sábado, 21 de março de 2009

Os nove bilhões de nomes de Deus - Arthur C. Clarke



–- Este é um pedido um tanto estranho –- disse o doutor Wagner, com o que esperava poderia ser um comentário plausível. –- Que eu me lembre, é a primeira vez que alguém pede um computador de seqüência automática para um monastério tibetano. Eu não gostaria de me mostrar inquisitivo, mas me custa pensar que em seu... hum... estabelecimento, existam aplicações para semelhante máquina. Poderia me explicar o que tentam fazer com ela?

–- Com muito prazer –- respondeu o lama, arrumando a túnica de seda e deixando cuidadosamente a um lado a régua de cálculo que tinha usado para efetuar a equivalência entre as moedas. –- Seu ordenador Mark V pode efetuar qualquer operação matemática rotineira que inclua até dez cifras. Entretanto, para nosso trabalho estamos interessados em letras, não em números. Quando tiverem sido modificados os circuitos de produção, a máquina imprimirá palavras, não colunas de cifras.

–- Não compreendo...

–- É um projeto em que estivemos trabalhando durante os últimos três séculos; de fato, desde que se fundou o lamaísmo. É algo estranho para seu modo de pensar; assim espero que me escute com a mente aberta, enquanto explico.

–- Naturalmente.

–- Na realidade, é muito singelo. Estivemos recolhendo uma lista que conterá todos os possíveis nomes de Deus.

–- O que quer dizer?

–- Temos motivos para acreditar –- continuou o lama, imperturbável –- que todos esses nomes se podem escrever com não mais de nove letras em um alfabeto que idealizamos.

–- E estiveram fazendo isto durante três séculos?

–- Sim; achávamos que nos custaria ao redor de quinze mil anos completar o trabalho.

–- Oh! –- exclamou o doutor Wagner, com expressão um tanto aturdida. –- Agora compreendo por que quiseram alugar uma de nossas maquinas. Mas qual é exatamente a finalidade deste projeto?

O lama vacilou durante uma fração de segundo e Wagner se perguntou se o tinha ofendido.
Em todo caso, não houve rastro alguma de zanga na resposta.

–- Chame-o de ritual, se quiser, mas é uma parte fundamental de nossas crenças. Os numerosos nomes do Ser Supremo que existem: Deus, Jehová, Alá, etcétera, só são etiquetas feitas pelos homens. Isto encerra um problema filosófico de certa dificuldade, que não me proponho discutir, mas em algum lugar entre todas as possíveis combinações de letras que se podem fazer estão os que se poderiam chamar de verdadeiros nomes de Deus. Mediante uma permutação sistemática das letras, tentamos elaborar uma lista com todos esses possíveis nomes.

–- Compreendo. começaram com o AAAAAAA... e continuaram até o ZZZZZZZ...

–- Exatamente, embora nós utilizemos um alfabeto especial próprio. Modificando os tipos eletromagnéticos das letras, arruma-se tudo; e isto é muito fácil de fazer. Um problema bastante mais interessante é o de desenhar circuitos para eliminar combinações ridículas. Por exemplo, nenhuma letra deve figurar mais de três vezes consecutivas.

–- Três? Certamente você quer dizer dois.

–- Três é o correto. Temo que me ocuparia muito tempo explicar o por que, mesmo que você entendesse nossa língua.

–- Estou seguro disso –- disse Wagner, apressadamente –- Continue.

–- Por sorte, será fácil adaptar seu computador de seqüência automática a esse trabalho, posto que, uma vez sendo programado adequadamente, permutará cada letra por turno e imprimirá o resultado. O que iria demor quinze mil anos se poderá fazer em cem dias.

O doutor Wagner ouvia os débeis ruídos das ruas de Manhattan, muito abaixo. Estava em um mundo diferente, um mundo de montanhas naturais, não construídas pelo homem. Nas remotas alturas de seu longínquo país, aqueles monges tinham trabalhado com paciência, geração após geração, enchendo suas listas de palavras sem significado. Havia algum limite às loucuras da humanidade? Não obstante, não devia insinuar seus pensamentos.
O cliente sempre tinha razão...

–- Não há dúvida –- replicou o doutor –- de que podemos modificar o Mark V para que imprima listas deste tipo. Mas o problema da instalação e a manutenção já me preocupa mais. Chegar ao Tibet nos tempos atuais não vai ser fácil.

–- Nos encarregaremos disso. Os componentes são bastante pequenos para podermos transportar de avião. Este é um dos motivos de ter eleito sua máquina. Se você pode fazer chegar à Índia, nós proporcionaremos o transporte dali em diante.

–- E querem contratar dois de nossos engenheiros?

–- Sim, para os três meses que se supõe que dure o projeto.

–- Não duvido de que nossa seção de pessoal lhes proporcionará as pessoas idôneas. –- O doutor Wagner fez uma anotação na caderneta que tinha sobre a mesa –- há outras duas questões –- antes de que pudesse terminar a frase, o lama tirou uma pequena folha de papel.

–- Isto é o saldo de minha conta do Banco Asiático.

–- Obrigado. Parece ser... hum... adequado. A segunda questão é tão corriqueira que vacilo em mencioná-la... mas é surpreendente a freqüência com que o que consideramos óbvio acaba nos atrapalhando. Que fonte de energia elétrica vocês tem?

–- Um gerador diesel que proporciona cinqüenta kilowatts a cento e dez volts. Foi instalado faz uns cinco anos e funciona muito bem. Faz a vida no monastério muito mais cômoda, mas, certamente, na realidade foi instalado para proporcionar energia aos alto-falantes que emitem as preces.

–- Certamente –- admitiu o doutor Wagner. –- Devia ter imaginado.

A vista do parapeito era vertiginosa, mas com o tempo se acostuma a tudo.

Depois de três meses, George Hanley não se impressionava pelos dois mil pés de profundidade do abismo, nem pela visão remota dos campos do vale semelhantes a quadrados de um tabuleiro de xadrez. Estava apoiado contra as pedras polidas pelo vento e contemplava com displicência as distintas montanhas, cujos nomes nunca se preocupou de averiguar.
Aquilo, pensava George, era a coisa mais louca que lhe tinha ocorrido jamais.

O “Projeto Shangri-Lá”, como alguém o tinha batizado nos longínquos laboratórios.
Por semanas o Mark V estava produzindo quilômetros de folhas de papel cobertas de galimatias.
Pacientemente, inexoravelmente, o computador ia dispondo letras em todas suas possíveis combinações, esgotando cada classe antes de começar com a seguinte.
Quando as folhas saíam das máquinas de escrever electromáticas, os monges as recortavam cuidadosamente e as pregavam a uns livros enormes. Uma semana mais e, com a ajuda dos céus, teriam terminado. George não sabia que obscuros cálculos tinham convencido aos monges de que não precisavam preocupar-se com as palavras de dez, vinte ou cem letras.

Um de seus habituais quebra-cabeças era que se produzisse alguma mudança de plano e que o grande lama (a quem eles chamavam Sam Jaffe, embora não lhe parecesse absolutamente) anunciasse de repente que o projeto se estenderia aproximadamente até o ano 2060 da Era Cristã. Eram capazes de uma coisa assim.

George ouviu que a pesada porta de madeira se fechava de repente com o vento ao tempo que Chuck entrava no parapeito e parava ao seu lado. Como de costume, Chuck ia fumando um dos charutos puros que lhe tinham feito tão popular entre os monges que, parece, estavam completamente dispostos a adotar todos os menores e grande parte dos maiores prazeres da vida. Isto era uma coisa a seu favor: podiam estar loucos, mas não eram tolos.
Aquelas freqüentes excursões que realizavam à aldeia abaixo, por exemplo...

–- Escuta, George –- disse Chuck, com urgência. –- Soube algo que pode significar um desgosto.

–- O que aconteceu? A máquina não funciona bem? –- Esta era a pior contingência que George podia imaginar. Era algo que poderia atrasar a volta e não havia nada mais horrível. Tal como se sentia ele agora, a simples visão de um anúncio de televisão lhe pareceria um maná caído do céu. Pelo menos, representaria um vínculo com sua terra.

–- Não, não é nada disso. –- Chuck se instalou no parapeito, o que não era habitual nele, porque normalmente lhe dava medo o abismo. –- Acabo de descobrir qual é o motivo de tudo isto.

–- O que quer dizer? Eu pensava que sabíamos.

–- Certo, sabíamos o que os monges estão tentando fazer. Mas não sabíamos por que. É a coisa mais louca...

–- Isso eu imagino –- grunhiu George.

–- ...mas o velho me acaba de falar claramente. Sabe que ele aparece a cada tarde para ver como vão saindo as folhas. Pois bem, desta vez parecia bastante excitado ou, pelo menos, mais do que está acostumado a estar normalmente. Quando lhe disse que estávamos no ultimo ciclo, me perguntou, nesse sotaque inglês tão fino que tem, se eu tinha pensado alguma vez no que tentavam fazer. Eu disse que eu gostaria de sabê-lo... e então me explicou.

–- Continua; estou entendendo.

–- O caso é que eles acreditam que quando tiverem feito a lista de todos os nomes, e admitem que há uns nove trilhões, Deus terá alcançado seu objetivo. A raça humana terá acabado aquilo para o qual foi criada e não terá sentido algum continuar. Certamente, a idéia é algo assim como uma blasfêmia.

–- Então que esperam que façamos? Suicidarmo-nos?

–- Não há nenhuma necessidade disto. Quando a lista estiver completa, Deus entra em ação, acaba com todas as coisas!

–- Oh, já compreendo! Quando terminarmos nosso trabalho, será o fim do mundo.

Chuck deixou escapar uma risadinha nervosa.
–- Isto é exatamente o que disse ao Sam. E sabe o que ocorreu? Olhou-me de um modo muito estranho, como se eu tivesse cometido alguma estupidez e disse: “Não se trata de nada tão corriqueiro como isso”.

George pensou durante um momento.
–- Isto é o que eu chamo de uma visão ampla do assunto –- disse depois. –- Mas o que supõe que deveríamos fazer a respeito? Não vejo que isso faça a mínima diferença para nós. Afinal já sabíamos que estavam loucos.

