sábado, 30 de maio de 2009

Pontos de partida - Pat Murphy



A primeira vez que Jan ouviu os lobos uivando nas ruas de Manhattan, foi na noite do blecaute.

Eram duas da manhã, mas Jan estava acordada. Estava deitada na cama assistindo todos o noticiários na televisão a cabo. Pela terceira vez naquela noite, um comentarista bem vestido falava sobre um atirador em um shopping de Miami. Perturbado por um divórcio, o homem abriu fogo com seu rifle, ferindo seis mulheres que faziam compras e uma vendedora antes da policia o prender. O blecaute interrompeu a reportagem bem no meio.

Logo antes das luzes se apagarem, Jan estava chorando.
Um mês antes, Dennis, seu marido, tinha pedido o divórcio e aquele evento inesperado tinha destruído o ritmo de sua vida.

‘Estou partindo’ ele disse. E então disse muitas outras coisas - sobre se encontrar, sobre se sentir preso, sobre estar confuso, sobre amor. Mas na tempestade de palavras, apenas duas tinham ficado gravadas ‘Estou partindo’.

Ao fim, já que o apartamento que repartiam pertencia a ele, ela seria aquela que deveria se mudar, sublocando um apartamento de um amigo que estava de férias na Flórida.
Jan tinha uma mala e os dois gatos do amigo para alimentar, que viam nela apenas uma fonte conveniente de comida e nada mais. Os gatos rondavam ao redor dela e de sua cama e atacavam seus pés quando ela trocava de posição, e a observavam sob a luz vacilante da televisão.

Depois de deixar o marido, Jan se dera conta de que tinha se esquecido de como dormir. Achava-se sentada tarde da noite vendo televisão. Às vezes bebia brandi para se acalmar e apagar. Às vezes o murmúrio da televisão embalava o sono. Mas sempre dormia mal.

Na noite em que as luzes se apagaram, Jan ficou por algum tempo sentada no escuro então saiu da cama e foi até a janela para ver as luzes da rua. Foi então que ouviu os lobos.
Primeiro um som distante de latidos - talvez de algum cachorro perturbado com a escuridão súbita. Então o animal começou a uivar, subindo a nota devagar. Outros se juntaram, como numa onda sonora, em diferentes momentos.

Nenhuma luz nos prédios vizinhos. As luzes da rua apagadas. O luar brilhando nas escadas de incêndio fora da sua janela, refletido nas janelas dos apartamentos do outro lado da rua.

Jan abriu a janela e esperou.
Devia ter sido o vento, pensou. Mas os uivos subiram de novo em coro e nada tinha a ver com o vento.

Lobos nas ruas de Manhattan.

Tremeu e fechou a janela.
Após discar 911, a voz de uma mulher atendeu.
‘Tem lobos na rua’ disse Jan ‘ Posso ouvi-los uivando.’
‘Qual a natureza da sua chamada de emergência?’ perguntou a mulher parecendo entediada.
‘Posso ouvir lobos uivando. Não muito longe’ repetiu Jan.
‘Cachorros barulhentos não constituem uma emergência’. disse a mulher cruamente. ‘Entre em contato com o Controle de Animais, durante o horário normal de atendimento.’
‘Mas eu ouvi...’ Jan estava falando com o sinal de chamada.
Desligou e foi até a janela novamente.
O vento cantava passando pelas estruturas da escada de incêndio e um táxi atravessou a rua lá embaixo.
Ouviu então o uivo, desta vez mais perto.

Ela hesitou e depois ligou para o marido. Imaginou-o procurando o telefone ao lado da cama, na mesinha, os olhos meio fechados, o corpo nu debaixo das cobertas. Imaginou o clique quando ele ligasse o abajur da mesinha, o abajur de latão que havia comprado num antiquário meses atrás. Sentiu-se bem ao ouvir sua voz sonolenta.
Não disse nada. Desde que tinha partido, ela tinha ligado para ele as vezes, uma vez por semana, não mais do que isso. Não queria falar com ele, queria apenas ouvir o som de sua voz. Em cada uma das vezes se prometia não voltar a fazê-lo, mas sempre voltava atrás.

‘Alô’ ele disse de novo. Ela ouviu a respiração dele, mas nada disse.
O que poderia dizer? Que a luz se apagara? Que lobos uivavam nas ruas? O que poderia dizer? Ele iria dizer que ela estava deixando a imaginação enganá-la. Diria para não ligar mais. Era melhor ficar calada, imaginando o quarto de dormir que uma vez ela pensava que fosse dela.
‘Diabos, quem é? Maldição, não vai dizer nada?’
Finalmente ele bateu o telefone. O sinal de chamada voltou.
Ela desligou e voltou a janela. Não ouvia mais os lobos.

Acendeu a vela que deixava junto da cama. Na frágil luz enrolou-se no cobertor e deitou-se para prestar atenção no som do vento.
Estava ainda acordada quando a energia retornou as quatro da manhã e a televisão voltou a vida. Um talk show com um psicólogo discutindo sobre stress: ‘perda do sono é um dos sintomas’ ele estava dizendo. Jan adormeceu ouvindo-o continuar a falar.

Dormiu até o alarme tocar na manhã e levantou-se atrasada pelo menos uma hora e meia, grogue de sono. A vela tinha se consumido inteira e na televisão reprisavam ‘I Love Lucy’.
Os gatos miaram para ela e ela derramou comida seca no prato.
Apressadamente vestiu-se e atravessou os quatro quarteirões até o metrô.
Quando andava, sua respiração deixava nuvens de vapor no ar frio.

A temperatura no metrô era tropical, o ar úmido e pesado com odores desagradáveis.
As placas de sinalização nas paredes tinham sido pichadas com cores da selva, grandes talhos verdes brilhantes, vermelhos e azuis, igual a plumagem de aves exóticas.

Enquanto esperava o trem, notou uma mulher velha vagando pela plataforma, ela vestia um casaco masculino e sapatos pretos usados. O cabelo era cinzento e sujo como os retalhos de papel que enchiam seu chapéu de tricô. Em uma das mãos uma sacola rosa de shopping cheia de roupas comprimidas. Quando passou perto de Jan, pode ouvi-la resmungando sozinha consigo mesma. Jan fingiu interesse em um anûncio. Uma mulher fumava, desfigurada pelo grafitagem artística que alterava suas orelhas e sutilmente modificava seu sorriso - com dentes afiados.

‘Eles vêm à noite’ dizia a velha passando entre Jan e o anûncio. ’Saem da escuridão’.
Os olhos da mulher eram marrons cor de borra de café que fica grudada na xícara, e suas mãos se mexiam em um ritmo diferente da sua fala. Parou derrepente olhando o chão. Havia uma nesga de spray vermelho no cimento aos seus pés e olhou-o fixamente: ‘Sangue da besta’ ela disse e então ergueu os olhos e viu Jan sorrindo nervoso.
‘É só tinta.’ disse Jan.
A velha balançou a cabeça.
Ainda que não tivesse pedido dinheiro, Jan vasculhou o interior da bolsa em busca de trocados e largou na mão da velha uma nota amassada de dólar e alguns centavos.
Os olhos da mulher se demoraram no rosto de Jan. ‘Eles vem à noite e ninguém sabe para onde vão’ murmurou sonâmbula. Seu sorriso cresceu, quase um riso impensável. ‘Ninguém sabe’ ela gargalhou como garrafas de vidro se despedaçando na rua.
Jan se afastou da mulher velha e o trem que chegava chacoalhando, afogou a gargalhada.
Jan entrou no vagão. Quando olhou pela janela embaçada, a velha acenou para ela e Jan disfarçou olhando para o lado.

Jan tinha um emprego temporário em um escritório de advocacia, digitando documentos infindáveis em um processador de textos. Seu pequeno cubículo sem janelas ficava nos fundos do escritório. Através da porta aberta ela via homens de terno apressados à caminho de reuniões. Ela teclava deixando que as palavras passassem através dela, sem que a atingirem.
Comia seu almoço sozinha, sentada à janela da lanchonete e tentava não pensar.
Assim passava o dia.

A noite ela encontrava sua amiga Marsha depois do trabalho.
Jan e Marsha tinham passado pela mesma faculdade no norte de Nova Iorque. Jan tinha ligado para Marsha quando Dennis disse que estava partindo. Depois que Jan se mudou, Marsha insistia em se encontrarem pelo menos uma vez por semana. Marsha tinha se divorciado também e disse que sabia o que Jan estava passando. Marsha exagerava um pouco, mas Jan tolerava-a amavelmente. Ela gostava daquela mulher de cabelos escuros flamboyant.
Encontrou-a num restaurante italiano. Marsha, que estava sempre de dieta, pediu uma massa e então se angustiou com o pedido: ‘Você vai ter que comer metade.’ disse para Jan. 'Você emagreceu cinco quilo desde que deixou Dennis! Você é tão sortuda!’
Marsha via qualquer perda de peso como afortunada, não importava a causa.
‘Não tenho tido fome ultimamente.’ disse Jan.
‘Eu sempre consigo comer’ Marsha reclamou ‘especialmente quando me sinto péssima.’
Jan balançou a cabeça: ‘Só estou sem fome.’
Marsha estudou o rosto de Jan. ‘Você precisa tirá-lo da cabeça. Precisa fazer coisas por ai. Encontrar gente nova.’
‘Não penso muito nele.’ Jan disse e não era de fato uma mentira. Ficava acordada de noite sem pensar em nada.
Jan bebeu vinho tinto demais e ouviu os conselhos afetivos de Marsha.
Depois de algumas mordidas na massa ela sentiu-se nauseada, mas o vinho ajudava com a tensão que socava seu estômago. O vinho tornava a conversa fácil, encolhendo o mundo em um circulo de intimidade que incluía apenas ela, Marsha e o garçom que enchia as taças.
‘Não consigo dormir’ Jan contou para Marsha. ‘Ouço sons da rua.’
‘Que tipo de sons?’
Jan hesitou, mas então disse: ‘Na outra noite eu ouvi lobos uivando.’
‘Um vizinho provavelmente, assistindo filmes de terror na televisão. Foi só isso.’
‘Houve um blecaute. Não podia ser a televisão.
‘Então eram adolescentes debaixo da sua janela. Ou um bando de bêbados, tentando cantar. Você ouve todo tipo de coisas esquisitas em Nova Iorque à noite. Nada com que se preocupar.’
Jan agarrou seu copo. ‘Tenho medo o tempo todo. O tempo todo. No apartamento, no metrô, quando caminho para o trabalho. O tempo todo.’
Marsha se debruçou na mesa para segurar a mão de Jan. ‘É difícil se acostumar a ficar sozinha.’
Jan notou sua mão fechada em soco e fez um esforço para relaxar.
‘As coisas estão fora de controle’ disse calma. ‘Não sei mais como as coisas funcionam mais. Não sei mais quem sou. Quando Dennis estava comigo, eu não me preocupava. Agora me preocupo o tempo todo.’
‘Você fica muito sozinha' recriminou Marsha. ‘Vou te dizer… eu vou numa mostra de arte na quinta de noite. O artista é meu amigo. Ele é doido, mas será divertido. Podemos nos vestir para arrasar na festa. Por que não vem comigo?’
Jan balançou a cabeça negativamente. ‘Não tenho nada para vestir. Deixei a maioria das roupas na outra casa. Sai de lá só com uma mala e minha vida.’ Tentou rir mas soou como se algo estivesse errado.
‘Pode pegar um dos meus vestidos. Tenho um pretinho básico que vai ficar perfeito em você.’
‘Não sei.’
‘Vamos lá. Tá decidido!’
Já era tarde quando pediram a conta. Fora do restaurante nevava… grandes flocos que caiam lentamente e derretiam ao tocar o chão. Marsha fez sinal para um táxi e insistiu que Jan fosse nele mas Jan recusou. ‘Vá você… eu pego outro.’
Marsha aquiesceu ao fim e Jan acenou um adeus para ela.
Ela ainda hesitou um pouco, feliz com o ar frio no rosto. Outro táxi passou mas ela não fez sinal. Ela queria, por razões que não eram claras, pegar o metrô.

Os letreiros de neon ainda acesos e coloridos refletidos no asfalto molhado, faziam borrões coloridos. Gostava da escuridão e do frio e dos reflexos do neon vermelho que parecia pintar de sangue a rua.

A entrada do metrô era visível devido aos postes antigos de luz esverdeada sobre ela.
Uma mulher vestindo um uniforme azul e apertado do Exército da Salvação distribuía panfletos nos degraus. Sem pensar, Jan aceitou um e desceu rápido os degraus gelados metendo-se pelo corredor que fedia a urina.

Poucos esperavam na plataforma.
Um adolescente de jaqueta jeans encostado na pilastra. Uma catadora de lixo deitada ao banco de madeira, usando uma sacola cheia de roupas velhas como travesseiro. Um velho sentado na beira do banco, descansando o rosto entre as mãos.

Uma das lâmpadas fluorescentes sobre a plataforma estava quebrada, cacos de vidro brilhavam junto aos restos empurrados contra a parede mais próxima.
Outra lâmpada tinha se queimado, enchendo a plataforma de sombras.

