sábado, 15 de setembro de 2007

'Do Pai-Robô à Bio-Puta" - Charles Tonderai Mudede

,“Quase todas as ciências devem alguma coisa aos diletantes, freqüentemente, muitos pontos de vista valiosos. Mas o diletantismo como o princípio único seria o fim da ciência. Aquele que anseia pela ‘visão’, que vá ao cinema...” (Max Weber)

A ciência ocidental nos deu dois mundos: um mundo Newtoniano e um Darwiniano.

E se nós pudermos nos arriscar a uma definição ampla das nossas últimas descobertas científicas, poderíamos descrever como uma série de embates entre estas duas doutrinas: física versus biologia, a máquina versus o corpo, exploração de espaço versus a pesquisa molecular; um nos conduzindo às estrelas, o outro à célula; um fascinado por leis inexoráveis, o outro tendendo para a probabilidade estatística; um apontando para longe de Deus, o outro perseguido pela psique; um masculino, o outro inegavelmente fêmea.

E o vencedor desta competição poderá ganhar financiamento ilimitado e a completa lealdade das massas.

Por muitos anos, o mundo Newtoniano deteve o controle nesta competição; elaborando máquinas que responderiam nossas perguntas.
Bilhões foram destinados à robótica e programas espaciais; telescópios e sondas lançadas aos céus, mas quando transmitiram suas descobertas, todos eles nos mostraram mais estrelas brilhantes, mais galáxias espirais, mais vazio, mais perguntas.

Finalmente, perdemos a fé em Newton e nos jogamos aos pés da ciência Darwiniana, que fez crescer um ouvido humano nas costas de um rato e duplica um simples carneiro.

Nestes últimos 20 anos, nossa mudança de fé, nossa transição de Newtonianos para Darwinianos, pode ser traçada por uma série de filmes de ficção-científica de grande bilheteria.

Das décadas de 70 e 80 como sendo os últimos anos de dominação Newtoniana aos 90, marcando a ascensão do novo mundo Darwiniano.

‘Alien’, 1979, Ridley Scott

Este filme é excepcional não unicamente porque começa um ciclo que James Cameron identificou como “tecno-noir" (Blade Runner, Terminator, Robocop), mas pela primeira vez na ficção científica, um alienígena é imaginado, não como o descendente de uma civilização altamente organizada (‘Newton’), avançada em eficiência e com armas sofisticadas que vaporizam o inimigo, mas ao invés disso, como um primitivo sanguinolento, uma criatura empenhada em uma luta intergaláctica Darwiniana para a sobrevivência. Aqui a batalha entre as doutrinas está claramente representada, a ciência Newtoniana escapa por pouco, derrotando a criatura que fica perdida no espaço, sozinha entre as estrelas.


'Terminator', 1984, James Cameron

Embora a máquina tente passar por um ser humano, a estória assegura a honra e a dignidade emocional da espécie humana, amante da liberdade. Mas admiramos a eficiência do homem-máquina; o cyborg com seu exterior de imitação de carne humana e o esqueleto de metal. Esta criatura não tem emoções e sua vida tem significado totalmente Newtoniana.


‘RoboCop’, 1987, Paul Verhoeven

Como um ser humano comum, o oficial de polícia Murphy (Peter Weller) era um policial fraco com uma arma fraca tentando manter a ordem em uma cidade, que em todos os níveis (dos escritórios das corporações nas alturas aos pequenos negócios nas ruas) está fora de controle e torna-se "o coração das trevas." Mas como um homem-máquina equipado com armas poderosas, ele pode retornar com a sociedade à sua normalidade , como planetas rebelados de suas órbitas, voltam aos seus lugares Newtonianos. (É interessante notar que o RoboCop está quase morto na mesma fábrica (‘Fordiana’) decaída onde, sete anos mais tarde, o modelo T-800 em ‘Terminator 2’, o último homem-máquina, está para morrer em um banho líquido e quente.)


‘Aliens’, 1987, James Cameron

Imagine um planeta colonizado por seres humanos Newtonianos, que foram rapidamente destruídos por alienígenas Darwinianos, que culmina em um combate fatal entre a mulher-máquina (Ripley dentro de um manuseador-robô de carga pesada) e o alienígena. Novamente o mundo Darwiniano perde, mas não por muito tempo, sua vez está chegando.


‘Species’, 1995, Roger Donaldson

Com a destruição do último homem-máquina (Arnold Schwarzenegger) naquela triste despedida no fim de ‘Terminator 2’, o cenário é caracterizado, não unicamente pela era pós-industrial, mas também pela era ‘bestial’. Neste filme isto rapidamente torna-se claro, que o mundo, Darwiniano, é dominado por mulheres, reprodutores, as viúvas negras - e não por homens racionais de metal, como no mundo Newtoniano.
A história é esta: DNA humano é misturado com DNA alienígena, e o resultado é uma ultra-atrativa, hiper-instintiva, tremendamente sensual humana, dedicada ao fundamental (ou funnaminal, como Joyce poderia colocar isto) princípio Darwiniano: transar com machos saudáveis e produzir bebês-alienígenas saudáveis.


‘Mimic’, 1997, Guillermo Del Toro

Em ‘Mimic’, uma bióloga brilhante (Mira Sorvino), que é estéril e falha em produzir crianças com o companheiro viril (que é também um cientista, mas de menor importância) salva o planeta de uma infestação de baratas mortais. Mas ao tocar nos segredos do DNA, torna-se a mãe de uma nova semente de insetos-humanos que, outra vez, são dirigidos por motivos Darwinianos - eles não desejam apenas sobreviver, mas dominar Nova Iorque, a capital do mundo financeiro e centro de comando para não menos do que todos aqueles satélites transmitindo dinheiro virtual.


‘Alien: Resurrection’, 1997, Jean Pierre Jeunet

Neste novo ‘Alien’, Ripley é transformada por experimentos (DNA) , numa poderosa criatura (besta). Nesta condição, ela está distante do homem-máquina que tentou tornar-se em ‘Aliens’, ao invés disso, aqui ela é perfeição, perfeição da natureza, perfeição de movimento, sexualidade, instintos. Neste formato mais elaborado, ela torna-se a mãe e rainha dos aliens (ela também esbarra na semelhança com a Rainha Elizabeth I, ou ao menos os desenhos que tenho visto desta criatura mítica). E ao fim do filme, vemos seus descendentes retornarem para a Terra, para controlar o povo esperançoso e possivelmente proibir a exploração do espaço para sempre.