–- Sim... mas não percebe o que se pode acontecer? Quando a lista estiver acabada e o plano final não der certo, ou não ocorrer o que eles esperam, seja o que for, podem-nos culpar do fracasso. É nossa máquina que estiveram usando. Esta situação eu não gosto nem um pouco.

–- Compreendo –- disse George, lentamente. –- Há nisso um certo interesse. Mas esse tipo de coisas ocorreu outras vezes. Quando eu era um menino, lá em Louisiana, tínhamos um pregador louco que uma vez disse que o fim do mundo chegaria no domingo seguinte. Centenas de pessoas acreditaram e algumas até venderam suas casas. Entretanto, quando nada aconteceu, não ficaram furiosos, como se pode esperar. Simplesmente, decidiram que o pregador tinha cometido um engano em seus cálculos e seguiram acreditando. Parece-me que alguns deles acreditam ainda.

–- Bom, mas isto não é Louisiana, se por acaso ainda não deu conta. Nós não somos mais que dois e monges há a centenas aqui. Eu tenho consideração por eles e sentirei pena pelo velho Sam quando vir seu grande fracasso. Mas de todo modo, eu gostaria de estar em outro lugar.

–- Isso eu estive desejando durante semanas. Mas não podemos fazer nada até que o contrato tenha terminado e cheguem os transportes aéreos para nos levar. Claro que –- disse Chuck, pensativamente –- sempre poderíamos tentar uma ligeira sabotagem.

–- E isso só pioraria as coisas.

–- O que eu quis dizer não foi isso. Olha -- Funcionando as vinte e quatro horas do dia, tal como está fazendo, a máquina terminará seu trabalho dentro de quatro dias a partir de hoje. O transporte chegará dentro de uma semana. Pois bem, tudo o que precisamos fazer é encontrar algo que tenha que ser reparado, quando fizermos uma revisão; algo que interrompa o trabalho durante um par de dias. Nós consertaremos, certamente, mas não com muita pressa. Se calcularmos bem o tempo, poderemos estar no aeródromo quando o último nome ficar impresso no registro. Então já não nos poderão agarrar.

–- Não gosto da idéia –- disse George. –- Seria a primeira vez que abandonei um trabalho. Além disso, faria-lhes suspeitar. Não; vamos ficar e aceitar o que vier.

–- Ainda não gosto dessa disso –- disse ele, sete dias mais tarde, enquanto os pequenos mas resistentes cavalinhos de montanha os levavam para baixo, serpenteando pela estrada. –- E não pense que fujo porque tenho medo. O que passa é que sinto pena desses infelizes e não quero estar junto deles quando perceberem quão tolos foram. Pergunto-me como vai ser com Sam.

–- É curioso –- replicou Chuck –- mas quando lhe disse adeus, tive a sensação de que ele sabia que nós partíamos e que não lhe importava, porque sabia também que a máquina funcionava bem e que o trabalho ficaria muito em breve acabado. depois disso... claro que, para ele, já não há nenhum depois...

George se voltou na cadeira e olhou para trás, atalho acima.
Era o último sítio de onde se podia contemplar com claridade o monastério. A silhueta dos achaparrados e angulares edifícios se recortava contra o céu crepuscular: aqui e alí se viam luzes que resplandeciam como as janelas do flanco de um transatlântico. Luzes elétricas, certamente, compartilhando o mesmo circuito que o Mark V. Quanto tempo seguiriam compartilhando?, perguntou-se George. Destroçariam os monges o computador, levados pelo furor e o desespero? Ou se limitariam a ficar tranqüilos e começariam de novo todos seus cálculos?

Sabia exatamente o que estava passando no alto da montanha naquele mesmo momento.
O grande lama e seus ajudantes estariam sentados, vestidos com suas túnicas de seda e inspecionando as folhas de papel, enquanto os monges principiantes as tiravam das máquinas de escrever e as pregavam aos grandes volumes.
Ninguém diria uma palavra.
O único ruído seria o incessante golpear das letras sobre o papel, porque o Mark V era por si completamente silencioso, enquanto efetuava seus milhares de cálculos por segundo.
Três meses assim, pensou George, era para subir pelas paredes.

–- Ali está! –- gritou Chuck, assinalando abaixo para o vale. –- Não é belo!?
Certamente era, pensou George. O velho DC3 estava no final da pista, como uma pequena cruz de prata. Dentro de duas horas os estaria levando para a liberdade e a sensatez.
Era algo assim como saborear um licor de qualidade. George deixou que o pensamento lhe enchesse a mente, enquanto o cavalinho avançava pacientemente para baixo.

A rápida chegada da noite nas alturas do Himalaia quase lhes caia em cima. Felizmente, o caminho era muito bom, como a maioria dos da região e eles foram equipados com lanternas.
Não havia o mais ligeiro perigo: só certo desconforto causado pelo intenso frio. O céu estava perfeitamente iluminado pelas familiares e amistosas estrelas. Pelo menos, pensou George, não haveria risco de que o piloto não pudesse decolar por conta das condições do tempo.
Esta tinha sido sua ultima preocupação.

Ficou a cantar, mas deixou disso logo. O vasto cenário das montanhas, brilhando por toda parte como fantasmas brancos e encapuzados, não o animava a cantar.
De repente, George consultou seu relógio.
–- Estaremos lá dentro de uma hora –- disse voltando-se para Chuck. Depois, pensando em outra coisa, acrescentou: –- Pergunto-me se o ordenador terá terminado seu trabalho. Estava calculado para esta hora.

Chuck não respondeu; assim George se voltou completamente para si. Pôde ver a cara do Chuck; era um oval branco voltado para o céu.

–- Olhe –- sussurrou Chuck; George elevou a vista para o espaço.

Sempre há uma última vez para tudo.
Viram sem nenhuma comoção... as estrelas estavam apagando-se.



FIM

- x -

Esta história foi escrita, na falta de algo melhor para fazer num final de semana chuvoso no Hotel Roosevelt. J. B. S. Haldane (famoso geneticista e biólogo britânico) disse sobre ela: "Você é uma das poucas pessoas vivas que escreveu algo original sobre Deus. Se você se propusesse a escrever uma hipótese teológica, você poderia ser um sério problema público."
Estou satisfeito em permanecer um profeta, com 'p' minúsculo,
Todavia, parece que criei um mito duradouro: não faz muito tempo, um programa de rádio da BBC, se referiu a primeira parte desta história como um fato atual. Computadores da IBM estariam entrando no campo dos estudos bíblicos, talvez este tema esteja se aproximado um pouquinho da realidade.
The Nine Billion Names of God (1953) - Arthur C. Clarke

Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source com a intenção de facilitar o acesso ao conhecimento a quem não pode pagar e também proporcionar aos Deficientes Visuais a oportunidade de conhecerem novas obras. Se quiser outros títulos nos procure Viciados em Livros, será um prazer recebê-lo em nosso grupo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Essas estrelas são nossas - Poul Anderson


Invasão! Os seres que vêm do espaço cósmico já conquistaram, saquearam, escravizaram as civilizações de inúmeras galáxias no seu avanço arrasador. Agora chegou a vez do sistema solar!
Só Flandry, a tripulação humanóide de sua espaçonave, além de Kit, a espiã loura do planeta condenado, podem salvar o mundo dos humanos!
Mas como derrubar o líder dos invasores que é um gênio telepata?

Essas estrelas são nossas - Poul Anderson [ Download ]

A mágoa de Odin - Poul Anderson


Ao crepúsculo, o vento soprava quando a porta se abriu.

Os fogos que ardiam ao longo do salão cintilaram nos seus sulcos; as chamas ondularam efluíram dos candeeiros de pedra; o fumo acre rolava dos orifícios no tecto por onde deveria ter saído.

Esta repentina luminosidade refletia-se nas pontas das lanças, dos machados, nas bainhas das espadas, nos ornamentos dos escudos, nas ara-mas guardadas perto da entrada.

Os homens que enchiam aquela grande sala, ficaram imóveis e atentos, tal como as mulheres que distribuíam os chifres de cerveja.

Eram os deuses esculpidos nos pilares que pareciam mover-se por entre as sombras inquietas. O pai Tiwaz, o maneta, Donar do Machado e os Cavaleiros Gêmeos - eles e as bestas e os heróis e os
ramos entretecidos gravados no lambril. Uuuu... gemia o vento, um ruído gélido como ele próprio.

Hathawulf e Solbem entraram. A mãe, Ulrica, estava no meio deles e a expressão da sua cara era não menos terrível que a expressão dos seus filhos. Os três pararam por um breve momento, mas demasiado longo para aqueles que aguardavam as suas palavras.
Então, Solbern fechou a porta enquanto Hathawulf dava uns passos em frente e levantava o seu
braço direito. O silêncio abateu--se sobre o salão, a não ser pelo estalar dos fogos e os bafos agitados.

No entanto, foi Alawin quem falou primeiro. Levantando-se do seu banco, a figura frágil, tremendo, gritou:
-Então, iremos vingar-nos! - a voz falhou-lhe; tinha apenas quinze-Invernos.

A mágoa de Odin (O Patrulheiro do Tempo) -Poul Anderson [ Download ]

quinta-feira, 19 de março de 2009

A fazenda blackwood - Anne Rice


Bem-vindos à Fazenda Blackwood.

Imensas colunas brancas, salas de estar espaçosas, jardins banhados pelo sol e uma faixa escura do fechado pântano de Sugar Devil.

Este é o mundo de Quinn Blackwood, um jovem assombrado desde o nascimento por um misterioso duplo, seu alter ego, um espírito conhecido como Goblin, entidade de um mundo onírico do qual Quinn não consegue escapar, e que o impede de integrar-se ao que quer que seja.

Ao tornar-se vampiro, Quinn perde tudo que era seu por direito e ganha uma imortalidade indesejada e seu duplo se torna mais vampiresco e aterrador do que o próprio Quinn.

Enquanto a história avança e recua no tempo, desde a infância de Quinn na Fazenda Blackwood até os dias de hoje em Nova Orleans, da antiga Pompéia a Nápoles do século XIX, Quinn sai em busca do lendário vampiro Lestat, na esperança de livrar-se do espectro que o atrai inexoravelmente de volta ao pântano de Sugar Devil e ao explosivo segredo que oculta.

Tal como A hora das bruxas, A Fazenda Blackwood é a saga de uma família, seus dramas e segredos, seus sonhos de juventude e promessas.

