terça-feira, 31 de agosto de 2010

Escrita atemporal (Jorge Luis Borges)


Conheci a obra de Franz Kafka em 1917 e agora confesso que fui indigno da obra de Franz Kafka.


Eu o li em uma revista expressionista, profissionalmente moderna, que havia se consagrado a inventar a falta de pontuação; a falta de rimas, a falta de maiúsculas e o abuso de metáforas simuladas e aparatosas palavras compostas próprias dos jovens desse tempo e talvez dos jovens de todos os tempos.

Entre esse estalido impresso, figurava um apólogo, contraposto à corrente, que levava a assistência de Franz Kafka e que considerei inexplicavelmente insípido.

Recordo que li uma fábula sua, escrita de maneira simples, e me apareceu incompreensível sua publicação. Passei frente à revelação e não a percebi.

Também devo confessar que aderia plenamente a este estilo barroco e que buscava imitá-lo.

Mais tarde seus livros chegaram às minhas mãos é então me dei conta da minha insensibilidade e do meu erro imperdoável.

A grandeza de Kafka é evidente e seu gênio indiscutível.

É o escritor menos controvertido deste século e talvez o primeiro, ainda que em nada, ou quase nada, se pareça a este século.

A leitura de outros escritores nos leva a pensar na época em que escreveram.

Se tomamos o caso de Shakespeare, temos que pensar continuamente que escreveu para o palco e não para a leitura; temos que pensar na política, na decadência da Espanha, da Armada Invencível.
Se tomamos o caso de Dante, não podemos esquecer sua teologia nem seu amor por Virgílio.
Se tomamos o caso de Walt Whitman, não podemos prescindir do sonho da democracia que professava. Tampouco podemos ler Hugo sem nos afastarmos da história da França. Kafka é uma exceção a essa regra tão comum na história da literatura. É um escritor a quem podemos ler atemporalmente.

Kafka nasceu em Praga, é de origem judia, é boêmio, mas não se sente tchecoslovaco. Vive e sofre as conseqüências da Primeira Guerra Mundial, mas nada disso se reflete em sua obra.

Seu trabalho poderia ser definido como uma parábola ou uma série de parábolas, cujo tema central é a relação moral do indivíduo com a divindade e com o universo.

Kafka via sua obra como um ato de fé e não buscava através dela desalentar os homens.

Surgiu e morreu como um clássico no que se refere ao formal.

Quanto ao conteúdo, recordo que meu amigo, o poeta Carlos Mastronardi, me disse uma vez que no final das contas Kafka não havia feito outra coisa a não ser renovar o paradoxo de Zenão de Eléia: uma flecha não pode chegar a sua meta porque antes tem que passar por um ponto intermediário, antes por outro ponto intermediário, e assim sucessivamente temos um número infinito de pontos onde a flecha em cada momento está imóvel no ar, e somando imobilidades não se chega nunca ao movimento.

Curiosamente, descobri depois uma versão chinesa desse mesmo paradoxo. Está no livro de Chuang Tzu e é a história dos reis de Ian. Supõe-se que cada rei, ao morrer, rompe o cetro e entrega a metade restante a seu sucessor; o sucessor faz o mesmo e por isso a dinastia é infinita.

No caso de Kafka, podemos pensar que um de seus temas é a infinita postergação. Essa postergação está sentida de um modo patético, e nisso radica a suprema novidade de Kafka, tomar esse tema que antes havia sido um tema das matemáticas e levá-lo a uma expressão da vida.

Um remoto imperador, infinitamente remoto no tempo e no espaço, faz com que infinitas gerações levantem um muro infinito que dê a volta em seu império infinito para deter o curso de exércitos infinitamente distantes.

Como Virgílio, que a ponto de morrer encarregou seus amigos de reduzir a cinzas o manuscrito inconcluso da Eneida, Franz Kafka encomendou a Max Brod a destruição dos romances e narrativas que asseguravam sua fama. A afinidade destes ilustres episódios é, se não me engano, ilusória. O delicado Virgílio não podia ignorar que contava com a piedosa desobediência de seus amigos: o obsessivo Kafka, com a de Brod.

No mais, o autor que realmente deseja a desaparição de sua obra não encomenda essa tarefa a outro.
Sem dúvida Virgílio e Kafka não desejavam profundamente a destruição de seus escritos: só queriam desligar-se da responsabilidade que uma obra sempre nos impõe. Kafka, como Chesterton, teria preferido a redação de páginas felizes, mas sua fidelidade não condescendeu em escrevê-las.

1883-1924. Estas duas datas delimitam a vida de Franz Kafka.

Ninguém pode ignorar que ele foi marcado por importantes acontecimentos históricos: a Primeira Guerra mundial, a invasão da Bélgica, as derrotas e as vitórias, o bloqueio dos impérios centrais pela frota britânica, os anos de fome, a revolução russa, que foi portadora de uma generosa esperança e que é hoje o imperialismo, o degelo, o tratado de Brest-Litoskv e o tratado de Versailles que engendrou a Segunda Guerra Mundial.

Ele foi igualmente marcado por uma série de fatos íntimos observados na biografia que Max Brod escreveu: os desentendimentos com o pai, a solidão, os estudos de Direito, as horas no escritório, a profusão de manuscritos, a tuberculose. E também as grandes aventuras barrocas da literatura: o expressionismo alemão, as proezas verbais de Johannes Becher, de William Yeats e de James Joyce.

O destino de Kafka consiste em transformar os acontecimentos e as agonias em fábulas.

Narra pesadelos sórdidos em um estilo límpido. E não deixa de ser notável que ele tenha sido leitor das Escrituras e admirador fervoroso de Flaubert, de Goethe e de Swift.

Ele era judeu, mas a palavra judeu, se bem me lembro, não figura em seus escritos – que são intemporais e, desta maneira, eternos.

Kafka é o maior escritor clássico deste tumultuado e estranho século.

JORGE LUIS BORGES


Escritor e poeta argentino, Jorge Luis Borges (1899-1986) publicou Ficções, O Aleph, História Universal da Infâmia, Informe de Brodie (contos) e Fervor de Buenos Aires (poesia), dentre outros; texto escrito por ocasião do centenário de nascimento de Franz Kafka.

Escrita atemporal  (Folha de São Paulo, 10.12.83).

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Caçador de Androides - Philip K. Dick



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domingo, 29 de agosto de 2010

Fantasticon 2010



Se você está em São Paulo hoje e amanhã, ainda dá tempo de curtir a extensa programação deste evento bastante esperado por todos que amam Ficção Científica, Fantasia e Horror !!

A Fantasticon 2010 oferece uma variedade de atrações, como mesas-redondas, palestras, filmes, exposições, oficinas, lançamentos de livros e sessões de autógrafos, além de outras atividades paralelas!

Imperdível !

Jorge Luis Borges



Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (24 de Agosto de 1899 – 14 de Junho de 1986) nasceu em Buenos Aires, Argentina. Filho de uma família de classe média-alta, de pai advogado e mãe professora, cresceu em um ambiente intelectual.

Aos dez anos de idade, Jorge Luis Borges, que vivia enfiado na grande biblioteca da família, já traduzira um conto de Oscar Wilde para o espanhol.

Seu pai sofria de um seríssimo problema de vista e na busca de uma cura para o mal que o retirara de sua profissão, levou a família à princípio para Genebra, posteriormente peregrinando de país em país, sendo assim, boa parte da educação de Borges foi através dos melhores colégios na Suiça e na Espanha.

Na Espanha, Borges começou a participar de movimentos literários modernistas, e escreveu seus primeiros poemas, inspirados no poeta americano Walt Whitman.

A família retornaria para a Argentina em 1921, onde Borges realmente iniciaria sua carreira como escritor profissional, vendendo ensaios, contos e poemas para diversos jornais e revistas. Ainda nesta época, Borges seria apresentado a outro jovem escritor, Adolfo Bioy Casares, que se tornaria seu principal colaborador.

Borges trabalhou também como assistente de biblioteca e escrevia nas horas vagas. Quando Péron foi eleito em 1946, Borges foi demitido e teve que assumir o cargo de inspetor do mercado municipal de Buenos Aires. Apesar de se declarar um anarquista, aceitou resignado a função "menor", por pouco tempo.Nesta época, Borges já era o principal colaborador do maior jornal da Argentina, o Sur.

Sua criação elitista, sua personalidade multi-cultural, e a experiência acumulada de um viajante privilegiado, entravam em choque com a ditadura de extrema nacionalista de Péron.

Incapaz de sustentar-se somente como escritor, Borges (que sofria represálias por conta de seu posicionamento ideológico), ingressou na carreira de professor de Literatura Americana, levado por amigos, e logo recebeu apoio para tornar-se Presidente da Sociedade de Escritores da Argentina (1950-1953). Nesta época, devido a sua amizade com intelectuais do cinema, também passou a escrever roteiros.  

Borges agora podia escrever intensamente, não somente contos, mas poemas, ensaios, críticas literárias, roteiros, resenhas, editou diversas antologias, além de ser um proeminente tradutor de inglês, francês e alemão. Entre outros, traduziu para o espanhol, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Hermann Hesse, Rudyard Kipling, Herman Melville, André Gide, William Faulkner, Walt Whitman, Virginia Woolf, Sir Thomas Browne e G. K. Chesterton. Também foi co-autor de contos, utilizando-se de diversos pseudônimos.

Uma de suas características mais peculiares, era sua maestria em criar narrativas fantásticas, forjando autores e livros fictícios. Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de contos interligados por sonhos, bibliotecas, labirintos e Deus. Por exemplo, no conto "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius", uma enciclopédia é mantida por uma sociedade secreta por gerações, que inventa (como lembra o próprio Borges, "inventar" e "descobrir" são sinônimos em latim) todo um planeta imaginário, com seus idiomas, sua física, sua política, ciências e cultura.

