sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Tudo que você precisa saber para sobreviver a um ataque de zumbis, mas tinha vergonha de perguntar
Um instituto americano realizou uma pesquisa sobre qual seria o estado americano com maiores chances de seus moradores sobreviverem a uma invasão de zumbis, e chegou a conclusão de que seria a Dakota do Norte. A explicação é bem simples. Baixo indice de habitantes por quilômetro quadrado, recursos naturais abundantes, uma cultura pouco dependente, tecnologicamente falando, das benesses modernas (que convenhamos, deixariam de existir em uma pandemia zumbi), além de alta concentração de armas.
Trazendo estes critérios para o Brasil, chegamos a conclusão de que o estado brasileiro com a maior chance dos seus habitantes sobreviverem a um ataque de zumbis, seria... o estado de Alagoas.
Portanto, se você ainda tinha dúvidas sobre onde construir seu bunker, pode preparar as malas!
Uma dica, compre um lote na praia de Paripueira, cerque a propriedade, eletrifique-a (não esqueça de comprar um bom gerador), e desfrute do holocausto zumbi pegando uma cor.
Coqueiros, piscinas naturais, manguezais de água doce, lagosta, caranguejo, temperatura agradável o ano inteiro,... água de coco não faltará, assim como camarão na sua rede...
Tem lugar melhor para estar no fim do mundo (literalmente) ?
Se você ainda não sabe como, o Capacitor Fantástico vai te ajudar com algumas orientações básicas.
Primeiro, dois sites obrigatórios.
Além destes dois ótimos sites, aconselhamos a todos os candidatos a sobreviventes, que leiam estes três artigos, que acreditamos ser de grande utilidade.
How to kill a zombie (Como matar um zumbi) Este pequeno guia prático irá orientá-lo na escolha das armas para esta perigosa tarefa, que irá requer de você, coragem e atenção aos detalhes. Além disso, aborda de maneira sucinta, técnicas de ataque, desmembramento e incineração (apenas em último caso)
When zombies attack!: Mathematical modelling of an outbreak of zombie infection (Quando zumbis atacam! Modelagem matemática de um surto de uma infecção por zumbis). Modelo de uma pandemia zumbificante realizado por cientistas e estudiosos. Introduzindo um modelo básico para a infecção zumbi, determinam o equilíbrio e sua estabilidade, ilustrando os resultados numericamente. Em seguida, refinando o modelo, introduzem um período de latência de zumbificação, segundo o qual os humanos serão infectados, antes de se tornarem mortos-vivos. Em seguida, modificando o modelo, incluem os efeitos de possíveis quarentenas ou curas, para finalmente examinarem maneiras de se combater a invasão, mostrando que apenas com ataques agressivos e rápidos, poderemos evitar o derradeiro cenário apocalíptico - o colapso da sociedade.
ZOMBIE ATTACK (Ataque Zumbi) Preparação através de exercícios de simulação de desastres. O objetivo deste exercício é o de discernir as estratégias adequadas para responder a um ataque de zumbis e/ou infecção, que pode afetar o campus da Universidade da Flórida.
Existem claros indícios de que a contaminação já começou em diversos países, como por exemplo, nesta coluna de encontros, de um jornal de Detroit (EUA).
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Seventh Sanctum
O Seventh Sanctum pode não escrever por você, mas pode ser útil... além de divertido.
Como muitos 'geradores randômicos' que visam estimular a criatividade, este (escrito em PHP) possui diversas categorias: Nomes de criaturas, personagens, feitiços, nomes de organizações, lugares, habilidades, superpoderes, experimentos tecnológicos, equipamentos de ficção científica, como por exemplo
Cybernetic Vise
Dimensional Dynochisel
Isoenergetic Crowbar
Isomeasure
Magnetic Measure
Magnetized Technospanner
Microadaptable Saw
Morphic Vise
Nanotech File
Particle Pliers
Singularity Pliers
Sonispatial Spanner
Vortex Mallet
Warp Mallet
até títulos para livros de Harry Potter
Harry Potter and the Apocalypse of the Litch
Harry Potter and the Arch-Magi's Poison
Harry Potter and the Astrologer's Sash
Harry Potter and the Cold Solvent
Harry Potter and the Coward of Time
Harry Potter and the Exorcist of Savagery
O site também disponiliza parte do código para quem quiser criar o seu próprio gerador.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Steambook - A rede social brasileira Steampunk
- Perfis Temáticos
- Suporte a Mensagens Privadas
- Busca e Adição de Amigos
- Criação e Manutenção de Grupos
- Mural de Mensagens
- Listas de Atividades dos Perfis
- Criação e Publicação de Blogs
- Criação e Gestão de Fóruns
- Criação e Publicação de Blogs
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Lançamento do livro - Os dias da Peste
Tendo como cenário o mormaço de um Rio de Janeiro sombrio e cyberpunk, este romance narra a história de um técnico em computadores e professor universitário que ganha a vida percorrendo empresas cujos donos estão desesperados com as panes de suas máquinas. Artur Mattos é esse personagem ambíguo cuja existência vive mergulhada numa sufocante rotina diária de máquinas que quebram e cujo reparo depende do conhecimento de alguns macetes.
Mas ao mesmo tempo ele é o ser que nos fascina pelo seu conhecimento detalhado da história da evolução das tecnologias digitais. Ele é o ser dividido, no qual se confrontam a banalidade da gambiarra e a fascinação pelo universo da alta tecnologia. Como qualquer anti-herói moderno, ele é um Quixote amesquinhado, o típico personagem ao qual fomos reduzidos nas sociedades digitalizadas.
Mas a vida real de Artur Mattos se passa numa cidade opressiva. Ele é um solitário que mora num apartamento cinzento, típico de um solteiro que tem sempre a geladeira vazia e apenas café solúvel na sua mesa. Nele esta o contraste de quem tem uma vida de má-qualidade, mas ao mesmo tempo povoada pelos inventos da tecnologia de ponta, que hoje participam tanto de nossa vida que mal os percebemos.
Esse contraste chocante impressiona o leitor logo no início do livro pelo seu viés heideggeriano. Uma era dominada pelo uso comercial do computador, algo para o qual seu inventor Alan Turing jamais o concebeu. O sonho de Turing pode ter se tornado uma espécie de pesadelo digital, um produtor de vidas mesquinhas. Afinal, será que já não faz tempo que vivemos num universo cyberpunk? Será então que devemos temer e impedir a inteligência artificial por causa do efeito nocivo de suas tecnologias?
Essa é uma das poucas questões – entre muitas – que este livro pode provocar. Um livro que não pode, tampouco, deixar de ser lido por nos seduzir com sua prosa agradável e promissora que já aparece no romance de estréia do professor Fábio Fernandes.
João de Fernandes Teixeira
Debate e lançamento do livro Marcas na Parede
A Andross Editora promove, no dia 21 de novembro de 2009, às 15h, a mesa-redonda Ingressando no mercado editorial, com as escritoras Cristina Lasaitis e Hanna Liis-Baxter, e mediação de Silvio Alexandre.
O evento, que será realizado na Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, é gratuito e marca o lançamento da antologia Marcas na Parede – Contos sobrenaturais, de suspense e de terror, que reúne 47 contos de novos autores.
Segundo o diretor Editorial da Andross, o escritor Edson Rossatto, o diferencial da editora com novos autores é o cuidado com as obras recebidas: “Não se trata de aprovado ou reprovado, pois isso limitaria muito a quantidade de obras publicadas, além de não dar oportunidade a quem tem criatividade, mas não tem técnica. Nenhum escritor nasce pronto. Por essa razão, a organizadora o auxilia na preparação de sua obra, desde a eliminação de palavras repetidas ou mal colocadas até a sugestão de parágrafos de maior clareza, entre outras coisas.”
