,“Quase todas as ciências devem alguma coisa aos diletantes, freqüentemente, muitos pontos de vista valiosos. Mas o diletantismo como o princípio único seria o fim da ciência. Aquele que anseia pela ‘visão’, que vá ao cinema...” (Max Weber)
A ciência ocidental nos deu dois mundos: um mundo Newtoniano e um Darwiniano.
E se nós pudermos nos arriscar a uma definição ampla das nossas últimas descobertas científicas, poderíamos descrever como uma série de embates entre estas duas doutrinas: física versus biologia, a máquina versus o corpo, exploração de espaço versus a pesquisa molecular; um nos conduzindo às estrelas, o outro à célula; um fascinado por leis inexoráveis, o outro tendendo para a probabilidade estatística; um apontando para longe de Deus, o outro perseguido pela psique; um masculino, o outro inegavelmente fêmea.
E o vencedor desta competição poderá ganhar financiamento ilimitado e a completa lealdade das massas.
Por muitos anos, o mundo Newtoniano deteve o controle nesta competição; elaborando máquinas que responderiam nossas perguntas.
Bilhões foram destinados à robótica e programas espaciais; telescópios e sondas lançadas aos céus, mas quando transmitiram suas descobertas, todos eles nos mostraram mais estrelas brilhantes, mais galáxias espirais, mais vazio, mais perguntas.
Finalmente, perdemos a fé em Newton e nos jogamos aos pés da ciência Darwiniana, que fez crescer um ouvido humano nas costas de um rato e duplica um simples carneiro.
Nestes últimos 20 anos, nossa mudança de fé, nossa transição de Newtonianos para Darwinianos, pode ser traçada por uma série de filmes de ficção-científica de grande bilheteria.
Das décadas de 70 e 80 como sendo os últimos anos de dominação Newtoniana aos 90, marcando a ascensão do novo mundo Darwiniano.
‘Alien’, 1979, Ridley Scott
Este filme é excepcional não unicamente porque começa um ciclo que James Cameron identificou como “tecno-noir" (Blade Runner, Terminator, Robocop), mas pela primeira vez na ficção científica, um alienígena é imaginado, não como o descendente de uma civilização altamente organizada (‘Newton’), avançada em eficiência e com armas sofisticadas que vaporizam o inimigo, mas ao invés disso, como um primitivo sanguinolento, uma criatura empenhada em uma luta intergaláctica Darwiniana para a sobrevivência. Aqui a batalha entre as doutrinas está claramente representada, a ciência Newtoniana escapa por pouco, derrotando a criatura que fica perdida no espaço, sozinha entre as estrelas.
'Terminator', 1984, James Cameron
Embora a máquina tente passar por um ser humano, a estória assegura a honra e a dignidade emocional da espécie humana, amante da liberdade. Mas admiramos a eficiência do homem-máquina; o cyborg com seu exterior de imitação de carne humana e o esqueleto de metal. Esta criatura não tem emoções e sua vida tem significado totalmente Newtoniana.
‘RoboCop’, 1987, Paul Verhoeven
Como um ser humano comum, o oficial de polícia Murphy (Peter Weller) era um policial fraco com uma arma fraca tentando manter a ordem em uma cidade, que em todos os níveis (dos escritórios das corporações nas alturas aos pequenos negócios nas ruas) está fora de controle e torna-se "o coração das trevas." Mas como um homem-máquina equipado com armas poderosas, ele pode retornar com a sociedade à sua normalidade , como planetas rebelados de suas órbitas, voltam aos seus lugares Newtonianos. (É interessante notar que o RoboCop está quase morto na mesma fábrica (‘Fordiana’) decaída onde, sete anos mais tarde, o modelo T-800 em ‘Terminator 2’, o último homem-máquina, está para morrer em um banho líquido e quente.)
‘Aliens’, 1987, James Cameron
Imagine um planeta colonizado por seres humanos Newtonianos, que foram rapidamente destruídos por alienígenas Darwinianos, que culmina em um combate fatal entre a mulher-máquina (Ripley dentro de um manuseador-robô de carga pesada) e o alienígena. Novamente o mundo Darwiniano perde, mas não por muito tempo, sua vez está chegando.
