terça-feira, 7 de abril de 2009

Sookie Stackhouse (Vampiro Sulino) - Charlaine Harris


Sookie Stackhouse (Livro 1 -Morto até o anoitecer, 2 - Vivendo morto em Dallas, 3 - Clube dos Mortos, 4 - Morto para o mundo, 5 - Absolutamente morto) [ Download ]


Site sobre a série de tv True Blood

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Themepunks - Cory Doctorow


"We will explore the problem-space of capitalism in the twenty-first century. Our business plan is simple: we will hire the smartest people we can find and put them in small teams. They will go into the field with funding and communications infrastructure -- all that stuff we have left over from the era of batteries and film -- behind them, capitalized to find a place to live and work, and a job to do. A business to start. Our company isn't a project that we pull together on, it's a network of like-minded, cooperating autonomous teams, all of which are empowered to do whatever they want, provided that it returns something to our coffers. We will explore and exhaust the realm of commercial opportunities, and seek constantly to refine our tactics to mine those opportunities, and the krill will strain through our mighty maw and fill our hungry belly. This company isn't a company anymore: this company is a network, an approach, a sensibility."

Themepunks - Cory Doctorow

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domingo, 5 de abril de 2009

E de Espaço - Ray Bradbury


Indice

Introdução
Crisálida
Pilar de Fogo
Hora Zero
O Homem
Fuga no Tempo
O Pedestre
Saudações e Adeus
O menino invisível
Venha ao meu porão
O piquenique de um milhão de anos
A mulher gritando
O sorriso
Eles eram morenos e de olhos dourados
O Bonde
A máquina voadora
Ícaro Montgolfier Wright

E de Espaço - Ray Bradbury [ Download ]


Sobre a Digitalização desta Obra:
Esta obra foi digitalizada para proporcionar de maneira totalmente gratuita o benefício de sua leitura àqueles que não podem comprá-la ou àqueles que necessitam de meios eletrônicos para ler. Dessa forma, a venda
deste e-livro ou mesmo a sua troca por qualquer contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância. A generosidade é a marca da distribuição, portanto:
Distribua este livro livremente! Se você tirar algum proveito dessa obra considere seriamente a possibilidade
de adquirir o original: Incentive a publicação de novas obras e novos autores!
Boa Leitura!
Coletivo Adoramos Ler

Ray Bradbury


Ray Douglas Bradbury (22 de Agosto de 1920) nasceu na pequena cidade de Waukegan, USA, foi inúmeras vezes identificado como o poeta da Ficção Científica, graças a sua românticas descrições de ambientes e ricas e apaixonadas construções de personagens.

Junto com Arthur C. Clarke, Asimov, compõe a Santíssma Trindade da Ficção Científica, os três (assim como Robert Heinlein), foram os primeiros a receber o título de Grande Mestre, pela SFWA.

Bradbury preocupava-se mais com o lado humano e visionário de seus personagens do que com a descrição científica e tecnológica, o que era uma inovação para a época.

O seu estilo se tornou bastante peculiar, sendo dotado de um romantismo nostálgico.

Bradbury muitas vezes retrata o homem como refém de sua época.
Seres perplexos ante as maravilhosas mudanças que vão ocorrendo ao seu redor.

Seu livro The Illustrated Man (1951) está entre os 100 maiores livros da ficção de todos os tempos, sem esquecer de outros tantos já clássicos trabalhos, como The Martian Chronicles (1950), The Golden Apples of the Sun (1953), Fahrenheit 451 (1953) e Something Wicked This Way Comes (1962).

Ninguem melhor do que Ray Bradbury, para falar sibre ele mesmo:

Júlio Verne foi meu pai. H. G. Wells foi meu sábio tio.
Edgar Allan Poe foi o primo com asas de morcego que guardávamos lá em cima, na sala do sótão.
Flash Gordon e Buck Rogers foram meus irmãos e amigos.
Aí têm minha ascendência. Acrescentando, claro, o fato de que muito provavelmente Mary Wollstonecraft Shelley, autora de Frankenstein, foi minha mãe.
Com uma família dessas, eu não poderia deixar de ser outra coisa: um escritor de fantasia e de curiosíssimas histórias de ficção científica.

Vivi nas árvores com Tarzã uma boa parte de minha vida, com meu herói, Edgar Rice Burroughs. Quando desci da folhagem, pedi uma pequena máquina de escrever quando tinha doze anos, para o Natal. E matraqueando na máquina , escrevi meu primeiro seriado de imitação, John Carter, Condestável de Marte, e de cor, bati episódios inteiros de Chandu, o Mágico.

Mandei tampas de caixas pelo correio, e acho que juntei-me a todas as sociedades secretas do rádio que existiam. Guardei histórias em quadrinhos, a maioria das quais ainda tenho, em grandes caixas, no porão da minha casa, na Califórnia. Ia às matinês do cinema.

Devorava as obras de H. Rider Haggard e Robert Louis Stevenson.
Em meio aos verões de minha juventude, pulei alto e mergulhei bem fundo no vasto oceano do
Espaço, muito, muito tempo antes que a Era Espacial propriamente dita fosse mais do que um pontinho no telescópio de duzentas polegadas, de Monte Palomar.

Em outras palavras, eu me apaixonei por tudo o que fazia.
Meu coração não batia, explodia. Eu não me aquecia com um assunto; eu fervia.
Sempre corri e gritei quando se trata de uma lista de coisas grandes e mágicas que eu sabia que simplesmente não poderia viver sem elas.

Eu era um menino-mágico imberbe que puxava coelhos irritadiços de cartolas de "papier-mâché". Tornei-me um homem-mágico barbado que puxa foguetes de sua máquina de escrever e dos Ermos do Espaço, que se estendem tão longes quanto o olho e a mente podem ver
e imaginar.

Meu entusiasmo sustentou-me bem, através de anos.
Nunca me cansei dos foguetes e das estrelas.

Nunca cessei de gostar de me apavorar com algumas de minhas histórias mais exóticas e tenebrosas. Assim, aqui, nesta nova coleção de histórias, você encontrará não só E de Espaço, mas uma série de subtítulos que muito poderiam ser: T de Trevas, A de apavorar ou D de
deliciar. Aqui você vai encontrar quase todas as faces de minha natureza e minha vida que possa querer descobrir.

Minha capacidade de rir-me alto com a simples descoberta de que estou vivo num estranho,
selvagem, e estimulante mundo. Minha capacidade igualmente grande de pular e ir plantar groselhas quando sinto o cheiro de estranhos cogumelos crescendo em meu porão, à meia-noite, ou ouvir uma aranha cantarolando enquanto tece sua tapeçaria, no armário embutido, pouco antes do nascer do sol.

Você que está lendo, e eu, que escrevo, somos bastante iguais.

A pessoa jovem dentro de mim atreveu-se a escrever estas histórias para entretê-lo. Encontramo-nos no território comum de uma Era incomum, e compartilhamos nossos dons de sombra e luz, sonhos bons e maus, alegrias simples, e mágoas não tão simples.

O menino mágico fala de um outro ano. Fico de lado e deixo-o dizer o que mais precisa dizer. Escuto, e divirto-me. Espero que você, também.
RAY BRADBURY
Los Angeles, Califórnia -1o de Dezembro, 1965.

site oficial de Ray Bradbury


Livros de Ray Bradbury (Al Abismo de Chicago, Caleidoscopio, Cuento de navidad, Dandelion wine, Death is a lonely bussiness, El dragon, El flautista, El ordenador encantado y el papa androide, El pueblo donde nada baja, El robo sublime, En el expresso al norte, Encontro nocturno, End of the beginning, Eran morenos y de ojos dorados, Fabulas fantasticas, Fahrenheit 451, Fenix Brilhante, The foghorn, Icaro Montgolfier Wright, La tercera expediction, Las doradas manzanas del sol, Medicine for Melancholy, The october game, The pendulum, Quicker than the eye, Somethimh wicked this way comes, The sound of thunder, The illustrated man, The martian chronicles, The veldt, Tres x infinito, Unterderseaboat Doktor, When elephants last in the dooryard bloomed) [ Download ]

