segunda-feira, 10 de março de 2008

Destino pós-humano - Entrevista com Vernor Vinge

The archaeologists - De Chirico


O matemático e escritor de ficção científica Vernor Vinge aposta que o avanço tecnológico vai pôr fim à vida como a conhecemos
Profetas do apocalipse não faltam no planeta. E os há de todos os tipos. Os religiosos, sobretudo americanos, que aguardam para os próximos anos o fim deste mundo e o advento do Reino dos Céus. Há os que prevêem mudanças radicais no clima, capazes de destruir os habitats de várias espécies. Há quem preveja uma crise dramática de escassez de água. Mas, diferentes de todos esses, há pessoas como o matemático Vernor Vinge, de 60 anos, escritor de ficção científica e ganhador de quatro Hugo Awards, o Oscar do gênero. Ele enveredou por essa área da Literatura inspirado por seus ídolos, Arthur C. Clarke, Robert Heilein e Isaac Asimov. Sua fama surgiu com a publicação, em 1981, de 'True Names', na qual descrevia redes de computadores e os efeitos da internet - que na época nem sequer existia - sobre a vida das pessoas. O primeiro prêmio veio em 1992 com a obra 'A Fire Upon the Deep', em que descreve uma galáxia dividida em zonas de pensamento. Quanto mais distante do centro, mais elevado seria o nível de tecnologia nessas paragens. A Terra, na descrição de Vinge, ocuparia a zona lenta, onde estão os incapazes de superar a velocidade da luz. Há 30 anos, o então professor de Ciência da Computação da San Diego State University (ele se aposentou em 2002) desenvolveu a idéia de que o avanço tecnológico na área de informática vai pôr fim à vida como a conhecemos. Nos últimos anos, ele tem se dedicado a burilar e explicar esse conceito. Quem acha que se trata de delírio de cientista maluco precisa saber que Vinge dá consultoria para grandes empresas e suas palestras são concorridíssimas. A seguir, um pouco de suas idéias.

ÉPOCA - Como o senhor explica seu conceito de singularidade tecnológica?

Vernor Vinge - Acredito que entre 2005 e 2030 vamos conseguir criar um supercomputador muito mais inteligente do que nós. E a partir desse momento o mundo não será mais nosso. As máquinas terão consciência própria e capacidade de criar outras máquinas ainda mais inteligentes e criativas, e assim por diante.

ÉPOCA - Por que chamou isso de singularidade?

Vinge - É uma referência à Física. Singularidade para os físicos é um universo no qual as leis naturais que conhecemos não valem mais, e nem sequer somos capazes de imaginar esse outro universo (a palavra 'singularidade' costuma ser usada para se referir à situação do cosmos no momento imediatamente anterior ao big bang). Após a criação do supercomputador, nosso mundo vai mudar de tal forma que hoje somos incapazes de conceber. Daí a expressão singularidade tecnológica. É um mundo impenetrável para nós, para nossas mentes de hoje, acostumadas com o mundo no qual fomos criados.

ÉPOCA - Vamos desaparecer da face da Terra ou seremos escravizados pelas máquinas, como mostram alguns filmes de ficção científica?

Vinge - Não temos como saber. Por mais úteis que sejam, os computadores que usamos hoje são estúpidos, bastante simples se comparados a nossa capacidade intelectual. Somos bem melhores. As máquinas que antevejo serão absolutamente fantásticas. Se pudéssemos trazer de volta a nosso tempo um gênio como Benjamin Franklin, levaríamos mais ou menos um dia para explicar a ele as mudanças que ocorreram desde seu tempo. Agora, imagine fazer o mesmo com um peixinho dourado. Seremos o peixinho dourado após a singularidade. Qual foi a última invenção que seu cachorro ou gato fez? Pois é, nossas invenções e idéias vão parecer assim para esses supercomputadores.

ÉPOCA - Estamos vivendo novamente um período de medo de fim do mundo, com religiosos anunciando o apocalipse, o temor de grandes mudanças causadas pelo aquecimento global e por inovações como os transgênicos e a nanotecnologia?

Vinge - O século XXI é um século perigoso. Convivemos com os efeitos do aquecimento global, com o risco de esgotamento de recursos naturais, com novas pragas e doenças que se disseminam rapidamente. O sentimento de medo do fim do mundo não é novo - passamos os anos 60 e 70 com medo da hecatombe nuclear. Mas a sensação de medo se intensificou porque a tecnologia avança mais depressa e está muito presente em nossa vida.

ÉPOCA - De onde vêm suas idéias, da Matemática ou da ficção científica?

Vinge - Tento manter a ficção separada da Matemática. Minha idéia sobre a singularidade tecnológica é especulação, mas não é ficção - que é o que faço para ganhar dinheiro (risos). Tento ser o mais fiel possível ao que sabemos hoje em termos de tecnologia.

ÉPOCA - Como o senhor começou a enveredar para a ficção?

Vinge - Sempre me interessei por Ciência e pelo que ela poderia fazer. Para isso, a Matemática é fundamental. Ao mesmo tempo, sempre fui fascinado pelas revoluções tecnológicas e pelo impacto que produzem na sociedade. Esse é o terreno da ficção científica. Na verdade, a ficção científica foi a primeira área afetada por minhas idéias. Hoje boa parte dos livros trata da singularidade, se ela ocorre ou não, da impossibilidade de antever o futuro que se segue a ela.

ÉPOCA - Quais são os sinais de que esse momento estaria se aproximando?

Vinge - Essa singularidade pode ocorrer ou não. Se houver um interesse menor por inovações na área de computação, ela terá menos chances de ocorrer. Nada aqui é inevitável. Mas o sucesso cada vez maior das conexões sem fio é um sinal de sua aproximação. Outro é o desenvolvimento de softwares de computador capazes de se autoprogramar. No mundo da computação, algumas atividades estão ficando obsoletas e a programação é uma delas. Veremos também o crescimento do número de CPUs trabalhando em rede.

ÉPOCA - Qual é o futuro dos robôs no cenário que o senhor imagina?

Vinge - Eles ficarão cada vez mais perfeitos e nós teremos dificuldades para diferenciar o ser vivo da máquina. Temos hoje bonecas-robôs, cães-robôs e gatos-robôs, mas nenhum deles é capaz de nos enganar; sabemos que são máquinas. Mas vai chegar o dia em que ficaremos em dúvida de tão perfeitos que serão. O aparecimento, por exemplo, de um robô doméstico capaz de limpar um banheiro com perfeição pode ser o sonho das donas de casa, mas também pode apontar para a proximidade da singularidade. São avanços graduais todos eles. Tomados individualmente não têm muita importância, mas somados indicam um potencial cada vez maior.

ÉPOCA - A simbiose entre o homem e as máquinas seria outro indicador?

Vinge - Sem dúvida. Hoje você não consegue viver sem seu computador, uma máquina que aumenta sua capacidade mental, que permite a você ter todo tipo de informação à mão numa fração de segundo. Você também não vive sem celular, que oferece acesso à internet onde quer que você esteja. Temos os palms também. Cada vez mais a tendência é de desenvolvimento de equipamentos que acompanhem as pessoas o tempo todo, criando uma espécie de simbiose.

ÉPOCA - O filósofo americano Francis Fukuyama, aquele que ficou famoso há alguns anos pregando o 'fim da História', afirma que esse ponto de virada, em que nossa espécie passará por transformações radicais, virá da Biologia Molecular e da manipulação do DNA. O que o senhor acha disso?

Vinge - Não creio. A Biologia vai mudar muita coisa em nossa vida, nos dará diagnósticos mais precisos, drogas mais seguras, exames preditivos confiáveis. Vai até mesmo permitir que nossa memória seja preservada a despeito da idade. Mas nada disso será radicalmente significativo. Até porque grandes revoluções na Biologia dependem hoje de ferramentas de computação cada vez mais sofisticadas. O supercomputador consciente da própria existência e de sua capacidade virá primeiro.

ÉPOCA - E quanto tempo após a criação desse supercomputador seria necessário para que se criasse essa singularidade?

Vinge - Nós nos tornaríamos obsoletos umas cem horas após o aparecimento desse computador consciente. O que aconteceria conosco é impossível prever. A vida pode se tornar insuportável para nós em meio a esses computadores geniais que vão transformar o mundo segundo sua vontade e necessidade. Para eles, nossas criações seriam irrelevantes e inúteis. Pode ser que sejamos extintos. Pode ser também que alguns de nós sejam mantidos para executar algumas tarefas. Tudo pode acontecer.

ÉPOCA - Seres humanos são guiados por necessidades físicas claras - sexo, alimento e descanso. É claro que esses não seriam os mesmos imperativos de máquinas. O que o faz pensar que elas nos levariam à extinção?

Vinge - Elas também podem nos manter como animais de estimação. Particularmente, acho que a convivência com essas superinteligências seria mais fácil do que a convivência com outros seres humanos. Sucesso para nossa espécie é uma coisa sangrenta, obtida com esforço e luta, derramamento de sangue, guerras, conquistas. Máquinas não seriam tão intensas e passionais.


Revista Época
RUTH HELENA BELLINGHINI

VERNOR VINGE

Vernor Steffen Vinge (10 Fevereiro, 1944) é formado em matemática, em ciência da computação e, como autor de Ficção Científica, teve seu talento reconhecido por ganhar 4 prêmios Hugo e por seu ensaio "The Technological Singularity" (1993), no qual ele argumenta que o crescimento exponencial tecnológico irá chegar a um ponto que sequer podemos imaginar as consequências.
Vinge publicou sua primeira história em 1965 na revista Analog. Na época, ele era um colaborador assíduo de revistas de Ficção Científica. Em 1981 com seu romance 'True Names', Vinge começou a ser notado. Este romance seria o ponto de partida para escritores como William Gibson e Neal Stephenson darem forma ao gênero ciberpunk, pois apresentava um conceito novo, o ciberespaço. Em 1992, Vinge depois de ser nomeado várias vezes, ganha seu primeiro Hugo por 'A Fire Upon the Deep'. Vinge aposentou-se em 2002 das aulas na universidade de San Diego State para se dedicar em tempo integral à literatura. Sua ex-esposa, Joan D.Vinge também é escritora de FC. Atualmente Vinge faz parte do comite de seleção ao prêmio da Fundação pelo Software Livre.