Apesar de grupos de resistência à ordem Darwiniana ainda persistirem, e muitos que "adoram o espaço" estão bastante céticos sobre o futuro das corporações de biotecnologia (como em ‘Blade Runner’), o fim do espaço é definitivo. A palavra oficial da 20th Century Fox Estudio, produzindo o próximo 'Alien' diz tudo: "O filme se passará na Terra."


Considere filmes mais recentes, como o de Paul Verhoeven, ‘Starship Troopers’ e Andrew Niccol ‘,Gattaca’. Ambos pretendem deixar claro que o valor social dos ‘Exploradores Espaciais’, ‘Viajantes das estrelas’ e ‘Uniões Galácticas’ não passam de vapores de pura fantasia.
(Em ‘Gattaca’, o programa espacial às luas geladas de Saturno, funciona unicamente como uma metáfora do desejo interior do herói para escapar a realidade eficiente da bio-utopia na Terra.)

O mundo Newtoniano não mais nos transmite ou pressupõe um futuro acreditável, ao invés disso, é útil unicamente quando se deseja olhar para trás, como com o mito dos Cavaleiros do Rei Arthur, decifra os medos e sonhos do passado, muito tempo atrás, em um lugar distante, muito distante...

Charles Tonderai Mudede nasceu em Zimbabwe. Ele vive hoje em Seattle e, junto com o ensino de literatura no Seattle Arts and Lecture , contribui como crítico de cinema no semanal ‘The Strange’.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Jules Verne (Matéria sobre o Centenário da Morte)



O mundo mágico criado, atualmente, por escritores, roteiristas e diretores de filmes como "O senhor dos anéis", "Harry Potter" e "Guerra nas estrelas", certamente paga um tributo ao pai da ficção científica, cuja morte completa cem anos.
Escrita num mundo muito distante das possibilidades acenadas pela alta tecnologia de hoje, "Cinco semanas em um balão", obra inaugural do então desconhecido autor francês Jules Gabriel Verne, lançada em 31 de janeiro de 1863, propunha a primeira de uma série bem-sucedida de viagens literárias, mais tarde chamadas de ficção científica. O produtivo escritor Julio Verne, como ficou popularmente conhecido no idioma português, alimentaria a imaginação de seus leitores com histórias que dificilmente são superadas mesmo depois de passado um século de sua morte, em dia 24 de março de 1905. Seus personagens cruzaram os sete mares, o espaço aéreo terrestre, mergulharam nas águas e penetra-ram nas terras mais profundas, quentes e geladas, até atingir a Lua, ambientadas no presente, passado ou séculos à frente, em trajetórias descritas em mais de 70 obras. Verne nasceu em 8 de fevereiro de 1828 em Nantes, na França, com a vida planejada para seguir carreira de advogado, como o pai. Nessa direção, embarcou para Paris, mas o amor ao teatro promoveu um desvio de rota, ao acatar o conselho do amigo Ale­xandre Dumas (autor de Os três mosqueteiros) para escrever peças, enquanto ganhava a vida como corretor da bolsa de valores da cidade. Com o apoio do amigo e editor Pierre Jules Hetzel, que adequava seus escritos, produzidos com tal avidez que lhe garantia duas a três novas publicações ao ano, trilhou uma bem sucedida carreira. Sua obra constitui-se de ensaios, peças, poemas, contos e romances, mas foram as suas “Viagens Espetaculares” que o consagraram.

Muitas vezes descritas em mais de um volume, publicadas com alguns anos de diferença, as viagens foram material fértil que os estúdios de Hollywood popularizaram pelo mundo afora.

Ricas em detalhes e escritas em tom de diário de viagem, inclusive com notas de coordenadas geográficas, essas histórias maravilhosas nasciam inspiradas na leitura que Verne fazia de outros autores, como o norte-americano Edgar Allan Poe, de revistas como Le Tour du Monde Nouveau Journal de Voyages, e em conversas com amigos cientistas sobre as recentes descobertas e avanços, como Felix Nadar, interessado em navegação aérea e balonismo, tema recorrente em diferentes romances. O resultado é uma fascinante mescla de ficção e realidade, aventura e princípios científicos, que lhe renderam, inclusive, o título de profeta de feitos que a ciência produziria, pelo menos, seis décadas mais tarde, como em sua Da Terra à Lua (1865), com eventos que se assemelham ao programa espacial da Nasa.


O FANTÁSTICO NAS IMAGENS.


As mais de quatro mil imagens presentes nas Viagens Extraordinárias potencializavam a verossimilhança dos acontecimentos e contribuíam para tornar a leitura ainda mais saborosa, em tem­pos em que esforços para combater o analfabetismo na França ainda estavam em andamento.

Arthur Evans, editor do periódico Science Fiction Studies e professor da Universidade
DePauw, dos EUA, analisou as ilustracoes das obras de Julio Verne e concluiu que, para cada seis ou oito páginas, há uma imagem que ilustra os protagonistas, locais visitados, documentos (como mapas e cartas náuticas) e acontecimentos, geralmente antecedendo os fatos narrados, como uma forma de motivar a leitura. Para Evans, as ilustra­cões teriam mais um valor pedagógico do que propriamente o de reproduzir momentos cruciais da história. Entre os principals ilustradores de Julio Verne estavam George Roux e León Benett, cujo trabalho era minuciosamente acompanhado e muitas vezes até modificado pelo próprio autor das histórias. Certa vez, o editor Hetzel se viu obrigado a intervir em um aparente desentendimeto entre Verne e Benett sobre a representacao de um dos protagonistas. Embora Julio Verne nunca tenha visitado o Brasil, ambientou uma de suas Viagens Extraordinárias em solo nacional. Em A jangada – 800 léguas pelo Amazonas, publicada em 1881, conta a trajetória de uma família em uma espécie de casa flutuante até o destino final, Belém, para realizar o casamento da filha. Há também mencões ao descobrimento oficial do Brasil, em uma publicacao de 1873.

