quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Darwinia - Robert Charles Wilson



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Charlie Stross - entrevista I



"Escrevo Ficção Científica como meio de vida.

Possivelmente, por causa disso, as pessoas acreditam que eu devo ser um entusiasta da exploração espacial e da colonização do espaço. Exploração espacial? Está bem, sou a favor do avanço dos empreendimentos científicos, mas a atual colonização do espaço é outra questão e aquelas pessoas sensíveis (ou otimistas), devem parar de ler este artigo por aqui..."

http://www.antipope.org/charlie/blog-static/2007/06/the_high_frontier_redux.html

IDORU - William Gibson



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The last hero (graphic novel) - Terry Pratchett



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domingo, 12 de agosto de 2007

‘O presidente negro’ - Monteiro Lobato




O DESASTRE

Achava-me um dia diante dos guichês do London Bank á espera de que o pagador gritasse a minha chapa, quando vi a cochilar num banco ao fundo certo corretor de negócios meu conhecido. Fui-me a ele, alegre da oportunidade de iludir o fastio da espera com uns dedos de prosa amiga.
— Esperando sua horinha, hein? disse-lhe com um tapa amigável no ombro, enquanto me sentava ao seu lado.
— É verdade. Espero pacientemente que me cantem o numero, e enquanto espero filosofo sobre os males que traz á vida a deshonestidade dos homens.
— ?
— Sim, porque se não fosse a deshonestidade dos homens tudo se simplificaria grandemente. Esta demora no pagamento do mais simples cheque, donde provém? Da necessidade de controle em vista dos artifícios da deshonestidade. Fossem todos os homens sérios, não houvesse hipotese de falsificações ou abusos, e o recebimento de um dinheiro far-se-ia instantaneo. Ponho-me ás vezes a imaginar como seriam as coisas cá na terra se um sabio eugenismo désse combate á deshonestidade por meio da completa eliminação dos deshonestos.

Que paraíso!

— Tem razão, concordei eu, com os olhos parados de quem pela primeira vez reflete uma ideia. A vida é complicada, existem leis, polícia, embaraços de toda especie, burocracia e mil peia?, tudo porque a deshonestidade nas relações humanas constitue, como dizes, um elemento constante. Mas é mal sem remedio...

E por aí fomos, no filosofar vadio de quem não possue coisa melhor a fazer e apenas procura matar o tempo. Passamos depois a analisar varios tipos ali presentes, ou que entravam e saíam, na azafama peculiar aos negocios bancarios. O meu amigo, frequentador que era dos bancos, conhecia muitos deles e foi-me enumerando particularidades curiosas relativas a cada qual. Nisto entrou um velho de aparencia distinta, já um tanto dobrado pelos anos.

— E aquele velho que ali vem? perguntei.
— Oh! Aquele é um caso sério. O professor Benson, nunca ouviu falar?
— Benson... Esse nome me é desconhecido.
— Pois o professor Benson é um homem misterioso que passa a vida no fundo dos laboratorios, talvez á procura da pedra filosofal. Sabio em ciencias naturais e sabio ainda em finanças, coisa ao meu ver muito mais importante. E tão sabio que jamais perde. Dou-me com esses rapazes todos que trabalham nas seções de cambio e por eles sei deste homem coisas impressionantes. Benson joga no cambio, mas com tal segurança que não perde.
— Sorte!
— Não é bem sorte. A sorte caracteriza-se por um afluxo de paradas felizes, por uma media mais alta de lucro do que de perda. Mas Benson não perde nunca.
—Será possível?
— É mais que possível, é fato. Deve possuir hoje enorme fortuna. Mora em um complicado castelo lá dos lados de Friburgo, mas não cultiva relações sociais. Não tem amigos, ninguem ainda viu o interior do casarão onde vive em companhia de uma filha, servido por criados mudos, ao que dizem. Você sabe que depois da guerra o mundo inteiro jogou no marco alemão.
—Sei, sim, e fui uma das vitimas...
—Pois o mundo inteiro perdeu, menos ele.
—Absurdo! Só se fabricava marcos para vender.
—Ao contrario, comprava e revendia marcos já feitos. O marco, talvez você se lembre, teve em certo periodo uma oscilação de alta.
Renasceram as esperanças dos jogadores e o movimento de compras foi enorme. Benson vendeu nessa ocasião. Logo em seguida começou o marco desandar até zero e para nunca mais se erguer.
—Vendeu no momento exato, como quem sabe qual o momento exato de vender...
—Isso mesmo. Com o franco fez coisa identica. Comprou exatamente nos dias de maior baixa e vendeu exatamente nos dias de maior alta. Tem ganho o que quer ganhar, o raio do homenzinho...
—E para que necessita de tanto dinheiro?
—Ignoro. Não leva a vida comum dos nossos ricaços, não dá festas, não consta que seja explorado por mulheres. É positivamente misterioso o professor Benson — um verdadeiro magico que vê através do futuro.
Ri-me da expressão do meu amigo e qual filosofo barato murmurei com superioridade:
— Como pode ver através do que não existe? O futuro não existe...

