
Raymond King Cummings (30 de Agosto 1887 - 23 Janeiro 1957) escritor americano nascido em New York, considerado por muitos como o pai do gênero de Ficção Científica pulp.
Cummings trabalhou com Thomas Edison como assistente pessoal e escritor de ensaios técnicos entre 1914 e 1919. Seu trabalho mais conhecido se chama 'The Girl in the Golden Atom', publicado em 1922. Sua carreira como escritor conta com mais de 750 romances e contos, alguns com o pseudônimo de Ray King, Gabrielle Cummings e Gabriel Wilson.
A brand new world
Tama of the light country
Aerita of the light country
Monster of the moon
Requiem for a small planet
The Golden temple
Derelict of space
The dead man laughs
The white invaders
Wandl the invader
The girl in the golden atom
Tarrano the conqueror
Beyond the vanish point
Brigands of the moon
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domingo, 20 de abril de 2008
RAY CUMMINGS
50 robots to draw and paint - Keith Thompson
50 robots do draw and paint - Keith Thompson [ Download ]
domingo, 13 de abril de 2008
Pretensões da Ficção Científica do século 21 - Entrevista com David Brin
Entrevista concedida a by Cristopher Hennessey-DeRose
David Brin, este autor-pai-marido-professor de ciências, escreveu diversos romances, entre eles o indicado ao Hugo, ‘The Postman’, que o levou a ganhar um Locus e foi adaptado para o cinema. ‘The uplift war’ e ‘Earthwere’ foram indicados para um Hugo assim como seu trabalho ‘Kiln People’.
Também tem escrito sobre a ciência por trás da FC, para revistas respeitadas, como Analog e Science Fiction Age, se tornando uma voz reconhecida, quando o assunto envolve questões políticas e sociais.
Cristopher: A Ficção Científica é largamente utilizada por inúmeros autores para contar histórias de interesse humano, e como uma decisão pode afetar muitos, tentando assim, tornar a mensagem mais fácil de digerir.
De uma maneira geral, FC é sobre expandir as perspectivas disponíveis, além do limitado presente familiar, libertando a literatura pela extensão da história do homem através do reino das possibilidades. A Fantasia vai além, mergulhando na improbabilidade.
Isto acontece por que se dá na mais poderosa parte do cérebro humano, o lóbulo prefrontal, que usamos diariamente para explorar nossas opções, criando cenários futuros ou simplesmente para o dia seguinte. Nada é mais humano. Ainda assim, algumas pessoas parecem compelidas a menosprezar a FC como uma caricatura - pastiches de Star Wars (Guerra nas Estrelas).
Não tenho idéia do porquê fazem isso.
Brin: A clonagem é inevitável, como o avião ou a eletricidade. Não é necessariamente mal. O ponto chave moral é que o clone de qualquer pessoa será uma pessoa viva, com direitos humanos. Duplicar genes não muda isso, assim como vemos gêmeos idênticos como uma cópia do outro. Se chegarmos a isso, o estúpido dilema moral - como o dos ricos pagando por órgãos novos, para se manterem vivos - irá desaparecer.
Glory Season fala sobre clonagem em um futuro próximo. Kiln People é sobre algo diferente - sobre fazer cópias temporárias de si mesmo. Essas cópias - ou golems - de vida curta, apenas um dia, não são seres vivos independentes, mas extensões da pessoa original, que redeposita suas memórias ao final do dia, oferecendo a conveniência de poder estar em dois ou mais lugares simultaneamente. Em outras palavras, é o sonho das pessoas muito ocupadas, mas com conseqüências.
Brin: Eu tento evitar colocar esta 'Coisa', nas mãos de alguma elite convenientemente segregadora - algum tipo de agência governamental obscura e conspiradora, ou de um cientista louco. Estas convenções acabam gerando histórias divertidas - mas se tornam terríveis clichês. Ao invés disso, gosto de imaginar o que aconteceria se todos tivessem acesso a esta novidade. Dando-a para as massas. Não somente por que é mais interessante, mas é o que acontece.
Cris: Ter nascido no sul da Califórnia teve algum efeito nos seus escritos?Brin: Se o ambiente onde você cresce te afeta? A Ficção Científica floresce sob condições como eu conheci quando criança - um misto de confiança e otimismo e novos tipos de terror abstrato. Abundância sem precedentes, os pulmões queimando pela fumaça venenosa de Los Angeles. Os livros de história afirmavam que, qualquer outro tempo da história humana era mais violento do que a minha calma vizinhança, uma segurança surpreendentemente acolhedora, balanceada pela expectativa do mundo, a qualquer momento, fritar numa guerra nuclear. Estas justaposições significam dizer que eu, como muitos escritores da Califórnia, nos sentimos seguros sobre discutir e explorar extravagantemente , com completa falta de inibição pessoal. Não tenho medo de ser queimado na estaca. E ao mesmo tempo, não estamos tranquilos. De uma posição segura, podemos olhar horrorizados uma miríade de fracassos, dez mil maneiras de brilhantes esperanças acabarem mal. Isso acaba criando o hábito de sempre se perguntar - ‘e se’. É claro que não é a primeira vez que o paradoxo favorece a exploração. Sempre existiu alguns jovens pirados, querendo contrariar a aristocracia e mudar as convenções. Só que agora estes poucos são centenas, e não pertencem a uma casta rica. Excentricidade tornou-se um dos traços pessoais mais admiráveis - ao menos é o que mostra a mídia de massa. Algo, definitivamente mudou e a Ficção Científica fez seu papel.
Cris: Ser classificado como autor de Ficção Científica preocupou você?
Brin: Isso pode ser um pouco cansativo. Aqueles que desesperadamente procuram erguer os muros nesse gueto, estão sempre se auto proclamando independentes, alardeando sua veneração às ‘eternas verdades da humanidade’ - uma das frases mais decrépitas que posso imaginar. Isso glorifica a crença de que a natureza humana é intrinsicamente extática - exatamente os mesmos problemas, os mesmos erros paralisantes que contaminam cada geração. Nem sequer tranformam isso em uma coisa boa! Não me entenda mal. A Ficção Científica reconhece o valor da grande literatura do passado, de Aristóteles a Melville, de Shakespeare a Shelley. Mas neste longo percurso, nossos jovens devem lutar contra as mesmas agonias mostradas por Eurípides, Dostoyevsky e Fitzgerald? Não é o propósito de uma boa história, transmitir empatia pelo sofrimento do outro, para que outros não precisem repetí-los?
As crianças não são capazes de aprender com os erros dos pais? Se podem, então certamente eles se depararão com problemas novos e estarão diante de novos desafios, iguais aqueles que enfrentamos, que nossos avós consideravam impossíveis. Ao invés de ‘verdades eternas’, a ficção cientifica é obcecada por transformações e mudanças. Explorar as possibilidades - para o bem e para o mal - o que nos espera logo à frente. Que gênero poderia ser mais relevante nos tempos em que vivemos?
Cris: Do ponto de vista de negócios, você prefere tratar com editores ou diretores de cinema?
Brin: Hollywood tem a vantagem de estar voltada para o lucro obsceno - de uma maneira ou de outra, você não pode resistir. Em contraste, publicar é relativamente barato. O lado bom disso é que os grandes egos são atraídos para o cinema. Publicar é bem menos avarento e intrometido. Se você se garante como autor, você fica livre para criar o que você bem quizer. O meio do caminho entre uma coisa e outra, é o mundo das graphic novels (quadrinhos para adultos). Meu segundo título (enorme - 144 páginas) chamou-se ‘The life eaters’ (DC Comics, Outubro de 2003), foi uma colaboração fascinante com um grande artista, Scott Hampton, mais Todd Klein, assim como produtores, diretores de arte, etc.