sábado, 4 de abril de 2009

Pobre povo cruel - Arkady and Boris Strugatsky


O Rei sentou-se nu.
Tal como um tolo pedinte de rua, sentou-se com as costas contra a parede fria.
Tremia de olhos fechados e tentava ouvir, mas tudo era silêncio.
Acordara à meia-noite de um pesadelo e imediatamente entendera que estava acabado.
Sons ofegantes detrás da porta da suíte real, passos, bater de metais e resmungos bêbados de Sua Alteza, o Tio Buht: 'DEIXEM-ME PASSAR! SAIAM DO MEU CAMINHO, PRO INFERNO COM ISSO...'
Molhado de gélido suor, rolara para fora da cama, seguindo por um estreito corredor secundário e então pela passagem subterrânea até o templo.
Algo gemera sob seus pés descalços, pisara em ratazanas, mas na hora não se importou, somente agora, sentado contra a parede, lembrou-se de tudo; da escuridão, das paredes escorregadias e a dor de ter batido a cabeça contra as portas do templo, e de seu próprio insuportável urro de dor.
Eles não poderiam entrar ali, pensou. Ninguém poderia entrar no templo. Somente por ordem do Rei. Mas o Rei não mais ordenava. Riu-se histérico. Oh não, o Rei não ordena mais!
Vagarosamente abriu os olhos e viu suas pernas azuis e lisas com os joelhos feridos.
Ainda estava vivo, pensou. Viverei, por que ninguém pode entrar aqui.
Tudo no templo era azulado devido a luz fria das lanternas, longos tubos brilhantes espalhados sob o teto. No centro do templo, Deus em seu trono gigantesco e pesado, com olhos vazios.
O Rei o olhava pelo canto do olho.
Escória, pensou, que verme miserável, pegar o mestiço e os cães, para me assolar... deu-se conta de não lembrar-se muito bem do maldito.Tão mirrado e imprestável... mas tudo bem, eles iriam pagar por isso. Por tudo, Sua Grandeza Tio Buht.
Durante o reino de seu pai, você se sentou quieto, bebendo calado, com medo de ser notado, pois sabia que o Rei Prostyaga não esqueceria sua desprezível traição...
Grande era meu pai, o Rei pensou com habitual inveja.
Você seria grande também se seus conselheiros fossem anjos em carne e osso.
Todos sabiam, todos tinham visto, seus rostos medonhos e brancos como leite, seus trajes feitos de tal forma que ninguém sabia se estavam nus ou não. E suas flechas ardentes como raios do céu, que fizeram com que os inimigos fugissem, ainda que disparassem por sobre suas cabeças, metade da horda correu com medo daquelas flechas.
Sua Alteza, Tio Buht, sussurrou certa vez, bêbado, que tais flechas poderiam ser usadas por qualquer um, as tais armas dos anjos, seria bom se tirássemos deles.
E ele disse então - bêbado - que se era bom, por que então não obtê-las, por que não... mais tarde após aquela conversa à mesa, um anjo tombou dentro do canal, provavelmente por acidente. Junto dele acharam o corpo de um dos guardas pessoais do Tio. Foi um feito maléfico, terrível, e era conveniente que o povo não se importasse muito com os anjos, eles os temiam, mas este temor também não era total, já que os anjos eram alegres e cordiais.
Apenas seus olhos eram assustadores. Pequenos e brilhantes e não paravam de se mover irrequietos, não eram humanos. Sendo assim o povo os evitava, o Rei Prostyaga dava liberdade a eles, o que era vergonhoso de se lembrar...contudo antes do Golpe o pai, diziam, era um apaziguador.
Dito isso, com minhas próprias mãos, sequei as lágrimas dos olhos.
Lembro que ele costumava se sentar à noite na torre de cristal e eu podia me abrigar ao seu lado, era quente e confortável...os anjos cantavam dos quartos, tão tranqüilo e em harmonia, o pai começava a acompanhá-los - ele conhecia a língua dos anjos - e tudo era vasto e amplo, sem ninguém por perto... não como hoje, com guardas em cada canto, pois não havia motivo para isso.
O Rei lamentou. Sim, ele fora um bom pai e que não devia ter morrido. Não devia morrer enquanto seu filho estava vivo...o filho agora é Rei também,...mas Prostyaga não durou muito.
Tenho mais de cinqüenta anos e ele ainda era mais novo do que eu... parecia que os anjos tinham pedido a Deus por suas vidas. Disseram que os confinaram no quarto do Rei, eles tinham armas, mas não se defenderam.
Antes de morrer, disseram, os anjos jogaram as armas pela janela e elas se queimaram com uma chama azul e nem cinza sobrou. E Prostyaga, disseram, chorou e ficou bêbado pela primeira vez em seu reinado, e olhou para mim, disseram, com amor, e eu acreditei...
O Rei secou as lágrimas do rosto e abraçou as pernas.
E daí? Temos que saber os limites e abdicar, como acontece o tempo todo por ai.
Apenas por uma vez conversei com meu Tio.
‘Sua Alteza.Prostyaga - ele disse - não envelhecerá'.
'Sim - eu disse a ele - mas o que podemos fazer, os anjos pedem por suas vidas.'
O Tio então zombou e disse: 'Anjos - disse - não mais cantarão suas canções por aqui.'
E eu retruquei: 'É verdade, agora podemos negociar com eles, não somente como humanos.'
O Tio então olhou para mim sóbrio e imediatamente se foi.. e eu realmente não tinha dito nada demais...apenas palavras vazias sem significado.
Uma semana depois Prostyaga morreu de um ataque do coração.E dai? Era sua vez.
Ele parecia jovem, mas tinha na realidade mais de cem anos. Todos morremos um dia.
O Rei se assustou e cobriu-se sem jeito. O Santo Padre Agar entrara no templo.
Os Irmãos de fé vinham na sua frente, trazendo-o pelas mãos. Ele não olhou para o Rei, foi direto na direção de Deus e ajoelhou-se diante de seu posto. Alto e corcunda, com longos cabelos brancos e sujos.
O Rei o olhou fixo e disse divertido: 'É o seu fim! Você procurou por isso, e não sou como Prostyaga, você vai se sufocar em seus intestinos, porco bêbado...'
Agar, com a voz profunda falou:
-Deus! O Rei deseja falar contigo! Perdoa-o e ouça-o.
O silêncio caiu na sala, ninguém ousava respirar.
O Rei ponderou: Quando a grande enchente veio e a terra se abriu, Prostyaga pediu a Deus por socorro, e Deus veio dos céus numa bola de fogo no mesmo dia e naquela noite a terra acalmou-se e a enchente se foi.
Isso significava que poderia acontecer hoje novamente.
Você está perdido Tio, você não se cuidou direito. Agora ninguém vai te ajudar...
Agar se endireitou. Os irmãos que o amparavam pularam, virando de costas para Deus e cobrindo suas cabeças com os braços.
O Rei viu como Agar estendeu as mãos e as colocou no peito de Deus.
Os olhos de Deus se abriram.
O Rei ficou boquiaberto de medo pois os olhos de Deus eram grandes e diferentes, um era verde e o outro branco brilhante e luminoso.
Podia ouvir agora a respiração de Deus, pesada e estalante, como se doente.
Agar recuou. - Fale - sussurrou Agar.
O Rei ficou de quatro e começou a engatinhar até o altar.
Ele não sabia o que dizer ou como. E não sabia como começar e sequer se deveria contar toda a verdade.
Deus respirava pesadamente ofegante e o Rei passou a choramingar com medo.
- Sou o filho de Prostyaga - disse o Rei em desespero, amassando o rosto contra a pedra fria - Prostyaga morreu. Peço sua proteção contra os conspiradores. Prostyaga cometeu erros. Ele não sabia o que estava fazendo. Eu consertei tudo; acalmei o povo, me tornei poderoso e inatingível como você, e montei um exército...o traidor Buht está atrapalhando meus planos para conquistar o mundo. Ele quer me matar! Me ajude!
E baixou a cabeça até o chão.
Deus, sem piscar, estava olhando para ele em verde e branco. Deus estava silencioso.
- Ajude-me - repetiu o Rei - Ajude-me, ajude-me!
Derrepente ele pensou se estava fazendo algo errado, pois Deus estava indiferente e inoportunamente lembrou-se que eles tinham dito que seu pai, Prostyaga não morrera de um ataque do coração, mas fora morto ali, no templo, quando os assassinos entraram sem pedir permissão.
-Ajude-me! ele gritou desesperado. Tenho medo de morrer! Ajude-me! Ajude-me!
Ele deitou-se sobre as pedras do chão, mordendo as mãos com terror insuportável.
O Deus de Olhos Diferentes falou com a voz rouca.
-Seu verme velhaco - disse Tolya.
Ernst estava calado observando.
Na tela, através da estática, era possível ver uma forma humana escura que jazia deitada ao chão.
- Quando eu penso - disse Tolya de novo - que se não fosse por ele, Alan e Derek estariam vivos, tenho vontade de fazer alguma coisa.
Ernst balançou os ombros e foi até a mesa.
- Eu sempre penso - continuou Tolya - por que Derek não atirou ? Ele podia ter liquidado todos...
- Ele não podia, disse Ernst.
- Por que não?
- Já tentou atirar em um ser humano?
Tolya fez uma careta, mas não disse nada.
- Pois então - disse Ernst - Tente imaginar. É quase repugnante.
Um uivo triste era ouvido saindo pelos alto-falantes.
'Ajude-me, ajude-me, tenho medo, ajude-me', o mecanismo-tradutor continuava a transmitir.
- Pobre povo cruel...' lamentou Tolya.



Poor cruel folk (1998) -Arkady and Boris Strugatsky

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Meia-noite - Dean R. Koontz


Mesmo antes da Mudança, Denny era um fanático por computador, um desses garotos que se autodenominavam hackers, para quem os computadores eram não só instrumentos, não só jogos e diversão, mas um modo de vida. Depois da conversão, sua inteligência e capacidade foram colocadas a serviço da New Wave.