‘Species’, 1995, Roger Donaldson
Com a destruição do último homem-máquina (Arnold Schwarzenegger) naquela triste despedida no fim de ‘Terminator 2’, o cenário é caracterizado, não unicamente pela era pós-industrial, mas também pela era ‘bestial’. Neste filme isto rapidamente torna-se claro, que o mundo, Darwiniano, é dominado por mulheres, reprodutores, as viúvas negras - e não por homens racionais de metal, como no mundo Newtoniano.
A história é esta: DNA humano é misturado com DNA alienígena, e o resultado é uma ultra-atrativa, hiper-instintiva, tremendamente sensual humana, dedicada ao fundamental (ou funnaminal, como Joyce poderia colocar isto) princípio Darwiniano: transar com machos saudáveis e produzir bebês-alienígenas saudáveis.
‘Mimic’, 1997, Guillermo Del Toro
Em ‘Mimic’, uma bióloga brilhante (Mira Sorvino), que é estéril e falha em produzir crianças com o companheiro viril (que é também um cientista, mas de menor importância) salva o planeta de uma infestação de baratas mortais. Mas ao tocar nos segredos do DNA, torna-se a mãe de uma nova semente de insetos-humanos que, outra vez, são dirigidos por motivos Darwinianos - eles não desejam apenas sobreviver, mas dominar Nova Iorque, a capital do mundo financeiro e centro de comando para não menos do que todos aqueles satélites transmitindo dinheiro virtual.
‘Alien: Resurrection’, 1997, Jean Pierre Jeunet
Neste novo ‘Alien’, Ripley é transformada por experimentos (DNA) , numa poderosa criatura (besta). Nesta condição, ela está distante do homem-máquina que tentou tornar-se em ‘Aliens’, ao invés disso, aqui ela é perfeição, perfeição da natureza, perfeição de movimento, sexualidade, instintos. Neste formato mais elaborado, ela torna-se a mãe e rainha dos aliens (ela também esbarra na semelhança com a Rainha Elizabeth I, ou ao menos os desenhos que tenho visto desta criatura mítica). E ao fim do filme, vemos seus descendentes retornarem para a Terra, para controlar o povo esperançoso e possivelmente proibir a exploração do espaço para sempre.
Apesar de grupos de resistência à ordem Darwiniana ainda persistirem, e muitos que "adoram o espaço" estão bastante céticos sobre o futuro das corporações de biotecnologia (como em ‘Blade Runner’), o fim do espaço é definitivo. A palavra oficial da 20th Century Fox Estudio, produzindo o próximo 'Alien' diz tudo: "O filme se passará na Terra."
Considere filmes mais recentes, como o de Paul Verhoeven, ‘Starship Troopers’ e Andrew Niccol ‘,Gattaca’. Ambos pretendem deixar claro que o valor social dos ‘Exploradores Espaciais’, ‘Viajantes das estrelas’ e ‘Uniões Galácticas’ não passam de vapores de pura fantasia.
(Em ‘Gattaca’, o programa espacial às luas geladas de Saturno, funciona unicamente como uma metáfora do desejo interior do herói para escapar a realidade eficiente da bio-utopia na Terra.)
O mundo Newtoniano não mais nos transmite ou pressupõe um futuro acreditável, ao invés disso, é útil unicamente quando se deseja olhar para trás, como com o mito dos Cavaleiros do Rei Arthur, decifra os medos e sonhos do passado, muito tempo atrás, em um lugar distante, muito distante...
Charles Tonderai Mudede nasceu em Zimbabwe. Ele vive hoje em Seattle e, junto com o ensino de literatura no Seattle Arts and Lecture , contribui como crítico de cinema no semanal ‘The Strange’.
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sábado, 15 de setembro de 2007
'Do Pai-Robô à Bio-Puta" - Charles Tonderai Mudede
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Jules Verne (Matéria sobre o Centenário da Morte)
O mundo mágico criado, atualmente, por escritores, roteiristas e diretores de filmes como "O senhor dos anéis", "Harry Potter" e "Guerra nas estrelas", certamente paga um tributo ao pai da ficção científica, cuja morte completa cem anos.
O FANTÁSTICO NAS IMAGENS.