VISÃO FUTURISTA

Seus últimos trabalhos tratavam dos impactos da tecnologia no ambiente, como em "Propeller Island" (1896), onde populações nativas de ilhas da Polinésia são destruídas, ou em "The sphinx of the ice fields" (1897), onde prevê a dizimação de baleias. A última obra foi "A invasão do mar" (1905), onde um projeto de criação de um mar através de canais de comunicação com o Mediterrâneo, é mal recebido pela população local que vê seu estilo de vida ameaçado. A mudança do tom, inicialmente otimista em relação aos benefícios que a tecnologia poderia trazer à humanidade, acontece, principalmente, depois da morte de Hetzel, em 1886 e é um dos motivos do livro "Paris no século XX" (1863) só ter sido publicado em 1989, pelo bisneto de Verne. Temendo a repercussão negativa que teria na carreira do escritor, seu editor preferiu censurar a história de um jovem que vive em um mundo de arranha-céus, trens de alta velocidade, carros movidos a gás e rede mundial de comunicação, que não encontra a felicidade diante de um ambiente altamente materialista, resultando em um fim trágico.

CENTENÁRIO

As comemorações são coordenadas pelo Centro Internacional Jules Verne, na França que iniciou o Congresso Mundial de Ju­les Verne, de 19 a 27 de março, com uma série de debates, encontros e visitas que transcorreram em várias cidades francesas como Picardie, Loire e Paris. As Viagens Extraordinárias também serão recontadas ao público de Picardie até novembro deste ano e a Casa de Jules Verne, localizada em Amiens (cidade onde morreu), deverá ser inaugurada em dezembro de 2005 com a proposta de ser um espaço de encontro com a vida e obra do autor francês. Em 16 de outubro de 2004 os estudantes Gilles Savy e Nicolas Pimbaud refizeram a famosa Viagem ao redor do mundo em 80 dias, monitorada por satélite e que produ-ziu fotos, vídeo e material que será divulgado durante o ano todo nas escolas de Picardie. A editora Actes Sud e a cidade de Nantes reeditarão títulos pouco conhecidos e esquecidos, na coleção "Os mundos conhecidos e desconhecidos", em 9 volumes. Até o início do ano, não havia eventos
programados no Brasil. Uma série de edições em português e filmes inspirados nas "Viagens Extraordinárias" está acessível em bibliotecas, livrarias, sebos e locadoras.

Obras mais populares de Julio Verne:
■ Cinco semanas em um balão, 1863
■ Paris no século XX, 1863
■ Viagem ao centro da terra, 1864
■ Da terra a lua, 1865
■ Vinte mil léguas submarinas, 1870
■ A volta ao mundo em oitenta dias, 1872
■ A ilha misteriosa, 1874
■ Robur, o conguistador, 1886

Germana Barata.

sábado, 25 de agosto de 2007

Revista SCIFI - Jan-Jun/2007



Janeiro ( Download )



Fevereiro ( Download )




Março ( Download )




Abril ( Download )



Maio ( Download )


Junho ( Download )

Revista SCIFIWORLD

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SCIFIWORLD 2 ( Download )


SCIFIWORLD 3 ( Download )

Revista Sci Fi especial Galactica



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Revista SciFi Especial - Babylon 5



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Ideomancer - Speculative Fiction - Junho/2007



Ideomancer - Speculative Fiction - Junho/2007 ( Download )

Asimov's Science Fiction - Jan-Jul-2007


Asimov's Science Fiction - Janeiro a Julho de 2007 ( Download )

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Babes in space



http://a23.com/babesinspace/contents.html

Logan's run - Roteiro de David Zelag Goodman (1975)



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Aliens (Graphic Novel) - Série Nostromo



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Darwinia - Robert Charles Wilson



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Charlie Stross - entrevista I



"Escrevo Ficção Científica como meio de vida.

Possivelmente, por causa disso, as pessoas acreditam que eu devo ser um entusiasta da exploração espacial e da colonização do espaço. Exploração espacial? Está bem, sou a favor do avanço dos empreendimentos científicos, mas a atual colonização do espaço é outra questão e aquelas pessoas sensíveis (ou otimistas), devem parar de ler este artigo por aqui..."

http://www.antipope.org/charlie/blog-static/2007/06/the_high_frontier_redux.html

IDORU - William Gibson



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The last hero (graphic novel) - Terry Pratchett



The last hero (graphic novel) - Terry Pratchett ( Download )

domingo, 12 de agosto de 2007

‘O presidente negro’ - Monteiro Lobato




O DESASTRE

Achava-me um dia diante dos guichês do London Bank á espera de que o pagador gritasse a minha chapa, quando vi a cochilar num banco ao fundo certo corretor de negócios meu conhecido. Fui-me a ele, alegre da oportunidade de iludir o fastio da espera com uns dedos de prosa amiga.
— Esperando sua horinha, hein? disse-lhe com um tapa amigável no ombro, enquanto me sentava ao seu lado.
— É verdade. Espero pacientemente que me cantem o numero, e enquanto espero filosofo sobre os males que traz á vida a deshonestidade dos homens.
— ?
— Sim, porque se não fosse a deshonestidade dos homens tudo se simplificaria grandemente. Esta demora no pagamento do mais simples cheque, donde provém? Da necessidade de controle em vista dos artifícios da deshonestidade. Fossem todos os homens sérios, não houvesse hipotese de falsificações ou abusos, e o recebimento de um dinheiro far-se-ia instantaneo. Ponho-me ás vezes a imaginar como seriam as coisas cá na terra se um sabio eugenismo désse combate á deshonestidade por meio da completa eliminação dos deshonestos.

Que paraíso!

— Tem razão, concordei eu, com os olhos parados de quem pela primeira vez reflete uma ideia. A vida é complicada, existem leis, polícia, embaraços de toda especie, burocracia e mil peia?, tudo porque a deshonestidade nas relações humanas constitue, como dizes, um elemento constante. Mas é mal sem remedio...

E por aí fomos, no filosofar vadio de quem não possue coisa melhor a fazer e apenas procura matar o tempo. Passamos depois a analisar varios tipos ali presentes, ou que entravam e saíam, na azafama peculiar aos negocios bancarios. O meu amigo, frequentador que era dos bancos, conhecia muitos deles e foi-me enumerando particularidades curiosas relativas a cada qual. Nisto entrou um velho de aparencia distinta, já um tanto dobrado pelos anos.

