
Draculea: O livro secreto dos vampiros
Organização: Ademir Pascale
Prefácio: Nelson Magrini
Release:
Romênia, 1456. Um grande cavaleiro cristão torna-se temido agente contra os turcos. Conhecido pelos romenos como Vlad Draculea, o filho do dragão, empalava cruelmente seus derrotados inimigos. Considerado pelos oponentes e próprios súditos a encarnação do demônio, devido aos atos de crueldade cometidos contra ambos. Como esse servo da Igreja transformou-se no mais sanguinário entre os homens de sua época? Quais segredos guardou por tantos séculos?
Em 1897, o escritor irlandês Bram Stoker inspirou-se em Vlad e criou a personagem principal do romance “Drácula”, popularizando o mito do vampiro. Seriam apenas fragmentos da imaginação criativa de um escritor? Ou há uma verdade oculta nesse relato?
Quais mistérios eles escondem por gerações? Descubra em Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros, uma antologia de contos escrita por alguns dos melhores autores do gênero. Mas, antes de abrir estas páginas, um aviso: após lê-las, você nunca mais será o mesmo. O conhecimento tem seu preço, e eles ficarão furiosos com a sua descoberta.
Ademir Pascale - Escritor e Organizador
Trechos de alguns contos:
Draculea de Ademir Pascale:
Do alto do prédio da Gazeta, visualizo a Avenida Paulista de ponta a ponta: pequenas formigas aglomeradas num trânsito robótico, num vaivém nauseante. Os agudos e frios sons das buzinas inebriam a minha memória, fazendo-me sentir um êxtase tão prazeroso que toca lá no fundo deste negro e histórico coração. Os flashes de antigas batalhas e o som das trombetas que as anunciavam eram semelhantes, diferenciando apenas que naquele tempo maldito a luta era corpo a corpo e com duração de poucos dias. Hoje, a luta é contra o estresse, contra as modernas doenças que acabam com artérias, invadem corpos e mentes amaldiçoando fracos corações… Sinto a dor destas formigas e sinto pena ao olhá-las lá embaixo, indo para suas casas para que no dia seguinte, logo cedo, estejam de volta, e isso se repetirá dia após dia, ano após ano, até o corpo adoecer, envenenando o que lhes é mais precioso, o sangue.
O Missionário de Estevan Lutz:
Os camponeses erguiam, exaltados, suas foices e ceifadeiras enquanto praguejavam fervorosamente contra a criatura sanguinária recém capturada. O missionário, contundente, aproximou seu crucifixo de prata no rosto do vampiro que estava fortemente amarrado num tronco de cedro.
- Em nome do Senhor, arda no lago de fogo, monstro maligno do inferno! - ordenou o missionário, imponente, por baixo do capuz de sua batina franciscana.
Aprender Para Dominar de Simone O. Marques
Ella lambe os lábios rubros e lascivos lentamente. Degusta o néctar agridoce que há poucos segundos penetrava-lhe o corpo, fazendo-a extasiar-se e gemer de puro prazer. Suspira e fecha os olhos lentamente. Os cílios castanho velando os olhos que até então se coloriam de vermelho e eram capazes de aprisionar, de render, de dominar e de levar à morte a deliciosa vítima.
Noites de Trevas de Elenir Alves
A jovem perdera o prazer pela vida e enterra, perante os seus atos, a essência do amor. Sem saber o que fazer, puxa uma caixa cheia de livros que está debaixo da cama e segue com ela até a lareira da sala. Arremessa os livros no fogo tentando amenizar o seu ódio, quando percebe os quatro símbolos na capa de um dicionário em hebraico prestes a ser consumido pelas chamas.
Comida de Vampiro de Tagobar
As noites corriam tranquilas quando uma tormentosa questão levou-o a matutar. Está certo que todos seus semelhantes sentem necessidade de abastecer-se desse líquido vital de tempos em tempos. Mas ocorrem, com frequência, situações dramáticas onde a urgência de restabelecer o nível corporal mínimo desse precioso elemento, obriga a que saiam desesperadamente à procura de sangue novo, muitas vezes correndo incontáveis e perigosos riscos, como serem notados, identificados ou mesmo capturados.
Valor: R$ 29,90
Para adquirir, acesse: www.livrariacultura.com.br
domingo, 6 de setembro de 2009
Draculea: O livro secreto dos vampiros
Lois McMaster Bujold
Lois McMaster Bujold (2 de Novembro de 1949) nasceu em Columbus, Ohio, EUA.
Começou a ler Ficção Científica aos nove anos de idade, um gosto que adquiriu influenciada pelo pai que costumava comprar revistas de ficção científica.
Trabalhou como técnica de farmácia no hospital da Universidade do Estado de Ohio e após ter se casado, a vida dedicada a família a favoreceu para que tivesse tempo para se dedicar aos pastiches de Sherlock Holmes. Como muitos escritores iniciantes, Bujold começou fazendo imitações de autores que apreciava. O fato de uma de suas amigas, Lillian Stewart Carl, ter vendido seu primeiro livro, incentivou Bujold a tentar transformar o hobby em um negócio lucrativo.
Seu primeiro livro, Shards of Honor(1983), ficou pronto quase 3 anos após começado e o segundo, The Warrior Apprentice, um ano depois. A seguir veio Ethan of Athos. Com este material às mãos, começou sua via-crucis pelo processo de submissão aos editores de Nova Iorque. Enquanto era rejeitada por um editor após outro, Bujold conseguia uma aceitação razoável, vendendo contos seus para revistas.
Em 1985 a Baen Books comprou seus três livros, que foram publicados em Junho, Agosto e Dezembro de 1986.
Um atrativo narrativo empregado por Bujold é a naturalidade com que desenrola sua trama, onde o leitor sem se dar conta, penetra seu universo de uma forma tão intensa que é como se fosse sua própria vida, a humanidade dos personagens transparece, aumentando esta impressão de 'normalidade', mesmo se tratando de ficção científica.
Muitos críticos comparam sua prosa ao melhor de Robert A. Heinlein, tal a naturalidade e o frescor com que consegue escrever, lembrando muito a época dourada da FC, nos anos 40 e 50. É fácil perceber na sua obra este retorno a FC de Campbell, porém, suas histórias possuem também uma forte preocupação com a psicologia dos personagens, característica assimilada da FC dos anos 60.
Lois McMaster Bujold conquistou sua fama definitiva através da série Vorkosigan. Ao longo desta série premiada, Bujold demonstra toda sua intimidade trabalhando com diversos sub-gêneros da Ficção Científica. Os primeiros títulos desta longa série (18 livros e contando) são claramente de space-opera, Bujold abusa de batalhas, conspirações e grandes viradas, típicas destes épicos espaciais futurísticos. Nos últimos livros da série, Miles Vorkosigan, o personagem principal, torna-se um investigador. Nestes, seus insights psicológicos e complexos personagens assim como o inter-relacionamento destes, se destaca.
Entre seus fãs é frequente o debate sobre qual a melhor forma para se começar a ler a série. Alguns adotam a linha cronológica, outros preferem reunir por temas próximos. Isso demonstra a diversidade abrangida pela obra e sua independência.
Bujold diz que parte do desafio em escrever uma série é que os leitores encontrarão, queira ou não, uma ordem própria para entender a história, e que por isso é necessário que ela crie um pano de fundo suficientemente vasto para que, mesmo randomicamente, o leitor não se depare com situações repetidas, que são tão comuns em longas séries.
Bujold recebeu diversas premiações em sua brilhante carreira. Cinco vezes premiada com o Hugo, dois Nebula e não somente na FC mas também no gênero Fantasia, Bujold recebeu o Mythopoeic Award de Literatura adulta e foi indicada em 2002 para o World Fantasy Award.
Ela vive em Minnesota com seus filhos e trabalha no próximo título da sua principal saga, previsto para ser lançado em 2010.
Lois McMaster Bujold se auto-define como uma leitora voraz e que, vez por outra,"escreve um pouco".
Site oficial de Lois McMaster Bujold
Lois McMaster Bujold (Falling Free, Shards of Honor, Barrayar, The Warrior's apprentice, The Vor Game, Ethan of Athos, The mountains of mourning, Cetaganda, The borders of Infinity, Brothers in Arms, Mirror Dance, Memory, Komarr, Winterfair Gifts, A civil campaign, Diplomatic Immunity, Adventure of the Lady on the enbankment, The curse of Chalion, Paladin of Souls, The Hallowed Hunt, Cordelia's honor, Miles, mutants and microbes, Beguilement, Legacy, Passage, The spirit ring, Labyrinth, Young Miles ) [ Download ]
sábado, 5 de setembro de 2009
Queda Livre - Lois McMaster Bujold

A borda resplandecente do planeta Rodeo girava vertiginosamente frente ao porto de observação da estação de transferência orbital.
Uma mulher que Leo Graf reconheceu como sendo um de seus companheiros de viagem e que desembarcara da nave de Salto junto com ele, olhava ansiosamente para fora por minutos e então virou-se, piscando e engolindo seco e sentou-se abruptamente em uma das brilhantes cadeiras almofadadas. Fechou e abriu os olhos embaraçada.
Leo sorriu com simpatia. Imune as náuseas das viagens espaciais, foi assumir um lugar no posto de observação de cristal. Uma delgada capa de nuvens girava na fina atmosfera muito abaixo, mal permitindo ver o que parecia ser um gigantesco deserto de areia vermelha.
Rodeo era um mundo marginal, servindo somente para as operações de mineração e perfuração da Galactech, e para suas instalações de apoio.
Mas o que ele estava fazendo ali? Leo se perguntou de novo. Operações subterrâneas não faziam parte do seu campo de atuação.
O planeta saiu da vista devido a rotação da estação. Leo procurou a outra janela, dando a volta ao redor do eixo da estação enquanto observava os pontos de stress imaginando quando fora a última vez que foram radiografados buscando falhas escondidas.
As forças centrífugas agindo na borda do salão de passageiros, parecia ter cerca da metade da gravidade da Terra, ou um pouco menos.
Seria para deliberadamente reduzir o stress, previstos na estrutura?
Mas ele estava aqui para treinamento, disseram no Quartel general da Galactech na Terra, estava ali para ensinar procedimentos de controle de qualidade em soldagem e construção em queda livre. Mas para quem? E por aqui, no fim do mundo? O "Projeto Cay" era um título singularmente pouco informativo para sua missão.