DePauw, dos EUA, analisou as ilustracoes das obras de Julio Verne e concluiu que, para cada seis ou oito páginas, há uma imagem que ilustra os protagonistas, locais visitados, documentos (como mapas e cartas náuticas) e acontecimentos, geralmente antecedendo os fatos narrados, como uma forma de motivar a leitura. Para Evans, as ilustracões teriam mais um valor pedagógico do que propriamente o de reproduzir momentos cruciais da história. Entre os principals ilustradores de Julio Verne estavam George Roux e León Benett, cujo trabalho era minuciosamente acompanhado e muitas vezes até modificado pelo próprio autor das histórias. Certa vez, o editor Hetzel se viu obrigado a intervir em um aparente desentendimeto entre Verne e Benett sobre a representacao de um dos protagonistas. Embora Julio Verne nunca tenha visitado o Brasil, ambientou uma de suas Viagens Extraordinárias em solo nacional. Em A jangada – 800 léguas pelo Amazonas, publicada em 1881, conta a trajetória de uma família em uma espécie de casa flutuante até o destino final, Belém, para realizar o casamento da filha. Há também mencões ao descobrimento oficial do Brasil, em uma publicacao de 1873.
Obras mais populares de Julio Verne:
■ Cinco semanas em um balão, 1863
■ Paris no século XX, 1863
■ Viagem ao centro da terra, 1864
■ Da terra a lua, 1865
■ Vinte mil léguas submarinas, 1870
■ A volta ao mundo em oitenta dias, 1872
■ A ilha misteriosa, 1874
■ Robur, o conguistador, 1886
sábado, 25 de agosto de 2007
Asimov's Science Fiction - Jan-Jul-2007

Asimov's Science Fiction - Janeiro a Julho de 2007 ( Download )
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Logan's run - Roteiro de David Zelag Goodman (1975)

Logan's run - Roteiro de David Zelag Goodman ( Download )
Charlie Stross - entrevista I
"Escrevo Ficção Científica como meio de vida.
Possivelmente, por causa disso, as pessoas acreditam que eu devo ser um entusiasta da exploração espacial e da colonização do espaço. Exploração espacial? Está bem, sou a favor do avanço dos empreendimentos científicos, mas a atual colonização do espaço é outra questão e aquelas pessoas sensíveis (ou otimistas), devem parar de ler este artigo por aqui..."
http://www.antipope.org/charlie/blog-static/2007/06/the_high_frontier_redux.html
The last hero (graphic novel) - Terry Pratchett

The last hero (graphic novel) - Terry Pratchett ( Download )
domingo, 12 de agosto de 2007
‘O presidente negro’ - Monteiro Lobato

O DESASTRE
Achava-me um dia diante dos guichês do London Bank á espera de que o pagador gritasse a minha chapa, quando vi a cochilar num banco ao fundo certo corretor de negócios meu conhecido. Fui-me a ele, alegre da oportunidade de iludir o fastio da espera com uns dedos de prosa amiga.
— Esperando sua horinha, hein? disse-lhe com um tapa amigável no ombro, enquanto me sentava ao seu lado.
— É verdade. Espero pacientemente que me cantem o numero, e enquanto espero filosofo sobre os males que traz á vida a deshonestidade dos homens.
— ?
— Sim, porque se não fosse a deshonestidade dos homens tudo se simplificaria grandemente. Esta demora no pagamento do mais simples cheque, donde provém? Da necessidade de controle em vista dos artifícios da deshonestidade. Fossem todos os homens sérios, não houvesse hipotese de falsificações ou abusos, e o recebimento de um dinheiro far-se-ia instantaneo. Ponho-me ás vezes a imaginar como seriam as coisas cá na terra se um sabio eugenismo désse combate á deshonestidade por meio da completa eliminação dos deshonestos.
Que paraíso!
— Tem razão, concordei eu, com os olhos parados de quem pela primeira vez reflete uma ideia. A vida é complicada, existem leis, polícia, embaraços de toda especie, burocracia e mil peia?, tudo porque a deshonestidade nas relações humanas constitue, como dizes, um elemento constante. Mas é mal sem remedio...
E por aí fomos, no filosofar vadio de quem não possue coisa melhor a fazer e apenas procura matar o tempo. Passamos depois a analisar varios tipos ali presentes, ou que entravam e saíam, na azafama peculiar aos negocios bancarios. O meu amigo, frequentador que era dos bancos, conhecia muitos deles e foi-me enumerando particularidades curiosas relativas a cada qual. Nisto entrou um velho de aparencia distinta, já um tanto dobrado pelos anos.
