quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O mundo assombrado pelos demônios - Carl Sagan



Este livro é uma defesa apaixonada e apaixonante da ciência e da racionalidade humana.
Carl Sagan, que não tem poupado esforços para divulgar os conhecimentos científicos de forma correta e clara, ataca o vírus do analfabetismo científico que faz, por exemplo, com que a maioria dos americanos pense que os dinossauros conviveram com os seres humanos e que desapareceram no Dilúvio porque não cabiam na Arca de Noé.

Ou que acredite em explicações pseudocientíficas e ficções, do monstro de Loch Ness às estátuas lacrimejantes da Virgem Maria, do Abominável Homem das Neves ao poder das pirâmides e dos cristais, do Santo Sudário a terapias de vidas passadas, de anjos e demônios a seres extraterrestres que seqüestram e estupram.

Para o autor de Pálido Ponto Azul, longe de serem inócuas, essas crenças e modismos podem causar danos terríveis; nos Estados Unidos pais inocentes estão sendo condenados em decorrência de falsas lembranças de abuso sexual de seus filhos, induzidas por terapeutas incompetentes.

Da mesma forma, ele mostra que a crença nos argumentos de autoridade e o declínio da compreensão dos métodos da ciência prejudicam a capacidade de escolha política e põem em risco os valores da democracia.

Como todos os livros de Sagan, O mundo assombrado pelos demônios está cheio de informações surpreendentes, transmitidas com humor e graça.
Seus ataques muitas vezes divertidos à falsa ciência, às concepções excêntricas e aos irracionalismos do momento são acompanhados por lembranças felizes da infância, quando seus pais o colocaram em contato pela primeira vez com os dois modelos de pensamento centrais para o método científico: o ceticismo e a admiração.

Para aqueles que vivem bombardeados diariamente pelos fenômenos "fantásticos" da vida, este livro funciona como um tratamento de desintoxicação. Mais que uma vela bruxeleante, trata-se de um jato de luz destinado a varrer os demônios do obscurantismo que pairam sobre nosso
tempo.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Space Family Robinson n°1 (1962)


Space Family Robinson was the joint creation of editor and writer Del Connell and artist Dan Spiegle. Connell was the artistic director of Dell and Gold Key, a job he held since the early 1950s after a stint in the art department at Disney. Spiegle is a versatile California-based illustrator who ably turned out an astonishing variety of assignments for Gold Key throughout the '60s, from fanciful fare like their original movie adaptation of Disney's Mary Poppins, to straight adventure like Jonny Quest, to superheroics like Space Ghost and The Green Hornet.

Spiegle obviously enjoyed creating the unique look of Space Family Robinson. He displayed a distinctive style for rendering futuristic settings which, in the '60s set him apart from most of his East Coast peers in the industry. Despite the typical "comic book" scientific inaccuracies and gosh-wow "Buck Rogers-isms" that often crept in to mar SFR scripts, Spiegle's space hardware and alien architecture showed the overall influence that shaped the work of West Coast artists like world-class illustrator and futurist designer Syd Mead.

fonte: SFR unofficial site


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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Isaac Asimov's Robots in Time - William F.Wu



In “Robot Visions,” Dr. Isaac Asimov writes about a question inherent in any time travel story—whether individuals traveling in time will alter events that would have occurred without the interference of a time traveler. Most writers who tackle this question write about changing the past and whether doing so is desirable or not. The Good Doctor, once again exhibiting the originality of his own vision, chooses to focus on a more rarely examined concern: of traveling into the future, and the possible consequences of doing so.

Stories that merely take place in the future are not the same as stories about individuals who travel from their own time, whatever it is, to their future. To my knowledge, the first science fiction novel to tell such a story is the classic novel by H. G. Wells,The Time Machine. In it Wells writes of a man who travels to the distant future from Victorian England, the time and place in which Wells was writing the novel. However, Wells presented a dystopian vision of the future as a warning of what could happen if the rigid social and economic divisions of his own society worsened to the extreme. The possibility of avoiding that vision lay not with the time traveler, but with the people who lived in Wells’s time. Wells did not really examine whether his time traveler’s report to his friends back in his own time would bring about a different future.

Two theories of history influence the tale any writer tells about time travel. One belief is that only large forces such as technological advance, economic change, and the development of religions and philosophies determine the direction of history. The other theory is that any event, “no matter how small, sends out ripples of influence that profoundly affect all other events. An historian told me that his colleagues are about evenly divided in their support of these theories.
Authors of time travel stories always write with one or the other implicit, if not explicit, in their work.

I first discovered the science fiction of Isaac Asimov as a child and have read both his fiction and nonfiction in the years since then. Writing time travel stories about his positronic robots and his Three Laws of Robotics is therefore a special honor for me, and I hope you will enjoy theRobots in Time series. By way of introduction, this book presents the late Dr. Asimov’s fantastic “Robot Visions.”

William F. Wu.


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Gold - The Final Science Fiction Collection - Isaac Asimov


Pouco após a morte do bom doutor, a HarperPrism publicou uma coleção de seus ensaios e alguns contos, chamada GOLD. O livro se divide em 3 seções.
Na primeira estão 15 contos, nunca publicados em nenhuma coletânea (ao menos até então).
A segunda seção traz algumas introduções escritas para diversas antologias, e a terceira, e talvez a mais interessante, traz o pensamento de Asimov, sobre a arte de escrever.
Apesar da leitura sempre agradável que seus contos proporcionam, a leitura dos ensaios expõe um pouco do que se passava pela cabeça do premiado e cultuado autor, em seus ultimos anos de vida, sua busca por uma definição da Ficção Científica feita nestes dias e de seus subgêneros, com os quais, visivelmente o bom doutor não se sentia muito à vontade.

Conteúdo:

PART ONE: THE FINAL STORIES
CAL
LEFT TO RIGHT
FRUSTRATION
HALLUCINATION
THE INSTABILITY
ALEXANDER THE GOD
IN THE CANYON
GOOD-BYE TO EARTH
BATTLE-HYMN
FEGHOOT AND THE COURTS
FAULT-INTOLERANT
KID BROTHER
THE NATIONS IN SPACE
THE SMILE OF THE CHIPPER
GOLD

PART TWO: ON SCIENCE FICTION
THE LONGEST VOYAGE
INVENTING A UNIVERSE
FLYING SAUCERS AND SCIENCE FIC TION
INVASION
THE SCIENCE FICTION BLOWGUN
THE ROBOT CHRONICLES
GOLDEN AGE AHEAD
THE ALL-HUMAN GALAXY
PSYCHOHISTORY
SCIENCE FICTION SERIES
SURVIVORS
NOWHERE!
OUTSIDERS, INSIDERS
SCIENCE FICTION ANTHOLOGIES
THE INFLUENCE OF SCIENCE FICTION
WOMEN AND SCIENCE FICTION
RELIGION AND SCIENCE FICTION
TIME-TRAVEL

PART THREE: ON WRITING SCIENCE FICTION
PLOTTING
METAPHOR
IDEAS
SUSPENSE
SERIALS
THE NAME OF OUR FIELD
HINTS
WRITING FOR YOUNG PEOPLE
NAMES
ORIGlNALITY
BOOK REVIEWS
WHAT WRITERS GO THROUGH
REVISIONS
IRONY
PLAGIARISM
SYMBOLISM
PREDICTION
BEST-SELLER
PSEUDONYMS
DIALOG
ACKNOWLEDGMENTS

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domingo, 9 de novembro de 2008

Michael Crichton

Dr. John Michael Crichton (23 de Outubro, 1942 - 4 de Novembro, 2008), escritor, produtor de cinema e televisão. Apesar de ser mais conhecido pela adaptação para o cinema de seus livros de ficção científica (Jurassic Park, por exemplo) era reconhecido como um artista de várias facetas e talentos. Um dos fundadores do gênero techno-thriller, unindo ação e ciência.
Muitos de seus romances são ancorados em seu vasto conhecimento científico.

Ainda como estudante (medicina),escreveu sob pseudônimos John Lange e Jeffrey Hudson.

Crichton sabia como poucos, dar uma cara nova e moderna para temas antigos, como fez em 'The Andromeda Strain', influenciado por 'Guerra dos Mundos' de H.G.Wells.
Outra característica de seus escritos era possibilitar sempre finais em aberto, como fez em 'Jurassic Park', 'Esfera', 'TimeLine' e 'Prey'.
Demonstrando sua versatilidade, Crichton escreveu livros científicos, entre eles 'Eletronic Life', um livro dedicado a linguagem de computador BASIC.

Sphere, The Andromeda Strain e Jurassic Park - Michael Crichton [ Download ]

sábado, 8 de novembro de 2008

A sensação de poder - Isaac Asimov - Parte 1/2

Jehan Shuman estava acostumado a lidar com os homens responsáveis pelas tropas espalhadas pela Terra. Era apenas um civil, mas tinha criado os programas que possibilitaram o surgimento dos mais avançados computadores automáticos de guerra. Consequentemente, os generais ouviam sua opinião. Os líderes das comissões parlamentares também.

Havia um militar e um político no salão especial do Novo Pentágono. O general Weider tinha um rosto bronzeado pelos raios de muitos sóis, e sua pequena boca, cheia de rugas, quase não aparecia. O deputado Brant tinha um rosto suave e olhos claros. Ele fumava um charuto denebiano com a segurança de alguém cujo patriotismo era tão notório que podia se permitir certas liberdades.

Shuman, alto, distinto, um típico programador de elite, encarou-os destemidamente.
- Cavalheiros - disse ele -, esse é Myron Aub.
- É aquele que tem um talento incomum, que você descobriu por acaso - disse Brant, sereno.
- Ah. - Ele estudou o pequeno homem de cabeça oval e careca com uma curiosidade cordial.

Em resposta, o homenzinho torceu os dedos de suas mãos ansiosamente. Nunca tinha visto homens tão importantes em sua vida. Era um técnico envelhecido e sem importância, que há muito tempo tinha fracassado em todos os testes destinados a selecionar as pessoas talentosas da humanidade e se acomodara numa rotina de trabalhos não especializados. Tinha apenas um passatempo que, de pois de descoberto pelo grande programador, acarretara todo esse estardalhaço.

