domingo, 3 de fevereiro de 2008

Porque somos todos ciberpunks ? Entrevista com William Gibson



A 'The Observer' fez uma lista das 300 pessoas mais influentes em nossas vidas.
O escritor de FC canadense William Gibson aparece no 288º lugar.Um dos motivos de aparecer na lista foi ter cunhado a palavra 'ciberespaço' em um pequeno conto no ano de 1981. Gibson garantiu um rodapé na história lexicográfica, e também seria verdadeiro afirmar que nas duas últimas décadas, suas ficções visionárias influenciaram genuinamente a nossa definição e nosso relacionamento com as tecnologias emergentes e substancialmente modelaram nossa percepção do futuro próximo.

Seus romances e dúzias de contos podem ser legitimamente categorizados como Ficção Científica, mas nunca utopias ou distopias em sua aparência.
Gibson extrai mais do que simplesmente uma visão pragmática, existe a chuva, lá está a sujeira em seu futuro, e a parafernália modernosa, as vezes, não funciona como deveria.

'O futuro não é uma coisa completamente nova e brilhante, saida daquilo que o precedeu', diz Gibson, 'ele será feito a partir do que existe hoje'.

Como o adolescente crescendo numa área rural, começo dos anos 60 na Virgínia, Gibson se lembra com prazer dos 'anos devorando grande quantidade de FC e mais nada'. Ele sabia que seria alguma coisa ligada as artes, algum tipo de artista, mas achava que seu talento estava mais para o visual do que para o literário.

'Mas eu era um tremendo leitor. Se alguem pudesse passar uma vida lendo livros, eu estava pronto para tal.'

Estudou Literatura na Universidade (li mais D H Lawrence do que devia) mas foi apenas com vinte e tantos anos que percebeu que escrever era algo que ele podia fazer.

'Quando eu olho para trás, para minha estratégia de início de carreira, acho que tive muita sorte ao publicar um romance nos EUA, que iria desaparecer logo, sem deixar sinal.'Mas' acrescenta 'imaginar que décadas depois, um pequeno grupo se reuniria num bar, na França ou na Inglaterra, em torno dele. Um monte de escritores que eu admiro - como John Sladek - começaram assim.'

Suas primeiras histórias apareceram em revistas bem desconhecidas.

'Eu preferi dar as histórias ao invés de tentar vendê-las. Eu morria de medo de ser rejeitado pelo mercado. Mas quando comecei a ser pago por elas, fiquei perplexo. Era a única coisa que eu sabia fazer em casa , na mesa da cozinha, e que valia centos e poucos dólares'.

O grande momento de Gibson chegou em 1984 ao publicar seu romance de aventura sobre hackers de computadores, Neuromancer.

'Assim que saiu, começou a ganhar imediatamente todos os prêmios de FC e atraiu a atenção de todos, mas não foi de uma hora de outra, o sucesso foi mais como uma surpresa contínua. Ainda acho estranho. É como se apenas o primeiro dos filhos fosse o prodígio ou algo assim. Eu fico olhando com certo distanciamento.'

Ele diz que descobriu ter feito algo interessante quando leu um dos capítulos de Neuromancer em uma convenção de Ficção Científica no Texas.

'Alguns conheciam meu trabalho e lá pela metade da leitura, comecei a perceber as pessoas envolvidas com aquilo, eu era como Dylan eletrificado ou algo assim. foi demais!'

Gibson sempre escreveu contra a expectativa do público tradicional de FC.

'Eu escrevo para uma espécie de mercado diferente. Inicialmente assumi que eu saberia que estava na trilha certa se as pessoas da FC mais popular odiassem meu trabalho. Eu nunca esperei que muito deles fossem gostar.'

Gibson diz que o real inimigo do escritor é seu lado técnico.

'Já escrevo há tanto tempo que as vezes me preocupo por não me lembrar se estou me repetindo. A coisa assustadora nisso é ter todo seu trabalho numa base de dados e realizar uma pesquisa por uma frase. Eu odiaria saber quantas vezes eu usei a frase wet neon.'

Seu romance, 'All tomorrow's Parties' é a última parte da trilogia que começou em 1993 com 'Virtual Light' (no qual óculos de realidade virtual tinham a chave do futuro de São Francisco), continuou com Idoru (quando na Tokyo do século 21 se apresenta uma celebridade virtual).Em 'All tomorrow's parties' Gibson preconiza o fracasso dos holocautistas, antecipando que o bug do milenio (Y2K) não ocorreria.

'De alguma forma é cruel para mim saber que aquelas pessoas viverão o pior tempo de suas vidas quando em primeiro de janeiro, emergirem de seus bunkers em Iowa. Essas pessoas venderam tudo que tinham, gastaram tudo comprando feijões e rifles.'

Gibson diz que o romance que está atualmente escrevendo está longe de ser um simples romance.

'Mas eu me lembro ao fim de Neuromancer, de tentar puxar o plugue e evitar qualquer possibilidade de incluir uma linha que dissesse que os dois protagonistas jamais se veriam novamente. Mas o processo que rola no quarto escuro do meu cérebro e que me leva à próxima coisa a vir a escrever mudou, estou embaraçado com a possibilidade de estar voltando numa versão da mesma coisa.Vamos ver no que vai dar.'


Nicholas Wroe - The Guardian - 2 Dezembro de 2000.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

MARY SHELLEY

Mary Wollstonecraft Shelley (30 de agosto de 1797 - 21 de fevereiro de 1851.) nasceu em Londres e aos 17 anos fugiu de casa para viajar pelo continente europeu com o poeta Percy Shelley (com quem se casaria aos 19).

