domingo, 22 de março de 2009

Watchmen e Alan Moore


Nas artes sempre encontramos uma série de obras que são representativas de cada área, que transcendem gostos pessoais ou escolhas artísticas. Exemplos como a Gioconda na pintura, a 9°sinfonia na música, Don Quixote na literatura. O cinema tem seu 'Cidadão Kane', porém até bem pouco tempo faltava para os quadrinhos, uma obra que estabelecesse um ponto de referência e de real significância.

Mesmo existindo um punhado de obras fantásticas, como 'Aventuras de Tintin', Little Nemo' ou 'Akira', nunca a crítica mundial teve uma postura unânime sobre um trabalho, que não deixasse dúvidas de sua universalidade e permanência.
Até surgir WATCHMEN, escrito por Alan Moore e desenhos de Dave Gibbons, em 1986, publicado pela editora DC Comics.



A versão dos quadrinhos que chegou finalmente em 2009 aos cinemas, 'corajosamente' pelas mãos do diretor Zack Snyder (responsável por '300'), já foi renegada pelo seu autor. Alan Moore declarou que não gostou, mesmo sem ter visto, e que Watchmen não se presta para o cinema. Seu nome não está nos créditos do filme, mas sim o de Dave Gibbons.
Entrevista com Zack Snyder sobre o filme.



A história:
Em plena Grande Depressão, surgem os primeiros vingadores mascarados, que se intitulam como sendo os 'Minutemen' e durante a década de 30 e 40, se dedicam a perseguir criminosos.

Na década de 50, inicia-se o ocaso dos mascarados, quando o crime se organiza. Os mafiosos usam gravata e se torna um pouco ridículo perseguí-los de capa e máscara.

Em 1959 outro golpe: O nascimento do Doutor Manhattan, primeiro e único super-herói com super-poderes. Os mascarados que se tornaram antiquados, como punhos diante de um panzer, assistem nos anos 60 a crise se instalar.

Uma reunião, presidida pelo Capitão Metrópolis, trata de reconstruir um grupo semelhante ao Minutemen, a fim de combater as novas formas de crime: drogas, motins raciais, subversão estudantil, promiscuidade sexual, etc. Porém tal iniciativa fracassa diante do cinismo do Comediante (único Minutemen ainda ativo). Esta reunião, um dos pontos chave da história, é narrada por diferentes pontos de vista, em diferentes momentos.

No início dos anos 70, a América ganha a guerra do Vietnam graças a decisiva ajuda do Doutor Manhattan. Isto assegura a reeleição de Nixon e ainda um terceiro mandato.

O golpe final contra os mascarados ocorre em 1977, quando é criada a Lei Keene, que os converte em criminosos. Excetuando claro, aqueles que trabalham para o Governo: o Doutor Manhattan, a super-arma definitiva e o Comediante, uma mistura de Oliver North e Rambo, envolvido com todos os golpes na América do Sul, salvador dos refens de Teerã, 'silenciador' de Watergate e provável assassino de Kennedy.

O ano de 1985 começa com a ameaça de guerra no Afeganistão...
E o assassinato do Comediante.




Watchmen (em português) - 12 volumes [ Download ]
Who Watches the Watchmen, David Hughes [ Download ]
Roteiro para Watchmen [ Download ]
Extras de Watchmen (várias capas e desenhos não utilizados, storyboard original, sketchs, relatos dos criadores, etc) [ Download ]
DC Heroes RPG - Who Watches the Watchmen [ Download ]
DC Heroes RPG - Watchmen - Taking Out The Trash [ Download ]
Cubeecraft Watchmen - Rorschach [ Download ]
Cubeecraft Watchmen - Dr. Manhattan [ Download ]
World Of The Watchmen - Alan Moore [ Download ]

Alan Moore


Alan Moore (18 de Novembro de 1953) nasceu em Northampton, Inglaterra. Cartunista e escritor, foi como roteirista de histórias em quadrinhos, que Alan Moore ganhou respeito e admiração.

Moore teve uma infância e adolescência difícil, devido a pobreza de sua família e ao seu temperamento arredio, sendo expulso de várias escolas.
Apesar disso, desde cedo demonstrava talento em artes e se interessava por desenho e pintura.

Na década de 70, trabalhou em diversas revistas, principalmente como ilustrador, atividade que ele assumiria tempos depois, não ser seu forte.

A partir de 1980, a vida de Moore deu uma guinada completa. Escolhido como Melhor Escritor de quadrinhos de 1982 e 83, por 'Miracleman' e 'V de Vingança' respectivamente, Moore demonstrava talento e aptidão, levando o que era considerado uma arte menor, ao seu mais alto patamar.

Na DC Comics, Alan Moore encabeçou a reconstrução do universo dos Super-heróis, criando o que é considerado até hoje, a melhor história em quadrinhos de todos os tempos, Watchmen.
Apesar do sucesso, Alan Moore (que não detinha os direitos de sua obra) dá outra guinada em sua carreira ao abandonar a DC e se dedicar a projetos para editoras independentes, afastando-se de qualquer pretensão comercial, como seria de se esperar.

Recluso em sua cidade natal, continua trabalhando em projetos pessoais enquanto estuda para se tornar um mago. De um desses projetos, nasceu o elogiado livro 'Voice of the fire', várias histórias que contam a vida de pessoas que viveram na mesma região da Inglaterra (a sua Northampton) durante 5 mil anos. Sombrio e intenso, o livro trata de sua visão do que seria o lado pouco conhecido da história da humanidade. Tal qual Borges e Kipling, Moore inventa novos vocábulos, misturando com maestria ficção e fatos reais, medo e desejo.

Apesar de avesso a entrevistas, continua surpreendendo seus fãs e o público em geral, ganhando prêmios e aumentando a aura mística que envolve seu nome e obra.

Como escrever histórias em quadrinhos [ Download ]
A voz do fogo [ Download ]

Alan Moore, o Senhor do Caos

sábado, 21 de março de 2009

Os nove bilhões de nomes de Deus - Arthur C. Clarke



–- Este é um pedido um tanto estranho –- disse o doutor Wagner, com o que esperava poderia ser um comentário plausível. –- Que eu me lembre, é a primeira vez que alguém pede um computador de seqüência automática para um monastério tibetano. Eu não gostaria de me mostrar inquisitivo, mas me custa pensar que em seu... hum... estabelecimento, existam aplicações para semelhante máquina. Poderia me explicar o que tentam fazer com ela?

–- Com muito prazer –- respondeu o lama, arrumando a túnica de seda e deixando cuidadosamente a um lado a régua de cálculo que tinha usado para efetuar a equivalência entre as moedas. –- Seu ordenador Mark V pode efetuar qualquer operação matemática rotineira que inclua até dez cifras. Entretanto, para nosso trabalho estamos interessados em letras, não em números. Quando tiverem sido modificados os circuitos de produção, a máquina imprimirá palavras, não colunas de cifras.

