sábado, 8 de novembro de 2008

A sensação de poder - Isaac Asimov - Parte 2/2

[Parte 1]

Agora temos em nossas mãos um método para ir além do computador, pular por sobre ele, ultrapassá-lo. Combinaremos a mecânica do computador com o pensamento humano; teremos o equivalente aos computadores inteligentes; bilhões deles. Não posso prever detalhadamente quais serão as conseqüências, mas elas serão incalculáveis. E, caso os denebianos se antecipem a nós nesse aspecto.. o resultado pode ser uma catástrofe.
- O que podemos fazer? - disse o presidente, preocupado.
- Colocar o poder da administração em favor de um projeto secreto de computação humana. Chame-o de Projeto Número, se quiser. Posso me responsabilizar pelo meu comitê, mas vou precisar do apoio da administração.
- Mas até onde a computação humana pode ir?.
- Não há limites. De acordo com o programador Shuman, que me apresentou essa descoberta...
- Já ouvi falar de Shuman, é claro.
- Sim. Bom, o Dr. Shuman me disse que, teoricamente, não há nada que um computador faça que não possa ser feito pela mente humana. O computador apenas processa um número finito de dados e opera um número finito de operações a partir deles. A mente humana pode reproduzir esse processo.

O presidente pensou um pouco.
- Se Shuman diz isso, estou inclinado a acreditar nele... em teoria. Mas, na prática, como alguém pode saber como um computador funciona?
Brant sorriu cordialmente.
- Sr. Presidente, eu fiz a mesma pergunta. Ao que parece, houve uma época em que os computadores eram projetados diretamente pelos seres humanos. Eram computadores simples; antecederam a época em que o uso racional dos computadores fez com que eles projetassem computadores mais avançados.
- Sim, sim. Continue.
- Aparentemente, o técnico Aub conseguiu, por puro lazer, reconstituir alguns desses velhos esquemas, estudou os detalhes do seu funcionamento e descobriu que podia copiá-lo. A multiplicação que acabei de fazer para o senhor é uma imitação do funcionamento de um computador.
- Surpreendente!

O deputado tossiu educadamente.
- Se posso fazer mais uma observação, Sr. Presidente... quanto mais pudermos desenvolver essa coisa, mais poderemos desviar nosso esforço federal da produção de computadores e de sua manutenção. Assim que o cérebro humano assumir o poder, nossas melhores energias poderão ser canalizadas para procurar a paz, e a influência da guerra nos homens comuns será menor. Isso será mais vantajoso para o partido no poder, é claro.
- Ah - disse o presidente. - Entendo o que você quer dizer. Bem, sente-se, deputado, sente-se. Preciso de algum tempo para pensar. Enquanto isso mostre-me esse truque da multiplicação de novo. Deixe ver se eu consigo pegar o macete.
O programador Shuman não tentou apressar o assunto. Loesser era conservador, muito conservador, e gostava de lidar com os computadores da mesma forma como seu pai e seu avo. Mesmo assim, ele controlava o monopólio de computadores do oeste europeu; se conseguisse entusiasmá-lo com o Projeto Número, um passo muito grande seria dado.

Mas Loesser continuava com um pé atrás
- Não sei se gosto da idéia de afrouxarmos as nossas rédeas sobre os computadores. A mente humana é uma coisa caprichosa. O computador sempre nos dará a mesma resposta para o mesmo problema. Qual a garantia que temos de que com a mente humana será assim?
- A mente humana, Loesser, apenas manipula os fatos. Não importa se a mente humana ou a máquina faz isso. Elas são apenas instrumentos.
- Sim, sim. Acompanhei sua engenhosa demonstração de que a mente humana pode imitar o computador, mas isso me parece um pouco vago. Aceito a teoria, mas que razão n6s temos para achar que a teoria será confirmada na prática?

- Acho que temos uma razão, senhor. Afinal de contas, os computadores não existiram sempre. O homem das cavernas, com suas trirremes, machados de pedra e estradas de ferro, não tinha computadores .
- E provavelmente não sabia calcular.
- Você sabe muito bem que sim. Até a construção de uma estrada de ferro ou de um zigurate requeria algum tipo de cálculo, e, como nós sabemos, isso foi feito sem computadores.
- Você está sugerindo que eles calculavam da mesma maneira que você me mostrou?
- Provavelmente não. Afinal de contas, esse método, que, a propósito, chamamos de "grafítico", da velha palavra européia graphos, que quer dizer "escrita"... esse método foi desenvolvido a partir dos próprios computadores, portanto não pode ter sido usado pelos primitivos. Ainda assim, o homem das cavernas deve ter tido algum método, não?

- Artes perdidas! Se você está falando de artes perdidas...
- Não, não é isso. Não sou um entusiasta das artes perdidas, embora não afirme que não exista nenhuma. Afinal, o homem comia cereais antes de aprender a fazer culturas hidropônicas, e se os primitivos comiam cereais, eles deviam cultivá-los no solo. De que outra forma poderiam ter conseguido?

- Não sei, mas só acreditarei em terra cultivada quando vir algum grão crescer no chão. Também só acreditarei que se faz fogo esfregando uma pedra na outra no dia em que me mostrarem que isso é possível.
Shuman tentou ser conciliador.
- Bem, vamos nos ater aos graníticos. Isto tudo faz parte do processo de eterificação. O transporte por meio de pesados equipamentos está sendo substituído por transferência direta de massa. Os instrumentos de comunicação se tornam cada vez mais leves e mais eficientes. Por causa disso, compare seu computador de bolso com aquelas engenhocas pesadas de mil anos atrás. Então, por que não dar também o Ultimo e definitivo passo, e abolir os computadores? Vamos, senhor, o Projeto Número é inevitável; ele está progredindo rapidamente. Mas queremos sua ajuda. Se o patriotismo não for suficiente para engajá-lo, pense na aventura intelectual que está em jogo.

- Que progresso? - disse Loesser com ceticismo. - O que você pode fazer além de multiplicar? Pode integrar uma operação transcendental?
- Dentro em breve, senhor, Dentro em breve. No mês passado, aprendi a dividir. Posso determinar, e corretamente, quocientes inteiros e quocientes decimais.
- Quocientes decimais? De quantas casas?
O programador Shuman tentou manter um tom natural.
- Qualquer número!

Loesser ficou de queixo caído.
- Sem um computador?
- Faça um problema.
- Divida vinte e sete por treze. Em seis casas.
Cinco minutos depois, Shuman disse:
- Dois, vírgula, zero sete meia nove dois três.

Loesser conferiu.
- Isso é realmente fantástico. A multiplicação não me impressionou muito porque, afinal, isso envolvia números inteiros e acho que uma hábil manipulação pode conseguir isso. Mas decimais...
- E isso não é tudo. Há uma nova pesquisa em curso que até agora é ultra-secreta e que, falando sinceramente, não posso revelar. Mesmo assim... estamos perto de aprender a fazer uma raiz quadrada.

- Raiz quadrada?
- Ainda tem algumas coisas pendentes e não conseguimos acertar na mosca, mas o técnico Aub, o homem que inventou essa ciência e que tem uma incrível sensibilidade para a coisa, assegura que está prestes a resolver o problema. E ele é apenas um técnico. Um homem como o senhor, um matemático talentoso e tarimbado, não encontraria tanta dificuldade.
- Raiz quadrada - resmungou Loesser, encantado.
- Raiz cúbica também. E então? Está conosco?
Loesser levantou a mão rapidamente.
- Pode contar comigo.

O general Weider marchava de um lado para o outro da sala e se dirigia aos ouvintes à sua frente como se fosse um professor ranzinza diante de uma turma de estudantes indóceis. Pouco lhe importava se eram os cientistas civis que coordenavam o Projeto Número. O general era um líder em todos os lugares e assim se comportava em todos os momentos de sua vida.

- Nenhum problema com as raízes quadradas, então - disse ele. - Eu mesmo não sei como fazê-las, mas já estão concluídas. Mesmo assim, não vamos interromper o projeto só porque já solucionamos os problemas que alguns de vocês consideram essenciais. Vocês podem fazer o que quiserem com os grafíticos depois que a guerra acabar, mas, nesse exato momento, temos problemas específicos que precisam ser solucionados.

Num canto distante, o técnico Aub ouvia aflito. É claro que há muito tempo deixara de ser um técnico, tendo sido dispensado de suas tarefas e convocado a participar do projeto, com um título pomposo e um ótimo salário. Mas é claro que as diferenças sociais permaneciam e os líderes científicos, altamente classificados, jamais o aceitariam em seu meio ou o tratariam em pé de igualdade.

E Aub tampouco desejava isso. Sentia-se tão incomodado entre eles como eles se sentiam incomodados na sua presença.

- Nós só temos uma meta, cavalheiros - estava dizendo o general. - Substituir os computadores. Uma nave que possa viajar pelo espaço sem um computador a bordo pode ser construída em um quinto de tempo e por um décimo dos custos de uma nave computadorizada. Poderíamos ter frotas especiais cinco ou dez vezes maiores do que as de Deneb se eliminássemos os computadores. E até vejo mais além disso. Talvez agora pareça loucura ou um simples sonho. Mas no futuro eu posso ver mísseis tripulados .

Houve um instantâneo murmúrio por parte da platéia.
O general prosseguiu:
- No momento, nosso problema principal é que a inteligência dos mísseis é limitada. O computador que os controla não pode alterar o rumo programado e, por essa razão, eles sempre acabam sendo detidos por antimísseis. Poucos mísseis, se é que algum consegue chegar a seu objetivo, e a guerra de mísseis está prestes a acabar; felizmente, tanto para o inimigo, como para nós.