True Names [ Download ]
The Technological Singularity [ Download ]

Como desenhar Stars Wars

[ Download ]


[ Download ]

Entrevista com Vernor Vinge



‘A FC é para a humanidade, o que o sonho é para o indivíduo’.

O nome Vernor Vinge não soa com a mesma força de nomes como Philip K Dick, Ursula K.Le Guin ou Isaac Asimov, mas o escritor e professor de matemática da Universidade da Califórnia está entre os grandes nomes da FC americana, como estes três legendários autores.
Entre outras coisas, Vinge ganhou o prêmio Hugo de 2007 com seu livro ‘Rainbows End’ (ganhou em 2000 por ‘Deepness in the sky’ e em 1993 por ‘Fire on the deep’). O Hugo é o prêmio mais importante da literatura de FC e Fantasia escrita em inglês e é entregue desde 1953.

Vinge é um escritor de FC hard. O que significa dizer que ele projeta mundos futuros onde o avanço tecnológico é extrapolado, com rigor científico, a partir da realidade atual. ‘Rainbows End’ se passa em San Diego, Califórnia, em 2025. As tecnologias de comunicação evoluíram ao ponto de haver uma realidade virtual coexistindo com a realidade cotidiana. Dispositivos como a roupa inteligente fazem com que a conectividade com a Internet seja constante e em 3 dimensões e as pessoas trocam mensagens mentais como se ‘telepaticamente’.
Neste mundo, que parece de certa forma, inevitável, Vinge questiona - entre outras muitas dúvidas existenciais futurísticas - sobre o fim da privacidade e da natureza da memória humana em um tempo de bases de dados infinitas e a onipresente ciber-vigilância.
Além de matemático e escritor, Vinge é um dos profetas da Singularidade Tecnológica, a idéia de que a evolução exponencial do desenvolvimento tecnológico irá criar uma espécie de super-inteligencia artificial que funcionaria de maneira independente da humanidade, como um novo ser vivo.

Vinge afirma que vivemos um momento na história do planeta, comparável a primeira aparição da vida, milhões de anos atrás. Longe de ser uma ficção, mas, sua descrição deste fenômeno (corroborado por muitos cientistas de prestígio internacional) foi apresentada oficialmente à NASA em março de 1993. Um ensaio na revista Technology Review do MIT, diz que os mundos imaginados por Vinge, tiveram um impacto real e importante no desenvolvimento de novas tecnologias. Em grande parte por que os inventores destas tecnologias eram leitores fanáticos de seu trabalho.

Em uma conversa telefônica, Vernor Vinge explicou a dedicatória em ‘Rainbows End’:
‘Para as ferramentas cognitivas da Internet que estão mudando nossas vidas: Wikipedia, Google, Ebay e outras.’

O que significam estas novas tecnologias para a cultura humana?

Vernor Vinge: Creio que há uma grande possibilidade de que a Internet - quero dizer, os computadores e as bases de dados e as pessoas ligadas a ela - sejam algo inédito, um fenômeno sem precedentes na história. Se fizer as contas, há centenas de milhões de pessoas instruídas que estão hoje se comunicando pela rede. E dentro desta grande massa há provavelmente um milhão de pessoas que são mais inteligentes que todas as pessoas que no passado mandaram neste mundo.
Além disso, qualquer coisa que queira saber, sobre qualquer tema, você pode encontrar milhares de especialistas no assunto, não importa o quão insignificante seja.
Toda esta gente está trabalhando por conta própria, sem um controle central, mas estão colaborando com algo que, pela primeira vez na história, não requer que alguém seja extraordinariamente rico ou bem aventurado para entender e está conectado com o panorama global, com aquilo que se passa no mundo.
Nos últimos 200 anos, mais ou menos, estivemos indo nesta direção lentamente, mas agora a coisa é tão intensa que já existe uma esperança de que se minimize bastante a influência dos governos sobre a humanidade. Não significa que os governos vão desaparecer. Apenas que eles se tornarão provedores de infra-estrutura, ao invés de serem donos de nossas vida.

Não te preocupa que a sociedade na rede, pode ter seu lado negro, por exemplo, a vigilância e o fim da privacidade?

VV: Antes de mais nada, creio que ninguém pode prever o futuro. Mas considero que há motivos para ser otimista. No caso dos governos, por exemplo. Creio que a cada vez mais estão se dando conta de que a base de seu poder não vem dos exércitos mas de ter uma população instruída. E que esta população de centenas de milhões de pessoas criativas, possuem uma liberdade genuína. Isso é o que necessitam e estão começando a dar conta disso.

Você foi um dos primeiros profetas da ‘Singularidade’. Acha que vamos viver o bastante para vê-la acontecer?

VV: Penso que a singularidade é um evento não-catastrófico, que irá ocorrer em nossas vidas. Se não ocorrer um desastre, acho que a veremos. Mas também acredito que se uma super inteligência nascer repentinamente, será talvez incompreensível para nós. Nem sequer poderemos entendê-la. Seria como tentar explicar uma chamada telefônica para um peixe, seria impossível. Esta é a escala da diferença.

Colocou seu livro online e para acesso livre. Por que o fez?

VV: Junto com a maioria das pessoas que ganham a vida escrevendo ficção, observo com ansiedade o que se passa com a idéia da propriedade intelectual. E creio que as pessoas que trabalham para as editoras também. Ao mesmo tempo, sei que posso publicar obras online grátis. No meu caso, vi que muitos ganhadores anteriores do Hugo já o fizeram. Então eu e meu editor decidimos tentar, para ver o que acontece. É uma experiência.

Foi dito que seus livros exercem uma verdadeira influência sobre o desenvolvimento de certos produtos tecnológicos. Quanta influência você acha que a Ficção Científica tem sobre o mundo real?

VV: A Ficção Científica (FC) faz duas coisas. A mais importante é que ela estimula os jovens a se interessar pela ciência e ingressar em carreiras tecnológicas. A outra coisa é - apesar de soar grandiloquente - é que a FC é para a humanidade o que o sonho é para o indivíduo. E você sabe que os sonhos não tem, em geral, nenhum valor como previsão, mas as vezes geram boas idéias, que não ocorreriam de outra forma.

Finalmente, te incomoda que a Ficção Científica seja um gênero marginalizado? Ou seria indelicado fazer esta pergunta?

VV: É preciso se dar conta de uma coisa. Nos anos 50 eu era uma criança e a FC estava marginalizada, no sentido real da palavra. Não creio que era visível para todos. Foi um gênero depreciado, mais do que é hoje em dia. Todavia, naquele tempo as pessoas pensavam que o progresso seguia seu curso muito rapidamente e estavam seguras sobre a maioria das coisas. Hoje a FC - de uma forma ou de outra e não necessariamente o que escrevem os autores de FC -é dominante na nossa cultura. Nos filmes e na cultura popular.
Minha sensação é que assimilamos profundamente o fato de que o futuro não vai ser como esperávamos. Não podemos planejar com antecedência. E se esta mentalidade e estilo de se pensar é hoje, comum a toda raça humana, a FC teve muito a ver com esta mudança.

Por André Hax.
http://vrinimi.org/rainbowsend.html

THÉOPHILE GAUTIER


Pierre Jules Théophile Gautier (30 de Agosto, 1811 – 23 de Outubro, 1872) nasceu em Tarbes, França. foi poeta, dramaturgo, romancista, jornalista e crítico literário. Sua vida esteve envolvida com a maior parte dos acontecimentos políticos e sociais na França do século 19, o que acabou por lhe render grandes obras de diversidade artística. Apesar de ser um defensor do romantismo, a obra de Gautier é complexa para ser classificada, pois flertou com diversas tradições literárias e estilos, como o parnasiano, o simbolismo e o modernismo. Mas Gautier, ao longo de sua carreira literária, ficou mais famoso por escrever um gênero bastante apreciado no século 19: o fantástico. Gautier era admirado por vários e escritores como Baudelaire, Flaubert e Oscar Wilde.

"Só é realmente belo aquilo que não serve para nada; tudo quanto é útil é feio."

La muerta enamorada [ Download ]
La novela de la mumia [ Download ]

O papel da cidade estrangeira nos contos fantásticos de Théophile Gautier



"Estes contos estranhos diferem de tal forma de todos os contos aparecidos até aqui, experimenta-se lendo-os a mesma impressão que um homem lançado de Paris para Pequim por uma catapulta, experimentaria à visão dos tetos envernizados, das muralhas de porcelanas, das grades vermelhas e amarelas de suas casas, das tabuletas das lojas cheias de caracteres bizarros e de animais fantásticos, e de toda esta população que nos parece tão barroca sobre as folhas de nossos pára-ventos, com seus pára-sois, seus chapéus em cône, ornado de sininhos, e de seus vestidos com relevos de largas flores e de pequenas serpentes aladas."

Sabrina Ribeiro Baltor
Mestranda em Língua Francesa e Literaturas de Língua Francesa - UFRJ


[ Download ]

sábado, 1 de março de 2008

Jules Verne - Modelos de papel





Modelos de papel para montar com temas de Jules Verne

Pedidos - Star Wars - Modelos de papel

Atendendo ao pedido do André Bueno de São Paulo, modelos de papel de Star Wars pra montar!


Imperial Star Destroyer [ Download ]

Battle Droid [ Download ]

AT-AT [ Download ]


Imperial Landing [ Download ]

Millennium Falcon [ Download ]


Tie Fighter [ Download ]


Tie Interceptor [ Download ]


Sandcrawler [ Download ]

O que matou a Ficção Científica (Lost Pages)



"O que matou a Ficção Científica
por Doutor Josiah Carberry, Professor de Inglês na Brown University de San Diego.

Resumo: O extinto gênero literário e cinemático, conhecido certa vez como 'Ficção Científica', nasceu em 1926 e alcançou seu auge em 1966, depois disso, uma série de catástrofes, tanto literárias quanto não, levaram o gênero ao seu declínio e virtual desaparecimento.

