domingo, 18 de outubro de 2009

Entrevista com Jeff VanderMeer sobre o lançamento da antologia Steampunk



Então, o que é "steampunk"?

"Algo cool, com uma linguagem elaborada. Ciência inventada - reinventada" disse James Blaylock, um pioneiro do steampunk e autor do livro Lord Kevlin's Machine.

"Steampunk (um sub-gênero da ficção científica) oferece em quantidade, aquilo que é mais visualmente excêntrico e aventureiro, sobre a época vitoriana e suas especulações científicas."

A antologia Steampunk editada por Ann e Jeff VanderMeer, faz barulho e cliques com engenhocas, dirigíveis e robôs a vapor de doze metros de altura.

As treze histórias contidas nesta coleção são reforçadas por um prefácio, uma introdução e dois ensaios. Os editores não são novatos neste tipo de ficção. Ann VanderMeer é editora da Weird Tales e Jeff VanderMeer é vencedor do prêmio World Fantasy, autor de Shriek: bem como de uma coleção de histórias conectadas, situadas no mundo imaginário de Ambergris.

"Em Steampunk", escrevem os VanderMeers em seu prefácio, "nós tentamos fornecer uma mistura do tradicional e do idiossincrático, o novo e o velho, mantendo-se fiel à idéia de steampunk como uma diversão pseudo-vitoriana sombria. Você vai encontrar histórias sobre golens mecânicos, máquinas infernais, os personagens de Júlio Verne e é claro, dirigíveis."

A antologia resultante é tanto prazeirosa como um alívio, já que os VanderMeers encontraram uma maneira de reforçar o gênero sem sugerir (ou impor) um conjunto restrito de parâmetros.

"Steampunk", diz Magpie Killjoy, editor da SteamPunk Magazine, "é uma forma filosófica de reanalisar nossas interações com as máquinas. Para este fim, encontramos na era dos motores a vapor, as promessas, verdadeiras e falsas, que nos foram oferecidas por volta do século 19. Assim steampunk é uma estética, um gênero, uma subcultura, e uma filosofia que gira em torno deste entendimento. "

No coração do steampunk, como um ethos, diz Paul DiFilippo, autor dos romances Joe's Liver e Fuzzy Dice, existe o desejo de "voltar a uma época em que a tecnologia e o artesanal ainda não tinham sido separados, quando partes do nosso mundo permaneciam inexploradas, onde o heroísmo individual vinha antes de tudo, quando a linha entre o bem e o mal era clara, e você poderia vestir-se bem. "



Pergunta: Você tem uma estratégia como antologista?

Jeff VanderMeer: Procuramos [Ann e eu] trabalhar como uma equipe, a partilhar tarefas e dividi-las conforme nossas outras atividades de trabalho permitam. Temos uma abordagem consistente contudo, de querer que nossas antologias sejam bem organizadas, abrangentes e não apenas profundas, mas também surpreendentes de alguma forma. Se um leitor ao ler nossas antologias, não encontrar algo de muito diferente e maravilhoso, talvez então não estejamos fazendo bem nosso trabalho.

Pergunta: Que desafios você enfrenta como um antologista em geral e em particular com o steampunk?

JV: Não é só escolher a combinação certa de material, mas ser capaz de adquiri-la para a reedição nas antologias. Para as antologias originais, certificamos de torná-las as mais abertas possíveis aos novos escritores.

Pergunta: Quais são os prós e os contras de trabalhar em conjunto?

JV: Eu não escuto muito bem às vezes. Mas nós raramente discutimos. Acho que em geral, trabalhar juntos nos aproxima.

Pergunta: Houve algo engraçado e/ou frustrante durante este processo?

JV: Em Steampunk não. Em New Weird tivemos Clive Barker que nos telefonou para dizer que seu conto fora publicado com erros tipográficos. Realmente não é o que se espera para a primeira conversa por telefone com alguém. Mas ele disse que gostou muito da antologia e era um erro de digitação que o perseguia por dezoito anos.

Pergunta: Num programa de rádio recentemente você falou sobre "tecnologia verde" em relação ao steampunk. Pode explicar melhor?