— E aquele velho que ali vem? perguntei.
— Oh! Aquele é um caso sério. O professor Benson, nunca ouviu falar?
— Benson... Esse nome me é desconhecido.
— Pois o professor Benson é um homem misterioso que passa a vida no fundo dos laboratorios, talvez á procura da pedra filosofal. Sabio em ciencias naturais e sabio ainda em finanças, coisa ao meu ver muito mais importante. E tão sabio que jamais perde. Dou-me com esses rapazes todos que trabalham nas seções de cambio e por eles sei deste homem coisas impressionantes. Benson joga no cambio, mas com tal segurança que não perde.
— Sorte!
— Não é bem sorte. A sorte caracteriza-se por um afluxo de paradas felizes, por uma media mais alta de lucro do que de perda. Mas Benson não perde nunca.
—Será possível?
— É mais que possível, é fato. Deve possuir hoje enorme fortuna. Mora em um complicado castelo lá dos lados de Friburgo, mas não cultiva relações sociais. Não tem amigos, ninguem ainda viu o interior do casarão onde vive em companhia de uma filha, servido por criados mudos, ao que dizem. Você sabe que depois da guerra o mundo inteiro jogou no marco alemão.
—Sei, sim, e fui uma das vitimas...
—Pois o mundo inteiro perdeu, menos ele.
—Absurdo! Só se fabricava marcos para vender.
—Ao contrario, comprava e revendia marcos já feitos. O marco, talvez você se lembre, teve em certo periodo uma oscilação de alta.
Renasceram as esperanças dos jogadores e o movimento de compras foi enorme. Benson vendeu nessa ocasião. Logo em seguida começou o marco desandar até zero e para nunca mais se erguer.
—Vendeu no momento exato, como quem sabe qual o momento exato de vender...
—Isso mesmo. Com o franco fez coisa identica. Comprou exatamente nos dias de maior baixa e vendeu exatamente nos dias de maior alta. Tem ganho o que quer ganhar, o raio do homenzinho...
—E para que necessita de tanto dinheiro?
—Ignoro. Não leva a vida comum dos nossos ricaços, não dá festas, não consta que seja explorado por mulheres. É positivamente misterioso o professor Benson — um verdadeiro magico que vê através do futuro.
Ri-me da expressão do meu amigo e qual filosofo barato murmurei com superioridade:
— Como pode ver através do que não existe? O futuro não existe...

O corretor respondeu-me com uma frase que naquele momento não compreendi:

— Não existe, sim, mas vai existir necessariamente.
— Dois mais dois — é o presente. A soma quatro é o futuro. Um futuro previsível...
— "Vinte e dois!" gritou uma voz da pagadoria.
Era o meu numero.
— Dois mais dois tambem podem ser vinte e dois, gracejei eu, despedindo-me do filosofo. Adeus, meu caro. Na proxima oportunidade você continuará com a demonstração.

Recebi o dinheiro e saí para o torvelinho das ruas, onde breve se me apagou do cerebro a impressão do professor Benson e das palavras do meu amigo.

Mas dá a vida misteriosas voltas e um belo dia, ao despertar de um sono letargico, quem vi eu diante dos meus olhos, qual um espetro?
O professor Benson!...
Não antecipemos, porém; e antes de mais nada permitam-me que fale um bocado da minha pessoa.
Era eu um pobre diabo para toda gente, exceto para mim mesmo. Para mim tinha-me na conta de centro do universo. Penso e sou,
dizia comigo, repetindo certo filosofo francês. Tudo gira em redor do meu ser. No dia em que eu deixar de pensar, o mundo acaba-se.
Mas isto parece que não tinha grande originalidade, pois todos os meus conhecidos se julgavam da mesma forma.

Eu vivia do meu trabalho, recebendo dele, não o produto, mas uma pequena quota, o necessario para pagar o quarto onde morava, a pensão onde comia e a roupa que vestia. Quem propriamente se gozava do meu trabalho era a dupla Sá, Pato & Cia., gordos e solidos negociantes que me enterneciam a alma nas epocas de balanço ao concederem-me a pequena gratificação constituidora do meu lucro. Com eles trabalhei varios anos, conseguindo reunir o modesto peculio que transformei em marcos e, com grande dor d'alma, vi se reduzirem a zero absoluto, apesar da teoria de que tudo é relativo.

Continuei no trabalho por mais quatro anos, daí por diante já curado de jogatinas e megalomanias.
Mas todos nós possuímos um ideal na vida. Meu amigo corretor sonha dirigir a carteira cambial de um banco. Aquele pobre que ali passa, tocando o realejo que herdou do pai e ao qual faltam tres notas, sonha com um realejo novo em que não falte nota nenhuma.
Eu sonhava... com um automovel. Meu Deus! As noites que passei pensando nisso, vendo-me no volante, de olhar firme para a frente,
fazendo, a berros de klaxon, disparar do meu caminho os pobres e assustadiços pedestres! Como tal sonho me enchia a imaginação!

Meu serviço na casa era todo de rua, recebimentos, pagamentos, comissões de toda especie. De modo que posso dizer que morava na rua, e o mundo para mim não passava de uma rua a dar uma porção de voltas em torno da terra. Ora, na rua eu via a humanidade dividida em duas castas, pedestres e rodantes, como os batizei aos homens comuns e aos que circulavam sobre quatro pneus. O pedestre, casta em que nasci e em que vivi até aos 26 anos, era um ser inquieto, de pouco rendimento, forçado a gastar a sola das botinas, a suar em bicas nos dias quentes, a molhar-se nos dias de chuva e a operar prodígios para não ser amarrotado pelo orgulhoso e impassível rodante, o homem superior que não anda, mas desliza veloz. Quantas vezes não parei nas calçadas para gozar o espetaculo do formigamento dos meus irmãos pedestres, a abrirem alas inquietas á Cadillac arrogante que por eles se metia, a reluzir esmaltes e metais! O ronco de porco do klaxon parecia-me dizer — "Arreda canalha!"

Sonhei, portanto, mudar de casta e por minha vez levar os pedestres a abrirem-me alas, sob pena de esmagamento. E o novo peculio, com tanto esforço acumulado depois do desastre germanico, não visava outra coisa. Foi, pois, com o maior enlevo d'alma que entrei certa manhã numa agencia e comprei a maquina que me mudaria a situação social. Um Ford.

