terça-feira, 30 de novembro de 2010

Paprika


O aclamado escritor de ficção científica japonês, Yasutaka Tsutsui, escreveu Paprika (Papurika) em 1993, uma experiência sobre psicanálise no futuro. O romance rendeu uma ótima animação (de Satoshi Kon).

Os sete primeiros capítulos do livro estão agora disponíveis online (PDF).

A história: Três cientistas da Fundação para Pesquisa Psiquiátrica inventam a Mini-DC, uma máquina que permite gravar e assistir sonhos. A máquina, à princípio utilizada para terapia de doenças mentais, é roubada por um estranho que usa o dispositivo para invadir a mente das pessoas, quando acordadas, distraindo-as com seus próprios sonhos. O trio - Chiba, Tokita e Shima - mais um inspetor de polícia, tenta capturar o ladrão e evitar os ataques de sua própria psique.



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SFFB - SCI-FI Filmes do Brasil



O SFFB é um blog voltado exclusivamente para o cinema brasileiro de Ficção Científica.

Notícias atualizadas sobre lançamentos, a FC no cinema brasileiro, Ciência e Tecnologia, temas e muito mais.

No blog você também encontra assuntos relacionados à produção de filmes, como ótimas dicas para quem quer aprender a escrever roteiros.

domingo, 28 de novembro de 2010

Concurso de contos de Ficção Científica da Revista Mortal


 
Escreva um conto visionário sobre como você imagina que será São Paulo e/ou o Grande ABC daqui a 100 anos e concorra a vários livros, além de ter seu conto publicado pela Revista MORTAL.

Os ganhadores serão conhecidos em dezembro no site da MORTAL.

Regulamento: será aceito apenas 1 conto por participante. O texto deve ser enviado em arquivo Word, com espaçamento 1,5, na fonte Times New Roman, tamanho 12. Serão aceitos contos com até seis páginas.
O material deverá ser enviado para o e-mail: concurso@revistamortal.com.

Fica a critério do participante inscrever-se utilizando pseudônimo ou não. Só serão aceitos contos inéditos. O julgamento do conto vitorioso será feito pela equipe da Revista MORTAL. Os critérios para a escolha do vencedor serão: estilo, coesão, coerência e inventividade.

Prazos para o envio de textos: de 20 de setembro a 30 de novembro de 2010.

Direitos e esquerdos...



Gostaríamos de esclarecer que nós do Capacitor Fantástico acreditamos que vivemos uma "nova era, em que a informação flui a velocidades surpreendentes" e os blogs/sites são agentes de transformação, na busca de uma sociedade mais justa.

O Capacitor Fantástico não vende ou recebe qualquer tipo de benefício financeiro do compartilhamento.

Compartilhar é uma coisa, comercializar é outra!

Pegando carona em P.Levy, "... permitir que toda a informação seja livre para que se possa aprender a partir dela, criando novos conhecimentos. A partir da descentralização de esforços e do valor conferido à contribuição oferecida, em detrimento do controle pela autoridade e da titulação possuída pelos colaboradores,... criando algo socialmente válido para uma comunidade."

Respeitamos todos aqueles que se sintam lesados ou que interpretem nossa atividade como uma agressão aos seus direitos autorais/editoriais, portanto, nos dispomos prontamente a retirar material que se caracterize como abusivo.

Para isso, basta enviar e-mail para capacitor_fantastico@globo.com.

Obrigado.
O Editor.

Para entender melhor a diferença entre compartilhar (share) e comércio ilegal, leia este artigo !
 

sábado, 27 de novembro de 2010

Solaris - Stanislaw Lem (parte 13)



— Kris! — Ouvi chamar o meu nome, como se de grande distância. — Kris, o videofone!
— O quê? Oh, obrigado.
O instrumento já estava sinalizando há algum tempo, mas só agora o notava.
Levantei o auscultador:
— Kelvin.
— Snow. Estamos os três ligados ao mesmo circuito.
A voz aguda de Sartorius fez-se ouvir através do auscultador:
— Meus cumprimentos, Dr. Kelvin! — Era o tom de voz cauteloso, cheio de falsa segurança, de um conferencista que sabe que está em terreno pouco firme.
— Bom dia, Dr. Sartorius!
Quis rir; mas, nas circunstâncias presentes, dificilmente estaria em estado de ceder a um ataque de hilaridade. Afinal de contas, qual de nós era motivo de riso?

Na mão segurava um tubo de ensaio com um pouco de sangue. Sacudi-o. O sangue coagulou. Teria sido vítima de uma ilusão uns minutos antes? Estaria talvez, enganado?
— Gostaria, senhores, de apresentar certas questões em relação aos... fantasmas.
Eu ouvia Sartorius, mas minha mente recusava-se a registrar suas palavras. Pensava no sangue coagulado, e desligava-me daquela voz, que me distraía a atenção.
— As chamemos de criaturas Phi — interpôs Snow.
— Muito bem, aceito.
Uma linha vertical, que mal se apercebia e que cortava a tela como uma bissetriz, mostrava que eu estava ligado a dois canais: de cada lado dessa linha deveria ser possível ver-se uma imagem — Snow e Sartorius. Mas a tela permanecia escura.
Ambos os meus interlocutores tinham tapado as lentes dos seus aparelhos.
Cada um de nós fez várias experiências. A voz nasalada mostrava ainda a mesma cautela. Houve uma pausa.
— Sugiro que comecemos por fazer uma súmula de tudo o que até agora conseguimos descobrir — continuou Sartorius. — Depois lhes direi a conclusão a que pessoalmente cheguei. Se quiser fazer o favor de começar, Dr. Kelvin...
— Eu?

De repente, senti Rheya a observar-me. Pousei a mão sobre a mesa e fiz rolar o tubo de ensaio para baixo das prateleiras dos instrumentos. Depois sentei num banco, que puxei com o pé. Ia recusar a dar uma opinião, quando, para minha grande surpresa, ouvi-me responder:
— Certo. Ainda não fiz grande coisa, mas posso falar-lhe do que já fiz. Um exame histológico... de certas reações. Micro reações. Tenho a impressão de que... — Não sabia como continuar. De súbito reencontrei o fio da meada e continuei: — Tudo parece normal, mas é apenas uma camuflagem. Um disfarce. Em certo sentido, é uma super-cópia, uma reprodução superior ao original. Já explico o que quero dizer com isto. Existe no homem um limite absoluto, um termo para a divisibilidade estrutural, ao passo que aqui as fronteiras foram afastadas para longe. Estamos perante uma estrutura subatômica.
— Um minuto, espere um minuto! Por favor, seja mais preciso! — interrompeu Sartorius.
Snow nada disse. Seria mesmo o eco da sua respiração rápida aquilo que ouvi?