A programação segue, às 16h, com a leitura dramática de cinco contos da coletânea, com o intérprete Abel Xavier. Às 17h, está prevista a sessão de autógrafos com os autores.
A organização de Marcas na Parede – Contos sobrenaturais, de suspense e de terror foi feita pela escritora Hanna Liis-Baxter. Há escritores de vários estados brasileiros.
A Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa fica na Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, em São Paulo.
Exposição História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República
No mês de aniversário da Proclamação, 20 painéis instalados na estação República do Metrô apresentam curiosidades históricas e os bastidores da criação do livro em quadrinhos História do Brasil: Proclamação da República.
De 10 a 30 de novembro, os usuários do Metrô de São Paulo poderão rever, de forma lúdica, alguns dos principais acontecimentos que levaram à Proclamação da República em 1889. A exposição História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República integra o programa Embarque na Leitura e reproduz, por meio de 20 painéis, trechos do livro em quadrinhos publicado pela Editora Europa.
Na obra, fatos como o Primeiro e o Segundo Reinado, a Guerra do Paraguai e a Abolição da Escravatura são reconstituídos pelo personagem do professor Daguerre a três crianças durante um passeio pelas ruas do Centro de São Paulo.
O desenvolvimento dos personagens infantis teve a preocupação de abranger a diversidade étnica brasileira: a oriental Catarina, o negro Marcelo e o branco Gustavo, este, inclusive, um cadeirante que demonstra a mesma disposição e alegria dos amigos ao longo de toda a aventura.
Os autores basearam-se em diversas obras de arte sobre este período da História do Brasil como forma de remeter a adaptação para os quadrinhos aos livros da educação formal nas escolas.
A exposição na estação República do Metrô não só instrui os usuários sobre este importante fato histórico como também apresenta estas curiosidades, convertendo-se num programa para todas as idades.
O livro História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República foi desenvolvido por Edson Rossatto (pesquisa histórica, argumento e roteiro), Laudo (desenhos) e Omar Viñole (arte final e cores) e tem lançamento previsto para o início de dezembro.
A exposição é organizada pela Andross Editora com apoio do Metrô de São Paulo e Editora Europa.
Exposição História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República – Curiosidades Históricas e Bastidores da Criação do Livro.
Local: Estação República do Metrô – São Paulo/SP
Data: de 10 a 30 de novembro de 2009
Horário de funcionamento da estação: 4h40 min. às 00h00
Organização: Andross Editora e HQ em Pauta
Apoio: Editora Europa, Metrô de São Paulo e programa Embarque na Leitura.
domingo, 15 de novembro de 2009
Entrevista com Samuel R. Delany
Em 1969, o autor, editor e crítico Algis Budrys, já chamava Samuel Ray Delany de "o melhor escritor de Ficção Científica do mundo", uma declaração que na época não gerou tanta discussão.
A controvérsia na verdade, viria um pouco depois. No auge de seu sucesso, Delany passaria a metade de uma década dedicado ao seu projeto Dhalgren, que quando finalmente foi publicado em 1974, foi algo nunca antes visto na FC. O romance de 800 páginas utilizava técnicas literárias experimentais, um conto apocalíptico explorando explícitamente sexualidade, raça e gênero.
O romance, amado e odiado, foi o livro de Ficção Científica mais debatido da década de 70.
Pergunta: Vamos voltar no tempo, antes do lançamento de Dhalgren. Eu estava lendo um ensaio de Robert Silverberg, na edição de abril de 2001 da Asimov. Em sua coluna, ele tentava dar sentido a New Wave, e o primeiro escritor que mencionou na tentativa de explicar a ala americana da New Wave, o primeiro nome que surgiu, foi o seu. Por que?
Delany: Eu não faço idéia.
Pergunta: Você concorda com Silverberg?
Delany: O problema é, depende do que quer dizer com New Wave. Eu acho que se você quer dizer a verdadeira New Wave, então não, eu não tinha nada a ver com aquilo. O que significa dizer, aqueles escritores que estavam ao redor de Michael Moorcock, na Inglaterra. Mas haviam ondas diferentes. A New Wave tinha mesmo várias ondas. Se você começar a falar de uma New Wave americana , você pode então colocar qualquer um daquela época nela. E eu certamente não me importo de ser citado.
Pergunta: Qual foi a sensação quando Dhalgren foi lançada? Tente explicar para nós um pouco sobre a FC praticada naquele momento.
Delany: Claro, eu estava tão ocupado escrevendo Dhalgren, que não tinha idéia do que os outros estavam fazendo. Faziam cinco anos que eu era uma espécie de recluso. Antes de Dhalgren - e eu realmente não sei se podemos falar de ficção científica, antes e depois de Dhalgren, que parece um corte arbitrário - mas os livros tendiam a ser mais curtos. Haviam mais livros curtos. Os romances hoje tendem a ter algo em torno de 60 a 70.000 palavras. Havia um sentimento de que livros grandes vendiam bem, mas ninguém tinha coragem de escrevê-los.
Hoje você olha para uma prateleira de FC e não há nada com menos de 350 páginas. Essa é uma das diferenças, todos são encorajados a escrever livros realmente longos. Havia menos Fantasia também. Havia muita FC hard e pouca fantasia, um pequeno subconjunto do gênero, embora Tolkien tivesse feito um estrago no final dos anos 60. No entanto, a noção de que todo mundo poderia escrever sete volumes de uma trilogia de fantasia ainda não havia.
E o campo literário era um pouco menor. As pessoas se conheciam um pouco mais. Essas são as principais diferenças.
Pergunta: Quando você fala de livros com 60.000 palavras, eu lembro que você escreveu sobre o seu primeiro editor, Donald Wolheim, contando como ele reagiu ao livro, dizendo que era uma obra de gênio e uma obra-prima, mas que tinha que cortá-lo para 160 páginas.
Delany: 146. Na verdade, ele disse, "você precisa tirar 750 linhas. Então, basta encontrar as 750 linhas e cortar, porque ele tem que caber em 146 páginas". Era o número máximo na Ace Double.
Pergunta: Em uma época assim, o que fez você decidir sentar-se e escrever um livro como Dhalgren?
Delany: Loucura. Quando eu escrevi Dhlagren, eu queria escrever um grande livro. Eu queria escrever algo que fosse importante. Era um livro escrito exclusivamente para mim. Eu realmente não tinha nenhuma idéia. Eu estava preparado para o livro não vender mesmo. Ele teve que passar por algumas editoras antes de ser aceito. E quando o fez, penso que depois de quatro ou cinco, eu estava realmente muito surpreso. Uma das coisas que aconteceram com ele - ele foi aceito pela Doubleday na sexta-feira, e então na terça-feira seguinte foi rejeitado. E o editor que o aceitou ficou muito envergonhado, como se poderia imaginar.
Pergunta: Então, esse foi o primeiro livro que transformou você de um escritor de FC que assina um contrato com base em uma proposta ao invés de terminar o livro todo e vendê-lo pronto
Delany: Não, nos meus primeiros eu não tinha um contrato. Os cinco primeiros livros eu não tinha um contrato, embora naquela época eu trabalhasse para a Ace. Na verdade, Dhalgren foi o livro que eu aprendi que assinar contratos antes de escrever, não era o que eu queria. Dhalgren começou como uma série de cinco romances políticos que sairian pela Avon Books, que redigiu um contrato para eles. A idéia era que as coisas que eu tinha visto na contracultura daquele momento em particular, iriam resultar na derrubada de cinco diferentes tipos de governo: uma espécie de capitalismo de consumo industrial mais extremo do que o nosso na América; um governo mais opressivo e coletivista; uma ditadura clássica; um governo parlamentar comum e um governo onde tudo era feito por suborno. E em cada livro, esses governos iriam ser derrubados por um grupo de pessoas que tinham aquela visão de um mundo maravilhoso, power flower.
