
História em quadrinhos nacional, com ótimo roteiro e ilustrações excelentes, e como nada é perfeito, parece que a série chegou ao fim.
Exploradores do Desconhecido - Operação Salto Quântico
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Exploradores do Desconhecido
domingo, 12 de outubro de 2008
Jornadas nas Estrelas - Episódios originais - Livro 4
Deixei Star Trek no final de sua segunda temporada para trabalhar como free-lancer de novo. Naquele ano, fiz roteiros para Big Valley, Lancer e Chaparral, assim como duas histórias e um roteiro para a terceira temporada de Star Trek. Nos anos que se seguiram estive muito ocupada como escritora e, inclusive, recebi uma indicação para um prêmio da Associação de Escritores. Star Trek agora vivia através das reprises em estações de tevê no interior do país. Por volta de 1971, as convenções de Star Trek tiveram início.
Star Trek passou a ser incluída nos programas das convenções de ficção científica em geral. Nessa época, contudo, convenções dedicadas apenas a Star Trek começaram a ser organizadas.
Acredito que elas não apenas prolongaram a vida das reprises do seriado, como também conquistaram novos fãs com a “Star Trek completa".
Se alguém tivesse visto apenas a série em reprise, certamente assistira apenas episódios editados. As estações locais costumavam editar uns cinco minutos de história para poder acomodar o grande número de mensagens comerciais. Geralmente era a apresentação do episódio que sofria a incisão, mas o editor de cada emissora podia muito bem cortar as passagens que achasse melhor. Portanto, o mesmo episódio exibido em, vamos dizer, São Francisco, Los Angeles e San Diego poderia ter sido cortado de três formas completamente diferentes. Os organizadores das convenções alugavam cópias diretamente da Paramount e as exibia na íntegra.
Os famosos "bloopers" (erros de gravação) também surgiram nessa época e tornaram-se uma grande atração das Convenções.
Fui convidada para algumas Convenções (os escritores eram muito apreciados pelos fãs de Star Trek, um fato que nós, escritores, adorávamos: podíamos contar histórias sobre a origem e o desenvolvimento dos roteiros, enquanto os atores contavam anedotas sobre a vida em estúdio).
Nessa época surgiu o Star Trek Welcommittee, uma organização nacional que fazia a coordenação e a troca de informações entre os fãs individuais e demais fãs-clube, mantendo-os a par das atividades das convenções. Fiz amizades com muitos desses fãs.
Um dos fãs que mais impressionava a qualquer pessoa ligada a Star Trek era o jovem George La Forge**. Portador de uma deficiência física de nascença, que o mantinha confinado a uma cadeira-de-rodas, George não perdia uma convenção de Star Trek. Numa delas, Gene Roddenberry chegou a formalmente promovê-lo a almirante da Frota. A mãe de George uma vez disse acreditar firmemente que o interesse do filho por Star Trek tinha dado a George força para viver mais anos do que talvez conseguisse. Star Trek podia orgulhar-se disso ou dos vários jovens que escreviam dizendo que o seriado (ou um episódio específico) os encorajara a seguir uma carreira produtiva, uma educação, ou então os incentivara a trocar um caminho destrutivo de vida para um mais positivo. Alguns deles chegaram a comentar a esperança proporcionada pelo seriado, que os tirara até mesmo de uma depressão suicida. Algumas vezes os episódios apenas os faziam pensar. Star Trek podia ter orgulho disso também.
** Gene Roddenberry posteriormente homenageou esse fã dando seu nome a um dos personagens da Nova Geração, o engenheiro-chefe Geordi LaForge. (N.T.)
As convenções naquele tempo eram grandes, reuniam milhares de pessoas. Algumas convenções doavam seus rendimentos para organizações beneficentes; outras apenas faziam dinheiro para seus promotores. Esse tipo de atração deve ter feito alguém pensar porque, na primavera de 1973, Gene Roddenberry e Lou Scheimer, presidente da Filmation, me convidaram para almoçar. Eles me disseram que a NBC estava interessada em fazer uma versão em desenho animado de Star Trek para sua programação de sábado de manhã. A Filmation faria a animação;
Gene seria o produtor executivo e eu fui convidada a me unir ao time. Assinei contrato como produtora associada e editora de histórias.
Gene estava determinado a fazer de Star Trek um desenho animado que não fosse apenas para crianças. Deveria ser fiel ao seriado original e deveria contar histórias adultas, independente do fato de que a audiência de sábado de manhã era constituída basicamente por crianças. Esperávamos atrair telespectadores mais velhos. Além disso, a animação permitia uma nova dimensão impossível aos filmes com atores de verdade. As histórias poderiam acontecer em ambientes hostis (debaixo d'água, por exemplo). Cenários mais variados e mais complexos poderiam ser criados e novos alienígenas poderiam surgir sem ter de esbarrar na dificuldade de máscaras, maquiagens ou zipers aparecendo.
Apenas nos desenhos animados poderíamos desenvolver tão bem os felinóides carnívoros de Larry Niven, os Kzin. A animação tornou possível a participação de tripulantes alienígenas regulares, como o navegador Arex, com seus três braços e três pernas, e a tenente M'Ress, outra felinóide.
Também permitia aos fãs verem pela primeira (e única) vez como um "ursinho de pelúcia vulcano", o sehlat, realmente se parecia. As vozes pertenciam aos atores da série, Bill Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, George Takei, Jimmy Doohan, Nichelle Nichols e Majel Barret, com a participação especial ocasional de Mark Lenard, que interpretava Sarek.
Participei da Convenção de Ficção Científica Mundial em Toronto naquele final de semana que coincidia com o feriado do Trabalho levando, com muita ansiedade, uma pequena amostra do nosso trabalho. Não tínhamos concluído nenhum episódio ainda e tudo que podíamos exibir era uma breve (um minuto!) seqüência do novo seriado. Eu estava programada para a noite de sábado e durante todo o dia ouvi comentários nada favoráveis quanto à versão animada de Star Trek. Havia previsões terríveis e observações mordazes sobre os desenhos para crianças e o clima estava absolutamente frio quando pedi ao operador que projetasse meu pedaço de filme para um salão lotado de fãs.
Então foi pura magia. A música familiar tomou conta dos alto-falantes e a Enterprise cruzou a tela novamente contra o fundo escuro de estrelas. O título e o nome dos atores também invadiram a tela. Não importava que fosse animação. Não importava que, para os objetivos da animação, o brilho prateado da nave tivesse de ser um cinza escuro para proporcionar o "movimento" na animação. A fidelidade ao original já no primeiro minuto de desenho ganhou a confiança dos fãs. Quando a tela escureceu, a audiência aplaudiu em delírio.
Então começou a propaganda boca a boca. Star Trek - o verdadeiro Star Trek — estava de volta, mesmo que em desenho animado.
O fato de a Associação de Escritores estar em greve entre março e junho daquele ano nos ajudou em nossa insistência quanto a qualidade do material do desenho. Excelentes escritores que provavelmente não estariam disponíveis nesse período encontravam-se sem emprego e trabalhar para um desenho animado era um campo perfeitamente legal para eles, uma vez que isso não fazia parte do estatuto da Associação de Escritores. Por isso chamamos veteranos de Star Trek como Sam Peeples, David Gerrold, Margareth Armen, Stephen Kandel, Paul Schneider e David Harmon para fazer os roteiros da primeira temporada. Walter Koenig escreveu um roteiro para nós. E eu escrevi Yesteryar.
A NBC estava muito preocupada com Yesteryar. Afinal, lá estava eu falando em eutanásia de um animal de estimação em um desenho para as manhãs de sábado: "Não se preocupem!", disse Gene. "Confiem em Dorothy". O resultado da história é o que eu sinto em relação à morte com dignidade de animais sofrendo dores horrorosas ou ferimentos severos. Pelo que eu saiba, a NBC jamais recebeu qualquer carta de protesto a respeito do final do desenho.
Embora a série de desenhos tenha durado duas temporadas, eu trabalhei nela apenas na primeira. Devido à natureza da animação e a extraordinária quantidade de tempo e dinheiro dispensada a um episódio de meia hora, a primeira temporada teve apenas dezesseis histórias. A segunda foi originalmente exibida com apenas seis episódios inéditos misturados aos antigos. Esse curto seriado em desenho animado, assim como seu predecessor, teve sua vida revigorada através das reprises e, posteriormente, através do videocassete e videodisco.
Voltei a escrever para seriados de tevê, como São Francisco Urgente, O Homem de Seis Milhões de Dólares, Elo Perdido e Police Woman. Em 1976, fui editora de histórias da série Viagem Fantástica. Logo depois trabalhei para Logan's Run. Esses dois trabalhos foram conseqüência direta da reputação que adquiri com Star Trek. Roteiros para Os Waltons, Dallas e outras séries ocuparam meu tempo no final dos anos 70.
Durante esse tempo houve uma tentativa de produzir outra série Star Trek.
Não sei por que o projeto não foi avante, mas alguém da Paramount notou o enorme sucesso de Guerra nas Estrelas, em 1977, e lembrou que a empresa também era dona dos direitos de uma aventura de ficção científica. Todos nós sabemos até onde isso levou - especialmente agora que, enquanto estou escrevendo esse texto, um roteiro para um sexto filme de cinema está em preparação. Os filmes tornaram um sucesso tão popular quanto lucrativo e acredito que serviram de incentivo para o anúncio de uma nova série Star Trek, logo depois que a série clássica completou seus 20 anos de existência.
O novo conceito estabelecia uma nova tripulação, especialmente um novo capitão, e a expansão da visão de Star Trek para os anos 80 e 90. Os fãs mais leais odiaram a idéia desde o início. Pela primeira vez, a correspondência que começou a chegar era de protesto. Talvez eles tenham se sentido mais seguros quando souberam que Gene Roddenberry estaria encarregado da nova série, assim como outros nomes familiares à equipe, como Bob Justman, Bill Theiss, John Dwyer, Charles Washburn, David Gerrold e... D.C. Fontana.
Mas um capitão careca? Uma nave com mil tripulantes, inclusive famílias? Um adolescente considerado um gênio e sua mãe médica? Uma mulher como oficial de segurança? Um andróide? Um oficial klingon na ponte? Não me admira que os fãs tivessem lá suas dúvidas. Era algo tão diferente da Star Trek que eles apoiaram tão fielmente durante anos... Afinal de contas, os fãs tinham Star Trek como algo muito seu.