JV: Embora possa não ser verdade para a indústria da era vitoriana, eu sinto que um segmento da cultura moderna steampunk vê a re-mecanização da tecnologia, como uma maneira de nos mover em direção ao pensamento ecológico. No sentido de que poderiamos ser capazes de consertar as coisas (quem realmente pode, hoje em dia, consertar seu próprio carro, já que está tudo computadorizado?), o primeiro passo para ser verdadeiramente independente, plantar sua própria comida, etc. Um futuro de sustentabilidade exige que tomemos esta medida em um nível individual.

Pergunta: Nas duas últimas décadas você produziu uma grande variedade de trabalhos de edição, blogs para a Amazon.com, jornalismo para lugares como o The Washington Post e Publisher's Weekly e, claro, escreveu contos e romances. Será que aquilo que você escreve, que não é ficção, inspira você para escrever ficção?

JV: Não-ficção sob a forma de entrevistas e opiniões me expõe a outras formas de pensar a escrita. Eu também, muitas vezes, uso da não-ficção na minha ficção, para soar irônico ou absurdo.

Pergunta: O que você mais gosta em escrever?

JV: O ato físico da escrita - à mão ou teclando, perder-se neste processo. Envolver-se numa situação e com o personagem. Escrever um livro é um ato de imersão.

Pergunta: Onde uma história começa para você?

JV: No final. Até que eu saiba onde termina uma história ou um romance, na minha cabeça, eu não consigo começar. Até lá não posso colocar nada no papel. O fim geralmente muda quando eu chego nele, mas deve ter algum sentido antes de eu começar.

Pergunta: Você surpreendeu - e espantou - um bom número de fãs seus, por ter escrito Predator: South China Seas.

JV: Trabalhando em um mundo compartilhado, como o universo de Predator, eu tinha muita preocupação com o público. Eu estava interessado em escrever um romance que iria satisfazer o público de Predator primeiro, e se pudesse satisfazer também meus leitores, tudo bem. Mas esse não era o objetivo.

Eu acho que com mundos compartilhados você tem que respeitar o público específico dele, enquanto que para os meus romances, a melhor maneira de servir ao meu público é ignorá-lo. Satisfazer-me em primeiro lugar. Isso significa, claro, que o livro Predador é muito menos pessoal e também muito diferente do meu trabalho habitual. Estou feliz com os resultados, mas não tenho ideia do que o meu público vai pensar. Eu só espero que os fãs de Predator gostem.

Pergunta: E onde se inicia uma antologia para você?

JV: Isso realmente depende da antologia. Primeiro, qualquer antologia que eu faço é uma colaboração com minha esposa Ann, que atua como co-editora. Depende do projeto e de outras limitações de tempo. Às vezes uma editora nos procura, como foi o caso de New Weird e de Steampunk. Em outros casos temos uma idéia e buscamos uma editora.

A chave, no início, é tentar certificar-se do projeto da editora e do formato (capa dura ou não) se adequa corretamente. É também um desafio inicial de pensar a antologia em termos de restrição e oportunidade. O que significa dizer que você pretende explorar a idéia da forma mais completa e profunda possível, mantendo um foco que vai dar a forma da antologia.

Pergunta: Que história da antologia Steampunk realmente te ganhou?

JV: Eu amo "The Minutes of the last Meeting' de Stephan Chapman. Ela tem uma bela estrutura experimental e acessível. Eu também amo a maneira perversa que só Joe R.Lansdale dá ao gênero steampunk, como uma espécie de Deus impaciente.


Texto original

sábado, 17 de outubro de 2009

Jeff VanderMeer


Jeffrey Scott VanderMeer (7 de Julho de 1968) nasceu na Pennsylvania (EUA) e viveu sua infância nas Ilhas Fiji, onde seus pais trabalhavam para a Peace Corps. Por conta disso, grande parte de sua vida foi passada entre Ásia, Europa, Africa e Estados Unidos. Esta experiência, como não poderia deixar de ser, acabou influenciando-o profundamente.

Jeff iniciou sua carreira de escritor nos anos 80 e logo se tornou uma espécie de porta-voz do sub-gênero literário steampunk, embora se defina como um escritor de realismo mágico, um explorador do surreal e do fantástico.

Em 2001 foi relacionado pela Locus, como um dos dez mais promissores escritores de ficção especulativa.

Ganhou o Prêmio World Fantasy de 2000( seis vezes finalista deste prêmio) com o romance 'The Transformation of Martin Lake'. E em 2003 dividiu a premiação por ser também editor da antologia Leviathan 3.
Fundou sua própria (pequena) editora, Ministry of Whimsy, onde lança novos talentos do gênero fantástico.