Os efeitos dessa compra foram decisivos na minha vida. Ao veremme chegar ao escritorio fonfonando, os patrões abriram as maiores bocas que ainda lhes vi e vacilaram entre porem-me no olho da rua ou dobrarem--me o ordenado. Por fim dobraram-me o ordenado, quando demonstrei o quanto lhes aumentaria o renome da firma o terem um auxiliar possuidor de automovel proprio. E tudo correria pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis, se eu me não excedesse na furia de fordizar a todo o transe com o fito de embasbacar pedestres. A paixão da carreira grelara em mim e, depois de um mês, já não contente com a velocidade desenvolvida por aquele carro, pus-me a sonhar a aquisição de outro, que chispasse cem quilometros por hora. O aumento de ordenado permitiu-me varias excursões de maluco, nas quais me embriagava aos domingos da delicia de devorar quilometros.

Paguei diversas multas, matei meia duzia de cães e cheguei a atropelar um pobre surdo que não atendera ao meu insolente "Arreda!"

Tornou-se-me o pedestre uma criatura odiosa, embaraçadora do meu direito á rapidez e á linha reta. Pensei até em representar ao governo, sugerindo uma lei que proibisse a semelhantes trambolhos semoventes o transito pelas vias asfaltadas. Adquiri, em suma, a mentalidade dos rodantes, passando a desprezar o pedestre como coisa vil e de somenos importancia na vida.

[...]


O Presidente Negro ou O Choque das Raças (Romance americano do ano 2228) - Monteiro Lobato ( Download )

‘O feitiço de Áquila’ - Joan D. Vinge


'O feitiço de Áquila' - Joan D.Vinge ( Download )

‘Fahrenheit 451′ - Ray Bradbury


'Fahrenheit 451' - Ray Bradbury ( Download )

‘Laranja mecânica’ - Anthony Burgess


'Laranja Mecânica' - Anthony Burgess ( Download )

‘Alice no país das maravilhas’ - Lewis Carroll


'Alice no país das maravilhas' - Lewis Carroll ( Download )

‘Os salgueiros’ - Algernon Blackwood



'Os salgueiros' - Algernon Blackwood

‘The last man’ - Mary Shelley



'The last man' - Mary Shelley ( Download )

‘The physics of Star Trek’ - Lawrence Krauss



'The physics of Star Trek' - Lawrence Krauss ( Download )

‘I am Legend’ - Richard Matheson



















'I am Legend' - Richard Matheson ( Download )

‘A guerra dos mundos’ - H.G.Wells




















'A guerra dos mundos' - H.G.Wells ( Download )

‘The death of grass’ - John Christopher





















'The death of grass' - John Christopher ( Download )

‘R.U.R.’ - Joseph e Karel Capek











'R.U.R.' - Joseph e Karel Capek ( Download )

‘Flatland’ - Edwin Abott













'FLATLAND' - Edwin Abott ( Download )

A Ficção Científica séria está morta ?

Para aqueles de nós que se importam com isso (e não, nós não moramos nos porões das casas dos nossos pais), o futuro do futurismo é de fato uma questão urgente. A ficção científica está prosperando em meio à pirotecnia dos efeitos especiais, ou ela está sofrendo uma morte lenta e abominável, sufocada pelo pensamento grupal da indústria de publicidade e pelos executivos sem imaginação do setor, que só desejam fazer continuações de filmes de sucesso?Falo na posição de um fã que tem opiniões sobre o assunto - como se houvesse outro tipo de fã - e que atestou a perfeita saúde e o futuro brilhante da ficção especulativa do século 21. Estou menos preocupado com o lançamento neste mês do filme “Transformers: O Filme” (”Transformers: The Movie”, EUA, 2007) com os seus colossais robôs alienígenas e elenco brilhante, do que com uma preponderante mudança cultural que parece tomar conta das fronteiras narrativas expansíveis da ficção científica. Não estou sequer levando em conta os recentes sucessos do gênero na televisão (”Battlestar Galactica”, “Heroes”, “The 4400″, “Lost”) ou a dominação mundial nos jogos (você escolhe).“A coisa atualmente está por toda parte.


Todos estão expostos a isso - a ficção científica está muito mais respeitável do que costumava ser”, afirma David Wellington, um autor de obras de ficção científica e terror (”Monster Island”, “Thirteen Bullets”) e aficionado que se recorda dos velhos e maus tempos vividos pelo gênero. “Na década de 1980, quando eu era um grande fã de ficção científica, o gênero era bastante marginalizado. E nós sempre reclamamos desse fato: ‘Por que é que as outras pessoa não conseguem entender por que gostamos tanto deste tipo de coisa?’”.Wellington é um dentre vários devotos que, ao contar com uma chance de se manifestar, expressa entusiasmo, bem como ceticismo, pelo atual estado do gênero. Muita gente encara com cautela o cenário que há pela frente, temendo um panorama pós-apocalíptico matizado pelos gráficos da parafernália computacional e a força bruta do gosto do cidadão comum. Alguns vêem a ficção científica se fragmentando. Outros dizem que ela prospera.Mas os fãs chegam a um consenso - quer dizer, mais ou menos - com relação a algumas questões-chave. Uma delas é o fato de as estórias de fantasia, outrora parte do universo da ficção científica, gozarem atualmente de um enorme sucesso no seu próprio e espaçoso nicho. A segunda é que as indústrias de cinema e as editoras deveriam assumir maiores riscos artísticos. A terceira: “Blade Runner: O Caçador de Andróides” (”Blade Runner”, EUA, 1982) é ótimo. Quarta: “O Labirinto do Fauno” (”El Laberinto del Fauno”, México/Espanha/EUA, 2006) e “Filhos da Esperança” (”Children of Men , EUA/Inglaterra, 2006) também são excepcionais.Um quinto ponto, expresso com diversos graus de desapontamento e irritação, é que os avanços na tecnologia digital têm proporcionado espetáculos visuais que nem sempre satisfazem a mente ou o coração. “Sob um ponto de vista visual, nunca houve um período melhor na história dos filmes de ficção científica”, afirma Dave Dorman, um pintor de cenários de filmes de fantasia e de ficção científica com sede na Flórida, e mais conhecido pelo seu trabalho nos filmes da série “Guerra nas Estrelas”.

