sexta-feira, 13 de março de 2009

Os Vírus da Mente - Richard Dawkins


Uma linda criança próxima de mim, com seis anos e a menina dos olhos de seu pai, acredita que
Thomas o Motor de Tanque [personagem de uma história infantil] realmente existe. Ela acredita em Papai Noel, e quando ela crescer sua ambição é ser uma fada do dente. Ela e seus amigos de escola acreditam na palavra solene de adultos respeitados de que fadas do dente e o Papai Noel realmente existem.

Esta pequena menina está em uma idade de acreditar em tudo que você lhe contar. Se você lhe contar sobre bruxas transformando príncipes em sapos ela acreditará em você. Se você lhe contar que crianças más ardem eternamente no inferno, ela terá pesadelos. Eu descobri há pouco que sem o consentimento do pai dela esta criança de seis anos encantadora, confiante e crédula está sendo enviada, para instrução semanal, a uma freira católica romana. Que chances ela tem?

Uma criança humana é moldada pela evolução para se saturar da cultura de seu povo.

Obviamente, ela aprende os essenciais do idioma de seu povo em questão de meses.

Um dicionário grande de palavras para falar, uma enciclopédia de informação para falar sobre, regras sintáticas e semânticas complicadas para ordenar a fala são todos transferidos de cérebros mais velhos ao dela antes que ela alcance metade de seu tamanho adulto.

Quando você é pré-programado para absorver informação útil a altas taxas, é difícil impedir ao mesmo tempo a entrada de informação perniciosa ou prejudicial. Com tantos bytes mentais para ser assimilados, tantos códons mentais para ser reproduzidos, não é nenhuma surpresa que cérebros de crianças sejam crédulos, abertos a quase qualquer sugestão, vulneráveis à
subversão, presas fáceis para Moonies, Cientologistas e freiras.

Como pacientes imuno-deficientes, crianças estão amplamente abertas a infecções mentais as quais adultos poderiam repelir sem esforço.

O DNA também inclui código parasitário. A maquinaria celular é extremamente boa em copiar DNA. No que tange o DNA, ele parece ter uma ânsia para copiar, parece ansioso em ser copiado. O núcleo da célula é um paraíso para o DNA, repleto de maquinaria de duplicação sofisticada, rápida e precisa.

A maquinaria celular é tão amigável para a duplicação de DNA que é pouca surpresa que células
tornem-se hospedeiras de parasitas de DNA – vírus, viróides, plasmídeos e um refugo de outros
camaradas viajantes genéticos. O DNA parasitário até mesmo se torna emendado aos cromossomos de forma quase imperceptível. “Genes saltantes” e extensões de “DNA egoísta” se cortam ou copiam para fora de cromossomos e se colam em outro lugar. Oncogenes mortais são quase impossíveis de distinguir de genes legítimos entre os quais eles estão trançados. No tempo evolutivo, há provavelmente um tráfico ininterrupto de genes “legítimos” para genes “foras-da-lei”, e de volta novamente (Dawkins, 1982).

O DNA é só DNA. A única coisa que distingue DNA virótico do DNA hospedeiro é seu método esperado de passar para gerações futuras. DNA hospedeiro “legítimo” é apenas DNA que aspira passar para a próxima geração pela rota ortodoxa de espermatozóide ou óvulo. DNA parasitário “fora-da-lei” é só DNA que busca uma rota mais rápida e menos cooperativa ao futuro, por uma minúscula gotinha ou fragmento de sangue, em lugar de por um espermatozóide ou óvulo.
Para dados em um disquete, um computador é um paraíso da mesma maneira que núcleos de
célula têm uma ânsia em duplicar DNA.

Computadores e seus leitores de disco e fita associados são projetados com alta-fidelidade em mente. Como com moléculas de DNA, bytes magnetizados não “querem” literalmente ser copiados de forma fiel. Não obstante, você pode escrever um programa de computador que toma medidas para se duplicar. Não apenas duplicar a si mesmo dentro de um computador, mas se espalhar para outros computadores. Computadores são tão bons em copiar bytes, e tão bons em obedecer as instruções contidas nesses bytes fielmente, que são vítimas fáceis para programas auto-reprodutores: amplamente abertos à subversão por parasitas de software.

Qualquer cínico familiar com a teoria de genes egoístas e memes teria sabido que computadores pessoais modernos, com seu tráfico promíscuo de disquetes e ligações de e-mail, estavam procurando por problemas. A única coisa surpreendente sobre a epidemia atual de vírus de computadores é que demorou tanto para ocorrer.



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quinta-feira, 12 de março de 2009

A Invasão Divina - Philip K. Dick



No distante planeta de metano CY30-CY30B, Herb Asher passa o tempo em seu domo ouvindo obsessivamente os teipes de sua cantora predileta, Linda Fox. Entretanto, no domo mais próximo, a jovem judia Rybys Rommey está morrendo de esclerose múltipla. Ela não sabe que, apesar de virgem, está grávida. A história se repete, só que em vez de estar levando no ventre o filho de Deus, como Maria, Rybys está gerando o próprio Deus.

Um dia Deus se manifesta a Herb e lhe ordena visitar Rybys. No domo da moça, os dois são visitados por um velho, conhecido há mais de 4.000 anos como o profeta Elijah. Elias, como se apresentou o profeta, diz aos dois que eles têm que se casar, pois deverão retornar à Terra com o pretexto de procurar auxílio médico para Rybys e assim a criança divina nasceria aqui.

Tudo foi feito como havia sido mandado, mas as autoridades política e religiosa tentam de todas as maneiras impedir o retorno dos três. Ao desembarcarem, Elias atrai a atenção dos policiais sobre si para que o casal possa sair sem problemas. No entanto, durante a fuga, o carro em que estão é envolvido em um acidente. Rybys temum trabalho de parto prematuro e morre. A criança nasce com lesão cerebral e Herb fica em suspensão criogênica durante 10 anos, aguardando um órgão para transplante.

Durante este período em que fica congelado, Herb lembra ou efetivamente revive tudo o que lhe aconteceu. Enquanto isso, Emanuel, o filho de Rybys, está sendo criado por Elias, que è obrigado a matriculá-lo numa escola especial, pois o acidente lhe provocou também uma espécie de amnésia. Lá Emanuel conhece uma menina misteriosa, uma entidade divina com poderes sobrenaturais, chamada Zina, com a qual discute Seu próprio destino e o da humanidade e reaprende Sua condição divina.

Com a combinação de seus poderes, Emanuel e Zina criam um mundo diferente, uma versão alternativa da Tetra, onde Rybys ainda vive e está casada com Herb que trabalha numa loja de aparelhos de som e está perdidamente apaixonado por uma cantora em início de carreira, Linda Fox. É neste mundo alternativo que começa a batalha entre Emanuel e o demônio Belial pela alma de Herb e pelo domínio ou liberação do mundo.


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Os Três Estigmas de Palmer Eldritch - Philip K.Dick

Num futuro não muito longínquo, Leo Bulero é um capitalista que distribui uma substância chamada Do-C aos habitantes de Marte, que à falta de outras distrações locais (se excluirmos o sexo) se entregam continuamente a ilusões da dita substância. No entanto, este monopólio de Bulero parece estar ameaçado por uma nova droga de translação designada U-Melhor. Palmer Eldritch, um homem de negócios exilado numa galáxia distante, é o detentor desta nova substância que em vez de ilusões, cria realidades, levando as pessoas a ela sujeitas a deslocarem-se, no espaço e no tempo, por vários futuros possíveis. O preço da utilização desta droga é o controlo de Palmer Eldritch do universo privado de cada um – universo esse do qual ninguém pode sair, nem mesmo morto.Quem se atreverá a deter esta terrível substância, capaz de transformar o mundo ou acabar com ele?

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Fonte: ZinedoVelho

O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick


Pensou: eu e ele podíamos nos engajar num foguete colonizador.

Mas os alemães não o aceitariam por causa de sua pele morena e a mim por meu cabelo escuro. Aqueles SS nórdicos, bichas, magros e pálidos, nos seus castelos de treinamento na Baviera.

Este sujeito — Joe não sei o quê — não tem nem mesmo a expressão correta no rosto; devia ter aquela expressão fria e contudo entusiasta de quem não crê em nada e assim mesmo tem fé absoluta. Sim, eles são assim. Não são idealistas feito Joe e eu; são cínicos dotados de uma fé total. É uma espécie de deficiência cerebral, como uma lobotomia — aquela mutilação que os psiquiatras alemães fazem e que é um miserável sucedâneo da psicoterapia.

O problema deles, concluiu, é o sexo; nos anos 30 já praticavam coisas infames e isso tem piorado. Hitler foi o iniciador com sua — o que era? Sua irmã? Tia? Sobrinha? E a família já sofria de consangüinidade; seus pais eram primos. Estão todos praticando incesto, voltando ao pecado original de desejar as próprias mães.

É por isso que eles, as bichas da elite do SS, têm aquele risinho angelical, aquela inocência loura de bebê; estão se guardando para a mamãe. Ou para os camaradas.

E quem é mamãe para eles? pensou ela. O líder, Herr Bormann, que dizem estar morrendo? Ou... o Doente.

O Velho Adolf, que se supõe estar num sanatório em alguma parte, num estado senil. Sífilis cerebral, datando de seus dias miseráveis de vagabundo em Viena... casacão preto comprido, cuecas sujas, abrigos para mendigos.

Obviamente, era a vingança irônica de Deus, como num filme mudo. Aquele homem horrível comido por uma sujeira interna, o castigo histórico para a maldade humana.

E o pior era que o Império Alemão atual era um produto daquele cérebro. No início um partido político, depois uma nação, depois metade do mundo. E os próprios nazistas haviam diagnosticado, haviam reconhecido, aquele curandeiro que cuidou de Hitler com plantas, aquele Dr. Morell que tratou Hitler com um remédio chamado Pílulas Antigas do Dr. Koester — fora inicialmente especialista em doenças venéreas.