–- Não compreendo...

–- É um projeto em que estivemos trabalhando durante os últimos três séculos; de fato, desde que se fundou o lamaísmo. É algo estranho para seu modo de pensar; assim espero que me escute com a mente aberta, enquanto explico.

–- Naturalmente.

–- Na realidade, é muito singelo. Estivemos recolhendo uma lista que conterá todos os possíveis nomes de Deus.

–- O que quer dizer?

–- Temos motivos para acreditar –- continuou o lama, imperturbável –- que todos esses nomes se podem escrever com não mais de nove letras em um alfabeto que idealizamos.

–- E estiveram fazendo isto durante três séculos?

–- Sim; achávamos que nos custaria ao redor de quinze mil anos completar o trabalho.

–- Oh! –- exclamou o doutor Wagner, com expressão um tanto aturdida. –- Agora compreendo por que quiseram alugar uma de nossas maquinas. Mas qual é exatamente a finalidade deste projeto?

O lama vacilou durante uma fração de segundo e Wagner se perguntou se o tinha ofendido.
Em todo caso, não houve rastro alguma de zanga na resposta.

–- Chame-o de ritual, se quiser, mas é uma parte fundamental de nossas crenças. Os numerosos nomes do Ser Supremo que existem: Deus, Jehová, Alá, etcétera, só são etiquetas feitas pelos homens. Isto encerra um problema filosófico de certa dificuldade, que não me proponho discutir, mas em algum lugar entre todas as possíveis combinações de letras que se podem fazer estão os que se poderiam chamar de verdadeiros nomes de Deus. Mediante uma permutação sistemática das letras, tentamos elaborar uma lista com todos esses possíveis nomes.

–- Compreendo. começaram com o AAAAAAA... e continuaram até o ZZZZZZZ...

–- Exatamente, embora nós utilizemos um alfabeto especial próprio. Modificando os tipos eletromagnéticos das letras, arruma-se tudo; e isto é muito fácil de fazer. Um problema bastante mais interessante é o de desenhar circuitos para eliminar combinações ridículas. Por exemplo, nenhuma letra deve figurar mais de três vezes consecutivas.

–- Três? Certamente você quer dizer dois.

–- Três é o correto. Temo que me ocuparia muito tempo explicar o por que, mesmo que você entendesse nossa língua.

–- Estou seguro disso –- disse Wagner, apressadamente –- Continue.

–- Por sorte, será fácil adaptar seu computador de seqüência automática a esse trabalho, posto que, uma vez sendo programado adequadamente, permutará cada letra por turno e imprimirá o resultado. O que iria demor quinze mil anos se poderá fazer em cem dias.

O doutor Wagner ouvia os débeis ruídos das ruas de Manhattan, muito abaixo. Estava em um mundo diferente, um mundo de montanhas naturais, não construídas pelo homem. Nas remotas alturas de seu longínquo país, aqueles monges tinham trabalhado com paciência, geração após geração, enchendo suas listas de palavras sem significado. Havia algum limite às loucuras da humanidade? Não obstante, não devia insinuar seus pensamentos.
O cliente sempre tinha razão...

–- Não há dúvida –- replicou o doutor –- de que podemos modificar o Mark V para que imprima listas deste tipo. Mas o problema da instalação e a manutenção já me preocupa mais. Chegar ao Tibet nos tempos atuais não vai ser fácil.

–- Nos encarregaremos disso. Os componentes são bastante pequenos para podermos transportar de avião. Este é um dos motivos de ter eleito sua máquina. Se você pode fazer chegar à Índia, nós proporcionaremos o transporte dali em diante.

–- E querem contratar dois de nossos engenheiros?

–- Sim, para os três meses que se supõe que dure o projeto.

–- Não duvido de que nossa seção de pessoal lhes proporcionará as pessoas idôneas. –- O doutor Wagner fez uma anotação na caderneta que tinha sobre a mesa –- há outras duas questões –- antes de que pudesse terminar a frase, o lama tirou uma pequena folha de papel.

–- Isto é o saldo de minha conta do Banco Asiático.

–- Obrigado. Parece ser... hum... adequado. A segunda questão é tão corriqueira que vacilo em mencioná-la... mas é surpreendente a freqüência com que o que consideramos óbvio acaba nos atrapalhando. Que fonte de energia elétrica vocês tem?

–- Um gerador diesel que proporciona cinqüenta kilowatts a cento e dez volts. Foi instalado faz uns cinco anos e funciona muito bem. Faz a vida no monastério muito mais cômoda, mas, certamente, na realidade foi instalado para proporcionar energia aos alto-falantes que emitem as preces.

–- Certamente –- admitiu o doutor Wagner. –- Devia ter imaginado.

A vista do parapeito era vertiginosa, mas com o tempo se acostuma a tudo.

Depois de três meses, George Hanley não se impressionava pelos dois mil pés de profundidade do abismo, nem pela visão remota dos campos do vale semelhantes a quadrados de um tabuleiro de xadrez. Estava apoiado contra as pedras polidas pelo vento e contemplava com displicência as distintas montanhas, cujos nomes nunca se preocupou de averiguar.
Aquilo, pensava George, era a coisa mais louca que lhe tinha ocorrido jamais.

O “Projeto Shangri-Lá”, como alguém o tinha batizado nos longínquos laboratórios.
Por semanas o Mark V estava produzindo quilômetros de folhas de papel cobertas de galimatias.
Pacientemente, inexoravelmente, o computador ia dispondo letras em todas suas possíveis combinações, esgotando cada classe antes de começar com a seguinte.
Quando as folhas saíam das máquinas de escrever electromáticas, os monges as recortavam cuidadosamente e as pregavam a uns livros enormes. Uma semana mais e, com a ajuda dos céus, teriam terminado. George não sabia que obscuros cálculos tinham convencido aos monges de que não precisavam preocupar-se com as palavras de dez, vinte ou cem letras.

Um de seus habituais quebra-cabeças era que se produzisse alguma mudança de plano e que o grande lama (a quem eles chamavam Sam Jaffe, embora não lhe parecesse absolutamente) anunciasse de repente que o projeto se estenderia aproximadamente até o ano 2060 da Era Cristã. Eram capazes de uma coisa assim.

George ouviu que a pesada porta de madeira se fechava de repente com o vento ao tempo que Chuck entrava no parapeito e parava ao seu lado. Como de costume, Chuck ia fumando um dos charutos puros que lhe tinham feito tão popular entre os monges que, parece, estavam completamente dispostos a adotar todos os menores e grande parte dos maiores prazeres da vida. Isto era uma coisa a seu favor: podiam estar loucos, mas não eram tolos.
Aquelas freqüentes excursões que realizavam à aldeia abaixo, por exemplo...

