segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O dia em que a Terra parou (Adeus ao Mestre - Harry Bates ) Parte 2/7


ADEUS AO MESTRE - HARRY BATES

Parte 2


No momento seguinte o grande gongo sobre a entrada, soou a hora de fechamento do museu e imediatamente seguiu-se uma voz vinda dos alto-falantes:
‘Cinco horas, senhoras e senhores. É hora de fechar, senhoras e senhores.’

Os três cientistas, surpresos por ser já tão tarde, correram para lavar as mãos, trocar as roupas e desapareceram por uma porta do corredor, sem ver o jovem debaixo da mesa.
O som dos pés no andar da exibição rapidamente desapareceu até se resumir aos passos dos dois guardas caminhando de uma ponta para outra, verificando que tudo estava certo. Apenas muito rapidamente um deles parou na porta do laboratório e se foi.
As portas de metal foram fechadas e então houve silêncio total.

Cliff aguardou alguns minutos, então cuidadosamente saiu debaixo da mesa. Assim que ficou de pé, um som de algo se quebrando soou perto do seu pé. Encontrou os restos de uma pipeta de vidro, que ele provavelmente tinha derrubado ao sair do esconderijo.
Aquilo fez com que pensasse em algo que até então não lhe ocorrera.
Um Gnut que podia se mover era um Gnut que poderia ver e ouvir; e realmente poderia ser perigoso. Teria que ter mais cuidado.

A sala era margeada por duas partições de fibra que acompanhavam a curva abaixo da nave.
Um dos lados da sala era a nave por si e a outra, ao sul, a parede daquela ala.
E quatro janelas altas. A única entrada era a passagem.

Sem se mover, apenas com seu conhecimento do prédio, bolou seu plano. A ala era conectada a oeste com o fim do museu por uma entrada nunca usada, e a sua extensão leste conduzia ao monumento de Washington. A nave ficava perto da parede sul e Gnut ficava em frente dela, não muito longe do canto norte e o final oposto da sala, próximo da entrada do prédio e do corredor que dava no laboratório. Tomando bastante cuidado, poderia sair no lado mais distante do robô e havia uma pequena plataforma baixa, com o painel do som. Esta mesa era o único lugar que oferecia um esconderijo no qual poderia observar o que acontecia. Os outros únicos objetos na sala eram os seis atendentes em formato do robô em estações fixas ao chão ao longo da parede norte, posicionados para atender as perguntas dos visitantes.
Então, tinha que chegar até aquela mesa.

Na ponta dos pés, deixou o laboratório e seguiu o corredor. Estava bem escuro lá fora, pois a luz de entrada da exibição havia sido apagada. Conseguiu chegar ao final da sala sem fazer som algum. De lado espiou a nave e Gnut. E teve um momentâneo choque. Os olhos do robô estavam fixos nele – ou pareciam estar.
Seria somente um efeito ou, pensou, que ele já fora descoberto? A posição da cabeça de Gnut não parecia ter sido alterada. Provavelmente estava tudo bem, mas ele desejava não precisar cruzar a sala com aquela sensação dos olhos do robô a lhe seguir.
Recuou, sentou-se e esperou.
Teria que estar totalmente escuro antes dele se arriscar chegar até a mesa.
Aguardou por uma hora até que a luz fraca das lâmpadas do lado de fora começou a tornar a sala mais clara, então se levantou e olhou para a nave mais uma vez.
Os olhos do robô pareciam atravessá-lo. Era algo aterrador.
Será que Gnut sabia que ele estava ali? Quais seriam seus pensamentos? O que poderia pensar uma máquina tão incrível quanto Gnut?

Chegara a hora de atravessar a sala; Cliff passou a alça da câmera pelas costas, ficando de quatro, e lentamente seguiu em direção a entrada do hall. Ali, de cócoras, encostado à parede o máximo possível, seguiu centímetro por centímetro sem parar, sem arriscar olhar para os enervantes olhos de Gnut. Levou quase dez minutos para atravessar o espaço de cem metros e estava suado quando seus dedos alcançaram a plataforma onde ficava a mesa.
Ainda devagar, silenciosamente, encontrou abrigo atrás da proteção da mesa de comandos.
Finalmente conseguira. Relaxou então por um momento, ansioso para saber se havia sido visto, e olhou cuidadosamente pelo lado da mesa.
Os olhos de Gnut estavam sobre ele mais uma vez. Ou pareciam estar.
Contra a escuridão geral, o robô assim mesmo emitia uma sombra misteriosa que fazia com que parecesse ter cinqüenta metros, dominando com sua sombra todo salão.
Não conseguia saber se sua posição se alterara ou não.
Mas se Gnut estivesse olhando para ele, ele ao menos não fizera nada além disso. A não ser por aquele movimento que Cliff descobrira, não parecia ter feito mais nada. Sua posição era a mesma que mantivera nos últimos três meses, na escuridão, na chuva e nas últimas três semanas no museu.

Cliff não queria permitir-se ter medo, e agora tinha consciência de seu corpo. Aquela curta viagem havia lhe custado – seus joelhos e ombros doíam e as calças pareciam estragadas.
Mas isso não tinha importância se aquilo que ele esperava ver acontecesse. Se Gnut se movesse ele poderia pegá-lo com sua câmera infravermelho e, com o dinheiro da venda daquela história, poderia comprar cinqüenta calças iguais às que estava usando. E, se além disso, pudesse desvendar o propósito do movimento de Gnut, provando que existia um propósito, então ele teria uma história que faria o mundo ouvi-lo.

Sentou-se por um momento para esperar: não havia nenhuma dica de quando ele se moveria, se ele se movesse naquela noite. Os olhos de Cliff já estavam acostumados à escuridão e de tempos em tempos ele observava intensamente o robô, por bastante tempo até ser obrigado a piscar e descansar seus olhos para não dar vez à sua imaginação.
Mais um minuto, com o ponteiro do relógio percorrendo mais uma volta completa. A inatividade fazia Cliff menos cuidadoso e por um longo tempo permaneceu com a cabeça atrás da proteção da mesa de controle.
Assim que quando Gnut se moveu ele quase desmaiou de susto.

Estava um pouco aborrecido quando deu conta que o robô estava a meio caminho de seu esconderijo. E isso não era o mais assustador.
Mas sim quando percebeu que não conseguia vê-lo se mover. Ele havia parado como um gato em meio do movimento para agarrar o rato. Seus olhos agora mais brilhantes, sem dúvida estavam virados na sua direção. Ele olhava para Cliff!
Sem quase respirar, e meio hipnotizado, Cliff olhou de novo. Seus pensamentos estavam confusos. Qual era a intenção do robô? Por que tinha parado? Estaria cercando-o? Como conseguia mover-se tão silenciosamente?

Em total escuridão os olhos de Gnut moveram-se para mais próximo. Lentamente, mas em um ritmo perfeito que era quase imperceptível o som dos seus passos aos ouvidos de Cliff. Cliff que habitualmente era cheio de recursos, se viu paralisado de medo, incapaz de se mover, enquanto o monstro de metal com olhos de brasa se aproximava. Por um momento esteve a ponto de desmaiar, mas quando se recuperou, ali estava Gnut alçando-se de pé junto dele, com suas pernas quase tocando sua mão. Ligeiramente inclinado e cravando seus olhos nele.
Tarde demais para pensar em correr.
Tremendo como um rato acuado num canto, Cliff esperou ser esmagado.
Esperou uma eternidade. Gnut escrutinava-o sem mais se mover.
Para cada segundo que passou, Cliff esperou ser aniquilado de repente, rápido e completamente.
Então de repente, e sem esperar, tudo terminou. Gnut ficou ereto e afastou-se, virando-se. E então, com um ritmo muito pouco mecânico e que só ele possuía, voltou para o lugar onde estivera antes. Cliff não podia acreditar no que acontecera. Ele poderia tê-lo esmagado como a um inseto e simplesmente tinha se virado e se foi. Por quê? Não podia supor que um robô fosse capaz de considerações humanas.
Gnut chegara agora ao outro lado da nave. Parou e realizou uma curiosa sucessão de sons. Prontamente Cliff viu se abrir, mais escura do que a escuridão, uma abertura na lateral da nave, seguido pelo som da rampa deslizando até tocar o chão. Gnut subiu por ela, parou um segundo e desapareceu no interior da nave.

Pela primeira vez então Cliff lembrou-se da foto que viera tirar. Gnut havia se movido e ele não aproveitara a chance. Mas ao menos agora, ainda podia fotografar a rampa se conectando à porta aberta; então preparou a câmera na posição, ajustou para uma exposição longa e disparou.
Muito tempo transcorreu sem que Gnut reaparecesse. O que poderia estar ocorrendo lá dentro?
Cliff imaginava. Sua coragem já retornara e considerou a idéia de arrastar-se até a porta e olhar para dentro, mas não achou que tinha tanta coragem para isso.

Gnut não lhe fizera mal, porém nada poderia lhe dizer o quanto seria tolerante com ele.
Uma hora se passou então outra, e Gnut estava fazendo algo lá dentro, mas o quê?
Cliff não conseguia imaginar. Se o robô fosse um ser humano, saberia que ele daria uma espiadela, mas do jeito que as coisas estavam, era uma incógnita sem solução. Mesmo os mais simples robôs da terra, sob certas circunstâncias, faziam coisas inexplicáveis; e o que um ser deste tipo, vindo de alguma civilização desconhecida e impensável, com certeza a mais formidável criatura já construída – que superpoderes não poderia ter? Tudo que os cientistas da Terra haviam tentado não conseguiram avariá-lo. Ácido, calor, raios, terríveis golpes - ele suportara a tudo. Poderia enxergar perfeitamente no escuro. E mesmo ser capaz de ouvir, ou de outro jeito, saber precisamente a posição de Cliff.