O mundo inteiro sabia e, mesmo assim, o falatório do Líder ainda era sagrado, ainda era o Evangelho. Suas idéias já tinham agora contaminado uma civilização inteira e, como esporos do mal, as bichas louras cegas voavam da Terra aos outros planetas, espalhando a infecção.

Resultado do incesto: loucura, cegueira, morte.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

A Coisa - Stephen King


Agora, ali estava ele, perseguindo seu barco que descia pelo lado esquerdo da Rua Witcham. Corria depressa, mas a água era ainda mais rápida e seu barco avançava velozmente. Ouviu um forte rugido e viu que, cinqüenta metros além, na descida da ladeira, a água na sarjeta encachoeirava-se para um bueiro que ainda estava aberto. Era um comprido semicírculo escuro, recortado na cantaria e, enquanto George espiava, um galho solto, de casca tão escura e lustrosa como pele de foca, foi abocanhado pelo bueiro. Pairou sobre ele um instante e depois deslizou para o interior. E era para lá que o barco se encaminhava.

— Oh, que droga, que droga! — gritou ele, agoniado.

George acelerou a corrida e, por um momento, pensou que alcançaria o barco.

Então, um de seus pés escorregou e ele caiu, escarrapachado, esfolando um joelho e gritando de dor. De sua nova perspectiva, ao nível do piso da rua, viu seu barco balançar duas vezes, momentaneamente apanhado por outro redemoinho, para em seguida desaparecer.
— Droga e droga! — tornou a gritar, dando um soco no chão. Isso também doeu e ele começou a chorar um pouco.

Que maneira imbecil de perder o barco! Levantando-se, caminhou até o bueiro. Ficou de joelhos e espiou. A água fazia um ruído surdo e oco, ao despencar nas profundezas escuras. Era um som esquisito. Fez com que ele se lembrasse de...
— Huh!

O som pareceu ser arrancado de sua garganta, como que em uma fieira, e ele encolheu-se. Havia olhos amarelos lá dentro: o tipo de olhos que sempre imaginara no porão, mas que nunca vira. É um animal, pensou incoerentemente, é isso aí, um animal, talvez algum gato, que ficou preso lá dentro.

Ainda assim, ele estava pronto para correr — correria em mais um ou dois segundos, quando seu painel mental de instrumentos houvesse manejado o choque recebido por aqueles dois brilhantes olhos amarelos. George sentiu a superfície áspera do asfalto debaixo dos dedos e a fina camada de água fria fluindo por entre eles. Viu-se ficando em pé e recuando, mas foi então que uma voz — uma voz perfeitamente razoável e bem agradável — falou com ele, saindo de dentro do bueiro.

— Oi, Georgie!

George piscou e tornou a olhar. Mal podia crer no que via. Era como algo de uma
história inventada ou de um filme onde sabemos que os animais falarão e dançarão. Se
ele fosse dez anos mais velho, não acreditaria no que viam seus olhos. Entretanto, não
tinha dezesseis anos, tinha apenas seis.

Havia um palhaço no bueiro.



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O Nevoeiro - Stephen King


- Não saiam! -gritou a Sra. Carmody. - É a morte! Sinto que a morte está lá fora!

Bud e Ollie Weeks, que a conheciam, pareceram impacientes e irritados, mas alguns veranistas à volta dela afastaram-se alguns passos, pouco ligando para seus lugares na fila.

Nas cidades grandes, as bag-ladies parecem ter o mesmo efeito sobre os demais, como se fossem portadores de alguma doença contagiosa. Quem sabe? Talvez sejam mesmo.

Então, as coisas começaram a acontecer em ritmo acelerado e confuso. Um homem entrou aos tropeções no supermercado, empurrando a porta ENTRE até o fim. Seu nariz sangrava.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - gritou.

Billy encolheu-se contra mim -fosse por causado nariz sangrento do homem ou pelo que ele dizia, eu não sei.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - repetiu ele. - Alguma coisa no nevoeiro agarrou John Lee! Alguma coisa... - Ele tropeçou de costas em uma amostra de adubo para jardim, amontoada junto às vidraças e sentou-se ali. -Alguma coisa no nevoeiro pegou John Lee e eu o ouvi gritando!

A situação mudou. Já nervosas pela tempestade, pela sirene policial e o apito de incêndios, pelo sutil deslocamento que qualquer interrupção da força elétrica provoca na psique americana e pelo ambiente de cada vez maior inquietude quando as coisas, de algum modo... alguma forma, se transformam (não sei como expressá-lo melhor do que isto), as pessoas começaram a mover-se como um todo.

(...)

- O que é aquele homem cheio de sangue, papai? O que é?

- Está tudo bem, Grande Bill. É só o nariz dele. Ele está bem.

- O que ele quis dizer, com alguma coisa no nevoeiro?-perguntou Norton.

Vi que ele franzia a testa inteiramente, sem dúvida a sua maneira de parecer confuso.

- Estou com medo, papai - disse Billy, através de lágrimas. - Será que a gente não podia ir para casa?

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terça-feira, 10 de março de 2009

Tau Zero - Poul Andersonl


OLHE... ALI... subindo pela Mão de Deus. Não é?

— Sim, acho que sim. Nossa nave.

Foram os últimos a ir embora quando Millesgarden fechou. Perambularam a maior parte daquela tarde entre as esculturas, ele espantado e fascinado pela experiência do primeiro contato com elas, ela dando um adeus sem palavras ao que ocupara em sua vida uma parte maior do que até então imaginara. Tinham sorte com o tempo, o verão se aproximava do fim.

Esse dia na Terra fora luminoso, brisas que faziam as sombras da folhagem dançarem nos muros da vila, um límpido som de fontes.

Mas quando o sol caiu, o jardim pareceu tornar-se abruptamente ainda mais vivo. Era como se os delfins estivessem dando cambalhotas por entre suas águas, Pégaso esbravejando para o céu, Folke Filbyter xeretando atrás do neto extraviado enquanto seu cavalo tropeçava no vau, Orfeu ouvindo, as jovens irmãs abraçando-se em sua ressurreição — tudo sem ruído, porque foi percebido num instante singular, embora o tempo em que aquelas formas realmente se moveram não tenha sido menos real que o tempo que transportava homens.

— Como se eles estivessem vivos, prontos a partir com destino às estrelas e nós devêssemos ficar e envelhecer — murmurou Ingrid Lindgren.

Charles Reymont não a ouviu. Achava-se no lajedo, sob uma bétula, cujas folhas farfalhavam e muito timidamente haviam começado a mudar de cor. Reymont olhava para a Leonora Christine. No alto de seu pilar, a Mão de Deus sustentava o Gênio do Homem, erguido em silhueta contra uma penumbra azul-esverdeada. Atrás, a minúscula e rápida estrela atravessou de um lado para outro e mergulhou outra vez.

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Os Guardiões do Tempo - Poul Anderson



Uma das concepções mais curiosas (e mais populares) da ficção científica são as incursões temporais organizadas.

Na trilha aberta genialmente por H. G. Wells com a "máquina do tempo", na qual um viajante se desloca pelo futuro, dando um cunho de autenticidade à experiência - ao contrário das viagens feitas em sonho ou com o uso de forças mentais —, os autores do gênero "aperfeiçoaram" meios de transporte que permitem o livre trânsito entre o presente, o futuro e o passado. Com os progressos da Ciência, não será nenhum exagero acreditar que um dia ela resolva os paradoxos do tempo e, assim, produza uma tecnologia capaz de enviar os homens em qualquer direção temporal.

A ficção científica apenas se antecipa de alguns milênios a essa probabilidade. Afinal de contas, sabemos que certas partículas subatômicas se comportam como se rumassem do presente para o passado.

Mas, quando o homem puder viajar livremente para qualquer época, hão de se oferecer problemas extremamente delicados, e um deles é que alguém, por deliberação ou inadvertência, possa alterar a História. Nem todos se contentarão em desfrutar da paisagem primitiva ou em assistir, sem participação alguma, a certos acontecimentos que mudaram os destinos da humanidade. Para isso, pensa Poul Anderson, será preciso criar a Patrulha do Tempo, homens treinados com absoluto rigor e que devem estar sobretudo atentos aos "clandestinos" das viagens temporais.

Em Os Guardiões do Tempo somos colocados diante de algumas situações típicas que a Patrulha deve enfrentar. Entre suas decisões podem figurar algumas terrivelmente drásticas, como eliminar povos e civilizações inteiras que surgiram de uma distorção criminosa da História. Se bem que, em certos casos, haja meios de corrigir "anomalias" resultantes de decisões anti-regulamentares. No conto que abre o volume, Anderson nos dá idéia de como e por que se formou essa misteriosa vigilância, explicando-nos engenhosamente suas principais coordenadas. Esse conto, "A Patrulha do Tempo", figura constantemente entre os clássicos desse ramo temático e foi mesmo incluído por Hubert Juin nos 20 Meilleurs Récits de Science Fiction, ao lado, entre outros, de Jorge Luis Borges, Dino Buzzati, Howard Fast, Júlio Cortázar e Ray Bradbury.

Outro conto famoso de Poul Anderson que aparece em Os Guardiões do Tempo é "Delenda Est" - brilhante incursão histórica que tem por fulcro uma tentativa de mudar o resultado da guerra entre Roma e Cartago. Quase o mesmo se pode dizer de "A Glória de Ser Rei" e de "A Única Diversão na Cidade" ("As Quedas de Gibraltar" é de feitura mais recente, 1975), nos quais mais uma vez se superpõem dois terrenos, a Física e a História, em que Poul Anderson se move como peixe na água.

Para os leitores da coleção "Mundos da Ficção Científica", que já o conhecem de O Viajante das Estrelas e de Tau Zero, este Os Guardiões do Tempo, com sua leitura excitante, servirá para tornar mais conhecido um autor de obra numerosa, mas de consistente elaboração, que nos Estados Unidos os aficionados elegeram como o mais popular, vale dizer, o mais lido do gênero.
FAUSTO CUNHA

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Sangue e Ouro - As crônicas vampirescas - Anne Rice


O OUVINTE

1

SEU NOME ERA THORNE. No antigo idioma das runas, era mais comprido — Thomevald. Mas, quando se tornou um bebedor de sangue, o nome fora mudado para Thorne. E Thorne ele continuava sendo agora, séculos depois, ali deitado na sua caverna no gelo, em sonhos.
Quando chegou pela primeira vez à terra congelada, sua esperança tinha sido a de dormir para sempre. No entanto, de vez em quando a sede de sangue o despertava; e, usando o Dom da Nuvem, ele alçava vôo e saía em busca dos Caçadores da Neve.

