
Pergunta: Você está perto dos 90 anos. Como se sente?
Pohl: Bem. Nunca planejei chegar até esta idade e não sei exatamente como isso aconteceu... mas acho que é melhor do que a outra alternativa.
P: Agora que você passou dos 80 anos, você continua com a sua rotina de escrever 4 páginas por dia?
Pohl: Sim e não. Alguns anos atrás eu comecei a ter problemas sérios para respirar e decidi parar de fumar. Isso me ajudou mas também arruinou, ao menos temporariamente, a coisa de escrever: 60 anos escrevendo com um cigarro queimando no cinzeiro ao lado era um hábito difícil de mudar. É quase impossível escrever qualquer coisa. Nos últimos meses a situação melhorou um pouco e acho que voltarei logo a escrever.
P: Existem rumores que você estaria escrevendo uma continuação de Gateway. É verdade?
Pohl: Sim, estou trabalhando em outro livro da série Heechee. Anos atrás, Bob (Robert) Silverberg, que é bem persuasivo quando quer ser, me convenceu a escrever um conto dentro do universo Heechee, para uma antologia que ele estava montando.Minha esposa e eu estávamos viajando pelo mediterrâneo e escrevi uma história a bordo do navio. Acabou sendo grande demais para sua antologia então escrevi outra e mandei para ele. Me dei conta de ter pelo menos 30.000 palavras para uma história sobre Heechee e resolvi escrever um pouco mais e transformar em um livro. Provavelmente se chamará From Gateway to the Core...
P: Gateway ganhou os prêmios Hugo, Nebula e o John W.Campbell Memorial. Também foi um campeão de vendas (se encontra na edição de núm.30). Você esperava tal reconhecimento ao escrevê-lo?
Pohl: Eu sabia que era um ótimo livro. Mas não sabia que ganharia tantos prêmios, mas fico feliz com isso. Eu ficaria desapontado se outro livro os tivesse ganho. É um bom livro.
Publiquei muito na minha vida e não sou louco por todos eles. Talvez por 20 ou 30 somente e Gateway é o que eu mais gosto ou esteja entre aqueles que mais gosto, eu acho. Isso muda todo dia, eu também gosto bastante de Chernobyl e The Years of City, mas Gateway, acho, é melhor.
P: Você é um fã, escritor e foi editor, tudo ao mesmo tempo, agente literário e até presidente da SFWA e da World SF, a organização internacional de pessoas ligadas a Ficção Científica. De todas estas experiências, de qual gosta mais?
Pohl: Escritor. Todo o resto é trabalho. Tinha muito prazer em ser editor sob certas circunstâncias, mas não se compara.
P: Como você consegue se manter sempre fascinado pela Ficção Científica?
Pohl: O que me mantêm interessado na FC é que é sobre ciência, uma constante desdobramento do conhecimento teórico através da observação de como funciona o universo e como pode se expressar através das histórias de FC.
P: Existem correntes da FC que não lhe interessam?
Pohl: Gosto de todo tipo de Ficção Científica. O que não me interessa são estas combinações de FC com Fantasia, pois nada me dizem, nada que C.L.Moore já não tenha feito antes. E melhor.
P: Dentro deste mesmo tópico, quais são estas correntes que o senhor acha que irão crescer?
Pohl: O bom da FC é que ela não é monolítica, não tem uma única tendência, vai em todas as direções ao mesmo tempo, na medida que os escritores surgem com pensamentos sobre coisas novas para explorar e outros aprendem com estes.
P: Você colaborou com outros escritores como C.M.Kornbluth, Isaac Asimov, Jack Williamson, Lester del Rey e L. Ron Hubbard. Qual o segredo de uma colaboração bem sucedida?
Pohl: Uma enorme paciência (risos). Você tem que ser amigável de verdade. Parece muito com um casamento, de muitas maneiras. Você não sabe para onde vai, até que já está dentro. Existem conflitos inevitáveis, de estilos e interesses. Não falo de estilo de se escrever mas de trabalhar. Algumas vezes pode ser fatal.
O livro que escrevi com Lester Del Rey, chamado Preferred Risk, custou um ano da minha vida. Um livro horrível. Se você for começar a lê-lo, não o faça. Foi originalmente publicado com um pseudônimo meu, que eu uso quando não quero assumir o livro. Ai a esposa de Lester, Judy Del Rey, republicou-o pela Del Rey Books e colocou nossos nomes nele. Nunca mais pude negar tê-lo escrito (risos).
P: Em sua obra, você freqüentemente se utiliza de comentários sobre assuntos sociais e políticos.
Pohl: Sou um interessado pela sociedade. Eu era um radical quando adolescente e me transformei num democrata, que basicamente é um tipo de radical se comparado aos republicanos. Li muitos livros sobre pensadores políticos, todos os utopistas e sobre tipos de sociedades que eu imaginava poder gostar de escrever sobre elas.
Não há dúvidas que existem coisas terrivelmente erradas com a nossa sociedade. A parte difícil é tentar imaginar como fazê-la melhor, no que eu tenho fracassado. Mas uma das vantagens de se escrever FC é que você pode pensar sobre como outras sociedades poderiam funcionar bem se as regras fossem um pouquinho diferentes, e então escrever a história e ver como as pessoas serão afetadas por isso. A maior parte da FC que eu gosto, trata disso. Contudo existe também uma outra parte que é uma espécie de celebração da ciência e da investigação do desconhecido. Mas eu passei bastante tempo escrevendo o que eles chamam de FC social.
P:A sátira é um elemento predominante no seu trabalho. Quais são suas influências literárias?
Pohl: Bem, a primeira ficção que me lembro de ter lido foi Voltaire. Cândida. Minha mãe me deu para ler quando eu tinha uns oito anos. Ela pensou que se tratasse de uma história de fadas. Voltaire foi um dos grandes escritores do Iluminismo, e li Jonathan Swift e todos os clássicos.
Existia um elemento de sátira na FC que eu gostava, quando comecei a ler. Até Edgar Rice Borroughs em sua série Mars (Marte), trata-se de uma sátira aos costumes, a religião e a política da Terra.
É claro, Brave New World (Admirável Mundo Novo) de Aldous Huxley e alguns escritores, como um homem chamado Stanton A.Cobletz em particular, que escrevia um tipo de FC bem pesada, crua mas muito satírica. Acho que me influenciaram, mas tudo que eu li me influenciou de certa maneira.
P: Quais são alguns de seus filmes de FC prediletos de todos os tempos?
Pohl: Acho que o que eu mais gostei foi 'Things to Come'. Foi lançado em 1936 e me acertou em cheio. Acho que vi umas 25 ou 30 vezes.
Também gostei de Forbidden Planet (Planeta Proibido). Me ofereceram a chance de escrever uma versão do filme antes dele ser lançado e eu pensei que não seria tão bom e recusei. Então quando eu o vi no cinema, fiquei muito chateado comigo mesmo, porque era um dos poucos filmes de FC que dariam uma boa história para ser publicada como livro.
O primeiro filme de FC que vi se chamava 'Just Imagine', lançado em 1930. Era sobre o incrível futuro distante de 1980. Nele Nova Iorque era cheia de arranha-céus e as pessoas viviam de pílulas. Quando um casal queria um bebê, colocavam vinte e cinco centavos numa máquina e o bebê surgia. Foi também o primeiro filme de Maureen O'Sullivan e eu me apaixonei por ela.
P: Durante sua vida, você assistiu a invenção dos computadores, os foguetes foram à lua, você viu o DVD, o telefone celular, forno de micro-ondas, todas estas invenções científicas importantíssimas. Será que a FC algumas vezes não se amedronta com o fato científico ?
Pohl: Não. Todas estas coisas vieram da FC. Quero dizer, nada disso me deixou surpreso por que eu já tinha lido algo sobre isso, bem antes de acontecer. Eu estava em Paris em Agosto de 1945 e eu estava cortando o cabelo numa barbearia no Champs Elyssees. Eu olhava sobre o ombro do homem ao meu lado e ele estava lendo um jornal e a manchete era 'Le Bomb Atomique'.
E a primeira coisa que eu pensei foi: 'Estes franceses malucos publicam qualquer coisa em seus jornais.' Então eu olhei mais de perto e vi que aquilo tinha mesmo acontecido. Eu senti, bem, eu já sabia que um dia aconteceria.
Todo mundo que lia Ficção Científica sabia que havia uma boa possibilidade. Existem vários tipos de FC que você não pode mais ler. Você não escreve mais sobre o primeiro robô inteligente, a primeira viagem a Lua ou a primeira guerra nuclear, por que já ocorreram, mas as conseqüências de tudo isso vão ficando mais claras a cada dia.
P: Você recentemente escreveu The Other End of Time, The Siege of Eternity e The Far Shore of Time ou Eschaton Sequence. O que é Eschaton?
Pohl: Eschaton é um termo teológico significando quando tudo fica diferente, quando todas as regras mudam. Foi usado pelo físico Frank Tippler para descrever o instante quando o universo tiver se expandido ao máximo e então irá sofrer um colapso, o chamado Big Crush. Quando tudo vai voltar a ser uma coisa só, é o que ele chama de Eschaton.
P: Como você acha que será o próximo século?
Pohl: Não dá para dizer em uma entrevista de 30 minutos (risos). Um jornal de Chicago me pediu para enumerar cinco coisas que não existirão em 2210. Eu respondi: 'Não existirão computadores, aparelhos de televisão, engarrafamentos de carros, hospitais ou aeroportos.' Tenho quase certeza disso. O que mais for acontecer, dependerá do que as pessoas fizerem.
Existem muitas tentativas por parte de pessoas brilhantes e bem informadas, de conceber metodologias para prever o futuro. Um monte de nomes estranhos como Delphi Herman Kahn, Mapeamento Metodológico, Extrapolações de tendências, etc. Todas tem uma coisa em comum: Nenhuma delas funciona.
Um homem chamado Dennis Gabor, que é mais conhecido por ter inventado o holograma, é um dos lideres no estudo do futuro e sumariza tudo ao dizer: 'É impossível se predizer o futuro, o melhor que podemos fazer é inventá-lo'.
Você não pode dizer o que vai acontecer no século 21 ou 22, pode apenas dizer o que poderá acontecer, e tem certas coisas que não estarão lá, como as cinco que mencionei.
P: No mesmo tema, que tipos de futuro-possíveis (futuribles) mais te intrigam ou o preocupam atualmente?
Pohl: Isso é uma coisa que me interessa: (a) a questão do aquecimento global (nota do editor: Pohl e Asimov escreveram 'Our Angry World' que trata exatamente disso); (b) como será o mundo quando computadores se tornarem menores que um botão e mais baratos que chiclete e estarão em todas as coisas; (c) antecipar os resultados do próximo megacrash do mercado de valores.
