sábado, 27 de junho de 2009

Marginalia - Stephen Baxter



(Nota do autor: O documento me foi enviado anonimamente em um envelope lacrado, o documento em si, uma fotocopia, trata-se do papo furado do governo, com partes ilegíveis. Mas os comentários escritos nas margens são o mais intrigante.)

Primeira página:
Escritório Geral de Contabilidade (GAO) dos Estados Unidos, respondendo ao honorável William X. Lambie, Câmara dos Deputados Junho de 1998
Registros Governamentais
Resultados concernentes a pesquisa sobre a explosão ocorrida em 1983 próxima a Cross Fork, Nevada - Sumário GAO/NSRAF-96-244

De: Escritório Geral de Contabilidade dos Estados Unidos, Washington, DC20548 Divisão de Assuntos Internacionais e Segurança Nacional. 24 de Junho 1998.
Para: O ilustre William X Lambie, Câmara de Deputados.
Caro Mr. Lambie:
Após quinze anos, a especulação permanece quanto a verdade sobre a grande explosão que se alega ter ocorrido em uma base militar de pesquisas dos EUA em Nevada. Alguns especulam que a explosão se deu pela destruição de um foguete convencional, outros que foi causada por uma colisão aérea, talvez de natureza extraterrestre, outros que algumas agências governamentais estão em um tipo de campanha de desinformação para esconder a verdade, tal como o lançamento bem sucedido de algum tipo de veículo espacial, outros de que se tratou da demolição de uma instalação militar.
Em seu relatório oficial de 1984 e desde então, a Força Área vem negando tal explosão.
Cientes de que o Departamento de Defesa não lhe proveu com toda a informação disponível sobre o acidente, você nos solicitou que averiguássemos os registros do governo sobre o acidente, e assim examinamos uma vasta gama de documentos confidenciais ou não, de 1965 a 1980. O escopo total e a metodologia utilizada em nosso trabalho se encontra detalhada no relatório completo.



Senhor:
Eu li seu contra factual ’romance’. Sobre a NASA não ter ido para Marte em 1980, ao invés de fechar todos os projetos após o Apollo? Que lixo! Contra factuais não servem às necessidades da verdade. Mas agora a verdade está surgindo. E a verdade é que pessoas já foram à Marte. E eles estão andando entre nós agora mesmo. E ninguém sabe disso. É claro que muito do material recolhido das antigas sondas marcianas foi mantido em segredo do público. Isso inclui:
1) Fotos antigas tiradas pela Mariner 4 em 1964, do que seriam estruturas na superfície.
2) Alguns reflexos estranhos em meio a tempestade de poeira, fotografadas pela Mariner 9 em 1971.
3) As estranhas leituras feitas pelas Vikings em 1976, do que seria um supostamente solo estéril marciano.

E é claro, a observação de Marte feita em 1992, que foi deliberadamente destruída.
Poucos sabem que o GAO dos EUA, que é o braço investigativo do Congresso - recentemente publicou isso, os resultados da busca de registros sobre o incidente em Cross Fork, Nevada, o ponto alto desta manobra para encobrir os fatos sobre Marte. A pesquisa iniciada pelo congressista Bill Lambie, que desaprova tais manobras como qualquer um. Publicado significa dizer que foi abafada e enterrada. Eu tenho minha cópia graças a (ilegível);
Foi assim que eu comecei com isso: Recebi um email de Janet (ilegível) de Albuquerque. Ela disse ter conhecido uma prostituta em Reno nos anos 70. Esta mulher trabalhava em uma espelunca perto de Cross Fork, Nevada. E ela disse a Janet que conhecera muitos ex-engenheiros da NASA da cidade na época. E que uma noite, dois caras da NASA começaram a falar um pouco mais do que o normal.



CONSELHO DE SEGURANÇA NACIONAL, WASHINGTON DC 20506. 18 de Abril de 1997.
MEMORANDO PARA MR JOHN E PROCTOR, DIRETOR ENCARREGADO DE ASSUNTOS DE SEGURANÇA NACIONAL, GAO.
Assunto: Requisição de registros.
Respondendo sua solicitação de 2 de Abril de 1997 por informações ou registros relacionados a suposta explosão próxima a Cross Fork, Nevada em Outubro de 1983.
O Departamento não possui registros ou informações relativas ao incidente.
Para informações sobre qualquer registro governamental que possa ter documentado a explosão em Nevada,sugerimos que contate os Arquivos Nacional, Divisão de Referência Textual, 8601 Adelphi Rd, College Park, Maryland 20740.
Albert D Steele, Secretário Executivo



São 4 as categorias chave do encobrimento do caso Marte:
1) As gerências de alto escalão, incluindo CIA, FBI e DIA
2) A Interface pessoal
3) A Interface técnica
4) Os astronautas

Somente recrutando astronautas poderiam encarar tal desafio. E eram afinal, homens bravos e dedicados. Manter o segredo nunca foi o maior problema, mesmo para um projeto deste tamanho. Haviam precedentes. Mais de 3 mil pessoas estiveram envolvidas na construção da bomba atômica entre 1942 e 1945, e nenhuma informação chegou ao público.
Além disso a América tinha se tornado um estado policial à muito tempo (grampos e escutas, vigilância de civis) e bastava aplicar estes métodos ao Projeto Marte.
(alguém me mandou um email sobre alguém que ligou para um programa de rádio do Arizona, dizendo ser o homem que coordenava a segurança da NASA naquele período. Ele disse que quatro homens morreram em missões e que tudo foi silenciado pela NASA. E ele disse verdades sobre a Apollo 13 que ninguém nunca ouvira antes. Provavelmente um doido.)

O projeto Marte inteiro ficava ao sul de Nevada em uma (assim chamada) base de testes atômicos: mil milhas quadradas do deserto de Nevada.
Por que lá?
Era uma área de montanhas, picos, vales desérticos de lagos secos. O território parecido com o solo lunar, escondia uma grande quantidade de túneis escuros e instalações secretas.
Você vê um carro à distância apenas pela sua nuvem de poeira, qualquer coisa que se mova será a única coisa a se mover naquele cenário. E como se chega lá? Mesmo em 1970 sua reputação era de uma região esquecida, mergulhada em radiação.
A maioria das instalações da USAF Marte ficavam em instalações da AEC, como Yucca Flat e Camp Desert Rock, ou Área 22.
E tinha uma outra boa razão: Vegas - apenas a 60 milhas sudoeste.
Aqueles astronautas não eram crianças, e não estavam ali para colher flores. Os trabalhadores para o centro de controle do projeto Marte eram uns otários recrutados nos cassinos de Las Vegas.



Gabinete Executivo do Presidente, Ministério de Ciência e tecnologia, Washington DC 20500. 20 de Abril de 1997. Mr. John E Proctor, Diretor encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em resposta ao seu recente questionamento de 2 de Abril de 1997.
O Ministério de Ciência e Tecnologia reviu seus registros concernentes ao ’Incidente de Nevada’. O Ministério não tem conhecimento direto do que ocorreu em Nevada e nenhum registro exceto pela informação recebida da Força Aérea. Aguardo com expectativa o relatório da GAO
Atenciosamente, Joseph V Ververk, Diretor



Em Cross Fork, Nevada, eu encontrei aquela prostituta.
E graças a ela achei um cara chamado Tad Jones.
Tad Jones dizia ter trabalhado no inicio dos anos 70 em um programa clandestino de foguetes nucleares do governo. Este projeto continuou após o fechamento do projeto NERVA, de conhecimento público, logo após a (suposta) decisão de Nixon de não irmos mais para Marte. Jones e outros trabalhadores foram ameaçados e obrigados a manter segredo sobre seu trabalho no projeto. Jones foi despedido em 1972, eu penso que por razões pessoais. Agora, mais do que duas décadas depois, a radiação o estava matando.

A coisa foi assim, Tad Jones me contou que encontrou um cara que conhecia um sujeito que contou que tinha estado em Marte.
Ele se chamava Elliot Becker e tinha sido um coronel da Força Aérea que cometeu o erro de se embebedar uma noite. Sobre falsos pretextos que não cabe dizer aqui, fui encontrar Elliot Becker pessoalmente. Era agora um oficial aposentado da Força Aérea, na casa dos 60 anos, e sofria com sinais de envelhecimento precoce, músculos atrofiados e osteoporose.
Me despachou logo, mas não antes de eu reparar em algumas coisas bem esquisitas.
Por um instante, em um ponto da conversa, Becker largou um copo em pleno ar e ficou olhando estarrecido enquanto caia. O tipo de coisa que acontecia bastante com os astronautas da Skylab e cosmonautas da Mir, condicionados a G Zero. Sem contar que sua doenças eram consistentes com a idéia de que Becker tivesse passado por um vôo de longa duração no início dos anos 80.
Mas ele nunca esteve em um vôo espacial conhecido.
Então onde diabos tinha ido?

Só encontrei Tad Jones aquela vez.
O que não era tão surpreendente assim. Velho, pobre, sofrendo com dores, Jones se tornara menos discreto. Não sei como morreu. Os antigos problemas devido a radiação deviam ter afetado as coronárias. É claro que ele podia estar mentindo sobre a coisa toda. Mas se fosse mentira, onde então ele conseguira aqueles ferimentos?



Departamento de Justiça dos EUA, Bureau Federal de Investigação, Washington DC 20535, 22 de Abril, 1997.
Mr. John E. Proctor, Director encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em resposta a sua carta de 2 de Abril de 1997, de Simon J Holusha, Diretor, Assuntos administrativos da Justiça, GAO, para Kathryn G Keyworth, Inspetor encarregado, Escritório Publico para Assuntos do Congresso, FBI, requerendo registros do governo concernentes a explosão em larga escala próxima a Cross Fork, Nevada em Outubro de 1983 (Código 91183).
Uma pesquisa nos arquivos do FBI determinou que todos os dados do FBI referentes ao incidente foram processados sob o Ato de Liberdade de Informação (FOIA) e está disponível para revisão no salão de leitura da FOIA. Se seu pessoal desejar ter acesso a este material, por favor contatem Margaret Feeley, um dos membros do meu staff, com pelo menos 48 horas de antecedência.
Atenciosamente, Eric G Dower, Agente Supervisor, Gabinete de Assuntos Públicos do Congresso.