- Acho infantil esse clima de mistério - disse o general Weider.
- Vai deixar de achar em um minuto - disse Shuman. - Esse é o tipo de coisa que não pode vazar para qualquer um... Aub! Havia um pouco de autoritarismo na sua maneira de pronunciar esse nome monossilábico, mas, nesse caso, era o grande programador falando para um simples técnico. - Aub! Quanto é nove vezes sete?

Aub hesitou um pouco. Seus olhos pálidos brilharam, ligeiramente ansiosos.
- Sessenta e três - disse ele.

O deputado Brant levantou as sobrancelhas.
- Ele acertou?
- Veja você mesmo, deputado.

O deputado tirou seu computador de bolso, apertou as teclas duas vezes, olhou para a superfície na palma de sua mão e guardou-o.

- É esse o talento que você trouxe para nos mostrar? Um ilusionista?
- Mais que isso, senhor. Aub decorou algumas operações e com elas faz cálculos num papel.
- Um computador de papel? - disse o general. Ele parecia aflito.
- Não senhor - disse Shuman pacientemente. - Não é um computador de papel. É um simples pedaço de papel. General, o senhor faria a gentileza de sugerir um número?
- Dezessete - disse o general.
-E o senhor, deputado?.
- Vinte e três.
- Ótimo. Aub, multiplique esses números e, por favor, mostre a esses cavalheiros como você faz isso.
- Sim, programador - disse Aub, fazendo uma reverência com a cabeça. Tirou um bloco de um dos bolsos da camisa e do outro uma caneta de bico fino. Sua testa se enrugava enquanto desenhava meticulosamente no papel.

O general Weider interrompeu-o bruscamente.
- Deixe-me ver isso.
Aub entregou-lhe o papel.
- Bem, isso parece com o número dezessete - disse Weider.
O deputado Brant balançou a cabeça.
- Parece sim, mas eu acho que qualquer um pode copiar as figuras de um computador. Talvez até eu possa fazer um dezessete razoável, mesmo sem prática.
- Se vocês deixarem Aub continuar, cavalheiros - disse Shuman, sem se perturbar.
Aub continuou com as mãos um pouco trêmulas. Depois de algum tempo, disse em voz baixa:.
- A resposta é trezentos e noventa e um.

O deputado Brant checou de novo o computador. - Por Deus, é isso mesmo. Como ele adivinhou?.
- Ele não adivinhou, deputado - disse Shuman. - Ele calculou o resultado nesse pedaço de papel.
- Conversa furada - disse o general, impaciente. - O computador é uma coisa, desenhos no papel são outra.
- Explique, Aub - pediu Shuman.
- Pois não, programador. Bem, eu escrevo dezessete, embaixo dele, escrevo vinte e três. Depois, digo comigo mesmo: sete vezes três...

- Só que o problema é dezessete vezes vinte e três interrompeu-o o deputado, cortês.
- Sim, eu sei - disse o pequeno técnico, num tom sério. Mas eu começo por sete vezes três, porque é assim que funciona. Agora, sete vezes três são vinte e um.
- Como é que você sabe isso? - perguntou o deputado.
- É uma questão de memória. É sempre vinte e um no computador. Já conferi um monte de vezes.
- Isso não quer dizer que vai ser assim para sempre, não? disse o deputado.
- Talvez não - gaguejou Aub. - Não sou matemático. Mas as minhas respostas sempre estão certas.
- Continue.
- Sete vezes três é vinte e um, então eu escrevo vinte e um. Depois, um vezes três é três e, então, escrevo o três embaixo do dois de vinte e um.
- Por que embaixo do dois? - perguntou de pronto o deputado.
- Porque.. - Aub olhou desesperado para o seu superior, como se estivesse pedindo ajuda. - É difícil de explicar.
- Se vocês aceitarem o seu trabalho por um momento, podemos deixar os detalhes para os matemáticos.
Brant se acalmou.
- Três mais dois é igual a cinco - disse Aub. - Então o vinte e um vira cinqüenta e um. Você deixa isso de lado um pouquinho e começa de novo. Você multiplica sete por dois, que é catorze e um por dois, que dá dois. Se você colocá-los assim, isso vai dar trinta e quatro. Agora coloque o trinta e quatro embaixo do cinqüenta e um dessa forma e faça a soma, então terá a resposta final, que é trezentos e noventa e um.

Houve um momento de silêncio.
- Não acredito nisso - disse o general Weider. - Ele vem com essa conversa furada e desenha os números, multiplica e soma dessa maneira, mas não acredito. Isso é muito complicado. Não passa de um truque.
- Não, senhor - disse Aub, ansioso. - Só parece complicado porque o senhor não está acostumado. Na verdade, as regras são muito simples e funcionam com qualquer número.
- Qualquer número, hein? - disse o general. - Então, vamos ver. - Pegou o seu computador (um modelo GI de estilo austero)e apertou-o ao acaso. - Escreva cinco sete três oito no papel. Isto é cinco mil, setecentos e trinta e oito.
- Sim, senhor - disse Aub, pegando uma folha em branco.
- Agora - mais toques no seu computador - sete dois três nove. Sete mil, duzentos e trinta e nove.
- Sim, senhor.
- Agora, multiplique esses dois números.
- Isso vai demorar um pouco - disse Aub, com uma voz trêmula.
- Fique à vontade - disse o general.
- Vá em frente, Aub - disse Shuman, incisivo.

Aub pôs-se a trabalhar, inclinando-se para baixo. Virou outra página e mais outra. O general pegou o relógio e viu as horas.
- Você já terminou o seu número de magia, técnico?.
- Estou terminando, senhor. Aqui está, senhor. Quarenta e um milhões, novecentos e trinta e sete mil, trezentos e oitenta e dois. Ele mostrou o resultado rabiscado no papel.
O general Weider sorriu amargamente. Ele pressionou o botão de multiplicação do seu computador e deixou os números rodopiarem até parar. Então ele olhou o resultado e gritou surpreso. - Grande Galáxia, esse cara está certo.

O Presidente da Federação Terrestre tinha adquirido uma expressão macilenta devido à longa permanência nos escritórios; nas audiências, ele permitia que uma expressão vagamente melancólica tomasse conta de suas feições. A guerra denebiana, depois de um breve começo de grande agitação e muita popularidade, tinha se restringido a uma sórdida questão de manobras e contramanobras, com o descontentamento crescendo continuamente na Terra. Provavelmente também estava crescendo em Deneb.

E agora, o deputado Brant, líder do importante Comitê de Apropriações Militares, estava alegre e entusiasmadamente desperdiçando a sua audiência falando barbaridades.
- Calcular sem um computador - disse o presidente, impaciente - é absolutamente impossível..
- Calcular - disse o deputado - é apenas um sistema de manipulação de dados. Uma máquina pode fazer isso, da mesma forma que a mente humana. Deixe-me dar-lhe um exemplo. E, usando as novas habilidades que tinha aprendido, desenvolveu somas e produtos até que o presidente, a despeito de sua desconfiança, se mostrou interessado. - Isso sempre funciona?.
- Sempre, Sr. Presidente. É infalível.
- É difícil de aprender?.
- Passei uma semana até pegar o macete. Acho que o senhor precisaria de menos tempo.
- Isso é um joguinho interessante - disse o presidente, depois de pensar um pouco. - Mas qual a sua utilidade?.
- Qual a utilidade de um bebê recém-nascido, Sr. Presidente? Por enquanto, não tem nenhuma utilidade, mas o senhor não vê, isso aponta o caminho que libertará a máquina. Pense bem Sr. Presidente. - O deputado se levantou e sua voz profunda automaticamente assumiu algumas das entonações que usava nos debates. - A guerra denebiana é uma guerra de computador contra computador. Os computadores deles produzem um escudo impenetrável de contramísseis contra os nossos mísseis, assim como os nossos fazem contra os deles. Quando modernizamos nossos computadores, eles também modernizam os deles, e há cinco anos existe um equilíbrio precário e inútil.

[Parte 2]

A sensação de poder - Isaac Asimov - Parte 2/2

[Parte 1]

Agora temos em nossas mãos um método para ir além do computador, pular por sobre ele, ultrapassá-lo. Combinaremos a mecânica do computador com o pensamento humano; teremos o equivalente aos computadores inteligentes; bilhões deles. Não posso prever detalhadamente quais serão as conseqüências, mas elas serão incalculáveis. E, caso os denebianos se antecipem a nós nesse aspecto.. o resultado pode ser uma catástrofe.
- O que podemos fazer? - disse o presidente, preocupado.
- Colocar o poder da administração em favor de um projeto secreto de computação humana. Chame-o de Projeto Número, se quiser. Posso me responsabilizar pelo meu comitê, mas vou precisar do apoio da administração.
- Mas até onde a computação humana pode ir?.
- Não há limites. De acordo com o programador Shuman, que me apresentou essa descoberta...
- Já ouvi falar de Shuman, é claro.
- Sim. Bom, o Dr. Shuman me disse que, teoricamente, não há nada que um computador faça que não possa ser feito pela mente humana. O computador apenas processa um número finito de dados e opera um número finito de operações a partir deles. A mente humana pode reproduzir esse processo.

O presidente pensou um pouco.
- Se Shuman diz isso, estou inclinado a acreditar nele... em teoria. Mas, na prática, como alguém pode saber como um computador funciona?
Brant sorriu cordialmente.
- Sr. Presidente, eu fiz a mesma pergunta. Ao que parece, houve uma época em que os computadores eram projetados diretamente pelos seres humanos. Eram computadores simples; antecederam a época em que o uso racional dos computadores fez com que eles projetassem computadores mais avançados.
- Sim, sim. Continue.
- Aparentemente, o técnico Aub conseguiu, por puro lazer, reconstituir alguns desses velhos esquemas, estudou os detalhes do seu funcionamento e descobriu que podia copiá-lo. A multiplicação que acabei de fazer para o senhor é uma imitação do funcionamento de um computador.
- Surpreendente!

