quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Prototipagem, FC e o Projeto Amanhã

Science Fiction Prototyping (SFP) é uma metodologia emergente que utiliza o processo de escrita baseada em ficção científica para explorar como as descobertas científicas e tecnologias podem afetar a vida de seres humanos no futuro.





Um exemplo de SFP é o Projeto Amanhã (Tomorrow Project), uma iniciativa patrocinada pela Intel, para investigar as implicações do avanço tecnológico sobre nossas vidas e o planeta.

"Este é um momento único na história. Ciência e tecnologia progrediram a um ponto que o que construímos é apenas restringido pelos limites de nossa própria imaginação. O futuro não é somente um ponto fixo na frente de nós, impotentes para alterá-lo. O futuro é construído todos os dias pelas ações das pessoas. Cabe a todos nós sermos participantes ativos no futuro." é o que prega o futurista Brian David Johnson da Intel.

O Projeto Amanhã fomenta discussões com artistas da música, filósofos, escritores e cientistas, para obter suas visões para o mundo que está vindo e o mundo que eles gostariam de construir.

Um dos frutos desta iniciativa foi o livro 'The Tomorrow Project'. Quatro autores best-sellers da ficção científica, Douglas Rushkoff, Ray Hammond, Scarlett Thomas e Markus Heitz, criaram contos sobre a tecnologia de amanhã.

O livro está disponível para download, incluindo uma introdução escrita por Brian David Johnson.




Todas as quatro histórias nesta coleção são baseadas em tecnologias que Intel está atualmente desenvolvendo em seus laboratórios.

Cada história é única em sua própria visão e interpretação da vida no futuro, mas cada uma delas capta o drama humano futuro. A tecnologia é simplesmente uma parte do drama.

Scarlett Thomas nos dá um retrato de uma família em um mundo que é familiar ainda que engenhoso em suas conexões tecnológicas.
Markus Heitz traz um conto fascinante de alerta, sobre colocar nossos desejos humanos e a nossa capacidade de construir um futuro em que não vamos querer viver.
Douglas Rushkoff nos fala sobre último dia de trabalho do Dr.Spiegel de Leon, literalmente, o último dia de trabalho do homem. Um desafio do que significa ser humano.
E finalmente Ray Hammond nos coloca em uma corrida para salvar a vida de um ente querido. É uma corrida que é auxiliada e prejudicada por uma complexidade de dispositivos, sensores e conexões.

Estas histórias mostram-nos que, em última análise as histórias do nosso futuro não são sobre tecnologia, megatendências ou previsões, mas que o futuro é sobre as pessoas.



terça-feira, 30 de agosto de 2011

The Future is Here










segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sci-fi-o-rama














domingo, 28 de agosto de 2011

O Nostromo



























sábado, 27 de agosto de 2011

O Oitavo Passageiro - Alan Dean Foster (Parte 3)


II


Embora aquém do confortável, a sala comum era suficientemente ampla para reunir toda a tripulação. Uma vez que raramente comiam juntos as suas refeições (o cozinheiro automático, sempre funcional, encorajava indiretamente o individualismo em matéria de hábitos de comer), a sala não fora projetada tendo em vista sentar sete pessoas confortavelmente.

Parker e Brett estavam aborrecidos e não faziam esforço para escondê-lo. Seu único consolo era saber que nada havia de errado com as máquinas. Se haviam sido despertados para enfrentar uma emergência, esta nada tinha a ver com a engenharia. Saná-la caberia aos outros.

Ripley já comunicara a todos a desconcertante ausência do seu porto de destino.
Parker imaginou que teriam de reentrar no hipersono, processo que, além de tudo, era nojento e desconfortável. Praguejou entre dentes. Tinha ódio de tudo que atrasasse o recebimento do seu cheque de fim de viagem.

— Sabemos que não chegamos ao Sol, capitão. Kane falava por todos. Os outros olhavam expectantes para Dallas.
— Não estamos nem remotamente perto de casa. E, apesar disso, a nave houve por bem despertar-nos. Já era tempo de sabermos por quê.
— Sim, já era tempo — apressou-se em dizer Dallas. — Como sabem — continuou, dando-se uma certa importância —, como sabem, a Mãe está programada para interromper nossa viagem e arrancar-nos ao hipersono se determinadas circunstâncias sobrevierem...
Fez uma pausa, para maior efeito. Disse:
— Pois foi o que aconteceu.
— Terá de ser coisa muito séria — disse Lambert, enquanto com o rabo do olho via Jones brincar com um dos pisca-piscas de alerta. — Você sabe disso. Tirar uma tripulação inteira do hipersono não é coisa de somenos. Há sempre certo risco na operação...
— Grande novidade — resmungou Parker, mas tão indistintamente, que só Brett podia ouvi-lo.
— Todos ficarão felizes em saber — continuou Dallas — que a emergência que temos de enfrentar, que fomos acordados para enfrentar, não diz respeito à astronave. A Mãe diz que o Nostromo está em perfeitas condições.
Dois 'améns' de alívio soaram no recinto apertado.