A verdade sobre Marte agora era óbvia.
As sondas marcianas não encontraram qualquer evidência de que havia vida em Marte por que isso foi deliberadamente ocultada. A tempestade de poeira que dificultou o trabalho da Mariner 8 não foi coincidência! – foi parte dos esforços dos habitantes de Marte para dar àquele lugar a aparência lunar. E a superfície foi esterilizada por bombas de nêutrons antes das Vikings pousarem, e a sonda Mars Observer foi abatida ainda no céu ...
Não voltamos lá por vinte anos. E quando fomos para lá com a Pathfinder e o resto, não havia mesmo nada para se ver. É claro que não. Os marcianos tinham feito uma maquete completa.
E ninguém nos disse nada sobre isso. Nós adoramos segredos neste pais.
Veja só: No ano passado o governo dos EUA produziu cerca de seis milhões de documentos classificados. O menos restrito tem o carimbo de ’FOUO’ (Para uso oficial somente) a categoria seguinte, a primeira tecnicamente classificada é ’Confidencial’. Depois disso vem ’SEGREDO’ e alguns ’SEGREDO da NATO’ o que quer dizer que pode ser compartilhado apenas com as nações da NATO. E então vem ’Altamente secreto’ e ’NATO altamente secreto’. Acima disso temos ’SCI’ Informação sensivelmente compartimentada, aberta apenas para poucos indivíduos. Então vem um tipo que você só poderá ver se estiver numa lista BIGOT, com sua própria palavra código específica. E então temos qualificações como ’NOFORN’ , não permitida para estrangeiros - e NOCONTRACT – não permitida para contratadores - ’WNINTEL’ Ou ’nota de atenção – fontes ou métodos da inteligência envolvidos’, ’ORCON’ ’controle do autor sobre divulgações posteriores’.
Qual o custo de todo este segredo? Quando o segredo aumenta a força militar e quando enfraquece a segurança? Deveríamos saber! Ou será que isso é confidencial também?

As provas encontradas pela sonda espacial naturalmente foram encobertas. Eu deveria me utilizar desta nossa disposição natural pelo segredo. Mas depois de algo tão grande assim, isso me perturbou profundamente. É por esta razão que eu luto contra isso.



(Teletipo descoberto durante revisão do material da FOIA)
FBI DALLAS 20/10-1983 4:28 PM
DIRETOR E SAC, CINCINNATI URGENTE

EXPLOSÃO EM NEVADA, INFORMAÇÂO RELATIVA
(branco)
ESTE ESCRITÓRIO FOI AVISADO POR TELEFONE QUE (branco) SATÉLITE OBSERVOU RUÍNAS E DESTRUIÇÃO EM (branco) CONVERSAÇÃO TELEFÔNICA ENTRE ESTE ESCRITÓRIO E (branco) FALHARAM EM FORNECER. FOTOS E NEGATIVOS FORAM TRANSPORTADOS PARA ESTE ESCRITÓRIO POR CONTA DO INTERESSE NACIONAL NO CASO E PORQUE REDES DE TRANSMISSÂO NACIONAIS COMO A ASSOCIATED PRESS E OUTRAS, TENTARAM DIVULGAR A HISTÓRIA DA EXPLOSÂO OU DESASTRE AÉREO HOJE, SEM QUE AS DEVIDAS INVESTIGAÇÔES FOSSEM FEITAS. FIM.


Aqui está a história, o melhor que consegui reconstruir.
Em 1971 com informações das sondas espaciais sobre uma avançada e possivelmente hostil civilização em Marte, o presidente Nixon ordenou que se iniciassem missões secretas para Marte, tripuladas ou não. Com a possibilidade de se lançar um ataque nuclear contra o planeta.
O projeto ficou sob o comando da Força Aérea americana e utilizaria a tecnologia de lançamento do Programa Apollo, com foguetes de estágio nucleares.
(E esta senhor, é a verdade sobre a decisão de Nixon de ir à Marte após a Apollo. Ele não decidiu que não deveríamos ir, decidiu que deveríamos ir sim, porém o projeto não seria controlado pela NASA mas pela USAF e teria que ser secreto. Mesmo o programa que publicamente se seguiu ao Apollo, o Programa Ônibus espacial, tinha um certo ar militar, e um papel importante na defesa da Terra contra os marcianos, o qual ainda irei determinar.)

Elliot Becker foi treinado para ser um astronauta em 1960. Em 1971 sua morte foi forjada em um acidente com um avião T-38 e ele foi recrutado para o programa Homem em Marte.
Mas Nixon caiu e o projeto foi abandonado, o complexo de lançamento de Nevada e o equipamento foram desmontados. Elliot ganhou uma patente superior dentro da Força Aérea com a responsabilidade principal de manter a integridade no acobertamento do programa Homem em Marte.

A partir de 1981 as coisas mudaram.
Os dados adicionais das Vikings estavam à mão. O Presidente Reagan ordenou o inicio de uma missão secreta para um vôo de averiguação tripulado à Marte, sob o comando da Força Aérea, usando o que fora deixado da tecnologia Saturno dos anos 70. Esta missão de objetivos limitados era relativamente fácil de se alcançar. Enquanto isso Reagan reativava as preparações para um ataque nuclear a Marte.

A missão foi lançada em 1982 da base secreta de Nevada. Levava dois homens e deveria alcançar Marte em seu lado eternamente escuro.
O fundo necessário foi coberto pelo projeto SDI. Mas quando o fundo SDI veio a ficar sob escrutínio e a atenção de Reagan se virou para outros assuntos, o projeto foi abandonado.
Eu aposto que a lógica foi que, os marcianos não constituíam uma ameaça imediata.
Desta vez o complexo de lançamento de Nevada foi destruído.
E esta é a verdade por trás da explosão de 1983.
...mas Elliot Becker completou sua missão.



Inspetor Geral, Departamento de Defesa, 400 Army Navy Drive, Arlington, Virginia 22202-2684, 29 de Abril de 1997. Mr. John E Proctor, Diretor Encarregado, Assuntos de Segurança Nacional. GAO.

Caro Mr. Proctor:
O relatório do Departamento da Força Aérea de Julho de 1984 responde aos questionamentos de sua carta de 2 de Abril para o GAO C91165. Se tiver qualquer pergunta por fazer, por favor, contate minha assistente Janet Fromkin, no número 703-604-7846. Se ela não se encontrar disponível, por favor procure Miss Frances Douhet no número 703-604-7543.
Atenciosamente,
Richard S Dupuy, Inspetor Geral Assistente para Análise de Despachos do GAO.



Tad Jones tinha me dito que em 1981 ele ouvira um boato que o projeto onde trabalhara estava sendo reativado. Mas ninguém estava contratando para Cross Fork.
Tad Jones era um tipo amargo. Ele tinha um carro off-road e então foi à caça.
O local do foguete nuclear não está em mapa algum. Jones teve que passar por cercas de arame farpado e por campos minados (ele me disse). Então se encontrou numa área de alta radioatividade (ele levava contadores). Se aproximou do centro do lugar e encontrou lá o que restou de um foguete nuclear do tipo Saturno 5, aquela forma branca de agulha, montados secretamente, em pé sobre um canteiro ferrugento lá no deserto. Coisa infernal aquilo. Ele me mostrou a fotografia. Jones disse que depois da demolição o lugar foi semeado com lixo radioativo. Disse que seria impossível voltar àquele lugar, agora letal, e que a evidência se perdera para sempre.

Mas o programa durou o bastante para mandar Elliot Becker até Marte.
Ele e seu colega se utilizavam de uma astronave tipo Apollo, fazendo a longa jornada de um ano em um módulo habitacional adaptado do Skylab.
Pense nisso. Becker deve ter visto a Terra e a Lua como estrelas gêmeas, a cada momento se afastando, mais distante do que qualquer homem já esteve antes. Imagino o que ele pensava encontrar ao final daquela viagem.



CIA, Washington DC 20505.
22 de Maio de 1997.
Mr. John E Proctor, Diretor Encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em uma carta datada de 15 de Abril de 1997, esta agência o avisou que iria conduzir uma compreensiva pesquisa de registros para auxiliá-lo em sua investigação sobre uma explosão em Outubro de 1983 em Nevada. Em atendimento a sua requisição pesquisamos em todas as nossas bases de dados. A pesquisa não encontrou qualquer documento relatando algum destes termos a não ser pelo relatório feito por nosso pesquisador de campo Frederic K. Durant em 1983, e que permanece confidencial. Sendo assim, esta Agência não possui qualquer informação relevante para sua investigação.
Atenciosamente, Nora Franck, Diretora Executiva.



Isso vem provar que há esperança. Mesmo a mais gigantesca farsa e acobertamento, não importa o investimento feito em tempo e dinheiro, irá enfraquecer com o passar de algumas décadas. Olhe, a maioria destes registros públicos você pode verificar por si mesmo, como eu estou tentando fazer, certo? E te agradeço se o fizer se deixar-me saber disso. Quero dizer, são nossos cem bilhões de dólares. Eu tenho vontade de explodir cada segredo que encontro pela frente. Mas além de agir por principios, eu só quero saber, entende, temos dois caras por aqui que foram até Marte, pelo amor de Deus, e eles não querem que contemos suas histórias.
Irei para meu túmulo imaginando o que Elliot Becker diria. Será frio, deserto e vazio? Ou talvez existam mesmo algumas estruturas no deserto ocre do lado escuro de Marte.


Nós tateamos atrás da verdade e fazemos lentamente nosso progresso.
William Davenant, 1606-1668


(Nota do autor: Acho que é bem óbvio o por que de eu ser o alvo deste embuste em particular. E meu correspondente está certo sobre nossa cultura se exceder em manter segredos, como este não cooperativo documento demonstra por si só, enquanto o segredo ainda permanece, rumores sobre o que está sendo escondido continuarão a florescer. Mas como toda boa farsa, este tem em suas raízes fatos suficientes para torná-lo ao menos plausível – por que existem algumas coisas bem esquisitas nesta história em relação ao Homem em Marte. Antes da primeira das sondas espaciais, Marte era imaginado como sendo semelhante a Terra. Muitos observadores com seus telescópios tinham a certeza de ver redes de canais e faixas de vegetação. A sonda Mariner 4 em sua passagem próxima ao planeta em 1964 viu porém um mundo que mais se parecia com a Lua, de atmosfera rarefeita e crateras nos lugares onde os observadores terrestres tinham visto canais. Em 1971 a Mariner 9 orbitou o planeta e não viu coisa alguma devido a tempestade de poeira global que ocultava a superfície. E mais tarde as naves Viking que pousaram em Marte, não acharam formas de vida na superfície, era aparentemente estéril, talvez por conta da radiação solar. A Mars Observer falhou em alcançar Marte... e houveram propostas, discutidas nos anos 60, para vôos tripulados que passariam bem próximos à Marte, um programa que se seguiria ao Apollo e que sobrevoaria o lado escuro do planeta...)



GAO.
Sumário do relatório para o GAO/NSRAF-96-244 endereçado ao honorável W.X. Lambie.

Nossa pesquisa por registros governamentais foi dificultada pelo fato de que alguns destes registros que desejávamos ver estavam desaparecidos e nem sempre havia uma explicação para isso. Além disso, os regulamentos de gestão de registros no tocante a retenção e eliminação dos registros não eram suficientemente claros, ou mudavam durante o período que analisamos. Realizamos nossa análise a partir de Março de 1997 até Maio de 1998, em conformidade com o modelo de auditoria governamental geralmente aceito. Se você ou seu staff tiverem qualquer pergunta sobre este laudo, por favor me telefonem no número (202) 512-7858.
Atenciosamente,
John E. Proctor, Diretor encarregado, Assuntos de Segurança Nacional.



... fim?



Marginalia - Stephen Baxter
Incluso no livro Phase Space: Stories from the Manifold and Elsewhere

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Além do planeta silencioso - C. S. Lewis



De repente parecia que as luzes do Universo tinham sido diminuídas. Era como se um demônio houvesse esfregado a face do céu com uma esponja suja e o esplendor em que tinham vivido durante tanto tempo empalideceu, transformando-se num cinza triste e deprimente.

