domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prêmio Comuna FC

A Ana Cristina Rodrigues e a comunidade de Ficção Científica no Orkut, compilaram uma lista (trabalho digno de entrar para os trabalhos de Hércules) com a grande maioria dos lançamentos de FC, Terror, Fantástico e Fantasia nacionais, de 2009.

Agora chegou a hora de escolher os melhores do ano que passou nas categrias:
- Romances/Novelas
- Antologias de autor
- Coletâneas
- Contos
- Não-ficção
- Revistas/zines
- Ebooks
- Ezines
- Site de contos
- Sites informativos/resenhas (incluindo microblogs)
- Resenhistas/Colunistas/Comentaristas
- Editores/Organizadores
- Editoras

A lista dos "candidatos" pode ser encontrada no blog da Comunidade FC e para votar, e conhecer esta iniciativa bacana, dê uma chegada no endereço do prêmio no Facebook.

Frank Herbert

 


Frank Patrick Herbert (8 de Outubro de 1920 – 11 de Fevereiro de 1986) nasceu em Tacoma, Washington (EUA) e desde jovem sonhava em se tornar um escritor.

Seu primeiro emprego, aos 19 anos, foi no jornal Glendale Star. Herbert estava decidido a se tornar um homem de letras, mas seus planos literários tiveram que aguardar o término da Segunda Grande Guerra, onde ele serviu como fotógrafo da Marinha.

Após a guerra, Herbert voltou para Washington, onde cursou uma faculdade de jornalismo sem se formar. Voltou também a trabalhar em jornais. Seus amigos jornalistas desta época, dizem que Herbert tinha pressa em alcançar um status, uma posição, que os seus escritos da época não lhe permitiam ainda.

Herbert iniciou a escrever Ficção Científica por volta da década de 50, conseguindo publicar alguns contos em revistas voltadas para escritores iniciantes, como a Startling Stories.

Seu primeiro romance, de 1955, "The Dragon in The Sea" (ou "21st Century Sub"), um estudo da condição humana à bordo de um submarino do futuro, lhe rendeu elogios, mas não foi um sucesso de vendas.

O fracasso não o desestimulou a continuar escrevendo. Ele vinha realizando pesquisas para um novo livro, sobre a sobrevivência do ser humano no espaço, em um futuro distante. O novo livro traria um quadro completo, com aspectos evolutivos, ecológicos, políticos e religiosos, uma verdadeira saga.

"Dune" ficou pronto seis anos depois, e passou por 20 rejeições antes de ser publicado em partes, na revista Analog. "Dune" se tornou um sucesso de crítica e ganhou os prêmios Nebula em 1965 e Hugo em 1966, apesar de só se tornar um best-seller ao longo dos anos seguintes.

Arthur C. Clarke disse que "Dune" era um livro único, na história da Ficção Científica, apenas comparado o que o "Senhor dos Aneís" foi pela Fantasia.


A repercussão positiva de sua FC ecológica, abriu portas para Herbert, que passou a lecionar escrita criativa e a receber convites de editoras. Foi consultor para o governo americano, e ainda trabalhou escrevendo para a televisão.

Apenas no início da década de 70, Herbert tornou-se um escritor em tempo integral, conseguindo um razoável sucesso com seus outros livros, mas nada semelhante a "Dune".

Depois de uma série de tragédias pessoais familiares, Herbert viu em 1984, a possibilidade do lançamento do filme "Dune", dirigido por David Lynch,  alavancar sua carreira. Mas o filme, apesar do orçamento, e de seu elenco de primeira linha, não agradou nem à critica, nem aos apreciadores do gênero.

Herbert continuou a expandir o universo de Dune até sua morte. Seu filho, Brian Herbert, atualmente se ocupa de dar continuidade para a famosa saga, utilizando-se de material não aproveitado pelo pai. 


Frank Herbert ( Duna, O Messias de Duna, Os filhos de Duna, As herdeiras de Duna, Os hereges de Duna, Man of two worlds, Children of the mind, Committee of the whole, Destination Void series, Direct Descent, Dune series, Dune Encyclopedia, Dune Genesis, Escape Felicity, Hellstrom's hive, Old rambling house, Operation syndrome, Seed Stock, Soul Catcher, Tactful saboteur, The Dosad Experiment, The dragon in the sea, The eyes of Heisenberg, The featherbedders, The GM efffect, The Godmakers, The green brain, The heaven makers, The nothing, The Santaroga barrier, The white plague, Whipping star, El devorador de calcio, La caja de las orquideas, Proyecto 40, Compramos gente, Corrientes alternas, El final de la Tierra, El hombre esquematico, La prueba suprema, Los exploradores de Portico, Mineros de Oort, Postdata a Portico ) [ Download ]

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 18

CAPÍTULO 18
Este capítulo é dedicado a Sophia Books, uma diferente e excitante loja multi-idiomas de Vancouver, cheia do que há de melhor, mais estranho e excitante, em matéria de cultura pop mundial de vários países. Sophia fica numa esquina próximo ao hotel que fiquei quando fui a Vancouver dar uma palestra na Simon Frazer University e o pessoal da Sophia entrou em contato comigo pedindo que autografasse alguns dos meus livros em seu estoque, quando estivesse por perto. Quando fui lá, descobri um tesouro de trabalhos nunca antes vistos em diversas línguas desde graphic novels (quadrinhos) a pesquisas acadêmicas organizada pelo seu pessoal simpático que visivelmente gostava de seu trabalho e que o difundia com qualquer um que estresse por suas portas.
Sophia Books: 450 West Hastings St., Vancouver, BC Canada V6B1L1 +1 604 684 0484

Houve um tempo em que o meu maior divertimento no mundo era colocar uma capa e ir a hotéis, fingindo ser um vampiro invisível pra quem me encarava.

É complicado, mas não tão estranho quanto parece. A cena LARP (ação ao vivo, uma evolução do RPG) combina os melhores aspectos do RPG com clube de teatro e que rola nas convenções de Sci-Fi.
Compreendo que não parece tão atraente para você quando era para mim aos 14 anos.
Os melhores jogos eram aqueles que aconteciam fora da cidade, nos acampamentos para escoteiros: uma centena de adolescentes, meninos e meninas, trocando histórias em meio ao trânsito caótico de sexta, com seus videojogos portáteis, se exibindo por horas.  Então desembarcávamos num gramado frente a um grupo de homens e mulheres durões e mais velhos, vestidos com armaduras caseiras, dentadas e horrendas, como deviam ser nos velhos tempos, não daquelas que vemos nos filmes, mas o uniforme de um soldado depois de um mês no mato.

Estas pessoas eram pagas para comandar os jogos, mas você não consegue um emprego destes se não é o tipo de cara que faria isso mesmo de graça. Eles então nos dividiam em times, baseados nos formulários que preenchemos antes e então somos apresentados às equipes, como numa escolha de times de basebol.
Ai você recebe os pacotes com as instruções. São como as orientações dadas aos espiões do cinema: aqui está sua identidade, sua Missão e os segredos que sabe sobre o grupo.

Dali você vai jantar: comida quase pronta, carne em espeto, tofu grelhado (é o norte da Califórnia e uma opção vegetariana não era opcional) o tipo de comida e bebida que só pode ser classificada como divertida.
Nesta hora os garotos já entraram em seus personagens. Eu fui um mago em meu primeiro jogo. Eu tinha um saco de feijões, que eram os encantos; quando atirava um deles, eu podia gritar o nome do feitiço escolhido, como “bola de fogo”, “míssil mágico” ou “cone de luz” e o outro jogador ou “monstro” tinha que fingir ter recebido o encanto. Ou não - às vezes era preciso chamar um juiz para intermediar, mas na maioria das vezes, todos sabíamos o espírito do jogo. Ninguém gostava de um sujeito que não sabia brincar.

Lá pela hora de dormir, já estávamos totalmente dentro dos personagens. Aos 14 anos eu não tinha tanta certeza de como um mago deveria ser, mas eu tirava as pistas dos filmes e romances. Eu falava devagar, com entonação calculada, mantendo uma expressão mística no rosto e tendo pensamentos místicos.
A Missão era complicada: eu devia recuperar uma relíquia sagrada que tinha sido roubada por um ogro que estava subjugando as pessoas de um povoado. A coisa toda não importava tanto. O que importava era que eu tinha uma Missão particular, capturar um certo tipo de pequeno demônio que seria meu ajudante e eu também tinha um inimigo secreto, outro jogador do time que tinha estado numa batalha onde minha família tinha sido morta quando eu era garoto, um jogador que não sabia que eu tinha voltado atrás de vingança. Em algum lugar, é claro, havia outros jogadores com o mesmo ressentimento contra mim. Então mesmo se eu estivesse gostando da camaradagem do time, teria sempre que manter um olho aberto para facas nas costas e venenos na comida.

Nos dois dias seguintes nós jogávamos ao ar livre. Havia partes dos finais de semana que praticávamos uma espécie de esconde-esconde, algumas eram como exercícios de sobrevivência na vida selvagem, outras eram como resolver charadas. Os senhores dos jogos faziam um ótimo trabalho.
E você realmente fazia amizade com outras pessoas na Missão. Darryl fora o alvo de meu primeiro assassinato e eu tive que cumprir minha Missão mesmo ele sendo meu amigo. Um cara legal. Que vergonha ter que matá-lo.  Eu o acertei com uma bola de fogo enquanto ele procurava por um tesouro, depois de nós acabarmos com um bando de orcs, jogando pedra-papel-e-tesoura com cada orc para decidir quem prevaleceria no combate. Isso é bem mais excitante do que parece.
Era mais como um acampamento de verão com teatro para geeks. Conversávamos ate tarde nas tendas, olhávamos estrelas, saltávamos no rio quando fazia calor, matávamos muitos mosquitos. Nos tornávamos melhores amigos ou inimigos eternos.
Eu não sabia o motivo dos pais de Charlie terem mandado ele para um evento assim. Ele não era o tipo de cara que realmente gosta destas coisas. Ele era mais o tipo que gosta de arrancar asas de insetos. Ou não. Mas ele não ficava disfarçado na floresta. Ele passava a maior parte do tempo vagabundeando, atormentando alguém ou tentando nos convencer de que não era tão divertido quanto nós acreditávamos. Você não tem duvidas de que este tipo de pessoa depois será o tipo de pessoa que garante que você vai passar por maus bocados.

Outra coisa sobre Charlie era que ele não entendia o lance das batalhas simuladas. Quando você começa a correr pelo mato, brincando destes elaborados jogos semi-militares, é fácil ficar com a adrenalina a toda ao ponto de estar pronto para estraçalhar a garganta de alguém. Isso não é muito legal quando se carrega uma espada teatral, uma clava ou lança ou outro utensílio. É por isso que ninguém pode acertar outra pessoa, sob nenhuma circunstância, nestes jogos. Quando você está prestes a guerrear com alguém, você faz um rápido pedra-papel-tesoura com alguma modificação, baseada na sua experiência, armamentos ou condições. Os juízes mediam a disputa. É bem civilizado e um pouco estranho. Você sai correndo atrás de alguém na floresta, o captura e então senta-se para jogar pedra-papel-tesoura. Mas funciona e mantém todos seguros e alegres.