Por outro lado, um míssil com um ou dois homens dentro, controlando o vôo com graníticos, seria mais leve, mais ágil e mais inteligente. Isso nos daria uma vantagem que pode significar a vitória. Além disso, cavalheiros, as necessidades da guerra nos obrigam a lembrar de uma coisa. Um homem é mais descartável do que um computador. Mísseis tripulados podem ser lançados em maior número e sob circunstâncias que nenhum general empreenderia se usasse mísseis computadorizados.

Ele discorreu sobre muito mais coisas, mas o técnico Aub não esperou.
O técnico Aub, na intimidade dos seus aposentos, elaborou cuidadosamente sua carta de despedida. Ela dizia o que se segue: "Quando comecei a estudar o que agora chamam de graníticos, isso não passava de um passatempo. Nada mais do que um agradável passatempo, um exercício para a cabeça.

Quando o Projeto Número começou, achava que as pessoas fossem mais esclarecidas do que eu e que os graníticos poderiam ser usados para ajudar a humanidade, apoiando a modernização dos instrumentos necessários à transferência de massas. Mas agora vejo que ele só será usado para a morte e a destruição.

Não posso suportar a responsabilidade de ter inventado os grafíticos.
Depois, virou contra si o foco do despolarizador de proteínas e morreu instantaneamente.
Eles se reuniram em torno do túmulo do pequeno técnico para prestar-lhe honra por sua notável descoberta.

O programador Shuman fez uma reverência com a cabeça, junto com os outros, mas continuou imóvel. O técnico tinha dado sua contribuição e não era mais necessário. Ele podia ter começado os graníticos, mas agora que o projeto já estava em andamento, iria se desenvolver automaticamente até triunfar, tornando os mísseis tripulados uma realidade, juntamente com tantas outras coisas.

Nove vezes sete, pensou Shuman com orgulho, sessenta e três. Não precisava mais que um computador lhe dissesse isso. Sua própria cabeça era um computador. E isso lhe dava uma fantástica sensação de poder.

The feeling of Power (1957) - Isaac Asimov.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Homem, técnica e devir no imaginário Blade Runner

ESTE TEXTO TRATA das relações do filme Blade Runner (1982, Ridley Scott) com a irradiação de um estilo de futuro que influencia a construção de um imaginário compartilhado por espectadores de diversas idades e países. A idéia é aproximar a interpretação hermenêutica baseada em Nietzsche (1) e Baudrillard (2), do mundo de uma possível futuridade, representado pela história dos andróides em busca da memória e do sentido da vida.

O paralelo do natural e do artificial estava frente ao avanço da técnica como um devir da literatura de ficção científica transfigurada para a sétima arte.
Eram tempos de replicantes. A clonagem era a do homem-máquina com o homem-prótese (3).

A natureza era olhada como um passado a ser superado no devir da técnica.
Órgãos e tecidos artificiais,congelados e postos a serviço da defesa humana e do trabalho escravo em colônias espaciais.

Condenados a não poder voltar à terra, os replicantes Nexus-6, com duração de até quatro anos de existência, se rebelam e partem para um acerto de contas com seu criador.

Ironia da espécie. Uma corporação especializada na fabricação de seres artificiais humanizados artificialmente, onde as gerações de andróides sucedem-se na busca da perfeição da cópia. Rachel e, possivelmente Deckard, seriam representantes de tal evolução.

A fuga do casal em nome da vida. Uma nova fase. Um novo início sem final previsto.
Uma nave-arca para a salvação de uma transfiguração tecnológica de um devir outro, de
um tipo de além-do-homem, aquém da capacidade de superação humana dentro da própria condição humana.

Como deve ter sido uma adaptação inspirada na obra e não voltada para o tributo dos estilos literários da ficção científica, a relação do cinema com o livro é complexa e não se pode exigir que Blade Runner seja um exemplo de fidelidade literária.
Melhor que as coisas fiquem claras antes que as críticas, em seu papel desconstrutor, tentem dar o tom da interpretação.

Em 20 anos, o filme dirigido por Ridley Scott atravessou o imaginário do futuro com sua construção de identidades difusas, especialmente prematuras para 1982, mas que a globalização e as tecnologias informáticas trataram de ilustrar na continuação do tempo.
Los Angeles em 2019. Daqui a 17 anos.

Triunfo da cultura japonesa e das próteses corpóreas e imaginais.
Um futuro moderno, linear, onde a técnica revida ao homem como criatura (4) que altera as leis naturais.
Vingança de um futuro sem clonagem humana e com resquícios do sonho paranóico da ficção científica, da modernidade.
Andróides em busca da consciência, do passado, da memória nunca possuída.
A vertigem das cenas noturnas, a verticalidade da Tyrel Corporation,
as luzes da metrópole transfiguradas pelo sentido artificial da angústia das próteses vivas e humanizadas.

O amor como vontade de potência liberta Deckard do ciclo da técnica como retorno da vida. Finitude e paixão cibernética.
O momento no qual o natural cedeu seu espaço para o artifício. Na distância do tempo, o filme irradia os valores da virulência (5) de uma época onde se digladiam a moral dos senhores e a moral dos escravos (6).

Os replicantes eram utilizados em trabalhos recusados pelos seres humanos, que, por sua vez, eram detentores do poder moral da bioética. Órgãos artificiais fabricados para equipar andróides à imagem e semelhança do homem.

A história deixa insinuações da utilização de tais próteses pelos homens.
Na versão do diretor, Scott parece querer contar seu segredo.
Em sua visão de futuro já não há possibilidade de fronteira entre natureza e artificialidade:
Rachel humanizada desde sua condição de andróide de uma geração sem data de vencimento previsto
e, Deckard, artificializado desde sua condição de caçador de replicantes, na qual toda sua vida e memória dão a entender que ele seria um andróide construído para caçar seus semelhantes.
No fundo da questão de Blade Runner surge o passado dos rebanhos humanos que tanto tiraram o sono de Nietzsche.

Em qual sentido estaria a vontade de potência daquele que afirma seus próprios valores.
A doutrina da humanização afastou o homem de seu permissível devir de além-do-homem e atirou-o contra a embriaguez moral, religiosa e metafísica.

Tudo inicia com as eletric sheep, de Philip K. Dick, em seu romance dos anos 60.
Ele escolhe a ovelha, mais por ser um animal altamente capacitado para viver em rebanho, desprovido de iniciativas de prazer e vocacionado para servir a quem possa evitar sua
dor, do que propriamente pelo símbolo do método contra a insônia: contar carneiros.
Os andróides devem ter sua consciência voltada para o artificial e para tal sonham com ovelhas elétricas ou eletrônicas.

O título do livro é uma pergunta, um problema da filosofia da técnica (Do androids dream of electric sheep?).
A resposta pode ser negativa. Os andróides de Blade Runner sonham em ser ovelhas humanas.

A falta de um passado repercute na existência e o sentido de espécie faz o líder replicante, Roy, buscar vingança contra os que mataram seus companheiros. Espírito de rebanho em máquinas feitas para serem escravas.
Vingança contra os superiores na hierarquia vital.

Segundo os humanos do filme, a vida replicante é banal, substituível e sem valor.
Já a vida humana, mesmo a do cruel Tyrel, é mais valorizada e sua morte é um ponto forte da película, representando a emancipação da espécie artificial de sua condição de experiência
científica.

Este é outro traço da ficção moderna ou prépós-moderna: a ciência sempre no centro do futuro.
Em termos de imaginário, a circulação cultuada dos personagens, das locações do cenário futurista e do figurino inspiram a primeira geração pós-punk, e sua versão transfigurada pelo web way of life: os cyberpunks.

Estes, entre outros motivos, levaram a película ao patamar de cult movie.
Os milhares de sites na internet dedicados ao filme não deixam de irradiar a socialidade tribal (7) dos admiradores desta projeção que ilumina afinidades, alianças e imaginários sociais,
com cores escuras e luzes brilhantes.

A revisão feita na segunda versão do filme é um ponto de ultrapassagem dos valores da modernidade pelo deslocamento da perspectiva original. O livre arbítrio do diretor altera a interpretação que ele mesmo tinha construído.

Para Ridley Scott, Deckard é homem-prótese e o Nexus-6, Roy, é uma prótese humanizada.
Ambos, na versão do diretor, dividem o horizonte da técnica com a musa-andróide, Rachel: feminina, insegura, sensível.Ela é o inverso das andróides fêmeas Nexus-6: sedutoras, guerreiras, insensíveis.

O moralismo darwinista foi a eliminação de toda a geração defeituosa para justificar a fuga, rumo ao desconhecido, de Deckard e Rachel, que sobrevoam a Los Angeles, oriental e globalizada, sob a trilha do saxofone de Vangelis.

A leitura hermenêutica não pretende ser outra coisa além da articulação do compreendido. Uma análise fílmica, por exemplo, levaria a outras visões e para tal, seria necessária a
consulta a outros autores. Blade Runner já foi objeto de inúmeras interpretações, mas nenhuma será réplica da outra.

Mesmo na plataforma comum do devir do entretenimento coletivo, as perspectivas teóricas cruzam paradigmas e são caminhos para a compreensão do homem e da técnica, a partir de um filme, como a referida história de ficção científica de um romântico andróide caçador de andróides.
Uma anulação dupla e simultânea: do homem pela técnica e da técnica pelo homem, em nome do devir outro e de um imaginário transfigurado.