"Leo Graf?"
Leo virou-se. Sim.
A pessoa que lhe chamara era alto e de cabelos escuros, talvez trinta, talvez quarenta anos. Usava roupas civis conservadoras, mas um alfinete de lapela o identificava como um homem da empresa. Do tipo executivo sedentário, Leo pensou. A mão estendida para Leo era uniformemente bronzeada, mas macia.
"Eu sou Bruce Van Atta".
A mão rude de Leo era pálida, com manchas marrons. Leo era do tipo corpulento, nos seus quarenta anos, vestia o confortável uniforme vermelho da Companhia, como de hábito, em parte para poder-se misturar com os trabalhadores que supervisionava, mas principalmente para que não precisasse perder tempo pensando no que vestir de manhã.
"Graf", viu ele na credencial sobre o seu bolso no peito esquerdo, eliminando assim todo o mistério.
"Bem-vindo a Rodeio, a axila do universo", sorriu Van Atta.
"Obrigado", Leo sorriu de volta automaticamente.
"Estou à frente do Projeto Cay agora, vou ser o seu chefe," Eu solicitei você pessoalmente, sabe? Você vai me ajudar a conseguir que essa divisão entre finalmente em funcionamento. Você é como eu, eu sei, não tem paciência com os tontos. Foi um trabalho infernal que me deram, tentar fazer com que esta divisão fosse lucrativa - mas se eu conseguir, vou ser o Garoto de Ouro da empresa".
"Solicitou-me?" Leo estava contente em pensar que sua fama o precedia, mas por que não poderia ser solicitado ao menos uma vez por alguém em um Jardim paradisíaco? "Ah, bem...Eles me disseram na sede que eu estava sendo enviado aqui para dar uma versão expandida do meu curso de curta duração em testes não-destrutivos."
"Isso foi tudo que lhe disseram?" Van Atta perguntou com espanto.
Quando Leo encolheu os ombros afirmativamente, ele jogou a cabeça para trás e gargalhou.
"Questão de segurança, suponho eu" Van Atta disse quando parou de rir. "Você vai ter uma surpresa. Bem, bem. Eu não vou estragá-la."
O sorriso malicioso de Van Atta foi tão irritante quanto uma cotovelada nas costelas.
Demasiado familiar... oh, inferno, Leo pensou, esse cara me conhece de algum lugar. E ele acha que eu o conheço ... Leo sorriu educadamente tentando esconder um leve pânico.
Ele havia conhecido milhares de pessoas em dezoito anos de carreira na GalacTech. Talvez Van Atta dissesse algo mais que aumentasse as possibilidades de reconhecê-lo.
"Minhas instruções dizem que um Doutor Cay seria o titular do Projeto Cay," Leo falou. "Irei encontrá-lo?"
"Informação antiga", disse Van Atta. "O Doutor Cay faleceu no ano passado... muitos anos depois do que deveria ter sido forçosamente aposentado, na minha opinião, mas ele era vice-presidente e acionista majoritário e profundamente arraigado, mas isso é passado. Eu o substituí". Van Atta balançou a cabeça. "Não posso esperar para ver a expressão no seu rosto quando você tiver visto... venha comigo. Tenho um transporte particular esperando.
Eles tinham um transporte para seis pessoas à disposição para os dois apenas, mais o piloto.
O assento do passageiro moldou-se ao corpo de Leo durante os breves períodos de aceleração.
Períodos muito breves, claramente não eram de frenagem para a reentrada planetária.
Rodeo estava abaixo deles, se afastando.
"Onde estamos indo?" Leo perguntou a Van Atta, sentado junto dele.
"Ah", disse Van Atta, "Vê aquele pontinho há cerca de trinta graus sobre o horizonte? Olhe para ele. É a base do Projeto Cay."
A partícula cresceu rapidamente tornando-se uma estrutura longínquos caótica, cheia de ângulos e projeções, com luzes coloridas iluminando seus contornos sombrios. O olho treinado de Leo descobriu as pistas para suas funções, os tanques, os portos, os filtros faiscando na luz solar, o tamanho dos painéis solares em relação ao volume estimado da estrutura.
"Um habitat orbital?"
"Você acertou" afirmou Van Atta.
"É enorme".
"De fato".
"Quantas pessoas podem viver ali? "
"Oh... umas quinhentas".
As sobrancelhas de Van Atta subiram, talvez decepcionado por não ter sido capaz de oferecer uma estimativa correta. "Quase isso. Quatrocentas e noventa e quatro pessoas da Galactech em regime de turno e mil habitantes permanentes."
Os lábios de Leo ecoaram a palavra, permanente... "Falando de turno - Como você lida com o condicionamento das equipes? Eu não vejo..." seus olhos inventariaram a estrutura enorme "Eu não vejo um anel de exercícios. Não tem um ginásio?"
"Há um ginásio sem gravidade. O pessoal rotativo passa um mês lá embaixo a cada três meses do turno."
"Sai caro".
"Mas colocamos o Habitat lá por menos de uma quarto do custo do mesmo volume de alojamento com gravidade".
"Mas certamente você vai perder o que economizou em custos de construção, ao longo do tempo, no transporte de pessoal e em despesas médicas",Leo argumentou. "As viagens extras, as longas dispensas... cada um que quebrar um braço ou uma perna irá processar a Galactech por angústia mental, tendo ele uma desmineralização óssea significativa ou não. "
"Resolvemos esse problema também", disse Van Atta. "Se o custo-benefício da solução for ótimo... bem, é para isso que você e eu estamos aqui, para tentar provar que vale a pena."
O veículo delicadamente se alinhou com a escotilha ao lado do Habitat e acomodou-se com um tranqüilizador clique. O piloto desligou os sistemas e retirou o cinto e flutuou passando por Leo e Van Atta, indo verificar a escotilha. "Pronto para desembarcar, Sr. Van Atta."
"Obrigado Grant."
Leo soltou-se das presilhas de sua cadeira e esticou relaxado na familiar e prazerosa falta de peso. Ele não sofria com as indesejáveis náuseas que abatiam tantos funcionários.
O corpo de Leo era normal; mas aqui, onde o controle e a prática e a sagacidade contavam mais do que a força, ele era um atleta. Sorrindo para si mesmo, ele seguiu Van Atta de apoio de mão em apoio de mão, através da escotilha do ônibus espacial.
Um técnico de rosto rosado operava o painel de controle no interior do corredor de conexão. Vestia uma camiseta vermelha com o logotipo da Galactech sobre o peito esquerdo. Os cachos loiros de sua cabeça lembraram para Leo um cordeiro, talvez um efeito de sua óbvia juventude.
"Olá, Tony, Van Atta cumprimentou-o com alegre familiaridade.
"Boa tarde, Sr. Van Atta," o jovem respondeu com deferência. Sorriu para Leo e fez um movimento com a cabeça para Van Atta em uma pantomima pedindo uma introdução. "É este o novo professor que nos falou?"
"Certamente que é. Leo Graf, este é o Tony... ele vai estar entre os seus primeiros estagiários. Ele é um dos residentes permanentes do habitat", disse Van Atta adicionado uma ênfase peculiar. "Tony é soldador e marceneiro, segundo grau - trabalhando na primeira, certo Tony?" Van Atta sorria com afetação.
Tony colocou-se obedientemente de lado ao painel de controle. Vestia shorts vermelhos e...
Leo pestanejou e então quase parou de respirar.
O menino não tinha pernas. Um segundo par de braços saia de seus shorts.
Braços funcionais, usava-os agora mesmo. O braço inferior esquerdo, Leo supôs que teria que chamá-lo assim...ancorava-o. Quando estendeu a mão para Leo. O sorriso deste foi inconsciente.
Leo tinha perdido o controle da própria mão e teve dificuldade em recuperá-lo, e esticou-se desajeitadamente para atender ao aperto de mão oferecida.
"Como vai você," Leo conseguiu dizer.
Era quase impossível não olhar. Leo forçou-se a concentrar o seu olhar nos olhos azuis do jovem.
"Olá, senhor. Eu estava ansioso por conhecê-lo."
O aperto de mão de Tony era tímido, mas sincero, com a mão seca e forte.
"Hmm ..." Leo vacilou. "Qual é o seu sobrenome, huh, Tony?"
"Oh, Tony é meu apelido, senhor. Meu nome completo é TY-776-424-XG".
"Eu, huh... acho que vou chamá-lo de Tony então." Leo murmurou cada vez mais atordoado. Van Atta parecia estar gostando do desconforto de Leo.
"Todos me chamam assim" disse Tony agradavelmente.
"Pegue as malas do Senhor Graf, Tony", disse Van Atta. "Venha Leo, vou mostrar-lhe seu quarto, e então nós podemos fazer turismo pela base."
Leo seguiu seu guia flutuando na corredor, olhando por cima do ombro com espanto renovado ao ver como Tony lançou-se com precisão pela câmara e através da escotilha do ônibus.
"Isto é..." Leo engoliu em seco, "o defeito congênito mais extraordinário que já vi. Alguém teve uma idéia genial ao dar-lhe um emprego em queda livre. Ele seria um aleijado em terra."
"Defeito de nascença." Van Atta riu-se. "Sim, é um jeito de descrevê-lo. Eu queria que você pudesse ter visto a expressão em seu rosto quando ele apareceu. Quero parabenizá-lo por seu autocontrole. Eu quase vomitei quando vi pela primeira vez, e eu estava preparado. Você no entanto se acostumou com os pequenos chimpanzés consideravelmente rápido."
"Há mais do que um ?"
Van Atta abria e fechava as mãos em um gesto de contagem. "Quase mil. A primeira geração dos novos super-trabalhadores da Galactech. O nome deste jogo, Leo, é bioengenharia. E eu pretendo vencer".
Tony com a valise de Leo em sua mão direita mais baixa, cruzou entre Leo e Van Atta no corredor cilíndrico e parando a frente deles com três toques hábeis nos apoios de mão da passagem, disse: "Senhor Van Atta, posso apresentar o Senhor Graf para alguém, no caminho da ala dos visitantes? Não nos desviaremos muito...Hidroponia".
Os lábios franzidos de Van Atta se transformaram num sorriso gentil. "Por que não? Hidroponia está no itinerário desta tarde de qualquer maneira."