Certa vez, forçados a permanecer dentro de casa devido ao tempo ruim, (que ficaria conhecido como "The Year Without a Summer") o grupo de amigos, na maioria jovens escritores e intelectuais, decidiram se divertir criando histórias de terror. Um dos convidados naquele dia, Doutor John Polidori, criou um conto chamado 'The Vampyre', que mais tarde influenciaria Bram Stoker a escrever 'Drácula'. Outros convidados também escreveram contos de terror mas Mary Shelley não se sentiu o bastante inspirada para fazê-lo.
Naquela noite entretanto, teve um sonho sobre um estudante pálido, ajoelhado diante de um ser criado por ele. Colocou as ideías no papel e nos dias seguintes as reescreveu até ser publicada em 1818, com o nome 'Frankenstein'.

Mary se utilizara de uma série de outras fontes para seu trabalho, como o mito de Prometeu, de Ovídio, a influência de 'Paradise lost' de Milton, assim como já tinha lido Vathek, de William
Beckford, um romance gótico.

Mary e Percy eram ambos ferrenhos vegetarianos e defensores dos animais, e no seu romance, a criatura também é vegetariana.

Desconsiderando a idade e a inexperiência literária da autora, é um romance admirável.
Mary, que assim, por brincadeira, descobriu-se uma escritora de talento, após a morte do marido (1823), se dedicou mais seriamente à literatura, mesmo porque não tinha fonte de renda para cuidar do filho. O pai de Percy Shelley lhe garantiu uma pensão.

Seguiram-se o romance histórico 'Valperga' ou 'A vida e aventuras de Castruccio, príncipe de Lucca' (1823) e 'O último homem' (1826), ficção sobre uma peste que extingue a espécie humana, além de outros romances, diários de viagem e memórias.


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L SPRAGUE DE CAMP

Lyon Sprague de Camp, (27 de Novembro 1907 – 6 Novembro 2000) nasceu em Nova Iorque. Em 50 anos como escritor, escreveu mais de 100 livros, não apenas ficção mas também biografias de outros autores, como Lovercraft.

É considerado como um dos maiores autores do período literário conhecido como 'Golden Age' da Ficção Científica. Foi responsável pela continuação da saga 'Conan, o bárbaro' , criada por seu amigo Robert E.Howard. Alguns de seus trabalhos de ficção mais conhecidos incluem 'Lest Darkness Fall' (1941), 'The Wheels of If' (1940), 'The Glory That Was' (1960) e 'The Dragon of Ishtar Gate' (1961) assim como inúmeros romances e séries criadas em colaboração com outros escritores, como Fletcher Pratt ('Harold Shea and Enchanter').
Ganhou o prêmio Nebula de 1978 por sua obra e o Hugo de melhor livro (não-ficção), em 1991 por 'Time & Chance'.

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Futuro tenso - Kim Stanley Robinson


Futuro tenso*
'Fifty Degrees Below', o romance de Kim Stanley Robinson, se passa em um EUA varrido por enchentes, consequências do aquecimento global.
Sarah Crown do Guardian Unlimited (Inglaterra) , conversou com o autor sobre mudanças climáticas, o poder da ciência e sobre 'o pior Presidente americano da história'.

Kim Stanley Robinson: 'Será um século difícil e feio, mas penso que as pessoas não são tão estúpidas a ponto de se matarem'.
Na esteira de uma tempestade tropical, uma cidade america está arrassada.
Prédios foram demolidos e pontes cairam, dez milhões de pessoas estão sem eletricidade ou água potável, hospitais repletos de doentes e mortos.
Parece familiar? É claro que sim. Mas não se trata dos eventos (o Katrina em 2005) que assombraram os EUA, mas é o inicio de'Fifty Degrees Below', o segundo volume da trilogia de Kim Stanley Robinson sobre mudanças climáticas.
E a cidade destruida não é Nova Orleans, mas Washington DC.
Passado nos EUA, praticamente dos dias de hoje, este livro (assim como 'Forty Signs of Rain', o primeiro da trilogia) conta a história dos esforços de um grupo pouco formal de cientistas, ativistas e políticos, em provocar uma resposta nacional à crise do aquecimento global.
Infelizmente para eles, como diz o ambientalista Charlie Quibler no livro:
'É mais fácil destruir o mundo do que mudar o capitalismo, mesmo que apenas um pouco'.
Não até que a combinação de duas tempestades colidindo, somado a uma onda sem precedentes, apareça causando um crescimento do rio Potomac (em Washington) ao ponto de submergir a capital, como o clímax do primeiro livro. Mas neste ponto, as calotas de gelo polar já teriam começado a derreter, afetando o aquecimento das águas do Golfo e criando condições metereológicas capazes de trazer a próxima idade do gelo.
A última, onze mil anos atrás, e a próxima levaria apenas 3 anos para começar.
Este perturbante e convincente romance é um dos últimos trabalhos do escritor de FC mais bem sucedido em seu gênero, nos dias de hoje. Famoso por sua trilogia, merecedora de todos os prêmios que arrebatou, sobre a colonização de Marte, tem na imaginação poderosa de Robinson, baseada na Ficção Científica, e presenteada por um poder arrebatador narrativo, não apenas o poder capaz de criar cenários apurados, mas também de abordar observações socias, arrebatando muitos devotos, não apenas aficcionados pelo gênero.
O objeto de seu último trabalho, particularmente em vista dos fatos assustadores que a natureza proporcionou aos EUA, sem dúvida lhe renderá mais leitores.