Sessões do Imaginário• Porto Alegre • nº 8• agosto 2002• semestral • FAMECOS / PUCRS
Francisco E. Menezes Martins
Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da FAMECOS / PUCRS.

Notas
(1) Leva-se em conta a produção de Friedrich Nietzsche, a partir de Humano, demasiado humano até O crepúsculo dos ídolos , período que inclui o pensamento da vontade de potência, além-do-homem e eterno retorno, conceitos fundamentais para a interpretação dos valores
da moral, religião e metafísica.

(2) BAUDRILLARD, Jean. A transparência do mal: ensaio sobre os fenômenos extremos . 3.ed. Trad. Estela dos Santos Abreu. Campinas: Papirus, 1996; _______. El crimen perfecto . Trad. Joaquín
Jordá. Barcelona: Anagrama, 1996.

(3) VIRILIO, Paul. O espaço crítico. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.

(4) Conceito utilizado por SFEZ, Lucien. Crítica da comunicação. Ed.rev.ampl. Trad. Maria Stela Gonçalves e Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Loyola, 1994.

(5) BAUDRILLARD, op.cit..

(6) NIETZSCHE, Friedrich. Dissertação primeira: Os conceitos de bom e mau e de bem e mal. Pontualmente sobre a rebelião dos escravos.In: Genealogia da moral , § 10.

(7) Conceito criado por MAFFESOLI, Michel. A contemplação do mundo. Trad. Francisco Franke Settineri. Porto Alegre: Artes & Ofícios, 1995.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Uso do Filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” como Introdução a Disciplina de Inteligência Artificial nos Cursos de Computação

1. Introdução

“O passado não é coisa fixa e inalterável. Suas realidades vão sendo redescobertas a cada geração, seus valores sofrem reavaliações, seus significados recebem novas definições, de acordo com as tendências e preocupações da época”
[Huxley 1998].

A partir desta afirmação de Huxley, a história do computador HAL 9000 pode
ser revista e reinterpretada em diversas épocas distintas.

Neste artigo os autores apresentam um breve histórico da obra (filme e livro),
um perfil de seus autores, uma descrição do personagem principal: HAL 9000, a
tecnologia que foi sonhada em 1968 e o que foi realizado até o momento atual.
Na busca para que este possa ser incorporado como uma apresentação, ou aula inaugural, em disciplinas que abordem a inteligência artificial (IA).


O Uso do Filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” como introdução a disciplina de Inteligência Artificial nos cursos de computação
Hélio Lemes Costa Júnior, Juliano Coelho Miranda - [ Download ]

What The Simpsons Can Teach Us about Physics, Robots, Life, and the Universe - Paul Halpern

Introduction: Learning Science from Springfield’s
Nuclear Family

PART ONE
It’s Alive!
1 The Simpson Gene
2 You Say Tomato, I Say Tomacco
3 Blinky, the Three-Eyed Fish
4 Burns’s Radiant Glow
5 We All Live in a Cell-Sized Submarine
6 Lisa’s Recipe for Life
7 Look Homer-Ward, Angel

PART TWO
Mechanical Plots
8 D’ohs ex Machina
9 Perpetual Commotion
10 Dude, I’m an Android
11 Rules for Robots
12 Chaos in Cartoonland
13 Fly in the Ointment

PART THRE
No Time to D’ohs
14 Clockstopping
15 A Toast to the Past
16 Frinking about the Future

PART FOUR
Springfield, the Universe, and Beyond
17 Lisa’s Scoping Skills
18 Diverting Rays
19 The Plunge Down Under
20 If Astrolabes Could Talk
21 Cometary Cowabunga
22 Homer’s Space Odyssey
23 Could This Really Be the End?
24 Foolish Earthlings
25 Is the Universe a Donut?
26 The Third Dimension of Homer

Inconclusion: The Journey Continues
Acknowledgments
Handy Science Checklist
Scientifically Relevant Episodes Discussed in This Book
Notes
Further Information

What The Simpsons Can Teach Us about Physics, Robots, Life, and the Universe -
Paul Halpern - [ Download ]

Worlds of Wonder: How to Write Science Fiction and Fantasy - David Gerrold



Table of Contents

Start Here
The Literature of Imagination
Inventing Wonder
If—The Most Powerful Word
Science
Science Fiction
...and Fantasy
What Is a Story?
A Story Is...
Crises and Challenges
The Hero
Who Is This Person?
Setting the Stage
To Build a World
Detailing the World
Building Aliens
Believability
Fantasy Worlds
Complications
Structure, Structure, Structure!
Transformation
Theme
Style
First Lines
Last Lines
Punch Lines
Write From Inside
Sex Scenes
Love Scenes
Sentences
Simile
Metaphor
Adjectives and Adverbs
Finding the Right Words
Paragraphs
Evoking
Metric Prose
Memes
To Be or Naught to Be
Find Another Way
Style Redux
Who's On First?
Tense
Pronouns
800 Words
Dialogue, Part I
Dialogue, Part II
Discipline
The First Million Words
Be Specific
Why Write?
Ten Pieces of Good Advice
Recommendations
Index

Worlds of Wonder: How to Write Science Fiction and Fantasy - David Gerrold [ Download ]


Um processador de textos acionado por vapor - Arthur C. Clarke - Parte 2/2

[Parte 1]

A princípio acreditava que simplesmente aumentando a potência disponível poderia lhe dar uma
aceleração à máquina. A versão definitiva absorvia toda a energia de uma enorme debulhadora, tosco antecedente de nossos tratores e colheitadeiras.

Este é um bom momento para resumir o pouco que se sabe a respeito da mecânica do tear de
palavras.

Para isso, temos que confiar na informação, algo tendenciosa, aparecida no Totterings
Bulletin, do qual só se conservam alguns exemplares do período compreendido entre 1860 e 1880, anos cruciais para nosso estudo; e das notas esporádicas e fragmentos da correspondência ainda existente do reverendo.

Ironicamente, em 1942 ainda se conservava uma boa quantidade de peças da máquina definitiva,
mas foram destruídas quando uma bomba incendiária da Luftwaffe reduziu a cinzas a ancestral
mansão Tottering Towers.

A «memória» da máquina se apoiava nos cartões perfurados de um tear Jacquard para tapeçarias, coisa nada estranha, pois não existia outra alternativa possível naquela época.

Ao que Cabbage gostava de dizer que teceria pensamentos, igual aquele tear tecia tapeçarias.

Cada linha de saída constava de vinte, e posteriormente trinta, caracteres que o operador via
através de uns guichês, e que foram colocados sobre umas rodas giratórias.
Os princípios que regiam o SOT(Sistema operacional por Cartões) da máquina não chegaram até nós e parece, o qual não é nada surpreendente, que o maior problema ao que se enfrentava Cabbage era o de colocar, retirar e pôr os diferentes cartões.

Terminado o texto em questão, era fundido em tipos de chumbo para sua posterior impressão. Este surpreendente clérigo construiu um linotipo rudimentar, pelo menos dez anos antes de que o patenteasse Mergenthaler em 1886.

Antes de que a máquina estivesse pronta para ser utilizada, Cabbage se encontrou com a enorme
tarefa de perfurar nos cartões, além da Bíblia inteira, todo o Concílio do Cruden, mas
encarregou deste trabalho, em troca de uns trocados irrisórios, às velhinhas do Lar de Descanso
para Vizinhos de Idade Avançada, hoje discoteca e clube de breakdance, do Far Tottering.
Outra desconcertante primícia que se antecipa em uns doze anos à famosa mecanização do Censo
dos Estados Unidos, idealizada pelo Hollerith em 1890.

Mas nesse mesmo momento chegou a ruína.
Tendo ouvido, e não pela primeira vez, estranhos rumores sobre a paróquia do Far Tottering,
nada menos que o arcebispo do Canterbury em pessoa visitou o já obcecado pastor. Compreende-se que ficasse atônito ao descobrir que o órgão da igreja, tinha ficado incapacitado para desenvolver sua função original, ao menos por uns cinco anos.

O arcebispo, indignado, lançou um ultimato: ou desaparecia o tear de palavras ou partia o reverendo Cabbage (melhor que se fossem os dois; falava-se já de exorcismo e de voltar a consagrar a igreja).

O dilema provocou uma crise no já desequilibrado clérigo, que tentou uma última prova com a
enorme e incontrolável máquina, que já ocupava todo o lado oeste do St. Simians.

Face aos protestos dos fazendeiros, pois era a época da colheita, a imensa máquina de vapor, com
suas peças de cobre reluzentes, foi rebocada até a igreja e uma vez ali, passaram a correia de
transmissão através do oco que havia surgido ao se retirar algumas das vidraças.

O reverendo tomou assento ante o irreconhecível console (não posso resistir à idéia de imaginá-lo
ativando o sistema a golpe de pedal) e começou a teclar.
As rodas com os caracteres começaram a dar voltas ante seus olhos, formando frases lentamente, linha a linha. Na sacristia, os crisóis com o chumbo fundido aguardavam as ordens que lhes chegariam trabalhosamente com cada jorro de ar procedente do órgão.

— Mais rápido, mais rápido! — gritava o pastor, impaciente, enquanto os operários arrojavam
pazadas de carvão naquele monstro que vomitava fumaça no pátio da igreja.

A correia, como uma larguíssima cobra apanhada na janela, retorcia-se sobrecarregada, acima e
abaixo, bombeando um cavalo de vapor atrás de outro, para o forçado mecanismo do tear.
O resultado era previsível.
Algo, em alguma parte das entranhas do imenso aparelho, rompeu-se.
Em um segundo, a máquina desgraçada se fez em pedaços.