"Obrigado, senhor" gritou Tony e voou com entusiasmo para abrir a comporta de ar antes deles, ao final do corredor, e aguardou para fechá-la novamente atrás deles no outro lado.
Leo prestava atenção em seu redor, como uma alternativa menos rude do que estudar o menino.
O Habitat era efetivamente uma construção barata, na sua maioria unidades pré-fabricadas combinadas. Não era uma concepção esteticamente elegante ... um certo aspecto acidental indicava um padrão de crescimento orgânico na criação do Habitat, com unidades presas aqui e ali para acomodar novas necessidades. Mas esta mesma arquitetura caótica incorporava vantagens de segurança que Leo aprovou, como o sistema intercambiável de selagem atmosférico, por exemplo.
Passaram pelas alas dos dormitórios, de preparo de alimentos e de áreas de refeições, uma oficina para pequenos reparos... Leo fez uma pausa para olhar para baixo em seu comprimento e teve de se apressar para recuperar o atraso em relação a seu guia.
Diferentemente da maioria dos espaços habitáveis em queda-livre que Leo tinha conhecido, não havia nenhum esforço aqui para manter uma arbitrariedade de direções, o acima e abaixo, para facilitar a psicologia visual dos habitantes. A maioria das câmaras eram cilindros com espaços de trabalho e de armazenagem da embalagem, presos de forma eficiente nas paredes e ao centro-esquerda, sem obstrução à passagem de... bem, mal dava para chamá-los de pedestres.
No caminho eles passaram por uma dúzia de... pessoas com quatro mãos, o novo modelo de trabalhadores, o povo de Tony, ou o que quer que fossem chamados... será que tinham uma designação oficial, Leo se perguntou.
Ele olhou disfarçadamente, desviando seu olhar sempre que outro olhava de volta, o que ocorreu muitas vezes, eles abertamente olhavam para ele e cochichavam entre si.
Ele entendeu porque Van Atta chamou-os de chimpanzés. Eles tinham sido modificados, não possuíam os poderosos músculos do glúteo locomotor que as pessoas tem por conta das pernas. O conjunto de braços menores tendia a ser mais musculoso do que a parte superior em ambos os sexos masculino e feminino, poderosas garras. Estavam vestidos na maioria com o traje confortável e prático que Tony usava, evidentemente codificados por cores. Leo passou por vários deles em amarelo, atentamente pairando em torno de um humano normal num macacão da Galactech, que trabalhava numa unidade de bombeamento, meio distante e falando sobre sua função e sobre o reparo em si. Leo pensou em um bando de canários, de esquilos voadores, de macacos, de aranhas, de lagartos ágeis brilhantes do gênero que sobe pelas paredes.
Davam a Leo a vontade de gritar, quase chorar, e não era pelos braços ou pela rapidez, ou as demasiadas mãos.
Tinha quase alcançado a Hidroponia quando foi capaz de analisar o seu intenso mal-estar.
Eram seus rostos que o incomodava, Leo percebeu.
Tinham rostos de crianças...
Falling Free - Vorkosigan 1 - Lois McMaster Bujold [ Download ]
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Learning from other worlds
Contents
Acknowledgements
Contributors
Introduction: Learning from Other Worlds
PATRICK PARRINDER
Part I: Science Fiction and Utopia: Theory and Politics
Before the Novum: The Prehistory of Science Fiction Criticism
EDWARD JAMES
Revisiting Suvin’s Poetics of Science Fiction
PATRICK PARRINDER
‘Look into the dark’: On Dystopia and the Novum
TOM MOYLAN
Science Fiction and Utopia: A Historico-Philosophical Overview
CARL FREEDMAN
Society After the Revolution: The Blueprints for the Forthcoming Socialist Society published by the Leaders of the Second International
MARC ANGENOT
Part II: Science Fiction in its Social, Cultural and Philosophical Contexts
From the Images of Science to Science Fiction
GÉRARD KLEIN
Estranged Invaders: The War of the Worlds
PETER FITTING
‘A part of the … family [?]’: John Wyndham’s The Midwich Cuckoos as Estranged Autobiography
DAVID KETTERER
Labyrinth, Double and Mask in the Science Fiction of Stanislaw Lem
RAFAIL NUDELMAN
‘We’re at the start of a new ball game and that’s why we’re all real nervous’: Or, Cloning—Technological Cognition Reflects Estrangement from Women
MARLEEN S. BARR
‘If I find one good city I will spare the man’: Realism and Utopia in Kim Stanley Robinson’s Mars Trilogy
FREDRIC JAMESON
Afterword: With Sober, Estranged Eyes
DARKO SUVIN
Darko Suvin: Checklist of Printed Items that Concern Science Fiction
Bibliography
Index
Learning from other worlds [ Download ]
Estrangement, Cognition and the Politics of Science Fiction and Utopia
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Star Wars - The Films and the Galaxy Beyond








Star Wars - The Films and the Galaxy Beyond [ Download ]
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Superhero Movies
Following a flurry of whizzing blue lights, the camera pans down from the stars to a lonely crystalline planet. Moving closer, a solitary dome is revealed amidst a cityscape built from large shards of glass. Inside, a stodgy-looking Marlon Brando, dotted with sequins, is passing judgement on an irate Terence Stamp. Not long after, this barren planet Krypton explodes; its sole survivor, an infant destined for Earth.
So opens Richard Donner’s 1978 film Superman, and with it the modern age of superhero movies.
Recently, Superman returned to find he was not the only superhero flying the cinematic skies.
Among the Man of Steel’s many rivals include his DC Comics stablemate Batman, who, after detoxing from an overdose of mid-1990s camp, has returned to his cape and cowl career with renewed vigour and purpose.
A number of young turks have also been tugging at Superman’s cape, the most eager being the arachnid-themed wunderkind Spider-Man, who not only adopted Superman’s red-and-blue style, but seems intent on rivalling the Man of Steel’s film output.
With blind vigilantes, schools of mutants and the occasional green goliath, the Last Son of Krypton now has a big super-family.
Today it seems that, after decades of struggle, caped wonders are making the leap to the screen in a single bound.
But why has this super-surge taken place now, when supermen have been righting wrongs since the pages of Action Comics #1 in 1938?
Contents
Introduction: In a Single Bound? Superheroes on Screen
1. The Last Son of Krypton, Earth’s First Superhero
2. Supermen with Feet of Clay
3. Vigilante Justice
4. Family First
5. Strength in Numbers
6. Wonder Women
7. Supernatural Superheroes
8. Superbad
9. ‘Nuff Said!
10. Excelsior! A one-on-one with Stan Lee
Index
Superhero Movies - Liam Burke [ Download ]
terça-feira, 1 de setembro de 2009
The Essential SCIENCE FICTION television reader
Introduction: The Trajectory of Science Fiction Television
J. P. Telotte
Part I. Background
Lifting Off from the Cultural Pad
Lost in space: Television as Science Fiction Icon
J. P. Telotte
Shadows on the cathode Ray Tube: Adapting Print Science Fiction for Television
Lisa Yaszek
From Big screen to small Box: Adapting Science Fiction Film for Television
Gerald Duchovnay
Part II. t he ShaPe of the ShIP
Narrative Vehicles and Science Fiction
Tomorrowland Tv: The Space Opera and Early Science Fiction Television
Wheeler Winston Dixon
Anthology drama: Mapping The Twilight Zone’s Cultural and Mythological Terrain
Rodney Hill
Animation, anime, and the cultural logic of asianization
Dennis Redmond
Part III. What fuelS t heSe flIghtS
Some Key Concerns of Science Fiction Television
"dreams Teach”: (Im)Possible Worlds in Science Fiction Television
Christine Mains
Fraking machines: Desire, Gender, and the (Post)Human Condition in Battlestar Galactica
Susan A. George
Space vehicles and Traveling companions: Rockets and Living Ships
Samantha Holloway
Part IV. the BeSt SIghtS “out there”
Key Series
The politics of Star Trek
M. Keith Booker
Science Fiction Television in the united Kingdom
Mark Bould
Mainstreaming marginality: Genre, Hybridity, and Postmodernism in The X-Files
Lacy Hodges
Babylon 5 : Our First, Best Hope for Mature Science Fiction
Television
Sherryl Vint
Stargate SG-1 and the Quest for the perfect science Fiction premise
Stan Beeler
The island’s Greatest mystery: Is Lost Science Fiction?
David Lavery
Part V. t he landIng Zone
Where Does Science Fiction Television Go from Here?
Tv Time lords: Fan Cultures, Narrative Complexity, and the Future of Science Fiction Television
Charles Tryon
Further Reading
Selected Videography
List of Contributors
Index
The Essential SCIENCE FICTION television reader [ Download ]
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
No espaço ninguém pode ouvir seu grito

Em parte porque há pouco terror por lá.
No ano passado a NASA respondeu a um pedido do Freedom of Information Act que solicitava:
1-A lista, índice ou diretório ou catálogo de livros recreacionais para leitura no tempo de folga, mantido na ISS (Estação Espacial Internacional).
2-A lista, índice ou diretório ou catálogo de filmes e programas de televisão mantido na ISS.
3-A lista, índice ou diretório ou catálogo de livros de música mantido na ISS.
A resposta da NASA forneceu alguns vislumbres interessantes sobre os hábitos de leitura de nossos homens no espaço.
Não é nenhuma surpresa que os livros de Sci-Fi são os favoritos na estação espacial.
No entanto pode ser uma surpresa que Lois McMaster Bujold, autor da série Vorkosigan Saga, é o autor com mais títulos no espaço (com 8 livros), junto com David Weber e a série Honor Harrington (8 livros). Isaac Asimov tem apenas dois livros que orbitam o planeta. Jules Verne tem apenas um. Arthur C. Clark não está representado e H.G. Wells continua a ser um escritor estritamente terrestre.
Fiquei surpreso ao ver que o livro de auto-ajuda TEN DAY MBA aparece na prateleira da ISS.
O aprendiz de capitalista diria: "Claro, ser um astronauta é bacana e tudo mais - mas um dia eu vou ter que conseguir um emprego de verdade".
Talvez o mais estranho livro na prateleira do ISS é de Wayne Grudem, Teologia Sistemática: Uma introdução a Doutrina Bíblica, um tijolo de 1.200 páginas sobre interpretação bíblica contemporânea. A inclusão deste livro é ainda mais estranha, considerando que nas prateleiras da estação espacial não há uma Bíblia.