O processo de roteiro - é muito parecido com o de um filme. Um filme de orçamento baixo porém, com maravilhosos - apesar de planos - efeito especiais, e a complexa satisfação de ter participado dos esforços de uma equipe de verdade. Espero que venham a aparecer outras formas de intermediar as artes no futuro, de uma maneira de que toda a noção de fazer um filme e contar uma história, se misturem em algo novo.
Cris: Como você fica por dentro da tecnologia atual?
Brin: As pessoas me mandam coisas. Sou convidado a participar de conferencias científicas. Sou contratado como consultor ‘tecno-futurista’ por empresas de ponta. Em outras palavras, sou bem pago para fazer perguntas para as mentes mais brilhantes do mundo. A vida é tão injusta. Em outras civilizações, eles queimavam gente como eu em estacas. Apesar de uma miríade de perigos e rompantes de estupidez, vivemos uma verdadeira renascença.
Cris: O que te inspira?
Brin: A difícil saga da história humana. Toda manhã quando levanto e percebo que os bárbaros não incendiaram minha casa, nem levaram meus filhos, é um grande dia. Qualquer um que nega a palpável existência do progresso, não sabe nada sobre a vida, ou o passado. Mas é uma confiança frágil. Pode ser destruída se formos tolos ou não batalharmos o máximo que pudermos. Não quero que minhas crianças voltem a viver em cavernas. Quero vê-los voando por ai, feito deuses, em um mundo seguro. É pedir muito? Os chatos e os niilistas que criticam sem parar, sem ver o progresso, não estão tentando fazer as coisas melhorarem. Estão só aproveitando o barato entorpecente do ressentimento, sem contribuir com coisa alguma construtiva. De qualquer forma, é melhor eu estar certo. Por que só um mundo, cheio de pessoas espertas, será capaz de lidar com os problemas que esperam à nossa frente. Grandes problemas requerem atenção de uma civilização melhor.
Cris: Qual a responsabilidade dos escritores de FC hoje?
Brin: Liberdade. Liberdade para explorar. Para se encantar com a mudança e com a transformação e compartilhar com prudência este encanto, com as pessoas que irão experimentar rápidas mudanças em suas vidas.
Cris: O quanto deste papel de desorientação social cabe a Ficção Científica atual?
Brin: Bastante, eu creio. Poucos autores estão dispostos a considerar a possibilidade das pessoas comuns serem mais inteligentes do que eles pensam. De fato, eu acho isso surpreendente, quão adaptáveis as pessoas comuns podem ser. Se fossem completos idiotas, ao invés de agir como tolos - todos estariam mortos. Então por que tantos escritores agem como se tivessem inventado o ultraje moral e o as roupas de couro pretas? Não tem uma mensagem mais comum na mídia em massa - dos vídeos de rock aos filmes e romances - do que a 'Suspensão da Autoridade' (“Rebeldes são sempre os heróis. Obediência das normais é mostrado como algo pior do que a morte" Jean Baudrillard) Recebemos esta mensagem desde bem cedo. Não dá para convencer as pessoas de sua quase infinita capacidade criativa, se as pessoas inteligentes permanecerem nos mesmos ‘tropos’ (movimento orientado por um estimulo exterior que opera unilateralmente) com que foram amamentadas.
Cris: Algum conselho final para se viver o século 21 ?
Brin: Questione conjecturas. O esperado. Meus colegas autores de FC - vocês são pagos para isso! Em algumas outras culturas, seriamos queimados por isso! Diabos, nossa cultura
pode derrepente se deteriorar - está mais perto disso e já quase aconteceu várias vezes.
www.davidbrin.com
www.futurist.com/portal/future_trends/david_brin_empowerment.htm
sábado, 5 de abril de 2008
A alvorada de HAL - Entrevista com Arthur Charles Clarke - Notas e links
O PLANETA DOS MACACOS E O OSCAR
O filme ‘O Planeta dos Macacos’ (PLANET OF THE APES) foi baseado no romance de Pierre Boulle, dirigido por Franklin Schaffner e recebeu três indicações para o Oscar de 1968: Arranjo musical (Jerry Goldsmith), Figurino (Morton Haack) e Maquiagem (John Chambers). Ganhou com o último.
O CENÁRIO LUNAR
Havia uma teoria na época sobre uma conspiração ligando Stanley Kubrick e a NASA. Ele teria auxiliado na criação dos efeitos especiais utilizados na fraude do pouso lunar americano.
A imagem http://www.afraudedoseculo.com.br/images/kubrick3.jpg é do set do filme ‘2001’.
A RENÛNCIA QUE QUASE CANCELOU O FILME
Lyndon B. Johnson, líder político democrata, eleito vice-presidente de John Kennedy em 1960, assumiu a presidência dos EUA após o assassinato de Kennedy e foi o idealizador da ‘Grande Sociedade’. Sob seu governo, o país fez explorações espaciais espetaculares. Quando três astronautas orbitaram com sucesso a lua (Dezembro de 1968) Johnson disse:: "Vocês levaram todos nós, de todo o mundo, a uma nova era."
Apesar de ter sido reeleito em 1964, crises como a da questão racial e a situação no Vietnã, o levaram a entregar o cargo em 1968. Morreu cinco anos depois, de ataque cardíaco, em seu rancho no Texas.
BRITSH INTERPLANETARY SOCIETY (BIS)
A FAMOSA PARTIDA DE XADREZ ENTRE MÁQUINA E HOMEM
Em Maio de 1997 o supercomputador da IBM, Deep Blue, disputou várias partidas com o campeão mundial de xadrez da época, Garry Kasparov, derrotando-o. O evento foi transmitido pela Internet.
A BELL
Conhecida como Bell Labs ou hoje, AT&T Bell Laboratories, é uma empresa dedicada a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e teve sua origem na Bell Telephone Company fundada em 1878 por Alexander Graham Bell.
ALAN TURINGA ENIGMA
Enigma era uma máquina usada para de/criptografar mensagens. Usada comercialmente desde 1920, foi adotada pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
A ilha de Sri Lanka, ou pequena lágrima da Índia, no passado conhecida como Serendib, Dharma e Ceilão, fica no sul da Ásia, a 31 km da Índia. Ex-colônia inglesa, é desde 1948, uma república independente.
Marvin Lee Minsky professor da MIT, formado em matemática pela Harvard e Princeton, é uma autoridade no campo da Inteligência Artificial, psicologia cognitiva, lingüística computacional, robótica e ótica. Trabalhou na construção do primeiro simulador de rede neural e colaborou no desenvolvimento das mãos mecânicas, no microscópio de varredura, no sintetizador musical e na linguagem Logo, entre outras invenções.
DAISY
A canção ‘Daisy Bell’, que faz parte da cultura popular inglesa, foi utilizada em 1962 pelo físico John Larry Kelly Jr. da Bell Labs, para demonstração do sintetizador de voz desenvolvido pela empresa. Arthur Clarke por coincidência visitava na época um amigo, John Pierce, na Bell Labs, e ficou tão impressionado que solicitou uma gravação para ser usada em ‘2001, Uma Odisséia no espaço’.