Uma história da perda e da procura do amor, dos mistérios e do destino, em que Anne Rice supera-se em descrições de cenários macabros, casarões sinistros e a lascívia que motiva seus sugadores de sangue e impulsiona suas narrativas fantasmagóricas.

E Anne Rice na plenitude de seu estilo.


A fazenda blackwood - Anne Rice [ Download ]

Sombras da noite - Stephen King


A máquina de passar roupa - The Mangler [movie adaptation]
A mulher no quarto - The Woman in the Room
A saideira - One for the Road
As crianças do milharal - Children of the Corn [movie adaptation]
Caminhões - Trucks [movie adaptation "Trucks", "Maximum Overdrive"]
Campo de batalha - Battleground
Espuma noturna - Night Surf
Eu sou o umbral da porta - I Am the Doorway
Ex-fumantes ltda - Quitters, Inc. [movie adaptation "Cat's Eye"]
Jerusalem's Lot - Jerusalem's Lot
Matéria cinzenta - Gray Matter
O fantasma - The Boogeyman
O homem que adorava flores - The Man Who Loved Flowers
O homen do cortador de gramas - The Lawnmower Man
O ressalto - The Ledge [movie adaptation "Cat's Eye"]
O último degrau da escada - The Last Rung on the Ladder
Primavera vermemelha - Strawberry Spring
Sei o que você precisa - I Know What You Need
Turno do cemitério - Graveyard Shift [movie adaptation]
Às vezes eles voltam - Sometimes They Come Back [movie adaptation]

Sombras da noite - Night Shift (1978) - Stephen King [ Download ]

quarta-feira, 18 de março de 2009

Espadas de Marte - Edgar Rice Burroughs


Prólogo

A lua tinha aparecido por cima do bordo do canhão próximo às fontes do Pequeno Avermelhado. Banhava com uma luz tênue os leitos que bordeaban a ribeira da pequena corrente da montanha e os álamos, sob os quais se encontrava a pequena cabana onde eu levava várias semanas acampado nas Montanhas Brancas do Arizona.

Encontrava-me no alpendre da pequena cabana, desfrutando da suave beleza da noite do Arizona e, ao contemplar a paz e serenidade da cena, me parecia impossível que só uns poucos anos atrás o feroz e temível Jerónimo tivesse estado neste mesmo lugar, diante desta mesma cabana, ou que, gerações atrás, uma raça agora extinta tivesse povoado aquele canhão aparentemente deserto.

Tinha procurado em suas cidades em ruínas o segredo de sua origem e o ainda mais estranho secreto de sua extinção. Como eu gostaria que aqueles desmoronados escarpados de lava pudessem falar e me contar tudo o que tinham presenciado desde que brotaram como arroios incandescentes dos frios e silenciosas crateras que salpicavam a meseta que se elevava mais à frente do canhão!

Meus pensamentos voltaram de novo para o Jerónimo e a seus ferozes guerreiros, e estas erráticas reflexões me fizeram recordar ao capitão John Carter da Virginia, cujo corpo inerte tinha descansado durante dez largos anos em uma cova esquecida de umas montanhas situadas não muito longe daqui, para o sul..., a cova onde escondeu-se de seus perseguidores índios apaches.

Seguindo o caminho de meus pensamentos, esquadrinhei os céus com o olhar até descobrir o olho encarnado de Marte brilhando no vazio negro azulado; assim pois, Marte estava presente em meus pensamentos quando voltei para minha cabana a me preparar para uma boa noite de descanso sob as susurrantes folhas dos álamos, cuja suave e hipnótica canção de ninar se misturava com o gorgoteante murmúrio das águas do Pequeno Avermelhado.

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Tarzan no Centro da Terra - Edgar Rice Burroughs

Prefácio

Pellucidar, como é do conhecimento de todos os estudantes, significa, antes de mais nada, um mundo dentro do outro, localizado, como de fato está, no interior da superfície externa da esfera oca que é o nosso planeta, a Terra.

E esse mundo foi descoberto ocasionalmente por David Innes e Abner Perry, quando empreenderam uma viagem experimental a bordo de uma aeronave, idealizada por Perry, com o objetivo de descobrir novas jazidas de antracito (tipo de carvão fóssil). Devido à inabilidade dos exploradores em desviar o bico da nave, depois de começarem a descida em direção à crosta terrestre, percorreram oitocentos quilômetros na vertical, até que, no terceiro dia de viagem, quando Perry já se encontrava inconsciente pela falta de oxigênio, devido ao consumo de toda a reserva que levava, e quando David Innes já começava, também, a perder a lucidez, chegaram à face interna da Terra e a cabina de comando foi imediatamente invadida pelo ar fresco que trouxe pronta recuperação aos tripulantes.

Nos anos que se seguiram, estranhas e inconcebíveis aventuras sobrevieram aos dois exploradores. Perry nunca retornou à crosta externa do nosso planeta, e David voltou apenas uma vez, utilizando-se da mesma aeronave, numa viagem difícil e perigosa, a fim de trazer ao império que fundara, no mundo interior, meios de progresso e desenvolvimento de seus primitivos súditos, criaturas humanas que ainda estavam em plena Idade da Pedra, em relação ao adiantamento do mundo civilizado do século XX.

No entanto, devido às constantes lutas contra as feras e os répteis pré-históricos, bem como contra certas tribos de homens ainda mais primitivos do que os acima mencionados, o avanço do império de Pellucidar, no sentido da civilização, foi muito pequeno. E considerando a vastidão da área que compreendia o mundo interno, mais os milhares de anos que separavam seus habitantes dos de nosso mundo civilizado, David Innes e Abner Perry, por mais que fizessem, no sentido de fazer o povo progredir e se adiantar, representavam uma gota d’água num oceano.
Se atentarmos para o fato de que as áreas de terra e as áreas de água, na superfície de Pellucidar, estão situadas em oposição às mesmas áreas do mundo exterior em que vivemos, poderemos ter uma vaga idéia da extensão desse mundo dentro do nosso.

A área de terra da crosta externa do nosso planeta compreende cinqüenta e três milhões de milhas quadradas... (137.270.000 km2), ou seja, um quarto da área total da superfície da Terra. No entanto, em Pellucidar, três quartos de sua superfície são constituídos de terras, daí as florestas, as selvas, as montanhas e as planícies se estenderam interminavelmente por mais de 124.110.000 milhas quadradas...(321.444.900 km2), sendo que os oceanos ocupam apenas 41.370.000 milhas quadradas (107.148.300 km2).

Se considerarmos apenas as áreas de terra, encontraremos uma estranha anomalia de um mundo maior dentro de um mundo menor. Mas Pellucidar é um mundo à parte, um mundo de exceção, uma espécie de desvio do que nós, da face exterior da Terra, acabamos por aceitar como inalteráveis leis da Natureza.

Exatamente no centro daquele mundo interno, ergue-se o sol de Pellucidar, uma pequena esfera comparada com o nosso sol, mas o suficiente para iluminar Pellucidar e infiltrar seus raios através das frondosas e milenares árvores que povoam suas selvas e suas florestas. E aquele sol eternamente a pino não permite que haja noite em Pellucidar, e sim um meio-dia infindável.
Não havendo estrelas e nenhum movimento aparente do sol, Pellucidar não tem bússola. Não tem horizonte, uma vez que a sua superfície é em curva para cima, em todas as direções, esteja onde estiver o observador. Assim sendo, acima da linha dos olhos, as planícies, ou os mares, ou as cordilheiras de montanhas são em ascensão, desaparecendo na distância. E num mundo onde não existe movimento de sol, onde não existem estrelas nem lua, o tempo também não existe, dentro dos moldes do mundo civilizado da crosta externa. E num mundo onde o tempo não conta, não há estes constantes apelos e lembretes da face exterior do nosso planeta: “Tempo é dinheiro!” — “O Tempo é a alma do mundo!” — “O Tempo é a essência dos contratos!” — etc.

No passado, por três vezes, nós, do mundo civilizado, recebemos comunicações de Pellucidar. Sabemos que o primeiro presente de civilização foi dado aos pellucidarianos por Abner Perry, sob a forma da pólvora. Depois foram as espingardas de repetição, pequenos navios de guerra, sobre os quais eram montados canhões de pequeno calibre, e finalmente soubemos que ele chegara a montar um rádio.

Sendo Perry mais intuitivo do que propriamente um técnico, não nos surpreendeu o fato de que seu rádio não pudesse ser sintonizado em qualquer onda conhecida ou em ondas longas do mundo exterior, e ficou para Jason Gridley de Tarzana o privilégio de captar a primeira mensagem de Pellucidar, através da Onda Gridley, uma descoberta sua.

E as últimas palavras de Abner Perry, antes que suas mensagens deixassem de ser captadas, foram em relação a David Innes, primeiro Imperador de Pellucidar, que se encontrava preso numa masmorra, nas terras dos Korsars, muito distante, por mar ou por terra, de sua amada terra de Sari, situada sobre imenso platô, na região próxima ao oceano de Lural Az.

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terça-feira, 17 de março de 2009

Espaçonave Orion - 5 livros

Livro 1
A esse tempo, a Terra já dominava uma vasta área no universo, onde muitas culturas proliferavam. O major McLane era o comandante do cruzador Orion VII e, juntamente com sua equipe, já conseguira inúmeras vitórias para Terra. No entanto, ao se aproximarem de MZ-4, a estação retransmissora, a Orion percebe os estranhos sinais por ela emitidos; e aí se inicia mais uma dura prova para a tripulação da Orion VII.



Livro 2
A nave Orion VII, sob o comando do major Cliff, passaria por uma terrível prova de fogo... Desta vez, a missão era destruir o planeta teleguiado que se chocaria com a Terra. As dificuldades se tornam gigantescas pois, por trás dos acontecimentos, estão os poderosos seres extraterranos.




Livro 3
A mina da colônia Alpha Vinte e Um não estava mais produzindo o importante minério... Desobedecendo a uma ordem, Cliff tenta solucionar este mistério. Porém, ao pousar, surgem as complicações: os robôs estavam amotinados!



Livro 4
Ao descobrir que impulsos hipnóticos transformavam os comandantes das naves em perfeitas marionetes, McLane teria pela frente um enigma... E, em pleno hiperespaço, a Orion travaria uma batalha contra o sugestor desconhecido!