Eles no entanto tem A Origem das Espécies, de Darwin.
O único romance de horror disponível para astronautas é Winter Haunting de Dan Simmons, uma história de assombração sobre um homem que retorna à sua pequena cidade natal para enfrentar o sobrenatural.
Isto sugere que a Lei de Barker (a hipótese de Clive Barker, de que em cada lar americano há uma Bíblia e um livro de Stephen King) não ocorre no espaço.
Partindo do princípio que os cérebros no controle de terra decidiram, em algum momento, que a última coisa que um monte de caras presos em uma pequena coleção de latas pressurizadas flutuando em um enorme vazio precisavam, era de filmes para enlouquecê-los, há pouquíssimos filmes de terror à bordo da ISS. Mesmo os títulos que podem ser considerados de terror, possuem um tanto de ação, thriller, ou são do gênero Sci-Fi.
O Relatório da NASA diz que King Kong está disponível, ainda que não esteja claro se os astronautas estão assistindo o clássico original ou a versão CGI de Jackson. Stir of Echoes, estrelado por Kevin Bacon, é mantida a bordo da ISS. Por fim, O Sexto Sentido orbita sobre nós, embora, sinceramente, só é assistido uma vez a cada missão. Uma vez que os astronautas assistem e sabem seu final, o filme passa a ganhar poeira espacial na prateleira, até um novo lote de novatos.
O que vocês acham? Devemos comprar para a NASA, o dvd de Alien, para a Estação Espacial Internacional?
Retirado do blog And now the screaming starts
Description of document: NASA List of books, movies, television shows, and music maintained on the International Space Station (ISS) for recreational/off-duty consumption
Requested date: 10-April-2007
Released date: 23-April-2008
Posted date: 29-April-2008
Source of document: JSC FOIA Public Liaison Officer
Johnson Space Center
domingo, 30 de agosto de 2009
Entrevista com Brian Aldiss

Brian W. Aldiss é uma das lendas vivas da Ficção Científica britânica.
Nascido em 1925, começou a publicar seus contos em meados dos anos 50, e alguns anos depois teve início a sucessão de livros de Ficção Científica que o tornariam famoso.
Fortemente associado com a New Wave britânica da década de 60, Aldiss é um experimentador literário radical desde então e continua a ser uma voz distinta na FC e fora dela. Um estilista, um ambicioso, um pensador audacioso da inventiva ficção especulativa, um crítico moral e um brilhante contador de histórias. Ele é, além disso, um dos mais importantes historiadores da FC.
Pergunta: Você comemorou recentemente o 50 º aniversário da publicação de seu primeiro conto. Olhando para trás para sua obra extraordinariamente rica e variada, qual parece ser para você, os maiores destaques? Qual de seus livros te deixa mais orgulhoso?
Aldiss: Estou orgulhoso de ter escrito um livro: When the Feast is finished (1999). É a história da minha esposa Margaret, vida e morte, e do nosso amor, de nossa família encantadora. Em um período de sofrimento, fiquei feliz por criar este modesto memorial para ela.
Quanto ao resto, bem, orgulhoso? Aliviado, desculpe ... Não exatamente orgulhoso; porque sempre se sente, quando a coisa está concluída, que talvez poderia ter sido melhor, ter formulado melhor, ter tentado mais, por exemplo com a formação de sentenças individuais. E com FC há sempre o perigo de se falar besteira. Entre pela magia e você estará mal...
Claro, eu fiquei feliz por Hothouse ser tão bem sucedido, apesar de que eu estava um pouco preocupado. Ah, eu estou muito satisfeito com Report on probability, uma vez que saiu tão bom quanto era a intenção. E há Forgotten Life (1988). E como eu ri enquanto escrevia Cretan Teat (2002)!
Pergunta: Algo que passa através de sua ficção, seja ela FC ou mainstream, é seu conhecido e freqüentemente cáustico, mas também muito carinhoso, comentário sobre a sociedade Inglesa, suas desigualdades e suas excentricidades. Como você vê a Inglaterra hoje em dia, em relação ao que era.
Aldiss: Sim, sei o suficiente para perceber o quão pouco sei. A ameaça de devastação e destruição, fora dos limites do mundo ocidental, tem aguçado minha apreciação dos benefícios que gozamos aqui e principalmente aqueles aos quais estamos acostumados.
Tenho um bom exemplo da nossa boa sorte: O aeroporto de Viena. Supondo que você chega lá vindo da Macedônia, um país bastante agradável, você fica impressionado com a beleza e a organização do aeroporto. Pessoas elegantes sentadas em espaços abertos, bebericando um bom café, conversando, rindo. As lojas são lindas, abastecidas com produtos atraentes. As pessoas são educadas. Tudo funciona sem problemas. E não apenas para aquele dia que você passa por ali. Todos os dias. Ano após ano. O Ocidente floresce porque seus habitantes estão preparados para trabalhar e sustentar aquilo que eles começaram.
Eu amo profundamente a Inglaterra, embora muitas vezes ela possa ser irritante. Certamente ela tem melhorado desde que eu era um rapaz: não só em seus muitos avanços científicos, mas na liberdade das relações entre as pessoas, pelo menos em certos setores da sociedade.
Pergunta: Há um otimismo, quase de utopia, ao contrário da tecnofília dos escritores americanos de Ficção Científica, que muitas vezes aparecem para expressar uma filosofia relativamente fatalista do futuro humano. Neste século, o aquecimento global e o conflito crescente entre ricos e pobres... o quanto esperançoso você está quanto a duração da prosperidade a da sobrevivência da raça humana?
Aldiss: Olhando a situação do mundo, você vê motivos de esperança e motivos para desespero. Eu gosto do desespero, é tão desintoxicante. Serve melhor à prosa. Eu adorei The Day After Tomorrow. O mundo vai para o inferno de vez. Mas, em muitos aspectos, pode-se ver alguma melhora. O século 20 foi um período de crescimento fenomenal. Você não pode duvidar disso se você for uma mulher e olhar para o passado... ou um homem olhando para o que está por vir
Eu acho que nós vamos nos manter à tona, até a chegada do próximo Grande Meteoro.
Pergunta: Ao mesmo tempo que você conseguiu sintetizar tão bem a Inglaterra, você sempre exibiu um certo exotismo extravagante, como em Hothouse, The Malacia Tapestry e Helliconia. Nomes como Hanra TolramKetinet, Itsobeshiquetzilaha, locais como o continente que abrange as árvores Banyan, a lua capturada nas teias de aranha, bizâncios alternativos, um mundo cujas estações duram séculos... De onde vem tudo isso? Você serviu no exército britânico no sudeste da Ásia, é claro que você é muito viajado...
Aldiss: É impossível dizer de onde o exotismo vem. Tem sido sempre uma parte de mim. Claro que eu vi a árvore Banyan, no Jardim Botânico de Calcutá ... a "maior árvore do mundo", sempre crescendo. Não tenho dúvidas de que os quatro anos de exílio no Extremo Oriente, ajudou a minha imaginação. Eu ainda tenho uma nostalgia, não por East Dereham, Norfolk, onde eu nasci, mas por Sumatra, onde vivi por um ano após a Segunda Guerra Mundial. Medan, a capital destruida, semi-funcional, calma, perigosa, exótica, sem dinheiro, mas pelo menos uma mulher adorável vive lá.
Pergunta: Sempre saboreei seu estilo de escrita, a sua opulência periódica, a sua poesia, a sua mistura de elegância cercada de aspereza. Quais foram suas influências literárias e como você avaliaria o seu desenvolvimento estilístico desde os anos 50?
Aldiss: "Opulência periódica"! Essa é boa. O estilo desenvolveu-se a partir de muita leitura, coisas que mais tarde seriam vistas como inúteis, assim como os chamados "bons livros". Certamente que o gosto pelo exótico, como por exemplo 'The Lost Steps' de Alejo Carpentier, maravilhosamente traduzido para a lingua inglesa, vem de estar sempre atento para sua origem estrangeira. Um livro que gostaria de ter escrito. Também 'Sabres of Paradise' de Lesley Blanche, um livro tão denso, com sabor de assado de javali selvagem, com presas e tudo. Um dos livros mais nutritivos que já li. Blanche ainda está viva aos 101, vivendo no sul da França. É claro.
Desenvolvimento estilístico. Você certamente fica mais exigente ao longo da vida. Doris Lessing (Shikasta, etc) tem sido bom exemplo para mim... por que um romance comum não pode suavemente ser visto através da ficção científica? Como aconteceu com Somewhere East of Life (um romance que eu ainda gosto muito, ao menos por razões não-literários... ele me levou ao Turquemenistão).
Depois de trabalhar com Stanley Kubrick em IA, e com a chegada de um novo século, eu gostaria de tentar novas formas de contar uma história. Com Super-State (2002), eu tentei abolir a estrutura narrativa, ou dividi-la em episódios. Esses episódios, ficando distantes, tinham que ser nítidos e incisivos. Eu nunca vou perdoar Little Brown por sua falta de cuidado na edição e promoção desse livro, que deveria ter tido uma grande audiência.
Gostei das dificuldades na escrita e da forma de Super-State, assim tentarei novamente, em uma escala menor. Hampden Ferrers é a história de uma aldeia fictícia e de seus habitantes. A brincadeira, o surrealismo e o romance, adocicam a pílula do debate sobre a natureza do universo. Trata-se de FC ou não? Bem, claramente não. E no entanto... Você acha que eu me importo com o que ela é? Eu acredito que o fiz provavelmente para ninguem, a não ser para mim mesmo.
Então eu fui ainda mais fundo. Sanity and the Lady (Peter Crowther Publishing) é sobre uma família e uma mulher corajosa, em particular. Não é certamente FC tradicional. É o que eu faço.
Experimentar novos estilos e temas ajuda a manter-me fresco e pronto.
Pergunta: Seus romances mais recentes, como você diz, geralmente podem ser lidos como mainstream ou como FC/Fantasia, e uma observação semelhante pode ser feita sobre seus trabalhos anteriores. ... Assim sendo, gêneros e categorias de publicação não se aplicam em sua escrita?