–- Escuta, George –- disse Chuck, com urgência. –- Soube algo que pode significar um desgosto.

–- O que aconteceu? A máquina não funciona bem? –- Esta era a pior contingência que George podia imaginar. Era algo que poderia atrasar a volta e não havia nada mais horrível. Tal como se sentia ele agora, a simples visão de um anúncio de televisão lhe pareceria um maná caído do céu. Pelo menos, representaria um vínculo com sua terra.

–- Não, não é nada disso. –- Chuck se instalou no parapeito, o que não era habitual nele, porque normalmente lhe dava medo o abismo. –- Acabo de descobrir qual é o motivo de tudo isto.

–- O que quer dizer? Eu pensava que sabíamos.

–- Certo, sabíamos o que os monges estão tentando fazer. Mas não sabíamos por que. É a coisa mais louca...

–- Isso eu imagino –- grunhiu George.

–- ...mas o velho me acaba de falar claramente. Sabe que ele aparece a cada tarde para ver como vão saindo as folhas. Pois bem, desta vez parecia bastante excitado ou, pelo menos, mais do que está acostumado a estar normalmente. Quando lhe disse que estávamos no ultimo ciclo, me perguntou, nesse sotaque inglês tão fino que tem, se eu tinha pensado alguma vez no que tentavam fazer. Eu disse que eu gostaria de sabê-lo... e então me explicou.

–- Continua; estou entendendo.

–- O caso é que eles acreditam que quando tiverem feito a lista de todos os nomes, e admitem que há uns nove trilhões, Deus terá alcançado seu objetivo. A raça humana terá acabado aquilo para o qual foi criada e não terá sentido algum continuar. Certamente, a idéia é algo assim como uma blasfêmia.

–- Então que esperam que façamos? Suicidarmo-nos?

–- Não há nenhuma necessidade disto. Quando a lista estiver completa, Deus entra em ação, acaba com todas as coisas!

–- Oh, já compreendo! Quando terminarmos nosso trabalho, será o fim do mundo.

Chuck deixou escapar uma risadinha nervosa.
–- Isto é exatamente o que disse ao Sam. E sabe o que ocorreu? Olhou-me de um modo muito estranho, como se eu tivesse cometido alguma estupidez e disse: “Não se trata de nada tão corriqueiro como isso”.

George pensou durante um momento.
–- Isto é o que eu chamo de uma visão ampla do assunto –- disse depois. –- Mas o que supõe que deveríamos fazer a respeito? Não vejo que isso faça a mínima diferença para nós. Afinal já sabíamos que estavam loucos.

–- Sim... mas não percebe o que se pode acontecer? Quando a lista estiver acabada e o plano final não der certo, ou não ocorrer o que eles esperam, seja o que for, podem-nos culpar do fracasso. É nossa máquina que estiveram usando. Esta situação eu não gosto nem um pouco.

–- Compreendo –- disse George, lentamente. –- Há nisso um certo interesse. Mas esse tipo de coisas ocorreu outras vezes. Quando eu era um menino, lá em Louisiana, tínhamos um pregador louco que uma vez disse que o fim do mundo chegaria no domingo seguinte. Centenas de pessoas acreditaram e algumas até venderam suas casas. Entretanto, quando nada aconteceu, não ficaram furiosos, como se pode esperar. Simplesmente, decidiram que o pregador tinha cometido um engano em seus cálculos e seguiram acreditando. Parece-me que alguns deles acreditam ainda.

–- Bom, mas isto não é Louisiana, se por acaso ainda não deu conta. Nós não somos mais que dois e monges há a centenas aqui. Eu tenho consideração por eles e sentirei pena pelo velho Sam quando vir seu grande fracasso. Mas de todo modo, eu gostaria de estar em outro lugar.

–- Isso eu estive desejando durante semanas. Mas não podemos fazer nada até que o contrato tenha terminado e cheguem os transportes aéreos para nos levar. Claro que –- disse Chuck, pensativamente –- sempre poderíamos tentar uma ligeira sabotagem.

–- E isso só pioraria as coisas.

–- O que eu quis dizer não foi isso. Olha -- Funcionando as vinte e quatro horas do dia, tal como está fazendo, a máquina terminará seu trabalho dentro de quatro dias a partir de hoje. O transporte chegará dentro de uma semana. Pois bem, tudo o que precisamos fazer é encontrar algo que tenha que ser reparado, quando fizermos uma revisão; algo que interrompa o trabalho durante um par de dias. Nós consertaremos, certamente, mas não com muita pressa. Se calcularmos bem o tempo, poderemos estar no aeródromo quando o último nome ficar impresso no registro. Então já não nos poderão agarrar.

–- Não gosto da idéia –- disse George. –- Seria a primeira vez que abandonei um trabalho. Além disso, faria-lhes suspeitar. Não; vamos ficar e aceitar o que vier.

–- Ainda não gosto dessa disso –- disse ele, sete dias mais tarde, enquanto os pequenos mas resistentes cavalinhos de montanha os levavam para baixo, serpenteando pela estrada. –- E não pense que fujo porque tenho medo. O que passa é que sinto pena desses infelizes e não quero estar junto deles quando perceberem quão tolos foram. Pergunto-me como vai ser com Sam.

–- É curioso –- replicou Chuck –- mas quando lhe disse adeus, tive a sensação de que ele sabia que nós partíamos e que não lhe importava, porque sabia também que a máquina funcionava bem e que o trabalho ficaria muito em breve acabado. depois disso... claro que, para ele, já não há nenhum depois...

George se voltou na cadeira e olhou para trás, atalho acima.
Era o último sítio de onde se podia contemplar com claridade o monastério. A silhueta dos achaparrados e angulares edifícios se recortava contra o céu crepuscular: aqui e alí se viam luzes que resplandeciam como as janelas do flanco de um transatlântico. Luzes elétricas, certamente, compartilhando o mesmo circuito que o Mark V. Quanto tempo seguiriam compartilhando?, perguntou-se George. Destroçariam os monges o computador, levados pelo furor e o desespero? Ou se limitariam a ficar tranqüilos e começariam de novo todos seus cálculos?

Sabia exatamente o que estava passando no alto da montanha naquele mesmo momento.
O grande lama e seus ajudantes estariam sentados, vestidos com suas túnicas de seda e inspecionando as folhas de papel, enquanto os monges principiantes as tiravam das máquinas de escrever e as pregavam aos grandes volumes.
Ninguém diria uma palavra.
O único ruído seria o incessante golpear das letras sobre o papel, porque o Mark V era por si completamente silencioso, enquanto efetuava seus milhares de cálculos por segundo.
Três meses assim, pensou George, era para subir pelas paredes.