De onde estavam sentados não era possível levantar as venezianas ou abrir as cortinas. Aquilo que tinha sido uma carruagem deslizando nos campos do céu, transformara-se numa caixa escura de aço, fracamente iluminada, que caía. Estava caindo do céu num outro mundo. Esta foi a impressão mais forte causada em Ransom em toda a sua aventura. Admirou-se de como pudera ter considerado os planetas, a Terra inclusive, como ilhas de vida e realidade boiando num vácuo mortal.

Daquele momento em diante passou a considerar os planetas, que chamava de “terras” em seu pensamento, como simples buracos ou falhas no céu vivo, refugos excluídos e rejeitados de matéria pesada e ar obscuro, formados não por adição mas sim por subtração da claridade envolvente. Mas, pensou, além do sistema solar esta claridade acaba. Será aí o verdadeiro vácuo, a verdadeira morte? A menos... procurou coordenar suas idéias... a menos que a luz visível também fosse um buraco, uma falha, uma simples subtração de alguma outra coisa. Algo que esteja para o céu claro e inalterável assim como o céu está para as terras pesadas e escuras...

As coisas nem sempre acontecem como se espera. No momento de sua chegada num mundo desconhecido, Ransom estava totalmente absorvido em especulações filosóficas.

Além do planeta silencioso - C. S. Lewis [ Download ]

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Viagem Fantástica - Isaac Asimov

 

Esta história, que se transformou em livro e em filme, tem vários autores, todos contribuindo, de maneiras bem diversas, à sua forma atual. Para todos nós, foi uma longa e árdua tarefa, mas igualmente um motivo de profunda satisfação e, posso adiantar, de grande prazer.

Quando Jay L. Bixby e eu escrevemos a história original, estávamos longe de suspeitar aonde ela chegaria ou em que se transformaria nas mãos de homens de grande imaginação e soberbo talento: Saul David, o produtor do filme; Richard Fletcher, o diretor e inspirado encantador da fantasia; Harry Kleiner, que escreveu o cinedrama; Dale Hennesy, o diretor-artístico e um artista também; e os doutores e cientistas que nos deram tanto do seu tempo e do seu pensamento. E, finalmente, Isaac Asimov, que emprestou a pena e seu grande talento para dar forma e realidade a esta fantasmagoria de fatos e fantasia.

Viagem Fantástica - Isaac Asimov [ Download ]

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ensaio sobre a cegueira - José Saramago


Livro dos Conselhos

O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embraiagem, mantinham em tensão os carros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora, aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares de semáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores de cada um, é uma das causas mais consideráveis dos engorgitamentos da circulação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termo corrente.

O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecânico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixa de velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema hidráulico, blocagem dos travões, falha do circuito eléctrico, se é que não se lhe acabou simplesmente a gasolina, não seria a primeira vez que se dava o caso. O novo ajuntamento de peões que está a formar-se nos passeios vê o condutor do automóvel imobilizado a esbracejar por trás do pára-brisas, enquanto os carros atrás dele buzinam frenéticos. Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o transito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego.

José Saramago - Ensaio sobre a cegueira [ Download ]

terça-feira, 23 de junho de 2009

Guerra nas estrelas - George Lucas


OUTRA galáxia, outros tempos.
A Velha República era a República lendária, maior que a distância e o tempo. Não era preciso saber onde ficava nem de onde vinha, mas apenas que... era a República.
No passado, sob o governo sábio do Senado e a proteção dos Cavaleiros de Jedi, a República cresceu e prosperou. Mas quando a riqueza e o poder ultrapassam os limites do admirável e chegam às raias do espantoso, sempre aparecem os ambiciosos.
Foi assim com a República no apogeu. Como uma árvore gigantesca, capaz de resistir a qualquer ataque vindo do exterior, a República apodreceu lentamente por dentro, embora os sinais não fossem visíveis a princípio.
Auxiliado e apoiado por indivíduos sequiosos de poder dentro do governo, e pelas imensas organizações de comércio, o ambicioso Senador Palpatine conseguiu eleger-se Presidente da República.

Prometeu satisfazer os descontentes e restabelecer a glória da República.
Assim que se viu seguro no cargo, declarou-se Imperador, isolando-se do povo. Em pouco tempo era controlado pelos próprios assistentes e aduladores que havia nomeado para altos postos, e a voz do povo, que clamava por justiça, não chegava mais aos seus ouvidos.
Depois de exterminarem traiçoeiramente os Cavaleiros de Jedi, guardiães da Justiça na galáxia, os agentes e burocratas do Imperador se prepararam para instituir um reinado de terror para os mundos da galáxia. Muitos usaram as forças imperiais e o nome do Imperador, cada vez mais isolado, para satisfazer a ambições pessoais.
Mas uns poucos sistemas se rebelaram contra essas novas arbitrariedades. Declarando-se inimigos da Nova Ordem, iniciaram a grande batalha para restaurar a Velha República.
Desde o começo, estavam em inferioridade esmagadora. Naqueles primeiros dias sombrios, parecia certo que a chama da resistência seria extinta antes que pudesse projetar a luz da nova verdade em uma galáxia de povos oprimidos e amedrontados...

Da Primeira Saga
Crônicas Intergalácticas


"Estavam no lugar errado na hora errada. Naturalmente, viraram heróis.”
Leia Organa de Alderaan, Senadora
 

George Lucas - Guerra nas estrelas [ Download ]

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Planeta 8 - Operação Salvamento - Doris Lessing

 
 Os grandes escritores não conhecem os limites que os rótulos ou os gêneros literários às vezes impõem. Ao contrário, servem-se deles para criar algo novo, maior, e que leva a sua marca. Assim é com a "ficção espacial" de Doris Lessing. Pois a série Canopus em Argos: arquivos, da qual este é o quarto livro, não representa uma simples experimentação, uma visita de Lessing aos universos da ficção científica tradicional. O mesmo mundo humano — as interrogações, as escolhas éticas, os conflitos pessoais ou sociais que marcaram suas obras anteriores a essa série — está presente aqui. Não se trata de uma adesão a um tipo de literatura, mas de um exercício consciente da escrita, da criação literária: um domínio da forma e do conteúdo.

O Planeta 8: operação-salvamento continua a compor o painel da história do domínio de Canopus sobre a região galática onde está a Terra. Mas agora o foco da atenção é a avassaladora Idade do Gelo que ataca a população de um pequeno planeta, marcando a mudança de suas relações com Canopus e uma verdadeira encruzilhada no seu caminho evolutivo. A história é narrada de uma forma comovente, pontilhada de momentos de extrema beleza e intensidade poética. Mas é também conduzida com energia crescente, como se fosse uma resposta cada vez mais certa ao medo físico e às indagações metafísicas dos habitantes do planeta.
O livro funciona como contraponto e contraplano dos precedentes. O tom e o clima diferentes fazem-no único, especial: com ele Doris Lessing cria uma "outra dimensão" onde se encontram os significados de outras vidas, e onde os aspectos materiais e espirituais de todas as coisas são conciliáveis. Pode-se ler o romance sob vários prismas: social, filosófico, político, ecológico. Nos limites extremos da sobrevivência evidenciam-se as contradições e também a força de uma sociedade e de seus integrantes. Os habitantes do Planeta 8, acostumados a depender das instruções de Canopus para organizar sua vida, são obrigados pelas circunstâncias a escolher entre a luta desesperada, e talvez inútil, pela vida, e uma compreensão mais larga no sentido da existência.

Com isso está sugerido que a literatura pode efetivamente contribuir para a discussão das questões cruciais de nosso tempo. Pois através dela é possível pensar e viver, comunicar e imaginar, sentir e analisar os grandes dilemas e as transformações que, de outro modo, seriam quase imperceptíveis. Assim, mesmo nos mais fantásticos e distantes mundos da ficção científica de Doris Lessing, permanece sua preocupação com a condição humana.
Doris Lessing - O Planeta 8 - Operação Salvamento [ Download ]

domingo, 21 de junho de 2009

Ian McDonald


Ian McDonald (1960-) nasceu em Manchester (Inglaterra), de pai escocês e mãe irlandesa. Mudou-se para Belfast (Irlanda do Norte) aos cinco anos de idade, onde mora até hoje.

Trabalhou por algum tempo como programador para uma companhia de televisão independente.

Seu primeiro livro publicado em 1988 (Desolation Road) lhe garantiu um lugar de destaque entre os novos escritores britânicos de Ficção Científica daquela década. A partir dai, passou a ser figura fácil em revistas como Interzone e Isaac Asimov's Science Fiction, Zenith, Other Edens e outras.

Seu estilo pouco convencional e seu uso de temas como a nanotecnologia aplicada em cenários pós-ciberpunk, sempre explorando o impacto de novas tecnologias em diferentes sociedades (não-ocidentais), lhe rendeu diversas indicações. Venceu o John W. Campbell de 1985 e o Locus de 1989 de melhor romance.


Ian McDonald (Brasyl, Fat Tuesday, Fragments os an analysis, River of Gods, Some strange desire, Tendeleo's story, The best and the rest of James Joyce, The Djinn's wife, The little Goddess, The Tear, Verthandi's ring, Camino Desolacion, El Imperio de suenos) [ Download ]

RoboBraille


Um serviço online gratuito e fantástico, que merece toda a divulgação possível.

Trata-se de um conversor de textos (doc, txt, rtf,etc) para arquivos digitais de áudio e braille.

Basta enviar um email para textoparavoz@robobraille.org com o texto anexado.

Em poucos minutos (dependendo do tamanho do arquivo), você recebe o email de resposta contendo o endereço na internet, onde poderá acessar o resultado.

O projeto foi concebido por empresas de um consórcio europeu e está disponibilizado gratuitamente, desde que não seja utilizado comercialmente.

Enviamos um trecho de 'O último vôo a Marte' de Fausto Cunha como experiência. A pronúncia é muito boa, apesar do 'sotaque' do português de Portugal.

Ouça aqui o texto abaixo:


[ Trecho de 'Último vôo a Marte' de Fausto Cunha.

- Estamos transmitindo diretamente de Hiox, A-11, Campo Vhur, em Marte. A evacuação está chegando ao fim. Alguns marcianos irão ficar. Já não há nenhum terrestre no planeta. Depois de quase um milhão de anos, a história se repete. Não haviam homens em Marte. E não há mais homens em Marte.

"Este é Marte, o planeta amado. Marte, suas montanhas, seus mares congelados, seus vulcões extintos, seu vento incansável. Faremos nossa última entrevista nesta segunda pátria do homem."

-Visitaremos primeiro alguns antigos marcianos que preferiram ficar. Segundo os cientistas, num tempo muito curto, Marte já não poderá suportar qualquer forma de vida, excepto formas primitivas, anaeróbias. A permanência de formas superiores irá tornar-se cada vez mais difícil e, em última instância, impossível. Podemos mesmo dizer que nos últimos séculos, nos últimos milênios, desde os grandes deslocamentos glaciares, Marte tinha uma existência artificial. Falando mais precisamente, os terrestres nunca puderam viver aqui fora das cidades cúpulas. Para os Marcianos, a chegada do homem foi a redenção de uma raça que fatalmente desapareceria. Vamos descer um pouco e falar com esse velho habitante. Qual é o seu nome, por favor?