Jan recostou-se contra uma pilastra frente aos trilhos, olhando a escuridão da qual o trem deveria emergir. O vinho fazia sua cabeça zunir sem parar. Apesar de sempre esperar ali, todos os dias, pelo trem para casa depois do trabalho, a estação lhe pareceu diferente.

Deu-se conta de estar olhando para as pichações nas paredes, tentando descobrir o significado daquelas palavras ilegíveis. De uma maneira que ela não queria entender, sentiu que as letras eram uma mensagem para ela. A pichação mudava e movia-se diante de sues olhos.
Na pouca luz, seus sentidos estavam excepcionalmente alertas. Ouviu o barulho da sacola da catadora de lixo, ouviu o adolescente acendendo um cigarro e o suspiro do velho.
Pensou estar ouvindo-o dizer algo, mas só entendia algumas palavras.
‘…à salvo nos túneis’ ele murmurava. ‘…quente e escuro…’
Jan olhou para ele, mas ele não estava falando com ninguém. Sua cabeça pousada nas mãos e os olhos fixos nos trilhos.
Ela se virou, ainda com as costas na pilastra.
‘…não vai nos encontrar aqui.’ Disse outra voz. Jan se virou e viu a mendiga no banco.
Outra voz macia juntou-se aos resmungos da mendiga. ‘Nós saímos à noite’ disse o adolescente.
Jan pressionou as costas contra a pilastra. Não queria olhar.
A estação se enchera de vozes sussurrantes, como o vento nas árvores.
Ela apenas pegava fragmentos de frases…ou imaginava estar ouvindo as palavras.
‘…lugar para se esconder.’ Disse a mendiga.
‘…saímos à noite’. Sussurrou o velho.
Jan ouviu o trem se aproximar sacolejando e encarou a escuridão, esperando pelo brilho do seu farol.
‘…boa caçada’ murmurou o adolescente.
O trem parou na estação e Jan foi em direção a um vagão vazio.
Uma luz dura iluminava os assentos de plástico moldado e pichações decoravam as paredes; havia um cheiro de guimbas de cigarro e urina também.
Através do vidro sujo da janela, Jan olhou para a plataforma.
O adolescente sorriu quando o trem começou a se mover.

Sentada em seu assento Jan via a escuridão passando pelas janelas.
Uma voz ininteligível anunciou a estação seguinte.
Sentiu o freio do trem e já entravam em outra estação. As portas se abriram e fecharam.
O trem já partia quando viu um pôster na parede da estação onde estava escrito ‘A Marca do Lobo’, mas as palavras passaram num flash rápido e se foram antes que pudesse ter certeza.

Encostou o rosto contra o vidro, mas viu apenas o breu.
Atrás do vidro não havia pensou, um mundo de verdade. Apenas a escuridão.
Ela poderia imaginar qualquer mundo que quisesse. Qualquer um. Fechou os olhos e pensou no mundo que queria criar. Na escuridão de sua mente, lobos corriam pela escuridão dos túneis, mantendo distância do trem.
Abriu os olhos e o trem vagarosamente chegava na outra estação. Luzes surgiram do lado de fora, criando um mundo de anúncios luminosos e avisos. Não viu nenhum que dissesse ‘A Marca do Lobo’, mas saiu e pegou outro, que a levaria até a estação anterior.
Contudo não encontrou lá o pôster que procurava, andando para lá e para cá na plataforma deserta.

Depois que o trem partiu, o único som ali era o de seus passos.
O túnel mergulhava na escuridão. Qualquer coisa poderia se esconder lá.
Sentiu seu coração disparar, mas não sabia se de medo ou excitação. Quando fechava os olhos, podia sentir o ar ao seu redor, quente e cheio de aromas indefinidos. Avançou entre as sombras até o final da plataforma, olhando para o túnel e respirando seu cheiro. Encontrava-se alerta, prestando atenção a qualquer som que seus ouvidos pudessem captar. Não sabia exatamente o que esperava ouvir. Da direção da entrada da estação ouviu passos e voltou rápido para a parte iluminada da plataforma.

As cores haviam sumido dos anúncios, dos bancos, das pichações. Tudo estava pintado de preto e branco e sombras cinzentas. Piscou, imaginando se tratar de um efeito de luz.
‘Ei, dona!’ disse um policial. Ele estava sob a luz, os pés separados, sua cabeça inclinada agressivamente. ‘O que está fazendo ai?’
‘Esperando’ disse sem sair das sombras.
‘Não durma na plataforma’ ele disse. ‘Nenhum deles está aqui.’
Ela o encarou. O rosto suado dele e dava para sentir o cheiro do medo nele.
‘Quem sai à noite?’ ela perguntou.
‘O que?’
‘Quem sai à noite?’
Ele não disse nada. O trem veio e ela partiu nele.
Olhou para a escuridão e imaginou um novo mundo, construído a partir das trevas da noite.

Sentia-se impaciente naquela noite. O apartamento emprestado não era sua casa Suas roupas tinham ficado ainda dentro da mala, nunca a tinha desfeito. O armário e as gavetas estavam cheias das roupas do seu amigo. Jan era uma temporária, uma convidada que vem e vai sem deixar traço de sua passagem. Ela não pertencia a aquele lugar.

No bolso do seu casaco achou o papel que a mulher do Exército da Salvação tinha lhe dado. Uma impressão ruim e barata e as letras saiam nos dedos sujando-os. O texto, cheio de exclamações, gritava exortações religiosas

“O FIM ESTÁ PRÓXIMO!’ Preste atenção! Cuidado! Fique alerta! O domínio de Satã é exuberante! Você deve escolher entre a luz e a escuridão. Não entre na escuridão sem Jesus em seu coração. Deixe que Jesus seja a luz que ilumina seu caminho. SOMOS HOMENS OU ANIMAIS? Aceite o Senhor em seu coração e renuncie ao caminho da besta.”

Sim, ela pensou, eles moram na escuridão. Os túneis são escuros e bastante privados.
Eram três da manhã quando ligou para Dennis. Estava à janela, podia ver seu reflexo nela. Seus olhos estavam enormes, de pupilas dilatadas. Lá fora nevava. O telefone tocou vinte vezes antes dele finalmente atender. Ela não disse nada, apenas ouviu-o xingar. Sua voz não a acalmou como antes. Soou abafada e distante.

Desligou e prestou atenção nos lobos uivando na rua, um coro de vozes em serenata para a lua de cera.Abriu a janela para deixar que o som entrasse pelo apartamento.
Os gatos nervosos. O uivo cantava em seu sangue, em doce agonia subindo e descendo ao vento. Ela atravessou o pequeno apartamento e os gatos a acompanharam com o olhar. O maior deles a seguiu, miou e enfiou-se entre seus pés. Ao final ela o pegou, cansada com sua persistência, fechou suas mãos ao redor de sua garganta macia e então aplicou pressão. Pareceu, naquele instante, a coisa certa a fazer. O animal sufocando lutou, mas ela não o soltou. Depois largou seu corpo ainda quente na lixeira da cozinha. O outro gato escondeu-se sob a cama, sem fazer qualquer ruído.

Naquela noite tirou o som da televisão. Deitou-se desperta e ouvindo, com os olhos abertos. Queria correr pelas ruas, apostar corrida na noite atrás de algum objetivo desconhecido. Na escuridão do quarto que não era dela, sorriu, pensando nos túneis subterrâneos onde criaturas viviam secretamente.

Na manhã seguinte achou pegadas na neve da rua, bem debaixo da sua janela. A neve já tinha se derretido na maioria, mas havia ainda um pouco. Um primeiro grupo de pegadas de animais se juntava a outra e então uma terceira. Seguiu-as por um quarteirão, então ficavam escondidas sob marcas de sapatos dos passageiros saídos do metrô e ela decidiu então descer os degraus do metrô sozinha.

Na lateral do trem que a levava para o trabalho alguém tinha pintado um lobo correndo. Cinza e negro, com chamas vermelhas nos olhos. Entrou no vagão e estarrecida pensou nele, todo o caminho até o trabalho. Se o olhasse bem, pensou, podia quase ler, não as letras, mas entender seu sentido.Alguma coisa sobre escuridão e silêncio.
Sobre liberdade e dor.

Marsha andava pelo apartamento-estúdio preparando café e falando sobre a mostra de arte.
Jan sentada no sofá olhava a neve cair lá fora. O lugar cheirava a maquiagem e perfume.
‘Você precisa se dar uma chance. Precisa explorar, experimentar. Permitir-se ser realmente selvagem.’
Jan estudou o café na caneca. O creme formava desenhos brancos, como tornados vistos do espaço. ‘Estou pensando em ir embora’ disse para Marsha.
Sua amiga estava dentro do closet, procurando o tal vestido que Jan deveria usar.
‘Ir para onde?’
Jan deu de ombros: ‘Por ai.’
‘Eu poderia tirar umas ferias’ disse Marsha. ‘Quem sabe Bermudas? Ah, aqui está!’
Puxou um vestido negro do armário. ‘Comprei numa liquidação. Estava tentando fazer dieta para caber nele, mas não consegui.’
Graças a insistência de Marsha, Jan o vestiu.
Marsha arrumou seu cabelo e aplicou delineador nos olhos de Jan e sombra.
‘Não olhe até eu terminar. Oh, você está linda!’
Jan via seu reflexo no espelho. ‘Seus olhos pintados lhe davam um ar carnívoro. Os lábios vermelhos, o batom escolhido por Marsha.
Pegaram um táxi até a galeria de arte. No reflexo do vidro Jan via seu rosto: Lábios vermelhos, olhos escuros. Ouvia os sons dos pneus contra o asfalto molhado. Sentia frio... a estola de pele que Marsha lhe emprestara era para ser exibida, não para aquecer, mas o frio era uma sensação distante, quase irreal. Gostou de sentir a pele contra seus ombros.

A galeria estava lotada e quente. Bebeu uma taça de vinho branco... e outra. Perdeu Marsha de vista na multidão e vagou pela galeria parando em frente de cada pintura. As imagens eram sombrias e violentas: um homem tatuado com a cabeça de cão, uns punks no metrô, os olhos brilhando na penumbra, uma mulher nua correndo pela rua escura, o corpo prateado de luar, sua sombra torcida e deformada. Jan tremeu ao ver este, mas o estudou por um longo tempo enquanto as pessoas passavam por ela, falando sobre a técnica do artista e seu uso de temas míticos.

Conheceu o artista quando estava pegando seu terceiro drinque. Ele era alto, cabeludo e falava num tom baixo, sobre arte e vida.
‘Existem pessoas que vivem na superfície da vida, nunca vêem além das ilusões da existência diurna. E existem aqueles que enxergam além das aparências. Estes são aqueles que enxergam a verdade contida em meu trabalho.’
Ele se aproximou enquanto falava e deixou que sua mão tocasse como se acidentalmente o ombro nu dela.
Ele parecia estar dizendo exatamente aquilo que ela tentara dizer para Marsha.
Ela estava pensando em falar com ele sobre os lobos, quando Dennis a interrompeu:
‘Jan?’ Eu não esperava vê-la aqui. Quase não te reconheci.’
Ela o observou por um instante. Seus olhos pareciam turvos e a camisa precisava ser passada. Sua voz era muito baixa e ela imaginou que o copo de vinho na sua mão não devia ser o primeiro. Ela sorriu sem entusiasmo e o apresentou ao artista como seu ex-marido.
O artista não tirou a mão de seu ombro.
‘Estive tentando falar contigo’ disse Dennis. ‘Parece que nunca está em casa.’
Ela deu de ombros. Não disse para ele que estava sempre em casa e que na última semana resolvera não mais atender ao telefone. Preferia deixá-lo tocando enquanto ficava à janela extasiada olhando a noite.
‘Dennis!’ a voz de Marsha cortou o ‘blábláblá’ da conversa. Ela surgiu tentando resgatar Jan de uma situação constrangedora. ‘Desde quando você se interessa em arte?’
Jan os ouvia conversar do mesmo modo que tinha visto a neve cair. Estava separada deles como se por uma vidraça. Marsha balançava a mão na qual pulseiras de mármores chacoalhavam e Jan ouvia o ruído de uma grande distância.
No táxi de volta para casa, Marsha comentou: ‘Oh, ele estava comendo você viva. Estava sim. Quer apostar que você vai acabar voltando com ele?’


‘Jan?’ disse a voz de Dennis. Ele tinha aparecido no seu trabalho. ‘Eu estava pensando que talvez… foi tão bom vê-la na noite passada. Quer sair para jantar comigo? Eu gostaria de falar com você.’
‘Falar?’ Sua voz saiu ríspida e estranha. Não tinha dormido e naquela manhã enquanto se vestia para trabalhar, suas roupas lhe pareceram estranhas contra sua pele.
Dennis dizia algo: ‘…sabe, você deve pensar que sou um idiota, mas senti sua falta. Não sei. Quando te vi na noite passada eu acho que percebi…’
Ele veio na sua direção e ela encarou a parede branca de seu cubículo sem janelas, sem pensar em coisa alguma.
‘Que tal esta noite? Eu poderia encontrá-la depois do trabalho.’
‘Tudo bem. Hoje a noite.’