O corretor respondeu-me com uma frase que naquele momento não compreendi:

— Não existe, sim, mas vai existir necessariamente.
— Dois mais dois — é o presente. A soma quatro é o futuro. Um futuro previsível...
— "Vinte e dois!" gritou uma voz da pagadoria.
Era o meu numero.
— Dois mais dois tambem podem ser vinte e dois, gracejei eu, despedindo-me do filosofo. Adeus, meu caro. Na proxima oportunidade você continuará com a demonstração.

Recebi o dinheiro e saí para o torvelinho das ruas, onde breve se me apagou do cerebro a impressão do professor Benson e das palavras do meu amigo.

Mas dá a vida misteriosas voltas e um belo dia, ao despertar de um sono letargico, quem vi eu diante dos meus olhos, qual um espetro?
O professor Benson!...
Não antecipemos, porém; e antes de mais nada permitam-me que fale um bocado da minha pessoa.
Era eu um pobre diabo para toda gente, exceto para mim mesmo. Para mim tinha-me na conta de centro do universo. Penso e sou,
dizia comigo, repetindo certo filosofo francês. Tudo gira em redor do meu ser. No dia em que eu deixar de pensar, o mundo acaba-se.
Mas isto parece que não tinha grande originalidade, pois todos os meus conhecidos se julgavam da mesma forma.

Eu vivia do meu trabalho, recebendo dele, não o produto, mas uma pequena quota, o necessario para pagar o quarto onde morava, a pensão onde comia e a roupa que vestia. Quem propriamente se gozava do meu trabalho era a dupla Sá, Pato & Cia., gordos e solidos negociantes que me enterneciam a alma nas epocas de balanço ao concederem-me a pequena gratificação constituidora do meu lucro. Com eles trabalhei varios anos, conseguindo reunir o modesto peculio que transformei em marcos e, com grande dor d'alma, vi se reduzirem a zero absoluto, apesar da teoria de que tudo é relativo.

Continuei no trabalho por mais quatro anos, daí por diante já curado de jogatinas e megalomanias.
Mas todos nós possuímos um ideal na vida. Meu amigo corretor sonha dirigir a carteira cambial de um banco. Aquele pobre que ali passa, tocando o realejo que herdou do pai e ao qual faltam tres notas, sonha com um realejo novo em que não falte nota nenhuma.
Eu sonhava... com um automovel. Meu Deus! As noites que passei pensando nisso, vendo-me no volante, de olhar firme para a frente,
fazendo, a berros de klaxon, disparar do meu caminho os pobres e assustadiços pedestres! Como tal sonho me enchia a imaginação!

Meu serviço na casa era todo de rua, recebimentos, pagamentos, comissões de toda especie. De modo que posso dizer que morava na rua, e o mundo para mim não passava de uma rua a dar uma porção de voltas em torno da terra. Ora, na rua eu via a humanidade dividida em duas castas, pedestres e rodantes, como os batizei aos homens comuns e aos que circulavam sobre quatro pneus. O pedestre, casta em que nasci e em que vivi até aos 26 anos, era um ser inquieto, de pouco rendimento, forçado a gastar a sola das botinas, a suar em bicas nos dias quentes, a molhar-se nos dias de chuva e a operar prodígios para não ser amarrotado pelo orgulhoso e impassível rodante, o homem superior que não anda, mas desliza veloz. Quantas vezes não parei nas calçadas para gozar o espetaculo do formigamento dos meus irmãos pedestres, a abrirem alas inquietas á Cadillac arrogante que por eles se metia, a reluzir esmaltes e metais! O ronco de porco do klaxon parecia-me dizer — "Arreda canalha!"