P: Qual foi a inspiração para 'Man Plus'?
Pohl: A inspiração original não é minha mas de uma mulher que queria produzir um filme. Ela tinha a idéia de que o filme deveria ser sobre ciborgues no espaço. Era tudo que ela sabia dizer sobre o filme. Eu passei alguns meses tentando escrever um roteiro para ela. Acabei não chegando em parte alguma. Nunca fui pago por isso também (risos). Depois eu juntei tudo e resolvi que escreveria um livro disso.
P: E o que pensa sobre a seqüência escrita por Thomas T. Thomas, Mars Plus ?
Pohl: A seqüência veio por que Jim Baen, o dono da Baen Books, me levou para almoçar um dia e disse: 'Quero que você me escreva um esboço para uma seqüência e outra pessoa escreverá o livro'. Eu concordei. Eu não costumava fazer isso e não estou certo de que o faria de novo.
Penso que Thomas T. Thomas fez um ótimo trabalho, não é o livro que eu escreveria, mas é um livro satisfatório, baseado nas minhas idéias. Eu o teria feito diferente, mas ele fez coisas que eu não pensei em fazer. Deu realmente uns toques bem interessantes.
P: Vênus é cenário de muitos de seus livros. O planeta tem apelo especial para você?
Pohl: Venus está mais próximo da Terra em muitos aspectos. As únicas coisas em que é diferente são a temperatura e a pressão atmosférica. E isso aparentemente se deve por estar 40 milhões de milhas mais perto do sol. Então, se você pudesse lidar com a temperatura, que é quente o bastante para derreter chumbo, ou a pressão do ar, que é grande o bastante para esmagar qualquer coisa viva, seria um bom planeta para se viver.
Acho que já escrevi sobre cada planeta do sistema solar onde fosse possível suportar alguém caminhando em sua superfície. Os grandões como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, não parecem ter uma superfície, então não contam, mas você pode escrever histórias com Marte, Vênus, Mercúrio, Plutão, a Lua, Calisto, Ganimedes e vários outros satélites. Mas Vênus é o planeta mais fácil de se ir, é o mais próximo da Terra. Na maioria do tempo, mais próximo do que Marte. Não tenho mais carinho com o planeta do que isso.
P: Algo mais que queira dizer?
Pohl: Acabei de voltar de um cruzeiro pelo canal do Panamá, onde escrevi bastante. Cruzeiros estão se tornando um ótimo lugar para que eu possa escrever sossegado. O telefone nunca toca. A viagem pelo Canal foi especial. Passei meu primeiro ano de vida na cidade de Gatun, onde meu pai tinha um emprego trabalhando nas comportas e desde aquela época, nunca tinha voltado até lá. Então eu queria dar uma olhada no lugar e amei a viagem.
Entrevista concedida a Michael McCarty em 2001.
domingo, 23 de agosto de 2009
Uma lenda viva da Ficção Científica, Frederik Pohl, nos lembra sobre como era o Futuro
sábado, 22 de agosto de 2009
Além do corpo: a carne como ficção cientifica
Gaston Bachelard
–Nada! Não quero mais desse corpo que não presta, que se estraga, que fica doente, que atrapalha meu pensamento e dificulta a minha própria razão... Não sou mais um corpo! Cogito ergo sum: Sou um puro espírito, um ser inteligente. Adeus corpo! (Le Breton, 1999)
Esse discurso sobre o corpo, que parece ser extrato de um romance de ficção científica é o tema central do novo livro de David Le Breton.
Só que David Le Breton não é romancista, mas antropólogo especializado nas questões ligadas à corporalidade humana e autor de mais de dez ensaios relativos ao corpo.
Para David Le Breton, o indivíduo, na sociedade contemporânea, pensa o corpo como um material, como um simples suporte e veículo da pessoa, assim andando e pensando, ele parece se afastar cada vez mais do seu próprio corpo e concebê-lo como uma matéria imperfeita, corrigível e finalmente dispensável.
Le Breton, nesse livro sobre o corpo na cultura ocidental pós-moderna, mostra até que ponto o novo imaginário do corpo revela a contemporaneidade do dualismo cartesiano e convida o leitor a segui-lo na sua “antropologia das aventuras do corpo dissociado da pessoa, percebido como um material acidental, infeliz e moldável” (1999: 21).
Ao longo dessa viagem de iniciação, Le Breton demostra como esse grande desprezo pelo corpo, essa vontade de corrigir e eliminar o corpo, está principalmente veiculado pelas tecno-ciências (medicina, genética, robótica, informática...) que pretendem liberar o homem do seu corpo, mudar a condição humana, declarando o fim do corpo e das suas imperfeições. Esse mito da saúde perfeita, analisado por Lucien Sphez, alimenta o discurso científico atual e nos anuncia uma profunda mutação epistemológica: pensar um homem sem corpo.
A partir das descobertas e experiências dos primeiros anatomistas (Vesale,1543), o corpo ocidental tornou-se matéria viva, “coisa” de medicina, e o dualismo cartesiano encontrou um imenso campo de experimentação “ao vivo”: a Ciência Moderna se lança de corpo e alma nos estudos do corpo como realidade autônoma, totalmente separada do homem, da pessoa.
Descartes corta, disseca, retira a inteligência do homem do seu corpo, da sua carne: “Eu não sou esse conjunto de membros que chamamos de corpo” (Descartes, 1970). Hoje, “o corpo é escaneado, purificado, gerado, remanejado, renaturalizado, artificializado, recodificado geneticamente, decomposto e reconstruído ou eliminado, estigmatizado em nome do grande ‘espírito’ ou do gene ‘ruim’. A sua fragmentação é conseqüência da do sujeito.
O corpo aparece hoje como o maior desafio político, ele é o analisador fundamental
das nossas sociedades contemporâneas” (1999: 21).
David Le Breton mostra como, nas representações pós-modernas do corpo e nas
novas técnicas corporais ocidentais, o espaço que separa o homem do seu corpo se estendeu. Para ele, já entramos no tempo “pós-biológico” da história humana, período no qual a humanidade busca superar as fragilidades e as imperfeições ligadas a sua condição “corporal”.
As novas tecnologias, com seus discursos, suas experiências e suas descobertas, sonham com um corpo biônico, tão perfeito e controlável quanto um computador, e nos convidam a conceber a carne do corpo como um puro feitiço, do qual seria melhor se livrar logo.
A ficção científica sempre esteve muito interessada nas conseqüências que as novas tecnologias poderiam ter sobre o corpo; do cinema à literatura, muitos foram os romancistas que entenderam que, no “futuro”, o homem iria querer mudar sua condição corporal e que a noção de corpo se constitui como uma grande musa da imaginação futurista.
Do doutor Frankenstein (Wells, 1990) aos trabalhos do doutor Moreau (Shelley, 1983), de Blade Runner a Matrix, o uso do corpo humano como um material biológico disponível coloca sempre em cena personagens cuja evidência “humana” é rompida e cujo estatuto antropológico suscita o medo. Em Matrix, a carne é considerada como uma doença, a condição corporal vista como epidemia e os corpos humanos são fabricados e controlados industrialmente pelos próprios robôs, que inverteram os papéis e demostraram a superioridade dos materiais eletrônicos sobre as matérias vivas, da eternidade sobre a morte.
Esse poder de “dar a vida” que têm os robôs no filme parece muito com os poderes que querem adquirir os geneticistas e os engenheiros da Inteligência Artificial do final do século XX.
As criaturas moldadas por Moreau na sua ilha de experimentação genética eram híbridas, hoje, a clonagem de animais (e a ciência de reprodução do “idêntico” ultrapassa tecnologicamente a das misturas) já foi realizada várias vezes (o primeiro caso foi de uma ovelha e do seu clone Dolly).
Através de uma leitura antropológica da literatura de ficção científica contemporânea (Dick, Ballard, Moravec, Gibson...), Le Breton coloca em evidência a velocidade das transformações nas representações e nos usos sociais e medicinais do corpo humano. Tradicionalmente inspirada pelas últimas descobertas científicas e as suas possíveis perspectivas futuras, a ficção científica de hoje está sendo, paradoxalmente, cada vez mais “realista”.
A aceleração das descobertas nas biociências e os avanços tecnológicos produzem um
“efeito de real” que ultrapassa muitas vezes o próprio desafio “futurístico” da ficção científica: descrever um futuro radicalmente diferente do presente, uma ficção do tempo no mundo.
“O nosso próprio mundo virou um universo de ficção cientifica” (1999: 159).
O futuro do corpo é hoje, nos avisa Le Breton, e ele está sendo questionado tanto pelas literaturas de ficção quanto pelos científicos.
David Le Breton, que já sabe há muito tempo que a única realidade do corpo é de ordem simbólica, mergulha entre o biológico e o ético, entre o corpo “real” e o “virtual” (ou feitiço), sem nunca se perder numa ficção antropológica, justamente porque ele sabe usar um para analisar o outro, e vice-versa. Nesse último livro, David Le Breton consegue navegar através dos novos paradigmas do corpo (o corpo-(alter)ego; o corpo virtual; o corpo genético...), conceitos que aparecem fundamentais para entender a condição humana no século XXI. Neste percurso, ele dirige o leitor com firmeza e precisão, e, ao mesmo tempo, o convida a viajar em torno dos futuros corpos, entre as descobertas e os delírios da ciência e da tecnologia.
Na primeira parte do livro, ele aborda as tentativas do indivíduo, nas nossas sociedades ocidentais, de dominar seu corpo, suas emoções, seu eu corporal tanto através de biopoderes coletivos (Foucault) quanto através de um autocontrole de si que passa por um profundo desprezo do corpo. O primeiro passo dessa desconfiança com o corpo concerne a sua aparência, sua exterioridade e visibilidade. Assim que o corpo chega, a sociedade toma conta dele, o corpo é concebido e vivido como se fosse um objeto inacabado, incompleto, um puro rascunho da identidade pessoal.
Em busca de um corpo ideal (Malysse, 1998), os indivíduos procuram incorporar as normas de uma nova estética corporal. No Rio de Janeiro, muitas pessoas procuram mudar seu corpo através de uma hipermalhação para transformar a imagem do seu “eu” e, assim, sua vida social.
Nessas práticas de modificação da aparência, o corpo é vivido como um parceiro e não se apresenta mais como dado, dando início a processos psicológicos e sociais, mas como produto desses processos. Nessa linha de pesquisa, Le Breton analisa também as marcas corporais (tatuagens, piercing...) como signos de uma mudança radical em relação ao corpo.