— E aquele velho que ali vem? perguntei.
— Oh! Aquele é um caso sério. O professor Benson, nunca ouviu falar?
— Benson... Esse nome me é desconhecido.
— Pois o professor Benson é um homem misterioso que passa a vida no fundo dos laboratorios, talvez á procura da pedra filosofal. Sabio em ciencias naturais e sabio ainda em finanças, coisa ao meu ver muito mais importante. E tão sabio que jamais perde. Dou-me com esses rapazes todos que trabalham nas seções de cambio e por eles sei deste homem coisas impressionantes. Benson joga no cambio, mas com tal segurança que não perde.
— Sorte!
— Não é bem sorte. A sorte caracteriza-se por um afluxo de paradas felizes, por uma media mais alta de lucro do que de perda. Mas Benson não perde nunca.
—Será possível?
— É mais que possível, é fato. Deve possuir hoje enorme fortuna. Mora em um complicado castelo lá dos lados de Friburgo, mas não cultiva relações sociais. Não tem amigos, ninguem ainda viu o interior do casarão onde vive em companhia de uma filha, servido por criados mudos, ao que dizem. Você sabe que depois da guerra o mundo inteiro jogou no marco alemão.
—Sei, sim, e fui uma das vitimas...
—Pois o mundo inteiro perdeu, menos ele.
—Absurdo! Só se fabricava marcos para vender.
—Ao contrario, comprava e revendia marcos já feitos. O marco, talvez você se lembre, teve em certo periodo uma oscilação de alta.
Renasceram as esperanças dos jogadores e o movimento de compras foi enorme. Benson vendeu nessa ocasião. Logo em seguida começou o marco desandar até zero e para nunca mais se erguer.
—Vendeu no momento exato, como quem sabe qual o momento exato de vender...
—Isso mesmo. Com o franco fez coisa identica. Comprou exatamente nos dias de maior baixa e vendeu exatamente nos dias de maior alta. Tem ganho o que quer ganhar, o raio do homenzinho...
—E para que necessita de tanto dinheiro?
—Ignoro. Não leva a vida comum dos nossos ricaços, não dá festas, não consta que seja explorado por mulheres. É positivamente misterioso o professor Benson — um verdadeiro magico que vê através do futuro.
Ri-me da expressão do meu amigo e qual filosofo barato murmurei com superioridade:
— Como pode ver através do que não existe? O futuro não existe...
O corretor respondeu-me com uma frase que naquele momento não compreendi:
— Não existe, sim, mas vai existir necessariamente.
— Dois mais dois — é o presente. A soma quatro é o futuro. Um futuro previsível...
— "Vinte e dois!" gritou uma voz da pagadoria.
Era o meu numero.
— Dois mais dois tambem podem ser vinte e dois, gracejei eu, despedindo-me do filosofo. Adeus, meu caro. Na proxima oportunidade você continuará com a demonstração.
Recebi o dinheiro e saí para o torvelinho das ruas, onde breve se me apagou do cerebro a impressão do professor Benson e das palavras do meu amigo.
Mas dá a vida misteriosas voltas e um belo dia, ao despertar de um sono letargico, quem vi eu diante dos meus olhos, qual um espetro?
O professor Benson!...
Não antecipemos, porém; e antes de mais nada permitam-me que fale um bocado da minha pessoa.
Era eu um pobre diabo para toda gente, exceto para mim mesmo. Para mim tinha-me na conta de centro do universo. Penso e sou,
dizia comigo, repetindo certo filosofo francês. Tudo gira em redor do meu ser. No dia em que eu deixar de pensar, o mundo acaba-se.
Mas isto parece que não tinha grande originalidade, pois todos os meus conhecidos se julgavam da mesma forma.
Eu vivia do meu trabalho, recebendo dele, não o produto, mas uma pequena quota, o necessario para pagar o quarto onde morava, a pensão onde comia e a roupa que vestia. Quem propriamente se gozava do meu trabalho era a dupla Sá, Pato & Cia., gordos e solidos negociantes que me enterneciam a alma nas epocas de balanço ao concederem-me a pequena gratificação constituidora do meu lucro. Com eles trabalhei varios anos, conseguindo reunir o modesto peculio que transformei em marcos e, com grande dor d'alma, vi se reduzirem a zero absoluto, apesar da teoria de que tudo é relativo.
