sexta-feira, 5 de junho de 2009

Revistas - Space Wars e Starlog SciFi Toys & Models





Space Wars - Dezembro 1977 [ Download ]










Space Wars - Junho 1978 [ Download ]











Starlog Scifi Toys&Models - [ Download ]

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Comics - Magnus



Magnus - Novembro 1965 [ Download ]





Magnus - Setembro 1967 [ Download ]

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Comics - Tom Corbett, Space Adventures e Space War


Tom Corbett - Junho 1955 [ Download ]




Space Adventures [ Download ]





Space War num.2 - Dezembro 1959 [ Download ]

terça-feira, 2 de junho de 2009

Comics - Weird Science, Platillos Volantes e Walt Disney's Man in Space


Weird Science num.11 - 1952 [ Download ]




Platillos Volantes num.14 - 1958 [ Download ]







Walt Disney's Man in Space - 1959 [ Download ]

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Comics adaptados do cinema - Dune e Logan's Run



Movie adaptation - Dune by Bill Siekiewicz [ Download ]







Logan's Run - Brown Watson [ Download ]

domingo, 31 de maio de 2009

Com a FC correndo no sangue - entrevista com Greg Bear



Greg Bear é sem dúvida uma das figuras de proa da Ficção Científica contemporânea.

Sua bem informada e inspirada especulação científica lança de forma visionária, questionamentos sobre as raízes biológicas, sociais e psicológicas da espécie humana, enquanto escreve histórias que aparentemente se encontram dentro dos parâmetros deste ou daquele subgênero, mas que consistentemente transcende qualquer limite.

Suas primeiras experiências literárias, exercícios altamente imaginativos, apesar de certa limitação técnica, já anunciavam o teor de seu universo, de seus trabalhos mais maduros.

Hegira (1979), Beyond Heaven's River (1980) e Strength of Stones (1981) são tentativas de abordar a história futura através da space-opera. Psychlone (1979) brinca com o terror tecnológico; The Infinity Concerto (1984) e The Serpent Mage (1986), discutem o mecanismo da criação do nosso mundo; Corona (1984) é talvez a mais impressionante história do universo Star Trek já escrita. Estes livros indicavam que um mestre do gênero estava por se formar.

Quatro livros marcariam esta transição: Blood Music (1985), Eon (1985), Eternity (1988) e The Forge of God (1987).

Nos anos 90, Bear construiria com incomparável versatilidade, suas fundações, com Queen of Angels (1990), Slant (1997) e Foundation and Chaos (1998), recontextualizando os eventos iniciais da trilogia Fundação de Asimov.

Nos últimos anos, Bear explorou temas evolucionários com um livro de ação que se passa em um futuro próximo, chamado Darwin's Radio (1999); e com Darwin's Children (2003), narrou os anos díficeis de convivência com uma nova espécie de estranhos humanos.
Com Vitals (2002) indagou sobre as origens biológicas da morte e os perigos da imortalidade.
Estes três livros revolucionaram nosso entendimento da seleção natural e de como a natureza organiza a si própria.

Pergunta: Como você enxerga os efeitos dos desastres espaciais (o ônibus espacial Columbia) sobre a literatura de FC e qual sua consequência?

Bear: Estivemos pressionando a NASA e o programa espacial por décadas. Por diversos motivos acabamos por fechar projetos de desenvolvimento de outras espécies de veículos para tomar o lugar dos antigos ônibus. Eles são uma maravilha da tecnologia, mas são antigos e de manutenção dispendiosa, precisamos de algo mais simples e seguro. Infelizmente o povo americano não vê com bons olhos o gasto que seria necessário para se manter pessoas no espaço, em um tempo de déficits e guerras. Temos que pensar se queremos continuar a promover a exploração espacial através de vôos tripulados, sabendo que mais gente irá com certeza morrer.

Pergunta: Em 2003 você chegou à maturidade em sua carreira. Publicou livros que estão entre os mais vendidos, vendeu um deles para o cinema. Como se sente com o sucesso?

Bear: Eu agradeço pelas suas palavras gentis. Mas devo dizer que o auge vem assim como se vai. Se você para no topo, o que acontece é despencar em seguida. Se você não continua procurando por novas ideias e melhores histórias, pode acontecer de se enganar, ou se entediar, o que é pior.
Tenho sorte por ter leitores fieís que toleram minhas fobias e que me seguem por novos territórios; são minha grande força e eu devo a todos eles.

P: A ênfase de seu trabalho mais recente de FC está solidamente fincada dentro da biologia terrestre. Em trabalhos anteriores, como Blood Music e Legacy, já mostrava ser esta uma área de seu interesse; mas o que o levou a explorá-la desta forma, em três livros sucessivos?

Bear: A bilogia moderna está experimentando um crescimento inacreditável de informações, mas a teoria é mais lenta - em parte devido a uma cultura científica conservadora. O término daquela velha forma de se pensar as coisas, e o início de novas teorias, é sem dúvida um tempo excitante de se viver, e nos últimos 20 anos descobri que tenho propensão a teorizar sobre a biologia. Leio jornais e converso com cientistas e derrepente minha mente dispara. Pegando todo tipo de fatos estranhos e buscando as pequenas chaves, e então surgem conclusões que para mim são inevitáveis. Existem aqueles que não concordam, e ai está a graça da coisa. Tenho recebido encorajamento e apoio de cientistas e biologistas de outras áreas. É um tempo maravilhoso para se estar vivo. Todo dia as manchetes de jornais se parecem com a Ficção Científica dos velhos tempos.

P: Uma tese compreensiva sobre a evolução biológica parece emergir de seus romances, algo bem diferente do ortodoxismo darwiniano. Em resumo, como você enxerga o processo e o propósito da evolução?

Bear: Evolução tem a ver com resolver problemas e antecipá-los, ao nível de espécies ou grandes grupos de organismos. A ideia chave em meus trabalhos é a da distribuição em rede, genes e células em um nível, organismos de uma espécie num nível superior, organismos de um ecosistema em um nível maior ainda... isso em padrões de comunicação, organização e comportamento, adaptando-se aos desafios ambientais ou mesmo modificando o ambiente. Não há nada intrisicamente diferente entre uma colônia de insetos interagindo para resolver problemas e os neurônios em nossos cérebros. Ambos trabalham em grupo, em redes, solucionam problemas para ter acesso a mais recursos para a colônia ou para o cérebro.

P: Se, como você teoriza, a biosfera terrestre é composta de redes neurônicas, como muitos níveis de uma 'mente', mas não consciente como compreendemos, qual o lugar do auto-conhecimento humano neste esquema?

Bear: Faz tempo que eu digo que somos as gônadas da Terra. Nós também podemos ser uma espécie de olhos altamente especializados, ligados a um cérebro que adora se arriscar. Nós estamos olhando para fora e observando os céus antes de darmos alguns passos bem arriscados para além do ambiente terrestre. Toda nossa energia e criatividade está focada em explorar, expandir e conquistar novos territórios poucos amigáveis. Somos viajantes, curiosos e envolvidos com coisas novas. Ainda assim somos um enorme e complexo grupo de animais sociais - o que significa que parte do nosso ferramental, para expandirmos nosso pensamento, é o auto-conhecimento, um tipo de interface social que nos permite moldar o comportamento uns dos outros, em grupos. Isso é o que a cultura ocidental chama de vontade. Isso nos dá um tremendo, e as vezes perigoso foco, e como a maioria das grandes ferramentas, por vezes é responsável pela maneira que enxergamos a realidade e o que está ao nosso redor. A vontade nos leva ao ego, que é um obstáculo difícil de se vencer, pois parece ser uma coisa real, e pior ainda, parece ser a coisa mais importante. De fato não somos pura vontade, e nossos corpos são compostos de várias mentes. Mas este é outro ensaio...

