É noite, dorme!
— Kris...
— Sim?
— Quer uma compressa pra testa?
— Não, obrigado. Obrigado... querida.
Não sei por que acrescentara aquelas duas palavras.

Na escuridão, agarrei seus ombros graciosos. Senti-os estremecer e soube, sem a mínima sombra de dúvida, que tinha Rheya nos braços. Ou antes, naquele momento compreendi que ela não estava a tentar enganar-me; era eu quem estava enganando ela, pois ela acreditava sinceramente que era Rheya.

Depois disso, várias vezes caí no sono, mas todas as vezes, um sobressalto de angústia me fazia acordar. Ofegante, exausto, comprimi-me de encontro a ela; o meu coração foi acalmando gradualmente. Tocou-me de leve nas bochechas e na testa com a ponta dos dedos, para ver se eu estava ou não com febre.
Era Rheya, a verdadeira Rheya, apenas Rheya.
Ocorreu então em mim uma mudança; deixei de lutar e adormeci quase instantaneamente.
Fui acordado por um agradável frescor. A minha cara estava coberta com um pano úmido. Arranquei-o e vi Rheya inclinada sobre mim. Sorria e espremia um segundo pano sobre uma bacia.
— Que sono! — disse ela, pousando-me nova compressa sobre a testa. — Está doente?
— Não.
Franzi a testa; a pele estava novamente flexível.
Rheya estava sentada na beira da cama, o cabelo negro caia sobre a gola de um roupão — um roupão de homem, riscado de laranja e preto e as mangas arregaçadas até ao cotovelo.
Eu estava com uma fome terrível; tinham-se passado pelo menos vinte horas desde a minha última refeição.
Quando Rheya acabou com os tratamentos, levantei-me.
Dois vestidos, pousados nas costas de uma cadeira, atraíram-me o olhar — dois vestidos brancos, absolutamente iguais, ambos decorados com uma fileira de botões encarnados. Eu próprio ajudara Rheya a despir um deles, e, na véspera à noite, reaparecera vestida com o segundo.

Rheya seguiu-me o olhar.
— Tive de cortar com a tesoura pela costura — disse. — Penso que o fecho deve ter-se encravado.
A vista dos dois vestidos iguais encheu-me de um horror que excedia tudo o que até aí sentira. Rheya estava ocupada a arrumar o armário dos remédios.
Voltei-me de costas e mordi os dedos.
Incapaz de tirar os olhos dos dois vestidos, ou antes, do vestido original e do seu duplo, fui até à porta. A torneira do lavatório estava aberta e fazia barulho.
Abri a porta e, deslizando para fora do quarto, fechei cuidadosamente a porta.
Ouvi o ruído da água a correr, o tinir de frascos; depois, de repente, deixei de ouvir qualquer som. Esperei, os maxilares contraídos, as mãos agarradas ao puxador, mas com pouca esperança de o manter fechado.
Quase me foi arrancado das mãos com selvagem sacudidela. Mas a porta não se abriu; abanava e vibrava de cima a baixo.
Espantado, larguei o puxador e recuei.

O painel, de um material plástico qualquer, fez uma bossa para dentro, como se uma pessoa invisível a meu lado tivesse tentado entrar no quarto. A armação de aço foi-se entortando cada vez mais para dentro e a pintura começou a estalar.
De repente compreendi: em vez de empurrar a porta, que abria para fora, Rheya estava tentando abri-la puxando-a para si.
O reflexo do tubo de luz do teto via-se distorcido sobre o painel da porta pintada de branco; houve um estalido ressonante e o painel, forçado para além dos limites, cedeu. Simultaneamente o puxador desapareceu, arrancado do lugar.
Apareceram duas mãos manchadas de sangue, passando pela abertura e sujando de sangue a pintura branca. A porta partiu-se em duas, as metades partidas penderam nas dobradiças.
Primeiro apareceu uma face, mortalmente pálida; depois uma aparição de ar selvagem, vestindo um roupão laranja e preto, atirou-se soluçante contra o meu peito.
Quis escapar, mas era demasiado tarde e estava pregado no lugar.
Rheya respirava de modo convulsivo, a cabeça desgrenhada batendo-me no peito.
Antes que tivesse tempo de envolvê-la com os braços, para segurá-la, Rheya desfaleceu.
Evitando as beiradas denteadas do painel arrebentado, levei-a para o quarto e deitei-a na cama. As pontas dos dedos estavam feridas, as unhas rasgadas. Quando as mãos se voltaram com as palmas para cima, vi que estas estavam golpeadas até ao osso.