No vasto campo do body art, ele apresenta os trabalhos do Faquir Musafar, líder dos “Primitivos Modernos” que experimenta no seu próprio corpo várias modificações corporais inspiradas pelas culturas primitivas. David Le Breton considera também o transexualismo como uma marca corporal, pois “a marca corporal traduz a necessidade de completar, por iniciativa pessoal, um corpo que não chega a incorporar/encarnar a identidade pessoal” (1999: 98).
Nessas práticas de individualização, que levam a uma recriação de si, o corpo se torna uma extensão do eu, a parte visível do “ego” e Le Breton relaciona essas práticas de “correção” do corpo com a medicalização da vida cotidiana e com a produção farmacológica de si.
Por um lado, o corpo visível é reconstruído, por outro, as emoções e sensações são controladas através do uso cotidiano dos psicotrópicos. Do dentro ao fora, do visível ao sensível, essa desconfiança com o corpo leva os indivíduos a usar pílulas e medicamentos para tudo: para acordar, para dormir, para estar em forma, para combater o estresse, a apatia, para engordar, para emagrecer, para bronzear...
Para Le Breton, “o corpo humano virou um continente explorado pelos cientistas em busca de benefícios. No tempo dos anatomistas, os pesquisadores somente procuravam nomear cada fragmento do corpo, hoje eles tomam posse dele para melhor gerenciar os seus usos econômicos potenciais.
A colonização não é mais espacial, ela investe na corporeidade humana” (:117).
Através de uma leitura crítica dos avanços em genética humana e reprodução artificial, Le Breton mostra em quais pontos o homem procura dominar a sua incorporação ao mundo: a fecundação in vitro (FIV), os controles de “fabricação”, os testes do embrião, a idéia de uma infanticida na medicina, a utopia de uma gravidez masculina, estes são os signos de uma forma de eugenismo pós-moderno.
O Projeto Genome que tenta cartografar a estrutura do DNA humano, considerando que o nosso destino é inscrito nos nossos genes, e as experiências com a clonagem que aparecem como uma tentativa de avaliar as razões genéticas das coisas “humanas”: de explicar tudo pelo genético.
Assim, hoje, certos cientistas americanos, pensam “seriamente” que a violência pode ser de origem genética, como seriam também o homossexualismo, o alcoolismo... e isso, “do mesmo jeito que, na época da escravidão, teriam descoberto a existência de um gene do escravo!”
(1999: 104).
As questões de Bioética, levantadas por essas novas ciências, aparecem aqui como novas perturbações introduzidas na configuração do corpo e na configuração do mundo. Da mesma forma, “o virtual marca o começo de um novo paradigma da relação do homem com o mundo” (: 16). Ciberespaço, cibersexualidade, inteligência artificial, mito do Andróide sensível e inteligente...
O corpo da realidade virtual aparece desencarnado e a carne vira uma pura ficção.
O ciberespaço parece poder livrar finalmente o homem da “escravidão do corpo” (Timothy Leary). A noção de “carne-no-mundo” e toda a fenomenologia do corpo desenvolvida por Merleau-Ponty não tocam mais ninguém, a relação com o mundo está sendo radicalmente transformada numa troca de informações, na qual os homens sonham ser “eletrônicos”... Esse mito do “homem silicium” pode assustar os mais sensíveis, os leitores mais emotivos, aqueles que ainda estão-no-mundo, mas o discurso de Le Breton é sem exagero e sem ambigüidades, ele termina seu livro confessando que “felizmente, ficamos em carne e osso para não perder o gosto do mundo”(: 223). Da sua “ciência” antropológica, David Le Breton consegue mostrar com explicações sábias os elementos mais recentes da imensa história do corpo descrevendo com fineza as conseqüências das novas tecnologias sobre o nosso “corpo” total (Mauss, 1950), social, biológico e psicológico.
Da sua paixão pela “ficção”, ele escolhe os melhores exemplos ilustrativos, as imagens mais marcantes do nosso novo imaginário do corpo. Como Paul Stoller, David Le Breton sabe desfrutar de todas as riquezas descritivas e evocativas da literatura e por meio desse diálogo incessante entre Antropologia e Literatura.
Ele criou um estilo de escrever a “Antropologia” rompendo definitivamente as fronteiras entre os gêneros. Ele faz na escrita, na sua prática antropológica, o que James Clifford e os pós-modernos americanos apenas teorizaram: “Para mim, somente a literatura pode realmente dar conta desse mundo de sutileza e de fragilidade do corpo humano” (Barthes, 1978).
Stéphane Rémy MALYSSE Coordenador do Núcleo Visual de Antropologia – UFBA REVISTA DE ANTROPOLOGIA, SÃO PAULO, USP, 2000, V. 43 nº 2.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
The Man with the Strange Head and Other Early Science Fiction Stories
In March 1926 a new magazine appeared on newsstands with a wondrous cover that showed skaters gliding on a sheet of ice with a Saturn-like planet looming in the background, and it featured classic stories by H. G. Wells, Jules Verne, Edgar Allan Poe, and others.
This was the April 1926 issue of Amazing Stories, and with its appearance a new literary genre, Science Fiction, was born. Well... not quite.
Sciencefiction had been around since the early nineteenth century when Mary Shelley published her classic novel Frankenstein in 1818 and had been a recognizable, but still largely undefined, genre when Verne penned his Voyages extraordinaries from 1864 to the end of the nineteenth century and Wells produced his scientific romances and stories in the 1890s.
The selection of reprinted stories that Hugo Gernsback included in Amazing’s first issue, and those he published over the course of the rest of 1926, bear this out. Still, Gernsback’s Amazing Stories was the first magazine devoted exclusively to science fiction (called “scientifiction” in the early years), and in its pages the genre, particularly in its American idiom, was formed and defined.
Contents
The Man wit h the Strange Head
Amazing Stories, January 1927
The Appendix and the Spectacles
Amazing Stories, December 1928
The Gostak and the Doshes
Am azing Stories, March 1930
Paradise and Iron
Amazing Stories Quart erly, Summer 1930
A Problem in Communication
Astounding Stories, September 1930
On Board t he Martian Liner
Amazing Stories, March 1931
Mechanocracy
Amazing Stories, April 1932
The Finger of the Past
Amazing Stories, November 1932
Millions for Defense
Amazing Stories, March 1935
Mars Colonizes
Marvel Tales, Summer 1935
The Oversight
Comet Stories, December 1940
Appendix 1: The Future of Scientiction
Amazing Stories Quarterly, Summer 1929
Appendix 2: Selected Letters
Source Acknowledgments
Breuer’s Science Fiction
The Man with the Strange Head and Other Early Science Fiction Stories [ Download ]
Edited and with an introduction by Michael R. Page
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Historical Dictionary of Fantasy Literature

ONCE UPON A TIME
Fantasy is the faculty by which simulacra of sensible objects can be reproduced in the mind: the process of imagination.
What we generally mean when we speak of “a fantasy” in psychological terms is, however, derived from an exclusive rather than an inclusive definition of the term.
The difference between mental images of objects and the objects themselves is dramatically emphasized by the fact that mental images can be formulated for which no actual equivalents exist; it is these images that first spring to mind in association with the idea of fantasy, because they represent fantasy at its purest.
For this reason, Geoffrey Chaucer, the first writer known to us who worked in a language recognizably akin to modern English, uses the word fantasye to refer to strange and bizarre notions that have no basis in everyday experience, and this is the sense in which it is usually used today when one speaks of “fantasy literature.”
Nor is the word a mere description in Chaucer’s usage; it has pejorative implications. Any dalliance with “fantasye” in the Chaucerian sense tends to be regarded as self-indulgent folly, whether it is a purely psychological phenomenon (a fanciful aspect of “daydreaming”) or a literary one.
This attitude is peculiar, if not paradoxical. There is no thought without fantasy, and the faculty of fantasizing may well be the evolutionary raison d’être of consciousness—and yet, the notion of “fantasy” comes readytainted with implications of unworthiness, of a failure of some alleged duty of the human mind to concentrate on the realities of existence.
It is partly for this reason that the notion of “fantasy” as a literary genre is so recent.
Before 1969, the description “fantasy,” with respect to literary works, was usually only applied to a variety of children’s fiction, the implication being that the folly of fantasizing was something that adults ought put away with other childish things.
Historical Dictionary of Fantasy Literature - Brian Stableford [ Download ]
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Fantastic Voyages - Learning Science Through Science Fiction Films
Do you relish science fiction films but do not have quite the same feeling about science?
If so, this book was written with you in mind. We, the authors, are college professors who also happen to love science fiction films.
Because of our scientific expertise, we can get even more enjoyment from screening science fiction films than the average viewer because we understand what is possible or what is truly “out of this world” in the universes portrayed on film.
After reading this book and working through the exercises at the end of each chapter, you will get more out of screening science fiction films you will have a deeper understanding of the scientific principles presented in the films and probably a new respect for those filmmakers who depict science fiction that is close to science fact.
The goal of this book is to provide basic physics and biology instruction, using scenes from science fiction films as examples of the concepts discussed. Your instructor will most likely use clips from the films to illustrate a scientific principle, and you will probably find that seeing a portrayal of a scientific principle (or of a principle’s violation) helps you to understand a concept better than more traditional methods of classroom instruction.
Furthermore, by watching films you will get a better feel for how different fields of science interact—rarely does a film deal with physics only and not for example, biology, astronomy, or the social sciences.
We hope that you will come to enjoy both science and science fiction films as much as we do. (Even if you have to forgo the popcorn!)