Livro 5
No ano de 1955, um cientista de nome Baade descobriu que uma pequena estrela, designada por Ross 614A, possuía um satélite. Esse sol, um anão vermelho, distava do sol terrano treze anos-luz, enquanto seu satélite orbitava em torno dele a uma distância de cerca de 600 milhões de quilômetros, o que correspondia à distância entre o sol terrano e o planeta Júpiter.
O satélite recebeu o nome de Ross 614B.
A massa total desse satélite equivalia a oito centésimos da massa solar, e sua capacidade luminosa era 63 mil vezes mais fraca que a do sol de Terra. As reações termonucleares no interior de Ross 614B eram responsáveis pela elevada temperatura na sua superfície, que era de 985 graus centígrados. O sol e seu satélite cintilante foram catalogados, e constituíram o tema de vários trabalhos na literatura especializada, uma vez que representavam um exemplo raro das relações entre sol e planeta. Foram incluídos no manual, recebendo um longo número de catálogo, seguido das suas coordenadas hiperespaciais.
Obtiveram uma certa notoriedade durante a 2.a guerra interestelar quando, nas imediações dessa estrela, se realizou um combate entre quatro naves de Terra e cinco unidades da Federação. Duas naves inimigas, fortemente atingidas, fugiram para o espaço livre e foram dadas como desaparecidas.
Depois desse incidente, Ross 614A e Ross 614B caíram no mais completo esquecimento.
Treze anos-luz... a posição situava-se inequivocamente dentro da primeira zona de distância de 45 parsec. Coordenadas: Um/sul 019.
Ninguém mais se lembrava do anão vermelho e seu satélite escaldante. E ninguém fazia a menor idéia da sorte daquelas grandes naves, que tinham fugido após o combate. Não havia quem se dirigisse voluntariamente àquela região.
Mais tarde, porém, tudo isso voltaria à lembrança, causando a maior consternação.



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segunda-feira, 16 de março de 2009

Os Meninos do Brasil - Ira Levin


Na noite de sexta-feira, 31 de janeiro, Mengele usava o nome Mengele.
Voara com os seus guarda-costas para Florianópolis, na ilha de Santa Catarina, mais ou menos a meio caminho entre São Paulo e Porto Alegre, onde, no salão de festas do Hotel Novo Hamburgo, decorado para a ocasião com suásticas e flâmulas vermelhas e negras, os Filhos do Nacional-
Socialismo davam um jantar-dançante a cem cruzeiros por cabeça.

Que emoção quando Mengele apareceu! Os nazistas importantes, os que haviam desempenhado papéis de grande importância no Terceiro Reich e eram conhecidos no mundo todo, costumavam mostrar-se esnobes com relação aos Filhos, recusando os seus convites sob pretexto de doença e fazendo comentários irritadiços a respeito do seu líder, Hans Stroop (que, até mesmo os Filhos reconheciam, às vezes excedia-se na sua imitação de Hitler).

Mas ali estava o próprio Herr Doktor Mengele, em pessoa e de dinner jacket branco, apertando mãos, beijando rostos, sorrindo, rindo, repetindo novos nomes.
Que gentileza a sua de vir!
E como parecia saudável e feliz!

Os Meninos do Brasil - Ira Levin [ Download ]

O Bebê de Rosemary - Ira Levin


Aquelas velas pretas que Minnie tinha trazido na noite da falta de energia elétrica tinham chamado de tal maneira a atenção de Hutch, que passara a se interessar e fazer indagações sobre o casal. Será que desconfiava de Roman e Minnie fossem, como dizia o livro, bruxos? Minnie com suas ervas e seu talismã de tannis? Roman com seu olhar perfurante? Mas que bobagem!

Bruxarias não existiam mais. Ou existiriam?

Lembrou-se então do resto do recado de Hutch: “O nome é um anagrama”. Tentou várias combinações com o nome do livro. Era difícil, pois as letras eram tantas que criavam a maior confusão. Precisaria de lápis e papel, ou melhor, do jogo de palavras cruzadas.
Foi buscar a caixa do jogo, tornou a sentar-se ao lado da janela e separou as pedrinhas com as letras que formavam o título do livro. O bebê já vai nascer jogando cruzadas, pensou Rosemary.
— Fique quietinho aí dentro.

Tentou várias combinações; primeiro com o nome do livro. Como nenhuma fazia sentido, pegou novas peças, agora para formar o nome do autor.

O nenê deu um pontapé vigoroso.
Começou a fazer um anagrama com o nome do autor, só conseguindo de J. R. Hanslet formar Jan Shrelt ou J. H. Snartle. Coitado de Hutch! Devia estar bem ruinzinho...

Pegou novamente a caixa do jogo e guardou as pedrinhas. Pegou o livro, que continuava a seu lado e abrira-se a esmo. Abrira-se na página que mostrava a foto de Adrian Marcato e sua família. Talvez Hutch tivesse forçado a encadernação, quando sublinhou o nome Steven.
O nenê estava agora completamente imóvel.

Rosemary tirou da caixa do jogo as letras que formavam o nome Steven Marcato.
Arrumou-as na ordem e depois, sem hesitação, mudou a posição das pedrinhas e olhou o resultado: Roman Castevet.

Fez nova transposição: Steven Marcato.
A partir daí, novamente Roman Castevet.

O nenê moveu-se ligeiramente.


O Bebê de Rosemary - Ira Levin [ Download ]

domingo, 15 de março de 2009

Ten Years of Nebula Awards (1975) - Gordon R. Dickson

("We have now had ten years' worth of science-fiction novels and shorter works which have been voted winners of the Nebula Award; and whatever else may be said about these stories, they cannot be denied the label of "representative. "

The winners as a group are the result of a decade of selections by those who themselves write in the field and who have endeavored annually to choose the best work that was being done...")

Ten Years of Nebula Awards - Gordon R. Dickson [ Download ]

Gordon R. Dickson


Gordon Rupert Dickson (1 de Novembro de 1923 - 31 de Janeiro de 2001), prolífico escritor canadense de Ficção Científica, Dickson, que apesar de nascer no Canadá, passou a maior parte de sua vida em Minneapolis, Minnesota(EUA), escreveu mais de 80 livros. Ficou mais conhecido por escrever sagas, entre elas o ciclo Childe e Dorsai.

Apesar do relativo sucesso comercial, foram os contos que lhe deram prêmios e reconhecimento. Vencedor de três prêmios Hugo ("Soldier, Ask Not,", "Last Dorsai" e "The Cloak and the Staff"), e um prêmio Nebula ("Call Him Lord").

Foi presidente da SFWA (Science Ficion Writers of America) de 1969 a 1971.

Coleção Gordon Dickson (Computers don't argue, Call him Lord, El sheriff de Canyon Gulch, Space winners, The lifeship, The Strangers, Forever man, Dorsai vol.1-5, Alien Art, Spacial Delivery, FutureLove, Gremlins go home, The Alien Way, The Last Master, Enter a Pilgrim)
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O Silêncio dos livros

Nós da Biblioteca Fantástica, como não poderia deixar de ser, somos apaixonados por livros e por tudo que se refere a esta nossa paixão.

Belas imagens sobre a relação livro-leitor, é o que encontramos em 'O Silêncio dos Livros'.











sábado, 14 de março de 2009

Sci-Fi Movies site


Filmes, séries, lançamentos, posters, resenhas...

SCI-FI Movies

The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009


Não é segredo que vivemos hoje a idade de ouro da Literatura Fantástica.

Mais livros do gênero são publicados hoje do que nunca antes.
Somado a isso, mais e mais títulos pouco conhecidos surgem na internet, levando a um aficcionado pela Ficção Científica e Fantasia, achar que morreu e está no Paraíso.

Cerca de 3.000 títulos (em inglês) são lançados a cada ano, sendo ao menos uma centena destes de alta qualidade e trazendo novos escritores.

Apesar dos grandes escritores, famosos e premiados estarem por ai, existe uma infinidade de novos talentos surgindo e isso demonstra a beleza da Ficção Científica/Fantasia, por ser tão variada e possuir um largo espectro de sub-gêneros e estilos à oferecer.

Durante anos, Avi Abrams do Dark Roasted Blend compilou informações sobre novos escritores, promessas da Ficção Científica, Fantasia, Terror/Horror e realismo Mágico.

O resultado deste trabalho se encontra disponível online:

The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009

Sci-Fi London Film Festival


Desde 2002 quando foi criado, o SCI-FI LONDON FILM FESTIVAL é um dos maiores eventos do cinema voltado exclusivamente para o gênero fantástico.

Neste ano de 2009, o Festival, que conta com lançamento mundial de uma dúzia de filmes e debates sobre o gênero na tv e na literatura, também abre espaço para que as pessoas possam enviar filmes de curta duração, abrangendo mídias alternativas.

O site do festival traz diversas informações sobre os lançamentos para 2009, além do link da SCI-FI-LONDON.TV onde é possível se assistir trechos dos filmes.



Sci-Fi London Film Festival


sexta-feira, 13 de março de 2009

O Gene Egoísta - Richard Dawkins



PREFÁCIO

Este livro deveria ser lido quase como se fosse ficção científica.

Ele destina-se a agradar a imaginação. Mas não é ficção científica: é Ciência.

Seja ou não um lugar-comum, "mais estranho do que
ficção" exprime exatamente como me sinto com relação à verdade.

Somos máquinas de sobrevivência – veículos robô programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes.

Esta é uma verdade que ainda me enche de surpresa. Embora a conheça há anos, parece que nunca me acostumo completamente a ela. Um de meus desejos é ter algum sucesso em surpreender a outros.

Três leitores imaginários olharam por sobre meu ombro enquanto escrevia, e agora a eles dedico o livro. Em primeiro lugar o leitor geral, o leigo. Por ele evitei o jargão técnico quase totalmente e onde tive que usar palavras especializadas eu as defini. Agora me pergunto por que não censuramos a maior parte de nosso jargão também das revistas especializadas. Supus que o leigo não tenha conhecimento especializado, mas não supus que ele seja estúpido. Qualquer um pode popularizar a Ciência se ele simplificar demasiadamente.