P: Seria justo ver Darwin's Radio, Vitals e Darwin's Children como variações de seu grande tema biológico, o primeiro a premissa evolucionária, o segundo a ameaça e finalmente uma síntese elaborada dos dois ?

Bear: É uma visão bastante justa e descritiva dos três. Penso que Vitals como um alerta: ego demasiado e egoísmo pode ser o equivalente à individualidade humana das células de um tumor. Tenho encorajado pesquisas científicas e novas ideias sobre a mente e a biologia humana; mas nesta questão eu cheguei a uma posição preservativa, baseada em uma sólida metáfora biológica. Sem grandes salvaguardas e uma considerável dose de sabedoria e humildade, a busca da imortalidade pode se tornar um grande problema para as próximas décadas. O fator de medo em Vitals está tecido na convulsão da história, da ciência e do texto em si; eu a chamo da maior conspiração paranóica jamais escrita. Mais como Michael Crichton tocando com Robert Ludlum, com Richard Condon na bateria, diferente dos meus primeiros livros, ou seja, mesmo os grandes cientistas precisam ser cautelosos.

P: A premissa em Darwin's Radio foi a do surgimento de uma geração única, o que já foi utilizado na FC - Theodore Sturgeon, Arthur C. Clarke e Nancy Kress estão entre os autores que mais contribuiram para isso. Você concebe Darwin's Radio como uma variação definitiva ou revisionista deste conceito?

Bear: Creio que um pouco revisionista. Muitas das histórias sobre a Próxima Raça Humana envolvem o crescimento mental ou poderes psíquicos, ou algum outro tipo de expansão de um número limitado de atributos básicos. O que percebemos no registro evolucinário contudo, são os primeiros passos em direção ao aprimoramento das ferramentas de comunicação e manipulação, que tem a ver com refinamentos da nossa arquitetura cerebral. Contrário à crença popular, os Neanderthals tinham cérebros do mesmo tamanho e até maiores que os nossos... A questão não é sobre ter cérebros maiores. É sobre aumentar a quantidade de informações trafegando entre indivíduos que se comunicam, e através disso expandir oportunidades e planos para as sociedades humanas.

P: Tanto em Darwin's Radio quanto Darwin's Children, você descreve a reação do Homo Sapiens ao surgimento de uma nova espécie, através do preconceito cego e do pânico. Esta é a reação natural ou se trata de um comportamento negativo, típico da política de rebanho?

Bear: Não posso dizer ser esta uma descrição justa da situação encontrada nestes romances. O que eu descrevo é o processo - detestável, cruel mas inevitável - e bastante universal na história e na natureza. Tudo que é novo é testado até o ponto extremo, incluindo nossas crianças.
Muitos individuos experimentam preconceito e medo, o que é um fato hoje em dia, na relação das raças e no discurso político entre seres humanos do mesmo tipo.
O quão intenso seria, quando os humanos pensarem, e parecerem, e se comportarem, de forma substancialmente diferente? Ainda pior, a biologia em Darwin's Radio nos leva a possibilidade real de uma guerra entre espécies biológicas, pela recombinação e ativamento de antigos vírus. Um desafio incrível para nós, pobres humanos.

P: Em todas estes três livros, mas principalmente em Darwin's Children, você evidencia uma profunda descrença no processo político institucionalizado. Esta é uma reflexão de seus princípios gerais e em particular, sua resposta à política corrente e ao governo americano?

Bear: Na política, assim como na biologia, as respostas são o resultado da luta entre desafio e aceitação, entre competição e cooperação. Resolvemos problemas em larga escala através tanto do diálogo quanto do conflito, fabricamos leis destrutivas, e as vezes com violência, inclusive com guerras. Todos estes processos tem o objetivo final de resolver os grandes problemas em escala cultural e finalmente da espécie humana. Cruel? Pode apostar que sim. Mas se você visse como é cruel e frustrante a vida diária de um neurônio em nosso cérebro, você ficaria boquiaberto.

Atualmente os EUA estão relutantes em assumir o papel de maior potência do mundo. Não acredito que a administração Bush e o partido republicano, como está configurado, possa entender como se deve fazer isso de forma apropriada. São as pessoas erradas, no momento errado, com os instintos errados. Enquanto eu escrevia Darwin's Children, por vezes eu me senti como se o mundo estivesse fazendo minha pesquisa por mim, em tempo real. O que eu escrevi no livro sobre acabar com as liberdades constitucionais, a fim de se obter um falso sentimento de segurança, começa a aparecer nas manchetes. E isso é assustador.

P: Uma nova direção em seu trabalho é a da história secreta - uma evolução às escondidas, um comportamento de cooperação entre espécies de hominídeos do passado, em Darwin's Radio e Darwin's Children, assim como as pesquisas secretas e a conspiração em Vitals. Você declarou guerra à autoria da História como a conhecemos?

Bear: Se eu estivesse declarando guerra contra alguma coisa ou alguém, seria uma ignorância, seria arrogância e presunção minha. Não sabemos nada sobre a evolução humana e ainda há muito para se aprender. Se assumirmos que já temos todas as respostas e não nos dedicarmos à explorar ou especular, será um erro fatal. Tudo que tento fazer em meus livros é apagar algumas marcas e sugerir outros caminhos, para aprendermos ainda mais.

P: Existe um prazer intelectual óbvio em não ser ortodoxo ou heterodoxo. Por exemplo, em Darwin's Children você se diverte elaborando a colonização da América por parte de aborígenas da Austrália, muito antes da presença de nativos americanos. Este tipo de pensamento lateral é essencial para qualquer iluminação ou progresso?

Bear: Para escrever Ficção Científica ele é essencial. Não olharmos para além de nosso conhecimento científico atual é não fazer uso de nossa capacidade de assumir o controle, o que nos deixa indignados e também nos estimula.

Encontramos diversos esqueletos de diversas raças na América do norte, de 10 mil anos atrás ou mais. Na América do sul encontramos artefatos humanos datados de 30 mil anos. Na Austrália, restos humanos foram encontrados datando de 60 mil anos. Quando foi que os ancestrais asiáticos dos nativos americanos atuais chegaram aqui, é desconhecido para todos - pode ter sido dez mil anos antes que os cientistas atualmente acreditam - e parecem bem diferentes daqueles da Terra do Fogo, vistos por Darwin quando esteve na América do sul. E estes que vieram antes deles? Como Thomas Mann disse, mesmo o mais recente passado é tremendamente obscuro...

P: Darwin's Children tem um final que pode ser chamado de feliz. Um ar de idealismo temperado pelo realismo. Há alguma possibilidade desta série ter uma continuação?