Todos nós envolvidos na evolução de A Nova Geração também tínhamos particularmente nossas dúvidas. A tarefa era difícil de ser feita uma vez, impossível de se fazer duas vezes. Mesmo assim a equipe, o elenco, e todos envolvidos com A Nova Geração estavam determinados a realizar o impossível.
Produzir uma série de tevê é um verdadeiro exercício de loucura. É muito divertido fazer, mas requer longas horas de trabalho exaustivo, inclusive noites e finais de semana. Demanda total dedicação da mente e de nossas energias. Pessoas de criação raramente são muito tensas e a produção de uma série pode significar relações personalidades em conflito. Todos querem que o projeto seja um sucesso, apenas não concordam nos caminhos trilhados para atingir esse sucesso. Quando chega o dia em que o seriado recém-nascido é apresentado à audiência, uma cosa é definitiva: ou cai em seus primeiros passos ou então continua engatinhando e em crescimento. A Nova Geração está agora em seu quarto ano de sucesso.
Deixei a produção da nova série depois dos treze primeiros episódios e agora estou concentrada em escrever roteiros para cinema. Estou muito orgulhosa do fato de ter contribuído para as três versões de Star Trek.
Também tenho orgulho do fato de que escrevi mais roteiros para Star Trek*** do que qualquer outra pessoa e a maioria deles foi bem recebido e é lembrado com carinho pelos fãs.
Aconteceu no outro dia: parei numa livraria para comprar um livro de referência. Quando entreguei meu cartão de crédito, o vendedor naturalmente conferiu o nome e, em seguida, o observou de forma mais atenta.
— É D.C. Fontana?
— Ah... sim
— Céus, eu amei seu trabalho em Star Trek...
Eu também, amigos, eu também.
(Fim da Introdução de DC Fontana) - Dezembro de 1990.
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Jornadas nas Estrelas - Episódios originais - Livro 3
A equipe de produção consistia de Gene Roddenberry como produtor/ escritor e John D. F. Black como editor de roteiro/escritor. Bob Justman virou produtor associado da série. Bill Theiss permaneceu responsável pelos figurinos e Matt Jeffries tornou-se o diretor de arte. Quase to dos os outros envolvidos eram novos na equipe.
Nessa época, já não trabalhava apenas para Gene como sua secretária de produção, mas sim continuava com minha carreira de escritora, que começara em 1960 com a venda de vários roteiros para uma série chamada The Tall Man. Outros roteiros seguiram-se (lentamente) até que, no início de 1966, eu tinha nove títulos com meu nome. Quando a produção da série teve início, Gene me perguntou se eu queria fazer um roteiro para ele.
Escolhi uma história que o Guia dos Escritores e Diretores da série intitulava "O Estranho Charlie".
A série já estava em produção quando alguém (acredito que Bob Justman) percebeu que os novos roteiros referiam-se ao capitão como James T. Kirk - e a lápide que Gary Mitchell fez para o capitão em Onde Nenhum Homem Jamais Esteve claramente mostrava James R. Kirk. Gene pensou a respeito e decidiu que, se perguntassem o por quê da discrepância, a resposta seria: "Gary Mitchell tinha poderes divinos, mas basicamente era um humano. Ele cometeu um erro".
Nunca arranjamos uma explicação plausível para o fato de a nave auxiliar não ter sido usada no roteiro de Richard Matheson, O Inimigo Interior . O enredo indicava que os membros da tripulação ficavam presos num planeta glacial devido a um defeito no teletransporte. A verdade é que a nave auxiliar ainda não havia sido construída. A companhia AMT finalmente entregou o modelo da nave já com um terço do primeiro ano da série em andamento, a tempo de ser usada no Primeiro Comando, roteiro de Oliver Crawford. Uma vez estabelecido que havia uma nave auxiliar a bordo da Enterprise, os fãs começaram a escrever apontando a discrepância. Finalmente tivemos de admitir nosso erro. Não tínhamos visto necessidade para uma nave auxiliar até que uma história surgiu exigindo sua utilização.
De fato, a Enterprise precisou cresceu com o desenvolvimento das histórias e novos cômodos e áreas foram criadas para essa necessidade. À medida que a temporada passava, novos corredores eram acrescidos; os tubos Jeffries e a sala de controle auxiliar surgiram. A enfermaria e a engenharia mudaram e foram expandidas. "Como isso podia acontecer durante uma missão de cinco anos no espaço?", alguém perguntaria.
"A Enterprise é colocada numa doca espacial num planeta da Federação para manutenção e reforma", nós respondíamos com a maior seriedade.
Um executivo da NBC uma vez disse: "O problema com o pessoal de Star Trek é que vocês acreditam mesmo que aquela maldita nave está lá em cima".
Bob Justman o encarou fixamente e se saiu com um:
— "E está".
Em setembro, John D. F. Black, que estava atuando como editor de roteiro, recebeu uma oferta para escrever um filme e optou por deixar Star Trek. Ele foi substituído por Steven Carabatsos. Ao mesmo tempo, Gene L. Coon juntou-se à série como produtor, e Gene Roddenberry assumiu o título de produtor executivo. Eu deixei minha função de secretária de produção para escrever como free-Iancer e completar meu segundo roteiro, Amanhã é Ontem.
No início de novembro, Gene já sabia que não renovaria o contrato de Carabatsos por mais treze semanas. Entregou-me um roteiro intitulado O Caminho dos Esporos, que, segundo ele, não estava funcionando direito. Se eu pudesse reescrevê-lo de forma que agradasse a ele, à Desilu e à NBC, eu seria contratada como editora de roteiro. Comecei a reescrever a história, e reformulei todo o enredo. Em princípio, a história envolvia o encontro de Sulu com um antigo amor, Leila Kalomi, o exótico nome da personagem de Jill Ireland. Depois de pensar a respeito, disse para Gene Roddenberry: "Isso deveria ser uma história de amor... para o sr. Spock".
Gene concordou e me disse para escrever dessa forma. O resultado foi Deste Lado do Paraíso, que acabou agradando a Gene, à Desilu e à NBC, de forma que comecei a trabalhar com a equipe de escritores. Em meados de dezembro de 1966, fui contratada como editora de histórias de Star Trek.
Os dezoito meses seguintes foram os mais deliciosos que já vivi.
Trabalhando nos roteiros em associação com Roddenberry e Coon era estimulante e desafiador. Todos os atores eram maravilhosos e queriam ajudar a desenvolver seus personagens. Interpretando a mesma pessoa semana após semana numa série pode tornar-se algo muito aborrecido para os atores e a audiência se o personagem for o mesmo todas as semanas.
O segredo de manter o interesse das pessoas é como descascar lentamente uma cebola.
Cada vez que uma camada é retirada, algo novo é revelado sobre o personagem.
É como dividir um presente surpresa com a audiência — algo fresco e especial.
Os atores davam a seus personagens um pensamento real e isso servia de trampolim para que novas histórias fossem desenvolvidas. Às vezes era apenas uma situação (como o duelo verbal de Spock e McCoy) ou um gesto (como o Famoso Toque Neural de Spock, mencionado nos roteiros como "FTNS"), mas tudo isso coloria e dava um sabor especial aos roteiros e personagens.
A equipe era talentosa e engenhosa em poupar tempo (e, portanto, dinheiro) e em colocar as melhores imagens possíveis na tela. Todos estavam orgulhosos com o fato de que nenhuma equipe era tão rápida em movimentar-se de um cenário para o outro e deixar tudo pronto para o início da filmagem. Mesmo os carpinteiros, os pintores e todos que criavam os cenários tinham orgulho por estarem trabalhando em Star Trek. Acima de tudo, eles eram a única equipe em Hollywood a construir toda semana um planeta diferente no Estúdio 10.
E, é claro, todos experimentávamos um certo prazer em ver como Bill Theiss iria se sair com suas novas criações. Havia vezes em que seus trajes faziam Jean Messerschmidt, o censor da NBC, subir pelas paredes. A "Teoria Theiss de Estimulação" consistia em pegar uma parte não muito sensual do corpo (como as costas ou as coxas) e exibi-la escancaradamente. Acrescentava-se a isso a promessa de que uma parte do traje poderia cair a qualquer momento e revelar tudo. Aqueles que acreditavam na promessa morriam de frustração.
Os vestidos nunca falhavam... e as atrizes praticamente tinham de ser coladas a eles!
Apesar dos índices de audiência do seriado não serem os mais altos, nós nos sentíamos recompensados pessoalmente pelo fato de que os fãs aos milhares estavam escrevendo todas as semanas e nos dizendo que amavam Star Trek. As cartas começaram a chegar depois que o primeiro episódio foi exibido. No princípio, era pilhas de cartas, depois uma sacola e, então, montes de sacas cheias de correspondência. Embora algumas das cartas mais curiosas e interessantes merecessem uma resposta pessoal da equipe, á maioria era respondida por um serviço de correspondência. Curiosamente, pela primeira vez que se tinha conhecimento, os escritores do seriado estavam recebendo cartas de fãs. Isso indicava o nível de inteligência dos telespectadores. Eles tomavam o cuidado de ler os créditos e sabiam que eram os escritores que faziam os roteiros e que os atores não apenas "falavam e faziam as coisas acontecerem". Mas a NBC não ficou impressionada com isso. E, no fim da primeira temporada, decidiu cancelar o seriado.
Os fãs, contudo, tinham outras idéias. Eles simplesmente não aceitaram o fato de que a NBC planejava cancelar Star Trek.
Uma campanha de cartas teve início, uma campanha que acabou se tornando uma verdadeira enxurrada de cartas de protesto. Uma vez que as emissoras tradicionalmente acreditavam que cada carta recebida expressava a opinião de cem outros telespectadores que não tinham tempo para escrever, o número de cartas recebidas os convenceu de que Star Trek tinha audiência suficiente para merecer uma segunda temporada.
E quando o seriado mais uma vez estava sob ameaça no fim da segunda temporada, a correspondência começou novamente. Eles mantiveram a série.
E, ao mesmo tempo, decidiram acabar com ela.