O deputado tossiu educadamente.
- Se posso fazer mais uma observação, Sr. Presidente... quanto mais pudermos desenvolver essa coisa, mais poderemos desviar nosso esforço federal da produção de computadores e de sua manutenção. Assim que o cérebro humano assumir o poder, nossas melhores energias poderão ser canalizadas para procurar a paz, e a influência da guerra nos homens comuns será menor. Isso será mais vantajoso para o partido no poder, é claro.
- Ah - disse o presidente. - Entendo o que você quer dizer. Bem, sente-se, deputado, sente-se. Preciso de algum tempo para pensar. Enquanto isso mostre-me esse truque da multiplicação de novo. Deixe ver se eu consigo pegar o macete.
O programador Shuman não tentou apressar o assunto. Loesser era conservador, muito conservador, e gostava de lidar com os computadores da mesma forma como seu pai e seu avo. Mesmo assim, ele controlava o monopólio de computadores do oeste europeu; se conseguisse entusiasmá-lo com o Projeto Número, um passo muito grande seria dado.

Mas Loesser continuava com um pé atrás
- Não sei se gosto da idéia de afrouxarmos as nossas rédeas sobre os computadores. A mente humana é uma coisa caprichosa. O computador sempre nos dará a mesma resposta para o mesmo problema. Qual a garantia que temos de que com a mente humana será assim?
- A mente humana, Loesser, apenas manipula os fatos. Não importa se a mente humana ou a máquina faz isso. Elas são apenas instrumentos.
- Sim, sim. Acompanhei sua engenhosa demonstração de que a mente humana pode imitar o computador, mas isso me parece um pouco vago. Aceito a teoria, mas que razão n6s temos para achar que a teoria será confirmada na prática?

- Acho que temos uma razão, senhor. Afinal de contas, os computadores não existiram sempre. O homem das cavernas, com suas trirremes, machados de pedra e estradas de ferro, não tinha computadores .
- E provavelmente não sabia calcular.
- Você sabe muito bem que sim. Até a construção de uma estrada de ferro ou de um zigurate requeria algum tipo de cálculo, e, como nós sabemos, isso foi feito sem computadores.
- Você está sugerindo que eles calculavam da mesma maneira que você me mostrou?
- Provavelmente não. Afinal de contas, esse método, que, a propósito, chamamos de "grafítico", da velha palavra européia graphos, que quer dizer "escrita"... esse método foi desenvolvido a partir dos próprios computadores, portanto não pode ter sido usado pelos primitivos. Ainda assim, o homem das cavernas deve ter tido algum método, não?

- Artes perdidas! Se você está falando de artes perdidas...
- Não, não é isso. Não sou um entusiasta das artes perdidas, embora não afirme que não exista nenhuma. Afinal, o homem comia cereais antes de aprender a fazer culturas hidropônicas, e se os primitivos comiam cereais, eles deviam cultivá-los no solo. De que outra forma poderiam ter conseguido?

- Não sei, mas só acreditarei em terra cultivada quando vir algum grão crescer no chão. Também só acreditarei que se faz fogo esfregando uma pedra na outra no dia em que me mostrarem que isso é possível.
Shuman tentou ser conciliador.
- Bem, vamos nos ater aos graníticos. Isto tudo faz parte do processo de eterificação. O transporte por meio de pesados equipamentos está sendo substituído por transferência direta de massa. Os instrumentos de comunicação se tornam cada vez mais leves e mais eficientes. Por causa disso, compare seu computador de bolso com aquelas engenhocas pesadas de mil anos atrás. Então, por que não dar também o Ultimo e definitivo passo, e abolir os computadores? Vamos, senhor, o Projeto Número é inevitável; ele está progredindo rapidamente. Mas queremos sua ajuda. Se o patriotismo não for suficiente para engajá-lo, pense na aventura intelectual que está em jogo.

- Que progresso? - disse Loesser com ceticismo. - O que você pode fazer além de multiplicar? Pode integrar uma operação transcendental?
- Dentro em breve, senhor, Dentro em breve. No mês passado, aprendi a dividir. Posso determinar, e corretamente, quocientes inteiros e quocientes decimais.
- Quocientes decimais? De quantas casas?
O programador Shuman tentou manter um tom natural.
- Qualquer número!

Loesser ficou de queixo caído.
- Sem um computador?
- Faça um problema.
- Divida vinte e sete por treze. Em seis casas.
Cinco minutos depois, Shuman disse:
- Dois, vírgula, zero sete meia nove dois três.

Loesser conferiu.
- Isso é realmente fantástico. A multiplicação não me impressionou muito porque, afinal, isso envolvia números inteiros e acho que uma hábil manipulação pode conseguir isso. Mas decimais...
- E isso não é tudo. Há uma nova pesquisa em curso que até agora é ultra-secreta e que, falando sinceramente, não posso revelar. Mesmo assim... estamos perto de aprender a fazer uma raiz quadrada.

- Raiz quadrada?
- Ainda tem algumas coisas pendentes e não conseguimos acertar na mosca, mas o técnico Aub, o homem que inventou essa ciência e que tem uma incrível sensibilidade para a coisa, assegura que está prestes a resolver o problema. E ele é apenas um técnico. Um homem como o senhor, um matemático talentoso e tarimbado, não encontraria tanta dificuldade.
- Raiz quadrada - resmungou Loesser, encantado.
- Raiz cúbica também. E então? Está conosco?
Loesser levantou a mão rapidamente.
- Pode contar comigo.

O general Weider marchava de um lado para o outro da sala e se dirigia aos ouvintes à sua frente como se fosse um professor ranzinza diante de uma turma de estudantes indóceis. Pouco lhe importava se eram os cientistas civis que coordenavam o Projeto Número. O general era um líder em todos os lugares e assim se comportava em todos os momentos de sua vida.

- Nenhum problema com as raízes quadradas, então - disse ele. - Eu mesmo não sei como fazê-las, mas já estão concluídas. Mesmo assim, não vamos interromper o projeto só porque já solucionamos os problemas que alguns de vocês consideram essenciais. Vocês podem fazer o que quiserem com os grafíticos depois que a guerra acabar, mas, nesse exato momento, temos problemas específicos que precisam ser solucionados.

Num canto distante, o técnico Aub ouvia aflito. É claro que há muito tempo deixara de ser um técnico, tendo sido dispensado de suas tarefas e convocado a participar do projeto, com um título pomposo e um ótimo salário. Mas é claro que as diferenças sociais permaneciam e os líderes científicos, altamente classificados, jamais o aceitariam em seu meio ou o tratariam em pé de igualdade.

E Aub tampouco desejava isso. Sentia-se tão incomodado entre eles como eles se sentiam incomodados na sua presença.

- Nós só temos uma meta, cavalheiros - estava dizendo o general. - Substituir os computadores. Uma nave que possa viajar pelo espaço sem um computador a bordo pode ser construída em um quinto de tempo e por um décimo dos custos de uma nave computadorizada. Poderíamos ter frotas especiais cinco ou dez vezes maiores do que as de Deneb se eliminássemos os computadores. E até vejo mais além disso. Talvez agora pareça loucura ou um simples sonho. Mas no futuro eu posso ver mísseis tripulados .

Houve um instantâneo murmúrio por parte da platéia.
O general prosseguiu:
- No momento, nosso problema principal é que a inteligência dos mísseis é limitada. O computador que os controla não pode alterar o rumo programado e, por essa razão, eles sempre acabam sendo detidos por antimísseis. Poucos mísseis, se é que algum consegue chegar a seu objetivo, e a guerra de mísseis está prestes a acabar; felizmente, tanto para o inimigo, como para nós.

Por outro lado, um míssil com um ou dois homens dentro, controlando o vôo com graníticos, seria mais leve, mais ágil e mais inteligente. Isso nos daria uma vantagem que pode significar a vitória. Além disso, cavalheiros, as necessidades da guerra nos obrigam a lembrar de uma coisa. Um homem é mais descartável do que um computador. Mísseis tripulados podem ser lançados em maior número e sob circunstâncias que nenhum general empreenderia se usasse mísseis computadorizados.

Ele discorreu sobre muito mais coisas, mas o técnico Aub não esperou.
O técnico Aub, na intimidade dos seus aposentos, elaborou cuidadosamente sua carta de despedida. Ela dizia o que se segue: "Quando comecei a estudar o que agora chamam de graníticos, isso não passava de um passatempo. Nada mais do que um agradável passatempo, um exercício para a cabeça.

Quando o Projeto Número começou, achava que as pessoas fossem mais esclarecidas do que eu e que os graníticos poderiam ser usados para ajudar a humanidade, apoiando a modernização dos instrumentos necessários à transferência de massas. Mas agora vejo que ele só será usado para a morte e a destruição.

Não posso suportar a responsabilidade de ter inventado os grafíticos.
Depois, virou contra si o foco do despolarizador de proteínas e morreu instantaneamente.
Eles se reuniram em torno do túmulo do pequeno técnico para prestar-lhe honra por sua notável descoberta.

O programador Shuman fez uma reverência com a cabeça, junto com os outros, mas continuou imóvel. O técnico tinha dado sua contribuição e não era mais necessário. Ele podia ter começado os graníticos, mas agora que o projeto já estava em andamento, iria se desenvolver automaticamente até triunfar, tornando os mísseis tripulados uma realidade, juntamente com tantas outras coisas.

Nove vezes sete, pensou Shuman com orgulho, sessenta e três. Não precisava mais que um computador lhe dissesse isso. Sua própria cabeça era um computador. E isso lhe dava uma fantástica sensação de poder.

The feeling of Power (1957) - Isaac Asimov.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Homem, técnica e devir no imaginário Blade Runner

ESTE TEXTO TRATA das relações do filme Blade Runner (1982, Ridley Scott) com a irradiação de um estilo de futuro que influencia a construção de um imaginário compartilhado por espectadores de diversas idades e países. A idéia é aproximar a interpretação hermenêutica baseada em Nietzsche (1) e Baudrillard (2), do mundo de uma possível futuridade, representado pela história dos andróides em busca da memória e do sentido da vida.