–- Ali está! –- gritou Chuck, assinalando abaixo para o vale. –- Não é belo!?
Certamente era, pensou George. O velho DC3 estava no final da pista, como uma pequena cruz de prata. Dentro de duas horas os estaria levando para a liberdade e a sensatez.
Era algo assim como saborear um licor de qualidade. George deixou que o pensamento lhe enchesse a mente, enquanto o cavalinho avançava pacientemente para baixo.

A rápida chegada da noite nas alturas do Himalaia quase lhes caia em cima. Felizmente, o caminho era muito bom, como a maioria dos da região e eles foram equipados com lanternas.
Não havia o mais ligeiro perigo: só certo desconforto causado pelo intenso frio. O céu estava perfeitamente iluminado pelas familiares e amistosas estrelas. Pelo menos, pensou George, não haveria risco de que o piloto não pudesse decolar por conta das condições do tempo.
Esta tinha sido sua ultima preocupação.

Ficou a cantar, mas deixou disso logo. O vasto cenário das montanhas, brilhando por toda parte como fantasmas brancos e encapuzados, não o animava a cantar.
De repente, George consultou seu relógio.
–- Estaremos lá dentro de uma hora –- disse voltando-se para Chuck. Depois, pensando em outra coisa, acrescentou: –- Pergunto-me se o ordenador terá terminado seu trabalho. Estava calculado para esta hora.

Chuck não respondeu; assim George se voltou completamente para si. Pôde ver a cara do Chuck; era um oval branco voltado para o céu.

–- Olhe –- sussurrou Chuck; George elevou a vista para o espaço.

Sempre há uma última vez para tudo.
Viram sem nenhuma comoção... as estrelas estavam apagando-se.



FIM

- x -

Esta história foi escrita, na falta de algo melhor para fazer num final de semana chuvoso no Hotel Roosevelt. J. B. S. Haldane (famoso geneticista e biólogo britânico) disse sobre ela: "Você é uma das poucas pessoas vivas que escreveu algo original sobre Deus. Se você se propusesse a escrever uma hipótese teológica, você poderia ser um sério problema público."
Estou satisfeito em permanecer um profeta, com 'p' minúsculo,
Todavia, parece que criei um mito duradouro: não faz muito tempo, um programa de rádio da BBC, se referiu a primeira parte desta história como um fato atual. Computadores da IBM estariam entrando no campo dos estudos bíblicos, talvez este tema esteja se aproximado um pouquinho da realidade.
The Nine Billion Names of God (1953) - Arthur C. Clarke

Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source com a intenção de facilitar o acesso ao conhecimento a quem não pode pagar e também proporcionar aos Deficientes Visuais a oportunidade de conhecerem novas obras. Se quiser outros títulos nos procure Viciados em Livros, será um prazer recebê-lo em nosso grupo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Essas estrelas são nossas - Poul Anderson


Invasão! Os seres que vêm do espaço cósmico já conquistaram, saquearam, escravizaram as civilizações de inúmeras galáxias no seu avanço arrasador. Agora chegou a vez do sistema solar!
Só Flandry, a tripulação humanóide de sua espaçonave, além de Kit, a espiã loura do planeta condenado, podem salvar o mundo dos humanos!
Mas como derrubar o líder dos invasores que é um gênio telepata?

Essas estrelas são nossas - Poul Anderson [ Download ]

A mágoa de Odin - Poul Anderson


Ao crepúsculo, o vento soprava quando a porta se abriu.

Os fogos que ardiam ao longo do salão cintilaram nos seus sulcos; as chamas ondularam efluíram dos candeeiros de pedra; o fumo acre rolava dos orifícios no tecto por onde deveria ter saído.

Esta repentina luminosidade refletia-se nas pontas das lanças, dos machados, nas bainhas das espadas, nos ornamentos dos escudos, nas ara-mas guardadas perto da entrada.

Os homens que enchiam aquela grande sala, ficaram imóveis e atentos, tal como as mulheres que distribuíam os chifres de cerveja.

Eram os deuses esculpidos nos pilares que pareciam mover-se por entre as sombras inquietas. O pai Tiwaz, o maneta, Donar do Machado e os Cavaleiros Gêmeos - eles e as bestas e os heróis e os
ramos entretecidos gravados no lambril. Uuuu... gemia o vento, um ruído gélido como ele próprio.

Hathawulf e Solbem entraram. A mãe, Ulrica, estava no meio deles e a expressão da sua cara era não menos terrível que a expressão dos seus filhos. Os três pararam por um breve momento, mas demasiado longo para aqueles que aguardavam as suas palavras.
Então, Solbern fechou a porta enquanto Hathawulf dava uns passos em frente e levantava o seu
braço direito. O silêncio abateu--se sobre o salão, a não ser pelo estalar dos fogos e os bafos agitados.

No entanto, foi Alawin quem falou primeiro. Levantando-se do seu banco, a figura frágil, tremendo, gritou:
-Então, iremos vingar-nos! - a voz falhou-lhe; tinha apenas quinze-Invernos.

A mágoa de Odin (O Patrulheiro do Tempo) -Poul Anderson [ Download ]

quinta-feira, 19 de março de 2009

A fazenda blackwood - Anne Rice


Bem-vindos à Fazenda Blackwood.

Imensas colunas brancas, salas de estar espaçosas, jardins banhados pelo sol e uma faixa escura do fechado pântano de Sugar Devil.

Este é o mundo de Quinn Blackwood, um jovem assombrado desde o nascimento por um misterioso duplo, seu alter ego, um espírito conhecido como Goblin, entidade de um mundo onírico do qual Quinn não consegue escapar, e que o impede de integrar-se ao que quer que seja.

Ao tornar-se vampiro, Quinn perde tudo que era seu por direito e ganha uma imortalidade indesejada e seu duplo se torna mais vampiresco e aterrador do que o próprio Quinn.

Enquanto a história avança e recua no tempo, desde a infância de Quinn na Fazenda Blackwood até os dias de hoje em Nova Orleans, da antiga Pompéia a Nápoles do século XIX, Quinn sai em busca do lendário vampiro Lestat, na esperança de livrar-se do espectro que o atrai inexoravelmente de volta ao pântano de Sugar Devil e ao explosivo segredo que oculta.

Tal como A hora das bruxas, A Fazenda Blackwood é a saga de uma família, seus dramas e segredos, seus sonhos de juventude e promessas.

Uma história da perda e da procura do amor, dos mistérios e do destino, em que Anne Rice supera-se em descrições de cenários macabros, casarões sinistros e a lascívia que motiva seus sugadores de sangue e impulsiona suas narrativas fantasmagóricas.

E Anne Rice na plenitude de seu estilo.