Continuei no trabalho por mais quatro anos, daí por diante já curado de jogatinas e megalomanias.
Mas todos nós possuímos um ideal na vida. Meu amigo corretor sonha dirigir a carteira cambial de um banco. Aquele pobre que ali passa, tocando o realejo que herdou do pai e ao qual faltam tres notas, sonha com um realejo novo em que não falte nota nenhuma.
Eu sonhava... com um automovel. Meu Deus! As noites que passei pensando nisso, vendo-me no volante, de olhar firme para a frente,
fazendo, a berros de klaxon, disparar do meu caminho os pobres e assustadiços pedestres! Como tal sonho me enchia a imaginação!
Meu serviço na casa era todo de rua, recebimentos, pagamentos, comissões de toda especie. De modo que posso dizer que morava na rua, e o mundo para mim não passava de uma rua a dar uma porção de voltas em torno da terra. Ora, na rua eu via a humanidade dividida em duas castas, pedestres e rodantes, como os batizei aos homens comuns e aos que circulavam sobre quatro pneus. O pedestre, casta em que nasci e em que vivi até aos 26 anos, era um ser inquieto, de pouco rendimento, forçado a gastar a sola das botinas, a suar em bicas nos dias quentes, a molhar-se nos dias de chuva e a operar prodígios para não ser amarrotado pelo orgulhoso e impassível rodante, o homem superior que não anda, mas desliza veloz. Quantas vezes não parei nas calçadas para gozar o espetaculo do formigamento dos meus irmãos pedestres, a abrirem alas inquietas á Cadillac arrogante que por eles se metia, a reluzir esmaltes e metais! O ronco de porco do klaxon parecia-me dizer — "Arreda canalha!"
Sonhei, portanto, mudar de casta e por minha vez levar os pedestres a abrirem-me alas, sob pena de esmagamento. E o novo peculio, com tanto esforço acumulado depois do desastre germanico, não visava outra coisa. Foi, pois, com o maior enlevo d'alma que entrei certa manhã numa agencia e comprei a maquina que me mudaria a situação social. Um Ford.
Os efeitos dessa compra foram decisivos na minha vida. Ao veremme chegar ao escritorio fonfonando, os patrões abriram as maiores bocas que ainda lhes vi e vacilaram entre porem-me no olho da rua ou dobrarem--me o ordenado. Por fim dobraram-me o ordenado, quando demonstrei o quanto lhes aumentaria o renome da firma o terem um auxiliar possuidor de automovel proprio. E tudo correria pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis, se eu me não excedesse na furia de fordizar a todo o transe com o fito de embasbacar pedestres. A paixão da carreira grelara em mim e, depois de um mês, já não contente com a velocidade desenvolvida por aquele carro, pus-me a sonhar a aquisição de outro, que chispasse cem quilometros por hora. O aumento de ordenado permitiu-me varias excursões de maluco, nas quais me embriagava aos domingos da delicia de devorar quilometros.
Paguei diversas multas, matei meia duzia de cães e cheguei a atropelar um pobre surdo que não atendera ao meu insolente "Arreda!"
Tornou-se-me o pedestre uma criatura odiosa, embaraçadora do meu direito á rapidez e á linha reta. Pensei até em representar ao governo, sugerindo uma lei que proibisse a semelhantes trambolhos semoventes o transito pelas vias asfaltadas. Adquiri, em suma, a mentalidade dos rodantes, passando a desprezar o pedestre como coisa vil e de somenos importancia na vida.
[...]
O Presidente Negro ou O Choque das Raças (Romance americano do ano 2228) - Monteiro Lobato ( Download )
‘Alice no país das maravilhas’ - Lewis Carroll
‘The physics of Star Trek’ - Lawrence Krauss

'The physics of Star Trek' - Lawrence Krauss ( Download )
A Ficção Científica séria está morta ?