“Por outro lado, penso que a criação de roteiros de ficção científica não está à altura da qualidade observada nas décadas de 1940, 1950 e 1960″.Craig Elliott, um animador da Disney (”Planeta do Tesouro”/”Treasure Planet”, EUA, 2002) e da DreamWorks (” The Princess and the Frog”, que deverá ser lançado em 2009), resume a questão de forma ainda mais sucinta: “Atualmente existe muita ostentação nas telas”.Na área de publicações, a ficção científica contemporânea se fragmentou em um zilhão de pequenos sub-enredos, que vão deste às estórias alternativas até à ópera especial de conteúdo para adultos, à fantasia urbana, séries de cinema e TV, o ciberpunk e o expansor de fronteiras “New Weird” (algo como “Nova Bizarrice”).Chame-a do que quiser, mas a boa ficção científica pode ser cósmica ou minimalista, voltada para fora ou para o interior.

Ela se expande e se contrai, empurrando a humanidade para os recantos mais distantes do espaço ou reduzindo-a a cinzas. Desde o início, ela nunca se referiu realmente aos alienígenas com cara de borracha. O romance “Flatland: A Romance of Many Dimensions by a Square”, escrito em 1884 por Edwin A. Abbott e adaptado várias vezes para a tela, é uma estória passada em um mundo bidimensional que critica as distinções vitorianas de classe. Tanto H.G.Wells quanto Júlio Verne injetaram o ácido da sátira nas suas obras folhetinescas de ficção científica, e até mesmo a esquisitice fora de moda que é “R.U.R.” (ou, em inglês, Rossum’s Universal Robots”, a peça que gerou o termo) de Karel Capek revelava mais preocupação com a consciência e os direitos civis do que com a construção de trabalhadores humanóides.Nós assistimos a Metrópolis” (”Metropolis”, Alemanha, 1927) para ver o andróide sexy ou devido aos paralelos marxistas contidos no filme? E “O Dia em que a Terra Parou” (” The Day the Earth Stood Still”, EUA, 1951) diz repeito a um cara fantasiado de lata de sopa ou a um mundo à beira da auto-destruição? A ficção científica é capaz de proporcionar imagens de uma humanidade livre da pobreza, do racismo e dos horrores da guerra (vejam as primeiras duas séries de “Jornada nas Estrelas”) ou devastada pela violência em uma terra arrasada pós-nuclear (os filmes “Mad Max” de um a três). Você pode se sentir bem ou deprimido, dependendo do seu estado de espírito.

Ultimamente, muita gente tem se sentido deprimida. Nos últimos anos as narrativas distópicas cresceram em popularidade, profetizando amanhãs arrasados pelo terrorismo (”V de Vingança”/”V for Vendetta”, EUA/Alemanha, 2006), germes zumbis (”Extermínio”;” 28 Days Later”, Inglaterra, 2003; “Extermínio 2″/” 28 Weeks Later”, EUA, 2007) e infertilidade (”Filhos da Esperança”). A trama de todos esses três filmes passa-se em Londres, a nova voga no que diz repeito ao pessimismo cinzento.




Na ficção literária, “Never Let Me Go”, de Kazuo Ishiguro, transferiu a distopia para a zona rural inglesa. Margaret Atwood deu a ela uma dimensão nacional (”The Handmaid’s Tale”, “Oryx and Crake”), enquanto Cormac McCarthy foi ainda mais longe com “The Road”. Nem todos consideram ficção científica o seu romance ganhador do Prêmio Pulitzer, mas é exatamente isto que ele é: um homem e um garoto caminham com dificuldade pela fuligem de uma terra arrasada.



A profissional de marketing e editora de ficção científica e fantasia Colleen Lindsay elogia bastante o livro de McCarthy, mas mostra-se irritada devido à sensação de que ele não é nenhuma novidade. “Trata-se de uma fantasia pós-apocalíptica para pessoas que não lêem fantasias. Vejam ‘The Postman’, de David Brin, e ‘Dies the Fire’, de S.M. Stirling”, diz ela: livros similares escritos por autores de gêneros literários específicos e lidos por nerds. “Ou então considerem o clássico de 1954 de Richard Matheson, “I Am Legend”, a obra original sobre germes zumbis, adaptada para filme em 1964 (”Mortos que Matam”/” The Last Man on Earth”, EUA/Itália), 1971 (”A Última Esperança da Terra”/” The Omega Man”, EUA) e agora em 2007 (” I Am Legend”, que deverá ser lançado em 14 de dezembro).

Kfir Luzzatto, um escritor de ficção científica que mora em Israel, menciona “A Agonia do Verde” (”The Death of Grass”, 1956), de John Christopher e “O Último Homem” (”The Last Man”, 1826) de Mary Shelley, que prevê um final de século 21 devastado por uma peste. “A cultura pós-apocalíptica se tornou para as pessoas modernas aquilo que as estórias de fantasma significavam para os nossos pais”, diz ele. “É uma maneira de expressar os seus temores quanto ao desconhecido e lidar com eles”.

Por outro lado, o elemento de maior entusiasmo presente na ficção científica continua sendo a luta entre o bem e o mal, e o bem continua vencendo - após uma luta extremamente barulhenta. Basta ver o caso de “Transformers”. “Nós acreditamos que estamos sós nesta luta constante, ou cremos que podemos ajudar uns aos outros?”, questiona Jamie Hari, que criou e administra o Marvel Database Project em Toronto. Hari, que diz, “a Marvel é o meu mundo” sem embaraço, vê na atração exercida pelos Transformers e robôs em geral “mais uma extensão do desejo humano pela tecnologia”.

Uma figura bastante familiarizada com esta idéia é Lawrence Krauss, professor de física da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, no Estado de Ohio, e autor do livro “The Physics of Star Trek” (”A Física de Jornada nas Estrelas”). “Se você assistir a ‘How William Shatner Changed the World’, verá que ele é o cara que faz pizza com Shat”.
“As pessoas gostam da idéia de um futuro cheio de esperanças”, diz Krauss, admitindo mais tarde: “É difícil para mim acreditar na visão utópica. Geralmente o gênero atrai a atenção quando é bem feito, mas não quando o resultado é algo como “Tropas Estelares” (” Starship Troopers”, EUA, 1997). Coisas como os insetos defecadores não me atraem nem um pouco”.
Porém, ele diz que a ciência, assim como a arte, leva em conta o nosso lugar no esquema cósmico. “A razão pela qual somos cientistas não é o desejo de criarmos uma torradeira melhor”, afirma. “Mas sim o fato de nos interessarmos por aquilo que é possível no universo”.