A letra: ‘ There is a flower within my heart / Daisy, Daisy / Planted one day by a glancing dart / Planted by Daisy Bell / Whether she loves me or loves me not / Sometimes it's hard to tell / Yet I am longing to share the lot / Of beautiful Daisy Bell / Daisy, Daisy, give me your answer do / I'm half crazy all for the love of you / It won't be a stylish marriage / I can't afford a carriage / But you'll look sweet upon the seat / Of a bicycle built for two / We will go 'tandem' as man and wife / Daisy, Daisy / Ped'ling away down the road of life / I and my Daisy Bell / When the road's dark, we can both despise / Policemen and lamps as well / There are bright lights in the dazzling eyes / Of beautiful Daisy Bell / I will stand by you in "wheel" or woe / Daisy, Daisy / You'll be the bell(e) which I'll ring you know / Sweet little Daisy Bell / You'll take the lead in each trip we take / Then if I don’t do well / I will permit you to use the brake / My beautiful Daisy Bell’
Big Brother é um personagem ficcional do romance 1984 (de George Orwell), o enigmático ditador de Oceania, um estado totalitário. Orwell descreve que todos nesta sociedade, são permanentemente mantidos sob a vigilância através da tele-telas. O povo é constantemente relembrado disso pela frase ‘Big Brother está vendo você’ e a sua representação lembra a aparência do ditador russo Stalin. O livro não deixa claro se Big Brother realmente existe como uma pessoa ou se é uma imagem criada pelo Partido que governa Oceania.
DOUG LENAT
Douglas B Lenat, matemático e físico, é presidente da Cycorp Inc. em Austin,Texas, e um proeminente pesquisador de inteligência artificial, engenharia ontológica, especialmente sobre ‘máquinas que aprendem’ (programa Eurisko). Trabalha também com simulações militares e ficou conhecido por um artigo criticando a validade do conceito de mutação randômica do Darwinismo.
SONHO E REALIDADE, O COMPUTADOR DE 2001
Como se construir HAL hoje, em 3 simples passos
Restaurando a reputação de HAL (Wired)
Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4
A alvorada de HAL - Entrevista com Arthur Charles Clarke - Parte 4/4

Stork: Será que o desenvolvimento dos CG mudará a natureza fundamental da nossa interação com computadores. Será mais visual do que tátil?
Clarke: Irá ser cada vez mais visual, mas também pela fala, e as pessoas já estão tratando computadores como indivíduos, cada vez mais.
Stork: Você consegue enxergar seu laptop ou desktop com uma personalidade ou uma identidade?
Clarke: Meu computador tinha um programa que dizia ‘Me desculpe Dave, eu não posso fazer isso’, quando eu o mandava fazer algo idiota. Mas não é uma personalidade de verdade ainda.
Stork: Podemos ocasionalmente atribuir um sentido nosso às máquinas, mas HAL tinha seu próprio e sabia que existia, de alguma forma. De onde isso veio?
Clarke: Não tenho certeza de onde tiramos nosso sentido de identidade, obviamente ele se desenvolve conforme crescemos e presumidamente HAL também desenvolveu ao nascer em Urbana, ao aprender com Mr.Langley.
Clarke: Não vejo razão por que um computador não possa possuir qualquer atributo que um ser humano possui. Gosto de citar Marvin Minsky quando diz ‘Sou uma máquina, eu penso’. e você poderia dizer ‘Sou uma máquina, tenho emoções.’ E nós somos máquinas, máquinas baseadas em carbono, algumas pessoas podem dizer ‘ah, você é muito mais do que uma máquina’. Ok, me mostre o que temos, que uma máquina não poderia ter? Esta discussão já dura milhares de anos, eu acho. O fantasma na máquina.
Stork: Então para você não há diferença fundamental entre coisas animadas e inanimadas?
Clarke: Neste espectro contínuo sim, entre estar vivo e não estar, consciente e inconsciente não há divisórias, acho.
Stork: A obscura distinção entre humanos e máquinas, entre animados e inanimados, pensante e não pensante.
Clarke: A barreira entre máquinas e homens, entre computadores e homens, está se movendo o tempo todo. E eventualmente haverá computadores que pensarão serem seres humanos, se você deixar que eles se desenvolvam. E ultimamente podem haver computadores que começaram a fazer coisas que nós sequer começamos a entender, já que uma geração de computadores sucede a outra, com mais e mais recursos. Este é o pensamento que assusta muita gente. Sabe, a velha história de Frankenstein, mas eu sempre disse, talvez otimisticamente, que a real inteligência não será malévola.
Stork: Por que?
Clarke: Qualquer inteligência não será malévola ou agressiva, até que tenha que se defender. Costumo dizer que se houver uma guerra entre homem e máquina, eu saberei dizer que lado a começou.
Stork: Mas imagine que Kubrick discordasse disso. Que máquinas pudessem ser malévolas e que fossem. Ele poderia ter uma idéia diferente de quem começou a guerra.
Clarke: Kubrick tinha uma visão sarcástica, se não pessimista, da tecnologia. É claro que ‘Dr.Strangelove’ é um clássico exemplo de máquinas que vão para o lado errado. Eu não sei se ele concordaria comigo, que uma máquina realmente inteligente não faria o mal.
Stork: Para seres humanos evoluírem é necessário algum conflito. As máquinas não necessitam da seleção natural, do conflito. Talvez esta noção do beneficio inerente ao conflito seja algo que se perca com relação às máquinas e portanto, elas não precisariam ser beligerantes.
Clarke: Nós provavelmente desenvolvemos nossos instintos agressivos através da evolução, por vivermos em um ambiente perigoso, então as máquinas não teriam este pano de fundo, então talvez não fossem agressivas e não fossem malévolas, a não ser que fossem deliberadamente programadas por nós neste sentido, o que é incidentalmente o que ocorre hoje. Todas esperando dentro de silos subterrâneos espalhados pelo mundo.
Stork: Você é praticamente um otimista quanto a tudo que eu li e tudo que sei sobre você. Tudo que eu vi de Kubrick me parece bem pessimista. Foi difícil trabalhar junto com ele, se admitirmos que vocês são pessoas com visões de vida diferentes?
Clarke: Discutíamos sobre todo tipo de coisa, mas não me lembro de perdermos nossa cabeça em momento algum, um com o outro; exceto talvez por uma coisa; a data de publicação do livro.
Clerke: Ele disse que não tinha tempo de olhar meu manuscrito, pois estava ocupado demais com o filme. Apesar disso, tudo correu bem.
Stork: Na sua opinião, quais são as maiores diferenças entre o livro e o filme?
Clarke: São inúmeras diferenças fundamentais entre eles. No livro usamos a gravidade de Júpiter como um impulso (flyby), exatamente como a Galileo fez e está fazendo e as outras sondas espaciais também. Fomos para Saturno por dois motivos: Saturno é o mais belo e mais espetacular dos planetas. Nós decidimos não ir para Saturno no filme por que o departamento de artes não conseguiria reproduzi-lo, e fiquei feliz com isso, por que sei da incrível complexidade dos anéis de Saturno. Nosso Saturno iria parecer ultrapassado, datado. Fiquei feliz por trocar por Júpiter, que também é bastante espetacular, de qualquer maneira.
Stork: O departamento de artes trabalhou bem com a lua. Diga-nos sobre o esforço de fazer uma lua direito. Vocês depois conversaram com astronautas que estiveram lá e que poderiam comparar sua versão com a lua de verdade.
Clarke: Quando fizemos o filme não sabíamos exatamente como era a superfície lunar. Sabemos agora que a superfície é bombardeada constantemente. Tivemos que fazer algumas apostas. Felizmente não estávamos tão longe da verdade. Não pareceu muito ridícula. Os astronautas depois nos cumprimentaram. Eu tenho ao meu lado um belo mapa lunar da missão Apollo 15, com a assinatura deles. Eles deram nome a uma das crateras, de um dos meus livros. Muitos disseram que parecia que nós havíamos estado lá antes deles.