A maioria das pessoas sabe o que aconteceu com a terceira temporada.
O seriado foi colocado num horário péssimo, que naquela época representava morte certa, especialmente para uma série com o tipo de audiência que Star Trek possuía: sexta-feira, às 22 horas. O público leal a Star Trek não era apenas um grupo de fãs de ficção científica ou crianças, mas geralmente consistia de estudantes de segundo grau e universidade, jovens casais, homens de negócios e outros profissionais liberais. Infelizmente, eles não possuíam o aparelho medidor de audiência em seus aparelhos de tevê (Vários anos depois de Star Trek sair do ar, uma análise da audiência demonstrou que era esse exatamente o tipo de audiência que a NBC mais queria conquistar).
Gene Roddenberry, que voltara à série como produtor ativo, decidiu novamente afastar-se das funções, inclusive da produção executiva. A série tornou-se menos filosófica e começou a seguir a fórmula "um monstro por semana". Os índices caíram muito abaixo do nível e do ponto que qualquer campanha de cartas pudesse lazer alguma coisa e Star Trek foi retirada da programação em 1969.
Fiz muitos amigos em Star Trek.
Escrevi oito roteiros e duas histórias e iniciei com êxito minha primeira experiência como editora de história. O seriado era bastante reconhecido dentro da indústria e, portanto, seus créditos eram uma espécie de passaporte para novos empregos.
Mas era triste ver uma série tão querida morrer por um caso terminal de negligência executiva.
(continuação da Introdução de D.C.Fontana)
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Jornadas nas Estrelas - Episódios originais - Livro 2
Ele pegou umas dez fotografias e jogou em cima da mesa. Era a foto de um ator que recentemente trabalhara em The Lieutenant que eu conhecia muito bem porque fora o ator convidado na primeira história que eu havia vendido quatro anos antes: Leonard Nimoy.
Todo, o resto sobre o seriado estava em aberto, mas a escolha de Leonard Nimoy nunca mudou desde o início.
A MGM, que aceitara dar "uma primeira olhada" no projeto de Gene, desistiu de Star Trek (sempre visualizei os executivos dessa companhia se roendo em agonia e frustração por causa dessa decisão). Uma vez livre de sua obrigação com a Metro, Gene e seu agente começaram a oferecer Star Trek a outras companhias. Os felizardos foram Oscar Katz, diretor da Desilu Productions, e Herb Solow, que sucedeu o senhor Katz. Eles fizeram um acordo com a Norway Productions, empresa de Gene, para co-produzir Star Trek - mas só se a série fosse vendida a uma rede de televisão.
Então teve início à odisséia pelas "Três Grandonas" da época: CBS, ABC e NBC. Gene explicava como desenvolveria o projeto, descrevia seu potencial, os personagens e as aventuras - e recebia em troca um total silêncio. Por fim, frustradíssimo durante um encontro com executivos da NBC, ele explodiu:
"É como se fosse Caravana * para as estrelas!
* Caravana é o título em português da série de faroeste "Wagon Train".(N.T.)
Esse tipo de coisa eles conseguiram entender e Star Trek foi comprada pela NBC no final da primavera de 1964.
Dois longos anos se passaram antes de Star Trek virar série. Primeiro, um piloto de uma hora de duração foi desenvolvido do formato original. O roteiro foi escrito no verão e a USS Yorktown tornou-se a USS Enterprise. O capitão Robert April virou Robert Winter e, por fim, Christopher Pike. Ele ganhou uma tripulação além do sr. Spock, incluindo uma misteriosa primeira oficial mulher simplesmente chamada Número Um.
O sr. Spock mudou de meio-marciano, meio-humano para um híbrido vulcano/humano.
A nave e a tripulação possuíam lasers como armas e o teletransporte foi criado.
Franz Bachelin, o diretor de arte, e seu assistente Matt Jeffries elaboraram o visual da série e, especialmente, o visual da Enterprise (uma coisa interessante deve ser comentada: Franz era alemão de nascimento e piloto por seu país na Primeira Guerra Mundial. Matt Jeffries era piloto particular e co-pilotou um B 17 durante a Segunda Guerra Mundial. Gene também era um experiente piloto da guerra do Pacífico e um ex-piloto de companhia aérea.
Toda essa experiência com aviação fez da Enterprise um "pássaro" muito interessante).
Um velho amigo meu, William Theiss, impressionara Gene com suas criações e foi integrado à equipe como figurinista. E o inimitável Robert H. Justman foi o primeiro assistente de direção quando o primeiro piloto de Star Trek chegou aos estúdios da Desilu Culver, no inverno de 1964/65.
Foi quando a NBC rejeitou o piloto por ser "muito cerebral".
Mas os executivos também pressentiram que havia alguma coisa que poderia fazer da série um sucesso, e deram a Gene a ordem para realizar um segundo piloto, uma atitude sem precedentes na história da indústria televisiva. Samuel A. Peeples foi designado para escrever o roteiro do segundo piloto baseado na criação de Gene.
O ator Jeff Hunter declinou do papel principal e a procura por um novo capitão começou.
Os trajes mudaram em estilo e cor. O visual da nave também sofreu uma leve alteração e as armas tornaram-se feisers ao invés de laseres. Gene revisou seus personagens, com exceção do sr. Spock; e todo o elenco do seriado foi reescalado.
Depois de muitas considerações, o novo comandante da Enterprise passou a ser William Shatner como o capitão James R. Kirk (sim, James R. Kirk). O segundo piloto foi filmado no verão de 1965. Somente no início de 1966 é que a NBC deu seu consentimento definitivo para Star Trek decolar como série. (continuação de D.C.Fontana)
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Jornadas nas Estrelas - Episódios originais - Livro 1
Introdução por D.C. Fontana
Uma ilustração de William Rotzler pode ser vista numa das paredes de minha casa. Ela mostra uma mulher conversando com um homem. No tornozelo da mulher há uma algema com uma corrente, no fim da qual está a USS Enterprise (NCC1701). A legenda indica: "Ela me segue por todos os cantos". Isso, em síntese, é o efeito que, Star Trek tem em minha vida. Se eu pago alguma coisa numa loja com cheque ou cartão de crédito, geralmente o vendedor olha para o nome impresso, me olha e diz:
— Você é a D.C. Fontana?
— Ah... sim.
— De Star Trek?
— Isso mesmo. Vem em seguida (faça sua escolha):
(1) cumprimentos pelos roteiros que escrevi, (2) perguntas sobre o seriado ou seus atores, (3) o futuro do seriado (as esperanças não morrem), ou (4) perguntas de como ele/ela pode vender um roteiro para o seriado.
Freqüentemente a pessoa comenta que ele/ela cresceu assistindo Star Trek. Dependendo da idade da pessoa, isso pode significar que ele/ela é um fã de terceira ou quarta geração e viu a série através de suas inúmeras reprises e não quando originalmente exibida na tevê.
Um dos muitos fenômenos ligados à Série Clássica é que a série nunca deixou de ser reprisada. Em algum lugar do mundo Star Trek está sempre sendo exibida para uma audiência sempre fascinada.
Algumas vezes fico curiosa a respeito da tradução para outros idiomas. "Ele está morto, Jim" provavelmente é uma tradução fácil de fazer, mas referências mais técnicas devem representar maior dificuldade.
Sempre que uma emissora resolve tirar o seriado da programação os telespectadores, agitados, prontamente iniciam uma campanha de cartas em protesto até que as coisas voltem ao normal. O seriado original ainda recebe um grande número de cartas e muitas pessoas escrevem para dizer como Star Trek mudou ou influenciou suas vidas para melhor.
Certamente influenciou a minha.
Lembro do dia em que primeiro ouvi o nome Star Trek. Era a primavera de 1964 e eu era uma das secretárias de Gene Roddenberry na série de tevê The Lieutenant, da Metro-Goldwyn-Mayer. Sabíamos que The Lieutenant não seria renovada pela NBC e que Gene estava trabalhando na criação de uma nova série. Gene sabia que eu era membro da Associação de Escritores na época e que tinha alguns créditos como roteirista. Ele foi uma das pessoas que mais me encorajou a continuar escrevendo e a tentar carreira como escritora em tempo integral. Uma tarde, ele me entregou algumas folhas datilografadas e disse "É isso que estou imaginando para a próxima série. Quero saber o que você acha".
Levei o material para casa e li naquela noite. Não havia muita coisa escrita, mas a nave (então a USS Yorktown) destacava-se como um excitante veículo para as estrelas, capitaneada pelo jovem e enérgico capitão Robert April, auxiliado por um oficial de ciências chamado Spock, que era meio-humano e meio-marciano (sua pele era avermelhada nos primeiros rascunhos). Não gostei muito desse oficial em particular naquela época, mas estava impressionada.
Quando devolvi o texto no dia seguinte, disse para Gene: "Só tenho uma pergunta. Quem vai interpretar Spock?"
Jornada nas Estrelas - TSO - James Blish - Livro 1 ( Download )
sábado, 26 de julho de 2008
John Alvin 1948-2008






Alvin foi o responsável por inúmeros posters de filmes, todos inesquecíveis. Foram mais de 130 filmes em 35 anos de carreira. Prestamos homenagem ao seu talento e sua obra.
Site oficial
domingo, 1 de junho de 2008
A Enciclopédia de Duna

Snippets of poetry from the Imperium; a sample folk tale from the Oral History; brief biographies of over a dozen Duncan Idahos: two differing approaches to Paul MuadT)ib himself and to his son, Leto II; Fremen recipes; Fremen history; secrets of the Bene Gesserit; the songs of Gurney Halleck—these are just some of the treasures found when an earthmover fell into the God Emperor's no-room at Dar-es-Balat, and are now included in The Dune Encyclopedia.
Dozens of scholars have rushed into print with their translations of one or more of the ridulian crystals, and the popular press on many planets has been filled with hypothesis, conjecture, and outright fabrication. In the meantime literally hun¬dreds of scholars, ranging from anthropolinguists and cultural historians to professors of every facet of science, have been laboring quietly and patiently with the incredible amount of material left hidden by Leto II nearly eighteen hundred years ago.