A julgar pelos lançamentos de filmes já agendados, eis o que é possível no universo. A Terra poderia ser invadida por invasores alienígenas de corpos (”Invasion”, 17 de agosto). Ela pode se deparar com a morte planetária devido a um sol moribundo (”Sunshine”, 20 de julho). Ou pode ser flagelada pelo terrorismo global (”Day Zero”, que está para estrear). Ou, no campo da engenharia, poderia haver a produção de uma armadura exoesqueletal super-poderosa (”Iron Man”, 2008), ou a formação de relações intergalácticas com extraterrestres de orelhas pontudas (”Star Trek”, 2008). Por outro lado, uma raça de pequenos alienígenas poderia passear pelo cosmo dentro de Eddie Murphy, que poderia a seguir se apaixonar por uma beldade terrestre (”Starship Dave”, 2008).

Tudo isso soa para John Moore, de Houston, um “nerd sem arrependimentos” e escritor de ficção científica e fantasia (”A Fate Worse than Dragons”), como notícias velhas. “A ficção científica é o presente. Nós vivemos em uma sociedade de ficção científica, e não me refiro apenas à tendência da sociedade de se cercar de aparelhos de alta tecnologia. O que quero dizer é que, a projeção no futuro, outrora o território do escritor de ficção científica, se transformou na modalidade dominante de pensamento. Esta é a influência da ficção científica no pensamento moderno”.

A ficção científica séria está morta?A ficção científica está morta. Longa vida à ficção científica.
Amy Biancolly - The New York Times News Services - 10/07/2007

EDGAR ALLAN POE



“Olhai! A morte edificou seu trono numa estranha cidade solitária por entre as sombras do longínguo oeste…” ( A cidade no mar - Download )

“Durante muito tempo devastara a MORTE RUBRA aquele país. Jamais se vira peste tão fatal e tão terrível. O sangue era sua encarnação e seu sinete: a vermelhidão e o horror do sangue.” ( A máscara da morte rubra - Download )

“Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas amontoavam-se opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um trecho de campo singularmente triste, e finalmente me encontrei, quando as sombras da noite se avizinhavam, à vista da melancólica Casa de Usher.” ( A queda da casa de Usher - Download )

“-Sim…não…estava adormecido…e agora…agora estou morto.” ( O caso do Senhor Valdemar - Download )

“É alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais! Ah, bem me lembro! Bem me lembro! Era no glacial dezembro.” ( O corvo - no original, traduzido por Fernando Pessoa e traduzido por Machado de Assis - Download )

Edgar Allan Poe nasceu em 19 de Janeiro de 1809 na cidade de Boston, EUA. Foi escritor, crítico literário e editor. Poe é considerado, juntamente com Jules Verne, um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica modernas. Poe se utilizava de um horror psicológico e suas histórias são sempre narradas em primeira pessoa.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe

EÇA DE QUEIROZ - 'A aia"



“…Era uma vez um rei, moço e valente, senhor de um reino abundante em cidades e searas, que partira a batalhar por terras distantes, deixando solitária e triste a sua rainha e um filhinho, que ainda vivia no seu berço, dentro das suas faixas. A lua cheia que o vira marchar, levado no seu sonho de conquista e de fama, começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros apareceu, com as armas rotas, negro do sangue seco e do pó dos caminhos, trazendo a amarga nova de uma batalha perdida e da morte do rei, trespassado por sete lanças entre a flor da sua nobreza, à beira de um grande rio…” ( Download )
José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de Novembro de 1845 numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, Portugal.

Horror ou Terror (II)



O nível de stress no mundo está altíssimo. Estamos horrorizados com o terrorismo, e o perigo maior é que a humanidade entre definitivamente no caminho sem saída do ódio destruidor e autodestruidor.
Nesta hora, convém pensar nas palavras, para que as palavras nos ajudem a entender e interpretar o que está acontecendo.Pensar é distinguir. É preciso distinguir entre terror e horror, duas palavras que parecem sinônimas mas não são, porque, lingüisticamente, não se justifica a existência de dois termos para um conceito idêntico.

Falamos em “filme de terror”, mas seria mais apropriado “filme de horror”. A diferença entre essas duas palavras está no sujeito que, ao assistir ao filme, se horroriza.
Um pouquinho de gramática não faz mal a ninguém.
O verbo horrorizar normalmente é reflexivo: horrorizar-se. Para funcionar, o verbo horrorizar necessita da colaboração do horrorizado. É como no verbo espanhol morirse. Para morrer (pelo menos em espanhol), é preciso que o morto “morra-se”, participe do ato de morrer. No caso de horrorizar-se, eu me horrorizo na medida em que estou suscetível a sentir o horror.
O terror é outra história.

Dificilmente alguém diz “aterrorizei-me vendo aquelas imagens”, pois o terror é produzido por outro sobre mim, e quem aterroriza (e isso é horrível e terrível!) não está aterrorizado nem horrorizado consigo mesmo.
O terror vem de fora. O horror vem de dentro.
O terrorista não se horroriza com o ato de aterrorizar os outros.
Horror é um sentimento de receio, de medo, de pavor perante algo ameaçador, odioso e perverso. Em sua origem latina, horrere significava ficar com os cabelos em pé. O horripilante, no horror, é essa sensação de um frio no estômago, na espinha, o suor frio, o frio da morte.
O terrorista pratica o terror com sangue frio. Para ele, não é horrível matar inocentes. É um meio para atingir um fim. O terrorista não teme, quer dominar a todos utilizando o medo, e para isso conta com a mídia, para que o mundo inteiro fique paralisado.

O grande esforço, agora, é não ficarmos horrorizados com o terror.
O grande esforço do homem civilizado é substituir o horror e o ódio por uma atitude de indignação que saiba propor, sem que se perca também a dignidade, ações que evitem os horrores da guerra.