Pergunta: E quando foi que ocorreu a mudança?
Delany: Mudou depois de eu ter trabalhado nele por cerca de seis meses. Me mudei de Nova York para São Francisco entre os feriados de Natal e Ano Novo de 1968/1969. Estava a caminho de São Francisco, no avião eu acho, e percebi que eu queria fazer algo muito mais unificado. Eu queria escrever um grande livro. E eu também queria fazer algo que fosse menos intelectual. Minha visão inicial da coisa toda era uma espécie de futuro distante, do tipo Alfred Bester imitando George Bernard Shaw. E eu decidi que queria fazer algo mais poético. Então quando cheguei a São Francisco, comecei a fazê-lo. Cinco anos depois, lá estava o romance.
Pergunta: Quando o livro foi publicado, a primeira coisa que o leitor lia era, se bem me lembro, uma citação de Fred Pohl na capa, que dizia: "Na tradição de Estranho em uma terra estranha", ou algo parecido. O que queria dizer?
Delany: Eu não faço idéia. acho que na época eles escolhiam um romance de FC muito bem sucedido em vendas, e faziam tudo que fosse FC parecer com aquilo.
Pergunta: Olhando para trás agora, será que não se tornou algo além disso? Ele está na lista daqueles livros que ainda estão por aí, ainda na cabeça das pessoas, depois de muitos anos.
Delany: Bem, agora eu suponho que algumas pessoas vão dizer "na tradição de Dhalgren". Eu não sei.
Pergunta: No posfácio 'Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas', Robert Pirsig escreveu sobre o conceito sueco de "kulturbarer", que se traduz como um livro que sintetiza uma cultura. Ele escreveu que "como uma mula, este livro tem a cultura em suas costas... Livros assim desafiam valores culturais e muitas vezes o fazem em um momento que em que a cultura está mudando a seu favor." E ele também escreve que "Ninguém deve se sentar para escrever um livro destes deliberadamente." E no entanto, você o fez.
Delany: Bem, eu segui o conselho, eu não o fiz deliberadamente. Se foi feito algo parecido, acho que - sem querer denegrir o que você está dizendo - mas isso teria que ocorrer aos olhos dos leitores. E assim, pela mesma razão, o escritor não pode dizer muito sobre todo o processo. Eu só escrevi sobre o que eu vi ao meu redor e tentei transformá-lo em algo que eu reconheço como um romance.
Pergunta: Mas ao fazê-lo, presumo que você antecipava a resposta das pessoas, que a resposta dos seus leitores seria diferente da resposta dada ao seu trabalho anterior, e a outras obras de FC padrão da época.
Delany: Como eu disse, eu só esperava encontrar uma editora. E quando ocorreu, fiquei bastante surpreso. E quando foi bem recebido, fiquei ainda mais surpreso.
Pergunta: Mas quando a resposta veio, foi só "oh, tá bom, aqui está um outro romance de Delany"? Era a resposta padrão? A sexualidade tratada de uma maneira diferente. A cultura tratada de uma maneira diferente. A FC e não apenas o país, estava em um período de mudança.
Delany: O país estava em um período de mudança. O livro foi bastante controverso. Algumas pessoas gostaram muito. Outras odiaram. Fiquei um pouco surpreendido por ambas as respostas. Muitos diziam "Este livro é tão ruim que eu não conseguia ler mais de 50 páginas dele." E assim, um monte de pessoas o julgou sem lê-lo. Passaram muito tempo, dizendo: "Eu sei de alguém que não foi capaz de ler mais de 50 páginas também." Mas ele também teve múltiplas publicaçoes. E vendeu bastante. E em um certo ponto, as pessoas olharam em volta e notaram que as pessoas com os QIs mais altos estavam gostando muito. E as pessoas com o QI baixo, não. Então o que você poderia dizer? Parecia puxar os leitores mais inteligentes para sair da toca. O que chama a atenção para um escritor.
Pergunta: Com este bom número de cópias vendidas, é óbvio que ia além do público comum do gênero.
Delany: Uma das coisas que ficou muito claro é que muitos dos leitores estavam na faculdade, alguns dos quais tinham lido ficção científica, outros não, mas estavam respondendo bem a ele. E fiquei muito contente por isso. A maior parte das cartas que recebia, e foram muitas, não falavam sobre o estilo, não falavam sobre a densidade do livro ou qualquer coisa particularmente literária. Era só: "Você está escrevendo sobre pessoas que eu conheço, e que eu não tinha lido sobre elas antes." Muitas vezes vinham acompanhadas de um obrigado. Isso é o que parecia inicialmente atrair as pessoas para ele, o tipo de pessoas que estavam retratadas no livro. Acho que muitas pessoas acharam isso um pouco perturbador, pessoas que eram basicamente indecisos, desajustados que ficavam por ai e não tinham emprego.
Pergunta: O livro conta a história de um personagem que não sabe bem quem ele é, sem lembranças, movendo-se através de uma paisagem urbana durante um período de caos, e ele está tentando entender a si mesmo e a paisagem ao redor. De novo, leitores de FC versus não-leitores de FC. E você falou sobre isso um pouco. Como é perceber dois públicos separados- pessoas de FC aceitando-o como ficção científica e as pessoas de não-ficção, aceitando-o como um romance ?
Delany: Bem, eu não sei. Você espera que o conteúdo seja forte o suficiente para manter os leitores cativos. Eu pensei que as pessoas que tinham lido uma quantidade razoável de ficção científica teriam uma recepção mais fácil do que outras. E certamente foi isso que eu assumi, da maioria das pessoas que o leu - alguém durante uma entrevista veio me dizer que lera o livro seis ou sete vezes. E há pessoas que vão voltar para lê-lo novamente e novamente. E essas pessoas frequentemente tendem a ser leitores de FC. Não serão os não-leitores de FC.
Pergunta: Uma das coisas que você falou é a atenção para o detalhe da prosa que separa uma história de ficção científica de uma não-história de ficção científica. O não-leitor do gênero poderia ler Dhalgren e não entender algumas das pistas que estão lá. Os elementos de FC aparecem de uma forma sutil. Eu me pergunto se um leitor de não-FC pode pensar que é aquilo tudo é loucura ou alucinação, enquanto um leitor de FC poderá ver de forma diferente.
Delany: Acho que sim. É dificil para o escritor falar sobre o próprio livro, porque você nunca vê o livro de fora. Você está sempre como alguém de pé no interior de um balão, com pequenos pedaços de fita adesiva, tentando manter a coisa em ordem, mas de dentro do balão. E então aquela gente vê de fora e diz: "Sim, isso é uma forma bastante interessante", mas você nunca vê a forma, porque você está dentro dele. Por isso é um pouco difícil para mim falar sobre o que outras pessoas estavam pensando. Eu estava ocupado em pé lá dentro, tentando manter a coisa inteira, sem que explodisse.
Pergunta: Dhalgren é apenas um dos muitos livros e ensaios que escreveu ao longo dos anos sobre a importância das cidades, ou a importância das cidades para você.
Delany: Sim, é mais um romance sobre a cidade. No final da década de 50, em Nova York, houve o início de uma espécie de êxodo do Harlem e do Bronx Sul, que em meados dos anos 60 deixou parte do Harlem e do Bronx Sul deserta, incendiadas, apenas ruínas e destroços. E se isto tivesse sido apenas um problema de Nova York , talvez Dhalgren não tivesse sido tão popular. Mas até meados dos anos 70, áreas inteiras que tinham sido antes, guetos negros ou hispânicos , eram apenas ruínas - quarteirões em ruínas.