- Ghoz.

- Perfeito, Ghoz. Por que você decidiu ficar? Você já sabe que as cúpulas não resistirão por muitos anos. Mesmo os subterrâneos não resistirão à pressão do gelo.

- Sempre estranhei aqueles marcianos. Milhares de anos de contato com a gente, e continuam a ser quase os mesmos da época do Desembarque. Ghoz está dizendo que um velho sonho dos seus antepassados era ver Marte como era antes da chegada dos homens. Ele não tem nada contra nós, e supõe que nossos erros foram cometidos na ânsia de nos mostrarmos bons para eles. Agora que se apresentou uma oportunidade de ficarem sozinhos novamente, mesmo com a certeza da morte que se aproxima, eles querem agarrá-la. Disse que milhões e milhões de marcianos morreram e foram enterrados aqui. Quando a camada de gelo cobrir o planeta e nenhuma forma de vida perturbar mais a Paz Superior, então os Zenghiis - os Altos Espíritos - descerão para explicar aos que dormem debaixo da terra, o seu destino. Ghoz estará entre eles. Muito obrigado, Ghoz. E Paz Superior para nossos irmãos que dormem! ]

Ficção Científica (Renato Russo/Aborto Elétrico)



Hoje a noite Flash Gordon
Vai tentar ser Barbarella
Para ver se aprisiona Albert Einstein
Que criou o elixir da longa vida
Ainda vive
E tenta criar uma nova bomba H
Um eclipse destruiu o sol
Que queria ser Apolo
Sem o mito só o fogo queima o chão
Julio Verne matou Galileu
E Saturno os seus filhos
Sangue puro a essência canibal
Sonhos mortos, sonhos tortos
Sempre vejo minha morte
Mas tanto faz, não existem mais heróis
Kryptonita no meu sangue
Clorofórmio no banheiro
E a dança é a mesma, não é ficção
Revolução em selvas tropicais
Raio laser mata índios
Descoberta O Novo Mundo envelheceu
Como tentar ser selvagem
Se não existe anarquia
E a dança é a mesma, não é ficção
Muita fome nas estrelas
Muita fome nas estrelas
Muita fome nas estrelas
E aqui também


Ficção Científica (Renato Russo/Aborto Elétrico) [ Download ]

Gundam



Para quem estiver no Japão, mais precisamente em Tóquio, e passar por perto do parque Shiokaze, em Odaiba, poderá ver a instalação de 11 metros de altura, de uma das mais famosas séries sobre mechas, Gundam.





Trata-se de um evento comemorativo dos 30 anos da primeira transmissão televisiva da série 'Mobile Suit Gundam'.





A visitação pública gratuita, começa no dia 11 de Julho e vai até 31 de Agosto.



A estátua pesa cerca de 38 toneladas e durante a noite fica envolta em fumaça e emitindo luzes. Uma visão e tanto!





Convenhamos, para quem vive no Japão, eventos assim não devem ser tão incomuns...




sábado, 20 de junho de 2009

Livro de Philip K. Dick oferece uma metáfora para a angústia existencial humana


'Do Androids Dream Of Eletric Sheep?'

Preso dentro da pergunta de Philip K. Dick está o enigma (conundrum) da existência.

Dentro da máquina a nossa própria busca filosófica pela natureza de nossa existência e ao reconhecimento como seres humanos.

Desde de que Donna Haraway publicou seu ensaio "Manifesto ao Ciborgues" (1985), críticos culturais têm se intrigado com organismos cibernéticos. Mais metáfora do que máquinas, os ciborgues de Haraway servem como um potente talismã à convergência global do corpo humano às redes eletrônicas, estendendo nosso romance com a tecnologia.

Entretanto, em uma época em que vimos Norbert Wiener dar a Sigmund Freud, o papel de árbitro da psique, a interface homem-tecnologia desperta o re-pensar de perguntas antigas e significantes, no que concernente a existência humana.

Cibernética é a ciência de sistemas auto-reguladores e, como a psicanálise, fundamentalmente é um estudo do comportamento humano. A idéia básica é que o estudo de processos mecânicos de resposta e feedback poderiam ser vistos como analogias ao comportamento orgânico. Portanto, defeitos mecânicos fornecem visões válidas dentro de sintomas disfuncionais (tal como neuroses).

Entretanto o olhar da cibernética pode também ser invertido (para nós mesmos), podendo fornecer uma visão crítica do comportamento de máquinas.
Ao invés da cibernética transcender a carne e tornar-se mais do que uma máquina (como diz Arthur Kroker), o desenvolvimento da inteligência artificial e da robótica (o superhumanismo de Hans Moravec) nos força a considerar o esboço de um filme potencialmente assustador:

Como seria se as máquinas pudessem tornar-se humanas?


O organismo cibernético é mais ser humano que máquina.
Isto é o sonho de Prometeu (fonte para Frankenstein e outras criaturas) revisitado, o corpo humano aprimorado pela tecnologia: O clássico de Haraway - "Nós somos ciborgues" - muito atesta algo desta recombinação étnica, a vontade para desafiar o carne obsoleta.

Entretanto, a gradual domesticação da idéia do ciborgue como um ser humano tecnologicamente melhorado, tem tido o efeito de esconder a visão de outra criatura dos romances “de carne humana e circuitos eletrônicos”, o andróide.

O andróide, ou robô humanóide, está definitivamente mais próximo da máquina do que o ser humano. Enquanto que (ainda) não exista fora da ficção científica, ele tem virtualmente sido usado como um sinônimo da incompreensão do ciborgue, o andróide está realmente mais ligado aos problemas metafísicos que nos ocorrem, quando começamos a pensar em máquinas em termos humanos; quando obscurecemos distinções filosóficas entre o ser humano e a máquina.

Como o ciborgue seria um inegável impacto sociológico (e antropológico) , o andróide tem sido também imaginado dentro da cultura popular, como uma espécie de meio que facilitaria o pensar no que é ser humano.

A beldade pela qual Will Robinson se apaixona em Perdidos no Espaço, os robôs de Dick, ou Data, de Jornada nas Estrelas: A Próxima Geração; tudo fornece um contexto de ‘externacidade‘ que habilita ao truque, comunhão com charme. Destes exemplos, Dick é, não surpreendentemente, o mais hostil à idéia do andróide, simplesmente porque é artificial, alguma coisa que esconde a verdade, faz se passar por um ser humano.

A decepção, com "coisas frias e ferozes [que são], tentando passar-se por seres humanos que não são".

O fato de que esses simulacros (Dick usa o termo para descrever andróides) são projetados para enganar, para fazer com que pensemos que são humanos também, sugere que a ontologia* do andróide, a natureza de sua existência, é efetivamente calcada na sua “aparência” para o outro.

Refletindo sobre isso em um ensaio de 1976 chamado "Homem, Andróide e Máquina", Dick conclui que a diferença entre um ser humano e um andróide estava não em uma diferença de essência (como nós poderíamos razoavelmente esperar), mas no seu comportamento.



Esta noção surpreendente contradiz a maior parte de nossas verdades filosóficas e antropológicas.

Gostamos de acreditar que nosso comportamento reflete nossa essência, que a impressão que temos das coisas, têm um correlação direta para com a realidade aceita.

Entretanto a natureza de um andróide é tal que nós não temos o conhecimento de que seu comportamento não reflita a sua essência. Na obra de Dick os andróides simulam o comportamento humano, acreditando que as pessoas reais não os percebam.

Em "Do androids dream of..." este problema é claro; a necessidade autêntica de ter que provar a cada instante de que é um ser humano de fato, falha virtualmente em todos. De modo parecido, seres humanos são atordoados pela dúvida e a paranóia, o medo de ser andróides. Tudo começa e termina com impressões vagas, superfícies sem profundidade, cópias do comportamento humano e escassas do fundamento da natureza humana.

A este respeito, o 'queer-andróide' combina categorias distintas de ser humano e de máquina.

O termo 'queer' tem sido usado em anos recentes para designar o “gosto” de pessoas por outras de mesmo sexo, sem declarar o sexo do desejado, e que é o objeto do desejo.
Parecido ao comportamento inicial de um andróide com o humano, sem ter que declarar sua diferença essencial (já que é essencialmente não-humano).

Como o simulacro da novela de Philip K. Dick, “We Can Build You”, que é enviado para uma pizzaria por seu fabricante como uma demonstração:
"Você verá como convincente este simulacro é quando pede sua própria pizza"
; seu ‘queers’ de comportamento é a distinção notável entre sua aparência e sua essência.

Este é um grande problema para a metafísica**

No fundamento do quanto humano um andróide parece ser (como Dick foi rápido em reconhecer), não poderá haver qualquer reclamação para uma ‘desumanidade’ essencial na relação, já que os andróides são o ‘Outro’.



Se o ciborgue representa o êxito do exterior evolucionário sonhado através do corpo humano aprimorado pela tecnologia, o andróide é o lado do pesadelo daquele sonho, uma pessoa com colapsos de confiança, norma ontológica tanto para o humano quanto para a máquina.

A este respeito, o caráter de Data é muito mais amigável (e certamente mais 'correto') do que a Rachael Rosen de Dick (de ‘Do Androids dream of...’ ).

Data não tem dúvida de que é um andróide e está sempre tentando compreender o comportamento apropriado que sabe ser humano (como o humor, embora seja uma coisa totalmente desconhecida para ele).

Rachael, como muitos outros iguais na quimera de mundos de Dick, não sabe ser uma criatura artificialmente construída, até que isto é revelado pelo caçador de recompensas Rick Deckard.



Em um momento catárdico, Rachael é confrontada com uma peculiar situação humana.
Tendo falhado no teste Voigt-Kampff (único meio de Deckard para identificar um andróide), Rachael é forçada a aceitar saber de que não está realmente viva, que ela não tem uma natureza humana.

Rachael fora programada para esquecer que é um andróide, tem memórias falsas de uma infância que ela nunca experimentou, uma identidade implantada que não possui.

Neste momento, ela habita uma utopia metafísica, no sentido literal do termo:

Um “em nenhum lugar”.

Estamos familiarizados a isso graças a ficção especulativa e gêneros particularmente pós-modernos, que descrevem o problema ontológico causado pela introdução do irreal ou do fantástico, dentro do domínio do viável.

Rachael Rosen 'auto'-revelada entretanto, é uma curiosa contaminação do irreal pelo real, o desumano contaminado pelo humano.

Máquinas, tal como computadores, podem ser infectadas por vírus que corrompem relacionamentos binários entre uns e zeros.

O que falar então do ‘espírito’ da máquina?

Se andróides fossem contaminados por um ‘meme’, um vírus metafísico que invadisse e colonizasse o hospedeiro, alterando não só seu arranjo de dados, mas seu equilíbrio ontológico?

Imagine as conseqüências de um andróide que não mais simule o comportamento humano, mas realmente se torne MAIS DO QUE HUMANO; a vida humana artificial mutacionando-se para vida humana.

A este respeito, a máquina podia ser pensada como uma espécie de ‘morto-vivo’, vindo para a vida de um estado de não-vida.

Sob tais condições, andróides podem sem dúvida sonhar com carneiros elétricos, relógios moles...

