domingo, 12 de agosto de 2007

‘The physics of Star Trek’ - Lawrence Krauss



'The physics of Star Trek' - Lawrence Krauss ( Download )

‘I am Legend’ - Richard Matheson



















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‘A guerra dos mundos’ - H.G.Wells




















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‘The death of grass’ - John Christopher





















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‘R.U.R.’ - Joseph e Karel Capek











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‘Flatland’ - Edwin Abott













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A Ficção Científica séria está morta ?

Para aqueles de nós que se importam com isso (e não, nós não moramos nos porões das casas dos nossos pais), o futuro do futurismo é de fato uma questão urgente. A ficção científica está prosperando em meio à pirotecnia dos efeitos especiais, ou ela está sofrendo uma morte lenta e abominável, sufocada pelo pensamento grupal da indústria de publicidade e pelos executivos sem imaginação do setor, que só desejam fazer continuações de filmes de sucesso?Falo na posição de um fã que tem opiniões sobre o assunto - como se houvesse outro tipo de fã - e que atestou a perfeita saúde e o futuro brilhante da ficção especulativa do século 21. Estou menos preocupado com o lançamento neste mês do filme “Transformers: O Filme” (”Transformers: The Movie”, EUA, 2007) com os seus colossais robôs alienígenas e elenco brilhante, do que com uma preponderante mudança cultural que parece tomar conta das fronteiras narrativas expansíveis da ficção científica. Não estou sequer levando em conta os recentes sucessos do gênero na televisão (”Battlestar Galactica”, “Heroes”, “The 4400″, “Lost”) ou a dominação mundial nos jogos (você escolhe).“A coisa atualmente está por toda parte.


Todos estão expostos a isso - a ficção científica está muito mais respeitável do que costumava ser”, afirma David Wellington, um autor de obras de ficção científica e terror (”Monster Island”, “Thirteen Bullets”) e aficionado que se recorda dos velhos e maus tempos vividos pelo gênero. “Na década de 1980, quando eu era um grande fã de ficção científica, o gênero era bastante marginalizado. E nós sempre reclamamos desse fato: ‘Por que é que as outras pessoa não conseguem entender por que gostamos tanto deste tipo de coisa?’”.Wellington é um dentre vários devotos que, ao contar com uma chance de se manifestar, expressa entusiasmo, bem como ceticismo, pelo atual estado do gênero. Muita gente encara com cautela o cenário que há pela frente, temendo um panorama pós-apocalíptico matizado pelos gráficos da parafernália computacional e a força bruta do gosto do cidadão comum. Alguns vêem a ficção científica se fragmentando. Outros dizem que ela prospera.Mas os fãs chegam a um consenso - quer dizer, mais ou menos - com relação a algumas questões-chave. Uma delas é o fato de as estórias de fantasia, outrora parte do universo da ficção científica, gozarem atualmente de um enorme sucesso no seu próprio e espaçoso nicho. A segunda é que as indústrias de cinema e as editoras deveriam assumir maiores riscos artísticos. A terceira: “Blade Runner: O Caçador de Andróides” (”Blade Runner”, EUA, 1982) é ótimo. Quarta: “O Labirinto do Fauno” (”El Laberinto del Fauno”, México/Espanha/EUA, 2006) e “Filhos da Esperança” (”Children of Men , EUA/Inglaterra, 2006) também são excepcionais.Um quinto ponto, expresso com diversos graus de desapontamento e irritação, é que os avanços na tecnologia digital têm proporcionado espetáculos visuais que nem sempre satisfazem a mente ou o coração. “Sob um ponto de vista visual, nunca houve um período melhor na história dos filmes de ficção científica”, afirma Dave Dorman, um pintor de cenários de filmes de fantasia e de ficção científica com sede na Flórida, e mais conhecido pelo seu trabalho nos filmes da série “Guerra nas Estrelas”.

“Por outro lado, penso que a criação de roteiros de ficção científica não está à altura da qualidade observada nas décadas de 1940, 1950 e 1960″.Craig Elliott, um animador da Disney (”Planeta do Tesouro”/”Treasure Planet”, EUA, 2002) e da DreamWorks (” The Princess and the Frog”, que deverá ser lançado em 2009), resume a questão de forma ainda mais sucinta: “Atualmente existe muita ostentação nas telas”.Na área de publicações, a ficção científica contemporânea se fragmentou em um zilhão de pequenos sub-enredos, que vão deste às estórias alternativas até à ópera especial de conteúdo para adultos, à fantasia urbana, séries de cinema e TV, o ciberpunk e o expansor de fronteiras “New Weird” (algo como “Nova Bizarrice”).Chame-a do que quiser, mas a boa ficção científica pode ser cósmica ou minimalista, voltada para fora ou para o interior.