Rheya fitava-me de novo. Apercebi-me de que, na minha excitação, quase gritara as últimas palavras. Mais calmo, acomodei-me melhor no meu desconfortável poleiro e fechei os olhos. Como poderia ser mais preciso?
— O átomo é o último elemento da constituição do nosso corpo. A hipótese que coloco aqui é que os seres Phí são constituídos por unidades menores ainda que os átomos comuns, muito menores.
— Mésons — disse Sartorius. Não parecia absolutamente nada surpreendido.
— Não... Esses eu teria visto. O poder deste aparelho vai de um décimo a um vigésimo de angstrom, não é? Mas não se consegue ver nada, rigorosamente nada. Logo, não podem ser mésons. É mais provável que sejam neutrinos.
— Como justifica essa teoria? Os aglomerados de neutrinos não são estáveis...
— Não sei. Não sou físico. Talvez um campo magnético possa estabilizá-los. Isso não é da minha área. De qualquer modo, se as minhas observações estiverem corretas, a estrutura é composta por partículas pelo menos dez mil vezes menores que os átomos. Espere um pouco, ainda não acabei! Se as moléculas de albumina e as células fossem constituídas por micro-átomos, seriam proporcionalmente ainda menores. Isto se aplica aos corpúsculos, aos microrganismos, a tudo. Porém, as dimensões são as de estruturas atômicas. Portanto, a albumina, a célula e o núcleo da célula, nada são do que camuflagem. A estrutura real que determina as funções dos visitantes permanece secreta.
— Kelvin!

Snow soltara um grito abafado. Parei, horrorizado. Tinha dito “visitante”.
Rheya não tinha ouvido. Pelo menos, não tinha compreendido. A cabeça apoiada na mão, olhava para fora da janela, o delicado perfil sobressaindo sobre a madrugada cor de púrpura.

Os meus distantes interlocutores permaneciam silenciosos, ouvia-lhes a respiração.
— O que está dizendo tem certo fundamento — murmurou Snow.
— Sim —comentou Sartorius— se não houvesse outro fato a considerar: as partículas hipotéticas de Kelvin nada têm a ver com a estrutura do Oceano. O Oceano é composto de átomos.
— Talvez tenha a capacidade de produzir neutrinos — retorqui.
De repente senti-me farto de todo aquele palavreado. A conversa não tinha interesse e nem mesmo era divertida.
— A hipótese de Kelvin explica esta extraordinária resistência e a velocidade da regeneração — resmungou Snow. — Provavelmente têm também a sua fonte de energia; não carecem de alimento...
— Sou eu quem está aqui a presidir esta conferência — interrompeu Sartorius. O presidente auto-eleito do debate agarrava-se de modo exasperante ao seu papel. — Gostaria de pôr a questão da motivação que há por trás da aparição das criaturas Phi. Apresento-a da seguinte forma: O que são as criaturas Phi? Não são indivíduos autônomos, nem cópias de pessoas reais. São apenas projeções materializadas da nossa mente, baseadas em determinado indivíduo.

Fiquei impressionado com a verdade daquela descrição; Sartorius podia não ser muito simpático, mas também não era nada estúpido.
Juntei-me à conversa.
— Penso que tem razão. A sua definição explica por que aparece determinada pes... criação, e não outra qualquer. A origem da materialização está nas imagens mais duradouras da memória, nas imagens que estão particularmente bem definidas; mas nenhuma imagem pode ser completamente isolada, e, no decurso da reprodução, são absorvidos fragmentos de outras imagens relacionadas. Assim, os recém-chegados revelam por vezes um conhecimento mais extenso do que o do indivíduo de quem são a cópia...
— Kelvin! — gritou Snow mais uma vez.

Só Snow reagia aos meus lapsos; Sartorius não parecia ser afetado por eles. Isto significaria que o visitante de Sartorius era menos perspicaz do que o de Snow? Por um momento imaginei o erudito Sartorius a coabitar com um estúpido anão.

— É certo que isso corresponde ao que temos observado — disse Sartorius. — Consideremos agora a motivação que há por trás das aparições! À primeira vista, é muito natural presumir-se que somos objeto de uma experiência. Mas quando examino essa hipótese, a experiência parece-me muito mal planeada. Quando procedemos a uma experiência, vamos aproveitando os resultados e, principalmente, anotamos com cuidado as deficiências dos métodos que empregamos. Em resultado disso, vamos introduzindo modificações no procedimento subseqüente. Mas no caso de que falamos, não se verificou uma única alteração. As criaturas Phi reaparecem exatamente como eram, em cada pormenor... tão vulneráveis como antes, de cada vez que tentamos... livrar-nos delas...
— Exatamente —interrompi—, uma retração sem mecanismo de compensação, como diria o Dr. Snow. Qual a conclusão?
— Apenas que a tese da experimentação não condiz com esta... esta incrível grosseria. O Oceano é... exato. A estrutura a nível duplo das criaturas Phi atesta essa precisão. Dentro dos limites citados, as criaturas Phi comportam-se do mesmo modo que os verdadeiros... os... hum...
Não sabia como desvencilhar-se.
— Os originais — disse Snow num sussurro.
— Sim, os originais. Mas, quando a situação já não corresponde às faculdades normais do...hum...do original, a criatura Phi sofre uma espécie de “desconexão de consciência”, imediatamente seguida, por manifestações pouco habituais e nada humanas...
— É claro — disse eu — que podemos nos divertir elaborando uma lista de comportamentos dos... dessas criaturas, uma ocupação inteiramente frívola!
— Não estou assim tão certo a respeito disso — protestou Sartorius.