‘Eu mudei desde que você me deixou’ ela disse para ele no jantar. Mas ele não pareceu entender.
Ele parecia mais desajeitado do que ela se lembrava, deselegante.
Uma coisa acaba levando a outra: jantar a bebida, a bebida até seu apartamento emprestado.
Ele subiu para a saidera. Ela esperava que ele não olhasse no lixo da cozinha onde o corpo do gato ainda estava, enroscado como se dormisse.
A cama rangia sob o peso deles enquanto faziam amor. Ela percebeu, assim que a beijou, que não gostava do seu cheiro. Seu cabelo e pele cheiravam a sabonete e loção, um cheiro de limpeza que achou repulsivo. Sua pele era muito macia, muito limpa.
Dennis dormia quando a lua surgiu, mas Jan estava acordada. Sabia que a lua aparecera, mesmo antes dos uivos começarem. Seu marido dormia ao lado, sua respiração firme e tranqüila.
O ar no apartamento era asfixiante, quente e fedendo a gatos. Os uivos distantes a tocaram.
Escorregou da cama silenciosamente e abriu a cortina para deixar a luz entrar.
‘Estou partindo’ disse calmamente, mas a respiração de Dennis não se alterou.

Abriu a janela e pisou do lado de fora, na escada de incêndio. Estava nua. Seu pé descalço afundou na neve da plataforma de metal. O metal era frio em contato com seu pé, e o ar gelado na sua pele, mas quase não sentia dor, como se tivesse acontecido há muito tempo atrás.
Dentro dela, sentia a mudança…uma mudança de fidelidade, da luz pela escuridão.
Disso ela estava certa, que era o que estava esperando por tanto tempo.

Os lobos vieram das sombras e o luar tornou prata sua pele. Eles se sentaram em um círculo, observando-a com expectativa.
Ela sabia que eles esperavam que ela se juntasse a eles.
No ultimo piso da escada ela hesitou, de súbito notou a aliança de ouro. Ela tirou e a deixou sobre o corrimão de metal.
Quieta, sem pressa, desceu até a rua.
A neve que caia preenchia as pegadas deixadas pelo seu pé descalço.



Points of Departure (1990) - Pat Murphy
Points of Departure faz parte da coletânea de mesmo nome, vencedora do Prêmio Philip K.Dick de 1991.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Nebula Awards Showcase 2000



This volume celebrates some of the best science fiction published during a particularly engaging period,the years just a bit before the century turns over and delivers unto us a millennium.

A suitable moment to cast a backward glance.

Several pieces in this anthology reflect on science fiction's place in literature overall.( See,in particular the piece by Jonathan Lethem and the responses to it.) Others revel in the genre's history. Both views are particularly germane to a field that has come to dominate the visual media, while remaining largely neglected by the conventional literary world.

Nebula volumes are not collections of the best of the year; for those, see the annual productions of Hartwell and Dozois.
Instead,Nebula nominees and winners are the favorites of a club, the Science Fiction Writers of America, which is as riddled with highly opinionated folk as any small town.

Winners can represenat compromise, the resultant of divergent forces. actions and even bloc voting can carry the day,and have.Since a large number of fantasy writers migrated into the SFWA, making it the SFFWA,we see more fantasy among those honored by nomination. So any Nebula volume is more like a momentary reading of the pulse than a pinnacle of effort.

That given, I have tried to frame the fiction here with commentarv bv others on how the genre looks in the waning moments of a millennium. only in this inhoduction shall I hold forth from my own, rafier unusual, perspective.

Introduction:
The Science Fictional Century - Gregory Benford
Reading the Bones - Sheila Finch
Lost Girls -Jane Yolen
Thirteen ways to Water - Bruce Holland Rogers
From Forever Peace - Joe Haldeman
Genre and Genesis:
A Discussion of Science Fiction's Literary Role:
WHY CAN'T WE ALL JUST LIVE TOGETHER? - Jonathan Lethem
RESPECTABILITY - Gordon Van Gelder
GATEKEEPEARS AND LITERARY BIGOTS - George Zebrowski
GOOD NEWS ABOUT SF IN BAD PUBLISHING TIMES - David Hartwell
THE TRUTH ABOUT SCI-FI MOVIES REVELATED AT LAST - Bill Warren
Winter Fire - Geoffrey A. Landis
Lethe - Walter Jon Williams
The Mercy Gate - Mark J. McGaruy
The 1998 Author Emeritus: Wiiliam Tenn - George Zebrowski
My life and Hard Times in SF - William Tenn
The Grand Master Award: Hal Clement - Poul Anderson
Uncommon Sense - Hal Clement
Rhysling Award Winners - John Grey and Laurel Winter
Appendices
About the Nebula Awards
Selected Titles from the preliminary Nebula Ballot
Past Nebula Award Winners
About the Science Fiction and Fantasy Writers of America


Nebula Awards Showcase 2000 - The Year's Best SF and Fantasy chosen by the SFWA - Gregory Benford [ Download ]

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Isaac Asimov Presents The Golden Years of Science Fiction vol.6



In the real world it was a simply terrific year.

In the real world the eighth World Science Fiction Convention (the Norwescon) was held in far away Portland, Oregon.

Also in the real world Galaxy Science Fiction was born and under the editorship of H. L. Gold quickly established itself as one of the premier magazines in the field.

If this was not enough, The Magazine of Fantasy, launched the year before,changed its name to The Magazine of Fantasy and Science Fiction, and also rapidly achieved excellence, transforming Astounding Science Fiction from the “Big One,” to one of the “Big Three.”

The tide continued to rise with the appearance of Damon Knight’s excellent Worlds Beyond, Raymond Palmer’s/Beatrice Mahaffey’s Imagination, Malcolm Reiss’ Two Complete Science Adventure Books, and a refurbished Future Combined With Science Fiction Stories.

In England, Walter H. Gillings started Science-Fantasy, an uneven magazine but one that would enjoy a long life.

These events overshadowed the folding of A. Merritt’s Fantasy Magazine in October.

In the real world, more important people made their maiden voyages into reality: in January—Cordwainer Smith with “Scanners Live in Vain”, in February—Paul Fairman with “No Teeth for the Tiger”; in March—Gordon R. Dickson (co-authored with Poul Anderson) with “Trespass!”; in April—Mack Reynolds with “Isolationist”; in the summer—Richard Matheson with “Born of Man and Woman”; in November—Chad Oliver with “The Land of Lost Content”; and in December—J. T. McIntosh with “The Curfew Tolls.”

More wondrous things happened in the real world as outstanding novels, stories and collections were published in magazines and in book form: James Blish began his “Oakie” series of novelettes, while L. Sprague de Camp and Fletcher Pratt published their first “Gavagan’s Bar” story.

The Dreaming Jewels by Theodore Sturgeon appeared in Fantastic Adventures, Judith Merril’s first anthology, Shot in the Dark, appeared in paperback, and sf fans had the pleasure of reading Pebble in the Sky by Isaac Asimov and The Martian Chronicles by Ray Bradbury as part of Doubleday’s new science fiction line. A. E. van Vogt brought together earlier stories in an attractive package and produced The Voyage of the Space Beagle.

On a more serious note, veteran science fiction writer L. Ron Hubbard published an article entitled “Dianetics, the Involution of a Science” in Astounding, which eventually led to controversy, to the distraction and temporary loss to sf of several important writers, and, incidentally to the establishment of something that considered itself a new religion.

The non-print media began to embrace science fiction with the release of Destination Moon, (based very loosely on Robert A. Heihlein’s juvenile novel Rocketship Galileo), The Flying Saucer, The Perfect Woman, the unforgettable Prehistoric Women, and the moody Rocketship XM. Tom Corbett: Space Cadet debuted on television. Let us travel back to that honored year of 1950 and enjoy the best stories that the real world bequeathed to us.


THE RED QUEEN’S RACE - Isaac Asimov
FLAW - John D.MacDonald
PRIVATE EYE - Lewis Padgett
MANNA - Peter Phillips
THE PRISONER IN THE SKULL - Lewis Padgett
ALIEN EARTH - Edmond Hamilton
HISTORY LESSON - Arthur C.Clarke
ETERNITY LOST - Clifford D. Simak
THE ONLY THING WE LEARN - C. M.Kornbluth
PRIVATE—KEEP OUT - Philip MacDonald
THE HURKLE IS A HAPPY BEAST - Theodore Sturgeon
KALEIDOSCOPE - Ray Bradbury
DEFENSE MECHANISM - Katherine MacLean
COLD WAR - Harry Kuttner
THE WITCHES OF KARRES - James H. Schmitz
NOT WITH A BANG - Damon Knight
SPECTATOR SPORT - John D. MacDonald
THERE WILL COME SOFT RAINS - Ray Bradbury
DEAR DEVIL Eric - Frank Russell
SCANNERS LIVE IN VAIN - Cordwainer Smith
BORN OF MAN AND WOMAN - Richard Matheson
THE LITTLE BLACK BAG - C. M.Kornbluth
ENCHANTED VILLAGE - A. E. van Vogt
ODDY AND ID - Alfred Bester
THE SACK - William Morrison
THE SILLY SEASON - C. M.Kornbluth
MISBEGOTTEN MISSIONARY - Isaac Asimov
TO SERVE MAN - Damon Knight
COMING ATTRACTION - Fritz Leiber
A SUBWAY NAMED MOBIUS - A. J.Deutsch
PROCESS - A. E.van Vogt
THE MINDWORM - C. M.Kornbluth
THE NEW REALITY - Charles L.Harness

Isaac Asimov Presents The Golden Years od Science Fiction - 6th series
- Isaac Asimov and Martin H. Greenberg [ Download ]

quarta-feira, 27 de maio de 2009

The Best Alternate History - Stories of the 20th Century


What if...

Most science-fiction ideas don’t come naturally. Most take a degree of intellectual sophistication that came only with the Industrial Revolution.

It’s hard to write about the effects of technology before there’s much in the way of technology to write about. But alternate history isn’t like that. It’s as natural as those two mournful little
words up there. What if...

What if I’d married Lucy instead of Martha, George instead of Fred? What would my life be like? Would I be richer? Happier? What would our kids have been like, if we’d had kids? What if there hadn’t been that traffic accident that clogged three lanes of the freeway, so I wasn’t late to the interview? How would things have looked if I’d got that job? Or—let’s not think small—what if I won the lottery? How would I live if I had sixty million dollars in the bank?

In our own lives, we endlessly imagine these scenarios. We can’t help it. There’s always the feeling that we’re inside God’s pinball machine, bouncing through life and off bumpers at random, and that we could have ended up elsewhere as easily as where we did.

It’s certainly true for me. If I hadn’t read a particular book— Lest Darkness Fall, by L. Sprague de Camp—when I was about fourteen years old, I wouldn’t have ended up with the degree I have (a doctorate in, God help me, Byzantine history), wouldn’t have written much of what I’ve written (I surely wouldn’t be working on this introduction now), wouldn’t have met the lady I’m married to, wouldn’t have the kids I have. Other than that, it didn’t change my life a bit. If someone else had taken that novel out of the secondhand bookstore where I found it...


Introduction by Harry Turtledove
The Lucky Strike by Kim Stanley Robinson
The Winterberry by Nicholas A. Dichario
Islands in the Sea by Harry Turtledove
Suppose They Gave a Peace by Susan Shwartz
All the Myriad Ways by Larry Niven
Through Road No Whither by Greg Bear
Manassas, Again by Gregory Benford
Dance Band on the Titanic by Jack L. Chalker
Bring the Jubilee by Ward Moore
Eutopia by Poul Anderson
The Undiscovered by William Sanders
Mozart in Mirrorshades by Bruce Sterling And Lewis Shiner
The Death of Captain Future by Allen Steele
Moon of Ice by Brad Linaweaver
Permission Acknowledgments
About the Editors

The Best Alternate History - Stories of the 20th Century - Harry Turtledove e Martin H.Greenberg [ Download ]

terça-feira, 26 de maio de 2009

The Best from the Rest of the World: European Science Fiction



Science fiction is the branch of literature that perceives the universe through the widest-angle lens.

Unlike the mainstream of literature, which attempts, more or less, to depict the real world and real people in present or historic situations with the maximum mount of verisimilitude, science fiction acknowledges from the start that it is fantasy, that it is not depicting that which is or that which has been but is engaging in assaying the actions of people and things against backgrounds of limitless imagination.

All that might have been, all that might by the remotest chance ever be, and the world today as
perhaps it could be if things are going on of which we are not aware, all these infinite horizons are
covered by the lens of science fiction. Yet, because the reader must be convinced of credibility, the best science fiction tries to underline this fantasy by persuading the reader that this is not just the spinning of another fairy tale, that these tales, too, are merely part of some parallel mainstream of which the workaday world is not perceptive.

Science fiction has always been with us---writers have always speculated on the horizons of the
not-yet-proven--and examples can be culled from the dawn of written lore and are to be found in all periods of storytelling.

To some extent this is a type of escapism and to some extent it is a form of genetic curiosity: people always want to know what is over the next hill and beyond the farthest horizon and at the end of the rainbow.