Charles não via graça na coisa. Eu que ele era achava perfeitamente capaz de entender que a regra proibia contato, mas ele simplesmente decidia que as regras não importavam e que não iria cooperar. Os juízes o chamavam num canto várias vezes ao longo dos finais de semana e ele prometia que não faria mais besteiras e sempre fazia de novo. Ele já era grande na época, um dos maiores garotos do grupo, e ele acabava sempre acertando você ao final de uma perseguição. Não tem graça ser jogado ao chão pedregoso da floresta.
Eu tinha cercado Darryl numa clareira onde ele estivera procurando por tesouros e estávamos rindo após minha extrema e cuidadosa aproximação. Ele iria ser transformado em monstro - jogadores que eram mortos podiam virar monstros, o que significa que quanto mais se joga, mais monstros surgem te perseguindo, fazendo assim que todos continuem jogando e as batalhas se tornem mais e mais épicas.
Foi aí que Charles saiu do mato pro trás e me empurrou me jogando ao chão com tanta força que fiquem sem respiração por um instante. “Te peguei!”ele gritou. Eu só o tinha visto brevemente antes disso e não tinha me preocupado muito, mas agora eu estava pronto para matá-lo. Eu me levantei bem devagar enquanto ele gritava: “Tá morto! Te peguei de verdade!”
Eu sorri e algo pareceu errado com meu rosto. Toquei minha boca. Sangrava. Meu nariz sangrava e meu lábio tinha sido cortado ao bater numa raiz ao bater com a cara ao chão.
Limpei o sangue e sorri. Fiz parecer que estava divertido com isso. Ri um pouco. Fui na direção dele.
Charles não era fácil de se enganar. Já tinha se afastado, tentando sumir no mato. Darryl tinha se movido para alcançá-lo pelo flanco. De repente ele se virou e correu. O pé de Darryl o acertou no tornozelo e o derrubou. Nós corremos, no mesmo instante que ouvimos o apito dos juízes.
O juiz não tinha visto Charles me atacar, mas tinha visto o que Charles fizera todo o fim de semana. Ele mandou Charles para a sede do acampamento e disse que ele estava fora do jogo. Charles se queixou bastante, mas para nossa satisfação, o juiz não voltou atrás. Charles teria que ir embora, mas também ouvimos um sermão, por conta da nossa retaliação não ser mais justificável do que o ataque de Charles.
Mas foi tudo bem. Naquela noite, quando os jogos acabaram, nós todos fomos tomar banho quente nas tendas dormitórios. Darryl e eu roubamos as roupas e toalhas de Charles. Amarramos tudo com nós e as atiramos dentro da privada. Um monte de outros meninos ficaram felizes em contribuir. Charles era muito entusiasmado com esta coisa de derrubar os outros.
Gostaria de poder ter visto a cara dele, quando ele saiu dos chuveiros e descobriu onde tinha ido parar suas roupas. Será que foi uma decisão difícil ter que escolher entre correr pelado através do acampamento ou pegar suas roupas mijadas e as vesti-las assim mesmo?
Ele escolheu correr nu. Eu provavelmente escolheria o mesmo. Fizemos uma fila dupla dos chuveiros até as cabanas onde ficavam guardadas as coisas e o aplaudimos. Eu estava bem na frente da fila, comandando os aplausos.

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Os acampamentos ocorriam apenas três ou quatro vezes por ano, o que deixava Darryl e eu - e um monte de outros jogadores - com uma séria deficiência de LARP em nossas vidas.
Por sorte havia os jogos Wretched Daylight (Infelizes à luz do dia) que aconteciam nos hotéis da cidade.
Wretched Daylight era outro tipo de LARP, clãs de vampiros rivais aos vampiros caçadores e tinha suas próprias e excêntricas regras. Os jogadores tinham cartões que os ajudavam a decidir batalhas, de forma que cada conflito envolvia o conhecimento da estratégia comum de jogos de cartões. Os vampiros podiam se tornar invisíveis ao cruzar os braços sobre o peito e todos os outros jogadores tinham que fingir que não os viam, continuando com suas conversas e planos. O teste verdadeiro de um bom jogador era se você era honesto o bastante para continuar falando sobre seus planos secretos mesmo em frente a um rival sem agir como se soubesse que ele estava presente.

Havia um par de eventos como este a cada mês. Os organizadores tinham um bom relacionamento com os donos dos hotéis da cidade e eles sabiam que teriam que disponibilizar dez quartos sem reservas na sexta à noite e que estariam cheios de jogadores que correriam pelo hotel, brincando pelos corredores, ao redor das piscinas e por ai vai, comendo no restaurante do hotel e usando a internet WiFi paga do hotel. Eles fechavam as reservas na sexta pela tarde, nos mandavam emails e saíamos direto da escola para qualquer hotel que fosse, levando nossas mochilas, dormindo com outras seis ou oito pessoas num quarto por todo o final de semana, vivendo de junk-food e brincando até as três da manha. Era bom, diversão segura que agradava nossos pais.

Os organizadores eram de uma conhecida organização de caridade que ensinava crianças a escrever em workshops, de teatro e coisa e tal. Eles organizavam os jogos há dez anos sem nenhum incidente. Era estritamente proibido o uso de bebidas alcoólicas e drogas, o que mantinha os organizadores livres de alguma acusação de corrupção de menores. Éramos de dez a uma centena de jogadores, dependendo do final de semana e o preço era de duas entradas para o cinema para ter dois dias e meio de muita diversão.
Um dia eles tiveram a sorte de conseguir alguns quartos no Monaco, um hotel em Terderloin que atendia a turistas idosos ligados à arte, o tipo de lugar em que cada quarto tem um aquário e onde no lobby se encontram pessoas velhas bem vestidas, exibindo o resultado de suas plásticas.
Normalmente, os mundanos - nossa palavra para não jogadores - nos ignoravam, como se fôssemos garotos sem juízo. Mas naquele fim de semana coincidiu de um editor de uma revista italiana de viagens estar no hotel, e isso tornou as coisas mais interessantes. Ele havia me visto no canto enquanto eu espreitava o lobby, esperando agarrar o master do clã de meus rivais e pular sobre ele para sugar todo seu sangue. Eu estava junto da parede com meus braços cruzando meu peito, invisível, quando ele veio até mim e me perguntou com seu sotaque inglês, o que eu e meus amigos fazíamos naquele hotel no fim de semana?
Tentei afastá-lo dali, mas ele não saía do lugar. Então eu pensei que precisava fazer algo esquisito e ele iria embora.
Não imaginei que ele iria me publicar. Eu realmente não me imaginei aparecendo na Américan Press.
“Estamos aqui por que nosso príncipe morreu e viemos buscar um outro líder.”
“Um príncipe?”
“Sim. Nós somos os Antigos. Viemos para a América no século 16 e temos nossa própria família real pelos campos da Pensilvânia deste então. Vivemos de forma simples na floresta. Não usamos tecnologia moderna. Mas o príncipe era o último de sua linhagem e ele morreu semana passada. Alguma doença terrível o consumiu. Os jovens do meu clã saíram para procurar os descendentes, que haviam partido e se misturado às pessoas modernas na época de meu avô. Nós encontraremos o último de sua estirpe e o levaremos de volta ao lar de direito.”
Eu lia um monte de livros de fantasia. Aquele era o tipo de coisa que eu facilmente diria.
“Achamos uma mulher que conhecia os descendentes. Ela nos disse que um deles estaria neste hotel e viemos procurá-lo. Porém, fomos rastreados por nosso clã rival que quer impedir que encontremos nosso príncipe, para que fiquemos fracos e fáceis de dominar. Por isso é vital ficarmos em segredo. Não falamos com os Novos. Falar com você me causa grande desconforto.”
Ele me olhava interessado. Eu tinha descruzado os braços,  o que significaria dizer que estava visível de novo para os vampiros rivais, e um deles havia se esgueirado sorrateiro atrás de nós. No último instante eu me virei e a vi com os braços erguidos, sibilando para nós, nos vampirizando no maior estilo.
Eu joguei meus braços pro alto e sibilei de volta para ela, e me joguei atrás de um sofá de couro do lobby escondendo-me atrás de um vaso de plantas, obrigando-a a vir atrás de mim. Descobri uma rota de fuga pelas escadas que levavam a academia do hotel e parti para lá.
Não o vi mais naquele final de semana, mas contei minha história para colegas de LARP que acabaram aumentando a historia e contando para outros durante o fim de semana.
A revista italiana tinha um funcionário especializado naquelas comunidades anti-tecnologia, amish, na área rural da Pensilvânia e ela achou que nossa história muito interessante. Baseado em notas e entrevistas gravadas de seu patrão da sua viagem por São Francisco, ela escreveu um fascinante artigo sobre este estranho culto juvenil que atravessava a América em busca de seu príncipe. Caramba, as pessoas publicam qualquer coisa hoje em dia.

Mas o que aconteceu depois foi que as histórias foram copiadas e republicadas. Primeiro por bloggers italianos, depois por bloggers Americanos. Pessoas por todo o pais reportavam ter visto aparições dos “Antigos” ou porque havia algumas pessoas fazendo isso por aí ou porque outros brincavam do mesmo jogo. Não sei.
Isso funcionou bem para a mídia, chegando até o New York Times, que infelizmente tem o apetite pouco sadio de checar os fatos. O repórter que colocaram na história eventualmente chegou ao hotel Monaco que os colocou em contato com os organizadores de LARP, que riram bastante daquela história toda.
Bem, naquele ponto, este tipo de jogo tinha se tornado não muito legal. Ficamos conhecidos por espalhar boatos pela nação, como esquisitos e mentirosos patológicos. A imprensa que havia inadvertidamente disparado a cobertura da historia dos “Antigos” agora estava interessada em se redimir com reportagens sobre como os jogadores de LARP eram incrivelmente esquisitos e foi aí que Charles fez todos na escola saberem que eu e Darryl éramos os maiores jogadores da cidade.
Não foi um bom período. Alguns não se importaram, mas nós sim. A provocação era sem tréguas e Charles a comandava. Achei presas de plástico na minha bolsa e as crianças quando eu passava pelo corredor, começavam a fazer “ble ble” como um vampiro de desenhos animados ou falavam imitando um sotaque transilvânico, quando eu estava por perto.
Logo nós passamos a praticar o ARG. Era mais divertido de certo jeito e bem menos esquisito. Mesmo agora, sinto falta da minha capa e dos fins de semana nos hotéis.

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O oposto ao esprit d’escaler é o jeito que os embaraços da vida voltam a nos assombrar mesmo apos muito tempo decorrido. Eu conseguia lembrar de cada coisa estúpida que eu tinha feito ou dito, conseguia ver o quadro perfeitamente claro. Sempre que me sentia mal, eu naturalmente começava a me lembrar de outros tempos em que me senti daquele jeito, um hit-parade de humilhações vinha um atrás de outro na minha cabeça.