Forneceram-lhe um terminal mais potente em casa e um modem ligado ao supercomputador no escritório central da New Wave — um mastodonte que, segundo a descrição de Denny, incorporava 6.500 quilômetros de fios e 33 mil unidades de processamento de alta velocidade — que, por razões que Loman não compreendia, eles chamavam de Sol, embora talvez este fosse seu nome porque todas as pesquisas na New Wave faziam uso intenso da máquina e, portanto, giravam ao seu redor.

Enquanto Loman continuava parado ao lado do filho, um enorme volume de dados passava pela tela do terminal. Palavras, números, gráficos e tabelas apareciam e desapareciam em tal velocidade que só alguém da Nova Gente, com sentidos de certa forma mais aguçados e concentração poderosamente mais intensa, poderia extrair significado deles.

Na verdade, Loman não podia lê-los porque não passara pelo treinamento que Denny recebera da New Wave. Além disso, não tinha nem tempo nem necessidade de aprender a exercer completamente seus novos poderes de concentração.

Mas Denny absorvia as contínuas ondas de dados, olhando fixamente, o olhar vazio, para a tela, sem nenhuma ruga de concentração na testa, o rosto relaxado. Desde que fora convertido, o garoto era tanto uma entidade eletrônica sólida quanto carne e sangue e esta nova parte de si mesmo relacionava-se com o computador com uma intimidade que ultrapassava qualquer relacionamento homem-máquina que qualquer pessoa da Antiga Gente experimentara.


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Tensão no Gelo - Dean R. Koontz


A missão transcorre normalmente. Mais alguns minutos e a última das 60 cargas explosivas estará instalada. Numa experiência pioneira, um iceberg de meia milha quadrada será arrancado da calota polar do Ártico, transportado para o sul e derretido para irrigar terras americanas castigadas pela seca. Mas uma série de fortes abalos sísmicos acelera o processo, fazendo com que um bloco de gelo ainda maior seja deslocado.

Um grupo de cientistas fica então à deriva, numa área em que um resgate por barco é impossível. A única esperança de salvamento é um submarino russo, desde que seja rápido: as bombas estão preparadas para explodir em menos de 12 horas. As frias águas do Norte servem de ambiente para Tensão no gelo, um dos mais quentes thrillers de Dean R. Koontz.

Desta vez, o autor não usa personagens ou situações sobrenaturais, como fizera magistralmente em Sr. Assassino, A casa do mal e Esconderijo. Nem precisa. Até a última página, Tensão no gelo é suspense puro, penetrante como o frio do Ártico.


NOTA AO LEITOR
Recebo anualmente mais de dez mil cartas de leitores, dentre os quais um número significativo me exorta a reeditar alguns de meus primeiros livros já esgotados há algum tempo.

Muitos fazem mais do que me exortar. Fazem referências ameaçadoras a maldições do vodu e acordos com sujeitos mal-encarados. Sugerem que seria uma boa idéia reeditar tais livros antes que meu rosto adquira nova forma - embora certa transformação me pudesse ser útil, principalmente se significasse um pouco mais de cabelo.
Eles ameaçam me raptar e me forçar a assistir a resprises de A família Dó-Ré-Mi vinte e quatro horas por dia até que eu enlouqueça completamente.

Fico encantado que os leitores gostem tanto dos meus livros que queiram ler todos.
Já dei permissão para que alguns já esgotados voltem a circular, incluindo Shadowfires, The Servants of Twilight e The Voice of the Night, todos publicados inicialmente sob pseudônimos.
Tensão no gelo foi originalmente intitulado Prison oflce (Prisão de gelo), sob o pseudônimo "David Axton", numa forma bem mais tosca. Eu o revisei e atualizei as referências tecnológicas e culturais, tentando não me empolgar demais e alterar toda a trama e o tom da história.

Este livro teve a intenção de homenagear Alistair MacLean, o mestre do romance de aventura/suspense, autor de Os canhões de Navarone, Desafio das águias e Estação Polar Zebra, entre outros.
Como leitor, adorei esses livros, e escrevi a versão original de Tensão no gelo para ver se conseguia produzir um do gênero.

Numa aventura de suspense desse tipo, os elementos que contam acima de todos os outros são tensão, ritmo e trama - de preferência uma trama com uma série de surpresas e desafios físicos para os personagens, num ritmo progressivo. Os personagens, em geral, precisam ser lineares e certamente menos complexos do que aqueles que aparecem na maioria de meus livros.

Como sempre, tento obter os detalhes de fundo e técnicos corretos - embora, quando escrevo sobre submarinos, por exemplo, não seja minha intenção mergulhar nos detalhes tecnológicos tão profunda e brilhantemente quanto Tom Clancy. Na aventura ao estilo MacLean, uma certa autenticidade deve ser sacrificada à velocidade.

Espero que você tenha gostado de Tensão no gelo, embora também espere que prefira os livros mais recentes. Afinal, esse é o único livro que escrevi nessa linha e, se os leitores quisessem outro, eu nada teria a oferecer para me proteger de ser submetido às reprises de A família Dó-Ré-Mi.
- Dean Koontz, maio de 1994


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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Star Wars as Classic Art











Star Wars as Classic Art

O Regresso de Tarzan - Edgar Rice Burroughs

Tarzan, que quer dizer macaco branco, criado por E. R. B. num dos seus sonhos - ele não transportou para a sua literatura a sua experiência de vida, que era vasta e profunda - procurava apenas ser uma coisa diferente, como coisas diferentes seriam as aventuras que ERB escreveu com John Carter sobre Marte. ERB trazia no espírito as leituras de Júlio Verne, o insólito prendia-o e fascinava-o. Por isso Tarzan foi um herói refeito diversas vezes.

O seu primeiro romance fechava o ciclo da vida: ali começava e acabava. Mas o êxito fê-lo regressar à escrita. E então ERB procurou dar-lhe uma formação inglesa, tentando enquadrá-lo dentro do absurdo homem selvagem, aristocrata inglês -, o mesmo é dizer, de um pólo ao outro da civilização.

Mas logo se cansou disso, e nos romances seguintes, a partir do quarto, ele encontraria de novo o Tarzan das primeiras páginas e, quase libertando-o da mulher e do filho - Jane é esquecida na maioria dos seus livros -, faz dele o homem que rompe barreiras com a civilização padrão para se consagrar à vida natural, àquela que se lhe dá pouco quanto a conforto, dá-lhe muito quanto a soluções de personalidade e luta, que é aqui onde o homem tem de encontrar-se.

Por isso mesmo Tarzan é um herói que encontrou justificativa sobretudo em duas épocas: em 1929 quando da depressão econômica da América do Norte - foi em 1929 que ele surgiu pela primeira vez em banda desenhada pela mão de Hal Foster e agora, nesta segunda metade do século em que vivemos, onde o tecnicismo impera já a níveis de invadir o espírito humano, e sujeitá-lo à máquina.

Resultado? Num período de tão grande avanço técnico, onde a nossa atual civilização quase se engalfinha em proporcionar ao ser humano conforto sobre todos os pontos de vista, distrações nunca sonhadas (e cômodas), requintes a todos os níveis que ele faz na sua grande maioria?
Pois bem, consultem-se as estatísticas, e se verificará que nunca como agora se praticou tanto campismo nem tanto caravanismo, nem se desfrutou de tantos fins-de-semana.
Isto sem contar com as legiões que se limitam a refugiar, por impossibilidade do tempo, um dia que seja no pinhal ou no campo!
Porquê? A técnica, em que todos vivemos, dentro de casa, cá fora, no emprego, e mais tarde que vimos na televisão, no cinema e nos jornais, provoca uma espécie de intoxicação que leva o
homem tentando reencontrar-se na verdade pura da sua essência.

Então, perante tanta máquina que o envolve e o controla, passar o tempo em contacto com a natureza é como o sinônimo da libertação, que ele sente que o dignifica.

Aqui volta a surgir Tarzan, como símbolo, pois ele é o homem que tendo sido criado na selva, conhece um dia a civilização e, por a conhecer, compreende que só voltando à vida natural pode encontrar aquela felicidade a que se julga com direito.

Tarzan aparece, desta maneira, como resposta a todos aqueles que, encafuados nas cidades, aproveitam todos os momentos de se livrarem dela. E retoma o êxito que alcançou em 1929 quando a depressão trouxera aos homens consciência de que viver bem não é viver opulentamente, mas viver de acordo consigo próprio. - Nota de R. P.

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

As canções da Terra Distante - Arthur C.Clarke


Nota do Autor
Este romance baseia-se numa idéia que desenvolvi há quase trinta anos num conto do mesmo nome (agora incluído na coletânea O outro lado do céu). Entretanto, a presente versão foi direta — e negativamente — inspirada pelo recente surto de space-operas nas telas de televisão e do cinema. (Pergunta: qual é o oposto de inspiração — expiração?)

Por favor, não me interpretem mal: apreciei enormemente o melhor da série Jornada nas estrelas e dos épicos de Spielberg/Lucas, para mencionar apenas os exemplos mais famosos do gênero. Entretanto, estes são trabalhos de fantasia, não de ficção científica no sentido estrito do termo.