Mais recentemente, Jeff passou a explorar outras mídias. Um de seus contos, 'A new face in Hell', foi transformado em animação por Joel Veitch, e Jeff foi responsável por escrever para a famosa editora de quadrinhos Dark House, o tie-in 'Predator: The South China Seas'.

Jeff mora na Florida, é casado com Ann Kennedy, escritora e editora da Buzzcity Press e das revistas Silver Web e Weird Tales.

Site de Jeff VanderMeer

Jeff VanderMeer (A heart for Lucretia, Balzac's War, Dradin in Love, Flight is for those who have not yet crossed over, Ghost in the machine, Mahout, Quin's Shangai Circus, The secret life of Dave Driscoll, The third bear, Three days in a border town, The surgeon (com Cat Rambo), Veniss Underground) [ Download ]

Stalker (A máquina dos desejos) - Parte 6 de 6




SEXTA PARTE



Outra vez no bar.
O lugar está vazio. Atrás do balcão o corpulento atendente com o avental manchado.

Nossos personagens estão sentados na mesa do canto, sujos, maltrapilhos, com a barba de vários dias por fazer. À frente de cada um, há uma caneca de cerveja meio vazia.

O Escritor começa um discurso:
- …imagino este prédio como um gigantesco templo. Tudo que a imaginação já criou, a fantasia e o pensamento ousado do homem são tijolos de ouro, com que foram levantadas as paredes deste templo. Filosofia, livros, pinturas, teorias éticas, tragédia, sinfonias... até mesmo, porque não, as ideias científicas fundamentais. Tudo isso se deve a vossa tecnologia, os altos fornos, as colheitas… tudo para que se trabalhasse menos e se devorasse mais. As ideias científicas são os andaimes, guindastes... naturalmente necessários para se construir o templo, sem eles o templo seria impossível, mas eles cedem e desmoronam, e são erguidos de novo. Primeiro de madeira, depois pedra, de aço e plástico finalmente, mas não passam de guindastes e andaimes para se levantar o grande templo da cultura, objetivo maior e infinito da humanidade. Tudo morre, tudo é esquecido e desaparece, fica somente este templo... falando com franqueza, a humanidade existe unicamente para...

O Professor toma um gole da caneca e grunhe:
- Você se atreve a responder... para que serve a humanidade?
- Não me interrompa – diz o Escritor – é pouco educado! Existe unicamente – continua – para produzir obras de arte! Imagens da verdade absoluta.
Pausa.

O Escritor sorri irônico.
- É uma piada – acrescenta – Olhe aqui a cerveja... é cerveja isso não? Que tal tomarmos outra rodada?
- Não tenho mais dinheiro, fala o Professor.
- Eu tampouco, profere abatido o Escritor.
- Você acha mesmo que em toda parte vão te fazer fiado – diz irritado o Professor para o Escritor.
- Sim, menos aqui...

O Stalker deixa sobre a mesa várias moedas pequenas, junto com lixo, e move as moedas com um dedo contando-as.
- Aqui está – diz ele – tem o bastante para outras canecas.

Junto da mesa aparece o atendente, coloca com destreza as canecas entre eles, cheias de cerveja e cobertas de espuma. Retira aquelas vazias. O Stalker com ar compungido, observa o atendente e acerta a pilha exigua de moedas. O atendente faz um gesto tranquilizador e desaparece.

- É um leitor meu – diz o Escritor com ares de superioridade – ele me reconheceu!
O Stalker e o Professor olham para o sembante sujo do Escritor, para o enorme hematoma do seu olho direito, e o trapo ensanguentado sobre ele, olham e depois sem dizer uma palabra, bebem um grande gole das canecas.

- Não – diz o Stalker – isso não é beber de verdade camaradas! Vou telefonar agora mesmo para minha mulher e ordenar que me traga dinheiro.
O Escritor o segura pela manga.
- Para que? Telefonarei para qualquer redação.
O Stalker o rechaça.
- Calma ai... fui eu quem os convidou, e não você. Fique quieto ai!

Vai até o telefone público, marca um número e neste momento enxerga pela janela suja sua mulher chegando ao Bar. Desliga e retorna para a mesa.

Sua mulher vai até eles e diz ao marido:
- O que faz aqui sentado? Vamos embora!
- Agora mesmo – diz – mas sente-se um pouquinho. Sente conosco. Por que está com pressa?