E estas foram as imagens que eu usei para criar Dhalgren. Uma cidade no meio dos Estados Unidos, onde alguma coisa aconteceu, não sabemos o que é. Recebemos sugestões de que poderia ter sido isso, pode ter sido isso, pode ter sido aquilo outro. Mas, fundamentalmente permanecia um mistério. Eu acho que a maioria dos moradores das cidades do final dos anos 60, início dos anos 70, nestas áreas, pareciam estar sob uma espécie de magia negra maléfica. Apesar das explicações sócio-econômicas, alguns podiam até ter alguma noção sobre o que essas explicações socio-econômicas significavam, mas para alguém andando naquelas cidades, parecia mágica. Assim Dhalgren é uma tentativa de lidar com o efeito dessas imagens, em vez de uma tentativa de explicá-las de uma forma lógica.
Pergunta: Sua abordagem sobre a paisagem urbana mudou nas últimas décadas? Se você escrevesse um romance semelhante, o que poderia dizer sobre as cidade hoje?
Delany: Eu não sei o que iria dizer. Eu acho que gostaria de... Eu estou escrevendo um romance sobre a cidade, na verdade, uma história diferente. Mas basicamente o desafio é dizer o que a cidade parece, ao invés de explicar a coisa toda e acabar em fatos e números. Isso é o que você faz em não-ficção, que eu escrevo também. Eu escrevi não-ficção sobre a cidade também. Basicamente o que eu gosto de fazer nos livros é primeiro passar a imagem, a explicação vem mais tarde.
Pergunta: Quanto à sua sensibilidade a erros de digitação, li sua correspondência de 1984, e ensaios em outra parte, sobre como lidar com as edições de Dhalgren ao longo dos anos. É tão difícil de se obter o Dhalgren perfeito como um Ulysses perfeito ?
Delany: É quase isso. Eu já comecei a fazer uma lista de erros tipográficos para a próxima edição.
Pergunta: Você tem dedicado mais tempo ao ensino...
Delany: Ensino mais do que escrevo hoje
Pergunta: Qual é a sua recompensa nisso?
Delany: Bem, eu gosto de ensinar. Observar a ignorância se auto-destruir é uma alegria. E quando eu posso ver a ignorância dando vez a algum tipo de conhecimento e suspeitar que eu tenho uma mão nisso, mostrando-lhes como cutucar algumas das noções incorretas para longe, é sempre uma coisa muito gratificante de se estar envolvido.
Pergunta: Eu estava relendo Dhalgren, com quase 30 anos entre as leituras, e não percebi o tipo de erro flagrante à atual cultura popular, que o faria irreconhecível atualmente, do contrário ao que aconteceria se alguém lesse Stephen King em 30 anos, poderia dizer - "Eu não reconheco estes nomes." - Dhalgren não parece datado.
Delany: É por isso que eu segui as regras de Strunk e White. Não amontoem referências, porque de dois a cinco ou dez anos, ninguém vai reconhecê-las mais. É uma das coisas que faz com que Stephen King seja muito popular hoje, mas ao mesmo tempo, ele pode ser o tipo de escritor que precisará de acadêmicos para fazer sentido daqui a quinze, vinte anos, por conta disso. Quero dizer, eles tornam-se o equivalente das referências literárias em Ulisses. Somente as pessoas que são especialistas na cultura dos anos 80 irão entender.
Perguntar: Fale-me um pouco mais sobre Dhalgren. Eu sei que você disse que é difícil falar de dentro.
Delany: É, especialmente após 25 anos. Há escritores que realmente odeiam tudo que fizeram. E escritores que amam todos os seus trabalhos, eu suponho. Eu fico no meio. De forma alguma eu odeio. Eu ainda posso ter prazer em reler algumas passagens. Mas ao mesmo tempo, não gasto muito tempo nisso. Se passaram 25, 26, 27 anos, e estou fazendo outras coisas.
Pergunta: Conte-me sobre estas coisas. Está trabalhando em um novo romance?
Delany: Estou terminando um outro romance. Não gosto de falar sobre os romances que estou trabalhando agora, porque se eu falar sobre eles eu não os escreverei. Estou trabalhando em alguns projetos de não-ficção. Estou trabalhando em um ensaio sobre a Harlem de minha juventude, minhas reminiscências do Harlem. Estou me dedicando a isso. E tenho respondido entrevistas por escrito, a respeito de Dhalgren, porque está sendo relançado pela Vintage e estou tentando ser gentil.
Pergunta: Você vem continuamente corrigindo erros, como pode ser visto pelos seus ensaios sobre Dhalgren e a sua correspondência publicada em 1984, e em outros lugares. Conseguir um Dhalgren mais perfeito tem sido mais difícil do que conseguir uma Babel-17 perfeita ?
Delany: Muitas vezes isso ocorre devido a editores diferentes. Dhalgren é tão grande que se torna mais difícil. Alguns livros vêm com um menor número de erros de digitação do que outros. Dhalgren possuia muitos, muitos, no começo. Tentaram corrigir 800 páginas em quatro dias, uma tarefa impossivel. Acho que a Bantam fez um excelente trabalho. Mas haviam centenas de erros na publicação inicial. E quando Wesleyan refez o livro, mais uma vez, foi feito um pouco rápido demais, às pressas, e de repente havia uma outra centena de erros estranhos, que só foram eliminados pela Vintage Books. A maioria dos erros, neste momento, não foram corrigidos por mim, mas por outras pessoas que me ligavam dizendo: "Ei, na página 373, não há nenhum ponto no final desta frase." Eles deixaram de fora um ponto.
Pergunta: Você sempre acorda de um pesadelo, onde um de seus editores diz que você tem que cortar Dhalgren até caber em 146 páginas?
Delany: Não. [Risos.] Que ideia! Provavelmente terei este pesadelo esta noite pela primeira vez.
Samuel R. Delany
Samuel Ray Delany Jr. (1 de Abril de 1942) nasceu em New York (EUA). Apesar de ter crescido no Harlem, seu pai era um bem sucedido proprietário de uma casa funerária, o que possibilitou a Samuel estar cercado de livros, frequentar teatros e cultivar interesses como a ciência e as artes, principalmente a música. Aos treze anos já havia escrito um romance e uma peça para violino. Aos vinte anos publicaria seu primeiro livro de ficção científica, The Jewels of Aptor, ao mesmo tempo que se iniciava na carreira de cantor folk.
Entre 1962 e 1974, Samuel publicou uma série de livros, bem recebidos pela crítica em geral, como a série Dhalgren e Hogg. Nesta fase de sua vida, o ex-menino prodígio da FC, começava a ganhar notoriedade, não somente por seu talento. Além do fato de ser um dos poucos escritores de Ficção Científica negro, ( o que já seria o bastante para atrair o interesse da imprensa) Delany se declarava publicamente como bisexual.
Identificado com a New Wave, alguns de seus trabalhos, exploravam com sofisticação, temas sexuais de maneira explícita. Dhalgren e Stars in my pocket like grains of sand, incluem várias passagens eróticas e alguns de seus livros, como Equinox, The Mad man e Hogg, são catalogados nos Estados Unidos como literatura pornográfica.
Delany logo se tornaria um sinônimo de uma nova FC, menos voltada para a ciência, o espaço e raças alienígenas, mas explorando os limites sociais e sexuais, daquilo que chamamos de relacionamentos 'normais'. Ele mergulhava fundo no erotismo, na bisexualidade, indo aos extremos do sadomasoquismo.
Um dos dois prêmios Hugo que recebeu, veio através de sua autobiografia, The Motion of Light in Water.