Mais tempo passou e então próximo das duas horas da manhã, algo completamente banal aconteceu e tão inesperado que por um instante destruiu o equilíbrio de Cliff.
Subitamente, através da escuridão do prédio silencioso ouviu-se um bater de asas e logo um doce canto de pássaro. Um rouxinol. Em algum lugar do salão, acima dele. Límpida e repleta de notas era seu canto, pequenas canções, uma depois da outra, sem pausas, uma canção de amor da primavera talvez, o mais belo cantor de toda natureza. E assim como começou, terminou.
Se todo um exército de invasão saísse da nave, Cliff ficaria menos surpreso.
Era dezembro e mesmo na Flórida os rouxinóis ainda não haviam começado a cantar. Então como um deles fôra entrar no museu? Como e por que cantava ali?
Aguardou cheio de curiosidade, até de repente ver Gnut já parado do lado de fora da porta.
Seus olhos brilhando na direção de Cliff.
Por um momento, o silêncio do local pareceu mais intenso, então foi quebrado por um barulho abafado perto do chão, onde Cliff estava.
A luz dos olhos de Gnut havia mudado e ele começou a andar de seu jeito na direção de Cliff. Quando estava bem perto, parou e se inclinou, pegando algo do chão. Por algum tempo ficou parado olhando para aquele pequeno objeto em sua mão. Cliff sabia, embora não pudesse ver, que se tratava do rouxinol. Pelo menos era seu corpo, mas já não cantava mais.
Então sem olhar para Cliff, Gnut se virou e entrou na nave mais uma vez.

Horas se passaram enquanto Cliff aguardava pela seqüência daquele surpreendente acontecimento.
Quem sabe sua curiosidade fosse responsável por perder o medo.
Certamente se o robô fosse hostil, se desejasse feri-lo, já teria feito antes, quando teve a oportunidade perfeita para isso.
Cliff estava cada vez mais nervoso por desejar dar uma olhada lá para dentro da nave. E tirar uma foto; tinha que se lembrar da foto. Vivia esquecendo o motivo que o trouxera até ali.
Já na mais profunda escuridão de uma falsa madrugada que ele juntou coragem bastante para tomar a iniciativa. Tirou os sapatos e, na ponta dos pés, com os sapatos amarrados e batendo juntos sobre os ombros, ele moveu-se rápido para uma posição mais próxima, então parou esperando algum sinal de que Gnut o percebera se mover.
Sem ouvir nada, passou por detrás de um atendente e parou, então assim, cuidadosamente alcançou a beirada da nave. E ficou desapontado. Nenhuma luz podia ser vista lá dentro, apenas escuridão e o silêncio permeando tudo.
Ainda assim, precisava daquela foto.
Ergueu a câmera, fez foco na escuridão e deu uma longa e boa exposição.
Então ficou lá, sem saber o que mais fazer em seguida.
Quando parou, passou a ouvir uma série de sons peculiares, aparentemente vindos de dentro. Sons de animais, primeiro bem baixo, depois acentuados por cliques, então ranger de dentes, interrompidos por mais rangidos e sons ofegantes, como se uma luta de algum tipo estivesse ocorrendo.

Então de repente, antes que Cliff pudesse se decidir por correr de volta ao seu esconderijo, uma forma baixa, larga e escura surgiu na frente da nave e imediatamente se virou e ficou do tamanho de um homem. Uma sensação de terror total tomou Cliff que reconheceu aquela forma de vida. No segundo seguinte, Gnut surgiu na entrada e, sem hesitar, começou a descer a rampa na direção daquela forma de vida.
Assim que avançou, ela recuou de lado levemente por um metro e então com os braços balançando ao lado do corpo, começou a bater contra o peito feito um tambor enquanto da sua garganta partia um profundo rugido de desafio.
Apenas uma criatura no mundo todo batia no peito daquela maneira e fazia um som como aquele. A criatura era um gorila.
E um gorila dos grandes.

Gnut continuava vindo e quando chegou bastante perto, abaixou-se e abraçou a fera.
Cliff não imaginava que Gnut pudesse se mover tão rápido.
No escuro, não conseguia ver os detalhes do que ocorria, tudo que sabia era que dois grandes vultos: o titã de metal Gnut e o baixo, porém terrivelmente forte gorila.
Eles se fundiram por um instante; o silêncio do robô e os grunhidos e rugidos da besta - e quando os dois se separaram, o gorila estava de costas no chão.
O animal se ergueu rapidamente se pondo a rugir alto.
Gnut avançou contra ele.
Eles se atracaram mais uma vez e ainda uma outra, como ocorreu antes de se separarem. O robô permanecia inexorável e o gorila agora retrocedeu até a parede dos fundos do prédio. Subitamente a fera correu contra a figura do atendente e com um movimento rápido a derrubou, decapitando-o.
Tenso de medo, Cliff se colocou abaixado atrás de um dos robôs atendentes.
Graças a Deus, Gnut estava entre ele e o gorila, que continuava avançando.
O gorila mais uma vez atirou-se contra o robô atendente seguinte e com força quase inacreditável, levantou-o arrancando do chão e o atirou na direção de Gnut. Com um som de metal contra metal, o atendente acertou o robô e o da terra voou para longe detendo-se ao chão.
Cliff amaldiçoou a si mesmo, pois novamente esquecera completamente de fotografar.
O gorila continuava arrancando e destruindo todos os robôs atendentes com ferocidade sem igual e ainda atirava pedaços e peças no implácavel Gnut.

Logo chegaram perto da mesa de controles e Cliff agradeceu por não estar mais lá.
Então seguiu-se um breve silêncio. Cliff, de onde estava não podia ver o que estava acontecendo, mas imaginou que o gorila alcançara o canto da ala e estava encurralado.
Se assim foi, foi apenas por um momento. O silêncio foi quebrado de repente por um rugido e logo o vulto do animal se aproximou na direção de Cliff, ficando entre ele e a porta da nave.
Cliff rezou pelo retorno de Gnut, pois agora restava apenas um robô atendente entre ele e a criatura enfurecida.
E Gnut apareceu.
O gorila mais uma vez se colocou de pé, batendo no peito e rugindo desafiadoramente.
Então, algo bem estranho ocorreu, pois a besta caiu nas quatro patas e rolou de costas como se estivesse fraco ou ferido.
Fazendo ruídos pavorosos, fez-se de pé novamente para enfrentar Gnut que se aproximava.
E enquanto esperava, foi atraído pelo ultimo atendente e talvez por Cliff, abaixado junto dele. Com um acesso repentino de fúria o gorila atirou-se na direção de Cliff, que apesar do pânico viu que o animal movia-se com dificuldade, severamente machucado. Saltou para trás a tempo de se esquivar: o gorila saltou contra o atendente robô e atirou-o violentamente contra Gnut, por pouco não o atingindo.
Fora seu último esforço.
A fraqueza o envolveu e tombou em seguida de lado, rolando de costas.
Estremeceu e então não mais se moveu.

O primeiro clarão pálido da manhã insinuava-se no salão.
Do canto onde se refugiara, Cliff viu o grande robô.
Pareceu-lhe que se comportava estranhamente.
Parou junto ao gorila morto, olhando para baixo com o que num humano poderia ser chamado de tristeza. Cliff reparou com precisão; as feições esverdeadas seriamente contraídas, pensativas e que ele nunca vira antes. Ficou assim algum tempo então como um pai com sua criança doente, ergueu o grande animal nos braços de metal e suavemente o carregou para a nave.
Cliff procurou abrigo de novo na mesa de instrumentos, sentindo medo por conta dos acontecimentos inexplicáveis e perigosos.
Pensou que seria mais seguro abrigar-se no laboratório e, com os joelhos tremendo, fez o caminho até lá, escondendo-se atrás de um grande forno maciço.
Rezou pela luz do sol. Seus pensamentos eram caóticos.
Rapidamente, um após outro, os eventos daquela noite preencheram sua mente, mas tudo era mistério, não parecia haver uma explicação racional para aquilo tudo.
O rouxinol. O gorila. A expressão de tristeza de Gnut e sua docilidade.
Nada explicava tal mescla fantástica de acontecimentos.

Gradualmente a luz do dia chegou.
Um longo tempo se passara. Afinal, começou a acreditar que escaparia vivo dali.
As oito e trinta, ouviu ruídos na entrada e o som maravilhoso de vozes humanas chegou-lhe aos ouvidos. Deixou o forno industrial e caminhou pela passagem.
Os ruídos cessaram subitamente e houve uma exclamação de espanto e o som de pés correndo e então silêncio de novo.
Temeroso, Cliff espiou ao redor da nave.
Lá estava Gnut em sua pose costumeira, na mesma posição que assumira após a morte de seu mestre, junto da nave e sozinho mais uma vez, em meio aos escombros espalhados pelo salão.
As portas da entrada estavam abertas e, com o coração na boca, Cliff correu para fora.
Minutos depois, salvo no seu quarto de hotel, esgotado por total, sentou-se na cama e logo adormecera assim sentado.
Mais tarde, ainda usando as mesmas roupas e ainda sonado, rolou pela cama.
Não voltaria a acordar até o meio dia.


domingo, 28 de dezembro de 2008

The Day the Earth Stood Still - Script original


BRITISH ANNOUNCER
Reports are coming in from all over
the Empire -- from all over the world.
The Government have not yet issued a
statement, but there seems to be no
question that there actually is a
large, unidentified object circling
the earth at incredible speed.

This announcer keeps talking, but his voice fades out, and
now we hear the words the American announcer is saying...

AMERICAN ANNOUNCER
(staccato with excitement)
We still don't know what it is or
where it's from –- but we do know
there's something there. It's been
tracked around the world by radar
traveling at a rate of four thousand
miles an hour.


MED. CLOSE SHOT

Several people on the steps of the Smithsonian have turned
to look. There is cold, frozen fear in their eyes. The awful
sound keeps increasing in volume.

CLOSE SHOT

A man, following the progress of a huge object in the sky
with his eyes. He is held terror-stricken.

LONG SHOT INTO SKY (SERSEN SHOT)

A giant shape, still at some distance, is approaching the
earth at incredible speed.

LONG SHOT ON GROUND

A group of people run wildly across a large expanse of lawn.
A huge shadow cast from above onto the grass seems to be
pursing them.

CLOSE SHOT - GORT

From inside him there comes an ominous crackling sound, as
though power were being generated within him. His eyes flash
toward the tank from which Klaatu was shot.

MED. CLOSE SHOT - TANK

There is a great metallic clatter and the Sherman tank is
suddenly reduced to a pile of junk metal, its parts completely
disintegrated. Only a piece of tank track and twisted gun
barrel emerge from the heap on the ground to identify what
had been there. The tank's crew has remained unharmed.

CLOSE SHOT - GORT

The crackling sound continues as his eyes start to sweep in
a semicircle taking in all the troops.