Bear: É possível. Temos ainda que estabelecer Stella Nova neste estágio do mundo. Ela é filha de sua mãe e de seu pai, apesar das suas diferenças.

P: Olhando para frente, além de termos sua trilogia filmada, o que poderemos esperar pela frente? Parece que você está trabalhando em um thriller que se passa em um futuro próximo, sua versatilidade é lendária.

Bear: A próxima será uma história de um fantasma high-tech. Espero poder escrever a mais apavorante história de fantasmas jamais escrita, ainda assim introduzindo uma pitada de otimismo metafísico. Estou relendo Shirley Jackson e M.R. James e Richard Matheson e Stephen King e Kingsley Amis e meia dúzia de outros mestres...

Entrevista concedida a Nick Gevers, fevereiro de 2003


Atualmente Greg Bear está à frente do projeto de escrever a trilogia Forerunner, uma nova etapa dos livros da série Halo. A trilogia viaja 100 mil anos no passado de Halo, explorando a história por trás dos Forerunners. O primeiro livro tem seu lançamento previsto para 2010, pela Tor Books.

Greg Bear


Gregory Dale Bear (20 de Agosto de 1951) nasceu em San Diego, California (EUA). É na atualidade, um dos escritores de maior importância no cenário da Ficção Científica (FC).

Bear se formou pela San Diego State College em 1973, e sempre foi fascinado por Ficção Científica. Com 15 anos vendeu seu primeiro conto e com 28 o primeiro livro, Hegira.

Sua obra cobre temas como conflitos galáticos (a série Forge of God), universos artificiais (série Eon) e evolução acelerada (Blood Music, Darwin's Radio e Darwin's Children).

Por utilizar-se de detalhadas explicações científicas, é considerado como um autor de FC Hard, mas tal categorização não pode ser vista de forma tão rigorosa, pois muitas de suas extrapolações são consideradas questionáveis do ponto de vista científico.

Seus trabalhos de maior sucesso, Darwin's Radio e Darwin's Children, tratam do impacto de uma estranha doença que parece se relacionar com uma transição evolucionária. Enquanto que a maior parte de suas ideias são pura diversão (afinal, trata-se de ficção), ele introduz de forma educativa e criativa, disciplinas como biologia molecular, tanto que Darwin's Radio ganhou destaque na revista Nature.

Apesar da maioria de seus trabalhos estarem relacionados com a FC, dois de seus primeiros contos, The Infinity Concerto e The Serpent Mage, publicados posteriormente no livro Songs of Earth and Power, são claramente de fantasia, enquanto Psychlone é um conto de terror.

Bear já publicou quase 30 contos em antologias de FC e revistas como a Analog, Omni, Nature, Famous SF e Galaxy, para citar algumas. Tem 35 livros publicados e não parou por ai.

"Comecei a escrever The City at the End of Time, que me leva de volta as minhas primeiras paixões na FC; contos de um futuro distante. Também estou elaborando um livro baseado em minhas pesquisas sobre evolução e genética."

A qualidade da obra de Bear é reconhecida através dos prêmios Hugo e Nebula que recebeu, tendo sido traduzido em mais de 17 idiomas. Uma de suas histórias, 'Dead Run', foi adaptada para o seriado de tv, The Twilight Zone. Outras estão na mira dos estúdios de cinema. The Forge of God foi comprada pelos estúdios Warner Brothers; Darwin's Radio e Darwin's Children irão se tornar uma minisérie do SciFi Channel.

Bear trabalhou para o National Citizens Advisory Council on Space Policy e como consultor da Sandia National Laboratories, Microsoft e outras companhias de software.

"Já escrevi cinco livros sobre o progresso da biologia, da genética e da biotecnologia nas últimas duas décadas. Trabalho com tecnologias avançadas, que servem como temas das minhas histórias, tenho orgulho da minha teoria alternativa da física, que usei em Anvil of Stars e Moving Mars. Fui o primeiro a escrever sobre lógica computacional quântica, no meu livro Heads, e sou reconhecido como o primeiro escritor de FC a tratar daquilo que seria posteriormente chamado de nanotecnologia".

Bear é casado com Astrid Anderson, filha do famoso escritor de FC Poul Anderson.

Greg Bear (Blood Music, Darwin's Radio, Eon, Eternity, Forge of God, Hardfought, Heads, Hegira, Legacy, Musica in la Sangre, Petra, Reina de Los Angeles, Slant, Strength of stones, Strikes and Spares, Tangents, The way of all ghosts, Trilogia de Thistledown, A seamless future, Anvil of stars, Beyond Heavens river, Darwin Children, Dead Lines, Dead Run, Dinosaur summer, Foundation and Chaos, Moving Stars, Psychlone, Quantico, Queen of Angeles, Ram shift phase 2, Rush, The infinity concert, The machineries of joy, The serpent mage, The venging, Through road no whither, Vitals, Star Wars - Rogue Planet ) [ Download ]

sábado, 30 de maio de 2009

Pontos de partida - Pat Murphy



A primeira vez que Jan ouviu os lobos uivando nas ruas de Manhattan, foi na noite do blecaute.

Eram duas da manhã, mas Jan estava acordada. Estava deitada na cama assistindo todos o noticiários na televisão a cabo. Pela terceira vez naquela noite, um comentarista bem vestido falava sobre um atirador em um shopping de Miami. Perturbado por um divórcio, o homem abriu fogo com seu rifle, ferindo seis mulheres que faziam compras e uma vendedora antes da policia o prender. O blecaute interrompeu a reportagem bem no meio.

Logo antes das luzes se apagarem, Jan estava chorando.
Um mês antes, Dennis, seu marido, tinha pedido o divórcio e aquele evento inesperado tinha destruído o ritmo de sua vida.

‘Estou partindo’ ele disse. E então disse muitas outras coisas - sobre se encontrar, sobre se sentir preso, sobre estar confuso, sobre amor. Mas na tempestade de palavras, apenas duas tinham ficado gravadas ‘Estou partindo’.

Ao fim, já que o apartamento que repartiam pertencia a ele, ela seria aquela que deveria se mudar, sublocando um apartamento de um amigo que estava de férias na Flórida.
Jan tinha uma mala e os dois gatos do amigo para alimentar, que viam nela apenas uma fonte conveniente de comida e nada mais. Os gatos rondavam ao redor dela e de sua cama e atacavam seus pés quando ela trocava de posição, e a observavam sob a luz vacilante da televisão.

Depois de deixar o marido, Jan se dera conta de que tinha se esquecido de como dormir. Achava-se sentada tarde da noite vendo televisão. Às vezes bebia brandi para se acalmar e apagar. Às vezes o murmúrio da televisão embalava o sono. Mas sempre dormia mal.

Na noite em que as luzes se apagaram, Jan ficou por algum tempo sentada no escuro então saiu da cama e foi até a janela para ver as luzes da rua. Foi então que ouviu os lobos.
Primeiro um som distante de latidos - talvez de algum cachorro perturbado com a escuridão súbita. Então o animal começou a uivar, subindo a nota devagar. Outros se juntaram, como numa onda sonora, em diferentes momentos.

Nenhuma luz nos prédios vizinhos. As luzes da rua apagadas. O luar brilhando nas escadas de incêndio fora da sua janela, refletido nas janelas dos apartamentos do outro lado da rua.