Segundo testemunhas presenciais, o pastor teve sorte de escapar ileso.
O posterior desenlace foi tão rápido como inesperado.
O reverendo Cabbage abandonou a Igreja, a sua mulher e seus treze filhos e fugiu a Austrália com seu primeiro ajudante, o ferreiro do povo.

O nome do Charles Cabbage foi banido da sociedade elegante e se desconhece qual foi seu destino
final, embora chegaram algumas notícias segundo as quais se feito capelão do Botany Bay.

E também é certamente apócrifa a lenda que corre sobre sua morte no deserto australiano,
provocada por uma máquina tosquiadora, de sua invenção, que se revoltou contra ele.

Epílogo

A seção de livros estranhos do Museu Britânico possui o único exemplar conhecido dos "Sermões a Vapor", do reverendo Cabbage, que, conforme vem tradicionalmente alegando sua família, foram elaborados pelo tear de palavras.
Contudo, um estudo em profundidade basta para ver que não é assim.
À exceção das últimas páginas, 223-4, resulta evidente que o volume se imprimiu em uma imprensa plana.

Mas as páginas 223 e 224 são uma interpolação bastante clara.
A impressão é muito desigual e o texto está repleto de faltas de ortografia e enganos tipográficos. Trata-se, acaso, do único produto existente do mais notável e pior desenvolvido esforço tecnológico da era vitoriana.
Ou é uma fraude deliberadamente criada para nos fazer acreditar que o tear de palavras funcionou de verdade, uma vez pelo menos, embora o fizesse mal?

Nunca saberemos a verdade.
Mas, como inglês que sou, sinto-me orgulhoso de que um dos inventos mais importantes de nossa época fora idealizado pela primeira vez, nas Ilhas Britânicas.
Se tivesse tido um desenlace mais feliz, Charles Cabbage provavelmente seria agora tão famoso como James Watt, George Stevenson, ou Isambard Kingdom Brunel.


FIM


Título original: 'The Steam-Powered Word Processor' (1985)
Tradução parcial: Santiago Jordão.
Prêmios Nebula 1985 - Ed. Bruguera, 1987

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um processador de textos acionado por vapor - Arthur C. Clarke - Parte 1/2


Prólogo

É escasso o material existente em torno da notável carreira, do hoje quase esquecido gênio da engenharia, reverendo Charles Cabbage (1815-188?), que foi pastor da paróquia do St. Simians, no povoado Far Tottering, Sussex.

Entretanto, depois de muitos anos de busca exaustiva, tenho descoberto alguns dados novos que, no meu entender, deveriam ficar em conhecimento de um público mais amplo.

Queria expressar minha gratidão a miss Drusilla Wollstonecraft Cabbage e às boas senhoras da Sociedade Histórica do Far Tottering, cujos prementes desejos de desvincular-se de muitas de minhas conclusões, eu respeito e compreendo.

Já em 1715, The Spectator faz menção da família Cabbage (ou Cubage) como ramo menor dos Coverley (gente sinistra, infelizmente, embora o próprio sir Roger fique à margem).
Conseguiram rapidamente uma enorme fortuna, como outros muitos membros da aristocracia britânica, graças a seus investimentos no negócio dos escravos.
Por volta de 1800, os Cabbage eram a família mais opulenta do Sussex e da Inglaterra, conforme diziam alguns, mas, dado que Charles era o menor de onze irmãos, não teve outra alternativa a não ser entrar para Igreja, sem muitas esperanças de herdar algo da fortuna dos Cabbage.

Não obstante, antes de cumprir os trinta anos, o titular da paróquia do Far Tottering experimentou uma importante mudança de fortuna, devido ao prematuro falecimento de cada um de seus dez irmãos, em uma série de trágicos acidentes. Este ponto de sua vida, que os comentaristas contemporâneos gostam de chamar de "a maldição dos Cabbage", guardava uma relação muito estreita com a magnífica coleção de armas medievais, venenos orientais e répteis mortíferos do pastor.

Logicamente, estes desventurados acidentes deram pé a numerosos comentários maliciosos e poderiam ser a razão de que o reverendo Cabbage optasse por conservar-se no amparo de suas Ordens Sagradas, ao menos até sua brusca partida de Inglaterra.

Também caberia perguntar pela razão que moveu a um homem de tão grande riqueza, e tão escassas obrigações públicas, a dedicar a maior parte de seus anos férteis, à construção de uma máquina de incrível complexidade, cuja finalidade e manejo só ele compreendia.

Felizmente, o recente achado da correspondência Faraday-Cabbage nos arquivos da Royal Institution lança nova luz sobre esse ponto. Lendo entre linhas, pode-se deduzir que o reverendo odiava a tarefa de redigir as duas horas de sermão semanal, jogando sempre com os mesmos temas fundamentais, cento e quatro vezes ao ano.
(O reverendo dirigia, além disso, a paróquia do Tottering-in-the-Marsh.)

Em um momento de inspiração, por volta de 1851, provavelmente depois de visitar a Exposição Universal, aquela maravilhosa mostra do saber vitoriano, Cabbage concebeu a idéia de uma máquina que organizasse automaticamente massas de textos diferentes, em qualquer ordem que se desejasse. Desta forma poderia compor qualquer número de sermões a partir do mesmo material básico.

O projeto, muito tosco em seu começo, foi adquirindo com o tempo uma grande sofisticação. Embora, como veremos, não chegasse nunca a terminar a versão definitiva de seu "Tear de palavras", planejou com todo detalhe uma máquina que não só funcionasse com parágrafos por separado, mas também com frases independentes.
(Não passou nunca para a fase seguinte: a de palavras e letras, embora faça referência à possibilidade de levá-la adiante em sua correspondência com Faraday, considerando-a seu objetivo último.)

Uma vez terminado o projeto do tear de palavras, o criativo clérigo iniciou sua construção.
Sua habilidade mecânica nada habitual, mas bem deplorável segundo alguns, tinha ficado bem patente nas engenhosas armadilhas como as que protegiam seus imóveis, e que eliminaram ao menos, a outros dois pretendentes da herança familiar.

Chegado a este ponto, o reverendo Cabbage cometeu um engano que pode ter mudado o curso da tecnologia, se não da história.

Agora, graças à perspectiva que nos oferece o tempo, resulta-nos óbvio que seu problema só podia ser resolvido pela eletricidade.
Fazia já vários anos que se vinha utilizando o telégrafo do Wheatstone, e Cabbage mantinha correspondência precisamente com o gênio que tinha descoberto as leis fundamentais do eletromagnetismo.

Que estranho nos parece agora que não visse a resposta, quando a tinha ante seu próprio nariz!

Entretanto, devemos recordar que o bom Faraday entrava nesse momento na década de senilidade, que precedeu a sua morte em 1867. Muitas das cartas que sobreviveram até nossos dias giram em torno de seu extravagante credo, a já extinta religião «sandemanista», que era algo que tirava Cabbage do sério.

Do mesmo modo, o pastor mantinha contato diário, ou pelo menos semanal, com uma tecnologia bastante desenvolvida e aperfeiçoada ao longo de mais de mil anos.
A igreja do Far Tottering gozava entre seus pertences, de um magnífico órgão construído pelo mesmo Henry Willis, que em 1875, fabricou sua obra máxima, que se encontra no Palácio Alexandra, ao norte de Londres, e que Marcel Dupre elogiou como o melhor órgão de concertos do mundo.

Cabbage não o tocava mal de todo, e conhecia com perfeição seu intrincado mecanismo.
Estava convencido de que, unindo uma série de tubos pneumáticos, válvulas e bombas, poderia controlar todas as operações de seu futuro tear de palavras.
Foi um engano fatal, embora compreensível.

Cabbage havia passado por cima do fato de que a lenta velocidade do som, uns insignificantes trezentos e trinta metros por segundo, reduziria a velocidade operativa da máquina a um nível de rendimento virtualmente nulo. No máximo, a versão definitiva poderia ter alcançado assim um índice de transmissão de dados de 0,1 por dia, com o que a elaboração de um só sermão, iria requerer nada menos que dez semanas.

Passaram vários anos antes que o reverendo Cabbage se desse conta desta limitação fundamental.

[ Parte 2]

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Memorabilia FC - Modern Fred














Modern Fred

sábado, 1 de novembro de 2008

Gênero, Psicanálise e Solaris, de Stanislaw Lem


Pensamos em nós mesmos como os Cavaleiros do Santo Contato.
Isto é outra mentira.
Buscamos somente ao Homem.
Não precisamos de outros mundos.
Nós precisamos de espelhos.(§[6]:72)

Nesta breve passagem de um dos mais populares e poderosos romances de FC, Lem descreve muito do que é importante e do que é equivocado sobre os esforços (literários ou reais) para obter contato humano/alienígena.

Ele reformula astronautas e cientistas como cavaleiros medievais em peregrinações religiosas, homens que procuram assegurar o domínio cultural sobre novos reinos. Eles buscam somente aquilo que irá provar a importância do seu trabalho e visão de mundo (Weltanschauung).

Tais buscas, Lem sugere, não exigem a investigação do espaço exterior, porque os exploradores humanos tem seus olhos fechados para o Outro alienígena, tanto quanto para si mesmos.
Para ver o universo externo com olhos abertos, a busca deve começar de dentro...