Atualmente, é quase certo que no universo real nunca venhamos a ultrapassar a velocidade da luz. Assim, mesmo os sistemas estelares mais próximos estarão sempre a décadas ou séculos de distância. Nenhuma Dobra Fator Seis poderá levar-nos de um episódio a outro a tempo do capítulo da próxima semana.
O grande Produtor no céu não estruturou a sua programação desse modo.

Na última década aconteceu também uma mudança significativa e um tanto surpreendente na atitude dos cientistas com relação ao problema da Inteligência Extraterrestre. O assunto só se tornou sério (exceto entre personagens duvidosos como autores de ficção científica) a partir da década de 60: a publicação de A vida inteligente no universo de Shklovskiy e Sagan (1966) foi um marco.

Mas agora houve um recuo: o fracasso da tentativa de encontrar algum vestígio de vida neste Sistema Solar, ou de captar os sinais de rádio interestelares que nossas grandes antenas deveriam detectar facilmente, levou alguns cientistas a argumentarem que "talvez estejamos sozinhos no Universo..."

O Dr. Frank Tipler, o mais conhecido defensor desse ponto de vista, irritou (propositadamente, sem dúvida) os saganitas, dando a um de seus trabalhos o título provocador de "Não existem extraterrestres inteligentes". Carl Sagan e outros (e eu concordo com eles) argumentam, por seu lado, que ainda é muito cedo para se chegar a conclusões tão amplas.

Enquanto isso a controvérsia se intensifica, costuma-se dizer que qualquer uma das respostas será espantosa. A questão só pode ser decidida com provas concretas e não pela lógica, por mais plausível que seja.

Eu preferiria ver esse debate tolerantemente esquecido por uma década ou duas, enquanto os radioastrônomos, como garimpeiros bateando na beira de um riacho, peneiram com calma as torrentes de ruído que se derramam do céu.

Este romance é, entre outras coisas, minha tentativa de criar uma obra de ficção inteiramente realista sobre o tema interestelar. Exatamente como em Prelúdio para o espaço (1951), eu usava a tecnologia conhecida ou previsível para descrever a primeira viagem da humanidade além da Terra.

Não há nada neste livro que desafie ou negue os princípios conhecidos, a única extrapolação realmente extravagante é a "propulsão quântica" e mesmo esta tem uma origem bastante respeitável (ver "Agradecimentos").

Se ela se revelar uma idéia impraticável, existem várias alternativas possíveis. E se nós, os primitivos do século XX podemos imaginar isso, então a ciência do futuro descobrirá, sem dúvida, alguma coisa muito melhor.
Arthur C. Clarke Colombo, Sri Lanka, 3 de julho de 1985

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O Avatar - Poul Anderson


Num passado que se perdia na bruma dos tempos, uma raça misteriosa, a que se chamava simplesmente “Os Outros”, deixara à humanidade um legado precioso que era simultaneamente um grande desafio; uma passagem assinalada para alcançar as estrelas inexploradas.

E a humanidade utilizou essa passagem para colonizar o sistema da estrela Phoebus, mas deixou inexplorado tudo o que restava da galáxia...

Num ambiente político conturbado, a grande nave Emissário utiliza a passagem pára uma viagem de exploração. Mas, quando regressa, os governantes da União mandam aprisionar a nave e deter a tripulação, ao mesmo tempo que proíbem qualquer futura exploração do espaço...

Apenas um homem, um colono de Deméter, consegue aperceber-se da situação e empreende uma ação desesperada para salvar o presente e acautelar o futuro...

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terça-feira, 31 de março de 2009

A Filha do Fabricante de Fogos de Artifício - Philip Pullman

CAPÍTULO UM

Quinze mil quilômetros atrás, em um país a leste da selva e ao sul das montanhas, viviam um Fabricante de Fogos de Artifício chamado Lalchand e sua filha Lila.

A mulher de Lalchand morrera quando Lila era pequena. A menina era um toquinho de gente mal-humorado, sempre chorando e fazendo birra para comer, até que Lalchand construiu um berço para ela e o pôs num canto da oficina, de onde ela podia ver as fagulhas brincando e ouvir os silvos e os estalidos da pólvora.

Assim que saiu do berço, ela ensaiou seus primeiros passos pela oficina, rindo quando o fogo brilhava e as fagulhas dançavam. Muitas vezes queimava os dedinhos, mas Lalchand borrifava-lhes água e dava um beijinho no dodói, e logo Lila estava brincando de novo.


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Arthur e a guerra dos dois mundos - Luc Besson


M., o Maldito, sempre maquiavélico, aproveitou a abertura do raio da Lua para crescer e passar para o mundo dos humanos. Todos temem o pior, pois essa criatura abominável agora mede mais de dois metros de altura e está decidida a conquistar novas terras.

Diante de uma ameaça tão terrível, Arthur e seus amigos usarão todas as artimanhas, aproveitarão todas as situações mais inesperadas, enfim, farão de tudo para estragar o assustador plano de Maltazard.

Mas será que vale a pena lutar contra um monstro gigantesco quando se mede apenas dois milímetros de altura?



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segunda-feira, 30 de março de 2009

Scroogled - Cory Doctorow



"Quer falar o que aconteceu em junho de 1998?"

Greg olhou para ele e disse. "Como?"

"Você colocou uma mensagem em alt.burningman3 em 17 de junho de 1998, sobre os seus planos para ir a um festival. Você perguntou 'São os alucinógenos assim tão nocivos?'"

O interrogador na sala de controle era um homem mais velho, tão magro que de frente parecia estar de lado. E de lado parecia ter ido embora. As suas perguntas iam muito além da curiosidade de Greg sobre alucinógenos.

"Fale-me sobre seus passatempos. Você gosta de aeromodelismo ou lançamento de réplicas de foguetes em miniatura?"

"O quê?"

"Foguetes em miniatura."

"Não," disse Greg, "Não, não lido com isto." Já imaginando o rumo que a conversa ia tomar.
O homem tomou umas notas e digitou qualquer coisa. "Pergunto isto porque vejo um grande número de anúncios relacionados a combústivel de avião nos resultados de suas pesquisas no Google e também no e-Mail."

Greg sentiu um aperto. "Você está vendo os resultados das pesquisas que fiz? Está acessando meu e-Mail?" Greg não tocava num computador há mais de um mês, mas sabia que o quer que tivesse introduzido naquele campo de pesquisa seria bem mais revelador do que tudo o que já tinha dito ao seu psiquiatra.

"Senhor, tenha calma, por favor. Não estou vendo suas pesquisas e nem acessando seu e-Mail”, disse o homem com seriedade. "Isto seria violação de privacidade e é anticonstitucional. Nós apenas vemos os anúncios que aparecem quando você lê seu e- Mail e faz pesquisas no Google. Tenho aqui um folheto da companhia que explica tudo. Poderá lê-lo quando terminarmos."

“Mas os anúncios não significam nada”, contestou Greg. “Eu recebo anúncios de termas toda vez que recebo por e-Mail notícias de uma amiga em meu celular. Ela fala muito de uma cadela que cuida desde filhote!”

O homem acenou em concordância. "Entendo. E é exatamente por isso que estou falando contigo. Porque acha que estes anúncios sobre combústivel de aviação aparecem tão frequentemente?"

Greg pôs os neurônios para funcionar. "Faça isto. Procure por clube do café". Ele era um membro bastante ativo do clube, ajudando-os a lançar o site e o serviço café-do-mês. A mistura que iam lançar chamava-se Jet Fuel4. "Jet Fuel" e "lançamento" – isso faria com que o Google enchesse a página com anúncios de combústivel para motores a jato e aviação.

Já estavam na reta final da entrevista quando o funcionário encontrou as fotos do Halloween. Estavam na terceira página dos resultados da busca por "Greg Lupinski".

"Era uma festa com o tema Guerra do Golfo," disse ele.

"E você está vestido de...?"

"Homem bomba", respondeu meio constrangido.
Dizer aquelas palavras era bastante comprometedor àquela altura do campeonato.

"Venha comigo, Sr. Lupinski," disse o agente.


Scroogled - Cory Doctorow [ Download ]

Site Craphound.com

Beautiful Robot Characters Illustration







Naldz Graphics

domingo, 29 de março de 2009

SF and Technology as Mystification - Joanna Russ

Talk about technology, long familiar to science-fiction readers and writers, is getting popular in Academia too.

Particularly interesting to humanists is the connection between technology and whatever their own particular subject happens to be; I've attended three such formal symposia in the last five years, six including SF conventions, and including informal discussions among students, in writing classes, SF classes, and elsewhere, somewhere between fifty and sixty.

Consider, for example, Star Wars. I was dragged to see this film past a bookstore displaying the sword-and-sorcery novel a friend of mine has rather unkindly nicknamed The Sword of Sha Na Na. What is important about coupling these two in one sentence (and one event) is not that the film is as bad as the book, but that both are bad in exactly the same way.