A fazenda blackwood - Anne Rice [ Download ]

Sombras da noite - Stephen King


A máquina de passar roupa - The Mangler [movie adaptation]
A mulher no quarto - The Woman in the Room
A saideira - One for the Road
As crianças do milharal - Children of the Corn [movie adaptation]
Caminhões - Trucks [movie adaptation "Trucks", "Maximum Overdrive"]
Campo de batalha - Battleground
Espuma noturna - Night Surf
Eu sou o umbral da porta - I Am the Doorway
Ex-fumantes ltda - Quitters, Inc. [movie adaptation "Cat's Eye"]
Jerusalem's Lot - Jerusalem's Lot
Matéria cinzenta - Gray Matter
O fantasma - The Boogeyman
O homem que adorava flores - The Man Who Loved Flowers
O homen do cortador de gramas - The Lawnmower Man
O ressalto - The Ledge [movie adaptation "Cat's Eye"]
O último degrau da escada - The Last Rung on the Ladder
Primavera vermemelha - Strawberry Spring
Sei o que você precisa - I Know What You Need
Turno do cemitério - Graveyard Shift [movie adaptation]
Às vezes eles voltam - Sometimes They Come Back [movie adaptation]

Sombras da noite - Night Shift (1978) - Stephen King [ Download ]

quarta-feira, 18 de março de 2009

Espadas de Marte - Edgar Rice Burroughs


Prólogo

A lua tinha aparecido por cima do bordo do canhão próximo às fontes do Pequeno Avermelhado. Banhava com uma luz tênue os leitos que bordeaban a ribeira da pequena corrente da montanha e os álamos, sob os quais se encontrava a pequena cabana onde eu levava várias semanas acampado nas Montanhas Brancas do Arizona.

Encontrava-me no alpendre da pequena cabana, desfrutando da suave beleza da noite do Arizona e, ao contemplar a paz e serenidade da cena, me parecia impossível que só uns poucos anos atrás o feroz e temível Jerónimo tivesse estado neste mesmo lugar, diante desta mesma cabana, ou que, gerações atrás, uma raça agora extinta tivesse povoado aquele canhão aparentemente deserto.

Tinha procurado em suas cidades em ruínas o segredo de sua origem e o ainda mais estranho secreto de sua extinção. Como eu gostaria que aqueles desmoronados escarpados de lava pudessem falar e me contar tudo o que tinham presenciado desde que brotaram como arroios incandescentes dos frios e silenciosas crateras que salpicavam a meseta que se elevava mais à frente do canhão!

Meus pensamentos voltaram de novo para o Jerónimo e a seus ferozes guerreiros, e estas erráticas reflexões me fizeram recordar ao capitão John Carter da Virginia, cujo corpo inerte tinha descansado durante dez largos anos em uma cova esquecida de umas montanhas situadas não muito longe daqui, para o sul..., a cova onde escondeu-se de seus perseguidores índios apaches.

Seguindo o caminho de meus pensamentos, esquadrinhei os céus com o olhar até descobrir o olho encarnado de Marte brilhando no vazio negro azulado; assim pois, Marte estava presente em meus pensamentos quando voltei para minha cabana a me preparar para uma boa noite de descanso sob as susurrantes folhas dos álamos, cuja suave e hipnótica canção de ninar se misturava com o gorgoteante murmúrio das águas do Pequeno Avermelhado.

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Tarzan no Centro da Terra - Edgar Rice Burroughs

Prefácio

Pellucidar, como é do conhecimento de todos os estudantes, significa, antes de mais nada, um mundo dentro do outro, localizado, como de fato está, no interior da superfície externa da esfera oca que é o nosso planeta, a Terra.

E esse mundo foi descoberto ocasionalmente por David Innes e Abner Perry, quando empreenderam uma viagem experimental a bordo de uma aeronave, idealizada por Perry, com o objetivo de descobrir novas jazidas de antracito (tipo de carvão fóssil). Devido à inabilidade dos exploradores em desviar o bico da nave, depois de começarem a descida em direção à crosta terrestre, percorreram oitocentos quilômetros na vertical, até que, no terceiro dia de viagem, quando Perry já se encontrava inconsciente pela falta de oxigênio, devido ao consumo de toda a reserva que levava, e quando David Innes já começava, também, a perder a lucidez, chegaram à face interna da Terra e a cabina de comando foi imediatamente invadida pelo ar fresco que trouxe pronta recuperação aos tripulantes.

Nos anos que se seguiram, estranhas e inconcebíveis aventuras sobrevieram aos dois exploradores. Perry nunca retornou à crosta externa do nosso planeta, e David voltou apenas uma vez, utilizando-se da mesma aeronave, numa viagem difícil e perigosa, a fim de trazer ao império que fundara, no mundo interior, meios de progresso e desenvolvimento de seus primitivos súditos, criaturas humanas que ainda estavam em plena Idade da Pedra, em relação ao adiantamento do mundo civilizado do século XX.

No entanto, devido às constantes lutas contra as feras e os répteis pré-históricos, bem como contra certas tribos de homens ainda mais primitivos do que os acima mencionados, o avanço do império de Pellucidar, no sentido da civilização, foi muito pequeno. E considerando a vastidão da área que compreendia o mundo interno, mais os milhares de anos que separavam seus habitantes dos de nosso mundo civilizado, David Innes e Abner Perry, por mais que fizessem, no sentido de fazer o povo progredir e se adiantar, representavam uma gota d’água num oceano.
Se atentarmos para o fato de que as áreas de terra e as áreas de água, na superfície de Pellucidar, estão situadas em oposição às mesmas áreas do mundo exterior em que vivemos, poderemos ter uma vaga idéia da extensão desse mundo dentro do nosso.

A área de terra da crosta externa do nosso planeta compreende cinqüenta e três milhões de milhas quadradas... (137.270.000 km2), ou seja, um quarto da área total da superfície da Terra. No entanto, em Pellucidar, três quartos de sua superfície são constituídos de terras, daí as florestas, as selvas, as montanhas e as planícies se estenderam interminavelmente por mais de 124.110.000 milhas quadradas...(321.444.900 km2), sendo que os oceanos ocupam apenas 41.370.000 milhas quadradas (107.148.300 km2).

Se considerarmos apenas as áreas de terra, encontraremos uma estranha anomalia de um mundo maior dentro de um mundo menor. Mas Pellucidar é um mundo à parte, um mundo de exceção, uma espécie de desvio do que nós, da face exterior da Terra, acabamos por aceitar como inalteráveis leis da Natureza.

Exatamente no centro daquele mundo interno, ergue-se o sol de Pellucidar, uma pequena esfera comparada com o nosso sol, mas o suficiente para iluminar Pellucidar e infiltrar seus raios através das frondosas e milenares árvores que povoam suas selvas e suas florestas. E aquele sol eternamente a pino não permite que haja noite em Pellucidar, e sim um meio-dia infindável.
Não havendo estrelas e nenhum movimento aparente do sol, Pellucidar não tem bússola. Não tem horizonte, uma vez que a sua superfície é em curva para cima, em todas as direções, esteja onde estiver o observador. Assim sendo, acima da linha dos olhos, as planícies, ou os mares, ou as cordilheiras de montanhas são em ascensão, desaparecendo na distância. E num mundo onde não existe movimento de sol, onde não existem estrelas nem lua, o tempo também não existe, dentro dos moldes do mundo civilizado da crosta externa. E num mundo onde o tempo não conta, não há estes constantes apelos e lembretes da face exterior do nosso planeta: “Tempo é dinheiro!” — “O Tempo é a alma do mundo!” — “O Tempo é a essência dos contratos!” — etc.