MED. SHOT - THE TROOPS

SHOOTING FROM BEHIND Gort, with the back of his head in f.g.,
CAMERA PANS to follow Gort's sweeping gaze. In a growing
crash and clatter of metal, every weapon in sight is
destroyed. The two machine guns are little heaps of junk.
The 75's are larger heaps. The second tank, like the first,
is a three-foot pile of scrap. Rifles have dropped from the
soldier's hands and lie on the ground as little mounds of
wood and metal. None of the men has been harmed, but their
faces show the utter terror of what they have experienced.


INT. SMALL CORRIDOR - SPACE SHIP

CAMERA FOLLOWS as Gort carries Helen through the dimly lighted
corridor into the main cabin, where he flips a switch that
lights up the cabin. The robot proceeds to a small door
leading off the main cabin and disappears with Helen inside
it.

INT. SMALL CABIN - FULL SHOT

This is revealed as a weirdly equipped laboratory, the walls
of which are lined with the most complex array of mechanical
and electronic apparatus. Gort sets Helen down on a stool
and indicates for her to stay there. Too terrified to move,
Helen watches as he busies himself with the apparatus. He
starts flipping switches and turning dials. As a result,
lights begin to flash and there's a strange series of
mechanical noises.

CLOSE SHOT - HELEN

Unable to guess the reason for these preparations, she is
gripped with a terrible fear.

KLAATU
We of the other planets have long accepted this principle. We have an
organization for the mutual protection of all planets -- and for the complete
elimination of aggression. A sort of United Nations on the Planetary
level... The test of any such higher authority, of course, is the police
force that supports it. For our policemen, we created a race of robots--
(indicating Gort)
Their function is to patrol the planets -- in space ships like this
one -- and preserve the peace. In matters of aggression we have given
them absolute power over us.

MED. CLOSE SHOT - GORT

emphasizing his great size and inscrutable expression. The
normal blinking of his piercing eyes as he gazes imperturbably
at the audience is his only movement.

KLAATU'S VOICE
(over scene)
At the first sign of violence they act automatically against the
aggressor. And the penalty for provoking their action is too terrible to risk.

CLOSE SHOT - KLAATU

KLAATU
The result is that we live in peace,without arms or armies, secure in the knowledge that we are free from aggression and war -- free to pursue more profitable enterprises.
(after a pause)
We do not pretend to have achieved perfection
-- but we do have a system --
and it works.
(with straightforward candor)
I came here to give you the facts.
It is no concern of ours how you run your own planet -- but if you threaten
to extend your violence, this Earth of yours will be reduced to a burned-out cinder.

QUICK REACTION CUTS

of four delegates, reflecting their stark terror and bewilderment.
And a cut of the Colonel and the soldiers, impressed and held by what Klaatu is saying.

MED. CLOSE SHOT - KLAATU

CAMERA MOVES SLOWLY as he concludes quietly, incisively.

KLAATU
Your choice is simple. Join us and live in peace. Or pursue your present
course -- and face obliteration.
(after a pause)
We will be waiting for your answer.
Decision rests with you.


Script original 'The day the Earth stood still' [ Download ]

Harry Bates

Harry Bates ou Hiram Gilmore Bates III (9 de Outubro, 1900 - Setembro de 1981) nascido na Pensilvânia, Estados Unidos, começou a trabalhar como editor de revistas populares (pulp magazines) em 1920 e é lembrado pela sua contribuição como editor no campo da Ficção Científica. Foi um dos fundadores da 'Astounding Stories of Super-Science', que logo viraria 'Astounding Stories', responsável por mudar os rumos do gênero na América do Norte.

Apesar de sua preocupação com a ação e a construção das histórias, que garantia a qualidade da revista, isso não foi o bastante. Apenas foram publicados 34 exemplares de 'Astouding' e 7 de 'Strange Tales', dedicada a histórias de terror fantástico. A falência veio em 1933.

Durante seu trabalho, Bates escreveu diversos contos, a maioria em colaboração com seu assistente Desmond Hall, muitos deles foram publicados na 'Astouding' com o pseudônimo H.B.Winter ou Anthony Gilmore.

Não há registros de ter publicado algo após 1952. Bates passou os últimos anos de sua vida, no anonimato e doente, acabando por morrer esquecido.

Bates só não foi totalmente esquecido devido ao seu conto 'Farewell to the master', publicado em Outubro de 1940 na 'Astounding Stories', que sequer recebeu capa ou ilustração na época, já que não se tratava da principal história daquela edição (Slan, de A.E.Van Voght), mas que serviu de premissa básica para o filme 'O dia em que a Terra parou' (The day the Earth stood still) lançado em 1951 pelo Diretor Robert Wise, e que viria a se tornar um marco na história do cinema.

No livro, 'Gort' aparece mas seu nome é 'Gnut', e a famosa frase 'Klaatu Barada Niktu' também está ausente, assim como não há nenhuma insinuação romântica com Klaatu.

La dimension Fatal - Harry Bates [ Download ]
Farewell to the master - Harry Bates [ Download ]

sábado, 27 de dezembro de 2008

O dia em que a Terra parou (Adeus ao Mestre - Harry Bates ) Parte 1/7


A edição da revista 'Astouding' de Outubro de 1940, trazia em suas páginas, um conto de Harry Bates intitulado 'Adeus ao Mestre' (Farewell to the Master). O conto passou despercebido para a maioria das pessoas, menos para um roteirista chamado Scott Pearson, que o mostrou para o diretor Robert Wise, que procurava uma boa história para seu próximo filme. Anos depois, e adquirido os direitos, Wise teria sido obrigado a aceitar o roteirista do estúdio (Twentieth Century-Fox), Edmund North, que fez consideráveis mudanças no material, adaptando-o ao gosto do público da época.
Lançado em setembro de 1951, 'The day the Earth stood still' aproveitava-se da onda de filmes com efeitos especiais, dentro da temática do 'perigo que vem do espaço', comum nos anos da Guerra-Fria.
O filme ganhou um Globo de Ouro e se tornou um cult.
Em 2008 ganhou uma nova versão, desta vez com Keanu Reeves no papel do 'embaixador Klaatu'.

O Capacitor Fantástico traz a íntegra de 'Adeus ao Mestre', o conto que deu origem a tudo.


ADEUS AO MESTRE - HARRY BATES

Parte 1

Do alto da escada, acima do chão do museu, Cliff Sutherland estudava cuidadosamente cada linha e sombra do grande robô, então se virou para os visitantes saidos do salão do Sistema Solar para ver Gnut e o viajante, com seus próprios olhos, e ouvir mais uma vez sobre a fantástica e trágica história deles.
Ele mesmo sentia um interesse particular na exibição e com alguma razão.
Ele havia sido o único repórter fotográfico independente na Capital quando os visitantes vindos do desconhecido chegaram, e havia conseguido as primeiras fotos profissionais da nave.
Tinha testemunhado de perto cada evento naqueles dias loucos que se seguiriam. Depois disso havia fotografado muitas vezes o robô de seis metros, a nave e o belo embaixador assassinado, Klaatu, em seu imponente túmulo no Memorial, que se transformara no centro de atenção mundial para bilhões de pessoas, e agora mais uma vez, ele estava ali buscando mais fotos, e se possível de um novo ângulo.

Desta vez estava atrás de uma foto na qual Gnut parecesse ameaçador. Aquelas que havia tirado no dia anterior não haviam tido o efeito esperado e esperava consegui-las ainda hoje, mas a luz ainda não estava apropriada e ele esperava a chegada da tarde.
A última turma admitida estava exaltada diante das curvas esverdeadas do misterioso viajante do espaço-tempo, esquecidos completamente da nave, diante da visão espantosa do gigante Gnut.
Apesar de sua aparência quase humana ser familiar, nada na Terra tinha olhos como aqueles. Gnut possuía quase que exatamente a forma de um homem – um gigante – mas um homem – feito de metal esverdeado ao invés de pele, e músculos metálicos.
Exceto por um pano ao redor da cintura, semelhante a um saiote egípcio, ele estava nu.
De pé, como um poderoso Deus das máquinas saído de uma civilização cientifica nunca imaginada, sua face parecia trazer uma expressão pensativa e solene.
Aqueles que o observavam, não emitiam comentários ou faziam gestos, e aqueles mais próximos sequer falavam. Aqueles estranhos olhos vermelhos iluminados internamente davam a impressão a qualquer um, que estavam a observá-lo também, e transmitia uma sensação de que poderia a qualquer momento, dar um passo a frente em fúria e realizar algo inimaginável.

Um som desagradável veio dos auto-falantes escondidos no teto acima e fez com que todos prestassem atenção. A apresentação gravada estava prestes a começar.
Cliff suspirou resignado; sabia cada fala de cor e estivera presente quando fora gravada, e conhecera o dono daquela voz, um camarada chamado Stillwell.

‘Senhoras e senhores’ iniciava a voz clara e bem modulada, mas Cliff não estava mais prestando atenção. As sombras da face de Gnut começavam a ficar maiores e estava quase na hora de fazer as fotos. Escolheu algumas provas que havia feito no dia anterior e as analisou criticamente comparando com o objeto real.
Enquanto olhava sua testa se enrugou.
Não havia notado antes, mas agora percebeu que em comparação ao dia anterior, algo havia mudado em Gnut.
A pose que tinha diante de si era quase idêntica aquela das fotografias, cada detalhe parecia igual, mas assim mesmo, aquela sensação de estranhamento perdurava. Pegou seu visor de vidro e mais cuidadosamente comparou o objeto com as fotografias, linha por linha.
E então ele viu o que estava diferente.
Subitamente excitado, Cliff escolheu duas fotografias de diferentes exposições.
Ele sabia que devia ter esperado um pouco e ter tirado outras, mas parecia tão decidido a desvendar aquele mistério que tinha que sair dali. Guardou seu equipamento e desceu a escada deixando o lugar. Vinte minutos depois consumido pela curiosidade já processava as novas fotos em seu quarto de hotel.
O que Cliff viu, comparando os negativos tirados no dia anterior com os de hoje, causaram-lhe grande comoção.
Havia realmente uma inclinação diferente.
E aparentemente ninguém a não ser ele havia percebido!
Ainda assim, o que havia descoberto, apesar de lhe render a capa de todos os jornais do sistema solar, era afinal apenas uma pista. A história, do que realmente ocorrera, ele sabia melhor do que ninguém, seria seu trabalho descobrir.
O que significava dizer que precisaria entrar no prédio e permanecer lá durante a noite secretamente. Aquela noite mesmo; havia tempo para chegar lá antes de fechar.
Levaria consigo uma pequena câmera infravermelha capaz de ver no escuro e então conseguiria a foto e a história.
Arrumou-se e correu de volta ao museu.