Como tal, a idéia de que um andróide poderia adquirir uma metafísica através da contaminação viral, é por si só uma abstração tantalizante*** que compromete a obsessão da cibercultura por corpos, assim como o desejo evangélico de querer ver o corpo orgânico funcionando com a monotonia infalível de uma máquina.

Enquanto nós desejamos ser mais parecido com eles, eles poderiam se tornar mais parecidos conosco.

Um episódio especial de Jornada nas Estrelas: A Próxima Geração, intitulado 'Elementar meu caro Data' , destaca uma batalha holográfica entre Sherlock Holmes (Data) e seu nemesis Moriarty (um avatar configurado pelo programa de computador do Holodeck).


Durante uma simulação, Moriarty-avatar se torna ‘consciente’, resultado de uma confusão nas instruções dadas ao computador para encontrar um adversário mais digno para Data (uma entidade ‘real’), do que Holmes, o personagem literário interpretado por Data (uma confusão digna de Pirandello ou do autor de Slaughterhouse-Five, Kilgore Trout).

Em si mesmo, uma bela ironia, já que Data não ‘é’ uma pessoa para começar (ele não está nem mesmo tecnicamente vivo), ainda assim o Holodeck interpretou que ele devia estar, dado que aquele Holmes foi seu alter-ego escolhido.

Esta exceção ontológica habilita em Moriarty, motivar ações reais com efeitos reais, e por esse meio, torna-se uma ameaça genuína para outros. Em outras palavras, ele momentaneamente sai da realidade virtual para a nossa realidade, como uma existência humana.


Ele será certamente derrotado, pois a ficção científica não pode tolerar a idéia metafísica de que as máquinas (via Moriarty) derrotem a nostalgia, marca registrada da serie; mas com uma diferença... Com a simulação desligada no Holodeck, ele encara a quase-morte, uma existência armazenada na memória da Enterprise.

Isto pode obviamente ser entendido como uma paródia da vontade de virtualizar-se, ou o desejo humano pela imersão digital.

Porém, um pouco mais profundamente, isto é o cenário da terra-de-ninguém da metafísica de vanguarda, máquinas tornando-se humanas e voltando a ser máquinas outra vez, e de algum modo, atentas às bizarras implicações disso.


Publicado na Worldideas por Darren Tofts



(* ontologia - Parte da filosofia que trata do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres.)
(**metafisica - Parte da filosofia, que com ela muitas vezes se confunde, e que, em perspectivas e com finalidades diversas, apresenta as seguintes características gerais, ou algumas delas: é um corpo de conhecimentos racionais (e não de conhecimentos revelados ou empíricos) em que se procura determinar as regras fundamentais do pensamento (aquelas de que devem decorrer o conjunto de princípios de qualquer outra ciência, e a certeza e evidência que neles reconhecemos), e que nos dá a chave do conhecimento do real, tal como este verdadeiramente é (em oposição à aparência).)
(***tantalizar - Atormentar com alguma coisa que, apresentada à vista, excite o desejo de possuí-la, frustrando-se este desejo continuamente por se manter o objeto dele fora de alcance, à maneira do suplício de Tântalo. Provocar desejos irrealizáveis.)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

10 livros da Ciencia Ficción Argentina - breve guia de leitura

Não pretendo com esta breve lista estabelecer um cânone da FC Argentina, apenas servir como guia de leitura para o leitor principiante.

Não é exagero ressaltar que toda lista é arbitrária e esta não é exceção. Além das preferências pessoais, que sempre influem em coisas assim, também há a seguinte questão: não li todos os livros da FC Argentina.

É necessário assinalar alguns critérios. Para permitir uma maior diversidade, escolhi um livro apenas de cada autor, assim cabe ao leitor procurar outros na obra, se aprovou a indicação.
O segundo requisito é o livro ter sido editado ou distribuido na Argentina, requisito que lamentavelmente não atende a títulos como Vórtice, de Carlos Gardini, La cara hembra de Dios de Daniel Alcoba ou Postales desde Oniris. E por último, que possuam edição impressa.

Existem livros que poderiam fazer parte desta lista, como El fondo del pozo de Eduardo Abel Giménez ou La ruta a Trascendencia de Alejandro Alonso, mas o limite arbitrário de dez os deixou de fora. Por outro lado, outros poderiam fazer parte pelo seu valor documental, como Cuentos fantásticos de Holmberg, ou El eternauta y otros cuentos de ciencia ficción de Oesterheld, porém para este guia foram descartados titulos apenas por seu valor histórico.
E também deixei de fora autores como Elvio E. Gandolfo porque, apesar de ter em sua obra, muitos contos de FC, nenhuma de suas compilações está dedicada somente a estes contos.




La invención de Morel (1940), de Adolfo Bioy Casares
A maneira ideal de começar a lista é justamente por um romance perfeito, como bem diz Borges no prólogo. Narrada com orações, parágrafos e diálogos curtos, a construção da história parece enganosamente simples. A busca da imortalidade através da máquina, bem como a natureza da realidade, são os temas deste livro. Poderia ser o elo que faltava entre Wells e Ballard.



Casta luna electrónica (1977), de Angélica Gorodischer.
Este volume mais parece com uma seleção das melhores histórias de ficção científica de Gorodischer. Junta textos de livros anteriores e, surpreendentemente, alguns posteriores. Há um pouco de tudo, desde Trafalgar Medrano, uma história de Kalpa Imperial, mas seria perfeito se incluísse "Los embriones del violeta" e as histórias de Las Repúblicas, o livro esquecido de Gorodischer.


Primera Línea (1983), de Carlos Gardini
Qualquer livro de Carlos Gardini poderia estar nesta lista. A diferença em favor de Primera Linea se faz por seu relato seco, violento. As melhores histórias do volume são aqueles que tema guerra como marco, “Primera línea”, “Fuerza de ocupación” e “Tierra de nadie”.


Cuerpos descartables (1985), de Sergio Gaut vel Hartman
Embora seja o mais prolífico contista de ficção científica argentina, Cuerpos Descartables é a única coleção de histórias de Gaut vel Hartman. As histórias têm como ponto comum um futuro no qual os corpos clonados são tão comuns quanto um PC, e exploram diferentes possibilidades.


Insomnio (1986), de Marcelo Cohen
Bardas de Kramer é uma cidade localizada em uma área onde o petróleo é abundante, metrópole cosmopolita que, de repente perde a sua riqueza e onde as pessoas começarem a migrar, até que o exército sitia a cidade. O romance mais ballardiano da literatura argentina é o conto de um protagonista sem rumo. Em Insomnio encontramos um Cohen mais direto e cru.


Por media eternidad, cayendo (1991), de Eduardo J. Carletti
Antes de se tornar editor da Axxón, Eduardo Carletti foi um nome freqüente na literatura de ficção científica argentina dos anos 80. As histórias neste livro vão na mesma direção que Oesterheld iniciou ao inserir um tom local em um marco da ficção científica e, frequentemente evocam uma visão sombria e desolada da tecnologia. Um de seus contos mais conhecidos é
Defensa Interna.


Anatomía humana (1993), Carlos Chernov
Para a surpresa de muitos, o segundo Prémio Planeta foi ganho pela Argentina por um romance de ficção científica escrito por um psiquiatra o então desconhecido Carlos Chernov. Com uma elegante e fria narrativa, conta a história de um dos homens que sobreviveram a uma estranha noite, durante a qual quase todos os homens morreram. Prisioneiro de algumas mulheres, escapa para descobrir como o mundo mudou. Longe de ser uma fantasia erótica, Chernov aproveita para indagar com humor sobre o desejo e o comportamento.



El cuento argentino de ciencia ficción (1995), compilado por Pablo Capanna
Esta coleção é a mais equilibrada entre as várias antologias de contos de ficção científica argentina. Estão presentes quase todos os escritores importantes do gênero desde Lugones até Carletti, com obras representativas. Apenas a falta de Edward L. Holmberg, por seu valor histórico, e Eduardo Abel Gimenez, uma das peças fundamentais ds anos 80 e muitas vezes esquecido. O livro inclui um breve estudo preliminar sobre o assunto.



La montaña del origen (1999), Daniel Alcoba
Um antropólogo atravessa a Indochina em busca de um homem que "cria vida". É acompanhado de guarda costas japoneses e a expedição é financiada por uma multinacional. Irônica e desenfreada, La montanã del Origen é tudo menos uma "jornada espiritual", e está longe de ser politicamente correta. Alcoba vive em Barcelona, depois de passar pelas prisões da ditadura.



En esa época (2001), de Sergio Bizzio
Outro romance de ficção científica que ganhou um prêmio importante: o Emecé 2000/2001. Em 1875, enquanto os soldados cavavam as trincheiras de Alsina, encontram um disco voador do qual emergem duas extraterrestres. Contada com simplicidade, tem muitos momentos engraçados, mas a ideia parece esgotar-se pelo meio do romance. Bizzi tem outros livros de ficção científica como Planet (1999) e Gravidade (1999), além de escritor é cineasta e roteirista.



10 libros de Ciencia Ficción Argentina: Guía de Lectura - Luis Pestarini

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Concurso literário FC do B - Panorama 2008/2009


A 2° Edição do Concurso Literário FC do B está em sua reta final!

Em sua edição passada, o FC do B recebeu quase 200 trabalhos de vários estados e de brasileiros residentes no exterior, resultando numa coletânea de contos de grande qualidade, revelando uma nova safra de escritores, dentro do panorama da Ficção Científica Brasileira.


E este é o propósito que norteia o concurso, promover a literatura através do incentivo aos escritores, além de ajudar a difundir e renovar a FC nacional.

A inscrição é GRATUITA e pode ser feita até o dia 30 de Junho através do site do concurso

Conheça um pouco de como foi a edição passada!

Leia alguns dos contos premiados no site Bookess

Contos de Ficção Científica de Autores Brasileiros


Conteúdo
Prelúdio da eternidade- Abelardo Pedroga
As irmãs - Adriana Simon
Mar de Janeiro - Adriana Simon
Missa - Adriana Simon
Tentativa de Invasão - Adriana Simon
Folha Imperial - Ataide Tartari
Rough amazon Riders - Ataide Tartari
Oh Lorde won't you buy me - Braulio tavares
Um povo de mortalha - Carlos Orsi
A emboscada- Fábio Barreto
Estranhas visões perigosas - Lucio Manfredi
Ghostwriter - Lucio Manfredi
O vinho em seu sangue - Lucio Manfredi
Spaceba - Lucio Manfredi
Vampiro - Lucio Manfredi
Derby - Marcello Simão Branco
O jogador - Matinas Perazolli
Krause - Rogério Vasconcelos
O olho virtual - Simone Saueressig
O sino de Santa Inês - Simone Saueressig


Contos de Ficção Científica de Autores Brasileiros [ Download ]

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cuentos fantásticos y de ciencia ficción en América Latina



Más de una vez se han confundido los límites entre la literatura fantástica y los relatos de ciencia ficción, sobre todo en los tiempos en que ésta no había aún logrado definir un campo propio.

A los fines del lector y del goce hedónico que la lectura depara tales deslindes no suponen un problema: pero existe también otro argumento: en muchos textos conviven sin molestias elementos que los preceptistas bien pueden adjudicar a uno u otro género.