"Buscamos somente ao Homem": Gênero, Psicanálise e Solaris, de Stanislaw Lem
Elyce Rae Helford - Science Fiction Studies - [ Download ]

Traduzido por Alexis B.Lemos

A FC Americana e o Outro - Ursula K. Le Guin


A FC Americana e o Outro - Ursula K. Le Guin

Um dos primeiros grandes socialistas disse que o status das mulheres numa sociedade é um indicador perfeitamente confiável do grau de civilização daquela sociedade.
Se isto é verdadeiro, então o baixíssimo status das mulheres na FC deveria nos fazer ponderar se a FC é civilizada afinal.

Os movimentos feministas tornaram a maioria de nós cientes do fato de que a FC ou ignorou totalmente as mulheres ou apresentou-as como bonecas guinchantes sujeitas a estupro instantâneo por monstros - ou cientistas solteironas dessexualizadas pela hipertrofia dos órgãos intelectuais - ou, no máximo, esposinhas fiéis ou amantes de heróis talentosos. O elitismo masculino varre sem controle a FC. Mas isto é só elitismo masculino? Não seria a "sujeição das mulheres" na FC meramente um sintoma de uma totalidade que é autoritária, adoradora do poder e intensamente paroquial?

A questão envolvida aqui é a questão do Outro - o ser que é diferente de você mesmo. Este ser pode ser diferente de você no sexo; ou em sua renda anual; ou em seu modo de falar e vestir e fazer coisas; ou na cor da sua pele, ou no número de pernas e cabeças. Em outras palavras, há o Alienígena sexual, o Alienígena social, o Alienígena cultural e finalmente o Alienígena racial.
Bom, e quanto ao Alienígena social na FC? E quanto ao, em termos marxistas, "proletariado"? Onde eles estão na FC? Onde estão os pobres, as pessoas que trabalham duro e vão para a cama com fome? Eles são mesmo pessoas na FC? Não. Eles aparecem como vastas massas anônimas fugindo de glóbulos de lodo gigantes que emergem dos esgotos de Chicago, ou morrendo aos bilhões de poluição e radiação, ou como exércitos sem rosto sendo liderados por generais ou estadistas.

Em espada & feitiçaria eles se comportam como as participações mudas numa apresentação escolar do "Príncipe de Chocolate". De vez em quando, há alguma jovem peituda entre eles que é honrada pelas atenções do Capitão do Supremo Comando Terrano, ou na tripulação de uma astronave há um velho cozinheiro antiquado com sotaque escocês ou sueco, representando a Sabedoria Popular.

As pessoas, na FC, não são pessoas.
Elas são massas, existindo para um propósito: serem lideradas por seus superiores.

De um ponto de vista social, a FC em sua maioria tem sido incrivelmente regressiva e sem imaginação. Todos aqueles Impérios Galáticos, extraídos diretamente do Império Britânico de 1880. Todos aqueles planetas - com 80 trilhões de milhas entre eles! - concebidos como nações-estado beligerantes, ou como colônias para serem exploradas, ou para serem gentilmente empurradas pelo benevolente Império da Terra no rumo do auto-desenvolvimento - o Fardo do Homem Branco ao nosso redor novamente. O Rotary Club em Alpha Centauri, esse é o estado das coisas.

E sobre o Outro cultural e racial? Este é o Alienígena que todo mundo reconhece como alienígena, suspeito de ser a preocupação especial da FC. Bom, nas velhas revistas baratas, tudo é muito simples. O único alienígena bom é o alienígena morto - seja ele um homem-louva-deus aldebaraniano ou um dentista alemão. E esta tradição ainda floresce: testemunha-a o conto de Larry Niven "Inconstant Moon" (em All Myriad Ways, 1941) que termina com um final feliz - consistindo no fato de que a América, incluindo Los Angeles, não foi atingida por uma erupção solar. Naturalmente, uns poucos milhões de europeus e asiáticos foram fritos, mas isso não importa; de fato, isso fez o mundo um pouquinho mais seguro para a democracia.
(É interessante que a personagem feminina no mesmo conto seja completamente descerebrada; sua única função é dizer "Oh?" e "Ooooh!" ao inteligente e resoluto herói.)

Depois há o outro lado da mesma moeda. Se você considera que uma coisa é completamente diferente de você, seu temor por ela pode se manifestar como ódio, ou como temor - reverência. Assim arranjamos todas aquelas sábias e gentis entidades que condescendem em salvar a Terra de seus pecados e perigos. O Alienígena termina num pedestal, de camisolão branco e sorriso de ironia - exatamente como a "boa mulher" fazia na Era Vitoriana.

Na América, parece ter sido Stanley Weinbaum que inventou o alienígena simpático, em Uma Odisséia Marciana.
A partir dele, através de pessoas como Cyril Kornbluth, Ted Sturgeon e Cordwainer Smith, a FC começou a trilhar seu caminho para sair do simples racismo. Robôs - a inteligência alienígena - começaram a se comportar gentilmente. Com Smith, bastante interessante, o alienígena racial é combinado com o alienígena social, em "Underpeople", e lhes é permitido ter uma revolução. A medida que os alienígenas se tornaram mais simpáticos, o mesmo ocorreu aos heróis humanos.

Eles começaram a ter emoções, bem como armas de raios.
Na verdade, eles começaram a se tornar quase humanos.

Se você nega qualquer afinidade com outra pessoa ou tipo de pessoa, se você a declara como sendo totalmente diferente de você mesmo - como os homens fizeram com as mulheres, a classe fez com a classe e a nação fez com a nação - você pode odiá-la ou deificá-la; mas em qualquer dos casos você negou a igualdade espiritual e a realidade humana dela. Você a transformou numa coisa, para a qual o único relacionamento possível é um relacionamento de poder. E assim você fatalmente empobreceu sua própria realidade.

Você, de fato, alienou a si mesmo.

Esta tendência tem sido notavelmente forte na FC americana. A única mudança social apresentada pela maioria da FC tem sido no rumo do autoritarismo, a dominação das massas ignorantes por uma elite poderosa - algumas vezes apresentado como um alerta, mas freqüentemente muito complacentemente. O socialismo nunca é considerado como uma alternativa, e a democracia é completamente esquecida. Virtudes militares são tomadas como éticas. A riqueza é assumida como um objetivo justo e uma virtude pessoal. O capitalismo de mercado é o destino econômico da Galáxia inteira. Em geral, a FC americana assumiu uma hierarquia permanente de superiores e inferiores, com machos ricos, ambiciosos e agressivos no topo, depois uma grande lacuna, e lá no fundo, as massas pobres, sem educação e sem rosto, e todas as mulheres.

O quadro completo é, se posso me expressar assim, curiosamente "não-americano". É um perfeito patriarcado de babuínos, com o Macho Alfa no topo, sendo respeitosamente cuidado, ocasionalmente, por seus inferiores.

Isto é especulação? isto é imaginação? isto é extrapolação? Eu chamo isso de regressivismo descerebrado.

Eu penso que é tempo dos escritores de FC - e seus leitores! - pararem de sonharem acordados com a volta da Era da Rainha Vitória, e começarem a pensar no futuro. Eu gostaria de ver o Ideal do Babuíno substituído por um pouquinho de idealismo humano, e alguma consideração séria sobre conceitos tão profundamente radicais e futurísticos como Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

E lembrar que cerca de 53% da Fraternidade do Homem é a Irmandade da Mulher.

Science Fiction Studies
Ursula K. Le Guin - Novembro de 1975

Traduzido por Alexis B.Lemos

Terra Incognita - Revista online de Ficção Científica


Sumário desta Edição:

Emaranhamento - Ivan Hegenberg
A Sombra do Cirurgião - Carlos Orsi
O Irradiador - Guilherme Kujawski
Duas ou Três Coisas que eu Sei Sobre Ekaterina (artigo) - Fábio Fernandes
Entrevista - Ekaterina Sedia
O Estripador - Ekaterina Sedia

Terra Incognita - número 1 [ Download ]




Sumário desta Edição:

Agora e Na Hora de Nossa Morte - Octavio Aragão
O Planeta Negro - Ana Cristina Rodrigues
O Abissal - Lucio Manfredi
120... 150... 200 Petabits por Segundo (resenha - Accelerando) - Jacques Barcia
Entrevista - Charles Stross
Lagostas - Charles Stross

Terra Incognita - número 2 [ Download ]

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Os Prazeres e os Perigos de Ensinar Ficção Científica à Nível Universitário

Os Prazeres e os Perigos de Ensinar Ficção Científica à Nível Universitário
Science Fiction Studies

Introdução:

Cursos regulares de ficção científica foram introduzidos em muitas universidades americanas à partir do início da década de 1960. Embora os tradicionalistas tenham torcido o nariz à novidade, os departamentos administrativos das universidades quase sempre exultavam com a medida, pelo retorno em publicidade gratuita.
A Science Fiction Studies dedicou um número inteiro, o 70, de 1996, para ensaios sobre o ensino de FC em sala de aula, sua repercussão, aceitação, desafios etc. O presente artigo foi escrito por Barbara Bengels, professora-adjunta da Universidade Hofstra (Hempstead, New York), e uma das pioneiras no ensino de FC. O curso de Bengels, para eventuais interessados, ainda existe e vai bem, obrigado. A.B.L.