O lugar estava cheio com outro grupo em fila e a apresentação estava ao fim.
Ele agradeceu a Deus que seu acordo com o museu permitia-lhe entrar e sai à vontade.
Já se havia decidido quanto ao que iria fazer.
Primeiro dirigiu-se ao guarda da ronda e fez-lhe uma simples pergunta já antecipando a resposta que ouviria. A segunda foi encontrar um local que lhe garantiria ficar fora das vistas do homem responsável por fechar o salão a noite. Só havia uma possibilidade, o laboratório que ficava atrás da nave.
Corajosamente ele mostrou suas credenciais ao segundo guarda parado na entrada do laboratório, justificando que viera entrevistar os cientistas e logo já estava no laboratório.
Já havia estado ali diversas vezes e conhecia o lugar.
Era uma área espaçosa, que servia aos cientistas no seu trabalho de conseguir uma entrada na nave, repleta de máquinas e instrumentos pesados, apetrechos de química, coberturas de asbestos, compressores, escadas, microscópios, e todo tipo de equipamento encontrado em laboratórios de metalurgia.
Três homes de branco estavam absorvidos em um experimento num lado distante dali.
Cliff aguardou um bom momento e escorregou para debaixo de uma mesa repleta de suprimentos de trabalho. Sentiu-se razoavelmente seguro ali.
Logo, logo, seria noite e os cientistas iriam para casa.

Além da nave pode ouvir uma outro grupo esperando para entrar - talvez, esperava, o último do dia. Sentou-se tão confortável quanto podia. Logo outra apresentação se iniciava de novo.
Teve que sorrir ao pensar em algo que seria dito na gravação.
A voz treinada e clara de Stillwell começou a ser ouvida.
Os passos e aclamações da multidão desapareceram e Cliff pode ouvir cada palavra, apesar do volume da grande nave que se colocava no caminho.

‘Senhoras e senhores. O instituto Smithsonian os saúda nesta nova ala interplanetária e as maravilhas que no momento presenciam.
Todos vocês devem saber sobre o que ocorreu aqui, três meses atrás, se é que não viram pela televisão. Os fatos são estes. Um pouco após as dezessete horas do dia 16 de Setembro, vários turistas visitando Washington, passaram por estas portas, perdidos em seus pensamentos. O dia era quente e agradável. Um grupo de visitantes deixava a entrada principal do museu, exatamente na direção para a qual estão voltados agora. Claro que não havia esta ala ainda. Todos estavam saudosos de casa, cansados sem dúvida pelas horas de pé, assistindo as exibições do museu e visitando as várias alas, quando então aconteceu.
Na área logo a sua direita, assim como está hoje, apareceram os viajantes do tempo.
Num piscar de olhos.
Não veio dos céus, dezenas de testemunhas podiam jurar, eles simplesmente apareceram.
Um momento não estava lá e no momento seguinte estava.
Apareceu neste mesmo ponto que os senhores estão vendo.
As pessoas mais próximas da nave foram tomadas pelo pânico e correram aos gritos. Uma onda de excitação varreu Washington. Radio, televisão e os jornalistas correram para cá. A policia formou um cordão de isolamento ao redor da nave e unidades do exército apareceram com atiradores.
Desde o inicio ficou claro que não se tratava de uma espaçonave vinda de alguma parte do sistema solar. Toda criança sabe que apenas duas espaçonaves foram feitas na Terra, e uma fora destruída ao ir contra o sol, a outra foi reportado ter chegado intacta em Marte. Além disso, tinham escudos de alumínio, e essa que vêem, é feita de um estranho metal esverdeado.
A nave simplesmente apareceu. Ninguém saiu de dentro e não havia sinal de que contivesse qualquer vida interior de qualquer tipo. Isto fez com que a excitação chegasse a um clímax. Quem ou o que estava lá dentro? Os visitantes eram pacíficos ou hostis? De onde havia vindo? Como havia chegado ali sem cair do céu?
Por dois dias a nave permaneceu ali, como vocês vêem, sem sinal de conter vida. Os cientistas já haviam explicado que não se tratava de uma espaçonave, mas de um viajante tempo-espacial, pois só um aparato assim deste gênero poderia se materializar daquele jeito.
Explicaram que este viajante, teoricamente estaria longe do nosso atual estágio de conhecimento, e que a nave ativada pelos princípios da relatividade, poderia ter vindo do canto mais distante do universo, de uma distância que a luz iria precisar de milhões de anos para atravessar.
Quando esta opinião foi disseminada, a tensão pública só fez crescer, até se tornar quase intolerável. De onde haviam vindo? Quem eram seus ocupantes? Por que a Terra? E acima de tudo, por que não se mostravam? Poderiam estar talvez preparando alguma terrível arma de destruição?
E onde ficava a porta da nave? Aqueles que se atreveram a procurar de perto não conseguiram achar uma. Nem sequer uma fissura na superfície perfeita e ovóide.
Uma delegação de altos oficiais que a haviam visitado, não puderam, convencer seus ocupantes a sair ou mesmo não sabiam se foram ouvidos.
Ao final, após dois dias, diante da vista de dezenas de centenas de pessoas presentes e sobre a proteção das armas dos militares, uma abertura surgiu na parede da nave e uma rampa deslizou para fora e abaixo e de dentro saiu um homem, como um deus em aparência humana, seguido de perto de um gigantesco robô. Assim que alcançaram o chão, a rampa recuou e a porta fechou-se como antes.
Ficou imediatamente claro para a platéia que o estranho era amigável.
A primeira coisa que fez foi erguer seu braço direito num gesto universal de paz, mas não foi isso que impressionou aqueles mais próximos, mas a expressão em sua face, irradiando generosidade, conhecimento, a mais pura nobreza. Em sua túnica roxa e delicada, ele parecia um benevolente deus.
Um grande comitê formado por altos membros do governo e oficiais das forças armadas, que aguardavam pela sua aparição, avançou para cumprimentar o visitante.
Com graciosidade e dignidade o homem apontou para si e depois para o robô companheiro e disse em perfeito inglês, com um peculiar sotaque.
‘Sou Klaatu’, ou algo assim, ‘e este é Gnut’.
Os nomes não foram bem entendidos no instante mas depois, revendo as gravações de áudio e vídeo, ficaram claros para todos.
Foi quanto ocorreu aquilo que seria conhecido para sempre como uma das maiores vergonhas para a raça humana. Do alto de uma árvore, uma centena de metros dali, veio uma luz violeta e Klaatu caiu.
A multidão ficou perplexa por um instante, sem compreender o que ocorrera.
Gnut, pouco atrás e ao lado de seu mestre, lentamente virou seu corpo em direção a ele, moveu duas vezes a sua cabeça e parou, nesta exata posição que vocês vêem agora.
Um pandemônio seguiu-se.
A polícia arrancou o assassino de Klaatu das árvores. Um sujeito mentalmente incapaz que gritava que o diabo viera matar a todos nós na Terra. Ele foi detido e Klaatu, morto, foi levado a um hospital mais próximo, na tentativa de que algo pudesse ser feito para reavivê-lo.
Confusas e assustadas, as pessoas se dispersaram pela Capital, permanecendo vagando pela tarde e por quase toda noite.
A nave permaneceu silenciosa e quieta como antes e Gnut também, nunca se moveu da posição em que ficou. Gnut nunca se moveria de novo.
Permaneceu exatamente como vêem por aquela noite e todos os dias depois.
Quando o mausoléu foi construído, a cerimônia de enterro de Klaatu teve vez neste mesmo lugar onde estão, presenciado pelas maiores autoridades do mundo.
Não foi apenas a coisa mais apropriada a se fazer como também a mais segura, pois se existissem criaturas vivas dentro da nave, elas poderiam perceber a sincera manifestação de pesar dos homens da Terra e pelo que havia acontecido.
Se Gnut estivesse vivo, ou se ainda, melhor dizendo, continuasse operacional, não havia sinal algum. Permaneceu como vêem por toda a cerimônia. Mesmo quando seu mestre foi levado para dentro do mausoléu e encerrado pelos séculos. E ficou ali parado, dia após dia, noite após noite, no sol ou na chuva, sem se mover ou demonstrar o menor sinal de que tinha noção do que ocorreu.
Após o ocorrido, esta nova ala foi construída ao redor do robô e da nave e anexada ao museu, a fim de cobrir e protegê-los. Nada mais poderia ser feito, pois como se descobriu, ambos Gnut e a nave, são pesados demais para serem movidos com segurança por qualquer meio que conhecemos.
Vocês devem ter ouvido dos esforços dos nossos metalúrgicos desde então na tentativa de penetrar no interior da nave e que resultou em total fracasso.
Atrás da nave hoje, como podem ver, uma sala foi acrescentada para este trabalho em especial e tentativas ainda estão sendo feitas. Apesar das tentativas, este maravilhoso metal esverdeado tem se provado inviolável. Não somente não conseguimos entrar, mas sequer descobrimos o ponto exato pelo qual Klaatu e Gnut emergiram.
Muitas pessoas temem que Gnut só esteja temporariamente danificado e que ao retornar ao funcionamento poderá ser perigoso, porêm todos os cientistas desmentiram esta possibilidade.
O metal esverdeado do qual é feito, o mesmo da nave, não pode ser danificado, eles pensam, nem encontraram um jeito de penetrar em seu interior. Atualmente eles estão experimentando aplicar correntes elétricas de alta voltagem e amperagem através deles. Já tentaram com o calor extremo. Os deixaram imersos por dias em gases e ácidos e soluções corrosivas, e já os bombardearam com todo tipo de raios conhecidos.
Não precisam ter medo dele agora.
Ele possivelmente não possui mais a habilidade de funcionar de qualquer jeito.
Mas, uma palavra de atenção. As autoridades sabem que os visitantes não irão mostrar qualquer desrespeito dentro deste prédio. Pode ser que a impensável e poderosa civilização da qual vieram Klaatu e Gnut, possa enviar outros emissários para ver o que aconteceu com eles.
Caso façam ou não, nenhum de nós deve mostrar-se inamistoso com nossa atitude.
Nenhum de nós é capaz de antecipar o que aconteceria, todos nos sentimos pesarosos, mas ainda temos reconhecimento da nossa responsabilidade e devemos fazer o que for preciso para evitar qualquer possível retaliação.
Vocês poderão permanecer por mais cinco minutos e então soará um gongo e pedimos que todos por favor, deixem o local prontamente. Os atendentes ao longo da parede responderão as dúvidas que tiverem.
Olhem bem, diante de vocês estão os símbolos absolutos da realização, do mistério e da fragilidade da raça humana.’