PHYSICS
CHAPTER 1 SCIENCE
A Brief History of Science
Science, Religion, and Technology
The Scientific Method
Science and the Media
The Andromeda Strain
Measurement and Uncertainty
Scientific Notation
Units and Standards
Changing Units
Exercises
CHAPTER 2 MECHANICS
Speed and Velocity
Frame of Reference
Acceleration
Newton’s Laws of Motion
Momentum
The Day the Earth Caught Fire / Superman / 2010
Energy
Forbidden Planet / The Empire Strikes Back / Terminator 2: Judgment Day
Rotational Motion
2001: A Space Odyssey / 2010
Gravity
The Black Hole
Satellite Motion
2001: A Space Odyssey / Aliens
Exercises
CHAPTER 3 ASTRONOMY
The Solar System: The Planets
The Sun
The Moon
2010 / Total Recall / Aliens
Meteors and Comets
Meteor / Deep Impact
The Galaxy and the Universe
The Black Hole
The Evolution of the Universe
Intelligent Life Elsewhere
Star Trek IV
Ancient Astronauts
2001: A Space Odyssey / Hangar 18
Exercises
CHAPTER 4 ELECTRICITY AND MAGNETISM
Electrical Forces
Electrical Charges
Electric Currents
Electric Power
The Day the Earth Stood Still
Magnetism
Computers
2001: A Space Odyssey / Colossus: The Forbin Project /
Terminator 2: Judgment Day / Blade Runner
Exercises
CHAPTER 5 ATOMIC AND NUCLEAR PHYSICS
The Atom
Antimatter
Atomic Spectra
Star Trek IV: The Voyage Home / The Fly (1986 Version) /
The Adventures of Buckaroo Banzai / Terminator 2: Judgment Day
The Nucleus
Effects of Radiation
Radiation Detectors
Nuclear Fission and Fusion
The Three Mile Island Accident
The Chernobyl Accident
The China Syndrome
Nuclear Terrorism
The Peacemaker
Forbidden Planet
Aliens
Elementary Particles
Fantastic Voyage / Outer Limits: “The Production and Decay of Strange Particles”
Exercises
CHAPTER 6 RELATIVITY AND TIME
Time Dilation
Time Travel
Star Trek IV: The Voyage Home / Superman: The Movie
Terminator 2: Judgment Day / The Time Machine
Length Contraction
Star Trek IV: The Voyage Home
Increase of Mass with Speed
Mass-Energy Transformation
General Theory of Relativity
Gravity and Time
The Black Hole
Exercises
CHAPTER 7 THE STATES OF MATTER
The Solid State
Star Trek: “Arena”
Density
Size, Mass, and Strength
Them!
The Liquid State
Pressure
The Abyss
Buoyancy
Pascal’s Principle
Gases: Atmospheric Pressure
The Gaseous State
Equation of Continuity
Bernoulli’s Principle
Star Wars / Blade Runner
Diffusion
Them!
Exercises
CHAPTER 8 HEAT, TEMPERATURE, AND THERMODYNAMICS
Temperature
Thermal Expansion
Heat
Specific Heat
Heat Transfer
Silent Running / The Empire Strikes Back /
Phase 4 / 2010
Change of State
Them! / The Thing (1951 Version)
Thermodynamics
First Law of Thermodynamics
Second Law of Thermodynamics
Zardoz
Exercises
CHAPTER 9 WAVE MOTION AND SOUND
Waves
Wave Speed
Transverse Waves
Longitudinal Waves
Interference
The Doppler Effect
Sound
Superman,
Speed of Sound
The Abyss / The Day of the Triffids
Resonance
Loudness
Shock Waves and the Sonic Boom
The Day the Earth Stood Still
The Electromagnetic Spectrum
The Day of the Triffids
Light
Polarization
Holography
Star Wars/ Total Recall
Exercises
CHAPTER 10 GLOBAL WARMING AND
THE GREENHOUSE EFFECT
How the Greenhouse Effect Works
Types of Greenhouse Gas
Projections of the Effects of Global Warming
Kyoto Protocol
What Can Be Done to Reduce the Impact of the Greenhouse Effect
Related Films
Star Trek: The Next Generation, A Matter of Time / The Arrival,
Exercises
BIOLOGY
CHAPTER 11 CHARACTERISTICS OF LIVING THINGS
The Cell Theory
Cell Structure and Function
Selected Organelles and Their Functions
Cell Size
Organisms
Kingdoms of Organisms
The Andromeda Strain
Exercises
CHAPTER 12 CELLULAR REPRODUCTION
Diploid and Haploid Cells
Fertilization and Meiosis
Development
Genes
Mutations and Them!
Exercises
CHAPTER 13 THE ENERGY NEEDS OF LIVING THINGS
Work Requires Energy
Organization Requires Energy
Enzymes and Pathways
Adenosine Triphosphate
Hydrogen and Electron Carrier Molecules
Photosynthesis
Glycolysis
Mitochondrial Pathways
Silent Running
Exercises
CHAPTER 14 PLANTS AND ANIMALS COMPARED
Differentiation
Tissues of Animals
Organs of Animals
Organ Systems in Animals
From Organs to Tissues in Plants
The Day of the Triffids
Exercises
CHAPTER 15 MULTICELLULARITY AND IMMUNITY
Multicellularity
Cell Adhesion Molecules
Histocompatibility
Immunity
Fantastic Voyage
Exercises
CHAPTER 16 EVOLUTION
Environments and Prevailing Organisms Change
Natural Selection by Survival of the Fittest
Adaptation and Speciation
Homologies, Development, and Vestigial Structures
Planet of the Apes
Extinction
Biodiversity
Jurassic Park
Exercises
FILM DESCRIPTIONS
FILMS WITH LITERARY COMMENTARY
2001: A Space Odyssey
2010: The Year We Make Contact
The Andromeda Strain
Blade Runner
Colossus: The Forbin Project
Contact
The Day of the Triffids
The Day the Earth Caught Fire
The Day the Earth Stood Still
Fantastic Voyage
Forbidden Planet
Hangar 18
Them!
The Thing (1951 version)
The Time Machine
Total Recall
FILMS WITHOUT LITERARY COMMENTARY
The Abyss
The Adventures of Buckaroo Banzai
After the Warming
Aliens
Star Trek: “Arena”
The Arrival
The Black Hole
The China Syndrome
Deep Impact
The Empire Strikes Back
The Fly (1986) Version
Independence Day
Jurassic Park
Meteor
The Peacemaker
Phase IV
Planet of the Apes (1968) Version
Planet of the Apes (2001) Version
The Production and Decay of Strange Particles (The Outer Limits)
Silent Running
Star Trek: The Next Generation—”A Matter of Time”
Star Trek IV: The Voyage Home
Star Wars
Superman
Terminator 2: Judgment Day
Zardoz
INDEX
Fantastic Voyages - Learning science through science fiction films [ Download ]
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
The Routledge Companion to Science Fiction
The Routledge Companion to Science Fiction is a comprehensive overview of the history and study of science fiction.
It outlines major writers, movements, and texts in the genre, established critical approaches and areas for future study. Fifty-six entries by a team of renowned international contributors are divided into four parts which look, in turn, at:
• History – an integrated chronological narrative of the genre’s development
• Theory – detailed accounts of major theoretical approaches including feminism, Marxism, psychoanalysis, cultural studies, postcolonialism, posthumanism, and utopian studies
• Issues and Challenges – anticipates future directions for study in areas as diverse as science studies, music, design, environmentalism, ethics, and alterity
• Subgenres – a prismatic view of the genre, tracing themes and developments within specific subgenres
Bringing into dialogue the many perspectives on the genre, The Routledge Companion to Science Fiction is essential reading for anyone interested in the history and the future of science fiction and the way it is taught and studied.
PART I - History
01 The Copernican Revolution
Adam Roberts
02 Nineteenth-century sf
ArThur B. Evans
03 Fiction, 1895–1926
John Rieder
04 Sf tourism
Brooks Landon
05 Film, 1895–1950
J.P. Telotte
06 Fiction, 1926–1949
Farah MendleSohn
07 Golden Age comics
Marek Wasielewski
08 Film and television, the 1950s
Mark Jancovich and Derek Johnston
09 Fiction, 1950–1963
Rob Latham
10 Film and television, 1960–1980
Peter Wright
11 Fiction, 1964–1979
Helen Merrick
12 Manga and anime
Sharalyn Orbaugh
13 Silver Age comics
Jim Casey
14 Film since 1980
Sean Redmond
15 Television since 1980
LinColn Geraghty
16 Fiction, 1980–1992
Michael Levy
17 Comics since the Silver Age
Abraham Kawa
18 Fiction since 1992
Paul Kincaid
PART II - Theory
19 Critical race theory
isiah Lavender
20 Cultural history
lisa Yaszek
21 Fan studies
Robin Anne Reid
22 Feminisms
Jane Donawerth
23 Language and linguistics
Mark Bould
24 Marxism
William J. Burling
25 Nuclear criticism
Paul Williams
26 Postcolonialism
Michelle Reid
27 Posthumanism and cyborg theory
VeroniCa Hollinger
28 Postmodernism
Darren Jorgensen
29 Psychoanalysis
Andrew M. Butler
30 Queer theory
Wendy Gay Peaeson
31 Utopian studies
Alcena Madeline DaviS Rogan
32 Virtuality
Thomas Foster
PART III - Issues and challenges
33 Animal studies
Joan Gordon
34 Design for screen sf
Piers D. Britton
35 Digital games
Tanya Krzywinska and Esther Maccallum-Stewart
36 Empire
Istvan Csicsery-Ronay JR
37 Environmentalism
Patrick D. Murphy
38 Ethics and alterity
Neil Easterbrook
39 Music
Ken MCleod
40 Pseudoscience
Roger Luckhurst
41 Science studies
Sherryl Vint
42 Space
James Kneale
43 Time, possible worlds, and counterfactuals
Matt Hills
44 Young adult sf
Joe Suttiff Sanders
PART IV - Subgenres
45 Alternate history
Karen Hellekson
46 Apocalyptic sf
Aris MouSoutzanis
47 Arthouse sf film
Stacey Abbott
48 Blockbuster sf film
Stacey Abbott
49 Dystopia
Graham J. murphy
50 Eutopia
Graham J. Murphy
51 Feminist sf
Gwyneth Jones
52 Future history
Andy Sawyer
53 Hard sf
David n. Samuelson
54 Slipstream
Victoria de Zwaan
55 Space opera
Andy Sawyer
56 Weird Fiction
China Miéville
The Routledge Companion to Science Fiction [ Download ]
domingo, 16 de agosto de 2009
Roger Zelazny

Roger Joseph Zelazny (13 de Maio, 1937 - 14 de Junho, 1995) nasceu em Euclid, Ohio (EUA).
Escritor de Fantasia e Ficção Científica (FC), ganhador de vários prêmios Nebula (3) e Hugo (6), era filho único de imigrantes poloneses.
Formado em lingua inglesa pela Universidade de Columbia, Zelazny possuia um raro dom para conceber mundos plausíveis e sedutores. Suas descrições cativantes, funcionavam tão bem no gênero Fantasia quanto para a Ficção Científica. Seus críticos costumavam dizer que esta falta de definição, este trânsito por um gênero ou por outro, lhe custara uma identificação que lhe permitisse se inserir por definitivo, no panteão dos grandes autores de um ou de outro gênero.
Escritor prolífico, Zelazny era capaz de criar todo um novo universo para cada um de seus livros. Sua FC não raramente era influenciada por mitologia, poesia e pelos clássicos literários franceses e ingleses do final do século 19 e início do 20.