Alimentava-se deles, com cuidado para nunca tirar sangue demais, de tal modo que ninguém morresse por sua causa. E, quando precisava de peles e botas, também as apanhava antes de voltar para seu esconderijo.

Esses Caçadores da Neve não eram da sua gente. Tinham a pele morena e os olhos oblíquos, e falavam uma língua diferente, mas ele os havia conhecido nos tempos de outrora, quando viajara com o tio pelas terras do Oriente como mercador. Não gostara do comércio. Preferia a guerra. Mas havia aprendido muito naquelas aventuras.
Em seu sono no norte, ele sonhava. Não tinha como evitar.
O Dom da Mente fazia com que ouvisse a voz dos outros bebedores de sangue.

A contragosto, via através dos olhos deles e contemplava o mundo como eles o contemplavam. Às vezes não se importava. Até gostava. Objetos modernos o divertiam. Escutava a música elétrica ao longe. Com o Dom da Mente, compreendia coisas como locomotivas a vapor e estradas de ferro. Chegava mesmo a entender computadores e automóveis. Sentia que conhecia as cidades que deixara para trás, muito embora já se houvessem passado séculos desde que as abandonara.
Começara a ter consciência de que não iria morrer. A solidão em si não conseguiria destruí-lo. O desamparo não seria suficiente. E por isso dormia.

Aconteceu então uma coisa estranha. Uma catástrofe abateu-se sobre o mundo dos bebedores de sangue.

Surgira um jovem cantor de sagas. Chamava-se Lestat, e, em sua música elétrica, Lestat retransmitia antigos segredos, segredos que Thorne jamais conhecera.
Erguera-se então uma Rainha, ser nefasto e ambicioso. Alegava ter dentro de si o Cerne Sagrado de todos os bebedores de sangue, de tal modo que, se ela morresse, toda a espécie pereceria com ela.

Thorne ficara pasmo.

Nunca tinha ouvido esse tipo de mito a respeito da sua própria gente. Não sabia se acreditava naquilo.
No entanto, enquanto dormia, enquanto sonhava, essa Rainha começou, com o Dom do Fogo, a destruir os bebedores de sangue por toda parte no mundo inteiro. Thorne ouvia seus gritos quando tentavam fugir. Via sua morte quando outros a estavam presenciando.
Enquanto vagava pela terra, essa Rainha aproximou-se de Thorne, mas o ignorou. Ele estava mudo, oculto na sua caverna. Talvez ela não houvesse sentido sua presença. Mas ele havia percebido a dela, e nunca na vida encontrara tamanha idade ou força a não ser na bebedora que lhe dera o Sangue.

E ele se descobria pensando nela, na Criadora, a bruxa ruiva de olhos sangrentos.
A catástrofe entre sua gente piorou. Um número maior foi abatido; e dos esconderijos surgiram bebedores de sangue tão velhos quanto a própria Rainha; e Thorne viu esses seres.

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Quadribol através dos séculos - Kennilworthy Whisp


KENNILWORTHY WHISP é um famoso especialista em quadribol (e, segundo ele,um fã ardoroso deste esporte). É autor de muitas obras referentes ao quadribol,inclusive Os Assombrosos Vagamundos de Wigtown (The Wonder of Wigtown Wanderers), Um Louco no ar (He Flew Like a Madman) (uma biografia de Daí Llewellyn, "O perigo") e Como evitar Balaços - um estudo de estratégias defensivas em quadribol (Beatting the Bludgers - A Study of Defensive Strategies in Quidditch). Kennilworthy Whisp divide seu tempo entre uma residência em Nottinghamshire e "o lugar em que os Vagamundos de Wigtown estejam jogando na semana".
Seus passatempos incluem o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas

PREFÁCIO
Quadribol através dos séculos é um dos títulos mais procurados da biblioteca escolar de Hogwarts. Madame Pince, nossa bibliotecária, me informa que o livro é "manuseado, babado e de um modo geral maltratado" diariamente - o que é um enorme elogio para qualquer livro. Quem joga ou assiste quadribol regularmente apreciará esta obra do Sr. Whisp, bem como os que se interessam de uma maneira mais ampla pela história da bruxaria. Do mesmo modo que fomos inventando o jogo de quadribol, ele também nos inventou; o quadribol une bruxos e bruxas de todas as posições sociais e os reúne para compartilhar momentos de euforia, vitória e desespero (no caso torcedores dos Chudley Cannons (Canhões de Chudley)).

Foi com alguma dificuldade, devo confessar, que convenci Madame Pince a emprestar um dos seus exemplares para mandar copiá- lo e, dessa maneira, torná- lo acessível a um número maior de leitores. De fato, quando lhe contei que iria copiá- lo para que os trouxas pudessem lê- lo, ela não só perdeu a fala como não se mexeu nem piscou durante alguns minutos. Quando voltou a si, teve a consideração de me perguntar se perdera o juízo. Tive, então, o prazer de tranqüiliza- la a esse respeito e de explicar minhas razões para tomar essa decisão sem precedentes.

Os leitores trouxas não precisam que eu lhes diga o que é o Trabalho da Comic Relief, mas vou repetir as explicações que dei a Madame Pince para o beneficio das bruxas e bruxos que comprarem o presente livro. O Comic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libra desde que começou em 1985 - mais de 34 milhões de galeões).Todos os envolvidos a trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou com preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com a venda fossem destinados a fundo aberto em nome de Harry Potter pela Comic Relief e por J. K. Rowling. Este fundo foi criado especificamente para ajudar crianças necessitadas ao redor do mundo. Quando você comprar este livro - eu o aconselharia a comprá-lo porque se ficar folheando o livro sem pagar, vai descobrir que foi atingido pelo Feitiço contra Ladrão -, você também estará contribuindo para a missão mágica do Comic Relief.

Eu estaria enganando meus leitores se dissesse que essa explicação deixou Madame Pince mais feliz em ceder um exemplar da biblioteca para os trouxas. Ela sugeriu várias alternativas tais como dizer ao pessoal do Comic Relief que a biblioteca pegara fogo ou simplesmente fingir que eu morrera sem deixar instruções. Quando respondi que, de um modo geral, em preferia continuar meu plano original, ela concordou, com relutância, em me entregar o exemplar, ainda que na hora de soltá- lo tivesse perdido a coragem me obrigando a forçá- la a abrir cada um dos dedos com que apertava a lombada do livro.

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domingo, 8 de março de 2009

David Gerrold


Jerrold David Friedman ou David Gerrold (24 de Janeiro de 1944) nasceu em Chicago, Illinois, EUA. Escritor, editor, roteirista de cinema e televisão, Gerrold foi o escritor mais jovem a se filiar ao Writers Guild of America, ao vender seu primeiro roteiro para televisão ('The trouble with Tribbles') aos 23 anos. O episódio foi indicado para receber o Prêmio Hugo e escolhido também pela Paramount Pictures como o mais querido episódio de Star Trek (Jornada nas Estrelas) de toda a série original.

De 1972 a 1973, Gerrold publicou nove livros, sendo dois de não ficção, viveu na Irlanda e em Nova Iorque. Para a Televisão, criou 'Land of the Lost' (O Elo Perdido), escreveu episódios para Star Trek a série animada, Logan's Run,Tales From The Darkside, Twilight Zone, The Real Ghost Busters, Superboy e Babylon 5.

Nos anos 80, além de trabalhar como consultor para a série de tevê, Star Trek: The Next Generation, começou a dar aulas sobre técnica de redação e adaptação para o cinema na Universidade Pepperdine de Malibu. Participa de palestras pelo mundo e ministra eventualmente seminários sobre criatividade.

Mais recentemente passou a se dedicar a escrever sagas (The War Against the Chtorr) e em adaptar para games alguns de seus livros, como 'Martian Child' (romance semi-autobiográfico sobre adoção) com o qual ganhou a 'tríplice coroa' da FC americana, ou seja, os prêmios Hugo, Nebula e Locus, de melhor romance do ano.
Martian Child foi filmado em 2007, com John Cusack no papel principal.
Gerrold mora atualmente na California.

Martian Child [ Download ]
When Charlie was one [ Download ]
Jumping off the planet [ Download ]
The man who folded himself [ Download ]
The Flying Sorceres (Com Larry Niven) [ Download ]
Star Trek The Next generation - Mission Fairpont [ Download ]

The Trouble With Tribbles - David Gerrold



O livro trata da história do script para uma série de televisão; de onde surgiu, como foi escrito e que eventualmente foi ao ar, como um episódio de Jornada nas Estrelas (a série original), 'The trouble with Tribbles' (um dos mais populares).

(...)

O episódio em si, desde o início, foi bastante atípico em se tratando de produção de tevê. Mas
Jornada nas Estrelas era uma série atípica. Por exemplo, era uma das séries mais difíceis de se escrever, pois a maioria dos escritores de tevê na época, nada sabiam sobre Ficção Científica, eles não compreendiam o formato. Não entendiam que Ficção Científica era mais do que somente faroeste com armas de raios.

E a maioria dos autores de Ficção Científica odiava a série. Eles conheciam seu trabalho, mas tinham que se submeter às exigências da produção. Alguns não aceitavam ter que escrever em blocos, devido aos intervalos comerciais - os autores exigiam no mínimo cinquenta minutos sem interrupção, nem mais, nem menos...


MCCOY
Jim, you’ve got to do something about these creatures.

KIRK
Why?

MCCOY
They’re getting out of hand. Do you know what these things are? They’re deadly!

KIRK
(stiffening)
Deadly?

MCCOY
Well, not in a physical sense, but the nature of the beast is such that—well, here, you hold one and see for yourself!