Para aqueles de nós que se importam com isso (e não, nós não moramos nos porões das casas dos nossos pais), o futuro do futurismo é de fato uma questão urgente. A ficção científica está prosperando em meio à pirotecnia dos efeitos especiais, ou ela está sofrendo uma morte lenta e abominável, sufocada pelo pensamento grupal da indústria de publicidade e pelos executivos sem imaginação do setor, que só desejam fazer continuações de filmes de sucesso?Falo na posição de um fã que tem opiniões sobre o assunto - como se houvesse outro tipo de fã - e que atestou a perfeita saúde e o futuro brilhante da ficção especulativa do século 21. Estou menos preocupado com o lançamento neste mês do filme “Transformers: O Filme” (”Transformers: The Movie”, EUA, 2007) com os seus colossais robôs alienígenas e elenco brilhante, do que com uma preponderante mudança cultural que parece tomar conta das fronteiras narrativas expansíveis da ficção científica. Não estou sequer levando em conta os recentes sucessos do gênero na televisão (”Battlestar Galactica”, “Heroes”, “The 4400″, “Lost”) ou a dominação mundial nos jogos (você escolhe).“A coisa atualmente está por toda parte.


A profissional de marketing e editora de ficção científica e fantasia Colleen Lindsay elogia bastante o livro de McCarthy, mas mostra-se irritada devido à sensação de que ele não é nenhuma novidade. “Trata-se de uma fantasia pós-apocalíptica para pessoas que não lêem fantasias. Vejam ‘The Postman’, de David Brin, e ‘Dies the Fire’, de S.M. Stirling”, diz ela: livros similares escritos por autores de gêneros literários específicos e lidos por nerds. “Ou então considerem o clássico de 1954 de Richard Matheson, “I Am Legend”, a obra original sobre germes zumbis, adaptada para filme em 1964 (”Mortos que Matam”/” The Last Man on Earth”, EUA/Itália), 1971 (”A Última Esperança da Terra”/” The Omega Man”, EUA) e agora em 2007 (” I Am Legend”, que deverá ser lançado em 14 de dezembro).
Kfir Luzzatto, um escritor de ficção científica que mora em Israel, menciona “A Agonia do Verde” (”The Death of Grass”, 1956), de John Christopher e “O Último Homem” (”The Last Man”, 1826) de Mary Shelley, que prevê um final de século 21 devastado por uma peste. “A cultura pós-apocalíptica se tornou para as pessoas modernas aquilo que as estórias de fantasma significavam para os nossos pais”, diz ele. “É uma maneira de expressar os seus temores quanto ao desconhecido e lidar com eles”.
Por outro lado, o elemento de maior entusiasmo presente na ficção científica continua sendo a luta entre o bem e o mal, e o bem continua vencendo - após uma luta extremamente barulhenta. Basta ver o caso de “Transformers”. “Nós acreditamos que estamos sós nesta luta constante, ou cremos que podemos ajudar uns aos outros?”, questiona Jamie Hari, que criou e administra o Marvel Database Project em Toronto. Hari, que diz, “a Marvel é o meu mundo” sem embaraço, vê na atração exercida pelos Transformers e robôs em geral “mais uma extensão do desejo humano pela tecnologia”.
Uma figura bastante familiarizada com esta idéia é Lawrence Krauss, professor de física da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, no Estado de Ohio, e autor do livro “The Physics of Star Trek” (”A Física de Jornada nas Estrelas”). “Se você assistir a ‘How William Shatner Changed the World’, verá que ele é o cara que faz pizza com Shat”.
“As pessoas gostam da idéia de um futuro cheio de esperanças”, diz Krauss, admitindo mais tarde: “É difícil para mim acreditar na visão utópica. Geralmente o gênero atrai a atenção quando é bem feito, mas não quando o resultado é algo como “Tropas Estelares” (” Starship Troopers”, EUA, 1997). Coisas como os insetos defecadores não me atraem nem um pouco”.
Porém, ele diz que a ciência, assim como a arte, leva em conta o nosso lugar no esquema cósmico. “A razão pela qual somos cientistas não é o desejo de criarmos uma torradeira melhor”, afirma. “Mas sim o fato de nos interessarmos por aquilo que é possível no universo”.