Jan abriu a janela e esperou.
Devia ter sido o vento, pensou. Mas os uivos subiram de novo em coro e nada tinha a ver com o vento.

Lobos nas ruas de Manhattan.

Tremeu e fechou a janela.
Após discar 911, a voz de uma mulher atendeu.
‘Tem lobos na rua’ disse Jan ‘ Posso ouvi-los uivando.’
‘Qual a natureza da sua chamada de emergência?’ perguntou a mulher parecendo entediada.
‘Posso ouvir lobos uivando. Não muito longe’ repetiu Jan.
‘Cachorros barulhentos não constituem uma emergência’. disse a mulher cruamente. ‘Entre em contato com o Controle de Animais, durante o horário normal de atendimento.’
‘Mas eu ouvi...’ Jan estava falando com o sinal de chamada.
Desligou e foi até a janela novamente.
O vento cantava passando pelas estruturas da escada de incêndio e um táxi atravessou a rua lá embaixo.
Ouviu então o uivo, desta vez mais perto.

Ela hesitou e depois ligou para o marido. Imaginou-o procurando o telefone ao lado da cama, na mesinha, os olhos meio fechados, o corpo nu debaixo das cobertas. Imaginou o clique quando ele ligasse o abajur da mesinha, o abajur de latão que havia comprado num antiquário meses atrás. Sentiu-se bem ao ouvir sua voz sonolenta.
Não disse nada. Desde que tinha partido, ela tinha ligado para ele as vezes, uma vez por semana, não mais do que isso. Não queria falar com ele, queria apenas ouvir o som de sua voz. Em cada uma das vezes se prometia não voltar a fazê-lo, mas sempre voltava atrás.

‘Alô’ ele disse de novo. Ela ouviu a respiração dele, mas nada disse.
O que poderia dizer? Que a luz se apagara? Que lobos uivavam nas ruas? O que poderia dizer? Ele iria dizer que ela estava deixando a imaginação enganá-la. Diria para não ligar mais. Era melhor ficar calada, imaginando o quarto de dormir que uma vez ela pensava que fosse dela.
‘Diabos, quem é? Maldição, não vai dizer nada?’
Finalmente ele bateu o telefone. O sinal de chamada voltou.
Ela desligou e voltou a janela. Não ouvia mais os lobos.

Acendeu a vela que deixava junto da cama. Na frágil luz enrolou-se no cobertor e deitou-se para prestar atenção no som do vento.
Estava ainda acordada quando a energia retornou as quatro da manhã e a televisão voltou a vida. Um talk show com um psicólogo discutindo sobre stress: ‘perda do sono é um dos sintomas’ ele estava dizendo. Jan adormeceu ouvindo-o continuar a falar.

Dormiu até o alarme tocar na manhã e levantou-se atrasada pelo menos uma hora e meia, grogue de sono. A vela tinha se consumido inteira e na televisão reprisavam ‘I Love Lucy’.
Os gatos miaram para ela e ela derramou comida seca no prato.
Apressadamente vestiu-se e atravessou os quatro quarteirões até o metrô.
Quando andava, sua respiração deixava nuvens de vapor no ar frio.

A temperatura no metrô era tropical, o ar úmido e pesado com odores desagradáveis.
As placas de sinalização nas paredes tinham sido pichadas com cores da selva, grandes talhos verdes brilhantes, vermelhos e azuis, igual a plumagem de aves exóticas.

Enquanto esperava o trem, notou uma mulher velha vagando pela plataforma, ela vestia um casaco masculino e sapatos pretos usados. O cabelo era cinzento e sujo como os retalhos de papel que enchiam seu chapéu de tricô. Em uma das mãos uma sacola rosa de shopping cheia de roupas comprimidas. Quando passou perto de Jan, pode ouvi-la resmungando sozinha consigo mesma. Jan fingiu interesse em um anûncio. Uma mulher fumava, desfigurada pelo grafitagem artística que alterava suas orelhas e sutilmente modificava seu sorriso - com dentes afiados.

‘Eles vêm à noite’ dizia a velha passando entre Jan e o anûncio. ’Saem da escuridão’.
Os olhos da mulher eram marrons cor de borra de café que fica grudada na xícara, e suas mãos se mexiam em um ritmo diferente da sua fala. Parou derrepente olhando o chão. Havia uma nesga de spray vermelho no cimento aos seus pés e olhou-o fixamente: ‘Sangue da besta’ ela disse e então ergueu os olhos e viu Jan sorrindo nervoso.
‘É só tinta.’ disse Jan.
A velha balançou a cabeça.
Ainda que não tivesse pedido dinheiro, Jan vasculhou o interior da bolsa em busca de trocados e largou na mão da velha uma nota amassada de dólar e alguns centavos.
Os olhos da mulher se demoraram no rosto de Jan. ‘Eles vem à noite e ninguém sabe para onde vão’ murmurou sonâmbula. Seu sorriso cresceu, quase um riso impensável. ‘Ninguém sabe’ ela gargalhou como garrafas de vidro se despedaçando na rua.
Jan se afastou da mulher velha e o trem que chegava chacoalhando, afogou a gargalhada.
Jan entrou no vagão. Quando olhou pela janela embaçada, a velha acenou para ela e Jan disfarçou olhando para o lado.

Jan tinha um emprego temporário em um escritório de advocacia, digitando documentos infindáveis em um processador de textos. Seu pequeno cubículo sem janelas ficava nos fundos do escritório. Através da porta aberta ela via homens de terno apressados à caminho de reuniões. Ela teclava deixando que as palavras passassem através dela, sem que a atingirem.
Comia seu almoço sozinha, sentada à janela da lanchonete e tentava não pensar.
Assim passava o dia.