Enquanto tentava me concentrar em Masha e meu fim iminente, o incidente com os “Antigos” ficou voltando para me assombrar. Tinha sido bem parecido, e doentio, o sentimento de que tudo estava perdido, quanto mais e mais a imprensa publicava a historia, assim como a verossimilhança de alguém que descobrisse que tinha sido eu que espalhara a historia para o estúpido editor italiano com seus jeans feito sob medida, a camisa engomada sem colarinho e aqueles óculos de metal imensos.
Existia uma alternativa a insistir em nossos erros. Você pode aprender com eles.
É uma boa teoria. Talvez a razão do nosso subconsciente escavar atrás destes fantasmas miseráveis  é que ele precisa trazê-los à vista antes de que possam descansar em paz da humilhação no pós-vida.  Meu subconsciente costumava me visitar com fantasmas na esperança de que eu os deixasse descansar em paz.
Por todo o caminho para casa, fiquei com isso na memória, com a idéia de que eu deveria fazer sobre Masha no caso dela estar mentindo para mim. Eu precisava de alguma garantia.
Ao chegar em casa - para ser melancolicamente abraçado por minha mãe e meu pai, eu já sabia o que fazer.

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O truque era fazer a coisa tão rápido que não desse tempo a DHS de se preparar, mas o bastante para que a Xnet tivesse tempo para se revigorar.
O truque era ter tanta gente presente que seria impossível prender a todos e num lugar onde toda imprensa pudesse ver e os adultos, assim o DHS não poderia usar mais o gás.
O truque era fazer a coisa de forma a ser amigável para a mídia, como a levitação do Pentágono. O truque era preparar algo onde pudéssemos nos reunir ao redor, como 3 mil estudantes de Berkeley se recusando a deixar um dos seus ser colocado numa viatura policial.
O truque era colocar a imprensa lá, pronta para mostrar o que a polícia fez, do jeito que fizeram em 1968 em Chicago.
Seria um truque e tanto.
Sai da escola uma hora antes no dia seguinte, usando minhas técnicas costumeiras de escapar da escola, sem me importar se isso não dispararia algum tipo novo de dispositivo do DHS e que poderia resultar que meus pais recebessem um aviso.
De um jeito ou de outro o último problema de meus pais depois de amanhã seria se eu estive metido com alguma confusão na escola.
Encontrei com Ange em sua casa. Ela tinha saído ainda mais cedo da escola, ela tinha fingido estar sofrendo de cólicas e a mandaram logo para casa. 
Começamos a espalhar a ordem pela Xnet. Nós mandamos em email para amigos de confiança e para nossos camaradas nas listas de IM. Espalhamos pelos deques e cidades de Clockwork Plunder e contamos para nossos colegas de jogo. Dar às pessoas informação o bastante de maneira que eles pudessem fazer a coisa acontecer, mas não o bastante para que a DHS percebesse ser um truque.

>VAMPMOB AMANHÃ
> Se você é um gótico, vista-se para arrasar. Se não é, procure um e peça emprestadas algumas roupas. Pense como um vampiro.
> O jogo começa as 8:00 da manhã em ponto. Em ponto. Esteja lá e pronto para a divisão das equipes. O jogo vai durar 30 minutos, então você terá tempo o bastante para ir a escola depois.
> A localização será revelada amanhã. Mande sua chave publica por email para m1k3y@littlebrother.pirateparty.org.se e cheque suas mensagens às 7 da manhã. Se for cedo demais para você, fique acordado a noite toda. É o que nós faremos!
>Será a coisa mais divertida deste ano inteiro, garantido.
> Acredite.
> M1k3y.

Então mandei um email para Masha.
> Amanhã. M1k3y.
Um minuto depois a resposta dela.
> Eu imaginava. VampMob né? Você trabalha rápido. Use um chapéu vermelho. Não leve muita coisa.

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O que você leva com você quando vai fugir? Eu já havia carregado muitas mochilas pesadas em acampamentos de escoteiros para saber que cada quilo que você carrega vai ferir seus ombros com toda a força da gravidade a cada passo seu - e não parecerá só um quilo depois de um milhão de passos, mas uma tonelada.
“Certo.” disse Ange. “Muito esperto. E nunca se leva mais do que uma muda de roupa para três dias. Você pode lavar coisas na pia. melhor ter uma mancha na camisa do que numa mala grande e pesada demais para se colocar sob o assento do avião.”
Ela pegou uma bolsa de entregas de nylon balístico que vestia pelo peito, entre os seios - o que me fez suar um pouco - e amarrava na diagonal nas costas. Era bem espaçosa dentro. Tirou-a, deixou sobre a cama e agora começou a empilhar roupas ao lado dela.
“Acho que três camisas, um par de calças, um par de shorts, três mudas de roupas intimas, três pares de meias e um suéter bastam.”
Tirou de sua sacola de ginástica seus apetrechos de toalete. “Tenho que me lembrar de guardar minha escova de dentes amanha de manhã antes de irmos até o Centro Cívico.”
Vê-la fazer a mala foi impressionante. Ela era direta. Também era meio assustador - me fez perceber que no dia seguinte eu estaria partindo. Talvez por muito tempo. Talvez para sempre.
“Levo meu Xbox? Tenho uma tonelada de coisas no disco rígido, mensagens e rascunhos e email. Não gostaria que caísse nas mãos erradas.” Ela perguntou.
“Está tudo criptografado.” eu disse. “Isso é algo que não precisa se preocupar com o ParanoidXbox. Pode deixar aqui, deve ter um monte deles em L.A. Basta criar uma conta no Pirate Party e mandar por email uma imagem do seu disco rígido para você mesma. Vou fazer o mesmo quando chegar em casa.”
Ela fez e mandou por email. Levaria algumas horas para que todos os dados subissem pela rede WiFi de seu vizinho e chegar a Suécia.
Então ela fechou a mala e amarrou a tiras com força. Ficou do tamanho de uma bola de voleibol nas suas costas, e eu continuava admirado com ela. Ela podia sair por aí com aquilo e ninguém a olharia uma segunda vez. Parecia estar a caminho da escola.
“Mais uma coisa.” ela disse, e foi até a lateral da sua cama e pegou os preservativos. Arranjou um lugar na bolsa para eles e então me deu um tapinha na bunda.
“E agora?” perguntei.
“Agora vamos até a sua casa e você arruma suas coisas. Já é hora de eu conhecer seus pais, não é?”
Ela deixou a bolsa no chão entre as pilhas de roupa e todo lixo espalhado. Ela estava pronta para dar as costas a tudo isso, simplesmente ir embora, apenas para ficar comigo. Apenas para apoiar a causa. Isso fez com que também me sentisse corajoso.

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Mamãe já estava em casa quando cheguei. Estava com o laptop aberto na mesa da cozinha e respondia um email enquanto falava por um headset conectado a ele, ajudando algum pobre filho de York e sua família a se aclimatar a vida na Louisiana.
Entrei e Ange me seguiu, sorrindo feito louca, mas segurando minha mão tão firme que eu sentia os ossos sendo esmagados. Eu não sabia por que estava tão preocupada. Não era como se tivesse que passar muito tempo com meus pais, mesmo se fosse péssimo.
Mamãe acabara a ligação quando chegamos.
“Oi, Marcus.” ela disse me dando um beijo no rosto. “E quem é ela?”
“Mãe, esta é Ange. Ange, está é minha mãe, Lillian.” Mamãe deu um abraço em Ange.
“É muito bom te conhecer, senhora Yallow.” ela disse. Parecia muito confiante. Muito melhor do que eu ao conhecer sua mãe.
“É Lilian, meu amor. Você vai ficar para jantar?”
“Eu adoraria.”
“Você come carne?” Mamãe estava bem acostumada à vida na Califórnia.
“Como qualquer coisa que não me coma antes.” ela disse.
“Ela é adepta dos molhos apimentados.” eu disse. “Pode servir pneus velhos e ela vai comê-los se puder mergulhar em molho.”
Ange socou-me gentilmente no ombro.
“Vou pedir comida tailandesa.” disse mamãe. “E vou acrescentar um par daqueles pratos tipo cinco-chili.”
Ange agradeceu educadamente e mamãe foi pegar copos de suco e um prato de biscoito para a gente, e perguntou por três vezes se queríamos chá.  Fiquei um pouco constrangido com isso.
“Obrigado, mãe.Vamos subir para o quarto um pouco.”
Os olhos de minha mãe se apertaram um segundo e ela sorriu de novo: “É claro, seu pai vai estar em casa daqui a uma hora e então jantaremos com ele.”
Eu tinha guardado minhas coisas de vampiro nos fundos do armário. Deixei Ange separando as coisas enquanto fui arrumar as roupas. Eu estava indo para Los Angeles. Eles tinham lojas por lá, toda roupa que eu pudesse precisar. Precisava levar poucas coisas, um par de jeans, um desodorante, fio dental.
“Dinheiro!” eu disse.
“Sim. Vou limpar minha conta de banco, no caminho de casa tem um caixa eletrônico. Acho que tenho guardados uns quinhentos dólares.”
“Sério?”
“No que eu iria gastar? Desde que entrei na Xnet eu sequer pago internet.”
“Acho que tenho uns trezentos.”
“Bem. Pode pegar no caminho do Centro Cívico pela manhã.”
Eu tinha uma mochila das grandes que eu usava para carregar meus aparelhos pela cidade. Era menos suspeita que minha mochila de acampamento.
Quando terminei e coloquei-a sob a cama, nos sentamos.
“Temos que acordar realmente cedo amanhã.” ela disse.
“É, vai ser um dia cheio.”
O plano era mandar várias mensagens falsas dizendo onde o VampMob aconteceria, mandando as pessoas para vários pontos que ficassem a poucos minutos de caminhada do Centro Cívico. Cortamos um papel como estêncil para usar com tinta em spray com os dizeres “VAMPMOB CENTRO CÍVICO ->” e teríamos que pintá-los nesses lugares por volta das 5 da manhã. Isso evitaria que o DHS fechasse o centro Cívico antes de chegarmos lá. Eu já tinha uma mensagem pronta para ser enviada às 7 da manhã, era só deixar o Xbox ligado quando eu saísse de casa.
“Quanto tempo…” ela começou a dizer.
“Eu também estava pensando nisso. Poderá ser por muito tempo, eu acho. Mas quem sabe? Com o artigo de Barbara sendo publicado…” Eu enviaria um email para ela também no dia seguinte. “E quem sabe nós nos tornemos heróis em duas semanas.”
“Talvez.” ela disse e sorriu.
Coloquei meu braço ao redor de seus ombros. Ela tremia.
“Estou assustado prá caramba. Seria loucura se não estivesse.”
“É sim.”
Mamãe nos chamou para jantar. Papai apertou a mão de Ange. Ele estava sem se barbear e parecia preocupado, do mesmo jeito que estava desde que vimos Barbara, mas, ao encontrar Ange, um pouco do meu velho pai reapareceu. Beijou Ange na bochecha e insistiu que o chamasse de Drew.
O jantar foi muito bom. O gelo se quebrou quando Ange tirou seu molho de pimenta particular e caprichou em seu prato e explicou sobre a escala Scoville. Papai experimentou uma garfada e teve que correr para a cozinha e beber um galão de leite. Acredite ou não, mamãe também provou depois disso e adorou. Mamãe era um prodígio não descoberto na área das comidas apimentadas, com um dom natural.
Antes de ir embora, Ange deu seu molho especial para Mamãe. “Eu tenho uma reserva em casa. Você me parece o tipo de mulher que deveria ter um destes.”

