sábado, 4 de julho de 2009

Nós de Arcturus - Christopher Anvil


Boglis Kamm parou no limite da floresta e olhou para as fábricas, os carros e o avião brilhante descendo em direção ao vale que se abria na sua frente.
Inconscientemente umedeceu os lábios.

'São tantos pontos de entrada e flancos desprotegidos, ele disse, que você não sabe por onde começar a atacá-los.'

Slint, companheiro de Kamm no Teste de Infiltração #6, enfiou os ganchos do pano de camuflagem no gramado, preendendo-o ao redor da pequena espaçonave pessoal arcturiana.

'Parece fácil, disse Slint. Mas o que aconteceu com os Testes de Infiltração 1, 2, 3, 4 e 5 ? Eles desceram por aqui também, você sabe. Nos últimos 90 dias. E não ouvimos nenhum sinal de nenhum deles.'

Kamm olhou-o com cara feia e procurou através dos vários canais de comunicação telepática.
'Nada além de estática' ele disse. 'E já vimos seus transportes e habitações. É tudo físico.'

Slint pegou uma pá bruta, feita por sua própria raça: com a extremidade irregular, sem a curvatura para alavanca onde a lâmina se unia ao cabo. A pá era feita de placas superpostas e o punho com fita enrolada era seu ponto mais fraco. Slint examinou-a com desgosto antes de guardá-la sob a roupa camuflada.

'Podemos esperar que este planeta tenha algumas ferramentas mecanizadas. Toda vez que atingimos uma pedra grande demais para teletransportar, acabamos tendo que trabalhar com pés-de-cabra e estas pás miseráveis.'

Kamm concordou. 'A coisa acaba nos ocupando demais. Já é ruim o bastante ter que converter a forma arcturiana . Mas ter que contar com esta malditas ferramentas a cada vez que queremos nos mover é demais.'

Um barulho baixo interrompeu a conversa. Kamm olhou apreensivo para as enormes nuvens escuras acima dele.
Slint disse: 'Como estou? Pareço um nativo?'

Kamm estudou a aparência de um humano comum de Slint, os braços, a cabeça sobre o pescoço, o movimento de braços e pernas enquanto caminhava, seu casaco cinza, a camisa branca e a gravata azul. Checou para ver se Slint tinha quatro dedos e um polegar em cada mão.
'Parece satisfatório.'

'Ok. Vou checar você.'

Kamm caminhou pela clareira e voltou até o lugar onde estivera antes, olhando da colina para lá embaixo. Slint fez um sinal de satisfação.
'Está bom. Parece com o que vimos na 'televisão colorida' e o que estivemos recebendo via telepática.'

'Bom. Mais alguns detalhes e podemos ir.'

Kamm alcançou o bolso lateral, conferiu o protoplasma-coagulador aldebariano, checou-o cuidadosamente e guardou-o de volta em seu bolso.
Slint olhava para o céu e hesitava.
'Deveríamos ir lá enquanto há tempo? Ou desistir...'

'Hmmm.' Kamm olhava a formidável nuvem negra atravessando o céu na direção deles.
'Mas e se ao voltarmos eles nos perguntarem o que se passou?'

Slint suspirou. 'Irei pegar o gravador e depois poderemos sair daqui...'

Ouviram um trovão poderoso.
Kamm disse: 'Okay, ninguém vai mesmo ouvir isso e não entenderiam de qualquer maneira. Talvez o trovão abafe a coisa para nós.'

'Não temos tanta sorte' rosnou Slint. Desapareceu assim que se teleportou para o transporte pessoal e então reapareceu um momento depois, segurando um pequeno gravador centuriano, que pendurou num galho mais baixo de um pinheiro, uns vinte metros da extremidade da clareira. Apertou o botão.

'Cidadãos' trovejou a voz da caixa gravadora falando na sua língua nativa.
A camuflagem siriana sobre a espaçonave arcturiana tinha se adaptado para simular o solo ao redor.

'Soldados' gritou o gravador.

Ouviu-se um murmúrio de trovão. Slint disse 'Espero que termine logo.'

'Nunca é rápido' disse Kamm.

'Conquistadores' gritou a caixa. 'Sempre em frente para a Glória e para o Triunfo. Para arrancar outra jóia preciosa da orbe violeta do espaço e colocá-la no diadema da Única Verdadeira Raça! A Vitória e a Glória são suas! O triunfo! É de vocês o esplendor! Da maior raça de conquistadores que já atravessou as estrelas!'

'Se, murmurou Slint. o seu gravitor não fundir.'

'Ou o controle de temperatura' completou Kamm.

Um providencial e estrondoso trovão abafou a parte seguinte. Quando conseguiram ouvir de novo, o gravador havia terminado as generalidades da abertura e entrado nos detalhes.

'Isso, entoou, é o que nos distingue de outras formas de vida conhecidas. Nossa capacidade de nos adaptar. Qualquer um pode conseguir a Glória meramente através do uso da força. Centenas de raças se orgulham disso, apesar de seus intelectos medíocres. Conquistamos ostentando o poder da comunicação e da clarividência telepática, e da habilidade telecinética de exercer nossa força à distância. Somente nós, de todas as raças conhecidas, pode tomar a forma e reproduzir a estrutura e todo o resto e através de uma conquista silenciosa e eficiente, destruí-los mesmo telepaticamente, através de nossa capacidade de assumir a identidade deles temporariamente.'

'Contudo, uma condição protoplasmática magnífica deve ser rigidamente mantida, condições saudáveis de limpeza, ou nosso incomparável controle protoplasmático estará prejudicado. Esta é a única condição, é só. Nada mais. Porém é essencial.'

'Assim, para cumprir sua missão, devem manter-se protegidos da contaminação, para a Glória da Conquista! Para o triunfo da Raça. Para o...'

Um flash cegante e o trovão fez a terra tremer. A chuva caiu banhando-os.

Slint correu para o gravador que agora despejava música marcial no aguaceiro.
Kamm e Slint teleportaram-se para o pequena nave espacial, onde estavam tão desconfortáveis quando sardinhas em lata.
Acima deles, o som da chuva tamborilando na camuflagem e escorrendo ao longo dela e penetrando os espaços e molhando o lugar onde estavam sentados.
O gravador, após um instante de silêncio terminou num crescendo final que os deixou surdos.
S
lint disse com raiva: 'Agora o que fazemos? Voltamos a forma arcturiana para caber nestas caixas de sapato?'

Kamm contorceu-se para livrar-se de um dos controles afiados que magoava sua costela.
'Bem, não podemos enxergar através do aguaceiro. E não podemos arriscar ir parar dentro de uma caldeira ou ficar presos dentro de uma parede. Então teletransportar está fora!'

'O Controle de Pessoal e suas idéias estúpidas sobre não poder ir a um Tese de Infiltração se tem a clarividência desenvolvida!'

Kamm experimentou enxergar mentalmente, mas apenas conseguiu a estática de sempre, vaga e mal definida imagem'
'Bem, certamente não confiam em mim o bastante para isso.'

'Eu suponho, murmurou Slint, que eles tem medo que apenas fiquemos olhando à distância, ao invés realmente de fazer um teste de infiltração, e que alguma raça PSI poderosa possa nos enganar.'

'Criaturas inferiores são algumas vezes superiores em certas habilidades menores.' disse Kamm tentando se confortar com sua parca clarividência. 'Mas, ele completou, mudando de assunto, estamos ainda presos aqui.'

'Vou te dizer, começou Slint, você se lembra daquela raça de seis pernas, que vivia mergulhada na lama em Grinnel II? Eles não teriam nenhum problema num tempo destes!'

'Boa idéia, disse Kamm. E podemos providenciar duas maletas a prova d'água para carregar as roupas. Eu vi num filme na televisão que se pode ir para um HOTEL, com uma MALETA.''

* * *

Duas horas depois, um par de monstros saia debaixo da camuflagem, caminhando com cinco pernas enquanto uma sexta perna segurava uma maleta. Afastaram-se da floresta, caminhando devagar, descendo o morro. No caminho encontraram uma auto-estrada e aquilo se converteu em um problema.

'Olhe para aquilo, disse Kamm, tem ainda um monte de carros na estrada, apesar da chuva. E os Céus nos ajudem se eles nos virem. '

Kamm pensou em vários detalhes das informações que tiraram dos programas noturnos da televisão. O planeta era sujeito freqüentemente ao surgimento de gorilas gigantes, formigas e aranhas enormes, monstros do mar e invasores de outros planetas do seu sistema solar local, e sem dúvida, eles não teriam dificuldade de esmagar um par de mergulhadores-da-lama de várias patas.

'De outro modo, disse exasperado, apesar de poder ver o outro lado da estrada, não podemos nos teletransportar para lá.'

'Queimaria nosso sistema nervoso' concordou Slint.

'Hum' murmurou Kamm olhando ao redor. 'Bem, não podemos correr o risco de sermos vistos. Talvez possamos pegar um desvio ao redor da estrada. a floresta segue ao longo da colina e poderia nos dar cobertura.'

'Vale a pena tentar!'

* * *
Quinze ou vinte minutos depois tinham outro problema.
Apesar daquele corpo não ser afetado pela chuva forte, os pés das criaturas não estavam acostumados ao solo duro e os músculos e ossos eram feitos para uma gravidade menor.

'Não estou agüentando' disse Kamm passando a maleta de uma pata para outra. `Preciso mudar os músculos desta criatura.'

'Isso significa juntas dos ossos maiores e um sistema sanguíneo melhor.'

'Que significa um coração maior...'

'E pulmões melhores...'

'E já nos transformamos em outras criaturas em outras vezes, apenas para poder falar algumas simples palavras.'

Slint falou: 'Vamos nos sentar um pouco.'

'Como? Onde você vai colocar estas patas todas e estas garras para teias?'

'Eu esqueci. Estas coisas nunca se sentam. Elas saem das profundezas e flutuam sobre a água.'
Kamm esforçou-se com o vocabulário de mergulhador-de-lama para fazer alguns comentários.
O resultado foi que meia hora depois eles saíram debaixo de uma grande árvore folhuda e caminharam eretos, parecendo homens carregando suas maletas de trabalho.

'É provável, resmungou Kamm, que as outras cinco equipes tenham se afogado.'

'Pode ser, disse Slint. É realmente uma vergonha que com nossas habilidades superiores não possamos sequer ficar secos.'

'É verdade'.

Kamm tentava teletransportar gotas de chuva assim antes que caíssem, mas eram tão finas e rápidas que escapavam.
Ao aguaceiro seguiu-se algo parecido com uma cachoeira.
Eles correram morro abaixo em direção a estrada. A chuva momentaneamente diminuiu.
'Por que, perguntou Slint, não fazemos alguns daqueles guarda-chuvas no Fabricador. Você sabe. Como aqueles que vimos na televisão. Que usam no nevoeiro em Londres para se esconder debaixo.'

'Não podemos, pois estivemos ocupados demais seguindo sua idéia de fazer o trajeto como mergulhadores-da-lama.'

Seguiram em silêncio a partir dai até a estrada.

* * *

Na estrada os primeiros cinco carros se desviaram, o sexto passou por uma poça e atirou água neles, os três seguintes em uma sucessão rápida passaram acelerando como se com medo que eles os atacassem, e então um carro freou, parou e deu ré. A porta abriu, deixando ver um interior surrado, o piso de borracha gasto e manchas nos assentos.

'Entrem rapazes, disse o motorista jovialmente. Vocês estão molhados mas não se incomodem, não vai fazer mal a este calhambeque.'

'Obrigado', disse Kamm ao entrar.

'Muito obrigado', disse Slint.

O motorista alcançou a porta e a fechou: 'Já andei bastante por aí, muita chuva e muito sol, sei como é. Querem um cigarro?'