KIRK
I’ve held a fuzzy before, Bones.
McCoy gestures with it. Kirk takes it.

KIRK
(continuing)
So?
The fuzzy purrs contentedly in his hand. Absentmindedly he strokes it.

MCCOY
See! It’s habit forming. The thing is a parasite!

KIRK
(self-consciously handing the fuzzy to Spock, just to be rid of it)
Oh, come now, Bones. I’ll admit that love is distasteful—
(he glances at Spock)
—but hardly harmful.

SPOCK
I, personally find such open displays of emotion very distasteful.

MCCOY
Jim, these things are absolutely useless to the running of this ship. But they consume food…like…like…
(he is at a loss for a comparison)
…and once they start eating, they start producing more of them…

SPOCK
For once, I’m forced to agree with the doctor. It seems as if he is finally learning to think in a logical manner.

MCCOY
(eyeing Spock)
Even our computerized first officer agrees, Jim.

SPOCK
They are consuming our supplies and returning nothing.

KIRK
Well, I wouldn’t exactly say that love is a nothing…
(pause)
One must be tolerant, Mr. Spock.


The Trouble With Tribbles - David Gerrold [ Download ]

sábado, 7 de março de 2009

Um Grande Olá - Alastair Reynolds


Olá!

Se vocês estão recebendo esta mensagem (e se estão tendo sucesso em compreendê-la, é claro) então vocês já passaram pelo teste mais difícil. Vocês possuem a competência básica no que se refere à física e a engenharia, além de alguma compreensão do universo em que vivem, para interceptar sinais da Rede de Informações Galáctica,

Congratulações! Isso é muito mais do que a maioria das culturas alcançam, então vocês estão bem avançados! Congratulem-se com uma pancadinha no... bem, onde quer que vocês dêem pancadinhas de agrado entre vocês.

O próximo passo se escolher seguir em frente, é responder esta mensagem para a Rede de Informação Galáctica. É fácil - tudo que precisam fazer é gerar um sinal de onda gravitacional modulado de uma fonte de quatro bilhões de megawatts. Pode parecer muito, mas não é verdade - trata-se de apenas um por cento da energia emitida pela estrela tipo-G que seu planeta orbita. Vamos lá - não vão desistir agora!

Mas espere! Antes de enviar a mensagem de retorno (e estamos ansiosos por ouví-la) existem algumas poucas coisas que devem ter em mente! Chamem de regras, de orientações, do velho bom senso - não importa, desde que obedeçam sem questionar!
É brincadeira. Mas, existem algumas pequenas coisas que devem ter em mente. apenas para evitar gastar uma dispendiosa banda galáctica.
Para tal, vamos lhes dar algumas dicas e que podem vir a achar úteis.

Primeiro, as novas culturas gostam de saber um pouco sobre a Grande Comunidade Galáctica - e quem pode culpá-las! É uma velha e grande Galáxia lá fora e vocês acabaram de chegar à festa!
Por agora, tudo que vocês precisam saber é que vocês são um dos membros mais novos a habitarem esta galáxia e existem alguns testes pelos quais precisam passar, antes de ascender a um segundo nível de senciência.

Não fiquem desmotivados, vocês vão chegar lá no fim, se esforçarem-se para isso! Tudo que precisam é de inteligência, determinação, e talvez uma breve extensão na seqüência de vida normal da sua estrela! Enquanto isso, preparamos um Primeiro Pacote para que vocês possam iniciar. Existe tanta informação neste Primeiro Pacote - que é demais para ser comprimida em um sinal de onda gravitacional! Então o que fizemos foi pre-instalar o Primeiro Pacote de informações no oceano de hidrogênio metálico do maior planeta gigante gasoso do seu sistema!
É isso - ele já está lá!

E se vocês já encontraram este Primeiro Pacote, devem estar se perguntando para que serve aquela bola cinzenta, ela serve para - bem, agora vocês já sabem! Tenham cuidado a abrí-la - ou vocês já descobriram? Bem, era um belo gigante gasoso enquanto durou.

Brincadeirinha! Mas uma das coisas que vocês devem ter percebido no Primeiro Pacote é que ele não fala nada sobre viajar mais rápido do que a luz! As novas espécies ficam ansiosas sobre aprender como funciona, por alguma razão inexplicável! Tudo que podemos dizer neste momento é que uma vez que vocês tenham ascendido para o segundo nível de senciência, vocês acharão a questão do 'mais rápido que a luz' tão interessante quanto 'métodos rápidos de curar doenças de pele' ou 'maneiras rápidas de fermentar o fluido lácteo mamífero'! Acredite em nós! Já fomos assim, uma vez há muito tempo! (e não, nós não ligamos mais para nisso!)

O Primeiro Pacote deve responder várias perguntas básicas e ainda mais! Quase sempre, acreditem, vocês acabarão com mais perguntas do que gostariam! Não nos incomodamos com isso - estamos aqui para isso! Mas antes de começarem a disparar um monte de perguntas aleatoriamente, dêem uma rápida olhada no que se segue! Isso irá poupar seu tempo - e o nosso!

Primeiro, tenha certeza de que a sua pergunta não está respondida no Primeiro Pacote! Parece obvio - e é, mas vocês ficariam surpreso como muitas culturas não parecem ler seus primeiros pacotes por completo! Lembre que o Primeiro Pacote é altamente coerente e certas camadas de conteúdo podem não estar acessíveis diante do seu atual horizonte de percepção espaço-temporal! Sejam pacientes!

Segundo, alguns poucos tópicos estão cobertos pelo Primeiro Pacote que - podem parecer deixar a desejar quanto a perguntas de um certo nível cultural, que não são de nosso interesse! Francamente, estamos satisfeitos! Alguns - mas nem todos - destes tópicos, incluem perguntas relativas a Seres Supremos, O Nascimento, A Vida, A Morte, O Além, a possibilidade de outros universos, a explicação oficial sobre o grande vazio de z=10, e a imprevista inatividade da rota do Braço de Orion durante o décimo quinto ciclo de rotação galáctica e a possível implicação disso para a Nona Extinção em Massa (e o subseqüente encobrimento)!

Se vocês conseguirem passar além destes tópicos, camaradas, será ótimo!

E também, por favor, não respondam a nenhuma transmissão originalmente gerada do aglomerado globular de M13 em Hércules - e nunca mandem mensagens não solicitadas! Especialmente por rádio - eles odeiam rádio! Também cuidado com mensagens originadas de culturas ascendentes do nível três, especialmente daquelas que oferecem conversões baratas e suspeitas para seu sistema solar! Acreditem em nós - são boas demais para serem verdade!

Vocês também irão querer se manter distantes de qualquer entidade que finge ser herdeiro legal de ativos de culturas descidas do nível dois, no limite de Cisne - definitivamente não passem para eles as coordenadas de seu sistema!

Ah, antes que esqueçamos - nunca, jamais perguntem o que aconteceu com os humanos! A menos que vocês queiram descobrir!

PS - Quando for responder as mensagens recebidas, não respondam mantendo o conteúdo acima.

O Pós-humano e sua narrativa: a ficção científica



“O que conta num bom romance de ficção científica não é nem a ciência nem a ficção, mas a hipótese filosófica sobre nossa natureza, nossos poderes, nosso olhar no universo, nossos devires e nossos fins.”

Jean Louis Curtis


Na sua organização tipológica, geradora de uma lógica de oposição e diferenças, o próprio termo ficção científica seria um oxímoro, já que da expressão participam procedimentos de natureza totalmente diversa: o ficcional e o científico.

Ora, a ficção não tem os compromissos da ciência : nenhum projeto de atuação prática, não sujeita às provas de falsificação nem às de verificação, tendo exercido, no entanto, especialmente o romance moderno, o que Steven Johnson chama de “cultura da interface”, que realizaria um projeto de tradução, ou mediação, entre o desenvolvimento tecnológico e a vida cotidiana.

O Pós-humano e sua narrativa: a ficção científica - Ieda Tucherman [ Download ]

Posibilidades reales del viaje interestelar en la Ciencia-Ficción


Tenemos dos enfoques clásicos del problema: el viaje infralumínico y el supralumínico. En el primero, el principal problema es que debido a las enormes distancias implicadas el tiempo de tránsito entre estrellas es muy prolongado, superior al del lapso de una vida humana...

Posibilidades reales del viaje interestelar en la Ciencia-Ficción - Cristóbal Pérez-Castejón
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sexta-feira, 6 de março de 2009

I Understand Philip K. Dick - Terence Mckenna



The experience is private, personal, the best part, and ultimately unspeakable.

The more you know the quieter you get. The explanation is another matter and can be attempted. In fact it must be told, for the Logos speaks and we are its tools and its voice.

Phil says a lot of things in the Exegesis, he is aware that he says too much, so he keeps trying to boil it down to ten points or twelve parts or whatever. I have my own experience, equally
unspeakable, and my explanation, equally prolix. Phil (sometimes) thought he was Christ,
* I (sometimes) thought I was an extraterrestrial invader disguised as a meadow
mushroom.

What matters is the system that eventually emerges, not the fantasies concerning the source of the system. When I compare Phil’s system to mine, my hair stands on end.

We were both contacted by the same unspeakable something.

Two madmen dancing, not together, but the same dance anyhow.

Truth or madness, you be the judge.

What is trying to be expressed is this: The world is not real.

I Understand Philip K. Dick - Terence Mckenna [ Download ]

What Is Cyberpunk? - Rudy Rucker


Proximately, “cyberpunk” is a word coined by Gardner Dozois to describe the fiction of William Gibson. Gibson’s novel Neuromancer won the Science Fiction equivalent of the Triple Crown in 1985: the Hugo, the Nebula, and the Phil Dick award.