 
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Dicas para escrever (V)




The Art of Writing - Robert Louis Stevenson
Como escrever histórias em quadrinhos - Por Alan Moore
BBC - New Writing Style Guide
Amplitude e Variedade do Modo de Escrever Realista - Bertold Brecht
Os Desafios da Escrita - Roger Chartier
Curso De Criação De Personagens E Desenvolvimento De Roteiro De Quadrinhos E Congeneres Por José Roberto Pereira
Divulgando e diagramando seu livro - Universidade do Autor
Escrita Teclada - Nova Forma De Escrever - Maria Teresa de Assunção Freitas
O Roteiro Nas Histórias Em Quadrinhos - Gian Danton
On the Writing of Speculative Fiction - Robert A.Heinlein
Notes On Writing Weird Fiction - Lovecraft
Life Skills - Writing - How to Write Short Stories and How to Publish eBooks
Schaum's Quick Guide To Writing Great Short Stories - Margaret Lucke
The Theory of The Novel - Georg Lukács
Books and Characters - Lytton Strachey
Plausibilidade e suspensão da descrença - Edward Mabley e David Howard
Gramática De La Fantasía, Introducción Al Arte De Inventar Historias - Gianni Rodari
How I Write - Bertrand Russel
Excerpts from Writers on Writing - The New York Times

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dicas para escrever (III)





My most important rule is one that sums up the 10. If it sounds like writing, I rewrite it.
10 rules for writing by Elmore Leonard


For homework, pull a few books down off the shelf and look for examples of the Head or Heart scenes where the author is establishing authority. They tend to be early in a book, where the authority is most needed. And where establishing it won't slow down the escalating plot. For homework, write an anecdote that establishes your authority with honesty and vulnerability. For this, risk telling a painful, embarrassing story. The story of a scar or a humiliation. The glory of this risk is how it prompts other people to risk telling their own stories, and gives people an instant feeling of freedom and relief.
Then, write an anecdote that establishes authority using knowledge and data. You might have to do some research to establish a "body of knowledge." One good method is to meet and casually interview someone about what they know best typically, what they do for a living. You'll notice that people always look wonderful - when they speak with the authority of their profession.
Chuck Palahniuk Writing Essays 01 to 36



1. WHAT IT'S ALL ABOUT IS "WHO" 
2. THE THREE GREATEST RULES OF DRAMATIC WRITING:
3. THE TYRANNY OF THE PREMISE, OR,WRITING A STORY WITHOUT A PREMISE IS LIKE ROWING A BOAT WITHOUT OARS
4. THE ABC'S OF STORYTELLING 
5. RISING TO THE CLIMAX, OR, THE PROOF OF THE PUDDING IS IN THE PREMISE 
6. VIEWPOINT, POINT OF VIEW, FLASHBACKING, AND SOME NIFTY GADGETS IN THE NOVELIST'S BAG OF TRICKS
7. THE FINE ART OF GREAT DIALOGUE AND SENSUOUS, DRAMATIC PROSE
8. REWRITING: THE FINAL AGONIES
9. THE ZEN OF NOVEL WRITING
BIBLIOGRAPHY
How to write a damn good novel e Advanced techniques for dramatic storytelling by James N. Frey.



Writing fiction is a solitary art.
When an orchestra performs a symphony, it's a shared effort. Not only are there many musicians playing their instruments, there's also a conductor helping them sound good together. Yet before any of them plays a note, a composer has to write the musical score.
There's even more teamwork with a play or movie. Lots of actors, of course; a director to guide, suggest, decide for the group; designers of sets, costumes, lighting, and sound; technicians to carry out those designs. In film, add the vital work of the cinematographer, camera operators, and editors.
But before any of this work can be done, a writer has to put together a script.

Script or score, those group performances existed because somebody had a plan. Somebody composed the music before ever a note was heard; somebody composed the story before ever an actor spoke a word. Composition first, then performance.
We who write fiction have no team of actors or musicians to do our bidding, so it's easy to forget that our work, too, has a composition stage and a performance stage. We are both composer and performer. Or rather, we are both storyteller and writer.

The actual writing of the story, along with the creation of the text, the choice of words, the dialogue, the style, the tone, the point of view- that is the performance, that is the part of our work that earns us the title "writer."
The invention of the characters and situations and events, along with the construction of plot and scene, the ordering of events, the complications and twists, the setting and historical background-that is the composition, the part of our work that earns us the title "storyteller."

There is no clear separation of our two roles. As we invent and construct our fiction, we will often do it with language-we jot down notes, tell scenes to our friends, write detailed outlines or synopses. And as we are performing our stories, writing them out in our most effective prose, we also invent new details or motivations, discover new relationships
Characters and viewpoint by Orson Scott Card



If you're like me and most of the writers I've known over the years in writers' groups, at conferences and in classes, you're coming to plot the hard way. A scene, a bit of dialogue, a character sets you happily scribbling or keyboarding away. And then, too often, something happens. The story starts to slow and go
sour, dead ending in frustrated scraps of revision. It's eventually tossed with the rest of the might-have-beens—in the bottom of your sock drawer or even in the wastebasket.
PLOT by Ansen Dibell



On the Writing of Speculative Fiction - Robert A. Heinlein
Dialog - Isaac Asimov
You and Your Characters - James Patrick Kelly
Seeing Your Way to Better Stories - Stanley Schmidt
Turtles All the Way Down - Jane Yolen
Learning to Write Comedy, Why It's Impossible and How to Do It- Connie Willis
Good Writing Is Not Enough - Stanley Schmidt
The Creation of Imaginary Worlds - Poul Anderson
Writing SF - vários autores


10 rules for writing by Elmore Leonard. Chuck Palahniuk Writing Essays 01 to 36. How to write a damn good novel e Advanced techniques for dramatic storytelling by James N. Frey. Characters and viewpoint by Orson Scott Card. Plot by Ansen Dibell. Writing SF - vários autores [ Download ]

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dicas para escrever (II)



"Se você se decidir a escrever, nada poderá impedi-lo a não ser você mesmo. O pior inimigo do escritor é ele mesmo. Portanto, tenha cuidado com as seguintes desculpas:

– Não tenho tempo para escrever.
Invente tempo. Se você escrever apenas uma página por dia, no final de um ano, você terá escrito um livro de 365 páginas. Para escrever uma página por dia, você levará apenas meia hora. Acorde meia-hora mais cedo e escreva. O ideal é estabelecer um determinado horário do dia e, com vontade ou não, sente-se e escreva. Invente, treine, reescreva o que já escreveu, aperfeiçoe-se. Se você se habituar a escrever todos os dias um pouco, no dia em que não escrever, sua mente solicitará tal exercício e você se tornará um ‘viciado’. Vicie-se em escrever, pois é um vício maravilhoso que não faz mal à saúde.
Excelente desculpa. Com isto, você passará anos pesquisando e jamais escreverá uma página sequer. O que você deve fazer é escrever e pesquisar simultaneamente. Escreva, pois assim verá qual o assunto que precisa ser pesquisado mais a fundo. Não pare para pesquisar – faça as duas coisas simultaneamente.

– Não tenho talento.
Ninguém nasce sabendo. Escrever é como fazer musculação. No começo dos exercícios, você fica com os músculos doídos e só consegue levantar um quilo. Após treinar por vários dias, seus músculos não doem mais e você levantará vinte quilos facilmente. Treine, escreva e reescreva. Saiba que escrever é, antes de tudo, treinar e reescrever muito.

– Tenho vontade de escrever, mas não sei sobre o quê. Não consigo imaginar uma boa história.
Saiba que o escritor só escreve sobre aquilo de que gosta. Para ser escritor é preciso ser primeiro um leitor. Você gosta de ler? Sobre o que você lê? Então escreva sobre o que você gosta de ler. Outra coisa: o escritor é uma pessoa atenta. Está sempre ouvindo histórias, imaginando situações e procurando assuntos. A televisão, o cinema, os jornais, as revistas e as conversas com amigos podem dar boas histórias. Basta querer: o mundo está repleto de assuntos interessantes.

– Tenho vontade de escrever sobre um determinado assunto, mas muitos já escreveram sobre isto. Não creio que possa escrever melhor ou de forma mais interessante do que alguns gênios da literatura.
Cada escritor irá abordar o mesmo assunto do seu modo particular. Cada um há de contribuir com algo que o outro não vislumbrou. Basta desejar e ter confiança em si próprio. Naturalmente é preferível escrever sobre um tema inédito, mas nem sempre é fácil encontrar um. Nada impede que você escreva sobre um tema batido e, ao mesmo tempo, seja original. Pode ser que, no início, você não consiga ser absolutamente original, mas lembre-se de que tudo que você escrever servirá de treino. Imagine um corredor. Ele treina horas a fio, imaginando o que fará no dia da competição. No entanto, se ele só correr em competições, provavelmente não será um vencedor, pois não treinou o suficiente. O escritor deve encarar o que escreve como um treino, uma forma de se aperfeiçoar. Por que os atletas, os bailarinos, os músicos, os cantores, os atores ensaiam e treinam horas a fio diariamente? Para se aperfeiçoarem. O mesmo deve acontecer com os escritores.

– Meu português é fraco. Não posso ser um escritor.
É uma dificuldade inicial, mas não é insuperável. Primeiro é preciso que você leia bastante, pois aquele que lê vai se munindo de um vocabulário mais rico, vai assimilando um estilo e, com o tempo, consegue escrever. Não é necessário fazer um curso superior de Letras, mas um bom livro de Português ajuda, assim como um bom dicionário. No entanto, nada disto adianta se você não treinar.

– Assim que eu comprar um computador, começarei a escrever.
Esta é outra desculpa. Você nunca comprará um computador, nunca aprenderá a mexer no mesmo e sempre colocará isso como desculpa. Então como fizeram aqueles escritores que não tinham computadores, pois nem sequer existiam? Eles escreviam em máquinas de escrever, com canetas, lápis, etc. Houve prisioneiros que escreveram com lápis em papel jornal e, mesmo assim, conseguiram escrever obras primas. O que você precisa para começar a escrever? Vontade! Se não tiver, ninguém poderá obrigá-lo.

– Perco a coragem quando imagino que ainda faltam muitas páginas para terminar.
Como é que alguém corre uma maratona? Metro após metro. O mesmo acontece com o escritor. Palavra após palavra, frase após frase, parágrafo após parágrafo, cena após cena, capítulo após capítulo, o livro vai sendo escrito. Ponha na sua mente que deseja apenas escrever uma única cena. Imagine que ela terá de quatro a seis páginas. Portanto, você não vai escrever um livro de trezentas páginas, apenas uma cena de seis laudas. No outro dia, você irá escrever outra cena e, assim, irá enganando sua preguiça e adquirindo coragem e confiança em você.

– Escrevi uma história, mas não acho que é suficientemente boa para publicá-la.
Provavelmente não deve ser mesmo muito boa, pois o maior crítico do escritor deve ser ele mesmo. Saiba que escrever é antes de tudo REESCREVER. Você sabia que Ernest Hemingway reescreveu 36 vezes o seu livro Adeus às Armas antes de publicá-lo? Sabia que Sol Stein, um dramaturgo, escritor e editor americano de grande sucesso, com nove livros publicados, reescreveu doze vezes o seu best-seller The Magician, que vendeu um milhão de cópias? Por que você acha que o seu livro não deverá passar por inúmeras revisões e que você será o único a escrever uma obra-prima logo da primeira vez? Há escritores que escrevem e não precisam reescrever nada. São os Mozarts da literatura, mas pergunto-lhe: quantos Mozarts existiram na História universal? Não é preciso nascer gênio; há muito mais mérito em se tornar gênio, mesmo tendo nascido mediano. Escreva e reescreva!