Ela se expande e se contrai, empurrando a humanidade para os recantos mais distantes do espaço ou reduzindo-a a cinzas. Desde o início, ela nunca se referiu realmente aos alienígenas com cara de borracha. O romance “Flatland: A Romance of Many Dimensions by a Square”, escrito em 1884 por Edwin A. Abbott e adaptado várias vezes para a tela, é uma estória passada em um mundo bidimensional que critica as distinções vitorianas de classe. Tanto H.G.Wells quanto Júlio Verne injetaram o ácido da sátira nas suas obras folhetinescas de ficção científica, e até mesmo a esquisitice fora de moda que é “R.U.R.” (ou, em inglês, Rossum’s Universal Robots”, a peça que gerou o termo) de Karel Capek revelava mais preocupação com a consciência e os direitos civis do que com a construção de trabalhadores humanóides.Nós assistimos a Metrópolis” (”Metropolis”, Alemanha, 1927) para ver o andróide sexy ou devido aos paralelos marxistas contidos no filme? E “O Dia em que a Terra Parou” (” The Day the Earth Stood Still”, EUA, 1951) diz repeito a um cara fantasiado de lata de sopa ou a um mundo à beira da auto-destruição? A ficção científica é capaz de proporcionar imagens de uma humanidade livre da pobreza, do racismo e dos horrores da guerra (vejam as primeiras duas séries de “Jornada nas Estrelas”) ou devastada pela violência em uma terra arrasada pós-nuclear (os filmes “Mad Max” de um a três). Você pode se sentir bem ou deprimido, dependendo do seu estado de espírito.

Ultimamente, muita gente tem se sentido deprimida. Nos últimos anos as narrativas distópicas cresceram em popularidade, profetizando amanhãs arrasados pelo terrorismo (”V de Vingança”/”V for Vendetta”, EUA/Alemanha, 2006), germes zumbis (”Extermínio”;” 28 Days Later”, Inglaterra, 2003; “Extermínio 2″/” 28 Weeks Later”, EUA, 2007) e infertilidade (”Filhos da Esperança”). A trama de todos esses três filmes passa-se em Londres, a nova voga no que diz repeito ao pessimismo cinzento.




Na ficção literária, “Never Let Me Go”, de Kazuo Ishiguro, transferiu a distopia para a zona rural inglesa. Margaret Atwood deu a ela uma dimensão nacional (”The Handmaid’s Tale”, “Oryx and Crake”), enquanto Cormac McCarthy foi ainda mais longe com “The Road”. Nem todos consideram ficção científica o seu romance ganhador do Prêmio Pulitzer, mas é exatamente isto que ele é: um homem e um garoto caminham com dificuldade pela fuligem de uma terra arrasada.



A profissional de marketing e editora de ficção científica e fantasia Colleen Lindsay elogia bastante o livro de McCarthy, mas mostra-se irritada devido à sensação de que ele não é nenhuma novidade. “Trata-se de uma fantasia pós-apocalíptica para pessoas que não lêem fantasias. Vejam ‘The Postman’, de David Brin, e ‘Dies the Fire’, de S.M. Stirling”, diz ela: livros similares escritos por autores de gêneros literários específicos e lidos por nerds. “Ou então considerem o clássico de 1954 de Richard Matheson, “I Am Legend”, a obra original sobre germes zumbis, adaptada para filme em 1964 (”Mortos que Matam”/” The Last Man on Earth”, EUA/Itália), 1971 (”A Última Esperança da Terra”/” The Omega Man”, EUA) e agora em 2007 (” I Am Legend”, que deverá ser lançado em 14 de dezembro).

Kfir Luzzatto, um escritor de ficção científica que mora em Israel, menciona “A Agonia do Verde” (”The Death of Grass”, 1956), de John Christopher e “O Último Homem” (”The Last Man”, 1826) de Mary Shelley, que prevê um final de século 21 devastado por uma peste. “A cultura pós-apocalíptica se tornou para as pessoas modernas aquilo que as estórias de fantasma significavam para os nossos pais”, diz ele. “É uma maneira de expressar os seus temores quanto ao desconhecido e lidar com eles”.