Ele pegou alguns tubinhos esbranquiçados de uma caixa de papel e os ofereceu.
Tendo visto na televisão, eles sabiam o que esperar, e cada um colocou os pequenos cilindros em suas bocas.

Kamm murmurou telepaticamente "acho que nossa sorte mudou para melhor. Este nativo é amigável. Vamos conseguir alguma informação."

"Sim, mas precisamos acender estes como-você-os-chama. Como fazemos isso?"
"Veja que o motorista empurrou um pequeno plugue no painel do carro e quando ele saltou, basta pegá-lo e encostar ao cigarro e a fumaça vai sair. Vi isso num filme."

'Sim senhor, disse o motorista amável, não há nada como um carro... desde que funcione. O de vocês deve ter quebrado, eu suponho.'

'Sim, sim, foi isso.'

Eles sentaram lá pingando no assento em amigável silêncio.
Slint transmitiu um pensamento para Kamm. "Não consigo entender por que as outras cinco equipes falharam. Veja como este espécime é amigável e não suspeita de nós. Parecem certamente com vítimas" pensou Kamm.

O amável motorista pigarreou.
'Vocês não disseram o que aconteceu com o carro de vocês.'

Slint falou, tentando imitar um fazendeiro que vira na televisão.
'A vara pulou para fora do lado do bloco.'

O motorista grunhiu: 'Isso é ruim.'

Slint pensou "O que quer que isso seja."

"Eu imagino, pensou Kamm, que eles certamente não suspeitam. Vamos tentar saber mais."

Slint então falou 'Isso é sério mesmo?'

'E não é?' disse o motorista após quase tirar o carro da estrada.

'Só queria saber' murmurou Slint querendo parecer despreocupado.
O motorista controlou o carro e o pequeno plugue saltou e Slint o pegou e levou sua ponta até seu cigarro. Esperou pacientemente por fumaça.
Kamm, balançado pela aura poderosa de suspeita que derrepente emanou do motorista, começou a falar alto: 'Não, não, a outra ponta!'
Slint pegou o cigarro da boca, o virou e disse: 'Qual a diferença?'

O motorista alcançou algo sob o banco e trouxe um cano, que guardou sob o seu casaco, esperando que não o tivessem visto.

"Não, não" Kamm dizia telepaticamente. "O plugue, o outro lado do plugue, vire-o."
"Com cuidado!"

Slint juntou o acendedor ao cigarro e a fumaça surgiu e por algum motivo ele passou imediatamente a tossir. Os pensamentos do motorista vinham freneticamente, obviamente impelido por alguma forte emoção.

Uma dupla de loucos que escapou do Hospital Estadual. Tenho que tirá-los do carro na primeira oportunidade.

Kamm compreendeu as palavras ,mas não a idéia por trás. Tentando acalmar ao motorista, devolveu o acendedor ao seu lugar, como se habituado a isso e fez um comentário com uma voz amável: 'Se você puder nos deixar em...' Uma busca desesperada nos shows da televisão falhou em retornar com a palavra exata que estava procurando, então tomou emprestado algumas palavras que ele estava certo de que significavam o mesmo.

'...Especialista automotivo'.

'Claro', disse o motorista com a mão esquerda sob o casaco.

O acendedor pulou para fora e Kamm querendo agir como um homem da terra comum, puxou o plugue para fora, encostou ao cigarro, tragou, soprou, tragou, soprou, tragou, soprou...

Pontos brilhantes surgiram em sua vista. Seu estômago estava revirado, a garganta congestionada e lágrimas lhe corriam pelas bochechas. Parecia que gases vulcânicos circulavam pelo seu interior. A fumaça enchia seus pulmões, e tinha a sensação de uma marreta acertando-o entre seus olhos.

O carro saiu de lado. O motorista se esticou para abrir a porta e sua voz, com um tom falso, disse:
'Aqui estamos rapazes. Oficina mecânica. Eles vão cuidar do carro de vocês.'

Kamm e Slint saltaram do carro. A porta bateu, então o motor acelerou e o carro partiu para logo desaparecer na distância. Kamm olhou para o banco molhado, a lata de lixo e a placa 'Parada de estacionamento'. Outro trovão e uma mão de ar frio e a chuva novamente.
Slint murmurou: 'Não tem mecânica nenhuma.'

'Tem que ter uma ao longo da estrada.'

'Eu só queria deitar e...'

'Ande', disse Kamm. 'Se nós nos deitarmos nesta chuva, estes corpos humanos podem ficar resfriados e ter uma congestão, lembrou-se da televisão. Quem sabe até sinusite'.

'Certo, eu andarei.'

Eles voltaram para a estrada e os carros passavam por eles monotonamente.
Trinta e cinco minutos depois chegaram a uma parada. A porta do mercado estava aberta e eles entraram. Um atendente apareceu de algum lugar, um cigarro pendente no lábio inferior e olhou para eles. Sumiu dentro de um tipo de escritório. Ouviram um som de liquido sendo despejado e ele retornou com dois copos de papel.

'Remédio para resfriado. O melhor que tem. Vocês parecem mesmo estar precisando. O carro quebrou?'

'Obrigado', disse Kamm pegando o copo com o liquido marrom.

Slint murmurou um obrigado e completou: 'É, nosso carro quebrou. Não sabemos o que está errado com ele.'

Eles beberam o remédio para resfriado, cientes dos anúncios da televisão sobre que um corpo humano com resfriado não era nada agradável. O remédio desceu pelas gargantas e momentaneamente ricocheteou nos seus estômagos.
E então ouviram uma campainha.

'Cliente' disse o atendente. 'Volto já' e correu para fora.

O remédio parecia ter se transformado em vapor quente que os envolvia. A parte de cima da cabeça de Kamm parecia ter se erguido para deixar sair a fumaça pelos ouvidos.
'Sensação estranha' disse a voz de Slint vinda de algum lugar.

* * *

A garagem girava ao redor deles e do atendente quando entrou.
'Vocês tem sorte. Meu sócio saiu para comer mas já vai voltar. Sabe o que mais? Vão até o banheiro, tirem a roupa e deixem elas secando. Leva só alguns minutos. Então nós saímos naquele caminhão e vocês mostram onde está o carro de vocês e a gente guincha ele até aqui. Eu deixo vocês no motel Roadside Inn e podem se secar por lá. Se quiserem podem alugar um chalé e descansar enquanto a gente conserta o carro de vocês. Okay? Vocês estão legal, não estão?

Kamm sentia-se bem legal, mas Slint entendeu o significado melhor.
'É só o carro que não funciona.'

Kamm e Slint tiraram suas roupas, as secaram com um conveniente rolo de toalha de papel e as vestiram novamente, sentindo-se mais frios e molhados que antes. Foram para o caminhão onde 'Sam' os convidou para entrar: 'Subam aqui rapazes. Não é muito confortável mas é um transporte.'

As portas fecharam, o motor ligou e Sam subiu sua janela e ligou o aquecedor no máximo.

'Já ia esquecendo. Não quero que os rapazes peguem um resfriado.'

Fumava um cigarro escuro, quase no fim. Nuvens de fumaça cinzenta circulavam pelo interior da cabine. A caixa de marchas rangeu de novo e o caminhão aumentou a velocidade e Sam gritou acima do barulho do motor: 'Pro sul, não é? Para lá?'

Kamm fez que sim.
'O-K' disse Sam animado. 'Aqui vamos nós.'
As marchas subiram de novo, o motor aumentou o giro e o aquecedor largou seu bafo de ar velho e quente, Sam cuspia fumaça e gritou: 'Está muito longe?'

'Oh, disse Kamm, uns...'

'Um quilômetro? Um quilômetro e meio?'

Slint falou, sua voz saiu alta e desafinada: 'Pra lá... no....'

Kamm tossiu assim que Slint sinalizou telepaticamente por ajuda.
'Parada de estacionamento' disse Kamm.

'À esquerda da estrada?'

Kamm não sabia o que 'esquerda' queria dizer, mas entendeu a imagem mental.

'É.'

O caminhão balançava e saltava a cada buraco da estrada.
Sam acendeu um novo cigarro negro e fino enquanto amassava o antigo no cinzeiro bem a frente de Kamm. Slint junto à porta, colocou o nariz numa brecha entre a porta e a cabine.
Um grande caminhão a frente deles soltava uma grossa fumaça preta no ar.

'Diesel' murmurou Sam quase ao final do seu cigarro. 'Fedem pra caramba não?'

Um novo odor se juntava ao cigarro novo, as roupas molhadas, ao cigarro apagado, ao vapor do remédio de resfriado, a graxa quente e ao cheiro de gasolina que entrava por alguma parte. E o aquecedor pegava isso tudo e o fazia recircular mais quente ainda.

Simultaneamente os dois se teletransportaram para a clareira.
Encostados ao tronco de uma arvore, tossiram buscando ar.

* * *

'Espaço aberto' gemeu Kamm.
'Estamos derrotados' disse Slint, engolindo grandes bocados de ar. 'Se o planeta é todo assim, nós já perdemos. Temos que voltar e admitir que não há esperança.'

'Não pode ser tão ruim assim' disse Kamm. 'Talvez tenha sido apenas má sorte. Veja, parou de chover. podemos nos teletransportar direto para a cidade.'

Slint olhou para o alto. Tinha este vento frio e as nuvens escuras passando mas era só.
Uma nesga de esperança se apresentou.
'Está parando de chover não? É claro, com roupas ensopadas assim...'

'É fácil. Basta passá-las pelo Fabricador e retiramos a água.'

Com isso na cabeça, se teletransportaram para a espaçonave e trataram de se preparar.

'Uh' grunhiu Slint, 'Não vamos dar conta do serviço daqui. Nas lá fora tem aquele vento gelado...'
Kamm estava tentando dar um jeito em seu pé, preso pela barra de controle gravitacional número quatro.

'Ahgr. Precisamos reconverter à forma arcturiana. Se acertamos o controle errado por descuido, estaremos em apuros. Não dá para controlar a maldita nave, a menos que você assuma a forma de geléia, de um ovo numa frigideira, e possa alcançar todos os dispositivos em diversos níveis na cabine e trabalhando todos eles simultaneamente. Basta deixar um fora de posição e nós estaremos presos para sempre aqui.'

'Certo, não há nada mais a ser feito, precisamos nos reconverter' murmurou Slint.
Kamm relaxou e fez uma tentativa. Slint murmurou algo baixo.
Kamm grunhiu com o esforço. Slint soltou um xingamento.
O suor escorreu na face de Kamm.
Nada aconteceu.

Slint disse: 'Eu não consigo!'
Assustado, Kamm tentou novamente. Novamente nada aconteceu.
Slint estourou furioso: 'Agora eu vou conseguir!'

'Cuidado!' gritou Kamm. 'Não se mova! Ou você vai nos destruir!'

'Vamos sair daqui.'

'Certo. Mas nenhum movimento súbito.'

Eles se teletransportaram para o exterior.
'Esta dificuldade', disse Slint, 'é por que estamos protoplasmaticamante envenenados. Foi isso que aquele gravador imbecil queria nos alertar antes de começarmos.'

'Você está certo', disse Kamm, 'mas o que poderá ter sido? O cigarro, o remédio, a fumaça ou aquele caminhão?'

'Não sei o que foi, só sei que aconteceu.'

'Argh! Estamos presos então. Ninguém a não ser um arcturiano pode conduzir aquela nave. E se não pudermos nos converter mais...'

'Precisamos nos purificar' disse Slint, 'Vamos voltar para a nave, comer a comida do Fabricador, respirar o ar sem fumaça...'
Kamm visou a cidade distante, percebendo a fumaça que saia das altas chaminés.

'Como vamos lidar com aquilo? Olhe lá! E como operar o Fabricador se não pudermos nos converter? A mesma coisa dos controles de comunicação.'