A noite ela encontrava sua amiga Marsha depois do trabalho.
Jan e Marsha tinham passado pela mesma faculdade no norte de Nova Iorque. Jan tinha ligado para Marsha quando Dennis disse que estava partindo. Depois que Jan se mudou, Marsha insistia em se encontrarem pelo menos uma vez por semana. Marsha tinha se divorciado também e disse que sabia o que Jan estava passando. Marsha exagerava um pouco, mas Jan tolerava-a amavelmente. Ela gostava daquela mulher de cabelos escuros flamboyant.
Encontrou-a num restaurante italiano. Marsha, que estava sempre de dieta, pediu uma massa e então se angustiou com o pedido: ‘Você vai ter que comer metade.’ disse para Jan. 'Você emagreceu cinco quilo desde que deixou Dennis! Você é tão sortuda!’
Marsha via qualquer perda de peso como afortunada, não importava a causa.
‘Não tenho tido fome ultimamente.’ disse Jan.
‘Eu sempre consigo comer’ Marsha reclamou ‘especialmente quando me sinto péssima.’
Jan balançou a cabeça: ‘Só estou sem fome.’
Marsha estudou o rosto de Jan. ‘Você precisa tirá-lo da cabeça. Precisa fazer coisas por ai. Encontrar gente nova.’
‘Não penso muito nele.’ Jan disse e não era de fato uma mentira. Ficava acordada de noite sem pensar em nada.
Jan bebeu vinho tinto demais e ouviu os conselhos afetivos de Marsha.
Depois de algumas mordidas na massa ela sentiu-se nauseada, mas o vinho ajudava com a tensão que socava seu estômago. O vinho tornava a conversa fácil, encolhendo o mundo em um circulo de intimidade que incluía apenas ela, Marsha e o garçom que enchia as taças.
‘Não consigo dormir’ Jan contou para Marsha. ‘Ouço sons da rua.’
‘Que tipo de sons?’
Jan hesitou, mas então disse: ‘Na outra noite eu ouvi lobos uivando.’
‘Um vizinho provavelmente, assistindo filmes de terror na televisão. Foi só isso.’
‘Houve um blecaute. Não podia ser a televisão.
‘Então eram adolescentes debaixo da sua janela. Ou um bando de bêbados, tentando cantar. Você ouve todo tipo de coisas esquisitas em Nova Iorque à noite. Nada com que se preocupar.’
Jan agarrou seu copo. ‘Tenho medo o tempo todo. O tempo todo. No apartamento, no metrô, quando caminho para o trabalho. O tempo todo.’
Marsha se debruçou na mesa para segurar a mão de Jan. ‘É difícil se acostumar a ficar sozinha.’
Jan notou sua mão fechada em soco e fez um esforço para relaxar.
‘As coisas estão fora de controle’ disse calma. ‘Não sei mais como as coisas funcionam mais. Não sei mais quem sou. Quando Dennis estava comigo, eu não me preocupava. Agora me preocupo o tempo todo.’
‘Você fica muito sozinha' recriminou Marsha. ‘Vou te dizer… eu vou numa mostra de arte na quinta de noite. O artista é meu amigo. Ele é doido, mas será divertido. Podemos nos vestir para arrasar na festa. Por que não vem comigo?’
Jan balançou a cabeça negativamente. ‘Não tenho nada para vestir. Deixei a maioria das roupas na outra casa. Sai de lá só com uma mala e minha vida.’ Tentou rir mas soou como se algo estivesse errado.
‘Pode pegar um dos meus vestidos. Tenho um pretinho básico que vai ficar perfeito em você.’
‘Não sei.’
‘Vamos lá. Tá decidido!’
Já era tarde quando pediram a conta. Fora do restaurante nevava… grandes flocos que caiam lentamente e derretiam ao tocar o chão. Marsha fez sinal para um táxi e insistiu que Jan fosse nele mas Jan recusou. ‘Vá você… eu pego outro.’
Marsha aquiesceu ao fim e Jan acenou um adeus para ela.
Ela ainda hesitou um pouco, feliz com o ar frio no rosto. Outro táxi passou mas ela não fez sinal. Ela queria, por razões que não eram claras, pegar o metrô.

Os letreiros de neon ainda acesos e coloridos refletidos no asfalto molhado, faziam borrões coloridos. Gostava da escuridão e do frio e dos reflexos do neon vermelho que parecia pintar de sangue a rua.

A entrada do metrô era visível devido aos postes antigos de luz esverdeada sobre ela.
Uma mulher vestindo um uniforme azul e apertado do Exército da Salvação distribuía panfletos nos degraus. Sem pensar, Jan aceitou um e desceu rápido os degraus gelados metendo-se pelo corredor que fedia a urina.

Poucos esperavam na plataforma.
Um adolescente de jaqueta jeans encostado na pilastra. Uma catadora de lixo deitada ao banco de madeira, usando uma sacola cheia de roupas velhas como travesseiro. Um velho sentado na beira do banco, descansando o rosto entre as mãos.

Uma das lâmpadas fluorescentes sobre a plataforma estava quebrada, cacos de vidro brilhavam junto aos restos empurrados contra a parede mais próxima.
Outra lâmpada tinha se queimado, enchendo a plataforma de sombras.

Jan recostou-se contra uma pilastra frente aos trilhos, olhando a escuridão da qual o trem deveria emergir. O vinho fazia sua cabeça zunir sem parar. Apesar de sempre esperar ali, todos os dias, pelo trem para casa depois do trabalho, a estação lhe pareceu diferente.

Deu-se conta de estar olhando para as pichações nas paredes, tentando descobrir o significado daquelas palavras ilegíveis. De uma maneira que ela não queria entender, sentiu que as letras eram uma mensagem para ela. A pichação mudava e movia-se diante de sues olhos.
Na pouca luz, seus sentidos estavam excepcionalmente alertas. Ouviu o barulho da sacola da catadora de lixo, ouviu o adolescente acendendo um cigarro e o suspiro do velho.
Pensou estar ouvindo-o dizer algo, mas só entendia algumas palavras.
‘…à salvo nos túneis’ ele murmurava. ‘…quente e escuro…’
Jan olhou para ele, mas ele não estava falando com ninguém. Sua cabeça pousada nas mãos e os olhos fixos nos trilhos.
Ela se virou, ainda com as costas na pilastra.
‘…não vai nos encontrar aqui.’ Disse outra voz. Jan se virou e viu a mendiga no banco.
Outra voz macia juntou-se aos resmungos da mendiga. ‘Nós saímos à noite’ disse o adolescente.
Jan pressionou as costas contra a pilastra. Não queria olhar.
A estação se enchera de vozes sussurrantes, como o vento nas árvores.
Ela apenas pegava fragmentos de frases…ou imaginava estar ouvindo as palavras.
‘…lugar para se esconder.’ Disse a mendiga.
‘…saímos à noite’. Sussurrou o velho.
Jan ouviu o trem se aproximar sacolejando e encarou a escuridão, esperando pelo brilho do seu farol.
‘…boa caçada’ murmurou o adolescente.
O trem parou na estação e Jan foi em direção a um vagão vazio.
Uma luz dura iluminava os assentos de plástico moldado e pichações decoravam as paredes; havia um cheiro de guimbas de cigarro e urina também.
Através do vidro sujo da janela, Jan olhou para a plataforma.
O adolescente sorriu quando o trem começou a se mover.

Sentada em seu assento Jan via a escuridão passando pelas janelas.
Uma voz ininteligível anunciou a estação seguinte.
Sentiu o freio do trem e já entravam em outra estação. As portas se abriram e fecharam.
O trem já partia quando viu um pôster na parede da estação onde estava escrito ‘A Marca do Lobo’, mas as palavras passaram num flash rápido e se foram antes que pudesse ter certeza.

Encostou o rosto contra o vidro, mas viu apenas o breu.
Atrás do vidro não havia pensou, um mundo de verdade. Apenas a escuridão.
Ela poderia imaginar qualquer mundo que quisesse. Qualquer um. Fechou os olhos e pensou no mundo que queria criar. Na escuridão de sua mente, lobos corriam pela escuridão dos túneis, mantendo distância do trem.
Abriu os olhos e o trem vagarosamente chegava na outra estação. Luzes surgiram do lado de fora, criando um mundo de anúncios luminosos e avisos. Não viu nenhum que dissesse ‘A Marca do Lobo’, mas saiu e pegou outro, que a levaria até a estação anterior.
Contudo não encontrou lá o pôster que procurava, andando para lá e para cá na plataforma deserta.