É difícil acreditar hoje em dia, em nosso atual panorama desprovido de trabalhos de especulação fantástica, que no passado, a literatura e o cinema fossem dominados por um agora esquecido, gênero de entretenimento, chamado ‘Ficção Científica’.

Alguns poucos aficcionados podem muito bem encontrar suas obras favoritas de ‘FC’, como era comumente chamada, nas quase desintegradas primeiras edições, revistas bolorentas e baratas, e em filmes deteriorados. Porém, descobertas recentes revelaram que – longe de conhecer as peculiaridades dos clássicos fora de catálogo deste gênero – aqueles que nasceram a partir de 1966 eram na maioria ignorantes, quanto a verdadeira noção de FC.
Este abismo de gerações de fato, representa o principal obstáculo para a ressurreição do gênero.

Talvez devamos falar brevemente sobre os dias gloriosos da FC, antes de examinar os fatores que a levaram ao seu infame aniquilamento.

Quando um empreendedor imigrante galês de nome Hugh Gormsbeck lançou sua revista Amazing Stories, em 1926, ele juntou uma profusão de histórias disparatadas e uma variedade de escritores, sob o rótulo ‘cientificação’, um termo que posteriormente se tornaria ‘ficção científica’ (FC). Criando regras e colocando a FC em campo, digamos assim, Gormsbeck pavimentou a estrada que sustentaria o crescimento, a popularidade e a camaradagem entre leitores e escritores.
Nos quarenta anos seguintes, por toda parte, o gênero adquiriu complexidade e sofisticação, estabelecendo padrões de excelência.
Saindo das revistas para os livros de capa dura (entre 1950 e 1960) a FC começou a produzir genuínas obras primas, como ‘Other Than Human’ (Theodore Sturgeon - 1953), ‘The Galaxy My Destination’ (Alfred Bester - 1957) e ‘The Nova Mob’ (Henry Kuttner - 1961).

Ao mesmo tempo, a FC começava a se infiltrar em outras mídias.
Rádio-dramaturgias como ‘The Shadow Lady’ e ‘Dimension X Squared’ empolgava milhares de ouvintes. Nos jornais, os quadrinhos como ‘Flashman Gordon’, ‘Buckminster Rogers’ e ‘The Black Flame’ disputavam a preferência com as revistas de quadrinhos mensais ‘Captain Marvelous’, ‘Kimball Kinnison’, ‘Galactic Lensman’, e ‘Superiorman’, para leitores não interessados em literatura.

Hollywood em peso aderiu ao gênero, com uma variedade de produções —‘Things that Might Come’ (1936) e ‘Destination Orbit’ (1950) —além do execrável ‘I Married a Martian’ (1949) e o muito esperado e decepcionante ‘Eye in the Sky ‘(1958).

A metade final dos anos 50 foi um período excitante para a FC, e o lançamento do primeiro satélite chinês, aumentou o interesse no gênero, refletindo-se em dezenas de novas revistas, publicações e peças televisivas (como ‘The Twilight Zone’, de Orson Welles).
Ao final dos anos 60, a FC já explodira como fenômeno popular de massa.
Clássicos cultuados como ‘Drifter in a Strange Land’ (Robert Heinlein - 1961), ‘Vril Revival’ (Thomas Pynchon - 1963) e ‘Dunebuggy’ (Frank Herbert - 1965) conquistaram os corações e as mentes de leitores adultos e jovens, flertando com as listas de best-sellers (o mesmo destino feliz foi vaticinado por especialistas para o triunvirato em progresso, sobre os romances de fantasia britânicos - a fantasia havia sido um aliado de longa data, de seu primo mais cientificamente respeitável. Mas a morte precoce do autor JRR Tolkien em 1955, depois de um único livro lançado, ‘The lord of the rings’, impediu sua realização.)

Adicionalmente, uma nova geração de escritores surgiu com uma visão literária mais sofisticada (H.Ellison, S.Delany, R.Zelazny, B.Malzberg, U.Le Guin) e começou a se tornar conhecida.

Tudo parecia correr bem para a FC até a metade desta década, porém sua ruína, como todos sabemos, estava próxima.

E o nome de sua nêmesis era JORNADA NAS ESTRELAS.

8 de Setembro de 1966, 8:30 da noite.
Raramente se pode apontar com tanta precisão, um momento de mudança histórica, mas retrospectivamente, este foi certamente o momento que marcou o fim da Ficção Científica.

Um todo-poderoso homem de Hollywood, mais famoso por seu anteriormente citado ‘Destination Orbit’, George Pal, acabara de chegar ao meio televisivo após seu gigantesco fracasso teatral, com o não intencionalmente cômico, ‘A Clockwork Orange’, de 1965.
Concebendo uma viagem imaginária, de um cruzador inter-estelar no século 23, chamado The Ambition, foi uma maneira bastante esperta de utilizar uma boa quantidade de cenários já existentes.

O primeiro e grande erro de Pal foi ao escolher o elenco.
Nick Adams interpretava o histriônico Capitão Tim Dirk, como uma espécie de James Dean de terceira categoria. O oficial alienígena de nome Strock foi concebido sobre um Bela Lugosi narcotizado. O médico de bordo ‘Bones’ LeRoi foi risivelmente interpretado por Larry Storch. O engenheiro ‘Spotty’ (chamado assim pelos fãns) encontrou o veterano Mickey Rooney longe de sua melhor forma. E para os elementos femininos- bem, uma definhante jovem modelo chamada Twiggy (no papel de Yeoman Sand) e uma bastante volupta Jayne Mansfield (como a Tenente de comunicações Impura).

O erro seguinte de Pal foi insistir em escrever ele mesmo, todo o roteiro da primeira temporada, por contenção de gastos. Se usando de todos os clichês encontrados na FC assim como em westerns, filmes de guerra e uma dúzia de outros gêneros, os roteiros de Pal foram qualificados pela crítica, como os piores já escritos na história da televisão.

Com dois enganos pesando contra ele, os outros fatores são menores, como primitivos efeitos especiais, vilões ridículos, vestimentas saídas de O Mágico de Oz no espaço, um tema musical enlouquecido e inconveniente - era apenas a cobertura no bolo do desastre.

Basta perguntar a qualquer pessoa de certa idade e que assista televisão, onde ela ou ele estava, quando o infame primeiro episódio de Jornada nas Estrelas (um ultra-confuso episódio de viagem no tempo intitulado ‘When did we go from then?’) foi ao ar.
Aproveitando-se de um momento de queda na programação de outono e garantindo que todos os seus competidores exibiam reprises, os minutos da estréia desta bomba televisiva, encontrou milhares de televisores ligados.

Queixos começaram a cair por todo o país e os telespectadores começaram a ligar uns para os outros, erguendo uma onda de atenção sobre a série.
Na época, a costa oeste dos Estados Unidos era o foco das séries que estreavam, e o episódio recebeu os índices mais altos de audiência já registrados.
Contudo, isso não era um bom sinal.

O dia seguinte trouxe um unânime e cruel linchamento.
Colunistas e editores dos jornais tiveram um ótimo dia com o espetacular fracasso, assim como os comediantes de tevê (Johnny Carson, por exemplo, dedicou seu monólogo de abertura de 9 de setembro, a este episódio).
Na semana seguinte, uma edição especial do Guia da TV, dedicou uma arrasadora avaliação de Jornada nas Estrelas e da FC televisiva em geral.
Imprudentemente, o canal NBC, empolgado pelo prestígio de Pal, já o havia contratado para mais 36 episódios. E preferindo, ao invés de fugir ou buscar auxilio, Pal agarrou-se à carta de autorização da emissora e partiu para a briga em face da desonra.
Semana após semana, o publico era jogado de um episódio horroroso para outro.
Inúmeras falas retiradas da série (‘Ele está... ele está morto Tim!’, ‘Eu sou um médico do século 23, maldição, e não um cientista cristão!’, ‘Um para subir Spotty’, ‘Pouco axiomático, Capitão.’) tornaram-se uma ironia nas conversas diárias.

E então o inevitável ocorreu.

Os escritores de FC passaram a levar a sério aquela porcaria.

O prejuízo embutido por toda aquela coisa do tipo ‘Buckmisnster Rogers’, nunca deixou a consciência do público. Ser visto lendo um livro de FC publicamente era o equivalente a usar nas costas, um cartaz escrito ‘ME CHUTE’.
Tudo que a literatura séria de FC tinha laboriosamente conseguido, desvaneceu de uma noite para outra.
As vendas dos livros e revistas de FC caíram vertiginosamente, leitores esporádicos e escritores começaram a deserdar do gênero em bandos. Falências - tanto pessoais quanto financeiras - proliferaram. Filmes ainda em produção foram cancelados.
Em uma espiral decrescente, um malogro seguia ao outro para o fundo.
Finalmente em 1968, muito depois da morte de Jornada nas Estrelas - surgiria uma campanha organizada por verdadeiros fãs de FC - enquanto a memória da tragédia estava viva, e alguns ferrenhos leitores e autores sobreviveram, de uma reminiscência miserável e esfarrapada do legado vital.

Persistia uma pequena dúvida, se a FC teria a capacidade literária de recuperar-se de uma tragédia desta dimensão. O cenário sempre fora propício a ciclos de sucessos que logo se transformavam em fracassos. Bastava um novo acontecimento de grande magnitude, um cataclisma extra-literário, para finalmente matar este gênero, testamento do vigor e do inerente encanto da natureza humana.

Primeiro e, antes de tudo, veio o desastre da Apollo 11 em 1969.
Quando o modulo de excursão lunar falhou ao tentar pousar na superfície lunar, o mundo assistiu a tragédia que solapou qualquer otimismo tecnológico deixado intacto após a guerra do Vietnam e o crescente alerta sobre a poluição ambiental.
(Os distúrbios pelo Dia da Terra 1972-1975).