Obviously, a lot of SF writers would like to be doing whatever Gibson is doing right. At the 1985 National SF Convention in Austin there was a panel called “Cyberpunk.” From left to right, the panelists were me, John Shirley, Bruce Sterling, a nameless “moderator,” Lew Shiner, Pat Cadigan, and Greg Bear. Gibson couldn’t make it; he was camping in Canada, and the audience was a bit disappointed to have to settle for pretenders to his crown. Sterling, author of the excellent Schismatrix, got a good laugh by announcing, “Gibson couldn’t make it today, he’s in Switzerland getting his blood changed.” Talking about cyberpunk without Gibson there made us all a little uncomfortable, and I thought of a passage in Gravity’s Rainbow, the quintessential cyberpunk masterpiece:

On Slothrop’s table is an old newspaper that appears to be in Spanish. It is open to a peculiar political cartoon of a line of middle-aged men wearing dresses and wigs, inside the police station where a cop is holding a loaf of white . . . no it’s a baby, with a label on its diaper sez LA REVOLUCION . . . oh, they’re all claiming the infant revolution as their own, all these politicians bickering like a bunch of putative mothers . . .

SF convention panels normally consist of a few professional writers and editors telling old stories and deflecting serious questions with one-liners. Usually the moderator is a semi-professional, overwrought at being in public with so many SF icons, but bent on
explaining his or her ideas about the panel topic which he or she has chosen. The pros try
to keep the mike away from the moderator. The audience watches with the raptness of
children gazing at television, and everyone has a good time. It’s a warm bath, a love-in.
The cyberpunk panel was different. The panelists were crayfishing, the subnormal
moderator came on like a raving jackal, and the audience, at least to my eyes, began
taking on the look of a lynch mob. Here I’m finally asked to join a literary movement and
everyone hates us before I can open my mouth?
What is it about punk?

Back in the ’60s — now safe and cozy under a twenty-year blanket of consensus history — the basic social division was straight vs. hip, right vs. left, pigs ’n’ freaks, feds ’n’ heads. Spiro Agnew vs. Timothy Leary. It was a clear, simple gap that sparked and sputtered like a high-voltage carbon arc. The country was as close to civil war as it’s been in modern times. News commentators sometimes speak of this as a negative thing — burning cities, correct revolutionary actions, police riots — but there was a lot of energy there. ’60s people think of the old tension as “good” in somewhat the same way that ’40s people look back on the energy of WWII as “good.”

A simple dichotomy. But during the ’70s times got tough, and all the ’60s people got older.

What Is Cyberpunk? -Rudy Rucker [ Download ]

Reprinted from Rudy Rucker, Seek! (Four Walls Eight Windows, NY 1999).
Originally appeared in REM, #3, February, 1986. REM was a zine published by Charles Platt. I
added the Postscript to my essay (included here) in response to a letter from a reader, so I suppose the Postscript must have appeared in issue #4. The Mondo 2000 editors latched onto my phrase “How fast are you? How dense?” and used it in their ad campaigns and on some of their T-shirts.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ciencia, Divulgación Científica y Ciencia Ficción


«Cualquier tecnología suficientemente avanzada es indistinguible de la magia», afirma Arthur C. Clarke en la tercera de sus leyes en torno a la tecnociencia.

Para mucha gente, el uso de la más variada tecnología se reduce a apretar un botón y ver cómo, casi por arte de magia, lo que tan sólo hace años parecía imposible, ahora se hace realidad. La incomprensibilidad de estos hechos, se ve reforzada por el hecho que la ciencia y la tecnología, por sus propias características, permanecen en un mundo cerrado y acotado, formado por los expertos. No obstante, los estudios realizados entorno a la percepción social de la ciencia y la tecnología demuestran que existe un alto grado de confianza social en torno a la figura del científico. Incluso a pesar que para muchos los resultados de la ciencia sigan siendo una curiosa especie de magia incomprendida.

Resulta ya evidente el gran papel que la ciencia y la tecnología, la «tecnociencia» en suma, desempeña en el mundo actual. Se dice que hoy están en activo más investigadores y científicos de los que nunca antes habían existido en toda la historia de la Tierra, y la cruda realidad es que los descubrimientos de la tecnociencia están transformando nuestro mundo de forma a un tiempo inexorable y, posiblemente, irreversible.

Ciencia, Divulgación Científica y Ciencia Ficción [ Download ]

Is Science Fiction Science?


ROBERT L. KUHN: Do you see science fiction in other cultures having a different
character to them?

DAVID BRIN: Japanese science fiction uh, Brazilian science fiction and, very
interesting science fiction literature that arose out of the Soviet Union, out of enthusiastic
socialists, very different, in many ways, than ours. But if you travel around the world
you can, as a science fiction author, know the difference between those countries in
which science fiction is popular and that which it isn’t. In Japan people will pick me up
at the airport, in India they won’t.

OCTAVIA BUTLER: I remember going to a conference in New York, it was a African
Women of the Diaspora, called The Yari Yari Conference, actually, The Future of the
Future. There were a lot of people from third world countries where it wasn’t a matter of
press freedom so much as finding the necessities, a printing press for one, finding some
way to get your book on paper and then to distribute it, all yourself.

DAVID BRIN: But there’s another essential point for why this is an American literature
to some degree, and that is all of the propaganda mills coming out of the American
experience, promote suspicion of authority and to some degree, tolerance. As Octavia
was saying, there are a lot of cultures in which authority is a much more revered thing, or,
much more of a problematical thing in day-to-day life.

OCTAVIA BUTLER: Or, just in which there are a lot more needs that aren’t being met.

DAVID BRIN: That’s exactly right.

Entrevista com diversos autores - Closer to Truth [ Download ]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Lo mejor de la ciencia ficción russa - Jacques Bergier


Esta selección de cuentos ha nacido en la mente del editor, ante todo, como un antídoto contra la banalidad. En efecto, se ha convertido en tema normal de conversación, ampliamente aprovechado por periodistas y conferenciantes, hablar del «gran florecimiento», de la «extraordinaria importancia», de la ciencia-ficción en la Unión Soviética.

Cualquier persona, dotada de un mínimo de facilidad de palabra, es capaz de improvisar, al menos durante tres cuartos de hora, sobre el tema de la relación entre la fantasía de
ciencia-ficción y la mentalidad de la nueva clase de tecnócratas que está tomando las riendas del poder en la Unión Soviética. También los parangones entre la ciencia-ficción soviética y la americana está al alcance de cualquier mentalidad. Según el punto de vista del conferenciante, es posible escuchar que la ciencia-ficción soviética es inferior a la americana por un exceso de preocupaciones ideológico-políticas, o que es superior por su mayor limpieza moral y por un mayor y serio empeño humano.

Pero en cuanto se intenta pedir a estos locuaces conferenciantes que den algún nombre, que citen algún ejemplo concreto, entonces un velo de niebla empieza a caer sobre todo y a confundir peligrosamente los contornos. Pueden estar satisfechos si oyen citar al clásico Nosotros, de Zamjatin, o la Aelita, de Tolstoj, textos que pertenecen, queriendo ser benévolos, a la prehistoria de la ciencia-ficción. Por lo demás, la contestación que se les da más frecuentemente es que una búsqueda en este campo es muy complicada y que haría falta, un día u otro, afrontar el problema seriamente.

Ahora, el editor, persuadido de que la Unión Soviética no es la Luna, sino un país cercano y
contemporáneo nuestro, tal como lo son Francia, Estados Unidos, Alemania o el Congo, ha hecho lo más sencillo que quedaba por hacer, aunque hasta ahora nadie lo hubiese pensado: enfrentarse con el problema.

Se ha dirigido, para ello, a uno de los mayores expertos europeos en ciencia-ficción, el francés Jacques Bergier, autor de un ejemplar artículo sobre «Ciencia-ficción», en la Enciclopedia de la Pléyade, de Queneau, y habitual lector de la literatura soviética de anticipación. Pero no han faltado ayudas de la misma Unión Soviética. En primer lugar, tenemos el deber de agradecer a los hermanos Strugackij sus amplias sugerencias e informaciones y que hayan puesto a nuestra disposición material preciosísimo y difícilmente recuperable.

Una frase de una carta de los hermanos Strugackij podría citarse aquí como blasón para nuestro trabajo:
«Los cuentos que os hemos indicado, escribían los Strugackij, os los hemos propuesto, simplemente, porque, entre la producción de los últimos años, son los que más nos gustan a nosotros y a nuestros amigos apasionados por la ciencia-ficción». Por lo tanto, la finalidad de esta antología no es el hacer la historia de la ciencia-ficción en la URSS, sino de proporcionar una verdadera radiografía del estado de la ciencia-ficción en la Unión Soviética, en estos años pletóricos de sputniks, de luniks y de proyectos interplanetarios; de ofrecer al lector occidental una idea, lo más exacta posible, de la mentalidad particular, del tipo de imaginación fantástica, de la carga sentimental del ciudadano soviético que esté destinado, posiblemente, a ser en el breve plazo de unos meses el primer hombre en el espacio. Dudincev y Efremov, Dneprov y los Strugackij, dan del “homo sovieticus” una representación muy diferente a la que nos han acostumbrado los habituales conferenciantes.
Es, por esta razón, que un editor, bien decidido a no rendirse a las exigencias de la banalidad, se siente hoy orgulloso de ofrecer a sus lectores esta modesta pero concreta antología.

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¿Que es la Ciencia-Ficcion? - Yuli Kagarlitski


In his Chto Takoe Fantastika (What is SF?--Moskva: Khudozhestvennaya Literature, 1974 352p), Juliy Kagarlitsky, who received the 1972 SFRA Pilgrim Award, sets himself the task of defining SF in a literary and social context, appealing first to the historical antecedents of the genre and then to its main present-day concerns. He limits himself primarily to British and American authors, but the problems upon which he touches are not theirs alone. The low quality of much of the SF produced for the mass market has, in Kagarlitsky's estimation, caused the works of even the best writers to be unjustly slighted. As a result, the positive social role of SF has been minimized or ignored. Kagarlitsky intends that his book should help to remedy this situation.

Selecting several scientific concepts and tracing them through various works important in the history of SF, Kagarlitsky sets off to explore some of the conflicts inherent in the genre. While SF is undoubtedly based in the scientific knowledge and social reality of its time, and while it may use realistic literary devices, its effect is destroyed if the illusion of reality thus created is too complete. On the contrary, as he points out, SF demands a complex interaction of belief and disbelief in its explorations of the unknown aspects of the known. Kagarlitsky suggests a possibly productive comparison of myth with SF: both are only analogues of reality, but while myth is based on faith, SF is based on the "dialectics of the investigative mind."