Aldiss: Eu não sei a resposta para esta pergunta. Eu só sei que a minha opção não é pelo caminho da riqueza ou da fama. Tenho me educado para não buscar essa ilusão, fama. Estamos na era das celebridades. A minha popularidade foi nos anos 60 e 70, quando eu não me importava com o que eu escrevia. Embora é claro que eu perdi um pouco com isso, mas me alegro que minha criatividade continua funcionando, que as palavras ainda fluem, que o meu jardim dê flores ainda, que a minha TV ainda está desligada, que minha amada tem o poder maravilhoso de uma mulher para desafiar e encantar.
Pergunta: Você se tornou conhecido muito cedo, por suas magníficas coletâneas de contos, tais como Espaço, Tempo e Nathaniel, gemas individuais como "Old Hundredth", e você permaneceu razoavelmente prolífico em contos curtos desde então. Quais são para você, as principais virtudes de um conto de FC? Por que você ficou tão fortemente comprometido com ele?
Aldiss: Não se esqueça que eu comecei a minha vida de escritor como um campeão em contar histórias em dormitórios escuros, de várias escolas públicas. Eu contava histórias e as crianças todas escutavam. Contos meio que surgem. Você pode estar no meio de um romance e após uma frase, digamos, desperta uma questão secundária. Você estaciona o romance numa rua secundária e conta para si mesmo a tal história.
Nos anos 70, eu costumava me exercitar assim: Rabiscava seis frases mais ou menos aleatórias. "Uma nuvem em forma de um piano, um piano em forma de uma nuvem." "Como é o arrebatamento, querida?" "Todos esses encantos duradouros da idade."
Eventualmente, eles serviram como ingredientes ou pelo menos, trampolins de mergulho para as histórias de Last Orders. Talvez eu fosse um pouco louco na época.
Talvez eu não seja um escritor de FC. Talvez eu seja um surrealista.
Pergunta: Um bom número de seus primeiros livros, Non-Stop, The Dark Light Years (1964)... são space-operas de uma espécie inovadora, não-convencional, e mais tarde você editou uma série de importantes antologias de space-opera. Hoje a space-opera domina a FC britânica.
Qual é o encanto deste subgênero, antes desprezado. Seria devido a sua fecundidade experimental? Porque você acha que ela é tão popular hoje em dia?
Aldiss: Eu não sei. Talvez seja popular porque você pode percorrê-la com sua mente e perder-se por lá.
Pergunta: Você, J.G. Ballard e Michael Moorcock formavam o ABC (ou ABM), da New Wave britânica dos anos 60 e início dos anos 70. Analisando a New Wave hoje, quais foram suas principais realizações, em geral e para você pessoalmente?
Aldiss: O que Mike Moorcock fez quando assumiu a revista New Worlds? Ele jogou fora toda aquela assustadora ficção de segunda categoria. Aquelas ideias eram claramente gastas, escritas imitando o estilo americano, meras sombras de Bester, Blish, Simak, etc . Não quero ser rude, mas era feita por fãs, por amadores. Nos termos de Mike, a literatura tinha que ser renovada.
Surgiu uma nova audiência, uma audiência inteligente (que não estava drogada). As convenções mudaram bruscamente de um ano para o outro, de repente havia gente que você queria conhecer. Nunca se esqueça de nossa dívida com Mike. Já não sentiamos vergonha de estar escrevendo Ficção Científica. O bom e velho Mike quase morreu fazendo o que fez.
Pergunta: Nos anos 70 você escreveu Frankenstein Unbound, uma homenagem apocalíptica à obra prima de Mary Shelley, e Billion Year Spree (1973), que apregoava "Frankenstein" como sendo o primeiro romance de FC genuíno. Você mantêm a sua opinião de que a FC é moldada predominantemente a partir do gótico?
Aldiss: A popular "virada", onde sempre algo terrível está para acontecer, é uma invenção gótica. O maravilhoso romance de Mary Shelley tem a influência da escrita de seu pai, William Godwin, que escreveu Caleb Williams. Este mês eu estava no Kansas para receber um prêmio póstumo por Mary Shelley. Eu penso que Frankenstein, ou The Modern Prometheus, é o primeiro romance científico. Por que os leitores ingleses nunca apoiaram minha escolha? O caso é completamente explicado em Billion e Trillion Year Spree.
Pergunta: Sobre esta última questão, nos anos 80 você e David Wingrove expandiram Billion Year Spree para a atual Trillion Year Spree. Uma Quadrillion Year Spree está por vir?
Aldiss: Há uma edição, ligeiramente revisada, de Trillion, disponível na House of Stratus para impressão por demanda. É grande, 340 páginas. Mas Quadrilion? Esqueça! Estou descansando meus remos.
Pergunta: Seu excepcional romance dos anos 70, do gênero fantástico, The Malacia Tapestry: barroco, cheio de vida e ainda assim e acima de tudo, um estudo da decadência, do extâse cultural artificial. Como foi que sua visão de Malacia surgiu primeiro e, posteriormente evoluiu? Você ainda está tentado a escrever uma seqüência?
Aldiss: Barroco, sim, isso é o que é Malacia. Alguns tolos dizem que não tenho idéias novas, na verdade, eu senti que a Inglaterra naquela época tinha crescido mas não avançado, ficou presa em seu passado, e eu pretendia usar Malacia como uma metáfora. Porém mais do que isso, fiquei maravilhado com aquilo, adorando, um pouco como G.B. Tiepolo (pintor veneziano), capricci e scherzi. Gravuras de um mundo misterioso, de sacrifício e adoração do diabo, e a vida popular escavada a partir do solo, e serpentes queimando nos altares pecaminosos e tudo o que é balbuciado, ele representou aquilo tão bem. Lembre que ele foi um artista que tinha pintado centenas de belos tetos em toda a Europa. Alguma vez você viu sua obra-prima no Residenz em Wurzburg? Aposentou-se, passando a viver em Veneza, e em sua velhice ele pintava estes pequenos retratos de um mundo estranho e suntuoso. Era sobre isso que eu queria escrever, arabescos e tudo mais.
Sem sequências porêm. Nunca olhe para trás, como eu estou fazendo aqui.
Pergunta: Sua trilogia Helliconia do início e meados dos anos 80, continua a ser uma conquista retumbante, um dos maiores romances planetários de FC. Que vasto quadro você pintou! Que dificuldades você encontrou ao escrever tal épico? E foi esta trilogia de alguma forma, a sua despedida da FC em grande escala, sua palavra final sobre a FC como um gênero amplo?
Aldiss: Eu queria que Helliconia estivesse no centro de um romace científico. Eu vi a avalanche de imitações de Tolkien quebrando como ondas de um mar venenoso, sobre aquilo que eu considerava como sendo a velha FC, a FC direta e rígida, presidida por John Campbell no auge da revista Astounding... O vasto quadro era uma exigência para estender o Grande Ano de Helliconia. Eu estava doente na época, sofrendo do que é conhecido como síndrome de fadiga pós viral.
Após dois anos de pesquisa, comecei a escrever, para encher a minha tela com os seres humanos e phagors e sabe Deus mais o quê. Beleza e terror, amor e emoção e a estupidez. Isso se chama liberdade criativa.
Você pergunta se ela foi o meu Adeus para alguma coisa. Acho que sim. E o meu Olá para outra...
Pergunta: Seu interesse em mitos gregos parece vir à tona no seu próximo trabalho (The Cretan Teat, etc). Por que isso? São romances históricos ou algo totalmente diferente?
Aldiss: Provavelmente algo totalmente diferente, como você diz. Meu querido filho Clive, e sua esposa grega, Youla, vivem em Atenas. Naturalmente eu tenho a tendência de aparecer por lá. Depois de Creta Teat vem Jocasta, que deve aparecer pela Rose Press em uma edição limitada em setembro. Eu também escrevi uma ópera, Édipo em Marte, o neto de Jocasta, para a qual a música está sendo composta.
Pergunta: Que outros projetos estão por vir? Você parece tão prolífico como sempre...
Aldiss: Novos contos serão lançados pela Tachyon Publications nos Estados Unidos. Título, Cultural Breaks. Minha conexão francesa ainda é forte. Estou trabalhando na penúltima revisão do meu tomance ainda inacabado, Walcot. É mais uma ambiciosa história de uma família ligeiramente disfuncional ao longo do século 20. Talvez fique boa. Talvez seja um fracasso. 'Talvez' é algo ótimo. Como é excitante não saber! Mas vale a pena tentar de qualquer maneira. E eu acho que há uma centelha, ou eu não me incomodaria sequer em continuar. Poucos contos nascem de verdade. Palestras. Interrupções como esta entrevista...
Entrevista dada a Nick Gevers - Science Fiction Weekly (Julho/2004).
Brian Aldiss

Brian Wilson Aldiss (18 de Agosto de 1925) nasceu em East Dereham, Norfolk, Inglaterra.
Prolífico romancista, poeta, ensaísta, historiador e crítico literário, foi como escritor de Ficção Científica que alcançou a notoriedade.
Após deixar o serviço militar (Royal Signals) Aldiss trabalhou como vendedor de livros em Oxford, por quase uma década, uma experiência que lhe ajudou a escrever seu primeiro livro The Brightfount Diaries (1955), uma coletânea de contos. Seu primeiro romance, Non-Stop, foi lançado em 1958, quando já trabalhava como editor do jornal Oxford Mail.
Dono de um estilo elegante e sofisticado, poético e tecnicamente provocador, Aldiss conquistou uma enorme quantidade de fãs por todo o mundo, sendo sua obra traduzida para mais de 20 idiomas.
Escolhido durante a Convenção Mundial de FC de 1958, como o mais promissor escritor naquela ocasião, ocupou a presidência da Academia Britânica de Ficção Científica de 1960 a 1966.
Aldiss criou com seu amigo e colaborador Harry Harrison, o primeiro jornal voltado exclusivamente para crítica literária de FC, o Science Fiction Horizons, de curta existência.
Além do seu sucesso como escritor, Aldiss ficou conhecido pelas antologias que organizou.
Foi homenageado com o título de Grande Mestre em 1999, tendo ganho 4 prêmios Hugo, 5 prêmios Nebula entre outros tantos prêmios como o Kurd Lasswitz Award (da Alemanha) e um Prix Jules Verne (Suécia).
Três de seus trabalhos foram adaptados para o cinema. Frankenstein Unbound (1990) baseado no livro de mesmo nome, AI dirigido por Steven Spielberg baseado no conto Super Toys Last All Summer Long e Brothers of the Head (2006).