A perversão da tecnologia para manutenção da ‘Big Nurse’, um banco de dados de contra-inteligência pelo FBI, sob a terceira administração Nixon e a subseqüente aprovação das leis que limitavam a manufatura de computadores de baixo desempenho, contribuíram para diminuir o fascínio por um futuro de máquinas sofisticadas.

O prego final no caixão da Ficção Científica ocorreu com o derretimento incontrolável da usina de Three Mile Island, em 1979.
Querendo ou não, a FC há muito estava relacionada com a energia nuclear na cabeça das pessoas, e esta catástrofe que contaminou toda orla marítima, transformou a FC em sinônimo de mortandade em massa.

Um último golpe de má sorte surgiu na forma de um filme underground de 16 milímetros, que teve a infelicidade de ganhar notoriedade na cena pornográfica de San Francisco, ‘Close Encounters of the Stars Wars Kind’ era uma aventura classificada como proibida para menores de 21 anos, dirigida pela dupla, George Lucas e Steven Spielberg, estrelado por desconhecidos atores e atrizes ( Charlie Sheen, Rob Lowe, Hugh Grant, Louise Ciccone, Janet Jackson, Hilary Rodham, Sly Stallone, Arnie Schwarzenegger, etc). Nesta repugnante pantomima, representantes de um império inter-estelar decadente, fizeram da Terra seu parque de diversões sexual, recebendo apenas a resistência de rebeldes nus, que se esforçavam para serem mais libidinosos e repreensíveis do que os tiranos.
Após a Corte Suprema acabar com Lucas e Spielberg, nenhuma outra pessoa em sã consciência iria se atrever a aproximar-se da FC.

Duas décadas após estes incidentes, a FC permanece como uma forma praticada somente por um punhado de amadores excêntricos, aparecendo em publicações mimeografadas, limitada a circulação entre cento e poucas pessoas no máximo.
(pelo menos nos EUA. A situação da FC no Reino Unido tem uma outra e complexa história. Procure pelo título "O Império da Mídia de Moorcock e Ballard, Ltda”.).

Que esta, certa vez orgulhosa tradição literária, termine desta forma, parece inevitável
devido a cadeia de circunstâncias aqui relatadas. Ainda que, por um minuto, podemos imaginar - se não fosse abusar de uma herética vertente da velha FC, conhecida como ‘realidade alternativa’ - como as coisas poderiam ter sido diferentes.”


Introduction—"What Killed Science Fiction?" - Paul Di Filippo - Lost Pages

Lost Pages [ Download ]

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ficção Científica como fuga à censura estatuída



"...Como o homem só pode falar sobre as coisas do seu tempo, mitificando-as, fazendo humor com elas, submetendo-as ao sarcasmo ou as negando na forma convencional, não há outra forma de o interlocutor se portar frente ao discurso, a não ser se interrogando sobre qual é a sua intencionalidade. Como Barthes (1990, p. 166) afirma, “O sentido engana o homem: mesmo quando quer criar o não-sentido ou o sem-sentido, o homem acaba por produzir o próprio sentido do não-sentido ou do sem-sentido”. Não há como se furtar à pergunta, frente a um conjunto de indícios textuais, de por que eles existem: de qual é a sua razão de ser. A linguagem está fadada a ser um objeto desacreditado: ela vive sob o signo da desconfiança: este é o seu destino. Não há como não considerá-la “consistente, profunda, cheia de segredos, dada ao mesmo tempo como sonho e como ameaça” (Barthes, 2000, p. 5).
Este estudo objetiva tecer algumas reflexões sobre um filme catalogado como estando filiado ao gênero da ficção científica, apresentar uma matriz interpretativa para o mesmo e, a partir disso, apresentar um pleito que teria um princípio de validade mais geral para os filmes que são dados como pertencentes a esse gênero, tentando pensá-los como forma de ruptura e embuste frente à censura estatuída. É óbvio que não defendo que todos o sejam, mas A Batalha de Riddick parece cumprir este papel à risca..."


Revista Trama - Volume 2 - Número 4 - 2° Semestre de 2006


Ficção Científica como fuga à censura estatuída [ Download ]

O que a FC nos deixou - Entrevista com Pablo Capanna



Pablo Capanna, provavelmente, o único intelectual da Argentina que dedicou quase todo o seu trabalho à ficção científica, afirma que o gênero se esgotou. Ou melhor, que ele impregnou tudo, da literatura ao imaginário do século passado, desde o design até a aeronáutica e a imaginação do Pentágono.

O futuro não é mais do que uma propriedade da imaginação, um terreno no qual convivem, em eterno conflito, o terror e o desejo. Ninguém resiste demasiadamente à catástrofe, e por isso foram inventados os profetas e o tarô de Marselha. O mundo nada mais é do que um sistema de símbolos: existe quem insiste em decodificá-lo e os que aguardam a revelação.

Borges, se não me engano, estabelece a origem da ficção no livro Somnium Astronomicum, escrito por Kepler no século XVII. A rigor, é um tratado com pretensões científicas sobre a vida na lua, cujos delírios se renderam frente às evidências, e que sobreviveu graças ao seu virtuosismo poético. Custa pensar, não obstante, para todos os que hoje utilizam um computador pessoal com a mesma facilidade com que abre uma torneira, que certa vez a lua foi um cartão recortado, atirado de estilingue num canto do céu para o deleite dos telescópios primitivos, mais capazes de abrir espaço para a fantasia que de demonstrar alguma coisa com certeza axiomática.

Agora que a terra é mapeada pelo Google Earth, democratizada nas lan houses, talvez tenha chegado o momento propício para confrontar quanto do mundo previsto ou inventado pela literatura se confirma ou se desmente no horizonte contemporâneo.


Um exercício que o escritor Isaac Asimov já praticou frente à série de ilustrações que o desconhecido artista francês Jean Marc Cotè desenhou em 1899, em seu afã de representar o alvorecer do século 21. São imagens de cozinhas equipadas com provetas, serviços de correios sonoros, máquinas que transformam em instantes ovos em galetos e espetáculos que exibem cavalos como curiosidades zoológicas.

"O futurismo é um caminho cheio de armadilhas", conclui Asimov, criando um ditado.

Neste contexto, logo após a primeira guerra mundial - talvez como uma válvula de escape para uma geração que ainda contava suas perdas – se os Estados Unidos não houvessem incorporado à cultura de massas o gênero - que um editor da segunda onda da Revolução Industrial batizou de scientifiction - provavelmente não existiriam os trens balas e nem as centenas de fanáticos que sobem, todos os anos, ao Monte Uritoco, para avistar naves extraterrestres.
Depreciada pelos cânones acadêmicos vigentes, a ficção científica foi uma força soterrada que, nas palavras do filósofo Pablo Capanna, moldou o presente tal como o conhecemos. Ela antecipou e previu tantas coisas como se grande parte de seus livros se tratassem de uma somatória de textos sagrados, a que se devem render tributo.

Este é um aspecto que mais tarde geraria uma série de cultos destrambelhados, dos quais a denominada "seita ufólógica" é exemplo suficiente.

E assim seguiram as coisas, até que em 1967 a extinta editora Columba publicou "El sentido de la ciencia ficción" de Pablo Capanna e iniciou os estudos em espanhol sobre o tema. Se à primeira leitura, esta última afirmação resulta no mínimo estranha, temos que recordar que naquele tempo existia um vazio de textos críticos que se referissem à ficção científica, relegada aos gêneros menores da cultura popular.Tampouco se pode desdenhar da impossibilidade de pensar o futuro que toda uma comunidade idiomática sofreu.sob o jugo de sistemas políticos de índole ou viés militarista. Devemos pensar, então, que a edição original do livro de Capanna não corresponde a uma eventualidade e sim à conjunção de diversos fatores de ordem pública.
Ao final dos anos 60, essa obra já portava o fermento revolucionário que seria o sinal da década posterior e a cultura de massas se preparava para entrar no debate intelectual. Aqueles livros amontoados em estantes secretas e que criavam, junto ao pó, traças de menosprezo, muito rapidamente se converteriam em campo de monografia: romances por encomenda e folhetins impressos em papel barato, (os Estados Unidos cunharam o termo pulp fiction para se referirem a eles) que logo conheceram a lupa dos estudiosos.

Em nosso meio, boa parte desta gestação é obra daquele primeiro livro de Capanna, ao redor do qual orbita, quase toda a ficção científica em espanhol. Capanna parece negar seu mérito.

Capanna: "Eu não sou o professor da cátedra de Ficção Científica" (cátedra é superior a uma simples matéria de faculdade), agora que acaba de editar uma versão definitiva do seu livro pioneiro. "O livro circulou principalmente porque ninguém mais se ocupou em escrever sobre o tema. Não que isso seja bom, e sim que não houve competência para tanto", sustenta, ainda que compreenda, que é improvável que um trabalho sobreviva 40 anos sem que o rigor do tempo provoque estragos.

Publicado no fim do ano passado como "Ficção Científica, Utopia e Mercado" (Edições Cántaro), traz de volta um texto fora de catálogo que, além de propor uma propedêutica do gênero, chega ao seu centro filosófico e revela perspectivas surpreendentes.

Capanna: "Quando Víctor Massuh me propôs escrever "O sentido...", eu estava vivendo um vazio pessoal. Havia saído da faculdade com meu diploma de Professor de Filosofia, trabalhava em uma escola técnica da Ford em tempo integral e não tinha um minuto livre. Naquele momento a CGT iniciou um plano de luta que incluía a tomada das fábricas com o propósito secreto de debilitar o governo de Arturo Umberto Illia (Presidente da Argentina de 1963 a 1966, nacionalista, derrubado por um golpe militar). Quando ocuparam a Ford, passamos lá uma noite inteira. No dia seguinte nos mandaram embora dizendo que a empresa nos comunicaria em breve alguma novidade, e portanto não sabia se me despediriam ou se voltaria a trabalhar. De repente, tive quinze dias livres e neste tempo reuni o material - que estava muito disperso - e encaminhei o livro."

De onde vem o seu gosto pela ficção científica?