Trabalhei arduamente tentando popularizar algumas idéias sutis e complicadas em linguagem não matemática, sem perder de vista sua essência. Não sei quanto sucesso tive nisto, nem quanto sucesso tive em outra de minhas ambições: tentar tornar o livro tão fascinante e agradável quanto o assunto merece. Desde há muito senti que a Biologia deve parecer tão excitante quanto
uma história de mistério, pois ela é exatamente isto.

Não ouso esperar ter transmitido mais do que uma pequena fração da excitação que o assunto tem a oferecer.

Meu segundo leitor imaginário foi o especialista. Ele tem sido um crítico severo, suspirando
profundamente com algumas de minhas analogias e figuras de linguagem. Suas frases favoritas são "com exceção de", "por outro lado", e "ah, não". Ouvi-o atentamente e até reescrevi por completo um capítulo apenas em seu benefício, mas, no fim, tive que contar a história da minha maneira. O especialista ainda não estará completamente satisfeito com a maneira pela qual expus o assunto. No entanto, minha maior esperança é que até ele encontrará aqui algo de novo; uma nova maneira, talvez, de ver idéias familiares; até mesmo estímulo para idéias novas próprias. Se esta é uma aspiração alta demais, poderei pelo menos esperar que o livro o distraia em um trem?

O terceiro leitor que tive em mente foi o estudante, realizando a transição do leigo para o
especialista. Se ele ainda não decidiu em que campo quer se especializar, espero encorajá-la a considerar meu próprio campo da Zoologia. Há uma razão melhor para estudar a Zoologia do que sua possível "utilidade" e estima que os animais provocam. Esta razão é que nós animais somos as máquinas mais complicadas e perfeitamente planejadas do universo conhecido.
Apresentada desta forma, é difícil entender como alguém pode estudar qualquer outra coisa! Para o estudante que já se comprometeu com a Zoologia, espero que meu livro tenha algum valor educativo. Ele está tendo que estudar os artigos originais e livros técnicos nos quais minha exposição se baseia. Se ele achar as fontes originais difíceis de entender, talvez minha interpretação não matemática possa ajudar, como uma introdução e fonte suplementar.
Há perigos óbvios em se tentar agradar três tipos diferentes de leitores.

Só posso dizer que estive cônscio desses perigos e eles pareceram ser compensados pelas vantagens da tentativa.

Sou etólogo e este é um livro sobre comportamento animal. Minha dívida à tradição etológica na
qual fui treinado será óbvia. Em particular, Niko Tinbergen não imagina a importância de sua influência durante os doze anos nos quais trabalhei sob sua direção em Oxford. A frase "máquina de sobrevivência", embora não seja, de fato, criação sua, poderia muito bem sê-lo. Mas a Etologia recentemente tem sido revigorada por uma invasão de idéias novas oriundas de fontes normalmente não consideradas etológicas.
Richard Dawkins

O Gene Egoísta - Richard Dawkins [ Download ]

Os Vírus da Mente - Richard Dawkins


Uma linda criança próxima de mim, com seis anos e a menina dos olhos de seu pai, acredita que
Thomas o Motor de Tanque [personagem de uma história infantil] realmente existe. Ela acredita em Papai Noel, e quando ela crescer sua ambição é ser uma fada do dente. Ela e seus amigos de escola acreditam na palavra solene de adultos respeitados de que fadas do dente e o Papai Noel realmente existem.

Esta pequena menina está em uma idade de acreditar em tudo que você lhe contar. Se você lhe contar sobre bruxas transformando príncipes em sapos ela acreditará em você. Se você lhe contar que crianças más ardem eternamente no inferno, ela terá pesadelos. Eu descobri há pouco que sem o consentimento do pai dela esta criança de seis anos encantadora, confiante e crédula está sendo enviada, para instrução semanal, a uma freira católica romana. Que chances ela tem?

Uma criança humana é moldada pela evolução para se saturar da cultura de seu povo.

Obviamente, ela aprende os essenciais do idioma de seu povo em questão de meses.

Um dicionário grande de palavras para falar, uma enciclopédia de informação para falar sobre, regras sintáticas e semânticas complicadas para ordenar a fala são todos transferidos de cérebros mais velhos ao dela antes que ela alcance metade de seu tamanho adulto.

Quando você é pré-programado para absorver informação útil a altas taxas, é difícil impedir ao mesmo tempo a entrada de informação perniciosa ou prejudicial. Com tantos bytes mentais para ser assimilados, tantos códons mentais para ser reproduzidos, não é nenhuma surpresa que cérebros de crianças sejam crédulos, abertos a quase qualquer sugestão, vulneráveis à
subversão, presas fáceis para Moonies, Cientologistas e freiras.

Como pacientes imuno-deficientes, crianças estão amplamente abertas a infecções mentais as quais adultos poderiam repelir sem esforço.

O DNA também inclui código parasitário. A maquinaria celular é extremamente boa em copiar DNA. No que tange o DNA, ele parece ter uma ânsia para copiar, parece ansioso em ser copiado. O núcleo da célula é um paraíso para o DNA, repleto de maquinaria de duplicação sofisticada, rápida e precisa.

A maquinaria celular é tão amigável para a duplicação de DNA que é pouca surpresa que células
tornem-se hospedeiras de parasitas de DNA – vírus, viróides, plasmídeos e um refugo de outros
camaradas viajantes genéticos. O DNA parasitário até mesmo se torna emendado aos cromossomos de forma quase imperceptível. “Genes saltantes” e extensões de “DNA egoísta” se cortam ou copiam para fora de cromossomos e se colam em outro lugar. Oncogenes mortais são quase impossíveis de distinguir de genes legítimos entre os quais eles estão trançados. No tempo evolutivo, há provavelmente um tráfico ininterrupto de genes “legítimos” para genes “foras-da-lei”, e de volta novamente (Dawkins, 1982).

O DNA é só DNA. A única coisa que distingue DNA virótico do DNA hospedeiro é seu método esperado de passar para gerações futuras. DNA hospedeiro “legítimo” é apenas DNA que aspira passar para a próxima geração pela rota ortodoxa de espermatozóide ou óvulo. DNA parasitário “fora-da-lei” é só DNA que busca uma rota mais rápida e menos cooperativa ao futuro, por uma minúscula gotinha ou fragmento de sangue, em lugar de por um espermatozóide ou óvulo.
Para dados em um disquete, um computador é um paraíso da mesma maneira que núcleos de
célula têm uma ânsia em duplicar DNA.

Computadores e seus leitores de disco e fita associados são projetados com alta-fidelidade em mente. Como com moléculas de DNA, bytes magnetizados não “querem” literalmente ser copiados de forma fiel. Não obstante, você pode escrever um programa de computador que toma medidas para se duplicar. Não apenas duplicar a si mesmo dentro de um computador, mas se espalhar para outros computadores. Computadores são tão bons em copiar bytes, e tão bons em obedecer as instruções contidas nesses bytes fielmente, que são vítimas fáceis para programas auto-reprodutores: amplamente abertos à subversão por parasitas de software.

Qualquer cínico familiar com a teoria de genes egoístas e memes teria sabido que computadores pessoais modernos, com seu tráfico promíscuo de disquetes e ligações de e-mail, estavam procurando por problemas. A única coisa surpreendente sobre a epidemia atual de vírus de computadores é que demorou tanto para ocorrer.



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quinta-feira, 12 de março de 2009

A Invasão Divina - Philip K. Dick



No distante planeta de metano CY30-CY30B, Herb Asher passa o tempo em seu domo ouvindo obsessivamente os teipes de sua cantora predileta, Linda Fox. Entretanto, no domo mais próximo, a jovem judia Rybys Rommey está morrendo de esclerose múltipla. Ela não sabe que, apesar de virgem, está grávida. A história se repete, só que em vez de estar levando no ventre o filho de Deus, como Maria, Rybys está gerando o próprio Deus.

Um dia Deus se manifesta a Herb e lhe ordena visitar Rybys. No domo da moça, os dois são visitados por um velho, conhecido há mais de 4.000 anos como o profeta Elijah. Elias, como se apresentou o profeta, diz aos dois que eles têm que se casar, pois deverão retornar à Terra com o pretexto de procurar auxílio médico para Rybys e assim a criança divina nasceria aqui.

Tudo foi feito como havia sido mandado, mas as autoridades política e religiosa tentam de todas as maneiras impedir o retorno dos três. Ao desembarcarem, Elias atrai a atenção dos policiais sobre si para que o casal possa sair sem problemas. No entanto, durante a fuga, o carro em que estão é envolvido em um acidente. Rybys temum trabalho de parto prematuro e morre. A criança nasce com lesão cerebral e Herb fica em suspensão criogênica durante 10 anos, aguardando um órgão para transplante.

Durante este período em que fica congelado, Herb lembra ou efetivamente revive tudo o que lhe aconteceu. Enquanto isso, Emanuel, o filho de Rybys, está sendo criado por Elias, que è obrigado a matriculá-lo numa escola especial, pois o acidente lhe provocou também uma espécie de amnésia. Lá Emanuel conhece uma menina misteriosa, uma entidade divina com poderes sobrenaturais, chamada Zina, com a qual discute Seu próprio destino e o da humanidade e reaprende Sua condição divina.

Com a combinação de seus poderes, Emanuel e Zina criam um mundo diferente, uma versão alternativa da Tetra, onde Rybys ainda vive e está casada com Herb que trabalha numa loja de aparelhos de som e está perdidamente apaixonado por uma cantora em início de carreira, Linda Fox. É neste mundo alternativo que começa a batalha entre Emanuel e o demônio Belial pela alma de Herb e pelo domínio ou liberação do mundo.


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Os Três Estigmas de Palmer Eldritch - Philip K.Dick

Num futuro não muito longínquo, Leo Bulero é um capitalista que distribui uma substância chamada Do-C aos habitantes de Marte, que à falta de outras distrações locais (se excluirmos o sexo) se entregam continuamente a ilusões da dita substância. No entanto, este monopólio de Bulero parece estar ameaçado por uma nova droga de translação designada U-Melhor. Palmer Eldritch, um homem de negócios exilado numa galáxia distante, é o detentor desta nova substância que em vez de ilusões, cria realidades, levando as pessoas a ela sujeitas a deslocarem-se, no espaço e no tempo, por vários futuros possíveis. O preço da utilização desta droga é o controlo de Palmer Eldritch do universo privado de cada um – universo esse do qual ninguém pode sair, nem mesmo morto.Quem se atreverá a deter esta terrível substância, capaz de transformar o mundo ou acabar com ele?