A gravação cessou.
Cliff cuidadosamente moveu com cuidado seus membros doloridos e sorriu.
Se eles soubessem o que eu sei!
Suas fotografias contavam uma história um pouco diferente da apresentação. Uma das linhas do chão, ontem estava visível, próxima ao pé do robô, e hoje estava coberta.
Gnut havia se movido!
Ou sido movido, pensou sem achar ser provável. Onde estaria a outra evidência de seu deslocamento? Não podia ter sido feito em uma noite apenas e todos os sinais apagados. E por que o fariam? Ainda assim, para ter certeza, ele perguntara ao guarda. E ainda se lembrava de sua resposta:
‘Não. Gnut nunca se moveu ou foi movido desde a morte de seu mestre. Tiveram o cuidado de mantê-lo como estava, na posição que assumiu quando da morte de Klaatu. O chão foi construído debaixo dele e os cientistas levantaram seus aparatos ao redor dele. Não precisa ter medo.'
Cliff sorriu de novo. Ele não tinha medo.
Não ainda.


The Day the Earth Stood Still - Arthur Tofte


"...A panel in the ship was slowly opening! Aiming his camera, Sutherland snapped a picture.

He watched as a ramp slowly slid out of the opening.
He took another picture. For several minutes more there was no further activity.

Then, slowly, with a stately tread, there appeared the most striking being Cliff had ever seen. He was tall and very slender. He wore a tight-fitting garment made of a shining silvery material. As he strode down the ramp, it seemed to Cliff that goodness and good will emanated from him in a godlike aura.

Just as perhaps every other person in the huge crowd felt, so Cliff Sutherland sighed in relief. The alien was no enemy. He brought no sense of menace with him, no threat of danger.
Remembering belatedly why he was here, Cliff snapped several pictures of the stranger as he moved down the ramp.

Then he saw a second figure emerge!

This one was completely different. He was half again as tall as the humanlike being who had preceded him. He seemed to be a mechanical robot. Made apparently of the same green material as the ship, he nevertheless moved surely and smoothly as he took his place beside the other. The ramp behind them slid back into the ship and the panel door closed.

For a long moment the two strange figures stood facing the silent crowd.
Then the man spoke up in a loud, clear voice: "I am Klaatu and this is Gnut."

A murmur arose from the people closest, obviously surprised that the alien could speak English.

The alien raised his right arm, palm outward, in the universal symbol of peace.
At that instant there was a sharp report. Turning quickly, Cliff Sutherland saw tendrils of smoke rising from a tree nearby. A wild-eyed man wasdescending. Two policemen grappled with him.
Cliff took one picture of the scuffle. When he saw that the gunman was being dragged away, he turned back to look at the fallen figure of the alien. This too he photographed.

Soldiers were surrounding the stranger as he lay on the ground. In a minute or two they had picked him up and carried him to a nearby army car.

Stunned by the sudden turn of events, Sutherland moved toward the ship.

The robotlike creature had not changed his position in all the turmoil and excitement.
He stood stolidly, his two huge feet firmly placed on the ground.

Cliff approached and was startled to see the robot's eyes, like red beads, glaring back at him.
Within minutes, the police and the soldiers had restored order.

A rope cordon was hurriedly placed around the ship to keep people away. Inside the area, the robot, Gnut, never moved.

Exhausted by his long, 24 hour stint, Sutherland didn't object when a policeman said he'd have to get back with the others in spite of his press card. He desperately needed a shower, food, and sleep. And he wanted to get back to his two-room apartment where he could develop the pictures he had taken.

He was not too happy with the shots he had obtained.
Every news photographer in Washington probably had about the same.
But most of all, right now he needed sleep."



O conto 'Farewell to the master'(1940) de Harry Bates, que deu origem ao conhecido filme 'O dia em que a Terra parou' (The day the Earth stood still, 1951, Diretor Robert Wise) também foi posteriormente transformado em um romance por Arthur Tofte, com o mesmo nome do filme.

THE DAY THE EARTH STOOD STILL (1976) -Arthur Tofte [ Download ]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

DarkRoastedBlend



Mais de 10.000 resenhas de livros de FC e Fantasia

Terrorzine - 3 e 4


No escuro salão... -Ademir Pascale
O viúvo -João B. dos Santos
Uma tarde e um pouco de... -Paulo Noboru
Vida de escritor -Adriano Siqueira
O salto -Leonardo Brum
Suzana -Rafael Jordan
Lados opostos -Almir Pascale
Gruta Secreta -Leonardo Grasel
Cuidado com o que você... -Renata R. Cezimbra
Olhos de fogo -Carla Ribeiro
Metempsicose -Luciana Fátima
O reflexo da alma -Ricardo Delfin
Calibre 45 -Daniel Frini
Subconsciente -Luciana Muniz
Recuerdo -Roberlandio Pinheiro
Preparativos de Halloween -Diego Piovesan
O Sono -Marcelo Dias Amado
El origen de los... -Roberto Ortiz Falcón
Dever cumprido! -Edson Rossatto
O Invasor -Mario C. C. Junior
A tampa do caixão -Rodrigo Araújo
A cabana -Elenir Alves
Oficial responsável -Martha Argel
Acto de desagravio -Sergio vel Hartman
Mentiras -Frodo Oliveira
Servicio -Miguel Dorelo
El resucitador de estrellas -Tanya Tynjälä
Plantas de carne -Iam Godoy
Do outro lado -Miriam S. dos Santos
Começando pelo olho -Vinícius Vieira
Palavras no vento -James Andrade
Reflexões solitárias -Nelson Magrini
Impressão -Wilson Gorj

Terrorzine 03 [ Download ]



O Atalho -Francisco Pascoal Pinto
Reflexões Peculiares -Nelson Magrini
O Pó -Alexandrine Blume
As Rosas Vermelhas -Gildson Góes
Vaidade -Rafael Jordan
Nunca Estamos a Sós! -Almir Pascale
A Casa Amarela -Giulia Moon
Elegia ao Vinho -Ricardo Delfin
Aprendizado -Angela Oiticica
Amor Materno -Iam Godoy
Dia de Visita -Roberlandio A. Pinheiro
Sob as Leis do Antigo Egito -Angela Schnoor
Acidente na Estrada -J. P. Balbino
Neurosis -Roberto Carlos Ortiz Falcón
Vampírica -Carla Ribeiro
Onophre -James Andrade
Por Dentro do Ser -Rodrigo Araujo
O Fogo do Amor -Celso Junior
Soneto à Eternidade -João Batista dos Santos
Abduzido -Rogério Silvério de Farias
Últimas Palabras -Daniel Frini
Papai! -Leonardo Grasel
Redenção -Rúbia Cunha
A Criatura -Daniele Cardoso
O Mitomaníaco -Luciana Fátima
Cárcere -Samir Mesquita
El Eremita -Dennis Arias Chávez
Hoje eu Passei pela Morte -M. D. Amado
Tú Esencia -Santiago Fernández Subiela
Devorador de Halos -Eduardo Oliveira Freire
A Loucura -Mario Carlos Carneiro J unior
Negociación -Sergio Gaut vel Hartman
Admiradores de Morcegos -Elenir Alves
Feito em Casa -Martha Argel
Caçada Noturna -Wilson Gorj

Terrorzine 04 [ Download ]

Atravessando a fronteira do País Assombrado


Entrevista com William Gibson para a Amazon.com


Amazon.com: Pode começar nos contando um pouco sobre onde se passa este novo livro?

William Gibson: Na verdade, não me preparei para isso.


Amazon.com: É como costumamos fazer, pegamos as pessoas antes que tenham tempo de decorar suas falas.

William Gibson: Sabe, quando faço a promoção do livro, já tenho uma idéia do que se trata. Ou sobre como o livro está sendo entendido, sobre o que se trata realmente. Neste livro temos alguns personagens misteriosos, uma pequena família criminosa de Nova Iorque, um tipo de contrabandistas ou, como se diz, de facilitadores ilegais, que fazem coisas entrarem na America do Norte. E você tem que ler até o fim para entender direito. Então eu imagino que seja um romance criminal.


A: Sim, tem todos os elementos de um thriller -tudo leva a crer que sim. Nós falávamos mais cedo - que você não sabe o que está dentro do pacote, até escrever?

WG: Não, eu não sei. Em certo ponto eu estou certo de que está cheio de objetos de arte retirados do museu de Bagdá (risos) e então me dou conta que contém as lendárias baterias de Bagdá, que Erich Von Daniken se referia nos anos 70 (as baterias seriam uma prova de um paleocontato com alienígenas).


A: Mas nada de armas de destruição em massa.

WG: Bem, estou preocupado com isso. Às vezes eu não gosto de confessar que sei muito pouco sobre como estas coisas começam, mas começo a admitir que quando menos eu souber, melhor.


A: Temos a proposta inicial do livro em seu site, e algo que me pegou foi que nenhuma das possibilidades acaba se concretizando ao fim. Estou curioso sobre como você faz, na medida em que passa de um personagem para outro, enquanto planeja o livro ou o está escrevendo.

WG: Bem, eu acho que a chave é que eu não acredito em propostas.


A: E aqueles que te publicam acreditam?

WG: Eu não sei - parece ser uma espécie de objeto ritualístico e temo realmente que tenha feito um contrato sem uma proposta, mas me surpreendo às vezes quando acaba sobrevivendo à publicação.


A: Mas sempre sobrevive em um livro diferente. Você cria a idéia. a põe de lado e depois encontra um lugar para ela?

WG:É interessante. De verdade, eu nunca percebi isso. Eu costumo não olhar para ter certeza se está lá. (Risos). Definitivamente eu não a procuro enquanto estou escrevendo. Ninguém tem reclamado.


A: A idéia do seu último livro “Reconhecimento de Padrões” (Pattern Recognition) era de que o presente alcançou o futuro de William Gibson. Muito daquilo que você imaginou se tornou realidade, de certa forma como se estivéssemos todos vivendo a ficção científica hoje. Foi assim que você se sentiu ao escrevê-lo, que o mundo real se tornou as suas idéias?