Stork: Uma das diferenças entre o livro e o filme, é que o livro explica bastante enquanto o filme não. Por que não ter as explicações no filme?
Clarke: Sempre sou acusado de dar explicações demais no livro e Stanley era acusado de não tê-las feito, mas Stanley dizia para mim ‘Eu quero dar a você uma experiência emocional, e você não precisa entender exatamente o que está acontecendo, se você sentir aquilo que eu quero evocar.’ Acho que ele estava certo. Stanley queria criar um mito, e um mito é inesgotável e você pode ter suas próprias idéias sobre aquilo ou você pode não concordar com a opinião do cara sentado ao lado. Eu tentei explicar o necessário. Talvez eu tenha explicado coisas demais.
O legado de HALParte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Notas e Links
A alvorada de HAL - Entrevista com Arthur Charles Clarke - Parte 3/4

Stork: HAL vive em uma espaçonave entre cientistas, engenheiros e astronautas, mas muito do que hoje ocorre na ciência de computadores está ligado ao lado comercial. Qualquer pessoa possui um computador de mesa, ou um som digital, ou um relógio digital. Me parece uma tendência que foi subestimada e não prevista em 2001.
Clarke: Ninguém imaginou como os computadores tomariam conta do mundo. O presidente da IBM ficou famoso por dizer em 1940, que só haveriam no mercado, cinco ou seis computadores, não me lembro do número exato, mas cada casa hoje tem mais computadores do que isso, quase que em cada quarto. Ninguém, nem mesmo o mais louco dos escritores de ficção cientifica, talvez apenas Isaac Asimov, colocou um Palm top em suas histórias. Isaac provavelmente, eu certamente não.
Stork:
Clarke: Apenas vemos o que é obvio eventualmente.
Stork: Você foi tão presciente sobre os satélites orbitais. Nos conte sobre sua previsão.
Clarke: Bem, o conceito de um satélite de comunicação orbital é, honestamente, algo simples. Se eu não tivesse escrito meu artigo em 1945, eu sabia de 10 pessoas que o fariam em 1946.
Stork: Descreva-o para nós.
Clarke: Em 1945 eu trabalhava com o mais avançado radar do mundo. Radar de aproximação, que trabalhava com freqüências de 3cm de tamanho de onda. Era um grande segredo. Lembro que quando um dos nossos magnetrons, que geravam a energia, teve que ser mandado para reparos, tive que portar uma arma, no caso de tropas de paraquedistas alemães tentarem roubá-lo. Acho que não faria tanta resistência assim e nem tão eficaz. De qualquer forma, os magnetrons eram secretos e agora tem um em cada forno de microondas. Trabalhava nesse radar de feixe estreito e é claro, que eu sempre estive interessado em viagens espaciais, toda minha vida, e tinha sido membro da British Interplanetary Society, em 1936 em Liverpool. Em 1945 quando parecia que a guerra logo terminaria, alguns de nós, prematuros cadetes do espaço, nos reunimos e dissemos, bem, como podemos fazer algum dinheiro para construir nosso foguete para chegarmos até a lua. Enquanto pensávamos sobre isso, o conceito de usar satélites como retransmissores me surgiu. Não tenho certeza hoje como a idéia não surgiu para outros, nas nossas discussões. Eu fui aquele que escreveu o artigo, então eu o desenvolvi como um trabalho e que incluía tudo que já fora feito até aquela época, incluindo algo que só recentemente foi feito, como o link ótico entre satélites.
Stork: Dos dois maiores desenvolvimentos no mundo da comunicação, satélites e Internet, você foi diretamente responsável por um deles.
Clarke: O que eu não previ e ninguém o fez, foi o extraordinário aparecimento dos cabos. Escrevi um livro sobre o cabo atlântico. Ninguém nunca imaginou que simples filamentos de vidro, teriam uma performance tão superior a qualquer cabo de cobre e desbancariam, inclusive, os satélites - mas são limitados ao sistema ponto a ponto e você precisa de satélites para cobertura global e móvel.
Stork: Durante a produção do filme, você viu apenas partes e pequenos pedaços. A primeira vez que assistiu inteiro foi na noite de lançamento. Você ficou impressionado?
Clarke: Acho que vi o filme completo pouco antes disso, mas só rapidamente e mais o final. Stanley ainda estava montando-o, cortando e mudando-o e não me lembro de meus sentimentos a respeito da primeira vez no cinema, que foi em Uptown, em Washington. Na verdade eu estive nas três apresentações noturnas sucessivas, esta em Washington, em New York e em Los Angeles, vestido de pingüim. Faz tanto tempo, não confio na minha memória do evento. Quase foi um fracasso, devido ao Presidente Johnson ter anunciado sua renûncia e Martin Luther King tinha sido assassinado, muitas coisas estavam acontecendo nos bastidores. Nós realmente não sabíamos o que tínhamos realizado.
Stork: Fale-nos do Oscar.
Clarke: 2001 foi indicado. Acho que por efeitos especiais. Estava no Arthur Chandler Pavilion para a cerimônia, com o melhor discurso não lido jamais escrito. Foi sem dúvida um desapontamento, quando eles anunciaram que você não conseguiu aquilo que tanto desejava. Acho que fiquei um pouco aborrecido por que ‘O planeta dos Macacos’ ganhara um Oscar por maquiagem e achava que tínhamos feito algo ao menos tão bom quanto aquilo.
Stork: O que você teria dito se tivesse ganho?
Clarke: Não tenho a menor idéia do que dizia o discurso. Tenho que procurá-lo qualquer dia desses. Deve estar enterrado nos ‘clarkivos’.
Stork: Vamos falar de HAL e da sua visão. Nós vemos primeiramente HAL como um grande olho vermelho. De onde ele veio?
Clarke: O famoso olho vermelho foi um produto do departamento de artes e eu acredito que alguem em algum lugar, tem o verdadeiro olho que foi leiloado. Na verdade não faz muito sentido, pois eu queria visão binocular. Por que era vermelho? Dava uma impressão agourenta, mas não era prático.
Stork: Mas a gente tinha a impressão de que era ominipresente, não interessava onde você ia, tinha um olho.
Clarke: O Grande HAL está olhando você!
Stork: Você foi unfluenciado pelo Grande Irmão (Big Brother)?
Clarke: Nós estamos entrando em um mundo onde computadores tipo HAL estão nos vigiando. Eles estão instalando câmeras pelas cidades, particularmente em áreas de alta criminalidade, o que nos causa alguma preocupação, mas sou a favor.
Stork: Então HAL reconhece os tripulantes. Ele faz leitura labial. Nos fale de suas habilidades.
Clarke: A única que eu sei foi a sugestão de Stanley, o poder de ler lábios. Primeiro, eu não acreditava que um computador pudesse fazê-lo. Segundo, por que alguem se importaria em dar esta capacidade a ele? É um ponto inportante que nunca foi explicado. De qualquer jeito, produziu uma seqüência inesquecível.
Stork: Mas talvez a leitura labial só tenha aparecido. Uma vez que você tem reconhecimento de fala, uma vez que tem visão,HAL poderia ter juntado tudo isso. Além disso, você nunca aprende leitura labial e assim mesmo consegue fazê-lo.
Clarke: Bem, eu não consigo ler lábios, a não ser que o faça inconscientemente. E agora que estou ficando surdo, eu deveria estar fazendo mais leitura labial. Mas parece incrível para mim que um bom leitor de lábios, possa enganar as pessoas a volta, a ponto de achar que ele pode ouvir.