A julgar pelos lançamentos de filmes já agendados, eis o que é possível no universo. A Terra poderia ser invadida por invasores alienígenas de corpos (”Invasion”, 17 de agosto). Ela pode se deparar com a morte planetária devido a um sol moribundo (”Sunshine”, 20 de julho). Ou pode ser flagelada pelo terrorismo global (”Day Zero”, que está para estrear). Ou, no campo da engenharia, poderia haver a produção de uma armadura exoesqueletal super-poderosa (”Iron Man”, 2008), ou a formação de relações intergalácticas com extraterrestres de orelhas pontudas (”Star Trek”, 2008). Por outro lado, uma raça de pequenos alienígenas poderia passear pelo cosmo dentro de Eddie Murphy, que poderia a seguir se apaixonar por uma beldade terrestre (”Starship Dave”, 2008).
Tudo isso soa para John Moore, de Houston, um “nerd sem arrependimentos” e escritor de ficção científica e fantasia (”A Fate Worse than Dragons”), como notícias velhas. “A ficção científica é o presente. Nós vivemos em uma sociedade de ficção científica, e não me refiro apenas à tendência da sociedade de se cercar de aparelhos de alta tecnologia. O que quero dizer é que, a projeção no futuro, outrora o território do escritor de ficção científica, se transformou na modalidade dominante de pensamento. Esta é a influência da ficção científica no pensamento moderno”.
A ficção científica séria está morta?A ficção científica está morta. Longa vida à ficção científica.
Amy Biancolly - The New York Times News Services - 10/07/2007
EDGAR ALLAN POE
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe
EÇA DE QUEIROZ - 'A aia"
“…Era uma vez um rei, moço e valente, senhor de um reino abundante em cidades e searas, que partira a batalhar por terras distantes, deixando solitária e triste a sua rainha e um filhinho, que ainda vivia no seu berço, dentro das suas faixas. A lua cheia que o vira marchar, levado no seu sonho de conquista e de fama, começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros apareceu, com as armas rotas, negro do sangue seco e do pó dos caminhos, trazendo a amarga nova de uma batalha perdida e da morte do rei, trespassado por sete lanças entre a flor da sua nobreza, à beira de um grande rio…” ( Download )
José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de Novembro de 1845 numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, Portugal.
Horror ou Terror (II)
Nesta hora, convém pensar nas palavras, para que as palavras nos ajudem a entender e interpretar o que está acontecendo.Pensar é distinguir. É preciso distinguir entre terror e horror, duas palavras que parecem sinônimas mas não são, porque, lingüisticamente, não se justifica a existência de dois termos para um conceito idêntico.
Falamos em “filme de terror”, mas seria mais apropriado “filme de horror”. A diferença entre essas duas palavras está no sujeito que, ao assistir ao filme, se horroriza.
Um pouquinho de gramática não faz mal a ninguém.
O verbo horrorizar normalmente é reflexivo: horrorizar-se. Para funcionar, o verbo horrorizar necessita da colaboração do horrorizado. É como no verbo espanhol morirse. Para morrer (pelo menos em espanhol), é preciso que o morto “morra-se”, participe do ato de morrer. No caso de horrorizar-se, eu me horrorizo na medida em que estou suscetível a sentir o horror.
O terror é outra história.
Dificilmente alguém diz “aterrorizei-me vendo aquelas imagens”, pois o terror é produzido por outro sobre mim, e quem aterroriza (e isso é horrível e terrível!) não está aterrorizado nem horrorizado consigo mesmo.
O terror vem de fora. O horror vem de dentro.
O terrorista não se horroriza com o ato de aterrorizar os outros.
Horror é um sentimento de receio, de medo, de pavor perante algo ameaçador, odioso e perverso. Em sua origem latina, horrere significava ficar com os cabelos em pé. O horripilante, no horror, é essa sensação de um frio no estômago, na espinha, o suor frio, o frio da morte.
O terrorista pratica o terror com sangue frio. Para ele, não é horrível matar inocentes. É um meio para atingir um fim. O terrorista não teme, quer dominar a todos utilizando o medo, e para isso conta com a mídia, para que o mundo inteiro fique paralisado.
O grande esforço, agora, é não ficarmos horrorizados com o terror.
O grande esforço do homem civilizado é substituir o horror e o ódio por uma atitude de indignação que saiba propor, sem que se perca também a dignidade, ações que evitem os horrores da guerra.