WG: Acho que escrever sobre o mundo de hoje é algo provavelmente mais desafiador, no sentido da ficção científica, mais do que simplesmente continuar a imaginar coisas. E acho que este é absolutamente o caso. Se vou escrever ficção sobre um futuro imaginário hoje, preciso de parâmetros que me dêem uma percepção acurada de quão estranhas estão as coisas. Por que vou precisar ir além daquilo. E penso que na direção apontada dos dois últimos livros - não acho que cheguei lá ainda - trabalho estes parâmetros. Mas não sei se serei capaz de fazê-lo de novo. Não sei se serei capaz de criar um futuro imaginário de novo. Nos anos 80 e 90 - é esquisito falar isso - tínhamos o luxo da estabilidade. As coisas não estavam mudando tão rápido assim, como um dos personagens de Reconhecimento de padrões diz, você não tem aquele lugar onde ficar e poder olhar para um futuro em detalhes.


A: Você já pensou em mover-se no passado? Em Difference Engine você escreveu sua própria versão do passado.

WG: Talvez. Não sei. Ontem, por um motivo qualquer, eu estava tentando imaginar um RPG (real player game) online, multi-jogador, onde o mundo que você entra é algo do tipo Guerra Civil Americana. Não a Guerra Civil Americana dos generais e das tropas, mas um tipo de guerra civil silenciosa, realmente às escondidas, acontecendo fora de um mapa militar. Estava pensando em quem poderia ir para lá, e por que as pessoas poderiam querer ser um comerciante do rio, ou um traficante de escravos e por que não. Estou muito curioso a respeito, mas não fiz nada ainda.


A: Falando sobre mundos de multi-jogadores virtuais, você tem ido ao Second Life? Sei que fará promoção do livro por lá.

WG: Vou fazer algo lá, será a primeira vez desde o último inverno. Foi uma experiência estranha.


A:Trataram você bem?

WG: Não fui como eu mesmo. Fui como outra pessoa e ninguém sabia quem eu era. E hoje aquilo é algo como um shoppping na periferia de Edmonton no meio do inverno, misturado ao pior dia que você passou na escola (risos).


A: Conheço a periferia e é assustadora.

WG: É deserta. Como se para ser funcional precisasse ser assim. Se não estiver deserto então dá erro (crash). Existe todo este vazio, arquitetura vazia. Todas estas cidades onde só há uma pessoa e mesmo assim não querem você por perto. E quando você consegue encontrar um grupo de avatares, elas não são tão legais.


A: São inferiores ao que são - são como as pessoas são em seus carros.

WG: É, são inferiores ao que realmente são no mundo real. Mas podem haver outros lugares que não fui...


A: Se você tivesse dito quem é, provavelmente ficaria bastante popular, eu imagino.

WG: Mas aí você não descobriria como é. Mas também quem acreditaria em mim? (risos) Quem sabe se parte da minha fria recepção se deveu a escolher um avatar bem diferente daquele que a maioria das pessoas escolheria. Eu escolhi um grotesco e gordo smurf azul. Usando um saiote de bailarina. Ninguém sabe, mas foi legal. Quer saber o que na verdade me preocupa sobre o Second Life? Depois de passar umas 4 ou 5 horas por lá, dezembro passado, eu fui a um shopping repleto de compradores na véspera de Natal e todo mundo me pareceu ter saído do Second Life. Tinha algumas pessoas, com menos de 30 anos, que pareciam ter escapado do Second Life,


A: Vestiam-se como avatares.

WG: Sim, se vestem como um avatar, é algo bem assustador. E acho que em algum lugar, no meu arquivo de idéias, existe uma sobre um cara e sua namorada que se parece com aquela que ele tem no Second Life.


A: Então você coleciona idéias que podem acabar sendo usadas para um personagem sem definição?

WG: Sim, mas eu não as uso assim. Eu conto com algum atrito natural da memória para lidar com isso. E às vezes você tenta, mas não funciona ou não encontra o lugar certo, não encontra a aplicação certa para aquele material. Mas quando eu estou trabalhando muito bem com algo, me parece que tudo de alguma forma, funciona. Todas as experiências do mundo podem potencialmente encontrar seu caminho na textura da coisa. E se não acontecer, é por que não ocorre na vida.


A: Tem que ser parte da sua vida.

WG: Sim, tenho que sentir que é parte da minha experiência neste mundo.


A: E como é a sua pesquisa? Se quer escrever sobre, digamos, GPS, como fez no seu último livro, você pesquisa e procura os especialistas ou só observa as coisas aí fora e faz do seu jeito?

WG: Eu googlo (Google) e estrago tudo (risos), ou se tenho sorte, Cory Doctorow (escritor de Ficção Científica expert em tecnologia) me corrige. Uma das coisas que descobri enquanto estava escrevendo ‘Padrão de reconhecimento’ é que todo romance contemporâneo tem uma espécie de aura Google ao redor, pois todo mundo poder googlar tudo do texto. As pessoas - e isso acontece comigo em ‘Reconhecimento de Padrões’, encontrarão minhas pegadas pelo Google: Olha, ele tirou isso daqui e esta informação veio deste site.


A: Suas anotações estão por aí.

WG: Sim, é como se existisse esta extensão texto-nebulosa. Tudo é hiperlincável agora. Isso muda tudo. Tenho certeza de que muitos autores ainda não se deram conta disso, como as coisas mudaram, mas já me vi googlando partes do meu texto e algumas vezes fui levado em diferentes direções.


A: Então você consegue googlar enquanto escreve ou você se desliga de tudo?

WG: Não, tenho o Word (programa editor de texto) aberto no topo do Firefox (navegador de internet).


A: Você tem coragem.

WG: É tipo o único jeito que consigo fazer isso. Tomou o lugar de olhar pela janela, mas eu preciso...


A: Você precisa de um certo estímulo...

WG: Sim, preciso. É como quando você está nadando debaixo d’água e respira pelo canudo. O Firefox é este canudo. Eu poderia sair se eu quisesse. Posso ficar ou ir para o BoingBoing (site para o qual WG escreve) ou qualquer outro site.


A: Acho que alguns escritores nunca pulariam na piscina com o Google.

WG: Não tenho problemas, pois não me atrai tanto. O que me limita em relação ao Google é o que você pode pensar fora dele. Existe um tipo de limitação pessoal nisso, a não ser que você dê sorte e algo que você googlou te leve até algo que você nunca viu antes. Você ainda sim tem uma versão inicial daquilo na cabeça.


A: Certo, ao invés de estar numa livraria onde você pode pesquisar e as coisas virem até você, você está pesquisando dentro de sua própria cabeça.

WG: Na minha internet, as coisas que estão nos meus favoritos são pequenas. Algumas vezes muito pequenas, mas elas estão armazenadas lá.


A: É a sua vizinhança.

WG: Imagino que a maioria das pessoas faz isso.


A: Você não tem escrito não-ficção. É algo que sempre fez, uma extensão do seu trabalho? A sua editora não tem lhe cobrado um livro de memórias?

WG: Não, ninguém me pediu para escrever minhas memórias. Tenho uma proposta - uma proposta bastante bizarra - que eu escreva a biografia de um físico, puxa, nunca fiz nada assim. E me parece tão fora de propósito que penso, ok, vou considerar a idéia. É uma oportunidade batendo à porta. Mas quando penso, e eu penso a respeito, não sei como fazê-lo. Não sou um jornalista, não fui treinado para tal. Bruce Sterling teve aulas na faculdade para isso, e é algo completamente diferente, ele pode escrever algo assim. Ele pode escrever algo sobre o mundo real sem problemas. Eu nem tenho idéia de como fazê-lo.


A: É difícil escrever sobre a vida real.

WG: Entendo como uma extensão do que me permito, sinto que posso, entre as coisas que sei fazer. E história é especulação também. Estou quase convencido. A história muda. Se eu pudesse escolher saber de uma coisa sobre o mundo, daqui a cem anos, ou ter acesso a informações, eu penso que iria querer saber da história do nosso tempo, não somente por que diria muita coisa que eu não sei sobre nosso tempo, mas me diria tudo que preciso saber sobre tempo, como o que eles aceitaram acreditar.


A: Agora que você está escrevendo sobre o presente, você se considera um escritor de ficção científica? Por que, para as pessoas, você ainda é um.

WG: Nunca acreditei nesta separação. Mas a Ficção Científica é definitivamente de onde venho. A ficção científica é minha cultura literária nativa. Foi onde comecei como leitor e o que me faz um pouco diferente dos outros escritores de ficção científica da minha idade, é que eu descobri Edgar Rice Burroughs e William Burroughs ao mesmo tempo. E comecei a ler os poetas beatniks um ano depois e misturei tudo. E é melhor não ser rotulado. É uma questão de onde você está autorizado a estacionar. Se você quiser estacionar na seção de FC da livraria, ótimo. Se puder estacionar em outra seção, é ótimo. Se as pessoas quiserem comprar na Amazon, ótimo também.


A: Sim, nós o colocaremos em todas nossas seções virtuais. De certo modo, isso permite a você fazer o que quer, escrever o livro que desejar, sem se importar com o rótulo que lhe dão.

WG: Sim, tenho certeza de que tenho leitores que me conhecem há vinte anos e que estão desesperados pela ausência daquela coisa ‘ciber’, de garotas com unhas biônicas. Mas é assim mesmo. Hoje tudo está diferente. Acho que nada fica fora de moda tão rápido quanto a ficção científica. Nada fica tão datado quanto um futuro imaginário. Adquire teia de aranha mesmo antes de colocar no envelope e mandar para o editor.


A: Então você acha que é o seu caminho como escritor, estar menos interessado em imaginar o futuro, ou você acha que o mundo está mudando?

WG: As duas coisas. Até recentemente eu pensava que era eu, que havia me cansado deste conjunto de ferramentas que ganhei quando jovem, e tenho usado o velho conjunto para a ficção do século 21. Mas nos últimos cinco ou seis anos, comecei a perceber que tem algo acontecendo, algo que talvez seja o que os personagens do meu livro ‘Idoru’ chamam de ‘Ponto nodal’, ou uma série deles. Estamos em um lugar onde as coisas podem caminhar em qualquer direção. Algumas semanas atrás eu li o argumento de Charles Stross de que nós jamais faremos uma viagem espacial tripulada. Não vai acontecer. Não vamos colonizar Marte. Tudo não passa de fantasia. E foi tão convincente o argumento que li aquilo e pensei ‘Meu Deus, lá se vai toda a ficção que li quando criança. ’


A: Nós sabemos muito sobre o que podemos fazer, mas sabemos muito mais sobre o que não podemos.