Um de seus trabalhos 'Lord of Light', (considerada uma das 30 melhores histórias de Ficção Científica no mundo) é baseado na mitologia Hindu. Sua série Amber, se utiliza das cartas do Tarô, onde mágicos míticos viajam através do espaço-tempo. Deuses egípcios populam 'Creatures of Light and Darkness' e elementos da religião Navajo serviram de inspiração para 'Eye of cat'.
Seu livro 'Damnation Alley' foi adaptado para o cinema e a série Amber estava para se tornar uma mini-série, quando Zelanzy veio a falecer após vários meses de luta contra um câncer tardiamente descoberto.
O Caminho dos Condenados (Damnation Alley) [ Download ]
Roger Zelazny (He who shapes, For A Breath I Tarry, Eye of Cat, Doors of his face lamps of the his mouth, Devil car, The black throne, The chronicle of Amber 10 books, Sign of Unicorn, Amber SS 6 books, Hand of Oberon, Guns of Avalon, Tu él imortal, If at Faust You don't succeed, Bring me the head of Prince Charming, A face to be reckoned with, Wizard World 2 books, Unicorn variation, This mortal mountain, This moment of the storm, This Imortal, The stainless steel leech, The shrouding and the guisel The Saleman's tale, The night has 999 eyes, The naked matador, The monster and the maiden, The man who loved the faioli, The last defender of Camelot, The Jack of Shadows, The Great Slow Kings, The graveyard heart, The dream master, Roadmarks, Recital, Prologue to the trumps of Doom, Permafrost, My name is Legion, Love is an imaginary number, Lord of Light, Last of the wild ones, Keys to remember, Isle of the Dead, Here there be dragons, Hall of mirrors, Go starless in the night, Four for tomorrow, Engine at heartspring's center, Doorways in the sand, Divine Madness, Dismay light, Dilvish the damned, Deus Irae, Death and the executioner, Deadboy Donner and the Filstone cup, Corrida, Coming to a cord, Collectors Fever, Blue horse dancing mountains, And I only am escape to tell thee, A night in the lonesome October, A Museum piece, Three Descents ) [ Download ]
Criando uma história de Ficção Científica - Roger Zelazny
Sylvia Burack me pediu para escrever um ensaio para o ‘The Writer’ e assim surgiu este texto.
Grande parte dele fala sobre a composição da minha história chamada ‘EYE OF CAT’.
Não me lembro de ter registrado em tantos detalhes sobre como escrever um livro antes disso. De qualquer maneira pode sevir para você que como eu, deve ser um interessado pela matéria.
O falecido James Blish, foi perguntado certa vez de onde ele tirava as idéias para suas historias de FC. Ele deu uma resposta usual, falando sobre a importância de ser observador, de ler, e de acumular experiências, etc.
Então alguém perguntou-lhe o que ocorria se tudo isto não funcionasse. Ele imediatamente respondeu: ‘Eu plagiaria a mim mesmo’.
Ele queria dizer, é claro, que daria uma relida em seus antigos trabalhos, muitos que não vingaram, acreditando que com a persistência dos conceitos e a renovação de velhas idéias, viesse a estimular novas idéias.
E isso funciona! Eu o faço ocasionalmente e quase sempre tenho um transbordamento de idéias!
Mas eu tenho escrito nos últimos vinte anos, e sei hoje como minha cabeça funciona quando estou procurando uma idéia para escrever.
Nem sempre eu soube aquilo que hoje eu sei, e muito dos meus primeiros trabalhos envolvia em definir como eu me sentia sobre pessoas e idéias. Consequentemente realizei muito deste pensamento básico, de maneira que me é fácil hoje, sentar ao banco do motorista de uma nova idéia, muito mais do que antes.
Pode ser inclusive um modelo novo, mas o mecanismo é similar, e uma vez que eu descobri como fazê-lo andar, eu sei então como levá-lo onde eu quero.
Por exemplo: Definições.
Para mim Ficção Científica sempre é representada pelo racional, a extensão para o futuro, ambientes alienígenas, enquanto considero que a Fantasia (Fantasy) é representada pela metafísica apresentação do desconhecido.
A distinção entre as duas normalmente é difícil, fora de foco, e algumas vezes é engraçado brincar com isso.
Na prática, a nível de trabalho, utilizo esta generalização para distingui-las.
As duas (e eu não me canso de insistir nisso) possuem as mesmas necessidades de uma ficção comum, a necessidade de criar-se um ambiente exótico.
Dos três elementos básicos de qualquer enredo de ficção, é a ambientação que requer mais atenção do escritor, tanto em FC quanto em Fantasia. E aqui, como em nenhum outro gênero, se anda numa corda bamba, entre explicar em excesso ou ser por demais resumido, entre deixar o leitor aborrecido com muitos detalhes ou perdê-lo por não dar a ele detalhes suficientes.
Eu encontrei esta dificuldade no início. Aprendi a empregar meu esforço de forma a economizar nos detalhes mantendo a história ágil e então introduzir a situação de fundo gradativamente.
Em algum ponto ao longo da criação do texto, compreendi que fazendo isso, poderia resolver dois problemas: a simples exposição do material, se medido na dose correta ela se torna um meio de aumentar o interesse do leitor.
Usei deste expediente em extremo, na abertura da minha história ‘Unicorn Variation’, na qual eu adio por muitas páginas a descrição de uma criatura pouco comum, passeando por um lugar insólito:
‘Uma bizarrice de fogo, quase apenas luz, movia-se habilmente, quase delicadamente, deliberadamente entre a existência e a não existência, qual um arremedo de tempestade vespertina. Ou talvez fosse mais similar a natureza espiralada das cinzas carregadas em arrogante cadência pela nota soprado pelo vento do deserto, do arroio, através dos prédios vazios porém, repletos de páginas de livros intocadas ou silenciosamente entre as notas da canção”.
Como podem ver, eu tentei com cuidado dizer apenas o bastante para manter o leitor curioso. Com o tempo, ficará aparente que se trata de um unicórnio passeando por uma cidade fantasma do Novo México. Eu tinha um personagem e um cenário.
Personagens são um problema menor para mim em comparação aos cenários. Pessoas são pessoas, mesmo na ficção científica. A maior parte dos personagem já me vem de forma totalmente desenvolvidos e não necessitam de muito trabalho.
Assim como com suas descrições físicas é muito fácil, cometer exageros descrevendo-os em excesso. Mas quanto será que o leitor precisa? Quanto a mente do leitor é capaz de reter de uma só vez? Veja o personagem em sua totalidade e apenas mencionar três características foi o que eu decidi fazer. Então continuo com a história.
Se uma quarta característica aparecer, tudo bem, mas mantenha as três iniciais.
Não precisa de mais do que três.
Outras características irão aparecer, com certeza, assim que você necessitar delas.
‘Ele era alto, rosto infantil e tinha um ombro mais alto que o outro’ ao invés de ‘Ele era alto, rosto infantil, grandes olhos azuis e tinha um ombro mais alto que o outro’ pode fazer o leitor perder o foco e prejudicar a imagem ‘mental’ do personagem.
Detalhes em demasia criam uma sobrecarga sensorial, impedindo o leitor de visualizar.
Se outros detalhes forem importantes para a linha seguida, use-os depois, dando um tempo para que a primeira ‘visualização’ seja absorvida.
‘Yeah, ele exclamou com seus olhos azuis brilhando’.
Mencionei que personagens e cenários são tipicamente reflexões que fazemos quando estamos escrevendo, e isto começa a funcionar quando praticamos, depois de algum tempo, isto se torna uma segunda natureza do escritor. Mas este é apenas um dos muitos truques que qualquer um neste negócio, acaba aprendendo.
Mas penso que escrever não se trata só disso.
A coisa mais importante para mim é o desenvolvimento, o refinamento da nossa percepção do mundo, experimentando outros pontos de vista.
Isto é o coração da arte de escrever e todas as técnicas são simplesmente ferramentas.
É a abordagem do autor para aquele material que faz com que a história seja única.
Por exemplo, eu tenho vivido no sudoeste dos EUA a quase uma década, e acabei me interessando por índios. Passei a dar atenção aos festivais, as danças, textos antropológicos, comecei a ler e ir a museus, até ficar familiarizado com os índios.
A principio meu interesse se concentrava apenas em saber mais sobre eles.
Este foi o começo, depois... Comecei a sentir que uma história estava ganhando formato em algum nível mais baixo de minha consciência. Eu aguardei e continuei a me familiarizar com informações e experiências nesta área. Um dia meu foco concentrou-se nos navajos. Então percebi que se eu pudesse determinar por que meu interesse havia de repente tomado essa direção, eu poderia escrever uma história. Isto começou ao descobrir o fato que a tribo navajo havia desenvolvido centenas de palavras próprias ou haviam aprendido a nomear diversas peças de máquinas modernas. O mesmo não ocorria com outras tribos indígenas e eu sabia disso.
Quando foram apresentadas aos automóveis, as outras tribos simplesmente passaram a usar as palavras em inglês para carburador, pistão, etc, mas os navajos haviam criado novas palavras para esses itens, um sinal, na minha maneira de ver, de sua independência e sua adaptabilidade.
Eu fui adiante. Os hopis, vizinhos dos navajos, tinham danças da chuva em seus rituais. Os navajos não faziam grandes esforços para controlar o tempo. Ao invés disso, eles se adaptavam à chuva ou à seca.
Adaptabilidade, era isso. Este seria o tema da minha história.
Perguntei a mim mesmo, eu deveria ter um navajo contemporâneo e isso significava utilizar os efeitos da dilatação do tempo em viagens espaciais. Imaginei que este navajo estaria em boas condições de saúde, digamos, aos 170 anos de idade.
Por necessidade, a minha história teria uma abertura para o tempo em que ele estivesse fora, um período no qual muitas mudanças teriam ocorrido na Terra.
Foi assim que a idéia de “Eye of Cat” veio a mim.
Mas uma ideía não é uma história de ficção científica. Como você torna uma coisa na outra?
Perguntei a mim mesmo o motivo dele estar freqüentemente no espaço. Supus que ele fosse algum tipo de caçador. Uma opção lógica seria que ele fosse um caçador de espécies alienígenas. Isso parecia verossímel, então eu segui daí. O problema envolveria um alienígena foragido e isto serviria como razão para tirar o meu personagem navajo de sua aposentadoria e providenciaria um conflito básico.
Eu também queria alguma coisa que representasse seu passado e as tradições navajo, algo mais do que simplesmente sua característica primitiva e suas habilidades. Algo que significasse um motivo para ele ser envolvido na história.