The labors of the Library Confraternity have finally brought some order to the chaotic randomness of the no-room artifacts. While only a very small percentage of the extant material has been either unearthed or translated, and little has received any kind of scholarly evaluation, nonetheless enough,progress has been accomplished to present this initial volume of The Dune Encyclopedia. This book has been the work of literally dozens of scholars who have contributed their efforts so that readers on worlds from one end of the galaxy to another may finally have a clear, coherent picture of the legendary days of Paul Muad'Dib and his son Leto Atreides, known during his 3,500-year lifetime as the "God Emperor."
Readers of The Dune Encyclopedia should understand its limitations: it is not designed as a definitive study of the entire eras encompassed by the Atreides Imperium. Yet the thousands of descendants of Duncan Idaho and Siona Atreides can now, after the recovery from the deleterious effects of the Starvation and the Scattering, learn something of their ancestors and the conditions that produced the God Emperor. They may also become aware of the undercurrents that resulted in his Fall. However, if readers of this volume are searching for the formulae which cover the electronic intricacies of the Spacing Guild trans-light Ixian Navigational systems, they will be disappointed. This type of material already exists elsewhere and need not be duplicated on these pages. Rather it has been the aim of the editors and the Library Confraternity to present in this volume a broad spectrum of material concerning those events and people which shaped our present worlds.
In addition, we must also consider something of the eccentricities of Lord Leto, who was solely responsible for accumulating, assembling, and secreting what is now known as the Rakis Hoard. If Leto was interested in some topic, the material was saved. If he was not, its absence in the Rakis digs is obvious. Furthermore, if he was amused by some scrap of information, he preserved it, even though many contemporary scholars feel the information may well have been false or mislead¬ing in the first place.
We have made no attempt to separate Leto's truths from his foibles or to indicate which is which. Such judgments are best left to scholars or to the general reading public at whom this book is aimed. In addition, Leto assembled much material from the centuries post-dating the Butlerian Jihad, and we present some of it in this book, including newly discovered information about the hitherto legendary Jehanne Butler who gave her name to the jihad she so nobly led.
Thus some of the entries in The Dune Encyclopedia were written by people who actually lived at the time of Muad'Dib; others were prepared by contemporary scholars based upon older materials, and still other entries represent preliminary papers prepared by the many investigators at Dar-es-Balat.
Selection of the final material was most arduous, but the entire governing aim is to present as well-rounded a picture of the early days of the Atreides Imperium as possible.
I would like to acknowledge the specific contributions made to The Dune Encyclopedia by Gweteder Muarz and Kriteen Gwuutan, whose labors were singularly devoted. Professors Gwilit Mignail and Zhauzaf Kluursh contributed many hours to the book. Poet Rebeth Vreeb and her husband Rebeth Farnark were instrumental in helping sort out some of the voluminous material found in the Hoard and both gave unstintingly of their time and advice. In addition my husband Zhenaweev Benotto was both patient and long-suffering. I owe him more than words can say. All of these people caught many errors that would otherwise have crept into the pages of The Dune Encyclopedia, but final responsibility for the text must ultimately be my own.
HADI BENOTTO, Editor 15540
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The Matrix and philosophy - Irwin William

Contents
Introduction: Meditations on The Matrix
Scene 1
How Do You Know?
Computers, Caves, and Oracles: Neo and Socrates
WILLIAM IRWIN
Skepticism, Morality, and The Matrix
GERALD J. ERION and BARRY SMITH
The Matrix Possibility
DAVID MITSUO NIXON
Seeing, Believing, Touching, Truth
CAROLYN KORSMEYER
Scene 2
The Desert of the Real
The Metaphysics of The Matrix
JORGE J.E. GARCIA and JONATHAN J. SANFORD
The Machine-Made Ghost: Or, The Philosophy of Mind, Matrix Style
JASON HOLT
Neo-Materialism and the Death of the Subject
DANIEL BARWICK
Fate, Freedom, and Foreknowledge
THEODORE SCHICK, JR.
Scene 3
Down the Rabbit Hole of Ethics and Religion
There Is No Spoon: A Buddhist Mirror
MICHAEL BRANNIGAN
The Religion of The Matrix and the Problems of Pluralism
GREGORY BASSHAM
Happiness and Cypher's Choice: Is Ignorance Bliss?
CHARLES L. GRISWOLD, JR.
We Are (the) One! Kant Explains How to Manipulate the Matrix
JAMES LAWLER
Scene 4
Virtual Themes
Notes from Underground: Nihilism and The Matrix
THOMAS S. HIBBS
Popping a Bitter Pill: Existential Authenticity in The Matrix and Nausea
JENNIFER L. McMAHON
The Paradox of Real Response to Neo-Fiction
SARAH E. WORTH
Real Genre and Virtual Philosophy
DEBORAH KNIGHT and GEORGE McKNIGHT
Scene 5
De-Construct-lng The Matrix
Penetrating Keanu: New Holes, but the Same Old Shit
CYNTHIA FREELAND
The Matrix, Marx, and the Coppertop's Life
MARTIN A. DANAHAY AND DAVID RIEDER
The Matrix Simulation and the Postmodern Age
DAVID WEBERMAN
The Matrix: Or, The Two Sides of Perversion
SLAVOJ ZIZEK
The Matrix and philosophy - Irwin William [ Download ]
Iain M. Banks, a corrida espacial, Culture - entrevista

Iain M. Banks, ficou conhecido como uma das cabeças iluminadas da Ficção Científica (FC), através da sua saga"Culture", onde em um universo utópico, naves espaciais robóticas altruístas cuidam de humanos geneticamente aperfeiçoados, onde não falta nada e todos estão libertos das tarefas de uma vida normal para expressarem-se conforme queiram.
Banks, que também escreve não-ficção, encontrou inspiração para escrever FC, quando ainda era criança, por causa da corrida espacial.
CNN: Para alguém que escreve tanto FC quanto, na falta de uma palavra melhor, ‘mainstream’, qual é o interesse pela FC como um gênero?
Ian M.Banks: Acho que devido à liberdade que encontramos na FC, onde você pode basicamente ir para qualquer parte. Acho que há uma ligação muito próxima com o prazer que eu sentia ao ler FC quando jovem - quando você abre um livro de FC, especialmente os de contos, você simplesmente não sabe para onde será levado. Pode ser o passado, ou o futuro distante, pode estar no espaço, pode inclusive ser contado pelo ponto de vista de um alienígena. Eu amo esta liberdade. E é tão excitante para o escritor quanto para o leitor.
No ‘mainstream’ é mais ou menos como tocar piano. Um piano convencional é um instrumento fabuloso para se expressar, um instrumento clássico.
A FC é como um órgão reverberando dentro de uma catedral, você tem três teclados, não apenas um, você tem lingüetas, chaves para usar, tem um teclado extra nos pés, pode tocar como quiser! Não dá para ser sutil, como um piano é, e acho que existe um sentimento épico que é fácil de se achar na FC.
CNN: Que autores o inspiraram quando era jovem, aqueles que você se espelhou?
Banks: Imagino que os suspeitos de sempre, pois quando eu era jovem, caras como Heinlein e Asimov, mais provavelmente Arthur Clarke e Brian Aldiss um pouco mais. Ainda acho que Aldiss era para mim a maior influencia como escritor. Tinha um cara chamado Mike Harison, M John Harrison, que eu admirava muito, ele ainda está por ai, escrevendo coisas incríveis. Mas não há nenhuma grande surpresa, são as pessoas que se esperam. Sou péssimo com nomes. Dan Simmons, gostava dele, ele está muito bem hoje.
CNN: Uma coisa que nos chama atenção em seus livros é sobre a sua forma de escrever sobre tecnologia, é tão convincente. De onde tira suas idéias?
Banks: Acho que a maior parte são desejos realizados, para ser honesto. Algo que é ótimo em FC, especialmente o tipo que eu escrevo, é que não se trata de um futuro próximo, não é necessariamente plausível, é apenas imaginar ‘Não seria legal se fosse assim?’ . Não estou denegrindo, apenas não dá pra confundir com a realidade, sendo assim, está tudo bem.
Acho que é assim ‘Não seria legal se a responsabilidade moral fosse tirada de nós por máquinas incrivelmente inteligentes e espertas e estivéssemos livres para seguir como seres humanos dentro de uma estrutura moral benigna, e não seria bom se fossemos mais inteligentes?’ Esta é minha teoria particular, de qualquer modo.
CNN: Você gostaria de viver lá?
Banks: Com certeza, sim, oh, é o meu paraíso...sim, eu gostaria, absolutamente. Novamente, tem a ver com realização de um desejo. Nunca fiz um estudo, nunca tive uma resposta do que seria para a humanidade, o que seria a utopia pessoal de cada um. Esta é a minha. Eu penso nela, consigo me imaginar dentro dela - é absolutamente maravilhosa!
CNN: E como é ser um humanóide nesta cultura ?
Banks: Muito bom, com glândulas de drogas e orgasmos enormes e longos. Você pode trocar de sexo quando desejar, tem total controle sobre a dor, nem tem calos. Esta não é uma das minhas, mas de Ken MacLeod, meu camarada e também escritor de FC - ‘Um bom aperfeiçoamento no corpo humano, eu acho, seria não ter calos.’ então eu aproveitei...
CNN: Nesta sociedade sem necessidade de se abastecer, onde ninguém precisa fazer coisa alguma, você está removendo muito da batalha do dia-a-dia. Não estaria removendo também um ponto central de se viver?
Banks: Penso que muito desta batalha será algo sem sentido e apenas chata. A batalha por existir para a maioria das pessoas na maioria do tempo, especialmente em uma sociedade pós-agrícola e industrial, é um pouco desgastante. As pessoas precisam trabalhar e dedicam longas horas para ganhar pouco dinheiro. Se não for assim, você não consegue nada. A vida não tem lá tanta graça, francamente, então eu ficaria bem feliz de escapar desta batalha.
CNN: Quais os efeitos dos pousos na lua tiveram em você enquanto crescia?
Banks: Oh, a coisa toda teve um efeito enorme. Nasci em 54 e quando aconteceu, em 69, eu estava na idade certa para apreciar aquilo tudo. Já tinha idade suficiente para lembrar de JFK, em seu primeiro pronunciamento sobre como chegaríamos à lua, a coisa toda era bastante excitante. Eu adorava o SATURN 5 (o foguete lançador) e toda aquela tecnologia.