Por outro lado, o elemento de maior entusiasmo presente na ficção científica continua sendo a luta entre o bem e o mal, e o bem continua vencendo - após uma luta extremamente barulhenta. Basta ver o caso de “Transformers”. “Nós acreditamos que estamos sós nesta luta constante, ou cremos que podemos ajudar uns aos outros?”, questiona Jamie Hari, que criou e administra o Marvel Database Project em Toronto. Hari, que diz, “a Marvel é o meu mundo” sem embaraço, vê na atração exercida pelos Transformers e robôs em geral “mais uma extensão do desejo humano pela tecnologia”.

Uma figura bastante familiarizada com esta idéia é Lawrence Krauss, professor de física da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, no Estado de Ohio, e autor do livro “The Physics of Star Trek” (”A Física de Jornada nas Estrelas”). “Se você assistir a ‘How William Shatner Changed the World’, verá que ele é o cara que faz pizza com Shat”.
“As pessoas gostam da idéia de um futuro cheio de esperanças”, diz Krauss, admitindo mais tarde: “É difícil para mim acreditar na visão utópica. Geralmente o gênero atrai a atenção quando é bem feito, mas não quando o resultado é algo como “Tropas Estelares” (” Starship Troopers”, EUA, 1997). Coisas como os insetos defecadores não me atraem nem um pouco”.
Porém, ele diz que a ciência, assim como a arte, leva em conta o nosso lugar no esquema cósmico. “A razão pela qual somos cientistas não é o desejo de criarmos uma torradeira melhor”, afirma. “Mas sim o fato de nos interessarmos por aquilo que é possível no universo”.

A julgar pelos lançamentos de filmes já agendados, eis o que é possível no universo. A Terra poderia ser invadida por invasores alienígenas de corpos (”Invasion”, 17 de agosto). Ela pode se deparar com a morte planetária devido a um sol moribundo (”Sunshine”, 20 de julho). Ou pode ser flagelada pelo terrorismo global (”Day Zero”, que está para estrear). Ou, no campo da engenharia, poderia haver a produção de uma armadura exoesqueletal super-poderosa (”Iron Man”, 2008), ou a formação de relações intergalácticas com extraterrestres de orelhas pontudas (”Star Trek”, 2008). Por outro lado, uma raça de pequenos alienígenas poderia passear pelo cosmo dentro de Eddie Murphy, que poderia a seguir se apaixonar por uma beldade terrestre (”Starship Dave”, 2008).

Tudo isso soa para John Moore, de Houston, um “nerd sem arrependimentos” e escritor de ficção científica e fantasia (”A Fate Worse than Dragons”), como notícias velhas. “A ficção científica é o presente. Nós vivemos em uma sociedade de ficção científica, e não me refiro apenas à tendência da sociedade de se cercar de aparelhos de alta tecnologia. O que quero dizer é que, a projeção no futuro, outrora o território do escritor de ficção científica, se transformou na modalidade dominante de pensamento. Esta é a influência da ficção científica no pensamento moderno”.

A ficção científica séria está morta?A ficção científica está morta. Longa vida à ficção científica.
Amy Biancolly - The New York Times News Services - 10/07/2007

EDGAR ALLAN POE



“Olhai! A morte edificou seu trono numa estranha cidade solitária por entre as sombras do longínguo oeste…” ( A cidade no mar - Download )

“Durante muito tempo devastara a MORTE RUBRA aquele país. Jamais se vira peste tão fatal e tão terrível. O sangue era sua encarnação e seu sinete: a vermelhidão e o horror do sangue.” ( A máscara da morte rubra - Download )

“Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas amontoavam-se opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um trecho de campo singularmente triste, e finalmente me encontrei, quando as sombras da noite se avizinhavam, à vista da melancólica Casa de Usher.” ( A queda da casa de Usher - Download )

“-Sim…não…estava adormecido…e agora…agora estou morto.” ( O caso do Senhor Valdemar - Download )

“É alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais! Ah, bem me lembro! Bem me lembro! Era no glacial dezembro.” ( O corvo - no original, traduzido por Fernando Pessoa e traduzido por Machado de Assis - Download )

Edgar Allan Poe nasceu em 19 de Janeiro de 1809 na cidade de Boston, EUA. Foi escritor, crítico literário e editor. Poe é considerado, juntamente com Jules Verne, um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica modernas. Poe se utilizava de um horror psicológico e suas histórias são sempre narradas em primeira pessoa.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe

EÇA DE QUEIROZ - 'A aia"



“…Era uma vez um rei, moço e valente, senhor de um reino abundante em cidades e searas, que partira a batalhar por terras distantes, deixando solitária e triste a sua rainha e um filhinho, que ainda vivia no seu berço, dentro das suas faixas. A lua cheia que o vira marchar, levado no seu sonho de conquista e de fama, começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros apareceu, com as armas rotas, negro do sangue seco e do pó dos caminhos, trazendo a amarga nova de uma batalha perdida e da morte do rei, trespassado por sete lanças entre a flor da sua nobreza, à beira de um grande rio…” ( Download )
José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de Novembro de 1845 numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, Portugal.

