terça-feira, 8 de março de 2011

Ficção científica como uma Igreja (2/5) - Thomas M. Disch



[Ler 1/5]

Isso não esgota o paralelo entre FC e religião. É quase tão longe quanto fui em Minneapolis, e não fui bem recebido. Mas desde então, ao longo dos anos, tenho pensado sobre todas as formas de natureza religiosa do fandom de FC, e suas convenções, como uma coisa boa, especialmente se você não tem outra religião.
Se você pensar sobre alguns dos propósitos para os quais as religiões servem às pessoas, e pensar em como a FC pode servir a alguns propósitos, existe sim bastante coisa em comum.

O lado óbvio é o da vida social. Certamente quando metodistas se reúnem e decidem assar bolos e vendê-los uns aos outros, e depois sentar-se e comê-los, eles não estão realmente pensando sobre a salvação neste momento. Eles estão desfrutando do café e dos bolos com seus amigos

E é bom ter ocasiões para se reunir e tomar um café com bolo, mesmo se você for Presbiteriano, Unitarista ou fã de FC.

Depois há a questão da peregrinação. No caminho até Leeds percebi que era abril e percebi que eu estava presente em uma peregrinação. Dez quilômetros de interminável congestionamento na M1. Peregrinos, todos nós. E como diria Chaucer (escritor medieval inglês) um dos propósitos de fazer uma peregrinação não é chegar lá, mas sim trocar histórias ao longo do caminho.

Depois há o aspecto que os teólogos chamam de Ágape, ou comunhão, ou como era praticada pelos romanos, as orgias de embriaguez. Este é um aspecto importante da religião. As pessoas que lêem sobre história da religião, sabem que não há um só registro que não cite estes intervalos periódicos durante o ano, em que as pessoas precisam relaxar um pouco. E assim nós temos os feriados.

Há também o aspecto nacionalista da religião. Hoje em dia é considerado quase cafona, e nem me lembro que pertencemos a nações, mas gostando disso ou não, a nacionalidade é uma das principais formas de se classificar pessoas em grupos. No decorrer das vezes em que estive em convenções na Inglaterra (um vez estive em Bristol, e outra em Buxton) vi uma enorme quantidade de ingleses que não tinha visto antes em outra parte. E eu ficava pensando: ‘Bem, sou um turista’.

Mas se você fosse inglês, veria o mesmo e não pensaria em si mesmo como um turista. Religiões e o sistema de peregrinação fornecem maneiras de você começar a conhecer a sua nação, por assim dizer, através da experiência direta. Você visita outras cidades e você vê do que eles gostam e você vive lá algum tempo. Com pessoas convergindo de toda a sua nação, você se mistura e ouve sotaques engraçados e pede para que repitam até você poder entender o que estão dizendo. Depois de algum tempo, você tem realmente um sentido de grupo social maior. Como uma força unificadora social, uma das funções da religião sempre foi torná-lo consciente do grupo maior ao qual pertence.

Essas são coisas realmente boas sobre o sistema de convenções de FC. 


Ficção científica como uma Igreja (3/5)