Os Três Estigmas de Palmer Eldritch - Philip K.Dick [ Download ]

Fonte: ZinedoVelho

O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick


Pensou: eu e ele podíamos nos engajar num foguete colonizador.

Mas os alemães não o aceitariam por causa de sua pele morena e a mim por meu cabelo escuro. Aqueles SS nórdicos, bichas, magros e pálidos, nos seus castelos de treinamento na Baviera.

Este sujeito — Joe não sei o quê — não tem nem mesmo a expressão correta no rosto; devia ter aquela expressão fria e contudo entusiasta de quem não crê em nada e assim mesmo tem fé absoluta. Sim, eles são assim. Não são idealistas feito Joe e eu; são cínicos dotados de uma fé total. É uma espécie de deficiência cerebral, como uma lobotomia — aquela mutilação que os psiquiatras alemães fazem e que é um miserável sucedâneo da psicoterapia.

O problema deles, concluiu, é o sexo; nos anos 30 já praticavam coisas infames e isso tem piorado. Hitler foi o iniciador com sua — o que era? Sua irmã? Tia? Sobrinha? E a família já sofria de consangüinidade; seus pais eram primos. Estão todos praticando incesto, voltando ao pecado original de desejar as próprias mães.

É por isso que eles, as bichas da elite do SS, têm aquele risinho angelical, aquela inocência loura de bebê; estão se guardando para a mamãe. Ou para os camaradas.

E quem é mamãe para eles? pensou ela. O líder, Herr Bormann, que dizem estar morrendo? Ou... o Doente.

O Velho Adolf, que se supõe estar num sanatório em alguma parte, num estado senil. Sífilis cerebral, datando de seus dias miseráveis de vagabundo em Viena... casacão preto comprido, cuecas sujas, abrigos para mendigos.

Obviamente, era a vingança irônica de Deus, como num filme mudo. Aquele homem horrível comido por uma sujeira interna, o castigo histórico para a maldade humana.

E o pior era que o Império Alemão atual era um produto daquele cérebro. No início um partido político, depois uma nação, depois metade do mundo. E os próprios nazistas haviam diagnosticado, haviam reconhecido, aquele curandeiro que cuidou de Hitler com plantas, aquele Dr. Morell que tratou Hitler com um remédio chamado Pílulas Antigas do Dr. Koester — fora inicialmente especialista em doenças venéreas.

O mundo inteiro sabia e, mesmo assim, o falatório do Líder ainda era sagrado, ainda era o Evangelho. Suas idéias já tinham agora contaminado uma civilização inteira e, como esporos do mal, as bichas louras cegas voavam da Terra aos outros planetas, espalhando a infecção.

Resultado do incesto: loucura, cegueira, morte.

O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick [ Download ]

quarta-feira, 11 de março de 2009

A Coisa - Stephen King


Agora, ali estava ele, perseguindo seu barco que descia pelo lado esquerdo da Rua Witcham. Corria depressa, mas a água era ainda mais rápida e seu barco avançava velozmente. Ouviu um forte rugido e viu que, cinqüenta metros além, na descida da ladeira, a água na sarjeta encachoeirava-se para um bueiro que ainda estava aberto. Era um comprido semicírculo escuro, recortado na cantaria e, enquanto George espiava, um galho solto, de casca tão escura e lustrosa como pele de foca, foi abocanhado pelo bueiro. Pairou sobre ele um instante e depois deslizou para o interior. E era para lá que o barco se encaminhava.

— Oh, que droga, que droga! — gritou ele, agoniado.

George acelerou a corrida e, por um momento, pensou que alcançaria o barco.

Então, um de seus pés escorregou e ele caiu, escarrapachado, esfolando um joelho e gritando de dor. De sua nova perspectiva, ao nível do piso da rua, viu seu barco balançar duas vezes, momentaneamente apanhado por outro redemoinho, para em seguida desaparecer.
— Droga e droga! — tornou a gritar, dando um soco no chão. Isso também doeu e ele começou a chorar um pouco.

Que maneira imbecil de perder o barco! Levantando-se, caminhou até o bueiro. Ficou de joelhos e espiou. A água fazia um ruído surdo e oco, ao despencar nas profundezas escuras. Era um som esquisito. Fez com que ele se lembrasse de...
— Huh!

O som pareceu ser arrancado de sua garganta, como que em uma fieira, e ele encolheu-se. Havia olhos amarelos lá dentro: o tipo de olhos que sempre imaginara no porão, mas que nunca vira. É um animal, pensou incoerentemente, é isso aí, um animal, talvez algum gato, que ficou preso lá dentro.

Ainda assim, ele estava pronto para correr — correria em mais um ou dois segundos, quando seu painel mental de instrumentos houvesse manejado o choque recebido por aqueles dois brilhantes olhos amarelos. George sentiu a superfície áspera do asfalto debaixo dos dedos e a fina camada de água fria fluindo por entre eles. Viu-se ficando em pé e recuando, mas foi então que uma voz — uma voz perfeitamente razoável e bem agradável — falou com ele, saindo de dentro do bueiro.

— Oi, Georgie!

George piscou e tornou a olhar. Mal podia crer no que via. Era como algo de uma
história inventada ou de um filme onde sabemos que os animais falarão e dançarão. Se
ele fosse dez anos mais velho, não acreditaria no que viam seus olhos. Entretanto, não
tinha dezesseis anos, tinha apenas seis.

Havia um palhaço no bueiro.



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O Nevoeiro - Stephen King


- Não saiam! -gritou a Sra. Carmody. - É a morte! Sinto que a morte está lá fora!

Bud e Ollie Weeks, que a conheciam, pareceram impacientes e irritados, mas alguns veranistas à volta dela afastaram-se alguns passos, pouco ligando para seus lugares na fila.

Nas cidades grandes, as bag-ladies parecem ter o mesmo efeito sobre os demais, como se fossem portadores de alguma doença contagiosa. Quem sabe? Talvez sejam mesmo.

Então, as coisas começaram a acontecer em ritmo acelerado e confuso. Um homem entrou aos tropeções no supermercado, empurrando a porta ENTRE até o fim. Seu nariz sangrava.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - gritou.

Billy encolheu-se contra mim -fosse por causado nariz sangrento do homem ou pelo que ele dizia, eu não sei.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - repetiu ele. - Alguma coisa no nevoeiro agarrou John Lee! Alguma coisa... - Ele tropeçou de costas em uma amostra de adubo para jardim, amontoada junto às vidraças e sentou-se ali. -Alguma coisa no nevoeiro pegou John Lee e eu o ouvi gritando!

A situação mudou. Já nervosas pela tempestade, pela sirene policial e o apito de incêndios, pelo sutil deslocamento que qualquer interrupção da força elétrica provoca na psique americana e pelo ambiente de cada vez maior inquietude quando as coisas, de algum modo... alguma forma, se transformam (não sei como expressá-lo melhor do que isto), as pessoas começaram a mover-se como um todo.

(...)

- O que é aquele homem cheio de sangue, papai? O que é?

- Está tudo bem, Grande Bill. É só o nariz dele. Ele está bem.

- O que ele quis dizer, com alguma coisa no nevoeiro?-perguntou Norton.

Vi que ele franzia a testa inteiramente, sem dúvida a sua maneira de parecer confuso.

- Estou com medo, papai - disse Billy, através de lágrimas. - Será que a gente não podia ir para casa?

O Nevoeiro - Stephen King [ Download ]

terça-feira, 10 de março de 2009

Tau Zero - Poul Andersonl


OLHE... ALI... subindo pela Mão de Deus. Não é?

— Sim, acho que sim. Nossa nave.

Foram os últimos a ir embora quando Millesgarden fechou. Perambularam a maior parte daquela tarde entre as esculturas, ele espantado e fascinado pela experiência do primeiro contato com elas, ela dando um adeus sem palavras ao que ocupara em sua vida uma parte maior do que até então imaginara. Tinham sorte com o tempo, o verão se aproximava do fim.

Esse dia na Terra fora luminoso, brisas que faziam as sombras da folhagem dançarem nos muros da vila, um límpido som de fontes.

Mas quando o sol caiu, o jardim pareceu tornar-se abruptamente ainda mais vivo. Era como se os delfins estivessem dando cambalhotas por entre suas águas, Pégaso esbravejando para o céu, Folke Filbyter xeretando atrás do neto extraviado enquanto seu cavalo tropeçava no vau, Orfeu ouvindo, as jovens irmãs abraçando-se em sua ressurreição — tudo sem ruído, porque foi percebido num instante singular, embora o tempo em que aquelas formas realmente se moveram não tenha sido menos real que o tempo que transportava homens.

— Como se eles estivessem vivos, prontos a partir com destino às estrelas e nós devêssemos ficar e envelhecer — murmurou Ingrid Lindgren.

Charles Reymont não a ouviu. Achava-se no lajedo, sob uma bétula, cujas folhas farfalhavam e muito timidamente haviam começado a mudar de cor. Reymont olhava para a Leonora Christine. No alto de seu pilar, a Mão de Deus sustentava o Gênio do Homem, erguido em silhueta contra uma penumbra azul-esverdeada. Atrás, a minúscula e rápida estrela atravessou de um lado para outro e mergulhou outra vez.

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Os Guardiões do Tempo - Poul Anderson



Uma das concepções mais curiosas (e mais populares) da ficção científica são as incursões temporais organizadas.

Na trilha aberta genialmente por H. G. Wells com a "máquina do tempo", na qual um viajante se desloca pelo futuro, dando um cunho de autenticidade à experiência - ao contrário das viagens feitas em sonho ou com o uso de forças mentais —, os autores do gênero "aperfeiçoaram" meios de transporte que permitem o livre trânsito entre o presente, o futuro e o passado. Com os progressos da Ciência, não será nenhum exagero acreditar que um dia ela resolva os paradoxos do tempo e, assim, produza uma tecnologia capaz de enviar os homens em qualquer direção temporal.

A ficção científica apenas se antecipa de alguns milênios a essa probabilidade. Afinal de contas, sabemos que certas partículas subatômicas se comportam como se rumassem do presente para o passado.