No passado, por três vezes, nós, do mundo civilizado, recebemos comunicações de Pellucidar. Sabemos que o primeiro presente de civilização foi dado aos pellucidarianos por Abner Perry, sob a forma da pólvora. Depois foram as espingardas de repetição, pequenos navios de guerra, sobre os quais eram montados canhões de pequeno calibre, e finalmente soubemos que ele chegara a montar um rádio.

Sendo Perry mais intuitivo do que propriamente um técnico, não nos surpreendeu o fato de que seu rádio não pudesse ser sintonizado em qualquer onda conhecida ou em ondas longas do mundo exterior, e ficou para Jason Gridley de Tarzana o privilégio de captar a primeira mensagem de Pellucidar, através da Onda Gridley, uma descoberta sua.

E as últimas palavras de Abner Perry, antes que suas mensagens deixassem de ser captadas, foram em relação a David Innes, primeiro Imperador de Pellucidar, que se encontrava preso numa masmorra, nas terras dos Korsars, muito distante, por mar ou por terra, de sua amada terra de Sari, situada sobre imenso platô, na região próxima ao oceano de Lural Az.

Tarzan no Centro da Terra - Edgar Rice Burroughs [ Download ]

terça-feira, 17 de março de 2009

Espaçonave Orion - 5 livros

Livro 1
A esse tempo, a Terra já dominava uma vasta área no universo, onde muitas culturas proliferavam. O major McLane era o comandante do cruzador Orion VII e, juntamente com sua equipe, já conseguira inúmeras vitórias para Terra. No entanto, ao se aproximarem de MZ-4, a estação retransmissora, a Orion percebe os estranhos sinais por ela emitidos; e aí se inicia mais uma dura prova para a tripulação da Orion VII.



Livro 2
A nave Orion VII, sob o comando do major Cliff, passaria por uma terrível prova de fogo... Desta vez, a missão era destruir o planeta teleguiado que se chocaria com a Terra. As dificuldades se tornam gigantescas pois, por trás dos acontecimentos, estão os poderosos seres extraterranos.




Livro 3
A mina da colônia Alpha Vinte e Um não estava mais produzindo o importante minério... Desobedecendo a uma ordem, Cliff tenta solucionar este mistério. Porém, ao pousar, surgem as complicações: os robôs estavam amotinados!



Livro 4
Ao descobrir que impulsos hipnóticos transformavam os comandantes das naves em perfeitas marionetes, McLane teria pela frente um enigma... E, em pleno hiperespaço, a Orion travaria uma batalha contra o sugestor desconhecido!



Livro 5
No ano de 1955, um cientista de nome Baade descobriu que uma pequena estrela, designada por Ross 614A, possuía um satélite. Esse sol, um anão vermelho, distava do sol terrano treze anos-luz, enquanto seu satélite orbitava em torno dele a uma distância de cerca de 600 milhões de quilômetros, o que correspondia à distância entre o sol terrano e o planeta Júpiter.
O satélite recebeu o nome de Ross 614B.
A massa total desse satélite equivalia a oito centésimos da massa solar, e sua capacidade luminosa era 63 mil vezes mais fraca que a do sol de Terra. As reações termonucleares no interior de Ross 614B eram responsáveis pela elevada temperatura na sua superfície, que era de 985 graus centígrados. O sol e seu satélite cintilante foram catalogados, e constituíram o tema de vários trabalhos na literatura especializada, uma vez que representavam um exemplo raro das relações entre sol e planeta. Foram incluídos no manual, recebendo um longo número de catálogo, seguido das suas coordenadas hiperespaciais.
Obtiveram uma certa notoriedade durante a 2.a guerra interestelar quando, nas imediações dessa estrela, se realizou um combate entre quatro naves de Terra e cinco unidades da Federação. Duas naves inimigas, fortemente atingidas, fugiram para o espaço livre e foram dadas como desaparecidas.
Depois desse incidente, Ross 614A e Ross 614B caíram no mais completo esquecimento.
Treze anos-luz... a posição situava-se inequivocamente dentro da primeira zona de distância de 45 parsec. Coordenadas: Um/sul 019.
Ninguém mais se lembrava do anão vermelho e seu satélite escaldante. E ninguém fazia a menor idéia da sorte daquelas grandes naves, que tinham fugido após o combate. Não havia quem se dirigisse voluntariamente àquela região.
Mais tarde, porém, tudo isso voltaria à lembrança, causando a maior consternação.



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segunda-feira, 16 de março de 2009

Os Meninos do Brasil - Ira Levin


Na noite de sexta-feira, 31 de janeiro, Mengele usava o nome Mengele.
Voara com os seus guarda-costas para Florianópolis, na ilha de Santa Catarina, mais ou menos a meio caminho entre São Paulo e Porto Alegre, onde, no salão de festas do Hotel Novo Hamburgo, decorado para a ocasião com suásticas e flâmulas vermelhas e negras, os Filhos do Nacional-
Socialismo davam um jantar-dançante a cem cruzeiros por cabeça.

Que emoção quando Mengele apareceu! Os nazistas importantes, os que haviam desempenhado papéis de grande importância no Terceiro Reich e eram conhecidos no mundo todo, costumavam mostrar-se esnobes com relação aos Filhos, recusando os seus convites sob pretexto de doença e fazendo comentários irritadiços a respeito do seu líder, Hans Stroop (que, até mesmo os Filhos reconheciam, às vezes excedia-se na sua imitação de Hitler).

Mas ali estava o próprio Herr Doktor Mengele, em pessoa e de dinner jacket branco, apertando mãos, beijando rostos, sorrindo, rindo, repetindo novos nomes.
Que gentileza a sua de vir!
E como parecia saudável e feliz!

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O Bebê de Rosemary - Ira Levin


Aquelas velas pretas que Minnie tinha trazido na noite da falta de energia elétrica tinham chamado de tal maneira a atenção de Hutch, que passara a se interessar e fazer indagações sobre o casal. Será que desconfiava de Roman e Minnie fossem, como dizia o livro, bruxos? Minnie com suas ervas e seu talismã de tannis? Roman com seu olhar perfurante? Mas que bobagem!

Bruxarias não existiam mais. Ou existiriam?