Slint gemeu. 'Como vamos deixar que saibam onde estamos?'

'Acho melhor não. Eles irão assumir que estamos com os nativos.'

'Bem, não podemos simplesmente ficar e morrer de fome. Temos que fazer algo.'

'Vamos para a cidade. Talvez não seja tão ruim quanto parece.'

* * *

Teletransportaram-se para a cidade em dois saltos rápidos, surgindo perto de uma esquina bastante movimentada. A luz do semáforo mudou e carros passaram velozes em ambos os lados da rua. O ar encheu-se de fumaça azul. O cheiro da queima de gasolina os cercou.
'Nada bom' reclamou Kamm.

Eles se teletransportaram de volta a clareira.

Slint olhou enervado para a cidade.

'Aquela coisa se infiltra por toda parte. São milhares daqueles veículos. Dezenas de milhares, centenas... O que faremos? E quanto ao campo? Uma fazenda quieta e bonita? Poderíamos passar por trabalhadores, alimentar os animais, comer a pura comida natural.'
'Boa idéia!' disse Kamm. 'Vamos!'

* * *

Um trator atravessava vários acres de campos abertos, enquanto arrastava atrás um aparelho que borrifava um pó esverdeado-branco por cima da plantação. Na casa da fazenda, uma mulher esguichava uma nuvem de spray inseticida ao lado da casa.
Um jovem magro em calças jeans saiu da casa com um cigarro no canto da boca, lançou-o na grama, pisou e apoiou-se contra o capô aberto do motor do carro. Com uma mão, ele alcançou a janela do carro e empurrou algum tipo de abertura cilíndrica.
Fumaça cinzenta foi cuspida dos canos de descarga. O garoto trabalhava furiosamente, saltou dentro do carro, com fumaça se espalhando por toda parte, para depois sair de lá triunfante, com um novo cigarro aceso em sua boca.

'Uh', disse Kamm, 'pó químico nas plantas, spray na casa, fumaça de combustão, fumaça de cigarro... Talvez seja melhor uma... como chamam? Casa do campo... sabe, onde vão descansar...'

'Não é uma boa idéia também' disse Slint. 'Vi um... acho que em um documentário. Bem, de qualquer maneira, agora eles não usam mais cavalos. Usam algo chamado... eeps. Funcionam com gasolina.'

'Tem que haver um lugar neste planeta. Algo primitivo, mas onde possamos nos adaptar, onde não sejamos irreversivelmente envenenados, ou precisemos usar de armas de explosão para lutar contra os selvagens, como naquele filme onde dois homens e uma garota...'

Slint estalou os dedos.
'Já sei. Tudo que precisamos é de alguns documentos falsos e com nossos talentos, será fácil.'

'O que?' perguntou Kamm cheio de esperança.

'Vou te dizer. Na televisão, numa noite, eu vi aquilo, lembra?'

Ele transmitiu telepaticamente o pensamento e o cérebro de Kamm maravilhou-se com a idéia.
'Vamos então. Não podemos perder tempo.'

* * *
O recrutador estava irradiando como se apertasse suas mãos. Não era todo mundo que se oferecia avidamente para ir aos territórios possivelmente mais primitivos do planeta.
A insígnia especial no quepe dizia que fazia parte de um grupo de jovens idealistas e decididos, altamente indicados ao se inscrever pelo escritório dele, como aquelas outras cinco duplas de rapazes, isso apenas nos últimos noventa dias.

'Homens' ele disse, 'podem achar que é coisa pesada e difícil, que o pagamento é pequeno e as condições são miseráveis. Mas o fato mais importante é a camaradagem e o serviço prestado à humanidade. Foi, é claro, com esta intenção que vocês se voluntariaram. Servir à humanidade.'
Ele soprou a fumaça do cigarro bem nos olhos deles, cheio de algum tipo de emoção sem nome.

'Homens, estou orgulhoso de vocês.'
E pensando nos quase milagrosos relatórios que iria preencher, irradiou emoção ao jogar o cigarro ao chão e segurando Kamm e Slint pelos braços, disse:

'Bem vindos ao Corpo de Voluntários pela Paz.'

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Antologia no Euclidiana 1 e 2


ACERCA DE LOS PROBLEMAS DE UNA ANTOLOGÍA Y ALGUNAS COSAS MÁS

Realizar una antología puede ser una de las labores más sencillas del mundo..., o una de las más difíciles. Todo depende de los criterios que se sigan. De hecho, una antología literaria no suele ser más que una recopilación de relatos de distinta procedencia, reunidos según un determinado gusto o criterio. Por ello, en realidad, el único talento que debe reunir un antologista es la oportunidad de leer un determinado número de relatos susceptibles de ser incluidos en ella, escoger los que más le gusten o crea más adecuados..., y simplemente publicarlos.

Pero a la hora de llevar a la práctica este sencillo esquema básico de «cómo formar una antología», no todas las cosas resultan tan fáciles como parecería a simple vista. Por supuesto, un gran número de antologías se realizan siguiendo al pie de la letra este elemental enunciado; de hecho, y centrándonos únicamente en el campo de la ciencia ficción, me atrevo a afirmar que, salvo escasas y honrosas excepciones, este es el sistema que se ha seguido durante años, al menos en los Estados Unidos, con la ventaja de trabajar siempre sobre relatos ya publicados anteriormente. Así nacieron la mayor parte de las antologías de Sam Moskowitz, las múltiples antologías de Donald A.Wollheim y Terry Carr para la ACE, las anuales de Judith Merril, las que recogían «lo mejor de...»

Sin embargo, siempre existe un compromiso entre la labor del antologista y el lector, y la aceptación por parte de este último del material ofrecido es lo que ha hecho que, a lo largo de los años, algunos nombres hayan alcanzado una notoria celebridad como antologistas, mientras que otros se hundían rápidamente en el más absoluto olvido.

Porque, en la confección de toda antología, hay una serie de elementos condicionantes que deben ser tenidos en cuenta.

Habiéndome introducido recientemente en este para mí hasta hoy inexplorado campo de la selección de libros y relatos, me gustaría hablarles un poco de mis experiencias personales, aprovechando la ocasión para hacer hincapié en algunos aspectos que demuestran cómo la labor de un antologista (al menos de un antologista responsable) no es tan sencilla como a primera vista parece.

En primer lugar, existe el hecho incuestionable que una antología, esté firmada por quien esté firmada, es siempre subjetiva. Desde siempre me han hecho mucha gracia los eufemismos tipo «Lo mejor de...», aplicados a una selección de relatos literarios. Teniendo en cuenta la diversidad de criterios, gustos y preferencias del lector medio, cualquier antología que pretenda ofrecer «Lo mejor de...» debería calificarse en realidad como «Lo mejor según...», y a continuación el nombre del seleccionador de turno. Porque cada antologista tiene sus preferencias, y por muy imparcial que quiera ser a la hora de efectuar su elección siempre deja que sus gustos particulares asomen en el conjunto resultante. DOMINGO SANTOS

Antologia 1
Ray Bradbury - El Flautista
Alfred E. van Vogt - Proceso
Arthur C. Clarke - El Centinela
Robert Sheckley - La Séptima Vícitma
Robert Abernathy - Combate Singular
Charles L. Fontenay - La Seda Y La Cancion
Jacques Sternberg - El Mundo Ha Cambiado
Fausto Cunha - Último vuelo a Marte
Belcampo • Las cosas al poder
James G. Ballard - El Hombre Iluminado
David Masson - El Reposo Del Viajero
Bob Shaw - Luz de otros dias perdidos
Thomas Disch - La Jaula de la ardilla
Harlan Ellison - El Merodeador en la ciudad al borde del mundo
John T. Sladek - Informe sobre las migraciones del material educativo
George Alec Effinger - Todas las guerras definitivas a la vez
Raphael A. Lafferty - Chirriantes Goznes del mundo
Robert Silverberg - En Las fauces de la Entropia
Christopher Priest - La cabeza y la mano
Ursula K. Le Guin - Los que van de omelas

Antologia 2
James G Ballard - El astronauta muerto
Gabriel Bermudez Castillo - La ultima leccion sobre cisneros
James Blish - Todos morimos desnudos
Ray Bradbury - Fenix Brillante
Ed Bryant - Entre los muertos
David Gerrold - Historia de amor en 3 actos
Ron Goulart - Disponga usted de ellas
Vonda McIntyre - Solo de noche
Frederik Pohl - El tunel bajo el mundo
Bob Shaw - Deflacion 2001
Robert Scheckley - El costo de la vida
Robert Scheckley - El precio del peligro
Robert Silverberg - Vayamos a ver el fin del mundo
Norman Spinrad - Ningun lugar donde ir
Kate Wilhelm - El canario rojo
Jack Williamson - Con las manos cruzadas


Antologia no Euclideana 1 [ Download ] e 2 [ Download ]

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Futures - Four Novellas - Peter F.Hamilton, Stephen Baxter, Paul McAuley and Ian McDonald



Let's talk about space:
Well, it makes a kind of sense, you've either bought this book (Hurrah!) or you're thumbing through it-maybe thinking about buying it, maybe just hanging around until the counter queue disappears so you can hit on the assistant you've been eyeing up for the past few weeks, or maybe you've just ducked into a bookstore and you're waiting for the rain to stop. Whichever, you've still picked up what is, to all intents and purposes (given the fairly obvious packaging), a science fiction book, so we'll take it as read you've got some kind of interest in space.
So we'll move forward a little.

Do you remember who first took you into space? Because, let's face it, we've all been up there, either via the printed page, the movie theater or the TV set. So who was that person into whose care you entrusted your imagination ... saying, albeit silently, "Here I am ... make my senses spin and my jaw drop .. .feed me Wonder!"?

If it was by the printed page then maybe it was in the capable hands of H. G. Wells or Jules Verne, with their futuristic visions of space travel, in cumbersome rockets whose viii trajectory and power source were a little shaky even then, around about a century ago for most of those marvelous tales. Or maybe it was the pulp-fictioneers, those penny-a- word scribes who filled page after page of exotic planetary locations usually populated by scantily-clad females and horrible monsters (boy, it must have been tough being a girl on some of those orbiting rocks ... at least until the torn- suited Earth astronaut crash-landed to save the day).

Maybe it was the likes of the "serious" writers ... guys like Isaac Asimov, with his agoraphobic investigator, his robotic hordes and the mind-boggling read that were the Foundation books; and Ray Bradbury, with his homespun humanistic homilies of interstellar needles descending onto the Martian quilt and poverty-line families constructing soapbox rockets in their back yards; and Arthur C. Clarke, with his barroom fables from the White Hart and the short story "The Sentinel" that became 2001: A Space Odyssey.

In fact, maybe it was film-the sight of Spielberg's mother ship descending onto the mountain-top or the spectacle of the alien toddler bursting out of John Hurt's stomach -or TV (Joseph Stefano's insectoid Zanti misfits from The Outer Limits, perhaps ... or the scene when one of the folks in Rod Serling's Twilight Zone diner reveals he's a Martian) that lit the fire in your soul and set you dreaming about out there.

There are so many writers and artists and directors who, year upon year, decade upon decade, have continued the craft, fashioning their own voices and their own ideologies, that it's a genre in which, no matter where you start into it, it's eminently possible-and frequently essential-to travel back to earlier works for further entertainment and enlightenment.

As we've been told through our TV sets for more than 30 years, space may well be the final frontier.

Of course there's Time to be unraveled yet, and Immortality, but the vastness of space-with its seemingly infinite possibilities of worlds, cultures, environments, eco structures and so on-invariably strikes the loudest chord in the minds of fiction readers and mo vie-watchers the world over. And no matter how far we manage to progress into the void, that frontier will still be there... the line just being constantly rubbed out and redrawn again and again, each time a little further away.