As lendas navajo me providenciaram um chindi, uma espécie de demônio ou espírito que poderia ser usado para atormentá-lo. Ocorreu-me que este espírito maligno poderia estar incorporado em alguma criatura que o navajo tivesse trazido para a terra há algum tempo atrás.
Essa era a idéia básica, mas não estava completa. Isso apenas me diria como a história tomaria forma, começando de uma simples observação e me levando a criar um personagem e uma situação. Este pequeno segmento da história é o que eu chamo de “inspiração”; todo o resto envolve a aplicação da razão ao que a imaginação providenciou.
Isso requer algumas considerações duvidosas. De minha parte, eu firmemente acredito que poderia escrever a mesma história uma dúzia de vezes, cada uma diferente da outra, tanto como comédia, como tragédia, algo entre as duas, a partir da visão de um personagem menor, em primeira pessoa, em terceira, etc, etc, mas eu acredito que na ficção existe uma maneira melhor do que outra. Eu sinto que o material deve prevalecer na decisão sobre a forma. Fazê-lo é algo muito difícil e recompensador no ato de escrever. Isto vai além de simples truques de reflexão, pois entra na área da estética.
Então eu tinha que determinar qual a abordagem que melhor reproduziria a intenção desejada. Para isso, é claro, eu precisava tornar claros os meus sentimentos.
Meu protagonista, Billy Blackhorse Singer, nasceu num ambiente praticamente neolítico e só depois recebeu uma educação formal avançada. Isto é o bastante para criar conflitos internos. Um deles poderia ser a rejeição do seu passado ou a tentativa de viver com ele. Billy o rejeita. Ele é um homem muito capaz, mas dominado por esta dúvida. Eu decidi que daria ao personagem uma oportunidade de pôr à prova tudo em sua vida.
Percebi também que estava indo em direção à história de um personagem. Mostrar alguém tão complexo como Billy iria requerer mais trabalho. O início de sua vida estava envolvido em mitos, lendas e o xamanismo de seu povo, e isso tudo era um elemento forte em seu caráter. Tentei mostrar essa influência na narrativa utilizando paráfrases de diferentes partes da criação do mito navajo e outras lendas das quais me apropriei. Decidi fazer de forma poética alguma coisa original dos navajos e outras vagamente baseadas em suas tradições.
Dessa forma eu esperava dar ao livro um sabor diferenciado e ajudar a caracterizar meu personagem.
O problema de injetar um background futurístico no material me preocupou porque eu já havia carregado a narrativa de doses intermitentes de material navajo. Eu precisava achar uma maneira de encapsular e abreviá-los. Então, utilizei um truque da trilogia americana “Dos Passos”: introduzi sessões independentes, algumas páginas aqui e ali como manchetes, reportagens, trechos de canções populares para dar o devido sabor da época.
Esse expediente serviu-me bastante de fundo sem prejudicar o ritmo e o formato diferente certamente era suficiente para tornar interessante ao leitor curioso.
O enredo envolvente requeria a introdução de meia dúzia de personagens secundários e não apenas alguns coadjuvantes como também personagens complexos de fundo.
Parar para fazer grandes apresentações de cada personagem significava grandes flashbacks e isso seria fatal à narrativa.
De qualquer forma, coloquei-os para aparecer somente à medida em que a história seguia seu ritmo.
Posso dizer que arrisquei e, assim, quebrei uma das maiores regras de como se deve escrever.
Todo livro que você ler sobre a arte de escrever vai lhe dizer, “mostre, não conte”.
Isso quer dizer que você não pode, simplesmente, dizer ao leitor como é o personagem.
Você tem que deixá-lo demonstrar, por que dizer geralmente irá produzir um efetivo de distanciamento, como resposta do leitor.
É necessário uma pequena identificação do leitor, uma pequena empatia deve ser criada ao invés de, meramente, falar sobre o personagem.
Decidi que não iria, simplesmente, dizer ao leitor como cada personagem era.
Eu iria tentar fazer com que essa experiência fosse uma leitura interessante.
De fato, eu tinha que fazê-lo!
Se você vai quebrar uma regra, capitalize sobre ela, faça grandemente. Explore-a. Faça de uma maneira que ninguém nunca fez, e assim você a torna uma virtude.
Eu utilizei uma seção para cada nome de personagem, colocando após o nome uma vírgula e escrevendo uma sentença longa e complexa, quebrando assim várias frases em linhas separadas, de maneira a parecer um poema de Walt Withman.
Assim, eu procurei manter o interesse visual que puxaria o leitor diretamente para a trama.
Outro problema surgiu no livro quando um número de telepatas usa sua habilidades pouco usuais para formar, temporariamente, uma mente coletiva. Havia pontos que eu precisava mostrar essa mente em funcionamento. Ocorreu-me que "Finnegan´s Wake" seria um bom modelo para o fluxo de consciência que eu queria usar. E o conto de Anthony Burgess, “Joysprick”, que eu havia recentemente lido, continha uma parte que poderia ser primordial para escrever esta sensação, e eu a utilizei.
Então, a fim de garantir uma verossimilhança, viajei pelo canyon de Chelly com um guia navajo. Quando eu escrevi as partes do livro que se passam no canyon, eu tinha comigo, além das minhas memórias, um mapa, minhas fotos e descrições arqueológicas da rota que Billy seguiu.
O uso do realismo, eu esperava que pudesse trazer um equilíbrio entre impressionismo e as técnicas radicais de escrever uma história que eu havia usado até então.
Estes foram alguns dos problemas com que eu me deparei escrevendo “Eye of Cat” e algumas das soluções que eu usei para resolvê-los. Tematicamente, muitas dessas perguntas eu fiz a mim mesmo e muitas das ideías eu considerei como coisas que estavam comigo há muito tempo, somente as soluções técnicas e a resolução da história foram diferentes desta vez.
A esse respeito posso dizer que, de certa forma, eu estava também me plagiando e nada há de errado nisso, se ocorre neste meio-tempo um crescimento.
Tudo que eu disse pode parecer que esta novela foi uma experiência selvagem.
Não foi.
O tema era comum e eterno, uma consideração sobre mudanças e adaptações durante o crescimento.
Enquanto a ficção científica costuma trabalhar com o futuro, pensamentos profundos envolvem a natureza humana, que deve ser a mesma por muito tempo e eu acredito que continue como é, para sempre.
De certa maneira, nós constantemente procuramos novas formas de dizer coisas antigas.
Mas a grande faceta da humanidade é a generalidade.
O indivíduo muda e se adapta e isso se aplica ao escritor assim como a seus personagens.
E essas mudanças requerem auto-conhecimento, percepção e sensibilidade.
E penso que as melhores e mais valiosas histórias se servem desta fonte, não importando quais são os mecanismos que mais se ajustam ao que é escrito.
sábado, 15 de agosto de 2009
A vida, o Universo e tudo mais - Douglas Adams
Dois anos depois disso ter acontecido, a manhã estava doce e calma quando Arthur saiu da caverna que chamava de "casa" até conseguir encontrar um nome melhor para aquilo ou então encontrar uma caverna melhor.
Sua garganta estava novamente irritada devido a seu grito matinal de horror, mas ainda assim ele estava de ótimo humor. Enrolou firmemente seu roupão esfarrapado ao redor do corpo e sorriu, feliz, olhando aquela linda manhã.
O ar estava claro e cheio de aromas suaves, a brisa acariciava levemente a grama alta que cercava a caverna, os pássaros gorjeavam uns para os outros, as borboletas borboleteavam lindamente ao seu redor e toda a natureza parecia conspirar para ser tão gentil e agradável quanto possível.
Não eram, contudo, aquelas delícias bucólicas que haviam deixado Arthur tão feliz.
Ele acabara de ter uma ótima idéia sobre como lidar com o terrível e solitário isolamento, os pesadelos, o fracasso de todas as suas tentativas de horticultura e a completa ausência de futuro e a futilidade de sua vida ali, na Terra pré-histórica.
Tinha decidido enlouquecer.
Sorriu de novo, feliz, e mordeu um pedaço de perna de coelho que havia sobrado de seu jantar. Mastigou alegremente durante algum tempo e então resolveu anunciar formalmente sua decisão.
Ficou de pé, endireitou o corpo e olhou de frente para os campos e montanhas. Para dar mais peso às suas palavras, enfiou o osso de coelho na barba. Abriu bem os braços e disse:
― Vou ficar louco!
― Boa idéia ― disse Ford Prefect, descendo com cuidado de uma rocha onde estivera sentado.
O cérebro de Arthur fez piruetas. Seu maxilar fez flexões.
― Eu fiquei louco por um tempo ― disse Ford ― e isso me fez muito bem. Os olhos de Arthur começaram a dar cambalhotas.
― Sabe... ― disse Ford.
― Por onde você andou? ― interrompeu Arthur, agora que sua cabeça havia parado com a ginástica.
― Por aí ― respondeu Ford ―, aqui e ali. ― Ele sorriu de uma forma que julgou (corretamente) ser absolutamente irritante. ― Tirei minha mente de circulação por uns tempos. Achei que, se o mundo precisasse muito de mim, ele viria me chamar. E veio.
Pegou em sua mochila, agora completamente em farrapos, seu Sensormático Subeta.
― Pelo menos ― prosseguiu ― acho que veio. Isso aqui tem se mexido bastante. ― Sacudiu o Subeta. ― Se for um alarme falso, vou enlouquecer. De novo.
Arthur sacudiu a cabeça e sentou-se. Olhou para cima.
― Achei que você estivesse morto... ― disse, perplexo.
― Foi o mesmo que eu pensei durante algum tempo ― disse Ford ― e depois decidi que eu era
um limão durante algumas semanas. Me diverti bastante nessa época, pulando para dentro e para fora de um gim-tônica.
Arthur limpou a garganta, depois repetiu:
― Onde ― disse ele ― é que você...?
― Onde encontrei gim-tônica? ― disse Ford, animado. ― Encontrei um pequeno lago que pensava ser um gim-tônica, então fiquei pulando para dentro e para fora dele. Bem, pelo menos creio que ele achava que era um gim-tônica.
― Eu poderia ― disse com um sorriso que faria qualquer homem são procurar abrigo nas árvores ― ter imaginado tudo isso.
Esperou alguma reação de Arthur, mas este já o conhecia demasiadamente bem.
― Continue ― disse ele, sem se alterar.
― Como você pode ver ― disse Ford ―, o sentido disso tudo é que não há sentido em tentar enlouquecer para impedir-se de ficar louco. Você pode muito bem dar-se por vencido e guardar sua sanidade para mais tarde.