Compreendi subitamente por que me irritava tanto: ele não conversava, ele discursava como se estivesse numa aula do Instituto. Parecia incapaz de se exprimir de qualquer outro modo.
— Chegamos aqui à questão da individualidade — continuou —, do que, tenho absoluta certeza, o Oceano não faz a mínima idéia. Penso que o aspecto... hum... delicado ou chocante da nossa presente situação, está absolutamente fora de sua capacidade de compreensão.
— Pensa que as suas atividades não são premeditadas?
Fiquei um tanto espantado com a opinião de Sartorius, mas, pensando melhor, concluí que não a poderia descartar tão facilmente.
— Não, ao contrário do colega Snow, não creio que haja malícia ou crueldade deliberada...
Snow interrompeu: — Não estou a sugerir que tenha sentimentos humanos; estou apenas tentando encontrar uma explicação para estas contínuas reaparições.
Com o secreto desejo de irritar o pobre Sartorius, disse:
— Talvez estejam ligados a um engenho que se repita infinitamente, sem parar, como um disco...
— Cavalheiros, rogo-lhes que não nos façam perder tempo! Ainda não acabei. Em circunstâncias normais, teria considerado que seria prematuro apresentar um relatório, mesmo provisório, sobre o progresso das minhas pesquisas; contudo, perante a situação dominante, penso que posso falar. Tenho a impressão, somente uma impressão, notem bem, de que a hipótese do Dr. Kelvin não deixa de ter certa validade. Refiro-me à hipótese de uma estrutura de neutrinos... Os nossos conhecimentos nesse campo são puramente teóricos. Não sabíamos se havia qualquer possibilidade de estabilizar tais estruturas. Agora se oferece uma solução claramente definida. Um meio de neutralizar o campo magnético que mantém a estabilidade da estrutura...

Uns instantes antes eu notara na tela, uns lampejos de luz. Apareceu uma faixa de cima a baixo, do lado esquerdo. Vi uma coisa cor-de-rosa afastar-se lentamente da vista. Depois a tampa das lentes deslizou, pondo a tela à vista.
Sartorius lançou um grito de angústia:
— Vai embora! Vai embora!
Vi-lhe as mãos a esvoaçar e a lutar, depois os braços, sempre cobertos pelas mangas da bata de laboratório. Um reluzente disco dourado brilhou por um instante, depois tudo ficou às escuras. Só então me apercebi de que aquele disco dourado era um chapéu de palha...

Respirei fundo.
— Snow?
Uma voz exausta respondeu:
— Sim, Kelvin... — Ao ouvir-lhe a voz, compreendi que me tornara muito seu amigo e que preferia não saber quem, ou o quê, lhe fazia companhia. — Chega por hoje, não acha? — perguntou.
— Concordo. — Antes que ele pudesse desligar, acrescentei apressado: — Ouça, pode vir me ver aqui na sala de operações, ou na minha cabina?
— OK, mas não sei quando poderá ser.
A conferência estava terminada.



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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mostra de filmes de Ficção Científica que marcaram a história do cinema


Até o dia 19/12, acontece a Mostra Ficção Científica, na Biblioteca Viriato Corrêa (Rua Sena Madureira, 298 - Vila Mariana - São Paulo).

ENTRADA GRÁTIS !!

PROGRAMAÇÃO:

Final Fantasy
Final Fantasy: The Spirits Within, Japão/EUA, 2001, 106 min, cor
Direção: Hironobu Sakaguchi

Elenco: Donald Sutherland e Matt McKenzie Em pleno ano de 2065, o caos e destruição rondam a Terra. Um meteoro atingiu o planeta e lançou ao longo de toda a superfície terrestre milhões de aliens, que têm por objetivo extinguir toda a vida do planeta. Cientistas buscam salvar não apenas o planeta Terra mas também a si mesmos. A partir de 14 anos.
Dia 26 de novembro às 16h

O Quinto Elemento
The Fifth Element, EUA, 1997, 126 min, cor
Direção: Luc Besson

Elenco: Com Bruce Willis, Gary Oldman e Milla Jovovich No século XXIII, um taxista de Nova York se envolve em uma aventura na qual tem de deter um ser demoníaco que percorre a galáxia a cada 5000 anos. Para a Terra não ser destruída, ele precisa encontrar 4 pedras que representam os elementos e colocá-las em volta de uma bela mulher, que é o quinto elemento. A partir de 12 anos.
Dia 26 de novembro às 18h

A Guerra dos Mundos (1953)
War of the Worlds, EUA, 1953, 85 min, cor
Direção: Byron Haskin

Elenco: Gene Barry, Les Tremayne e Ann Robinson Os habitantes de uma cidade no sul da Califórnia (EUA) são surpreendidos por uma invasão alienígena. O cientista Dr. Forrester é escalado para investigar o meteorito que atingiu a cidade e descobre que, na verdade, o que caiu na superfície é uma nave vinda de Marte. Livre.
Dia 27 de novembro às 16h

Jornada nas Estrelas – O Filme
Star Trek - The Motion Picture, EUA, 1979, 136 min, cor
Direção: Robert Wise

Elenco: William Shatner e Leonard Nimoy
Quando um identificado alienígena destrói três poderosos navegadores Klingon, o capitão James T. Kirk retorna à U.S.S. Enterprise para assumir o comando da missão que deve deter o alienígena invasor. Livre.
Dia 28 de novembro às 18h

De Volta para o Futuro
Back to the Future, EUA, 1985, 111 min, cor
Direção: Robert Zemeckis

Elenco: Michael J. Fox e Christopher Lloyd Marty McFly embarca na genial loucura de Doc Brown e acaba retornando até 1955, onde encontra seus próprios pais, e muda a história da sua vida. Livre.
Dia 3 de dezembro às 16h

Minority Report – A Nova Lei
Minority Report, EUA, 2002, 148 min, cor
Direção: Steven Spielberg

Elenco: Tom Cruise, Samantha Morton e Colin Farrel Não há crimes em Washington D.C. graças à tecnologia que identifica os assassinos antes que eles cometam seus crimes. Mas quando o chefe da divisão é acusado de um futuro crime, ele tem só 36 horas para provar sua inocência e descobrir quem está tramando contra ele. A partir de 14 anos.
Dia 3 de dezembro às 18h
Dia 18 de dezembro às 16h