Sonhei, portanto, mudar de casta e por minha vez levar os pedestres a abrirem-me alas, sob pena de esmagamento. E o novo peculio, com tanto esforço acumulado depois do desastre germanico, não visava outra coisa. Foi, pois, com o maior enlevo d'alma que entrei certa manhã numa agencia e comprei a maquina que me mudaria a situação social. Um Ford.

Os efeitos dessa compra foram decisivos na minha vida. Ao veremme chegar ao escritorio fonfonando, os patrões abriram as maiores bocas que ainda lhes vi e vacilaram entre porem-me no olho da rua ou dobrarem--me o ordenado. Por fim dobraram-me o ordenado, quando demonstrei o quanto lhes aumentaria o renome da firma o terem um auxiliar possuidor de automovel proprio. E tudo correria pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis, se eu me não excedesse na furia de fordizar a todo o transe com o fito de embasbacar pedestres. A paixão da carreira grelara em mim e, depois de um mês, já não contente com a velocidade desenvolvida por aquele carro, pus-me a sonhar a aquisição de outro, que chispasse cem quilometros por hora. O aumento de ordenado permitiu-me varias excursões de maluco, nas quais me embriagava aos domingos da delicia de devorar quilometros.

Paguei diversas multas, matei meia duzia de cães e cheguei a atropelar um pobre surdo que não atendera ao meu insolente "Arreda!"

Tornou-se-me o pedestre uma criatura odiosa, embaraçadora do meu direito á rapidez e á linha reta. Pensei até em representar ao governo, sugerindo uma lei que proibisse a semelhantes trambolhos semoventes o transito pelas vias asfaltadas. Adquiri, em suma, a mentalidade dos rodantes, passando a desprezar o pedestre como coisa vil e de somenos importancia na vida.

[...]


O Presidente Negro ou O Choque das Raças (Romance americano do ano 2228) - Monteiro Lobato ( Download )

‘O feitiço de Áquila’ - Joan D. Vinge


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‘Fahrenheit 451′ - Ray Bradbury


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‘Laranja mecânica’ - Anthony Burgess


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‘Alice no país das maravilhas’ - Lewis Carroll


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‘Os salgueiros’ - Algernon Blackwood



'Os salgueiros' - Algernon Blackwood

‘The last man’ - Mary Shelley



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‘The physics of Star Trek’ - Lawrence Krauss



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‘I am Legend’ - Richard Matheson



















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‘A guerra dos mundos’ - H.G.Wells




















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‘The death of grass’ - John Christopher





















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‘R.U.R.’ - Joseph e Karel Capek











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‘Flatland’ - Edwin Abott













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A Ficção Científica séria está morta ?

Para aqueles de nós que se importam com isso (e não, nós não moramos nos porões das casas dos nossos pais), o futuro do futurismo é de fato uma questão urgente. A ficção científica está prosperando em meio à pirotecnia dos efeitos especiais, ou ela está sofrendo uma morte lenta e abominável, sufocada pelo pensamento grupal da indústria de publicidade e pelos executivos sem imaginação do setor, que só desejam fazer continuações de filmes de sucesso?Falo na posição de um fã que tem opiniões sobre o assunto - como se houvesse outro tipo de fã - e que atestou a perfeita saúde e o futuro brilhante da ficção especulativa do século 21. Estou menos preocupado com o lançamento neste mês do filme “Transformers: O Filme” (”Transformers: The Movie”, EUA, 2007) com os seus colossais robôs alienígenas e elenco brilhante, do que com uma preponderante mudança cultural que parece tomar conta das fronteiras narrativas expansíveis da ficção científica. Não estou sequer levando em conta os recentes sucessos do gênero na televisão (”Battlestar Galactica”, “Heroes”, “The 4400″, “Lost”) ou a dominação mundial nos jogos (você escolhe).“A coisa atualmente está por toda parte.