— A emergência jaz em outro lugar, especificamente no sistema desconhecido, não mapeado, em que entramos há pouco. Devemos estar rumando para o planeta em causa nesse exato momento.
Olhou de relance para Ash, que o recompensou com um aceno confirmatório de cabeça.
— Captamos uma transmissão de alguma outra fonte. Estava mutilada e, aparentemente, a Mãe levou algum tempo para decifrá-la. Mas era, sem dúvida nenhuma, um sinal de perigo.
— Mas isso não faz sentido!
Lambert também parecia perplexa.
— De todos os sinais do código, os de perigo e socorro são os mais claros e os menos complexos. Por que a Mãe teria trabalho para interceptar um deles?
— A Mãe entende que não se trata de um sinal 'do código'. É uma espécie de sinal direcional, acústico, repetido a intervalos regulares de doze segundos. Isso, pelo menos, não é incomum. Todavia, ela não acredita que tenha origem humana.
Esse último dado provocou um murmúrio geral de espanto.
Quando a primeira excitação passou, ele explicou um pouco mais:
— A Mãe não está muito certa do que diz. E isso é algo que me escapa. Nunca vi um computador demonstrar confusão antes. Ignorância, sim. Mas não confusão. Pode bem ser um primeiro caso, histórico.
— O que importa é que ela está tão segura de tratar-se de um sinal de perigo que julgou necessário despertar-nos.
— E daí? — Brett dava a impressão de nada ter a ver com a história.
Kane respondeu-lhe com uma ponta de irritação.
— Vamos, homem. Você conhece seu manual. Estamos obrigados pela seção B 2 das normas de viagem da Companhia a dar a assistência de que formos capazes em situações dessas. Seja humano ou não o pedido.
Parker chutou o chão, de raiva:
— Cristo! Detesto dizer isso, mas nós somos um rebocador comercial com uma carga muito grande e difícil de manusear. Não somos nenhuma unidade de salvamento. Essa espécie de dever não consta do nosso contrato.
Animou-se um pouco, a essa altura, e acrescentou:
— Naturalmente, a coisa muda de figura se houver algum dinheiro extra num trabalho desses...
— Você faria melhor se relesse o seu contrato — recitou Ash, com uma precisão digna do computador de que tanto ele se orgulhava: — Qualquer transmissão sistemática que indique origem inteligente deve ser investigada. Qualquer negligência é punida com a perda de salários e bônus devidos ao fim da viagem. E não consta que haja prêmios pela ajuda prestada a alguém em perigo.

Parker deu um segundo chute no piso da nave, mas ficou de bico calado. Nem ele nem Brett tinham vocação heróica. Qualquer que fosse a coisa capaz de forçar uma nave a descer num mundo desconhecido, tratá-los-ia igualmente com desconsideração. Não que tivessem qualquer prova de que o emissor do sinal tivesse sido forçado a descer. Mas sendo um realista num universo hostil, Parker tendia naturalmente ao pessimismo.
Brett encarava simplesmente a volta em termos de atraso no seu pagamento.

— Nós vamos descer. Não há alternativa — Dallas encarou Brett e Parker, um depois do outro. Estava farto dos dois. Também ele não via com prazer esse desvio da rota, e estava tão ansioso quanto eles em chegar e descarregar. Mas havia momentos em que a manifestação de desagrado raiava pela desobediência.
— Certo — disse Brett, sardonicamente.
— Certo, o quê?
O técnico não era nenhum imbecil. A combinação do tom de voz de Dallas com a expressão do seu rosto indicavam lhe que era tempo de ceder.
— Certo que devemos descer — disse. E como Dallas continuasse a fixá-lo duramente, acrescentou: — Senhor.
O capitão lançou também um olhar envenenado a Parker, mas essa estimável figura já estava domada.
— Podemos descer? — perguntou a Ash.
— Alguém desceu antes de nós.
— Mas é isso o que me inquieta — disse Dallas. — Descer é um termo inócuo. Implica uma seqüência de operações levadas a cabo com sucesso e resultando no pouso, sem choque nem risco, de uma nave numa superfície dura. Estamos, porém, em face de um pedido de socorro. Isso implica eventos nada benignos. Vamos descobrir o que se passa, mas com cuidado, pisando em ovos...