Foi triste a forma como a NASA lidou com a coisa toda até transformá-la em algo chato, as pessoas perderam o interesse e precisou que a Apollo 13 quase chegasse ao desastre para trazer novamente a atenção delas.
Todas estas advertências sobre como devíamos ter feito as coisas, antes de mandar pessoas para qualquer parte, mas ainda acho que valeu a pena. Voltar à lua deve ser o primeiro passo, depois Marte e então veremos.
CNN:Acha realmente que o futuro da humanidade está entre as estrelas?
Banks: Bem, é lá ou então em parte alguma. Acho uma insanidade ter a capacidade de sair do planeta e não usá-la. Ainda não temos nenhuma defesa real contra meteoros e cometas ou qualquer ameaça que venha a atingir o planeta. Você tem todos os ovos em uma cesta, somos sete bilhões em um só lugar, e somos potencialmente vulneráveis, algo grande pode vir e nos arrancar da face do planeta. Não parece loucura, parece? Sou de uma geração que não tinha comida industrializada, nem jatos e eletricidade à vontade e todas estas coisas nos eram prometidas - onde estão nossas cidades flutuantes, e naves espaciais e bases lunares e marcianas e por ai vai - mas sou um otimista, ainda acho que chegaremos lá.
Mas estamos tornando a vida mais difícil para nós neste momento, com toda esta coisa do aquecimento global e toda a bobagem associada. Veremos, acho que continuaremos errando. Seria ótimo se pudéssemos gastar um pouco menos com os militares e mais com a exploração espacial: dirigir fundos para algo que valesse a pena ao invés de desenvolver novas maneiras de nos matar.
CNN: Um dos aspectos mais atraentes desta sua sociedade é que não há necessidade de gerar matéria prima, ninguém tem fome, todos tem roupas. Acha que é da natureza humana construir uma sociedade assim?
Banks: Indiscutivelmente não. É por isso que não somos nós. Eu pensei muito nisso antes de publicar os livros e decidi que não seria nosso futuro, mas seriam humanóides, poderiam se passar por nós, por que não estou bem certo o que somos. É algo bem pessimista de dizer, que somos ligados à guerra e a destruição, e a tortura e o racismo, e o sexismo - todas estas coisas horríveis, esta xenofobia - devemos ter um gene xenófobo. Penso que deveríamos modificarmos-nos geneticamente, francamente - se pudéssemos identificar aquela pequena parte que causa tudo isso, nós poderíamos eliminá-la e assim sermos pessoas melhores.
CNN: Se existe um elemento desta sua sociedade (Culture) que você pudesse passar à humanidade, qual seria?
Banks: Oh caramba! Certamente não seria o envelhecimento lento e o potencial de nunca morrer, por que isso seria desastroso, pode estar certo que os ricos iriam querer ter isso apenas para eles, ninguém mais poderia ter acesso.
Talvez as glândulas de drogas. Não pela razão trivial que permitiria você ficar chapado sem ter que pagar por isso o tempo todo, mas se você tivesse realmente boas drogas que pudesse fabricar dentro de seu corpo, somente pensando nela, resolveria todos os problemas com as drogas: você teria um entorpecente melhor do que cannabis, muito mais excitante do que crack ou cocaína e muito mais prazerosa do que heroína.
Mas enquanto isso, sendo como somos, devemos passar nossas vidas intoxicados, caídos por ai, vendo a civilização deteriorar-se. Não é o que eu queria, francamente. Eu preferia não ter calos.
Entrevista concedida a Linnie Rawlinson da CNN durante o festival do livro de Lincoln.
Saga 'Culture' - oito livros [ Download ]
Barbarella em quadrinhos - Jean-Claude Forest

Jean-Claude Forest nasceu em 1930, em Perreux, Franca. Um pintor, ele expunha na Galeria Schimdt em Paris, em 1965. Barbarella era entendida originalmente como brincadeira, feita para apreciacao particular de Forest e seus amigos, mas acabou um sucesso imediato junto ao público francês e depois em muitos outros países europeus e nos Estados Unidos. Forest atualmente está ocupado em fabricar novas punições - e recompensas - para sua bela heroína.
"Duas formas de arte, os quadrinhos e o nu feminino - uma com apenas meio século de idade, a outra só uma hora mais jovem que a humanidade - se juntam num Bang! em Barbarella luxuriosamente imaginada e liquidamente desenhada pelo francês Jean-Claude Forest... Em sua mistura de ficção científica e espirituosa mitologia, alucinação luminosa e perverso melodrama, Forest alcancou uma mutação da imaginação; criou em Barbarella a apoteose do erotismo." - Playboy.
Barbarella, com seus cabelos longos e nome sonoro, seu rosto de bebê e desdem por se vestir desnecessariamente, se descobre no planeta Lythion, onde fez um pouso forçado depois de viajar sozinha pelo espaco em seu foguete. Ela é uma criatura do futuro, que é confrontada com os monstros e robôs do estranho planeta, no qual é posta à prova vez após outra. Ela pune o mal em todas as formas em que o encontra e recompensa, do seu jeito particular, todos os belos homens que encontra durante suas aventuras. E, seja enfrentando sádicos, ou disparando sua arma de raios em monstros gelatinosos, ela nao parece evitar perder, parte de ou todo, seu apertado traje espacial.
Barbarella em quadrinhos [ Download ]
Considerações sobre escrever Ficção Fantástica por H.P. Lovecraft
Arkan23
A razão de escrever histórias é dar para mim mesmo, a satisfação em poder visualizar mais claramente e detalhadamente, aquela vaga,ilusória e fragmentada impressão do fantástico, do belo, e experimentar o excitamento que transmitem-me certas coisas (cênicas, arquitetônicas, o clima, etc), idéias que ocorrem e imagens com que nos deparamos, na arte e na literatura.
Eu escolhi o gênero fantástico pois é o que melhor se encaixa com minhas inclinações - um dos meus desejos mais persistentes e intensos é criar momentaneamente, a ilusão de uma estranha suspensão ou violação dos limites do tempo, espaço e das leis da natureza, que sempre nos aprisionam e frustram nossa curiosidade sobre o infinito dos espaços cósmicos, além do raio de alcance de nossa visão ou análise. Estas histórias freqüentemente enfatizamo elemento do horror por que o medo é nossa emoção mais forte e profunda, e a que melhor se permite criar ilusões sobre outra natureza desafiadora.
O horror e o desconhecido ou o estranho estão sempre conectados, de forma que é difícil criar uma imagem convincentearrancada de uma lei natural ou de um espaço alienígena ou fora deste mundo, sem usar da emoção do medo. A razão pela qual o tempo interpreta um papel importante em muitos dos meus contos é por que este elemento tece em minha mente como a mais profunda e dramática e inflexivelmente força do universo.
Conflitos com o tempo me parecem o mais potente e frutífero tema de toda a expressão humana.
Como a minha escolha, por uma forma de escrever ser tão obviamente especial e restrita, não é menos um tipo de expressão tão velha quanto a própria literatura. Sempre houve uma pequena porcentagem de pessoas que sentem uma ardente curiosidade sobre o desconhecido, um desejo de escapar da casa-prisão, do que é conhecido como real, para estas terras encantadas de aventuras incríveis e infinitas possibilidades, que os sonhos nos oferecem, coisas como densas florestas, torres urbanas fantásticas e que fulgurantes ocasos momentaneamente nos sugerem.
Estas pessoas incluem grandes autores, como também insignificantes amadores como eu mesmo -Dunsany, Poe, Arthur Machen, M. R. James, Algernon Blackwood, e Walter de la Mare são mestres neste campo.
Cada história que escrevo é diferente da outra.
Uma vez ou outra eu escrevo sobre um sonho, mas usualmente eu costumo começar com uma sensação, uma idéia ou uma imagem que tento expressar e que só se resolve na minha cabeça quando consigo pensar em uma boa maneira de dar corpo a ela, dentro de uma cadeia de acontecimentos dramáticos, capazes de serem descritos em termos concretos.
Costumo me utilizar de uma lista mental, de condições básicas ou situações que melhor se adaptam a esta sensação, idéia ou imagem, e então começo a especular logicamente e sobre explicações naturalmente motivadas por aquela sensação ou idéia ou imagem, em termos da condição básica ou da situação escolhida.
O processo de escrita, é claro, varia conforme a escolha do tema e do conceito inicial, mas se analisarmos todas as minhas historias será possível perceber que seguem uma lista de regras em sua maioria.Preparo uma sinopse ou cenário de eventos, na ordem das ocorrências - não necessariamente na ordem da narração.
Descrevo cobrindo todos os pontos vitais e determino todos os incidentes planejados. Detalhes, comentários e as conseqüências são desejadas neste esboço. Preparo uma segunda sinopse, desta vez na ordem da ocorrência, com mais detalhes e mais notas, mudando a perspectiva, criando o clímax.Mudo então a sinopse original para se adequar, se uma mudança for criar uma ocorrência dramática intensa e efetiva na história.
Insiro ou retiro incidentes à vontade - nunca estando preso à concepção original, mesmo se o resultado final seja uma história totalmente diferente daquela primeiramente planejada.
Agora escreva - rápida e fluentemente e não de forma crítica - seguindo a segunda sinopse. Mudo a trama sempre que o processo de desenvolvimento parecer sugerir tal mudança, não se prendendo a nenhum desenho prévio. Se o desenvolvimento revelar novas oportunidades para efeito dramático, volte depois para reconciliar as partes antigas com o novo plano.
Insira e retire seções inteiras se necessário ou desejável, tente inícios e términos diferentes, até encontrar aquele que melhor se apresente.
Mas certifique-se que todas as referências sejam reconciliadas com o desenho final.
Remova palavras desnecessárias, sentenças e parágrafos ou mesmo elementos, observando a precaução de sempre conciliar as referências.