Gabriel Perissé
CONTOS DE HORROR DO SÉCULO XIX
Le Fanu e o britânico de sangue azul Algernon Blackwood. Entre os autores, Manguel destaca a presença de Edgar Allan Poe, que “ofereceu ao mundo seus primeiros terrores profissionais, hoje célebres: ‘A queda da casa de Usher’, ‘O barril de Amontilhado’, ‘O gato preto’, ‘O coração delator’”. Allan Poe, que também inventou a literatura de investigação, comparece na antologia com um conto menos conhecido, “Os fatos no caso do sr. Valdemar”, mas de arrepiar do mesmo jeito. Publicado em 1845 (mesmo ano em que surgiu “O corvo”), levou muitos leitores a escreverem para o autor na crença de que se tratava de um história verídica. Trata-se de uma mistura de horror com ficção científica, tocando num tema dos mais atuais – a clonagem.
Um plus do volume são as traduções, entregues a escritores de renome (Milton Hatoum, Moacyr Scliar, Rubens Figueiredo) e especialistas na matéria (Jorio Dauster, José Rubens Siqueira, Sérgio Molina). Além disso, os tradutores foram escolhidos por sua afinidade com autores e obras, e se encarregam de apresentá-los ao leitor. Marcelo Pen, a quem coube a novela “A volta do parafuso”, de Henry James, discute a tradução do título: garante que se trata de um grande equívoco e que, a rigor, ela não quer dizer nada em português. Sustenta que “Turn of the screw” lembra thumbscrew, os “anjinhos”, antigos anéis de tortura com que se apertavam os dedos das vítimas. Contudo, mantém o título. Abre o livro uma raridade: a tradução de Rubem Fonseca para o clássico “A mão do macaco”, de W. W. Jacobs, que aparece em nove de dez antologias do gênero. Depois de lembrar o sucesso do conto, publicado pela primeira vez em 1902 e desde então teatralizado e adaptado ao cinema inúmeras vezes (estranhamente, com pouco êxito), Fonseca comete uma revelação de cunho pessoal. Conta que várias vezes narrou a história para seus filhos pequenos, sempre “num lugar em penumbra”, e que invariavelmente introduzia uma modificação no enredo, o que resultou numa versão ainda mais terrível, porque “eu emitia sons assustadores e andava de um lado para o outro, fazendo gestos e caretas aterradores”. Depois apresenta uma seleção original, de autores não óbvios (H. P. Lovecraft, Saki e Sherindan Le Fanu) ou bastante conhecidos mas não associados à literatura de horror – casos de O. Henry e Edith Warthon. Praticamente desconhecido no Brasil, Algernon Blackwood fecha o volume com uma obra-prima, Os salgueiros, relato caustrofóbico com pitadas de ficção científica. Heloisa preparou a seguir um livro inteiro com dez contos de Blackwood, A casa do passado, e outro com as “histórias de terror sarcástico” de Ambrose Bierce, Visões da noite, ambos da editora Record.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
FANTASTICON 2007
O evento, integrante do XV Encontro Internacional de RPG, foi organizado por Silvio Alexandre, com apoio da Devir Livraria, Terramédia e Pixel Media Editora.
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Tag: evento, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Horror
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Horror ou Terror ? (I)
Alberto Manguel faz uma distinção entre terror e horror, valendo-se de uma afirmação da escritora Ann Radcliffe, uma das pioneiras desse tipo de relato, ainda no século 18:
“O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma forma as aniquila”. Apesar de não discordar, este departamento prefere as diferenças apontadas pela escritora carioca Heloisa Seixas, ela própria uma cultora do que chama “contos assombrados” e, em grande medida, responsável pela recente onda de antologias do gênero no mercado brasileiro, pois organizou e traduziu a primeira delas, Depois (Record), em 1998. Escreve ela, à guisa de introdução:
“Qual seria a diferença entre história de horror e uma história de terror? Além da rima, essas duas palavras têm em comum o fato de que nos dão arrepios. Aliás, pelo menos uma delas – horror – vem do latim horrere, que quer dizer justamente arrepiar-se, estremecer. Mas a linha divisória entre uma e outra é de difícil definição. O horror seria talvez a resposta a uma realidade física horripilante. como por exemplo uma cena de assassinato ou tortura. Já o terror, forma mais poderosa de medo, seria o defrontar-se com o desconhecido – o sobrenatural”.
JORNAL DO BRASIL - Caderno idéias - Alvaro Costa e Silva
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