― E isto é seu estado de sanidade, não é? ― disse Arthur. ― Estou perguntando apenas por curiosidade.
― Fui até a África. ― disse Ford. ― É?
― É.
― E como foi lá?
― Então esta é sua caverna, não é? ― disse Ford.
― Ehh, sim – respondeu Arthur. Sentia-se muito estranho. Após quase quatro anos de isolamento, estava tão feliz e aliviado por reencontrar Ford que tinha vontade de chorar. Por outro lado, Ford era uma pessoa que se tornava insuportável quase instantaneamente.
― Muito legal ― disse Ford, falando da caverna de Arthur.
― Você deve odiá-la.
Arthur sequer se preocupou em responder.
― A África foi bem interessante ― prosseguiu. ― Me comportei de forma bem estranha por lá.
Olhou para longe, pensativo.
― Resolvi ser cruel com os animais ― disse, meio aéreo. ― Mas apenas por diversão.
― Não me diga ― respondeu Arthur, cauteloso.
― É verdade ― afirmou Ford. ― Não vou perturbá-lo com os detalhes porque eles iriam...
― O quê?
― Perturbá-lo. Mas você pode achar interessante saber que sou o integralmente responsável pela evolução do animal que, dentro de alguns séculos, vocês irão chamar de girafa. Também tentei aprender a voar. Acredita?
― Conte-me.
― Eu conto depois. Só vou mencionar que o Guia diz...
― O quê?
― O Guia do Mochileiro das Galáxias. Você se lembra, não?
― Sim, lembro-me de tê-lo jogado no rio.
― Ê, mas eu o pesquei de volta depois ― disse Ford.
― Você não me contou isso.
― Não queria que você o jogasse fora de novo.
― Tudo bem ― respondeu Arthur. ― E o que ele diz?
― O quê?
― O que o Guia diz?
― Ah. O Guia diz que há toda uma arte para voar ― respondeu Ford. ― Ou melhor, um jeitinho.
O jeitinho consiste em aprender como se jogar no chão e errar. ― Deu um sorrisinho. Apontou para as marcas em suas calças na altura dos joelhos e levantou os braços para mostrar os ombros. Estavam arranhados e machucados. ― Até agora não dei muita sorte ― disse. Depois estendeu a mão. ― Estou muito feliz em vê-lo novamente, Arthur.
Arthur sacudiu a cabeça em um acesso súbito de emoção e perplexidade.
― Há anos que não vejo alguém ― disse. – Absolutamente ninguém. Mal me lembro de como se fala. Me esqueço de algumas palavras. Tenho praticado, sabe.
Eu pratico falando com... falando com... como se chamam aquelas coisas que fazem os outros acharem que ficamos loucos quando falamos com elas? Como George III.
― Reis? ― tentou Ford.
― Não, não ― respondeu Arthur. ― As coisas com as quais ele costumava falar.Estamos cercados por elas, mas que droga. Eu mesmo plantei centenas delas. Todas morreram. Árvores! Eu pratico falando com árvores. Para que é isso?
Ford continuava com a mão estendida. Arthur olhava, sem entender.
― Aperte ― sugeriu Ford.
Arthur apertou a mão, meio nervoso no início, como se ela pudesse se transformar em um peixe.
Então segurou-a vigorosamente com suas duas mãos, sentindo um enorme alívio. Apertou, apertou e apertou.
Depois de um tempo, Ford achou que já bastava. Subiram em uma colina rochosa próxima e olharam o cenário em volta.
― O que aconteceu com os golgafrinchenses? Arthur deu de ombros.
― Muitos não sobreviveram ao inverno, três anos atrás. Os poucos que viveram até a primavera disseram que precisavam de umas férias e partiram em uma jangada. A História nos diz que devem ter sobrevivido...
― É ― disse Ford. ― Certo, certo. ― Ele colocou as mãos na cintura e olhou novamente em volta para o planeta vazio. Repentinamente, Ford sentiu-se cheio de energia e perspectivas.
― Estamos de partida ― disse, animado.
― Para onde? Como? ― perguntou Arthur.
― Não sei ― disse Ford ―, mas posso sentir que chegou a hora. Vão acontecer coisas. Estamos a caminho.
Falou em voz baixa, quase sussurrando.
― Detectei ― disse ele ― perturbações na corrente. Lançou um olhar decidido para o horizonte, como se quisesse que o vento soprasse em seus cabelos dramaticamente naquele momento. O vento, contudo, estava ocupado brincando com umas folhas não muito longe.
Arthur pediu para Ford repetir o que acabara de dizer, porque não havia compreendido totalmente o sentido. Ford repetiu.
― A corrente? ― perguntou Arthur.
― A corrente do espaço-tempo ― disse Ford e, quando o vento soprou brevemente ao redor
deles, abriu um largo sorriso.
Arthur concordou, e limpou a garganta.
― Estaríamos falando ― perguntou, cautelosamente ― a respeito de alguma coisa que os vogons arrastam por aí ou o que exatamente?
― Há um zéfiro ― disse Ford ― no contínuo espaço-temporal.
― Ah ― concordou Arthur ―, onde ele está? Onde está? ― Colocou as mãos nos bolsos de seu
roupão e perscrutou o horizonte.
― O quê?
― Bem, quem é esse tal de Zéfiro exatamente? ― perguntou Arthur.
Ford olhou para ele, furioso.
― Você quer me ouvir, por favor? Não estou falando de uma pessoal
― Eu estava ouvindo ― disse Arthur ―, mas não acho que tenha ajudado muito.
Ford agarrou-o pelas lapelas do roupão e falou com ele tão lenta, articulada e pacientemente como se fosse alguém do serviço de atendimento ao cliente de uma companhia telefônica.
― Parece... ― disse ― ...haver alguns núcleos... ― disse em seguida ― ...de instabilidade... ― continuou ― ...na tessitura... ― prosseguiu.
Arthur olhava abestalhado para o tecido de seu roupão, onde Ford o segurava. Ford soltou o roupão antes que Arthur transformasse seu olhar abestalhado em uma observação abestalhada.
― ...na tessitura do espaço-tempo ― concluiu.
― Ah, é isso ― disse Arthur.
― Sim, isso ― confirmou Ford.
Lá estavam eles, sozinhos sobre uma colina na Terra pré-histórica, olhando um para o outro intensamente.
― E isso fez o quê? ― disse Arthur.
― Isso ― respondeu Ford ― desenvolveu núcleos de instabilidade.
― É mesmo?? ― disse Arthur, sem piscar os olhos por um segundo sequer.
― Sim, de fato ― retrucou Ford, com o mesmo grau de imobilidade ocular.
― Que bom! ― disse Arthur.
― Entendeu? ― disse Ford.
― Não ― disse Arthur. Fizeram uma pausa silenciosa.
― A dificuldade desta conversa ― disse Arthur, depois que uma expressão pensativa havia lentamente subido por todo o seu rosto, como um alpinista escalando uma passagem traiçoeira ― é que ela é muito diferente das que tenho tido nos últimos tempos. Como expliquei há pouco, foram basicamente com árvores. Não eram assim. Exceto talvez por algumas conversas que tive com os olmeiros, que algumas vezes ficam um pouco desorientados.
― Arthur ― disse Ford.
― Sim? ― disse Arthur.
― Basta acreditar no que eu lhe disser e tudo será extremamente simples.
― Puxa, não sei se acredito nisso.
Sentaram-se para tentar reorganizar os pensamentos. Ford pegou o Sensormático Subeta. Estava emitindo zumbidos variados e havia uma luz piscando, fraquinha.
― Pilha fraca?
― Não ― disse Ford ―, há uma perturbação em movimento na tessitura do espaço-tempo, um zéfiro, um núcleo de instabilidade, e parece estar bem próximo de nós.
― Onde?
Ford moveu o aparelho em um semicírculo, balançando-o ligeiramente. De repente a luz piscou.
― Lá! ― disse Ford, apontando com o braço. ― Bem atrás daquele sofá!
Arthur olhou. Ficou completamente surpreso ao notar que havia um sofá Chesterfield, forrado de veludo paisley, no campo bem na frente deles. Olhou para ele com uma perplexidade inteligente. Perguntas perspicazes perpassaram sua mente.
― Por que ― perguntou ele ― tem um sofá naquele campo?
― Acabei de explicar! ― gritou Ford, irritado. ― Um zéfiro no contínuo espaço-temporal.
― E este sofá é do Zéfiro? ― perguntou Arthur, tentando se apoiar em seus pés e, apesar da falta de otimismo, também em seus sentidos.
― Arthur! ― gritou Ford com ele. ― Aquele sofá está ali por causa da instabilidade no
espaço-tempo que estou tentando incutir em sua mente terminalmente debilitada. Ele foi jogado para fora do contínuo, é um resíduo nas margens do espaço-tempo ― aliás, seja o que for, temos que agarrá-lo, pois é a única forma de sairmos daqui!
Saltou até a base da rocha onde estavam e começou a correr pelo campo.
“Agarrá-lo?”, pensou Arthur, depois levantou as sobrancelhas, espantado, quando viu que o Chesterfield estava balançando e flutuando lentamente pela grama.
Com um grito de prazer totalmente inesperado, desceu saltitante da rocha e saiu correndo atrás de Ford Prefect e daquela peça irracional de mobília.
Correram tresloucadamente pela grama, pulando, rindo e gritando instruções para levar aquela coisa para um lado ou para o outro. O sol brilhava ardentemente sobre a relva e pequenos animais saíam correndo para abrir caminho.
Arthur sentia-se feliz. Estava profundamente contente porque, pelo menos uma vez, seu dia estava saindo exatamente como planejado. Há apenas 20 minutos havia decidido ficar louco e, pouco depois, lá estava ele, caçando um Chesterfield através dos campos da Terra pré-histórica.
O sofá ondulava de um lado para o outro, parecendo ser ao mesmo tempo tão sólido quanto as árvores ao passar entre algumas delas e tão nebuloso quanto um sonho alucinado ao flutuar como um fantasma através de outras.
Ford e Arthur corriam desvairadamente atrás dele, mas o sofá se desviava e se esquivava como se seguisse uma complexa topografia matemática própria ― era exatamente o que estava fazendo. Continuavam a perseguição, o sofá continuava dançando e girando, até que,subitamente, virou-se e mergulhou, como se estivesse cruzando o limite de um gráfico catastrófico, e se viram praticamente em cima dele. Dando impulso e gritando, subiram no sofá, o sol tremeluziu, caíram por um vazio doentio e apareceram inesperadamente no meio do campo de críquete conhecido como Lord's Cricket Ground, em St. John's Wood, Londres, perto do final da última partida [Test Match] da Série Australiana no ano de 198―, quando a Inglaterra precisava de apenas 28 runs para vencer.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Antologia de contos sobre Marte
As regras para quem queria ser incluído nesta antologia eram simples: deveria escrever ou recuperar dos seus arquivos um conto curto sobre o planeta Marte. O desafio esteve posto aos autores de FC lusófonos durante vários meses, e o britânico Keith Brooke foi suficientemente simpático para, também ele, corresponder ao pedido, demonstrando que nem só de autores lusófonos vivem estas antologias.