When tellers of tall tales could no longer convince an audience not quite as gullible as our less informed ancestors, the art of science fiction came into being.
Extend what we know a little further, advance the line of what could be, bring in the "if this goes on" factor--and we have science fiction. Fantasy designed as reality.

The roots of modem science fiction, which some trace to Guliver's Travels, some to Frankenstein, some to Jules Verne and H. G. Wells, came to mature growth in the nineteenth century, the century of innovative science and the Industrial Age.

This growth coninto our century and assumed flexibility, full color, and tinued variety in the constantly refertilized soil of our scienceinfinite oriented and invention-infiltrated world.

At first, science fiction was shared by all the countries of the Western world, those who were the
pioneers in the advance of technology and education.

Before World War I, the highest quantity and quality of science fiction was to be found in Great Britain and in France.

America had its share but not its giants and it was from overseas that what science fiction was published or written in America received its primary derivation and ideas.

After World War I, American science fiction began to grow strong, mainly through the medium of the pulp magazines, which were a particularly American phenomenon of the 20s and 30s and which allowed--through their lack of "literary establishment" dignity--the widest latitude of imagination in its writers just as long as their stories were entertaining.

Because the language of the United States was English, the British were able to share in this and to develop their own writers alongside it and within it.

The Germans, recovering from World War I, began to achieve eminence in science fiction, and some of their writers were translated into English, and their names became known, often without great familiarity with the bulk of their production.

Names like Otfrid yon Hanstein, Otto Willy Gail, and Hans Dominik became familiar-authors distinguished by their meticulous attention to technological detail, whose spaceships had nuts and bolts much more convincingly substantial than the backyard constructs of American pulp adventure writers. But, alas for Germany--and for the world--the rise of the Nazi regime
put an effective end to German imaginative horizons and to German influence in science fiction.

In France, a steady growth of science fiction was continuing as it had since the days of Jules Verne, but contact had diminished almost to the vanishing point. French science fiction went untranslated, save for some social speculations by Andre Maurois, and nobody heard of Jacques Spitz and Messac. In France itself, science fiction from the English consisted of H. G. Wells and no one else.

After World War II, science fiction became English-language based. All the great writers of the
forties, fifties, and sixties were American and British. In Europe, very little science fiction was being published and what there was turned out to be translations from the English-American.


Contents
Introduction by Donald A. Wollheim
Party Line by G~rard Klein (France)
Pairpuppets by Manuel Van Loggem (Holland)
The Scythe by Sandro Sandrelli (Italy)
A Whiter Shade of Pale by Jon Bing (Norway)
Paradise 3000 by Herbert W. Franke (Germany)
My Eyes, They Burn! by Eddy C. Bertin (Belgium)
A Problem in Bionics by Pierre Barbet (France)
The King and the Dollmaker by Wolfgang Jeschke(Germany)
Codemus by Tor Age Bringsvaerd (Norway)
Rainy Day Revolution No. 39 by Luigi Cozzi (Italy)
Nobody Here But Us Shadows by Sam J. Lundwall (Sweden)
Round and Round and Round Again by Domingo Santos (Spain)
Planet for Sale by Niels E. Nielsen (Denmark)
Ysolde by Nathalie-Charles Henneberg (France)

The Best from the Rest of the World: European Science Fiction - Donald A.Wollheim [Download]

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Lord of the Fantastic - Stories in honor of Roger Zelazny


From the first appearances of Roger Zelazny’s short fiction in the early 1960s, it was clear that a dazzling new genius had burst into the field of speculative literature.

Over the years, that incendiary talent blazed even brighter in novels such as Lord of Light, The Dream Master, and Creatures of Light and Darkness—incomparable works whose lyrical
prose, imaginative virtuosity, masterful plotting, and unique blend of timeless myth and cutting-edge science won Zelazny the acclaim of critics and readers alike . . . as well as six Hugos and three Nebula Awards.

His groundbreaking Amber novels are still counted among the most original and well-beloved fantasy series of all time.

Zelazny is no longer with us, but his shining legacy of genius endures—not only in his own fiction, but also in the work of fellow authors influenced and inspired by his example and touched by his
friendship.


CONTENTS
Introduction - Fred Saberhagen
Lethe - Walter Jon Williams
The Story Roger Never Told - Jack Williamson
The Somehow Not Yet Dead - Nina Kiriki Hoffman
Calling Pittsburgh - Steven Brust
If I Take the Wings of Morning - Katharine Eliska Kimbriel
Ki’rin and the Blue and White Tiger - Jane M. Lindskold
The Eryx - Robert Sheckley
Southern Discomfort - Jack C. Haldeman ll
Suicide Kings - John J. Miller
Changing of the Guard - Robert Wayne McCoy and Thomas F. Monteleone
The Flying Dutchman - John Varley
Ninekiller and the Neterw - William Sanders
Call Me Titan - Robert Silverberg
The Outling - Andre Norton
Arroyo de Ore - Pati Nagle
Back in “The Real World” - Bradley H. Sinor
Mad Jack - Jennifer Roberson
Movers and Shakers - Paul Dellinger
The Halfway House at the Heart of Darkness - William Browning Spencer
Only the End of the World Again - Neil Gaiman
Slow Symphonies of Mass and Time - Gregory Benford
Asgard Unlimited - Michael A. Stackpole
Wherefore the Rest Is Silence - Gerald Hausman

Lord of the Fantastic - Stories in honor of Roger Zelazny - Martin H. Greenberg [ Download ]

domingo, 24 de maio de 2009

Robert Heinlein


Robert Anson Heinlein (7 de julho de 1907 - 8 de maio de 1988) nasceu em Butler, Condado de Bates, Missouri, Estados Unidos. Graduou-se no Central High School em Kansas City em 1924 e frequentou por um ano o Kansas City Community College. Estudou Matemática e Engenharia avançadas na UCLA (possuindo bacharelado em Engenharia Naval).

Seu irmão Rex conseguira entrar para a Academia Naval de Annapolis e Heinlein desejou um futuro semelhante para si mesmo. Colecionava cartas de recomendação e as enviava para o senador James A. Reed, postulando uma indicação para Annapolis.

Heinlein finalmente entrou para a Academia Naval em 1925, tendo prestado serviço em inúmeros navios da frota americana. Em 1934 contraiu uma tuberculose, que o afastou do serviço, embora curado, foi considerado pelos médicos como "permanetemente inapto".
Desta forma foi retirado do serviço e passou a receber uma pequena pensão.

Em 1938 a revista de ficção científica, Thringilling Wonder Stories, anunciou a procura por novos autores. pagando a quantia de 0,50 centavos por palavra. Heinlein concluiu o conto 'life-line' em dois dias em abril de 1939 e o submeteu, não à Thringilling Wonder Stories, mas sim a John W. Campbell da revista Astounding Science Fiction. Campbell prontamente comprou a história por um centavo por palavra. Campbel assim seria seu editor por toda sua vida.

Heinlein foi um dos autores de FC mais influentes e controversos de sua geração. Foi um dos primeiros a ser publicado fora das revistas populares dedicadas ao universo fantástico nos anos 40, rompendo com o gueto pulp. Esteve entre os mais vendidos escritores de FC nos anos 60.
Por muitos anos ele, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, foram chamados de The Big Three (Os três grandes) da Ficção Científica.

Ganhou sete prêmios Hugo e foi o primeiro a receber o título de Grande Mestre pela SFWA.

A maior parte dos trabalhos de Heinlein aborda aspectos sociais: individalismo, libertarianismo, religião, amor, radicalismo. Sua atitude iconoclasta atraiu opiniões divergentes e percepções contradiórias para sua obra. Seu livro 'Starship Troopers' é tido para muitos como propaganda fascista. Enquanto que 'Stranger in a stranger land' foi inesperadamente abraçado pela contracultura.


Robert Heinlein (All you zumbies, Blowups happens, Bulletin board, By my bootstraps, Citizen of the Galaxy, Common Sense, Coventry, Dealiah and space-rigger, Destination Moon, Double star, Expanded universe, Farmer in the sky, Farnham's freehold, Friday, Gentlemen be seated, Glory road, Goldfish bowl, Grumbles from the grave, Gulf, Have a space suit will travel, I will fear no evil, If this goes on, Its great to be back, Jerry was a man, Job a comedy os justice, Life-line, Logic of empire, Lost legacy, Magic Inc., Methusalehs children, Misfits, On the slopes of vesuvius, Ordeal in space, Orphans of the sky, Podkayne of Mars, Poor Daddy, Red Planet, Requiem, Revolt in 2100, Rocketship Galileo, Rolling Stones, Searcjlight, Sixth Column, Sky Lift, Space cadet, Space family Stone, Space Jockey, Starship Troopers, Stranger in a stranger land, Take back yor governement, The black pits of Luna, The cat who walks through walls, The discovery of the future, The door into summer, The future revisited, The good news of high frontier, The green hills of earth, The L-5 society, The long watch, The man who sold the moon, The menace from Earth, The moons is a harsh mistress, The number of the beast, The past though tomorrow, The puppet masters, The roads must roll, The star beast, They, This I believe, Time enough for love, Time for the stars, To sail beyond the sunset, Tunnel in the sky, Ubik, Universe, Waldo, We also walk dogs, Worlds of Robert Heinlein, Year of Jackpot, A bathroom of her own, A tenderfoot in space, And he build a crooked house, Between planets, Beyond doubt, Assignment in eternity, Variable star ) [ Download ]

sábado, 23 de maio de 2009

Nosso Feynman que está no Céu - Paul Di Filippo


A carreira promissora de Ettore Majorana foi encurtada devido ao seu súbito desaparecimento aos 31 anos de idade, durante uma viagem de barco entre Palermo e Nápoles, na Itália. Seu corpo nunca foi encontrado apesar das investigações e a opinião ficou dividida entre aqueles que achavam que ele teria cometido suicídio, fora raptado ou mudara de identidade para começar uma nova vida. 'Agora, o físico teórico Oleg Zaslavskii sugeriu que a ambigüidade que envolve seu destino é parte de uma elaborada ilusão engendrada pelo próprio Majorana, para demonstrar a superposição quântica... Majorana quisera demonstrar os eventos decorrentes do paradoxo com sua própria vida...’
- ‘O homem que estava vivo e morto ao mesmo tempo’ New Scientist, Agosto de 2006.

****

Cobrindo acontecimentos religiosos para um jornal da cidade grande, acreditava ter encontrado cada pequena variação possível da fé popular, e cada pequeno culto imaginável.

Entre as principais religiões, eu tinha entrevistado e simpaticamente escrito sobre Testemunhas de Jeová e Mórmons, de praticantes de meditação transcendental a Wiccans, Budistas Nichiren a Cientologistas, Muçulmanos a Xintoístas.

Uma vez conversei com o cardeal Ratzinger, antes dele se tornar Papa. Estivemos em um jantar de caridade juntos e eu lhe pedi para passar o sal.

Mas ainda assim… Nada me preparou para os Majoranistas.

Meu editor me chamou num dia cheio e bruscamente passou minha nova tarefa.
‘Aparentemente surgiu um novo e estranho tipo de igreja lá na esquina da Hoyle e Wickramasinghe. Por que não vai lá dar uma olhada?’

Armado com um pequeno gravador de voz, um bloco de reserva e meu esfarrapado exemplar do Novo Livro de Cultos, parti para lá. Assim que o taxi me largou na rua, eu já sabia que aquilo seria uma experiência única.

O prédio que abrigava a nova igreja literalmente era de doer a vista.

Eu não conseguia focar sua forma, Salas e extensões aparentemente brotavam e dissolviam-se, indo e vindo. Finalmente obtive a impressão de ser algum tipo de matriz de cubos anexando-se ao mais próximo em ângulos impossíveis.

Baixando olhos, avancei às cegas em direção da entrada e de frente para uma porta, toquei a campainha. Quando senti a porta se abrir, levantei os olhos.

A pessoa que me encarava, tinha atrás de si uma sala de recepção normal, era jovem, de cabelos castanhos de aparência comum, vestindo uma túnica branca. Na frente dela um símbolo largo e negro de um ‘n’ minúsculo.

‘Ola!’ disse o homem agradavelmente. ‘Sou Nick, um nêutron. Bem vindo ao Primeiro Templo Majoranista. Quer entrar por favor?’ Entrei e a porta se fechou.

Apresentei-me à Nick e expliquei-lhe minha missão. Ele reagiu com bastante entusiasmo.

‘Isso é maravilhoso! Nossa religião nunca teve publicidade antes e estamos ansiosos para atrair novos adeptos. Ficarei feliz em responder a qualquer pergunta. ’

‘Bem, primeiro - que tipo de prédio é esse?’

‘É simples. Trata-se de um tesseract da quarta dimensão. Um hipercubo. Já leu “E ele construiu uma casa torta” de Heinlein?‘

‘Não. ’

‘Bem, leia! Vai aprender tudo que precisa saber. Mas é claro que o prédio de nossa igreja é menos interessante que nossa congregação e crenças.’

‘É claro. Vocês se chamam de Majoranistas?’