O paralelo do natural e do artificial estava frente ao avanço da técnica como um devir da literatura de ficção científica transfigurada para a sétima arte.
Eram tempos de replicantes. A clonagem era a do homem-máquina com o homem-prótese (3).

A natureza era olhada como um passado a ser superado no devir da técnica.
Órgãos e tecidos artificiais,congelados e postos a serviço da defesa humana e do trabalho escravo em colônias espaciais.

Condenados a não poder voltar à terra, os replicantes Nexus-6, com duração de até quatro anos de existência, se rebelam e partem para um acerto de contas com seu criador.

Ironia da espécie. Uma corporação especializada na fabricação de seres artificiais humanizados artificialmente, onde as gerações de andróides sucedem-se na busca da perfeição da cópia. Rachel e, possivelmente Deckard, seriam representantes de tal evolução.

A fuga do casal em nome da vida. Uma nova fase. Um novo início sem final previsto.
Uma nave-arca para a salvação de uma transfiguração tecnológica de um devir outro, de
um tipo de além-do-homem, aquém da capacidade de superação humana dentro da própria condição humana.

Como deve ter sido uma adaptação inspirada na obra e não voltada para o tributo dos estilos literários da ficção científica, a relação do cinema com o livro é complexa e não se pode exigir que Blade Runner seja um exemplo de fidelidade literária.
Melhor que as coisas fiquem claras antes que as críticas, em seu papel desconstrutor, tentem dar o tom da interpretação.

Em 20 anos, o filme dirigido por Ridley Scott atravessou o imaginário do futuro com sua construção de identidades difusas, especialmente prematuras para 1982, mas que a globalização e as tecnologias informáticas trataram de ilustrar na continuação do tempo.
Los Angeles em 2019. Daqui a 17 anos.

Triunfo da cultura japonesa e das próteses corpóreas e imaginais.
Um futuro moderno, linear, onde a técnica revida ao homem como criatura (4) que altera as leis naturais.
Vingança de um futuro sem clonagem humana e com resquícios do sonho paranóico da ficção científica, da modernidade.
Andróides em busca da consciência, do passado, da memória nunca possuída.
A vertigem das cenas noturnas, a verticalidade da Tyrel Corporation,
as luzes da metrópole transfiguradas pelo sentido artificial da angústia das próteses vivas e humanizadas.

O amor como vontade de potência liberta Deckard do ciclo da técnica como retorno da vida. Finitude e paixão cibernética.
O momento no qual o natural cedeu seu espaço para o artifício. Na distância do tempo, o filme irradia os valores da virulência (5) de uma época onde se digladiam a moral dos senhores e a moral dos escravos (6).

Os replicantes eram utilizados em trabalhos recusados pelos seres humanos, que, por sua vez, eram detentores do poder moral da bioética. Órgãos artificiais fabricados para equipar andróides à imagem e semelhança do homem.

A história deixa insinuações da utilização de tais próteses pelos homens.
Na versão do diretor, Scott parece querer contar seu segredo.
Em sua visão de futuro já não há possibilidade de fronteira entre natureza e artificialidade:
Rachel humanizada desde sua condição de andróide de uma geração sem data de vencimento previsto
e, Deckard, artificializado desde sua condição de caçador de replicantes, na qual toda sua vida e memória dão a entender que ele seria um andróide construído para caçar seus semelhantes.
No fundo da questão de Blade Runner surge o passado dos rebanhos humanos que tanto tiraram o sono de Nietzsche.

Em qual sentido estaria a vontade de potência daquele que afirma seus próprios valores.
A doutrina da humanização afastou o homem de seu permissível devir de além-do-homem e atirou-o contra a embriaguez moral, religiosa e metafísica.

Tudo inicia com as eletric sheep, de Philip K. Dick, em seu romance dos anos 60.
Ele escolhe a ovelha, mais por ser um animal altamente capacitado para viver em rebanho, desprovido de iniciativas de prazer e vocacionado para servir a quem possa evitar sua
dor, do que propriamente pelo símbolo do método contra a insônia: contar carneiros.
Os andróides devem ter sua consciência voltada para o artificial e para tal sonham com ovelhas elétricas ou eletrônicas.

O título do livro é uma pergunta, um problema da filosofia da técnica (Do androids dream of electric sheep?).
A resposta pode ser negativa. Os andróides de Blade Runner sonham em ser ovelhas humanas.

A falta de um passado repercute na existência e o sentido de espécie faz o líder replicante, Roy, buscar vingança contra os que mataram seus companheiros. Espírito de rebanho em máquinas feitas para serem escravas.
Vingança contra os superiores na hierarquia vital.

Segundo os humanos do filme, a vida replicante é banal, substituível e sem valor.
Já a vida humana, mesmo a do cruel Tyrel, é mais valorizada e sua morte é um ponto forte da película, representando a emancipação da espécie artificial de sua condição de experiência
científica.

Este é outro traço da ficção moderna ou prépós-moderna: a ciência sempre no centro do futuro.
Em termos de imaginário, a circulação cultuada dos personagens, das locações do cenário futurista e do figurino inspiram a primeira geração pós-punk, e sua versão transfigurada pelo web way of life: os cyberpunks.

Estes, entre outros motivos, levaram a película ao patamar de cult movie.
Os milhares de sites na internet dedicados ao filme não deixam de irradiar a socialidade tribal (7) dos admiradores desta projeção que ilumina afinidades, alianças e imaginários sociais,
com cores escuras e luzes brilhantes.

A revisão feita na segunda versão do filme é um ponto de ultrapassagem dos valores da modernidade pelo deslocamento da perspectiva original. O livre arbítrio do diretor altera a interpretação que ele mesmo tinha construído.

Para Ridley Scott, Deckard é homem-prótese e o Nexus-6, Roy, é uma prótese humanizada.
Ambos, na versão do diretor, dividem o horizonte da técnica com a musa-andróide, Rachel: feminina, insegura, sensível.Ela é o inverso das andróides fêmeas Nexus-6: sedutoras, guerreiras, insensíveis.

O moralismo darwinista foi a eliminação de toda a geração defeituosa para justificar a fuga, rumo ao desconhecido, de Deckard e Rachel, que sobrevoam a Los Angeles, oriental e globalizada, sob a trilha do saxofone de Vangelis.

A leitura hermenêutica não pretende ser outra coisa além da articulação do compreendido. Uma análise fílmica, por exemplo, levaria a outras visões e para tal, seria necessária a
consulta a outros autores. Blade Runner já foi objeto de inúmeras interpretações, mas nenhuma será réplica da outra.

Mesmo na plataforma comum do devir do entretenimento coletivo, as perspectivas teóricas cruzam paradigmas e são caminhos para a compreensão do homem e da técnica, a partir de um filme, como a referida história de ficção científica de um romântico andróide caçador de andróides.
Uma anulação dupla e simultânea: do homem pela técnica e da técnica pelo homem, em nome do devir outro e de um imaginário transfigurado.


Sessões do Imaginário• Porto Alegre • nº 8• agosto 2002• semestral • FAMECOS / PUCRS
Francisco E. Menezes Martins
Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da FAMECOS / PUCRS.

Notas
(1) Leva-se em conta a produção de Friedrich Nietzsche, a partir de Humano, demasiado humano até O crepúsculo dos ídolos , período que inclui o pensamento da vontade de potência, além-do-homem e eterno retorno, conceitos fundamentais para a interpretação dos valores
da moral, religião e metafísica.

(2) BAUDRILLARD, Jean. A transparência do mal: ensaio sobre os fenômenos extremos . 3.ed. Trad. Estela dos Santos Abreu. Campinas: Papirus, 1996; _______. El crimen perfecto . Trad. Joaquín
Jordá. Barcelona: Anagrama, 1996.

(3) VIRILIO, Paul. O espaço crítico. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.

(4) Conceito utilizado por SFEZ, Lucien. Crítica da comunicação. Ed.rev.ampl. Trad. Maria Stela Gonçalves e Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Loyola, 1994.

(5) BAUDRILLARD, op.cit..

(6) NIETZSCHE, Friedrich. Dissertação primeira: Os conceitos de bom e mau e de bem e mal. Pontualmente sobre a rebelião dos escravos.In: Genealogia da moral , § 10.

(7) Conceito criado por MAFFESOLI, Michel. A contemplação do mundo. Trad. Francisco Franke Settineri. Porto Alegre: Artes & Ofícios, 1995.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Uso do Filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” como Introdução a Disciplina de Inteligência Artificial nos Cursos de Computação

1. Introdução

“O passado não é coisa fixa e inalterável. Suas realidades vão sendo redescobertas a cada geração, seus valores sofrem reavaliações, seus significados recebem novas definições, de acordo com as tendências e preocupações da época”
[Huxley 1998].

A partir desta afirmação de Huxley, a história do computador HAL 9000 pode
ser revista e reinterpretada em diversas épocas distintas.

Neste artigo os autores apresentam um breve histórico da obra (filme e livro),
um perfil de seus autores, uma descrição do personagem principal: HAL 9000, a
tecnologia que foi sonhada em 1968 e o que foi realizado até o momento atual.
Na busca para que este possa ser incorporado como uma apresentação, ou aula inaugural, em disciplinas que abordem a inteligência artificial (IA).