Já bastante afetado pelo problema de visão (herdado de seu pai), Borges receberia seu primeiro grande prêmio literário nacional, assim como muitas outras honrarias. Em pouco tempo, já praticamente cego (se recusava a aprender o sistema Braille), passaria a depender de sua mãe, de quem sempre foi muito próximo, para servir-lhe como secretária particular.

Seus estudiosos atribuem a sua progressiva cegueira, sua faculdade extraordinária em fazer surgir novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". 
 
A fama internacional de Borges teve seu auge nos anos 60, graças aos seus livros traduzidos para a lingua inglesa (a colaboração com seu tradutor para o inglês, Norman Thomas di Giovanni foi fundamental para isso), o reconhecimento de seu talento tomou proporções ainda maiores; recebendo as maiores condecorações possíveis para um escritor, desde títulos ('Commendatore', O.B.E., Legion of Honour) a prêmios (Prêmio Cervantes, Prêmio Formentor, este dividido com ninguém menos que Samuel Beckett).

Borges continuava a publicar com certa frequência até que em 1975, sua mãe veio a falecer, e Borges inicia uma série de viagens pelo mundo, afastando-se gradativamente das letras. Morreria em 1986 de câncer, em Genebra, cidade para a qual escolheu voltar, e onde foi sepultado.

 Borges por Borges:


"Exageraram o valor de meus livros. Porém alguma coisa pode-se salvar. Como todos os escritores escrevi centenas de páginas para se salvar uma linha..."


"não tem uma página minha, por mais descuidada e espontânea que seja, que não tenha exigido vários e vacilantes rascunhos"


"Se recuperasse a visão, não sairia desta casa, ficaria lendo os muitos livros que estão aqui, tão perto e tão longe de mim, ficaria lendo."
"Penso a leitura como um ato criativo. Porém, repito, a emoção é necessária: sem emoção não se pode escrever. O importante é sonhar e ser sincero com o sonho quando se escreve, ou seja, somente contar fábulas nas quais se acredita. Isto viria a ser a sinceridade literária, e o único dever do escritor: ser fiel aos seus sonhos, não às meras circustâncias".


"Sou um homem de letras, nada mais. Não estou certo de ter pensado nada de original em minha vida. Sou um fazedor de sonhos." 


Jorge Luis Borges ( Utopia de un hombre que está cansado, There are more things, Las ruinas circulares, La loteria de Babilonia, La Biblioteca de Babel, Libro del cielo y del inferno e Antologia de la literatura fantastica (ambos com Bioy Casares), The Babylon Lottery, Obra Completa Vol. I e II, Livro dos Sonhos, Escrita Atemporal, El libro de los seres imaginarios, El Aleph, El Disco, Manual de Zoologia Fantástica, Tlõn Uqbar, Orbis Tertius ) [ Download ]

sábado, 28 de agosto de 2010

Capas do livro Do androids dream of electric sheep?























O Caçador de Androídes - Philip K. Dick (parte 22)




RECOLOCOU O telefone no gancho e não mais despregou os olhos do ponto que se movera do lado de fora do carro.
A corcova no chão, entre as pedras. Um animal, disse a si mesmo.
Seu coração bateu devagar, sob a carga excessiva, o choque do reconhecimento.
Eu sei o que é, compreendeu. Nunca vi um deles antes, mas conheço pelos filmes que mostravam, no canal do governo. Eles estão extintos!, disse a si mesmo.

Rapidamente, tirou do bolso o amarfanhado e muito usado catálogo da Sidney's e virou as páginas com mãos trêmulas.
SAPO (Bufonidae), todas as variedades.

Extinto há anos. A criatura mais preciosa para Wilbur Mercer, juntamente com o jumento. Mas, sapos, acima de todas.
Preciso de uma caixa,
Girou sobre si mesmo com dificuldade, coisa alguma viu no assento traseiro do hovercar; saltou, correu até a mala, girou a fechadura, abriu-a.
Encontrou um recipiente de papelão, dentro dele uma bomba de combustível sobressalente para o carro. Despejou a bomba, encontrou um pouco de estopa grossa e dirigiu-se em passos lentos para o sapo. Sem tirar os olhos dele.

O sapo, notou, combinava inteiramente com a textura e tonalidade da poeira sempre presente. Evoluíra, talvez, enfrentando o novo clima, como enfrentara antes todos os climas. Se não se houvesse movido, jamais tê-lo-ia visto. Ainda assim, estivera sentado a não mais de metro e meio dele.
O que acontece quando a gente encontra — se encontra — um animal que se julga extinto?, perguntou a si mesmo, tentando lembrar-se.
Isso acontecia tão raramente. Havia alguma coisa sobre uma estrela de honra dada pelas Nações Unidas e uma soma em dinheiro. Uma recompensa que chegava a milhões de dólares.

E, dentre todas as possibilidades — encontrar a criatura mais sagrada para Mercer. Jesus, pensou, não pode ser.
Talvez isto se deva ao dano cerebral em mim: exposição à radiatividade.
Eu sou um especial, pensou. Alguma coisa me aconteceu. Como o debilóide Isidore e sua aranha. O que aconteceu a ele está me acontecendo. Será que foi Mercer quem providenciou isto?
Mas eu sou Mercer. Eu arranjei isto, eu descobri o sapo. Encontrei-o por que vejo através dos olhos de Mercer. Acocorou-se bem perto do sapo.

O animal empurrara para o lado a poeira, a fim de fazer um buraco parcial para si mesmo, afastara a poeira com a anca, de modo que só a parte superior de seu crânio chato e seus olhos projetavam-se acima do chão.
Entrementes, seu metabolismo reduziu-se quase à paralisação total, o animal entrou em transe. Nos olhos não havia fagulha, nem percepção de sua presença e, horrorizado, pensou: ele está morto, de sede, talvez. Mas se movera.
Pondo de lado a caixa de papelão, cuidadosamente começou a afastar a areia frouxa para longe do sapo. O bicho não pareceu objetar, mas, claro, ele não tinha consciência de sua existência.

Ao erguer o sapo, sentiu-lhe a frieza peculiar; em suas mãos, o corpo do animal parecia seco e enrugado — quase mole — e tão frio como se houvesse fixado residência em uma caverna sob a terra, a quilômetros do sol. Naquele momento, o sapo se mexeu; com suas fracas pernas traseiras, tentou livrar-se de sua empunhadura, querendo, instintivamente, afastar-se aos saltos.

Um bichão, pensou Rick. Adulto e sábio. Capaz, à sua maneira, de sobreviver mesmo àquilo a que não estamos realmente conseguindo sobreviver. Gostaria de saber onde ele encontra água para seus ovos.

Então, é isto o que Mercer vê, pensou, enquanto laboriosamente fechava a caixa, amarrando-a repetidas vezes. Vida que não podemos mais distinguir; vida cuidadosamente enterrada até a testa na carcaça de um mundo morto. Em cada brasa extinta do universo, Mercer provavelmente percebe vida que ninguém nota. Agora eu sei, pensou. E tendo uma vez visto através dos olhos de Mercer, provavelmente jamais pararei. E andróide nenhum, pensou, cortará as pernas deste animal. Como fizeram com a aranha do debilóide.

Com todo o cuidado, colocou a caixa amarrada no assento do carro e sentou-se ao volante.
É como ser criança outra vez, pensou.

Nesse momento, todo o peso o deixara, e a fadiga monumental, opressiva. Espere só até que Iran ouça isto.
Agarrou o aparelho e começou a discar. Depois, parou.
Vou fazer disto uma surpresa, concluiu.
Vai ser um vôo de apenas trinta ou quarenta minutos para voltar para lá.
Ansioso, ligou o motor e, logo depois, cortava o céu em direção a São Francisco, a mil e duzentos quilômetros ao sul.


No órgão condicionador Penfield, Iran Deckard estava sentada com o indicador da mão direita tocando o mostrador numerado. Mas não discou. Sentia-se inquieta e doente demais para fazer alguma coisa: um fardo que excluía o futuro e quaisquer possibilidades que ele poderia algum dia ter contido.
Se Rick estivesse aqui, pensou, ele me faria discar 3, e assim eu me descobriria querendo discar alguma coisa importante, fervilhante de alegria ou, se não isso, então possivelmente um 888, o desejo de assistir à televisão, qualquer que fosse o programa. O que será que estão mostrando? pensou.
Em seguida, pensou aonde teria ido Rick. Ele pode estar de volta e, por outro lado, pode não estar, disse a si mesma, e sentiu os ossos dentro do corpo se encolherem de velhice.
Uma batida à porta do apartamento.

Pondo de lado o manual Penfield, levantou-se de um salto, pensando: não preciso discar agora Já tenho o que quero...se for Rick.
Correu para a porta e abriu-a de par em par.
— Hei — disse ele.
Ali estava, um corte no rosto, as roupas amarrotadas e cinzentas, mesmo o cabelo saturado de poeira. As mãos, a face. .. a poeira colava-se a todas as partes de seu corpo; exceto aos olhos. Arredondados de espanto, seus olhos brilhavam como os de um menino.

Ele parece, pensou ela, como se tivesse estado brincando e chegou o momento de voltar para casa. Descansar, tomar um banho e contar tudo sobre os milagres do dia.
— Que bom ver você — disse ela.
— Eu tenho uma coisa para lhe mostrar. — Trazia e segurava com as duas mãos uma caixa de papelão. Quando entrou, não a depositou em lugar algum. Como se, pensou ela, a caixa contivesse algo frágil e valioso demais para soltar. Queria guardá-la eternamente em suas mãos.
— Vou-lhe preparar uma xícara de café.
No fogão, apertou o botão de café e, um momento depois, colocava uma imponente caneca ao lado dele na mesa da cozinha.

Segurando ainda a caixa, ele sentou-se e em seu rosto permanecia o olhar esbugalhado. Em todos os anos que o conhecia, jamais vira aquela expressão em seu rosto!
Algo acontecera desde que o vira pela última vez, desde que, na noite passada, ele saíra no carro. Agora, voltara e com ele essa caixa.
Na caixa, estava tudo o que lhe acontecera.