Ficção científica é, por sua própria natureza, um esporte perigoso e subversivo. Poucas pessoas a encaram muito seriamente - todavia, como não fazê-lo? Alvin Toffler escreve em O Choque do Futuro, "Nossa crianças deveriam estar estudando Arthur C. Clarke, William Tenn, Robert Heinlein, Ray Bradbury e Robert Sheckley, não porque estes escritores possam falar-lhes sobre espaçonaves e máquinas do tempo, mas, mais importante, porque eles podem conduzir suas mentes através de uma exploração imaginativa da selva de questões políticas, sociais, psicológicas, e éticas que confrontarão estas crianças quando adultas" (425). Em God Bless You, Mr. Rosewater, Kurt Vonnegut faz com que Eliot Rosewater diga à uma platéia de escritores de ficção científica, "Eu amo vocês, seus filhos da puta... Vocês são tudo o que eu leio agora. Vocês são os únicos que falam sobre as mudanças realmente espantosas que estão acontecendo... Vocês são os únicos que têm coragem de se importar com o futuro, que realmente percebem o que as máquinas fazem conosco, o que os enganos, erros, acidentes e catástrofes tremendos fazem conosco. Vocês são os únicos otários o suficiente para agonizar sobre tempo e distância sem limite, sobre mistérios que nunca morrerão..."

Assim, se a ficção científica merece estudo, como poderia ser melhor apresentada num campus universitário, num curso acadêmico sério? (Claramente, eu não sou da escola "mande isso para a sarjeta à qual pertence", iniciada por uma fã ardorosa, Dena Benatan, quando ela expressava sua preocupação de que o escrutínio acadêmico poderia minar o campo da FC, fazendo-a excessivamente auto-consciente) (Hartwell 188). Quais são os perigos e prazeres de tentar ensinar FC na sala de aula? Eu gostaria de falar sobre as dificuldades inerentes e únicas de ensinar um corpo de literatura que está mudando no momento em que tentamos examiná-lo; eu gostaria de transmitir o entusiasmo e o sentimento de assombro que continuam a separar a ficção científica de qualquer outra forma de literatura.

Os problemas de ensinar FC começam fora da sala de aula, nomeadamente convencer seus administradores à permitir que tal curso seja enfim ensinado. Eu fui sortuda.

Comecei o meu nos anos 70, quando a relevância ditava o currículo. O New York Times iniciara sua coluna regular de ficção científica e talvez isso fôsse autorização suficiente. Eu também frisava que faria uma abordagem histórica, começando com os clássicos, mas isto não me livrou dos sorrisos polidos dos meus colegas e dos sorrisos de absoluto desdém dos tradicionalistas mais rígidos.

Até hoje, quase vinte e cinco anos depois, eu ainda constantemente me sinto como se devesse me desculpar por ensinar um curso que eu amo e que penso que é importante; em último caso, eu entro em modo justificativo, explicando quantas pérolas literárias estão incluídas no meu currículo e quão intelectualmente desafiante o curso é. Nunca, contudo, eu senti que ele tinha recebido o respeito que merece - mas eu sei, e meus estudantes sabem, que vale a pena de verdade.

O que me leva ao próximo dilema: enquanto alguns membros da faculdade questionam a validade da ficção científica como um curso universitário, os estudantes não o fazem - e eles chegam em manadas.

Os cursos de Milton podem ter vagas sobrando; FC requer múltiplas seções.
Isto obviamente cria uma potencial má vontade. Para somar ao problema, os estudantes freqüentemente requisitam um segundo curso semestral, e então eu tentei propôr um curso separado de FC Moderna. Absolutamente fora de questão, me disseram. O motivo? Obviamente porque isso atrairia ainda mais estudantes para longe dos tradicionais cursos de Inglês. Eu compreendi a situação e retrocedi - mas não sem um sentimento de perda.

Outra situação irritante que encontrei, emergiu quando o curso de FC - o qual eu tinha planejado e lutado por ele - foi temporariamente dado à uma professora incompetente e desinformada, mas que tinha estabilidade, porque os alunos não queriam participar de nada do que ela ensinasse. Ficção científica, no entanto, era uma tamanha atração que eles estavam querendo pegar o curso, à despeito dela. (Eu tentei apresentá-la aos vários periódicos de crítica de FC que existem, mas ela assegurou-me que não estava interessada; quando eu descobri que seu programa inteiro consistia de Frankenstein, todos os livros de Duna, e 2001, percebi imediatamente seu objetivo - e saí de cena.)

Uma vez que um curso de ficção científica tenha sido aprovado, um novo conjunto de problemas emerge. Por exemplo, encomendar os livros de estudo pode ser um desafio. Livros de ficção científica estão disponíveis hoje, esgotados amanhã. Uma de minhas antologias favoritas, The Road to Science Fiction, em quatro volumes, editada por James Gunn, está esgotada nos EUA enquanto, não obstante, tenha sido editada e traduzida e será brevemente impressa na Alemanha com um novo volume, o 5, acrescentado. Entrementes, eu estou constantemente batalhando para encontrar outra antologia de contos igualmente boa, barata e abrangente - por enquanto, sem sucesso. Em qualquer dado semestre, eu posso ter de substituir um dos livros de um autor por outro, rastrear qual editora publica um determinado romance, e simplesmente descartar um trabalho seminal porque ele não está mais disponível.

Existem dois outros problemas únicos de preparação: na maioria dos cursos, se eu quero ler a crítica de um livro, eu sei exatamente onde encontrá-la. Freqüentemente, todavia, não há qualquer material de crítica disponível sobre um trabalho de FC em particular.

Um de meus primeiros artigos foi uma comparação de Odd John e Sirius de Olaf Stapledon. Naquela época, em meados dos anos 1970, não havia muita crítica de FC existente.
Mesmo à um curto tempo atrás, quando eu submeti um artigo sobre "A Martian Odissey" de Stanley Weinbaum, não havia necessidade de alocar horas para procurar no CD-ROM. De fato, críticas literárias não estavam disponíveis nos computadores de nossas bibliotecas mesmo dois anos atrás, outro pequeno lembrete de quão rapidamente nossas vidas estão sendo mudadas pela nova tecnologia.

De fato, não ter muitas críticas disponíveis é uma espada de dois gumes: permite-nos escrever a nossa própria. Temos muito mais oportunidade no campo da FC para publicar - mas, ali jaz outra questão: a maioria dos nossos autores de FC ainda estão vivos (e eu, por exemplo, não desejaria que fosse de outro jeito). Todavia, enquanto um crítico e estudioso possa estar escrevendo o trabalho "definitivo" sobre um autor, o autor em questão pode ter acabado de entrar numa nova fase em seu desenvolvimento como escritor.
Eu sei de pelo menos dois casos em que um excelente pesquisador estava tentando publicar um livro sobre um brilhante e prolífico autor (Fred Pohl em um caso e Isaac Asimov no outro) mas à cada vez que o "último" capítulo era finalizado, o sujeito do livro aparecia com mais dois novos volumes seus, deixando seu crítico-biógrafo comendo poeira.

Quando você finalmente está pronto para entrar na sala de aula e lecionar para sua primeira classe, um grande problema vêm à tona quase imediatamente.
Tente definir o que ficção científica é, e você entenderá o que quero dizer.

O paciente não fica quieto na mesa enquanto você o examina.
É mais produtivo examinar a composição de uma classe típica - aqui não há nada dos agrupamentos homogêneos do Inglês tradicional! Não somente eu tenho uma audiência de interesses muito diversificados, mas tenho também alguns estudantes que não têm a mais pálida idéia do que seja FC (mas eles sabem que parece mais fácil que Shakespeare). Outros pensam que ficção científica é Jornadas nas Estrelas e mais Jornada nas Estrelas - ou Star Wars e Robocop. De fato, existem sempre uns poucos estudantes que entram em choque total quando percebem que lerão mais do que assistirão FC por todo o semestre.

Eu sei que para muitos destes estudantes, este será provavelmente o último curso de Inglês que eles farão; é minha esperança e responsabilidade deixá-los tão entusiasmados pela ficção científica que desejarão continuar lendo, mesmo quando não fôr mais exigido que o façam.

A gama de experiência dos estudantes com FC é fenomenal e enquanto uma certa percentagem de qualquer dada classe está lá porque o curso pareceu-lhes fácil e "divertido", eu sempre tenho uns poucos estudantes que não são meramente interessados em ficção científica, eles são verdadeiros fanáticos. É sempre possível encontrar estudantes que desejam compartilhar seu entusiasmo sobre uma área particular do campo de um autor favorito, e dado que é impossível para mim saber tudo sobre um assunto tão vasto, eu aprecio grandemente quaisquer lacunas que eles me ajudem a preencher.

Eu nunca vou esquecer, por exemplo, o estudante que deu à classe uma demonstração do sintetizador MOOG original (seu co-inventor é um professor da Hofstra), mostrando como os filmes de FC criam sua trilha sonora do outro mundo. Obviamente, um dos grandes prazeres de ensinar ficção científica é os estudantes que você têm. Eles são alguns dos mais interessantes, mais entusiasmados e entusiasmantes, mais agradecidos estudantes que vocês possam imaginar - também freqüentemente os mais brilhantes.
Vamos encarar isso: a maioria das pessoas que se voltaram para a ficção científica têm a mente aberta, desejosos de explorar novas idéias, altamente inteligentes, e muito criativos. (Sim, e algumas vezes eles são muito, muito esquisitos: como Damon Knight disse certa vez, todos os escritores de FC começaram como sapos. Eu tive muitos pulando pulando para dentro e para fora da minha sala de aula durante anos.)
Eu tive estudantes que foram ser grandes autores de quadrinhos na DC, estudantes que publicaram seus primeiros romances - romances de verdade - enquanto ainda estavam no primário, e estudantes que se vestem de preto e dançam nas estradas à noite. Fãs de ficção científica são um segmento especial da população por causa de sua disposição para audaciosamente examinar novas idéias - e para debater sobre elas interminavelmente.

Há um senso especial de comunidade no mundo da FC que encontra seu caminho direto na sala de aula; novas idéias podem ser lançadas de um para o outro, criando discussões em sala de aula muito excitantes: novas palavras, novos mundos, novos conceitos, todos para serem explorados juntos.