'Li anos atrás sobre a possibilidade do aquecimento global afetar a camada de gelo antártico e que o nível do mar iria crescer. Comecei a pensar, bem, o que nós faremos? Seria possível fazer alguma coisa? É neste ponto que entra a terraformação e a Ficção Científica'.
O conceito de terraformação - transformar a paisagem de um planeta para que adquira caracteristicas da Terra, é o centro da trilogia escrita por Robinson, na qual os personagens tentam mudar o clima de Marte em grande escala, a fim de trazer o planeta para uma temperatura habitável. Robinson usou este conceito para mais do que interferir na paisagem alienígena, até fazê-la se parecer com a Terra, mas na manipulação do nosso próprio planeta, a fim de desfazer os danos ambientais.
Mas o que parecia possivel na vastidão marciana é infinitamente mais complexo em um planeta que já comporta uma complexa biosfera povoada. Qualquer proposta de ação, poderia produzir não apenas uma tragédia mas reações, algumas inesperadas, o que um dos ecologistas do livro chamou de, 'a lei das consequências não intencionais'.

Parece tão fácil em Marte e tão dificil na Terra, o que é certamente irônico, Kim Robinson concorda: 'É infinitamente mais difícil quando já existe uma ecologia estabelecida. Não há lugar para erros. Alguns enganos não podem ser corrigidos.'

'Como?'
'A redução da acidez nos oceanos. É um problema no qual eu comecei a pensar ao final do segundo livro e que toma praticamente para si o terceiro livro. A maior parte do dióxido de carbono da atmosfera acaba no mar, aumentando sua acidez e causando dificuldades para as criaturas mais simples da vida marinha. E elas são a base da cadeia alimentar, na qual nós estamos no topo. Mas existem coisas que podemos fazer e creio que no futuro estaremos envolvidos em enormes projetos de terraformação, aqui mesmo, na Terra.'

A crença fundamental no poder da ciência, de reverter certas condições é a matéria dos livros de Robinson. Mas o quanto de fé podemos colocar na habilidade da humanidade de resolver os problemas que criou para si propria?

'Até agora, eu creio, as possibilidades são favoráveis, mesmo que estejamos causando pequenas extinções em massa, acredito que a razão vai ter que prevalecer. Se o dinheiro aplicado na economia de guerra fosse investido para restaurar a natureza, estariamos numa situação ainda melhor. Quando nações prósperas como os EUA, perceberem que estão condenando à morte suas crianças, haverá uma mudança mosntruosa de valores. Vai ser um século difícil, mas não imagino que as pessoas possam ser tão estúpidas ao ponto de se matarem'.

O livros de Robinson, um americano, tratam quase que exclusivamente do mundo americano. Com as evidências que as mudanças climáticas, disparadas pelo homem, já são perceptiveis ao longo de quase uma década, e a contínua política americana de ignorância e desrespeito, em não ouvir a comunidade internacional, pergunto para Robinson se ele culpa seu país pelos atuais níveis de aquecimento global.
'Os EUA estão sempre negando tudo! Pior do que isso, é admitir que preferimos que o mundo se consuma em chamas, ao invés de admitir que precisamos mudar nosso estilo de vida e que estamos errados. Aqui na Califórnia, 50% dos carros na estrada são SUV's (grandes veículos blindados) o que é uma declaração politica! Estão dizendo que vamos levar o resto do mundo pro buraco conosco e não damos a mínima! Essencialmente, são veiculos republicanos, quando você vê um SUV passar, pode apostar que o motorista votou em Bush. Existe uma pequena parte, uma minoria que está preocupada em reduzir emissão de gases aqui, mas o processo político é controlado por uma administração republicana, que praticamente serve aos intereses da indústria de petróleo. E vamos para as próximas eleições, sabendo que nas duas últimas, de formas diferentes, fomos roubados, não podemos mesmo esperar por um Estado democrático nunca mais! É bem apavorante!'
A desilusão de Robinson com o processo eleitoral americano fica clara em 'Fifty degrees below', quando ele especula sobre a existência de uma manipulação nos programas de computador para falsificar resultados eleitorais. Um número de paralelos entre o presidente republicano do livro de Robinson e a atual liderança dos EUA (Bush), leva a imaginar que existe nele uma sátira intencional da atual situação política.

'Sim, um pouco', admite. 'Mas é duro brincar com isso, a não ser através de humor negro. Em termos da caracterização do presidente, existem similiaridades, mas eu queria que o meu presidente parecesse um cara melhor do que o que temos hoje. Nosso presidente não presta, é provavelmente o pior de toda a história americana. Não é só estupido, mas tem uma capacidade reduzida, um idiota patológico, e acho que ele gosta de fazer coisas más. E penso que muitos do que o apoiam igualmente dão apoio a suas ações. São contra a ideía de progresso, contra o futuro, contra o resto do mundo. Este é o pior momento de nossa historia. Cruzo os dedos esperando uma eleição honesta em 2008.'
Dificilmente poderemos saber se o aquecimento global voltará as manchetes, assim como não é possível saber, se a atual administração americana acordará para os riscos das mudanças climáticas ou predizer os efeitos do abuso ao planeta em nós e em nossos filhos. Com o livro final da trilogia chegando ao fim no próximo ano, Robinson agora encara a tarefa de projetar como as mudanças climáticas se darão ao redor do globo nos próximos anos. Alguma sugestão?

'Bem', diz ele voltando ao otimismo do início da entrevista, 'Quero que as coisas terminem bem, que seja uma comédia e não uma tragédia. Eu quero no final, casamento e filhos'.