Esta saludable confusión es particularmente notable en la literatura latinoamericana, con su tan mentado realismo mágico. Si se dejan de lado algunos imprecisos antecedentes, la literatura fantástica comienzo; a desarrollarse en nuestro continente con el modernismo y adquiere contundencia e innegable esplendor ya en la década del 40.

A los nombres precursores de Darío y Lugones se van agregando los de Macedonio Fernández, Borges, Carpentier, Juan Emar, Adolfo Bioy Casares y otros autores más recientes, que configuran un rico y complejo venero, del cual esta antología es buena muestra.


Estudio Preliminar

Argentina
Macedonio Fernández
Cirugía psíquica de extirpación

Adolfo Bioy Casares
El gran Serafín

Angélica Gorodischer
La lucha de la familia González por un mundo
mejor

Brasil
Murilo Rubiáo
Los tres nombres de Godofredo

André Carneiro
Trasplante de cerebro

Cuba
Virgilio Pinera
El viaje

Alejo Carpentier
Viaje a la semilla

Chile
Juan Emar
El Hotel Mac Quice

Hugo Correa
Meccano

México
Carlos Fuentes
Chac Mool

Marco A. Almazán
La vida amorosa de los robots

Uruguay
Mario Levrero
La calle de los mendigos


Cuentos fantásticos y de ciencia ficción en América Latina [ Download ]

terça-feira, 16 de junho de 2009

Lo mejor de la ciencia ficción latinoamericana


En los años sesenta se produjeron dos grandes acontecimientos en el campo de la ciencia ficción.
Uno de ellos pasó casi inadvertido en el mundo anglosajón.

El más visible de los dos fue un fenómeno que al poco tiempo adquirió la denominación de new
wave, nueva ola. Esencialmente, la new wave era un intento de introducir «corazón» en lo que hasta entonces había sido «cabeza». Los sentimientos no reemplazan exactamente al intelecto; dudo si los lectores de ciencia ficción derramaban lágrimas de alegría o tristeza mientras devoraban la nueva ciencia ficción.

Pero los autores de la new wave lucharon extraordinariamente por conseguir esa respuesta.
Otra forma de describir la new wave es que fue un notablemente logrado intento de conseguir la
audiencia de un público que normalmente sólo lee literatura general.
Mientras tanto...

En Sudamérica y en algunos países de Europa estaba evolucionando una ciencia ficción distinta,
más literaria. Frederik Pohl, que por aquel entonces era director de las revistas Galaxy y Worlds of lf, supo de este desarrollo y persuadió a sus editores para que publicasen una revista especial dedicada a esa nueva corriente, International Science Fiction.

La nueva revista no fue un éxito. Evidentemente, la new wave aún constituía por aquel entonces
una innovación. La ciencia ficción literaria todavía debería esperar a que los lectores, acostumbrados a las obras de los pulps, escritas por grandes cerebros, se ajustaran a las más sofisticadas obras escritas por grandes corazones.

No obstante, el potencial público lector de ciencia ficción es hoy tan enorme que puedo predecir
que algo así como un millón de lectores de ficción de calidad están preparados y esperando. Quizá no sepan exactamente qué es lo que están esperando, pero tendrán una idea más clara tras leer esta antología de ciencia ficción latinoamericana.

Cuando leí su traducción la primera vez, naturalmente cambié de forma automática algunos
pasajes a mi propio e inimitable inglés; por consiguiente, tuve que reescribir a máquina toda la obra para ponerla en limpio. Menciono esto porque, como es obvio, en estos casos siempre releo la versión definitiva a fin de corregir posibles errores tipográficos. Y de este modo quedé enormemente sorprendido al comprobar que gozaba mucho más de las historias en su segunda lectura. Había esperado sentirme más bien aburrido. Por el contrario, capté matices y cualidades especiales que se me habían pasado por alto en mi primera lectura.

A consecuencia de ello, me sentí motivado a escribir un breve comentario de mi reacción ante casi cada historia. Helos aquí:

El relato Primera necesidad proporciona una desacostumbradamente vivida visión de una destruida ciudad de Nueva York, con pequeñas bandas vagando por ella. Aunque nacido en Uruguay, y viviendo aún en Sudamérica, el autor parece estar muy familiarizado con el centro de Manhattan.

El argumento es superficial pero lleno de color. Y su final es realmente sorprendente.
El cambio empieza con una de las mejores frases-señuelo que he leído en los últimos años. La
historia que sigue no es sin embargo lo que uno podía haber anticipado. Escrita por una psicoanalista, que ha realizado un estudio sociológico sobre la ciencia ficción, refleja presumiblemente el análisis científico del género hecho por la autora.

La encontré diferente, y la leí con interés, sin sentirme
seguro en ningún momento de adonde me llevaría. Y cuando finalmente llegué allí seguía sin estar seguro de cómo se había realizado el milagro. Cada lector deberá decidir por sí mismo.
Mi opinión acerca de La oscuridad es la de que se trata no sólo de una gran historia de ciencia
ficción sino también de una gran obra literaria. Constituye el epítome del tipo de ciencia ficción que se está escribiendo en Sudamérica —en este caso en portugués— y casi en todas partes fuera del mundo de habla inglesa; no acción tipo pulp sino literatura en su mejor sentido.

El autor, André Carneiro, a quien conocí personalmente en 1969 en el II Festival Internacional del Film en Río de Janeiro (siempre recordaré su amabilidad con los autores norteamericanos de ciencia ficción), merece la misma audiencia que un Frank Kafka o un Albert Camus. ¿Cuan grande puede ser literariamente la ciencia ficción? Lean La oscuridad y lo descubrirán.

Tras leer atentamente Caza de conejos durante un cierto tiempo, maravillándome de la inventiva
del autor —pero esperando llegar de un momento a otro a un rápido final—, me pregunté de pronto: ¿cuánto falta todavía? Sorprendido e incrédulo, descubrí que apenas había empezado. Faltaba aún un buen montón de páginas. El autor es calificado en su país como «maestro de la fantasía». Realmente, se necesita poseer un tipo muy especial de genio cómico para escribir algo como Caza de conejos, y tener una mente muy osada para utilizar una forma de escribir tan distinta de lo que los lectores están acostumbrados.
Puesto que su autor afirma que ha sido incapaz de ganarse la vida con sus escritos, podemos especular que habrá perseverado en ser igualmente innovador en sus demás historias, sin preocuparse de las consecuencias.

En La muerte del poeta se nos da un atisbo del computarizado futuro de las obras de los escritores y poetas y, presumiblemente, de la ficción en general. Uno puede ver la justicia de las consecuencias: se acabó el escribir las mismas frases, o historias, o imaginaciones por segunda vez. Lo más importante de la historia es la originalidad y las implicaciones de algo en lo que probablemente no hayamos pensado nunca hasta que a Vanasco se le ocurrió plantearlo.
Si alguien se ha preguntado qué tipo de creatividad se está desarrollando en la Cuba de Castro, El
cosmonauta intenta sin duda decírnoslo. Puesto que la historia es corta, y está enérgicamente escrita, el mensaje parece ser: es peligroso para los alienígenas de Norteamérica desembarcar en las playas de Cuba; el pueblo cubano tiene buenas intenciones, pero está hambriento; y comerá cualquier cosa.

En la breve presentación de la autora de Los embriones del violeta, el seleccionador Bernard
Goorden la compara con uno de los grandes de Sudamérica. Sin embargo, una vez leída su inusual historia, me descubrí pensando en un genio norteamericano llamado Donald Barthelme. El estilo y los giros de las frases reflejan las mismas sorprendentes inclinaciones mentales y el mismo brillante uso del lenguaje, caracterizando una historia realmente original contada con habilidad.

O'Henry debe de haberse agitado miles de veces en su tumba, gruñendo ante los innumerables
finales sorpresa de segunda categoría que se escriben y que se supone sorprenderán al lector con su inesperado giro. Sin embargo, el autor de Persistencia probablemente habrá merecido un
asentimiento —y no un gruñido— del Maestro. El final de su realmente corta historia me sorprendió de la mejor manera posible.
Gu ta gutarrak es, para mí, la historia más interesante de toda la antología. Como la mayoría de los norteamericanos, tengo una conciencia extraordinariamente remota del pueblo vasco. Sin embargo, puesto que siempre he sentido interés hacia los temas en cierto modo esotéricos, probablemente sé algo más que la mayoría de la gente. Soy consciente, por ejemplo, de que la lengua vasca es única, y no tiene parentesco con ninguna otra lengua europea. La docena de frases —aproximadamente— en vasco que figuran en esta historia recuerdan de forma fascinante el siglo diecinueve, cuando los escritores ingleses conocían idiomas extranjeros y salpicaban ese conocimiento a todo lo largo de sus ficciones. Yo he estado haciendo lo mismo recientemente en mis propias historias, debido a que siempre he admirado a esos escritores antiguos.

Por otra parte, la visión de la personalidad vasca que la autora nos presenta es el primer estudio caracterológico que he visto relativo a un pueblo que evidentemente es tan único como su lenguaje. El especial humor que lo salpica nos proporciona una visión diferente de un pueblo que la mayoría de la gente conoce sobre todo por la tendencia de sus facciones nacionalistas a atentar contra personalidades políticas y militares del gobierno español, el cual intenta oponerse al derecho natural de cada vasco de elegir su propio gobierno. La autora, una argentina de amplia cultura, parece saber muy bien de qué habla. La suya es sin lugar a dudas una gran historia.

Hugo Correa ha escrito la que constituye probablemente la más emotiva historia de esta
recopilación: Alguien mora en el viento. La forma de vida alienígena de esta historia, aunque no es vista en ningún momento, posee un impresionante poder, y opera a través de un trascendental sistema moral de castigos y premios. Los primeros son rápidos y mortales. Los segundos también son rápidos, pero su resultado final es una casi divina paz mental. El efecto final es cálidamente emotivo. Mi coantologista parece dar a entender que este escritor fue influenciado por Ray Bradbury en sus primeros tiempos. Lo cual, por supuesto, es de alabar.

Plenipotencia obtiene precisamente toda su potencia de la forma en que es presentado. Pequeños y vividos detalles conducen hasta un momento clave en el que el lector debe efectuar una serie de contribuciones mentales a la historia, la cual posee muchos elementos de la ciencia ficción
norteamericana de los años treinta. Tiene al mismo tiempo la fuerza y la debilidad de un evento
colosal.

Por primera vez, se me ocurrió pensar que Dios debe de llevar una vida muy aburrida.