– Tenho vergonha de me expor. O escritor de ficção ou de não-ficção se expõe demais.
Por que alguém escreve? Em primeiro lugar pelo prazer de escrever. Se não for esta a primeira razão, então procure outra coisa para fazer. Aquilo que não for feito com prazer, com satisfação, com amor, provavelmente será medíocre. Quanto a se expor, saiba que a exposição pública de um escritor é menor do que a de um ator, de um político ou de criminoso. Portanto, ao expor seu ponto-de-vista num livro, você estará apenas manifestando aquilo que você é. Não tenha medo de ser você mesmo; saiba que cada ser humano é um ser divino, mesmo que, muitas vezes, esteja com sua luz bloqueada pelas trevas do medo.

– Não quero ser um escritor. Só quero dinheiro e fama.
Então mude de profissão ou de hobby. Poucos são os escritores que vivem de escrever e menos ainda os que ficam ricos e famosos."
O sucesso de escrever - Albert P. Dahoui



"A ideia não é ter uma enciclopédia sobre como escrever correctamente português, mas sim uma curta lista de erros comuns e algumas regras básicas da nossa gramática, que de facto ajudem no quotidiano. O problema das gramáticas e prontuários, é que tentam ser completos, tornando-se demasiado pesados. Ou seja, explicam a regra geral de concordância, por exemplo, e depois todos os casos especiais de não concordância, que tipo de palavras não concorda, em que casos, etc... Um texto que não pretenda ser completo, como este, pode limitar-se a algumas dicas gerais e esperar que quem as leia fique mais esclarecido ;-)

Além dos já referidos aspectos gramaticais e erros comuns, apresento também umas breves linhas sobre
estilo de escrita, técnicas de (cof cof) leitura, uma lista de recursos para quem quiser aprender com
quem realmente sabe e mais algumas guloseimas na parte dos apêndices."
Escrever menos mal - Carlos Duarte


Escrever menos mal - Carlos Duarte e O sucesso de escrever - Albert P. Dahoui [ Download ]

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dicas para escrever (I)



Com tantos lançamentos literários nacionais nos gêneros Ficção Científica, Fantasia, Fantástico e Terror, muita gente deve estar pensando em aprimorar sua escrita, em participar dos concursos, enfim, realizar o velho sonho de ter seu trabalho publicado.

O Capacitor Fantástico vai dar uma ajuda aos escritores (iniciantes ou não).



"Há três qualidades de que um contador de histórias precisa acima de todas as outras. Ele ou ela deve ser (a) imaginativo, (b) instruído e (c) obstinado. Mas você pode ter todas as três, e ainda assim escrever um livro ruim. Falo com conhecimento de causa. Escrevi vários.
Desde que posso me lembrar, sempre tive sonhos elaborados, sobre o que faria se naufragasse numa ilha deserta, ou me tornasse milionário, ou tivesse de lutar numa guerra.

Quando eu era pequeno, minha mãe me contava histórias durante todo o tempo. Não sei se isso alimentou minha imaginação, ou se apenas herdei sua capacidade. Seja como for, ao entrar na escola eu podia inventar histórias com a mesma facilidade com que chutava uma bola de futebol.

Quando meus próprios filhos eram pequenos, eu lhes fantásticas histórias improvisadas. Parados num ponto de ônibus, meu filho me perguntava por que alguns ônibus eram vermelhos e outros verdes. (Naquele tempo os ônibus de Londres eram todos de um vermelho brilhante, enquanto os ônibus rurais eram verdes.) Eu dizia: "O ônibus que se deve pegar é o azul. Leva você a qualquer lugar que quiser ir, num piscar de olhos, mas só passa uma vez na vida. Se o pegarmos, quero ir para o Velho Oeste e conhecer Billy the Kid. Para onde você gostaria de ir?"
Se você é o tipo de pessoa que pode fazer isso, então é imaginativo.
Mas não fique presunçoso. Agradeça à sua mãe."
Como Escrever um Best-Seller - Albert Zuckerman


"Literatura é algo que vale a pena a leitura mesmo quando você sabe como a história termina."
Aforismas para Escrever Ficção Científica - David Alexander Smith


"Todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase como respirar, é nossa função essencial."
Uma História da Leitura - Alberto Manguel


"Escrever para ser publicado é diferente de escrever para si próprio.
Quando escrevemos para nós mesmos, como um diário ou reflexões, estamos usando a escrita para pensar. É um ótimo método para esclarecer questões, visto que no papel mesmo as situações mais complicadas vão se organizando. Não é à toa que tantos terapeutas sugerem a seus clientes escreverem um diário. É muito bom para a cabeça produzir textos sobre o que é importante para nós.

Quando escrevemos para ser publicados, estamos escrevendo para outras pessoas. O foco passa a ser a necessidade dos leitores e não mais as nossas como escritores.
Quando escrevemos para nós, está certíssimo preenchermos nove páginas pesando os prós e os contras de determi-nada pessoa por quem estamos interessados. Quando escrevemos para os outros, precisamos cortar tudo que não seja interessantíssimo e contribua para o andamento da história, o que provavelmente transformaria todas aquelas dúvidas em um único e curto parágrafo.
É um difícil exercício escrever para ser publicado, porque em geral a gente gosta do que escreve, acha tudo importan-te e pensa que todo mundo vai gostar também.

Só que isso não é verdade. As pessoas selecionam os livros de acordo com o que estão passando, as dificuldades que estão vivendo. Algo fascinante para nós pode ser o máximo do tédio para um leitor.
Por outro lado, não podemos ter medo. Escrever para os outros é um ato de coragem, de se expor. Quanto mais ho-nestidade a gente coloca no texto, quanto mais ridículo e perdido a gente se apresenta, tanto mais fácil os leitores gostarem da gente.

Quando escrevemos, temos também muita ansiedade a respeito do resultado. Queremos ficar famosos, ser elogiados, de repente até ganhar um dinheirão. É bom saber que a maioria dos escritores não fica nem rica nem famosa, e que nenhum escritor conhecido fez sucesso com o primeiro livro. Nenhum mesmo!
Portanto, vá com calma. Faça o que pode, não pense nos resultados, e vá escrevendo um pouco sempre. Querer es-crever o primeiro livro e imaginar que ele vai ser o próximo Harry Potter é pedir para ficar decepcionado. É bem me-lhor publicar um artigo numa revista aqui, um poema numa coletânea ali e não ter e
expectativas loucas.
Mas como podemos saber o que dá para ser publicado?"
Escreva Seu Livro - http://www.escrevaseulivro.com.br/


"Idéias, onde buscá-las?
Elas estão em todos os lugares. Na rua. No jornal. Na tevê. Em outro livro que você leu. Na fofoca que o vizinho con-tou. Um bom gerador de idéias é o bom e velho "E se...?"
Você já usou a tecla redial do telefone, aquela que redisca o último número discado? E se... um dia você usar a tecla e a ligação, ao invés de cair na casa da sua irmã, cair numa agência de seguros de vida? Ou de garotos de programa? Quem poderia ter ligado para estes lugares? E... com que intenções?"
Como Escrever Seu Livro - http://www.leituracritica.com.br/


"O objetivo original deste livro era criar um manual de escrita acessível e realista a partir desses elementos míticos altamente pretensiosos. Neste espírito prático, fico grato em ouvir de tantos leitores que o livro pode ser um guia útil para a escrita. Escritores profissionais, assim como os novatos e estudantes, relatam
que ele tem sido uma ferramenta eficaz, confirmando seus instintos e oferecendo novos princípios e conceitos a serem aplicados às suas histórias. Executivos, produtores e diretores de cinema e televisão me disseram que o livro influenciou seus projetos e os ajudou a solucionar problemas dentro de algumas histórias.
Romancistas, dramaturgos, atores e professores de literatura lançaram mão dessas idéias em seus trabalhos.

Acima de tudo, como é que os contadores de histórias conseguem que elas signifiquem alguma coisa? Uma boa histÓria faz a gente achar que viveu uma experiência completa e .satisfatória. Pode-se rir ou chorar com uma história. Ou fazer as duas coisas. Terminamos uma história com a sensação de que aprendemos alguma coisa sobre a vida ou sobre nós mesmos. Pode ser que tenhamos adquirido uma nova compreensão das coisas, um novo modelo de personagem ou de atitude.
Como é que os autores das histórias conseguem isso ? Quais são os segredos desse ofício tão antigo ? Quais são suas regras ? Quais os princípios que o norteiam?"
A Jornada do Escritor - Estruturas míticas para escritores - Christopher Vogler


"Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Que é que eu posso escrever. Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som.

Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espirito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por um extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras. Qual é mesmo
a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exactamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade.

Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida.
As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.

Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também.

Sim, mas é a sorte às vezes. Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras.
Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial.
Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora. Simplesmente as palavras do homem.

Escrever, Clarice Lispector



Para escrever não é necessário o dom da escrita, dos privilegiados,para escrever basta um pouco de técnica e dedicação. Esta obra mostra os mecanismos que facilitam o trabalho da produção escrita, por meio de teorias e exercícios práticos. Ao lado desses mecanismos, há textos consagrados de autores expressivos. Esses modelos certamente o auxiliarão na produção de seus textos. Há, também, exercícios de enriquecimento da língua e propostas de redações retiradas de vestibulares, de textos de jornais, de tiras de quadrinhos e de letras de canções, recursos que subsidiarão o ato de redigir com eficácia.
Redação - Escrevendo com prática - João Jonas Veiga Sobral


Como Escrever um Best-Seller - Albert Zuckerman; Aforismas para Escrever Ficção Científica - David Alexander Smith; Uma História da Leitura - Alberto Manguel; Escreva Seu Livro; Como Escrever Seu Livro; A Jornada do Escritor - Estruturas míticas para escritores - Christopher Vogler; Redação - Escrevendo com prática - João Jonas Veiga Sobral [ Download ]

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Neal Asher


Neal Asher nasceu em 1961, em Billericay, Essex (Inglaterra).

Asher é mais um caso bem sucedido de um fã que se tornou autor. Seus pais eram admiradores de ficção científica e Asher foi criado numa atmosfera de FC desde cedo. Escreveu seu primeiro conto ainda adolescente, mas apenas aos 25 resolveu apostar seriamente na carreira de escritor.

Como ele mesmo conta em seu blog, antes de escritor foi engenheiro, programador, jardineiro, barman, vendedor, trabalhou na industria de construção de barcos, etc.

Seu trabalho abrange temas comuns da FC como Inteligência artificial, androids, ciberpunk, alieníenas e viagens no tempo, mas com um gosto peculiar pela ação e pela violência.

Do começo de sua carreira, mais identificada com histórias curtas, Asher logo assumiu seu gosto pelas space-operas. Seu universo, onde a maioria das suas histórias ocorrem, chama-se 'Polity'.