Capanna: Das histórias, é claro. Quando era criança era o que eu via na tv e ouvia no rádio. Histórias como as de Flash Gordon. Então apareceu ‘Más Allá’, uma revista que foi dirigida, por um tempo, por Héctor G. Oesterheld. Aí conheci a ficção científica propriamente dita. Cheguei a ter a coleção completa e até publiquei um conto quando tinha 18 anos...

Por que o senhor se nega a dar uma definição do gênero?

Capanna: Porque não posso dar. Posso sim tentar definir historicamente, mas os limites estão muito tênues e na verdade é muito difícil estabelecer uma fronteira entre o fantástico e a ficção científica. Há 40 anos isso era mais claro.

Mas, se tivéssemos que limitar o conceito de ficção científica para poder entender do que falamos?

Capanna: Fundamentalmente, ficção científica foi um gênero literário...

Por que fala no passado?

Capanna: Eu penso que cumpriu seu ciclo. Sobrevive como uma categoria comercial, mas perdeu impulso. Nasceu como gênero literário e logo se estendeu a todos os meios: colonizou o cinema, passou a fazer parte da concepção gráfica das coisas. Os que viveram na década de sessenta, fomos criados em um mundo de ficção científica. Os carros tinham uma traseira que imitava os foguetes de Flash Gordon, e tudo o que víamos se apresentava como "a tecnologia do futuro", quando na realidade era do presente. A ficção científica configurou um imaginário e depois se esgotou.

Por quê?

Capanna: Chegou-se a uma situação em que o único progresso que se enxerga é o progresso tecnológico. A única coisa de que temos certeza é que o celular do ano que vem terá mais funções que o deste ano. Agora, ninguém sabe se existirá mais justiça, menos fome e menos desigualdade. Costuma-se dizer que o que distingue um romance de ficção científica de um romance utópico em geral - como ‘Admirável mundo novo’ (A brave new world), de Aldous Huxley, onde tudo termina mal - é que nos primeiros sempre há alguma reviravolta onde um grupo se opõe ao sistema e propõe uma alternativa para que as coisas mudem ou comecem a mudar.

E agora?

Capanna: Agora não se vê mais isso. Se você lê William Gibson - que é um grande escritor, embora não me interesse em especial - é possível encontrar uma insistência nas marcas, nos dispositivos eletrônicos e na tecnologia, mas em seu mundo a condição humana está piorando. É um mundo dominado pelas máfias. Não é ficção científica, é quase realismo. É nesse sentido que o ciclo se esgotou. Talvez esse seja um ponto de vista meramente pessoal e logo haja um renascimento.

Pode-se afirmar que existiu uma época de maior inocência?

Capanna: Houve um processo de amadurecimento do gênero. Quando foi comercializado nos Estados Unidos durante a década de trinta, havia uma enorme ingenuidade em torno de uma idéia básica: que todos os problemas da humanidade poderiam ser resolvidos com mais e melhor tecnologia. A prova disso está na aparição dos tecnocratas, um grupo político nascido diretamente da ficção científica. Essa ingenuidade durou um tempo, mas quando sobreveio a Segunda guerra Mundial, junto com todas as carnificinas do período, produziu-se uma crise de maturidade. Aí apareceu uma figura como John W. Capbell, muito polêmica, mas que evidentemente levantou o nível da discussão. Como diretor da revista Astounding, impulsionou a carreira de autores como Ray Bradbury ou Theodore Sturgeon.


Tratava-se de uma ficção científica humanista, como se vê no subproduto mais original desses anos, que foi a série ‘Jornada nas Estrelas’ (Star Trek). Ali os americanos se dão bem com os russos, os negros com os brancos. Em ‘Jornada’ aconteceu o primeiro beijo interracial da história da televisão. Era uma série verdadeiramente progressista. Mais tarde isso foi perdendo força e hoje existe uma ficção científica para cada setor. Inclusive algumas racistas e de tendências autoritárias.

O que define, então, que uma obra seja classificada como ficção científica?

Capanna: O critério dos editores.

Nada mais?

Capanna: Acho que não. Porque a maioria dos bons escritores que saíram da ficção científica, como James G. Ballard, renegam o gênero. Em última instância, ficar fazendo essas distinções é coisa de acadêmicos. E os acadêmicos, que contribuíram tanto para que o gênero fosse aceito pela cultura, ao mesmo tempo o limitaram. Definiram convenções estritas que na prática não são respeitadas, mas que funcionam como critério para os editores.

O caráter antecipador de alguns textos se converteu em uma marca do gênero?

Capanna: Acredita-se que a ficção científica se ocupa de adivinhar o futuro e é certo que esteve sempre ligada a ele, mas já se escreveu ficção científica sobre o homem de Neanderthal ou sobre Napoleão em Waterloo. É lógico, portanto, que havendo textos de temáticas tão variadas alguns tratarão de questões do porvir, mas a isso se chama simplesmente de cálculo de probabilidade. Para predizer o futuro estão aí os economistas e as pitonisas, não os escritores. O que dizem os grandes criadores - e eu já ouvi isso ao vivo de Brian Aldiss e William Gibson - é que a ficção científica se ocupa basicamente do presente. Do presente projetado, ampliado. Nos últimos 50 anos os escritores não querem mais fazer prognósticos sobre o futuro, embora em geral tratem de nos prevenir. São romances de advertência.

Por exemplo...

Capanna: Ocorre que às vezes isso que um escritor imagina como advertência termina tornando-se realidade, a despeito de suas intenções. Em 1948, George Orwell escreve "1984". Ele vinha da experiência do totalitarismo e quer nos advertir sobre um estado tirânico, onde o Grande Irmão nos vigia a todos. Não se podia imaginar, naquele momento - porque era um romance de advertência - que aí pelo ano 2000 iria existir um programa de televisão no qual as pessoas se matam para se encerrar num local onde serão vigiados, nem muito menos supor que uma empresa como a Microsoft criaria um software para monitorar os sinais vitais dos trabalhadores, com a suposta intenção de melhorar seu rendimento.

E daí se deduz que a ficção científica inventa o futuro?

Capanna: Provavelmente. Apesar das intenções do autor, que às vezes podem ser simplesmente de advertência, as coisas acabam acontecendo. Alguém levanta uma idéia, coloca-a em circulação e logo ela se materializa em tecnologia.

E o que é o futuro?

Capanna: Imaginação. É um horizonte para nossa imaginação. É uma forma de dar sentido à vida. Neste contexto, a ficção científica tem tentado tanto antecipar quanto prevenir, e direta ou indiretamente influenciou a cultura. Quer dizer, faz parte do imaginário. Existiram fenômenos importantes no século XX - geralmente considerados secundários ou marginais, mas de muito peso - que nasceram da ficção científica. Nasceram religiões inspiradas na ficção científica: a Cientologia, por exemplo, que assola Hollywood, é a religião da ficção científica, cheia de componentes que antes figuravam nas revistas especializadas.

Até que ponto a ficção científica não é uma ideologia?

Capanna: Ideologia sim, mas no sentido clássico, daquilo que não se vê, que não se faz temático, que é como o ar. A ideologia é o que não se questiona. E como a ficção científica ocupou o imaginário do futuro, qualquer um se punha a pensar, ou prometia um futuro melhor ou diferente e estava valendo. Por outro lado, a conquista do espaço foi um projeto da ficção científica que foi usado politicamente pela NASA porque era parte do imaginário daquele momento.

Poderia-se falar de uma certa conspiração do poder para beber na fonte dessas ficções e levá-las à prática?

Capanna: Diria ao contrário: que as mentes conspirativas têm sido vítimas da ficção científica.

De que maneira?

Capanna: Por exemplo, no uso que os serviços de inteligência norte-americanos fizeram da parapsicologia. Ficamos sabendo que gastaram milhões de dólares para treinar telepatas para saber o que os russos estavam fazendo. Alguém poderia perguntar-se: como pode ser, que gente supostamente racional ou lúcida, que está no poder no Pentágono, colocava um telepata a meditar, para ver o que faz o inimigo? Entretanto, essa é uma idéia que lhe foi semeada pela ficção científica quando era criança, e transformou-o no tipo de gente que pensa desta forma.

Ou seja, a ficção científica extrapola totalmente a mera literatura...

Capanna: Do ponto de vista literário se pode questionar qualquer coisa, mas do mitológico, a ficção científica configurou o imaginário de todo o século XX.

http://www.revistaenie.clarin.com/notas/2008/02/02/01598619.html
Nesta entrevista também está a opinião de Oliverio Coelho. (Entrevista de Diego Manso.)
Tradução: Ana Paula Medeiros

Pablo Capanna nasceu em Firenze, Itália, em 1939, mas sua família mudou-se para Buenos Aires quando Pablo tinha 10 anos. É professor de filosofia, jornalista e escritor. Por duas vezes foi agraciado com os prêmios Pléyade, o Diploma Konex e cinco vezes com o Prêmio Más Allá.

Algumas de suas obras: El sentido de la ciencia ficción (Buenos Aires, 1967), La Tecnarquía (Barcelona, 1973), El Señor de la Tarde, Conjeturas en torno de Cordwainer Smith (Buenos Aires, 1984), Idios Kosmos, claves para Philip K. Dick (Ediciones Axxón, Buenos Aires, 1991). El mundo de la ciencia ficción (Buenos Aires, 1992), El mundo desolado (Almagesto, Buenos Aires, 1993), "Contactos" extraterrestres (Buenos Aires, 1993), El mito de la nueva era (Buenos Aires, 1993), Philip K. Dick, Idios Kosmos (Almagesto, Buenos Aires, 1995), La tentación de la magia (Buenos Aires, 1995), Excursos (Buenos Aires, 1999), El icono y la pantalla. Andrei Tarkovski. (Buenos Aires, 2000), Philip K. Dick, Idios Kosmos (Cántaro, Buenos Aires, 2006).

El sentido de la Ciencia Ficción [ Download ]

Idios Kosmos - claves para Philip K. Dick [ Download ]

sábado, 23 de fevereiro de 2008

H. G. WELLS

Herbert George Wells (21 de Setembro , 1866 – 13 de Agosto, 1946), escritor britânico, é mais conhecido por seus romances de ficção científica, 'The War of the Worlds' (Guerra dos Mundos) e 'The Time Machine' (A máquina do tempo), mas em sua vida literária, exerceu forte influência no pensamento da época, escrevendo artigos sócio-poliíticos para revistas e jornais e em seus livros.