Todos estão expostos a isso - a ficção científica está muito mais respeitável do que costumava ser”, afirma David Wellington, um autor de obras de ficção científica e terror (”Monster Island”, “Thirteen Bullets”) e aficionado que se recorda dos velhos e maus tempos vividos pelo gênero. “Na década de 1980, quando eu era um grande fã de ficção científica, o gênero era bastante marginalizado. E nós sempre reclamamos desse fato: ‘Por que é que as outras pessoa não conseguem entender por que gostamos tanto deste tipo de coisa?’”.Wellington é um dentre vários devotos que, ao contar com uma chance de se manifestar, expressa entusiasmo, bem como ceticismo, pelo atual estado do gênero. Muita gente encara com cautela o cenário que há pela frente, temendo um panorama pós-apocalíptico matizado pelos gráficos da parafernália computacional e a força bruta do gosto do cidadão comum. Alguns vêem a ficção científica se fragmentando. Outros dizem que ela prospera.Mas os fãs chegam a um consenso - quer dizer, mais ou menos - com relação a algumas questões-chave. Uma delas é o fato de as estórias de fantasia, outrora parte do universo da ficção científica, gozarem atualmente de um enorme sucesso no seu próprio e espaçoso nicho. A segunda é que as indústrias de cinema e as editoras deveriam assumir maiores riscos artísticos. A terceira: “Blade Runner: O Caçador de Andróides” (”Blade Runner”, EUA, 1982) é ótimo. Quarta: “O Labirinto do Fauno” (”El Laberinto del Fauno”, México/Espanha/EUA, 2006) e “Filhos da Esperança” (”Children of Men , EUA/Inglaterra, 2006) também são excepcionais.Um quinto ponto, expresso com diversos graus de desapontamento e irritação, é que os avanços na tecnologia digital têm proporcionado espetáculos visuais que nem sempre satisfazem a mente ou o coração. “Sob um ponto de vista visual, nunca houve um período melhor na história dos filmes de ficção científica”, afirma Dave Dorman, um pintor de cenários de filmes de fantasia e de ficção científica com sede na Flórida, e mais conhecido pelo seu trabalho nos filmes da série “Guerra nas Estrelas”.

“Por outro lado, penso que a criação de roteiros de ficção científica não está à altura da qualidade observada nas décadas de 1940, 1950 e 1960″.Craig Elliott, um animador da Disney (”Planeta do Tesouro”/”Treasure Planet”, EUA, 2002) e da DreamWorks (” The Princess and the Frog”, que deverá ser lançado em 2009), resume a questão de forma ainda mais sucinta: “Atualmente existe muita ostentação nas telas”.Na área de publicações, a ficção científica contemporânea se fragmentou em um zilhão de pequenos sub-enredos, que vão deste às estórias alternativas até à ópera especial de conteúdo para adultos, à fantasia urbana, séries de cinema e TV, o ciberpunk e o expansor de fronteiras “New Weird” (algo como “Nova Bizarrice”).Chame-a do que quiser, mas a boa ficção científica pode ser cósmica ou minimalista, voltada para fora ou para o interior.

Ela se expande e se contrai, empurrando a humanidade para os recantos mais distantes do espaço ou reduzindo-a a cinzas. Desde o início, ela nunca se referiu realmente aos alienígenas com cara de borracha. O romance “Flatland: A Romance of Many Dimensions by a Square”, escrito em 1884 por Edwin A. Abbott e adaptado várias vezes para a tela, é uma estória passada em um mundo bidimensional que critica as distinções vitorianas de classe. Tanto H.G.Wells quanto Júlio Verne injetaram o ácido da sátira nas suas obras folhetinescas de ficção científica, e até mesmo a esquisitice fora de moda que é “R.U.R.” (ou, em inglês, Rossum’s Universal Robots”, a peça que gerou o termo) de Karel Capek revelava mais preocupação com a consciência e os direitos civis do que com a construção de trabalhadores humanóides.Nós assistimos a Metrópolis” (”Metropolis”, Alemanha, 1927) para ver o andróide sexy ou devido aos paralelos marxistas contidos no filme? E “O Dia em que a Terra Parou” (” The Day the Earth Stood Still”, EUA, 1951) diz repeito a um cara fantasiado de lata de sopa ou a um mundo à beira da auto-destruição? A ficção científica é capaz de proporcionar imagens de uma humanidade livre da pobreza, do racismo e dos horrores da guerra (vejam as primeiras duas séries de “Jornada nas Estrelas”) ou devastada pela violência em uma terra arrasada pós-nuclear (os filmes “Mad Max” de um a três). Você pode se sentir bem ou deprimido, dependendo do seu estado de espírito.