Os Thunderbirds
Thunderbirds, EUA, 2004, 94 min, cor
Direção: Jonathan Frakes

Elenco: Bill Paxton, Brady Corbet e Dominic Colenso Alan é um jovem que sempre se sentiu em segundo plano em sua família. Seu pai é um ex-astronauta milionário e lidera a organização Resgate Internacional junto com seus outros filhos. Numa armadilha, a família é capturada e só Alan pode salvá-los. A partir de 10 anos.
Dia 5 de dezembro às 18h

De Volta Para O Futuro II
Back to the Future II, EUA, 1989, 104 min, cor
Direção: Robert Zemeckis

Elenco: Michael J. Fox e Christopher Lloyd No segundo filme, Marty faz mirabolantes passeios entre o futuro e o passado, vai até 2015, e aprende da maneira mais complicada possível como é perigoso tentar mudar o presente. Livre.
Dia 10 de dezembro às 16h

Exterminador do Futuro
The Terminator, EUA, 1985, 107 min, cor
Direção: James Cameron

Elenco: Arnold Schwarzenegger e Linda Hamilton Após muitas guerras, em 2029, a raça humana está em extinção e um cyborg foi desenvolvido e enviado ao passado para mudar a história. Livre.
Dia 10 de dezembro às 18h

Barbarella
Barbarella, EUA, 1968, 98 min, cor
Direção: Roger Vadim

Elenco: Jane Fonda e Ugo Tognazzi
No ano de 40000 as guerras já foram abolidas há muito tempo, mas Barbarella recebe um comunicado do Presidente da Terra, dizendo que uma arma foi inventada e que isto pode perturbar a paz no Universo. Assim, sua missão é evitar que tal mal aconteça. A partir de 14 anos.
Dia 11 de dezembro às 16h

De Volta Para O Futuro III
Back to the Future III, EUA, 1990, 113 min, cor
Direção: Robert Zemeckis

Elenco: Michael J. Fox e Christopher Lloyd O terceiro filme é uma homenagem a todos os filmes de faroeste, com Marty e Doc Brown viajando até 1885 e se metendo nas mais incríveis aventuras, em pleno tempo das diligências. Livre.
Dia 17 de dezembro às 16h

Os 12 Macacos
Twelve Monkeys, EUA, 1995, 129 min, cor
Direção: Terry Gilliam

Elenco: Bruce Willis, Madeleine Stowe e Brad Pitt Um solitário viajante do tempo vindo do ano de 2035 deverá resolver um mistério para salvar seu povo de um vírus letal, encontrando o grupo 12 macacos que está envolvido com este vírus. A partir de 16 anos.
Dia 17 de dezembro às 18h

Metrópolis
Metoroporisu, Japão, 2001, 109 min, cor
Direção: Rintaro

Elenco: Yuka Imoto e Kei Kobayashi
Baseado nos quadrinhos de Osamu Tezuka. No mundo industrial de Metrópolis, Duke Reid é um poderoso líder com planos para construir uma super robô. Mas seu plano corre riscos por causa de seu filho e isso pode destruir o universo. A partir de 14 anos.
Dia 18 de dezembro às 18h

Laranja Mecânica
A Clockwork Orange, Inglaterra, 1963, 137 min, cor
Direção: Stanley Kubrick

Elenco: Malcolm Mcdowell, Patrick Magee e Michael Bates No futuro, Alex, líder de uma gangue de delinquentes, cai nas mãos da polícia e é usado em um experimento destinado a refrear os impulsos destrutivos, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca. A partir de 18 anos.
Dia 19 de dezembro às 18h

Chris Foss




































Site Chris Foss

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

domingo, 21 de novembro de 2010

Anne Rice



Anne Rice, batizada Howard Allen O'Brien, (4 de Outubro de 1941) nasceu em Nova Orleans, Louisiana (EUA) e é autora de inúmeros livros de temática sobrenatural e de terror.

O nome ‘Anne’ foi escolhido por ela mesma, ao entrar na escola (Redemptorist Catholic School). Aos 15 anos perdeu a mãe, que sofria de alcoolismo, e 2 anos depois, sua família (com o pai novamente casado) se mudaria para Richardson, subúrbio de Dallas, Texas, onde conheceu seu futuro marido, o pintor Stan Rice.
Cursou dois anos na Texas Woman's University e já casada e morando na Califórnia, se formou pela San Francisco State em Creative Writing (Escrita criativa).

Os primeiros anos da vida de casada de Rice foram conturbados. Além das muitas dificuldades financeiras enfrentadas pelo jovem casal, sua primeira filha Michele viria a falecer de leucemia.

Neste período ela escreveria um conto "Interview With the Vampire" (1976), como parte de seus estudos, e que logo viria a tornar-se um romance (escrito em uma semana), após receber uma proposta de 12 mil dólares de adiantamento pelo trabalho.

As excepcionais vendas para um autor desconhecido, imediatamente catapultaram o valor de seus próximos contratos para outros livros que explorariam o mesmo universo do primeiro. Recebeu 150 mil dólares por “The Vampire Lestat”, e no auge da fama, 5 milhões de dólares por “The Witching Hour”. A venda dos direitos da saga “Vampire Chronicles”, lhe renderam mais 17 milhões, tornando-a um dos cinco escritores mais bem pagos da America.

Rice foi responsável por cristalizar os vampiros modernos como indivíduos atormentados, com defeitos e sentimentos semelhantes aos seres humanos. A eternidade destes seus vampiros é quase sempre tratada como um fardo indesejado, além de misturar boas doses de sexo e morte.

Rice disse: “Para escrever algo, você tem que correr o risco de fazer papel de bobo.Meu vampiro é brilhante, deslumbrante, quebra regras e ao mesmo tempo é estranho. Vive uma existência em um plano acima do nosso e é muito sedutor. Ele também é alguém capaz de satisfazer todos os seus desejos. Vivemos em um mundo FedEx, chamadas de longa distância e faxes. Podemos nos acordar em Nova York e ir dormir em Paris. Os vampiros são super ampliações de nós mesmos, da maneira como nos sentimos poderosos. Sempre fizeram parte da nossa cultura. Sempre existiram superstições em torno da morte e do sepultamento na Europa Ocidental e da idéia de que um morto possa voltar à vida. Quando você escreve uma história sobre o bem e o mal com um vampiro, você está de volta à Renascença, é uma figura tão poderosa como Deus e o Diabo. O que eu adoro nisso é que meus leitores entendem meus livros. Nós nos assustamos com o que nos torna diferentes.”