‘Correto.’ Nick então começou a contar a história sobre a vida de Ettore Majorana, o homem que inspirou seu culto.

‘Então, vocês cultuam este cientista por sua dedicação ao seu campo de estudos... ?’

‘Não de todo. Nós meramente o respeitamos como a um profeta e santo, a rocha sobre a qual nossa igreja foi fundada. O que louvamos é o Modelo Padrão.’

‘Qual modelo padrão?’

Nick fez uma careta exasperada. ‘Só existe um Modelo Padrão e é o paradigma consensual da física moderna.’

‘Você quer dizer, aquela coisa sobre as partículas subatômicas?’

‘Precisamente. Apesar da sua síntese grosseira do tema da nossa fé ser injusto. O Modelo Padrão é, elegantemente falando, a melhor compreensão e síntese e entendimento da humanidade, quanto ao funcionamento da Criação. Você consegue conceber um material melhor para regrar a vida de alguém ou mais apropriado como objeto de adoração?’

‘Não faço julgamentos sobre a crença dos outros, Nick. Por que não continua me explicando as coisas pra mim, de maneira que nossos leitores possam entender?’

‘Muito bem. Farei-lhe uma apresentação dos vários átrios de nossa devoção.’

Tomamos o caminho através da sala de recepção, em direção a uma saída em arco. Quando pisamos além dele, senti ser torcido através de uma dúzia de dimensões diferentes. De repente me encontrava em uma pequena sala na penumbra, que não era previamente visível da sua entrada.

Trios de pessoas, todas de túnicas brancas adornadas com letras gregas e romanas se espalhavam por ali.

‘Todos os postulantes começam como quarks.’ explicou Nick. ‘A mais primitiva de todas as partículas. Estranha e encantadora. Elas procuram moldar suas mentalidades até conseguir empaticamente grokkear* este nível mais baixo da criação.’

(*grokear significa compartilhar a mesma realidade ou linha de pensamento com outra entidade física ou conceitual. Robert A.Heinlein cunhou o termo em seu livro ‘Um estranho numa terra estranha’ (1961). Na visão de Heinlein sobre a teoria quântica, grokkear é a união de duas inteligências que necessariamente afeta, tanto ao observado quanto ao observado.)

‘E por que estão em três?’

‘Porque é como quarks reais se agregam, em grupos inquebráveis de três.’

Espreitando na pouca luz, percebi que cada trio escondia uma quarta pessoa no meio. Perguntei sobre a identidade desta.

‘Oh, aqueles são bósons WZ. Eles são mediadores de forças mais fracas e mantêm os quarks juntos.’

Tudo aquilo parecia muito esquisito para mim e suspeitei que talvez os Majoranistas fossem outro culto sexual, como muitos outros que existiam. Mas se eram orgiásticos, eram por demais fleumáticos e desapaixonados, ficando parados sem qualquer emoção. Fiquei bastante confuso.

Deixando estes para trás, passamos por outra chocante transição, e desta vez estávamos em um salão amplo e claro, bastante arejado. Estava repleto de pessoas movendo-se rápido, para lá e para cá.

‘Nos chamamos esta sala de Câmara de Nuvem. Após a graduação dos quarks, nossos postulantes se tornam férmions e bósons de vários tipos, dependendo de suas qualidades inatas. Elétrons, múons, prótons, léptons. Fótons, gravitons e Bosons de Higgs. Pelo menos nós pensamos que há algum bóson de Higgs presente - embora ninguém nunca tenha visto um. Mas de qualquer forma, eles se misturam em um tipo de sopa cósmica, não diferenciada; parecida com o estado cósmico pouco após o Big Bang. Então gradualmente se resolvem como átomos e moléculas.’

Observei uma cena caótica por um tempo. Lembrou-me o recreio de uma escola Montessoriana. Então perguntei:‘Podemos ver o estágio seguinte, por favor?’

Nick fez um gesto como se não valesse a pena. ‘São muito chatos neste ponto, lamento dizer. Após a mudança de fase é mera química e biologia.’

‘Se importa se eu entrevistar outro Majoranista?’

‘Bem, a maioria dos meus co-religiosos são bem energéticos neste estágio, mas pode tentar se quiser.’

Eu me aproximei de alguns candidatos, mas eles me ignoraram e saíram de perto. Nick riu do meu esforço.

‘Vai precisar de sorte para capturar um neutrino! Eles não interagem com ninguém! Nós nêutrons somos os únicos que somos lentos e sólidos o bastante para permitir uma conversação.’

Tentei outro Majoranista vestindo uma túnica com um ‘n’ minúsculo e confirmei tudo que Nick havia me dito.

O tumulto causado pelos Majoranistas estava me dando dor de cabeça.
Perguntei a Nick se podíamos voltar para a sala anterior e ele concordou.

De volta a ante-sala, sozinho com Nick eu disse ‘Parece que a sua igreja não tem uma hierarquia. Vocês não tem lideres de algum tipo? Homens e mulheres mais sábios que decidem questões de doutrina?’

‘Sim, temos. São chamados de Constantes.’

‘Constantes?’

‘O Modelo Padrão admite várias constantes universais. A velocidade da luz no vácuo, a constante gravitacional de Newton. E outras nomeados após Planck, Dirac, Boltzmann, Bohr, Von Klitzing, Josephson, Fermi, e outros.’

‘Então certos Majoranistas alcançam o status de Constantes?’

O rosto de Nick adquiriu uma expressão reverencial, como um adolescente diante de um ídolo pop e disse: ‘Sim. É o status que todos nos aspiramos. Mas poucos são escolhidos.’

‘Bem, acredito que aprendi o bastante para escrever a matéria sobre sua igreja. Se puder me mostrar a saída agora, por favor...’

‘Certamente.’

Nick conduziu-me ao que parecia ser a mesma porta pela qual eu tinha entrado, na esquina da Hoyle e Wickramsinghe. Mas quando sai por ela, eu estava em Chicago, quase à meio continente de distância. Depois de alguma atribulação eu consegui voltar para casa e comecei a escrever meu texto sobre os Majoranistas. Porém, pesquisando o Modelo Padrão, descobri algumas coisas intrigantes e que me obrigaram a voltar até a igreja.

Nick recebeu-me à porta mais uma vez. Cautelosamente fiquei do lado de fora.

‘Nick… preciso que me responda algumas perguntas. E sobre a teoria da corda? E sobre o loop quântico gravitational? E quanto às várias GUTs? (Teoria da Grande Unificação) ? Todas estas teorias que rivalizam e contradizem o Modelo Padrão?'

Nick tornou-se furioso. Mexia as mãos, como se rabiscasse no ar, algo que descobri depois ser um complexo diagrama de Feynman:

‘Herege! Blasfemador! Vá embora! Você não é mais bem vindo aqui!’

Me afastei. E por nunca ter obtido respostas para minhas perguntas, não escrevi o artigo.
Fiquei grato por não ter entrado quando o templo Majoranista dobrou-se e desapareceu.


Our Feynman Who Art in Heaven - Paul Di Filippo (2007)

Utopia e Ficção Científica: a “geografia real” e os futuros (im)prováveis



[É difícil medir o tamanho da influência que a ficção científica exerce sobre os seus aficionados, mas ela não é desprezível.

Não há dúvida de que a ficção científica incitou gerações a optarem pela carreira científica.

Uma indicação disso apareceu na edição de janeiro de 1998 da prestigiada Scientific American.

A revista publicou notícia sobre pesquisa realizada com estudantes da Pardue University, cuja conclusão principal foi a de que eles consideraram que os filmes Jornada nas Estrelas foram decisivos para promover seu interesse por ciência.

Por outro lado, a ficção científica também exerce impacto preparatório sobre o público e a comunidade científica, no sentido de ampliar o repertório de reações à mudança. Ela faz os leitores e espectadores lidarem com possibilidades que normalmente não seriam consideradas, habilitando-nos a perceber o potencial das novas tecnologias e a encontrar os ambientes em que poderemos conviver com os novos conhecimentos e invenções...]



Utopia e Ficção Científica -Marcos Lobato Martins [ Download ]
Professor das Faculdades Pedro Leopoldo e Faculdade de Filosofia e Letras de Diamantina/UEMG. Doutor em História pela USP.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Science Fiction Audiences - Watching Doctor Who and Star Trek


Why are Star Trek and Doctor Who so popular?

These two science fiction series have both survived cancellation and continue to attract a huge community of fans and followers.

Doctor Who has appeared in eight different TV and film guises and Star Trek is now approaching its fourth television incarnation.

Science Fiction Audiences examines the continuing popularity of two television ‘institutions’ of our time.

Through dialogue with fans and followers of Star Trek and Doctor Who in the US, Britain and Australia, John Tulloch and Henry Jenkins ask what it is about the two series that elicits such strong and active responses from their audiences.

Is it their particular intervention into the SF genre? Their expression of peculiarly ‘American’ and ‘British’ national cultures? Their ideologies and visions of the future, or their conceptions of science and technology? None of these works in isolation, because, as the plentiful interviews with fans and followers illustrate, audiences actively play with their entertainment according to complex and shifting categories of recognition, competence and pleasure.

Science Fiction Audiences responds to a rich fan culture which encompasses debates about fan aesthetics, teenage attitudes to science fiction, queers and Star Trek, and ideology and pleasure in Doctor Who.

It is a book both for fans of the two series, who will be able to continue their debates in its pages, and for students of media and cultural studies, offering a historial overview of audience theory in a fascinating synthesis of text, context and audience study.


Part I
1 Beyond the Star Trek phenomenon: reconceptualizing the science fiction audience
Henry JenkinsJohn Tulloch
2 Positioning the SF audience: Star Trek, Doctor Who and the texts of science fiction
John Tulloch
3 The changing audiences of science fiction
John Tulloch

Part II
4 ‘Throwing a little bit of poison into future generations’: Doctor Who audiences and ideology
John Tulloch
5 ‘It’s meant to be fantasy’: teenage audiences and genre
John Tulloch
6 ‘But why is Doctor Who so attractive?’: negotiating ideology and pleasure
John Tulloch
7 ‘But he’s a Time Lord! He’s a Time Lord!’: reading formations, followers and fans
John Tulloch
8 ‘We’re only a speck in the ocean’: the fans as powerless elite
John Tulloch

Part III
9 ‘Infinite diversity in infinite combinations’: genre and authorship in Star Trek
Henry Jenkins
10 ‘At other times, like females’: gender and Star Trek fan fiction
Henry Jenkins
11 ‘How many Starfleet officers does it take to change a lightbulb?’: Star Trek at MIT
Henry Jenkins
12 ‘Out of the closet and into the universe’: queers and Star Trek
Henry Jenkins
Notes
Index


Science Fiction Audiences - Watching Doctor Who and Star Trek - John Tullock e Henry Jenkins
[ Download ]

Star Trek e o novo Spock



Esquire - Maio de 2009 [ Download ]


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma introdução ao estudo da FC no cinema brasileiro

“A Ficção Científica no Brasil: Um planeta quase desabitado.”

Esse é o título de um artigo do crítico e escritor Fausto Cunha1, referente à literatura de ficção científica, mas que poderia ser aplicado também à análise do gênero no cinema brasileiro.

Na Europa, nos EUA e no Japão, o cinema de ficção científica encontra terreno fértil.
Sua relevância estética e econômica é evidente, desde o período mudo, sendo até hoje freqüente objeto de estudo. No Brasil, entretanto, a situação é um pouco diferente, uma vez que a ficção
científica cinematográfica tem sido frequentemente encarada como algo “fora de lugar”.
Afinal, podemos falar de ficção científica no cinema brasileiro?

Esta tese traz uma resposta afirmativa a essa pergunta, muito embora tenhamos de levar em consideração algumas peculiaridades.

Ao contrário dos EUA e Europa, o Brasil não tem grande tradição no estudo da ficção científica.

Apesar disso, escritores brasileiros de ficção científica têm obtido reconhecimento internacional, e o cinema brasileiro tem tido experiências na produção de filmes do gênero.
Por exemplo, manifestações da ficção científica no cinema brasileiro podem ser detectadas em comédias ou chanchadas dos anos 1940/50, distopias ecológicas dos anos 1970/80 e na produção mais recente, da retomada aos dias atuais.

Mas por que o cinema brasileiro de ficção científica não tem tido maior desenvolvimento e visibilidade?

Esta e outras perguntas serão discutidas neste trabalho, com base em bibliografia geral e
especializada, análise fílmica e entrevistas com autores, cineastas e pesquisadores.

Em suma, o objetivo desta tese é levantar um novo debate mais detido acerca da ficção
científica no cinema brasileiro e demais cinematografias que não a hollywoodiana, apresentando um panorama que busca melhor compreender o passado, presente e futuro de um gênero que insiste em sobreviver numa atmosfera muitas vezes hostil e rarefeita.