This is not to say that neither is without some interesting or seductive elements.
For no addictive stimulus is simply bad or dull; if it were, nobody would want it at all.
What such artifacts do is follow the formula for physiological addiction in the psychic, cultural realm: they satisfy a need partially, and at the same time they exacerbate it.

Publishers and movie-makers' formulas for a "real hit" are obviously those of an addiction: not just enjoyment or desire but intense craving (lines stretching around the block), not just intense craving but sudden intense craving which must be satisfied at once (opening in sixteen million theatres tomorrow, a theatre near you!), not just sudden intense craving but insatiable craving; thus people see the film many times and — this is a dead-giveaway — a minor industry grows up about the film: buttons, sweatshirts, TV programs about how the film was made, TV programs (possibly) about how the first TV programs about the film were made, and so on.

These are what the trade calls "spin-offs."

Please note that addictive culture is not identical with what we like to call "escapist culture."

Perhaps there is no way of escaping in art from one's society, as any social product will of necessity embody the society's values and pressures, and the less these values or pressures are confronted and examined in the work, the more in force they will be. Thus Star Wars — which is being sold to the public as "fun" — is in fact racist, grossly sexist, not apolitical in the least but authoritarian and morally imbecile, all of this both denied and enforced by the opportunism of camp (which the youngsters in the audience cannot spot, by the way) and spiced up by technical wonders and marvels, some of which are interesting, many of which are old hat to those used to science fiction. Addictive culture, to succeed, can't be all bad. (Perhaps somebody, some time, will cotton to the fact that the most interesting film form for SF is the travelogue — although even travelogues cannot be made without moral and political assumptions.)


SF and Technology as Mystification - Joanna Russ [ Download ]

Joanna Russ


Joanna Russ (22 de Fevereiro de 1937), escritora e feminista, nascida em Nova Iorque (EUA), formada na universidade de Yales (Artes), é autora de inúmeros trabalhos de Ficção Científica (FC), incluindo o aclamado 'Female Man', considerado para muitos, não somente um dos romances mais impactantes da FC mundial, como um marco da literatura feminista. Neste livro, Russ examina e teoriza sobre como diferentes sociedades são capazes de produzir versões diferentes da mesma pessoa.
Joanna Russ começou a ganhar notoriedade no início da década de 70, em uma área predominantemente masculina, tanto de autores quanto leitores, logo chamou a atenção pela sua abordagem dferenciada de temas conhecidos.
Russ também escreveu livros de terror, além de se destacar como ensaísta e por vários anos dedicou-se a dar palestras e divulgar seu trabalho não-ficcional, como a coleção de ensaios
Magic Mommas, Trembling Sisters, Puritans & Perverts e seu estudo sobre o feminismo moderno What Are We Fighting For?
Ganhou os Prêmios Hugo('Souls', 1983), Nebula('When it changed', 72), Locus, James Tiptree Jr e SF Chronicle Award. Até bem pouco tempo atrás, lecionava na faculdade de Washington, em Seattle.

Coleção Joanna Russ (Como Dorothy mantuvo alejada la primavera, Poor Man Beggar Man, Picnic En Paraiso, La muerte del caos, The extraordinary voyages of Amelie Bertrand, Second Inquisituin, Almas(Souls), Female Man) [ Download ]

sábado, 28 de março de 2009

Frases úteis para turistas - Joanna Russ


Locrinia: Península e arredores - Lokrina D.C. - X 437894 = H
Bastante semelhante com a Terra (ver filmes gravados e transliterações).
Para Fisiologia, ecologia, religião e costumes, consultar Wu e Fabricant, Locrinia, Informações úteis para turistas, Praga, 2355, Vol. 2.


NO HOTEL

Esta é minha esposa. Não se trata de uma gorjeta.

Vou chamar o gerente.

Este não pode ser meu quarto, pois não posso respirar amoníaco.

Sentirei-me bem com temperaturas que variam entre 20 e 30 graus.

Garçom! Esta comida está viva!


NUMA REUNIÃO

Isso é você?

Isso é você por inteiro?

O quanto (que quantidade) de você (ou vocês) se encontra aqui?

Prazer em conhecer seu clone.

Você é venenoso?

Você é comestível?

Eu não sou comestível.

Humanos não se regeneram.

Minha esposa não é comestível.

Isto é minha orelha.

Sou venenoso.

É assim que vocês copulam?

Suponho que isso deva ser erótico?

Muito obrigado.

Explique-se, por favor.

Você troca de cor?

Vou embora desta sala.

Não podemos ser apenas amigos?

Levem-me imediatamente ao Consulado Terrestre.

Sinto-me muito lisonjeado com o convite, porém não posso acompanhá-lo ao campo de
procriação, pois sou vivíparo.

Segundo as regras de amizade interestelar quanto precisarmos ter alguma relação física, devo pedir que não o faça.


NO HOSPITAL

Não.

Meu orifício de alimentação não se encontra no extremo do meu corpo.

Prefiro fazer isso sozinho.

Por favor, não deixe escapar a atmosfera, eu ficaria bastante desconfortável.

Não me alimento de chumbo.

Se colocar o termômetro ai, não vai conseguir minha temperatura.


EM EXCURSÕES

Você não é meu guia. Meu guia é bípede.

Nós da Terra não fazemos isso.

Não posso demonstrar isso.

Isso é impossível.

Isso é ridículo.

Já vi exemplares melhores que este.

Por favor, me leve ao mamífero inteligente mais próximo.

Leve-me imediatamente ao Consulado Terrestre.

Oh, que magnífica piscina (curral de procriação).

A que horas a princesa é atirada no vulcão em erupção?

Podemos participar?



NO TEATRO

Vocês acham isso divertido?

Sinto muito, não queria ofendê-lo.

Você pode se deformar um pouquinho mais?

Estou imaginando isso?

Preciso me preocupar com esta água ao chão?

Onde está a saída?

Socorro!

É uma obra de arte!

Minhas convicções religiosas me impedem de tomar parte no espetáculo.

Não me sinto bem.

Sinto-me muito sujo.

Não me alimento de comida viva.

Vocês acham isso erótico?

Posso levar para casa?

Isso é parte do espetáculo?

Pare de me tocar.

Senhor, ou senhora, isso é meu (extrínseco).

Senhor, ou senhora, isso é meu (intrínseco).

Quero visitar as unidades de recuperação de lixo.

Você terminou?

Posso começar?

Você está no meu caminho.

Sob nenhuma circunstância.

Se não parar de fazer isso chamarei o responsável.

Isso é proibido na minha religião.

Senhor ou senhora, este é um local privado.

Senhor e senhora, este é um lugar privado.

Não foi minha intenção sentar-me em você. Não percebi que este assento estava ocupado.

Meus olhos são sensíveis a luz somente entre 3.000 e 7.000 Angstroms.


CUMPRIMENTOS

Você está maior do que antes.

Seu cabelo é falso.

Se descobrir os pés eu desmaio com certeza.

Não tem lugar.

Asseguro que você estará aqui amanhã.


INSULTOS

Você é sempre o mesmo.

Vocês são cada vez mais.

Você vê seus dedos.

Como você está limpo!

Você é limpo, mas apesar disso é alegre.


GENERALIDADES

Leve-me ao Consulado Terrestre.

Carregue-me ao Consulado Terrestre.

O Consulado Terrestre ficará sabendo disso.

Isso não são modos de tratar um visitante.

Por favor, me indique para onde foi meu hotel.

Meu veiculo não está passando bem.

Estou morrendo.

A que horas aparece a lua?

Vocês têm uma lua?

Essa é a lua cheia?

Leve-me imediatamente ao Consulado Terrestre.

Pode me dar o segundo volume de Wu w Fabricant, chamado Fisiologia, ecologia, religião e costumes dos locrinos?

Pago qualquer preço.


Useful Phrases For The Tourist (1995) - Joanna Russ

sexta-feira, 27 de março de 2009

A literatura de ficção científica questiona a ciência e sua ética


No século XIX, o desenvolvimento material resultante da aplicação de descobertas científicas a diversas instâncias da vida humana trouxe consigo inúm eras novidades e expectativas. O avanço tecnológico fazia com que m uitas previsões futuristas, que se acumulavam desde o renascimento, passassem a fazer parte do quotidiano das grandes cidades. (Booker, 1994). É, portanto, natural que esta época tenha testemunhado o nascimento do gênero literário que ficou mais tarde conhecido como ficção científica (FC). Afinal, como definiu Isaac Asimov, a FC é “ o ramo da literatura que trata das respostas do homem às mudanças ocorridas ao nível da ciência e da tecnologia” (Asimov, 1984, p. 46)

Até bem pouco tempo, a FC era vista freqüentemente como uma literatura de segunda categoria, provedora de diversão barata e escapista. Nos anos 70 surgiram os primeiros estudos que a reabilitavam, como o de Scholes, que defendendo a literatura cujo imaginário se projeta no futuro, afirma que ela é extr emamente relevante não só quando aler ta sobre a conseqüência de ações ainda não realizadas, mas quando “nos faz sentir essas conseqüências, em nossos corações e nossas vísceras” (Scholes, 1975, p.16). O olhar positivo sobre esse gênero literário tem perdurado e, bem mais recentemente, Moylan argumenta que “o famoso ‘escapismo’ atribuído à ficção científica não implica necessariamente numa fuga da realidade que aliena, mas também pode levar a um “escape que fortalece e que faz refletir, a uma maneira muito diferente de pensar o mundo, e possivelmente de se situar no mundo” (Moylan, 2000,p.5). A pausa para pensar um lugar no mundo envolve o questionamento do papel das instituições na sociedade, entre as quais está a ciência, sendo esse um dos temas mais recorrentes na FC.