Quando “Interview with the Vampire” chegou às telas dos cinemas em 1994, através do diretor Neil Jordan e com Tom Cruise na pele do vampiro Lestat, Rice se disse decepcionada com o resultado e com a escolha do ator. O segundo filme baseado nesta saga, “The Queen of the Damned” (“A Rainha dos Condenados” de 1988), foi além, adaptando livremente passagens do romance homônimo, o que acarretou numa forte descaracterização da trama original.

Após o falecimento de seu marido em 2005, Rice declarou que deixaria de escrever sobre vampiros e bruxas, dedicando-se a uma linha de fantasia histórica religiosa. Seu livro seguinte, “Christ The Lord: Out of Egypt”, é sobre a vida do menino Jesus.

Esta variedade de estilos não é novidade. No passado Rice também escreveu sob pseudônimos (Anne Rampling e A.N.Roquelaure) experimentando outros temas, como seus romances ‘Violino’(1996) e ‘Chore para o Céu’(1982), ambos abordando a música como centro da trama.

Rice, que sofre de diabetes, tem um filho e a irmã, também escritores, e mora hoje em uma mansão luxuosa no meio do deserto da Califórnia, onde coleciona sapatos e se dedica no momento a escrever uma trilogia sobre anjos.

Sobre esta guinada em sua carreira, declarou: “Os romances evoluem, assim como a fé evolui. Nossa jornada espiritual sempre vai nos levar para novos lugares. Nós, escritores, precisamos fazer com que nosso trabalho seja um reflexo de nossas obsessões. Do contrário, nosso trabalho não será bom.“

"The Vampire Lestat" está sendo adaptado para se tornar um musical da Broadway, com canções escritas por Sir Elton John e mais recentemente Rice assinou contrato com a produtora de vídeolivros Vook para uma edição multimídia do seu conto "O senhor de Rampling Gate".

Site oficial

Anne Rice ( A Hora das Bruxas, Entrevista com o vampiro, O vampiro Lestat, A Rainha dos Condenados I e II, A História do ladrão de corpos, Mennoch, Vampiro Armand, Merrick, Sangue e Ouro, A fazenda Blackwood, Cântico de Sangue, Pandora, Vittorio o vampiro, O senhor de Rampling Gate, O servo dos Ossos, Violino, Beauty's release, Belinda, Blood and Gold, Entrevista con el vampiro, Exit to Eden, Interview with the vampire, Julian of Norwich, Lasher, Lestat el vampiro, Mennoch the Devil, Pandora, Queen of the Damned, Servant of the bones, Beauty's punishment, The Claiming of the Sleeping Beauty, The Witching Hour, Taltos, The Mummy, The Tale of Body Thief, The Vampire Lestat, Vampire Armand, Blackwood Farm, Violin, Vittorio ) [ Download ]

sábado, 20 de novembro de 2010

JEDICON 2010 SP


Quem estiver em São Paulo hoje, tem um programa imperdível para o dia.

A 11ª JediCon SP comemora os 30 Anos do “Episódio V – O Império Contra-Ataca” com muitas atrações

O evento anual, organizado  pelo Conselho Jedi São Paulo, irá comemorar os 30 anos do lançamento do segundo filme da Saga Star Wars à ser produzido, “O Império Contra-Ataca” (1980).

O evento será realizado na FAPCOM, localizada na Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana (próximo às estações Ana Rosa e Vila Mariana do Metrô – Linha Azul).

O evento tem como objetivo trazer aos fãs da saga Star Wars a possibilidade de reunir-se com outros fãs, amigos e admiradores, em um dia especial com várias atrações: apresentação da Banda Marcial de Cubatão que tocará temas de Guerra das Estrelas; Caetano Cury – ilustrador e autor das tirinhas do Pança e Caverna do Jedi (site Jovem Nerd); apresentação de luta coreografada pelo grupo Blades (Conselho Jedi São Paulo); palestras, fã filmes, vídeos, bate-papo, concurso de cosplays infantil e adulto, stands com memorabílias (exposição e vendas), presença de fã clubes, como Aliança Star Wars, Senhor dos Anéis, Star Trek, Percy Jackson (Olimpianos), vários lançamentos de livros de ficção e fantasia, com seus autores autografando suas obras durante todo o dia e muito mais.

Durante oito horas de evento, os freqüentadores se reportarão ao universo de Star Wars e se depararão na companhia de vários outros fãs Jedi, Sith, Mandalorianos, Stormtroopers, Clonetroopers e muitos outros personagens que circularão aleatoriamente pelo evento, representados por adultos e crianças.

A Jedicon SP consagrou-se como um evento tradicional no calendário dos fãs e, acima de tudo, é uma oportunidade para comemorar décadas de diversão que a saga de Star Wars proporcionou às diversas gerações de fãs. Diversão que, com certeza, se estenderá por muito mais décadas reunindo ainda mais fãs!

O ingresso pode ser adquirido na entrada do evento e tem um custo de R$ 15,00 (Quinze Reais) + a doação de 1 kg de alimento não perecível, que serão entregues à ACEDEM, instituição que cuida de mais de 50 (cinqüenta) pessoas carentes e necessitadas.

Informações do evento:

JEDICON SP 2010 – Dia 20 de Novembro de 2010
Local: FAPCOM
Endereço: R. Major Maragliano, 191 – Vila Mariana – São Paulo – SP
(Próximo às estações Ana Rosa e Vila Mariana do Metrô – Linha Azul)

Horário: das 10h00 às 18h00

Ingresso: R$ 15,00  (camiseta-ingresso em quantidade limitada) + doação 1 kg de alimento não perecível
Estacionamento no local : R$ 5,00

Como chegar: http://www.fapcom.com.br/fapcom/vestibular/?page_id=77

Mais informações no site http://www.conselhosp.com.br

Solaris - Stanislaw Lem (parte 12)



 A CONFERÊNCIA

Estava deitado de costas, com a cabeça de Rheya apoiada no meu ombro.
A escuridão estava agora habitada. Podia ouvir passos. Algo se amontoava por cima de mim, cada vez mais alto, infinitamente alto. A noite trespassou-me; a noite apoderou-se de mim, envolveu-me e penetrou-me, impalpável, insubstancial.
Transformado em pedra, deixara de respirar.
Como se à distância, ouvia o bater do meu coração.
Reuni todas as forças que me restavam, retesei todos os nervos e esperei pela morte. Continuei à espera... Parecia que ia diminuindo em tamanho, e o céu invisível, sem horizonte, a imensidão sem forma do espaço, sem nuvens, sem estrelas, recuou, expandiu-se e cresceu em meu redor. Tentei arrastar-me para fora da cama, mas não havia cama; sob a cobertura da escuridão, havia apenas o abismo.
Comprimi as mãos sobre a face. Já não tinha dedos nem mãos. Quis gritar...
O quarto pairava numa penumbra azulada, que desenhava os contornos da mobília e das estantes cheias e que a tudo tirava a cor.
A janela estava inundada por uma brancura pérola.
Senti-me alagado em suor.