Site Oficial



Neal Asher ( Owner Space, Skinner, Orbus, The voyage of the sable Keech, Shadow of the Scorpion, Hildiggers, Prador Moon, Adaptogenic, Alien Archeology, Autotractor, Bioship, Gridlinked, The line of polity, Brass man, Polity agent, Line war, Cowl, Mason's rat, Softly spoke, The Gabble, The Gabble and other stories ) [ Download ]

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 17


CAPÍTULO 17
Este capítulo é dedicado à Waterstone, a cadeia nacional inglesa de livrarias. Waterstone é uma cadeia de lojas, mas cada qual tem independência em relação aos seus estoques (especialmente de audiobooks) e um staff que sabe das coisas.
Waterstones

Então contamos tudo para ela. Foi engraçado. Ensinar as pessoas a usar a tecnologia é sempre excitante. É muito legal ver as pessoas descobrirem que a tecnologia ao seu redor pode fazer melhor as suas vidas. Ange foi ótima também, nós formamos um ótimo time. Explicamos o funcionamento e Bárbara também saiu-se bem, é claro.

Ela cobrira as guerras de criptografia, o período no começo dos anos 90 quando grupos como a Electronic Frontier Foundation batalhou pelo direito dos Americanos de usar criptografia forte. Eu sabia pouco sobre este período, mas Bárbara o explicou de um jeito que me fez cair para trás.
É inacreditável hoje, mas houve um tempo em que o governo classificava a criptografia como armamento e a tornou ilegal para qualquer um exportá-la ou utilizá-la em território nacional. Entendeu? Nós tínhamos matemática ilegal neste país.

A Agência de Segurança Nacional (NSA) era a principal interessada nesta proibição. Eles tinham uma criptografia padrão que diziam ser boa o bastante para os bancos e seus clientes usarem, mas não boa o bastante para a máfia manter seus livros secretos para eles. O padrão, DES-56, era tido como praticamente inquebrável, Então um dos co-fundadores milionários da EFF pagou por um software que poderia quebrar o código em duas horas.
Ainda assim a NSA argumentou que isso seria capaz de deixar os cidadãos Americanos guardar seus segredos sem poder bisbilhotá-los. Então o EFF deu o golpe mortal. Em 1995 representaram um estudante de matemática da universidade de Berkeley, chamado Dan Bernstein, diante de um juiz. Bernstein havia escrito um tutorial sobre criptografia que continha código de computador que podia ser usado para fazer um código mais forte que o DES-56. Milhões de vezes mais forte. 
Quando o NSA se preocupou, bastou para transformar o seu artigo numa arma e conseqüentemente ele se tornou impublicável.

Deve ter sido complicado para um juiz entender criptografia e o que significava, mas ficou claro que a média dos juízes da corte de apelação não era realmente entusiasta sobre o fato de se dizer a um estudante graduado, que tipo de artigo ele tinha permissão de escrever. A guerra da criptografia terminou com a vitória dos mocinhos quando a justiça determinou que o código era uma forma de expressão protegida sob a primeira emenda – “O Congresso não pode aprovar uma lei redutora da liberdade de expressão”. Sempre que você compra algo pela internet ou manda uma mensagem secreta ou consulta sua conta bancária, você está usando criptografia que a EFF legalizou. A NSA não era tão esperta. Tudo que eles sabem como decifrar você pode ter certeza de que os terroristas e mafiosos podem saber também.
Bárbara foi uma das repórteres que ganhou sua reputação cobrindo esta matéria. Ela começou cobrindo o movimento dos direitos civis em São Francisco e reconhecia similaridade entre a luta pela defesa da Constituição no mundo real e a luta no ciberespaço.

Então ela entendia da coisa. Acho que não conseguiria explicar isso para meus pais, mas para Bárbara foi fácil. Ela fazia perguntas inteligentes sobre nossos protocolos de criptografia e processos de segurança, algumas vezes perguntando sobre coisas que nem eu sabia responder, por vezes apontava furos potenciais em nossos procedimentos.

Plugamos o Xbox e entremos online. Encontramos quatro pontos de rede WIFI visíveis a partir da sala e eu disse que ela poderia mudá-los entre intervalos randômicos. Ela entendeu tudo também, uma vez que estava plugada na Xnet era como estar na internet, somente um pouco mais lento e tudo era anônimo e inviolável.
“E agora?” Perguntei. Eu estava seco e com uma terrível sensação de acidez por conta do café. Além disso, Ange ficava apertando minha mão debaixo da mesa como se quisesse ir embora e encontrar algum lugar privado para fazermos as pazes depois da nossa primeira briga.
“Agora eu vou fazer jornalismo. Você vai embora e eu faço as pesquisas sobre tudo que me falou e tento confirmar estas informações, levando-as até onde eu puder. Deixarei que veja o que vou publicar e aviso quando for ao ar. Prefiro que não fale com ninguém sobre isso por enquanto, porque eu quero este furo de reportagem e porque eu quero ter certeza que tenho a historia antes que chegue no lodaçal da imprensa especulativa e no DHS.”
“Terei que procurar o DHS para que eles façam seus comentários antes de ir à imprensa, mas o farei de um jeito que irá proteger vocês de qualquer coisa que aconteça como conseqüência. E também irei deixar você saber  de tudo antes que isso aconteça.”
“Eu preciso deixar uma coisa muito clara: esta não é mais a sua historia. É minha. Você foi muito generoso em dá-la para mim e eu tentarei compensá-lo pelo presente, mas você não terá o direito de editar nada, mudar ou me deter. Agora que a coisa está em movimento, não pode ser parada. Entendeu?”
Eu não tinha pensado nisso naqueles termos, mas uma vez que ela falou, ficou óbvio para mim. Significava que eu tinha disparado o míssil, mas não podia trazê-lo de volta. Iria cair onde estava apontado, ou sairia do curso; mas uma vez no ar, não podia mudá-lo. Quem sabe, num futuro próximo, eu deixaria de ser o Marcus para ser uma figura pública. Eu seria o cara que acabou com a DHS.
Um homem condenado.
Apostava que Ange pensava do mesmo jeito, pois ela estava de uma cor entre o branco e o verde.
“Vamos sair daqui!” ela disse.

#

A mãe e a irmã de Ange estavam fora novamente, o que facilitou a decisão de onde passaríamos o fim de tarde. Já passava um pouco da hora do jantar, mas meus pais sabiam que eu tinha um encontro com Bárbara e não me dariam uma bronca se eu chegasse tarde.
Enquanto ia para o quarto de Ange não tinha pressa em entrar no meu Xbox. Já tinha tido Xnet demais por um dia. Tudo o que eu pensava era Ange, Ange, Ange. Viver sem Ange. Saber que Ange estava brava comigo. Que Ange nunca mais falaria comigo de novo. Ange nunca me beijaria de novo.
Ela tinha pensado a mesma coisa. Dava para ver nos seus olhos assim que fechamos a porta de seu quarto e olhamos um para o outro. Eu tinha fome de Ange, fome como se tem por não comer durante dias. Como sede de um copo de água após jogar bola por três horas seguidas.
Nem era isso. Era muito mais. Algo que eu nunca sentira antes. Eu queria comê-la por inteiro, devorá-la.
Até aquele momento, ela tinha sido a parte sexual de nosso relacionamento. Eu tinha deixado ela no controle das ações. Era maravilhosamente erótico, me agarrando e tirando minha camisa e puxando meu rosto para o seu.
Mas esta noite eu não iria me deter.

Ao som do fecho da porta eu já retirava sua camisa. Tirei a minha puxando pela cabeça.
Seus olhos brilhavam, sua boca aberta, a respiração rápida e profunda. A minha também, minha respiração e meu coração e o sangue soando nos meus ouvidos.
Tirei o resto das roupas, jogando-a nas pilhas de roupas sujas e as limpas vindas da lavanderia ao chão. Havia muitos livros e papéis por toda sua cama e eu joguei tudo para o lado. Mergulhamos entre suas cobertas e no segundo seguinte os braços já envolviam um ao outro, apertando como se quiséssemos atravessar um ao outro. Ela gemia na minha boca e sentia sua voz nas minhas cordas vocais, uma sensação mais íntima do que qualquer outra que já tivera.
Ela descolou-se e alcançou a cabeceira. Puxou uma gaveta e de dentro puxou um saco branco de farmácia e me entregou. Olhei para dentro. Caixas de camisinhas do tipo com espermicida. A maioria ainda fechada. Sorri para ela e ela sorriu de volta e eu abri uma caixa.

#

Por anos eu tinha pensado como seria. Imaginei centenas de vezes como seria. Eu não pensava em outra coisa.
Não foi nada como eu esperava. Algumas partes foram melhores. Outras partes muito pior. Enquanto acontecia, pensei ser uma eternidade. Depois, parecia que tinha durado um piscar de olhos.
E depois, eu me sentia igual. Mas também me sentia diferente. Algo havia mudado entre nós.
Fora estranho. Estávamos tímidos ao vestirmos nossas roupas e ficamos pelo quarto, olhando ao redor, evitando os olhos um do outro. Envolvi a camisinha num lenço de papel de uma caixa ao lado da cama e fui ao banheiro e o enrolei com papel higiênico e joguei-o na lixeira.
Quando voltei, Ange estava sentada na cama jogando no seu Xbox. Sentei-me cuidadosamente ao lado dela e peguei sua mão. Ela olhou para mim e sorriu. Estávamos cansados e trêmulos.
“Obrigado.” eu disse.
Ela não disse nada. Ela tentava sorrir, mas as lágrimas rolavam por suas bochechas.
Eu a abracei forte contra meu peito. “Você é um bom homem, Marcus Yallow.” ela sussurrou. “Obrigada.”
Eu não sabia o que dizer, mas a apertei também. Finalmente nos separamos. Ela não estava mais chorando, mas ainda sorria.
Apontou para meu Xbox caído ao lado da cama. Eu entendi. Fui pegá-lo, liguei e conectei em seguida.
Nenhuma novidade, apenas o de sempre. Montes de email. Deus, como eu recebia spam. Minha caixa postal sueca estava cheia de “joe-jobbed” - que indicava quando o endereço de resposta para os spams mandavam centenas de milhões de contas da Internet, de forma que todo tipo de mensagem de bounce e mensagens de irritação chegavam para mim. Não sabia quem estava por trás disso. Talvez fosse o DHS tentando entupir minha caixa de entrada. Talvez fosse apenas alguém testando os filtros do Pirate Party.

Filtrei aquilo tudo e castiguei a tecla delete. Eu tinha uma caixa de correio separada para coisas que chegavam criptografadas para minha chave pública. Os espalhadores de spam não sabiam que utilizando chaves públicas eles tornariam seu lixo mais plausível, então, por enquanto, tudo estava funcionando bem.
Tinha uma dúzia de mensagens criptografadas de pessoas da rede de confiança. Dei uma espiada - links para vídeos e fotos de novos abusos por parte do DHS, histórias horrorosas. O de sempre.
E uma delas estava criptografada apenas pela minha chave pública. O que significava que ninguém mais podia ler, mas eu não tinha idéia de quem a escrevera. Dizia ter vindo de Masha, que poderia ser um apelido ou um nome, não sabia.