Mas, quando o homem puder viajar livremente para qualquer época, hão de se oferecer problemas extremamente delicados, e um deles é que alguém, por deliberação ou inadvertência, possa alterar a História. Nem todos se contentarão em desfrutar da paisagem primitiva ou em assistir, sem participação alguma, a certos acontecimentos que mudaram os destinos da humanidade. Para isso, pensa Poul Anderson, será preciso criar a Patrulha do Tempo, homens treinados com absoluto rigor e que devem estar sobretudo atentos aos "clandestinos" das viagens temporais.

Em Os Guardiões do Tempo somos colocados diante de algumas situações típicas que a Patrulha deve enfrentar. Entre suas decisões podem figurar algumas terrivelmente drásticas, como eliminar povos e civilizações inteiras que surgiram de uma distorção criminosa da História. Se bem que, em certos casos, haja meios de corrigir "anomalias" resultantes de decisões anti-regulamentares. No conto que abre o volume, Anderson nos dá idéia de como e por que se formou essa misteriosa vigilância, explicando-nos engenhosamente suas principais coordenadas. Esse conto, "A Patrulha do Tempo", figura constantemente entre os clássicos desse ramo temático e foi mesmo incluído por Hubert Juin nos 20 Meilleurs Récits de Science Fiction, ao lado, entre outros, de Jorge Luis Borges, Dino Buzzati, Howard Fast, Júlio Cortázar e Ray Bradbury.

Outro conto famoso de Poul Anderson que aparece em Os Guardiões do Tempo é "Delenda Est" - brilhante incursão histórica que tem por fulcro uma tentativa de mudar o resultado da guerra entre Roma e Cartago. Quase o mesmo se pode dizer de "A Glória de Ser Rei" e de "A Única Diversão na Cidade" ("As Quedas de Gibraltar" é de feitura mais recente, 1975), nos quais mais uma vez se superpõem dois terrenos, a Física e a História, em que Poul Anderson se move como peixe na água.

Para os leitores da coleção "Mundos da Ficção Científica", que já o conhecem de O Viajante das Estrelas e de Tau Zero, este Os Guardiões do Tempo, com sua leitura excitante, servirá para tornar mais conhecido um autor de obra numerosa, mas de consistente elaboração, que nos Estados Unidos os aficionados elegeram como o mais popular, vale dizer, o mais lido do gênero.
FAUSTO CUNHA

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Sangue e Ouro - As crônicas vampirescas - Anne Rice


O OUVINTE

1

SEU NOME ERA THORNE. No antigo idioma das runas, era mais comprido — Thomevald. Mas, quando se tornou um bebedor de sangue, o nome fora mudado para Thorne. E Thorne ele continuava sendo agora, séculos depois, ali deitado na sua caverna no gelo, em sonhos.
Quando chegou pela primeira vez à terra congelada, sua esperança tinha sido a de dormir para sempre. No entanto, de vez em quando a sede de sangue o despertava; e, usando o Dom da Nuvem, ele alçava vôo e saía em busca dos Caçadores da Neve.

Alimentava-se deles, com cuidado para nunca tirar sangue demais, de tal modo que ninguém morresse por sua causa. E, quando precisava de peles e botas, também as apanhava antes de voltar para seu esconderijo.

Esses Caçadores da Neve não eram da sua gente. Tinham a pele morena e os olhos oblíquos, e falavam uma língua diferente, mas ele os havia conhecido nos tempos de outrora, quando viajara com o tio pelas terras do Oriente como mercador. Não gostara do comércio. Preferia a guerra. Mas havia aprendido muito naquelas aventuras.
Em seu sono no norte, ele sonhava. Não tinha como evitar.
O Dom da Mente fazia com que ouvisse a voz dos outros bebedores de sangue.

A contragosto, via através dos olhos deles e contemplava o mundo como eles o contemplavam. Às vezes não se importava. Até gostava. Objetos modernos o divertiam. Escutava a música elétrica ao longe. Com o Dom da Mente, compreendia coisas como locomotivas a vapor e estradas de ferro. Chegava mesmo a entender computadores e automóveis. Sentia que conhecia as cidades que deixara para trás, muito embora já se houvessem passado séculos desde que as abandonara.
Começara a ter consciência de que não iria morrer. A solidão em si não conseguiria destruí-lo. O desamparo não seria suficiente. E por isso dormia.

Aconteceu então uma coisa estranha. Uma catástrofe abateu-se sobre o mundo dos bebedores de sangue.

Surgira um jovem cantor de sagas. Chamava-se Lestat, e, em sua música elétrica, Lestat retransmitia antigos segredos, segredos que Thorne jamais conhecera.
Erguera-se então uma Rainha, ser nefasto e ambicioso. Alegava ter dentro de si o Cerne Sagrado de todos os bebedores de sangue, de tal modo que, se ela morresse, toda a espécie pereceria com ela.

Thorne ficara pasmo.

Nunca tinha ouvido esse tipo de mito a respeito da sua própria gente. Não sabia se acreditava naquilo.
No entanto, enquanto dormia, enquanto sonhava, essa Rainha começou, com o Dom do Fogo, a destruir os bebedores de sangue por toda parte no mundo inteiro. Thorne ouvia seus gritos quando tentavam fugir. Via sua morte quando outros a estavam presenciando.
Enquanto vagava pela terra, essa Rainha aproximou-se de Thorne, mas o ignorou. Ele estava mudo, oculto na sua caverna. Talvez ela não houvesse sentido sua presença. Mas ele havia percebido a dela, e nunca na vida encontrara tamanha idade ou força a não ser na bebedora que lhe dera o Sangue.

E ele se descobria pensando nela, na Criadora, a bruxa ruiva de olhos sangrentos.
A catástrofe entre sua gente piorou. Um número maior foi abatido; e dos esconderijos surgiram bebedores de sangue tão velhos quanto a própria Rainha; e Thorne viu esses seres.

Sangue e Ouro - As crônicas vampirescas - Anne Rice [ Download ]

Quadribol através dos séculos - Kennilworthy Whisp


KENNILWORTHY WHISP é um famoso especialista em quadribol (e, segundo ele,um fã ardoroso deste esporte). É autor de muitas obras referentes ao quadribol,inclusive Os Assombrosos Vagamundos de Wigtown (The Wonder of Wigtown Wanderers), Um Louco no ar (He Flew Like a Madman) (uma biografia de Daí Llewellyn, "O perigo") e Como evitar Balaços - um estudo de estratégias defensivas em quadribol (Beatting the Bludgers - A Study of Defensive Strategies in Quidditch). Kennilworthy Whisp divide seu tempo entre uma residência em Nottinghamshire e "o lugar em que os Vagamundos de Wigtown estejam jogando na semana".
Seus passatempos incluem o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas

PREFÁCIO
Quadribol através dos séculos é um dos títulos mais procurados da biblioteca escolar de Hogwarts. Madame Pince, nossa bibliotecária, me informa que o livro é "manuseado, babado e de um modo geral maltratado" diariamente - o que é um enorme elogio para qualquer livro. Quem joga ou assiste quadribol regularmente apreciará esta obra do Sr. Whisp, bem como os que se interessam de uma maneira mais ampla pela história da bruxaria. Do mesmo modo que fomos inventando o jogo de quadribol, ele também nos inventou; o quadribol une bruxos e bruxas de todas as posições sociais e os reúne para compartilhar momentos de euforia, vitória e desespero (no caso torcedores dos Chudley Cannons (Canhões de Chudley)).

Foi com alguma dificuldade, devo confessar, que convenci Madame Pince a emprestar um dos seus exemplares para mandar copiá- lo e, dessa maneira, torná- lo acessível a um número maior de leitores. De fato, quando lhe contei que iria copiá- lo para que os trouxas pudessem lê- lo, ela não só perdeu a fala como não se mexeu nem piscou durante alguns minutos. Quando voltou a si, teve a consideração de me perguntar se perdera o juízo. Tive, então, o prazer de tranqüiliza- la a esse respeito e de explicar minhas razões para tomar essa decisão sem precedentes.

Os leitores trouxas não precisam que eu lhes diga o que é o Trabalho da Comic Relief, mas vou repetir as explicações que dei a Madame Pince para o beneficio das bruxas e bruxos que comprarem o presente livro. O Comic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libra desde que começou em 1985 - mais de 34 milhões de galeões).Todos os envolvidos a trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou com preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com a venda fossem destinados a fundo aberto em nome de Harry Potter pela Comic Relief e por J. K. Rowling. Este fundo foi criado especificamente para ajudar crianças necessitadas ao redor do mundo. Quando você comprar este livro - eu o aconselharia a comprá-lo porque se ficar folheando o livro sem pagar, vai descobrir que foi atingido pelo Feitiço contra Ladrão -, você também estará contribuindo para a missão mágica do Comic Relief.

Eu estaria enganando meus leitores se dissesse que essa explicação deixou Madame Pince mais feliz em ceder um exemplar da biblioteca para os trouxas. Ela sugeriu várias alternativas tais como dizer ao pessoal do Comic Relief que a biblioteca pegara fogo ou simplesmente fingir que eu morrera sem deixar instruções. Quando respondi que, de um modo geral, em preferia continuar meu plano original, ela concordou, com relutância, em me entregar o exemplar, ainda que na hora de soltá- lo tivesse perdido a coragem me obrigando a forçá- la a abrir cada um dos dedos com que apertava a lombada do livro.

Quadribol através dos séculos - Kennilworthy Whisp [ Download ]

domingo, 8 de março de 2009

David Gerrold


Jerrold David Friedman ou David Gerrold (24 de Janeiro de 1944) nasceu em Chicago, Illinois, EUA. Escritor, editor, roteirista de cinema e televisão, Gerrold foi o escritor mais jovem a se filiar ao Writers Guild of America, ao vender seu primeiro roteiro para televisão ('The trouble with Tribbles') aos 23 anos. O episódio foi indicado para receber o Prêmio Hugo e escolhido também pela Paramount Pictures como o mais querido episódio de Star Trek (Jornada nas Estrelas) de toda a série original.

De 1972 a 1973, Gerrold publicou nove livros, sendo dois de não ficção, viveu na Irlanda e em Nova Iorque. Para a Televisão, criou 'Land of the Lost' (O Elo Perdido), escreveu episódios para Star Trek a série animada, Logan's Run,Tales From The Darkside, Twilight Zone, The Real Ghost Busters, Superboy e Babylon 5.