O Uso do Filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” como introdução a disciplina de Inteligência Artificial nos cursos de computação
Hélio Lemes Costa Júnior, Juliano Coelho Miranda - [ Download ]

What The Simpsons Can Teach Us about Physics, Robots, Life, and the Universe - Paul Halpern

Introduction: Learning Science from Springfield’s
Nuclear Family

PART ONE
It’s Alive!
1 The Simpson Gene
2 You Say Tomato, I Say Tomacco
3 Blinky, the Three-Eyed Fish
4 Burns’s Radiant Glow
5 We All Live in a Cell-Sized Submarine
6 Lisa’s Recipe for Life
7 Look Homer-Ward, Angel

PART TWO
Mechanical Plots
8 D’ohs ex Machina
9 Perpetual Commotion
10 Dude, I’m an Android
11 Rules for Robots
12 Chaos in Cartoonland
13 Fly in the Ointment

PART THRE
No Time to D’ohs
14 Clockstopping
15 A Toast to the Past
16 Frinking about the Future

PART FOUR
Springfield, the Universe, and Beyond
17 Lisa’s Scoping Skills
18 Diverting Rays
19 The Plunge Down Under
20 If Astrolabes Could Talk
21 Cometary Cowabunga
22 Homer’s Space Odyssey
23 Could This Really Be the End?
24 Foolish Earthlings
25 Is the Universe a Donut?
26 The Third Dimension of Homer

Inconclusion: The Journey Continues
Acknowledgments
Handy Science Checklist
Scientifically Relevant Episodes Discussed in This Book
Notes
Further Information

What The Simpsons Can Teach Us about Physics, Robots, Life, and the Universe -
Paul Halpern - [ Download ]

Worlds of Wonder: How to Write Science Fiction and Fantasy - David Gerrold



Table of Contents

Start Here
The Literature of Imagination
Inventing Wonder
If—The Most Powerful Word
Science
Science Fiction
...and Fantasy
What Is a Story?
A Story Is...
Crises and Challenges
The Hero
Who Is This Person?
Setting the Stage
To Build a World
Detailing the World
Building Aliens
Believability
Fantasy Worlds
Complications
Structure, Structure, Structure!
Transformation
Theme
Style
First Lines
Last Lines
Punch Lines
Write From Inside
Sex Scenes
Love Scenes
Sentences
Simile
Metaphor
Adjectives and Adverbs
Finding the Right Words
Paragraphs
Evoking
Metric Prose
Memes
To Be or Naught to Be
Find Another Way
Style Redux
Who's On First?
Tense
Pronouns
800 Words
Dialogue, Part I
Dialogue, Part II
Discipline
The First Million Words
Be Specific
Why Write?
Ten Pieces of Good Advice
Recommendations
Index

Worlds of Wonder: How to Write Science Fiction and Fantasy - David Gerrold [ Download ]


Um processador de textos acionado por vapor - Arthur C. Clarke - Parte 2/2

[Parte 1]

A princípio acreditava que simplesmente aumentando a potência disponível poderia lhe dar uma
aceleração à máquina. A versão definitiva absorvia toda a energia de uma enorme debulhadora, tosco antecedente de nossos tratores e colheitadeiras.

Este é um bom momento para resumir o pouco que se sabe a respeito da mecânica do tear de
palavras.

Para isso, temos que confiar na informação, algo tendenciosa, aparecida no Totterings
Bulletin, do qual só se conservam alguns exemplares do período compreendido entre 1860 e 1880, anos cruciais para nosso estudo; e das notas esporádicas e fragmentos da correspondência ainda existente do reverendo.

Ironicamente, em 1942 ainda se conservava uma boa quantidade de peças da máquina definitiva,
mas foram destruídas quando uma bomba incendiária da Luftwaffe reduziu a cinzas a ancestral
mansão Tottering Towers.

A «memória» da máquina se apoiava nos cartões perfurados de um tear Jacquard para tapeçarias, coisa nada estranha, pois não existia outra alternativa possível naquela época.

Ao que Cabbage gostava de dizer que teceria pensamentos, igual aquele tear tecia tapeçarias.

Cada linha de saída constava de vinte, e posteriormente trinta, caracteres que o operador via
através de uns guichês, e que foram colocados sobre umas rodas giratórias.
Os princípios que regiam o SOT(Sistema operacional por Cartões) da máquina não chegaram até nós e parece, o qual não é nada surpreendente, que o maior problema ao que se enfrentava Cabbage era o de colocar, retirar e pôr os diferentes cartões.

Terminado o texto em questão, era fundido em tipos de chumbo para sua posterior impressão. Este surpreendente clérigo construiu um linotipo rudimentar, pelo menos dez anos antes de que o patenteasse Mergenthaler em 1886.

Antes de que a máquina estivesse pronta para ser utilizada, Cabbage se encontrou com a enorme
tarefa de perfurar nos cartões, além da Bíblia inteira, todo o Concílio do Cruden, mas
encarregou deste trabalho, em troca de uns trocados irrisórios, às velhinhas do Lar de Descanso
para Vizinhos de Idade Avançada, hoje discoteca e clube de breakdance, do Far Tottering.
Outra desconcertante primícia que se antecipa em uns doze anos à famosa mecanização do Censo
dos Estados Unidos, idealizada pelo Hollerith em 1890.

Mas nesse mesmo momento chegou a ruína.
Tendo ouvido, e não pela primeira vez, estranhos rumores sobre a paróquia do Far Tottering,
nada menos que o arcebispo do Canterbury em pessoa visitou o já obcecado pastor. Compreende-se que ficasse atônito ao descobrir que o órgão da igreja, tinha ficado incapacitado para desenvolver sua função original, ao menos por uns cinco anos.

O arcebispo, indignado, lançou um ultimato: ou desaparecia o tear de palavras ou partia o reverendo Cabbage (melhor que se fossem os dois; falava-se já de exorcismo e de voltar a consagrar a igreja).

O dilema provocou uma crise no já desequilibrado clérigo, que tentou uma última prova com a
enorme e incontrolável máquina, que já ocupava todo o lado oeste do St. Simians.

Face aos protestos dos fazendeiros, pois era a época da colheita, a imensa máquina de vapor, com
suas peças de cobre reluzentes, foi rebocada até a igreja e uma vez ali, passaram a correia de
transmissão através do oco que havia surgido ao se retirar algumas das vidraças.

O reverendo tomou assento ante o irreconhecível console (não posso resistir à idéia de imaginá-lo
ativando o sistema a golpe de pedal) e começou a teclar.
As rodas com os caracteres começaram a dar voltas ante seus olhos, formando frases lentamente, linha a linha. Na sacristia, os crisóis com o chumbo fundido aguardavam as ordens que lhes chegariam trabalhosamente com cada jorro de ar procedente do órgão.

— Mais rápido, mais rápido! — gritava o pastor, impaciente, enquanto os operários arrojavam
pazadas de carvão naquele monstro que vomitava fumaça no pátio da igreja.

A correia, como uma larguíssima cobra apanhada na janela, retorcia-se sobrecarregada, acima e
abaixo, bombeando um cavalo de vapor atrás de outro, para o forçado mecanismo do tear.
O resultado era previsível.
Algo, em alguma parte das entranhas do imenso aparelho, rompeu-se.
Em um segundo, a máquina desgraçada se fez em pedaços.

Segundo testemunhas presenciais, o pastor teve sorte de escapar ileso.
O posterior desenlace foi tão rápido como inesperado.
O reverendo Cabbage abandonou a Igreja, a sua mulher e seus treze filhos e fugiu a Austrália com seu primeiro ajudante, o ferreiro do povo.

O nome do Charles Cabbage foi banido da sociedade elegante e se desconhece qual foi seu destino
final, embora chegaram algumas notícias segundo as quais se feito capelão do Botany Bay.

E também é certamente apócrifa a lenda que corre sobre sua morte no deserto australiano,
provocada por uma máquina tosquiadora, de sua invenção, que se revoltou contra ele.

Epílogo

A seção de livros estranhos do Museu Britânico possui o único exemplar conhecido dos "Sermões a Vapor", do reverendo Cabbage, que, conforme vem tradicionalmente alegando sua família, foram elaborados pelo tear de palavras.
Contudo, um estudo em profundidade basta para ver que não é assim.
À exceção das últimas páginas, 223-4, resulta evidente que o volume se imprimiu em uma imprensa plana.

Mas as páginas 223 e 224 são uma interpolação bastante clara.
A impressão é muito desigual e o texto está repleto de faltas de ortografia e enganos tipográficos. Trata-se, acaso, do único produto existente do mais notável e pior desenvolvido esforço tecnológico da era vitoriana.
Ou é uma fraude deliberadamente criada para nos fazer acreditar que o tear de palavras funcionou de verdade, uma vez pelo menos, embora o fizesse mal?

Nunca saberemos a verdade.
Mas, como inglês que sou, sinto-me orgulhoso de que um dos inventos mais importantes de nossa época fora idealizado pela primeira vez, nas Ilhas Britânicas.
Se tivesse tido um desenlace mais feliz, Charles Cabbage provavelmente seria agora tão famoso como James Watt, George Stevenson, ou Isambard Kingdom Brunel.


FIM


Título original: 'The Steam-Powered Word Processor' (1985)
Tradução parcial: Santiago Jordão.
Prêmios Nebula 1985 - Ed. Bruguera, 1987

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um processador de textos acionado por vapor - Arthur C. Clarke - Parte 1/2


Prólogo

É escasso o material existente em torno da notável carreira, do hoje quase esquecido gênio da engenharia, reverendo Charles Cabbage (1815-188?), que foi pastor da paróquia do St. Simians, no povoado Far Tottering, Sussex.

Entretanto, depois de muitos anos de busca exaustiva, tenho descoberto alguns dados novos que, no meu entender, deveriam ficar em conhecimento de um público mais amplo.

Queria expressar minha gratidão a miss Drusilla Wollstonecraft Cabbage e às boas senhoras da Sociedade Histórica do Far Tottering, cujos prementes desejos de desvincular-se de muitas de minhas conclusões, eu respeito e compreendo.

Já em 1715, The Spectator faz menção da família Cabbage (ou Cubage) como ramo menor dos Coverley (gente sinistra, infelizmente, embora o próprio sir Roger fique à margem).
Conseguiram rapidamente uma enorme fortuna, como outros muitos membros da aristocracia britânica, graças a seus investimentos no negócio dos escravos.
Por volta de 1800, os Cabbage eram a família mais opulenta do Sussex e da Inglaterra, conforme diziam alguns, mas, dado que Charles era o menor de onze irmãos, não teve outra alternativa a não ser entrar para Igreja, sem muitas esperanças de herdar algo da fortuna dos Cabbage.