Lembrou-se então do resto do recado de Hutch: “O nome é um anagrama”. Tentou várias combinações com o nome do livro. Era difícil, pois as letras eram tantas que criavam a maior confusão. Precisaria de lápis e papel, ou melhor, do jogo de palavras cruzadas.
Foi buscar a caixa do jogo, tornou a sentar-se ao lado da janela e separou as pedrinhas com as letras que formavam o título do livro. O bebê já vai nascer jogando cruzadas, pensou Rosemary.
— Fique quietinho aí dentro.

Tentou várias combinações; primeiro com o nome do livro. Como nenhuma fazia sentido, pegou novas peças, agora para formar o nome do autor.

O nenê deu um pontapé vigoroso.
Começou a fazer um anagrama com o nome do autor, só conseguindo de J. R. Hanslet formar Jan Shrelt ou J. H. Snartle. Coitado de Hutch! Devia estar bem ruinzinho...

Pegou novamente a caixa do jogo e guardou as pedrinhas. Pegou o livro, que continuava a seu lado e abrira-se a esmo. Abrira-se na página que mostrava a foto de Adrian Marcato e sua família. Talvez Hutch tivesse forçado a encadernação, quando sublinhou o nome Steven.
O nenê estava agora completamente imóvel.

Rosemary tirou da caixa do jogo as letras que formavam o nome Steven Marcato.
Arrumou-as na ordem e depois, sem hesitação, mudou a posição das pedrinhas e olhou o resultado: Roman Castevet.

Fez nova transposição: Steven Marcato.
A partir daí, novamente Roman Castevet.

O nenê moveu-se ligeiramente.


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domingo, 15 de março de 2009

Ten Years of Nebula Awards (1975) - Gordon R. Dickson

("We have now had ten years' worth of science-fiction novels and shorter works which have been voted winners of the Nebula Award; and whatever else may be said about these stories, they cannot be denied the label of "representative. "

The winners as a group are the result of a decade of selections by those who themselves write in the field and who have endeavored annually to choose the best work that was being done...")

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Gordon R. Dickson


Gordon Rupert Dickson (1 de Novembro de 1923 - 31 de Janeiro de 2001), prolífico escritor canadense de Ficção Científica, Dickson, que apesar de nascer no Canadá, passou a maior parte de sua vida em Minneapolis, Minnesota(EUA), escreveu mais de 80 livros. Ficou mais conhecido por escrever sagas, entre elas o ciclo Childe e Dorsai.

Apesar do relativo sucesso comercial, foram os contos que lhe deram prêmios e reconhecimento. Vencedor de três prêmios Hugo ("Soldier, Ask Not,", "Last Dorsai" e "The Cloak and the Staff"), e um prêmio Nebula ("Call Him Lord").

Foi presidente da SFWA (Science Ficion Writers of America) de 1969 a 1971.

Coleção Gordon Dickson (Computers don't argue, Call him Lord, El sheriff de Canyon Gulch, Space winners, The lifeship, The Strangers, Forever man, Dorsai vol.1-5, Alien Art, Spacial Delivery, FutureLove, Gremlins go home, The Alien Way, The Last Master, Enter a Pilgrim)
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O Silêncio dos livros

Nós da Biblioteca Fantástica, como não poderia deixar de ser, somos apaixonados por livros e por tudo que se refere a esta nossa paixão.

Belas imagens sobre a relação livro-leitor, é o que encontramos em 'O Silêncio dos Livros'.











sábado, 14 de março de 2009

Sci-Fi Movies site


Filmes, séries, lançamentos, posters, resenhas...

SCI-FI Movies

The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009


Não é segredo que vivemos hoje a idade de ouro da Literatura Fantástica.

Mais livros do gênero são publicados hoje do que nunca antes.
Somado a isso, mais e mais títulos pouco conhecidos surgem na internet, levando a um aficcionado pela Ficção Científica e Fantasia, achar que morreu e está no Paraíso.

Cerca de 3.000 títulos (em inglês) são lançados a cada ano, sendo ao menos uma centena destes de alta qualidade e trazendo novos escritores.

Apesar dos grandes escritores, famosos e premiados estarem por ai, existe uma infinidade de novos talentos surgindo e isso demonstra a beleza da Ficção Científica/Fantasia, por ser tão variada e possuir um largo espectro de sub-gêneros e estilos à oferecer.

Durante anos, Avi Abrams do Dark Roasted Blend compilou informações sobre novos escritores, promessas da Ficção Científica, Fantasia, Terror/Horror e realismo Mágico.

O resultado deste trabalho se encontra disponível online:

The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009

Sci-Fi London Film Festival


Desde 2002 quando foi criado, o SCI-FI LONDON FILM FESTIVAL é um dos maiores eventos do cinema voltado exclusivamente para o gênero fantástico.

Neste ano de 2009, o Festival, que conta com lançamento mundial de uma dúzia de filmes e debates sobre o gênero na tv e na literatura, também abre espaço para que as pessoas possam enviar filmes de curta duração, abrangendo mídias alternativas.

O site do festival traz diversas informações sobre os lançamentos para 2009, além do link da SCI-FI-LONDON.TV onde é possível se assistir trechos dos filmes.



Sci-Fi London Film Festival


sexta-feira, 13 de março de 2009

O Gene Egoísta - Richard Dawkins



PREFÁCIO

Este livro deveria ser lido quase como se fosse ficção científica.

Ele destina-se a agradar a imaginação. Mas não é ficção científica: é Ciência.

Seja ou não um lugar-comum, "mais estranho do que
ficção" exprime exatamente como me sinto com relação à verdade.

Somos máquinas de sobrevivência – veículos robô programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes.

Esta é uma verdade que ainda me enche de surpresa. Embora a conheça há anos, parece que nunca me acostumo completamente a ela. Um de meus desejos é ter algum sucesso em surpreender a outros.

Três leitores imaginários olharam por sobre meu ombro enquanto escrevia, e agora a eles dedico o livro. Em primeiro lugar o leitor geral, o leigo. Por ele evitei o jargão técnico quase totalmente e onde tive que usar palavras especializadas eu as defini. Agora me pergunto por que não censuramos a maior parte de nosso jargão também das revistas especializadas. Supus que o leigo não tenha conhecimento especializado, mas não supus que ele seja estúpido. Qualquer um pode popularizar a Ciência se ele simplificar demasiadamente.

Trabalhei arduamente tentando popularizar algumas idéias sutis e complicadas em linguagem não matemática, sem perder de vista sua essência. Não sei quanto sucesso tive nisto, nem quanto sucesso tive em outra de minhas ambições: tentar tornar o livro tão fascinante e agradável quanto o assunto merece. Desde há muito senti que a Biologia deve parecer tão excitante quanto
uma história de mistério, pois ela é exatamente isto.

Não ouso esperar ter transmitido mais do que uma pequena fração da excitação que o assunto tem a oferecer.