Stork: Que tipo de problemas HAL teria com este problema de visão? Ele tinha que reconhecer a equipe.
Clarke: O problema técnico é fazer com que HAL reconhecesse o que acontece ao seu redor, milhões e bilhões de bytes de informação por segundo. O que é relevante, e o que não é. É um problema fantástico de programação, mas tenho certeza de que pode ser resolvido, apesar de eu não saber como.
Stork: Por que os seres humanos são tão bons nisso e as máquinas não?
Clarke: Acho que os humanos são bons em extrair mensagens importantes das suas cercanias, por que se não soubessemos que o tigre dentes de sabre está na espreita, nós não estaríamos aqui. Então selecionamos esta nossa habilidade para isso.
Stork: Mas como ele consegue saber onde a tripulação se encontra? Parece um milagre de certa forma, no meio daquela confusão de sinais sensoriais, HAL de alguma forma pode escolher o que ver, o que ouvir.
Clarke: O mais importante para HAL é saber onde a tripulação se encontra. O trabalho de ensiná-lo o que é importante seria tremendo. É o inesperado. Coisas que ninguém pode provavelmente ter imaginado, é que causam os problemas reais. Quero dizer, coisas realmente impossíveis, que vemos na tecnologia de acidentes, que ninguém sonhou o que ocorreria e acontecem.
Stork: Humanos são flexíveis e muita gente acha que os computadores só fazem aquilo que lhes dizem e que nunca serão capazes de antecipar estes eventos inesperados.
Clarke: É uma falácia imaginar que computadores só fazem aquilo que lhes dizem para fazer, por que nós podemos estender suas habilidades. Podemos dizer a eles para serem curiosos, e eles podem aprender coisas que nós não sabemos. Isso já foi feito, de fato, na matemática.
Stork: Quer falar sobre isso? No trabalho de Doug Lenat sobre descobrir novos teoremas matemáticos com computadores?
Clarke: Não sei muito a respeito.
Stork: Nós humanos confiamos bastante na visão. Muito do nosso mundo é visual, muito do nosso cérebro é visual. Acha que poderia ter um HAL sem visão?
Clarke: HAL sem visão seria limitado, mas existem outros sentidos, a habilidade de ler ondas eletro-magnéticas. O som, é claro, você pode ‘ver’ através do som, como os golfinhos fazem. Apesar da visão ser importante, talvez não seja tão mais importante.
Stork: Outro aspecto de HAL é sua emoção. HAL parecia mais emocional do que sua tripulação, como mencionou. Por que fazê-lo assim?
Clarke: Existe um argumento a ser considerado e que poderia explicar o por que de computadores emocionais. Será que poderiam ser inteligentes se não tivessem emoções? É uma questão para a qual não tenho certeza de saber a resposta. Eu penso que emoções são essenciais, a outra é, podemos ter emoções sem inteligência, e todos conhecemos pessoas assim.
Stork: Como ele demonstra estas emoções? Ele é só um olho e uma voz.
Clarke: Com sua voz. É claro que a voz é critica. Não imagino HAL sem a voz de Douglas Rain. De outro modo, é claro, ele mostra suas emoções com suas ações. Desconectar os astronautas dos sistemas de suporte de vida por exemplo.
Stork: Ele diz que tem medo. Um computador pode sentir medo?
Clarke: Não tenho certeza que possa, mas pode ser programado para se comportar como tal. Não sei qual a distinção filosófica entre uma coisa e outra.
Stork: No filme ouvimos a explicação que a programação emocional de HAL faz com que, seja mais fácil de se falar com ele. Mas se HAL possuía sentimentos genuínos nunca saberemos. Ele tinha?
Clarke: Acho que sim. Há uma discussão no filme de fato, onde dois astronautas tentam decidir se HAL tem uma personalidade e se ele é uma pessoa de verdade, e um deles diz ‘ele age como se acreditasse que é’. E é isso. Eu tenho um cachorro e sou muito ligado a ele e eu acho que ele me ama, mas será que ele está somente agindo como se me amasse?
Stork: Isso importa?
Clarke: Quando um comportamento se parece tanto com a coisa real, qualquer que seja, a ponto de não poder distinguí-los, então eu acho que não importa.
Stork: Como você concebeu a morte de HAL?
Clarke: A sua morte é certamente um dos aspectos mais emocionantes do filme, quando Bowman puxa lentamente os módulos. Ainda bem que não fizemos aquele filme nos dias de hoje, pois seriam microchips deste tamanho (indica com os dedos algo minúsculo) ao invés de belos módulos manuseáveis. Não seria nada dramático. Mas, é um tipo de lobotomia, é claro. A idéia básica é essa.
Stork: Você colocou estes módulos apenas para causar o efeito ou existia alguma consideração cientifica por detrás ?
Clarke: Puramente efeito dramático, queríamos que fossem puxados, um depois do outro.
Stork: A sala do cérebro era grande como uma casa e muito iluminada. Quem estava lá além de HAL para ver tanta luz?
Clarke: A sala do cérebro de HAL é engraçada, se pensarmos nos computadores de hoje. Um dos engenheiros poderia precisar entrar lá para ver se tudo estava de acordo.
Stork: Por que a tripulação não tinha relógios digitais?
Clarke: É difícil imaginar o que uma mudança tecnológica pode fazer em 30 anos ou desde que o filme foi feito. Não me lembro dos relógios. Acho que tínhamos alguns com um design antigo por lá, em algum lugar. Poucas tecnologias desaparecem completamente.
Stork: HAL parecia bem simples graficamente. Quer falar algo sobre o crescimento do CG (Computer Graphics)?
Clarke: Aquilo que vemos em 2001 parecia impressionante na época. É claro que hoje podemos fazer coisas incríveis.
Parte 1 - Parte 2 - Parte 4 - Notas e Links
A alvorada de HAL - Entrevista com Arthur Charles Clarke - Parte 2/4

Stork: Kubrick via 2001 por um lado ‘espiritual’. Por que você acha que ele pensava assim?
Clarke: O uso que Kubrick dava para a palavra ‘espiritual’ em relação ao filme é complicado de definir. Eu acho que ‘emocional’ talvez fosse melhor.
Stork: É notável que seja ‘emocional’, quando os personagens não demonstram suas emoções.
Clarke: Surpreendentemente muito da emoção vem quando HAL desconecta os astronautas que dormem e você vê os sistemas de suporte a vida falhando, aquilo é muito tocante.
Stork: Muitos momentos decisivos ocorrem no silêncio.
Clarke: Tentamos ser precisos sempre. Parte da ação acontece fora da Discovery, no espaço, que é claro, totalmente silencioso.
Stork: O que pensa sobre o progresso da Inteligência artificial?
Clarke: Concordo que a Inteligência artificial, como definimos, está uns dez anos à nossa frente. Este dia virá.
Stork: Se você escrevesse esta mesma história hoje, você faria HAL igual?
Clarke: Em ‘2010’ eu fiz mudanças em HAL, e eventualmente fiz dele um sujeito bacana. Se eu tivesse planos de fazer um novo filme, eu certamente o faria desta forma.
Stork: Por que você o fez?
Clarke: Acho que mesmo o pior sujeito pode ser recuperado eventualmente, e esta é uma mudança interessante, fazer de HAL um bom sujeito.
Stork: Então você não pensa nele como uma extensão natural da maldade humana?
Clarke: Inteligência é uma ferramenta que pode ser usada para o bem ou para o mal. A história humana prova que sem a inteligência não se pode fazer nada. É como o fogo. Sem ele não teríamos a civilização e olhe quanta destruição o fogo causou.