Entrevista para o GuardianUnlimited em Setembro de 2005.
* (O título 'Future tense' ou, 'Futuro tenso', é uma brincadeira com a forma do verbo no inglês, o futuro, o que está por vir, e o 'tenso', da situação dramática que a matéria aborda.)

KIM STANLEY ROBINSON

Kim Stanley Robinson (23 de Março, 1952) tem sido, desde o início de sua carreira, um dos escritores mais aclamados pelo público e críticos e é considerado por muitos como o melhor escritor de Ficção Científica vivo, além de um visionário.

Seu trabalho mistura e explora temas ecológicos e sociais com frequência e seus romances são o resultado de seu fascínio pela ciência, como o fruto de 15 anos de pesquisas e dedicação pelo planeta Marte, que culminou com a famosa (e premiada) série 'Mars'.

Robinson é um defensor do gênero e um apaixonado, apesar dos críticos considerarem a qualidade e a preocupação no desenvolvimento dos temas, como tendo pouco em comum com a Ficção Científica conhecida.

Foi várias vezes premiado (Hugo, Nebula e Locus Awards, entre outros) e devido ao seu best-seller Antártica, foi convidado pela US National Science Foundation a tomar parte do projeto Antarctic Artists and Write's. No livro, Robinson descreve uma paisagem alienígena, uma terra de gelo, mas não se trata de outro planeta, mas do último paraíso terrestre, onde uma disputa entre corporações, políticos e ambientalistas, irá determinar o futuro do planeta.

Robinson mora atualmente em Davis, Califórnia, depois de viver em diversos países e hoje está envolvido com estudos de aproveitamento de recursos naturais em horticulturas da sua região. Planetólogo, título que recebeu de organizações ecológicas, Robinson é palestrante voluntário em cooperativas e tem influênciado com seu pensamento e seu trabalho de conscientização, representantes do governo americano e artistas.


The ambiguos utopian - entrevista sobre o livro 'The Years of Rice and Salt'

Tech Nation - podcast sobre o livro 'Fifty Degrees Below'

Chop Wood, Carry Water - entrevista para a revista Locus Online


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domingo, 27 de janeiro de 2008

Incômodos Prazeres - J G Ballard



'Acredito firmemente que a ficção científica, longe de ser um gênero menor e sem importância, na realidade representa a principal tradição literária do século 20, e certamente a mais antiga -uma tradição de resposta imaginativa à ciência e à tecnologia que segue uma linha ininterrupta, passando por H. G. Wells, Aldous Huxley, pelos escritores da moderna ficção científica norte americana, até os inovadores atuais como William Burroughs.

O principal "fato" do século 20 é o conceito de possibilidade ilimitada. Este predicado da ciência e da tecnologia enfatiza a noção de uma moratória sobre o passado- a irrelevância e mesmo a morte do passado - e as ilimitadas alternativas disponíveis para o presente.

O que liga o primeiro vôo dos irmãos Wright à invenção dapílula é a filosofia social e sexual do assento ejetor.Dado este imenso continente de possibilidades, poucas literaturas parecem estar melhor equipadas para lidar com seus temas do que a ficção científica.

Nenhuma outra forma de ficção tem o vocabulário de idéias e imagens necessário para abordar o presente, muito menos o futuro. A característica dominante da literatura moderna é o seu sentido de isolamento individual, sua atitude de introspecção e de alienação, uma disposição mental sempre indicada como sendo a marca registrada da consciênciado século 20.

Longe disso. Ao contrário, parece-me que esta é uma psicologia que pertence inteiramente ao século 19, parte de uma reação contra as enormes restrições da sociedade burguesa, contra o caráter monolítico da época vitoriana e a tirania do paterfamilias, seguro de sua autoridade financeira e sexual. Exceto pela tendência marcadamente retrospectiva, e pela obsessão com a natureza subjetiva da experiência, os seus verdadeiros temas são a racionalização da culpa e o estranhamento.
Seus elementos são a introspecção, o pessimismo e a sofisticação.
Se alguma coisa caracteriza o século 20 é o otimismo, é a iconografia do merchandising de massa, a ingenuidadee o prazer isentos de culpa diante de todas as possibilidades da mente. A espécie de imaginação que se manifesta agora na ficção científica não é algo novo.
Homero, Shakespeare e Milton, todos eles inventaram novos mundos para criticarem este aqui. A transformação da ficção científica em um gênero independente, e um tanto desonroso, é um desenvolvimento recente.
Ele está relacionado com o quase desaparecimento da poesia dramática e filosófica, e com a lenta retração do romance tradicional na medida em que ele se preocupa, de modo cada vez mais exclusivo,com as nuances das relações humanas.

Entre aquelas áreas negligenciadas pelo romance tradicional estão, em primeiro lugar, a dinâmica das sociedades humanas (o romance tradicional tende a retratar a sociedade como se fosse estática) e o lugar do homem no universo.

Ainda que de modo cruel ou ingênuo, a ficção científica, pelo menos, tenta estabelecer uma moldura filosófica ou metafísica em torno dos mais importantes eventos de nossas vidas e de nossas consciências.

Se faço esta ampla defesa da ficção científica é porque, obviamente, minha própria carreira enquanto escritor esteve envolvida com ela durante quase vinte anos.

Desde o início, quando pela primeira vez voltei-me para a ficção científica, estava convencido de que o futuro era uma chave melhor para o presente do que o passado.

Na época, contudo, estava insatisfeito com a obsessão da ficção científica com os seus dois temas principais - o espaço exterior e o futuro distante. Mais por propósitos emblemáticos do que por qualquer teoria ou programa, batizei o novo terreno que desejava explorar de "espaço interior", aquele domínio psicológico (manifesto,por exemplo, na pintura surrealista) no qual o mundo interior da mente e o mundo exterior da realidade encontram-se e se fundem.