Although I've spent much of the last 10 or 12 years involved with horror, dark fantasy and even crime-both writing it and editing anthologies of the stuff-science fiction (or, more specifically, space fiction) was my first love ... fed from the British black and white reprints of full-color American comic books such as Mystery In Space or curled up on a sofa listening to the BBC's radio renditions of Charles Chilton's Journey Into Space.

But it was Patrick Moore who first took me into space via a book.

The year was 1958, and it was probably my first hardcover ... bought by my parents for Christmas (it's neatly inscribed in my mother's handwriting, penned, I'm sure, little realizing the effect such a gift was to have on her son) a book entitled Peril on Mars, written by the great astronomer himself. It was wonderful stuff and I had no hesitation in scribbling down the titles of the three earlier adventures of Maurice Gray and his friends on the Red Planet. I've since had the opportunity of acknowledging that formative experience by commissioning an Introduction from Patrick for Mars Probes, an anthology of new stories about our closest x planetary neighbor to be published in the US in late 2001- it's always nice to square the books and repay your dues, no matter how long it takes.

Anyway, back in the 1950s and hungry for more science fictional inspiration, I haunted the bookshops and quickly discovered Angus McVicar's Lost Planet series, featuring young Jeremy Grant, and E. C. Eliott's tales of Kemlo and his friends on Satellite Belt K. And then on to H. G. Wells's The War of the Worlds-which I had already read as a Classics Illustrated and so knew the story-and Edgar Rice Bur- roughs's Princess of Mars and its many sequels.

After that, courtesy of my English Language tutor at Leeds Grammar School, came Ray Bradbury's The Illustrated Man ... in which "Kaleidoscope", a one-act tale of a doomed astronaut adrift in the void, brought the concept of space travel firmly into the realms of the possible-even the probable-and, paradoxically, its downbeat finale made the prospect of such adventure even more attractive than the ray-gun variety of SF favored by the comic books and the once-so-called "juvenile" adventures.

From then I was firmly hooked.

As I grew older and more adventurous and demanding in my reading, the emphasis on space gave way to terra firma tales set sometimes in possible futures, sometimes in the present and occasionally on an alternate version of Earth on which accepted historical facts and events had been altered ... sometimes subtly and sometimes not. Thus it was that the science-or simply the developmental and speculative possibilities inherent in this brave and frequently audacious brand of literature-wove its spell.

Now I can enjoy the so-called hard science (quite an achievement for someone who regularly marvels at both car and computer-and even, when the muse hides for a while, my desk lamp-when they obligingly respond to the flicking of a switch) just as much as the space opera of, say, E. E. Smith's Lensman books and old issues of Amazing and Fantastic.

All of these still grace my crowded bookshelves, though old faithfuls such as some of the ones I've already mentioned and the likes of Carey Rockwell's adventures of Tom Corbett, Space Cadet are (despite, in the latter, the exemplary technical assistance of Willey Ley) a little more mannered today than they seemed to be all those years ago. But mannered or not, they all make up a glorious confusion of adventures and stories set both on Earth and on worlds near and far, and in strange futures ... realities populated by fantastic creatures and barely recognizable versions of ourselves. And every single word on every page continues to fight the good fight and carry forward the baton of imaginative fiction.


Contents
Introduction by Peter Crowther
Watching Trees Grow by Peter F. Hamilton
Reality Dust by Stephen Baxter
Making History by Paul McAuley
Tendeloe's Story by Ian McDonald



Futures - Four Novellas [ Download ]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Dracula in London



Okay, I confess it—I love Dracula! He IS the man!
The first time I remember seeing him was in Universal'sHouse of Dracula with elegant John Carradine in the role. I was instantly addicted. From then on, I couldn't get enough of all the variations out there, good and bad, sublime and silly. Umpteen years pass and it still gives me a charge!

Hence this book. I wanted to put together a collection of stories with the Count as the focus, not a mere cameo, and ask the question, "What ELSE was Dracula doing in London when he was not being chased by Van Helsing and company?"

I feel very fortunate that some of the best writers in the business decided to answer. To have the chance to read so many delightful variations on a theme has been a dream come true. My sincere thanks to all of you for contributing your time and imaginations to this project. It's been an honor.

In 1897 the original novelDracula was published, bringing little note or notice to author Bram Stoker.

Writers hate when that happens.

But over the next century, as though to make up for it, Dracula turned into an honest-to-God cultural icon. You say the name nearly anywhere on the planet and you're bound to get a reaction of some sort.

"What are the odds?" one might ask Mr. Stoker, who would likely be astonished. Or amused.
I like to think that somewhere he knows his tale eventually achieved an immortality greater than that which his character met in that dark and thrilling opus.

My hope is that he might well have enjoyed this "tip of the hat" collection of stories centered around his best-known creation.
P. N. "Pat" Elrod


CONTENTS
Introduction - P. N. Elrod
To Each His Own Kind - Tanya Huff
Box Number Fifty - Fred Saberhagen
Wolf and Hound - Nigel Bennett and P. N. Elrod
The Dark Downstairs - Roxanne Longstreet Conrad
Dear Mr. Bernard Shaw - Judith Proctor
The Three Boxes - Elaine Bergstrom
Good Help - K. B. Bogen
Everything to Order - Jody Lynn Nye
Long-Term Investment - Chelsea Quinn Yarbro
"Places for Act Two!" - Bradley H. Sinor
Beast - Amy L. Gruss and Catt Kingsgrave-Ernstein
A Most Electrifying Evening - Julie Barrett
An Essay on Containment - Gene DeWeese
Berserker - Nancy Kilpatrick
Curtain Call Gary - A. Braunbeck
Renfield or, Dining at the Bughouse - Bill Zaget
About the Authors

Dracula in London Edited By P. N. Elrod [ Download ]

terça-feira, 30 de junho de 2009

The Best From Fantasy and Science Fiction 11th Series



CONTENTS

THE SOURCES OF THE NILE by Avram Davidson
SOMEBODY TO PLAY WITH by Jay Williams
SOFTLY WHILE YOU'RE SLEEPING by Evelyn E. Smith
THE MACHINE THAT WON THE WAR by Isaac Asimov
GO FOR BAROQUE by Jody Scott
TIME LAG by Paul Anderson
GEORGE by John Anthony West
SHOTGUN CURE by Clifford D. Simak
THE ONE WHO RETURNS by John Berry
THE CAPTIVITY by Charles G. Finney
ALPHA RALPHA BOULEVARD by Cordwainer Smith
EFFIGY by Rosser Reeves
E=MC2 by Rosser Reeves
HARRISON BERGERON by Kurt Vonnegut, Jr.
THE HAUNTED VILLAGE by Gordon R. Dickson



The Best From Fantasy and Science Fiction 11th Series - Edited by Robert P. Mills [ Download ]

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ficção Científica Brasileira na Internet

O Capacitor Fantástico recebeu vários emails de leitores interessados em saber onde poderiam encontrar mais contos de FC de autores brasileiros, além daqueles que recentemente divulgamos aqui.

É possível encontrar na internet, com alguma facilidade, diversos (e ótimos) sites/blogs dedicados a FC Brazuca, como por exemplo:

INTEMPOL (Octavio Aragão)

Human 2.0 (Jacques Barcia)

Contos Fantásticos

Ovo Azul Turquesa (Maria Helena Bandeira)

Terra Incógnita (Fábio Fernandes)

Terroristas da Conspiração (Romeu Martins)

Leituras (Fernando Trevisan)

OPELF (Oficina de Produção & Estudos de Literatura Fantástica)

Como não funciona a ficção científica


Luke Skywalker lidera uma esquadrilha de caças X-wing em um ataque à Estrela da Morte do Império. Os caças espaciais ziguezagueiam ao longo da gigantesca nave, sob fogo cruzado de armas laser. Luke faz acrobacias mirabolantes, dispara suas armas e lança um míssil no tubo de ventilação - BUM! Adeus Estrela da Morte.

Cenas como essa, de "Star Wars: Episódio IV", são típicas de filmes de ficção científica.

Os efeitos e a movimentação toda criam uma grande experiência cinematográfica, mas há base científica nisso tudo?

As espaçonaves poderiam realmente voar daquele jeito?

Os disparos de laser seriam visíveis?

A explosão ensurdecedora produziria mesmo som?

Deveríamos nos importar com esses detalhes?



Craig Freudenrich. "HowStuffWorks - Como não funciona a ficção científica". Publicado em 20 de julho de 2006 (atualizado em 08 de abril de 2008)

domingo, 28 de junho de 2009

Stephen Baxter


Stephen Baxter (13 de Novembro de 1957) nasceu em Liverpool, Inglaterra.

Escritor de Fantasia e Ficção Científica, com formação em matemática e engenharia, Stephen Baxter ganhou inúmeros prêmios literários, como o John W. Campbell Award, Philip K.Dick Award e o BSFA Award, além de ter sempre seu nome relacionado entre os indicados para as premiações mais importantes da FC de lingua inglesa.

Fortemente influenciado por suas leituras de H.G.Wells quando jovem, Baxter acabou por ser nomeado vice-presidente da H.G.Wells Society em 2006.

Sua obra abrange vários temas, cada qual com um estilo próprio.

Sua série Xeelee se passa em um futuro distante, quando os humanos se tornaram a raça mais poderosa do Universo depois dos quase-deuses Xeelee. O desenvolvimento dos personagens fica de lado nesta série, dando lugar a teorias e ideias avançadas.

Suas histórias passadas nos dias atuais se apresentam mais humanas, com personagens definidos e bem caracterizados. Tipicamente estas histórias exploraram realidades alternativas, em imaginar como seria se a humanidade se empenhasse em alcançar outros planetas. A NASA costuma aparecer em um papel fundamental na pesquisa para a exploração espacial, porém de uma forma mais sombria e realística, muitas vezes deixando transparecer sua pouca fé na humanidade.

Na sua trilogia Manifold, Baxter se foca em uma potencial explicação sobre o paradoxo de Fermi.

Já a série Mammoth é voltada para as crianças, mas não deixa de agradar também a adultos. Baxter escreve ensaios e colunas científicas para publicações como a Critical Wave e Matrix.

Site oficial


Stephen Baxter (Anti-ice, Destiny Children-Coalescent, Exultant e Transcedent, Downstream, Evolution, Gossamer, Huddle, In the abyss of time, In the manner of trees, In the un-black, Lakes of light, Last contact, Mammoth-Silver Hair, Longtusk e Icebones, Manifold Time, Manifold Time Space, Manifold Time Origin, Moon Six, Moonseed, On the Orion line, People come from Earth, PerlAndry's Quest, Pilot, Reality Dust, Rememberance, The children of time, The ghost pit, The gravity mine, The hunters of Pangea, The Ice war, The lowland expedition, The Pacific Mistery, The sear and the silverman, The time ships, Time's tapestry, Titan, Traces, Weep for the Moon, Xeelee Raft, Xeelee Timelike infinity, Xeelee Flux, Xeelee Ring, Xeelee Vacuum Diagrams) [ Download ]

sábado, 27 de junho de 2009

Marginalia - Stephen Baxter



(Nota do autor: O documento me foi enviado anonimamente em um envelope lacrado, o documento em si, uma fotocopia, trata-se do papo furado do governo, com partes ilegíveis. Mas os comentários escritos nas margens são o mais intrigante.)