Horror ou Terror (II)



O nível de stress no mundo está altíssimo. Estamos horrorizados com o terrorismo, e o perigo maior é que a humanidade entre definitivamente no caminho sem saída do ódio destruidor e autodestruidor.
Nesta hora, convém pensar nas palavras, para que as palavras nos ajudem a entender e interpretar o que está acontecendo.Pensar é distinguir. É preciso distinguir entre terror e horror, duas palavras que parecem sinônimas mas não são, porque, lingüisticamente, não se justifica a existência de dois termos para um conceito idêntico.

Falamos em “filme de terror”, mas seria mais apropriado “filme de horror”. A diferença entre essas duas palavras está no sujeito que, ao assistir ao filme, se horroriza.
Um pouquinho de gramática não faz mal a ninguém.
O verbo horrorizar normalmente é reflexivo: horrorizar-se. Para funcionar, o verbo horrorizar necessita da colaboração do horrorizado. É como no verbo espanhol morirse. Para morrer (pelo menos em espanhol), é preciso que o morto “morra-se”, participe do ato de morrer. No caso de horrorizar-se, eu me horrorizo na medida em que estou suscetível a sentir o horror.
O terror é outra história.

Dificilmente alguém diz “aterrorizei-me vendo aquelas imagens”, pois o terror é produzido por outro sobre mim, e quem aterroriza (e isso é horrível e terrível!) não está aterrorizado nem horrorizado consigo mesmo.
O terror vem de fora. O horror vem de dentro.
O terrorista não se horroriza com o ato de aterrorizar os outros.
Horror é um sentimento de receio, de medo, de pavor perante algo ameaçador, odioso e perverso. Em sua origem latina, horrere significava ficar com os cabelos em pé. O horripilante, no horror, é essa sensação de um frio no estômago, na espinha, o suor frio, o frio da morte.
O terrorista pratica o terror com sangue frio. Para ele, não é horrível matar inocentes. É um meio para atingir um fim. O terrorista não teme, quer dominar a todos utilizando o medo, e para isso conta com a mídia, para que o mundo inteiro fique paralisado.

O grande esforço, agora, é não ficarmos horrorizados com o terror.
O grande esforço do homem civilizado é substituir o horror e o ódio por uma atitude de indignação que saiba propor, sem que se perca também a dignidade, ações que evitem os horrores da guerra.