Brian Aldiss permanece na ativa, lançando seus livros ou escrevendo para antologias, participando de conferências e dando palestras em universidades, além de estar à frente de um projeto dedicado as artes plásticas, sua segunda maior paixão depois dos livros.
Em 2005, "Sir" Brian Aldiss recebeu a maior honraria possível para um inglês, a Ordem do Império Britânico (OBE), por serviços prestados a Literatura.
The Official Brian W. Aldiss Website
Brian Aldiss (Afuera, 3 canciones para amantes enigmaticos, Nataniel, Un mundo devastado, Viaje el infinito, Espaço y Tiempo, A rude awakening, Appearence of Life, Barefoot in the head, Better Morphosis, Brothers of the head, But Who can raplace a man, Enemies of the system, Equador & Segregation, Four Ladies of the apocalypse,Frankenstein desencadenado, Greybeard, Heliconia Spring, Heliconia Summer, Heliconia Winter, Intangibles Inc., Man in his time, Man on bridge, Neanderthal planet, Outside, Perlous Planet, Saliva Tree, Starship, Super-toys last all summer, Swastika, Tarzan of the alps, The canopy of time, The dark light years, The interpreter, The moment of eclipse, The skeleton, The worm that flies, There is a tide, Tomorrows Yesterdays, Total environment, White Mars, Imperios Galacticos I-IV )
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sábado, 29 de agosto de 2009
Viagem Fantástica 2 - Rumo ao Cérebro - Isaac Asimov
empreitada, mas só se você conseguir chegar até seu destino. Dezhnev (pai)
MORRISON SENTIU calor imediatamente e perdeu o fôlego. Como dissera Konev, a temperatura era de trinta e sete graus, como a de um dia quentíssimo de verão, sem que houvesse sombra ou brisa para refrescar.
Olhou em volta, tentando se orientar. Ficou claro que Natália miniaturizara ainda mais a nave enquanto ele estivera lutando para se enfiar no escafandro.
A parede ladrilhada do capilar estava bem mais longe.
Ele só conseguia ver um pequeno pedaço dela, porque havia um imenso objeto nebuloso atrapalhando a visão: um glóbulo vermelho, era claro. Uma plaqueta também passou entre o eritrócito e a parede, deslizando bem devagar.
Tanto os objetos quanto a nave e ele próprio estavam navegando com a corrente muito lenta do interior do capilar, pelo que ele pôde deduzir quando escolheu alguns “ladrilhos” como referência.
Morrison tornou a se perguntar por que sentia tão pouco o movimento browniano.
Continuava tendo a sensação de tremor, ainda que pouco intensa, e podia ver que os objetos à sua volta também pareciam tremer. Até o desenho das células da parede parecia se alterar um pouco, de um forma estranha. Mas não tinha tempo para especulações e análises.
Tinha que cumprir a missão e voltar para a nave.
Estava a mais ou menos um metro dela. Um “metro subjetivo”, pensou. Quantos mícrons teria, de quantos milionésimos de metro seria a distância real? Não se deu ao trabalho de tentar calcular.
Começou a manobrar com as nadadeiras para voltar à superfície da nave. O plasma era muito mais viscoso que a água do mar e a sensação era desagradável.
O calor, naturalmente, continuava. Não diminuiria enquanto o corpo dentro do qual se encontrava estivesse vivo. Sua testa já estava coberta de suor. Tinha que trabalhar rápido. Esticou o braço para tocar o ponto pelo qual deixava a nave, mas não conseguiu. Era quase como se a mão estivesse apertando uma almofada elástica de ar comprimido, mas ele não via nada entre ela e o casco, a não ser o próprio fluido.
Compreendeu logo o que estava acontecendo. A superfície externa do escafandro tinha carga elétrica negativa e a porção do casco que tentara tocar, também. Estava sendo repelido. Mas aquilo não deveria causar problema: era só achar algum pedaço do casco com carga contrária. Tateou até sentir o plástico mas isso não adiantou muito.
A sensação era a mesma que tocar uma superfície incrivelmente escorregadia.
De repente, com um “clique” quase audível, a mão esquerda grudou no casco. Encontrara um ponto com carga positiva. Tentou soltá-la com um pequeno esforço e, logo em seguida, com toda a força do braço. Era como se a mão estivesse soldada à superfície.
Começou a tatear com a direita, procurando um ponto de apoio para livrar a esquerda. “Clique”, outra vez. Apoiou o peso do corpo na direita e puxou a esquerda com toda a força.
Nada aconteceu. Estava preso ao casco, crucificado nele.
O suor rolava fortemente pelo rosto e depositava-se sob as axilas.
Começou a gritar, inutilmente, e a agitar as pernas. Os da nave acompanhavam com os olhos todos os seus movimentos, mas como gesticular sem usar as mãos?
O glóbulo vermelho que o vinha acompanhando o tempo todo aproximou-se e apertou seu corpo contra a nave. Seu tronco, no entanto, não ficou grudado.
Tocara, por sorte, uma área sem carga positiva. Sophia estava observando-o fixamente, tentando dizer-lhe alguma coisa, mas Morrison não sabia ler os movimentos de seus lábios, pelo menos em russo.
Notou que ela mexia num controle do computador e o braço esquerdo soltouse.
A moça devia ter reduzido a intensidade da carga. Balançou a cabeça para ela, torcendo para que entendesse seu gesto de agradecimento.
Tudo o que tinha a fazer agora era caminhar com os braços, saltando de carga em carga positiva, até a popa da nave.
Foi-se movimentando aos poucos, com dificuldade, e descobriu que, mais que a força da interação eletromagnética, o que atrapalhava agora era a pressão macia do glóbulo vermelho.
— Sai! Vai embora! — gritou em vão. O corpúsculo desempenhava um papel completamente passivo. Não era afetado por gritos.
Empurrou-o com força, usando os dois pés e uma das mãos. A superfície elástica e fina do glóbulo, de início, recuou e afundou, mas a resistência foi aumentando à medida que seus membros foram avançando.
Morrison viu que aquilo não adiantava.
Cansado, deixou o corpo ser empurrado de volta contra a nave.
Tentou recuperar o fôlego, o que não foi fácil, quente e ensopado de suor como estava. Começou a tentar imaginar o que o poria fora de combate primeiro: a desidratação ou a febre, que fatalmente viria, se continuasse incapaz de se livrar do calor produzido pelo próprio corpo e, ainda por cima, extenuando-se daquele jeito na luta para afastar o glóbulo vermelho.
Levantou o braço o máximo que conseguiu e o baixou com toda a força num golpe, voltando a borda da nadadeira manual contra a película do glóbulo, que se rompeu como um balão de borracha. A tensão superficial foi alargando cada vez mais o corte e o conteúdo começou a vazar: uma nuvem fina de grânulos.
O corpúsculo foi esvaziando e encolhendo.
Morrison sentiu-se culpado. Teve a sensação de que matara uma criatura inofensiva. Consolou-se com o pensamento de que havia trilhões daqueles no sistema circulatório e que seu tempo de vida, de qualquer maneira, não passava de uns quatro meses.
Agora já podia se deslocar até a popa. Não havia condensação no plástico do escafandro. Nem poderia haver: tudo estava à mesma temperatura e o tecido fora desenvolvido de forma a não aderir a nada.
O que poderia se condensar provavelmente estava rolando de um lado para outro, com seus movimentos, e se acumulando nas dobras do escafandro.
Chegou à popa, ao ponto em que as linhas aerodinâmicas da nave eram rompidas pelas saídas dos três motores a microfusão.
Estava o mais longe possível do centro de gravidade. Confiou na sorte e esperou que os outros quatro tivessem a mesma idéia e se reunissem o mais perto possível da proa.
Lamentou não lhes ter recomendado aquilo antes.
O que tinha a fazer agora era encontrar áreas com cargas positivas para apoiar as mãos e empurrar com força.
Sentiu-se um pouco tonto. A causa seria física ou emocional?
Não fazia diferença. O efeito era o mesmo.
Respirou profundamente, sentindo os olhos ardendo com as gotículas de suor que escorriam sobre eles. Não podia fazer nada quanto a elas. Teve outro acesso de fúria contra os idiotas que haviam projetado aquele traje de mergulho.
Entre aquilo e nada, pouca diferença havia.
Conseguiu firmar as mãos no casco e começou a bater as nadadeiras dos pés. Daria certo? A massa que tinha que movimentar era de alguns microgramas, apenas, mas de que energia dispunha? Uns poucos microergs? Sabia que a relação entre quadrados e cubos lhe dava uma vantagem enorme mas, mesmo assim, qual seria a eficiência de seu empurrão?
A nave moveu-se. Era fácil constatar o movimento, usando os “ladrilhos” da parede do capilar como referência. Seus pés já podiam tocar a parede, o que significava uma rotação de noventa graus.
O eixo principal da nave estava perpendicular à corrente. Firmou os pés na parede e empurrou de novo, com um exagero de força.
Se rompesse o capilar, as conseqüências poderiam ser terríveis, mas sabia que não dispunha de muito tempo, e não estava suficientemente lúcido para pensar a longo prazo. Felizmente, seus pés soltaram-se das células da parede, como se tivesse chutado uma cama elástica, e a nave girou um pouco mais.
Em seguida, encalhou.
Morrison procurou entender o que estava acontecendo, apertando os olhos com esforço para ver melhor. Estava perdendo a respiração no calor úmido e abafado do escafandro.
Era, com certeza, outro glóbulo vermelho. Só podia ser.
Dentro do capilar, o trânsito engarrafava-se como os carros na avenida principal de alguma cidade grande. Desta vez não hesitou. Baixou logo a nadadeira da mão direita, repetindo o golpe anterior, e causou um enorme talho.
E não perdeu tempo, como antes, lamentando a execução de uma vítima inocente.
Tornou a bater os pés e a nave retomou a rotação.
Torceu para que estivesse na direção certa.
E se tivesse invertido sua posição durante o selvagem ataque ao eritrócito, deslocando a nave de volta à situação anterior? Deixou sem resposta a pergunta.
Já estava quase sem condições de raciocinar.
A nave agora estava paralela a eixo do capilar.
Completamente sem fôlego, ele tentou observar os “ladrilhos” da parede.
Se parecessem se deslocar na direção da popa, a proa estaria apontada de maneira correta, contra a corrente, voltada para a junção do capilar com a arteríola.
Achou que tudo estava certo. Não, não conseguia achar mais nada.