Primeira página:
Escritório Geral de Contabilidade (GAO) dos Estados Unidos, respondendo ao honorável William X. Lambie, Câmara dos Deputados Junho de 1998
Registros Governamentais
Resultados concernentes a pesquisa sobre a explosão ocorrida em 1983 próxima a Cross Fork, Nevada - Sumário GAO/NSRAF-96-244

De: Escritório Geral de Contabilidade dos Estados Unidos, Washington, DC20548 Divisão de Assuntos Internacionais e Segurança Nacional. 24 de Junho 1998.
Para: O ilustre William X Lambie, Câmara de Deputados.
Caro Mr. Lambie:
Após quinze anos, a especulação permanece quanto a verdade sobre a grande explosão que se alega ter ocorrido em uma base militar de pesquisas dos EUA em Nevada. Alguns especulam que a explosão se deu pela destruição de um foguete convencional, outros que foi causada por uma colisão aérea, talvez de natureza extraterrestre, outros que algumas agências governamentais estão em um tipo de campanha de desinformação para esconder a verdade, tal como o lançamento bem sucedido de algum tipo de veículo espacial, outros de que se tratou da demolição de uma instalação militar.
Em seu relatório oficial de 1984 e desde então, a Força Área vem negando tal explosão.
Cientes de que o Departamento de Defesa não lhe proveu com toda a informação disponível sobre o acidente, você nos solicitou que averiguássemos os registros do governo sobre o acidente, e assim examinamos uma vasta gama de documentos confidenciais ou não, de 1965 a 1980. O escopo total e a metodologia utilizada em nosso trabalho se encontra detalhada no relatório completo.



Senhor:
Eu li seu contra factual ’romance’. Sobre a NASA não ter ido para Marte em 1980, ao invés de fechar todos os projetos após o Apollo? Que lixo! Contra factuais não servem às necessidades da verdade. Mas agora a verdade está surgindo. E a verdade é que pessoas já foram à Marte. E eles estão andando entre nós agora mesmo. E ninguém sabe disso. É claro que muito do material recolhido das antigas sondas marcianas foi mantido em segredo do público. Isso inclui:
1) Fotos antigas tiradas pela Mariner 4 em 1964, do que seriam estruturas na superfície.
2) Alguns reflexos estranhos em meio a tempestade de poeira, fotografadas pela Mariner 9 em 1971.
3) As estranhas leituras feitas pelas Vikings em 1976, do que seria um supostamente solo estéril marciano.

E é claro, a observação de Marte feita em 1992, que foi deliberadamente destruída.
Poucos sabem que o GAO dos EUA, que é o braço investigativo do Congresso - recentemente publicou isso, os resultados da busca de registros sobre o incidente em Cross Fork, Nevada, o ponto alto desta manobra para encobrir os fatos sobre Marte. A pesquisa iniciada pelo congressista Bill Lambie, que desaprova tais manobras como qualquer um. Publicado significa dizer que foi abafada e enterrada. Eu tenho minha cópia graças a (ilegível);
Foi assim que eu comecei com isso: Recebi um email de Janet (ilegível) de Albuquerque. Ela disse ter conhecido uma prostituta em Reno nos anos 70. Esta mulher trabalhava em uma espelunca perto de Cross Fork, Nevada. E ela disse a Janet que conhecera muitos ex-engenheiros da NASA da cidade na época. E que uma noite, dois caras da NASA começaram a falar um pouco mais do que o normal.



CONSELHO DE SEGURANÇA NACIONAL, WASHINGTON DC 20506. 18 de Abril de 1997.
MEMORANDO PARA MR JOHN E PROCTOR, DIRETOR ENCARREGADO DE ASSUNTOS DE SEGURANÇA NACIONAL, GAO.
Assunto: Requisição de registros.
Respondendo sua solicitação de 2 de Abril de 1997 por informações ou registros relacionados a suposta explosão próxima a Cross Fork, Nevada em Outubro de 1983.
O Departamento não possui registros ou informações relativas ao incidente.
Para informações sobre qualquer registro governamental que possa ter documentado a explosão em Nevada,sugerimos que contate os Arquivos Nacional, Divisão de Referência Textual, 8601 Adelphi Rd, College Park, Maryland 20740.
Albert D Steele, Secretário Executivo



São 4 as categorias chave do encobrimento do caso Marte:
1) As gerências de alto escalão, incluindo CIA, FBI e DIA
2) A Interface pessoal
3) A Interface técnica
4) Os astronautas

Somente recrutando astronautas poderiam encarar tal desafio. E eram afinal, homens bravos e dedicados. Manter o segredo nunca foi o maior problema, mesmo para um projeto deste tamanho. Haviam precedentes. Mais de 3 mil pessoas estiveram envolvidas na construção da bomba atômica entre 1942 e 1945, e nenhuma informação chegou ao público.
Além disso a América tinha se tornado um estado policial à muito tempo (grampos e escutas, vigilância de civis) e bastava aplicar estes métodos ao Projeto Marte.
(alguém me mandou um email sobre alguém que ligou para um programa de rádio do Arizona, dizendo ser o homem que coordenava a segurança da NASA naquele período. Ele disse que quatro homens morreram em missões e que tudo foi silenciado pela NASA. E ele disse verdades sobre a Apollo 13 que ninguém nunca ouvira antes. Provavelmente um doido.)

O projeto Marte inteiro ficava ao sul de Nevada em uma (assim chamada) base de testes atômicos: mil milhas quadradas do deserto de Nevada.
Por que lá?
Era uma área de montanhas, picos, vales desérticos de lagos secos. O território parecido com o solo lunar, escondia uma grande quantidade de túneis escuros e instalações secretas.
Você vê um carro à distância apenas pela sua nuvem de poeira, qualquer coisa que se mova será a única coisa a se mover naquele cenário. E como se chega lá? Mesmo em 1970 sua reputação era de uma região esquecida, mergulhada em radiação.
A maioria das instalações da USAF Marte ficavam em instalações da AEC, como Yucca Flat e Camp Desert Rock, ou Área 22.
E tinha uma outra boa razão: Vegas - apenas a 60 milhas sudoeste.
Aqueles astronautas não eram crianças, e não estavam ali para colher flores. Os trabalhadores para o centro de controle do projeto Marte eram uns otários recrutados nos cassinos de Las Vegas.



Gabinete Executivo do Presidente, Ministério de Ciência e tecnologia, Washington DC 20500. 20 de Abril de 1997. Mr. John E Proctor, Diretor encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em resposta ao seu recente questionamento de 2 de Abril de 1997.
O Ministério de Ciência e Tecnologia reviu seus registros concernentes ao ’Incidente de Nevada’. O Ministério não tem conhecimento direto do que ocorreu em Nevada e nenhum registro exceto pela informação recebida da Força Aérea. Aguardo com expectativa o relatório da GAO
Atenciosamente, Joseph V Ververk, Diretor



Em Cross Fork, Nevada, eu encontrei aquela prostituta.
E graças a ela achei um cara chamado Tad Jones.
Tad Jones dizia ter trabalhado no inicio dos anos 70 em um programa clandestino de foguetes nucleares do governo. Este projeto continuou após o fechamento do projeto NERVA, de conhecimento público, logo após a (suposta) decisão de Nixon de não irmos mais para Marte. Jones e outros trabalhadores foram ameaçados e obrigados a manter segredo sobre seu trabalho no projeto. Jones foi despedido em 1972, eu penso que por razões pessoais. Agora, mais do que duas décadas depois, a radiação o estava matando.

A coisa foi assim, Tad Jones me contou que encontrou um cara que conhecia um sujeito que contou que tinha estado em Marte.
Ele se chamava Elliot Becker e tinha sido um coronel da Força Aérea que cometeu o erro de se embebedar uma noite. Sobre falsos pretextos que não cabe dizer aqui, fui encontrar Elliot Becker pessoalmente. Era agora um oficial aposentado da Força Aérea, na casa dos 60 anos, e sofria com sinais de envelhecimento precoce, músculos atrofiados e osteoporose.
Me despachou logo, mas não antes de eu reparar em algumas coisas bem esquisitas.
Por um instante, em um ponto da conversa, Becker largou um copo em pleno ar e ficou olhando estarrecido enquanto caia. O tipo de coisa que acontecia bastante com os astronautas da Skylab e cosmonautas da Mir, condicionados a G Zero. Sem contar que sua doenças eram consistentes com a idéia de que Becker tivesse passado por um vôo de longa duração no início dos anos 80.
Mas ele nunca esteve em um vôo espacial conhecido.
Então onde diabos tinha ido?

Só encontrei Tad Jones aquela vez.
O que não era tão surpreendente assim. Velho, pobre, sofrendo com dores, Jones se tornara menos discreto. Não sei como morreu. Os antigos problemas devido a radiação deviam ter afetado as coronárias. É claro que ele podia estar mentindo sobre a coisa toda. Mas se fosse mentira, onde então ele conseguira aqueles ferimentos?



Departamento de Justiça dos EUA, Bureau Federal de Investigação, Washington DC 20535, 22 de Abril, 1997.
Mr. John E. Proctor, Director encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em resposta a sua carta de 2 de Abril de 1997, de Simon J Holusha, Diretor, Assuntos administrativos da Justiça, GAO, para Kathryn G Keyworth, Inspetor encarregado, Escritório Publico para Assuntos do Congresso, FBI, requerendo registros do governo concernentes a explosão em larga escala próxima a Cross Fork, Nevada em Outubro de 1983 (Código 91183).
Uma pesquisa nos arquivos do FBI determinou que todos os dados do FBI referentes ao incidente foram processados sob o Ato de Liberdade de Informação (FOIA) e está disponível para revisão no salão de leitura da FOIA. Se seu pessoal desejar ter acesso a este material, por favor contatem Margaret Feeley, um dos membros do meu staff, com pelo menos 48 horas de antecedência.
Atenciosamente, Eric G Dower, Agente Supervisor, Gabinete de Assuntos Públicos do Congresso.



A verdade sobre Marte agora era óbvia.
As sondas marcianas não encontraram qualquer evidência de que havia vida em Marte por que isso foi deliberadamente ocultada. A tempestade de poeira que dificultou o trabalho da Mariner 8 não foi coincidência! – foi parte dos esforços dos habitantes de Marte para dar àquele lugar a aparência lunar. E a superfície foi esterilizada por bombas de nêutrons antes das Vikings pousarem, e a sonda Mars Observer foi abatida ainda no céu ...
Não voltamos lá por vinte anos. E quando fomos para lá com a Pathfinder e o resto, não havia mesmo nada para se ver. É claro que não. Os marcianos tinham feito uma maquete completa.
E ninguém nos disse nada sobre isso. Nós adoramos segredos neste pais.
Veja só: No ano passado o governo dos EUA produziu cerca de seis milhões de documentos classificados. O menos restrito tem o carimbo de ’FOUO’ (Para uso oficial somente) a categoria seguinte, a primeira tecnicamente classificada é ’Confidencial’. Depois disso vem ’SEGREDO’ e alguns ’SEGREDO da NATO’ o que quer dizer que pode ser compartilhado apenas com as nações da NATO. E então vem ’Altamente secreto’ e ’NATO altamente secreto’. Acima disso temos ’SCI’ Informação sensivelmente compartimentada, aberta apenas para poucos indivíduos. Então vem um tipo que você só poderá ver se estiver numa lista BIGOT, com sua própria palavra código específica. E então temos qualificações como ’NOFORN’ , não permitida para estrangeiros - e NOCONTRACT – não permitida para contratadores - ’WNINTEL’ Ou ’nota de atenção – fontes ou métodos da inteligência envolvidos’, ’ORCON’ ’controle do autor sobre divulgações posteriores’.
Qual o custo de todo este segredo? Quando o segredo aumenta a força militar e quando enfraquece a segurança? Deveríamos saber! Ou será que isso é confidencial também?

As provas encontradas pela sonda espacial naturalmente foram encobertas. Eu deveria me utilizar desta nossa disposição natural pelo segredo. Mas depois de algo tão grande assim, isso me perturbou profundamente. É por esta razão que eu luto contra isso.