Sumário
Introdução
1. Cinema de Ficção Científica: métodos de abordagem e definição
2. Esboço para uma história do cinema internacional de ficção científica
3. Panorama da ficção científica no cinema brasileiro de longa-metragem
4. Panorama da ficção científica no cinema brasileiro de curta e média-metragem
5. Cinema de FC no México, Argentina e Leste Europeu: cotejos com o Brasil
6. Bifurcação
7. Ficção científica no cinema brasileiro e Realismo Mágico: um rápido comentário
8. O paradigma tecnológico e os supostos obstáculos à FC no cinema brasileiro
9. O papel de uma ideologia: o Imperialismo enquanto fator de estímulo à FC
10. Afinidade do Brasil com o imaginário ou iconografia da FC
11. Conclusões preliminares
Bibliografia

Anexos
a. Breve histórico da literatura de ficção científica internacional
b. Breve histórico da literatura de ficção científica brasileira
c. Diferenças básicas entre ficção, ciência e ficção científica
d. Definições de ficção científica
e. Subdivisões da FC segundo L. David Allen
f. Do novum à “lógica materialista”, passando pelo silogismo aristotélico
g. A questão da verossimilhança na FC
h. As vocações da ficção científica: realismo x fantástico
i. Diferenças entre FC e Horror: uma nota
j. Diferenças entre a FC literária e a cinematográfica
l. Lista de filmes brasileiros citados


Uma introdução ao estudo da FC no cinema brasileiro - Alfredo Suppia [ Download ]

Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia

Limite de Alerta! Ficção Científica em Atmosfera Rarefeita:
Tese apresentada ao Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas, para obtenção do título de Doutor em Multimeios - UNICAMP -Campinas 2007

On Film - Thinking in Action - Stephen Mulhall



Few movies have captured our imagination as deeply and enduringly as those of the ‘Alien’ quartet, which follow the odyssey of Sigourney Weaver’s Flight Lieutenant Ellen Ripley.

In this gripping and limpidly written book, Stephen Mulhall shows why these films fascinate us, by showing that they are compelling examples of philosophy in action.

Bringing a philosopher’s eye to cinema, he argues that the ‘Alien’ films take us deep into the question of what it is to be human.

By developing the sexual significance of the aliens themselves and of Ripley’s resistance to them, these lms explore the relation of human identity to the body, in the context of a hyper-Darwinian universe which both sharpens and subverts the distinction between the natural
and the technological, and which pits the hope of redemption against nihilism.

The book also considers the nature of ‘sequeldom’ in contemporary cinema.
What is the relation between each ‘Alien’ movie’s distinctive plot and the overarching narrative of the ‘Alien’ universe?

How does the work of each director who has contributed to the ‘Alien’ series relate to the themes of their other films, such as Ridley Scott’s Blade Runner, James Cameron’s Terminator and David Fincher’s Se7en?

On Film is essential reading for anyone interested in film, philosophy and cultural and visual studies, and in the wayphilosophy can enrich our understanding of cinema.


Introduction

Kane’s Son, Cain’s Daughter:
Ridley Scott’s Alien One
The Alien Cycle of Life
Ripley and Ash
The Education of a Blade Runner
The Mortality of Flesh and Blood
Excursus: The Director’s Cut
Enframing and Acknowledgement

Making Babies: James Cameron’s Aliens Two
Terminating Maternity
Reiterating Family Values: Real and Ideal
Excursus: The Abyss
On Self-termination

Mourning Sickness:
David Fincher’s Alien3 Three
We Commit These Bodies to the Void
We are not What was Intended

The Monster’s Mother:
Jean-Pierre Jeunet’s Alien Resurrection Four
Seeing With the Eyes of a Child
Monstrous Children

Notes
Index

On Film - Thinking in Action - Stephen Mulhall [ Download ]

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Science Fiction Quotations - Gary Westfahl



Westfahl defines a science fiction quotation as coming from novels, short stories, films, and TV programs (with some attention given to plays, radio dramas, and comic books) and being about works of science fiction or from science fiction writers.

Organized under topical headings, more than 2,900 quotations offer the wisdom and wit of well-known authors like Arthur C. Clarke and Isaac Asimov as well as lesser-known personalities like J. O. Bailey and Stirling Silliphant and from titles as varied as The Strawberry Window, Cat's Cradle, and The Thing (from another World). Westfahl has published extensively in the field of science fiction and received the 2003 Science Fiction Research Association's Pilgrim Award for lifetime contributions to science fiction and fantasy scholarship.

Beginning with "Actions" ("What I do I do because I like to do," Anthony Burgess, A Clockwork Orange[1962]) and ending with "Work" ("Even if one has been to the moon, one has still to earn a living," H. G. Wells, The First Men in the Moon [1901]), many well-known and some more esoteric quotations are identified. Among other categories are "Belief," "Death," "Freedom," "Nature," "Reality," "Space," and "Utopia." The "History" and "Religion" sections, in particular, provide large and stimulating collections of quotations. Within categories, quotations are generally arranged chronologically.

Titles in quotation marks are short stories, and italicized titles are books and films. An index of authors and an index of titles provide additional access points for readers.

In this well-researched work, Westfahl shows how diverse the genre of science fiction has been and remains. Most public and academic libraries will want to purchase.

SF Quotations-From the inner mind to the outer limits-Gary Westfahl [ Download ]

A Ficção Científica no Brasil nas décadas de 60 e 70 e Fausto Cunha



Introdução
Capítulo 1
1.0. Genealogia e a conceituação do gênero literário: Ficção Científica
1.1. Antecedentes históricos e genealogia
1.2. Isaac Asimov
1.3. Arthur Clarke
1.4. Conceituação – nossa concepção
1.5. A genealogia de F.C e seus problemas
1.6. A F.C. e a construção da narrativa (verossimilhança)
1.7. A relação da S.F. com outros gêneros literários
1.8. A F.C. e a influência norte-americana – space opera
1.9. A F.C. em outros países e o mercado editorial (pulp magazines)
1.10. Ficção Científica e Literatura de Ficção Científica
1.11. A S.F e a Literatura Fantástica
1.12. Ideologia e Ficção Científica
1.13. A Ficção Científica e o tempo
1.14. A Ficção Científica e sexualidade, robot
1.1.5. Ficção Científica e Mito
1.16. Tempo, espaço e personagens na S.F
1.17. Classificação das histórias

Capítulo 2
2.1. Panorama histórico do Brasil
2.2. A Ficção Científica Brasileira
2.3. A F.C. em o Presidente Negro
2.4. A Literatura de S.F. no Brasil – produção literária

Capítulo 3
3.1. A F.C. no Brasil nas décadas de 60 e 70
3.2. A S.F. e Fausto Cunha
3.3. A influência da S.F. em minha vida
3.4. Análise das obras de Fausto Cunha
3.4.1. As noites marcianas
3.4.1.2. Regresso-resumo
3.4.1.2.1. Análise do conto Regresso
3.4.1.3. O dia que já passou – resumo
3.4.1.3.1. Análise do conto O dia que já passou
3.4.1.4. O Lobo do espaço – resumo
3.4.1.4.1. Análise do conto O Lobo do espaço
Conclusão



A FC no Brasil nas décadas de 60 e 70&Fausto Cunha - Edivaldo Marcondes Leonardo
[ Download ]

Dissertação apresentada ao Curso de História e Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em História e Teoria Literária.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Science Fact and Science Fiction - An Encyclopedia - Brian Stableford



An encyclopaedia of science would be a huge project to undertake nowadays, as would an encyclopaedia of fiction. Either would require several volumes to do any justice at all to the range and depth of its subject matter. An encyclopaedia of the connections between science and fiction, on the other hand, can still be contained within a single volume without seeming stupidly superficial. This testifies to the extent of fiction’s abiding unconcern with science and technology, by comparison with other aspects of human thought, action and sentiment.

The volume of both scientific and fictional publication has increased dramatically over time, accelerating remarkably in the twentieth century when a series of other media were added to text and oral culture as significant conveyors of fiction. There is a sense in which the fictional reflections of science and technology have also increased dramatically in volume over time, similarly accelerating in the twentieth century, when it became commonplace for the first time to identify a genre of ‘‘science fiction,’’ but the similarities between these historical processes are outweighed by their differences.

A modern encyclopaedia of science would have to give due credit to the intellectual achievements of centuries earlier than the twentieth; it would, however, regard them as transitory phases en route to a fuller understanding, whose triumphs have all been integrated into more elaborate patterns of ideas. A modern encyclopaedia of fiction could not see history in the same light; it could not regard the works of Homer, William Shakespeare, and Marcel Proust as transitional achievements that have been further elaborated, but as enduring monuments constituting the core of its concerns.

Both encyclopaedias would have to omit a great many minor works and their authors from the preserved historical record on the grounds that they are of merely peripheral interest, but they would do so on different grounds.

The encyclopaedia of science would filter the heritage of the past to exclude or marginalise the incorrect and the repetitive, while the encyclopaedia of fiction would filter the heritage of the past to exclude or marginalise material considered less valuable in aesthetic terms. Whereas encyclopaedias of science inevitably favour the contemporary, as the highest level of attainment, encyclopaedias of fiction are often critical of the contemporary, comparing it unfavourably with the antique.

Encyclopaedias of fiction, moreover, routinely represent themselves as encyclopaedias of literature, in order to emphasise that their selection process is the work of connoisseurs of value–connoisseurs who are inevitably suspicious of popular fiction, whose value is often thought to be prejudiced because it appeals to a wide audience.

One of the consequences of aesthetic filtration is the near-erasure from modern encyclopaedias of literature of the great majority of works containing any significant reflection of science and technology, which are routinely considered to be aesthetically valueless by virtue of their choice of subject matter. This generates problems for any project attempting to bring the connections between science and fiction into clearer focus.

From the viewpoint of science, such a project is bound to seem unnecessary, since it hardly matters to scientists whether or not they are represented in fiction.

From the literary viewpoint, such a project is likely to seem worthless, in that it would be bound to devote much of its attention to science fiction.

In spite of these problems, the compilation of a broad overview of the connections between science and fiction is a useful project, because it helps to illuminate the history of science and the history of fiction from an unusual angle, which may reveal aspects of both that are normally obscured. It also helps to illuminate the reasons why the overlap between the two histories is so slight and so odd, and why the two histories have diverged even more markedly as time has passed.

If it is desirable to construct and maintain bridges between the cultures of science and fiction, then a volume like Science Fact and Science Fiction: An Encyclopedia will hopefully constitute a significant bridge in itself as well as mapping the existing ones, and might be of some assistance in building more.

Science and Literature
To some extent, at least, the histories of science and literature have run parallel; their rates of evolution have varied according to roughly similar patterns. Insofar as their histories have been related, however, the relationship has more often seemed inverse than correspondent, not merely traveling in different directions but actively in conflict with one another—but that serves to underline the fact that there is a significant relationship between the two histories.

The anxiety that the progress of science has devalued or devastated the poetic element of the human imagination—by ‘‘unweaving the rainbow’’, as John Keats put it—is as strong now as it ever was, and as plausible. The fact that prose has displaced poetry to such a drastic extent in the literary marketplace is certainly not unconnected with the development of the scientific method and the scientific worldview—but to regard science and literature as antithetical forces pulling in opposed directions would be a distortion as well as an oversimplification.

There is no simple causal relationship between the evolution of science and the evolution of fiction, and changes in the two fields cannot usually be linked in any simple fashion to more remote causes by which they are both affected. Even so, they are not as mutually irrelevant or hostile as their separate introspective narratives sometimes make them seem.

Hopefully, a book of this kind might be useful in making their relationship clearer.
Fact and fiction are often defined as fundamental opposites. In the most brutal sense, facts are true and fiction isn’t. Adding ‘‘science’’ to the summation helps to illustrate the complications that arise when the definitions extend beyond brutal simplicity, because it introduces the question of how facts are established as true, and the corollary question of whether facts are the only things that qualify as truth.

Science affirms (for it cannot swear on oath) that it is the truth, the whole truth and nothing but the truth: an account of law-bound nature strictly derived from the evidence. It is, however, often argued that truth is more complicated than scientific testimony will allow. On the other hand, defining fiction as mere untruth is a drastic oversimplification. All the major forms of fiction—including myth, legend, and folklore, as well as literature—aspire to a greater ambition than merely telling lies. It is not simply that there is an element of attempted truth mingled with their fabrications, but that it is that attempt that constitutes their raison d’eˆtre, fabrication being merely a means to an end.

The universality of fiction reflects its utility, and that utility is dependent on the conviction that there is more to truth than fact, and more to knowledge than science can obtain.

Science is a method: a process of certification leading to a stamp of assured quality. The method can easily be anatomised into three components–hypothesis, observation and experiment–but the order in which the three components are best arranged is open to question. It was once generally supposed that observations came first, generating hypotheses that were then subjected to confirmatory experiments, but it is now more commonly agreed that ‘‘observation’’ is a problematic business, routinely conditioned by preexistent frames of perception and intellectual organisation.

In this view, the speculative construction of hypotheses either precedes observation or is inextricably mingled with that process, and the proper function of experimentation is not to seek confirmation, but to set up rigorous tests in order to cast out mistaken hypotheses and misconceived observations. However the three components are mixed, they are obviously not alike. Hypothesis formulation, or speculation, is a creative process. Experiment is, by contrast, a judgmental process.