Ultimamente, muita gente tem se sentido deprimida. Nos últimos anos as narrativas distópicas cresceram em popularidade, profetizando amanhãs arrasados pelo terrorismo (”V de Vingança”/”V for Vendetta”, EUA/Alemanha, 2006), germes zumbis (”Extermínio”;” 28 Days Later”, Inglaterra, 2003; “Extermínio 2″/” 28 Weeks Later”, EUA, 2007) e infertilidade (”Filhos da Esperança”). A trama de todos esses três filmes passa-se em Londres, a nova voga no que diz repeito ao pessimismo cinzento.




Na ficção literária, “Never Let Me Go”, de Kazuo Ishiguro, transferiu a distopia para a zona rural inglesa. Margaret Atwood deu a ela uma dimensão nacional (”The Handmaid’s Tale”, “Oryx and Crake”), enquanto Cormac McCarthy foi ainda mais longe com “The Road”. Nem todos consideram ficção científica o seu romance ganhador do Prêmio Pulitzer, mas é exatamente isto que ele é: um homem e um garoto caminham com dificuldade pela fuligem de uma terra arrasada.



A profissional de marketing e editora de ficção científica e fantasia Colleen Lindsay elogia bastante o livro de McCarthy, mas mostra-se irritada devido à sensação de que ele não é nenhuma novidade. “Trata-se de uma fantasia pós-apocalíptica para pessoas que não lêem fantasias. Vejam ‘The Postman’, de David Brin, e ‘Dies the Fire’, de S.M. Stirling”, diz ela: livros similares escritos por autores de gêneros literários específicos e lidos por nerds. “Ou então considerem o clássico de 1954 de Richard Matheson, “I Am Legend”, a obra original sobre germes zumbis, adaptada para filme em 1964 (”Mortos que Matam”/” The Last Man on Earth”, EUA/Itália), 1971 (”A Última Esperança da Terra”/” The Omega Man”, EUA) e agora em 2007 (” I Am Legend”, que deverá ser lançado em 14 de dezembro).

Kfir Luzzatto, um escritor de ficção científica que mora em Israel, menciona “A Agonia do Verde” (”The Death of Grass”, 1956), de John Christopher e “O Último Homem” (”The Last Man”, 1826) de Mary Shelley, que prevê um final de século 21 devastado por uma peste. “A cultura pós-apocalíptica se tornou para as pessoas modernas aquilo que as estórias de fantasma significavam para os nossos pais”, diz ele. “É uma maneira de expressar os seus temores quanto ao desconhecido e lidar com eles”.

Por outro lado, o elemento de maior entusiasmo presente na ficção científica continua sendo a luta entre o bem e o mal, e o bem continua vencendo - após uma luta extremamente barulhenta. Basta ver o caso de “Transformers”. “Nós acreditamos que estamos sós nesta luta constante, ou cremos que podemos ajudar uns aos outros?”, questiona Jamie Hari, que criou e administra o Marvel Database Project em Toronto. Hari, que diz, “a Marvel é o meu mundo” sem embaraço, vê na atração exercida pelos Transformers e robôs em geral “mais uma extensão do desejo humano pela tecnologia”.