Não obstante, antes de cumprir os trinta anos, o titular da paróquia do Far Tottering experimentou uma importante mudança de fortuna, devido ao prematuro falecimento de cada um de seus dez irmãos, em uma série de trágicos acidentes. Este ponto de sua vida, que os comentaristas contemporâneos gostam de chamar de "a maldição dos Cabbage", guardava uma relação muito estreita com a magnífica coleção de armas medievais, venenos orientais e répteis mortíferos do pastor.

Logicamente, estes desventurados acidentes deram pé a numerosos comentários maliciosos e poderiam ser a razão de que o reverendo Cabbage optasse por conservar-se no amparo de suas Ordens Sagradas, ao menos até sua brusca partida de Inglaterra.

Também caberia perguntar pela razão que moveu a um homem de tão grande riqueza, e tão escassas obrigações públicas, a dedicar a maior parte de seus anos férteis, à construção de uma máquina de incrível complexidade, cuja finalidade e manejo só ele compreendia.

Felizmente, o recente achado da correspondência Faraday-Cabbage nos arquivos da Royal Institution lança nova luz sobre esse ponto. Lendo entre linhas, pode-se deduzir que o reverendo odiava a tarefa de redigir as duas horas de sermão semanal, jogando sempre com os mesmos temas fundamentais, cento e quatro vezes ao ano.
(O reverendo dirigia, além disso, a paróquia do Tottering-in-the-Marsh.)

Em um momento de inspiração, por volta de 1851, provavelmente depois de visitar a Exposição Universal, aquela maravilhosa mostra do saber vitoriano, Cabbage concebeu a idéia de uma máquina que organizasse automaticamente massas de textos diferentes, em qualquer ordem que se desejasse. Desta forma poderia compor qualquer número de sermões a partir do mesmo material básico.

O projeto, muito tosco em seu começo, foi adquirindo com o tempo uma grande sofisticação. Embora, como veremos, não chegasse nunca a terminar a versão definitiva de seu "Tear de palavras", planejou com todo detalhe uma máquina que não só funcionasse com parágrafos por separado, mas também com frases independentes.
(Não passou nunca para a fase seguinte: a de palavras e letras, embora faça referência à possibilidade de levá-la adiante em sua correspondência com Faraday, considerando-a seu objetivo último.)

Uma vez terminado o projeto do tear de palavras, o criativo clérigo iniciou sua construção.
Sua habilidade mecânica nada habitual, mas bem deplorável segundo alguns, tinha ficado bem patente nas engenhosas armadilhas como as que protegiam seus imóveis, e que eliminaram ao menos, a outros dois pretendentes da herança familiar.

Chegado a este ponto, o reverendo Cabbage cometeu um engano que pode ter mudado o curso da tecnologia, se não da história.

Agora, graças à perspectiva que nos oferece o tempo, resulta-nos óbvio que seu problema só podia ser resolvido pela eletricidade.
Fazia já vários anos que se vinha utilizando o telégrafo do Wheatstone, e Cabbage mantinha correspondência precisamente com o gênio que tinha descoberto as leis fundamentais do eletromagnetismo.

Que estranho nos parece agora que não visse a resposta, quando a tinha ante seu próprio nariz!

Entretanto, devemos recordar que o bom Faraday entrava nesse momento na década de senilidade, que precedeu a sua morte em 1867. Muitas das cartas que sobreviveram até nossos dias giram em torno de seu extravagante credo, a já extinta religião «sandemanista», que era algo que tirava Cabbage do sério.

Do mesmo modo, o pastor mantinha contato diário, ou pelo menos semanal, com uma tecnologia bastante desenvolvida e aperfeiçoada ao longo de mais de mil anos.
A igreja do Far Tottering gozava entre seus pertences, de um magnífico órgão construído pelo mesmo Henry Willis, que em 1875, fabricou sua obra máxima, que se encontra no Palácio Alexandra, ao norte de Londres, e que Marcel Dupre elogiou como o melhor órgão de concertos do mundo.

Cabbage não o tocava mal de todo, e conhecia com perfeição seu intrincado mecanismo.
Estava convencido de que, unindo uma série de tubos pneumáticos, válvulas e bombas, poderia controlar todas as operações de seu futuro tear de palavras.
Foi um engano fatal, embora compreensível.

Cabbage havia passado por cima do fato de que a lenta velocidade do som, uns insignificantes trezentos e trinta metros por segundo, reduziria a velocidade operativa da máquina a um nível de rendimento virtualmente nulo. No máximo, a versão definitiva poderia ter alcançado assim um índice de transmissão de dados de 0,1 por dia, com o que a elaboração de um só sermão, iria requerer nada menos que dez semanas.

Passaram vários anos antes que o reverendo Cabbage se desse conta desta limitação fundamental.

[ Parte 2]

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Memorabilia FC - Modern Fred














Modern Fred

sábado, 1 de novembro de 2008

Gênero, Psicanálise e Solaris, de Stanislaw Lem


Pensamos em nós mesmos como os Cavaleiros do Santo Contato.
Isto é outra mentira.
Buscamos somente ao Homem.
Não precisamos de outros mundos.
Nós precisamos de espelhos.(§[6]:72)

Nesta breve passagem de um dos mais populares e poderosos romances de FC, Lem descreve muito do que é importante e do que é equivocado sobre os esforços (literários ou reais) para obter contato humano/alienígena.

Ele reformula astronautas e cientistas como cavaleiros medievais em peregrinações religiosas, homens que procuram assegurar o domínio cultural sobre novos reinos. Eles buscam somente aquilo que irá provar a importância do seu trabalho e visão de mundo (Weltanschauung).

Tais buscas, Lem sugere, não exigem a investigação do espaço exterior, porque os exploradores humanos tem seus olhos fechados para o Outro alienígena, tanto quanto para si mesmos.
Para ver o universo externo com olhos abertos, a busca deve começar de dentro...


"Buscamos somente ao Homem": Gênero, Psicanálise e Solaris, de Stanislaw Lem
Elyce Rae Helford - Science Fiction Studies - [ Download ]

Traduzido por Alexis B.Lemos

A FC Americana e o Outro - Ursula K. Le Guin


A FC Americana e o Outro - Ursula K. Le Guin

Um dos primeiros grandes socialistas disse que o status das mulheres numa sociedade é um indicador perfeitamente confiável do grau de civilização daquela sociedade.
Se isto é verdadeiro, então o baixíssimo status das mulheres na FC deveria nos fazer ponderar se a FC é civilizada afinal.

Os movimentos feministas tornaram a maioria de nós cientes do fato de que a FC ou ignorou totalmente as mulheres ou apresentou-as como bonecas guinchantes sujeitas a estupro instantâneo por monstros - ou cientistas solteironas dessexualizadas pela hipertrofia dos órgãos intelectuais - ou, no máximo, esposinhas fiéis ou amantes de heróis talentosos. O elitismo masculino varre sem controle a FC. Mas isto é só elitismo masculino? Não seria a "sujeição das mulheres" na FC meramente um sintoma de uma totalidade que é autoritária, adoradora do poder e intensamente paroquial?

A questão envolvida aqui é a questão do Outro - o ser que é diferente de você mesmo. Este ser pode ser diferente de você no sexo; ou em sua renda anual; ou em seu modo de falar e vestir e fazer coisas; ou na cor da sua pele, ou no número de pernas e cabeças. Em outras palavras, há o Alienígena sexual, o Alienígena social, o Alienígena cultural e finalmente o Alienígena racial.
Bom, e quanto ao Alienígena social na FC? E quanto ao, em termos marxistas, "proletariado"? Onde eles estão na FC? Onde estão os pobres, as pessoas que trabalham duro e vão para a cama com fome? Eles são mesmo pessoas na FC? Não. Eles aparecem como vastas massas anônimas fugindo de glóbulos de lodo gigantes que emergem dos esgotos de Chicago, ou morrendo aos bilhões de poluição e radiação, ou como exércitos sem rosto sendo liderados por generais ou estadistas.

Em espada & feitiçaria eles se comportam como as participações mudas numa apresentação escolar do "Príncipe de Chocolate". De vez em quando, há alguma jovem peituda entre eles que é honrada pelas atenções do Capitão do Supremo Comando Terrano, ou na tripulação de uma astronave há um velho cozinheiro antiquado com sotaque escocês ou sueco, representando a Sabedoria Popular.

As pessoas, na FC, não são pessoas.
Elas são massas, existindo para um propósito: serem lideradas por seus superiores.

De um ponto de vista social, a FC em sua maioria tem sido incrivelmente regressiva e sem imaginação. Todos aqueles Impérios Galáticos, extraídos diretamente do Império Britânico de 1880. Todos aqueles planetas - com 80 trilhões de milhas entre eles! - concebidos como nações-estado beligerantes, ou como colônias para serem exploradas, ou para serem gentilmente empurradas pelo benevolente Império da Terra no rumo do auto-desenvolvimento - o Fardo do Homem Branco ao nosso redor novamente. O Rotary Club em Alpha Centauri, esse é o estado das coisas.

E sobre o Outro cultural e racial? Este é o Alienígena que todo mundo reconhece como alienígena, suspeito de ser a preocupação especial da FC. Bom, nas velhas revistas baratas, tudo é muito simples. O único alienígena bom é o alienígena morto - seja ele um homem-louva-deus aldebaraniano ou um dentista alemão. E esta tradição ainda floresce: testemunha-a o conto de Larry Niven "Inconstant Moon" (em All Myriad Ways, 1941) que termina com um final feliz - consistindo no fato de que a América, incluindo Los Angeles, não foi atingida por uma erupção solar. Naturalmente, uns poucos milhões de europeus e asiáticos foram fritos, mas isso não importa; de fato, isso fez o mundo um pouquinho mais seguro para a democracia.
(É interessante que a personagem feminina no mesmo conto seja completamente descerebrada; sua única função é dizer "Oh?" e "Ooooh!" ao inteligente e resoluto herói.)

Depois há o outro lado da mesma moeda. Se você considera que uma coisa é completamente diferente de você, seu temor por ela pode se manifestar como ódio, ou como temor - reverência. Assim arranjamos todas aquelas sábias e gentis entidades que condescendem em salvar a Terra de seus pecados e perigos. O Alienígena termina num pedestal, de camisolão branco e sorriso de ironia - exatamente como a "boa mulher" fazia na Era Vitoriana.