Neste ponto, gostaríamos de parar para pensar na imbricação entre a ficção, com esse papel de questionamento, e o campo da divulgação científica, que se expandiu extraordinar iamente, assim como esse gênero literár io que aqui tratamos, a partir do início do século XX.

A literatura de ficção científica questiona a ciência e sua ética em A Lição de Prático, de Maurício Luz, e Oryx e Crake, de Margaret Atwood. Lucia de La Rocque & Claudia Kamel [ Download ]

Espectros da ficção científica – a herança sobrenatural do gótico no cyberpunk


O artigo tem como objeto de análise a Ficção Científica e, mais especificamente o cyberpunk, enquanto gênero herdeiro da tradição do romantismo gótico. Através de uma periodização histórica dos seus subgêneros desde a época clássica até chegar ao cyberpunk nos anos 80, algumas características da ficção gótica permanecem na literatura, no cinema e na própria
cultura contemporânea.

A subjetividade, o indivíduo frente às transformações sociais e tecnológicas, o medo e o horror representado através de fantasmas e/ou máquinas, o corpo humano como experimento sujeito à
violência e outros ressurgem em cada época da FC, como temáticas que continuam presentes
no imaginário pulsional da sociedade tecnológica.


Espectros da ficção científica – a herança sobrenatural do gótico no cyberpunk [ Download ]
Adriana Amaral

quinta-feira, 26 de março de 2009

Informação e Tecno-ciência em textos fílmicos de Ficção Científica


(...São analisados 10 filmes de sci-fi, com um instrumento desenvolvido para dar conta dos
elementos da representação da informação técnica e da informação de conteúdo ficcional e de linguagem especificamente cinematográfica. Da articulação dos indicadores de informação, memória e documento salientamos as representação da informação ficcional, a partir da narrativa de sci-fi, e sua relação com as informações que funcionam como estratégias de remetimento ao contexto de época e produção que sustentam a construção de uma memória de futuro baseada na visão técnico-maquínica do presente das narrativas.)

2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968) - Stanley Kubrick
Barbarella (1968) – Roger Vadin
Fahrenheit 451 (1966) – François Truffaut
Gattaca (1997) - Andrew Niccol
Máquina do Tempo (2001) – Simon Wells
Metrópolis (1926) - Firtz Lang
Solaris (1972) - Andrei Tarkovski
Vampiros de almas (1956) - Don Siegel
Viagem à Lua (1902) - Georges Méliès
Vingador do Futuro (1990) - Paul Verhoeven



Informação e Tecno-ciência em textos fílmicos de Ficção Científica: construindo o conceito de memória de futuro em bases informacionais utópicas e distópicas [ Download ]
(Leila Beatriz Ribeiro, Valéria Cristina Lopes Wilke, Carmen Irene C. de Oliveira, André Januário da Silva, Wagner Miquéias Félix Damasceno, Eduardo Menezes de Barros)

De olho no futuro - Ficção Científica na sala de aula



Ingressar no silêncio que era a cidade às oito de uma noite enevoada de novembro, por os pés
na calçada irregular de concreto, evitando pisar nas fendas onde crescia o mato e ir em frente,
mãos nos bolsos, através dos silêncios, era o que o senhor Leonard Mead mais gostava de fazer
(Bradbury, 1979, p. 18).


Em 2053 dC, entretanto, esse é um comportamento anormal, pois todos deveriam estar em casa, assistindo suas TVs, segundo nos conta Ray Bradbury no conto O Pedestre. Leonard Mead vê-se
em apuros quando uma viatura de polícia interpela-o durante um desses passeios.

Em poucas páginas, Bradbury nos insere de forma contundente em questionamentos sobre os caminhos da tecnologia e onde ela pode nos levar. É sobre o futuro que esse conto, escrito em
1951, está falando? Não exatamente.

Poderíamos dizer mais precisamente que está trazendo possíveis tendências futuras colocadas pelas questões do momento histórico em que foi escrito. Segundo Jameson (2005, p. 345),

“a ficção científica é entendida geralmente como a tentativa de imaginar futuros inimagináveis. Mas seu assunto mais profundo pode ser de fato nosso próprio presente histórico”.

A idéia de que a ficção científica (FC) pode ter um papel no ensino de ciências data praticamente da origem moderna do gênero, sendo considerada como veículo de divulgação científica e às vezes como possuindo finalidades educacionais explícitas (Fiker,1985, p. 41).

No ensino formal, o uso da ficção científica vem sendo sugerido por diversos autores, como Dubcek (1990, 1993, 1998), que propõe a utilização de filmes para ilustrar ou apresentar conceitos e fenômenos científicos.

Outros, como Nauman e Shaw (1994), vão além da abordagem de conceitos, propondo a leitura de histórias de ficção científica também para abordar questões sociais envolvendo a ciência e a
tecnologia.


De olho no Futuro: Ficção Científica para debater questões sociopolíticas de Ciência e Tecnologia
em sala de aula ( Luís Paulo Piassi - Maurício Pietrocola) [ Download ]

quarta-feira, 25 de março de 2009

A importância da leitura na vocação técnico-científica


Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do Sol, da Lua e das estrelas, os astrônomos conheciam perfeitamente.

Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?

Matutei na lembrança de Emília, Eu, os astrônomos, que doidice! ter as coisas do céu, que havia de supor?

E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas....

Os astrônomos eram formidáveis. "Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes."


Graciliano Ramos, "Os astrônomos", in Infância , São Paulo, Livraria Martins, 1972.


Leitura é um processo de compreensão de uma mensagem codificada em sinais visuais, em geral letras, cifras e símbolos. É o mais importante e eficiente instrumento capaz de permitir o desenvolvimento e fixação dos conhecimentos culturais, sejam eles científicos ou técnicos. A leitura constitui o mais importante meio de aquisição e transmissão de saberes dos mais diversos setores culturais, desde a cultura artística à científica e tecnológica. As próprias expressões matemáticas são, na realidade, uma mensagem codificada que exige uma leitura.

O aprendizado e a difusão desse processo de compreensão – a leitura – é a principal meta de todo o sistema educativo, que se inicia, de início, na vida familiar e, mais tarde, na escola primária, passando por todos os níveis de ensino para atingir a sua mais completa plenitude na sociedade. Com a informática, a leitura atingiu um grau de extrema sofisticação.

O primeiro contato com a leitura deve-se fazer através dos pais, na intimidade do lar, aos quais cumpre dar acesso às formas gráficas mais simples. Às vezes, o ato da leitura de textos associados à cultura científica pelos pais é um fator fundamental à futura formação voltada para a pesquisa. Ela pode despertar a vocação dos jovens. Falo em leitura pelos pais, antes mesmo que se inicie a alfabetização. Num mundo moderno, onde predomina a televisão, uma atividade dessa natureza pelos pais – lendo textos aos filhos – ou dos responsáveis pelo órgão de comunicação lendo livros, durante uma apresentação televisiva, estimula a curiosidade das crianças que descobrem no livro um meio de “navegação” tão instigante quando a internet .

Todos os pioneiros da astronáutica foram estimulados pela leitura de ficção científica, às vezes lida pelos pais, antes que as crianças tenham sido alfabetizadas, como ocorreu com o físico norte-americano George Gamow. Vejamos a importância da leitura de texto de ficção científica.

A conquista do espaço é um velho sonho da humanidade. Logo que se constatou que os astros eram corpos sólidos, o homem começou a pensar em visitá-los. Entretanto, por falta de meios tecnológicos suficientes, seus planos ficaram limitados aos relatos dos escritores que, influenciados pelo desenvolvimento do início do século XIX, deram origem à literatura de ficção científica. De todos os relatos sobre os meios de conquista do espaço, os mais importantes foram os do escritor francês Jules Verne (1828-1905), que publicou em 1865 o imortal livro: De la Terre à la Lune . Neste livro, os fatos científicos são sensivelmente tão exatos, como o permitiam os conhecimentos da época. Embora tenha sido o escritor francês Achille Eyraud quem primeiro imaginou o emprego de foguetes a reação, como está relatado no seu livro Voyage à Venus , publicado em 1863, foram Jules Verne e, mais tarde, o escritor H. G. Wells os grandes divulgadores das idéias que influenciariam os pioneiros da astronáutica.