— Vou dormir — disse ele. — O dia inteiro. Telefonei e consegui falar com Harry Bryant. Ele me disse para tirar o dia de folga e descansar. Que é exatamente o que vou fazer.

Com todo o cuidado, pôs a caixa sobre a mesa e apanhou a caneca. Obediente, porque ela queria que fizesse isso, bebeu o café.
Sentada em frente a ele, ela perguntou:
— O que é que você tem aí nessa caixa, Rick?
— Um sapo.
— Posso vê-lo? — Ficou observando até que ele desamarrou a caixa e retirou a tampa. — Oh! — disse, vendo-o.
Por alguma razão, o bicho assustou-a. — Ele morde? — perguntou.
— Pegue-o. Ele não morde. Sapos não têm dentes.
Tirou o sapo da caixa e estendeu-o a ela. Suprimindo a aversão, ela pegou-o.
— Eu pensei que os sapos estivessem extintos — disse, virando-o, curiosa, sobre suas pernas. Pareciam quase inúteis. — Sapos podem saltar, como rãs? Quero dizer, este pode saltar subitamente de minhas mãos?
— As pernas de sapos são fracas — explicou Rick. — Esta é a principal diferença entre um sapo e uma rã, essa e a água. A rã permanece perto da água, mas um sapo pode viver num deserto. Encontrei este no deserto, perto da fronteira de Oregon. Onde tudo mais morreu.

Esticou a mão para tomá-lo de volta. Mas ela descobriu alguma coisa.
Ainda segurando-o de cabeça para baixo, mexeu no abdômen e, em seguida, com a unha, localizou o minúsculo painel de controle. Com um estalido, abriu-o.
— Oh! — A expressão do rosto dele desmoronou aos poucos. — Isso mesmo, agora estou compreendendo. Você tem razão.
Crista baixa, olhou mudamente para o falso animal. Tomou-o dela e mexeu-lhe nas pernas, como se confuso — não parecia entender inteiramente. Em seguida, com todo o cuidado, colocou-o na caixa.
— Eu gostaria de saber como foi que ele conseguiu chegar a uma parte tão desolada da Califórnia como aquela. Não há maneira de saber para quê.
— Talvez eu não devesse ter-lhe dito... que ele é elétrico. — Espichou a mão, tocou-lhe o braço. Sentia-se culpada, vendo o efeito que aquilo produzira nele, a mudança.
— Não — disse Rick —, estou satisfeito em saber. Ou melhor. .. — Ficou silencioso. — Eu preferiria saber.
— Quer usar o condicionador de estado de espírito? Sentir-se melhor? Você sempre tirou mais dele, mais do que eu, sempre.
— Eu vou ficar bem. 
Sacudiu a cabeça, como se tentasse clareá-la, ainda confuso. A aranha que Mercer deu ao debilóide, Isidore, provavelmente também era artificial. Mas isto não importa. As coisas elétricas também têm suas vidas. Insignificantes como essas vidas são.

— Você parece como se tivesse andado centenas de quilômetros.
— Foi um dia longo — concordou ele, abaixando a cabeça.
— Deite-se na cama e durma!
Ele fitou-a e, em seguida, como se perplexo:
— Acabou, não? — Confiante, pareceu esperar que ela lhe dissesse, como se ela soubesse. Como se ouvir a si mesmo dizer isso nada significasse. Tinha uma atitude dúbia em relação às suas próprias palavras; elas não se tornavam reais até que ela concordasse.
— Acabou — disse ela.
— Deus, que missão gigantesca — disse Rick. — Logo que comecei, não houve mais para mim maneira de parar. Ela continuou a me levar, até que finalmente peguei os Batys e então, de repente, não tive mais coisa alguma para fazer. E aquilo. .. — Hesitou, evidentemente atônito com o que começara a dizer. — Aquela parte foi pior. Depois que terminei o serviço. Não podia parar porque nada mais haveria, depois que eu parasse. Você teve razão esta manhã quando disse que eu nada mais sou senão um policial grosseiro, com mãos grosseiras.
— Eu não acho mais isso — retrucou ela. — Estou simplesmente feliz demais em tê-lo de volta em casa, que é o seu lugar. — Beijou-o e isto pareceu agradá-lo. O seu rosto se animou, quase tanto quanto antes — antes dela ter-lhe mostrado que o sapo era elétrico.
— Você acha que eu agi mal? — perguntou ele. — Pelo que fiz hoje?
— Não.
— Mercer disse que era errado, mas que devia fazê-lo, de qualquer maneira. Uma coisa realmente esquisita. Às vezes, é melhor fazer uma coisa má do que certa.
— É a maldição que caiu sobre nós — disse Iran. — Aquela de que fala Mercer.
— A poeira? — perguntou ele.
— Os assassinos que encontraram Mercer no seu décimo sexto ano, quando lhe disseram que ele não podia inverter o tempo e trazer de volta as coisas à vida. De modo que, agora; tudo o que ele pode fazer é continuar com a vida, indo aonde ela vai, para a morte. E os assassinos atiram pedras. São eles que fazem isso. Ainda perseguindo-o. E a todos nós, na verdade. Foi um deles que cortou seu rosto, aí onde está sangrando?
— Foi — disse ele fracamente.
— Você vai para a cama agora? Se eu sintonizar o órgão para um ambiente 670?
— O que é que isso produz? — perguntou ele.
— Uma longa e merecida paz — respondeu Iran.

Ele levantou-se dolorosamente, o rosto sonolento e confuso, como se um sem-número de batalhas houvessem sido travadas nele, durante muitos anos. Em seguida, devagar, tomou o caminho do quarto de dormir.
— Muito bem — concordou. — Uma longa e merecida paz.
Estirou-se na cama, a poeira despregando-se de suas roupas e cabelos nos lençóis brancos. Não havia necessidade de ligar o órgão, compreendeu Iran, apertando o botão que tornava opacas as janelas do quarto. Desaparecera a luz cinzenta do dia.
Na cama, após um momento, Rick adormeceu.

Ela permaneceu ali durante algum tempo, olhando-o para ter certeza de que ele não acordaria, não se sentaria, de medo, como às vezes fazia durante a noite. Em seguida, voltou à cozinha e se sentou mais uma vez à mesa.
Junto a ela o sapo elétrico batia e arranhava em sua caixa. Perguntou-se o que seria que ele "comia" e quanto custariam consertos seus. Moscas artificiais, decidiu.
Abrindo o catálogo telefônico, procurou nas páginas amarelas sob acessórios para animais elétricos„ Discou, e quando o vendedor respondeu, disse:
— Eu gostaria de encomendar meio quilo de moscas artificiais que sejam capazes de voar e zumbir, por favor.
— É para uma tartaruga elétrica, madame?
— Um sapo — disse ela.
— Neste caso sugiro nosso sortimento misto de insetos artificiais rastejadores e voadores de todos os tipos, incluindo...
— As moscas serão suficientes — disse Iran. — Quando poderá entregá-las? Eu não quero deixar o apartamento. Meu marido está dormindo e quero ter certeza de que tudo vai correr bem com ele.
— Para um sapo — disse o empregado — eu sugeriria também uma poça perpetuamente renovável, a menos que ele seja um sapo chifrudo, caso em que há um kit contendo areia, seixos multicoloridos, e pedaços de restos orgânicos. E se vai colocá-lo regularmente através de seu ciclo de alimentação, sugiro que deixe nosso departamento de serviços fazer um ajustamento periódico de língua. Num sapo, isto é vital.
— Ótimo — concordou Iran. — Quero que ele funcione perfeitamente. Meu marido gosta muito dele.
Deu o endereço e desligou.
E sentindo-se melhor, preparou finalmente para si mesma uma xícara de café forte e quente.



FIM.



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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Psicose 2



Norman Bates olhou pela janela da biblioteca, tentando não ver as barras.

O truque era ignorá-las. A ignorância é uma bênção.

Mas nenhuma benção, nem qualquer truque, não servia para nada, atrás das grades do "Hospital Geral".
Há muito tempo atrás era chamado de "Hospital Geral Para Criminosos Insanos", mas agora que vivemos em uma era de maior iluminação, não se chamava mais assim.

Mas ainda haviam as grades nas janelas, e ele lá dentro continuava olhando para fora.

Uma prisão não é feita pelos seus muros de pedra, nem barras de ferro fazem uma gaiola. Isso fora dito pelo poeta Richard Lovelace, no século XVII, há muito, muito tempo. E Norman tinha se sentado ali muito tempo... não trezentos anos, é claro, mas ele sentiu como se tivessem passado séculos.

Ainda assim, já que tinha que ficar sentado em algum lugar, a biblioteca era provavelmente o melhor lugar, e o trabalho de bibliotecário era uma tarefa fácil. Poucos pacientes se interessavam em livros, e ele tinha muito tempo para ler. Assim descobriu Richard Lovelace e todos os outros. Sentado ali, dia após dia, na fresca penumbra da biblioteca, sem que ninguém para incomodá-lo.

Eles haviam lhe dado uma mesa, somente sua, para mostrar que confiavam nele, sabiam que era alguém responsável. E Norman era grato por isso, mas, em momentos como aquele, quando o sol brilhava e os pássaros cantavam nas árvores do lado de fora de sua janela, percebia que Lovelace era um mentiroso.

Os pássaros eram livres, mas Norman encontrava-se na gaiola.


Psicose 2 - Robert Bloch [ Download ]




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Metropolis1927.com



1927.
Em 10 de janeiro, estréia METROPOLIS de Fritz Lang, em Berlim, em uma versão de 4.189 metros, aprovada pelo diretor.
Para o lançamento em 7 de Março, nos EUA é montada uma versão de 3100. A Paramount retira um quarto do filme original, reescreve os intertítulos e muda nomes dos personagens. Seguindo o exemplo da Paramount, a UFA retira outras tantas cenas de Metropolis para um relançamento europeu em 26 de agosto, desfalcado de quase um quarto do original de Lang. O diretor lamenta profundamente contra a cortes drásticos. As imagens retiradas permanecerão perdidas por mais de 80 anos.