Na América, parece ter sido Stanley Weinbaum que inventou o alienígena simpático, em Uma Odisséia Marciana.
A partir dele, através de pessoas como Cyril Kornbluth, Ted Sturgeon e Cordwainer Smith, a FC começou a trilhar seu caminho para sair do simples racismo. Robôs - a inteligência alienígena - começaram a se comportar gentilmente. Com Smith, bastante interessante, o alienígena racial é combinado com o alienígena social, em "Underpeople", e lhes é permitido ter uma revolução. A medida que os alienígenas se tornaram mais simpáticos, o mesmo ocorreu aos heróis humanos.

Eles começaram a ter emoções, bem como armas de raios.
Na verdade, eles começaram a se tornar quase humanos.

Se você nega qualquer afinidade com outra pessoa ou tipo de pessoa, se você a declara como sendo totalmente diferente de você mesmo - como os homens fizeram com as mulheres, a classe fez com a classe e a nação fez com a nação - você pode odiá-la ou deificá-la; mas em qualquer dos casos você negou a igualdade espiritual e a realidade humana dela. Você a transformou numa coisa, para a qual o único relacionamento possível é um relacionamento de poder. E assim você fatalmente empobreceu sua própria realidade.

Você, de fato, alienou a si mesmo.

Esta tendência tem sido notavelmente forte na FC americana. A única mudança social apresentada pela maioria da FC tem sido no rumo do autoritarismo, a dominação das massas ignorantes por uma elite poderosa - algumas vezes apresentado como um alerta, mas freqüentemente muito complacentemente. O socialismo nunca é considerado como uma alternativa, e a democracia é completamente esquecida. Virtudes militares são tomadas como éticas. A riqueza é assumida como um objetivo justo e uma virtude pessoal. O capitalismo de mercado é o destino econômico da Galáxia inteira. Em geral, a FC americana assumiu uma hierarquia permanente de superiores e inferiores, com machos ricos, ambiciosos e agressivos no topo, depois uma grande lacuna, e lá no fundo, as massas pobres, sem educação e sem rosto, e todas as mulheres.

O quadro completo é, se posso me expressar assim, curiosamente "não-americano". É um perfeito patriarcado de babuínos, com o Macho Alfa no topo, sendo respeitosamente cuidado, ocasionalmente, por seus inferiores.

Isto é especulação? isto é imaginação? isto é extrapolação? Eu chamo isso de regressivismo descerebrado.

Eu penso que é tempo dos escritores de FC - e seus leitores! - pararem de sonharem acordados com a volta da Era da Rainha Vitória, e começarem a pensar no futuro. Eu gostaria de ver o Ideal do Babuíno substituído por um pouquinho de idealismo humano, e alguma consideração séria sobre conceitos tão profundamente radicais e futurísticos como Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

E lembrar que cerca de 53% da Fraternidade do Homem é a Irmandade da Mulher.

Science Fiction Studies
Ursula K. Le Guin - Novembro de 1975

Traduzido por Alexis B.Lemos

Terra Incognita - Revista online de Ficção Científica


Sumário desta Edição:

Emaranhamento - Ivan Hegenberg
A Sombra do Cirurgião - Carlos Orsi
O Irradiador - Guilherme Kujawski
Duas ou Três Coisas que eu Sei Sobre Ekaterina (artigo) - Fábio Fernandes
Entrevista - Ekaterina Sedia
O Estripador - Ekaterina Sedia

Terra Incognita - número 1 [ Download ]




Sumário desta Edição:

Agora e Na Hora de Nossa Morte - Octavio Aragão
O Planeta Negro - Ana Cristina Rodrigues
O Abissal - Lucio Manfredi
120... 150... 200 Petabits por Segundo (resenha - Accelerando) - Jacques Barcia
Entrevista - Charles Stross
Lagostas - Charles Stross

Terra Incognita - número 2 [ Download ]

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Os Prazeres e os Perigos de Ensinar Ficção Científica à Nível Universitário

Os Prazeres e os Perigos de Ensinar Ficção Científica à Nível Universitário
Science Fiction Studies

Introdução:

Cursos regulares de ficção científica foram introduzidos em muitas universidades americanas à partir do início da década de 1960. Embora os tradicionalistas tenham torcido o nariz à novidade, os departamentos administrativos das universidades quase sempre exultavam com a medida, pelo retorno em publicidade gratuita.
A Science Fiction Studies dedicou um número inteiro, o 70, de 1996, para ensaios sobre o ensino de FC em sala de aula, sua repercussão, aceitação, desafios etc. O presente artigo foi escrito por Barbara Bengels, professora-adjunta da Universidade Hofstra (Hempstead, New York), e uma das pioneiras no ensino de FC. O curso de Bengels, para eventuais interessados, ainda existe e vai bem, obrigado. A.B.L.

Ficção científica é, por sua própria natureza, um esporte perigoso e subversivo. Poucas pessoas a encaram muito seriamente - todavia, como não fazê-lo? Alvin Toffler escreve em O Choque do Futuro, "Nossa crianças deveriam estar estudando Arthur C. Clarke, William Tenn, Robert Heinlein, Ray Bradbury e Robert Sheckley, não porque estes escritores possam falar-lhes sobre espaçonaves e máquinas do tempo, mas, mais importante, porque eles podem conduzir suas mentes através de uma exploração imaginativa da selva de questões políticas, sociais, psicológicas, e éticas que confrontarão estas crianças quando adultas" (425). Em God Bless You, Mr. Rosewater, Kurt Vonnegut faz com que Eliot Rosewater diga à uma platéia de escritores de ficção científica, "Eu amo vocês, seus filhos da puta... Vocês são tudo o que eu leio agora. Vocês são os únicos que falam sobre as mudanças realmente espantosas que estão acontecendo... Vocês são os únicos que têm coragem de se importar com o futuro, que realmente percebem o que as máquinas fazem conosco, o que os enganos, erros, acidentes e catástrofes tremendos fazem conosco. Vocês são os únicos otários o suficiente para agonizar sobre tempo e distância sem limite, sobre mistérios que nunca morrerão..."

Assim, se a ficção científica merece estudo, como poderia ser melhor apresentada num campus universitário, num curso acadêmico sério? (Claramente, eu não sou da escola "mande isso para a sarjeta à qual pertence", iniciada por uma fã ardorosa, Dena Benatan, quando ela expressava sua preocupação de que o escrutínio acadêmico poderia minar o campo da FC, fazendo-a excessivamente auto-consciente) (Hartwell 188). Quais são os perigos e prazeres de tentar ensinar FC na sala de aula? Eu gostaria de falar sobre as dificuldades inerentes e únicas de ensinar um corpo de literatura que está mudando no momento em que tentamos examiná-lo; eu gostaria de transmitir o entusiasmo e o sentimento de assombro que continuam a separar a ficção científica de qualquer outra forma de literatura.

Os problemas de ensinar FC começam fora da sala de aula, nomeadamente convencer seus administradores à permitir que tal curso seja enfim ensinado. Eu fui sortuda.

Comecei o meu nos anos 70, quando a relevância ditava o currículo. O New York Times iniciara sua coluna regular de ficção científica e talvez isso fôsse autorização suficiente. Eu também frisava que faria uma abordagem histórica, começando com os clássicos, mas isto não me livrou dos sorrisos polidos dos meus colegas e dos sorrisos de absoluto desdém dos tradicionalistas mais rígidos.

Até hoje, quase vinte e cinco anos depois, eu ainda constantemente me sinto como se devesse me desculpar por ensinar um curso que eu amo e que penso que é importante; em último caso, eu entro em modo justificativo, explicando quantas pérolas literárias estão incluídas no meu currículo e quão intelectualmente desafiante o curso é. Nunca, contudo, eu senti que ele tinha recebido o respeito que merece - mas eu sei, e meus estudantes sabem, que vale a pena de verdade.

O que me leva ao próximo dilema: enquanto alguns membros da faculdade questionam a validade da ficção científica como um curso universitário, os estudantes não o fazem - e eles chegam em manadas.

Os cursos de Milton podem ter vagas sobrando; FC requer múltiplas seções.
Isto obviamente cria uma potencial má vontade. Para somar ao problema, os estudantes freqüentemente requisitam um segundo curso semestral, e então eu tentei propôr um curso separado de FC Moderna. Absolutamente fora de questão, me disseram. O motivo? Obviamente porque isso atrairia ainda mais estudantes para longe dos tradicionais cursos de Inglês. Eu compreendi a situação e retrocedi - mas não sem um sentimento de perda.

Outra situação irritante que encontrei, emergiu quando o curso de FC - o qual eu tinha planejado e lutado por ele - foi temporariamente dado à uma professora incompetente e desinformada, mas que tinha estabilidade, porque os alunos não queriam participar de nada do que ela ensinasse. Ficção científica, no entanto, era uma tamanha atração que eles estavam querendo pegar o curso, à despeito dela. (Eu tentei apresentá-la aos vários periódicos de crítica de FC que existem, mas ela assegurou-me que não estava interessada; quando eu descobri que seu programa inteiro consistia de Frankenstein, todos os livros de Duna, e 2001, percebi imediatamente seu objetivo - e saí de cena.)

Uma vez que um curso de ficção científica tenha sido aprovado, um novo conjunto de problemas emerge. Por exemplo, encomendar os livros de estudo pode ser um desafio. Livros de ficção científica estão disponíveis hoje, esgotados amanhã. Uma de minhas antologias favoritas, The Road to Science Fiction, em quatro volumes, editada por James Gunn, está esgotada nos EUA enquanto, não obstante, tenha sido editada e traduzida e será brevemente impressa na Alemanha com um novo volume, o 5, acrescentado. Entrementes, eu estou constantemente batalhando para encontrar outra antologia de contos igualmente boa, barata e abrangente - por enquanto, sem sucesso. Em qualquer dado semestre, eu posso ter de substituir um dos livros de um autor por outro, rastrear qual editora publica um determinado romance, e simplesmente descartar um trabalho seminal porque ele não está mais disponível.