The fruits of some of the more notable "investigative minds" are examined in the next two chapters. He devotes the second chapter to a brief history of the genre, beginning with Rabelais' Gargantua and Pantagruel and the Renaissance utopian fiction, continuing through Swift and Voltaire's Micromégas, and concluding with works from the Romantic period, of which the most important is Mary Shelley's Frankenstein. He selects Gulliver's Travels for a closer analysis of the interrelationship of scientific ideas and SF; specifically, the experiments of the Projectors of Lagado demonstrate that Swift was writing from a close knowledge of the scientific advances of his period.

The second and more extensive section of the book (ch.4-9) deals with some of the major elements which have been present in the SF of the last 100 years. Revealing a broad knowledge of the works of many British and American authors, Kagarlitsky devotes particular attention not only to their scientific, but also their social bases. In the chapter "Chronoclasm," for example, Kagarlitsky--referring to works by Wells, Asimov, Lem, Aldiss, Bradbury, Heinlein and others--mentions some of the philosophical and social problems explored through time-travel. Moreover, he suggests that the preoccupation of writers with this device is a measure of their interest in the problems of history and the direction of the future. One result is the relatively new "historical novel about the future," exemplified here by John Wyndham's The Chrysalids.

Chapter 5 is devoted to the discussion of American mass-market SF. Although he deplores its low quality (earlier he had pointed out that in its unquestioning absorption of often pseudo-scientific ideas it resembles myth more than it does true SF), he sees in it, especially in the "space operas," a reflection of the epic element present in all SF, and proposes that it derives its popularity and distinctively American flavor from wholesale borrowing from Westerns. At the same time, he does acknowledge the high quality of much American SF.

In the next three chapters, Kagarlitsky discusses in considerable detail the reaction of SF to the social problems created or threatened by changing conceptions of the world, of man and of the role of technology. He deals with the social uses, as seen by SF, of such concepts as personal immortality, telepathy and robots. This analysis is extended in his last chapter, "SF, Utopia, Anti-utopia," which examines the SF portrayal of societies, ideal or otherwise. Although he has already passed the early utopias in review, he discusses them here in more depth. In addition, he treats anti-utopias such as Wells' Time Machine, Huxley's Brave New World, Orwell's 1984 and Bradbury's Fahrenheit 451, characterizing them as critical evaluations of progress and, incidentally, refuting claims that anti-utopias such as 1984 were aimed against communist states. Finally, he turns to visions of future societies in contemporary SF, enumerating frequent targets such as the desirability of prosperity, over-dependency on machines, or personality leveling. Particularly timely, in view of our present preoccupation with the return to the simple life, is Kagarlitsky's discussion of what he terms the Rousseauist utopia. Utopias such as B.F. Skinner's Walden Two are futile, in his opinion, since they are moving in an anti-historical direction by rejecting progress, and he interprets them as essentially, although not necessarily intentionally, reactionary. He sees the pessimism of many Western SF writers as a function of their limiting themselves to visions of progress only along the lines of bourgeois materialistic societies.

Whether or not one agrees with Kagarlitsky that the utopia for which British and American writers are searching lies in communism, he offers a valuable interpretation of the interaction of SF, and in particular of its basic themes, with society. This is both the strength and the limitation of his approach to what is after all fiction rather than futurology. Perhaps such an exclusive stress results from his popularizing intention, which is here pleasingly fused with solid erudition. Thus, although Kagarlitsky may not, as he confesses in his introduction, have provided a definitive answer to the question "What is SF?", he has instead suggested some promising lines of research on a number of basic problems with which modern SF deals, and on how it historically came to do so.

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terça-feira, 3 de março de 2009

A Pertinência do irreal


Ao imaginar futuros, a ficção científica faria de si uma memória de um tempo imaginário, que comunica mais do momento em que foi constituída do que pretende vislumbrar de tempos que, via de regra, jamais se constituirão. E assim nós, no futuro não previsto por esse passado, nosso presente que se volta para ele, podemos ver ao fundo do abismo do tempo um rosto que desejou futilmente fitarnos e no qual reconhecemos um olhar indagador que buscou saber como seríamos.

E, nesse ciclo de olhares, vislumbramos também o quanto o passado pode ser entendido como um espaço imaginário, tal como o presente será receptáculo da imaginação futura, e as eras futuras já o são para os que hoje as imaginam.

A PERTINÊNCIA DO IRREAL: RECONHECENDO FACES INEXPLORADAS NA FICÇÃO ESPECULATIVA - Vidal A. A. Costa [ Download ]

Monteiro Lobato e a ficção científica



Verne e Lobato: em busca de “saber” e “viagem”

Jules Verne foi um dos autores de ficção científica do século XIX mais lidos e imitados no
Brasil.1 O fascínio despertado por suas narrativas, que não somente exploravam as novidades
científicas da época, mas igualmente se passavam num futuro indeterminado, fizeram sonhar
muitos meninos e meninas brasileiros do final do século XIX, entre eles um menino de
Taubaté, José Bento Monteiro Lobato.

Na sua correspondência por mais de 40 anos, com seu amigo de juventude Godofredo Rangel, reunida no livro A Barca de Gleyre, Monteiro Lobato refere-se a Jules Verne em duas cartas (14.05.1907 e 12.01.1910) e no seu universo ficcional, no que se refere à sua literatura infantil, o autor fala, através de suas personagens, da impressão causada pelos livros de Verne. Em Serões de Dona Benta (1935),2 após as aulas de astronomia dadas por Dona Benta quotidianamente, Pedrinho começa a imaginar uma viagem à Lua, fala de Jules Verne e de suas premonições científicas, quase todas já realizadas: “Todos os romances de Júlio Verne são realidade, não são mais fantasia ; porque o livro Da Terra à Lua não iria se realizar?” (p. 169). Pedrinho refere-se ao livro de Jules Verne De la Terre à la Lune, no qual o autor conta a estranha viagem de um dos membros do Gun-Club à Lua.

No entanto, o livro francês nos deixa sem respostas sobre o destino da personagem; Verne parece não poder ultrapassar a linha da ciência e da realidade. Contrariamente ao seu antecessor, Lobato escreveu, sem pudores, sobre o jamais visto e vivido e se aventurou por terrenos “estrangeiros”, fazendo suas personagens, com o simples poder da imaginação, flutuar em plena Via-Láctea, conhecer São Jorge ou encontrar marcianos, no livro Viagem ao Céu de 1932. Nesta aventura, os picapauzinhos colocam em prática as aulas de astronomia e ciência dadas por Dona Benta, tão necessárias aos pequenos “positivistas” lobatianos.

Monteiro Lobato e a ficção científica: a “irradiação” da obra de Jules Verne no romance Choque das Raças ou O Presidente Negro - Flavia Mara de Macedo [ Download ]

segunda-feira, 2 de março de 2009

Bajo el Signo de Alpha - Coletanea Ciencia Ficcion y Fantasia Mexicana

Índice
Náyade
Visión de los vencidos
Se ha perdido una niña
Padre chip
Y3K
Dólares para una ganga
Llegar a la orilla
Perro de Luz
El rescate
Vuelo libre
El Libro de García
Los crímenes que conmovieron al mundo

Bajo el Signo de Alpha - Coletanea Ciencia Ficcion y Fantasia Mexicana [ Download ]

Historia de la Ciencia-Ficcion Moderna - 1911-1971 - Jacques Sadoul



La obra que tiene ante sí es una historia de la ciencia-ficción y nada más. No aspira en absoluto a una comprensión global del género, a un genial esfuerzo de síntesis, a la elaboración de una metafísica. Por otra parte, perdido como me encontraba en el mosaico de los centenares de relatos analizados, me habría resultado muy difícil disponer de una visión de conjunto y poder aplicar a ella una reflexión sintética. Dejo esa tarea a otros, esperando serles de utilidad al entregarles este estudio cronológico, que puede constituir un
punto de partida.

A fin de que el lector no se sienta también perdido en el gran número de títulos citados, esbozaré ahora la evolución de la C-F en los Estados Unidos desde 1911 hasta 1971, y haré otro tanto, referido a Francia, en la segunda parte del libro. Por lo que atañe al mundo anglosajón, he dividido el período considerado en siete capítulos de desigual longitud que me ha parecido corresponden a períodos esenciales en el desarrollo de la C-F. El título de cada
capítulo representa la idea motriz, la clave del período en cuestión.

Fundación (1911-1925): Al principio de este capítulo, explico por qué he elegido el mes de abril de 1911, fecha arbitraria, pero práctica, como se verá.
En realidad, en los países anglosajones la fundación de la C-F moderna comienza
a finales del siglo pasado. Abundan las utopías o contrautopías, y es innumerable la descendencia de Bellamy, por ejemplo. Las imitaciones de H. Rider Haggard invaden la literatura popular, que se encuentra entonces en las Dime novels, es decir, novelas baratas publicadas bajo la forma de pequeñas revistas. Los libros de H. G. Wells han aportado una nueva fuente de inspiración a estos autores populares, que agregarán los viajes por el
tiempo a sus temas habituales. Por último, la influencia de Julio Verne continúa viva y se mezcla frecuentemente en las Dime novels con la de Wells para llegar a la creación de novelas de aventuras con base seudocientífica (inventos delirantes, sabios locos, etc.). Al final de este capítulo, en 1925, tendremos ya toda una literatura de ciencia-ficción moderna o de sciencefantasy perfectamente definida, aunque falta todavía por precisar el uso de estos dos términos. La mejor prueba de ello es que la reedición de numerosas novelas aparecidas en esta época continúa siendo práctica corriente en los Estados Unidos en las colecciones de bolsillo especializadas. En 1925, la ciencia-ficción, tal como la concebimos hoy, se halla ya sólidamente establecida, pero le falta un punto de focalización, un cristalizador, que le permita diferenciarse de otras publicaciones populares con las que estas obras
se encuentran mezcladas.