Seus livros mais famosos, como Einstein Intersection, Nova, Dhalgren, Babel-17 e Triton, assim como a antologia de contos Driftglass, lhe renderiam mais prêmios, incluindo quatro prêmios Nebulas
Delany é professor de Inglês e Literatura na Temple University, crítico literário e ainda escreve ensaios e crônicas para diversos jornais americanos.
Site de Samuel R. Delany
Samuel R. Delany ( Balada de Beta-2, Nova, Por siempre y Gomorra, Triton, Babel-17, Time considered as a helix of semi-precious stones, The fall os the towers series, Corona, Dhalgren, Flight for Neveryon, High Weir, Though the valley of the nest of spiders, Tales of Neveryon, The Einstein Intersection, The Star pit, The tales of dragons and dreamers, En Ciron vuelan) [ Download ]
sábado, 14 de novembro de 2009
Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 3
Este capítulo é dedicado a Bordlands Books de São Francisco, uma magnífica loja independente de livros de ficção científica. Bordelands se situa do outro lado da rua onde fica a fictícia escola Cesar Chávez, que aparece em Pequeno Irmão. Ela não é notória somente por seus eventos, noites de autógrafos, clubes do livro e coisas assim, mas também por seu incrível gato egípcio careca chamado Ripley, que vive empoleirado como um gárgula no computador da loja. Bordelands é a livraria mais amigável que você pode encontrar, cheia de recantos confortáveis para sentar-se e ler, com atendentes maravilhosos e conhecedores de tudo que se pode saber sobre ficção cientifica. Melhor ainda, aceitam encomendas do meu livro (pela internet ou por telefone) e mantêm alguns por lá para eu assinar, quando passo pela loja e enviam para os Estados Unidos inteiro sem custo.
Borderlands Books: 866 Valencia Ave, São Francisco CA USA 94110 +1 888 893 4008
Passamos por muita gente no caminho da estação Bart na rua Powell. Corriam ou caminhavam, os rostos pálidos e silenciosos, ou gritando em pânico. Sem-teto agachados nas entradas dos prédios olhando com medo para tudo, enquanto uma prostituta negra e alta gritava algo para dois caras de bigodes. À medida que ficávamos mais próximos da Bart, aumentava o número de pessoas. Quando chegamos aos degraus da estação já era uma cena de multidão, as pessoas lutavam tentando subir as escadas estreitas. Alguém acertou minha cara e outro alguém me empurrava pelas costas.
Darryl ainda estava do meu lado - ele era grande o bastante, difícil de ser empurrado e Jolu bem a direita dele, meio que se segurando nele. Consegui ver Vanessa a poucos metros dali, presa no meio do povo. “Se dana!” Eu ouvi Van gritando. “Seu tarado! Tira as mãos de mim!”
Consegui me mexer e vi Van olhando feio para um cara mais velho de terno e que ria para ela. Ela mexia em sua bolsa e eu sabia o que ela estava procurando.
“Não jogue o spray paralisante nele!” Gritei acima da zoeira. “Vai acertar a gente também”.
Bastou a menção da palavra “paralisante” para que o cara fizesse uma careta de horror e recuasse, sumindo em meio a multidão que continuava a avançar. Acima das cabeças, consegui ver uma dona de meia-idade num vestido hippie vacilar e cair. Ela gritou enquanto caía e vi que lutava para tentar ficar de pé, mas não podia, a pressão da multidão era mais forte. Assim que consegui chegar perto dela, eu me curvei para ajudá-la e quase caí sobre ela. Acabei pisando em seu estômago quando a multidão me empurrou, mas não vi se ela sentiu algo. Eu estava mais assustado do que nunca. Havia gente gritando por toda parte e mais corpos no chão e a pressão que vinha trás era impiedosa como a de um trator. A única coisa que eu podia fazer era ficar em pé.
Nós estávamos na área de acesso onde ficavam as catracas de entrada. De qualquer forma era melhor ali - o espaço enclausurado ecoava as vozes ao redor como um rugir que fazia minha cabeça doer e o cheiro de todos aqueles corpos fez com que me sentisse claustrofóbico como nunca imaginei.
O povo ainda se comprimia nas escadas e mais gente estava sendo espremida nas roletas e além, pelas escadas rolantes que levavam às plataformas, e estava claro para mim que aquilo não acabaria bem.
“Vamos tentar sair daqui?” Eu disse para Darryl.
“Sim, aqui tá brabo!” Ele disse.
Olhei para Vanessa, mas não havia como ela me ouvir. Consegui pegar meu telefone e enviei uma mensagem de texto para ela.
>Estamos indo embora.
Vi que ela sentiu o vibrador de seu telefone e olhou para baixo e então para mim e concordou vigorosamente. Darryl, neste meio tempo, já tinha avisado Jolu.
“Qual é o plano?” gritou Darryl no meu ouvido.
“Temos que voltar!” eu gritei, apontando para a desumana massa de corpos que se empurrava.
“Não dá!” Ele disse.
“Vai ficar pior se a gente esperar mais!”
Ele deu de ombros. Van batalhava para chegar perto de mim e me agarrou pelo pulso. Eu peguei Darryl e Darryl agarrou a mão de Jolu, e juntos nós avançamos empurrando a multidão.
Não foi fácil. Nos movíamos a três centímetros por minuto no início, depois mais lentamente e daí mais lento ainda quando chegamos às escadas. As pessoas pelas quais passamos não se mostravam muito felizes com o empurra-empurra. Um casal nos xingou e um cara me olhou como se estivesse prestes a me socar se conseguisse libertar os braços. Passamos por mais pessoas caídas, mas não havia como ajudar. Naquele momento eu nem pensava em ajudar alguém. Tudo que eu pensava era arranjar espaço na nossa frente para poder nos mover, com Darryl apertando meu pulso e eu trazendo Van agarrada atrás de mim.
Saltamos livres como rolhas de champanhe uma eternidade depois, piscando em meio à luz esfumaçada e cinza. As sirenes de ataque aéreo ainda berravam e o choro das sirenes dos veículos de emergência rasgando a rua do Mercado eram ainda mais altas. Já não havia quase ninguém nas ruas - apenas o povo desesperançado que tentava chegar aos abrigos. Muitos choravam. Apontei para alguns bancos vazios - que usualmente ficavam cheios de mendigos bêbados de vinho.
Fomos até lá, com a fumaça e as sirenes nos fazendo arquear e segurar uns nos ombros dos outros. Assim que chegamos aos bancos, Darryl desmaiou.
Todos gritamos e Vanessa o segurou e o virou. Sua camisa estava vermelha na lateral e a mancha se alargava. Ela levantou a camisa, revelando um corte profundo e longo.
“Algum maluco o esfaqueou!” Jolu disse com os punhos cerradas. “Deus, isso é loucura!”
Darryl gemeu e olhou para nós, para o seu lado e sua cabeça pendeu.
Vanessa tirou a jaqueta jeans e a camisa de algodão que estava por baixo. Com ela pressionou o lado do corpo de Darryl.
“Pegue a cabeça dele” ela disse para mim “Deixe ela levantada.” E disse para Jolu: “Levante seus pés - arranje alguma coisa, um casaco, para pôr embaixo.” Jolu obedeceu rápido.
A mãe de Vanessa era enfermeira e ela tinha passado por treinamento de primeiros socorros em um acampamento de férias. Ela gostava de fazer piada das pessoas que prestavam socorros ruins nos filmes. Eu estava muito feliz em tê-la conosco.
Ficamos sentados durante bastante tempo, segurando a camisa contra a lateral do corpo de Darryl. Nós continuávamos insistindo em que ele estava bem e que nós o levaríamos dali e Van continuava nos mandando calar a boca e ficar quietos antes que ela nos batesse.