1969.
Usando materiais da Filmarchiv Staatliches da DDR, uma primeira tentativa é feita de restauração de Metropolis, mas após três anos os resultados são considerados insatisfatórios.

1984.
Giorgio Moroder lança uma versão colorizada do filme, com uma nova trilha sonora, que inclui Bonnie Tyler, Pat Benatar, Freddie Mercury, Adam Ant, etc. Um sacrilégio!

1987.
Na Deutsche Kinemathek em Munique, Alemanha, são feitos esforços de restauração, mas o filme continua a ser significativamente menor do que a versão original.

2001.
A restauração digital de materiais disponíveis é conseguida através de Friedrich-Wilhelm-Murnau-Stiftung, na Alemanha. Uma versão em 2005 do estudo do filme de Lang é encontrada, mas boa parte do original continua desaparecido.

2008.
Uma espetacular descoberta no Museo del Cine em Buenos Aires, Argentina. Em um carretel empoeirado, um negativo de 16 milímetros com cerca de 30 minutos de filmagem, complementando o material anteriormente descoberto.

2010.
A restauração finalmente fica pronta, com os negativos encontrados em 2005 e 2008.
Um clássico do cinema retorna do esquecimento - a versão "Director's Cut" - imaculadamente reconstruída e restaurada!

O site oficial da versão restaurada de Metropolis!


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Os 50 anos de Psicose


Se pedirmos a alguém com mais de trinta anos (e que goste de cinema), para lembrar de dez cenas de filmes, provavelmente fará parte da lista, a inesquecível cena do chuveiro de 'Psicose', onde Janet Leight é várias vezes esfaqueada durante o banho.

Completando 50 anos, 'Psicose' (Psycho) é um filme que ainda impressiona.

O maior sucesso comercial de Alfred Hitchcock, reverenciado pela crítica, estudado e dissecado à exaustão, é apontado por muitos como o primeiro de um gênero de filmes de terror conhecido como 'slasher', onde o protagonista é um psicopata assassino.

Indicado em quatro categorias para o Oscar, sua filmagem se deu sob condições bastante peculiares.
Alfred Hitchcock na época investia todo seu tempo em produzir sua série televisiva homônina, porém, por questões contratuais, precisava realizar um filme novo a cada oito meses, ou no máximo doze.

Seu filme anterior, 'Intriga Internacional' (North by northwest), lhe custara muito de seu prestígio e confiabilidade nas bilheterias. Em outras palavras, não era um bom momento para voltar às telas. Sendo assim, Hitchcock optou por escolher um projeto que lhe garantisse, como de outras vezes, controlar totalmente a produção, além de arriscar-se pouco, financeiramente falando. Seriam apenas nove atores, poucas locações, um mínimo de recursos (se comparada a outras produções hollywoodianas), e portanto, um baixo orçamento.

O livro escolhido pelo diretor e negociado anonimamente pelo agente dele, foi 'Psycho' (Psicose), do autor de livros de terror e Ficção Científica, Robert Bloch. Coube a Joseph Stefano, um jovem talento, atender às necessidades do diretor, transformando um livro denso e verborrágico, em um script ágil, sem perder seu impacto.

Basicamente o filme pode ser dividido em três partes.

Na primeira, em Phoenix, a jovem secretária Marion Crane (Janet Leigh), recebe a incubência de depositar uma grande quantia (40.000 dólares) no banco. O dinheiro pertence ao seu patrão, mas Marion, diante da oportunidade de mudar de vida, começa a ter outros planos. Seu romance com um homem casado, Sam Loomis (John Loomis) está indo de mal a pior e ela decide então, fugir com o dinheiro, deixar a cidade, mas acaba em um motel semi abandonado, que assim como Marion, escapou ao seu destino previsível, quando desviaram a estrada principal.

Seu jovem e afável gerente, Norman Bates (Anthony Perkins), imediatamente a conquista com seu jeito infantil e seus sanduíches. Parece ser um bom rapaz, prestativo, um pouquinho estranho, e que cuida da mãe inválida, que mora na casa velha, no alto da colina próxima do motel.

Mas nada é o que parece, nos demonstra Hitchcock pouco antes da metade do filme, ao vermos aquela que parecia até então, ser a personagem principal do filme, ser morta durante o banho.

A partir daí, Hitchcook nos surpreende mudando nosso ponto de vista drasticamente.
Esta é uma técnica pouco usual, que força o espectador a mudar sua interpretação da história. É preciso encontrar outro personagem ao qual se afeiçoar, e a única e desconfortável possibilidade recai em Norman. Aflora, a partir dai, o embate de dualidades, o bem versus o mal, a dupla personalidade de Norman, que basicamente é um bom rapaz lutando contra si mesmo. Marion também era uma pessoa boa que se deixou corromper, mas que antes que pudessse se redimir (estava disposta a devolver o dinheiro), teve seu triste fim. O tema da punição por uma falha moral permanece na parte final, quando ficamos sabendo que Bates matou sua mãe e sua namorada, devido a um relacionamento 'inapropriado'.

Pura insanidade embalada por uma fotografia sufocante, e pela música arrebatadora de outro mestre, Bernard Herrmann.






(Psycho, 1960, Paramount Pictures, 109min) Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Joseph Stefano, baseado em romance de Robert Bloch. Fotografia: John L. Russell. Montagem: George Tomasini. Música: Bernard Herrmann. Elenco: Janet Leigh (Marion Crane), Anthony Perkins (Norman Bates), Vera Miles (irmã de Marion), John Gavin (amante de Marion), Martin Balsam (detetive Albogarst), John McIntire (xerife), Pat Hitchcock (secretária), Simon Oakland (psiquiatra), Mort Mills (policial).






INT. MARY IN SHOWER

Over the bar on which hangs the shower curtain, we can see the bathroom door, not entirely closed. For a moment we watch Mary as she washes and soaps herself. There is still a small worry in her eyes, but generally she looks somewhat relieved.

Now we see the bathroom door being pushed slowly open.
The noise of the shower drowns out any sound. The door is then slowly and carefully closed. And we see the shadow of a woman fall across the shower curtain. Mary's back is turned to the curtain. The white brightness of the bathroom is almost blinding. Suddenly we see the hand reach up, grasp the shower curtain, rip it aside.

CUT TO MARY

As she turns in response to the feel and SOUND of the shower curtain being torn aside. A look of pure horror erupts in her face. A low terrible groan begins to rise up out of her throat. A hand comes into the shot. The hand holds an enormous bread knife. The flint of the blade shatters the screen to an almost total, silver
blankness.

THE SLASHING

An impression of a knife slashing, as if tearing at the very screen, ripping the film. Over it the brief gulps of screaming. And then silence. And then the dreadful thump as Mary's body falls in the tub.



Psycho - roteiro de Joseph Stefano [ Download ]






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domingo, 22 de agosto de 2010

Robert Bloch



Robert Bloch (5 de Abril de 1917 - 23 de Setembro de 1994) nasceu em Chicago (EUA).

Embora desde cedo demonstrasse interesse pela literatura fantástica, sua obra seria bastante influenciada também, por seu amor pelos filmes de terror, especialmente aqueles com o ator Lon Chaney.

O divisor de águas nos seus primeiros dias de vida foi encontrar, aos dez anos de idade, um exemplar da revista 'Weird Tales', especializada em ficção macabra e sobrenatural. Foi através dela que descobriu o trabalho de Lovecraft.

Com a Grande Depressão, a família de Bloch mudou-se para Milwaukee, onde Bloch iniciou uma correspondência com Lovecraft, que continuaria até o morte deste, em 1937. Foi por sugestão de Lovecraft que Bloch começou a escrever. Seu primeiro conto publicado chamou-se "Lilies" (pela revista Tales Marvel). Ele tinha então dezessete anos.

Durante sua vida adulta, Bloch continuaria a publicar seus contos em revistas populares. Escreveu para o vaudeville, foi estrategista de campanhas politicas, trabalhou como copywriter e escreveu dramatizações para o rádio.

Em 1945, Bloch publicou suas primeira coletânea: "Sea Kissed ". Dois anos depois, o primeiro romance, 'The Scarf", um exame da mente de um psicopata, com propensão para assassinar mulheres. Embora Bloch já tivesse percorrido o caminho do serial killer (no conto "Yours Truly, Jack"), "The Scarf" era narrado em primeira pessoa, forçando o leitor a penetrar na mente de um psicopata, de forma tão eficaz e ao mesmo tempo tão familiar, que os leitores ficaram horrorizados.

Apesar do relativo sucesso, sua carreira de escritor o deprimia, como escreveu:
"Tenho vinte e quatro anos e sou um escritor profissional, mas o que tenho para mostrar? Alguns livros publicados, dos quais apenas dois com capa dura. Um monte de contos, a maioria deles vendido por um centavo a palavra. Alguns reimpressos em antologias desconhecidas, mas de forma esporádica o suficiente para botar a comida na mesa. Mas, e se o dinheiro acabasse... O que aconteceria quando a fonte secasse? Ou pior, quando minha escrita secasse? O que aconteceria se minha mulher ficasse doente de novo? O que aconteceria se nada acontecesse?"

Em breve sua vida mudaria para melhor, e a mudança se deveria a um romance chamado 'Psycho' (Psicose).
Escrito em seis semanas, foi vendido em 1959 para a Simon & Schuster, que o lançou em capa dura. Era sua versão do velho adágio, que o melhor amigo de um menino é sua mãe. O romance gravaria seu nome entre os grandes autores americanos de terror.

Bloch se tornaria "o homem que escreveu Psycho".