Revise o texto inteiro, prestando atenção ao vocabulário, a sintaxe, o ritmoda prosa, a proporção das partes, harmonize refinadamente, de forma convincente as transições (cena a cena), certifique-se do início, do fim, dos climaxes, etc., garantindo suspense dramático, o interesse, a plausividade e atmosfera, e vários outros elementos. Prepare uma cópia limpa (próxima do apresentável) mas não hesite em acrescentar seus toques e revisões onde achar preciso. O primeiro desses estágios é sempre puramente mental - um cenário de condições e acontecimentos na minha cabeça, e que nunca se fixam até eu estar pronto para preparar uma sinopse detalhada de eventos na ordem da narração. Também, por vezes, começo a escrever antes que saiba como vou desenvolver aquela idéia - este inicio cria um problema para ser explorado.
Existem, penso, quatro tipos de histórias fantásticas, uma expressa um sentimento ou sensação, outra expressa uma concepção pictorial, a terceira expreessa uma situação geral, uma condição, lenda ou concebida intelectualmente e a quarta um quadro bem definido ou uma situação dramática ou um clímax.
Estes contos podem ser categorizados em dois tipos, aquele em que se mostra pelo terror, devido a algum tipo de condição ou fenômeno e aqueles em que existe uma ação por parte dos personagens, em conexão com uma condição bizarra ou um fenômeno.
(continua...)
Ler a versão em espanhol do site Malacandra
sábado, 31 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Artes intersticiais, New Weird e Ficção Científica Mundana
Nunca houve um tempo melhor do que este para se escrever Ficção Científica.
(Michael Swanwick)
Sendo assim, vamos focar em 3 movimentos literários que são hoje, os mais novos.
Somente uma pequena fração dos escritores conhecidos pertence a estes grupos, mas seus conceitos são representativos, pois tem algo a dizer sobre os dias de hoje.
ARTES INTERSTICIAIS
As artes intersticiais foram criadas por Ellen Kusher, que é prolífico em criar movimentos literários (este é o terceiro, se formos contar o Mannerpunk e Young Trollopes). Como o site oficial diz:
"O que são artes intersticiais? É a arte feita dos interstícios entre gêneros e categorias. O tipo de arte que floresce nas fronteiras entre disciplinas distintas, meios ou culturas. É uma arte que cruza barreiras, feita por artistas que se recusam a serem rotulados por categorias... Como na natureza, as maiores áreas de biodiversidade ocorrem nas margens entre ecossistemas; acredito que alguns dos trabalhos mais vitais, inovadores e desafiadores podem ser encontrados nestas margens, entre categorias, generos e disciplinas."
Por estes trabalhos serem tão difíceis de se classificar, quase sempre geram incompreensão em uma cultura que se tornou enormemente dependente de comprar e vender arte através de rótulos. Obras literárias que atravessam estas barreiras, por exemplo, que conscientemente mesclam orientações e temas, são classificadas de um jeito ou de outro, e são criticadas de acordo com os termos de sua classificação - ao invés dos próprios termos - em detrimento do trabalho
Nos anos recentes, pequenas editoras publicaram várias antologias dedicadas ao que podemos chamar de histórias não-exatamente-FC; quase todas têm um nome próprio para isso - slipstream, new wave fabulists, cross-genre, e todos me dizem que estas histórias são mais difíceis de vender do que digamos, Asimov, que tem muitos leitores, já que tantos escritores novatos estão tentando conquistar o público.
Se você ainda está um pouco confuso sobre o que são as artes intersticiais, então seja bem vindo ao clube.
Poucos anos atrás, estive na primeira conferência de artes intersticiais, e lá eles eram persistentemente indagados por críticos pouco amigáveis, e nenhum deles sequer conseguiu uma definição.
A Fundação de Artes Intersticiais recentemente publicou sua primeira antologia, Interfictions - e ainda é cedo para dizer como os leitores vão reagir a isso. Todavia, este desejo por parte dos escritores de expandir seus limites é a maior tendência na atual ficção científica. Com ou sem um movimento organizado, parece que vieram para ficar.
NEW WEIRD
O estilo New Weird é uma criação de M.John Harrison, cujos livros da serie Viriconium foram os ancestrais do movimento. Um exemplo é o escritor China Mieville, com seu livro 'Perdido Street Station', um hit da FC, igual a 'Neuromancer' de Gibson, ou 'Snow Crash' de Neal Stephenson.
A ação se passa
'Algo está acontecendo na literatura fantástica. Uma fuga. Uma liberação. E a qualidade surpreende. Noções estão se partindo e se unindo interna e externamente, através de fronteiras. Particularmente na Inglaterra, onde somos resenhados nos jornais, e vendemos e somos lidos e reescritos por outros escritores. Estamos escrevendo livros despreocupadamente, ignorando limites entre FC, fantasia e horror. Justina Robson, M. John Harrison, Steve Cockayne, Al Reynolds, Steph Swainston, para mencionar alguns escritores, e, apesar de todas nossas diferenças, compartilhamos algo. E vindos de outras áreas, escritores como Toby Litt e David Mitchell utilizam as armadilhas da FC com reverência e facilidade, que há muito se perderam no panorama condescendente literário.
O que isso tem em comum com as artes intersticiais é o descontentamento com os gêneros atuais e uma indisposição para respeitar seus limites. O que o faz radicalmente diferente das artes intersticiais é que não existe o desejo de se expandir através da fantasia, da FC e do horror. O New Weird simplesmente pretende quebrar todas as divisões, os muros entre gêneros e reformular o aspecto da ficção. Sem nenhum desejo de se tornar uma tendência.
Isso reflete um desejo poderoso por contemporaneidade de se escrever FC e ser mais estranho e intenso do que o que temos hoje. Escrever, em resumo, uma ficção que tem tudo que gostamos e ainda algo mais.
A antologia de New Weird, intitulada apropriadamente de 'The new weird anthology', foi editada por Jeff Vandermeer, que foi um crítico do movimento no princípio e depois foi vencido por ele. Vai ser lançada em 2008.
FICÇÃO CIENTÍFICA MUNDANA
A Ficção Científica mundana é o mais novo dos movimentos e o que menos tem para mostrar. Ninguém o levaria a sério a não ser por dois motivos: o primeiro é por ser uma criação de Geoff Ryman, mais conhecido por 'The unconquered country', 'The child garden' e aquele que foi nosso livro predileto de 2004, 'Air'. O segundo é um ótimo argumento:
"Toda aquela história de viagens interestelares é muito improvável. Warp drive, buracos de minhoca e outras formas de se viajar além da velocidade da luz é mais realização das fantasias do que um especulação séria sobre um futuro possível. A viagem interestelar pode nos levar à ilusão de um universo abundante em mundos hospitaleiros, iguais à Terra. Isso é inverossímel. Este sonho de abundância pode encorajar uma atitude de desperdício com a abundância que temos aqui em nosso planeta."
Existem outras trivialidades da FC que os Mundanos rejeitam, incluindo civilizações alienígenas e inteligência artificial. Significa que, para que a FC se torne uma influência positiva para o mundo, eles pretendem escrever apenas histórias que possam se passar aqui, de um futuro promissor e que podemos ter, ao invés daquele que gostaríamos de imaginar ser possível . Seria legal tomar um gole de vinho alienígena a beira de um antigo canal de Marte com a princesa marciana, dizem. Mas isso simplesmente não vai acontecer.
O ponto interessante a respeito dos Mundanos é como vários escritores respondem com ojeriza a esta retórica, enquanto concordam com suas premissas. Um dos comentários que se fazem sobre este fenômeno é que os Mundanos fazem objeção não à liberdade de brincar com a imaginação, mas ao que chamam de 'third-hand fiction' - histórias escritas por pessoas que, por não terem idéias próprias, criam imitações da FC do tipo que gostavam de ler quando eram jovens. Os mundanos ainda não montaram uma antologia própria, mas um número futuro da Interzone será dedicado a eles.
Então, são três movimentos, um tenta levar a FC além dos limites que tradicionalmente a definem, estabelecendo-se dentro daquilo que chamamos de mainstream. Outro pretende ficar dentro de seus limites, mas criando um híbrido mais vigoroso entre FC, fantasia e horror. O terceiro quer concentrar a FC dentro de conceitos mais tradicionais, o futuro será como atualmente somos.
E o que todos eles têm em comum?
http://floggingbabel.blogspot.com
http://www.interstitialarts.org/wordpress/
http://interfictions.blogspot.com/domingo, 27 de abril de 2008
Ficção Científica às cegas - Parte 2/2

Stross e Doctorow estão sentados do lado de fora no bar do hotel Chequers em Newbury, uma pequena cidade a oeste de Londres.
O hotel está repleto por uma espécie distinta de fãs de FC, membros de um grupo chamado Plokta (Press lots of keys to abort = ‘Pressione um monte de botões para abortar’)
Stross e Doctorow só se encontraram quatro vezes, mas possuem a intimidade confortável de amigos de longo tempo, o que só é possível na era do email. (Escreveram juntos inúmeras e aclamadas histórias e romances muito antes de se conhecerem pessoalmente.)
Stross, 39 anos, natural de Yorkshire, mora em Edinburgo, parece uma mistura de monge Shaolin e um balconista barbudo de uma videolocadora, com a cabeça raspada - exceto por um rabo de cavalo.
Doctorow, um canadense de 33 anos, parece um jovem escritor de moda, jaqueta de couro e óculos fashion, também ao modo dos geeks, com um laptop G4 (Mac) sempre à postos.
Parecem ter o mesmo background, Stross trabalhou nos anos 90 como desenvolvedor de software para duas firmas 'dot-com' inglesas; então virou jornalista e começou a escrever uma coluna sobre Linux para uma revista de computadores. Doctorow, que recentemente se mudou para Londres, saiu da faculdade aos 21 anos direto para seu primeiro emprego como programador, começou uma empresa 'dot-com' e foi co-fundador de um conhecido blog sobre tecnologia, o Boingboing.net.
Apesar de estarem já a algum tempo longe da programação, isso continua a influenciá-los e a infectar suas idéias.
No Chequers, Doctorow menciona o título original de um de seus romances, uma história sobre um filtro de spam que se torna inteligente e tenta comer o universo. 'Pensava em chamá-lo de /usr/bin/god ''Genial.' diz Stross."Há um público que sabe que /usr/bin significa o repositório para programas Unix e que god (Deus) seria o nome do programa, mas parece um pouco abstrato para o restante do público.