(Teletipo descoberto durante revisão do material da FOIA)
FBI DALLAS 20/10-1983 4:28 PM
DIRETOR E SAC, CINCINNATI URGENTE

EXPLOSÃO EM NEVADA, INFORMAÇÂO RELATIVA
(branco)
ESTE ESCRITÓRIO FOI AVISADO POR TELEFONE QUE (branco) SATÉLITE OBSERVOU RUÍNAS E DESTRUIÇÃO EM (branco) CONVERSAÇÃO TELEFÔNICA ENTRE ESTE ESCRITÓRIO E (branco) FALHARAM EM FORNECER. FOTOS E NEGATIVOS FORAM TRANSPORTADOS PARA ESTE ESCRITÓRIO POR CONTA DO INTERESSE NACIONAL NO CASO E PORQUE REDES DE TRANSMISSÂO NACIONAIS COMO A ASSOCIATED PRESS E OUTRAS, TENTARAM DIVULGAR A HISTÓRIA DA EXPLOSÂO OU DESASTRE AÉREO HOJE, SEM QUE AS DEVIDAS INVESTIGAÇÔES FOSSEM FEITAS. FIM.


Aqui está a história, o melhor que consegui reconstruir.
Em 1971 com informações das sondas espaciais sobre uma avançada e possivelmente hostil civilização em Marte, o presidente Nixon ordenou que se iniciassem missões secretas para Marte, tripuladas ou não. Com a possibilidade de se lançar um ataque nuclear contra o planeta.
O projeto ficou sob o comando da Força Aérea americana e utilizaria a tecnologia de lançamento do Programa Apollo, com foguetes de estágio nucleares.
(E esta senhor, é a verdade sobre a decisão de Nixon de ir à Marte após a Apollo. Ele não decidiu que não deveríamos ir, decidiu que deveríamos ir sim, porém o projeto não seria controlado pela NASA mas pela USAF e teria que ser secreto. Mesmo o programa que publicamente se seguiu ao Apollo, o Programa Ônibus espacial, tinha um certo ar militar, e um papel importante na defesa da Terra contra os marcianos, o qual ainda irei determinar.)

Elliot Becker foi treinado para ser um astronauta em 1960. Em 1971 sua morte foi forjada em um acidente com um avião T-38 e ele foi recrutado para o programa Homem em Marte.
Mas Nixon caiu e o projeto foi abandonado, o complexo de lançamento de Nevada e o equipamento foram desmontados. Elliot ganhou uma patente superior dentro da Força Aérea com a responsabilidade principal de manter a integridade no acobertamento do programa Homem em Marte.

A partir de 1981 as coisas mudaram.
Os dados adicionais das Vikings estavam à mão. O Presidente Reagan ordenou o inicio de uma missão secreta para um vôo de averiguação tripulado à Marte, sob o comando da Força Aérea, usando o que fora deixado da tecnologia Saturno dos anos 70. Esta missão de objetivos limitados era relativamente fácil de se alcançar. Enquanto isso Reagan reativava as preparações para um ataque nuclear a Marte.

A missão foi lançada em 1982 da base secreta de Nevada. Levava dois homens e deveria alcançar Marte em seu lado eternamente escuro.
O fundo necessário foi coberto pelo projeto SDI. Mas quando o fundo SDI veio a ficar sob escrutínio e a atenção de Reagan se virou para outros assuntos, o projeto foi abandonado.
Eu aposto que a lógica foi que, os marcianos não constituíam uma ameaça imediata.
Desta vez o complexo de lançamento de Nevada foi destruído.
E esta é a verdade por trás da explosão de 1983.
...mas Elliot Becker completou sua missão.



Inspetor Geral, Departamento de Defesa, 400 Army Navy Drive, Arlington, Virginia 22202-2684, 29 de Abril de 1997. Mr. John E Proctor, Diretor Encarregado, Assuntos de Segurança Nacional. GAO.

Caro Mr. Proctor:
O relatório do Departamento da Força Aérea de Julho de 1984 responde aos questionamentos de sua carta de 2 de Abril para o GAO C91165. Se tiver qualquer pergunta por fazer, por favor, contate minha assistente Janet Fromkin, no número 703-604-7846. Se ela não se encontrar disponível, por favor procure Miss Frances Douhet no número 703-604-7543.
Atenciosamente,
Richard S Dupuy, Inspetor Geral Assistente para Análise de Despachos do GAO.



Tad Jones tinha me dito que em 1981 ele ouvira um boato que o projeto onde trabalhara estava sendo reativado. Mas ninguém estava contratando para Cross Fork.
Tad Jones era um tipo amargo. Ele tinha um carro off-road e então foi à caça.
O local do foguete nuclear não está em mapa algum. Jones teve que passar por cercas de arame farpado e por campos minados (ele me disse). Então se encontrou numa área de alta radioatividade (ele levava contadores). Se aproximou do centro do lugar e encontrou lá o que restou de um foguete nuclear do tipo Saturno 5, aquela forma branca de agulha, montados secretamente, em pé sobre um canteiro ferrugento lá no deserto. Coisa infernal aquilo. Ele me mostrou a fotografia. Jones disse que depois da demolição o lugar foi semeado com lixo radioativo. Disse que seria impossível voltar àquele lugar, agora letal, e que a evidência se perdera para sempre.

Mas o programa durou o bastante para mandar Elliot Becker até Marte.
Ele e seu colega se utilizavam de uma astronave tipo Apollo, fazendo a longa jornada de um ano em um módulo habitacional adaptado do Skylab.
Pense nisso. Becker deve ter visto a Terra e a Lua como estrelas gêmeas, a cada momento se afastando, mais distante do que qualquer homem já esteve antes. Imagino o que ele pensava encontrar ao final daquela viagem.



CIA, Washington DC 20505.
22 de Maio de 1997.
Mr. John E Proctor, Diretor Encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em uma carta datada de 15 de Abril de 1997, esta agência o avisou que iria conduzir uma compreensiva pesquisa de registros para auxiliá-lo em sua investigação sobre uma explosão em Outubro de 1983 em Nevada. Em atendimento a sua requisição pesquisamos em todas as nossas bases de dados. A pesquisa não encontrou qualquer documento relatando algum destes termos a não ser pelo relatório feito por nosso pesquisador de campo Frederic K. Durant em 1983, e que permanece confidencial. Sendo assim, esta Agência não possui qualquer informação relevante para sua investigação.
Atenciosamente, Nora Franck, Diretora Executiva.



Isso vem provar que há esperança. Mesmo a mais gigantesca farsa e acobertamento, não importa o investimento feito em tempo e dinheiro, irá enfraquecer com o passar de algumas décadas. Olhe, a maioria destes registros públicos você pode verificar por si mesmo, como eu estou tentando fazer, certo? E te agradeço se o fizer se deixar-me saber disso. Quero dizer, são nossos cem bilhões de dólares. Eu tenho vontade de explodir cada segredo que encontro pela frente. Mas além de agir por principios, eu só quero saber, entende, temos dois caras por aqui que foram até Marte, pelo amor de Deus, e eles não querem que contemos suas histórias.
Irei para meu túmulo imaginando o que Elliot Becker diria. Será frio, deserto e vazio? Ou talvez existam mesmo algumas estruturas no deserto ocre do lado escuro de Marte.


Nós tateamos atrás da verdade e fazemos lentamente nosso progresso.
William Davenant, 1606-1668


(Nota do autor: Acho que é bem óbvio o por que de eu ser o alvo deste embuste em particular. E meu correspondente está certo sobre nossa cultura se exceder em manter segredos, como este não cooperativo documento demonstra por si só, enquanto o segredo ainda permanece, rumores sobre o que está sendo escondido continuarão a florescer. Mas como toda boa farsa, este tem em suas raízes fatos suficientes para torná-lo ao menos plausível – por que existem algumas coisas bem esquisitas nesta história em relação ao Homem em Marte. Antes da primeira das sondas espaciais, Marte era imaginado como sendo semelhante a Terra. Muitos observadores com seus telescópios tinham a certeza de ver redes de canais e faixas de vegetação. A sonda Mariner 4 em sua passagem próxima ao planeta em 1964 viu porém um mundo que mais se parecia com a Lua, de atmosfera rarefeita e crateras nos lugares onde os observadores terrestres tinham visto canais. Em 1971 a Mariner 9 orbitou o planeta e não viu coisa alguma devido a tempestade de poeira global que ocultava a superfície. E mais tarde as naves Viking que pousaram em Marte, não acharam formas de vida na superfície, era aparentemente estéril, talvez por conta da radiação solar. A Mars Observer falhou em alcançar Marte... e houveram propostas, discutidas nos anos 60, para vôos tripulados que passariam bem próximos à Marte, um programa que se seguiria ao Apollo e que sobrevoaria o lado escuro do planeta...)



GAO.
Sumário do relatório para o GAO/NSRAF-96-244 endereçado ao honorável W.X. Lambie.

Nossa pesquisa por registros governamentais foi dificultada pelo fato de que alguns destes registros que desejávamos ver estavam desaparecidos e nem sempre havia uma explicação para isso. Além disso, os regulamentos de gestão de registros no tocante a retenção e eliminação dos registros não eram suficientemente claros, ou mudavam durante o período que analisamos. Realizamos nossa análise a partir de Março de 1997 até Maio de 1998, em conformidade com o modelo de auditoria governamental geralmente aceito. Se você ou seu staff tiverem qualquer pergunta sobre este laudo, por favor me telefonem no número (202) 512-7858.
Atenciosamente,
John E. Proctor, Diretor encarregado, Assuntos de Segurança Nacional.



... fim?



Marginalia - Stephen Baxter
Incluso no livro Phase Space: Stories from the Manifold and Elsewhere

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Além do planeta silencioso - C. S. Lewis



De repente parecia que as luzes do Universo tinham sido diminuídas. Era como se um demônio houvesse esfregado a face do céu com uma esponja suja e o esplendor em que tinham vivido durante tanto tempo empalideceu, transformando-se num cinza triste e deprimente.

De onde estavam sentados não era possível levantar as venezianas ou abrir as cortinas. Aquilo que tinha sido uma carruagem deslizando nos campos do céu, transformara-se numa caixa escura de aço, fracamente iluminada, que caía. Estava caindo do céu num outro mundo. Esta foi a impressão mais forte causada em Ransom em toda a sua aventura. Admirou-se de como pudera ter considerado os planetas, a Terra inclusive, como ilhas de vida e realidade boiando num vácuo mortal.

Daquele momento em diante passou a considerar os planetas, que chamava de “terras” em seu pensamento, como simples buracos ou falhas no céu vivo, refugos excluídos e rejeitados de matéria pesada e ar obscuro, formados não por adição mas sim por subtração da claridade envolvente. Mas, pensou, além do sistema solar esta claridade acaba. Será aí o verdadeiro vácuo, a verdadeira morte? A menos... procurou coordenar suas idéias... a menos que a luz visível também fosse um buraco, uma falha, uma simples subtração de alguma outra coisa. Algo que esteja para o céu claro e inalterável assim como o céu está para as terras pesadas e escuras...

As coisas nem sempre acontecem como se espera. No momento de sua chegada num mundo desconhecido, Ransom estava totalmente absorvido em especulações filosóficas.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Viagem Fantástica - Isaac Asimov

 

Esta história, que se transformou em livro e em filme, tem vários autores, todos contribuindo, de maneiras bem diversas, à sua forma atual. Para todos nós, foi uma longa e árdua tarefa, mas igualmente um motivo de profunda satisfação e, posso adiantar, de grande prazer.