Finalmente então, meu prazer em ensinar ficção científica está integralmente atado às razões pelas quais eu amo lê-la: é um conteúdo realmente excitante! Nós vivemos num mundo de ficção científica e não podemos abrir nossos jornais sem ler histórias de FC transformadas em verdade: no New York Times, manchetes dizem "Cometa Vai Atingir Júpiter", "Funerais Domésticos Drive-Through Ganham Aceitação", "3 Cientistas Dizem Que a Viagem no Tempo Não Está Muito Distante"; artigos em revistas descrevem congelamento à vácuo de nossos animais de estimação, panfletos oferecem oportunidades para piquenique em Three Mile Island.

Quando eu não estou lendo as notícias, eu estou mandando e-mails para uma filha ou ouvindo outra ponderando que se ela pudesse clonar à si mesma, então ela poderia dizer à sua filha algum dia, "Eu sei exatamente o que você está pensando!"

Nos mais de vinte anos desde que eu comecei a ensinar ficção científica, o mundo e sua tecnologia mudaram enormemente. A ficção científica, por sua própria natureza, sugere que o futuro será ainda mais estranho do que podemos imaginar; isso nos faz flexíveis, tolerantes ao que virá; ela se esforça para nos fazer ansiosos por conhecer esse futuro - ou nos dá a previdência para evitá-lo. Se eu puder exitosamente ajudar meus estudantes a se prepararem para o futuro em que viverão - e fazê-los gostar de ler também - todos os perigos e políticas que eu encaro tornam-se um pequeno preço à pagar.

TRABALHOS CITADOS:

Hartwell, David. Age of Wonders. New York: Walker and Co., 1984.
Toffler, Alvin. Future Shock. New York: Bantam, 1970.
Vonnegut, Kurt, Jr. God Bless You, Mr. Rosewater. New York: Dell Publishing Co., 1972.

traduzido por Alexis B.Lemos

domingo, 26 de outubro de 2008

Os melhores contos de medo, horror e morte



SUMÁRIO
Morrer de medo, viver de medo

1. MEDO, SUSTO E HORROR

Edgar Allan Poe - O poço e o pêndulo
O gato preto
Charles Dickens - O Capitão Assassino
Sheridan Le Fanu - Estranho incidente na vida do pintor Schalken
Bram Stoker - O hóspede de Drácula
Horacio Quiroga - O travesseiro de penas
H.P. Lovecraft - Os ratos nas paredes
Emilia Pardo Bazán - A ressuscitada
Franz Kafka - O abutre
Humberto de Campos - Os olhos que comiam carne
Ambrose Bierce - Um acontecimento na ponte de Owl Creek
Robert Louis Stevenson - Markheim


2. MEDO, CLIMA E COTIDIANO

Nathaniel Hawthorne - O experimento do dr. Heidegger
Vladimir Korolenko - A voz do vento
Gustave Flaubert - A lenda de são Julião Hospitaleiro
Inglês de Souza - Acauã
Honoré de Balzac - O recruta
Machado de Assis - A causa secreta
Rudyard Kipling - O retorno de Imray
G.K. Chesterton - A rua zangada
D.H. Lawrence - O campeão do cavalinho de balanço
Jerome K. Jerome - O dançarino
Arthur Machen - Abrindo a porta
Edith Wharton - Uma garrafa de Perrier
Dino Buzzati - O sonho da escada
Flávio Moreira da Costa - Os mortos
Obras do organizador

Os melhores contos de medo, horror e morte - organiz. Flávio Moreira da Costa [ Download ]

Ficção Científica: uma narrativa da subjetividade homem-máquina


(Na virada do século XX para o XXI assistimos a um fato curioso: os monstros e os mundos possíveis da ficção científica parecem escapar das páginas de livros e telas de cinema e se materializar em nossos laboratórios.
O rato com orelha humana nas costas, o computador enxadrista Deep Blue, o canadense Steve Mann – o cyberman,1 o ciberespaço e a realidade virtual são alguns exemplos. Esses seres e mundos híbridos, frutos das tecnologias de informação e da comunicação mediada por computador, indicam a perda de nitidez nas fronteiras modernas entre orgânico/maquínico, natural/artificial, físico/não-físico, corpo/mente, factual/ficcional produzindo dois eixos de
problematizações que interessam a este artigo. O primeiro eixo refere-se às mudanças dos conceitos e relações entre humanos e técnica que nos faz repensar as fronteiras ontológicas e epistemológicas modernas. O segundo remete ao fato de os seres e mundos híbridos parecerem personagens e paisagens da ficção científica, o que desperta a curiosidade por entender
como o termo híbrido ficção científica tornou-se tão adequado para descrever o contexto cultural e científico da Atualidade...)


Ficção Científica: uma narrativa da subjetividade homem-máquina
Fátima Regis de Oliveira - [ Download ]

Ilustração de Beksinski

sábado, 25 de outubro de 2008

Site e evento Steampunk no Brasil


Senhoras e Senhores a Sociedade Paulista Steampunk convida a todos os admiradores deste gênero para o Primeiro Evento Steampunk Paulista que acontecera neste dia 29/11/2008.

Mais informações, no site Sociedade Paulista Steampunk

Escritoras de ciencia ficción y fantasía

¿Nos contará de los otros mundos allá entre las estrellas, de los otros hombres, las otras vidas?
Ursula K. Le Guin

"Creo que si hay un género propio de este siglo que acaba es la ciencia ficción: la expresión de las inquietudes, reflexiones, perspectivas que ofrecen a la imaginación creadora, los descubrimientos de la ciencia, el avance de la tecnología y los cambios sociales que han conmocionado profundamente la concepción tradicional del mundo. Y así, transgrediendo los límites de los
espacios que nos son familiares (nuestro mundo-planeta), y del tiempo conocido (presente y pasado históricos), este género se convierte en una ficción especulativa sobre el futuro que nos aguarda –no sólo en sus aspectos científico-tecnológicos, sino también políticos, sociales, humanos -, y una especulación asimismo sobre otros mundos, otras dimensiones de la realidad
que pudieran existir.

Excluida con frecuencia por la crítica de la literatura general (la “gran literatura”), bajo la etiqueta de ciencia ficción (CF) se han publicado sin embargo un ingente número de obras. De la ciencia ficción dura a las novelas de aventuras espaciales (space opera); de la fantasía heroica al ciberpunk, o a las utopías y antiutopías, es una narrativa tan diversa en subgéneros y temas
como desigual en calidad literaria.

Sin duda, todavía hoy sigue teniendo mucho de guetto: la mayoría de los autores escriben exclusivamente ciencia ficción, al igual que hay un público especializado en su afición al género. Éste cuenta con sus propias revistas y fanzines, asociaciones, convenciones e incluso premios literarios. Un dato curioso –y digno de mayor estudio- es el notable número de matrimonios
compuestos por autora y autor de CF, y que con frecuencia escriben en colaboración parte de su obra.

Hay en la ciencia ficción creaciones que han pasado, por derecho propio, a formar parte de la historia de la literatura, y que no sólo han cuestionado nuestra concepción de la realidad, sino también presentan críticas radicales a las sociedades existentes, y a las manipulaciones de la tecnología y la ciencia.
Pero también hay otro gran número escritas para un consumo rápido, de pura evasión, por lo cual poco tienen de auténtica ficción especualtiva, y sí, con frecuencia, son ejemplo de los defectos que se achacan al género: no sólo falta de calidad en lo que al lenguaje literario se refiere, sino una tendencia al maniqueísmo y moralismo más tópicos, al servicio de unos valores culturales, sociales y políticos conservadores, tendencia que se agudiza, como veremos, en el tratamiento que muchos autores dan a las mujeres en sus obras... Lola Robles. "

ÍNDICE

Prólogo
Autoras por orden alfabético
Antologías de escritoras de ciencia ficción y fantasía
Bibliografía crítica
.Mujeres y ciencia ficción
.Obras generales
.Ciencia ficción en España y América Latina
Antologías de ciencia ficción consultadas
Antologías de ciencia ficción española y latinoamericana consultadas
Revistas y fanzines consultados
Sitios web consultados
Índice de autoras españolas y Latinoamericanas
Índice de autoras que usan seudónimo
Índice de seudónimos

Escritoras de ciencia ficción y fantasía [ Download ]

Steam and Steel - a guide to fantasy steamworks



Steam and Steel - a guide to fantasy steamworks [ Download ]

On Writing - Stephen King


This is a short book because most books about writing are fulled with bullshit. Fiction writers, present company included, don’t understand very much about what they do—not why it
works when it’s good, not why it doesn’t when it’s bad.
I figured the shorter the book, the less the bullshit.
One notable exception to the bullshit rule is The Elements of Style, by William Strunk Jr. and E. B. White. There is little or no detectable bullshit in that book.
(Of course it’s short; at eighty pages it’s much shorter than this one.)
I’ll tell you right now that every aspiring writer should read The Elements of Style.
Rule 17 in the chapter titled Principles of Composition is “Omit needless words.” I will try to do that here.


On Writing - Stephen King [ Download ]

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Star Wars Incredible cross-sections - The Phantom Menace




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Antologia de La Ciencia Ficción espanhola - 1982-2002

La ciencia ficción española ha alcanzado su madurez con el cambio del milenio. Después de los difíciles años de gestación, recogidos ya en la histórica "Lo mejor de la ciencia ficción española", las dos décadas que centran la antología de Julián Díez han marcado la consolidación literaria del género en España y la aparición de la mejor generación de autores.