Gabriel Perissé

CONTOS DE HORROR DO SÉCULO XIX






Responsável pela seleção, Alberto Manguel teve à sua disposição um time de craques.São 33 contos, escritos pelos autores mais representativos da época. Não falta quase ninguém: desfilam pelo gramado (onde em alguns pontos nota-se um pouco de musgo, para fazer jus à atmosfera do gênero) W.W.Jacobs, H. G. Wells, Joseph Conrad, Ambrose Bierce, Henry James, Jack London, Villiers de L’isle Adam, Jules Verne, Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Léon Bloy, Hugh Walpole, Horacio Quiroga, Bram Stoker, Arthur Conan Doyle, Robert Loius Stevenson. Na lista há algumas surpresas: Rubén Darío, poeta que foi o maior nome do modernismo hispano-americano; Walt Whitman, o norte-americano do famoso poema “Folhas da relva”; e nosso velho conhecido Eça de Queiroz, que comparece com o conto “A aia”. E, para não dizer que todo técnico comete suas injustiças, o organizador deixou de fora um Falcão e um Ademir da Guia: o irlandês Sheridan
Le Fanu e o britânico de sangue azul Algernon Blackwood. Entre os autores, Manguel destaca a presença de Edgar Allan Poe, que “ofereceu ao mundo seus primeiros terrores profissionais, hoje célebres: ‘A queda da casa de Usher’, ‘O barril de Amontilhado’, ‘O gato preto’, ‘O coração delator’”. Allan Poe, que também inventou a literatura de investigação, comparece na antologia com um conto menos conhecido, “Os fatos no caso do sr. Valdemar”, mas de arrepiar do mesmo jeito. Publicado em 1845 (mesmo ano em que surgiu “O corvo”), levou muitos leitores a escreverem para o autor na crença de que se tratava de um história verídica. Trata-se de uma mistura de horror com ficção científica, tocando num tema dos mais atuais – a clonagem.
Um plus do volume são as traduções, entregues a escritores de renome (Milton Hatoum, Moacyr Scliar, Rubens Figueiredo) e especialistas na matéria (Jorio Dauster, José Rubens Siqueira, Sérgio Molina). Além disso, os tradutores foram escolhidos por sua afinidade com autores e obras, e se encarregam de apresentá-los ao leitor. Marcelo Pen, a quem coube a novela “A volta do parafuso”, de Henry James, discute a tradução do título: garante que se trata de um grande equívoco e que, a rigor, ela não quer dizer nada em português. Sustenta que “Turn of the screw” lembra thumbscrew, os “anjinhos”, antigos anéis de tortura com que se apertavam os dedos das vítimas. Contudo, mantém o título. Abre o livro uma raridade: a tradução de Rubem Fonseca para o clássico “A mão do macaco”, de W. W. Jacobs, que aparece em nove de dez antologias do gênero. Depois de lembrar o sucesso do conto, publicado pela primeira vez em 1902 e desde então teatralizado e adaptado ao cinema inúmeras vezes (estranhamente, com pouco êxito), Fonseca comete uma revelação de cunho pessoal. Conta que várias vezes narrou a história para seus filhos pequenos, sempre “num lugar em penumbra”, e que invariavelmente introduzia uma modificação no enredo, o que resultou numa versão ainda mais terrível, porque “eu emitia sons assustadores e andava de um lado para o outro, fazendo gestos e caretas aterradores”. Depois apresenta uma seleção original, de autores não óbvios (H. P. Lovecraft, Saki e Sherindan Le Fanu) ou bastante conhecidos mas não associados à literatura de horror – casos de O. Henry e Edith Warthon. Praticamente desconhecido no Brasil, Algernon Blackwood fecha o volume com uma obra-prima, Os salgueiros, relato caustrofóbico com pitadas de ficção científica. Heloisa preparou a seguir um livro inteiro com dez contos de Blackwood, A casa do passado, e outro com as “histórias de terror sarcástico” de Ambrose Bierce, Visões da noite, ambos da editora Record.
JORNAL DO BRASIL Caderno idéias - Alvaro Costa e Silva

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

FANTASTICON 2007



O Simpósio de Literatura Fantástica ocorrido em São Paulo, nos dias 07 e 08 e Julho, contou com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposição, lançamentos, sessões de autógrafos e outras iniciativas paralelas que englobam as várias vertentes do gênero Fantástico: a ficção científica, a fantasia e o horror. O objetivo principal do Simpósio é dar a conhecer ao público em geral conceitos, propostas e informações na área do Fantástico, assim como incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil.

O evento, integrante do XV Encontro Internacional de RPG, foi organizado por Silvio Alexandre, com apoio da Devir Livraria, Terramédia e Pixel Media Editora.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Horror ou Terror ? (I)

Alberto Manguel faz uma distinção entre terror e horror, valendo-se de uma afirmação da escritora Ann Radcliffe, uma das pioneiras desse tipo de relato, ainda no século 18:
“O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma forma as aniquila”. Apesar de não discordar, este departamento prefere as diferenças apontadas pela escritora carioca Heloisa Seixas, ela própria uma cultora do que chama “contos assombrados” e, em grande medida, responsável pela recente onda de antologias do gênero no mercado brasileiro, pois organizou e traduziu a primeira delas, Depois (Record), em 1998. Escreve ela, à guisa de introdução:
“Qual seria a diferença entre história de horror e uma história de terror? Além da rima, essas duas palavras têm em comum o fato de que nos dão arrepios. Aliás, pelo menos uma delas – horror – vem do latim horrere, que quer dizer justamente arrepiar-se, estremecer. Mas a linha divisória entre uma e outra é de difícil definição. O horror seria talvez a resposta a uma realidade física horripilante. como por exemplo uma cena de assassinato ou tortura. Já o terror, forma mais poderosa de medo, seria o defrontar-se com o desconhecido – o sobrenatural”.
JORNAL DO BRASIL - Caderno idéias - Alvaro Costa e Silva
www.casadapalavra.com.br/

O CAPACITOR FANTÁSTICO

O CAPACITOR FANTÁSTICO foi criado para trazer ao público apreciador de Ficção Científica, Fantasia, Terror, Mistério e Fantástico, todo tipo de material. Livros, roteiros, filmes, séries de tv, quadrinhos, imagens, notícias, etc.