Uma figura bastante familiarizada com esta idéia é Lawrence Krauss, professor de física da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, no Estado de Ohio, e autor do livro “The Physics of Star Trek” (”A Física de Jornada nas Estrelas”). “Se você assistir a ‘How William Shatner Changed the World’, verá que ele é o cara que faz pizza com Shat”.
“As pessoas gostam da idéia de um futuro cheio de esperanças”, diz Krauss, admitindo mais tarde: “É difícil para mim acreditar na visão utópica. Geralmente o gênero atrai a atenção quando é bem feito, mas não quando o resultado é algo como “Tropas Estelares” (” Starship Troopers”, EUA, 1997). Coisas como os insetos defecadores não me atraem nem um pouco”.
Porém, ele diz que a ciência, assim como a arte, leva em conta o nosso lugar no esquema cósmico. “A razão pela qual somos cientistas não é o desejo de criarmos uma torradeira melhor”, afirma. “Mas sim o fato de nos interessarmos por aquilo que é possível no universo”.

A julgar pelos lançamentos de filmes já agendados, eis o que é possível no universo. A Terra poderia ser invadida por invasores alienígenas de corpos (”Invasion”, 17 de agosto). Ela pode se deparar com a morte planetária devido a um sol moribundo (”Sunshine”, 20 de julho). Ou pode ser flagelada pelo terrorismo global (”Day Zero”, que está para estrear). Ou, no campo da engenharia, poderia haver a produção de uma armadura exoesqueletal super-poderosa (”Iron Man”, 2008), ou a formação de relações intergalácticas com extraterrestres de orelhas pontudas (”Star Trek”, 2008). Por outro lado, uma raça de pequenos alienígenas poderia passear pelo cosmo dentro de Eddie Murphy, que poderia a seguir se apaixonar por uma beldade terrestre (”Starship Dave”, 2008).

Tudo isso soa para John Moore, de Houston, um “nerd sem arrependimentos” e escritor de ficção científica e fantasia (”A Fate Worse than Dragons”), como notícias velhas. “A ficção científica é o presente. Nós vivemos em uma sociedade de ficção científica, e não me refiro apenas à tendência da sociedade de se cercar de aparelhos de alta tecnologia. O que quero dizer é que, a projeção no futuro, outrora o território do escritor de ficção científica, se transformou na modalidade dominante de pensamento. Esta é a influência da ficção científica no pensamento moderno”.

A ficção científica séria está morta?A ficção científica está morta. Longa vida à ficção científica.
Amy Biancolly - The New York Times News Services - 10/07/2007

EDGAR ALLAN POE



“Olhai! A morte edificou seu trono numa estranha cidade solitária por entre as sombras do longínguo oeste…” ( A cidade no mar - Download )

“Durante muito tempo devastara a MORTE RUBRA aquele país. Jamais se vira peste tão fatal e tão terrível. O sangue era sua encarnação e seu sinete: a vermelhidão e o horror do sangue.” ( A máscara da morte rubra - Download )

“Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas amontoavam-se opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um trecho de campo singularmente triste, e finalmente me encontrei, quando as sombras da noite se avizinhavam, à vista da melancólica Casa de Usher.” ( A queda da casa de Usher - Download )

“-Sim…não…estava adormecido…e agora…agora estou morto.” ( O caso do Senhor Valdemar - Download )

“É alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais! Ah, bem me lembro! Bem me lembro! Era no glacial dezembro.” ( O corvo - no original, traduzido por Fernando Pessoa e traduzido por Machado de Assis - Download )

Edgar Allan Poe nasceu em 19 de Janeiro de 1809 na cidade de Boston, EUA. Foi escritor, crítico literário e editor. Poe é considerado, juntamente com Jules Verne, um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica modernas. Poe se utilizava de um horror psicológico e suas histórias são sempre narradas em primeira pessoa.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe

EÇA DE QUEIROZ - 'A aia"



“…Era uma vez um rei, moço e valente, senhor de um reino abundante em cidades e searas, que partira a batalhar por terras distantes, deixando solitária e triste a sua rainha e um filhinho, que ainda vivia no seu berço, dentro das suas faixas. A lua cheia que o vira marchar, levado no seu sonho de conquista e de fama, começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros apareceu, com as armas rotas, negro do sangue seco e do pó dos caminhos, trazendo a amarga nova de uma batalha perdida e da morte do rei, trespassado por sete lanças entre a flor da sua nobreza, à beira de um grande rio…” ( Download )
José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de Novembro de 1845 numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, Portugal.