Cristalización (1926-1933): Al crear en abril de 1926 la primera revista de ciencia-ficción Amazing Stories, Hugo Gernsback será el verdadero padre de la CF moderna en cuanto género separado. Algunos se lo reprocharán, estimando que ha encerrado así a la C-F en un ghetto y le ha cortado todo contacto con la literatura general. Esto es un absurdo, pues la ciencia-ficción de los años 1900-1925 no tenía la menor relación con la literatura general, sino con la novela folletín y las obras populares de más bajo nivel (a excepción, desde luego, de los últimos textos de Wells y London). Sin duda alguna, habría continuado
enmoheciéndose allí durante años, sin esperanza de salir, si Gernsback no la hubiera dotado de autonomía. Según confesión del propio Hugo Gernsback, tres maestros presidirán los destinos de la nueva revista: H. G. Wells, Julio Verne, Edgar Allan Poe. Esto no puede sorprendernos. La Ciencia (o, mejor dicho, las ideas científicas) aparecían como el cimiento de casi todos los textos de esta época. La Máquina, a la vez producto y derivado de la Ciencia, desempeña en ellos un papel preponderante. Por regla general, se halla al servicio del
hombre y le permite conquistar otros mundos u otras dimensiones, pero, a veces,
se vuelve contra él, ya sea por sí misma, ya sea en manos de algún sabio loco.
A partir de 1930, cierto número de nuevos autores utilizarán sus relatos de ciencia-ficción como vehículo de una crítica de la civilización contemporánea. Las clases sociales, el derecho de propiedad, la fuerza del dinero, el poder de los Bancos, la explotación de los trabajadores, etc., comienzan a ser objeto de acusación. Fue éste, sin duda, un fenómeno no previsto por Gernsback y que se ha desarrollado de manera autónoma, quizás, incluso, contra su voluntad. A finales de 1933, la ciencia-ficción sufre su primera mutación, y es esta palabra la
que servirá de título a mi tercer capítulo.

Mutación (1934-1938): Este período se halla influido por la personalidad de F. Orlin Tremaine, redactor jefe de la revista Astounding Stories, creada en enero de 1930. Tremaine no era un aficionado a la ciencia-ficción, sino un profesional de la edición, cuyo espíritu se hallaba extraordinariamente abierto a toda clase de novedades. Su finalidad confesada fue solamente hacer una revista mejor que la de sus dos competidores de entonces. Trató, así, de crear una ciencia-ficción fundada en ideas nuevas, provocadoras; sobre todo, no fijó ningún límite a la clase de temas que aceptaba publicar. Fue así como aparecieron relatos
tomados directamente de la época y criticando el racismo, la xenofobia, el ascenso del totalitarismo nazi, etc., a la manera de puras narraciones de aventuras espaciales o temporales. Llegó, incluso, hasta a abandonar el sacrosanto principio del texto con base científica, aceptando en sus columnas a autores de science-fantasy, tales como H. P. Lovecraft o Catherine L. Moore. Sin embargo, si bien la Ciencia no desempeña ya el primer papel, continúa siendo la aliada del hombre, y la Máquina se convierte en su apoyo para lanzarse hasta los confines de la galaxia e, incluso, como veremos, más allá.

Recolección (1939-1949): La calidad de Astounding Stories y el choque provocado en el público por las ideas de sus autores formarán toda una nueva generación de jóvenes escritores que se revelará entre finales del año 1938 y comienzos de 1940. F. Orlin Tremaine abandonó la dirección de su revista y eligió para sucederle a un joven autor de space opera (es decir, de aventuras espaciales épicas), J. W. Campbell Jr. Éste era un fanático de la C-F y, al mismo tiempo, un espíritu científico que ha seguido cursos avanzados de Física. Dotado
de un temperamento muy autoritario, ejercerá considerable influencia sobre todos
los jóvenes escritores que aparecieron en esa época, pues les exigió relatos mucho más cuidados en cuanto al estilo y basados en elementos científicos más sólidos. Se produjo entonces el apogeo de la ciencia-ficción clásica, que duró hasta 1945: el Homo triomphans, servido por las máquinas amigas y la ciencia fiel, iba a conquistar el Universo. Cuando la bomba atómica fue lanzada sobre Hiroshima, se derrumbó el mito de la ciencia «buena» y amiga del hombre. Esto lo sintieron los autores de ciencia-ficción tanto más cuanto que habían creído sinceramente en ella, más quizá que el conjunto de los intelectuales, con
exclusión de los propios científicos. Surgen entonces numerosos y sombríos relatos de mundos post-atómicos bajo la pluma de autores hasta entonces optimistas: se sabe ya que los sabios locos no son los más peligrosos. Pero Campbell tiene una solución de recambio que proponer: en lugar de servir de vehículo a los mitos de la Ciencia o de cantar las alabanzas de sus máquinas, la ciencia-ficción se dedicará en lo sucesivo a prever el Futuro. La idea era
astuta, pues el mundo de los hombres vivía entonces en el terror del peligro atómico, al haberse instalado la guerra fría entre el Este y el Oeste desde el final de la Segunda Guerra Mundial. ¿Cuál sería en lo sucesivo el futuro del hombre, si es que le quedaba algún futuro? Sin duda, un numeroso público creyó poder encontrar la respuesta a esta pregunta en las revistas de ciencia-ficción, pues a comienzos de los años 50 se multiplicaron de manera considerable, lo que me da el título del capítulo siguiente.

Proliferación (1950-1957): En el espacio de tres años, el número de las revistas de ciencia-ficción va a pasar de una docena a más de cuarenta. Al mismo tiempo, se opera una metamorfosis: los pulps, 12 es decir, las revistas populares de formato bastante grande que habían sucedido a las Dime novéis de principios de siglo, desaparecen y ceden el puesto a los formatos digest. Entre los nuevos títulos, uno de ellos, Galaxy, dirigido por Horace L. Gold, desbancará desde su aparición a todos los títulos antiguos o nuevos. Esta revista ofrece una cienciaficción a la vez más literaria y más adulta sobre temas con frecuencia nuevos;
por ejemplo, el reconocimiento de los derechos cívicos de los androides en la sociedad del futuro. Un tema semejante da por supuesto, evidentemente, el reconocimiento de los derechos cívicos de los negros, y las revistas de C-F son casi los únicos órganos en que será respetada la libertad de expresión en este período de maccarthysmo. La conquista del espacio no es pensada solamente en términos de exploración o de guerra, sino esencialmente desde el punto de vista económico o comercial. En el plano puramente terrestre, además del
peligro atómico, los autores se preocupan de la explosión demográfica, del absurdo de la civilización industrial y de los problemas de la contaminación.
Se está ya en el mañana. Y, luego, en 1957, los rusos envían al espacio el primer sputnik. Gran número de jóvenes aficionados a la C-F (la mayoría del público se sitúa entre los trece y los veinticinco años) se da cuenta entonces con estupor de que las predicciones de los autores de ciencia-ficción se convierten en realidad. Pero el futuro, exaltado por las revistas de
abigarradas portadas bajo los colores de la aventura y de la epopeya, resulta no ser más que una técnica aburrida e impersonal. ¿Por qué seguirse interesando en ella? Y es la recesión, brutal, rápida.

Recesión (1958-1965): En el transcurso de pocos años, el número de revistas descenderá de 41 a 6. Los nuevos autores ignoran deliberadamente la Ciencia o la desprecian. No les parece que la predicción tenga ya interés ni para ellos mismos ni para sus lectores. ¿Hacia qué se volverán en lo sucesivo? Es un período de marasmo desde el punto de vista económico y de
titubeos entre los escritores que perciben la necesidad de abandonar los caminos trillados, pero no ven aún la dirección a tomar. Los ingleses creen encontrar la respuesta en las investigaciones formales de la revista New Worlds. La forma prevalece sobre el fondo, y la calidad del estilo se convierte en su preocupación dominante. Irán incluso más lejos, avanzando sobre las huellas de Raymond Roussel y de los autores de una lejana «vanguardia».13 El camino carecía por sí solo de salida, pero fue fecundo para el conjunto de los autores del género, que comprendieron que los problemas de estilo y de composición debían en lo sucesivo pasar al primer plano de sus preocupaciones. Ésta fue la primera etapa hacia la renovación.

Resurrección (1966-1971): Los autores contemporáneos procuran a partir de entonces, primeramente, escribir buena literatura y, luego, ciencia-ficción. Para ellos, la noción de ciencia queda ya completamente abandonada: es puesta entre paréntesis, relegada al almacén de los accesorios usados. Paralelamente, la science-fantasy, esa mezcla de C-F pura y del género maravilloso o fantástico, que ha sufrido un cierto eclipse durante el período
clásico (a causa de la desaparición de los pulps especializados, Unknown y, luego, Weird Tales), retorna vigorosamente, pero bajo las características de un nuevo estilo más épico, la Heroic-fantasy. Sería por ello erróneo querer simplificar hasta el extremo, como han hecho algunos, pretendiendo reunir en una misma escuela a todos los jóvenes escritores, como había sucedido en Inglaterra. Los grandes antiguos, si puedo decirlo así, y algunos jóvenes
autores de talento escriben todavía ciencia-ficción tradicional; otros autores veteranos y nuevos escritores han superado, por el contrario, una etapa y conciben en lo sucesivo sus obras de ciencia-ficción, no ya como orientadas hacia el futuro, sino como una crítica del presente. Se vuelve a lo que se había intentado en los años 33-37, pero de manera más profundizada, más adulta, más lúcida. El Hombre, que con frecuencia había sido dejado de
lado para ocuparse de los extraterrestres o estudiado solamente desde el punto de vista de sus reacciones a los acontecimientos exteriores, se torna ahora primordial en esta nueva forma de C-F. Su espíritu, sus fantasmas, su inconsciente mismo, son explorados, disecados. Ésta es, por otra parte, la causa de que los viejos aficionados no reconozcan ya el género literario que han amado y consideren estúpida y pretenciosa la ciencia-ficción
contemporánea, mientras que los nuevos lectores admiran solamente las producciones de estos últimos años, considerando polvorientas y caducas todas las antiguallas de antes de la guerra e, incluso, obras más recientes.
Estas dos actitudes son igualmente absurdas y sólo manifiestan el extremismo —es decir, la falta de madurez intelectual— de quienes las doptan. Cada época de la C-F, desde principios de siglo hasta nuestros días, aporta grandes alegrías a quienes saben descubrirlas. Confío en que este estudio será el hilo de Ariadna que le permitirá a usted encontrarlas.