“Que tal ligarmos para 911 (emergência)?” Jolu perguntou.
Eu me senti como um idiota. Peguei o telefone e teclei 911. O som de resposta sequer foi de ocupado - mas como uma lamento de dor vindo do sistema telefônico. Não se consegue sons como este a não ser que três milhões de pessoas estejam ligando para o mesmo número ao mesmo tempo. Quem precisa de botnets quando se tem terroristas?
‘E a Wikipédia? ‘ Perguntou Jolu.
‘Sem telefone, sem dados.’ Respondi.
‘E quanto a eles?’ Darryl disse apontando para a rua. Eu olhei para onde apontava pensando se ele delirava, vendo um policial ou um paramédico que não estava lá.
“Tá tudo bem, camarada, descanse.” Falei.
“Não, seu idiota, os tiras nos carros. Lá!”
Ele estava certo. A cada cinco segundos um carro de polícia, uma ambulância ou um caminhão de bombeiros passava. Com Van, colocamos Darryl de pé e caminhamos até a rua do Mercado.
O primeiro veiculo a passar com a sirene berrando - uma ambulância - sequer diminuiu a velocidade. Nem o carro da polícia que passou ou o caminhão de bombeiros, e nenhuma das três viaturas da polícia seguintes. Darryl não estava bem - o rosto estava pálido e o suéter de Van estava empapado de sangue.
Eu estava cheio destes carros passando sem parar. Quando o carro seguinte apareceu na rua, eu caminhei para o meio da rua, balançando os braços acima da cabeça, gritando “PARE”. O carro sacolejou freando e somente então eu percebi que não se tratava de um carro da polícia, ambulância ou de bombeiros.
Era um jipe militar, como um Hummer blindado, só que sem insígnias militares nele. O carro parou bem na minha frente, e eu saltei para trás e perdi meu equilíbrio e acabei caindo. Senti que as portas se abriram e então foi uma confusão de botas movendo-se perto de mim. Olhei para cima e vi um bando de sujeitos parecendo militares em macacões, carregando grandes e enormes rifles e usando máscaras contra gases. Tinham os rostos pintados.
Quase não tive tempo de olhar para eles antes dos rifles estarem apontados para mim. Nunca tinha olhado para a mira de uma arma antes, mas tudo que ouviu falar a respeito é verdade. Você congela, o tempo pára e seu coração começa a bater em seus ouvidos. Abri a boca e a fechei e então lentamente eu ergui as mãos.
O homem sem rosto e sem olhos acima de mim continuava a manter sua arma apontada. Eu nem respirava. Van gritava algo e Jolu estava berrando e eu olhei para eles num segundo e foi quando alguém colocou um saco na minha cabeça e o amarrou apertado sobre minha traquéia, tão rápido e com tanta força que mal pude respirar antes. Fui empurrado rudemente e algo me prendeu os pulsos juntos e apertados, como se fosse um fio para empacotar, quase cruelmente. Gritei e minha voz foi abafada.
Estava numa escuridão total e tentava ouvir o que estava acontecendo com meus amigos. Ouvi-os gritando através do tecido de camuflagem do saco e então estava sendo colocado de pé pelos pulsos, os braços levados as costas, meus ombros doendo.
Tropecei, então uma mão empurrou minha cabeça para baixo e fui colocado dentro do Hummer. Outros corpos eram empurrados para dentro junto de mim.
“Pessoal?” gritei, e ouvi uma pancada na minha cabeça . Ouvi Jolu responder, e ouvi a pancada como se ele fosse punido também. Minha cabeça parecia um gongo.
“Ei!”Eu disse para os soldados. “Ei, me ouçam! Nós somos apenas estudantes.
Eu fiz sinal para vocês porque meu amigo estava sangrando. Alguém o esfaqueou!”
Eu não tinha idéia do quanto eles estavam conseguindo me ouvir através do saco camuflado. Eu continuei falando: “Ouçam - isso é algum tipo de mal-entendido. Nós estávamos levando nosso amigo para o hospital...”
Alguém me acertou na cabeça novamente. Senti algo como um bastão ou parecido - fui mais duro do que qualquer coisa que já me tivessem batido antes. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu literalmente perdi a respiração por causa da dor. Um momento depois, recuperei a respiração, mas não disse mais nada. Aprendera a lição.
Quem eram estes palhaços? Eles não usavam insígnias. Talvez fossem terroristas. Eu nunca tinha acreditado antes nesta historia de terroristas - quer dizer, eu sabia de forma abstrata que existiam terroristas em alguma parte do mundo, mas não que representassem um risco para mim. Havia milhares de maneiras de ser morto - começando por ser atropelado por alguém dirigindo bêbado e velozmente a caminho de Valencia - o que era infinitamente mais possível do que terroristas. Terroristas matavam menos gente do que quedas no banheiro e eletrocuções acidentais. Me preocupar com eles sempre me pareceu tão útil quanto ter medo de ser atingido por um raio.
Sentado na traseira do Hummer, com minha cabeça num saco, minhas mãos presas atrás das costas, enquanto era jogado de um lado para outro com machucados na cabeça, terrorismo de repente me pareceu um risco maior.
O carro acelerava e freava e saltava colina acima. Imaginei que estávamos indo para Nob Hill, e pelo ângulo de subida, parecia que íamos pelo pior caminho – pela rua Powell, pensei.
Agora estávamos descendo. Se meu mapa mental estava certo, íamos em direção ao Embarcadouro dos Pescadores. Você consegue barcos por lá, para escapar. Isso batia com a hipótese do terrorismo. Mas por que diabos terroristas iriam raptar um bando de estudantes?
Paramos no meio de uma descida. O motor morreu e as portas se abriram. Alguém me arrastou pelos braços para a rua, então me soltou no chão pavimentado. Segundos depois, eu estava sendo levado por uma escada de metal, que batia em meus joelhos. As mãos nas minhas costas me deram outra sacudida. Fiquei de pé cauteloso, sem poder usar as mãos. Estava no terceiro degrau, indo para o quarto, mas não havia quarto degrau. Caí de novo, mas outras mãos me pegaram puxando-me por um piso de aço e então me forçaram a ficar de joelhos e prenderam minhas mãos em alguma coisa atrás de mim.
Outros movimentos e a sensação de que corpos eram colocados ao meu lado. Murmúrios e gemidos. Então um longo silêncio, uma eternidade nas trevas dentro do saco, respirando meu próprio exalar, ouvindo minha própria respiração.
#
De alguma forma consegui dormir lá, de joelhos e com a circulação das pernas cortada, minha cabeça na penumbra do tecido de lona. Meu corpo havia disparado um ano do suprimento de adrenalina na minha corrente sanguínea no espaço de trinta minutos, e quando aquela coisa lhe dava a força para virar automóveis e saltar prédios altíssimos o preço era sempre alto.
Acordei com alguém puxando o capuz da minha cabeça. Eles não eram nem grosseiros nem cuidadosos - apenas impessoais. Como alguém do Mcdonalds colocando os hambúrgueres juntos.
A luz na sala era tão brilhante que tive que fechar os olhos, mas lentamente pude abri-los aos poucos e então olhar ao redor.
Estávamos na traseira de um grande caminhão de 16 rodas. Pude ver o lugar dos eixos e o intervalo regular entre eles. Mas a traseira do caminhão tinha sido modificada para ser alguma coisa entre posto de comando e cárcere. Mesas de aço seguiam as paredes e painéis de instrumentos e monitores finos presas a braços articulados que os permitiam ser posicionados em semicírculo ao redor dos operadores. Cada mesa possuía uma bela cadeira de escritório em sua frente, enfeitadas com manoplas para ajuste milimétrico do assento assim como inclinação. E havia a parte das celas, na frente do caminhão, do lado mais distante das portas, grades de aço de um lado a outro do veiculo, e dentro destas jaulas estavam os prisioneiros.