WG: Sim, sim. E se for isso? Não somente quanto a estarmos destruindo o planeta, mas e se for o único? O único que a raça humana irá ter? Só por causa das distâncias.


A: Uma coisa que me prendeu em País Assombrado (Spook Country) é que de certo modo o futuro é como viver ao longo do passado recente. Como se alguns daqueles personagens do livro vivesse no futuro e outros não. Tem um momento que Milgrim está voando sobre o Golfo, em seu jato particular e ele se sente tipo ‘Oh, então é assim, com as outras pessoas. ’

WG: Sim, exatamente.


A: Este é o clássico romance do século 19, é tudo sobre divisão de classes e negociação entre elas. É o motor que move o livro.

WG: Existe algo que percebi enquanto escrevia este livro, por que precisei voltar a ler partes de ‘Neuromancer’, pois no mundo de Neuromancer não há classe média. Só há gente muito, muito rica ou desesperadamente pobre, a maioria criminosos. É um mundo bastante vitoriano e quando eu escrevia País Assombrado, eu procurei lutar contra isso que o mundo que eu tentava predizer se tornava mais vitoriano, não menos. Menos classe média, mais como o México, mais como a cidade do México. O que provavelmente não é uma boa direção.


A: Para o livro ou para nós?

WG: Para nós.

Efeitos secundários - Exposição prolongada à Ficção Científica

"...O mundo acordou para 2001 com sonhos de frigoríficos que encomendam leite a servidores remotos que despejam os pedidos em companhias de transporte, que por sua vez têm sistemas de gestão de inventário que fazem encomendas automáticas e previsões de vendas para outros sistemas remotos, controladores das linhas de produção, que fazem estimativas dos litros, e por consequência, do número de vacas necessárias para dar resposta ao pedido inicial do frigorífico, que não entende porque é que precisa de leite, mas sabe que precisa. Sonhos de silício. Máquinas que falam, portas que se abrem sozinhas, lojas que seduzem quem passa, quais prostitutas de neón e vidro. Prateleiras customizadas. Livros que se escrevem enquanto se lê. Livros que se apagam depois de serem lidos. Livros que nem é preciso ler. O mundo como um brinquedo, um brinquedo típico de adultos: monumental, erótico, perigoso..."

Efeitos Secundários - blog de Luis Filipe Silva

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Terra Incognita 3 - Revista online de Ficção Científica



O Fim das Grandes Narrativas

A literatura do século XXI não permite mais textos grandiloqüentes.
Já que está se falando tanto de reforma e novas regras gramaticais, vamos acabar, por exemplo, com o mais-que-perfeito? Vamos acabar com as narrativas pseudo-neo-românticas, por favor? E que tal os diálogos pessimamente escritos, que não convencem nem a quem escreveu?
Sim, claro, sabemos que você mostrou um conto a todos os seus amigos, sua namorada, seus pais, seu cachorro e o periquito, e todo mundo disse que era bom. Bem, lamentamos informar, mas Papai Noel e o coelhinho da páscoa não existem.
Escreveu, não leu, o pau comeu. Este é uma das nobres verdades da literatura de ficção científica. É o preço que paga aquele que não leu (e não lê, e acha que não precisa ler) o que tem sido escrito nos últimos quarenta anos lá fora. É muito, alguém perguntará? Sim, é muito, claro, mas tem que se começar por algum lugar, certo?

Pois nem só de Asimov, Bradbury e Clarke vive o homem.
Esta edição vem para demonstrar que é possível escrever de tudo um pouco e quase tudo bem. Vocês vão encontrar narrat ivas cinematográficas, filosóficas, estranhas. Vocês vão encontrar um autor estrangeiro (como quase sempre aqui) que provavelmente não só nunca leram antes como não devem ter sequer ouvido falar.
Um conselho: leiam (e muito) antes de escrever.

Não precisam nem nos agradecer pela dica (até porque vocês vão estar muito ocupados nos odiando): mas vocês vão agradecer a si mesmos um dia. Podem ter certeza disso.
Como escreveu o falecido mestre Arthur C. Clarke
em seu clássico Encontro com Rama, os ramaianos fazem tudo em três. Como dizia outro grande mestre, Jorge Luis Borges, três é um número importante demais para ser ignorado. Para nós, a edição 3 é apenas o começo.
Fábio Fernandes e Jacques Barcia
Editores

Terra Incógnita 3 [ Download ]

Samizdat Outubro 2008


Por que Samizdat?
Henry Alfred Bugalho
MICROCONTOS
Marcia Szajnbok
Carlos Alberto Barros
Henry Alfred Bugalho
RECOMENDAÇÕES DE LEITURA
O Chamado, de Kôji Suzuki
Henry Alfred Bugalho
Cemitério Maldito, de Stephen King
Henry Alfred Bugalho
A Estrada da Noite, de Joe Hill
Giselle Natsu Sato
CONTOS
Férias no Campo
Carlos Alberto Barros
Alguém Caminha no Corredor
Volmar Camargo Junior
Os Estranhos Habitantes de Soledad
Henry Alfred Bugalho
Imperfeição
José Espírito Santo
Confinado
Joaquim Bispo
A Mansão e seus Hóspedes
Guilherme Rodrigues
Olhar
Pedro Faria
Labirintos
Marcia Szajnbok
O Fio da Maldade
Giselle Natsu Sato
AUTOR CONVIDADO
A Última Estripulia
Maristela Scheuer Deves
Linea Nigra
Marcelo Galvão
Movido pela Fome
JRM Torres
TRADUÇÃO
O Gato Preto
Edgar Allan Poe
O Corvo (bilíngue)
Edgar Allan Poe
TEORIA LITERÁRIA
O Prazer do Terror
Henry Alfred Bugalho
CRÔNICA
Um Som no Escuro
Joaquim Bispo
Nativity in Black
Volmar Camargo Junior
POESIA
Laboratório Póetico - Poetrix
Volmar Camargo Junior
Soneto
Volmar Camargo Junior
SOBRE OS AUTORES DA SAMIZDAT

Samizdat Número 2 [ Download ]

RayGunRevival - Dezembro/2008


Saudoso das foguetes, das armas de raios e das cidades marcianas de antigamente? A Ficção Cientifica atual te aborrece? Então o seu lugar é o site RayGunRevival !

RayGun Revival - Dezembro/2008 [ Download ]

Robotic Art






The Robot Sweatshop

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Star Wars Barroco

Boba Fett


Han Solo, Chewbacca e uma tropa de Puritanos




A Estrela da morte



Um walker imperial



R2D2 e C3Po


Um soldado imperial estiloso


Star Wars baroque version -Mattias Inks

Phantastes Setembro 2008



ÍNDICE
Ficção
Mandando a Liberdade Para Longe, Rhys Hughes
Pores do sol e Hambúrgueres, Gareth Powell
O Salvador / Redenção, Frank Roger
Ilustração
Freedom, Peter Van Oostzanen
Sem Título, Woon Bing
Prophet, Ersin Ertürk
Biografias
Autores & Ilustradores
Púlpito
Luís Rodrigues

Phantastes Número 4 [ Download ]

Ezine Somnium 101


ÍNDICE
Conto Homo Habilis
Max Mallmann
Conto A Lagoa
Ana Cristina Luz
Artigo A Guerra que o Paraguai Venceu
Rodolfo Londero
Conto O Lamento de Suas Mulheres
Carlos Orsi
Resenha 'A Fantástica Viagem de Augusto Emílio Zaluar',
Edgar Smaniotto Ana Cristina Rodrigues
Conto Estação 607
Marco Bourguignon
Resenha 'Véu da Verdade', J. M.Beraldo
Fernando S.Trevisan
Conto As Duas Faces da Sorte
Alexandre Lancaster
Homenagem Arthur C. Clarke
Ana Cristina Rodrigues, Lúcio Manfredi e Wellington Amorim
DOSSIÊ ESPECIAL: OS NOVOS RUMOS DA FCB
Conto Filamentos Iridescentes,
como numa chuva de néon Tibor Moricz
Conto Colecionadora de Homens Jurandir Presença
Ping-Pong Alexandre Soares, Clinton Davisson, Tibor Moricz
Mesa Redonda Novos Rumos da FCB - Horácio Corral e outros

Somnium 101 [ Download ]

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Alpha Centauri - Outubro 2008


Zine Alpha Centauri - Outubro 2008 [ Download ]

1000 Tentacles






1000 Tentacles

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Terrorzine - Suplemento Especial



Editorial
O intuito do TerrorZine, é buscar novos horizontes, dando espaço para novas idéias, em novos caminhos.
Criamos este Suplemento Especial para abranger estes projetos e iniciamos este número 01, com o conto coletivo 'Esquecidos de Réquiem',dos autores da obra 'Réquiem para o Natal' (Editora Andross), que será lançada em 07/12/08.
Não será apenas esta publicação.
Temos a intenção de dar continuidade neste projeto. Porém, não terá uma periodicidade como o TerrorZine, mas publicaremos sempre que houver necessidade.
“Natal. Época de paz, amor e fraternidade. Mas não para você. Esqueça-se de tudo que seus pais lhe contaram quando criança e prepare-se para conhecer o lado sombrio do Natal em 44 histórias sobrenaturais, de suspense e de terror. Nada de amor e fraternidade. A única paz que encontrará aqui é a paz eterna. Atreva-se a abrir este presente”. É o que encontramos na quarta capa desta coletânea organizada pelo escritor e editor Edson Rossatto.

Sobre o conto coletivo Esquecidos de Réquiem:
Alguns autores da antologia Réquiem para o Natal se propuseram um exercício de imaginação e colaboração: criar uma novela coletiva no melhor estilo mexicano.
Cada um contribuiu com um trecho e o próximo autor tentou dar continuidade ao que o anterior escreveu, construindo uma narrativa única.
A história se passa à oeste do lado mais escuro do Natal em um povoado chamado Réquiem e fala de muitas lutas, de vilões e heróis.
As reviravoltas, as tramas e os mistérios que envolvem cada personagem vão aos poucos contando o drama que envolve a cidade. Aqui ninguém é inocente e o próximo capitulo pode ser o último de sua vida.
Agradeço meu esposo e escritor Ademir Pascale pelo apoio na organização deste suplemento e ao empenho pessoal de Danny Marks e Ricardo Delfin, no processo de revisão do conto coletivo, assim como no seu trâmite final. Agradeço também aos autores que participaram deste Suplemento Especial e desejo-lhes muito sucesso em suas empreitadas literárias.
Uma ótima leitura, um feliz natal e um excelente 2009.
Elenir Alves - Editora e Organizadora


Terrorzine Suplemento Especial [ Download ]

Ezine Nova - Novembro 2008

Editorial

Quem escreve literatura fantástica sabe que não tem um mercado comprador por aí além.
É um facto que pagar pelo acto de escrever é só por si algo que ainda não faz parte de muitos dos usos e costumes do panorama editorial português. De modo que ter uma oportunidade e um veículo como o NOVA presente no horizonte, tornou-se importante. Tanto mais porque possibilita aos autores uma via de correcta compensação pelo seu trabalho, como também aponta para uma mais correcta postura editorial e de mercado.