Havia um mapa iluminado na ponte.
Dallas, Kane, e Ash postaram-se em pontos cardeais opostos, enquanto Lambert sentava-se na sua estação.
— Aí está ele — disse Dallas, mostrando um ponto brilhante na superfície da carta de mesa. — E há uma coisa que quero que todos escutem.
Eles retomaram seus lugares e ele deu um sinal a Lambert. Os dedos dela pousaram numa chave específica.
— Muito bem. Ouçamos. Observem o volume.
A navegadora torceu a chave. Assobios e estática encheram o salão. Mas tudo clareou de repente, e ficou um único som, que deu arrepios na espinha de Kane. Para Ripley foi como se seres nojentos lhe passassem pelo corpo.
Durou doze segundos. Depois, voltou a estática.
— Deus todo poderoso! — exclamou Kane. Sua expressão era de abatimento.
Lambert desligou os alto-falantes. A ponte se fez de súbito humana outra vez.
— Que diabo poderá ser isso? — Ripley mostrava uma expressão curiosa, como se tivesse visto um bicho morto no seu prato de comida. — Não se parece a qualquer sinal de perigo que eu tenha jamais ouvido.
— Mas é assim que a Mãe o chama — informou Dallas. — Chamá-lo de 'alienígena' parece ter sido mais uma tentativa de minimizar sua importância, e não qualquer espécie de ironia por parte da Mãe.
— Talvez seja uma voz...
Lambert interrompeu a frase, considerou-a, achou suas implicações desagradáveis e procurou fingir que não tinha dito nada.
— Em breve saberemos. Você já dirigiu a nave para lá?
— Já localizei a seção do planeta de onde provém o sinal — disse Lambert virando-se com alívio para o seu console. Alegrava-a ter de ocupar-se de matemática, conjurando pensamentos inquietantes.
— Estamos perto.
— A Mãe não nos teria acordado se não estivéssemos — murmurou Ripley.
— Vem de ascensão seis minutos e vinte segundos, declinação menos vinte e nove graus, dois segundos.
— Mostre-me isso na tela.
A navegadora fez funcionar uma sucessão de botões. Um dos painéis tremeluziu, depois ofereceu-lhes um ponto brilhante.
— Alta incidência de luz refletida. Poderíamos chegar um pouco mais perto?
— Não. Vai ser preciso observar a coisa a essa distância. É o que eu, aliás, vou fazer.
Imediatamente, a tela foi posta em zoom e revelou uma forma oblonga, pouco espetacular, pousada no vazio.
— Você é uma filha da puta! — exclamou Dallas sem malícia. — Tem certeza de que se trata disso? Olha que é um sistema apinhado.
— É isso sim, pode estar seguro. Um simples planetóide, na verdade. Talvez tenha uns mil e duzentos quilômetros, mas não mais.
— Rotação?
— Sim. De umas duas horas, descontados os algarismos iniciais.
— Isso basta, por ora. Qual é a gravidade?
Lambert estudou diversas leituras.
— Ponto oito seis. Deve ser um troço muito denso.
— Não conte a Parker e Brett — disse Ripley. — Podem pensar que é metal pesado e sólido e iniciar uma prospecção em algum canto antes que tenhamos tempo de identificar o nosso transmissor...
O comentário de Ash foi mais prosaico:
— É possível andar em cima dele.
E puseram-se a calcular como melhor entrar em órbita...

O Nostromo aproximou-se do minúsculo mundo, puxando a reboque sua vasta carga de tanques e equipamento de refino.

— Aproximando-nos do apogeu, Mark. Vinte segundos. Dezenove. Dezoito...
E Lambert continuou a contagem regressiva enquanto seus colegas se atarefavam à sua volta.
— Dar uma guinada de noventa e dois graus para estibordo...
Na vastidão do espaço, rebocador e refinaria regiraram, numa pirueta maciça. Acendeu-se uma luz na popa do rebocador e o seu motor secundário inflamou-se por um momento.
— Órbita equatorial no papo — anunciou Ash.
Abaixo deles o mundo em miniatura girava indiferente.
— Dê-me uma leitura de pressão.
Ash examinou instrumentos e falou, sem voltar-se para encarar Dallas:
— Três ponto quatro cinco em corte em redondo... aproximadamente cinco psia, capitão.
— Avise se mudar.
— O senhor teme que uma manipulação redundante possa desarranjar o controle CMGS quando estivermos ocupados com outra coisa?
— Isso.
— O controle CMG fica neutralizado via DAS/DCS. Podemos aumentar com TACS e controlar através de ATMDC e computador. Mais aliviado?
— Muito mais.