Stork: Tem uma cena maravilhosa de HAL cantando ‘Daisy’. Pode nos dizer como isso se originou?
Clarke: Quando HAL é desconectado e canta ‘Daisy, Daisy’ é uma piada, por que o primeiro computador construído para falar nos laboratórios da Bell em 1940, 1950,
cantou ‘Daisy, Daisy’ com uma voz bem mecânica; combinamos isto com meu amigo John Pierce, o diretor do laboratório.
Stork: HAL nasceu em Urbana, Illinois. Por que?
Clarke: Eu escolhi Urbana por um motivo pessoal. Meu professor de matemática aplicada na Kings era George MacVeaty, que depois foi para Urbana e para a Universidade de Illinois. Eu descobri depois que George trabalhou em Bletchley Park, onde eles quebraram o código do Enigma, o código alemão. E aconteceu que o primeiro computador, o Colossus, foi construído com o propósito de quebrar este código. Também em Bletchley Park, trabalhava Alan Turing e ele desenvolveu o teste Kana Machine, eles escreveram um livro chamado ‘Kana Machine Think’ e eles inventaram o famoso teste que se você está conversando, digamos, através de um teleprinter ou um computador e não puder dizer se o seu interlocutor do outro lado, é um ser humano ou uma máquina, estará provado que do outro lado haverá uma inteligência. Hoje este teste é aplicado em outras áreas e as pessoas podem ser enganadas por pouco tempo, mas eventualmente você perguntará alguma coisa e receberá uma resposta estúpida.
Stock: HAL nasceu em 12 de Janeiro de 1992. Por que a data, e por que tão antes de 2001?
Clarke: Acho que HAL teve duas datas de nascimento, uma no filme e outra no livro e ambas ocorreram bem antes de 2001. Não sei por que escolhemos estas datas. Nem estou certo de que sabiam que ambas eram domingos.
Stork: Você chegou a pensar em fazer de HAL um robô. Por que a rejeitou?
Clarke: Pensamos em fazer HAL um robô convencional. Poderia se mover e fazer coisas. Então nós chegamos a conclusão de que seria um clichet. Já haviam muitos monstros mecânicos, você sabe. Robbie, o robô e outros. E é claro, o mais belo robô de todos, em Metropolis, de Fritz Lang. Então fugimos do clichet e pensamos que se distribuíssemos sensores nós poderíamos ver tudo por toda parte e talvez manipuladores que poderiam controlar coisas, não precisariamos mover o cérebro central. Poderia ficar em um só lugar, imóvel. De novo esta era uma idéia antiga, de Olof Stapledon, ‘Last and First men’ onde há uma raça de gigantescos cérebros imóveis, com suportes de vida e todo tipo de sensores, mas nunca se mexiam. Não precisavam.
Stork: Você pode dizer então que primeiramente foi por rações artísticas? Não fazê-lo como um robô.
Clarke: Acho que parte por razões artísticas e também por que era bem mais fácil assim. Imagine em um confronto ente os astronautas e um HAL móvel, balançando os braços e tudo mais, seria uma cena bem dramática - acho que algo parecido com isso é feito de tempos em tempos, mas fico agradecido por não termos feito. Incidentalmente eu me tornei como HAL, por que não posso me mover, mas tenho sensores espalhados pelo mundo.
Stork: HAL matou. Foi assassinato?
Clarke: Quando ele mata, não acho que seja assassinato. Bem, depende inteiramente da sua definição. Podemos dizer que foi auto-defesa, que é um argumento utilizado pela lei. Acho que foi mais auto-defesa do que assassinato.
Stork: Não seria imoral, se desconectar um computador inteligente como HAL?
Clarke: Esta é uma pergunta interessante, se seria imoral desconectar ou desligar-se temporariamente um computador inteligente. De outra forma, alguns computadores poderiam ser capazes de dormir de tempos em tempos, como nós. É um ponto para se discutir. Uma das razões pelas quais fizemos HAL daquele jeito, foi poder mostrá-lo sendo dramaticamente desconectado. Puxando aquelas coisas. Mas é claro, não seria tão dramático se fossem microchips.
Stork: HAL pergunta, não no filme, mas no livro, se vai sonhar quando for desligado. Um computador sonha quando está desligado?
Clarke: Não vejo por que razão não possam. Nós sonhamos para organizar e rejeitar todo tipo de input e informações que retemos durante o dia. Jogue no lixo isso, guarde aquilo, e assim vai. Isso é só o que os sonhos fazem. Estou certo que um computador inteligente terá que fazer o mesmo. Provavelmente o fará por multi-tarefa e não precisará ser desligado.
Stork: Ao longo do filme vemos vários comerciais interessantes. Fale-nos sobre eles e por que você achou que seria a Bell Telephone a ganhar o espaço em 2001.
Clarke: Como a maioria dos filmes de grande orçamento, tenta-se jogar com a indústria, por dois motivos, algumas vezes as companhias irão pagar por isso, de qualquer jeito é uma boa publicidade, nas duas direções, mesmo que nenhum dinheiro venha a aparecer. A Bell Labs é claro, se interessou. É uma ironia que tenha sido desfeita pouco depois do lançamento do filme.
Stork: Nos fale sobre o xadrez como uma marca da inteligência e o que HAL tem a ver com isso.
Clarke: Kubrick escolheu o xadrez por várias razões, estou certo disso. Um dos motivos é que ele modestamente ganhava para jogar xadrez na Washington Square, contra adversários, poucos dólares, mas dava para viver. Felizmente eu nunca aprendi nem as regras mais básicas. Deliberadamente, pois tinha medo de que se eu aprendesse, seria possuído. Foi muita sorte; esta foi uma decisão que tomei quando criança. Eu era aficcionado por jogo de damas e dardos, mas xadrez, de jeito algum! E se eu tivesse me tornado um enxadrista, 2001 nunca teria sido feito. Estou certo que Stanley e eu passaríamos muito tempo jogando e eu ficaria muito frustrado por ser derrotado por ele. Se xadrez é uma prova de inteligência, é claro que é discutível, desde que o campeão de xadrez atual é um computador.
Stork: Por que diz que é discutivel? Deveria significar que a máquina é inteligente. Acha que Deep Blue é inteligente?
Clarke: Se xadrez for um teste de inteligência, então obviamente alguns computadores são mais inteligentes do que seres humanos. Mas se xadrez for uma questão de ‘força bruta’; você sabe, utilizar algoritimos, apenas tentando de tudo até que se encontre um que funcione, então não é realmente inteligência.
Stork: Então você está dizendo que não existem máquinas inteligentes hoje?
Clarke: Tenho duvida se existe alguma máquina realmente inteligente hoje, mas estou certo de que existem algumas sendo testadas. Talvez em dez anos. Robôs que podem construir outros robôs já são uma realidade.
Stork: É vida artificial?
Clarke: Vida artificial é outra questão, não é o mesmo que inteligência artificial. Existem células automatas que são padrões que se movem de um computador para outro de acordo com regras bem simples, e tem um comportamento como seres vivos. Elas podem ser definidas como criaturas vivas, embora suas possibilidades sejam limitadas, eu diria.
Stork: Então você define a vida como algo separado do substrato?
Clarke: Vida é algo que surge com complexidade. Aconteceu de surgir aqui, com base no carbono. Mas poderia ser silício, amônia, plasma. Como no livro de Fred Hoyles ‘The black cloud’ - tudo é possível. Mesmo galáxias inteligentes. É claro que elas pensavam bem vagarosamente.
Stork: E quanto aos sistemas econômicos, são grandes e bem complexos. Aprendem, podem reagir, trocar produtos e as pessoas agem dentro dele.