Encontrei Van e Jolu bem à direita. Darryl poderia estar entre os outros algemados na traseira, mas era impossível ter certeza - haviam muitas pessoas bloqueando minha visão. Aquilo fedia a suor e medo.
Vanessa olhou para mim e mordeu o lábio. Estava apavorada. Eu também estava. E Jolu também, seus olhos não paravam de um lado para outro. E não era só isso, eu precisava mijar logo!
Procurei ao redor por nossos raptores. Até então eu tinha evitado olhar diretamente para eles, do mesmo jeito que você não olha para a escuridão de um armário, quando sua mente lhe diz ter visto um monstro lá dentro. Você não quer saber se você está certo.
Mas eu precisava dar uma olhada melhor nos panacas que nos seqüestraram. Eu precisava saber se eram terroristas. Eu não sabia como um terrorista se parecia, apesar dos programas de tevê se esforçarem para fazê-los parecidos com árabes de pele morena, barbudos e roupas de algodão que ficavam quase penduradas aos ombros.
Nossos capturadores não eram assim. Eles poderiam estar se exibindo no show de intervalo do Superbowl. Pareciam Americanos comuns, de um jeito difícil de definir exatamente. Queixudos, baixos, cortes de cabelo que não eram militares. Brancos e negros, homens e mulheres, e sorriam livremente uns para os outros sentados na traseira do caminhão, brincando e bebendo café em copos descartáveis. Eles não eram árabes vindos do Afeganistão, pareciam mais turistas do Nebraska.
Olhei para um deles, uma jovem branca com cabelo castanho e que parecia um pouco mais velha do que eu, do tipo atraente, de uma maneira poderosa. Se você olha para alguém por muito tempo, essa pessoa eventualmente irá olhar para você. Ela o fez e seu rosto mudou totalmente de configuração, para uma maneira desapaixonada, quase um robô. O sorriso desapareceu em um instante.
“Ei!” eu disse. “Olhe, eu não entendo o que está se passando aqui, mas eu realmente preciso urinar, sabe?”
Ela olhou direto através de mim, como se não ouvisse.
“Estou falando sério, se não for ao banheiro logo, vamos ter um acidente horrível. Vai começar a cheirar muito mal isso aqui, tá sabendo?”
Ela se virou para os colegas, um grupinho de três deles, e começaram a conversar baixo. Não dava para ouvi-los devido ao barulho dos ventiladores dos computadores.
Ela então se virou para mim e disse: “Segure por mais dez minutos e você vai poder mijar.”
“Acho que não vou conseguir segurar mais dez minutos.” eu disse demonstrando mais urgência do que era verdade, fazendo uma voz sofrida. “É sério, senhorita, é agora ou nunca.”
Ela balançou a cabeça e me olhou como se eu fosse um idiota patético. Ela e seus amigos trocaram mais algumas palavras e então um deles veio dos fundos. Era velho, talvez uns trinta anos e bem grande, como se malhasse. Ele parecia chinês ou coreano - mesmo Van não sabia dizer a diferença muitas vezes - mas com aquele comportamento que eu não podia deixar de reconhecer que era de Americano.
Ele tirou a jaqueta e pude ver seus apetrechos. Reconheci uma pistola, um tazer e uma lata que podia ser spray de pimenta ou gás paralisante.
“Não me arranje problemas.” ele disse.
“Nenhum problema.” eu concordei.
Ele tocou alguma coisa no cinto e as algemas que me prendiam à parede nas minhas costas se abriram, meus braços subitamente caíram frouxos atrás. Era como se ele usasse um cinto de utilidades do Batman - controle remoto sem fio para as algemas! Fazia sentido, pensei, você não quer se debruçar sobre seus prisioneiros com todo aquele armamento mortal ao alcance dos olhos - eles poderiam agarrar sua arma com os dentes e puxar o gatilho com a língua ou algo assim.
Minhas mãos ainda estavam presas atrás por tiras de plástico e agora que eu não estava seguro pelas algemas, senti como se minhas pernas tivessem virado papa devido ao fato de terem ficado muito tempo naquela posição. O que se seguiu foi longo, mas breve também, basicamente eu caí de cara ao chão, mexendo as pernas fracas enquanto tentava ficar de pé.
O cara então me agarrou, me colocando de pé e eu andei feito um palhaço para um pequeno reservado em formato de caixa logo ali. Tentei enxergar Darryl nos fundos, mas ele podia ser qualquer um dos cinco ou seis desmoronados ali. Ou nenhum deles.
“Entre ai” disse o sujeito.
Mostrei os pulsos. “Por favor, pode tirar?”. Meus dedos pareciam salsichas púrpuras devido às horas amarrados pelas tiras de plástico.
Ele não fez nada.
“Olhe” falei tentando não parecer sarcástico ou irritado (o que não era fácil). “Olhe, você libera meus pulsos ou vou precisar de sua ajuda. Uma visita ao banheiro não é algo que possa ser feito com as mãos amarradas.” Alguém no caminhão riu baixo. O cara não gostava de mim, eu podia dizer isso pelo jeito que os músculos de seu maxilar se retesavam. Cara, este pessoal não estava para brincadeiras.
Ele mexeu no cinto e pegou um pequeno estojo de mil e uma utilidades. Puxou dele algo como uma faca e cortou o plástico e minhas mãos ficaram livres.
“Obrigado” Falei.
Ele me empurrou para dentro do banheiro. Minhas mãos estavam imprestáveis, como bolos de barro na ponta dos pulsos. Quando estiquei os dedos, eles latejaram de um jeito que quase chorei de dor. Baixei o assento, baixei as calças e sentei nele. Não confiava em mim o bastante para ficar de pé.
Esvaziei a minha bexiga e chegou a vez dos meus olhos. Curvei-me chorando silenciosamente e indo para frente e para trás enquanto as lagrimas rolavam sem parar. E tudo que eu podia fazer era continuar chorando - cobrei minha boca e abafei os sons. Não queria dar a eles esta satisfação.
Por fim, acabei de mijar, gritei e o cara começou a bater na porta. Limpei meu rosto o melhor que pude com a toalha de papel, enfiei tudo na privada e dei descarga, então olhando a volta procurando uma pia achei apenas uma embalagem de pressão de um higienizador de mãos coberta com uma lista dos bio-agentes que continha. Joguei um pouco nas mãos e saí.
“O que você estava fazendo lá?” o cara disse.
“Usando o banheiro” eu disse. Ele me virou e prendeu minhas mãos com um novo par de tiras. Meus pulsos haviam inchado desde que o último par havia sido tirado e as novas doeram muito mais na pele macia, mas eu me recusei a dar a ele o prazer de me ver gritar.
Ele me empurrou de volta ao meu lugar e prendeu-me junto da pessoa mais próxima, que, eu via agora, era Jolu. Seu rosto estava inchado e com uma feia mancha roxa na bochecha.
“Você está bem?” perguntei para ele, e meu amigo do cinto de utilidades colocou abruptamente a mão na minha testa e empurrou com força, batendo minha cabeça na parede de metal do caminhão com um som de algo se quebrando. “Sem conversa” disse enquanto eu me esforçava para conseguir enxergar.
Eu não gostava dessa gente. Decidi bem ali que eles iriam pagar um preço alto por aquilo.
Um por um, todos os prisioneiros foram para o reservado e voltaram e quando acabou, meu guarda voltou para seus amigos e tomou outro copo de café - eles bebiam de uma grande embalagem para viagem da Starbucks, eu vi - e começaram a conversar algo que terminou com risos.