H.G. era o filho mais novo (de quatro filhos) de um jogador de cricket e uma doméstica. Seus pais eram parte da massa de trabalhadores que na virada do século 19 ansiava por uma posição na classe média. Seu pai vendia tacos de cricket, bolas e equipamentos esportivos e conseguia um dinheiro extra participando como jogador, de jogos de pouco significado.

Wells tinha gosto pelo esporte e talvez seguisse na atividade do pai, porém um acidente em 1874, aos oito anos, o manteve preso a uma cama, com a perna quebrada. Para matar o tempo, o jovem começou a ler avidamente e logo passou a se dedicar aos livros, o que o permitia adentrar outros mundos. Sua mãe trabalhava para uma família abastada e graças a isso, Wells podia mergulhar na magnífica biblioteca que havia na casa.

Seu primeiro livro, aquele que o projetou, foi 'Anticipations' em 1901, porém seu trabalho mais explicitamente futurístico, chamou-se 'Um experimento em profecia'.
Influenciado pela valorização da ciência e dos pensamentos reformistas, Wells se interessava por desenhar uma sociedade utópica, urbana e livre de restrições morais, já que era avesso aos costumes vitorianos e à moral vigente.

Foi em 'The World Set Free' (1914) que Wells fez talvez sua maior 'profecia'; afirmando que no futuro, cientistas conseguiriam dominar a energia provida pelo decaimento natural do rádio e utilizá-la com fins práticos. Wells também viu a utilidade daquilo para criar a bomba que mudaria o conceito da guerra . Leó Szilárd reconheceu que o livro o inspirou ao teorizar sobre a reação nuclear em cadeia.

Wells também escreveu não-ficção, mas a sua obsessão com a questão de uma sociedade mais organizada e justa o perseguiria até a morte. Mesmo que para tal, usasse, nos livros, de uma catástrofe mundial, onde as pessoas teriam que se organizar racionalmente para sobreviver.
Assim foi em 'In the Days of the Comet' e 'The Shape of Things to Come' (1933).

Outros temas, como sua contemplação sobre a natureza versus a criação e questões humanitárias, se tornaram concretas em livros como 'The Island of Dr.Moreau' (A ilha do Doutor Moreau). Nem todos seus romances científicos terminavam com uma feliz utopia ou de maneira distópica como 'When the sleeper awakes'. Wells apoiava as visões socialistas e foi a favor das tentativas de Lenin para reconstruir a economia russa, como sua visita àquele país, em 1920, demonstrou. Mas logo Wells se viu desiludido com a rigida doutrina Bolshevik e convenceu-se de que tudo aquilo era um erro.

Em seus últimos anos, Wells se tornara pessimista sobre o futuro da humanidade (devido a Segunda Grande Guerra) e o título de seu último livro sugere isso, 'Mind at the end of its Tether' (1945) onde sugere que não seria uma má ideía, a raça humana ser substituída por outra menos irracional.


Clássicos Ilustrados - A ilha do Doutor Moreau [ Download ]
Material promocional - Things to come [ Download ]


A ilha do Doutor Moreau [ Download ]

The Shape of things [ Download ]

A guerra dos mundos [ Download ]

The new world order [ Download ]

The Time Machine [ Download ]

War and the future [ Download ]

What is coming [ Download ]

When the Sleeper wakes [ Download ]

La Maquina del tiempo y apendices sobre el viaje en el tiempo [ Download ]

The Invisible man [ Download ]

JULES VERNE

Jules Verne (8 de Fevereiro de 1828-1908) nasceu na França, em uma ilha próxima a Nantes, seu pai era um advogado famoso e para que seguisse seus passos, Verne foi mandado para Paris, estudar Direito. Tudo dizia que a vida de Verne seguirira de maneira previsível, enquanto gozava dos confortos da cidade, mas o contato com os intelectuais surtiu efeitos no jovem que logo se encantou com a literatura, para profundo desgosto de sua família.

Naquela época, uma das maneiras mais seguras de se fazer fama e fortuna na literatura era escrevendo para o teatro. Todos os autores daquela época, Dumas, Balzac, tinham logrado sucesso assim. Desta forma, Jules começou a escrever operetas em colaboração com Michel Carré e poucos anos depois, em 1850, uma de suas comédias foi apresentada. Esta não teve boa aceitação. Apaixonado pela efervescência de sua época, Vernes estava sempre cercado de novas talentos e seguia as novas correntes de ideías. Sua paixão principal era a geografia e o mundo da ciência, o mar e as expedições.

Um dia, já casado, em 1962, enviou um manuscrito a um editor, inspirada nas experiências de Madar, que se propunha a viajar pelo mundo em um balão. O romance se chamava 'Vitória' e grande parte se passava sobrevoando a África.

O editor achou a ideía interessante, contudo mal construida. Verne ouviu as críticas e em 24 de Dezembro de 1862, era publicada 'Cinco semanas num balão', a primeira de quarenta viagens extraordinárias que Jules Verne escreveria.
O sucesso foi tanto que Jules foi contratado como escritor em tempo integral.

Assim nascia a moderna literatura para jovens.




A imaginação de Verne conseguira conjugar habilmente elementos fantásticos com dados científicos, de tal maneira que a realidade e a ficção deixavam de ser perceptíveis.



Dois anos depois lança 'Viagem ao Centro da Terra'.
Em 1868 inicia a famosa trilogia, 'Os filhos do Capitão Grant (1868), 'Vinte mil léguas submarinas' (1870) e 'A ilha misteriosa' (1874).


Em 1870 Verne realiza uma longa viagem pela França a fim de colher material para seu livro 'A Geografia da França'.


Apesar do reconhecimento público, Verne enfrentava uma forte campanha difamatória; diziam que seus livros eram pessimamente escritos e que os jovens precisavam ler os clássicos, ao invés de histórias toscas sobre lugares distantes. Além disso, os cientistas acusavam Verne de que as suas histórias eram repletas de inverdades científicas, que ao invés de divulgar, deformava o conhecimento.

Verne continuaou explorando os temas que desde o princípio se manifestaram em sua obra. Entre suas melhores histórias, estavam aquelas que conseguiam mesclar ciência, um argumento baseado em uma difícil viagem e o componente heroíco, que gerava uma forte tensão ao se debater contra opositores e perigos.



Jules Verne sofria com a diabetes e perdeu a visão nos seus últimos anos de vida, recluso em Amiens, onde morreu aos 81 anos.



Vinte anos depois, um grupo de estudantes resolveu dar a volta ao mundo, seguindo o roteiro de Verne e levaram somente 43 dias.



A obra de Jules Verne representou mais do que um mero entretenimento para a juventude - lida e traduzida no mundo inteiro, chegou até os nossos dias como uma mensagem de esperança na determinação e na criatividade do ser humano.




Curiosidades sobre Jules Verne

Verne antecipou o uso de tanques de guerra no livro 'A casa de vapor', o submarino em '20.000 léguas submarinas'. O lança-chamas em 'Ante a bandera' . Os satélites artificiais de 'Robur, o dono do mundo.'
Outros trabalhos seus também descreveram com extrema precisão máquinas e inventos que são hoje familiares, mas em seu tempo impensáveis, como o helicóptero, a tortura com descargas elétricas, bombas de fragmentação, o canhão de longo alcance, mísseis teledirigidos, cercas elétricas e o cinema sonoro.Mas um de seus mais surpreendentes livros, 'Da terra a lua', estava recheado de predições que se cumpririam muitos anos depois com incrível precisão.Verne situa um telescópio de 5 metros de diâmetro nas Montanhas Rochosas, nos EUA, com alguns detalhes idênticos ao primeiro telescópio do Monte Palomar.Em lugar de escolher os países que iriam promover as viagens, entre as maiores potências de seu tempo (França e Inglaterra), Verne preferiu os EUA e a Rússia.
O lugar de lançamento da nave de Verne era Cabo Town, bem perto de Cabo Canaveral.Nas primeiras viagens ao espaço de Verne, viajam animais cobaias. A cadela Laika foi o primeiro ser vivo a viajar para o espaço.
A nave de Verne se chamava Columbia e carregava três homens.O módulo da Apollo 11 se chamava Columbia e também carregava três homens.A Columbia de Verne possuia um sistema de refrigeração baseado em circuito fechado, os ocupantes se alimentavam de alimentos concentrados e usavam foguetes secundários para corrigir a rota. Como as naves modernas.

"Tudo que uma pessoa pode sonhar, outras podem tornar realidade. Jules Verne"




Viagem ao centro da Terra [ Download ]
Da terra a Lua [ Download ]
A volta ao mundo em 80 dias [ Download ]
A ilha misteriosa [ Download ]
Os filhos do Capitão Grant [ Download ]
Vinte mil léguas submarinas [ Download ]
A casa a vapor [ Download ]
O Castelo dos Cárpatos [ Download ]
As Índias negras [ Download ]

domingo, 17 de fevereiro de 2008

ALAN MOORE e STEAMPUNK - Entrevista



O seu ‘League of Extraordinary Gentlemen’ fez mais por popularizar a estética steampunk do que qualquer outro livro. Como surgiu o livro?

De uma forma estranha, a estética steampunk não veio de fora. Já tinha lido alguns expoentes do gênero, como Tim Powers, KW Jetter e outros - não sabia se ‘Diamond Age’ de Neil Stephenson poderia se qualificar como tal, ou se era ‘nanopunk’. Me interessei pelas histórias, gostei mesmo.

Mas a ‘League of Extraordinary Gentlemen’ surgiu, eu acho, de ‘Lost Girls’.
Nós estamos nos divertindo tanto, eu e Melinda Gebbie, utilizando pornografia com três personagens literários conhecidos (Dorothy, Alice e Wendy), que subitamente me ocorreu:
‘Você poderia fazer a mesma coisa com um livro de aventuras.’