Depois que o trem partiu, o único som ali era o de seus passos.
O túnel mergulhava na escuridão. Qualquer coisa poderia se esconder lá.
Sentiu seu coração disparar, mas não sabia se de medo ou excitação. Quando fechava os olhos, podia sentir o ar ao seu redor, quente e cheio de aromas indefinidos. Avançou entre as sombras até o final da plataforma, olhando para o túnel e respirando seu cheiro. Encontrava-se alerta, prestando atenção a qualquer som que seus ouvidos pudessem captar. Não sabia exatamente o que esperava ouvir. Da direção da entrada da estação ouviu passos e voltou rápido para a parte iluminada da plataforma.

As cores haviam sumido dos anúncios, dos bancos, das pichações. Tudo estava pintado de preto e branco e sombras cinzentas. Piscou, imaginando se tratar de um efeito de luz.
‘Ei, dona!’ disse um policial. Ele estava sob a luz, os pés separados, sua cabeça inclinada agressivamente. ‘O que está fazendo ai?’
‘Esperando’ disse sem sair das sombras.
‘Não durma na plataforma’ ele disse. ‘Nenhum deles está aqui.’
Ela o encarou. O rosto suado dele e dava para sentir o cheiro do medo nele.
‘Quem sai à noite?’ ela perguntou.
‘O que?’
‘Quem sai à noite?’
Ele não disse nada. O trem veio e ela partiu nele.
Olhou para a escuridão e imaginou um novo mundo, construído a partir das trevas da noite.

Sentia-se impaciente naquela noite. O apartamento emprestado não era sua casa Suas roupas tinham ficado ainda dentro da mala, nunca a tinha desfeito. O armário e as gavetas estavam cheias das roupas do seu amigo. Jan era uma temporária, uma convidada que vem e vai sem deixar traço de sua passagem. Ela não pertencia a aquele lugar.

No bolso do seu casaco achou o papel que a mulher do Exército da Salvação tinha lhe dado. Uma impressão ruim e barata e as letras saiam nos dedos sujando-os. O texto, cheio de exclamações, gritava exortações religiosas

“O FIM ESTÁ PRÓXIMO!’ Preste atenção! Cuidado! Fique alerta! O domínio de Satã é exuberante! Você deve escolher entre a luz e a escuridão. Não entre na escuridão sem Jesus em seu coração. Deixe que Jesus seja a luz que ilumina seu caminho. SOMOS HOMENS OU ANIMAIS? Aceite o Senhor em seu coração e renuncie ao caminho da besta.”

Sim, ela pensou, eles moram na escuridão. Os túneis são escuros e bastante privados.
Eram três da manhã quando ligou para Dennis. Estava à janela, podia ver seu reflexo nela. Seus olhos estavam enormes, de pupilas dilatadas. Lá fora nevava. O telefone tocou vinte vezes antes dele finalmente atender. Ela não disse nada, apenas ouviu-o xingar. Sua voz não a acalmou como antes. Soou abafada e distante.

Desligou e prestou atenção nos lobos uivando na rua, um coro de vozes em serenata para a lua de cera.Abriu a janela para deixar que o som entrasse pelo apartamento.
Os gatos nervosos. O uivo cantava em seu sangue, em doce agonia subindo e descendo ao vento. Ela atravessou o pequeno apartamento e os gatos a acompanharam com o olhar. O maior deles a seguiu, miou e enfiou-se entre seus pés. Ao final ela o pegou, cansada com sua persistência, fechou suas mãos ao redor de sua garganta macia e então aplicou pressão. Pareceu, naquele instante, a coisa certa a fazer. O animal sufocando lutou, mas ela não o soltou. Depois largou seu corpo ainda quente na lixeira da cozinha. O outro gato escondeu-se sob a cama, sem fazer qualquer ruído.

Naquela noite tirou o som da televisão. Deitou-se desperta e ouvindo, com os olhos abertos. Queria correr pelas ruas, apostar corrida na noite atrás de algum objetivo desconhecido. Na escuridão do quarto que não era dela, sorriu, pensando nos túneis subterrâneos onde criaturas viviam secretamente.

Na manhã seguinte achou pegadas na neve da rua, bem debaixo da sua janela. A neve já tinha se derretido na maioria, mas havia ainda um pouco. Um primeiro grupo de pegadas de animais se juntava a outra e então uma terceira. Seguiu-as por um quarteirão, então ficavam escondidas sob marcas de sapatos dos passageiros saídos do metrô e ela decidiu então descer os degraus do metrô sozinha.

Na lateral do trem que a levava para o trabalho alguém tinha pintado um lobo correndo. Cinza e negro, com chamas vermelhas nos olhos. Entrou no vagão e estarrecida pensou nele, todo o caminho até o trabalho. Se o olhasse bem, pensou, podia quase ler, não as letras, mas entender seu sentido.Alguma coisa sobre escuridão e silêncio.
Sobre liberdade e dor.

Marsha andava pelo apartamento-estúdio preparando café e falando sobre a mostra de arte.
Jan sentada no sofá olhava a neve cair lá fora. O lugar cheirava a maquiagem e perfume.
‘Você precisa se dar uma chance. Precisa explorar, experimentar. Permitir-se ser realmente selvagem.’
Jan estudou o café na caneca. O creme formava desenhos brancos, como tornados vistos do espaço. ‘Estou pensando em ir embora’ disse para Marsha.
Sua amiga estava dentro do closet, procurando o tal vestido que Jan deveria usar.
‘Ir para onde?’
Jan deu de ombros: ‘Por ai.’
‘Eu poderia tirar umas ferias’ disse Marsha. ‘Quem sabe Bermudas? Ah, aqui está!’
Puxou um vestido negro do armário. ‘Comprei numa liquidação. Estava tentando fazer dieta para caber nele, mas não consegui.’
Graças a insistência de Marsha, Jan o vestiu.
Marsha arrumou seu cabelo e aplicou delineador nos olhos de Jan e sombra.
‘Não olhe até eu terminar. Oh, você está linda!’
Jan via seu reflexo no espelho. ‘Seus olhos pintados lhe davam um ar carnívoro. Os lábios vermelhos, o batom escolhido por Marsha.
Pegaram um táxi até a galeria de arte. No reflexo do vidro Jan via seu rosto: Lábios vermelhos, olhos escuros. Ouvia os sons dos pneus contra o asfalto molhado. Sentia frio... a estola de pele que Marsha lhe emprestara era para ser exibida, não para aquecer, mas o frio era uma sensação distante, quase irreal. Gostou de sentir a pele contra seus ombros.

A galeria estava lotada e quente. Bebeu uma taça de vinho branco... e outra. Perdeu Marsha de vista na multidão e vagou pela galeria parando em frente de cada pintura. As imagens eram sombrias e violentas: um homem tatuado com a cabeça de cão, uns punks no metrô, os olhos brilhando na penumbra, uma mulher nua correndo pela rua escura, o corpo prateado de luar, sua sombra torcida e deformada. Jan tremeu ao ver este, mas o estudou por um longo tempo enquanto as pessoas passavam por ela, falando sobre a técnica do artista e seu uso de temas míticos.