INTRODUCCIÓN
I. EL CAMPO ANGLOSAJÓN
I. Fundación (1911- 1925)
«Argosy» y otros «Munsey magazines»; Weird Tales; Inglaterra.
II. Cristalización (1926 - 1933)
Amazing Stories; Science Wonder Stories; Astounding Stories of Super Science
Argosy; Weird Tales; Otras revistas; Obras aparecidas en librerías, El «Fandom»
III. Mutación (1934 - 1938)
«Astounding Stories»; Amazing Stories; Wonder Stories; Argosy; Weird Tales; Inglaterra; «Fandom»
IV. Recolección (1939 - 1949)
Astounding Science-Fiction; Amazing Stories; Startling Stories y Thrilling Wonder Stories; Otras revistas; Weird Tales; Unknown; Obras aparecidas en librerías; Inglaterra; «Fandom».
V. Proliferación (1950 - 1957)
Galaxy; F & SF; Astounding Science-Fiction; Otras revistas; Obras aparecidas en librerías; «Fandom».
VI. Recesión (1958 - 1965)
Galaxy; If; «F & SF»; Astounding Science-Fiction; Analog; Amazing Science-Fiction; Obras aparecidas en librerías; Inglaterra.
VII. Resurrección (1966 - 1971)
Galaxy; «F & SF»; Analog; Amazing Science-Fiction; New Worlds.
I. EL CAMPO FRANCÉS (1905-1972)
VIII. Ayer....(1905 - 1949)
IX. ....Y mañana (1950 - 1972)
Periodo 1950 - 1955; Segundo periodo 1956 - 1961; Tercer periodo 1962 – 1972.

Historia de la Ciencia-Ficcion Moderna - 1911-1971 - Jacques Sadoul [ Download ]

domingo, 1 de março de 2009

La naranja mecánica exprimida de nuevo



Publiqué la novela A Clockwork Orange en 1962, lapso que debería haber bastado para borrarla de la memoria literaria del mundo. Sin embargo se resiste a ser borrada, y de esto la versión cinematográfica de Stanley Kubrick es la principal responsable.

De buena gana la repudiaría por diferentes razones, pero eso no está permitido. Recibo cartas de estudiantes que tratan de escribir tesis sobre la novela, o peticiones de dramaturgos japoneses para convertirla en una suerte de obra de teatro noh. Así pues, es altamente probable que sobreviva, mientras que otras obras mías que valoro más muerden el polvo. Esta no es una experiencia inusual para los artistas. Rachmaninoff solía lamentarse de que se le conociera principalmente por un Preludio en Do menor sostenido que compuso en la adolescencia, mientras que sus obras de madurez no entraban nunca en los programas.

Los niños afilan sus dientes pianísticos en un Minueto en Sol que Beethoven compuso sólo para poder detestarlo. Tendré que seguir viviendo con La naranja mecánica, y eso significa que me liga a ella un cierto deber de autor. Tengo un deber muy especial hacia ella en los Estados Unidos, y será mejor que explique en qué consiste.

Expondré la situación sin rodeos.

La naranja mecánica nunca ha sido publicada completa en Norteamérica.

El libro que escribí está dividido en tres partes de siete capítulos cada una. Recurra a su calculadora de bolsillo y descubrirá que eso hace un total de veintiún capítulos. 21 es el símbolo de la madurez humana, o lo era, puesto que a los 21 tenías derecho a votar y asumías las responsabilidades de un adulto. Fuera cual fuese su simbología, el caso es que 21 fue el número con el que empecé. A los novelistas de mi cuerda les interesa la llamada numerología, es decir que los números tienen que significar algo para los humanos cuando éstos los utilizan. El número de capítulos nunca es del todo arbitrario.

Del mismo modo que un compositor musical trabaja a partir de una vaga imagen de magnitud y duración, el novelista parte con una imagen de extensión, y esa imagen se expresa en el número de partes y capítulos en los que se dispondrá la obra. Esos veintiún capítulos eran importantes para mí.

Pero no lo eran para mi editor de Nueva York. El libro que publicó sólo tenía veinte capítulos. Insistió en eliminar el veintiuno. Naturalmente, yo podía haberme opuesto y llevar mi libro a otra parte, pero se consideraba que él estaba siendo caritativo al aceptar mi trabajo y que cualquier otro editor de Nueva York o Boston rechazaría el manuscrito sin contemplaciones. En 1961 necesitaba dinero, aun la miseria que me ofrecían como anticipo, y si la condición para que aceptasen el libro significaba también su truncamiento, que así fuera. Por tanto hay una profunda diferencia entre La naranja mecánica que es conocida en Gran Bretaña y el volumen algo más delgado que lleva el mismo título en los Estados Unidos de América.

Sigamos adelante.
El resto del mundo recibió sus ejemplares a través de Gran Bretaña, y por eso la mayoría de las versiones (ciertamente las traducciones francesa, italiana, rusa, hebrea, rumana y alemana) tienen los veintiún capítulos originales. Ahora bien, cuando Stanley Kubrick rodó su película, aunque lo hizo en Inglaterra, siguió la versión norteamericana, y al público fuera de los Estados Unidos le pareció que la historia acababa algo prematuramente. No es que los espectadores exigieran la devolución de su dinero, pero se preguntaban por qué Kubrick había suprimido el desenlace. Muchos me escribieron a propósito de eso; la verdad es que me he pasado buena parte de mi vida haciendo declaraciones xerográficas, de intención y de frustración de intención, mientras que Kubrick y mi editor de Nueva York gozaban tranquilamente de la recompensa por su mala conducta. La vida, por supuesto, es terrible.

¿Oué ocurría en ese vigésimo primer capítulo? Ahora tienen la oportunidad de averiguarlo. En resumen, mi joven criminal protagonista crece unos años. La violencia acaba por aburrirlo y reconoce que es mejor emplear la energía humana en la creación que en la destrucción. La violencia sin sentido es una prerrogativa de la juventud; rebosa energía pero le falta talento constructivo. Su dinamismo se ve forzado a manifestarse destrozando cabinas telefónicas, descarrilando trenes, robando coches y luego estrellándolos y, por supuesto, en la mucho más satisfactoria actividad de destruir seres humanos. Sin embargo, llega un momento en que la violencia se convierte en algo juvenil y aburrido. Es la réplica de los estúpidos y los ignorantes. Mi joven rufián siente de pronto, como una revelación, la necesidad de hacer algo en la vida, casarse, engendrar hijos, mantener la naranja del mundo girando en las rucas de Bogo, o manos de Dios, y quizás incluso crear algo, música por ejemplo. Después de todo Mozart y Mendelssohn compusieron una música celestial en la adolescencia o nadsat, mientras que lo único que hacía mi héroe era rasrecear y el viejo unodós-unodós. Es con una especie de vergüenza que este joven que está creciendo mira ese pasado de destrucción. Desea un futuro distinto.

En el vigésimo capítulo no hay ningún indicio de este cambio. El chico es condicionado y luego descondicionado y contempla con júbilo la recuperación de una voluntad libre y violenta. «Sí, yo ya estaba curado», dice, y así concluyen el libro norteamericano y la película. El capítulo veintiuno concede a la novela una cualidad de ficción genuina, un arte asentado sobre el principio de que los seres humanos cambian. De hecho, no tiene demasiado sentido escribir una novela a menos que pueda mostrarse la posibilidad de una transformación moral o un aumento de sabiduría que opera en el personaje o personajes principales. Incluso los malos bestsellers muestran a la gente cambiando. Cuando una obra de ficción no consigue mostrar el cambio, cuando sólo muestra el carácter humano como algo rígido, pétreo, impenitente, abandona el campo de la novela y entra en la fábula o la alegoría. La Naranja norteamericana o de Kubrick es una fábula; la británica o mundial es una novela.

Pero mi editor de Nueva York veía mi vigésimo primer capítulo como una traición. Era muy británico, blando, y mostraba una renuencia pelagiana a aceptar que el ser humano podía ser un modelo de maldad impenitente. Venía a decir que los norteamericanos eran más fuertes que los británicos y no temían enfrentarse a la realidad. Pronto se verían enfrentados a ella en Vietnam.

Mi libro era kennediano y aceptaba la noción de progreso moral. Lo que en realidad se quería era un libro nixoniano sin un hilo de optimismo. Dejemos que la maldad se pavonee en la página y hasta la última línea y se ría de todas las creencias heredadas, judía, cristiana, musulmana o cualquier otra, y de que los humanos pueden llegar a ser mejores.
Un libro así sería sensacional, y lo es.

Pero no creo que sea una imagen justa de la vida humana.

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Anthony Burgess - Entrevista (The Art of Fiction n°48)

INTERVIEWER
Do you imagine an ideal reader for your books?

BURGESS
The ideal reader of my novels is a lapsed Catholic and failed musician, short-sighted, color-blind, auditorily biased, who has read the books that I have read. He should also be about my age.

INTERVIEWER
A very special reader indeed. Are you writing, then, for a limited, highly educated audience?

BURGESS
Where would Shakespeare have got if he had thought only of a specialized audience? What he did was to attempt to appeal on all levels, with something for the most rare ed intellectuals (who had read Montaigne) and very much more for those who could appreciate only sex and blood. I like to devise a plot that can have a moderately wide appeal. But take Eliot’s The Waste Land, very erudite, which, probably through its more popular elements and its basic rhetorical appeal, appealed to those who did not at rst understand it but made themselves understand it.
The poem, a terminus of Eliot’s polymathic travels, became a starting point for other people’s erudition. I think every author wants to make his audience. But it’s in his own image, and his primary audience is a mirror.

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