Tinhamos o homem invisível, e Mr.Hyde, o Capitão Nemo e depois de muito pensar chegamos a Mina Murray (de Drácula), como a principal personagem feminina. Então começamos a escrever com esta idéia bem simples, um tipo de Liga da Justiça Inglesa-Vitoriana.

Mas foi quando Kevin O’Neill começou a trabalhar na arte da coisa, e começou a fazer coisas como desenhar a mais fiel e mais exótica versão do Nautilus - que Kevin então começou a sentir como se esta história se passasse em um mundo onde várias fantasias e ficções vitorianas verdadeiramente aconteceram. Isso acabou se espelhando no tipo de arquitetura que Kevin criava, o tipo de tecnologia, em termos de carro e outros veículos do período.

Acho que estava a meio caminho da coisa, quando me dei conta de que eu tinha Mr.Hide de Stephenson assassinando Nana de Emile Zola na Rua Morgue de Edgar Alan Poe, subitamente percebi a fantástica possibilidade de tornar este livro algo sem precedentes, se fizéssemos cada personagem do livro um personagem previamente existente da ficção, então o livro tornou-se um amalgama louco de toda ficção mundial que já existiu.

Com o segundo volume nos ocorreu que nos poderíamos talvez estendê-lo, como um almanaque de lugares fictícios, no qual nós tentaríamos amarrar tudo junto, cada lugar deste mundo ficcional.

No número seguinte, ‘The Black Dossier’ (que será o último da parceria DC/Wildstorm), exibimos uma linha do tempo, das origens da humanidade até os dias de hoje, uma linha do tempo da totalidade deste planeta fictício. Muito disso está retratado na vida de Orlando, um personagem imortal que encontramos no século 12 antes de Cristo, na antiga Tebas. O que isso faz é acrescentar um incrível mundo tri-dimensional, em que cada história, fantástica ou não, que você possa ter lido na sua vida, provavelmente coexiste ali.

E esta não é uma idéia nova para mim, desde ‘Jason and the argonauts’ (Jasão e os argonautas) as pessoas pensam ‘o que aconteceria se meus heróis de ficção favoritos estivessem todos juntos?’ No século 19 isso acontecia bastante, com Jules Verne escrevendo a sequência de ‘The narrative of A Gordon Pym’ de Edgar Alan Poe. Teve um monte de ‘crossovers’ (cruzamentos entre idéias, conceitos, obras, universos), tudo que fizemos com a ’League’ foi levá-la até ao extremo, onde tudo potencialmente se cruza em algum lugar das páginas da ‘League’
E assim surgiu a idéia e foi assim que foi desenvolvida.

Os dois primeiros volumes são aqueles que os entusiastas do steampunk mais vão gostar, por que com o volume 3 subsequente, saímos da era vitoriana. A maioria das cenas se passa em 1958, que achamos ter sido uma época tão distante e peculiar, quanto a era vitoriana, se pararmos para pensar.

O volume 3 por sua vez, está dividido em 3 partes, cada qual com 72 páginas e num período de tempo especifico. A primeira em 1910, com eventos que se relacionam com a Ópera, então temos ‘Mack The Knife’ e ‘Pirate Jenny’ surgindo, assim como outros personagens do final da era vitoriana e alguns do inicio da eduardiana. A segunda ocorre toda em 1958 e a terceira em 2008.


Não pretendíamos fazer um fetiche da era vitoriana. Temos outras histórias ocorrendo em algum ponto dela, e outras antes ainda, no passado.

Ainda assim é um período inacreditavelmente rico o que nos favorece, acho que depois de ‘From Hell’, ‘The League’ e ’Lost Girls’, que eu suponho ser eduardiana, sinto que estive em perigo - porque amo tanto aquele período - de ser classificado como um tipo de maluco vitoriano-eduardiano. De fato me interesso por quase todos os períodos, todos tem algo para ensinar.



O que acha do steampunk como estética e seu potencial como uma cultura?

Se estou entendendo direito, é um tipo de manifestação de um ‘ethos’ que se torna mais prevalecente na cultura atual. Me parece que neste momento do século 21, estamos mais conscientes de nós mesmos - de nosso passado - do que nunca antes. Por conta da Internet, por conta dos monstruosos arquivos que geramos, a cultura do passado está disponível para nós.


E quando olhamos para ela, percebemos que existe um fabuloso depósito de idéias que podem ser incrivelmente belas - e que ainda podem ter muita vida pela frente - e que foram descartadas impiedosamente pra fora de nossa cultura, devido a nossa insistência de querer coisas novas todos os dias.

Acho que estamos numa posição, onde podemos olhar para trás, para as maravilhosas e gloriosas lembranças de nossas culturas antigas - de nosso intelecto - e podemos usar elementos deste tesouro para construir nosso futuro.

Penso que em muitos aspectos seja a definição de ‘decadência’(estilo literário marcado pela artificialidade, pela valorização da arte como única forma de redenção humana) dada pelo escritor decadente Théophile Gautier, que disse que um escritor decadente deve sentir-se livre para apropriar-se das mais deslumbrantes e suntuosas lendas antigas e, ao mesmo tempo, deveria sentir-se livre para emprestar dos vocabulários técnicos - a forma mais atual possível - ser capaz de trazer o passado e o futuro e o presente tudo em um glorioso caldeirão.


E eu penso que é isso que talvez o steampunk esteja tentando fazer. Tomar aqueles elementos abandonados que provavelmente nada tem de errado e são perfeitamente funcionais, mas apenas foram deixados de lado, por nossa cultura apressada, e colocá-los juntos, de uma maneira nova, a fim de criar idéias que nos ajudarão a projetar nós mesmos em direção ao futuro.

É o que parece para mim, que o steampunk, conscientemente ou não, está fazendo.


Acho que a arte, a tecnologia e a mídia, isso tudo está mudando a maneira básica com que vemos nosso tempo. Até pouco tempo atrás víamos a progressão do tempo como um tipo de esteira transportadora, onde estávamos presos, indo do passado para o futuro, e não havia nada que pudéssemos fazer sobre isso, e o passado, uma vez que a esteira o deixasse para trás, tinha desaparecido para sempre.

Contudo não era uma verdade, todas as idéias do passado ,talvez o mais precioso bem do passado, ainda podiam ser alcançadas. E acho que algumas pessoas, talvez os escritores de steampunk, estão percebendo que podem abraçar o passado como um meio de progredir para o futuro.


Não se trata de simples nostalgia. Ou ficaríamos cansados dela rapidamente.
É essencial que haja algum progresso, um aspecto de avanço na maneira que utilizamos estes magníficos fragmentos da cultura antiga.

Da minha perspectiva, embora não seja conscientemente um, é o que penso que o steampunk se trata.




Primeiro trabalho (revista Embryo)

O senhor do Caos

Bibliografia


Resumo da história - Alan Moore

Alan Moore nasceu em 18 de Novembro de 1953 em Northampton, Inglaterra, uma cidade industrial entre Londres e Birmingham. Filho mais velho de um cervejeiro, o jovem Moore enfrentou a pobreza e foi bastante influenciado pelo ambiente em que viveu (alem das excentricidades religiosas de sua avó). Foi expulso de uma escola conservadora e não foi aceito em nenhuma outra. Em 1971, Moore estava desempregado e não possuía qualificações para tentar qualquer emprego. Casou-se em 1974 e deste casamento, nasceram suas filhas Amber e Leah. Em 1979 começou a trabalhar como cartunista com o pseudônimo Curt Vile. Depois de algum tempo, chegou a conclusão que era péssimo desenhista e passou a se dedicar a escrever. Escreveu roteiro para a famosa série de FC, Doctor Who e na revista 2000 AD, para a qual criou várias séries populares como ‘The Ballad of Halo Jones’, ‘Skizz’ e ‘D.R. & Quinch’.
Trabalhou depois para a revista inglesa Warrior, onde começou duas de suas séries mais famosas: Marvelmen (conhecida também como Miracleman), uma espécie de revisão do conceito do super-herói tradicional e ‘V For Vendetta’ (V de Vingança), uma obra arrasadora, sobre a luta por liberdade e dignidade em uma Inglaterra distópica e fascista. Ambas ganharam (em 1982 e 1983) o prêmio British Eagle Award.
Graças a este reconhecimento, ganhou sua primeira série americana, ‘Saga of the Swamp Thing’, ao mesmo tempo que contribuía com seu estilo único, profundo e provocador, escrevendo para outros títulos da DC, como ‘Tales of the Green Lantern Corps’, ‘Batman Annual’ e vários ‘Superman’. Em 1986, quando a DC Comics se reestruturava, Moore apareceu com Watchmen, que junto com o ‘Batman: The Dark Knight Returns’ de Frank Miller, redefiniu o conceito dos quadrinhos. Watchmen tornou-se o primeiro comic a receber o prestigiado prêmio Hugo, de Fantasia e Ficção Científica.
Atualmente Moore possui sua própria empresa, a America’s Best Comics (ABC), na qual está desenvolvendo suas novas séries: ’The League of Extraordinary Gentlemen’, ‘Promethea’, ‘Tom Strong’, ‘Tom Strong's Terrific Tales’, ‘Tomorrow Stories’ e ‘Top Ten’.
Outros projetos de Moore incluem gravar um disco e tornar-se um mágico.
Alan Moore vive em Northampton, Inglaterra.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Steampunk por ai




Literatura:
Difference engine - William Gibson&Bruce Stirling [ Download ]
Humunculo - James Peter Blaylock [ Download ]
La lista de los siete - Mark Frost [ Download ]
The Anubis Gates - Tim Powers [ Download ]
Time ships - Stephen Baxter [ Download ]


RPG:
Castle Falkenstein - Steam Age [ Download ]
Dragon Mech - Steam Warriors [ Download ]
Gurps - Steampunk [ Download ]


Esculturas:


Revistas:


Música:


Concursos:


Imagens:

STEAMPUNK



'Steam’ quer dizer ‘vapor’, mas também é uma abreviação para um conceito tecno-industrial, uma passagem para um novo mundo, de caldeiras chiando, engrenagens, rodas dentadas e maravilhas vivas de latão. A máquina desta transformação é tradicionalmente a força-vapor, responsável por tantas mudanças na história durante a revolução industrial, mas a tecnologia por trás é irrelevante.