Esta tendência pode tornar difícil para um leitor desavisado de Stross; para compreendê-lo, as pessoas precisariam de uma overdose de Slashdot (um blog que se auto-intitula 'Notícias para Nerds'). Ainda assim, é esta fluência em computação que permite a estes escritores se aproximarem tanto, do futuro.
'Stross e Doctorow são os tipos certos para isso, com a cabeça cheia de bits' disse o romancista Bruce Sterling, um dos ciperpunks original.
Nesta tarde de sábado, o pessoal do Plokta convergiu para o bar, para trocar idéias e opiniões. Alguns sacaram seus laptops para aproveitar do hotspot Wi-Fi (área de banda larga de internet sem fio)local.Eles me lembraram o que acontece quando Manfred Macx, um personagem de 'Accelerando', chega em uma nova cidade no início do livro:o seu traje-computadorizado começa a trocar dados e ele pensa 'ah, a banda (internet) daqui é boa'. Eu me sinto mais como Donna, a jornalista da Field Circus, aproveitando um belo dia de conversas e drinques, questionando sobre a Singularidade.
Na mesa do bar com Stross e Doctorow, tiro vantagem de uma rara pausa na conversa para perguntar:'Será a Singularidade o evento mais notável da história humana?
'Numa resposta em dupla, os dois revolucionários dizem que será como o nascimento de uma linguagem, o ocaso da agricultura; mas logo concordam que a Singularidade irá muito além de tudo isso em intensidade.
'A singularidade é bem termonuclear em sua finalidade' diz Doctorow 'É apocalíptica, no sentido exato da palavra'.
A dramatização de Doctorow é fácil de digerir perto do que Vinge diz da Singularidade:
'Logo depois dela ocorrer, a era humana chegará ao fim. A Singularidade marcará o início da era 'pós-humana'.
Vinge espera que a Singularidade ocorrerá quando a inteligência da máquina sobrepujar a dos homens. A vida na Terra sempre avançou por simulação e adaptação, pondera. A vida animal conseguiu sua evolução desta forma. Os homens são os únicos animais que aprenderam a fazer isso mais rápido, através da solução de problemas. Uma máquina sapiente o fará ainda mais rápido.
Há uma sensação de expectativa do Plokta enquanto Doctorow se prepara para entrevistar Stross na sala de conferência da Chequers. Esta entrevista de escritor-para-escritor é um dos pontos altos da semana: duas das mentes mais avançadas dentro da FC trocando idéias livremente entre eles e a audiência, discutindo sobre tudo, desde o progresso da inteligência artificial até as tênues relações entre FC e a ciência em si.
Doctorow destila esta última questão com uma simples pergunta:
'Frankenstein seria um romance melhor se Mary Shelley usasse de detalhes biológicos corretos?'
Debatem por um pouco, então Stross sugere: 'Talvez ela estivesse correta - para seu tempo.'
Escritores de FC costumam dobrar as leis da física em prol da história, algumas vezes, Einstein que se dane, você precisa viajar mais rápido que a luz para que nosso herói consiga atravessar a galáxia de uma ponta a outra. Mas o comentário de Stross sobre os escritos de Shelleyse aplica diretamente àqueles que escrevem sobre a Singularidade: tentam ser acurados o máximo que conseguem ser em relação ao seu tempo, extrapolando tendências atuais.
Doctorow diz que só trapaceia se for forçado pela narrativa. Em 'Down and Out', por exemplo, quando as pessoas precisam ser restauradas de suas cópias de backup, os doutores baixam seus cérebros para corpos recém-clonados. A idéia de clones instantâneos é quase mágica, (na realidade clones começam como embriões e crescem até a fase adulta em tempo normal), mas o invento não funciona e permite que um personagem recentemente assassinado volte à sua velha vida para encontrar seu assassino.
O respeito pela precisão é algo natural para os geeks, mas também é um jeito de evitar aquilo que Doctorow chama de 'correções pedantes' dos fãs, que são tão exigentes quanto leais.
O escritor Larry Niven sabe disso mais do que todos. Durante a convenção mundial de FC de 1971, estudantes do MIT protestaram contra a física usada no livro Ringworld gritando:
'O Ringworld é instável!'
Stross, Doctorow e seu público não se limitam aos seus próprios interesses ou mesmo à tecnologia. Para eles, escrever textos futurísticos de FC não significa ter que entender relatividade ou estimar com proximidade a área de superfície de uma vela solar capaz de impulsionar uma espaçonave à metade da velocidade da luz.
O resultado desta obcecada atenção por detalhes gera idéias fabulosas.
Greg Egan, um cientista de computadores e escritor, é um dos inovadores da ficção sobre Singularidade e desenvolveu uma teoria inteiramente nova de cosmologia para este universo pós-Singularidade em seu livro 'Schild's Ladder'. Ele a chama de Teoria Quantum Gráfica, e seu trabalho deixou alguns de seus colegas escritores, alguns deles físicos, confusos, coçando suas cabeças. (Stross brinca dizendo que Egan, pode ser na verdade uma inteligência artificial, pois ele se recusa a dar entrevistas com medo de ser desmascarado no teste de Turing.)
'Apeals Court', uma história que Stross e Doctorow co-escreveram, se passa nos pântanos da Flórida, que sofreram reengenharia para gerar energia. 'Accelerando' é tão densamente tecnológico quanto a FC permite. Numa das passagens, Amber, a filha de Manfred Macx, recebe um pacote de seu pai há muito tempo desaparecido. O entregador da FedEx utiliza um seqüenciador de DNA rápido para que o pacote se abra e revele uma impressora 3D baseada nos condensados Bose-Einstein, uma forma altamente instável de matéria, citada primeiramente em 1995.
É uma técnica clássica de FC: Enquanto os físicos estão ocupados em descobrir uma maneira de criar e manipular esta forma de matéria e publicar seus resultados em ensaios, Stross se debruça sobre seu laptop em seu escritório, buscando artigos sobre estas idéias, concebendo o que aquele trabalho pode vir a criar em 20, 30 ou 100 anos.
Então, estes escritores estão predizendo o futuro ou apenas se divertindo inteligentemente?
Quando perguntei a Vinge, o poderoso-chefão da ficção, sobre a Singularidade, ele parafraseou Robert Heinlein:
(FC é uma grande e incestuosa família. Joan Vinge, ex-esposa de Vernor também é uma escritora de FC; então, sempre que você faz uma pergunta para um escritor, ele ou ela sempre lhe dará a resposta de outro.)
'Se você tiver 1000 macacos escrevendo FC, Heinlein disse, alguns deles poderão estar certos'.
As boas histórias, Vinge acrescenta, deveriam ao menos prover indicações úteis sobre o futuro.
'Ler uma história bem escrita de FC é como executar uma simulação com algum tipo de regra geral. Quando algo fica claro é como se pudéssemos dizer "olhe, este é um pré-sintoma do cenário Z." Então, você fica imediatamente ciente das possibilidades vindouras.
'Em 'Accelerando', as primeiras criaturas a receberem 'uploads' não são humanos, e sim lagostas. Stross disse que teve esta idéia a partir de um artigo de um grupo de cientistas da universidade de San Diego, que criou uma versão eletrônica funcional de uma pequena parte do cérebro de uma lagosta californiana. Stross resume o material publicado da pesquisa para mim, mas diz que não sabe o seu desenrolar.
Parte de mim, confesso, pensa que ele está exagerando, criando uma história como base para o seu trabalho.Poucos dias depois, volto para New York e encontro na internet as pesquisas dos caras de San Diego; pergunto a Stross se são os mesmos de quem ele me falou.
Sigo por um link desta pesquisa, faço perguntas e, algumas horas depois, um físico deste grupo, Henry Abarbanel, me liga. Ele está empolgado, mas também um pouco confuso.
Empolgado por seu trabalho em grupo ter inspirado um romance de FC, perplexo por que ele não consegue perceber uma referência de sua pesquisa na história, apesar de existirem várias referências a lagostas.Falamos um pouco sobre FC em geral: ele era um fã de Asimov quando criança;e então Abarbanel explica o que ele e seus colegas estão fazendo com estas lagostas.
A pesquisa, liderada pelo biólogo Allen Selverston, se concentra na lagosta californiana, porque apenas 14 neurônios são responsáveis por uma área do processo gástrico.
O número de neurônios é incrivelmente pequeno, o que faz com que esta área sirva como modelo. Ainda assim, entender a neurobiologia destes neurônios não é fácil.
Custou a Selverston 25 anos de estudos.
Então Abarbanel e seus colegas precisaram de mais dois anos para entender como recriar este sistema eletronicamente.Também é um trabalho difícil:
Abarbanel compara a ter todas as partes de um 747 no chão de um hangar sem o manual de instruções e tentar juntar as peças e construir um avião.
Tudo isso para simular apenas 14 neurônios.
Uma tarefa simples se comparada a simular os milhares de neurônios que compõem um cérebro humano.Naturalmente, imagino que Abarbanel iria rir sobre a idéia de 'uplodar' uma mente humana.
Mas isso não impede Stross de dar saltos em sua imaginação.
'Francamente, diz Abarbanel, não considero isso uma loucura. Mesmo que isso leve 5, 10 ou 500 anos, não tenho dúvida de queum dia descobriremos como fazê-lo'.
Esta nova tendência na FC, imagino, como todas as melhores que antes vieram, não se trata somente de predizer o futuro ou incrementar uma 'agenda' ou mesmo se trata daquele velho entretenimento com tecnologia.
É tudo isso mas também sobre explorar os limites do possível, construindo mundos distantes e povoando-os, trazendo estas grandes idéias à realidade, ao nosso mundo'.
'É o que supostamente se faz com a Ficção Científica, diz Abarbanel. Fazemos uma extrapolação absurda em magnitude, além daquilo que hoje podemos fazer e se não conseguimos fazê-lo é por que não podemos chegar lá'.
Gregory Mone (Popular Science, 2004) autor do livro 'The Wages of Genius'.
Charles Stross - Accelerando [ Download ]
Charles Stross - Singularity Sky [ Download ]
Cory Doctorow - Down and Out [ Download ]
Ficção Científica às cegas - Parte 1/2
Ficção Científica às cegas - Parte 1/2
Assombrados com a velocidade com que a tecnologia avança, uma facção de escritores (geeks de carteirinha) acredita que nosso mundo irá mudar tão radicalmente que prever o que está por vir é quase impossível.