Observation seems, at first glance, to be merely cumulative, neither creative nor judgmental, but more careful analysis suggests that it involves both creative and judgmental elements.

When the process of fact gathering is broken down in this fashion it becomes easier to draw useful comparisons with fiction—or, at least, with the component of fiction that aspires to be more than lies. Fiction also has its hypothetical, observational and judgemental components, whose appropriate balance has long been a matter of controversy.

Fiction is not judgemental in the same way as scientific experimentation, having more to do with moral than factual judgement, but intellectually respectable fiction nevertheless aims to put its assertions and evaluations to a kind of stern proof.

The creative element of fiction is more likely to be seen as an end than a beginning, but that does not mean that it is reckless.

The great difference between scientific and fictional observation lies in the manner in which the combination of observation and judgement generates a coherent ‘‘worldview’’.

The testing of scientific observations ruthlessly eliminates mistaken hypotheses from consideration, while setting moral judgments aside in order to concentrate narrowly on what is, but the testing of fictional observation is intimately concerned with moral judgment, and not nearly so ruthless in its treatment of hypotheses.

Fiction is by no means unconcerned with what is, but it usually tries to consider what is in a broader context of what might be and what ought to be. There is more necessity than choice in this distinction.

In order to support its method of determining facts, and the theories that render them coherent, science needs to make certain basic assumptions about the extent to which the world is ordered, and the nature of that order. The whole edifice rests on a few fundamental observations, one of which is the assumption that the laws of nature do not discriminate—that they apply to everything, and to everyone, in exactly the same way.

One corollary of this is Jesus’ observation in Matthew 5:45 that the sun rises and the rain falls on the just and the unjust alike. In the world of experience— the world of scientific observation—virtue has no naturally guaranteed reward, and vice no naturally guaranteed punishment.

This is not a situation of which anyone approves; indeed, it is arguable that the primary employment of the human mind since the dawn of intelligent consciousness has been to compensate for the deficit. The compensations have been both pragmatic, consisting of the institution of artificial rewards and punishments within social organisation, and imaginative, often involving the assertion that appearances must be deceptive, and that there must be a world beyond that of experience in which the moral accounts are ultimately balanced.

Science, by definition, can have nothing to do with the latter kind of compensatory endeavour; it is concerned with the order that exists, not one that might be preferable.
Even its dealings with practical compensation are limited and problematic. It can certainly concern itself with the effects that social institutions actually have, but runs into difficulties when it tries to deal with the hopes and intentions that they appear or claim to embody.

Science can only admit the hypothesis of a morally interested creator of the natural world by placing such an entity outside the world of experience; it cannot admit one that routinely interferes with the indiscrimination of its own natural laws.

Accommodating the hypothesis of morally interested creators of the social world can be awkward too, because the assumption that people act for the reasons they give in justification is often dubious.

The world within a fictional text, on the other hand, is organised in a way that is intrinsically accommodating to creative interference, not only at the level of the author’s powers of determination, but at the level of the characters’ motivations.

The author not only has the power to determine on whom the rain falls, and when, but the authority to state without objection why characters do what they do. There is far less restriction on what can be stated in words than there is on what can happen in the world of experience, and fiction is therefore flexible in ways that the world of experience is not. If the world of experience were flexible in that fashion, then science would have no foundation.

In the ‘‘world’’ contained within a fictional text, it is not only possible for the sun and the rain to discriminate between the just and unjust, but perfectly routine. All that the literary creator has to do to make sure that the virtuous thrive and the wicked suffer is to say so—and that fact is sufficient to create a considerable expectation on the part of an audience that things will turn out that way. ‘‘The good ended happily and the bad unhappily,’’ as Miss Prism explains to Cecily in The Importance of Being Earnest, ‘‘that is what fiction means.’’ In fiction, ‘‘poetic justice’’
is not always delivered, but it is always potentially accessible—which is why its deliberate withholding gives rise to the frustrating emotional sensation of tragedy.

Whereas science cannot deal with moral order, fiction must. That is, indeed, ‘‘what fiction means’’; it is, at any rate, a far better definition of fiction than ‘‘lying.’’
This difference does establish a fundamental dichotomy between science and fiction, although it is not nearly as simple as the apparent dichotomies between truth and untruth.

The existence of such a dichotomy does not mean that no connections can be made or comparisons drawn between science and fiction, but it does complicate the process. It also helps to explain the near-nonexistence of a science of fiction, and the essential awkwardness of fictional treatments of science.

Fiction seems so resistant to scientific analysis that attempts to carry out such a task have always been tentative, and have commanded very little attention either in the realm of science or the republic of literary studies; what is generally called ‘‘narrative theory’’ or ‘‘narratology’’ is a very delicate touching point. The narrative of science is not undeveloped–indeed, it is in some respects very highly developed—but it sternly insists on representing itself as a nonfictional narrative.

It is not merely that the narrative of science represents itself as a history rather than a mere story, but that it represents itself as a particular kind of history that has far less fiction in it than history as a whole—history as a whole being extensively polluted by myth, legend, folklore, accidental misinformation, and deliberate disinformation, in a manner that is a constant source of irritation and anxiety for scientifically inclined historians. The history of science, like science itself, aspires to be a true history, and is inevitably disturbed by the suggestion that there might be no such thing, or that it might be unattainable in practice even if it were theoretically conceivable.

Fiction’s dealings with the concept of ‘‘true history’’ are far more complicated than science’s dealings with moral order, which merely attempt its absolute exclusion. The complexity in question is, in fact, neatly illustrated by an item of fiction whose title is usually translated as True History: an imaginary voyage penned by the Greek satirist Lucian, which describes a trip to the moon. Lucian called his story True History precisely because it was not, in order to make fun of the propensity of travellers’ tales to exaggerate, embroider, and embellish in the interests of telling a more exciting story and making the teller seem more interesting and more heroic.

In the republic of fiction, the concept of true history is intrinsically ironic.

Science, by definition, is implacably hostile to irony, entirely dependent on statements meaning exactly what they say. Fiction not only accommodates irony but welcomes it, determinedly extrapolating the principle that statements can imply more than they actually say, and are quite capable of implying something entirely different.

In other words, science is pedantic, and fiction is anti-pedantic. From the literary viewpoint, science is bound to seem rigid and humorless; from the scientific viewpoint, fiction is bound to seem mercurial and perverse.

Science Fact and Science Fiction - An Encyclopedia - Brian Stableford [ Download ]

A Ficção Científica como derivação da Utopia


A ficção científica é um gênero literário derivado da utopia, e sua consolidação ocorreu no século XIX. O homem como figura representativa do gênero teve seu processo de desenvolvimento iniciado no período clássico.

A noção da essência humana adquirida pelo homem antigo culminou na evolução do indivíduo que emerge no Renascimento, caminhando para o individualismo do mundo moderno.

As tragédias gregas representaram um homem em ebulição tentando conquistar seu espaço no aspecto universal, e como homem de estado.

No Renascimento, surge o homem virtú: o fecundador do mundo, aquele que se descobre como indivíduo, portanto volta-se à coletividade, projetando a arquitetura das cidades, e planejando a organização social. O Renascimento foi um período áureo em que o desenvolvimento e a liberdade de construção auxiliavam sem negar valores morais.

Na literatura surgem as utopias, projeções de mundos perfeitos, paralelos ao real.

Com a proibição do erro pelas utopias, as sociedades perfeitas se corrompem em função da negação da individualidade, e de outras condições básicas humanas, aparecendo as distopias: sociedades massificadas e infelizes.

A ficção científica funciona como um alerta para as conseqüências advindas dos excessos tecnológicos, como exemplo, cidades super-populosas, catástrofes naturais, e o enfraquecimento das noções éticas.

Enquanto a técnica e a ciência deram suporte ao homem, o mundo esteve equilibrado. A partir do momento que o homem se corrompe pelo poder do conhecimento, situações grotescas invadem as narrativas de ficção científica.

Diante do poder de imitação à natureza, o homem cria seres artificiais, sem dar conta do motivo ou das proporções de sua criação.


SUMÁRIO
CAPÍTULO I – A Ficção Científica
1. Surgimento e Precursores
1.1 Viajantes desbravadores e a lua
2. Características Gerais da Ficção Científica
3. Ficção Científica: Ficção, Ciência e Ética
4. Utopia e Ficção Científica
5. O Grotesco na Ficção Científica
6. A Popularização do Gênero e do Conhecimento Científico Através das Revistas
6.1 Breve comentário sobre ficção científica no Brasil
7. Lendas Marítimas e a Ficção Científica como Lenda Moderna
8. Dois Grandes Expoentes do Gênero
8.1 Júlio Verne (1828-1905)
8.2 Herbert George Wells (1866-1946)
9. Alguns Temas, Obras e Filmes Significativos

CAPÍTULO II – Antecedentes do Problema da Ficção Científica: o Desenvolvimento da Individualidade
1. Antigüidade: Sociedade, Família e Sagrado
1.1 Antigüidade e a ficção científica: o indivíduo
1.2 As tragédias abrem caminho para a individualidade
1.3 Antecedentes das tragédias
2. O Renascimento
2.1 O homem renascentista e utópico
2.2 Natureza, técnica e economia
3. A Utopia
3.1 Funcionamento
3.2 Fases e símbolos da utopia
3.3 Algumas utopias importantes
3.4 A utopia moderna
4. O Mito na Utopia
5. Antecedentes da Utopia
6. Distopia
6.1 Estrutura textual da distopia
6.2 Algumas distopias importantes

CAPÍTULO III – A Ficção Científica como Galho da Árvore Utópica
1. Conceitos
2. Literatura Maravilhosa, Literatura Fantástica e Ficção Científica
3. Problemática
4. Dois Grandes Modernizadores da Ficção Científica
4.1 Arthur Clarke (1917 - )
4.2 Isaac Asimov (1920 – 1992)
5. Fases Históricas da Ficção Científica
6. Ciência e Religião
7. Estrutura Romanesca
7.1 Mediações do romance
7.2 O novo herói
8. O Mito na Ficção Científica
9. Distopia e Ficção Científica

CAPÍTULO IV – A Inteligência Artificial Representada por Golems Lendários e Modernos
1. A Inteligência Artificial
2. Os Seres Artificiais
3. Frankenstein, Pinocchio e Golem
4. Versões e Leituras da Lenda do Golem
5. A Lenda do Golem como Mito nos Séculos XX e XXI
5.1 A estrutura do mito do Golem
6. Descobertas que Auxiliaram no Crescimento da Inteligência Artificial – O Golem como Arquétipo para a Informática
7. Questões Éticas na Inteligência Artificial
7.1 Sócrates, Platão e Aristóteles
7.2 Uma visão moderna da ética
Considerações Finais

A FC como derivação da Utopia - Marceli Giglioli Stoppa Baldessin [ Download ]
Dissertação apresentada ao Curso de História e Teoria Literária do Instituto de Estudos da
Linguagem da Universidade Estadual de Campinas

segunda-feira, 18 de maio de 2009

NYC2123


NYC2123 é uma graphic novel futuristica-noir, pós-apocalíptica, que remete tanto a Neuromancer de William Gibson quanto a Snow Crash de Neal Stephenson.

Manhattan foi destruída por um tsunami no ano de 2054. Em redor da ilha proliferaram ilhas à margem da lei, onde se traficam drogas e modificações corporais ilegais, e em 2065 é construída uma enorme parede à volta de Manhattan que a isola do exterior.

Mercenários, hackers, junkies, intriga, implantes cerebrais, colecionadores de ratos...

Roteiro de Chad Allen e desenhos de Paco Allen.


NYC2123

Quando a Ficção Científica vira realidade: ParanoidLinux e Cory Doctorow



"Meu favorito era o ParanoidXbox, um tipo de ParanoidLinux. ParanoidLinux é um sistema operacional que assume que seu operador está sob a censura de um governo (foi intencionalmente criado para uso dos dissidentes da China e da Síria) e faz todo o possível para manter suas comunicações e documentos em segredo. Ele até dispara um monte de comunicações falsas que supostamente disfarçam o fato de você estar fazendo algo às escondidas. Então, enquanto você está recebendo uma mensagem política, um caracter por vez, ParanoidLinux finge surfar na Web e preencher questionários, estar namorando em salas de bate-papo. Enquanto isso, um em cada quinhentos caracteres que você recebe é a mensagem verdadeira, uma agulha escondida em um palheiro." (Little Brother - Cory Doctorow)


[ Se o fato da distribuição do ParanoidLinux (agora no estágio alfa-alfa) ser baseado em um livro de Ficção Científica não é inquietante, considerando duas questões.
A primeira é que em certas áreas do mundo onde ocorre censura, um sistema operacional que garanta anonimato ao seu usuario pode, literalmente salvar vidas... ]

ParanoidLinux

domingo, 17 de maio de 2009

Ballard




"Escritores são 'times de um homem só' e que precisavam do incentivo da multidão.
Devem ser ordeiros e previsíveis em suas vidas, para que possam ser selvagens e sinistros em suas obras."





O casamento entre a razão e o pesadelo, que tem dominado o século 20, deu origem a um mundo que é cada vez mais ambíguo.