O primeiro cientista a compreender a utilidade dos foguetes na Astronáutica e a estudar as bases teóricas de sua utilização foi o cientista russo Konstantin Edwardovitch Tsiolkovski (1857-1935) que assim escreveu sobre Jules Verne: "Durante muito tempo pensei no foguete como todo mundo, considerando-o apenas um meio de diversão, com algumas aplicações pouco importantes na vida corrente. Não me lembro exatamente quando me veio a idéia de fazer os cálculos dos seus movimentos. Provavelmente, os primeiros germes dessa idéia foram fornecidos pelo fantástico Jules Verne e, em conseqüência deste grande autor, meu pensamento orientou-se nesta direção, estimulando o desejo que mais tarde impulsionou o espírito do meu trabalho".

Não foi, entretanto, Tsiolkovski o único a sofrer as influências do escritor francês; o engenheiro norte-americano Robert Hutchings Goddard (1882-1945), pai da moderna tecnologia dos foguetes, em um ensaio autobiográfico escrito em 1927 e publicado em 1959 na revista Astronautics, reconheceu a influência das obras de ciência-ficção, tais como os clássicos de De la Terre à la Lune de Jules Verne e The War of the Worlds de H. G. Wells, com as seguintes palavras: "Eles afetaram maravilhosamente a minha imaginação, incitando-me a pensar sobre os caminhos e meios possíveis à realização dessas maravilhas."

Outro pioneiro que teve o seu interesse pela astronáutica estimulado pelos grandes romancistas da ciência-ficção do século XIX, em especial por Jules Verne, foi o terceiro grande responsável pelas idéias fundamentais da ciência espacial, o engenheiro alemão Hermann Oberth (1894-1989). Assim escreveu Oberth em sua autobiografia: "Tinha onze anos quando recebi de presente de minha mão os célebres livros de Jules Verne, que já li ao menos cinco ou seis vezes, até os saber de memória".

O próprio engenheiro Wernher Von Braun (1912-1977), que dirigiu os primeiros lançamentos de satélites e foguetes norte-americanos, confessou inúmeras vezes que os autores de ficção científica, dentre eles Jules Verne, haviam-no entusiasmado profundamente na juventude.

Tal influência, entretanto, não se fez somente junto àqueles que estabeleceram as bases fundamentais da astronáutica, pois a leitura, de Jules Verne na juventude, iria animar também outros homens de ciência, tais como astrônomos, biólogos, físicos, matemáticos etc.

Assim, o grande físico norte-americano George Gamow que, além de ter sido o responsável pela moderna cosmologia, escreveu também inúmeros livros de divulgação científica, traduzidos em quase todos os idiomas, confessou que desde a idade de sete anos fora fascinado pelas histórias de Jules Verne que sua mãe lia em voz alta.

Livros como os de Jules Verne certamente fizeram e ainda fazem muito mais no sentido de inspirar as vocações de futuros cientistas, do que todos os ensinamentos ministrados nas escolas, pois a dedicação desses jovens nas aulas de Ciências foi, sem dúvida, motivada por aquelas leituras.

Como toda sociedade precisa cultivar a leitura dos textos sobre Ciência, pois ela está intimamente associada à evolução de nossa civilização, é fundamental procurar incentivar o interesse dos jovens pelas ciências o mais cedo possível, através de leituras voltadas para as histórias de antecipação científica, como aliás se pode fazer indiretamente por intermédio de filmes ou histórias em quadrinhos, onde ocorrem relatos de conquista espacial. Isto é o que se vem fazendo nos outros países, como nos EUA, onde se procura desenvolver o caráter criativo da criança desde cedo. Assim também ocorreu com as histórias de Jules Verne, que entusiasmou os pioneiros da Astronáutica.

Finalizando, gostaria de fazer um questionamento: Será que o atraso do poder inventivo dos brasileiros não estará associado à ausência da leitura voltada para a ficção científica?


A importância da leitura na vocação técnico-científica:
o caso especial dos pioneiros da astronáutica
Rogério Mourão

Foi realmente Jules Verne o pai da Ficção Científica?


(...Em geral, as obras de Verne estão carregadas de um grande carácter pedagógico e a sua missão principal é criar um espírito científico tanto no leitor, como no protagonista juvenil da época. Neste sentido, muitas das obras que formam a colecção, entram nesta categoria de obras iniciadoras...)


Foi realmente Jules Verne o pai da Ficção Científica? [ Download ]
Mundo Verne - Set/Outubro 2007

terça-feira, 24 de março de 2009

Before and After Cyber


Introdução: Para uma Genealogia da Cibercultura
Ao averiguar sobre as origens da cibercultura – ou, para ser mais concreto, de todo o conjunto de práticas que se convencionou associar a esse termo –, é tão necessário retraçar a ligação ao aglomerado de ciências e engenharias que permitiram criar infra-estruturas como a Internet (os computadores, a possibilidade de ligá-los em rede, as interfaces gráficas, etc.) quanto a todo um imaginário que, extrapolando se não mesmo especulando1 a partir do pouco que havia sido concretizado na viragem para a segunda metade do século XX, criou toda uma apetência para adoptar (e talvez influenciar) as inovações que entretanto se foram sucedendo.

É certo que muitas dessas inovações ultrapassaram ou se desviaram das previsões mais eufóricas – por exemplo, dificilmente se imaginaria, quando foram criadas as primeiras aplicações de correio electrónico, que não só o seu uso seria tão universal como também que serviria para enviar os mais diversos tipos de documentos.

É certo também que outras aspirações ficaram – até ver – aquém de expectativas então consideradas modestas: a ilustração talvez mais flagrante é o facto de terem passado mais de cinquenta anos sobre as primeiras promessas de inteligência artificial e elas continuarem por cumprir apesar do brutal aumento nas capacidades de computação.

Um outro é o do aproveitamento comercial (e consequente «democratização») da exploração espacial, como no sonho por vezes referido da criação de hotéis em estações espaciais. Mas em todo o caso, não pode ser ignorada a importância desse universo, paralelo ao da realidade concreta mas aparentado das reflexões ensaísticas de autores-cientistas como Alan Turing, Norbert Wiener, Wernher von Braun ou Arthur C. Clarke, que é o da ficção.

Before and After Cyber - Jorge Martins Rosa [ Download ]
Texto realizado no âmbito do Projecto «Tendências da Cultura das Redes em Portugal»

Estética Cyberpunk e semioses subversivas: Prováveis virtualidades reais


A cultura cyberpunk origina-se da ficção científica, tendo como principais autores George Orwell, com “1984”, William Gibson e seu “Neuromancer”, Isaac Azimov com “Eu, robô”, dentre vários outros títulos, Aldous Huxley com “Admirável mundo novo” e Anthony Burgess com “Laranja mecânica”.

Enraizada na literatura, a cultura cyberpunk apresenta atualmente diversos exemplos cinematográficos, dentre os quais pode-se citar os filmes Blade Runner, Terminator, Matrix, Nirvana, Resident Evil, Robocop, Absolon, Aeon Flux, Ghost in the Shell e Serial Experiments Lain.

Também são vários os games relacionados ao Movimento: Splinter Cell, Tron, Resident Evil, Neuromancer, Computer Underground, System Shock, Deux Ex-machina, Blade Runner.

Surgida no contexto tecnourbano da década de 80, a cultura cyberpunk, desdobramento da contracultura norte-americana, tem como mote principal a contestação do sistema capitalista e a apropriação social da tecnologia. A atitude cyberpunk é definida por ideais libertários, pelo uso e domínio das tecnologias digitais e pelo desafio às normas estéticas e culturais.

Os cyberpunks combatem o panopticum eletrônico da tecnocracia e disseminam o lema punk “do it yourself” por meio do compartilhamento de informações, dos softwares de código aberto, como o sistema operacional Linux e de diversas formas de crítica em relação à privatização do ciberespaço. Seus anti-heróis são outsiders que fazem uso das tecnologias digitais para minar a estabilidade de valores que consideram equivocados.

São hackers, crackers, phreakers, cypherpunks, ravers, zippies e otakus, uma diversificada gama de usuários de tecnologias digitais que herdaram da literatura de ficção científica um imaginário composto por ambientes urbanos, caóticos, distópicos, palmilhados por anti-heróis que adentram submundos tecnológicos, uma espécie de marginália digital embebida em ideais punks de contestação ao capitalismo e à sociedade de consumo.

No universo dos cyberpunks, a dissolução de limites é imperativa. Mescla-se o virtual e o real, o orgânico e o inorgânico, e a percepção é marcada pela abertura dos sentidos, exemplificada pela metáfora das drogas alucinógenas e pela experimentação do fantástico, do pensamento mágico e do misticismo como facetas perfeitamente cabíveis ao universo da vida cotidiana.


Estética Cyberpunk e semioses subversivas: Prováveis virtualidades reais [ Download ]
Deborah Lopes Pennachin
Mestre em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea pela UFMG e Bacharel em
Jornalismo pela mesma instituição.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Saudades do futuro: o cinema de ficção científica como expressão do imaginário social sobre o devir



A metáfora saudades do futuro apresenta a questão central desta tese: o cinema de ficção científica como expressão do imaginário social sobre o devir, formulado pelos habitantes das grandes metrópoles ocidentais contemporâneas.