Existem dois outros problemas únicos de preparação: na maioria dos cursos, se eu quero ler a crítica de um livro, eu sei exatamente onde encontrá-la. Freqüentemente, todavia, não há qualquer material de crítica disponível sobre um trabalho de FC em particular.

Um de meus primeiros artigos foi uma comparação de Odd John e Sirius de Olaf Stapledon. Naquela época, em meados dos anos 1970, não havia muita crítica de FC existente.
Mesmo à um curto tempo atrás, quando eu submeti um artigo sobre "A Martian Odissey" de Stanley Weinbaum, não havia necessidade de alocar horas para procurar no CD-ROM. De fato, críticas literárias não estavam disponíveis nos computadores de nossas bibliotecas mesmo dois anos atrás, outro pequeno lembrete de quão rapidamente nossas vidas estão sendo mudadas pela nova tecnologia.

De fato, não ter muitas críticas disponíveis é uma espada de dois gumes: permite-nos escrever a nossa própria. Temos muito mais oportunidade no campo da FC para publicar - mas, ali jaz outra questão: a maioria dos nossos autores de FC ainda estão vivos (e eu, por exemplo, não desejaria que fosse de outro jeito). Todavia, enquanto um crítico e estudioso possa estar escrevendo o trabalho "definitivo" sobre um autor, o autor em questão pode ter acabado de entrar numa nova fase em seu desenvolvimento como escritor.
Eu sei de pelo menos dois casos em que um excelente pesquisador estava tentando publicar um livro sobre um brilhante e prolífico autor (Fred Pohl em um caso e Isaac Asimov no outro) mas à cada vez que o "último" capítulo era finalizado, o sujeito do livro aparecia com mais dois novos volumes seus, deixando seu crítico-biógrafo comendo poeira.

Quando você finalmente está pronto para entrar na sala de aula e lecionar para sua primeira classe, um grande problema vêm à tona quase imediatamente.
Tente definir o que ficção científica é, e você entenderá o que quero dizer.

O paciente não fica quieto na mesa enquanto você o examina.
É mais produtivo examinar a composição de uma classe típica - aqui não há nada dos agrupamentos homogêneos do Inglês tradicional! Não somente eu tenho uma audiência de interesses muito diversificados, mas tenho também alguns estudantes que não têm a mais pálida idéia do que seja FC (mas eles sabem que parece mais fácil que Shakespeare). Outros pensam que ficção científica é Jornadas nas Estrelas e mais Jornada nas Estrelas - ou Star Wars e Robocop. De fato, existem sempre uns poucos estudantes que entram em choque total quando percebem que lerão mais do que assistirão FC por todo o semestre.

Eu sei que para muitos destes estudantes, este será provavelmente o último curso de Inglês que eles farão; é minha esperança e responsabilidade deixá-los tão entusiasmados pela ficção científica que desejarão continuar lendo, mesmo quando não fôr mais exigido que o façam.

A gama de experiência dos estudantes com FC é fenomenal e enquanto uma certa percentagem de qualquer dada classe está lá porque o curso pareceu-lhes fácil e "divertido", eu sempre tenho uns poucos estudantes que não são meramente interessados em ficção científica, eles são verdadeiros fanáticos. É sempre possível encontrar estudantes que desejam compartilhar seu entusiasmo sobre uma área particular do campo de um autor favorito, e dado que é impossível para mim saber tudo sobre um assunto tão vasto, eu aprecio grandemente quaisquer lacunas que eles me ajudem a preencher.

Eu nunca vou esquecer, por exemplo, o estudante que deu à classe uma demonstração do sintetizador MOOG original (seu co-inventor é um professor da Hofstra), mostrando como os filmes de FC criam sua trilha sonora do outro mundo. Obviamente, um dos grandes prazeres de ensinar ficção científica é os estudantes que você têm. Eles são alguns dos mais interessantes, mais entusiasmados e entusiasmantes, mais agradecidos estudantes que vocês possam imaginar - também freqüentemente os mais brilhantes.
Vamos encarar isso: a maioria das pessoas que se voltaram para a ficção científica têm a mente aberta, desejosos de explorar novas idéias, altamente inteligentes, e muito criativos. (Sim, e algumas vezes eles são muito, muito esquisitos: como Damon Knight disse certa vez, todos os escritores de FC começaram como sapos. Eu tive muitos pulando pulando para dentro e para fora da minha sala de aula durante anos.)
Eu tive estudantes que foram ser grandes autores de quadrinhos na DC, estudantes que publicaram seus primeiros romances - romances de verdade - enquanto ainda estavam no primário, e estudantes que se vestem de preto e dançam nas estradas à noite. Fãs de ficção científica são um segmento especial da população por causa de sua disposição para audaciosamente examinar novas idéias - e para debater sobre elas interminavelmente.

Há um senso especial de comunidade no mundo da FC que encontra seu caminho direto na sala de aula; novas idéias podem ser lançadas de um para o outro, criando discussões em sala de aula muito excitantes: novas palavras, novos mundos, novos conceitos, todos para serem explorados juntos.

Finalmente então, meu prazer em ensinar ficção científica está integralmente atado às razões pelas quais eu amo lê-la: é um conteúdo realmente excitante! Nós vivemos num mundo de ficção científica e não podemos abrir nossos jornais sem ler histórias de FC transformadas em verdade: no New York Times, manchetes dizem "Cometa Vai Atingir Júpiter", "Funerais Domésticos Drive-Through Ganham Aceitação", "3 Cientistas Dizem Que a Viagem no Tempo Não Está Muito Distante"; artigos em revistas descrevem congelamento à vácuo de nossos animais de estimação, panfletos oferecem oportunidades para piquenique em Three Mile Island.

Quando eu não estou lendo as notícias, eu estou mandando e-mails para uma filha ou ouvindo outra ponderando que se ela pudesse clonar à si mesma, então ela poderia dizer à sua filha algum dia, "Eu sei exatamente o que você está pensando!"

Nos mais de vinte anos desde que eu comecei a ensinar ficção científica, o mundo e sua tecnologia mudaram enormemente. A ficção científica, por sua própria natureza, sugere que o futuro será ainda mais estranho do que podemos imaginar; isso nos faz flexíveis, tolerantes ao que virá; ela se esforça para nos fazer ansiosos por conhecer esse futuro - ou nos dá a previdência para evitá-lo. Se eu puder exitosamente ajudar meus estudantes a se prepararem para o futuro em que viverão - e fazê-los gostar de ler também - todos os perigos e políticas que eu encaro tornam-se um pequeno preço à pagar.

TRABALHOS CITADOS:

Hartwell, David. Age of Wonders. New York: Walker and Co., 1984.
Toffler, Alvin. Future Shock. New York: Bantam, 1970.
Vonnegut, Kurt, Jr. God Bless You, Mr. Rosewater. New York: Dell Publishing Co., 1972.

traduzido por Alexis B.Lemos

domingo, 26 de outubro de 2008

Os melhores contos de medo, horror e morte



SUMÁRIO
Morrer de medo, viver de medo

1. MEDO, SUSTO E HORROR

Edgar Allan Poe - O poço e o pêndulo
O gato preto
Charles Dickens - O Capitão Assassino
Sheridan Le Fanu - Estranho incidente na vida do pintor Schalken
Bram Stoker - O hóspede de Drácula
Horacio Quiroga - O travesseiro de penas
H.P. Lovecraft - Os ratos nas paredes
Emilia Pardo Bazán - A ressuscitada
Franz Kafka - O abutre
Humberto de Campos - Os olhos que comiam carne
Ambrose Bierce - Um acontecimento na ponte de Owl Creek
Robert Louis Stevenson - Markheim


2. MEDO, CLIMA E COTIDIANO

Nathaniel Hawthorne - O experimento do dr. Heidegger
Vladimir Korolenko - A voz do vento
Gustave Flaubert - A lenda de são Julião Hospitaleiro
Inglês de Souza - Acauã
Honoré de Balzac - O recruta
Machado de Assis - A causa secreta
Rudyard Kipling - O retorno de Imray
G.K. Chesterton - A rua zangada
D.H. Lawrence - O campeão do cavalinho de balanço
Jerome K. Jerome - O dançarino
Arthur Machen - Abrindo a porta
Edith Wharton - Uma garrafa de Perrier
Dino Buzzati - O sonho da escada
Flávio Moreira da Costa - Os mortos
Obras do organizador

Os melhores contos de medo, horror e morte - organiz. Flávio Moreira da Costa [ Download ]

Ficção Científica: uma narrativa da subjetividade homem-máquina


(Na virada do século XX para o XXI assistimos a um fato curioso: os monstros e os mundos possíveis da ficção científica parecem escapar das páginas de livros e telas de cinema e se materializar em nossos laboratórios.
O rato com orelha humana nas costas, o computador enxadrista Deep Blue, o canadense Steve Mann – o cyberman,1 o ciberespaço e a realidade virtual são alguns exemplos. Esses seres e mundos híbridos, frutos das tecnologias de informação e da comunicação mediada por computador, indicam a perda de nitidez nas fronteiras modernas entre orgânico/maquínico, natural/artificial, físico/não-físico, corpo/mente, factual/ficcional produzindo dois eixos de
problematizações que interessam a este artigo. O primeiro eixo refere-se às mudanças dos conceitos e relações entre humanos e técnica que nos faz repensar as fronteiras ontológicas e epistemológicas modernas. O segundo remete ao fato de os seres e mundos híbridos parecerem personagens e paisagens da ficção científica, o que desperta a curiosidade por entender
como o termo híbrido ficção científica tornou-se tão adequado para descrever o contexto cultural e científico da Atualidade...)


Ficção Científica: uma narrativa da subjetividade homem-máquina
Fátima Regis de Oliveira - [ Download ]

Ilustração de Beksinski

sábado, 25 de outubro de 2008

Site e evento Steampunk no Brasil


Senhoras e Senhores a Sociedade Paulista Steampunk convida a todos os admiradores deste gênero para o Primeiro Evento Steampunk Paulista que acontecera neste dia 29/11/2008.

Mais informações, no site Sociedade Paulista Steampunk