Pelo cenário das comunicações movem-se os espectros de tecnologias sinistras e os sonhos que o dinheiro pode comprar.

Sistemas de armas termonucleares e comerciais de bebidas coexistem em um ofuscante reino governado pela publicidade e pelos pseudo-eventos, pela ciência e pela pornografia.

Nossas vidas são presididas pelos grandes e geminados leitmotifs do século 20 - sexo e paranóia.

Apesar do encanto de McLuhan com a alta velocidade dos mosaicos de informação, não conseguimos deixar de nos lembrar do profundo pessimismo de Freud em A Civilização e seus Descontentes. Voyeurismo, autoaversão, a base infantil de nossos sonhos e anseios - essas enfermidades da psique culminaram agora com a mais aterrorizadora perda do século: a morte do afeto.

Esta renúncia ao sentimento e à emoção sedimentou o caminho para todos os nossos mais reais e
ternos prazeres: nas excitações provocadas pela dor e pela mutilação; no sexo como a arena perfeita, semelhante a uma cultura de pus estéril, para todas as verônicas de nossas próprias perversões; na liberdade moral de nos entregarmos à nossa própria psicopatologia como a um jogo; e nos nossos aparentemente ilimitados poderes para a criação de conceitos - o que os nossos filhos devem temer não são os automóveis nas auto-estradas de amanhã, mas o nosso próprio prazer em estabelecer os mais elegantes parâmetros para suas mortes.

Documentar os incômodos prazeres de viver no interior deste glauco paraíso tem sido cada vez mais o papel da ficção científica.

J.G.Ballard - 15/11/1930 - 19/04/2009



J. G. Ballard ( Billenium, Cloud Scultors, Cocaine Nights, Concrete Islands, Dream Cargoes, Drowned Giant, High Rise, Kindness of woman, Running Wild, Rushing to paradise, Tha atrocity exhibition, The Burning World, The Crystal World, The dead astronaut, The drought, The drowned World, The Garden Of Time, The subliminal man, The Terminal Beach, The Wind from nowhere) [ Download ]

Crash (Em português) [ Download ]

O Mundo Submerso [ Download ]

Lewis Shiner


Lewis Shiner (30 de Dezembro de 1950) nasceu em Eugene, Oregon (EUA) e iniciou sua carreira de escritor em 1977.

É autor de relatos dos mais diversos gêneros - mistério, fantasia, terror, porém foi na Ficção Científica que ganhou reconhecimento a partir do lançamento de seu livro Frontera (1984), identificado com o estilo ciberpunk.

Vários livros seus tem o rock como tema, como por exemplo Slam (1990), que trata da cultura anarquista e está imerso em punk rock.

O trabalho de Shiner é também marcado por sua miniciosa investigação e meticulosa e fria construção. De prosa vigorosa e densa, mostra influências de outros escritores, como Elmore Leonard e Robert Stone.

Filho de um antropólogo, Shiner detêm excelente conhecimentos de filosofias como o Zen e de arquétipos místicos. É capaz tanto de vôos de fantasia, quanto o realismo mais voltado para preocupações geopolíticas.

Em Julho de 2007, Shiner lançou o site Fiction Liberation Front (FLF) para publicação online de seus contos.


Lewis Shiner ( Americans, Black & White, Brujo, Buyn'my heartaches a beer, Cabracan, Castles made of sand, Deep withou pity, Dirty work, Fear itself, Flagstaff, Fractal geometry, Gentle Rain, Gold, Golfind Vietnam, Jeff Beck, Kings of the afternoon, Lizard Men of Los Angeles, Love in van, Mark the bunny, Match, Nine hard questions about the nature of the Universe, Prodigal Son, Promises, Rebels, Sitcom, Soldier, Sailor, Steam Engine Time, Sticks, Stoked, Stompin'at Savoy, Straws, Stuf of Dreams, The apparittion, The circle, The killing Season, The long Ride out, The tale of mark the bunny, The war at home, Till humans voices wake us, Tommy and Talking Dog, Twilight Time, You never know ) [ Download ]

sábado, 16 de maio de 2009

Geometria Fractal - Lewis Shiner



Iteração
Um envelope chega pelo correio. Você abre.
Dentro tem uma fotografia sua, abrindo um envelope.
Visivel na foto está o carimbo do correio no envelope com a data de hoje.

Zoom
A história aparece para você num sonho. Você a chama de 'Iteração'.
Você a escreve em um bloco de notas que está ao lado da cama.
Na manhã seguinte a página está em branco.

Reiteração
Um envelope chega pelo correio. Você abre.
Dentro tem uma fotografia de uma página do bloco de notas.
Visivel na foto está um conto curto escrito à mão chamado 'Iteração'.



Fractal Geometry (1989) de Lewis Shiner

Descanse em paz ciberpunk - Paul Saffo


Como um cometa iluminado pelo sol em sua trajetória no espaço profundo, o movimento ciberpunk desapareceu tão rápido como surgiu.

Além disso, foi pouco mais substancial do que a cauda de um cometa quando analisamos os números - nunca houve mais do que 100 seguidores antes do termo chegar na grande imprensa.

Mas não podemos dizer que o impacto social foi pequeno, apesar de insubstanciais, os cometas sempre serviram como mensageiros.

Suspeito que os ciberpunks foram para os anos 90 o que os beatniks foram para os 60 - arautos de um movimento de massa que estava por vir. Assim como os beatniks anteciparam os hippies, ciberpunks são o estágio inicial de uma contracultura digital por vir e que terá os anos 90 como seu início.

Paralelos entre estes dois movimentos, oferecem dicas do que está à caminho.
Para começar, ambos tiveram seu foco na literatura. Os beatniks tiveram seus escritores-beat (Jack Kerouac, Alan Ginsberg, Gregory Corso e William S. Burroughs), enquanto os ciberpunks encontraram suas identidades no gênero de ficção cientifica através de escritores como William Gibson, Rudy Rucker, Bruce Sterling e John Shirley Alem disso, das suas obras principais, surgiram as infra-estruturais do movimento; ON THE ROAD de Kerouac tomava o rumo das estradas interestaduais enquanto NEUROMANCER de Gibson mostrava um mundo futuro através das estradas da informação.

Mesmo os leitores mais atentos nunca se deram conta de que seus escritores não viviam suas obras: Kerouac detestava dirigir e Gibson escreveu NEUROMANCER em uma máquina de escrever Hermes, de 1927.

Assim como os ciberpunks, nunca houve mais do que alguns poucos verdadeiros beatniks - talvez 120, antes do movimento ganhar a mídia no final dos anos 50, de acordo com o ensaísta George Leonard. A palavra chegou às festas regadas a vinho e dos almofadões, e como nas raves, tomaram os eventos quase-comerciais do underground.

Assim como os ciberpunks levaram suas identidades da rede para o mundo físico, os beatniks tinham seus nomes. "Todos tinham um apelido, como num romance de Damon Runyon" observa Leonard. Ironicamente, seus membros não foram responsáveis por dar nome ao próprio movimento, assim como os ciberpunks foram batizados por alguém de fora (o editor Dozois), o termo 'beatnik' foi cunhado pelo colunista do San Francisco Chronicle, Herb Caen.

Uma vez batizados e rendidos, ambos movimentos entregaram seus arquétipos visuais à cultura de massa. Em 1960, jovens de todo o mundo deixavam crescer as barbas, adotando a aparência dos beatniks, enquanto hoje os 'Homens de preto', com seu estilo de vida repletos de engenhocas eletrônicas, são numerosos. Esta rendição iria mandar ambos os movimentos para o buraco negro na historia, mas não sem antes de inspirar maiores movimentos vindouros.

Após o surgimento dos beatniks, os hippies surgiram para mudar o panorama cultural para sempre. Como os ciberpunks, os beatniks foram na maior parte contidos lobos solitários.

O individualismo beatnik era uma reação ao materialismo otimista do homem-empresa da era Eisenhower, assim como os ciberpunks se caracterizam como um contraste à ordem industrial-militar anti-séptica dos anos Reagan-Bush.

Kerouac mais tarde concluiu que 'beat' (batida) também significava beatífico, que enche de prazer ou felicidade - e foi este aspecto dos beatniks que serviu como princípio para o movimento hippie, de acordo com Leonard, 'um tempo de boa-vontade', se referindo ao início, quando parecia que uma nova era de consciência cultural estava verdadeiramente amanhecendo.

Otimismo e senso de comunidade distinguiam os hippies dos beatniks, assim como irão distinguir os ciberpunks da contracultura digital que há de vir.

O mundo ciberpunk é não-utópico, um retrato tecnológico visto no filme Blade Runner.

Aposto que a contracultura digital rejeitará esta fria visão do futuro, trocando por uma na qual a tecnologia amplia o espírito humano, como uma nova ferramenta de conscientização, do mesmo modo que os hippies se apropriaram do desdobramento da química psicoativa do complexo militar-industrial.

Este novo movimento será o ciberpunk com calor humano, substituindo com o senso de interdependência no lugar do isolamento tipo lobo-solitário.

Os ciberpunks enxergam o ser humano como um ciber-rato eletrônico fuçando nas brechas da mega-máquina de informação; o evangelho do movimento pós-ciberpunk será a máquina a serviço do aumento da nossa humanidade.

É cedo para dizer como esta contracultura digital irá se chamar, mas a história dos hippies oferecem uma pista.
'Hippie' se originou de 'hipster', uma gíria para uma subcultura dos anos 50 que perseguia os beats. Da mesma forma esta contracultura poderia se apropriar de um termo antigo, de forma totalmente nova.

Eu apostaria em 'tekkies', conscientemente adotando a gíria desdenhosa usada para os nerds nos anos 80, tirando desta palavra, a coisa fria e industrial e fazendo-a sinônimo do controle da humanidade sobre a tecnologia.

Hippies apareceram em 65, alguns anos depois dos beatniks se tornarem conhecidos do público. Seguindo esta cronologia, os tekkies devem aparecer na metade dos anos 90, se não antes.

Olhe para os céus e procure por um novo cometa - ele será digital e sua cauda irá brilhar em tecnicolor. E sua chegada irá mudar nossas vidas para sempre.

Paul Saffo (psaffo@MCImail.com) pesquisador do Instituto para o Futuro, em Menlo Park, Califórnia, escreveu este artigo para a Wired em 1993.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cyberpunk: Preparing the Ground for Revolution or Keeping the Boys Satisfied?



[...Sterling’s allusions to the influential fathers of SF, indicative of what Samuel Delany calls the male SF writers’ "endless, anxious search for fathers"... betrays his need to forge a filiation with established (male) SF writers, to construct a form of legitimacy which, not insignificantly, manages to avoid mention of any potential mothers: the feminist SF writers (countercultural Earth Mothers?) of the previous decade.

But this construction of cyberpunk as the legitimate progeny of earlier SF is only part of Sterling’s project in Mirrorshades. Far more overt is his relentless attempt to locate the "loose generational nexus of ambitious young writers" of cyberpunk as "disentangling SF from mainstream influence", as, in effect, both marginalized and revolutionary.

In other words, once he has unearthed adventurous fathers and constituted a satisfying filiation for cyberpunk writers, he can figure oedipal rebellion, reinterring the fathers as "mainstream" and celebrating the sons as young turks.

Sterling’s desire to represent cyberpunk as a radical subgenre within SF—one which prompts him, in his introduction to Gibson’s Burning Chrome (1986), to dismiss all of ’70s SF as "not much fun," as in "the doldrums," "dogmatic slumbers," or "hibernation" —is rearticulated even more forcefully in the special Mississippi Review cyberpunk issue (1988) and in the Rucker-Wilson anthology, Semiotext(e) SF (1989)...

Cyberpunk—slick, colloquial, and science-based—represented a concerted return to the (originary) purity of hard SF, apparently purged of the influence of other-worldly fantasy, and embracing technology with new fervor. Bruce Sterling’s review of William Gibson’s Neuromancer (1983), reprinted on the flyleaf of the text, invites us to "say goodbye to [our] old stale futures...]


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foto de Robbie Cooper


Bruce Sterling - FC, hackers, política, ciberpunks em 50 textos


( Agberg Ideology, Artificial life, Bitter Resistance, Buckmania, Computers freedom and privacy, Creation Science, Crystal Express, Cyberpunk in the nineties, CyberView, Dead Collider, Digital Dolphins, Digital revolution in retrospect, Eletronic Text, Free as air, Geeks and Spooks, Gurp'sLabour lost, Hacker Crackdown, House subcommittee on Telecomunications and Finance Speech, Internet, Life and death of Media, Magnetic Vision, Maneki neko, The 2000 Manifesto, Memories of Space Age, Midnight on Rue Jules Verne, My Rihla, The New Cryptografy, Outer cyberspace, Return to the Rue Jules Verne, Shinkansen, Slipstream, Sneaking for Jesus 2001, The spearhead of cognition, Spires on Skyline, Statement of principle, Superglue, Think of the prestige, Unstable Network, Updike's version, The virtual city, War is virtual Hell, Watching the clouds, The wonderful power of storytelling, A workshop lexicon, National academy of sciences speech, ...)

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