>M1k3y. Você não me conhece, mas eu conheço você. Eu fui preso no dia que explodiram a ponte. Eles me interrogaram. Decidiram que eu era inocente. Me ofereceram um trabalho: ajudá-los a encontrar os terroristas que mataram nossos vizinhos. Me pareceu um bom acordo na época. Até que percebi que meu novo emprego seria espionar garotos ressentidos por que sua cidade se tornou um estado policial. Eu me infiltrei na Xnet no dia que foi lançada e estou na sua rede de confiança. Se eu quisesse revelar minha identidade eu poderia mandar um email para você de um endereço que você confie. Estou dentro da sua rede como apenas outro garoto de 17 anos. Alguns dos emails que você recebeu foram cuidadosamente feitos para confundi-lo por mim e meus patrões. Eles não sabem quem você é, mas estão perto de descobrir. Eles continuam a pegar pessoas e fazer acordo com elas. Estão minando os sites da rede social e usando de ameaças para transformar garotos em informantes. Existem centenas deles trabalhando para a DHS na Xnet neste momento. Eu tenho seus nomes, apelidos, chaves públicas e privadas.  Quando a Xnet foi lançada nós trabalhamos explorando o ParanoidLinux. Encontrarmos uma brecha, é inevitável. Uma vez que tomemos o controle, você estará morto. Acho que é seguro dizer que se meus patrões souberem que estou escrevendo isso, meu rabo vai parar no presídio da baía até que eu vire uma velha senhora.  Mesmo se eu não conseguir quebrar o código do ParanoidLinux, existem outros ParanoidXbox envenenados por aí. Eles não se importam com as atualizações, mas quantas pessoas se importam além de eu e você? Um monte de garotos já está ferrado e nem sabe ainda. Tudo depende de como meus patrões vão decidir a melhor hora para ferrar com você e fazer o maior estardalhaço na mídia. Esta hora está próxima, não vai demorar. Acredite. Você deve estar se perguntando o porquê de estar lhe contando tudo isso. Eu também. Cheguei aqui por ter assinado que iria combater terroristas. Ao invés disso, estou espionando Americanos que acreditam em coisas que o DHS não gosta.  Não as pessoas que planejam explodir pontes, mas aquelas que protestam. Não posso mais fazer isso. E nem você, mesmo que não saiba disso. Como disse, é apenas uma questão de tempo até você estar algemado em Treasure Island. Não se trata de ‘se’, mas ‘quando’. Fico por aqui. Em Los Angeles tem umas pessoas que dizem que podem me proteger se eu quiser sair disso. E eu quero. Eu levo você comigo se você quiser. É melhor ser um combatente do que um mártir. Se você vier comigo, podemos vencer juntos. Sou tão esperta quanto você, acredite em mim. O que me diz? Aqui está a minha chave pública. Masha.”

#

Quando estiver em apuros ou em dúvida, corra em círculos, berre e grite.
Já ouviu isso antes? Não é um bom conselho, mas ao menos é fácil de seguir. Eu saltei da cama e fiquei andando para lá e para cá. Meu coração queria sair e meu sangue fervia em uma paródia cruel de quando viemos para cada. E não era por excitamento sexual, e sim puro terror.
“O que foi?” Ângela disse. “O quê?”
Eu apontei a tela. Ela rolou até junto e pegando meu teclado, tocou o touchpad com seu dedo e leu em silêncio.
Eu continuei andando.
“Tem que ser mentira. O DHS está brincando com sua cabeça.”
Olhei para ela. Ela mordia um lábio. Ela não parecia acreditar no que dizia.
“Você acha?”
“Claro. Eles não conseguem te pegar, então estão usando a Xnet.”
“É.”
Sentei na cama. Minha respiração estava acelerada.
“Relaxa. São só jogos mentais. Aqui.”
Ela nunca tinha usado meu teclado antes. Mas agora havia uma nova intimidade entre nós. Ela começou a teclar.
> Boa tentativa.
Ela agora escrevia como se fosse M1k3y. Estávamos juntos de uma forma diferente do que era antes.
“Vá em frente e assine. Vamos ver o que ela vai dizer.”
Eu não sabia se era a melhor idéia, mas não tinha uma melhor. Assinei e criptografei com minha chave privada e a chave pública que Masha tinha passado. A resposta foi instantânea.
> Sabia que iria dizer algo assim. Mas eu tenho algo que você não pensou. Eu posso passar vídeos de maneira anônima pelo DNS. Aqui estão alguns links que você pode querer ver antes de se decidir. Estou cheia deles. Estas pessoas estão todas gravando umas as outras, o tempo todo, como garantia de que não serão traídas. Masha.
Tinha anexado um código fonte de um pequeno programa que aparentava ser exatamente o que Masha dizia poder fazer: Tunelar um vídeo passando pelo protocolo DNS (Domain Name Service).
Deixe-me explicar uma coisa antes. Ao fim do dia, todo protocolo de internet é somente uma seqüência de texto mandada de lá para cá em uma ordem prescrita. É algo como pegar um caminhão e colocar um caro dentro e então pegar uma moto e colocar no carro e depois colocar os patins na moto. Exceto que, se você quiser, você pode colocar o caminhão nos patins.
Por exemplo, peque o SMTP (Simple Mail Transport Protocol) que é usado para mandar email.
Uma conversa entre eu e meu servidor de email seria assim, mandando uma mensagem para mim.

> Olá littlebrother.com.se
250 mail.pirateparty.org.se Olá mail.pirateparty.org.se, quer ver você
> EMAIL DE:m1k3y@littlebrother.com.se
250 2.1.0 m1k3y@littlebrother.com.se... Remetente ok
> RCPT para:m1k3y@littlebrother.com.se
250 2.1.5 m1k3y@littlebrother.com.se... Destinatário ok
> DADOS
354 Enter mail, end with "." on a line by itself
> Quando em apuros ou em dúvida, corra em círculos, berre e grite
> .
250 2.0.0 k5SMW0xQ006174 Mensagem aceita para envio.
SAI
221 2.0.0 mail.pirateparty.org.se fechando a conexão
Conexão encerrada pelo host estrangeiro.

A gramática desta conversa foi definida em 1982 por Jon Postel, um dos heróis do antepassado da internet que literalmente tinha os mais importantes servidores de rede debaixo de sua mesa na universidade do sul da Califórnia, numa era paleolítica.
Agora imagine se você pendurar um servidor de email numa sessão de IM. Você poderia mandar um IM ao servidor dizendo “Olá littlebrother.com.se” e ele responderia “250 mail.pirateparty.org.se Olá mail.pirateparty.org.se, deseja ver você.” Em outras palavras, você poderia ter a mesma conversa pelo IM como usando o SMTP. Com o ajuste certo, toda a coisa do servidor de email poderia ser dentro de um chat. Ou numa sessão de web. Ou qualquer outra coisa.
Isso se chama tunelamento.
(Técnica através da qual um pacote é encapsulado num protocolo de alto nível e passado através de um sistema de transporte. O MBONE tunela cada datagrama IP multicast dentro de um datagrama IP tradicional.Fonte: USP.Esquema de Tunneling. (http://penta.ufrgs.br/redes296/mbone/tunel.htm)
Você coloca um SMTP dentro de um tunelamento de chat. E então colocar o chat de volta dentro de um tunelamento de SMTP se quiser realmente ser bem esquisito, tunelamento de tunelamentos.
De fato qualquer protocolo de internet é suscetível a este processo. É bacana, porque significa que, se você está numa rede com somente acesso a web, você consegue mandar um email por ela. Você pode mandar um endereço P2P predileto por ele. Até a Xnet - que por si só é um tunelamento de diversos protocolos - por ela.

DNS é um protocolo de internet antigo e muito interessante, criado em 1983. É desta maneira que seu computador converte um nome de computador - tipo pirateparty.org.se - para um número de IP que usualmente os computadores utilizam para conversar na rede entre eles, tipo 204.11.50.136. Parece mágica, apesar de milhões de partes móveis - cada ISP usa um servidor de DNS, assim como os governos e vários operadores privados. Estas caixas de DNS falam entre si o tempo todo, preenchendo e fazendo pedidos uma para a outra, então não importa quanto seja obscuro o nome que você colocou em seu computador, ele será capaz de se tornar um número.

Antes do DNS havia os arquivos HOSTS. Acredite ou não, havia um único documento onde estavam todos os nomes e endereços de cada computador conectado à internet. Cada computador tinha uma cópia disso. Este arquivo acabou ficando grande demais para ser transmitido então o DNS foi inventado e rodava num servidor que costumava ficar debaixo da mesa de Jon Postel. Se o pessoal da limpeza sem querer arrancava a tomada, toda a internet perdia sua habilidade de se achar. É sério.
O grande lance do DNS hoje é que ele está em toda parte. Todo lugar onde tem uma rede tem um servidor de DNS nela e todos estes servidores são configurados para falar entre eles e de caracterizar aleatoriamente as pessoas pela internet.

O que Masha fez foi pensar num jeito de tunelar um vídeo pela DNS. Ela tinha partido o vídeo em bilhões de pedaços e escondido cada parte dele em uma mensagem comum para o servidor DNS. Rodando seu código eu conseguia puxar o vídeo de todos aqueles servidores DNS por toda a internet numa velocidade incrível. Isso deve parecer bizarro num histograma da internet, como se eu estivesse procurando por todos os endereços de cada computador pelo mundo.
Isso tinha duas vantagens. Eu era capaz de baixar um vídeo num piscar de olhos - assim que eu clicasse no primeiro link eu começaria a receber imagens de tela cheia sem qualquer interrupção ou perda - e eu não teria a menor idéia de onde estaria hospedado. Totalmente anônimo.
Vídeo a partir da DNS? Aquilo era tão esperto e esquisito que era praticamente uma perversão.
Gradualmente o que eu via começou a fazer sentido.
Era uma sala pequena com uma mesa e um espelho em uma das paredes. Eu conhecia aquela sala. Eu tinha me sentado nela, enquanto a mulher do corte de cabelo rigoroso tinha me feito falar minha senha. Havia cinco cadeiras confortáveis ao redor da mesa, e em cada uma estava pessoa sentada confortavelmente, vestindo o uniforme da DHS. Reconheci o Major Graeme Sutherland, o comandante da DHS na área da baía, ao lado da mulher do cabelo curto. Os outros eram desconhecidos. Olhavam para uma tela na extremidade da mesa, na qual havia um rosto bastante familiar.

Kurt Rooney era conhecido nacionalmente como o chefe estrategista do presidente, o homem que deu ao governo um terceiro mandato e a possibilidade de um quarto. Eles o chamavam de “Impiedoso” e eu tinha visto uma reportagem na tevê sobre o quão rigoroso ele era com seus subordinados, controlando-os, observando cada emoção, cada passo. Ele era velho com um rosto marcado, de olhos cinzentos e pálidos e um nariz chato e lábios finos; um homem que parecia estar percebendo algo de podre o tempo todo.
Era ele o homem na tela. Ele falava e tinha a atenção de todos, tomando notas rapidamente, tentando parecer espertos.
“…diz estar zangado com as autoridades mas precisamos mostrar ao país que eles precisam culpar os terroristas e não o governo. Entendem? A nação não ama aquela cidade. Não é como pensam, é uma Sodoma e Gomorra de bichas e ateístas que merecem apodrecer no inferno. A única razão do pais se preocupar com o que pensam em São Francisco é que eles tiveram a sorte de serem mandados para o  inferno por alguns terroristas islâmicos. Estas crianças do Xnet chegaram ao ponto em que podem ser úteis para nós. Quanto mais radical ficam, mais o resto da nação compreende que existem ameaças por toda parte.”