O que desejava era, primordialmente, escrever ficção sobre os dias atuais. Fazer isto no contexto do final dos anos 50, em um mundo no qual o sinal do Sputnik l podia ser ouvido em qualquer rádio, como o farol avançado de um novo universo, exigia técnicas completamente diferentes daquelas disponíveis para o romancista do século 19.

Na verdade, acredito que se pudessem esquecer toda a literatura existente e fossem obrigados a recomeçar sem qualquer conhecimento do passado, todos osescritores se veriam, inevitavelmente, produzindo algo muito próximo da ficção científica.

A ciência e a tecnologia multiplicam-se ao nosso redor.
Em uma proporção cada vez maior, elas ditam as linguagens nas quais falamos e pensamos.
Ou usamos essas linguagens ou permanecemos mudos.

Contudo, por um paradoxo irônico, a moderna ficção científica tomou-se a primeira vítima do mundo cambiante que ela antecipara e ajudara a criar.

O futuro concebido pela ficção científica dos anos 40 e 50 já pertence ao passado.
Suas imagens dominantes, não somente aquelas dos primeiros vôos à Lua e das viagens interplanetárias,mas também as de um mundo cujas relações sociais e políticas são governadas pela tecnologia, assemelham-se agora a imensas peças de um velho cenário.

Para mim, isto pode ser visto de maneira extremamente tocante no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, que significou o fim do período heróico da moderna ficção científica - seus panoramas e costumes admiravelmente concebidos, seus enormes cenários, lembraram-me.. E o Vento Levou, uma representação científica que tornou-se uma espécie de romance histórico ao inverso, um mundo fechado no qual a dura luz da realidade contemporânea nunca conseguiu penetrar.

Nossos conceitos do passado, presente e futuro estão sendo forçados, de forma crescente, a sofrer um processo de revisão. Assim como o passado, em termos sociaise psicológicos, tornou-se uma vítima de Hiroshima e da era nuclear (quase que por definição um período no qual somos todos forçados a pensar prospectivamente), o futuro também está deixando de existir, devorado por um presente que é todo voracidade.

Anexamos o futuro ao nosso próprio presente, como mais uma simples alternativa entre as múltiplas que se abrem para nós.

As opções multiplicam-se ao nosso redor, vivemos em um mundo quase infantil no qual qualquer demanda, qualquer possibilidade, seja por estilos de vida, viagens, papéis sexuais e identidades, pode ser instantaneamente satisfeita.

Além disso, sinto que o equilíbrio entre a ficção e a realidade alterou-se significativamente na década passada. Seus papéis estão sendo cada vez mais invertidos.

Vivemos em um mundo governado por ficções de toda espécie o merchandising de massa, a publicidade, a política conduzida como um ramo da propaganda, a tradução instantâneada ciência e da tecnologia em imagens populares, a crescente mistura e interpenetração de identidades no reino dos bens de consumo, a apropriação pela televisãode qualquer resposta imaginativa livre ou original à experiência.
Nossa vida é uma grande novela para o escritor, em particular, torna-se cada vez menos necessário inventar o conteúdo fíccional de sua obra.
A ficção já está aí.

A tarefa do escritor é inventar a realidade.

No passado, sempre consideramos que o mundo exterior em tomo de nós representava a realidade, por mais incerta ou confusa que fosse, e que o mundo interior de nossas mentes, seus sonhos, esperanças e ambições, representava o reino da fantasia e da imaginação. Esses papéis também, me parece, foram invertidos.

O mais prudente e efetivo método de lidar com o mundo ao nosso redor consiste em assumir que ele é uma ficção completa e, inversamente, que o único e pequeno núcleo de realidade que nos resta está no interior das nossas próprias cabeças.

A clássica distinção de Freud entre os conteúdos manifesto e latente do sonho, entre o aparente e o real, precisa agora ser aplicada ao mundo externo da assim chamada realidade.
Dadas essas transformações, qual é a principal tarefa com a qual se depara o escritor? Pode ele ainda utilizar as técnicas e as perspectivas do romance tradicional do século 19, com sua narrativa linear, sua cronologia medida e seus personagens consulares pretensiosamente povoando seus domínios no interior de uma ampla escalade tempo e de espaço?
Serão os seus temas principais as fontes do caráter e da personalidade profundamente mergulhadas no passado, a calma inspeção das raízes, oexame das mais sutis nuances do comportamento social e das relações pessoais?

Tem ainda o escritor a autoridade moral para inventar um mundo auto-suficiente e fechado,para conduzir seus personagens como um examinador, sabendo todas as questões de antemão?
Pode ele deixar de lado tudo aquilo que prefere não compreender, inclusive os seus próprios motivos, preconceitos e psicopatologias?

Sinto que o papel do escritor, sua autoridade e liberdade para agir, modificaram-se radicalmente. Sinto que, em certo sentido, o escritor não sabe mais de nada.
Ele não tem instância moral.
Ele oferece ao leitor o conteúdo da sua própria cabeça, oferece um conjunto de opções e alternativas imaginativas.
Seu papel é o do cientista que, no campo ou no laboratório, se depara com algo completamente desconhecido. Tudo que ele pode fazer é estabelecer algumas hipóteses e testá-las contra os fatos.

Crash! é um livro assim, uma metáfora extrema para uma situação extrema, um conjunto de medidas desesperadas que só devem ser utilizadas em uma crise extrema.