Nos diversos géneros do fantástico isto é particularmente sentido. Quando fui convidado pelo Ricardo Loureiro para o trabalho editorial (e o que mais houvesse) na revista, na sequência da sua aceitação do meu conto O Animal que também podem ler neste número, senti que esse pequeno pormaior era um dos factores de distinção que urgia reclamar para um canto literário ainda a braços com bastantes dificuldades de expansão e implantação. Mas também outras coisas me fizeram aceitar alegremente a proposta: o trabalho de ler e avaliar textos e a prática no NOVA de fazer um trabalho editorial mais «à americana». Porque no nosso mercado não há uma tradição de análise e discussão dos textos com os autores de modo a produzir melhores produtos finais; infelizmente, ainda há algum estigma decorrente de muita gente pensar que a «sua» obra é intocável e/ou que um escritor tem o «direito absoluto» ao seu texto.

Ora, a realidade é que, primeiro, não existem textos perfeitos; segundo, que «mesmo no
melhor pano cai a nódoa»; e terceiro, be m importante, é que a literatura é uma arte de constante avaliação por outrém, ou seja, todos avaliam todos, desde críticos a editores, de autores a revisores, e acima de tudo, todos estes são avaliados pelos leitores.

E os leitores são a alma deste negócio. Sem ele s o escritor, o editor, e todos os outros, nada
são. A literatura fantástica é uma área especialmente vocacionada e alimentada pelos seus leitores e fãs, mais do que qualquer outro género (ou não-género) literário, de modo que agradar-lhes, ao mesmo tempo que se lhes proporciona uma garantia de qualidade, é algo que assume ou pode a ssumir um cariz de missão, coisa que o NOVA respira e transpira. Procurar traduzir bons autores, e publicar os valores nacionais é algo que faz parte da filosofia editorial deste produto que têm diante dos olhos.

E se esse trabalho deu frutos! João Barreiros, João Ventura, Douglas Smith e Richard Lovett. Um elenco de luxo para vosso gáudio e voraz consumo. Not bad indeed!
Nuno Fonseca, co-editor Outubro, 2008

Nova - Novembro 2008 [ Download ]

Fembots







Flickr Fembots

domingo, 21 de dezembro de 2008

A. Bertran Chandler

Arthur Bertram Chandler (28 de Março, 1912 - 6 de Junho, 1984), escritor de Ficção Científica, nascido em Aldershot, Inglaterra. Bertram Chandler também escreveu com os pseudônimos de George Whitley, George Whitely, Andrew Dunstan, e S.H.M.
Pela Marinha Inglesa, Chandler viajou por todo o mundo e em todo tipo de embarcação, de navios a vapor a veleiros. Em 1956 emigrou para Austrália, assumindo a nacionalidade australiana.
Até sua morte, já havia publicado mais de 40 livros de Ficção Científica e mais de 200 contos, muitos deles com temas nauticos ou elementos do mar transportados para o espaço, para o futuro.
Chandler foi por 4 vezes agraciado com o prêmio Ditmars de FC Australiana. Dois de seus contos, 'The Cage' e 'Giant Killer' são considerados entre os melhores escritos no gênero nos anos 50.
Chandler também era popular no Japão, tendo recebido o prestigiado prêmio SEIUN SHO, de Literatura Fantástica.


Os Melhores Contos de A.Bertram Chandler [ Download ]

( Alternate Orbits / Bad Patch / Big Black Mark / Clockwork Lemon / Contraband from otherspace / Dawn of nothing / Fall of the knigh / Familiar pattern / Firebrand / Forbidden Planet/ Giant Killer / Grimmes and odd gods / Jetsam /Last Day / Moonflowers and Mary /
Navel Engagement / One came back /One's man ambition / Reaping time / Sea change /
Spartan planet / Special knowledge / Stability / The aphrodite project / The cage / The dark Dimensions / The forest of knives / The golden journey / The half pair / The hard way up /
The inheritors / The principle / The rim of space / The ship from outside / The space mercenaries / The tides of time / The winds of If / Two can play )

sábado, 20 de dezembro de 2008

A mente alienígena - Philip K. Dick



Quieto, nas profundezas de sua câmara Theta, ouviu um som fraco e depois a sensivoz.
'CINCO MINUTOS'
-De acordo, disse e se esforçou para sair do sono profundo.
Tinha cinco minutos para ajustar o curso da nave, algo havia dado errado no sistema de autocontrole.
Um erro seu? Não era provável, nunca cometia erros. Jason Bedford cometer erros? Jamais!
Enquanto se dirigia cambaleante ao módulo de controle, viu que Norman, que havia sido enviado para divertí-lo, também estava acordado.
O gato flutuava lentamente em circulos, dando pequenos golpes com as patas em uma lapiseira que alguem havia esquecido solta.
Estranho, pensou Bedford. Achava que estaria inconsciente.
Reviu as leituras do curso da nave.
Impossível! Um quinto de parsec da direção de Sirio. Isso somaria uma semana na sua viagem.
Com precisão reajustou os controles, depois enviou um sinal de alerta a Meknos III, seu destino.
-Problemas? Perguntou o operador meknosiano. A voz era seca e fria, um som monótono que fazia Bedford pensar em serpentes.
Explicou sua situação.
-Precisamos da vacina, disse o meknosiano. Trate de manter seu curso.
Norman, o gato, que flutuava majestosamente junto ao módulo de controle, estendeu uma pata e tocou aleatoriamente o painel.
Os circuitos acionados soltaram tênues bips e a nave mudou de curso.
-Foi assim que você fez, disse Bedford. Me humilhou diante de um alienígena. Me reduziu a um imbecil.
Agarrou o gato e o apertou forte.
-O que foi este som estranho? Perguntou o meknosiano. Uma espécie de lamento.
Bedford respondeu sereno.
-Não foi nada. Esqueça o que ouviu.
Cortou o rádio, levou o corpo do gato para o compartimento de lixo e o ejetou no espaço.
No instante seguinte regressou a câmara theta e uma vez mais adormeceu.
Desta vez ninguem mexeria nos controles. Dormiu em paz.
Quando a nave pousou em Meknos III, o chefe da equipe médica alienigena o recebeu com um pedido curioso.
-Gostariamos de ver seu mascote.
-Não tenho mascote, disse Bedford. O que era verdade.
-Segundo a mensagem que nos enviaram…
-Realmente não é um problema seu, disse Bedford. Vocês já tem a vacina, vou partir agora.
-A segurança de qualquer forma de vida é assunto nosso, disse o meknosiano. Revistaremos sua nave.
-Em busca de um gato que não existe, falou Bedford.
A busca resultou inútil. Com impaciência Bedford observou como as criaturas alienigenas procuravam dentro de cada depósito de armazenamento e cada corredor da nave.
Por infelicidade, os meknosianos encontraram dez sacos de comida desidratada para gatos.
Em seu próprio idioma, iniciou-se uma prolongada discussão.
-Tenho permissão para voltar para a Terra? Perguntou Bedford áspero.Tenho um horário para cumprir.
O que diziam ou pensavam os alienigenas, pouco lhe importava, só desejava poder voltar para sua silenciosa câmara Theta e para o sono profundo.
-Terá que passar pelo procedimento de descontaminação, disse o chefe médico meknosiano. Para que nenhum virus…
-Sei disso, disse Bedford. Podem começar.
Mais tarde quando a descontaminação se completou e preparava para acionar a partida de volta à nave, ouviu o rádio.
Era um meknosiano, qualquer um, pois para Bedford eram todos iguais.
-Como se chamava o gato? Perguntou o meknosiano.
-Norman, disse Bedford e pressionou a partida. A nave disparou para cima e ele sorriu.
Não sorriu contudo ao descobrir que faltava seu gerador de energia para a câmara Theta.
Tão pouco sorriu quando não conseguiu localizar a unidade de reposição.
Teria esquecido de trazê-la? Não, não poderia. Eles haviam retirado-a.
Dois anos para voltar a Terra.
Dois anos de consciência plena, privado do sonho Theta, dois anos sentado ou flutuando ou - como havia visto em holofilmes militares de entretenimento - enroscado em um canto, totalmente louco.
Lançou um pedido de rádio solicitando retorno a Meknos III.
Nenhuma resposta.
Sentado no módulo de controle, golpeou com a mão o pequeno computador interno e disse:
-Minha câmara Theta não funciona, a sabotaram. O que me sugere fazer durante dois anos?
'FITAS DE VÍDEO ENTRETENIMENTO DE EMERGÊNCIA'.
-Certo. Tinha esquecido delas. Obrigado.
Apertou o botão indicado e o compartimento de fitas abriu deslizando.
Nenhuma fita. Apenas um brinquedo para gatos, uma bolsinha em miniatura para apertar, que haviam incluido para Norman e que nunca utilizara. Os outros compartimentos estavam vazios.
A mente alienígena era cruel, pensou Bedford. Misteriosa e cruel.
Pôs para funcionar o gravador de áudio da nave e com calma, disse com a maior convicção possível.
-O que farei será dedicar meus próximos dois anos a uma rotina diária. Primeiro serão as comidas. Passarei todo tempo possível planejando, preparando, comendo e desfrutando de pratos deliciosos. Durante o tempo que tenho daqui por diante, provarei toda combinação possível de viveres.
Dirigiu-se ao armário de alimentos.
Enquanto caia diante do armário completamente cheio, abarrotado, prateleira por prateleira, de embalagens idênticas, pensou. Por outro lado, não havia muito o que fazer com uma provisão de dois anos de comida para gatos. Em relação a variedade, seriam todos do mesmo sabor?
Eram todos do mesmo sabor.


FIM.


A mente alienígena (Alien mind 1981)
Philip K. Dick