Quando Jay L. Bixby e eu escrevemos a história original, estávamos longe de suspeitar aonde ela chegaria ou em que se transformaria nas mãos de homens de grande imaginação e soberbo talento: Saul David, o produtor do filme; Richard Fletcher, o diretor e inspirado encantador da fantasia; Harry Kleiner, que escreveu o cinedrama; Dale Hennesy, o diretor-artístico e um artista também; e os doutores e cientistas que nos deram tanto do seu tempo e do seu pensamento. E, finalmente, Isaac Asimov, que emprestou a pena e seu grande talento para dar forma e realidade a esta fantasmagoria de fatos e fantasia.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ensaio sobre a cegueira - José Saramago


Livro dos Conselhos

O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embraiagem, mantinham em tensão os carros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora, aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares de semáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores de cada um, é uma das causas mais consideráveis dos engorgitamentos da circulação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termo corrente.

O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecânico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixa de velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema hidráulico, blocagem dos travões, falha do circuito eléctrico, se é que não se lhe acabou simplesmente a gasolina, não seria a primeira vez que se dava o caso. O novo ajuntamento de peões que está a formar-se nos passeios vê o condutor do automóvel imobilizado a esbracejar por trás do pára-brisas, enquanto os carros atrás dele buzinam frenéticos. Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o transito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego.

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Guerra nas estrelas - George Lucas


OUTRA galáxia, outros tempos.
A Velha República era a República lendária, maior que a distância e o tempo. Não era preciso saber onde ficava nem de onde vinha, mas apenas que... era a República.
No passado, sob o governo sábio do Senado e a proteção dos Cavaleiros de Jedi, a República cresceu e prosperou. Mas quando a riqueza e o poder ultrapassam os limites do admirável e chegam às raias do espantoso, sempre aparecem os ambiciosos.
Foi assim com a República no apogeu. Como uma árvore gigantesca, capaz de resistir a qualquer ataque vindo do exterior, a República apodreceu lentamente por dentro, embora os sinais não fossem visíveis a princípio.
Auxiliado e apoiado por indivíduos sequiosos de poder dentro do governo, e pelas imensas organizações de comércio, o ambicioso Senador Palpatine conseguiu eleger-se Presidente da República.

Prometeu satisfazer os descontentes e restabelecer a glória da República.
Assim que se viu seguro no cargo, declarou-se Imperador, isolando-se do povo. Em pouco tempo era controlado pelos próprios assistentes e aduladores que havia nomeado para altos postos, e a voz do povo, que clamava por justiça, não chegava mais aos seus ouvidos.
Depois de exterminarem traiçoeiramente os Cavaleiros de Jedi, guardiães da Justiça na galáxia, os agentes e burocratas do Imperador se prepararam para instituir um reinado de terror para os mundos da galáxia. Muitos usaram as forças imperiais e o nome do Imperador, cada vez mais isolado, para satisfazer a ambições pessoais.
Mas uns poucos sistemas se rebelaram contra essas novas arbitrariedades. Declarando-se inimigos da Nova Ordem, iniciaram a grande batalha para restaurar a Velha República.
Desde o começo, estavam em inferioridade esmagadora. Naqueles primeiros dias sombrios, parecia certo que a chama da resistência seria extinta antes que pudesse projetar a luz da nova verdade em uma galáxia de povos oprimidos e amedrontados...

Da Primeira Saga
Crônicas Intergalácticas


"Estavam no lugar errado na hora errada. Naturalmente, viraram heróis.”
Leia Organa de Alderaan, Senadora
 

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Planeta 8 - Operação Salvamento - Doris Lessing

 
 Os grandes escritores não conhecem os limites que os rótulos ou os gêneros literários às vezes impõem. Ao contrário, servem-se deles para criar algo novo, maior, e que leva a sua marca. Assim é com a "ficção espacial" de Doris Lessing. Pois a série Canopus em Argos: arquivos, da qual este é o quarto livro, não representa uma simples experimentação, uma visita de Lessing aos universos da ficção científica tradicional. O mesmo mundo humano — as interrogações, as escolhas éticas, os conflitos pessoais ou sociais que marcaram suas obras anteriores a essa série — está presente aqui. Não se trata de uma adesão a um tipo de literatura, mas de um exercício consciente da escrita, da criação literária: um domínio da forma e do conteúdo.

O Planeta 8: operação-salvamento continua a compor o painel da história do domínio de Canopus sobre a região galática onde está a Terra. Mas agora o foco da atenção é a avassaladora Idade do Gelo que ataca a população de um pequeno planeta, marcando a mudança de suas relações com Canopus e uma verdadeira encruzilhada no seu caminho evolutivo. A história é narrada de uma forma comovente, pontilhada de momentos de extrema beleza e intensidade poética. Mas é também conduzida com energia crescente, como se fosse uma resposta cada vez mais certa ao medo físico e às indagações metafísicas dos habitantes do planeta.
O livro funciona como contraponto e contraplano dos precedentes. O tom e o clima diferentes fazem-no único, especial: com ele Doris Lessing cria uma "outra dimensão" onde se encontram os significados de outras vidas, e onde os aspectos materiais e espirituais de todas as coisas são conciliáveis. Pode-se ler o romance sob vários prismas: social, filosófico, político, ecológico. Nos limites extremos da sobrevivência evidenciam-se as contradições e também a força de uma sociedade e de seus integrantes. Os habitantes do Planeta 8, acostumados a depender das instruções de Canopus para organizar sua vida, são obrigados pelas circunstâncias a escolher entre a luta desesperada, e talvez inútil, pela vida, e uma compreensão mais larga no sentido da existência.

Com isso está sugerido que a literatura pode efetivamente contribuir para a discussão das questões cruciais de nosso tempo. Pois através dela é possível pensar e viver, comunicar e imaginar, sentir e analisar os grandes dilemas e as transformações que, de outro modo, seriam quase imperceptíveis. Assim, mesmo nos mais fantásticos e distantes mundos da ficção científica de Doris Lessing, permanece sua preocupação com a condição humana.
Doris Lessing - O Planeta 8 - Operação Salvamento [ Download ]

domingo, 21 de junho de 2009

Ian McDonald


Ian McDonald (1960-) nasceu em Manchester (Inglaterra), de pai escocês e mãe irlandesa. Mudou-se para Belfast (Irlanda do Norte) aos cinco anos de idade, onde mora até hoje.

Trabalhou por algum tempo como programador para uma companhia de televisão independente.

Seu primeiro livro publicado em 1988 (Desolation Road) lhe garantiu um lugar de destaque entre os novos escritores britânicos de Ficção Científica daquela década. A partir dai, passou a ser figura fácil em revistas como Interzone e Isaac Asimov's Science Fiction, Zenith, Other Edens e outras.

Seu estilo pouco convencional e seu uso de temas como a nanotecnologia aplicada em cenários pós-ciberpunk, sempre explorando o impacto de novas tecnologias em diferentes sociedades (não-ocidentais), lhe rendeu diversas indicações. Venceu o John W. Campbell de 1985 e o Locus de 1989 de melhor romance.


Ian McDonald (Brasyl, Fat Tuesday, Fragments os an analysis, River of Gods, Some strange desire, Tendeleo's story, The best and the rest of James Joyce, The Djinn's wife, The little Goddess, The Tear, Verthandi's ring, Camino Desolacion, El Imperio de suenos) [ Download ]

RoboBraille


Um serviço online gratuito e fantástico, que merece toda a divulgação possível.

Trata-se de um conversor de textos (doc, txt, rtf,etc) para arquivos digitais de áudio e braille.

Basta enviar um email para textoparavoz@robobraille.org com o texto anexado.

Em poucos minutos (dependendo do tamanho do arquivo), você recebe o email de resposta contendo o endereço na internet, onde poderá acessar o resultado.

O projeto foi concebido por empresas de um consórcio europeu e está disponibilizado gratuitamente, desde que não seja utilizado comercialmente.

Enviamos um trecho de 'O último vôo a Marte' de Fausto Cunha como experiência. A pronúncia é muito boa, apesar do 'sotaque' do português de Portugal.

Ouça aqui o texto abaixo:


[ Trecho de 'Último vôo a Marte' de Fausto Cunha.

- Estamos transmitindo diretamente de Hiox, A-11, Campo Vhur, em Marte. A evacuação está chegando ao fim. Alguns marcianos irão ficar. Já não há nenhum terrestre no planeta. Depois de quase um milhão de anos, a história se repete. Não haviam homens em Marte. E não há mais homens em Marte.

"Este é Marte, o planeta amado. Marte, suas montanhas, seus mares congelados, seus vulcões extintos, seu vento incansável. Faremos nossa última entrevista nesta segunda pátria do homem."

-Visitaremos primeiro alguns antigos marcianos que preferiram ficar. Segundo os cientistas, num tempo muito curto, Marte já não poderá suportar qualquer forma de vida, excepto formas primitivas, anaeróbias. A permanência de formas superiores irá tornar-se cada vez mais difícil e, em última instância, impossível. Podemos mesmo dizer que nos últimos séculos, nos últimos milênios, desde os grandes deslocamentos glaciares, Marte tinha uma existência artificial. Falando mais precisamente, os terrestres nunca puderam viver aqui fora das cidades cúpulas. Para os Marcianos, a chegada do homem foi a redenção de uma raça que fatalmente desapareceria. Vamos descer um pouco e falar com esse velho habitante. Qual é o seu nome, por favor?

- Ghoz.

- Perfeito, Ghoz. Por que você decidiu ficar? Você já sabe que as cúpulas não resistirão por muitos anos. Mesmo os subterrâneos não resistirão à pressão do gelo.

- Sempre estranhei aqueles marcianos. Milhares de anos de contato com a gente, e continuam a ser quase os mesmos da época do Desembarque. Ghoz está dizendo que um velho sonho dos seus antepassados era ver Marte como era antes da chegada dos homens. Ele não tem nada contra nós, e supõe que nossos erros foram cometidos na ânsia de nos mostrarmos bons para eles. Agora que se apresentou uma oportunidade de ficarem sozinhos novamente, mesmo com a certeza da morte que se aproxima, eles querem agarrá-la. Disse que milhões e milhões de marcianos morreram e foram enterrados aqui. Quando a camada de gelo cobrir o planeta e nenhuma forma de vida perturbar mais a Paz Superior, então os Zenghiis - os Altos Espíritos - descerão para explicar aos que dormem debaixo da terra, o seu destino. Ghoz estará entre eles. Muito obrigado, Ghoz. E Paz Superior para nossos irmãos que dormem! ]

Ficção Científica (Renato Russo/Aborto Elétrico)



Hoje a noite Flash Gordon
Vai tentar ser Barbarella
Para ver se aprisiona Albert Einstein
Que criou o elixir da longa vida
Ainda vive
E tenta criar uma nova bomba H
Um eclipse destruiu o sol
Que queria ser Apolo
Sem o mito só o fogo queima o chão
Julio Verne matou Galileu
E Saturno os seus filhos
Sangue puro a essência canibal
Sonhos mortos, sonhos tortos
Sempre vejo minha morte
Mas tanto faz, não existem mais heróis
Kryptonita no meu sangue
Clorofórmio no banheiro
E a dança é a mesma, não é ficção
Revolução em selvas tropicais
Raio laser mata índios
Descoberta O Novo Mundo envelheceu
Como tentar ser selvagem
Se não existe anarquia
E a dança é a mesma, não é ficção
Muita fome nas estrelas
Muita fome nas estrelas
Muita fome nas estrelas
E aqui também


Ficção Científica (Renato Russo/Aborto Elétrico) [ Download ]

Gundam



Para quem estiver no Japão, mais precisamente em Tóquio, e passar por perto do parque Shiokaze, em Odaiba, poderá ver a instalação de 11 metros de altura, de uma das mais famosas séries sobre mechas, Gundam.