Meu segundo leitor imaginário foi o especialista. Ele tem sido um crítico severo, suspirando
profundamente com algumas de minhas analogias e figuras de linguagem. Suas frases favoritas são "com exceção de", "por outro lado", e "ah, não". Ouvi-o atentamente e até reescrevi por completo um capítulo apenas em seu benefício, mas, no fim, tive que contar a história da minha maneira. O especialista ainda não estará completamente satisfeito com a maneira pela qual expus o assunto. No entanto, minha maior esperança é que até ele encontrará aqui algo de novo; uma nova maneira, talvez, de ver idéias familiares; até mesmo estímulo para idéias novas próprias. Se esta é uma aspiração alta demais, poderei pelo menos esperar que o livro o distraia em um trem?

O terceiro leitor que tive em mente foi o estudante, realizando a transição do leigo para o
especialista. Se ele ainda não decidiu em que campo quer se especializar, espero encorajá-la a considerar meu próprio campo da Zoologia. Há uma razão melhor para estudar a Zoologia do que sua possível "utilidade" e estima que os animais provocam. Esta razão é que nós animais somos as máquinas mais complicadas e perfeitamente planejadas do universo conhecido.
Apresentada desta forma, é difícil entender como alguém pode estudar qualquer outra coisa! Para o estudante que já se comprometeu com a Zoologia, espero que meu livro tenha algum valor educativo. Ele está tendo que estudar os artigos originais e livros técnicos nos quais minha exposição se baseia. Se ele achar as fontes originais difíceis de entender, talvez minha interpretação não matemática possa ajudar, como uma introdução e fonte suplementar.
Há perigos óbvios em se tentar agradar três tipos diferentes de leitores.

Só posso dizer que estive cônscio desses perigos e eles pareceram ser compensados pelas vantagens da tentativa.

Sou etólogo e este é um livro sobre comportamento animal. Minha dívida à tradição etológica na
qual fui treinado será óbvia. Em particular, Niko Tinbergen não imagina a importância de sua influência durante os doze anos nos quais trabalhei sob sua direção em Oxford. A frase "máquina de sobrevivência", embora não seja, de fato, criação sua, poderia muito bem sê-lo. Mas a Etologia recentemente tem sido revigorada por uma invasão de idéias novas oriundas de fontes normalmente não consideradas etológicas.
Richard Dawkins

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Os Vírus da Mente - Richard Dawkins


Uma linda criança próxima de mim, com seis anos e a menina dos olhos de seu pai, acredita que
Thomas o Motor de Tanque [personagem de uma história infantil] realmente existe. Ela acredita em Papai Noel, e quando ela crescer sua ambição é ser uma fada do dente. Ela e seus amigos de escola acreditam na palavra solene de adultos respeitados de que fadas do dente e o Papai Noel realmente existem.

Esta pequena menina está em uma idade de acreditar em tudo que você lhe contar. Se você lhe contar sobre bruxas transformando príncipes em sapos ela acreditará em você. Se você lhe contar que crianças más ardem eternamente no inferno, ela terá pesadelos. Eu descobri há pouco que sem o consentimento do pai dela esta criança de seis anos encantadora, confiante e crédula está sendo enviada, para instrução semanal, a uma freira católica romana. Que chances ela tem?

Uma criança humana é moldada pela evolução para se saturar da cultura de seu povo.

Obviamente, ela aprende os essenciais do idioma de seu povo em questão de meses.

Um dicionário grande de palavras para falar, uma enciclopédia de informação para falar sobre, regras sintáticas e semânticas complicadas para ordenar a fala são todos transferidos de cérebros mais velhos ao dela antes que ela alcance metade de seu tamanho adulto.

Quando você é pré-programado para absorver informação útil a altas taxas, é difícil impedir ao mesmo tempo a entrada de informação perniciosa ou prejudicial. Com tantos bytes mentais para ser assimilados, tantos códons mentais para ser reproduzidos, não é nenhuma surpresa que cérebros de crianças sejam crédulos, abertos a quase qualquer sugestão, vulneráveis à
subversão, presas fáceis para Moonies, Cientologistas e freiras.

Como pacientes imuno-deficientes, crianças estão amplamente abertas a infecções mentais as quais adultos poderiam repelir sem esforço.

O DNA também inclui código parasitário. A maquinaria celular é extremamente boa em copiar DNA. No que tange o DNA, ele parece ter uma ânsia para copiar, parece ansioso em ser copiado. O núcleo da célula é um paraíso para o DNA, repleto de maquinaria de duplicação sofisticada, rápida e precisa.

A maquinaria celular é tão amigável para a duplicação de DNA que é pouca surpresa que células
tornem-se hospedeiras de parasitas de DNA – vírus, viróides, plasmídeos e um refugo de outros
camaradas viajantes genéticos. O DNA parasitário até mesmo se torna emendado aos cromossomos de forma quase imperceptível. “Genes saltantes” e extensões de “DNA egoísta” se cortam ou copiam para fora de cromossomos e se colam em outro lugar. Oncogenes mortais são quase impossíveis de distinguir de genes legítimos entre os quais eles estão trançados. No tempo evolutivo, há provavelmente um tráfico ininterrupto de genes “legítimos” para genes “foras-da-lei”, e de volta novamente (Dawkins, 1982).

O DNA é só DNA. A única coisa que distingue DNA virótico do DNA hospedeiro é seu método esperado de passar para gerações futuras. DNA hospedeiro “legítimo” é apenas DNA que aspira passar para a próxima geração pela rota ortodoxa de espermatozóide ou óvulo. DNA parasitário “fora-da-lei” é só DNA que busca uma rota mais rápida e menos cooperativa ao futuro, por uma minúscula gotinha ou fragmento de sangue, em lugar de por um espermatozóide ou óvulo.
Para dados em um disquete, um computador é um paraíso da mesma maneira que núcleos de
célula têm uma ânsia em duplicar DNA.

Computadores e seus leitores de disco e fita associados são projetados com alta-fidelidade em mente. Como com moléculas de DNA, bytes magnetizados não “querem” literalmente ser copiados de forma fiel. Não obstante, você pode escrever um programa de computador que toma medidas para se duplicar. Não apenas duplicar a si mesmo dentro de um computador, mas se espalhar para outros computadores. Computadores são tão bons em copiar bytes, e tão bons em obedecer as instruções contidas nesses bytes fielmente, que são vítimas fáceis para programas auto-reprodutores: amplamente abertos à subversão por parasitas de software.

Qualquer cínico familiar com a teoria de genes egoístas e memes teria sabido que computadores pessoais modernos, com seu tráfico promíscuo de disquetes e ligações de e-mail, estavam procurando por problemas. A única coisa surpreendente sobre a epidemia atual de vírus de computadores é que demorou tanto para ocorrer.



Os Vírus da Mente - Richard Dawkins [ Download ]