"Psycho" é a história de um homem solitário (Norman Bates), e de seu relacionamento com sua 'mãe', e os assassinatos cometidos no motel da família. A novela foi inspirada nas proezas do 'terror de Wisconsin', o serial killer Ed Gein. A idéia de alguém que leva uma vida dupla, do assassino introvertido, tornou-se tema comum dos romances de Bloch.

O thriller foi recebido com boas críticas pela imprensa em geral e pelo público, naquele momento, perturbado pelos diversos assassinos seriais que não saiam das manchetes. Logo o agente de Bloch receberia uma proposta anônima de venda dos direitos de filmagem de "Psycho". Após as negociações, os direitos foram vendidos pela soma de 9.500 dólares, uma quantia na época, somente paga a grandes autores.

Depois da venda, Bloch descobriu que o diretor Alfred Hitchcock estava envolvido na produção.
Hitchcock preferiu adquirir os direitos anonimamente por achar que conseguiria uma melhor negociação, se o seu nome não estivesse à frente. Bloch nunca foi abordado sobre a possibilidade de escrever um roteiro para o filme. Quando Hitchcock perguntou se Bloch estava disponível, um agente da MCA (ansioso para promover novos talentos) respondeu que não. A tarefa de escrever o script para Psycho foi entregue a outro escritor, o jovem Joseph Stefano, que trabalhava com a série de televisão de ficção científica e terror, "The Outer Limits". Stefano, apesar do interesse de trabalhar com Hitchcock, ficou desapontado com o projeto. Stefano alterou o material o bastante para caber no filme que Hitchcock queria fazer - principalmente que prestigiasse o ator Anthony Perkins, escolhido para viver o perturbado assassino.

No outono de 1959, para sua surpresa, Bloch ganharia o Hugo, prestígioso prêmio de ficção científica, por "That Hellbound Train". O prêmio acabou por abrir definitivamente as portas da televisão e do cinema para Bloch, que passou a receber um bom salário para escrever roteiros para "Alfred Hitchcock Presents". Porém, uma greve de seis meses do Writer's Guild, obrigaria-o a voltar a escrever contos para jornais e revistas, em tempo integral.

Nesta época, morando já na Califórnia, Bloch lançou o romance "The Dead Beat", que teve uma recepção menos empolgada que "Psycho", e uma coleção de contos e algumas reedições de bolso. Apesar de continuar a lançar livros de razoável sucesso, e vender seus contos para revistas masculinas, seus roteiros para a televisão passaram a ser a sua principal fonte de renda. Nesta época, escreveu inclusive, alguns episódios para 'Star Trek', a série original.

A partir de "Psycho" e por mais de 30 anos, as adaptações de seus contos e romances de ficção científica e terror, invadiriam os cinemas, em filmes como "The Couch", "The Cabinet of Caligari", "Strait-Jacket", "Night Walker", "The Skull", "The Psychopath", "Torture Garden", "The Deadly Bees", "The House That Dripped Blood", "Asylum", "The Cat Creature", "The Dead Don't Die", "The Amazing Captain Nemo", entre outros.

Uma marca de Bloch, lembrada pelos amigos, era seu humor negro, o que pode ser demonstrado por uma de suas frases célebres: "Não tive tanta diversão desde que os ratos comeram minha irmãzinha."


Robert Bloch ( Yours truly Jack the ripper, Madre de serpientes, El Vampito estelar, El beso siniestro, cuaderno hallado en una casa deshabitada, Una carta abierta a Lovercraft, La risa del vampiro, El demonio en la Tierra, Cuentos de humor negro, The man who collected Poe, I like blondies, The strange flight of Richard Clayton, The grab bag, That Hellbound train, Lucy comes to stay, Una cueston de identidad, Una botella de gin, Un hombre con una afición, Un crime fora de lo corriente, Terror, Terror Hollywood, Talento, Sucedió manãna, Que viene el lobo, Psicosis, Piromano, Mi monstro de ojos saltones, Madre de sierpentes, Los yugoslavos, Los ojos de la momia, Las lentes enganosas, Las figurillas de barro, La sombra que huyó del chapitel, La risa del vampiro, La mueca del monstruo, La guadanã, La casa del hacha, La capa, Juliette, Hombre con manias, Hierba gatera, Gente de cine, Fruto negro, Espejismo, Ensayo, Enoch, El horror que nos acecha, El homunculo, El Dios sin cara, El cuarto de goma, El aprendiz de brujo, Dulces para esa dulzura, Cueston de etiqueta, Cria cuervos, Clayton, Cierra, Atentamente Suyo, Amanecer ) [ Download ]

Feliz aniversário Bradbury



Uma 'homenagem' da humorista Rachel Bloom, ao grande escritor de FC, Ray Bradbury, que completa 90 anos hoje. De todos os presentes imaginários, acho que este seria o mais bizarro...

sábado, 21 de agosto de 2010

O Caçador de Androídes - Philip K. Dick (parte 21)



ÓTIMO — DISSE HARRY BRYANT ao ser informado. — Bem, agora vá descansar um pouco. Vamos mandar um carro de patrulha apanhar os três corpos.

Rick Deckard desligou.

— Andróides são estúpidos — disse selvagemente ao especial. — Roy Baty não conseguiu me distinguir de você. Pensou que era você que estava à porta. A polícia fará uma limpeza geral aqui. Por que não fica em outro apartamento até que termine tudo? Você não vai querer ficar aqui com o que sobrou.
— Eu vou deixar este p-p-prédio — respondeu Isidore. — Vou morar m-m-ais no centro da cidade, onde há m-m-mais gente.
— Eu acho que há um apartamento vago no meu prédio — lembrou Rick.
— Eu não q-q-quero morar perto de você — gaguejou Isidore.
— Vá lá para fora ou para cima — recomendou Rick. —Não fique aqui.

O especial permaneceu hesitante, sem saber o que fazer; uma grande variedade de expressões mudas cruzaram-lhe a face. Em seguida, voltando-se, saiu arrastando os pés do apartamento, deixando Rick sozinho.

Que trabalho este que faço, pensou Rick. Eu sou uma praga, como a fome ou a peste. Aonde quer que eu vá, acompanha-me a antiga maldição. Como disse Mercer, sou obrigado a proceder mal. Tudo o que fiz, desde o inicio, foi o mal. De qualquer modo, é tempo de voltar para casa.
Talvez, depois de passar algum tempo com Iran, eu esqueça tudo.

Ao chegar ao seu prédio, Iran foi recebê-lo no telhado. Fitou-o de uma maneira desequilibrada, peculiar. Em todos os seus anos com ela, jamais a vira assim.
Enlaçando-a com o braço, disse:
— De qualquer modo, acabou. E ando pensando, talvez Harry Bryant possa me designar para um...
— Rick — disse ela. — Tenho que lhe contar uma coisa. Sinto muito. A cabra morreu.

Por alguma razão, isto não o surpreendeu. Fê-lo apenas sentir-se pior, numa soma extra de peso que o comprimia por todos os lados,
— Acho que há alguma garantia no contrato — respondeu. — Se adoecer dentro de noventa dias da venda, o vendedor...
— Ela não adoeceu. Alguém — Iran pigarreou e continuou em voz rouca —, alguém veio até aqui, tirou a cabra da jaula e arrastou-a até a beira do telhado.
— E empurrou-a? — perguntou ele.
— Foi — confirmou ela, inclinando a cabeça.
— Você viu quem foi que fez isso?
— Eu vi perfeitamente — respondeu Iran. — Barbour ainda estava por aqui, tratando do animal dele. Desceu para me chamar e chamamos a polícia, mas a essa hora o animal estava morto e a pessoa tinha ido embora. Foi uma moça bem jovem, com cabelos escuros e grandes olhos pretos, muito magra. Vestia um casaco longo de escamas de peixe. Usava uma bolsa tipo sacola de correio. E não fez coisa alguma para evitar que a víssemos. Como se não se importasse.
— Não, ela não se importava — disse ele. — Rachael não daria a mínima se você a visse. Provavelmente, queria que a visse, de modo que eu soubesse quem fez isso. — Beijou-a. — Você esteve aqui esperando este tempo todo?
— Somente meia hora. Foi quando a coisa aconteceu. Faz meia hora. — Ternamente, retribuiu o beijo. — Foi tão horrível. Tão desnecessário.

Ele voltou-se para o carro estacionado, abriu a porta e sentou-se ao volante.
— Não foi desnecessário — disse. — Ela tinha o que lhe parecia uma razão. — Uma razão de andróide, pensou.
— Para onde você vai? Não vai descer e,,. ficar comigo? A TV deu uma notícia extremamente chocante. Buster Amigão diz que Mercer é uma impostura. O que é que você acha disso, Rick? Você acha que isso poderia ser verdade?
— Tudo é verdade — respondeu ele. — Tudo aquilo em que qualquer pessoa jamais pensou. — Ligou o motor do carro.
— Você vai se recuperar?
— Vou me recuperar — respondeu ele, e pensou: e vou morrer. Mas estas também são verdades.

Fechou a porta do carro, fez um sinal com a mão para Iran e mergulhou no céu noturno.
Antigamente, pensou, eu teria visto as estrelas. Há anos. Mas agora só há poeira, ninguém vê uma estrela há anos, pelo menos não da Terra. Talvez eu vá para algum lugar onde possa ver estrelas, disse a si mesmo quando o carro ganhou velocidade e altitude, afastando-se de São Francisco, a caminho da desolação desabitada do norte. Para um lugar onde ser vivo algum iria.
Não, a menos que achasse que chegara o fim.


À primeira luz da manhã, a terra embaixo se estendia aparentemente para sempre, cinzenta e juncada de lixo. Pedras do tamanho de casas haviam rolado e parado próximas umas das outras e ele pensou: isto parece uma sala de despacho, depois de mandadas embora todas as mercadorias. Permanecem apenas fragmentos de engradados, os recipientes que em si mesmo nada significam.
Antigamente, refletiu, aqui cresciam colheitas e animais pastavam.
Que pensamento estranho, que algum animal pudesse ter pastado aqui. Que lugar estranho para morrer, pensou.