Gabriel Perissé

CONTOS DE HORROR DO SÉCULO XIX






Responsável pela seleção, Alberto Manguel teve à sua disposição um time de craques.São 33 contos, escritos pelos autores mais representativos da época. Não falta quase ninguém: desfilam pelo gramado (onde em alguns pontos nota-se um pouco de musgo, para fazer jus à atmosfera do gênero) W.W.Jacobs, H. G. Wells, Joseph Conrad, Ambrose Bierce, Henry James, Jack London, Villiers de L’isle Adam, Jules Verne, Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Léon Bloy, Hugh Walpole, Horacio Quiroga, Bram Stoker, Arthur Conan Doyle, Robert Loius Stevenson. Na lista há algumas surpresas: Rubén Darío, poeta que foi o maior nome do modernismo hispano-americano; Walt Whitman, o norte-americano do famoso poema “Folhas da relva”; e nosso velho conhecido Eça de Queiroz, que comparece com o conto “A aia”. E, para não dizer que todo técnico comete suas injustiças, o organizador deixou de fora um Falcão e um Ademir da Guia: o irlandês Sheridan
Le Fanu e o britânico de sangue azul Algernon Blackwood. Entre os autores, Manguel destaca a presença de Edgar Allan Poe, que “ofereceu ao mundo seus primeiros terrores profissionais, hoje célebres: ‘A queda da casa de Usher’, ‘O barril de Amontilhado’, ‘O gato preto’, ‘O coração delator’”. Allan Poe, que também inventou a literatura de investigação, comparece na antologia com um conto menos conhecido, “Os fatos no caso do sr. Valdemar”, mas de arrepiar do mesmo jeito. Publicado em 1845 (mesmo ano em que surgiu “O corvo”), levou muitos leitores a escreverem para o autor na crença de que se tratava de um história verídica. Trata-se de uma mistura de horror com ficção científica, tocando num tema dos mais atuais – a clonagem.
Um plus do volume são as traduções, entregues a escritores de renome (Milton Hatoum, Moacyr Scliar, Rubens Figueiredo) e especialistas na matéria (Jorio Dauster, José Rubens Siqueira, Sérgio Molina). Além disso, os tradutores foram escolhidos por sua afinidade com autores e obras, e se encarregam de apresentá-los ao leitor. Marcelo Pen, a quem coube a novela “A volta do parafuso”, de Henry James, discute a tradução do título: garante que se trata de um grande equívoco e que, a rigor, ela não quer dizer nada em português. Sustenta que “Turn of the screw” lembra thumbscrew, os “anjinhos”, antigos anéis de tortura com que se apertavam os dedos das vítimas. Contudo, mantém o título. Abre o livro uma raridade: a tradução de Rubem Fonseca para o clássico “A mão do macaco”, de W. W. Jacobs, que aparece em nove de dez antologias do gênero. Depois de lembrar o sucesso do conto, publicado pela primeira vez em 1902 e desde então teatralizado e adaptado ao cinema inúmeras vezes (estranhamente, com pouco êxito), Fonseca comete uma revelação de cunho pessoal. Conta que várias vezes narrou a história para seus filhos pequenos, sempre “num lugar em penumbra”, e que invariavelmente introduzia uma modificação no enredo, o que resultou numa versão ainda mais terrível, porque “eu emitia sons assustadores e andava de um lado para o outro, fazendo gestos e caretas aterradores”. Depois apresenta uma seleção original, de autores não óbvios (H. P. Lovecraft, Saki e Sherindan Le Fanu) ou bastante conhecidos mas não associados à literatura de horror – casos de O. Henry e Edith Warthon. Praticamente desconhecido no Brasil, Algernon Blackwood fecha o volume com uma obra-prima, Os salgueiros, relato caustrofóbico com pitadas de ficção científica. Heloisa preparou a seguir um livro inteiro com dez contos de Blackwood, A casa do passado, e outro com as “histórias de terror sarcástico” de Ambrose Bierce, Visões da noite, ambos da editora Record.
JORNAL DO BRASIL Caderno idéias - Alvaro Costa e Silva

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

FANTASTICON 2007



O Simpósio de Literatura Fantástica ocorrido em São Paulo, nos dias 07 e 08 e Julho, contou com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposição, lançamentos, sessões de autógrafos e outras iniciativas paralelas que englobam as várias vertentes do gênero Fantástico: a ficção científica, a fantasia e o horror. O objetivo principal do Simpósio é dar a conhecer ao público em geral conceitos, propostas e informações na área do Fantástico, assim como incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil.

O evento, integrante do XV Encontro Internacional de RPG, foi organizado por Silvio Alexandre, com apoio da Devir Livraria, Terramédia e Pixel Media Editora.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Horror ou Terror ? (I)

Alberto Manguel faz uma distinção entre terror e horror, valendo-se de uma afirmação da escritora Ann Radcliffe, uma das pioneiras desse tipo de relato, ainda no século 18:
“O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma forma as aniquila”. Apesar de não discordar, este departamento prefere as diferenças apontadas pela escritora carioca Heloisa Seixas, ela própria uma cultora do que chama “contos assombrados” e, em grande medida, responsável pela recente onda de antologias do gênero no mercado brasileiro, pois organizou e traduziu a primeira delas, Depois (Record), em 1998. Escreve ela, à guisa de introdução:
“Qual seria a diferença entre história de horror e uma história de terror? Além da rima, essas duas palavras têm em comum o fato de que nos dão arrepios. Aliás, pelo menos uma delas – horror – vem do latim horrere, que quer dizer justamente arrepiar-se, estremecer. Mas a linha divisória entre uma e outra é de difícil definição. O horror seria talvez a resposta a uma realidade física horripilante. como por exemplo uma cena de assassinato ou tortura. Já o terror, forma mais poderosa de medo, seria o defrontar-se com o desconhecido – o sobrenatural”.
JORNAL DO BRASIL - Caderno idéias - Alvaro Costa e Silva
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O CAPACITOR FANTÁSTICO

O CAPACITOR FANTÁSTICO foi criado para trazer ao público apreciador de Ficção Científica, Fantasia, Terror, Mistério e Fantástico, todo tipo de material. Livros, roteiros, filmes, séries de tv, quadrinhos, imagens, notícias, etc.