Clarke: Sim, sistemas econômicos mundiais, são certamente organismos. Eu escrevi um conto, muitos anos atrás, chamado ‘Dial F for Frankenstein’, onde eu assumo que o sistema telefônico mundial em certo ponto, se torna uma entidade viva. Depois de uma ligação, ele subitamente começa a pensar e toma o controle do mundo. Escrevi isso nos anos 60 e acho que foi publicado na Playboy. ‘Dial F for Frankenstein’ se tornou datado hoje, por que ninguém mais disca é claro, e hoje se isso acontecesse, não seria com o sistema telefônico, mas com a Internet. Mas é claro que é uma possibilidade real. Quando a Internet irá tomar conta?
Stork: Alguma sugestão? Alguma idéia?
Clarke: Acho que a Internet já assumiu o controle. Passo 90% do meu tempo na Internet trocando emails, então provavelmente isso já aconteceu.
Stork: Mas ainda não é inteligente. Acho que concorda comigo.
Clarke: A Internet não é inteligente, nem a maioria das pessoas que a utilizam. Acho as vezes penso que não sou inteligente, por gastar tanto tempo da minha vida nela.
Stork: Computadores são ubiguos. Tratamos com eles de diversas maneiras. Teclamos neles, falamos com eles, escrevemos neles com canetas especiais. Como HAL. Você poderia especular que métodos surgirão para que humanos e máquinas se comuniquem?
Clarke: Hoje usamos teclados para nos comunicar. E cada vez mais usaremos a voz e eles falarão conosco. Em breve, acho que teremos implantes cerebrais e isso já está sendo testado - já está acontecendo. Na semana passada, um rapaz ganhou uma mão biônica que era controlada mentalmente. É obvio que é o próximo passo, e em um dos meus livros eu mostro um capacete que se ajusta ao crânio. Com milhares de micro eletrodos, não irei entrar em detalhes técnicos, deixarei para os engenheiros. E teremos comunicação mental direta, telepatia eletrônica se preferir, com computadores e é claro, entre eles. Irá revolucionar a sociedade. É algo bastante comum em livros de ficção científica. Uma coisa que me preocupa é a quantidade enorme de informação que estamos guardando. Quando ficaremos sem espaço para tanto? Parece que não vai acontecer por que os equipamentos de armazenamento estão ficando cada vez mais poderosos e os números são inacreditáveis. Vivo em um pais onde a grande maioria acredita em reincarnação. Meu problema com a reincarnação é: como funciona este mecanismo de entrada-e-saida e como é o sistema de armazenamento? Nunca tive uma resposta, mas acho interessante. Se somos de alguma forma guardados depois de morrer e então podemos ser reavivados, então a pergunta é - se a informação nunca se perde, se tudo é guardado de algum modo no tecido cósmico, então todo mundo que já viveu deveria reincarnar e isso é um assunto para séria especulação filosófica.
Stork: Então você prevê um estado único entre homens e máquinas?
Clarke: Homens e máquinas vão se unir. Hoje já existem pessoas com mecanismos artificiais dentro de seus corpos. Corações artificiais. Um dia eles terão cérebros artificiais. Serão capazes de baixar nossos pensamentos, nossas personalidades em um computador. Acho inevitável. E não me preocupa. O fato de ser um bípede baseado em carbono, não me leva a menosprezar um bípede baseado em silicio.
Stork: Direitos iguais?
Clarke: Direitos iguais para robôs.
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Marvin Minsky - The Turing option [ Download ]
Alan Turing - Can machines think [ Download ]
Fred Hoyle - Black Cloud [ Download ]
Olaf Stapledon - Last and first men [ Download ]
A alvorada de HAL - Entrevista com Arthur Charles Clarke - Parte 1/4
Dawn of HAL -Entrevistador Dr. David G. Stork
Stork: Diga-nos como foi seu primeiro encontro com Kubrick e como 2001 começou.Clarke: Estava em Sri Lanka quando Stanley Kubrick me escreveu e disse que queria fazer um bom filme de ficção científica, que ficasse famoso, subentendendo que até então não havia nenhum que fosse bom o bastante. Não concordei totalmente com ele. Nesta época eu estava indo para New York, trabalhar em um projeto para a Time/Life, um livro que se chamaria ‘Man and Space’. Assim que cheguei, entrei em contato com Stanley e nos encontramos e decidimos trabalhar em um projeto que se chamaria ‘The journey beyond the stars’, acho que era esse o título. Minha sugestão era ‘How the solar system was one’, que eu ainda acho que era um bom título. Você está ouvindo Steven Spielberg? De qualquer forma, eu estava trabalhando na Time/Life e estava numa reunião com Stanley certa tarde e eu ia de um projeto para o outro, então tive que voltar para Sri Lanka e nós mantivemos nos falando de todo jeito. Quando finalmente o contrato ficou pronto, me mudei para a Inglaterra e lá a maioria do trabalho foi feito. Apesar disso, a maioria dos meus escritos preliminares foram feitos na suíte do Hotel Chelsea, em New York.
Stork: Quais idéias são suas? Quantas são dele? Como foi o relacionamento para escrever o roteiro?
Clarke: Depois de mais de um quarto de século é difícil lembrar quem fez o que. Mas tenho certeza de que o título ‘2001’ foi de Stanley. E ainda não sei de onde tirou, não sabia na época, que 2001 era o primeiro ano de um novo século e de um novo milênio.
Começamos selecionando seis contos meus que achei que seria um material que poderíamos utilizar. Mas de fato, usamos apenas um, ‘The sentinel’, que era sobre a descoberta de um artefato alienígena na lua.
Stork: Mas não existe um computador em ‘The Sentinel’, então você precisou acrescentar mais um personagem, HAL.
Clarke: É claro que o personagem chave na expedição era o computador HAL, que como muitos disseram era o único personagem humano no filme. HAL surgiu aos poucos. Em certo momento íamos usar uma voz feminina. Athena, acho que era seu nome. Não sei por que, de novo, mudamos para HAL. Tentei por anos acabar com a lenda de que HAL viesse de IBM. Mas de fato, como disse no livro, HAL vem de ‘Heuristic Algorithmic’, e significa que ele pode trabalhar com um programa pronto ou pode olhar em volta e procurar uma solução melhor, desta forma você vai ter o melhor dos dois mundos. Foi assim que HAL foi criado.
Stork: Ficou popular que HAL vinha de IBM, apenas sendo a sílaba anterior. Qual foi a sua reação quando isso foi divulgado?
Clarke: Não sei quem descobriu a coincidência, que não foi realmente marcante. E não me lembro de Stanley ter comentado sobre isso. Por algum tempo ficamos embaraçados com isso, mas eu acho que hoje a IBM se orgulha da associação.
Stork: E como era no set de filmagem?
Clarke: Raramente eu ia ao set. Em anos eu só visitei duas ou três vezes. Acho que minha principal impressão de Stanley era sua determinação e também sua bondade. As pessoas pensam que ele era um tirano, um personagem do tipo Napoleão. É claro que Napoleão era uma personalidade que interessava a Stanley. Mas não, ele tinha muita atenção comigo.
Stork: Como você aprendeu sobre ciência da computação? Aquele era o inicio da moderna ciência da computação. Como você imaginou que HAL seria?
Clarke: Sempre me interessei por computadores. No meu tempo de serviço civil, eu costumava freqüentar o Museu das Ciências. O item que mais me fascinava era o computador incompleto de Babbage. Uma maravilhosa maçaroca de engrenagens, que podia calcular tabelas algorítmicas. De fato, houve um modelo posterior que foi terminado. Eu já coloquei minhas mãos nele uma vez. Acho que está num filme no Museu das Ciências. Então, sempre me interessei, acho que ele aparece em várias histórias minhas, acho que era inevitável...