Baixou o hovercar e deslizou durante algum tempo sobre a superfície.
O que Dave Holden diria de mim agora?perguntou a si mesmo.
Em um sentido, sou o maior caçador de cabeças que jamais viveu: nenhum jamais aposentou seis tipos Nexus-6 num único período de vinte e quatro horas e nenhum provavelmente jamais fará isto. Eu devia telefonar para ele, disse a si mesmo.

Uma encosta atravancada de morro levantou-se à sua frente; ergueu o hovercar quando o mundo se aproximou. Cansaço, pensou. Eu não devia estar guiando ainda. Desligou a ignição, planou por algum tempo e, em seguida, Pousou. O veículo tombou e rebotou pela encosta, espalhando pedras, subindo, até que parou finalmente com um chiado.

Levantando o telefone, chamou a telefonista de São Francisco.
— Ligue-me com o Hospital Monte Sion — disse.
No mesmo instante, outra telefonista apareceu na videotela:
— Hospital Monte Sion.
— Vocês têm aí um paciente chamado Dave Holden — explicou. — Eu poderia falar com ele? Ele está suficientemente bem para atender?
— Um momento; vou verificar isso, senhor. — Temporariamente, a tela escureceu.
Passou-se algum tempo. Rick tomou uma pitada do Rapé do Dr. Johnson e sentiu um calafrio. Sem o aparelho de aquecimento do carro ligado, a temperatura começava a cair verticalmente.
— O Dr. Costa informa que o Sr, Holden não pode receber telefonemas — informou a telefonista, reaparecendo.
— Trata-se de assunto policial — disse ele, colando na tela sua identificação.
— Um momento. — Mais uma vez, a telefonista desapareceu. Mais uma vez, Rick tomou uma pitada do Rapé do Dr. Johnson. O mentol do produto tinha um cheiro horrível, cedo assim pela manhã. Baixou a janela do carro e lançou no lixo a pequena lata amarela, — Não, senhor — disse a telefonista, mais uma vez na tela. — O Dr. Costa não acha que o estado do Sr. Holden permita que atenda ao telefone, por mais urgente que seja o assunto, por, pelo menos...
— Muito bem — disse Rick. E desligou.

O ar também tinha um cheiro ruim. Subiu outra vez a janela. Dave está realmente acabado, refletiu. Gostaria de saber por que eles não me pegaram. Porque me movi rápido demais, decidiu. Tudo num dia só. Não podiam ter esperado isto. Harry Bryant tinha razão.

O carro se tornara frio demais, de modo que abriu a porta e saiu. Um vento mefítico, inesperado, começou a penetrar em suas roupas e ele começou a andar, esfregando as mãos uma na outra.

Teria sido bem agradável conversar com Dave, pensou. Dave teria aprovado o que eu fiz. Mas acho também que ele teria compreendido a outra parte, que penso que nem Mercer compreende. Para Mercer, tudo é fácil porque ele aceita tudo. Coisa alguma lhe é estranha. Mas o que eu fiz, pensou, isso se tornou estranho a mim. Na verdade, tudo em mim se tornou antinatural. Eu me tornei um ser antinatural.

Continuou a andar, subindo a colina e, a cada passo, aumentava o peso sobre ele. Estou cansado demais para subir, pensou. Parando, enxugou o suor picante dos olhos, lágrimas salgadas produzidas por sua pele, por todo seu corpo dolorido.

Depois, zangado consigo mesmo, cuspiu — cuspiu com raiva e desprezo, por si mesmo, com ódio total, no chão estéril. Em seguida, continuou a subir penosamente a encosta, o terreno solitário e desconhecido, remoto a tudo. Coisa alguma vivia ali, exceto ele.
O calor. Esquentara, agora; evidentemente, passara o tempo. E sentiu fome. Não comia só Deus sabia havia quanto tempo. Fome e calor combinados, um gosto venenoso parecendo derrota. Sim, pensou, é isso o que é: fui derrotado de alguma maneira obscura. Por ter morto os andróides? Pelo assassinato de minha cabra por Rachael?
Não sabia, mas enquanto continuava a andar cansadamente, uma mortalha vaga e quase alucinatória toldou sua mente.

Quando deu por si, estava num ponto sem noção de como chegara lá,, a um passo de uma queda certamente fatal pela encosta — caindo de modo humilhante e impotente, pensou, sem mesmo uma única pessoa para presenciar o fato. Ali não havia ninguém para registrar sua degradação, ou a de alguém, e a coragem ou o orgulho que pudessem manifestar-se no fim permaneceriam sem registro: as pedras mortas, as ervas daninhas atacadas pela poeira, secas e morrendo, nada percebiam, de coisa alguma se lembrariam, sobre ele ou elas mesmas.

Naquele momento, a primeira pedra — e não era de borracha ou de plástico mole e macio — atingiu-o na região inguinal. E a dor, o primeiro conhecimento de solidão e sofrimento absolutos, tocou-o em todo o corpo, em sua forma real sem disfarces.
Parou. Em seguida, acicatado — o acicate invisível mas real, que não podia ser desobedecido —, reiniciou a subida. Rolando para cima, pensou, como as pedras.

Estou fazendo o que as pedras fazem. Sem vontade. Sem que isto signifique coisa alguma.
— Mercer — disse, arquejante. Parou, estatelado. À sua frente, distinguiu a figura nevoenta, imóvel. — Wilbur Mercer! É você? — Meu Deus, compreendeu. É minha sombra. Tenho que sair daqui, descer desta colina!

Recuou, atabalhoado. Uma vez, caiu; nuvens de poeira obscureciam tudo e fugiu delas — cada vez mais depressa, deslizando e tropeçando nos seixos soltos. À frente, viu seu carro estacionado. Estou de volta aqui embaixo, disse a si mesmo. Saí da colina. Abriu com força a porta do carro e espremeu-se para dentro. Quem foi que me atirou pedras?, perguntou a si mesmo. Ninguém! Mas por que isto me incomoda? Eu passei por isto antes, durante a fusão. Enquanto usava minha caixa de empatia, como todo mundo. Isto não é novo. Mas foi. Porque, pensou, fiz isto sozinho.

Tremendo, apanhou uma nova lata de rapé no porta-luvas. Tirando a fita aderente protetora, tomou uma grande pitada, descansou, metade do corpo dentro do carro, as pernas de fora, na terra árida e empoeirada. Este era o último lugar para vir, compreendeu. Não devia ter vindo aqui. E, naquele instante, estava cansado demais para voltar.

Se eu apenas pudesse falar com Dave, pensou, ficaria tudo bem comigo. Poderia escapar daqui, voltar para casa, para a cama. Ainda tenho minha ovelha elétrica e tenho meu emprego. Haverá mais andros para aposentar; minha carreira não acabou; não aposentei ainda o último andróide existente. Talvez seja isto, pensou, estou com medo que não haja mais.

Olhou para o relógio. Nove e trinta.
Apanhando o telefone, discou para o Palácio de Justiça, na Lombard.
— Ligue-me para o Inspetor Bryant — disse à telefonista da polícia, Srta, Wild.
— O Inspetor Bryant não está no escritório, Sr. Deckard. Saiu no seu próprio carro, mas não consigo nenhuma ligação com ele. Ele deve ter deixado o veículo temporariamente.
— Ele disse para onde tencionava ir?
— Alguma coisa sobre os andróides que o senhor aposentou na noite passada.
— Ligue-me então com minha secretária — pediu.

Um momento depois, apareceu na tela a face amarelada, peculiar, de Ann Marsten.
— Oh, Sr. Deckard... O Inspetor Bryant anda à sua procura. Acho que ele está submetendo seu nome ao Comissário Cutter, para um elogio em fé-de-ofício. Porque o senhor aposentou aqueles seis...
— Eu sei o que foi que eu fiz — grunhiu ele.
— Isso nunca aconteceu antes. Oh, sim, Sr. Deckard, sua esposa telefonou. Quer saber se o senhor está bem. O senhor está?

Ele permaneceu calado.
— De qualquer modo — opinou a Srta. Marsten —, talvez fosse bom o senhor telefonar, ela deixou recado avisando que vai ficar em casa, à sua espera.
— Ouviu falar de minha cabra? — perguntou ele.
— Não, eu nem mesmo sabia que o senhor tinha uma cabra.
— Mataram minha cabra — disse Rick.
— Quem matou, Sr. Deckard? Ladrões de animais? Acabamos de receber um relatório sobre uma nova e grande quadrilha, provavelmente adolescentes, operando em...
— Ladrões de vidas — disse Rick.
— Eu não estou entendendo, Sr. Deckard. — A Srta. Marsten observou-o atentamente. — Sr. Deckard, o senhor está com uma aparência horrível! E, meu Deus, seu rosto está sangrando.

Erguendo a mão, Rick sentiu o sangue. Provocado por uma pedra, provavelmente. Mais de uma, evidentemente, o atingira.
— O senhor está parecendo com Wilbur Mercer — disse ela.
— Eu sou — disse ele. — Eu sou Wilbur Mercer. Fundi-me permanentemente com ele. E não posso desfundir-me. Estou aqui, à espera da desfusão. Em um lugar qualquer, perto da fronteira do Oregon.
— Quer que enviemos alguém? Um carro do Departamento para apanhá-lo?
— Não — respondeu ele. — Eu não trabalho mais no Departamento.
— Evidentemente o senhor trabalhou demais ontem, Sr. Deckard — disse ela em tom de desaprovação. — O que o senhor precisa é de repouso na cama. Sr. Deckard, o senhor é o nosso melhor caçador de cabeças, o melhor que jamais tivemos.