Olhei para o lado. Rheya olhava para mim.
Levantou a cabeça.
— O braço adormeceu?
Também os seus olhos tinham perdido a cor; sob as negras pestanas, estavam cinzentos, mas luminosos.
— O quê? — As palavras sussurradas tinham-me parecido uma carícia, mesmo antes de lhes perceber o significado. — Não. Ah, sim! — disse por fim.
Pousei a mão sobre o seu ombro; sentia o formigamento nos dedos.
— Teve um sonho ruim? — perguntou.
Apertei-a contra mim com a outra mão.
— Um sonho? Sim, estava sonhando. E você, não dormiu?
— Não sei. Acho que não. Estou apenas sonolenta. Mas que isso não te impeça de dormir... Por que me olha assim?
Fechei os olhos. O seu coração batia de encontro ao meu. O seu coração? “Um simples apêndice”, disse para comigo. Mas já nada me surpreendia, nem mesmo a minha própria indiferença. Ultrapassara as fronteiras do medo e do desespero.
Fora longe — mais longe do que qualquer outro ser humano antes de mim.

Ergui-me sobre o cotovelo.
O romper do dia... será a paz que vem com essa madrugada?
Uma trovoada silenciosa pusera em fogo todo horizonte sem nuvens. Um fio de luz, o primeiro raio de sol azul, penetrou no quarto e desfez-se em reflexos angulosos; houve um ricochetear de centelhas, que fizeram cintilar o espelho, os puxadores das portas, os tubos niquelados. A luz difundiu-se, caindo sobre todas as superfícies polidas, como se quisesse conquistar cada vez mais espaço, quisesse encher todo o quarto de luz.

Olhei para Rheya; as pupilas dos seus olhos cinzentos tinham-se contraído.
Perguntou em voz sem expressão:
— A noite já acabou?
— Aqui as noites nunca duram muito tempo.
— E nós?
— Nós, o quê?
— Vamos ficar aqui muito tempo?
A pergunta, partindo dela, não deixava de ter o seu lado cômico; mas quando falei, a minha voz não tinha traço de divertimento.
— Provavelmente muito tempo. Por quê? Não quer ficar aqui?
Seus olhos nem pestanejaram. Fitava-me de modo inquiridor.
Será que a vi piscar o olho? Não tinha a certeza.
Afastou para trás o cobertor e vi-lhe a pequena cicatriz rósea no braço.
— Por que olha para mim desse jeito?
— Porque é muito linda.
Sorriu, sem traço de maldade, modestamente aceitando o cumprimento.
— Verdade? É como se... como se...
— O quê?
— Como se duvidasse de alguma coisa.
— Besteira!
— Como se não confiasse em mim e eu estivesse escondendo algo de você...
— Tolices!
— Pelo modo como nega, adivinho que tenho razão.

A luz tornou-se cegante. Protegendo os olhos com a mão, procurei os óculos escuros. Estavam na mesa. Quando voltei para junto dela, Rheya sorriu.
— E eu?
Levou-me um minuto a compreender ao que se referia.
— Óculos escuros?
Levantei-me e pus-me à caça, por entre gavetas e prateleiras, afastando livros e instrumentos. Encontrei dois pares de óculos, que dei a Rheya. Eram demasiado grandes; caíam-lhe até quase à ponta do nariz.
As cortinas deslizaram sobre a janela; estava novamente escuro.
Ajudei Rheya a tirar os óculos e pus ambos os pares debaixo da cama.

— Que fazemos agora? — perguntou.
— É noite, dorme!
— Kris...
— Sim?
— Quer uma compressa pra testa?
— Não, obrigado. Obrigado... querida.
Não sei por que acrescentara aquelas duas palavras.

Na escuridão, agarrei seus ombros graciosos. Senti-os estremecer e soube, sem a mínima sombra de dúvida, que tinha Rheya nos braços. Ou antes, naquele momento compreendi que ela não estava a tentar enganar-me; era eu quem estava enganando ela, pois ela acreditava sinceramente que era Rheya.

Depois disso, várias vezes caí no sono, mas todas as vezes, um sobressalto de angústia me fazia acordar. Ofegante, exausto, comprimi-me de encontro a ela; o meu coração foi acalmando gradualmente. Tocou-me de leve nas bochechas e na testa com a ponta dos dedos, para ver se eu estava ou não com febre.
Era Rheya, a verdadeira Rheya, apenas Rheya.
Ocorreu então em mim uma mudança; deixei de lutar e adormeci quase instantaneamente.
Fui acordado por um agradável frescor. A minha cara estava coberta com um pano úmido. Arranquei-o e vi Rheya inclinada sobre mim. Sorria e espremia um segundo pano sobre uma bacia.
— Que sono! — disse ela, pousando-me nova compressa sobre a testa. — Está doente?
— Não.
Franzi a testa; a pele estava novamente flexível.
Rheya estava sentada na beira da cama, o cabelo negro caia sobre a gola de um roupão — um roupão de homem, riscado de laranja e preto e as mangas arregaçadas até ao cotovelo.
Eu estava com uma fome terrível; tinham-se passado pelo menos vinte horas desde a minha última refeição.
Quando Rheya acabou com os tratamentos, levantei-me.
Dois vestidos, pousados nas costas de uma cadeira, atraíram-me o olhar — dois vestidos brancos, absolutamente iguais, ambos decorados com uma fileira de botões encarnados. Eu próprio ajudara Rheya a despir um deles, e, na véspera à noite, reaparecera vestida com o segundo.