Então a porta dos fundos do caminhão se abriu e ar fresco entrou, não o ar enfumaçado de antes, mas marcado por ozônio. Antes que a porta se fechasse, eu vi que estava escuro e chuviscando, aquela chuvinha característica de São Francisco que era em parte névoa.
O homem que entrou vestia uniforme militar. Um uniforme militar Americano. Saudou os nossos raptores e eles o saudaram de volta e foi então que eu soube que não era prisioneiro de alguns terroristas - eu era prisioneiro dos Estados Unidos da América.
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Eles prenderam uma pequena tela no final do caminhão e passaram a vir nos pegar um por um, nos empurrando e levando-nos para lá. O mais perto que podia chegar de mentalmente contar segundos - um hipopótamo - dois hipopótamos - era que as entrevistas duravam por volta de sete minutos cada. Minha cabeça estava confusa por conta da desidratação e da falta de cafeína.
Eu fui o terceiro, fui levado por uma mulher com um corte de cabelo militar. Olhando rapidamente, ela parecia cansada, com bolsas sob os olhos e linhas de preocupação nos cantos da boca.
“Obrigado” eu disse automaticamente quando ela desligou remotamente minhas algemas e me colocou de pé.
Eu odiava a mim mesmo por conta desta cortesia, mas estava dentro de mim.
Ela não piscou um olho. Eu segui a sua frente para o fim do caminhão e além da tela de segurança. Havia uma cadeira lá e me sentei nela. Dois deles - a mulher do cabelo raspado e o homem do cinto de utilidades - olharam para mim do alto de suas cadeiras super-ergonômicas.
Tinham entre eles uma pequena mesa, onde estavam os conteúdos de minha mochila e de minha carteira.
“Olá, Marcus.” Disse a mulher. “Temos algumas perguntas para você.”
“Estou sendo preso?” Perguntei. Não era uma pergunta sem propósito. Se você não está sendo preso, existem limites sobre o que os tiras podem ou não podem fazer com você. Para começar, eles não podem te deter indefinidamente sem prender você, precisam lhe dar o direito de fazer um telefonema e deixar que você converse com um advogado. E pode acreditar, eu tinha muito pra falar pra um advogado.
“Pra que serve isso?” ele disse com meu telefone em sua mão. A tela exibia uma mensagem de erro que você normalmente recebe quando tenta usar sem dar a senha correta. Era uma mensagem bem rude - uma animação de uma mão fazendo um gesto universalmente conhecido - porque eu gostava de customizar meus aparelhos.
“Eu estou sendo preso?” Eu repeti. Eles também não podem lhe obrigar a responder qualquer pergunta se você não estiver sendo preso e se você pergunta se está sendo preso, eles são obrigados a responder. São as regras.
“Você está sendo detido pelo Departamento de Segurança do Estado.” disse a mulher.
“Estou sendo preso?”
“Você precisa ser mais cooperativo Marcus, é melhor começar agora.” Ela não disse “senão...” mas estava implícito.
“Eu gostaria de contatar um advogado.” Eu disse. “Gostaria de saber do que estou sendo acusado. Gostaria de ver algum tipo de identificação de vocês dois.”
Os dois agentes se entreolharam.
“Acho que você deveria realmente reconsiderar sua atitude diante desta situação.” Disse a mulher de cabelo raspado. “Eu acho que deveria começar agora mesmo. Encontramos vários mecanismos suspeitos com você. Encontramos você e seus camaradas próximos do local do pior atentado terrorista que este país já viu. Coloque estes dois fatos juntos e as coisas não ficam boas para você, Marcus. Você pode cooperar ou pode lamentar muito, muito mesmo. Agora, o que vai ser?”
“Você pensa que eu sou um terrorista? Eu tenho dezessete anos!”
“A idade certa – A Al-Qaeda adora recrutar garotos impressionáveis e idealistas. Nós googlamos você, você sabe. Você postou um monte de coisas ruins na internet pública.”
“Eu gostaria de falar com um advogado.” eu disse.
A mulher olhou seria para mim. Eu era um inseto. “Você está achando erroneamente que foi pego pela polícia devido a um crime. Esqueça tudo isso. Você está sendo detido como um inimigo em potencial do governo dos Estados Unidos. Se eu fosse você, eu pensaria bastante em como nos convencer que você não é o inimigo. Muito mesmo. Por que existem alguns buracos escuros em que os inimigos podem desaparecer, buracos bem escuros e profundos, buracos onde tudo desaparece. Pra sempre. Está me ouvindo, meu jovem? Quero que desbloqueie o telefone e então descriptografe os arquivos da memória. Quero que diga o que você estava fazendo na rua. O que você sabe sobre o ataque a esta cidade?”
“Não irei desproteger meu telefone para você” eu disse indignado. A memória do meu telefone tinha todo tipo de coisas privadas nela: fotos, emails, pequenos hacks e mods que eu instalei.
“É coisa particular.”
“O que você tem a esconder?”
“Tenho direito a privacidade. E quero falar com um advogado.”
“Esta é a sua última chance, garoto. Gente honesta não tem nada a esconder.”
“Eu quero falar com um advogado.” Meus pais pagariam por isso. Todas os guias sobre ser preso eram claros neste ponto. Continue pedindo para falar com um advogado, não importa o que lhe digam ou façam.
Não há nenhuma vantagem para você ao conversar com um tira sem seu advogado presente. Estes dois diziam que não eram policiais, mas se isso não era ser preso, então o que era?
Em retrospecto, talvez eu devesse ter desbloqueado meu telefone para eles.
Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 3 [ Download ]
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Tecnovelgy
Um dos sites mais interessantes para quem gosta de literatura de Ficção Científica.
Muitas das ideias e invenções encontradas nos livros de FC, estão catalogadas de diversas formas, facilitando a consulta. É possivel pesquisar por autor, por título do livro, período (1600 até os dias de hoje), categoria (armamento, inteligência artificial, comunicação, computadores, vida no espaço, medicina, robótica, transportes, estilo de vida, cultural, etc) e ainda conta com um glossário e uma linha de tempo!
Para ilustrar, vamos supor que você procure por Stanislaw Lem. Além de uma pequena biografia, você encontrara uma lista de invenções tecnológicas encontradas em alguns livros de Stanislaw Lem, como por exemplo:
Betrization
Calster - portable cash printer
Crystal Corn - tiny crystal books
Electronic Bard
Electronic Book Store
Gigagnostotron
Gnostotron
Handbag Computer
Inorganic Evolution
Interactive Map - very early concept
Kingdom in a Box
Lecton - be read to
Metal Insects
Nanomachine Swarm (Black Cloud) - tiny machines work together
Opton - electronic book
Parastatics
Reciprocal Name - cellphone nickname
Repair Robots - helpful droids
Sky Ceiling - long before Hogwarts
Spray-On Clothing - dresses in a can
Eletronic Book Store ? Sim, Return from the Stars, de 1961...
I spent the afternoon in a bookstore. There were no books in it. None had been printed for nearly half a century. And how I have looked forward to them, after the micro films that made up the library of the Prometheus! No such luck. No longer was it possible to browse among shelves, to weigh volumes in hand, to feel their heft, the promise of ponderous reading. The bookstore resembled, instead, an electronic laboratory. The books were crystals with recorded contents. They can be read the aid of an opton, which was similar to a book but had only one page between the covers. At a touch, successive pages of the text appeared on it. But optons were little used, the sales-robot told me. The public preferred lectons - like lectons read out loud, they could be set to any voice, tempo, and modulation.
Além disso o site ainda publica links com as mais novas descobertas científicas.






