Estamos por volta do ano 2030 e temos muito tempo para matar. Os três membros da tripulação, Boris, Pierre e Su Ang, estão sentados no bar, uma sala de paredes de madeira, decorada como um pub de 300 anos
Ah sim, a Singularidade. Uma palavra bastante real, apesar de ter sido tirada de um romance, 'Accelerando', de um escritor britânico chamado Charles Stross. A idéia foi concebida por Vernor Vinge, um cientista de computadores e escritor de ficção científica, professor emérito da universidade de San Diego. Segundo Vinge, vivemos um período sem precedentes tecnológica e cientificamente na história. Em algum momento, a convergência de campos como a inteligência artificial e a biotecnologia levará a humanidade a uma mudança sem precedentes. No momento seguinte ao acontecimento da Singularidade, o mundo será tão diferente daquele que conhecemos quanto hoje nos parece a idade da pedra.
Quatro anos atrás, diz Pierre. Su Ang vota em 2016. Mas Boris, o bebedor de medusas, diz que a noção da Singularidade é tolice. Para ele, tal coisa não aconteceu.
Espere um minuto, interrompe Su, estamos aqui viajando em uma espaçonave do tamanho de uma lata de soda limonada. Deixamos nossos corpos para trás, poupando espaço e energia necessários para que a Field Circus, movida a vela-laser, possa viajar mais rápido. Nossos cérebros foram 'uplodados' e nós vivemos eletronicamente dentro de pequenos nano-veículos espaciais. O pub aqui, assim como outros ambientes, é virtual, para que nós não soframos o choque da privação sensorial. E você me diz que a idéia de uma mudança fundamental na condição humana é tolice?
'Accelerando' é a história de três gerações de uma família disfuncional vivendo na Singularidade.
O que faz o romance pouco usual não é o tamanho da nave ou os estranhos coquetéis ou mesmo a metáfora sexual - uma transferência do código-fonte culmina em um coito - mas o fato de que Stross tem a intenção de imaginar nosso, relativamente próximo, futuro.
Este é um ato de coragem, por que a moderna ficção cientifica está passando por uma crise de fé.
A última safra de histórias, na maioria, embarcou no caminho da fantasia (elfos e magos), história alternativa e space-operas sobre civilizações interestelares do ano 12.000 (que tipicamente tratam sobre como estas civilizações se envolvem umas com as outras).
Apenas uma pequena parte de tecno-profetas está atenta a extrapolar as correntes mais comuns e imaginar como parecerá nosso mundo nas próximas décadas.
'Estamos parados em um nevoeiro, diz Stross, não sabemos para onde estamos indo, só que estamos indo bem rápido.'
Os lendários Arthur Charles Clarke, Isaac Asimov e Robert Heinlein ainda parecem soberbos. Clarke levou a humanidade a alcançar os céus com sua visão de satélites de comunicação, elevadores espaciais e estações espaciais giratórias. Asimov mudou nossa perspectiva sobre encher nossos lares com robôs que limpam, cozinham e algumas vezes se viram contra seus donos. E, com suas empolgantes aventuras espaciais, Heinlein nos levou para galáxias distantes e civilizações futuras. A época de ouro da FC, que durou dos anos 40 aos 50, inspirou gerações de jovens a se tornarem astronautas, físicos e engenheiros, a tentar tornar reais algumas daquelas histórias.
(E alguns destes jovens ainda prestam reverência a suas raízes: A NASA por exemplo, algumas vezes se utilizam de escritores de FC como consultores.)
Em uma feira de FC em Boston, meses atrás, vi à venda diversas reimpressões de clássicos da FC da época de ouro, mas também encontrei quadros de pessoas seminuas em cenas de batalhas contra dragões, vendedores de cristais e um músico de folk se preparando para um recital. Onde estava a ciência da Ficção científica? O que houve com aquela história de antecipar o futuro?
A antropóloga Judith Berman, que recentemente escreveu um artigo sobre FC, deu uma resposta terrível para estas perguntas.
'A maioria das histórias modernas é nostálgica e tratam com prudência e pouco entusiasmo as novas tecnologias. Ainda assim, existe ainda muita gente excitada com a visão da Singularidade de Vinge, mas esta mudança ainda está a caminho, científica e tecnologicamente. A cosmologia está passando por revisões fundamentais, a genética oferece, aos pesquisadores, as ferramentas para reconstruir os blocos da vida e a nanotecnologia, muito recentemente, deixou de ser uma fantasia para virar realidade.'
'Muitas linhas de progresso estão convergindo', diz o físico e editor da revista Analog Stanley Schmidt. 'Se você se fixa em apenas uma dessas linhas, você não irá entender como outra delas pode afetá-lo.'
Este novo tipo de futuro exige uma nova espécie de guia, como Stross, cujo primeiro romance 'Singularity Sky', foi indicado para o prestigioso prêmio Hugo, ou suas freqüentes colaborações com Cory Doctorow, que em 2000 ganhou o premio Campbell como melhor novo escritor de FC.
Ambos são programadores de computador por formação.São geeks. Eles acompanham o que acontece na ciência e na biotecnologia, sem esquecer de mencionar política e economia. E eles elegeram a Singularidade como a idéia que simboliza a 'nova descoberta' da nossa era. Se suas histórias irão dar vida a uma nova época de ouro ou inspirar uma nova geração de sonhadores ainda veremos, mas seu foco é pertinente.
'Agora mesmo, vivemos um tempo excitante por que existe uma explosão de descobertas na biologia, na astronomia, física, por toda parte.' diz David G.Hartwell, o editor-senior da Tor Books. 'E Doctorow e Stross são os escritores que estão mais ligados a isso tudo.'Ficção Científica às cegas - Parte 2
Por que a Ficção Científica Brasileira é invisível e marginalizada?

Marcello Simão Branco - 16/04/2008
Creio ser interessante iniciar esta conversa procurando responder ao título provocativo de um artigo do crítico e escritor Fausto Cunha, intitulado: “A Ficção Científica no Brasil – Um Planeta Quase Desabitado”.
O texto, publicado no livro 'No Mundo da Ficção Científica', do professor universitário americano L. David Allen, em 1975, faz uma recapitulação das origens do gênero no Brasil, situando-o como de importância marginal na literatura brasileira e intermitente quanto ao volume de sua publicação, baseada em sua maioria em autores estrangeiros.
Veja que o texto é de 33 anos atrás. Na época ainda havia algumas editoras publicando o gênero, até com séries específicas, como a Hemus, a Expressão e Cultura, a José Olympio e a Francisco Alves, fora outras editoras importantes que o publicavam também como a Nova Fronteira, a Brasiliense e a Record.
E anda assim, Cunha dizia que a ficção científica no país era um planeta quase desabitado, se referindo principalmente aos autores brasileiros, que ele situa como tendo o melhor momento nos anos 60, por meio das coleções de livros editadas por Gumercindo Rocha Dorea, na GRD, e Álvaro Malheiros, na Edart.
Nesse sentido, agora no início do século 21, a ficção científica brasileira ainda seria um planeta quase desabitado?
Creio que com o movimento de fãs e escritores do início dos anos 80, naquilo que já foi identificado como a Segunda Onda da FCB, o gênero no Brasil começou a ser mais habitado, para usar o termo de Cunha, mas mesmo com mais de 20 anos de vida, ainda seria de uma espécie difícil de ser encontrada. Como se vivesse no subterrâneo, no fundo de um oceano ou uma região de difícil acesso.
E quais as razões desta ‘marginalização’ e desta ‘invisibilidade’? Certamente há várias, creio que relacionadas com aspectos internos à ficção científica e externos a ela.
Para aqueles que a cultuam e praticam o discurso de preconceito e marginalização é recorrente, procurando situar o problema fora de seus muros. Desta perspectiva, o gênero seria discriminado porque
1) as pessoas não gostam de ciência e a tomam como uma leitura difícil;
2) as pessoas acham que é uma literatura escapista ou alienada, que reproduz valores estranhos à sociedade brasileira, sendo não mais do que um sub-produto da
indústria cultural capitalista e
3) seria difícil levar a sério uma ficção científica escrita por brasileiros, já que o país tem problemas de educação e falta de investimento em ciência e tecnologia muito graves.
É possível defender que ao menos parte destas três razões apontadas principalmente pelo fã do gênero, tenha perdido um pouco de seu vigor.
Primeiro, porque os assuntos científicos estão inseridos no cotidiano das pessoas, num país quase totalmente urbanizado e integrado internacionalmente como o Brasil.
Segundo, porque a ficção científica não é apenas entretenimento, podendo discutir e refletir sobre grandes questões do nosso tempo e a partir de uma perspectiva ora distanciada, ora metafórica.
Terceiro, porque embora o país ainda tenha um longo caminho a percorrer em direção a uma educação básica de qualidade, o parque industrial brasileiro é o maior do Hemisfério Sul, as universidades brasileiras possuem algumas conquistas científicas importantes e, mais do que um símbolo, o Brasil é um dos poucos países do mundo que já enviou um homem ao espaço.
Estes são os chamados problemas externos ao gênero no Brasil, principalmente do ponto de vista dos fãs, mas haveria também alguns que estão situados em seu interior. Estes mais controversos e difíceis de serem comparados com os externos, pois se referem a uma realidade particular de uma pequena, mas combativa comunidade de fãs e escritores forjados em seu meio.
Em todo caso, os tais problemas externos de certa forma justificariam uma postura mais defensiva e auto-centrada por parte daqueles que cultuam e praticam o gênero no Brasil. Desta forma, criam sua própria sub-cultura, não por acaso utilizando o nome estrangeiro de fandom (domínio do fã) para se auto-intitular.
É uma marca desta geração em sua criação e desenvolvimento ser muito semelhante às suas congêneres estrangeiras, especialmente no que diz respeito às suas instituições, como clubes, fanzines, prêmios e convenções.
Por pelo menos uma década todas funcionaram relativamente bem, algumas com muito boa qualidade. É possível dizer que a comunidade brasileira de ficção científica tem procurado se integrar e participar de uma comunidade internacional dedicada ao gênero.
Ler na íntegra o artigo no site da Scarium