Direi ao Inspetor Bryant quando ele chegar. Vá pra casa e pra cama. Telefone agora mesmo para sua esposa, Sr. Deckard, porque ela está terrivelmente, terrivelmente preocupada. Vocês dois estão pavorosos.
— É por causa de minha cabra — disse ele. — Não por causa dos andróides. Rachael enganou-se... Não tive problema algum para aposentá-los. E o especial enganou-se também, dizendo que eu não podia mais entrar em fusão com Mercer. O único que teve razão foi Mercer.
— É melhor o senhor voltar para a área da Baía, Sr. Deckard. Onde há gente. Não há nada vivendo aí perto do Oregon, não é verdade? O senhor não está sozinho?
— É estranho — disse Rick, — Tive a absoluta, total, ilusão, inteiramente real, que me tornara Mercer e que pessoas atiravam pedras em mim. Mas não da maneira como a gente experimenta quando segura os punhos de uma caixa de empatia. Quando a usamos, sentimos que estamos com Mercer. A diferença foi que não estive com pessoa alguma. Eu estava sozinho.
— Agora estão dizendo por aí que Mercer é uma impostura.
— Mercer não é uma impostura — disse ele. — A menos que a realidade seja. — Esta colina, pensou. Esta poeira e todas estas pedras, todas elas diferentes umas das outras. — Estou com medo — continuou ele — que não possa deixar de ser Mercer. Uma vez que se comece, é tarde demais para recuar — Vou ter que subir novamente a colina?, perguntou-se. Eternamente, como Mercer faz...encurralado pela eternidade. — Adeus — e começou a desligar.
— Vai telefonar para sua esposa? Promete?
— Sim, vou. — Inclinou a cabeça — Obrigado, Ann. — Descanso na cama, pensou.

A última vez em que me deitei numa cama foi com Rachael. Na violação de uma lei. Cópula com uma andróide, inteiramente contra a lei, aqui e nos mundos-colônias.
Ela deve estar de volta agora a Seattle. Com os outros Rosens, reais e humanóides.
Eu gostaria de fazer com você o que você fez comigo, desejou. Mas isto não pode ser feito com um andróide, porque ele não se importa. Se eu a tivesse morto ontem, minha cabra estaria viva agora. Foi nesse momento que tomei a decisão errada. Sim, pensou: tudo pode ser atribuído a isso e ao fato de ter ido para a cama com você.
Afinal de contas, você teve razão numa coisa: a experiência mudou-me. Mas não da forma que você previu.

De uma maneira muito pior, decidiu.

Mas, ainda assim, não me importo, realmente. Não mais. Não, pensou, depois do que aconteceu lá em cima, perto do topo da colina. Gostaria de saber o que aconteceria em seguida, se continuasse a subir e chegasse ao topo. Porque é lá que parece que Mercer morre. É lá que o triunfo de Mercer se manifesta, lá ao fim do grande ciclo sideral.

Mas se sou Mercer, pensou, jamais posso morrer, não em dez mil anos. Mercer é imortal!
Mais uma vez, apanhou o telefone. Ia chamar a esposa.
E ficou paralisado.


O Caçador de Androídes - Philip K. Dick (parte 21) [ Download ]

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Science Fiction - The Best Of The Year



A Ficção científica continua a ser uma maneira vital, não apenas de olhar para os futuros possíveis, mas de olhar para o presente através da lente do futuro imaginado. Nosso presente está sempre mudando, e a boa FC também, como é demonstrado em muitas das histórias aqui.

Este livro representa o melhor da FC de 2005.


CONTENTS

The Year in Science Fiction by Rich Horton

Triceratops Summer by Michael Swanwick

Bank Run by Tom Purdom

A Coffee Cup/Alien Invasion Story by Douglas Lain

The Edge of Nowhere by James Patrick Kelly

Heartwired by Joe Haldeman

The Fate of Mice by Susan Palwick

The King of Where-I-Go by Howard Waldrop

The Policeman's Daughter by Wil McCarthy

Bliss by Leah Bobet

Finished by Robert Reed

The Inn at Mount Either by James Van Pelt

Search Engine by Mary Rosenblum

"You" by Anonymous by Stephen Leigh

The Jenna Set by Daniel Kaysen

Understanding Space and Time by Alastair Reynolds

CONTRIBUTORS
ACKNOWLEDGMENTS

Science Fiction - The Best Of The Year (2006 Edition) por Rich Horton [ Download ]

 

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eram os índios astronautas?

 
No conto "Eram os índios astronautas?", o escritor carioca Jorge Luiz Calife dá mostras de como se configuraria o Brasil na era do virtual, ao nos apresentar vários futuros imaginados que vão desde simulacros produzidos pelas viagens espaciais que, com a ajuda dos computadores, bifurcam a noção de tempo, até a construção do futuro das nações na era do saber digital.

Suas produções têm como protagonistas o saber informatizado e a sua contribuição para outras possíveis conquistas espaciais do homem, bem como o impacto desse saber no futuro de países periféricos como o Brasil.

Esse tipo de produção textual sempre foi um privilégio, culturalmente aceito, dos países pós-industriais, o que não quer dizer que não tenha disseminado para os países menos desenvolvidos.

Fazendo um estudo de como vem se configurando a produção de ficção científica no Brasil, pretendo questionar, a partir desse conto, de que forma o discurso acerca do saber informatizado, quando circunscrito nos países periféricos, é interpelado pela produção e disseminação das estratégias discursivas do poder discriminatório.

Eram os índios astronautas? (Pre)Visões do Brasil na era virtual [ Download ]
Suzane Lima Costa - Universidade Federal da Bahia

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

The Ultimate Dinosaur




The Ultimate Dinosaur é uma colaboração exclusiva que recria o mundo pré-histórico em ensaios científicos e de ficção, combinando os talentos de paleontólogos, escritores visionários e ilustradores de dinossauros.

Os ensaios examinam descobertas que estão transformando o campo da paleontologia atual: fósseis de dinossauros na Antártica, caça em grupo e a cooperação entre predadores ferozes; provas de migrações sazonais de manadas de dinossauros que viajavam milhares de quilômetros. Estas são apenas algumas das novas e excitantes teorias descritas nestas páginas.

Nos contos que se seguem a cada ensaio, a ficção imaginativa respira a teoria científica. Uma história trata de um safari selvagem e viagens no tempo. Em outra visitamos um parque de vida selvagem no futuro, com dinossauros vivos criados a partir de material genético descoberto em expedições. Entre os colaboradores, escritores premiados como Ray Bradbury, Harry Harrison, Gregory Benford e o co-editor Robert Silverberg.

Entre os especialistas que contribuem para este projeto estão cientistas de todo o mundo: Dr. Phillip Currie, diretor de pesquisa de dinossauros do Museu de Paleontologia da Tyrrell em Alberta, Canadá; Dr. Sankar Chatterjee, professor de geociências da Universidade Texas Tech, e Dr. Ralph Molnar, paleontólogo do Museu de Queensland, na Austrália. O editor de ciência é o Dr. Peter Dodson, da Universidade de Pensilvânia de medicina veterinária.

As ilustrações para os ensaios de ciência ajudam a visualizar as teorias incríveis do estilo de vida e o comportamento dos dinossauros. São executados por elogiados artistas como Doug Henderson, cujo trabalho tem aparecido em várias exposições nacionais de vida pré-histórica, e William G. Stout, cujas pinturas estão exibidas no Los Angeles County Museum of Natural History.




CONTENTS

“Kingdom of the Titans” by Robert Silverberg

“Dinosaurs for Adults” by Peter Dodson

“The Dawn of the Age of Dinosaurs” by Sankar Chatterjee

“Crocamander Quest” by L. Sprague de Camp

“The First Dinosaurs” by Catherine Forster

“The Feynman Solution” by Charles Sheffield

“The Dinosaur Radiations” by Teresa Maryanska

“Siren Song at Midnight” by Dave Wolverton

“The Jurassic Period: A Time of Great Change” by David Gillette

“Rhea’s Time” by Paul Preuss

“The Age of Giants” by Anthony Fiorillo

“Shakers of the Earth” by Gregory Benford

“Dinosaur Predators” by Halszka Osmolska

“Hunters in the Forest” by Robert Silverberg

“The Cretaceous Dinosaurs” by Don Lessem

“In the Late Cretaceous” by Connie Willis

“Major League Triceratops” by Barry Malzberg

“Migrating Dinosaurs” by Phillip J. Currie

“Herding with the Hadrosaurs” by Michael Bishop

“The Behavior of Predatory Dinosaurs” by Ralph Molnar

“Besides a Dinosaur, Whatta Ya Wanna Be When You Grow Up?" By Ray Bradbury

“Monsters of the Sea and Air” by Kenneth Carpenter

“Unnatural Enemy” by Poul Anderson

“Becoming a Modern World” by William Gallagher

“Dawn of the Endless Night” by Harry Harrison

“Myths, Theories, and Facts of Dinosaur Extinction” by David J. Archibald

“The Bone Wars: Cope vs. Marsh” by Ronald Rainger

“The Green Buffalo” by Harry Turtledove




The Ultimate Dinosaur por Byron Preiss e Robert Silverberg [ Download ]

terça-feira, 17 de agosto de 2010

The Science Fiction Reference Book



It is time, and past time, that someone should do what Marshall Tymn has done in this book, and that is to put together a guide to the rich resources available for teachers and students of science fiction. I only wish it had been around ten years ago—much misery might have been saved! It is reassuring to look over the list of contributors and find so many names of persons who are not only distinguished in themselves, but to me represent personal friends whose judgment I have every reason to trust—in fact, nearly every name on the contents page is the very name I would have chosen myself, if I had had the wit to conceive of this book and the energy to push it through to completion. I didn't. But Marshall Tymn did, and we are all in his debt.

The Science Fiction Reference Book will be of use to scholars and researchers of all kinds in science fiction. But I suppose it will be read most frequently by teachers, and perhaps that gives me license to say something about how I think science fiction should be taught. Teachers are human beings.