Certo ou errado, tinha que retornar para a nave.
Não estava disposto a dar a vida em troca de êxito.
Mas onde estava a escotilha? Tateou cegamente a superfície do casco, sentindo aqui e ali as áreas de carga positiva e deslocando o corpo aos trancos.
Conseguiu entrever quatro figuras no interior da nave, fazendo gestos que não foi capaz de interpretar. Os vultos começaram a sair de foco. Alguém. apontou para cima. E onde era para cima?
Encontrava-se sem força para mover o corpo.
O último pensamento foi o de que, para cima ou para baixo, não fazia muita diferença para quem não tinha massa nem peso.
Deu um impulso para cima, sem entender bem por quê, e a escuridão o envolveu completamente.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Outer Space Spirit (1952)

The series involved The Spirit accepting an experimental mission to the moon for the government accompanied by a scientist and a group of criminals to test the effects of man in space.
27 July 1952 - "Outer Space"
3 August 1952 - "Mission... The Moon"
10 August 1952 - "A DP On the Moon"
17 August 1952 - "Heat"
24 August 1952 - "Rescue" (First of the four page sections)
31 August 1952 - "The Last Man"
7 September 1952 - "The Man in the Moon"
14 September 1952 - "The Amulet of Osiris"
21 September 1952 - "The Spirit Back on Earth"
28 September 1952 - "Return From the Moon"
5 October 1952 - "Denny Colt, UFO Investigator"
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
The Science Fiction and Fantasy Readers' Advisory
THE LIBRARIAN’ S GUIDE TO CYBORGS, ALIENS, AND SORCERERS
PROLOGUE: Science Affliction
Book I
SCIENCE FICTION
Classic and General Science Fiction
Classic Science Fiction
General Science Fiction
The Aliens Are Coming! The Aliens Are Coming!
First-Contact Novels
Alien Invasion!
Celestial Bodies
Mars
The Moon
Other Celestial Bodies
Androids and Robots and Cyborgs . . . Oh My!
Attack of the Killer Computers!
Cyberpunk––Are You Looking at Me?
Science Fiction with an Attitude
Virtual Reality
It’s the End of the World: Holocaust Fiction
Alternate History
Time Travel
Science-Fiction Time Travel
Fantasy Time Travel
Superheroes, Graphic Novels, and Genetic Engineering
Superheroes
Graphic Novels
Genetic Engineering
Thrills and Chills in Zero Gravity: Science-Fiction
Mysteries and Thrillers
Mysteries
Thrillers
Biotech Thrillers
Science-Fiction Humor
Science-Fiction and Fantasy Blenders
Telepathic Mutants and Other Weirdos
Science-Fiction Romance and Religion
Romance
Religion
Space Operas
Star Wars
Star Trek
Book II
FANTASY
Fantastic Fantasy
Classic Fantasy
General Fantasy
The Long and Longer of It: Epic Fantasy
Questing, Questing, Questing
Quest Fantasy
Dungeons and Dragons
Fairy Tales: Not Just for Kids
Larger than Life
Legends and Myths
Arthurian Legend
Historical Fantasy
The Dark Side of Fantasy
Ever Since I Died, I Can’t Sleep at Night: Vampires,
Werewolves, Ghosts, and Other Undead
Vampires
Werewolves
Ghosts and Other Undead
Demons Loose in the City: Urban Fantasy
Crossing Over to the Other Side
Sword and Sorcery
The Magic of Music
Talking Cats, Dragons, Elves, and Other
Mythological Beasties
Cats and Other Beasts
Heroes: The Breakfast of Champion Dragons
Are You Calling Me a Fairy? I’m an Elf!
Humorous Fantasy
You Can’t Keep an Elven Sherlock Holmes Down:
Fantasy Mysteries
Fantasy Romance
APPENDIX
Hugo Award Winners
Nebula Award Winners
Mythopoeic Award Winners
World Fantasy Award Winners
INDEX
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Modelos em papel

Ponte de comando da Enterprise para montar [ Download ]
The Lower Hudson Valley Paper Model
domingo, 23 de agosto de 2009
Frederik Pohl

Frederik Pohl (26 de Novembro de 1919) nasceu em New York (EUA).
Em sua juventude, frequentou a então prestigiada Bronx High School of Science, onde conheceu Isaac Asimov, tornando-se seu amigo. Anos depois ingressaria no Partido Comunista Americano, mas logo se veria em conflito com membros seniores do Partido, por conta da ideía que a Ficção Científica disvirtuava e corrompia o espirito dos mais jovens.
Poucos escritores de FC estiveram tão envolvidos com cada fase do gênero como Frederik Pohl, primeiro como fã, depois como escritor, editor e agente literário.
Quando fã, foi um dos primeiros membros da Science Fiction League, talvez o mais antigo fã-clube americano de Ficção Científica e fez parte de muitos outros (como o conhecido Futurians).
Trabalhou aos 19 anos de idade nas revistas Astonishing Stories e na Super Science Stories, e mais tarde, tornou-se editor chefe da If, da Galaxy Science Fiction e da Worlds of Tomorrow, durante a chamada época de ouro da FC.
Pohl foi influenciado e influenciou a maior parte das correntes da FC.
Escreveu em parceria com diversos grandes nomes da FC americana, como Joseph Harold Dockweiler (Dirk Wylie), Donald A. Wollheim, James Blish, Isaac Asimov, Cyril Kornbluth, Robert Lowndes e Damon Knight.
Grande parte de sua obra é voltada para os contos. Um de seus melhores, The Space Merchants, é uma demonstração clara de sua capacidade inventiva e observadora, além de bem humorada sátira distópica ao mundo das agências de publicidade. Frequentemente Pohl era um crítico da valorização ao consumismo e da máquina propagandista americana dos anos 50 e 60.
A partir dos anos 70 Pohl passou a dedicar-se mais a romances, lançando alguns de seus melhores trabalhos como Man Plus e a série Heechee (vencedores do Prêmio Nebula, 1976 e Hugo 1978) The Voices of Heaven, além do aclamado Jem.
Pohl escreveu mais de 100 livros em 65 anos de carreira e ainda hoje trabalha na divulgação do gênero fazendo palestras e participando de conferências.
Blog de Pohl (The Way the Future blogs)
Frederik Pohl (Day Million, Farmer on the Dole, A hitch in time, Best of, Black Star Rising, Father of the Stars, Furthest Star, Hatching the Phoenix, Homegoing, Jem, Other End of Time, Plague of Pythons, Stopping at Slowyear, Terror, The boy who whould live forever, The Coming of Quantum Cats, The Far shore of time, The Midas Plague, The Reunion at the mile, The Siege of Eternity, The sweet sad Queen of Grazing Isles, The weapon, The world at the end of time, Critical Mass, Search the sky, Gladiator at law, The Space Merchants, Wolfbane, Land's End, Starchild Trilogy, Undersea series, Callistan Tomb, Heechee series, Perverso, Sobrevivientes, Happy Birthday Dear Jesus, Man Plus, Speed Trap, The day the Icicle Works closed, The tunnel under the World) [ Download ]
Uma lenda viva da Ficção Científica, Frederik Pohl, nos lembra sobre como era o Futuro

Pergunta: Você está perto dos 90 anos. Como se sente?
Pohl: Bem. Nunca planejei chegar até esta idade e não sei exatamente como isso aconteceu... mas acho que é melhor do que a outra alternativa.
P: Agora que você passou dos 80 anos, você continua com a sua rotina de escrever 4 páginas por dia?
Pohl: Sim e não. Alguns anos atrás eu comecei a ter problemas sérios para respirar e decidi parar de fumar. Isso me ajudou mas também arruinou, ao menos temporariamente, a coisa de escrever: 60 anos escrevendo com um cigarro queimando no cinzeiro ao lado era um hábito difícil de mudar. É quase impossível escrever qualquer coisa. Nos últimos meses a situação melhorou um pouco e acho que voltarei logo a escrever.
P: Existem rumores que você estaria escrevendo uma continuação de Gateway. É verdade?
Pohl: Sim, estou trabalhando em outro livro da série Heechee. Anos atrás, Bob (Robert) Silverberg, que é bem persuasivo quando quer ser, me convenceu a escrever um conto dentro do universo Heechee, para uma antologia que ele estava montando.Minha esposa e eu estávamos viajando pelo mediterrâneo e escrevi uma história a bordo do navio. Acabou sendo grande demais para sua antologia então escrevi outra e mandei para ele. Me dei conta de ter pelo menos 30.000 palavras para uma história sobre Heechee e resolvi escrever um pouco mais e transformar em um livro. Provavelmente se chamará From Gateway to the Core...
P: Gateway ganhou os prêmios Hugo, Nebula e o John W.Campbell Memorial. Também foi um campeão de vendas (se encontra na edição de núm.30). Você esperava tal reconhecimento ao escrevê-lo?
Pohl: Eu sabia que era um ótimo livro. Mas não sabia que ganharia tantos prêmios, mas fico feliz com isso. Eu ficaria desapontado se outro livro os tivesse ganho. É um bom livro.
Publiquei muito na minha vida e não sou louco por todos eles. Talvez por 20 ou 30 somente e Gateway é o que eu mais gosto ou esteja entre aqueles que mais gosto, eu acho. Isso muda todo dia, eu também gosto bastante de Chernobyl e The Years of City, mas Gateway, acho, é melhor.
P: Você é um fã, escritor e foi editor, tudo ao mesmo tempo, agente literário e até presidente da SFWA e da World SF, a organização internacional de pessoas ligadas a Ficção Científica. De todas estas experiências, de qual gosta mais?
Pohl: Escritor. Todo o resto é trabalho. Tinha muito prazer em ser editor sob certas circunstâncias, mas não se compara.
P: Como você consegue se manter sempre fascinado pela Ficção Científica?
Pohl: O que me mantêm interessado na FC é que é sobre ciência, uma constante desdobramento do conhecimento teórico através da observação de como funciona o universo e como pode se expressar através das histórias de FC.
P: Existem correntes da FC que não lhe interessam?
Pohl: Gosto de todo tipo de Ficção Científica. O que não me interessa são estas combinações de FC com Fantasia, pois nada me dizem, nada que C.L.Moore já não tenha feito antes. E melhor.
P: Dentro deste mesmo tópico, quais são estas correntes que o senhor acha que irão crescer?