Examinei-lhe a face; os olhos vítreos não mostravam sinais de me reconhecer.
— Rheya.
A única resposta foi um gemido inarticulado.
Dirigi-me ao armário dos remédios.
A cama estalou; voltei-me; Rheya sentara-se e olhava espantada para o sangue nas mãos.
— Kris — soluçou. — Eu... eu... o que aconteceu comigo?
— Se feriu ao tentar arrebentar a porta — respondi com secura.
Meus lábios tremiam convulsivamente, e tive de mordê-los para controlá-los.
Os olhos de Rheya examinaram os pedaços do painel que pendiam da armação de aço e voltaram de novo a fixar-me. Fazia o máximo dos esforços para esconder seu horror, mas vi-lhe o queixo que tremia.

Cortei alguns quadrados de gaze, peguei num frasco de pó anti-séptico e voltei para junto da cama. O frasco de vidro fugiu-me das mãos e desfez-se em cacos — mas já não precisava dele.

Levantei uma das mãos de Rheya. As unhas, ainda com traços de sangue seco, tinham voltado a crescer. Havia uma cicatriz rósea no côncavo da palma, mas até essa cicatriz estava a sarar, desaparecia aos olhos.
Sentei-me a seu lado e acariciei-lhe a face, tentando sorrir, mas sem grande sucesso.
— Por que fez aquilo, Rheya?
— Eu fiz... aquilo?
— Sim... Não lembra?
— Não... isto é, vi que não estava aqui, fiquei muito assustada, e...
— E o quê?
— Fui à sua procura. Pensei que talvez estivesse no banheiro...Só então reparei que a porta deslizante que tapava a entrada fora pra trás.
— E depois?
— Corri para a porta.
— E depois disso?
— Não me recordo... Algo deve ter acontecido...
— O quê?
— Não sei.
— Do que se recorda?
— Eu estava aqui sentada, na cama.
Pôs as pernas debaixo da cama, levantou-se e foi até junto da porta despedaçada.
— Kris!
Indo até junto dela, abracei-a pelos ombros; tremia.
De repente voltou-se e sussurrou:
— Kris, Kris...
— Acalma-te!
— Kris, se fui eu... Kris, será que sou epilética?
— Que idéia extraordinária, amor. As portas aqui são bastante especiais...
Saímos do quarto no momento em que a janela de guilhotina subia ruidosamente; o sol azul mergulhava no Oceano.

Conduzi Rheya até à pequena cozinha do outro lado da entrada sob a cúpula. Juntos pilhamos os armários e os frigoríficos. Notei logo que Rheya era pouco melhor do que eu para cozinhar ou mesmo até a abrir latas. Devorei o conteúdo de duas latas e bebi inúmeras canecas de café. Rheya comeu também, mas como comem as crianças quando não têm fome e não querem desagradar aos pais; por outro lado, não forçava, apenas engolia automaticamente o alimento, cheia de indiferença.
Depois da refeição fomos á enfermaria, junto da cabine de rádio.
Tivera uma idéia.