Ash era engraçado. Frio como amigo, mas extremamente competente. Nada o perturbava. Dallas sentiu-se confiante, com o oficial de ciência secundando-lhe as decisões, vendo-o operar.
— Preparar para desengajar da plataforma.
Virou uma chave e falou para um pequeno pick-up:
— Engenharia, preparar para desengajar.
— L alinhado com o porto e estibordo verde — informou Parker, sem sombra do habitual sarcasmo.
— Verde para o desligamento do umbilicus espinhal, acrescentou Brett.
— Cruzando o terminal — informou Lambert, para conhecimento de todos. — Estamos entrando no lado escuro.
Abaixo deles, uma linha cortava espessas nuvens. Metade ficava na luz, a outra metade era escura como o fundo de uma sepultura.
— Está se aproximando, está se aproximando. Atenção. — Lambert manejou vários comutadores em sucessão. — Atenção. Quinze segundos, dez... cinco... quatro. Três. Dois. Um. Agora.
— Desengajar — ordenou Dallas, secamente.
Minúsculas baforadas de gás apareceram entre o Nostromo e a vasta massa da plataforma de refinaria. As duas estruturas artificiais, uma pequena e habitada, a outra enorme e deserta, afastaram-se lentamente. Dallas observou a separação atentamente na tela número dois.

— Tudo claro com umbilicus — anunciou Ripley depois de uma curta pausa.
— Precessão corrigida — disse Kane. E recostou-se na sua cadeira, descansando por um momento. — Tudo bem. Separação efetuada com êxito. Nenhum dano.
— Confere — disse Lambert.
— Confere — acrescentou Ripley, aliviada.
Dallas olhou de relance a navegadora.
— Tem certeza de que ela ficou numa órbita segura? Não quero ver aqueles dois bilhões de toneladas caírem e arderem enquanto investigamos lá embaixo. A atmosfera não é bastante densa aqui para funcionar como uma cobertura de proteção.
Lambert estudou uma leitura:

— A refinaria está segura em órbita por um ano ou dois. Fácil.
— Excelente. O dinheiro está seguro e seguros estamos nós também. Vamos descer. Preparar para vôo atmosférico.
Cinco humanos se puseram a trabalhar, cada um na sua tarefa específica. Jones, o gato, entronisado num console de bombordo, estudava as nuvens que se aproximavam.
— Caindo.
Lambert tinha a atenção fixa num determinado instrumento.
— Cinqüenta mil metros. Caindo. Caindo. Quarenta e nove mil. Entrando na atmosfera.
Dallas estudava seu próprio painel de instrumentos, procurava avaliar e memorizar as dúzias de algarismos em mutação incessante. Viajar pelo espaço consistia nisso: em honrar os próprios instrumentos e deixar que a Mãe fizesse o trabalho pesado. Mas vôo na atmosfera era outra coisa, inteiramente. Era tarefa para piloto e não para máquinas. Para variar.
Nuvens marrons e cor de chumbo roçavam pelo fundo da nave.

— Cuidado. As condições parecem difíceis, lá embaixo.

Típico Dallas, pensou Ripley. Em algum lugar, naquele inferno pardacento e oco, outra nave continuava a soltar seu lamento, regular, inumano, assustador. O próprio mundo em que estavam era desconhecido, o que significava que tinham de começar da estaca zero em matéria de peculiaridades atmosféricas, terreno, coisas assim. Mas para Dallas tais condições eram apenas 'difíceis'. Ripley muitas vezes perguntava a si mesma que diabo um homem tão competente quanto o capitão fazia em volta do cosmos a bordo de um rebocador sem importância como o Nostromo.
A resposta, se ela pudesse ler a sua mente, ter-lhe-ia causado surpresa: Dallas gostava daquela vida.

— Descida vertical computada e anotada. Corrigindo o curso ligeiramente — informou Lambert. — Curso correto, agora. Estamos chegando.
— E como o nosso planejamento se ajustará à propulsão secundária com um tempo desses?
— Estamos indo muito bem até agora, capitão. Não posso ter certeza até que atravessemos essas nuvens. Se é que vamos poder atravessá-las.
— Satisfatório,
Dallas franziu a testa a uma leitura; apertou um botão. A leitura melhorou.
— Avise-me se achar que vamos errar.
— Muito bem.

O rebocador chocou-se contra algo invisível. Invisível ao olho, não aos seus instrumentos. A nave saltou uma, duas, três vezes, depois acomodou-se mais confortavelmente na grossa camada de nuvens escuras.
A relativa facilidade da entrada era um tributo à habilidade de Lambert como estrategista e de Dallas como piloto.

Mas não durou.
Dentro do oceano do ar, fortes correntes redemoinhavam começaram a açoitar a nave que descia.



O Oitavo Passageiro - Alan Dean Foster (Parte 3) [ Download ]


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Psychedelic Machines


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011