Se estou certo, e o que fiz nos últimos anos foi redescobrir o presente para mim mesmo, Crash! assume sua posição como um romance cataclísmico sobre os dias atuais,ao lado de minhas obras anteriores que abordam o cataclismo mundial no futuro próximo ou imediato- The Drowned World, The Drought e The Crystal World.Crash!, naturalmente, não trata de um desastre imaginário, ainda que iminente, mas de um cataclismo pandêmico, institucionalizado por todas as sociedades industriais,que mata centenas de milhares de pessoas todos os anos e vitima milhões.

Será que percebemos, na batida de carro, um presságio sinistro do casamento tenebroso entre o sexo e a tecnologia? Será que a moderna tecnologia nos proporcionará meios, até agora não sonhados, para controlar as nossas próprias psicopatologias?

Será que esta utilização da nossa perversidade inata trará algum benefício concebível para nós? Será que existe aí uma lógica desviante mostrando-se mais poderosa do queaquela fornecida pela razão.

Em Crash! utilizei o carro não apenas como uma imagem sexual mas como uma metáfora total para a vida do homem na sociedade atual.

Como tal, o livro tem um papel político bastante distanciado do seu conteúdo sexual, mas eu ainda gostaria de pensar que Crash! é o primeiro romance pornográfico baseado na tecnologia.

Em certo sentido, a pornografia é a mais política das formas de ficção, pois tenta mostrar como nos usamos e nos exploramos mutuamente, da maneira a mais insistente e implacável possível.

Desnecessário dizer que o objetivo final de Crash! é admoestatório, é um aviso contra um mundo brutal, erótico e ofuscante, que nos acena, cada vez mais persuasivamente, das margens do cenário tecnológico.'

JGBallard ( introdução da edição francesa de 'Crash')

J G BALLARD

James G. Ballard nasceu em 15 de Novembro de 1930 em Shangai, China. Depois do ataque a Peal Harbor, Ballard e sua família foram colocados em um campo de concentraçãopara civis. Retornaram à Inglaterra em 1946. Ballard passou dois anos em Cambridge, estudando medicina e trabalhou como redator de propaganda e porteiro antes de ir para o Canadá, com a RAF- Republican Air Force. Em 1956, seu primeiro conto foi publicado e Ballard começou a trabalhar como editor de uma publicação científica, onde permaneceu até 1961. Ballard é autor de mais de 10 romances e diversos contos publicados em várias revistas e antologias. O estilo de Ballard é sofisticado, as vezes bizarro.
Sua tendência de provocar o leitor a fim de fazê-lo refletir, faz com que Ballard escolha por não fazer parte do mercado de massa, porém é considerado pelos críticos como um dos mais proeminentes escritores do Reino Unido.
Ficou conhecido no Brasil depois que seu livro autobiográfico, "O Império do Sol" foi filmado por Steven Spielberg.


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sábado, 26 de janeiro de 2008

O sofrimento de um escritor (de Ficção Científica) - Isaac Asimov






Em teu cérebro repousam desordenadas as idéias.
Tramas de ficção científica que elabora com grande prazer.
Juntam-se em sua cabeça e de forma obstinada te ferem até se ver inquieto e louco de raiva.
Quando com a mulher amada, sua mente gira como um torvelinho, até o ponto de não mais ouvi-la. Quando em meio a um concerto, recorda o passado e perde uma nota da sinfonia que executava. Ao volante do carro, repara muitos metros depois, ter passado por um sinal vermelho e para completar, caramba, acerta a lateral de um outro veículo, espatifando seus faróis.
Quando teu chefe lhe dá um tapa nas costas (por ter feito um bom trabalho) e te olha com uma cara estúpida, e você diz algo idiota e ele se convence que você bebeu.
Quando coisas assim te sucedem, te deixando aborrecido, não culpe as forças sobrenaturais.
Se és um escritor de ficção científica, você se verá desviado de teu prumo, tão certo quanto as estrelas seguem suas órbitas, tua mente de escritor, surda, muda e cega às tolices da vida que te oprime, enquanto as maravilhas do espaço te apertam num abraço entre estrelas.
Começas com uma nave, mergulhada na vertigem do hiper-espaço, em rota para Castor e que percebe, para sua infelicidade, estar perdida em uma galáxia como a nossa, porém desconhecida.
Sentindo-se aflito pela continuação, inventa uma série de criaturas, vilãs e trapaceiras, de aparência horrível e com as piores e mais perversas intenções.
Nossos bravos heróis, enfrentando estas hordas, se vêem em situações cruciais, uma vez que o inimigo descobriu nossa galáxia e pretende subjuga-la.
Agora vem a complicação, pois precisa resolver a questão, de modo a manter o interesse no relato.
Os terrestres são quatro (não mais que isso) enquanto o número de inimigos é incalculável.
Nossos heróis são capturados e levados até os tirânicos e desprezíveis líderes que perguntam
‘Onde fica a Terra?’ e eles permanecem silenciosos, com a bravura que encantará os seus leitores.
Espera um pouco... Vejamos, assim não dá! Esqueceu da mocinha! Inventa uma e a faz boa e pura (com algum atrativo sexual) e não a veste por demais. Faz com que faça parte da tripulação, assim também será capturada e os inimigos lhe devorarão com olhos lascivos.
Há um desejo intenso nos olhos dos malvados, o que não espanta; a mocinha é de perto linda e suave como uma pluma.
Não, melhor corrigir esta parte e desfazer a parte da sedução, pois como os inimigos são répteis, não seriam atraídos por ela.
Que então assustem a mocinha, ameaçando com suas armas, para tentar arrancar a confissão dos terrestres. Então estes conseguem romper suas algemas, escreva algumas cenas violentas de luta. Cada terrestre é um lutador nato e seus punhos valem por dezenas.
E chegado a este ponto da história sua cabeça já estará dando voltas.
Já não sabe onde estás, nem onde estacionou o carro, sua gravata está torta e não tem idéia das horas, nem se dá conta do que estão a falar, nem por que te olham daquele jeito, duvidando se és um tipo esquisito ou se está louco, o que explica o brilho dos olhos, até que finalmente concluem que está fora de si.
Mas a tortura passou.
E foi por gosto e por prazer de deixar no papel antes em branco, as palavras bem escolhidas, por ter acabado de escrever um novo conto de ficção científica.
Isaac Asimov - 1957