As preocupações relativas ao futuro, que acompanham a humanidade desde os seus primórdios, ganharam visibilidade apenas no século XX por meio da linguagem cinematográfica, nos filmes de ficção científica, como resultado dos entrecruzamentos entre desenvolvimento científico e tecnológico, espírito inventivo, ilusionismo e arte.

As metáforas científico-ficcionais das narrativas fílmicas são vistas como testemunhos dos contextos sociais e históricos nos quais são produzidas, e sua análise parte dos elementos internos da narrativa, buscando estabelecer relações com os ambientes nos quais estão
inscritas. O conceito de imaginário social aqui é entendido como a base na qual cada sociedade elabora a imagem de si mesma e do universo em que vive.

A idéia de “passado”, “presente” e “futuro” referencia a experiência da construção social humana na noção de tempo, e o futuro, ou, os futuros, projetam as inquietações que habitam
o imaginário de homens e mulheres quanto às transformações do corpus social do qual fazem parte.

As cidades são personagens centrais nos filmes de ficção científica, porquanto habitadas por massas humanas, devastadas por guerras, cenários de heróis, palcos de lutas e degradação do meio ambiente. A ameaça de instalação de sociedades totalitárias atravessou décadas, tomando a forma de questionamentos quanto às possibilidades de controle do comportamento social por meio da comunicação de massa, do desenvolvimento tecnológico, e do desenvolvimento da ciência biogenética.

Sobre as cidades científicoficcionais pairam sempre as ameaças trazidas pela presença do outro,
seres alienígenas, de origem e natureza estranhos, estrangeiros, predadores, macacos quase humanos violentos e autoritários, máquinas inteligentes que suplantam a humanidade, viajantes no tempo.

O discurso ideológico, que orienta as narrativas científicoficcionais, apropria-se de elementos do universo do imaginário, para justificar seus projetos. No entanto, o imaginário social, situado além
das manipulações ideológicas, preside a produção do “amálgama” das instituições sociais.
Mais que isso, os mecanismos que dão expressão ao imaginário cumprem papel histórico na popularização de questões científicas e tecnológicas.

Nas histórias de ficção científica prevalece o desejo primevo de voltar ao princípio, ao anel de moebius do tempo, ao elo mítico onde o passado remoto e o futuro longínquo se entrelaçam e se
confundem para dar sentido à grande viagem da saga humana.
Por isso: saudades do futuro...


Saudades do futuro: o cinema de ficção científica como expressão do imaginário social sobre
o devir - Alice Fátima Martins (Doutorado em Sociologia - resumo de tese - UnB/2004)

Ficção Científica e Memória da Futuro


(...O texto fílmico necessita ser entendido dentro de um contexto que envolve a produção cinematográfica, seus códigos, e a própria delimitação do que vem a ser um texto...)

(...Nosso campo é constituído por filmes de ficção-científica que nos propiciam narrativas que entendemos como projetivas: lançam questões em outros tempos e espaços. Ou seja, tais questões sustentam a possibilidade de uma memória que se constrói nas expectativas presentes, mas projeta-se para o futuro como uma visão concretizável ou não. A esta memória, denominamos memória de futuro.)


Ficção Científica e Memória da Futuro - representações imagéticas do presente [ Download ]
(Leila Beatriz Ribeiro - Valéria Cristina Lopes Wilke - Carmen Irene C. de Oliveira)

domingo, 22 de março de 2009

Watchmen e Alan Moore


Nas artes sempre encontramos uma série de obras que são representativas de cada área, que transcendem gostos pessoais ou escolhas artísticas. Exemplos como a Gioconda na pintura, a 9°sinfonia na música, Don Quixote na literatura. O cinema tem seu 'Cidadão Kane', porém até bem pouco tempo faltava para os quadrinhos, uma obra que estabelecesse um ponto de referência e de real significância.

Mesmo existindo um punhado de obras fantásticas, como 'Aventuras de Tintin', Little Nemo' ou 'Akira', nunca a crítica mundial teve uma postura unânime sobre um trabalho, que não deixasse dúvidas de sua universalidade e permanência.
Até surgir WATCHMEN, escrito por Alan Moore e desenhos de Dave Gibbons, em 1986, publicado pela editora DC Comics.



A versão dos quadrinhos que chegou finalmente em 2009 aos cinemas, 'corajosamente' pelas mãos do diretor Zack Snyder (responsável por '300'), já foi renegada pelo seu autor. Alan Moore declarou que não gostou, mesmo sem ter visto, e que Watchmen não se presta para o cinema. Seu nome não está nos créditos do filme, mas sim o de Dave Gibbons.
Entrevista com Zack Snyder sobre o filme.



A história:
Em plena Grande Depressão, surgem os primeiros vingadores mascarados, que se intitulam como sendo os 'Minutemen' e durante a década de 30 e 40, se dedicam a perseguir criminosos.

Na década de 50, inicia-se o ocaso dos mascarados, quando o crime se organiza. Os mafiosos usam gravata e se torna um pouco ridículo perseguí-los de capa e máscara.

Em 1959 outro golpe: O nascimento do Doutor Manhattan, primeiro e único super-herói com super-poderes. Os mascarados que se tornaram antiquados, como punhos diante de um panzer, assistem nos anos 60 a crise se instalar.

Uma reunião, presidida pelo Capitão Metrópolis, trata de reconstruir um grupo semelhante ao Minutemen, a fim de combater as novas formas de crime: drogas, motins raciais, subversão estudantil, promiscuidade sexual, etc. Porém tal iniciativa fracassa diante do cinismo do Comediante (único Minutemen ainda ativo). Esta reunião, um dos pontos chave da história, é narrada por diferentes pontos de vista, em diferentes momentos.

No início dos anos 70, a América ganha a guerra do Vietnam graças a decisiva ajuda do Doutor Manhattan. Isto assegura a reeleição de Nixon e ainda um terceiro mandato.

O golpe final contra os mascarados ocorre em 1977, quando é criada a Lei Keene, que os converte em criminosos. Excetuando claro, aqueles que trabalham para o Governo: o Doutor Manhattan, a super-arma definitiva e o Comediante, uma mistura de Oliver North e Rambo, envolvido com todos os golpes na América do Sul, salvador dos refens de Teerã, 'silenciador' de Watergate e provável assassino de Kennedy.

O ano de 1985 começa com a ameaça de guerra no Afeganistão...
E o assassinato do Comediante.




Watchmen (em português) - 12 volumes [ Download ]
Who Watches the Watchmen, David Hughes [ Download ]
Roteiro para Watchmen [ Download ]
Extras de Watchmen (várias capas e desenhos não utilizados, storyboard original, sketchs, relatos dos criadores, etc) [ Download ]
DC Heroes RPG - Who Watches the Watchmen [ Download ]
DC Heroes RPG - Watchmen - Taking Out The Trash [ Download ]
Cubeecraft Watchmen - Rorschach [ Download ]
Cubeecraft Watchmen - Dr. Manhattan [ Download ]
World Of The Watchmen - Alan Moore [ Download ]

Alan Moore


Alan Moore (18 de Novembro de 1953) nasceu em Northampton, Inglaterra. Cartunista e escritor, foi como roteirista de histórias em quadrinhos, que Alan Moore ganhou respeito e admiração.

Moore teve uma infância e adolescência difícil, devido a pobreza de sua família e ao seu temperamento arredio, sendo expulso de várias escolas.
Apesar disso, desde cedo demonstrava talento em artes e se interessava por desenho e pintura.

Na década de 70, trabalhou em diversas revistas, principalmente como ilustrador, atividade que ele assumiria tempos depois, não ser seu forte.

A partir de 1980, a vida de Moore deu uma guinada completa. Escolhido como Melhor Escritor de quadrinhos de 1982 e 83, por 'Miracleman' e 'V de Vingança' respectivamente, Moore demonstrava talento e aptidão, levando o que era considerado uma arte menor, ao seu mais alto patamar.

Na DC Comics, Alan Moore encabeçou a reconstrução do universo dos Super-heróis, criando o que é considerado até hoje, a melhor história em quadrinhos de todos os tempos, Watchmen.
Apesar do sucesso, Alan Moore (que não detinha os direitos de sua obra) dá outra guinada em sua carreira ao abandonar a DC e se dedicar a projetos para editoras independentes, afastando-se de qualquer pretensão comercial, como seria de se esperar.

Recluso em sua cidade natal, continua trabalhando em projetos pessoais enquanto estuda para se tornar um mago. De um desses projetos, nasceu o elogiado livro 'Voice of the fire', várias histórias que contam a vida de pessoas que viveram na mesma região da Inglaterra (a sua Northampton) durante 5 mil anos. Sombrio e intenso, o livro trata de sua visão do que seria o lado pouco conhecido da história da humanidade. Tal qual Borges e Kipling, Moore inventa novos vocábulos, misturando com maestria ficção e fatos reais, medo e desejo.

Apesar de avesso a entrevistas, continua surpreendendo seus fãs e o público em geral, ganhando prêmios e aumentando a aura mística que envolve seu nome e obra.

Como escrever histórias em quadrinhos [ Download ]
A voz do fogo [ Download ]

Alan Moore, o Senhor do Caos