Nos anos 80, além de trabalhar como consultor para a série de tevê, Star Trek: The Next Generation, começou a dar aulas sobre técnica de redação e adaptação para o cinema na Universidade Pepperdine de Malibu. Participa de palestras pelo mundo e ministra eventualmente seminários sobre criatividade.

Mais recentemente passou a se dedicar a escrever sagas (The War Against the Chtorr) e em adaptar para games alguns de seus livros, como 'Martian Child' (romance semi-autobiográfico sobre adoção) com o qual ganhou a 'tríplice coroa' da FC americana, ou seja, os prêmios Hugo, Nebula e Locus, de melhor romance do ano.
Martian Child foi filmado em 2007, com John Cusack no papel principal.
Gerrold mora atualmente na California.

Martian Child [ Download ]
When Charlie was one [ Download ]
Jumping off the planet [ Download ]
The man who folded himself [ Download ]
The Flying Sorceres (Com Larry Niven) [ Download ]
Star Trek The Next generation - Mission Fairpont [ Download ]

The Trouble With Tribbles - David Gerrold



O livro trata da história do script para uma série de televisão; de onde surgiu, como foi escrito e que eventualmente foi ao ar, como um episódio de Jornada nas Estrelas (a série original), 'The trouble with Tribbles' (um dos mais populares).

(...)

O episódio em si, desde o início, foi bastante atípico em se tratando de produção de tevê. Mas
Jornada nas Estrelas era uma série atípica. Por exemplo, era uma das séries mais difíceis de se escrever, pois a maioria dos escritores de tevê na época, nada sabiam sobre Ficção Científica, eles não compreendiam o formato. Não entendiam que Ficção Científica era mais do que somente faroeste com armas de raios.

E a maioria dos autores de Ficção Científica odiava a série. Eles conheciam seu trabalho, mas tinham que se submeter às exigências da produção. Alguns não aceitavam ter que escrever em blocos, devido aos intervalos comerciais - os autores exigiam no mínimo cinquenta minutos sem interrupção, nem mais, nem menos...


MCCOY
Jim, you’ve got to do something about these creatures.

KIRK
Why?

MCCOY
They’re getting out of hand. Do you know what these things are? They’re deadly!

KIRK
(stiffening)
Deadly?

MCCOY
Well, not in a physical sense, but the nature of the beast is such that—well, here, you hold one and see for yourself!

KIRK
I’ve held a fuzzy before, Bones.
McCoy gestures with it. Kirk takes it.

KIRK
(continuing)
So?
The fuzzy purrs contentedly in his hand. Absentmindedly he strokes it.

MCCOY
See! It’s habit forming. The thing is a parasite!

KIRK
(self-consciously handing the fuzzy to Spock, just to be rid of it)
Oh, come now, Bones. I’ll admit that love is distasteful—
(he glances at Spock)
—but hardly harmful.

SPOCK
I, personally find such open displays of emotion very distasteful.

MCCOY
Jim, these things are absolutely useless to the running of this ship. But they consume food…like…like…
(he is at a loss for a comparison)
…and once they start eating, they start producing more of them…

SPOCK
For once, I’m forced to agree with the doctor. It seems as if he is finally learning to think in a logical manner.

MCCOY
(eyeing Spock)
Even our computerized first officer agrees, Jim.

SPOCK
They are consuming our supplies and returning nothing.

KIRK
Well, I wouldn’t exactly say that love is a nothing…
(pause)
One must be tolerant, Mr. Spock.


The Trouble With Tribbles - David Gerrold [ Download ]

sábado, 7 de março de 2009

Um Grande Olá - Alastair Reynolds


Olá!

Se vocês estão recebendo esta mensagem (e se estão tendo sucesso em compreendê-la, é claro) então vocês já passaram pelo teste mais difícil. Vocês possuem a competência básica no que se refere à física e a engenharia, além de alguma compreensão do universo em que vivem, para interceptar sinais da Rede de Informações Galáctica,

Congratulações! Isso é muito mais do que a maioria das culturas alcançam, então vocês estão bem avançados! Congratulem-se com uma pancadinha no... bem, onde quer que vocês dêem pancadinhas de agrado entre vocês.

O próximo passo se escolher seguir em frente, é responder esta mensagem para a Rede de Informação Galáctica. É fácil - tudo que precisam fazer é gerar um sinal de onda gravitacional modulado de uma fonte de quatro bilhões de megawatts. Pode parecer muito, mas não é verdade - trata-se de apenas um por cento da energia emitida pela estrela tipo-G que seu planeta orbita. Vamos lá - não vão desistir agora!

Mas espere! Antes de enviar a mensagem de retorno (e estamos ansiosos por ouví-la) existem algumas poucas coisas que devem ter em mente! Chamem de regras, de orientações, do velho bom senso - não importa, desde que obedeçam sem questionar!
É brincadeira. Mas, existem algumas pequenas coisas que devem ter em mente. apenas para evitar gastar uma dispendiosa banda galáctica.
Para tal, vamos lhes dar algumas dicas e que podem vir a achar úteis.

Primeiro, as novas culturas gostam de saber um pouco sobre a Grande Comunidade Galáctica - e quem pode culpá-las! É uma velha e grande Galáxia lá fora e vocês acabaram de chegar à festa!
Por agora, tudo que vocês precisam saber é que vocês são um dos membros mais novos a habitarem esta galáxia e existem alguns testes pelos quais precisam passar, antes de ascender a um segundo nível de senciência.

Não fiquem desmotivados, vocês vão chegar lá no fim, se esforçarem-se para isso! Tudo que precisam é de inteligência, determinação, e talvez uma breve extensão na seqüência de vida normal da sua estrela! Enquanto isso, preparamos um Primeiro Pacote para que vocês possam iniciar. Existe tanta informação neste Primeiro Pacote - que é demais para ser comprimida em um sinal de onda gravitacional! Então o que fizemos foi pre-instalar o Primeiro Pacote de informações no oceano de hidrogênio metálico do maior planeta gigante gasoso do seu sistema!
É isso - ele já está lá!

E se vocês já encontraram este Primeiro Pacote, devem estar se perguntando para que serve aquela bola cinzenta, ela serve para - bem, agora vocês já sabem! Tenham cuidado a abrí-la - ou vocês já descobriram? Bem, era um belo gigante gasoso enquanto durou.

Brincadeirinha! Mas uma das coisas que vocês devem ter percebido no Primeiro Pacote é que ele não fala nada sobre viajar mais rápido do que a luz! As novas espécies ficam ansiosas sobre aprender como funciona, por alguma razão inexplicável! Tudo que podemos dizer neste momento é que uma vez que vocês tenham ascendido para o segundo nível de senciência, vocês acharão a questão do 'mais rápido que a luz' tão interessante quanto 'métodos rápidos de curar doenças de pele' ou 'maneiras rápidas de fermentar o fluido lácteo mamífero'! Acredite em nós! Já fomos assim, uma vez há muito tempo! (e não, nós não ligamos mais para nisso!)

O Primeiro Pacote deve responder várias perguntas básicas e ainda mais! Quase sempre, acreditem, vocês acabarão com mais perguntas do que gostariam! Não nos incomodamos com isso - estamos aqui para isso! Mas antes de começarem a disparar um monte de perguntas aleatoriamente, dêem uma rápida olhada no que se segue! Isso irá poupar seu tempo - e o nosso!

Primeiro, tenha certeza de que a sua pergunta não está respondida no Primeiro Pacote! Parece obvio - e é, mas vocês ficariam surpreso como muitas culturas não parecem ler seus primeiros pacotes por completo! Lembre que o Primeiro Pacote é altamente coerente e certas camadas de conteúdo podem não estar acessíveis diante do seu atual horizonte de percepção espaço-temporal! Sejam pacientes!

Segundo, alguns poucos tópicos estão cobertos pelo Primeiro Pacote que - podem parecer deixar a desejar quanto a perguntas de um certo nível cultural, que não são de nosso interesse! Francamente, estamos satisfeitos! Alguns - mas nem todos - destes tópicos, incluem perguntas relativas a Seres Supremos, O Nascimento, A Vida, A Morte, O Além, a possibilidade de outros universos, a explicação oficial sobre o grande vazio de z=10, e a imprevista inatividade da rota do Braço de Orion durante o décimo quinto ciclo de rotação galáctica e a possível implicação disso para a Nona Extinção em Massa (e o subseqüente encobrimento)!

Se vocês conseguirem passar além destes tópicos, camaradas, será ótimo!

E também, por favor, não respondam a nenhuma transmissão originalmente gerada do aglomerado globular de M13 em Hércules - e nunca mandem mensagens não solicitadas! Especialmente por rádio - eles odeiam rádio! Também cuidado com mensagens originadas de culturas ascendentes do nível três, especialmente daquelas que oferecem conversões baratas e suspeitas para seu sistema solar! Acreditem em nós - são boas demais para serem verdade!

Vocês também irão querer se manter distantes de qualquer entidade que finge ser herdeiro legal de ativos de culturas descidas do nível dois, no limite de Cisne - definitivamente não passem para eles as coordenadas de seu sistema!

Ah, antes que esqueçamos - nunca, jamais perguntem o que aconteceu com os humanos! A menos que vocês queiram descobrir!

PS - Quando for responder as mensagens recebidas, não respondam mantendo o conteúdo acima.

O Pós-humano e sua narrativa: a ficção científica



“O que conta num bom romance de ficção científica não é nem a ciência nem a ficção, mas a hipótese filosófica sobre nossa natureza, nossos poderes, nosso olhar no universo, nossos devires e nossos fins.”

Jean Louis Curtis


Na sua organização tipológica, geradora de uma lógica de oposição e diferenças, o próprio termo ficção científica seria um oxímoro, já que da expressão participam procedimentos de natureza totalmente diversa: o ficcional e o científico.

Ora, a ficção não tem os compromissos da ciência : nenhum projeto de atuação prática, não sujeita às provas de falsificação nem às de verificação, tendo exercido, no entanto, especialmente o romance moderno, o que Steven Johnson chama de “cultura da interface”, que realizaria um projeto de tradução, ou mediação, entre o desenvolvimento tecnológico e a vida cotidiana.

O Pós-humano e sua narrativa: a ficção científica - Ieda Tucherman [ Download ]