Si Franz Kafka, Albert Camus, Thomas Mann o W. Somerset Maugham hubieran escrito alguna vez ciencia ficción, éstas habrían sido indudablemente las historias que habrían creado.
A. E. VAN VOGT


Índice
Prólogo - Nuevo Mundo, mundos nuevos
Primera necesidad por Carlos María Federici
El cambio por Mane Langer
LA OSCURIDAD por André Carneiro
Un aroma de flores lascivas por Eduardo Goligorsky
Caza de conejos por Mario Levrero
La muerte del poeta por Alberto Vanasco
El cosmonauta por Ángel Arango
Futuro por Luis Britto García
Los embriones del violeta por Angélica Gorodischer
Persistencia por José B. Adolph
GU TA GUTARRAK por Magdalena Moujan Otaño
Alguien mora en el viento por Hugo Correa
Plenipotencia por Emilio Rodrigué
Bibliografía


Lo mejor de la CF latinoamericana - Bernard Goorden, Alfred E. Van Vogt [ Download ]

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cuentos Argentinos de Ciencia Ficción


ÍNDICE
La civilización perdida, Juan Jacobo Bajarlía.
Los afanes, Adolfo Bioy Casares.
Las abejas de bronce, Marco Denevi.
Aclimatación, Eduardo Goligorsky.
Mensaje a la Tierra, Alfredo Julio Grassi.
La esfera, Narciso Ibáñez Serrador.
Marketing, Pedro Orgambide.
El segundo viaje, Carlos Peralta.
La tercera fundación de la ciudad de Buenos Aires, Emilio Rodrigué.
La meta es el camino, Dalmiro Sáenz.
Paranoia, Alberto Vanasco.
En el primer día del mes del año, Alejandro Vignatti.


Cuentos Argentinos de Ciencia Ficción [ Download ]

domingo, 14 de junho de 2009

Sergio Gaut Vel Hartman


Sergio Gaut vel Hartman (1947 - ) nasceu em Buenos Aires, Argentina. Filho de pais judeus imigrantes da Polônia e Rússia, desde pequeno foi um apaixonado pela leitura de livros de FC.
Seu primeiro conto foi publicado em 1970.

Em 1982 começou a trabalhar na Pêndulo, uma das publicações mais prestigiadas da Ficção Científica Argentina.

Gaut foi um dos fundadores do Círculo Argentino de la Ciencia Ficción y Fantasia, lançou uma das revistas mais populares na Argentina dedicadas a FC, a Sinergia (1983) e foi também editor da Parsec (1984). Em 2004 recebeu o prêmio Phobos de FC.

A ficção de Gaut se caracteriza principalmente por explorar a coexistência de realidades paralelas, ou dimensões paralelas. Em sua obra, o autor especula sobre a degradação entrópica cotidiana, e a capacidade do ser humano de se adaptar à qualquer circunstância atípica.

Sua narrativa é planejadamente labirintica, de exploração metafísica.

Em seu conto 'Cuerpos a la deriva' ele explora esta realidade paralela, através da clonagem, da criação de corpos descartáveis. Neste conto, corpos são mercadorias no sentido mais usual, sendo
trocados, vendidos e comprados.

A obra de Gaut oferece ao leitor a rejeição de conceitos conhecidos, como o 'Eu', transcendendo limites, questionando a própria existência. Seu texto é subversivo, no sentido que sabota a estabilidade cultural daquilo que chamamos realidade.

Sua ficção científica apresenta o indefinido ou indefinível, para criar uma reação contra o 'real', transportando o leitor para um lugar onde tudo é possível, até o real.

fonte:Latin American Science Fiction writers

Sergio Gaut Vel Hartman (Cuerpos Descartables, Fotogramas, Guia Pratica para entrar em contacto con culturas pretecnológicas, Islas, Naufrago de si mesmo, Videomania ) [ Download ]

FC Argentina

Sergio Gaut na Axxon

Blog Quimicamente Impuro

Blog Sinergia

sábado, 13 de junho de 2009

Coin Locker Babies - Ryu Murakami


‘Chuva.O homem da meteorologia disse ontem que a temporada de chuvas tinha acabado, mas ainda está tão úmido que não dá para ficar de janela fechada sem embaçá-las. Minha avó dizia que só havia duas coisas na vida em que você podia acreditar: O homem do tempo da NHK e o dicionário Inglês-Japonês Sanseido. Isso e aquelas placas nas jaulas do Zôo de Ueno... e talvez os árbitros de beisebol do colégio. Minha avó se formou na universidade nos anos 20, quando quase ninguém de onde eu vim ia para a escola... Merda! Olha o imbecil que tentou me cortar... ela era uma garota esperta... malditos vidros embaçados... ih, caramba, me desculpe madame pelos meus modos, mas que faculdade você freqüentou? Aposto que foi de música...’

Anemone o ignorou e o homem continuou falando e xingando os outros motoristas.

Ela tinha feito sinal para o táxi na frente do atacado de carnes, onde todas aquelas enormes peças congeladas de carne eram carregadas para dentro dos caminhões.
Foi azar, ela descobriu ao entrar no interior do taxi, que o motorista era um pouco amigável demais.

‘Sabe como eu sei reconhecer estudantes de música? O jeito deles denuncia: os de ombros fortes são pianistas, pescoços finos são cantores, violinistas tem calosidades no queixo e os celistas tem pernas em arco. Sou bom, não sou? Pode apostar que não sou um motorista qualquer. Sempre tive o dom para perceber coisas, e meus amigos dizem que é uma vergonha eu perder meu tempo neste trabalho.Eles dizem que eu podia ser um escritor ou capitão de barco. Capitão de barco... isso é que é trabalho. Tem que ser bom para controlar sua tripulação ou pode ter problemas... tem que ser bom... Senhorita? Senhorita ? Tá dormindo?’

Pessoas conversam o tempo todo, Anemone pensou. Eles chegam e começam a falar com você no trem, na fila, no cinema, na lanchonete ou no supermercado, e se você responder, ai é que está perdido, não param mais de falar. Imbecis sorridentes, se oferecem para carregar suas malas ou pagar um copo de café, e então vocês se tornam imediatamente ‘melhores amigos’. Parecem perigosos, todos estes faladores patológicos. Anemone tinha lido sobre um caso de um homem que tentou escapar de um e foi esfaqueado nas costas.

‘Cansaço né? Deixa você maluco… droga de garoa. É ruim para os limpadores e pior para os motoristas. Mal dá para enxergar… a gente fica cego, né? É, cego... você é bem calada madame. Para onde quer ir mesmo? Você é tão calada que eu acabei esquecendo totalmente… não é brincadeira não, não lembro mesmo. Vamos lá madame, me dá uma chance.’ pediu olhando para trás, para Anemone. Ele secou as palmas das mãos nas calças e ela abriu a janela um pouco, apenas para entrar ar.

Um cheiro quente de concreto úmido flutuou pelo carro, o cheiro da noite.

‘É sério, precisa me falar... pra onde vamos? Eu não consigo me lembrar.’

O motorista parou o carro bem no meio da pista e ligou o alerta. Buzinas foram ouvidas no trânsito atrás.

‘Daikanyama’ murmurou Anemone. O rosto do homem relaxou.

‘Certo! Daikanyama então, Avenida Yamate. Só fugiu da minha cabeça por um minuto... senhorita, me desculpe por falar, mas você não é como a maioria das moças. Neste tipo de trabalho eu aprendo muito sobre as pessoas. Devo pegar umas cinqüenta todo dia - estou lhe dizendo, você é um pouquinho diferente, no bom sentido é claro. Por exemplo, se pego uma jovem senhora, ela ao menos conversa um pouquinho, diz olá, estas coisas... acho que o que eu quero dizer é que uma jovem comum tem educação; como quando eu disse para você, alguns minutos atrás, que estava chovendo, lembro que o odômetro marcava 70.092 quilômetros e o taxímetro 1.780 ienes... bem, uma garota normalmente diria algo como ‘Sim, certamente’ ou ‘a temporada de chuvas já deveria ter acabado’ ou algo assim. Pessoas sempre falam do tempo para começar uma conversa, são boas maneiras. Sabe, sou um cara fácil de lidar em geral. Tenho lá minhas broncas,mas tenho a mente bem aberta... mas eu preciso dizer que você é a porra da madame mais calada que já encontrei. Merda, este trânsito! Devagar pra caramba e ainda por cima chove. E um passageiro mal humorado e quieto. Isso é o que eu ganho por ser um sujeito legal.’

O táxi mal se movia e à frente o borrão vermelho das luzes do freio pintava o pavimento. Sem mais nada o que fazer, o motorista estudava o perfil de Anemone pelo retrovisor, enquanto as luzes dos carros seu rosto pálido, com sombras manchando olhos e bochechas. Alí a estrada começava a descer para uma parte de Tóquio popularmente chamada de Toxitown (cidade tóxica), uma área contaminada, bem no centro da cidade. Há uns cinco anos atrás, pássaros e pequenos animais começaram a morrer nas vizinhanças. Testes revelaram um nível anormal de cloro no solo, o bastante para causar erupções na pele quando exposta ou danos ao fígado e aos nervos. Mulheres grávidas foram alertadas sobre o risco de aborto ou defeitos congênitos. Mas isso foi só; nenhuma explicação foi dada, de como o cloro chegou ao solo, contudo ocorreram várias especulações. Já que não havia uma fábrica na área, alguns disseram ter sido vazamento de algum caminhão. Houve uma conversa sobre derramamento, práticas ilegais de empresas de construção, ou até mesmo alguma reação química natural e peculiar, disparada pelas altas temperaturas do solo. De qualquer modo, qualquer que fosse a causa, não podia ser resolvida pelos meios habituais; não era solúvel em água e era imune ao calor, e mesmo os microorganismos desenvolvidos especialmente para se alimentar de dejetos eram inúteis. Ao final o Departamento de Saúde Pública obteve subsídios para realocar os habitantes e toda daquela área foi isolada. O chão foi coberto de cimento, o perímetro cercado por arame farpado e guaritas de segurança.

Havia duas teorias que explicavam o nome Toxitown, uma era simplesmente pelo perigo à saúde, a outra porque a área isolada tinha se tornado um reduto do crime, particularmente do trafico de tóxicos. Os criminosos entravam e saiam de Toxitown, apesar dos guardas que patrulhavam o local.Os guardas carregavam lança-chamas para prevenir que qualquer coisa entrasse, principalmente vândalos tentando roubar alguma coisa. Já que as casas abandonadas permaneciam com seus pertences dentro, as autoridades temiam que a área fosse uma tentação para os desabrigados e invasores de propriedades, e anunciaram que os guardas tinham ordens para incinerar não apenas aquilo que estivesse contaminado, mas qualquer um que estivesse de posse de objetos contaminados. O alerta não teve muito efeito no tráfego que entrava e saia de Toxitown, já que o interesse das pessoas pelo novo território era precisamente por ser um lugar em Tóquio onde a policia não possuía jurisdição. E uma vez que a área foi colonizada por gangsteres e gigolôs, outros tipos passaram a freqüentar também, como vagabundos e andarilhos, pessoas mentalmente debilitadas, putas baratas, prostitutos, procurados pela justiça, degenerados e desajustados, que estabeleceram residência em Toxitown, e desta forma um tipo estranho de sociedade começou a formar-se.

Ao fim, até a polícia aparentemente preferia olhar para o outro lado, agradecendo pelo inesperado resultado de tantos marginais em um só lugar: a taxa de criminalidade, particularmente crimes sexuais, caiu tremendamente em outras partes da cidade. Todos de fato, não oficialmente é claro, estavam satisfeitos com a situação, exceto por um pequeno detalhe: a área delimitada por arame farpado ficava adjacente e na sombra dos novos super arranha-céus de West Shinjuku, como se a coroa na linha do horizonte da cidade estivesse colocada sobre o esgoto.