O resultado foram seis contos, escritos de formas muito diferentes por autores com grandes diferenças quer no estilo, quer nas abordagens que escolheram, quer mesmo no grau de experiência na arte de passar ao papel o que ronda a sua imaginação. Contos em que a ficção científica predomina, numa vertente mais soft que hard, mas que não monopoliza, de tal modo que também a magia e os velhos deuses do Olimpo conseguiram neles um lugar.
Curiosamente, foram seis contos inéditos. Ninguém ressubmeteu a esta antologia contos já publicados anteriormente, nem mesmo o Keith Brooke, cujo Bem-vindos ao Planeta Verde foi aceite para esta antologia antes de outro lugar qualquer, e só não foi aqui a sua estreia mundial por causa dos atrasos que este e-book sofreu e porque o David Pringle o publicou (como Welcome to the Green Planet) no número de Junho/Julho da sua Interzone (180).
É esta uma antologia de contos curtos, com até 3000 palavras. Esse facto tornou desde logo impraticáveis grandes exercícios de construção de mundos, que pura e simplesmente não cabem neste formato. Por isso, estes contos são, na sua maioria, contos de situação ou de momento, com uma ou duas personagens e um planeta Marte apenas esboçado nas suas características, ou até apenas presente como fulcro quase escondido de histórias que decorrem principalmente noutros lados. É este o caso de Bem-vindos ao Planeta Verde, é este o caso de O Caso Subuel Mantil, é este o caso de MARS TV e é este o caso de Crónica Marciana, ou a Explicação da Guerra. Histórias sobre Marte que não se passam em Marte? E por que não? Se quiséssemos apenas histórias passadas em Marte, tê-las-íamos pedido assim.
Feitas as contas às nacionalidades, temos três contos portugueses, dois brasileiros e um inglês, os sobreviventes de um processo de selecço que deixou de fora, por vários motivos, sete submissões. Como extra, temos também um prefácio do João Barreiros, que bem tentou escrever um conto para esta antologia mas que quando deu por si já as três mil palavras tinham subido a mais de trinta mil, e que nos fala, no prefácio, de outros Martes que encheram páginas e mais páginas nos livros de ficço científica do passado.
Tudo somado, são cerca de 16 mil palavras que esperam os seus leitores.
Nós gostamos destes seis contos, e esperamos que vocês também gostem.
Jorge Candeias - Editor
O Planeta das Traseiras - antologia de contos sobre Marte [ Download ]
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
A sangue frio - Truman Capote
"Holcomb, Kansas, 15 de Novembro de 1959 (UPI) -- Um fazendeiro, sua esposa e seus dois filhos foram encontrados mortos em sua casa. Foram assassinados por disparos à curta distância após serem amarrados e amordaçados. Não foram encontrados sinais de luta e nada foi roubado. As linhas telefônicas foram cortadas."
Capote leu com esta matéria de menos de 300 palavras publicada no New York Times, descrevendo o assassinato de uma família inteira no Kansas.
Recortou o artigo e no dia seguinte partiu para Holcomb.
De lá voltou com a ideía de um livro que levaria seis anos para ser finalizado.
'In Cold Blood' (A Sangue frio) semeou o gênero que mais tarde, através de outros escritores como Tom Wolfe, ficaria conhecido como 'Novo Jornalismo'.
A cerca de quatrocentas milhas a leste do lugar onde naquele momento se encontrava Arthur Clutter estavam dois rapazes a comer num reservado do Eagle Buffet, de Kansas City.
Um, de rosto magro, com um gato tatuado nas costas da mão direita, havia devorado já várias sanduíches de galinha com salada e olhava agora para o jantar do companheiro: um bife picado em que ele ainda não tocara e um copo de cerveja onde se dissolviam três comprimidos de aspirina.
- Então, Perry, que é isso, rapaz? Não queres o bife? Se assim é como-o eu.
Perry empurrou o prato na direcção do amigo:
- Santo Deus! porque não me deixas concentrar?
- Não precisas ler isso cinquenta vezes!
Referiam-se a um artigo de primeira página publicado no Star, de Kansas City, no dia 17 de Novembro, com o título:
FRACOS INDÍCIOS NO QUÁDRUPLO ASSASSÍNIO,
onde se prosseguia nas notícias da véspera acerca do crime, e terminava com o parágrafo seguinte:
Os investigadores procuram o assassino ou os assassinos, cuja esperteza é evidente, muito embora, o seu automóvel se mantenha oculto, visto que ele ou eles tiveram o cuidado de:
1. Cortar os fios dos dois telefones da casa;
2. Amordaçar e amarrar habilmente as vítimas sem que se notem vestígios de luta;
3. Não retirar nada da casa nem deixar indícios de terem procurado fosse o que fosse, com excepção, possivelmente, da carteira de Clutter;
4. De matar a tiro quatro pessoas em diversos pontos da casa, tendo o cuidado de recolher os
cartuchos vazios;
5. Entrar e sair da casa, levando provavelmente consigo a arma do crime, sem serem vistos
por ninguém;
6. Agirem sem motivo, se não quisermos ter em conta uma tentativa falha de roubo, o que é a
opinião geral.
Perry leu alto:
- ”Este assassino ou assassinos”, aqui está um erro de gramática. Deviam dizer ”este assassino, ou estes assassinos”.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Photon - 10 anos
Ezine dedicado ao cinema fantástico, comemorando 10 anos.
Matérias sobre 2001 - Space Odissey, Lon Chaney, Dario Argento, Horror Movies e muito mais.
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Tag: cinema, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, zine
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domingo, 9 de agosto de 2009
Roald Dahl

Roald Dahl (13 de Setembro de 1916 – 23 de Novembro de 1990), nasceu em Llandaf, Wales (Reino Unido). De família norueguesa, Dahl absorveu durante sua infância, muito das lendas míticas da terra de seus pais.
Romancista, autor capaz de agradar tanto o público infantil quanto adulto, antes de se tornar escritor trabalhou como engenheiro da Shell Oil em Dar es Salaam, África.
De espírito curioso e aventureiro, sempre foi fascinado pela cultura de outros países, principalmente quanto ao imaginário infantil, colecionava lendas e contos de outros países, mas foi somente ao se acidentar durante a Segunda Grande Guerra (foi piloto de combate da RAF), que decidiu se dedicar inteiramente a escrever.
Entre seus livros mais conhecidos estão 'Charlie and the Chocolate Factory', 'James and the Giant Peach' e 'Matilda'.
Seu primeiro livro infantil, 'Gremlins', foi vendido para os Estúdios Disney, porém nunca foi filmado ou utilizado. 'Gremlins' era o termo utilizado pelos pilotos da RAF ao se referir as causas inexplicáveis de panes e defeitos em seus aviões. No livro de Dahl, um aviador descobre que pequenos homenzinhos estão destruindo seu avião em pleno vôo. A Disney considerou que pequenos sabotadores de aviões não eram uma boa propaganda para os estúdios em meio à Segunda Grande Guerra.
(O cinema posteriormente prestaria homenagens, como o diretor Joe Dante, à criatura de Dahl.)
Apesar de ter sua imagem sempre associada aos livros infantis, Dahl escreveu também vários contos e livros para o público adulto, principalmente nos primeiros 15 anos de sua carreira. Livros sérios, picantes e até divertidos, mas sempre cheios de imaginação. O gênero policial e mistério era um dos seus prediletos nesta época, chegando a ganhar 3 prêmios Edgar da Mistery Writers of America.
Roald, um pouco antes de morrer aos 74 anos de idade, declarou que três dos principais motivos de seu sucesso, mesmo não possuindo uma obra tão extensa (era conhecido por escrever muito lentamente), foram a televisão, o cinema e sempre procurar escrever sobre sua infância.
Na televisão foi roteirista e escreveu mais de 40 episódios para diversas séries, incluindo Alfred Hitchcock Presents.
No cinema, além de 'Charlie and the Chocolate factory', que teve duas versões muito conhecidas levadas para as telas (Wily Wonka, 1971 e Charlie and the chocolate factory, 2005) , contou no seu currículo com outras boas adaptações, como por exemplo 'Matilda'(1996).
'Charlie and the Chocolate factory' é em grande parte baseada nas suas lembranças de menino, sobre a pobreza durante a primeira grande guerra, o horror que tinha do colégio, a perda do pai e de seu declarado amor por chocolate.
site dedicado ao autor
Roald Dahl (Charlie and the chocolate factory, Charlie and the great glass elevator, Danny the champion of the world, Esio Trot, Fantastic Mr.Fox, George's Marvelous medicine, James and the giant peach, Magic Finger, My uncle Oswald, Revolting Rhymes, Someone like you, The Twits, The Vicar of Nibbleswicke, The Witches, The wonderful story of Henry Sugar and Six More, Kiss Kiss, El visitante, Matilda, Cuentos en verso para ninos perversos, El belo Jorgito, El deseo, El Mayordomo, El soldado, El ultimo acto, Genesis y catastrofe, Historias extraordinarias, La maquina del sonido, La venganza es mia S.A., Relatos de lo inesperado, Veneno ) [ Download ]
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sábado, 8 de agosto de 2009
Harry Potter e o enigma do Príncipe - Livro 6
Harry Potter estava roncando baixo. Ele estava sentado em uma cadeira em seu quarto por bem umas 4 horas, olhando para fora na rua escura, e tinha finalmente caído no sono com um lado de seu rosto contra o gelado vidro da janela, seus óculos estavam caídos e sua boca meio aberta.
Seu hálito embaçada a janela que dava para uma lâmpada alaranjada na rua lá fora, a luz artificial iluminava seu rosto fazendo-o parecer um tanto fantasmagórico, em grande contraste com seu cabelo muito negro.
O quarto estava cheio com várias possessões e um bom tinteiro. Muita comida, bagaços de maçãs meio podres entulhavam o chão, um número de livros-texto pendiam de sua cama, e uma bagunça de jornais embaixo de um abajur em sua mesa, a linha de um sublinhada:
HARRY POTTER O ESCOLHIDO?
Harry Potter e o enigma do príncipe - J.K.Rowlings [ Download ]