Human beings are marvelously diverse; and so each teacher must have his own personal style and concerns. But it seems to me all the same that there are some universals, or should be, and I would like to urge them on anyone about to use the resources of this book to prepare a course.

Since science fiction is a form of literature, I suppose it is inevitable that most teachers of it will come from their English departments, and that they will then bring to it the skills of analysis and criticism that might otherwise be turned on Faulkner or Henry James. Fair enough. But not, I think, extensive enough. One of the ways in which it seems to me that science fiction differs from other fictions is that in it what is said is at least as important as how it "is said-It must be admitted that, historically, some of the most seminal figures in the development of science fiction were no masters of polished prose.

Worse than that.

At least half a dozen were clearly deaf to the sound of the English language. They aren't read for style, of course. They are read because they thought things no one had ever thought before, and communicated them to their readers.

Science fiction has become vastly more literate in recent years. Le Guin, Delany and Tiptree, to choose only three at random, are masters of the language. They use it with precision and grace, in ways that, say, Edgar Rice Burroughs and Stanley G. Weinbaum never could. But I do not think they have more to say.

To come at the same point from another direction, it seems to me that a course in science fiction which limited itself to the writers of the 1970s would miss much of what science fiction is all about. Sf did not begin with Dune or Stranger in a Strange Land, or even with Star Trek. It began almost anywhere you like to say it did—Lucian of Samosata? Gulliver's Travels'?—hut surely it was in full flower with H. G. Wells at the turn of the century. And its real core literature, the stories that represent its maturing into self-awareness as a discrete genre with very special merits, 'appeared in the science-fiction magazines in the decades just before and after World War I I . At least a sampling of these is, I think, a sine qua non.

The Science Fiction Writers of America has prepared three volumes of The Science Fiction Hall of Fame to preserve that core for us—the best "golden age" stories, as chosen by the corps of science-fiction writers themselves. If I could suggest just one reading assignment for every science-fiction course list, The Hall of Fame would be it.

If I were teaching the course, I would then, to be sure, feel obliged to point out that this writer was ham-handed and that one never in his life managed to construct a human character anyone could believe in. But once that disclaimer was out of the way, what a treasure would emerge! Alien creatures, alien worlds. Vast technological change, and its vast impact on human beings.

To read science fiction is to stretch the mind. It is not just entertainment. It is technology transfer, and a way to learn what science is all about. It is an opportunity to look at our own world and folkways from outside—what Harlow Shapley called "The view from a distant star"—and to judge objectively our wiseness and our follies. It is, above all, the sovereign prophylactic against future shock; and those core stories of the 1930s, 1940s and 1950s epitomize the qualities that made people pay attention to science fiction in the first place. I cherish them. When I teach a science-fiction course, I delight to share them—and then, of course, Barth and Vonnegut...and all the other newer, more graceful sf writers of today.

There was a time when I viewed with alarm the burgeoning of academic interest in science fiction. (There is such a thing as too much respectability!)

Perhaps what I have just said is a hangover from that concern; and, anyway, I've been greatly reassured by many of the academics I've met and schools I've visited. It now appears to me that teaching science fiction is not much easier than writing it, and that we all need all the help we can get.

This book should lighten the load!

Frederik Pohl
Red Bank
June, 1980






CONTENTS
Introduction, Frederik Pohl 


BACKGROUNDS
Toward a History of Science Fiction
by Thomas D, Clareson 
Children's Fantasy and Science Fiction
by Francis Molson 
Science Fiction Art-. Some Contemporary Illustrators
by Vincent Di Fate 
The Fantastic Cinema
by Vincent Miranda
Critical Studies and Reference Works
by Marshall B. Tymn 

FANDOM
Science Fiction Fandom/A History of An Unusual Hobby
by Joe Siclari 
The Writing Awards
by Harlan McGhan 
Literary Awards in Science Fiction
by Howard DeVore 
Science Fiction and Fantasy Periodicals
by Marshall B. Tymn 

ACADEME
From the Pulps to the Classroom: The Strange Journey of Science Fiction
by James Gunn 
Masterpieces of Modern Fantasy-. An Annotated Core List
by Roger C. Schlobin 
Outstanding Science Fiction Books: 1927-1979
by Joe De Bolt 
Science Fiction and Fantasy Collections in U.S. and Canadian Libraries
by Elizabeth Cummins Cogell

Resources for Teaching Science Fiction
by Marshall B. Tymn 

APPENDICES
Doctoral Dissertations in Science Fiction and Fantasy, 1970-1979
by Douglas R. Justus 
Science Fiction Organizations and Societies
by Marshall B. Tymn 
Directory of Specialty Publishers -
by Marshall B. Tymn 
Definitions of Science Fiction and Fantasy
by Roger C. Schlobin 
Contributors 
Index 



The Science Fiction Reference Book by Marshall B.Tymm [ Download ]

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Escritores do Futuro (Writers of the Future)

 
O prestigiado Prêmio L.Ron Hubbard Writers of Future, dá oportunidade aos escritores e ilustradores amadores de Ficção Especulativa e Fantasia, de ingressarem no mercado pela porta da frente, além de homenagear alguns artistas consagrados.

O prêmio, que existe desde 1983, conta normalmente com juízes de nome na Ficção Científica&Fantasia americana, como Gregory Benford, Robert Silverberg, Theodore Sturgeon, Jack Williamson and Roger Zelazny, Ben Bova, Orson Scott Card, Hal Clement, Frank Herbert, Larry Niven, Andre Norton, Frederik Pohl, Jerry Pournelle, Tim Powers, Gene Wolfe, entre outros.

Uma amostra de como os americanos se preocupam com a perpetuação de seus valores, e é claro, de seus negócio$.





domingo, 15 de agosto de 2010

Harlan Ellison



Harlan Jay Ellison (27 de Maio de 1934) nasceu em Cleveland, Ohio (EUA).

Escritor de contos, romances, ensaios e críticas, além de roteiros para cinema, vencedor de diversos prêmios e roteirista e consultor criativo de séries de televisão como Star Trek, Logan's Run, The Man From U.N.C.L.E., Batman, Outer Limits, Voyage to the bottom of the sea, Alfred Hitchcock hour, Manhunter, Starlost, Twilight Zone (a nova série) e Babylon 5, chegando a atuar em Babylon 5 como um opositor da Psi-Cop e na série Psi Factor.

Ellison, além da carreira premiada (8 Hugos e meio, 3 Nebulas, 5 Bram Stoker, 2 Edgar Allan Poe, 2 George Mélies, entre muitos outros), também é um integrante bastante ativo na comunidade de FC&F americana. É o fundador da Cleveland SF Society, membro da Screen Actors Guild (SAG), e um participante frequente de convenções do gênero nos EUA.

Apesar de estar ligado em suas raízes ao gênero FC, sua ficção está mais próxima da fantasia surrealista, ou realismo mágico, do que propriamente da Ficção Científica.
 
Harlan Ellison era apenas um menino de Painesville, que mal acabara de completar 15 anos, quando teve seu primeiro conto (“The Sword of Parmagon”) publicado no jornal local, Cleveland News.

Mais de 60 anos depois disso, ou 74 livros, 13 prêmios, 1.700 ensaios, resenhas e artigos em jornais e revistas depois, Ellison recebeu um Emmy e um Grammy (por suas interpretações em audio books) e venceu o Silver Pen, dado pela P.E.N.(international writers's union), somente para jornalistas notáveis, por sua influência benéfica a centenas de escritores que vieram depois dele.

O Los Angeles Times o batizou de "O Lewis Carrol do século 20", o The New Yorker como "um provocador, um Woody Allen raivoso", devido a particulariedade de sua visão das coisas. O Washington Post o incluiu na lista dos maiores escritores de contos ainda vivo. Ellison é um escritor único, sem igual.

Seus livros, "GLASS TEAT" e "THE OTHER GLASS TEAT", ensaios sobre a televisão, venderam milhões, e são leitura obrigatória em mais de 200 universidades americanas.

Sua obra foi traduzida para 40 países, com livros como "DEATHBIRD STORIES", "STRANGE WINE", "APPROACHING OBLIVION", "I HAVE NO MOUTH & I MUST SCREAM", "WEB OF THE CITY", "LOVE AIN’T NOTHING BUT SEX MISSPELLED", "ELLISON WONDERLAND", "MEMOS FROM PURGATORY", "ALL THE LIES THAT ARE MY LIFE", "SHATTERDAY", que venderam milhões de cópias pelo mundo.
 
Ellison também possui sua própria série em quadrinhos "HARLAN ELLISON’S DREAM CORRIDOR QUARTERLY" pela Dark Horse, e pode ser ouvido como a voz do Deus-computador 'AM', no game "I HAVE NO MOUTH, AND I MUST SCREAM", apesar do próprio não gostar muito de trabalhar com computadores.


Harlan Ellison ( Repent Arlequin said Ticktockman, Pretty Maggie Money Eyes, The Deathbird, En el circo de los ratones, El merodeador en la ciudad al borde del mundo, Silencio en Gehenna, El pajaro de la muerte, Arrepentiete Arlequin dijo el senor Tic-Tac, Arde el cielo, Count the clock that tells the time, A friend to man, Alone against tomorrow, Brillo (com Ben Bova), Troublemakers, Toward the light, The Essential Ellison a 50 years retrospective, The End of the time of Leinard, Stalking the nightmare, Spider Kiss, Shatterday, Partners in Wonders (com vários autores), Paladin of the Lost hour, Paingod & Other dellusions, No doors no windows, Love aint nothing, Gentlleman junkie, Ellison Wonderland, Deathbird stories, Approching oblivion, No vengas a mien el blanco inverno (com Roger Zelazny), Sobre la pendiente, Quebrado como un duende de cristal, Pisadas, No tengo boca y debo gritar, Los operadores humanos ) [ Download ]