Doce nombres y doce historias que son un fiel reflejo de la vitalidad de la ciencia ficción española, de su riqueza imaginativa y de su calidad literaria. Doce voces que marcan el territorio, los temas y las preocupaciones de su generación, y señalan las sendas de futuro en un género dominado por la literatura anglosajona.

El magnífico estudio introductorio de Julián Díez ofrece la historia y las claves para entender la ciencia ficción en España. Todo ello convierte esta antología en un punto de referencia ineludible para los amantes de la buena literatura.

Incluye:

* Agradecimientos
* Ciencia ficción española: un análisis en perspectiva, por Julián Díez
* Mein Führer, por Rafael Marín
* La estrella, por Eliá Barceló
* El rebaño, por César Mallorquí
* El centro muerto, por León Arsenal
* El bosque de hielo, por Juan Miguel Aguilera
* Otro día sin noticias tuyas, por Juan Carles Planells
* Un jinete solitario, por Rodolfo Martínez
* Nada personal, por Armando Boix
* Los herederos, por Daniel Mares
* Días de tormenta, por Ramón Muñoz
* Una esfera perfecta, por Eduardo Vaquerizo
* Entre líneas, por José Antonio Cotrina
* Recomendaciones
* Bibliografía


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Quantum Dreams - The art of Stephan Martiniere





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De King Kong a Einstein - La Física de la Ciencia Ficción


Reseña: La ciencia ficción es un poderoso vehículo con el que pueden traspasarse incluso los límites de la imaginación humana. Permite entrever el sueño de la inmortalidad, hace posible el viaje espacial a distantes sistemas estelares o revisitar el pasado de la Tierra.

Un vehículo de exploración que, de la mano de los mitos del género como Frankenstein, Superman o Terminator, constituye no sólo un mero entretenimiento sino una vía alternativa de aproximación al mundo de la ciencia. La búsqueda de los principios físicos que rigen el universo se convierte así en un reto fascinante, lúdico y sorprendente., a la vez que ejercita el espíritu crítico y conveniente escepticismo. Odiseas en tierras de gigantes, gorilas e insectos colosales; hombres menguantes y universos contenidos en una gota de agua; cruceros por el océano de la noche, recalando en mundos livianos y planetas de gravedad aplastante; improbables superhéroes que sortean los límites de la física; delirios de sabios locos jugando a ser dios con electricidad; temerarios viajeros en plena cruzada al centro de la Tierra; holocaustos nucleares y tierras anegadas por mares infinitos; náufragos a la deriva por los procelosos corredores del tiempo; cronoseísmos, hiperespacio y agujeros de gusano. Son algunas paradas de este viaje alucinante al mundo de la física.

Prólogo

1. King Kong, hombres menguantes y universos en una gota de agua

1.1. Atención: cuidado con las hormigas
1.2. La física de Gulliver: gigantes y enanos
1.3. Veinte mil leguas de viaje submicroscópico
1.4. Máquinas y artilugios de éste y otros mundos

2. Una odisea en el espacio: del Enterprise al Halcón Milenario

2.1. Cinco, cuatro, tres, dos, uno…¡Ignición!
2.2. De la Tierra a …¡Barsoom!
2.3. “Jefe oro a jefe rojo: en posición”
2.4. Mares cilíndricos, esferas de Dyson y estaciones orbitales
2.5. Se busca botones para ascensor espacial
2.6. ¿Rayos? ¡Rayos! Sinfonía para otra guerra de las galaxias

3. De Superman al hombre invisible: ídolos con pies de barro

3.1. Flash, el relámpago humano
3.2. Del hombre murciélago al hombre araña
3.3. Superman, un superhéroe modélico
3.4. Nuevos hombres para el mañana
3.5. En busca del hombre invisible

4. ¿Sueña Frankenstein con ovejas eléctricas?

4.1. Fantasías eléctricas y magnéticas
4.2. El monstruo de Frankenstein y la electrobiología
4.3. Emulando a los dioses: recetas para la inmortalidad
4.4. Los (pseudo) poderes de la mente

5. Leyendas de un planeta llamado Tierra

5.1 Pic-nic en el centro de la Tierra
5.2 Holocaustos: del mundo de Mad Max al invierno nuclear
5.3 Tornados, volcanes y otras catástrofes
5.4 Del martillo de Lucifer al martillo de Dios

6. Guía para viajeros del tiempo

6.1 Próxima estación: siglo XX. Correspondencia con otras líneas de tiempo
6.2 ¿Dentro de cien años todos calvos? Trances hipnóticos y criogenia
6.3 Nietos psicópatas, casualidad y paradojas
6.4 La física de los viajes en el tiempo
6.5 Naves generacionales e imperio galácticos
6.6 Agujeros de gusano y otros legados de la realidad general


De King Kong a Einstein - La física en la ciencia ficción
- Manuel Moreno Lupiáez e Jordi José Pont [ Download ]

Los mejores relatos de fantasia - Avram Davidson


Tienda de chatarra, John Brosnan (Junk Shop, 1968)
Del tiempo y la Tercera Avenida, Alfred Bester (Of Time and Third Avenue, 1951)
Cada cual su botella, John Collier (Bottle Party, 1939)
Tal como está, Robert Silverberg (As Is, 1968)
La capa, Robert Bloch (The Cloak, 1939)
Piedra de toque, Terry Carr (Touchstone, 1964)
Doctor Bhumbo Singh, Avram Davidson (Dr. Bhumbo Singh, 1982)
El héroe es único, Harlan Ellison (The Cheese Stands Alone, 1981)
El tritón malasio, Jane Yolen (The Malaysian Mer, 1982)
Bébase entero: contra la locura de masas, Ray Bradbury (Drink Entire: Against the
Madness of Crowds, 1975)
Elephas Frumenti, L. Sprague de Camp (Elephas Frumenti, 1950)
Tellero Bo, Theodore Sturgeon (Shottle Bop, 1948)
El huevo de cristal, H. G. Wells (The Crystal Egg, 1900)
La mujer del vestido genético, Daniel Gilbert (The Woman in the Designer Genes,1980)

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Cyberpunk, Feitiçaria e Paranóia - Universo RPG

"Podemos traçar algumas diferenças entre a literatura cyberpunk e as outras formas de ficção científica realizadas até então: a tecnologia aparecia não como uma projeção de como vai ser o futuro - como no caso de The Shape of Things to Come (Os Ventos da Mudança), de H. G. Wells, mas para criar um cenário capaz de gerar uma alegoria crítica da sociedade atual. O próprio futuro não é mais o longínquo – como em A Fundação, de Isaac Asimov, que fala sobre um império do ano 5000 –; mas as décadas de 2010 e 2020, do ponto de vista da década de 1980. Os protagonistas não são heróis virtuosos escolhidos para uma missão a Júpiter – como 2001, de Arthur Clark. São pessoas comuns, integrantes do povo, com os vícios e defeitos humanos. (Lemos e Pérsio, 2002)"

Cyberpunk, Feitiçaria e Paranóia - Novas Tecnologias e Subjetividade no RPG
Claudio Faria Marques [ Download ]

Manual de una Maquina Del Tiempo e Los mejores ordenadores en la Ciencia Ficción


Manual de una Maquina Del Tiempo
Si hay un tema "clásico" por excelencia en la ciencia ficción es el del viaje en el tiempo. Ya sea para cazar a un dinosaurio, para explorar un futuro remoto o para pasear junto a nuestros antepasados, la posibilidad de burlar a la flecha del tiempo ha despertado la imaginación de la mayor parte de los escritores del genero. A continuación daremos nuestro propio paseo por algunas de las mejores obras sobre este apasionante tema.
¿CUANTOS TIPOS DE VIAJE EN EL TIEMPO CONOCEMOS?

Los mejores ordenadores en la Ciencia Ficción
¿Cuál es el computador mejor construido de la ciencia ficción?. La verdad es que hay muy pocos ordenadores que sean "creibles" en la ciencia ficcion: ¿La razon?. Como norma general, o son demasiado "humanos"... o simplemente no existen. En muchas obras, el ordenador no se comporta como una maquina, con ambiciones de maquina. Es un personaje mas de la obra, y resultan tan "empaticos" que uno no puede dejar de considerarlos como un ser humano mas, con todas las virtudes y defectos de este planteamiento.


Manual de una Maquina Del Tiempo e Los mejores ordenadores en la Ciencia Ficción
- Cristóbal Perez-Castejón [ Download ]

Construção e destruição dos estereótipos de gênero nas séries televisivas de Ficção Científica no século XXI


Existe um acordo geral de que a primeira obra literária de Ficção Científica foi escrita
por uma mulher.
Falamos de Frankenstein, de Mary Shelly, publicada em 1818.
A qualificação como Ficção Científica vem do fato de se tratar de acontecimentos verossímeis embora irreais; verossímeis devido aos conhecimentos científicos e tecnológicos do momento, ou devido à futura projeção científica da humanidade. Essa é uma diferença fundamental com a literatura fantástica nas suas diversas manifestações, pois a literatura fantástica, a diferença da Ficção Científica, mostra mundos impossíveis, irreais, fruto das elaborações onde mitos, lendas e mágica se misturam. Assim em Frankenstein, pela primeira vez, os conhecimentos científicos de uma época servem para fazer crível o fantástico: o monstro é uma criação humana, não surge, como o caso de Drácula, do mito ou da lenda.


Construção e destruição dos estereótipos de gênero nas séries televisivas de Ficção Científica no século XXI - Dra. Cristina Amich Elías [ Download ]