Não importa se as máquinas eram movidas por vapor, óleo ou magicamente por demônios; é a presença e o conceito da máquina que importa.

A máquina é também um símbolo de grandes transformações.

Outras grandes construções, como castelos ou monumentos, podem existir numa espécie de vácuo, sua mera existência pouco implica comparativamente sobre a sociedade que as construiu.

As máquinas, entretanto, requerem uma significativa infra-estrutura.

Uma gigantesca indústria movida a vapor, implica na existência de dezenas de fundições, trabalhadores braçais, incluindo artesões e engenheiros para construir e fazer funcionar as máquinas e uma civilização com vasta demanda só se satisfaz pela produção em massa - tal não ocorre de maneira isolada.




Adicionar vapor e tudo que isso, em períodos e cenários diferentes, é chamado de STEAMPUNK.


Onde o cyberpunk examina o que a tecnologia fará com a sociedade, o steampunk pega os sonhos científicos da revolução industrial e os torna realidade.

O infortunado epíteto ‘punk’ é derivado do gênero ‘cyberpunk’ da Ficção Científica.

Um dos primeiros livros de steampunk foi ‘The difference engine’, escrito por William Gibson e Bruce Sterling, autores consagrados no movimento cyberpunk, porém o termo já existia anteriormente a publicação.

‘The difference engine’ coloca supercomputadores com imagem digital e inteligência artificial, na Londres Vitoriana, bastante transfigurada devido a presença de tal tecnologia.



Um dos pontos peculiares na ficção steampunk; ‘steam’ não significa somente trazer para outra realidade, máquinas como trens e teares de algodão, mas criar o anacronismo ou a impossibilidade de máquinas como computadores, televisores, robôs (mesmo Mecha’s a vapor) um agente de ‘suspensão da realidade’.

Ao invés de meramente reconstruir engenhocas do nosso tempo, o steampunk pega a tecnologia moderna e a remodela em latão, rebites e caldeiras fumacentas em um novo ambiente.


A maioria das representações steampunk tem em comum um visual com motivos e imagens que se repetem, obviamente, os ornamentos e os mecanismos da força vapor, tubos, canos, caldeiras, foles, bielas, válvulas e coisas assim, por toda parte, mas mesmo aquelas desprovidas de tecnologia guardam traços do steampunk. Uma armadura blindada com rebites,um escudo moldado para parecer uma roda dentada.

A arquitetura do steampunk se apropria das construções vitorianas, exuberantes estruturas góticas, repletas de chaminés e gárgulas, monstruosidades barrocas de metal e pedra apontando para nuvens de fuligem.


STEAMPUNK Vitoriano

O Steampunk vitoriano é a expressão mais comum deste gênero.
A era Vitoriana (referência a Rainha Vitória, que aos 18 anos subiu ao trono da Inglaterra, ocupando-o de 1837 a 1901) foi a época das grandes fábricas, da aceleração do processo produtivo, da consolidação da produção capitalista, de grandes saltos tecnológicos, era das ferrovias, do favorecimento da ciência e também do surgimento das workhouses (casas ou asilos que exploravam mulheres, crianças e desabrigados em trabalhos pesados, já que a maquinaria colocava abaixo os limites morais e naturais da jornada de trabalho).


A era Vitoriana foi também o auge do romance científico, e a maioria dos livros de Jules Verne, especialmente ’20.000 Leagues under the sea’ (‘20.000 léguas submarinas’) e ‘From Earth to the Moon’ (‘Da terra a lua’) podem ser facilmente classificadas como steampunk.

Outra contribuição histórica ao gênero, são os contos Edisonianos (referente ao inventor Thomas Edison) de Edward S.Ellis, Luis Senarens e outros, com seus personagens que utilizam veículos avançados movidos a vapor, em suas aventuras através do mundo.





Além de servirem como inspiração pueril para a futura ‘ficção científica’ (o nome só foi cunhado em 1929), estas histórias tiveram uma influência no tema ‘boy inventor’ (Garoto inventor), personificado pelo jovem inventor e aventureiro Tom Swift, em sua série de livros juvenis.






O PULP

Com H.G.Wells surgiu a literatura pulp (1920-1930).

A literatura pulp e o steampunk compartilham uma atitude similar frente a ciência. Ciência e tecnologia se mudaram das províncias do mistério e da alquimia e se tornaram mais familiares, mais otimistas.


Onde o pulp ressalta a atitude maravilhada frente a ciência, com seus cintos foguetes, relógios comunicadores e coisas assim, o steampunk o faz de maneira diferente.

Tudo tende a ser absolutamente sujo, imundo, graças a fumaça, a fuligem e o lixo produzido pelas indústrias, ou então brilhantes e polidos, em cada rebite e chapa vaidosamente brilhantes. De maneira similar, os personagens tendem aos extremos, dos pequenos e desprezíveis batedores de carteira de rua, descritos na obra de Charles Dickens, aos heróicos, honoráveis cientistas de Verne e mais tarde, personificados em Artemus Gordon (o agente-cientista, inventor que percorre o oeste americano imaginário, pós guerra da secessão, com suas invenções bizarras.)




Adicionando-se steampunk à fantasia, onde a magia não está oculta, nem é misteriosamente ambígua, mas uma força relativamente comum que pode ser manipulada, canalizada e usada para disparar bolas de fogo, chegamos a Fantasia Steampuk.

FANTASIA STEAMPUNK.

Tanto a magia quanto o steampunk podem ser fundidos pela indústria, feitiços mágicos são analisados e produzidos em massa.


China Mielville escreveu o excelente livro ‘Perdido Street Station’ que descreve um tipo de ‘fantasia industrial’, onde taumaturgos são artesões, como engenheiros, e conjuram poderosas máquinas mágicas para capturar leviatãs de outros planos de existência.

Steampunk contudo, também pode ser adicionado a clássica fantasia medieval sem adicionar os maneirismos vitorianos.

A renascença ainda é recente, próxima o bastante para poder ser trabalhada, e aquele tempo trás lembranças do imaginário de Leonardo da Vinci, que desenhou tanques a vapor, helicópteros e outros dispositivos em seus famosos cadernos.


A Fantasia steampunk pode retratar a tecnologia do século 20 através dos materiais do século 19 pelos cientistas do século 16

A CIÊNCIA NA FANTASIA.

Em um cenário steampunk, novas tecnologias subjugam todos os fenômenos que de certa vez, foram considerados milagrosos.

O poder dos motores a vapor, podem trazer a vida a outras máquinas.Uma chave em uma pipa inspirou o primeiro vislumbre da eletricidade como uma ferramenta.


Regiões inacessíveis, como o oceano selvagem, mares congelados, ou mesmo os pontos mais altos foram conquistados por máquinas a vapor.

De qualquer modo, se as tecnologias steampunk podem ser usadas amplamente para incrementar um barco voador, e uma placa de ferro pode ser usada para manter o ar do lado de dentro e o frio do espaço de fora, então o steampunk consegue abrir outros campos para novas aventuras.



Steampunk então não é sobre vapor.

É sobre avanço tecnológico por caminhos diferentes, propondo cenários alternativos à nossa realidade.



Foi a força-vapor que disparou a revolução industrial, uma mudança que varreu para longe a velha ordem, de forma mais eficientemente que qualquer filosofia ou mesmo a renascença.

Steampunk é mudança, através do desconhecido e do extraordinário.

E sempre existirão novas maravilhas a serem descobertas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

PAUL DI FILIPPO

Paul Di Filippo (29 de Outubro de 1954) nasceu em Providence, Rhode Island (EUA). Morou no Hawaii, viajou ainda jovem pela Europa, voltando aos EUA onde trabalhou na livraria da Universidade de Brown, até se tornar um escritor em tempo integral, em 1994. Como tal é conhecido por seu humor e pela predileção pelos gêneros cyberpunk e steampunk.

Participou de diversas antologias, entre elas, 'The Steampunk Trilogy', 'Ribofunk', 'Fractal Paisleys', 'Lost Pages', 'Little Doors', 'Strange Trades', 'Babylon Sisters' e escreveu os romances 'A Year in the Linear City' , 'Ciphers', 'Joe’s Liver', 'Fuzzy Dice', 'A Mouthful of Tongues' e 'Spondulix'. Escreve também artigos para revistas como Asimov's Science Fiction, The Magazine of Fantasy and Science Fiction, Science Fiction Eye, The New York Review of Science Fiction, Interzone e Nova Express, além de blogs como Boing Boing.

Site oficial

Podcast de Paul di Fillippo na Boing Boing

Neutrino Drag [ Download ]
Shipbreaker [ Download ]

ORSON SCOTT CARD

Orson Scott Card (24 de Agosto 1951) nasceu em Washington, EUA. Em 1973 esteve no Brasil, trabalhando como missionário da Igreja dos Santos dos Últimos Dias e parte desta sua experiência no Brasil aparece no romance 'Orador dos Mortos' Speaker for the dead - 1986), a seqüência de 'O Jogo do Exterminador' (Ender's Game - 1985).

É autor de best-sellers, de diversos gêneros, entre eles as séries 'Homecoming' e 'Tales of Alvin Maker', assim como os seus romances de fantasia contemporânea 'Magic Street', 'Enchantment' e 'Lost Boys'.

'Ender's Game' e sua sequência 'Speaker for the Dead', foram premiadas com o Hugo e o Nebula, fazendo de Orson, o único autor a ganhar estes prêmios em anos consecutivos.

Seus outros trabalhos demonstram sua versatilidade, como a roterização do filme de James Cameron, 'The Abyss' (O abismo), os roteiro de 'The ultimate Iron Man' para a Marvel Comics, além de sua colaboração no filme 'Robota' do renomado Doug Chiang.



Site oficial


Entrevista no Terra Magazine


O orador dos mortos [ Download ]

Lost Boys [ Download ]