Trata-se de um evento comemorativo dos 30 anos da primeira transmissão televisiva da série 'Mobile Suit Gundam'.





A visitação pública gratuita, começa no dia 11 de Julho e vai até 31 de Agosto.



A estátua pesa cerca de 38 toneladas e durante a noite fica envolta em fumaça e emitindo luzes. Uma visão e tanto!





Convenhamos, para quem vive no Japão, eventos assim não devem ser tão incomuns...




sábado, 20 de junho de 2009

Livro de Philip K. Dick oferece uma metáfora para a angústia existencial humana


'Do Androids Dream Of Eletric Sheep?'

Preso dentro da pergunta de Philip K. Dick está o enigma (conundrum) da existência.

Dentro da máquina a nossa própria busca filosófica pela natureza de nossa existência e ao reconhecimento como seres humanos.

Desde de que Donna Haraway publicou seu ensaio "Manifesto ao Ciborgues" (1985), críticos culturais têm se intrigado com organismos cibernéticos. Mais metáfora do que máquinas, os ciborgues de Haraway servem como um potente talismã à convergência global do corpo humano às redes eletrônicas, estendendo nosso romance com a tecnologia.

Entretanto, em uma época em que vimos Norbert Wiener dar a Sigmund Freud, o papel de árbitro da psique, a interface homem-tecnologia desperta o re-pensar de perguntas antigas e significantes, no que concernente a existência humana.

Cibernética é a ciência de sistemas auto-reguladores e, como a psicanálise, fundamentalmente é um estudo do comportamento humano. A idéia básica é que o estudo de processos mecânicos de resposta e feedback poderiam ser vistos como analogias ao comportamento orgânico. Portanto, defeitos mecânicos fornecem visões válidas dentro de sintomas disfuncionais (tal como neuroses).

Entretanto o olhar da cibernética pode também ser invertido (para nós mesmos), podendo fornecer uma visão crítica do comportamento de máquinas.
Ao invés da cibernética transcender a carne e tornar-se mais do que uma máquina (como diz Arthur Kroker), o desenvolvimento da inteligência artificial e da robótica (o superhumanismo de Hans Moravec) nos força a considerar o esboço de um filme potencialmente assustador:

Como seria se as máquinas pudessem tornar-se humanas?


O organismo cibernético é mais ser humano que máquina.
Isto é o sonho de Prometeu (fonte para Frankenstein e outras criaturas) revisitado, o corpo humano aprimorado pela tecnologia: O clássico de Haraway - "Nós somos ciborgues" - muito atesta algo desta recombinação étnica, a vontade para desafiar o carne obsoleta.

Entretanto, a gradual domesticação da idéia do ciborgue como um ser humano tecnologicamente melhorado, tem tido o efeito de esconder a visão de outra criatura dos romances “de carne humana e circuitos eletrônicos”, o andróide.

O andróide, ou robô humanóide, está definitivamente mais próximo da máquina do que o ser humano. Enquanto que (ainda) não exista fora da ficção científica, ele tem virtualmente sido usado como um sinônimo da incompreensão do ciborgue, o andróide está realmente mais ligado aos problemas metafísicos que nos ocorrem, quando começamos a pensar em máquinas em termos humanos; quando obscurecemos distinções filosóficas entre o ser humano e a máquina.

Como o ciborgue seria um inegável impacto sociológico (e antropológico) , o andróide tem sido também imaginado dentro da cultura popular, como uma espécie de meio que facilitaria o pensar no que é ser humano.

A beldade pela qual Will Robinson se apaixona em Perdidos no Espaço, os robôs de Dick, ou Data, de Jornada nas Estrelas: A Próxima Geração; tudo fornece um contexto de ‘externacidade‘ que habilita ao truque, comunhão com charme. Destes exemplos, Dick é, não surpreendentemente, o mais hostil à idéia do andróide, simplesmente porque é artificial, alguma coisa que esconde a verdade, faz se passar por um ser humano.

A decepção, com "coisas frias e ferozes [que são], tentando passar-se por seres humanos que não são".

O fato de que esses simulacros (Dick usa o termo para descrever andróides) são projetados para enganar, para fazer com que pensemos que são humanos também, sugere que a ontologia* do andróide, a natureza de sua existência, é efetivamente calcada na sua “aparência” para o outro.

Refletindo sobre isso em um ensaio de 1976 chamado "Homem, Andróide e Máquina", Dick conclui que a diferença entre um ser humano e um andróide estava não em uma diferença de essência (como nós poderíamos razoavelmente esperar), mas no seu comportamento.



Esta noção surpreendente contradiz a maior parte de nossas verdades filosóficas e antropológicas.

Gostamos de acreditar que nosso comportamento reflete nossa essência, que a impressão que temos das coisas, têm um correlação direta para com a realidade aceita.

Entretanto a natureza de um andróide é tal que nós não temos o conhecimento de que seu comportamento não reflita a sua essência. Na obra de Dick os andróides simulam o comportamento humano, acreditando que as pessoas reais não os percebam.

Em "Do androids dream of..." este problema é claro; a necessidade autêntica de ter que provar a cada instante de que é um ser humano de fato, falha virtualmente em todos. De modo parecido, seres humanos são atordoados pela dúvida e a paranóia, o medo de ser andróides. Tudo começa e termina com impressões vagas, superfícies sem profundidade, cópias do comportamento humano e escassas do fundamento da natureza humana.

A este respeito, o 'queer-andróide' combina categorias distintas de ser humano e de máquina.

O termo 'queer' tem sido usado em anos recentes para designar o “gosto” de pessoas por outras de mesmo sexo, sem declarar o sexo do desejado, e que é o objeto do desejo.
Parecido ao comportamento inicial de um andróide com o humano, sem ter que declarar sua diferença essencial (já que é essencialmente não-humano).

Como o simulacro da novela de Philip K. Dick, “We Can Build You”, que é enviado para uma pizzaria por seu fabricante como uma demonstração:
"Você verá como convincente este simulacro é quando pede sua própria pizza"
; seu ‘queers’ de comportamento é a distinção notável entre sua aparência e sua essência.

Este é um grande problema para a metafísica**

No fundamento do quanto humano um andróide parece ser (como Dick foi rápido em reconhecer), não poderá haver qualquer reclamação para uma ‘desumanidade’ essencial na relação, já que os andróides são o ‘Outro’.



Se o ciborgue representa o êxito do exterior evolucionário sonhado através do corpo humano aprimorado pela tecnologia, o andróide é o lado do pesadelo daquele sonho, uma pessoa com colapsos de confiança, norma ontológica tanto para o humano quanto para a máquina.

A este respeito, o caráter de Data é muito mais amigável (e certamente mais 'correto') do que a Rachael Rosen de Dick (de ‘Do Androids dream of...’ ).

Data não tem dúvida de que é um andróide e está sempre tentando compreender o comportamento apropriado que sabe ser humano (como o humor, embora seja uma coisa totalmente desconhecida para ele).

Rachael, como muitos outros iguais na quimera de mundos de Dick, não sabe ser uma criatura artificialmente construída, até que isto é revelado pelo caçador de recompensas Rick Deckard.



Em um momento catárdico, Rachael é confrontada com uma peculiar situação humana.
Tendo falhado no teste Voigt-Kampff (único meio de Deckard para identificar um andróide), Rachael é forçada a aceitar saber de que não está realmente viva, que ela não tem uma natureza humana.

Rachael fora programada para esquecer que é um andróide, tem memórias falsas de uma infância que ela nunca experimentou, uma identidade implantada que não possui.

Neste momento, ela habita uma utopia metafísica, no sentido literal do termo:

Um “em nenhum lugar”.

Estamos familiarizados a isso graças a ficção especulativa e gêneros particularmente pós-modernos, que descrevem o problema ontológico causado pela introdução do irreal ou do fantástico, dentro do domínio do viável.

Rachael Rosen 'auto'-revelada entretanto, é uma curiosa contaminação do irreal pelo real, o desumano contaminado pelo humano.

Máquinas, tal como computadores, podem ser infectadas por vírus que corrompem relacionamentos binários entre uns e zeros.

O que falar então do ‘espírito’ da máquina?

Se andróides fossem contaminados por um ‘meme’, um vírus metafísico que invadisse e colonizasse o hospedeiro, alterando não só seu arranjo de dados, mas seu equilíbrio ontológico?

Imagine as conseqüências de um andróide que não mais simule o comportamento humano, mas realmente se torne MAIS DO QUE HUMANO; a vida humana artificial mutacionando-se para vida humana.

A este respeito, a máquina podia ser pensada como uma espécie de ‘morto-vivo’, vindo para a vida de um estado de não-vida.

Sob tais condições, andróides podem sem dúvida sonhar com carneiros elétricos, relógios moles...

Como tal, a idéia de que um andróide poderia adquirir uma metafísica através da contaminação viral, é por si só uma abstração tantalizante*** que compromete a obsessão da cibercultura por corpos, assim como o desejo evangélico de querer ver o corpo orgânico funcionando com a monotonia infalível de uma máquina.

Enquanto nós desejamos ser mais parecido com eles, eles poderiam se tornar mais parecidos conosco.

Um episódio especial de Jornada nas Estrelas: A Próxima Geração, intitulado 'Elementar meu caro Data' , destaca uma batalha holográfica entre Sherlock Holmes (Data) e seu nemesis Moriarty (um avatar configurado pelo programa de computador do Holodeck).


Durante uma simulação, Moriarty-avatar se torna ‘consciente’, resultado de uma confusão nas instruções dadas ao computador para encontrar um adversário mais digno para Data (uma entidade ‘real’), do que Holmes, o personagem literário interpretado por Data (uma confusão digna de Pirandello ou do autor de Slaughterhouse-Five, Kilgore Trout).

Em si mesmo, uma bela ironia, já que Data não ‘é’ uma pessoa para começar (ele não está nem mesmo tecnicamente vivo), ainda assim o Holodeck interpretou que ele devia estar, dado que aquele Holmes foi seu alter-ego escolhido.

Esta exceção ontológica habilita em Moriarty, motivar ações reais com efeitos reais, e por esse meio, torna-se uma ameaça genuína para outros. Em outras palavras, ele momentaneamente sai da realidade virtual para a nossa realidade, como uma existência humana.


Ele será certamente derrotado, pois a ficção científica não pode tolerar a idéia metafísica de que as máquinas (via Moriarty) derrotem a nostalgia, marca registrada da serie; mas com uma diferença... Com a simulação desligada no Holodeck, ele encara a quase-morte, uma existência armazenada na memória da Enterprise.

Isto pode obviamente ser entendido como uma paródia da vontade de virtualizar-se, ou o desejo humano pela imersão digital.

Porém, um pouco mais profundamente, isto é o cenário da terra-de-ninguém da metafísica de vanguarda, máquinas tornando-se humanas e voltando a ser máquinas outra vez, e de algum modo, atentas às bizarras implicações disso.


Publicado na Worldideas por Darren Tofts



(* ontologia - Parte da filosofia que trata do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres.)
(**metafisica - Parte da filosofia, que com ela muitas vezes se confunde, e que, em perspectivas e com finalidades diversas, apresenta as seguintes características gerais, ou algumas delas: é um corpo de conhecimentos racionais (e não de conhecimentos revelados ou empíricos) em que se procura determinar as regras fundamentais do pensamento (aquelas de que devem decorrer o conjunto de princípios de qualquer outra ciência, e a certeza e evidência que neles reconhecemos), e que nos dá a chave do conhecimento do real, tal como este verdadeiramente é (em oposição à aparência).)
(***tantalizar - Atormentar com alguma coisa que, apresentada à vista, excite o desejo de possuí-la, frustrando-se este desejo continuamente por se manter o objeto dele fora de alcance, à maneira do suplício de Tântalo. Provocar desejos irrealizáveis.)