‘É bom senso’ o motorista estava dizendo. ‘Use o seu bom senso, é o que sempre digo. Este pessoal todo que não tem bom senso, você pode levá-los para onde quiser e dar um jeito. Olhe para este engarrafamento por exemplo: é claro que se todos em Tóquio quiserem ir para o mesmo lugar ao mesmo tempo, bem, vai terminar nisso. O que precisamos é que alguém apareça com alternativas, alguma coisa criativa. Deve haver muitos outros meios de se fazer isso, carros voadores ou estradas subterrâneas, ou outra coisa qualquer... e essa maldita chuva que não ajuda também... Perai! Porra, espere ai! Ei … senhoria, é você não é? Sim, sim, é claro que é! Você é aquela do comercial de televisão, aquela que o xampu cai nos olhos, que ficam vermelhos e você vira um coelho. Que merda! Como é que não vi isso antes! Uma modelo!’

A chuva começara a cair mais forte quando Toxitown surgiu à esquerda. Uma luz pálida banhava as guaritas e os carros blindados, iluminando uma placa onde se lia:

‘ÁREA TÓXICA, MANTENHA-SE AFASTADO.’

O cenário brilhava como se grandes tiras de luz dos arranha-céus tivessem se destacado e iluminado a fortaleza de arame farpado. O motorista, que tinha se dado conta de possuir uma celebridade a bordo de seu carro, tornou-se ainda mais falante:

‘Sabe quem você me lembra? Aquelas atrizes de antigamente de Hollywood, naquelas cenas debaixo d’água, onde piscavam para a câmera. Você tem os mesmos belos e enormes olhos…’ E então ‘Caramba! Que dia é hoje? Sexta! Eu devia saber! Semana passada uma vidente leu minha sorte e disse que sexta eu encontraria uma pessoa que mudaria minha vida, alguém que mudaria meu futuro! É você! Hoje! E com certeza você tem cara de quem pode mudar a sorte de um cara. Que rosto! E que olhos! Como os olhos daquela boneca de plástico que minha irmã pequena brincava, que podia beber leite de verdade. Você tem arco-íris em suas pálpebras, você sabe? É bonita mesmo, todas aquelas cores nos seus olhos... uh, desculpe se estou falando loucuras, mas você tem um rosto que faz um cara ficar maluco... mas todo mundo deve dizer isso pra você.’

Em algum lugar atrás deles uma buzina soou por longo tempo como se disparasse, e muitos motoristas estavam tentando ver o que acontecera. Alguém gritava: ‘Quieto seu babaca’, e que ecoou através da chuva. Então outras buzinas se juntaram e motores aceleraram.

Dentro do táxi a excitação do motorista tinha embaçado todas as janelas, enquanto que algumas pessoas ao longo da estrada, perturbadas pelo barulho - ou apenas aborrecidas - começaram a jogar pedras nos carros. Quando uma delas ricocheteou no teto do táxi, Anemone começou a sentir-se desconfortável.

A superfície lisa da estrada refletia as luzes da cidade em seu rosto. O motorista baixou o vidro e gritou ‘Fiquem quietos, porra’ onze vezes seguidas, pelas contas de Anemone.

‘Que merda, que grande porcaria’ ele murmurou balançando a cabeça. ‘Ouça moça, o trânsito está louco e vai acabar me matando se eu não sair daqui. É isso! Que tal se sairmos juntos? O que me diz? A companhia tem um pequeno bangalô na praia, lá pra leste de Chiba: podíamos ir até lá juntos. Assim fugiríamos desse trânsito. Que tal? Exceto que… custa dinheiro dar uma escapulida, especialmente com uma garota como você. Aposto que nunca saiu com um cara sem grana. Não deve ter nada a não ser cerveja nesta casa de praia, e uma garota como você deve beber apenas vinhos finos. E provavelmente a roupa de cama deve ser vagabunda; e precisaremos de lençóis novos. É isso, tem que ter dinheiro pra essas coisas... Espera ai! Estamos na Avenida Yamate? Espere um maldito minuto! Conheço um cara que faz apostas e que tem um escritório logo ali. Tem me enrolado há anos, mas eu dou um jeito nele e conserto a situação. Se não se importar em ficar sentada aqui um pouquinho! Vou lá e pego algum dinheiro, e enquanto estiver por lá... há! Não vou me importar de enfiar uma faca naquele porco! Não demoro nem um minuto’ e saiu.

O motorista tinha parado o carro em uma das pistas; Anemone que mal ouvira o que ele tinha dito, pensou que ele tinha ido comprar cigarros ou algo assim. Ela começava a se preocupar com seu embrulho de carne de cavalo e cabeças de galinha, que iria estragar se não colocasse logo na geladeira; e ignorou os insultos gritados pelos outros motoristas dos carros que precisavam se desviar do táxi que bloqueava a pista. Como o motorista não voltou em cinco minutos, Anemone ficou furiosa. Esfregando um círculo na janela embaçada, achou o soldado armado, bem ao lado do carro. O jovem vestia uma capa transparente plástica e seus pés se moviam no ritmo da música que chegava aos seus ouvidos por um pequeno fone de ouvidos.

‘Descuuuuulpa!’ disse o motorista deslizando para dentro.

Anemone olhou para ele e tentou gritar, mas nada saiu de sua boca.
Seu rosto e sua camisa estavam cobertas de sangue.

‘Que decepção! Que sujeito mais mole! Bem, ao menos consegui a grana. Vamos nós!’ A voz do motorista tremia um pouco, mas sua habilidade era incontestável. Subiu no meio fio com o carro e fez a volta, seguindo na direção contrária.

Anemone não sabia o que fazer: sabia que devia gritar, mas não conseguia. Um arrepio tomara todo seu corpo e sua cabeça estava quente. Agora mesmo era que a carne iria estragar, pensou. Começava a ficar com raiva de verdade.

Enquanto isso a sorte do motorista chegou ao fim e o táxi bateu, pior, amassou o outro carro. O homem do outro carro saiu e veio até a janela do táxi, pressionando seu rosto contra o vidro e gritando ‘abra’, mas o motorista estava acovardado demais para fazer qualquer coisa.

Sem ter resposta, o outro motorista começou a chutar a porta, ajudado por outro homem que arrebentou o pára-brisa com um taco de beisebol de alumínio.

Anemone atirou-se ao chão enquanto que o motorista, recobrando-se um pouco, empurrou a marcha à ré e subiu pela calçada. Achou um lugar onde um dos postes que deveria manter a cerca de arame farpado tinha tombado, e apertando o acelerador, foi de encontro à cerca, abrindo um buraco nela; e então o motor morreu.

Neste instante um holofote entrou em ação e um facho de luz potente caiu sobre o carro.
Uma sirene disparou e o soldado com fones de ouvido pulou de seu posto e veio correndo com a arma apontada.

Assim que outros dois guardas em uniformes brancos saíram do carro blindado, o motorista conseguiu fazer o motor pegar e engatou uma marcha. Os guardas como advertência, mostraram seus lança-chamas, mas antes que pudessem abrir fogo, o táxi atravessou a cerca e desapareceu em Toxitown.


Trecho de "Coin Lockers Babies"(1997) de Ryu Murakami.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

100 Must-read Science Fiction Novels


If you’re looking for a reliable guide to what science fiction is, you have come to the right place.

This is a book that contains a list of the one hundred irreplaceable books from the science fiction genre.

But it is also rather more than just a list, because not only is each book lucidly introduced, summarized and placed in its general context, there are many ‘read on’ suggestions.

These will take the interested reader down a number of sidetracks to distant literary places, some of which will come as a surprise to many people.

The net that contains SF is a big one and fantastic literature can be cast over a wide area. Not everything is obvious. Beyond even the recommendations, there is an argument that runs throughout the book. It gently explains, defines, promotes, defends science fiction, always with a civilized enthusiasm and from a position of authority.

When I discovered the genre long ago, late in my teens, there were far fewer SF books to read than there are now. In fact it felt (perhaps falsely) that with a little dedication it would be possible to sit down and read everything that had ever been published. I never attempted the feat, although when I encountered some of the more serious science fiction fans I did wonder if they were trying it.

In the early to middle 1960s, most of the science fiction that then existed had been written for magazines. SF was predominantly a shortstory form, and novels were comparatively rare.
The few there were had almost all first appeared as serials, which is how many of the older novels on the main list in this book were published.

To return to the story of my own brief contact with reading science fiction, I devoured the books avidly for a few years, but by the time I was in my mid-twenties my tastes had become more complex and not long after that I stopped reading science fiction almost completely. (Almost completely, because for several years I was a publisher’s professional reader, and throughout my career I have occasionally reviewed new books.) It always feels to me as if I gave up before I had seriously tackled the subject.

I was surprised to discover, therefore, when I read this long list compiled by Messrs Andrews and Rennison, that I had read almost half of the books here.

Naturally, they tend to be the older ones, but not entirely.

Do I agree with the choices on the main list? Yes and no. I would like to have seen J.G. Ballard’s stories given prominence over his novels. He is still an under-rated writer, and that is because people judge him by his novels: on his scale, the B-list.

There ought to be a Richard Cowper book here: The Twilight of Briareus or The Road to Corlay, or his stories. The same from Robert Sheckley, who was one of the finest 20th century short story writers, but whose novels weren’t as good. I would have chosen John Wyndham’s The Day of the Triffids or The Kraken Wakes over The Midwich Cuckoos.

Aldiss’s Greybeard rather than Hothouse. Dick’s The Man in the High Castle.
What would I have left out? The Asimovs and the Heinleins, certainly, since in completely different ways they did much to distract everyone from the idea that science fiction should be written well.
(This is a personal view – the consensus of the SF world is against me.)

The novels by ‘Doc’ Smith, JackWilliamson and Raymond F. Jones are period pieces, and belong in a museum. Including two novels by Alfred Bester is including one too many, but The Stars my Destination is probably central to the entire SF argument. And H.G. Wells’s The Island of Doctor Moreau is famous, while not being one of his best books.

On the whole, though, I go along with the selections here. I have long argued that science fiction is not something that should be judged as a unitary form. Any generalized argument in favour of SF, no matter how well or strenuously mounted, can be instantly undermined by pointing at one of the genre’s many, many embarrassments.

(The opposite is also true, but not as subversively enjoyable to do.)

Much better to think of SF as a place where adventurous or original writers can take advantage of certain blessings practically unique in literature: an articulate, faithful and intelligent readership, an active professional market for short stories, a consistent commercial niche within publishing and bookselling, a body of literary criticism that is both knowledgeable about the literature and expectant of high quality.

This is the sort of literary environment where writers can practise, where they can develop their individual voices and be heard, encouraged and soon relished.
That is the best way to read and understand this book: as an introduction not to a genre that might or might not be to everyone’s taste, but as a recommendation of the works of authors who are not known to many people outside the genre.

There are many surprises here, in that sense. Nearly one hundred of them, in fact.
Christopher Priest

CONTENTS
FOREWORD
ABOUT THIS BOOK
INTRODUCTION
A–Z OF ENTRIES
SCIENCE FICTION AWARDS
A BRIEF GLOSSARY OF SF TERMS
INDEX


100 Must-read Science Fiction Novels - Stephen E. Andrews and Nick Rennison [ Download ]