Stork: Você também aprendeu como programar em um HAL Jr. 9.000. Nos fale disso.
Clarke: A Hewlett Packard gentilmente me presenteou com um dos primeiros computadores de mesa. Aprendi sua programação bem primitiva. Tinha cartões que eram inseridos dentro. Lembro de escrever um programa com 25 linhas e somente cinqüenta erros nele.
Stork: Mas você com certeza leu e se aconselhou com cientistas. Nos diga como foi.
Clarke: Quando estavamos fazendo 2001, nós consultamos especialistas em diversas áreas concernentes a certas partes do filme. Então, obviamente, encontramos os melhores nesta área de computação, o que significa dizer MIT e Marvin Minsky, que veio ao estúdio e conversou com a gente. E sabe, nós pegamos suas idéias, mas que não foram necessariamente responsáveis pelo que acontece no filme.
Stork: O que eles disseram?
Clarke: Não me lembro agora.
Stork: O filme é tão preciso quanto a descrição da tecnologia, por que isso é tão importante, usar da ciência corretamente, quando se faz um filme ou qualquer trabalho de arte?
Clarke: Isso sempre provocou discussão - o quão preciso cientificamente precisa ser um filme de ficção científica. E meu argumento é de que se não for assim, não é ficção científica, é fantasia. Agora, não tenho nada contra a fantasia, alguns dos meus trabalhos favoritos são de fato fantasia. Mas se for ficção científica então deve haver possibilidade daquilo acontecer ou pelo menos não deve haver argumentos contra. Algumas vezes eu estendo meus horizontes, como no meu romance com Baxter, ‘The light of other days’, criamos uma espécie de bureau do tempo, onde se pode ver e ouvir qualquer coisa que já aconteceu. Bem, tivemos que escrever muito para explicar como ele funcionaria. Então você não pode provar que é impossível. Pode ser que toda a informação esteja de alguma forma guardada em algum lugar. Sendo assim, nós poderíamos ser capazes de recuperá-la.
Stork: 2001 devia parecer muito distante em 1964. Você chegou a pensar seriamente em estar aqui hoje, no início de um novo século ?
Clarke: Em 1964, quando começamos a trabalhar no filme, o primeiro pouso lunar ainda levaria 5 anos para acontecer. 2001 se parece de fato, com 1984; foi uma data escolhida aleatoricamente, pois parecia um futuro remoto. Não sei onde suspeitava ou esperava estar por volta de 2001, você sabe que assumimos que as coisas que mostramos um dia iriam acontecer. Hoje nos esquecemos que na década de 60, haviam planos por parte da NASA, de se colocar homens em Marte na década de 80.
Stork: Então você está desapontado?
Clarke: Sempre me pergunto o por que das coisas que mostramos, como a base lunar, a exploração de júpiter, ainda não aconteceram. Minha resposta é que muito mais coisas aconteceram do que poderíamos pensar. A exploração através de sondas de quase todos os planetas. Closes da superfície marciana, a Sojourner correndo entre as rochas. Que visão fascinante!
Stork: Dos novos desenvolvimentos, algum em particular mexeu com você?
Clarke: Suponho que a maior surpresa em tecnologia desde que fizemos 2001 foi a revolução do microchip. Foi uma das maiores na história. É um dos exemplos da terceira lei de Clarke - qualquer tecnologia avançada o bastante é indistinguível de magia. Meu exemplo favorito é o cd-rom. Aqui está um disco prateado que cabe na sua mão e você pode colocar um filme inteiro nele! Nos mais modernos, você pode colocar oito filmes inteiros nele!
Stork: HAL, é claro, era inteligente ou parecia, e era bem malvado. Você de alguma forma ligava inerentemente a inteligência à maldade?
Clarke: Inteligência não é algo fácil de se definir. Eu gosto de pensar que seja a reação apropriada à qualquer circunstancia. HAL se viu diante de uma situação onde ele pensou que a missão estava em perigo, devido ao comportamento dos astronautas e tomou uma decisão que ele depois admitiria ter sido desastrosa.
Stork: Por todo o filme existe esta ligação do desenvolvimento ferramental com o bélico. A bela cena onde o osso está flutuando e corta para uma arma nuclear no espaço. Parece fazer esta ligação, entre inteligência e guerra.
Clarke: É um fato triste que muito do desenvolvimento tecnológico se destina a destruição, e este é um dos temas de 2001. Não fica claro no filme, quando aquele osso sobe no ar e se torna um artefato nuclear orbital. Mas é exatamente o que quer dizer.
Stork: Então por que vocês decidiram que HAL deveria matar a tripulação?
Clarke: No filme isso acrescenta dramaticidade para uma história que alguns críticos disseram depois, onde quase nada acontecia. Nós não explicamos o por que. Se tivéssemos feito, parte da magia se perderia. De fato, fui acusado de fazer com que a magia fosse destruida, por explicar demais o que acontecera, nos livros seguintes.
Stork: Quer dizer que não vai explicar agora?
Clarke: Bem, eu não expliquei exatamente por que HAL fez o que fez. Mas Stan foi gentil ao dizer que nós estávamos tentando construir um mito. E um mito deve ser inesgotável, e deve ter um número de explicações pendentes, na verdade muitos livros foram escritos por outras pessoas, explicando do que 2001 se tratava.
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Marvin Minsky - Why peoples think computers can't [ Download ]
Marvin Minsky - Society of mind [ Download ]
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sábado, 29 de março de 2008
HUGO CORREA
Hugo Correa (11 de Maio de 1927, 25 de Março de 2008). Jornalista e escritor chileno, era considerado o pai da ficção científica de seu país. Correa publicou em 1959 'Los Altísimos', seu primeiro romance, seguido por 'El que merodea en la lluvia' (1962), 'Los títeres' (1969), e 'Alguien mora en el viento' (1959), que lhe rendeu o prêmio Alerce da Sociedade de Escritores do Chile.
Traduzido para inglês, francês, português, alemão e sueco, Correa é um dos clássicos modernos do gênero, junto aos argentinos Adolfo Bioy Casares e Angélica Gorodischer e o cubano Angel Arango.
Seu trabalho foi publicado na prestigiada revista especializada em FC, 'Fantasy and Science Fiction', em Abril de 1962 com o conto “The last element” e em Julho de 1967 com “Alter Ego”.
Alter Ego
Carrusel
Cuando Pilato se opuso
El ataque de los selenitas
La 322
La Bestia Marciana
La Campana
La esfera lunar
Los altissimos
Los ojos del Diablo
Meccano
Los Invasores
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Aos sonhadores

Ainda dentro da comoção causada pelo adeus ao mestre Clarke, fomos todos pegos de surpresa, pelo falecimento de Hugo Correa, o pai da Ficção Científica chilena.
O Capacitor Fantástico, presta sua homenagem aos sonhadores:
"Gostamos de saber que existem homens e mulheres extraordinários.
E momentos extraordinários, quando a História dá um salto adiante graças ao esforço desses indivíduos.
Que o que pode ser imaginado, pode ser alcançado.
Que você deve ousar sonhar, mas não há substituto para a perseverança, o trabalho duro.
E quando comemoramos a grandeza desses eventos e os indivíduos que as alcançaram, não podemos esquecer o sacrifício daqueles que tornaram estas conquistas e estes sonhos possíveis."
X-Files, episódio 'Lapso de Tempo' -parte 2

