Conheceu o artista quando estava pegando seu terceiro drinque. Ele era alto, cabeludo e falava num tom baixo, sobre arte e vida.
‘Existem pessoas que vivem na superfície da vida, nunca vêem além das ilusões da existência diurna. E existem aqueles que enxergam além das aparências. Estes são aqueles que enxergam a verdade contida em meu trabalho.’
Ele se aproximou enquanto falava e deixou que sua mão tocasse como se acidentalmente o ombro nu dela.
Ele parecia estar dizendo exatamente aquilo que ela tentara dizer para Marsha.
Ela estava pensando em falar com ele sobre os lobos, quando Dennis a interrompeu:
‘Jan?’ Eu não esperava vê-la aqui. Quase não te reconheci.’
Ela o observou por um instante. Seus olhos pareciam turvos e a camisa precisava ser passada. Sua voz era muito baixa e ela imaginou que o copo de vinho na sua mão não devia ser o primeiro. Ela sorriu sem entusiasmo e o apresentou ao artista como seu ex-marido.
O artista não tirou a mão de seu ombro.
‘Estive tentando falar contigo’ disse Dennis. ‘Parece que nunca está em casa.’
Ela deu de ombros. Não disse para ele que estava sempre em casa e que na última semana resolvera não mais atender ao telefone. Preferia deixá-lo tocando enquanto ficava à janela extasiada olhando a noite.
‘Dennis!’ a voz de Marsha cortou o ‘blábláblá’ da conversa. Ela surgiu tentando resgatar Jan de uma situação constrangedora. ‘Desde quando você se interessa em arte?’
Jan os ouvia conversar do mesmo modo que tinha visto a neve cair. Estava separada deles como se por uma vidraça. Marsha balançava a mão na qual pulseiras de mármores chacoalhavam e Jan ouvia o ruído de uma grande distância.
No táxi de volta para casa, Marsha comentou: ‘Oh, ele estava comendo você viva. Estava sim. Quer apostar que você vai acabar voltando com ele?’


‘Jan?’ disse a voz de Dennis. Ele tinha aparecido no seu trabalho. ‘Eu estava pensando que talvez… foi tão bom vê-la na noite passada. Quer sair para jantar comigo? Eu gostaria de falar com você.’
‘Falar?’ Sua voz saiu ríspida e estranha. Não tinha dormido e naquela manhã enquanto se vestia para trabalhar, suas roupas lhe pareceram estranhas contra sua pele.
Dennis dizia algo: ‘…sabe, você deve pensar que sou um idiota, mas senti sua falta. Não sei. Quando te vi na noite passada eu acho que percebi…’
Ele veio na sua direção e ela encarou a parede branca de seu cubículo sem janelas, sem pensar em coisa alguma.
‘Que tal esta noite? Eu poderia encontrá-la depois do trabalho.’
‘Tudo bem. Hoje a noite.’

‘Eu mudei desde que você me deixou’ ela disse para ele no jantar. Mas ele não pareceu entender.
Ele parecia mais desajeitado do que ela se lembrava, deselegante.
Uma coisa acaba levando a outra: jantar a bebida, a bebida até seu apartamento emprestado.
Ele subiu para a saidera. Ela esperava que ele não olhasse no lixo da cozinha onde o corpo do gato ainda estava, enroscado como se dormisse.
A cama rangia sob o peso deles enquanto faziam amor. Ela percebeu, assim que a beijou, que não gostava do seu cheiro. Seu cabelo e pele cheiravam a sabonete e loção, um cheiro de limpeza que achou repulsivo. Sua pele era muito macia, muito limpa.
Dennis dormia quando a lua surgiu, mas Jan estava acordada. Sabia que a lua aparecera, mesmo antes dos uivos começarem. Seu marido dormia ao lado, sua respiração firme e tranqüila.
O ar no apartamento era asfixiante, quente e fedendo a gatos. Os uivos distantes a tocaram.
Escorregou da cama silenciosamente e abriu a cortina para deixar a luz entrar.
‘Estou partindo’ disse calmamente, mas a respiração de Dennis não se alterou.

Abriu a janela e pisou do lado de fora, na escada de incêndio. Estava nua. Seu pé descalço afundou na neve da plataforma de metal. O metal era frio em contato com seu pé, e o ar gelado na sua pele, mas quase não sentia dor, como se tivesse acontecido há muito tempo atrás.
Dentro dela, sentia a mudança…uma mudança de fidelidade, da luz pela escuridão.
Disso ela estava certa, que era o que estava esperando por tanto tempo.

Os lobos vieram das sombras e o luar tornou prata sua pele. Eles se sentaram em um círculo, observando-a com expectativa.
Ela sabia que eles esperavam que ela se juntasse a eles.
No ultimo piso da escada ela hesitou, de súbito notou a aliança de ouro. Ela tirou e a deixou sobre o corrimão de metal.
Quieta, sem pressa, desceu até a rua.
A neve que caia preenchia as pegadas deixadas pelo seu pé descalço.



Points of Departure (1990) - Pat Murphy
Points of Departure faz parte da coletânea de mesmo nome, vencedora do Prêmio Philip K.Dick de 1991.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Nebula Awards Showcase 2000



This volume celebrates some of the best science fiction published during a particularly engaging period,the years just a bit before the century turns over and delivers unto us a millennium.

A suitable moment to cast a backward glance.

Several pieces in this anthology reflect on science fiction's place in literature overall.( See,in particular the piece by Jonathan Lethem and the responses to it.) Others revel in the genre's history. Both views are particularly germane to a field that has come to dominate the visual media, while remaining largely neglected by the conventional literary world.

Nebula volumes are not collections of the best of the year; for those, see the annual productions of Hartwell and Dozois.
Instead,Nebula nominees and winners are the favorites of a club, the Science Fiction Writers of America, which is as riddled with highly opinionated folk as any small town.

Winners can represenat compromise, the resultant of divergent forces. actions and even bloc voting can carry the day,and have.Since a large number of fantasy writers migrated into the SFWA, making it the SFFWA,we see more fantasy among those honored by nomination. So any Nebula volume is more like a momentary reading of the pulse than a pinnacle of effort.

That given, I have tried to frame the fiction here with commentarv bv others on how the genre looks in the waning moments of a millennium. only in this inhoduction shall I hold forth from my own, rafier unusual, perspective.

Introduction:
The Science Fictional Century - Gregory Benford
Reading the Bones - Sheila Finch
Lost Girls -Jane Yolen
Thirteen ways to Water - Bruce Holland Rogers
From Forever Peace - Joe Haldeman
Genre and Genesis:
A Discussion of Science Fiction's Literary Role:
WHY CAN'T WE ALL JUST LIVE TOGETHER? - Jonathan Lethem
RESPECTABILITY - Gordon Van Gelder
GATEKEEPEARS AND LITERARY BIGOTS - George Zebrowski
GOOD NEWS ABOUT SF IN BAD PUBLISHING TIMES - David Hartwell
THE TRUTH ABOUT SCI-FI MOVIES REVELATED AT LAST - Bill Warren
Winter Fire - Geoffrey A. Landis
Lethe - Walter Jon Williams
The Mercy Gate - Mark J. McGaruy
The 1998 Author Emeritus: Wiiliam Tenn - George Zebrowski
My life and Hard Times in SF - William Tenn
The Grand Master Award: Hal Clement - Poul Anderson
Uncommon Sense - Hal Clement
Rhysling Award Winners - John Grey and Laurel Winter
Appendices
About the Nebula Awards
Selected Titles from the preliminary Nebula Ballot
Past Nebula Award Winners
About the Science Fiction and Fantasy Writers of America


Nebula Awards Showcase 2000 - The Year's Best SF and Fantasy chosen by the SFWA - Gregory Benford [ Download ]

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Isaac Asimov Presents The Golden Years of Science Fiction vol.6



In the real world it was a simply terrific year.