ISAAC ASIMOV

Isaac Asimov (2 de Janeiro 1920 – 6 de Abril 1992) nasceu em um gueto (Petrovichi) da cidade russa de Smolensk, com 3 anos de idade sua família imigrou para os EUA, instalando-se no Brooklyn, Nova York. Entrou para a universidade aos 15 anos e aos 18 vendeu sua primeira história para a revista ´Amazing Stories´. Ainda muito jovem, aos 28 anos, descontados os anos em que serviu na Segunda Guerra, Asimov conseguiu seu Ph. D. em bioquímica. Ensinou a matéria entre 1949 e 1958 na Universidade de Boston. A partir de 1958 viveu exclusivamente de escrever, não só romances e contos como também livros de popularização científica, estudos sobre a Bíblia, sobre Shakespeare, humor, história etc, num total de mais de 400 livros.

Além das séries Fundação, Império e Robôs, escreveu uma série juvenil de caráter educativo, Lucky Starr, usando o pseudônimo 'Paul French'.

É considerado um dos três mestres da FC, junto com Robert A. Heinlein e Arthur Charles Clarke.
Asimov também elaborou as famosas Três Leis Fundamentais da Robótica:

Primeira Lei - Um robô não pode causar dano a um ser humano nem , por omissão, permitir que um ser humano sofra.

Segunda Lei - Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto quando essas ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.

Terceira Lei - Um robô deve proteger sua própria existência, desde que essa proteção não se choque com a Primeira nem com a Segunda Lei da robótica.

O 'bom doutor', como era conhecido, foi membro (ainda que relutante) da MENSA e possuia um Q.I. altíssimo, tem um um asteroíde batizado com seu nome e curiosamente tinha medo de voar (só o fez duas vezes) e portanto realizar grandes viagens era muito difícil para ele...nos últimos anos de vida, descobriu o conforto dos navios cruzeiros, onde inclusive realizou palestras científicas. Dizia lamentar não saber nadar ou andar de bicicleta e mal sabia dirigir.


Asimov morreu em 1992 e dez anos depois, foi revelado em sua biografia que morrera por consequência da AIDS contraída em uma transfusão de sangue, durante uma cirurgia de ponte de safena em 1983.

Mazel Tov Asimov !!

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O futuro começou - os primeiros contos de Asimov [ Download ]
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GEORGE ORWELL

Eric Arthur Blair (25 de Junho 1903 – 21 Janeiro 1950), era o nome de batismo do escritor britânico George Orwell nascido em Bengala, Índia. Reconhecido por ser seus ensaios sobre política e cultura, assim como seus romances, Orwell está entre os mais admirados ensaístas ingleses do século 20; mas ficou mais conhecido por dois livros escritos no final de sua curta vida, a alegoria política 'Animal Farm' e '1984'. Esta última descrevia uma distopia totalitarista tão bem que o adjetivo 'Orwelliano' é comumente usado para descrever mecanismos de controle do pensamento. Trabalhou também como oficial de polícia em Burma, professor, assistente de livraria em Londres, foi voluntário na Guerra Civil espanhola, segurança e vigia durante a Segunda Guerra Mundial, comentarista da BBC, editor literário e correspondente de guerra.

Orwell não gozou em vida o sucesso e respeito que lhe é conferido atualmente, morreu doente e na miséria. Em seu testamento, pediu que não fossem escritas biografias a seu respeito, o que não foi respeitado.


1984 [ Download ]

A revolução dos bichos (Animal Farm) [ Download ]

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

FRANK BELKNAP LONG

Frank Belknap Long (27 Abril 1903 - 3 Janeiro 1994) foi um prolífico escritor americano de horror, fantasia, ficção científica, poesia, romance gótico e não-ficção, porém ficou mais conhecido pelos contos curtos de horror, incluindo sua contribuição ao mito Cthulhu. Recebeu os prêmios World Fantasy Award, Bram Stoker Award e o First Fandom Hall of Fame Award (1977).


Este estranho manãna [ Download ]
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El hombre de las mil piernas [ Download ]
Los devoradores del espacio [ Download ]

EDWARD ELMER SMITH (E.E. 'DOC' SMITH)

'The skylark of space'


Edward Elmer Smith (2 de Maio 1890 - 31 de Agosto 1965) também conhecido como E.E. Smith, E.E. "Doc" Smith e 'Doc' Smith ficou conhecido pelas séries 'Lensman' e 'Skylark' entre outras.

Dr. Smith teve muitos empregos e possuia o título de doutor em Química, e trabalhou no desenvolvimento dos cereais como conhecemos hoje, antes de servir às forças armadas americanas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 'Triplanetary', um de seus romances, Smith demonstra familiaridade com explosivos e a manufatura de munição, sua especialidade dos tempos de guerra.

'Doc' Smith era amigo pessoal de Robert A.Heinlein.