Sua audiência acabou de tomar notas.
“Acho que podemos controlar isso.” disse a mulher do corte de cabelo. “Nosso pessoal na Xnet já tem uma forte influência. Os bloggers manchurianos estão rodando são quase 50 deles, enchendo os canais de bate-papo, linkando uns aos outros, se aproveitando do esquema deste M1k3y. Mas já mostraram do que são capazes de fazer, mesmo quando M1k3y tenta refreá-los.”
O Major Sutherland fez que sim. “Temos planejado deixá-los escondidos até um mês antes da metade do semestre.” Imaginei que significavam as eleições da metade do semestre e não meus exames de escola na metade do semestre. Este foi o plano original. Mas parece que…”
“Temos outros planos.”disse Rooney. “É necessário que se saiba, é claro, que não podemos esperar mais. Acabe com a Xnet agora, o mais rápido que puder. Enquanto eles estão ainda moderados, são confiáveis. Transforme-os em radicais!”
O vídeo se encerrou.
Ange e eu nos sentamos na beira da cama, olhando a tela. Ange se esticou e fez o vídeo se iniciar de novo. Assistimos. Foi pior na segunda vez.
Afastei o teclado e me levantei.
“Estou cansado de ter medo.” eu disse “Vamos deixar isso com Barbra e deixar que ela o publique. Vamos colocar tudo na rede. Melhor que me peguem. Ao menos saberei o que vai acontecer. Ao menos terei uma pequena certeza na vida.”
Ange me agarrou e me abraçou. “Eu sei, anjo, é tudo terrível. mas você está olhando apenas o lado ruim e ignorando a parte boa. Você criou um movimento. Você está indo contra os caipiras da Casa Branca, os corruptos em uniformes do DHS. Você chegou numa posição onde pode ser responsável por detonar a tampa que cobre todos os podres da DHS.”
“É claro que eles querem te pegar. Algum dia você duvidou disso? Eu sempre vi isso. Mas, Marcus, eles não sabem quem é você. Pense nisso. Todas estas pessoas, dinheiro, armas e espiões e você, um cara de dezessete anos na escola - está derrotando a todos. Eles não sabem de Bárbara. Nem de Zeb. Você bagunçou a coisa toda nas ruas de São Francisco e os humilhou diante do mundo. Então pare de se queixar está bem? Você está vencendo.”

“Eles estão vindo atrás de mim. Você viu. Vão me colocar atrás de grades para todo sempre. Nem será uma cadeia. Eu desaparecerei feito Darryl. Talvez pior. Talvez me enviem para a Síria. Por que me deixar em São Francisco? Sou influente enquanto permaneço nos EUA.”
Ela se sentou na cama ao meu lado.
“É.” ela disse. “Tem isso.”
“Tem isso.”
“Bem, você sabe o que precisa fazer, certo?”
“O quê?” Ela olhou para o teclado como se o apontasse. Vi as lágrimas rolando em seu rosto.
“Não! Você está maluca! Acha que vou fugir com algum doido que conheci na Internet? Um espião?”
“Tem uma idéia melhor?”
Chutei uma das pilhas de roupa da lavanderia. “Que seja. Certo. Vou falar com ela”
“Fale com ela.” disse Ange. “Diga a ela que você e sua namorada querem pular fora.”
“O quê?”
“Quietinho, cabeça de minhoca. Você acha que corre perigo? Eu corro tanto perigo quanto Marcus. Isso se chama culpa por associação. Onde você for, eu vou junto.” Ela fez aquela cara irredutível. “Você e eu, estamos juntos agora. Entenda isso.”
Nos sentamos.
“A não ser que não me queira com você.” Disse, em voz baixa.
“Tá brincando comigo, certo?”
“Parece que eu estou brincando?”
“Não tem jeito de eu ir voluntariamente sem você, Ange. Eu nunca poderia pedir a você para vir comigo, mas fiquei sem saber o que dizer quando você se ofereceu.”
Ela sorriu e pegou meu teclado.
“Mande um email para esta tal de Masha. Vamos ver o que esta guria pode fazer por nós.”
Mandei o email, criptografando a mensagem, esperando um retorno. Ange se encostou a mim e eu a beijei e nós nos abraçamos. Algo na coisa do perigo e de fugirmos juntos, me fez esquecer o sexo que fizemos e me fez excitado de novo.
Estávamos quase nus quando o email de Masha chegou.
> Vocês dois? Jesus Cristo, como se já não fosse difícil. Eu não saio exceto para fazer trabalho de campo após aprontar alguma coisa na Xnet. Entende? Os meus responsáveis vigiam cada movimento meu, mas eu consigo sair quando acontece algo grande com os Xneters. Aí sou mandada a campo por eles. Faça alguma coisa grandiosa. Eu serei mandada e nos dois fugiremos. Nos três, se preferir assim. Mas faça logo. Não posso ficar respondendo email para você, entende? Eles me vigiam. E estão a cada vez mais perto de você. Você não tem muito tempo. Semanas, talvez. Talvez alguns dias. Preciso de você para me tirar daqui. É por isso que estou fazendo isso, caso esteja pensando no motivo. Não posso escapar sozinha. Preciso de uma grande distração na Xnet. Este é seu departamento. Não vá falhar comigo M1k3y, ou estaremos mortos. Sua garota também. Masha.
Meu telefone tocou dando-nos um susto. Era minha mãe querendo saber quando eu chegaria em casa. Eu disse que estava a caminho. Ela não falou de Bárbara. Nós tínhamos combinado que não falaríamos sobre isso ao telefone. Foi idéia do meu pai. Ele podia ser tão paranóico quanto eu.
“Tenho que ir.” falei.
“Nossos pais ficarão…”
“Eu sei. Vi o que aconteceu com eles quando eles pensaram que eu tinha morrido. Saber que eu me tornei um fugitivo não vai ser muito melhor. Mas eles vão preferir que eu seja um fugitivo a ser um prisioneiro. É o que eu penso. De qualquer jeito, quando nos desaparecermos, Bárbara poderá publicar sem se preocupar de nos colocar em apuros.”
Nos beijamos na porta do seu quarto.Não um beijo quente, um daqueles quando estamos nos despedindo, mas um beijo doce e demorado. Tipo um beijo de adeus. 

#

As viagens pelo BART são introspectivas. Quando o vagão balança para lá e para cá e você tenta não fazer contato visual com os olhos de outros viajantes e tenta não ler as propagandas de cirurgia plástica, agentes de fiança e testes para AIDS, quando tenta ignorar as pichações e não olhar para aquelas coisas pelo chão. É ai então que a sua mente começa a viajar.
Balançando de lá pra cá e a sua mente alcança tudo que você negligenciou, volta todos os filmes de sua vida onde você não foi o herói, mas um otário vacilão.
Sua mente concebe teorias como esta.
Se a DHS queria pegar M1k3y, o que seria melhor que atraí-lo para um lugar aberto, levá-lo a encabeçar algum evento grande e público da Xnet? 
Seu cérebro faz este tipo de coisa, mesmo quando você está viajando apenas duas ou três estações distante. Quando você sai e começa a se mover, seu sangue começa a correr, e seu cérebro volta ao normal.
Algumas vezes ele te dá soluções para problemas.


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Alice no País do Quantum - A física quântica ao alcance de todos



Na primeira metade do século XX, nossa compreensão do Universo foi virada de pernas para o ar.

As antigas teorias clássicas da física foram substituídas por uma nova maneira de olhar o mundo — a mecânica quântica.

Esta estava em desacordo, sob vários aspectos, com as idéias da antiga mecânica newtoniana; na verdade, sob vários aspectos, estava em desacordo com nosso senso comum.
Entretanto, a coisa mais estranha sobre essas teorias é seu extraordinário sucesso em prever o comportamento observado dos sistemas físicos.

Por mais absurda que a mecânica quântica possa nos parecer, esse parece ser o caminho que a Natureza escolheu — logo, temos que nos conformar.

Este livro é uma alegoria da física quântica, no sentido dicionarizado de "uma narrativa que descreve um assunto sob o disfarce de outro." O modo pelo qual as coisas se comportam na mecânica quântica parece muito estranho para nossa maneira habitual de pensar e torna-se mais aceitável quando fazemos analogias com situações com as quais estamos mais familiarizados, mesmo quando essas analogias possam ser inexatas.

Tais analogias não podem nunca ser uma representação verdadeira da realidade, na medida em que os processos quânticos são de fato bastante diferentes de nossa experiência ordinária.

Uma alegoria é uma analogia expandida, ou uma série de analogias.
Como tal, este livro segue mais os passos de Pilgrim s Progress ou As viagens de Gulliver do que Alice no País das Maravilhas. Alice parece o modelo mais conveniente, no entanto, quando examinamos o mundo que habitamos. O País do Quantum por onde Alice viaja se parece mais com um parque temático no qual Alice é às vezes uma observadora, ao passo que algumas vezes se comporta como uma espécie de partícula cuja carga elétrica pode variar.

Esse País do Quantum mostra os aspectos essenciais do mundo quântico: o mundo que todos nós habitamos...


SUMÁRIO
Prefácio
No País do Quantum
O Banco Heisenberg
O Instituto de Mecânica
A Escola de Copenhague
A Academia Fermi-Bose
Realidade Virtual
Átomos no Vácuo
O Castelo Rutherford
O Baile de Massacarados das Partículas
A Piteira Phantástica da Física Experimental



Alice no País do Quantum - A física quântica ao alcance de todos - Robert Gilmore  [ Download ]




quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

La Ciencia-Ficción de H. G. Wells


En la tan bizantina como superfina polémica acerca de la paternidad de la ciencia ficción moderna, dirimida entre el francés Julio Verne y el británico Herbert George Wells (véase la introducción a La ciencia ficción de Julio Verne, en el número 89 de esta misma colección), Verne es considerado generalmente como el precursor temático del género, mientras que Wells es calificado más bien como su precursor ideológico. Verne, fiel a las constantes de culto al maquinismo y a la moda de las aventuras «científicas» que reglan en su país, inventaba el submarino, disparaba su cañón contra la Luna, viajaba a los polos, daba la vuelta al mundo e imaginaba un buque aéreo sustentado en el aire por multitud de hélices horizontales. Wells, mas sumergido en las inquietudes sociales que arrasaban en aquella época su país, se ocupó mas de las ideas: utilizó la máquina del tiempo como vehículo para examinar la degradación de la burguesía y las clases obreras en un futuro lejano; las promesas de la aviación le hicieron pensar inmediatamente en su aprovechamiento bélico; la genética significó para él la visión de la manipulación del hombre; y nuestro satélite le sirvió de cuna para el estudio de una civilización alienígena completamente distinta a la nuestra.

Índice
Introducción Herbert George Wells: su tiempo y su obra   
Los acorazados terrestres   
La puerta en el muro   
El país de los ciegos   
El bacilo robado   
La isla del Æpiornis   
El extraño caso de los ojos de Davidson
El señor de las dinamos   
La historia de Plattner   
Los argonautas del aire   
La historia del difunto míster Elvesham   
En el abismo   




Índice
Los atacantes del mar
Una raza aterradora   
La esfera de cristal   
La estrella   
El hombre que podía hacer milagros   
El bazar mágico   
El valle de las arañas   
La verdad sobre Pyecraft   
El señor Skelmersdale en el país de las hadas   
Jimmy Goggles, el dios   
El nuevo acelerador   
Un sueño de Armageddon   




La Ciencia-Ficción de H. G. Wells I e II [ Download ]