Rheya seguiu-me o olhar.
— Tive de cortar com a tesoura pela costura — disse. — Penso que o fecho deve ter-se encravado.
A vista dos dois vestidos iguais encheu-me de um horror que excedia tudo o que até aí sentira. Rheya estava ocupada a arrumar o armário dos remédios.
Voltei-me de costas e mordi os dedos.
Incapaz de tirar os olhos dos dois vestidos, ou antes, do vestido original e do seu duplo, fui até à porta. A torneira do lavatório estava aberta e fazia barulho.
Abri a porta e, deslizando para fora do quarto, fechei cuidadosamente a porta.
Ouvi o ruído da água a correr, o tinir de frascos; depois, de repente, deixei de ouvir qualquer som. Esperei, os maxilares contraídos, as mãos agarradas ao puxador, mas com pouca esperança de o manter fechado.
Quase me foi arrancado das mãos com selvagem sacudidela. Mas a porta não se abriu; abanava e vibrava de cima a baixo.
Espantado, larguei o puxador e recuei.

O painel, de um material plástico qualquer, fez uma bossa para dentro, como se uma pessoa invisível a meu lado tivesse tentado entrar no quarto. A armação de aço foi-se entortando cada vez mais para dentro e a pintura começou a estalar.
De repente compreendi: em vez de empurrar a porta, que abria para fora, Rheya estava tentando abri-la puxando-a para si.
O reflexo do tubo de luz do teto via-se distorcido sobre o painel da porta pintada de branco; houve um estalido ressonante e o painel, forçado para além dos limites, cedeu. Simultaneamente o puxador desapareceu, arrancado do lugar.
Apareceram duas mãos manchadas de sangue, passando pela abertura e sujando de sangue a pintura branca. A porta partiu-se em duas, as metades partidas penderam nas dobradiças.
Primeiro apareceu uma face, mortalmente pálida; depois uma aparição de ar selvagem, vestindo um roupão laranja e preto, atirou-se soluçante contra o meu peito.
Quis escapar, mas era demasiado tarde e estava pregado no lugar.
Rheya respirava de modo convulsivo, a cabeça desgrenhada batendo-me no peito.
Antes que tivesse tempo de envolvê-la com os braços, para segurá-la, Rheya desfaleceu.
Evitando as beiradas denteadas do painel arrebentado, levei-a para o quarto e deitei-a na cama. As pontas dos dedos estavam feridas, as unhas rasgadas. Quando as mãos se voltaram com as palmas para cima, vi que estas estavam golpeadas até ao osso.

Examinei-lhe a face; os olhos vítreos não mostravam sinais de me reconhecer.
— Rheya.
A única resposta foi um gemido inarticulado.
Dirigi-me ao armário dos remédios.
A cama estalou; voltei-me; Rheya sentara-se e olhava espantada para o sangue nas mãos.
— Kris — soluçou. — Eu... eu... o que aconteceu comigo?
— Se feriu ao tentar arrebentar a porta — respondi com secura.
Meus lábios tremiam convulsivamente, e tive de mordê-los para controlá-los.
Os olhos de Rheya examinaram os pedaços do painel que pendiam da armação de aço e voltaram de novo a fixar-me. Fazia o máximo dos esforços para esconder seu horror, mas vi-lhe o queixo que tremia.

Cortei alguns quadrados de gaze, peguei num frasco de pó anti-séptico e voltei para junto da cama. O frasco de vidro fugiu-me das mãos e desfez-se em cacos — mas já não precisava dele.

Levantei uma das mãos de Rheya. As unhas, ainda com traços de sangue seco, tinham voltado a crescer. Havia uma cicatriz rósea no côncavo da palma, mas até essa cicatriz estava a sarar, desaparecia aos olhos.
Sentei-me a seu lado e acariciei-lhe a face, tentando sorrir, mas sem grande sucesso.
— Por que fez aquilo, Rheya?
— Eu fiz... aquilo?
— Sim... Não lembra?
— Não... isto é, vi que não estava aqui, fiquei muito assustada, e...
— E o quê?
— Fui à sua procura. Pensei que talvez estivesse no banheiro...Só então reparei que a porta deslizante que tapava a entrada fora pra trás.
— E depois?
— Corri para a porta.
— E depois disso?
— Não me recordo... Algo deve ter acontecido...
— O quê?
— Não sei.
— Do que se recorda?
— Eu estava aqui sentada, na cama.
Pôs as pernas debaixo da cama, levantou-se e foi até junto da porta despedaçada.
— Kris!
Indo até junto dela, abracei-a pelos ombros; tremia.
De repente voltou-se e sussurrou:
— Kris, Kris...
— Acalma-te!
— Kris, se fui eu... Kris, será que sou epilética?
— Que idéia extraordinária, amor. As portas aqui são bastante especiais...
Saímos do quarto no momento em que a janela de guilhotina subia ruidosamente; o sol azul mergulhava no Oceano.

Conduzi Rheya até à pequena cozinha do outro lado da entrada sob a cúpula. Juntos pilhamos os armários e os frigoríficos. Notei logo que Rheya era pouco melhor do que eu para cozinhar ou mesmo até a abrir latas. Devorei o conteúdo de duas latas e bebi inúmeras canecas de café. Rheya comeu também, mas como comem as crianças quando não têm fome e não querem desagradar aos pais; por outro lado, não forçava, apenas engolia automaticamente o alimento, cheia de indiferença.
Depois da refeição fomos á enfermaria, junto da cabine de rádio.
Tivera uma idéia.