Suas histórias são comumente chamadas de 'space operas' e se caracterizam pela ação constante; apesar disso, seus romances são considerados de Ficção Científica por extrapolarem a ciência conhecida na primeira metade do século dezenove.

Dizia que quanto mais improvável a tecnologia que inventava, melhor!


Triplanetário [ Download ]
Triplanetary [ Download ]
La estrella apagada (The skylark of space) [ Download ]

domingo, 20 de janeiro de 2008

DAVID BRIN

O polêmico Glen David Brin (6 de Outubro 1950) ganhou os dois prêmios de Ficção Científica em língua inglesa mais respeitados, o Hugo e o Nebula. Atualmente mora no sudoeste da Califórnia onde trabalha como professor, além de servir como consultor da NASA eventualmente.

Seu romance de estreía, o cultuado 'The Postman' se tornou filme, com Kevin Costner no papel principal e na direção, porém todos os elementos de FC foram retirados da trama, além de Brin não ter podido trabalhar no roteiro adaptado, como gostaria.
Recentemente causou polêmica ao declarar que "a mitologia futurista elaborada por George Lucas está difundindo uma visão elitista e antidemocrática sob o disfarce de diversão escapista."



The postman [ Download ]
El carteiro [ Download ]

C S LEWIS

Clive Staples Lewis (29 de Novembro 1898 – 22 de Novembro 1963) conhecido como C.S.Lewis nasceu em Belfast, Irlanda, mas viveu grande parte de sua vida na Inglaterra. Lewis é mais conhecido por seu trabalho com literatura medieval e pela sua série para crianças, chamada 'As crônicas de Narnia'. Lewis também escreveu Ficção Científica e sua trilogia 'Ransom' ( 'Out of the silent planet' é um dos volumes) foi fruto de uma conversa com o amigo J.R.Tolkien.

Site sobre C.S.Lewis


Sociedade brasileira sobre C.S.Lewis

As crônicas de Narnia - Volume I - O sobrinho do mago [ Download ]
Out of the silent planet [ Download ]

BRUCE STERLING

O americano Bruce Sterling (14 de Abril 1954) foi o organizador da antologia Mirrorshades e junto com William Gibson, Tom Maddox, Rudy Rucker, John Shirley, Lewis Shiner e Pat Cadigan, é considerado um dos fundadores do subgênero da Ficção Científica, o distópico e depressivo Cyberpunk.

Bruce serviu como inspiração para diversos projetos, que contaram com a sua colaboração, como o 'Dead Media', uma coleção de textos científicos sobre invenções tecnológicas do passado;
( http://www.deadmedia.org/ )
e o Movimento Viridiano, uma tentativa de se criar uma preocupação ecológica, desvinculada do movimento verde ( http://www.viridiandesign.org/ ).

Hacker crackdown - La caza de Hackers [ Download ]
Mozart in mirrorshades [ Download ]
Artificial kid - El chico artificial [ Download ]

sábado, 19 de janeiro de 2008

ALDOUS HUXLEY

Aldous Leonard Huxley (26 de Julho 1894 – 22 de Novembro 1963) nasceu na Inglaterra e emigrou para os EUA. Sua família era conhecida por produzir brilhantes cientistas. Mais conhecido por seus romances e ensaios, também escreveu contos curtos, poesia, diários de viagem e roteiros para cinema.

Uma característica comum em seu trabalho é servir como análise crítica de normas e padrões sociais. Ao final de sua vida, Huxley foi considerado um dos líderes do pensamento moderno.

Regresso ao Admirável Mundo Novo [ Download ]

HUGO GERNSBACK



Em 1926, o surgimento da revista 'AMAZING STORIES' coroava o nascimento da ficção científica moderna como gênero literário especializado e HUGO GERNSBACK (16 de Agosto 1884 - 19 de Agosto 1967), inventor, editor e escritor, nascido em Luxemburgo e emigrado para os EUA ainda jovem, se converteu no primeiro artífice deste movimento, merecendo ter recebido o título de 'Pai da Ficção Científica'.

Em sua homenagem foi criado o prêmio Hugo, um dos mais importantes e conhecidos prêmios do mundo e concedido pela World Science Fiction Society.

'The Most Amazing creatures' foi publicada no número de abril de 1927 da 'Amazing Stories' (ilustração de Virgil Finlay).

Site Oficial sobre Hugo Gernsback

LAS MAS EXTRAÑAS CRIATURAS - Hugo Gernsback [ Download ]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Fantasticon 2008


Organizado por Sílvio Alexandre, o Evento “Fantasticon” é uma conferência sobre literatura fantástica, horror e ficção científica, que ocorre dentro do “Encontro Internacional de RPG”, de São Paulo, o maior evento sobre o assunto da América Latina.

A Fantasticon 2008 será realizado nos dias 5 e 6 de julho de 2008, junto com o XVI EIRPG, no Colégio Marista Arquidiocesano, Rua Domingos de Moraes, 2565 – Vila Mariana – São Paulo – SP.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A Biblioteca Fantástica





Graças à parceria entre o CAPACITOR FANTÁSTICO e o Projeto Biblioteca Fantástica,
estaremos trazendo para vocês em 2008, o maior acervo existente de livros de Ficção Científica,
Terror, Fantasia, Mistério e Fantástico, com ênfase nos seus autores.



Outra novidade para 2008 é que estaremos recebendo por email, sugestões e pedidos.
Sabe aquele livro que você leu quando era garoto, e que nunca mais conseguiu encontrá-lo, pois mande um e-mail pra gente e o CAPACITOR FANTÁSTICO vai procurar para você!

FELIZ 2008 e boas leituras para todos!