In the real world the eighth World Science Fiction Convention (the Norwescon) was held in far away Portland, Oregon.

Also in the real world Galaxy Science Fiction was born and under the editorship of H. L. Gold quickly established itself as one of the premier magazines in the field.

If this was not enough, The Magazine of Fantasy, launched the year before,changed its name to The Magazine of Fantasy and Science Fiction, and also rapidly achieved excellence, transforming Astounding Science Fiction from the “Big One,” to one of the “Big Three.”

The tide continued to rise with the appearance of Damon Knight’s excellent Worlds Beyond, Raymond Palmer’s/Beatrice Mahaffey’s Imagination, Malcolm Reiss’ Two Complete Science Adventure Books, and a refurbished Future Combined With Science Fiction Stories.

In England, Walter H. Gillings started Science-Fantasy, an uneven magazine but one that would enjoy a long life.

These events overshadowed the folding of A. Merritt’s Fantasy Magazine in October.

In the real world, more important people made their maiden voyages into reality: in January—Cordwainer Smith with “Scanners Live in Vain”, in February—Paul Fairman with “No Teeth for the Tiger”; in March—Gordon R. Dickson (co-authored with Poul Anderson) with “Trespass!”; in April—Mack Reynolds with “Isolationist”; in the summer—Richard Matheson with “Born of Man and Woman”; in November—Chad Oliver with “The Land of Lost Content”; and in December—J. T. McIntosh with “The Curfew Tolls.”

More wondrous things happened in the real world as outstanding novels, stories and collections were published in magazines and in book form: James Blish began his “Oakie” series of novelettes, while L. Sprague de Camp and Fletcher Pratt published their first “Gavagan’s Bar” story.

The Dreaming Jewels by Theodore Sturgeon appeared in Fantastic Adventures, Judith Merril’s first anthology, Shot in the Dark, appeared in paperback, and sf fans had the pleasure of reading Pebble in the Sky by Isaac Asimov and The Martian Chronicles by Ray Bradbury as part of Doubleday’s new science fiction line. A. E. van Vogt brought together earlier stories in an attractive package and produced The Voyage of the Space Beagle.

On a more serious note, veteran science fiction writer L. Ron Hubbard published an article entitled “Dianetics, the Involution of a Science” in Astounding, which eventually led to controversy, to the distraction and temporary loss to sf of several important writers, and, incidentally to the establishment of something that considered itself a new religion.

The non-print media began to embrace science fiction with the release of Destination Moon, (based very loosely on Robert A. Heihlein’s juvenile novel Rocketship Galileo), The Flying Saucer, The Perfect Woman, the unforgettable Prehistoric Women, and the moody Rocketship XM. Tom Corbett: Space Cadet debuted on television. Let us travel back to that honored year of 1950 and enjoy the best stories that the real world bequeathed to us.


THE RED QUEEN’S RACE - Isaac Asimov
FLAW - John D.MacDonald
PRIVATE EYE - Lewis Padgett
MANNA - Peter Phillips
THE PRISONER IN THE SKULL - Lewis Padgett
ALIEN EARTH - Edmond Hamilton
HISTORY LESSON - Arthur C.Clarke
ETERNITY LOST - Clifford D. Simak
THE ONLY THING WE LEARN - C. M.Kornbluth
PRIVATE—KEEP OUT - Philip MacDonald
THE HURKLE IS A HAPPY BEAST - Theodore Sturgeon
KALEIDOSCOPE - Ray Bradbury
DEFENSE MECHANISM - Katherine MacLean
COLD WAR - Harry Kuttner
THE WITCHES OF KARRES - James H. Schmitz
NOT WITH A BANG - Damon Knight
SPECTATOR SPORT - John D. MacDonald
THERE WILL COME SOFT RAINS - Ray Bradbury
DEAR DEVIL Eric - Frank Russell
SCANNERS LIVE IN VAIN - Cordwainer Smith
BORN OF MAN AND WOMAN - Richard Matheson
THE LITTLE BLACK BAG - C. M.Kornbluth
ENCHANTED VILLAGE - A. E. van Vogt
ODDY AND ID - Alfred Bester
THE SACK - William Morrison
THE SILLY SEASON - C. M.Kornbluth
MISBEGOTTEN MISSIONARY - Isaac Asimov
TO SERVE MAN - Damon Knight
COMING ATTRACTION - Fritz Leiber
A SUBWAY NAMED MOBIUS - A. J.Deutsch
PROCESS - A. E.van Vogt
THE MINDWORM - C. M.Kornbluth
THE NEW REALITY - Charles L.Harness

Isaac Asimov Presents The Golden Years od Science Fiction - 6th series
- Isaac Asimov and Martin H. Greenberg [ Download ]

quarta-feira, 27 de maio de 2009

The Best Alternate History - Stories of the 20th Century


What if...

Most science-fiction ideas don’t come naturally. Most take a degree of intellectual sophistication that came only with the Industrial Revolution.

It’s hard to write about the effects of technology before there’s much in the way of technology to write about. But alternate history isn’t like that. It’s as natural as those two mournful little
words up there. What if...

What if I’d married Lucy instead of Martha, George instead of Fred? What would my life be like? Would I be richer? Happier? What would our kids have been like, if we’d had kids? What if there hadn’t been that traffic accident that clogged three lanes of the freeway, so I wasn’t late to the interview? How would things have looked if I’d got that job? Or—let’s not think small—what if I won the lottery? How would I live if I had sixty million dollars in the bank?

In our own lives, we endlessly imagine these scenarios. We can’t help it. There’s always the feeling that we’re inside God’s pinball machine, bouncing through life and off bumpers at random, and that we could have ended up elsewhere as easily as where we did.

It’s certainly true for me. If I hadn’t read a particular book— Lest Darkness Fall, by L. Sprague de Camp—when I was about fourteen years old, I wouldn’t have ended up with the degree I have (a doctorate in, God help me, Byzantine history), wouldn’t have written much of what I’ve written (I surely wouldn’t be working on this introduction now), wouldn’t have met the lady I’m married to, wouldn’t have the kids I have. Other than that, it didn’t change my life a bit. If someone else had taken that novel out of the secondhand bookstore where I found it...


Introduction by Harry Turtledove
The Lucky Strike by Kim Stanley Robinson
The Winterberry by Nicholas A. Dichario
Islands in the Sea by Harry Turtledove
Suppose They Gave a Peace by Susan Shwartz
All the Myriad Ways by Larry Niven
Through Road No Whither by Greg Bear
Manassas, Again by Gregory Benford
Dance Band on the Titanic by Jack L. Chalker
Bring the Jubilee by Ward Moore
Eutopia by Poul Anderson
The Undiscovered by William Sanders
Mozart in Mirrorshades by Bruce Sterling And Lewis Shiner
The Death of Captain Future by Allen Steele
Moon of Ice by Brad Linaweaver
Permission Acknowledgments
About the Editors

The Best Alternate History - Stories of the 20th Century - Harry Turtledove e Martin H.Greenberg [ Download ]