Disse a Rheya que queria lhe fazer um exame médico — um simples check-up—, sentei-a na cadeira mecânica e tirei uma seringa e algumas agulhas do esterilizador. Sabia exatamente onde se encontrava cada um dos objetos; no que dizia respeito ao interior da Estação, durante o meu curso de treino, os instrutores não tinham descuidado de um único pormenor.
Rheya estendeu os dedos; tirei-lhe uma amostra de sangue: esfreguei numa placa, que coloquei no cano de sucção, introduzi-o no tanque de vácuo e bombardeei-o com íons de prata.
O fato de estar executando uma tarefa familiar tinha um efeito calmante, e senti-me melhor. Rheya, recostada nas almofadas da cadeira mecânica, passeava os olhos pelos instrumentos que havia na enfermaria.
O zunido do videofone quebrou o silêncio; levantei o auscultador.
— Kelvin.
Olhei para Rheya; continuava quieta, aparentemente exausta do recente esforço.
Ouvi um suspiro de alívio.
— Finalmente!
Era Snow. Esperei com o auscultador apertado contra a orelha.
— Teve uma visita, não teve?
— Sim.
— Está ocupado?
— Sim.
— Um pequeno exame, hein?
— Suponho que tenha uma sugestão melhor a fazer... talvez uma partida de xadrez?
— Não se ofenda tão fácil, Kelvin! Sartorius quer falar contigo, quer que conversemos os três juntos.
— Muito amável da parte dele! — respondi, espantado. — Mas... — Fiz uma pausa, depois continuei: — Ele está sozinho?
— Não. Não me expliquei devidamente. Ele quer ter uma conversa conosco. Será uma ligação tripla de videofone, mas com as lentes tapadas.
— Sei. Por que ele não falou comigo pessoalmente? Tem medo de mim?
— Muito possívelmente — resmungou Snow. — O que diz?
— Uma conferência. Daqui a uma hora. Certo?
— Ótimo.
Podia ver seu rosto na tela — só ele, mais ou menos do tamanho de uma mão fechada. Por um momento fitou-me atentamente; ouvia-se o estalido da corrente elétrica. Depois disse hesitante:
— Você está bem?
— Menos mal. E você?
— Não tão bem como você, confesso. Posso...?
— Quer vir aqui?
Olhei para Rheya por cima do ombro. Estava recostada para trás, as pernas cruzadas, a cabeça inclinada. Com ar moroso, brincava mecanicamente com a pequena bola niquelada que havia na extremidade de uma corrente fixada ao apoio do braço.
Snow gritou:
— Para com isso, ouviu? Já disse para parar!
Podia ver o seu perfil na tela, mas não conseguia ouví-lo, apesar de seus lábios continuarem a se mexer — pusera a mão sobre o microfone.
— Não, não posso ir — disse, apressadamente. — Talvez mais tarde; de qualquer modo, entrarei em contato daqui à uma hora.
A tela apagou-se; voltei a pôr o auscultador no descanso.
— Quem era? — perguntou Rheya com indiferença.
— Snow, um cibernético. Você não o conhece.
— Isto ainda vai durar muito?
— Está aborrecida?
Pûs no microscópio de nêutrons a primeira de uma série de lâminas e, um após outra, pressionei os interruptores de diferentes cores; os campos magnéticos zumbiam com um ruído surdo.
— Não tenho nada a fazer, se a minha humilde companhia não lhe agrada...
Ia falando distraidamente, com longos intervalos entre as palavras.
Puxei para mim o grande capelo preto que havia em volta do óculo do microscópio e apoiei a testa contra o visor de espuma de borracha elástica. Ouvia a voz de Rheya, mas sem prestar atenção ao que dizia. Sob o meu olhar, em medidas fortemente reduzidas, havia um vasto deserto, banhado de luz prateada, salpicado de seixos arredondados — corpúsculos vermelhos—, que estremeciam e se contorciam sob um velo de neblina. Foquei o óculo e penetrei mais ainda nas profundezas da prateada paisagem.
Sem retirar os olhos do visor, rodei o regulador; quando um seixo, um único corpúsculo, se isolou e apareceu na junção dos fios de demarcação, aumentei a imagem. Aparentemente, as lentes tinham apanhado um eritrócito deformado, com uma depressão no centro, cujas margens irregulares projetavam agudas sombras sobre as profundezas de uma cratera circular. A cratera, eriçada de depósitos de íons de prata, estendia-se para além do campo de visão do microscópio. Os nebulosos contornos de fios de albumina, distorcidos e atrofiados, apareciam por entre um líquido opalescente. Sob os fios da lente, uma minhoca de albumina contorceu-se e virou-se ao contrário. Gradualmente, fui aumentando. A qualquer instante agora deveria estar a atingir o limite desta exploração das profundezas; a sombra de uma molécula ocupou todo o espaço; depois a imagem ficou indistinta.
Não havia nada para ver.
Deveria haver a efervescência de uma agitada nuvem de átomos, mas nada se via.
Uma luz ofuscante encheu a tela, que estava impecavelmente límpida.
Puxei a alavanca para o máximo.
O ruído irado e sibilante aumentou, mas a tela permaneceu vazia.
Soou um sinal de alarme e foi novamente repetido; o circuito estava com sobrecarga. Lancei um último olhar ao deserto prateado e desliguei.

Olhei para Rheya.
Estava no meio de um bocejo, que, cheia de perícia, transformou em sorriso.
— Como estou de saúde? — perguntou.
— Excelente. Não podia estar melhor.

Continuei a olhar para ela, e mais uma vez senti como se algo me fizesse cócegas nos lábios. O que acontecera exatamente? O que significava aquilo? Aquele corpo, frágil e fraco na aparência, mas indestrutível na realidade, seria efetivamente feito de nada?
Dei um murro no cilindro do microscópio.
O instrumento estaria avariado? Não, sabia que estava a funcionar perfeitamente. Seguira escrupulosamente o procedimento; primeiro as células, depois a albumina, depois as moléculas; e tudo estava exatamente como me acostumara a ver ao examinar milhares de amostras.
Mas o passo final, o ponto crucial do caso, não me levara a parte nenhuma.
Pus uma atadura no braço de Rheya, tirei um pouco de sangue de uma veia intermediária e transferi-o para um copo graduado; depois dividi-o por vários tubos de ensaio e comecei as análises. Estas levaram mais tempo que o normal; eu estava muito destreinado.
As reações eram normais, todas elas.
Deixei cair um pouco de ácido congelado sobre uma gota de sangue que parecia uma pérola de coral. O sangue tornou-se cinzento e uma espuma suja veio à superfície. Desintegração, decomposição, cada vez mais rápida!
Voltei-me para pegar outro tubo de ensaio; quando olhei de novo para a experiência, quase deixei cair o delgado tubo.Sob a película de espuma suja estava a formar-se novo coral. O sangue, destruído pelo ácido, recriava-se novamente.
Era uma loucura, era impossível!



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