Pohl: O bom da FC é que ela não é monolítica, não tem uma única tendência, vai em todas as direções ao mesmo tempo, na medida que os escritores surgem com pensamentos sobre coisas novas para explorar e outros aprendem com estes.
P: Você colaborou com outros escritores como C.M.Kornbluth, Isaac Asimov, Jack Williamson, Lester del Rey e L. Ron Hubbard. Qual o segredo de uma colaboração bem sucedida?
Pohl: Uma enorme paciência (risos). Você tem que ser amigável de verdade. Parece muito com um casamento, de muitas maneiras. Você não sabe para onde vai, até que já está dentro. Existem conflitos inevitáveis, de estilos e interesses. Não falo de estilo de se escrever mas de trabalhar. Algumas vezes pode ser fatal.
O livro que escrevi com Lester Del Rey, chamado Preferred Risk, custou um ano da minha vida. Um livro horrível. Se você for começar a lê-lo, não o faça. Foi originalmente publicado com um pseudônimo meu, que eu uso quando não quero assumir o livro. Ai a esposa de Lester, Judy Del Rey, republicou-o pela Del Rey Books e colocou nossos nomes nele. Nunca mais pude negar tê-lo escrito (risos).
P: Em sua obra, você freqüentemente se utiliza de comentários sobre assuntos sociais e políticos.
Pohl: Sou um interessado pela sociedade. Eu era um radical quando adolescente e me transformei num democrata, que basicamente é um tipo de radical se comparado aos republicanos. Li muitos livros sobre pensadores políticos, todos os utopistas e sobre tipos de sociedades que eu imaginava poder gostar de escrever sobre elas.
Não há dúvidas que existem coisas terrivelmente erradas com a nossa sociedade. A parte difícil é tentar imaginar como fazê-la melhor, no que eu tenho fracassado. Mas uma das vantagens de se escrever FC é que você pode pensar sobre como outras sociedades poderiam funcionar bem se as regras fossem um pouquinho diferentes, e então escrever a história e ver como as pessoas serão afetadas por isso. A maior parte da FC que eu gosto, trata disso. Contudo existe também uma outra parte que é uma espécie de celebração da ciência e da investigação do desconhecido. Mas eu passei bastante tempo escrevendo o que eles chamam de FC social.
P:A sátira é um elemento predominante no seu trabalho. Quais são suas influências literárias?
Pohl: Bem, a primeira ficção que me lembro de ter lido foi Voltaire. Cândida. Minha mãe me deu para ler quando eu tinha uns oito anos. Ela pensou que se tratasse de uma história de fadas. Voltaire foi um dos grandes escritores do Iluminismo, e li Jonathan Swift e todos os clássicos.
Existia um elemento de sátira na FC que eu gostava, quando comecei a ler. Até Edgar Rice Borroughs em sua série Mars (Marte), trata-se de uma sátira aos costumes, a religião e a política da Terra.
É claro, Brave New World (Admirável Mundo Novo) de Aldous Huxley e alguns escritores, como um homem chamado Stanton A.Cobletz em particular, que escrevia um tipo de FC bem pesada, crua mas muito satírica. Acho que me influenciaram, mas tudo que eu li me influenciou de certa maneira.
P: Quais são alguns de seus filmes de FC prediletos de todos os tempos?
Pohl: Acho que o que eu mais gostei foi 'Things to Come'. Foi lançado em 1936 e me acertou em cheio. Acho que vi umas 25 ou 30 vezes.
Também gostei de Forbidden Planet (Planeta Proibido). Me ofereceram a chance de escrever uma versão do filme antes dele ser lançado e eu pensei que não seria tão bom e recusei. Então quando eu o vi no cinema, fiquei muito chateado comigo mesmo, porque era um dos poucos filmes de FC que dariam uma boa história para ser publicada como livro.
O primeiro filme de FC que vi se chamava 'Just Imagine', lançado em 1930. Era sobre o incrível futuro distante de 1980. Nele Nova Iorque era cheia de arranha-céus e as pessoas viviam de pílulas. Quando um casal queria um bebê, colocavam vinte e cinco centavos numa máquina e o bebê surgia. Foi também o primeiro filme de Maureen O'Sullivan e eu me apaixonei por ela.
P: Durante sua vida, você assistiu a invenção dos computadores, os foguetes foram à lua, você viu o DVD, o telefone celular, forno de micro-ondas, todas estas invenções científicas importantíssimas. Será que a FC algumas vezes não se amedronta com o fato científico ?
Pohl: Não. Todas estas coisas vieram da FC. Quero dizer, nada disso me deixou surpreso por que eu já tinha lido algo sobre isso, bem antes de acontecer. Eu estava em Paris em Agosto de 1945 e eu estava cortando o cabelo numa barbearia no Champs Elyssees. Eu olhava sobre o ombro do homem ao meu lado e ele estava lendo um jornal e a manchete era 'Le Bomb Atomique'.
E a primeira coisa que eu pensei foi: 'Estes franceses malucos publicam qualquer coisa em seus jornais.' Então eu olhei mais de perto e vi que aquilo tinha mesmo acontecido. Eu senti, bem, eu já sabia que um dia aconteceria.
Todo mundo que lia Ficção Científica sabia que havia uma boa possibilidade. Existem vários tipos de FC que você não pode mais ler. Você não escreve mais sobre o primeiro robô inteligente, a primeira viagem a Lua ou a primeira guerra nuclear, por que já ocorreram, mas as conseqüências de tudo isso vão ficando mais claras a cada dia.
P: Você recentemente escreveu The Other End of Time, The Siege of Eternity e The Far Shore of Time ou Eschaton Sequence. O que é Eschaton?
Pohl: Eschaton é um termo teológico significando quando tudo fica diferente, quando todas as regras mudam. Foi usado pelo físico Frank Tippler para descrever o instante quando o universo tiver se expandido ao máximo e então irá sofrer um colapso, o chamado Big Crush. Quando tudo vai voltar a ser uma coisa só, é o que ele chama de Eschaton.
P: Como você acha que será o próximo século?
Pohl: Não dá para dizer em uma entrevista de 30 minutos (risos). Um jornal de Chicago me pediu para enumerar cinco coisas que não existirão em 2210. Eu respondi: 'Não existirão computadores, aparelhos de televisão, engarrafamentos de carros, hospitais ou aeroportos.' Tenho quase certeza disso. O que mais for acontecer, dependerá do que as pessoas fizerem.
Existem muitas tentativas por parte de pessoas brilhantes e bem informadas, de conceber metodologias para prever o futuro. Um monte de nomes estranhos como Delphi Herman Kahn, Mapeamento Metodológico, Extrapolações de tendências, etc. Todas tem uma coisa em comum: Nenhuma delas funciona.
Um homem chamado Dennis Gabor, que é mais conhecido por ter inventado o holograma, é um dos lideres no estudo do futuro e sumariza tudo ao dizer: 'É impossível se predizer o futuro, o melhor que podemos fazer é inventá-lo'.
Você não pode dizer o que vai acontecer no século 21 ou 22, pode apenas dizer o que poderá acontecer, e tem certas coisas que não estarão lá, como as cinco que mencionei.
P: No mesmo tema, que tipos de futuro-possíveis (futuribles) mais te intrigam ou o preocupam atualmente?
Pohl: Isso é uma coisa que me interessa: (a) a questão do aquecimento global (nota do editor: Pohl e Asimov escreveram 'Our Angry World' que trata exatamente disso); (b) como será o mundo quando computadores se tornarem menores que um botão e mais baratos que chiclete e estarão em todas as coisas; (c) antecipar os resultados do próximo megacrash do mercado de valores.
P: Qual foi a inspiração para 'Man Plus'?
Pohl: A inspiração original não é minha mas de uma mulher que queria produzir um filme. Ela tinha a idéia de que o filme deveria ser sobre ciborgues no espaço. Era tudo que ela sabia dizer sobre o filme. Eu passei alguns meses tentando escrever um roteiro para ela. Acabei não chegando em parte alguma. Nunca fui pago por isso também (risos). Depois eu juntei tudo e resolvi que escreveria um livro disso.
P: E o que pensa sobre a seqüência escrita por Thomas T. Thomas, Mars Plus ?
Pohl: A seqüência veio por que Jim Baen, o dono da Baen Books, me levou para almoçar um dia e disse: 'Quero que você me escreva um esboço para uma seqüência e outra pessoa escreverá o livro'. Eu concordei. Eu não costumava fazer isso e não estou certo de que o faria de novo.
Penso que Thomas T. Thomas fez um ótimo trabalho, não é o livro que eu escreveria, mas é um livro satisfatório, baseado nas minhas idéias. Eu o teria feito diferente, mas ele fez coisas que eu não pensei em fazer. Deu realmente uns toques bem interessantes.
P: Vênus é cenário de muitos de seus livros. O planeta tem apelo especial para você?
Pohl: Venus está mais próximo da Terra em muitos aspectos. As únicas coisas em que é diferente são a temperatura e a pressão atmosférica. E isso aparentemente se deve por estar 40 milhões de milhas mais perto do sol. Então, se você pudesse lidar com a temperatura, que é quente o bastante para derreter chumbo, ou a pressão do ar, que é grande o bastante para esmagar qualquer coisa viva, seria um bom planeta para se viver.
Acho que já escrevi sobre cada planeta do sistema solar onde fosse possível suportar alguém caminhando em sua superfície. Os grandões como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, não parecem ter uma superfície, então não contam, mas você pode escrever histórias com Marte, Vênus, Mercúrio, Plutão, a Lua, Calisto, Ganimedes e vários outros satélites. Mas Vênus é o planeta mais fácil de se ir, é o mais próximo da Terra. Na maioria do tempo, mais próximo do que Marte. Não tenho mais carinho com o planeta do que isso.
P: Algo mais que queira dizer?
Pohl: Acabei de voltar de um cruzeiro pelo canal do Panamá, onde escrevi bastante. Cruzeiros estão se tornando um ótimo lugar para que eu possa escrever sossegado. O telefone nunca toca. A viagem pelo Canal foi especial. Passei meu primeiro ano de vida na cidade de Gatun, onde meu pai tinha um emprego trabalhando nas comportas e desde aquela época, nunca tinha voltado até lá. Então eu queria dar uma olhada no lugar e amei a viagem.
Entrevista concedida a Michael McCarty em 2001.