Disse a Rheya que queria lhe fazer um exame médico — um simples check-up—, sentei-a na cadeira mecânica e tirei uma seringa e algumas agulhas do esterilizador. Sabia exatamente onde se encontrava cada um dos objetos; no que dizia respeito ao interior da Estação, durante o meu curso de treino, os instrutores não tinham descuidado de um único pormenor.
Rheya estendeu os dedos; tirei-lhe uma amostra de sangue: esfreguei numa placa, que coloquei no cano de sucção, introduzi-o no tanque de vácuo e bombardeei-o com íons de prata.
O fato de estar executando uma tarefa familiar tinha um efeito calmante, e senti-me melhor. Rheya, recostada nas almofadas da cadeira mecânica, passeava os olhos pelos instrumentos que havia na enfermaria.
O zunido do videofone quebrou o silêncio; levantei o auscultador.
— Kelvin.
Olhei para Rheya; continuava quieta, aparentemente exausta do recente esforço.
Ouvi um suspiro de alívio.
— Finalmente!
Era Snow. Esperei com o auscultador apertado contra a orelha.
— Teve uma visita, não teve?
— Sim.
— Está ocupado?
— Sim.
— Um pequeno exame, hein?
— Suponho que tenha uma sugestão melhor a fazer... talvez uma partida de xadrez?
— Não se ofenda tão fácil, Kelvin! Sartorius quer falar contigo, quer que conversemos os três juntos.
— Muito amável da parte dele! — respondi, espantado. — Mas... — Fiz uma pausa, depois continuei: — Ele está sozinho?
— Não. Não me expliquei devidamente. Ele quer ter uma conversa conosco. Será uma ligação tripla de videofone, mas com as lentes tapadas.
— Sei. Por que ele não falou comigo pessoalmente? Tem medo de mim?
— Muito possívelmente — resmungou Snow. — O que diz?
— Uma conferência. Daqui a uma hora. Certo?
— Ótimo.
Podia ver seu rosto na tela — só ele, mais ou menos do tamanho de uma mão fechada. Por um momento fitou-me atentamente; ouvia-se o estalido da corrente elétrica. Depois disse hesitante:
— Você está bem?
— Menos mal. E você?
— Não tão bem como você, confesso. Posso...?
— Quer vir aqui?
Olhei para Rheya por cima do ombro. Estava recostada para trás, as pernas cruzadas, a cabeça inclinada. Com ar moroso, brincava mecanicamente com a pequena bola niquelada que havia na extremidade de uma corrente fixada ao apoio do braço.
Snow gritou:
— Para com isso, ouviu? Já disse para parar!
Podia ver o seu perfil na tela, mas não conseguia ouví-lo, apesar de seus lábios continuarem a se mexer — pusera a mão sobre o microfone.
— Não, não posso ir — disse, apressadamente. — Talvez mais tarde; de qualquer modo, entrarei em contato daqui à uma hora.
A tela apagou-se; voltei a pôr o auscultador no descanso.
— Quem era? — perguntou Rheya com indiferença.
— Snow, um cibernético. Você não o conhece.
— Isto ainda vai durar muito?
— Está aborrecida?
Pûs no microscópio de nêutrons a primeira de uma série de lâminas e, um após outra, pressionei os interruptores de diferentes cores; os campos magnéticos zumbiam com um ruído surdo.
— Não tenho nada a fazer, se a minha humilde companhia não lhe agrada...
Ia falando distraidamente, com longos intervalos entre as palavras.
Puxei para mim o grande capelo preto que havia em volta do óculo do microscópio e apoiei a testa contra o visor de espuma de borracha elástica. Ouvia a voz de Rheya, mas sem prestar atenção ao que dizia. Sob o meu olhar, em medidas fortemente reduzidas, havia um vasto deserto, banhado de luz prateada, salpicado de seixos arredondados — corpúsculos vermelhos—, que estremeciam e se contorciam sob um velo de neblina. Foquei o óculo e penetrei mais ainda nas profundezas da prateada paisagem.
Sem retirar os olhos do visor, rodei o regulador; quando um seixo, um único corpúsculo, se isolou e apareceu na junção dos fios de demarcação, aumentei a imagem. Aparentemente, as lentes tinham apanhado um eritrócito deformado, com uma depressão no centro, cujas margens irregulares projetavam agudas sombras sobre as profundezas de uma cratera circular. A cratera, eriçada de depósitos de íons de prata, estendia-se para além do campo de visão do microscópio. Os nebulosos contornos de fios de albumina, distorcidos e atrofiados, apareciam por entre um líquido opalescente. Sob os fios da lente, uma minhoca de albumina contorceu-se e virou-se ao contrário. Gradualmente, fui aumentando. A qualquer instante agora deveria estar a atingir o limite desta exploração das profundezas; a sombra de uma molécula ocupou todo o espaço; depois a imagem ficou indistinta.
Não havia nada para ver.
Deveria haver a efervescência de uma agitada nuvem de átomos, mas nada se via.
Uma luz ofuscante encheu a tela, que estava impecavelmente límpida.
Puxei a alavanca para o máximo.
O ruído irado e sibilante aumentou, mas a tela permaneceu vazia.
Soou um sinal de alarme e foi novamente repetido; o circuito estava com sobrecarga. Lancei um último olhar ao deserto prateado e desliguei.

Olhei para Rheya.
Estava no meio de um bocejo, que, cheia de perícia, transformou em sorriso.
— Como estou de saúde? — perguntou.
— Excelente. Não podia estar melhor.

Continuei a olhar para ela, e mais uma vez senti como se algo me fizesse cócegas nos lábios. O que acontecera exatamente? O que significava aquilo? Aquele corpo, frágil e fraco na aparência, mas indestrutível na realidade, seria efetivamente feito de nada?
Dei um murro no cilindro do microscópio.
O instrumento estaria avariado? Não, sabia que estava a funcionar perfeitamente. Seguira escrupulosamente o procedimento; primeiro as células, depois a albumina, depois as moléculas; e tudo estava exatamente como me acostumara a ver ao examinar milhares de amostras.
Mas o passo final, o ponto crucial do caso, não me levara a parte nenhuma.
Pus uma atadura no braço de Rheya, tirei um pouco de sangue de uma veia intermediária e transferi-o para um copo graduado; depois dividi-o por vários tubos de ensaio e comecei as análises. Estas levaram mais tempo que o normal; eu estava muito destreinado.
As reações eram normais, todas elas.
Deixei cair um pouco de ácido congelado sobre uma gota de sangue que parecia uma pérola de coral. O sangue tornou-se cinzento e uma espuma suja veio à superfície. Desintegração, decomposição, cada vez mais rápida!
Voltei-me para pegar outro tubo de ensaio; quando olhei de novo para a experiência, quase deixei cair o delgado tubo.Sob a película de espuma suja estava a formar-se novo coral. O sangue, destruído pelo ácido, recriava-se novamente.
Era uma loucura, era impossível!



Solaris - Stanislaw Lem (parte 12) [ Download ]