Ela se senta satisfeita, pega-o pelo braço e olha para o Escritor e o Professor.
- Sabem que minha mãe era contra meu casamento com ele? Por que ele era um bandido de verdade. Metia medo a toda comarca! Era jovem e ágil como... bem, minha mãe dizia: É um stalker, um suicida, vai passar a vida na cadeia... e os filhos? Lembra, ela dizia, como são os filhos de um stalker... eu não discutia, eu sabia perfeitamente que era um suicida, que passaria a vida na cadeia e sabia quanto aos filhos. Mas o que eu podia fazer? Estava certa que seria feliz com ele. Sabia também, é claro, que passaria por maus momentos, porém mais vale uma felicidade amarga que uma vida apagada. Mas pode ser que tudo isso só tenha me ocorrido agora. Ele chegou junto de mim e disse carinhosamente ‘Vem comigo!’ e eu fui. E nunca me arrependi. Nunca! Passamos maus momentos. Tive que superar o medo. Passei vergonha, mas nunca me arrependi e nunca invejei a ninguém. Ele tampouco. O destino é assim. A vida é assim, somos como somos. E se não existissem tristezas na vida, não existiriam as alegrias. Seria muito pior. Nem haveria esperança. Assim é. Agora temos que ir. Vamos! Deixei a bebê sozinha.

Levantam.

- Estes são meus amigos – diz o Stalker – Até agora não consegui nada melhor...

Se vão.

O Escritor e o Professor observam o casal se afastar.




FIM













sexta-feira, 16 de outubro de 2009

As capas e Andre Norton


Andre Norton ao final de sua vida, declarou que gostaria de ter queimado alguns de seus livros. Muito provavelmente The Sioux Spaceman devia ser um destes, ao menos pela capa.

Capas de livros de Norton ilustrados por gente como Ed Valigursky, Ed Emshwiller, Jack Gaughan, Alex Schomburg, Gray Morrow e Jeff Jones.













quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fuga de Rigel - Diogo de Souza


Um dos maiores telecinéticos do planeta, aluno prodígio da Fundação Cosmos, o pequeno Rigel descobre que sua família ainda está viva, que seu pai o tinha como morto, e toda a vida que conheceu foi calcada em mentiras.

Poderia escapar à telepatia de seus professores ou à clarividência dos amigos? Só há uma forma de evadir um paranormal: Teria de perder a si mesmo para reencontrar sua família.

Seu pai não o compreenderia. Seus mestres o perseguiriam. Seus amigos seriam deixados para trás. Mas quando se viu cara a cara com aquela fotografia, sabia que havia apenas uma coisa a ser feita.

Precisava fugir.

Fuga de Rigel é um romance paranormal escrito por Diogo de Souza para você devorar... ou ser devorado!


Faça o download do primeiro capítulo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Stalker (A máquina dos desejos) - Parte 5 de 6



QUINTA PARTE


O Stalker ouvia com a boca aberta o Escritor falar.
- Eu achava estar jogando um jogo novo e interessante – confessa o Escritor – Pensei na coisa como uma aventura. Logo compreendi amigo, que não seria fácil. E para dizer a verdade, não acredito muito nestas maravilhas todas. Pensei que se tivesse que pedir algo, seriam histórias e eu escreveria sobre elas. Por que nunca se escreveu sobre isso antes… todavia… Não, Olho de Lince, meu amigo, estes jogos eu não jogarei…
- Olha Professor, diz o Stalker desconcertado – o que se passa? Diga algo!
O Professor deu de ombros.
- Como é? Pergunta o Stalker -Estou indo em busca de saúde para minha filha, para minha desafortunada filha, e vou receber... sei lá o que?
- Sabe sim – disse carinhosamente o Professor – todos sabem perfeitamente bem.
- Deixe-o –interrompe o Escritor, e se faz um novo e embaraçoso silêncio.

Depois o Stalker diz com raiva:
- Já chega! Todos de pé!
O Professor vai taciturno e atrás o Escritor e, quase pisando-lhe nos calcanhares, o Stalker.

-Bom, não vou mentir – diz ele – quando vim para cá eu não pensava na minha filhinha, está bem… Mas agora, por ela sou capaz de qualquer coisa! E você me diz que…
-Olhe, pare de reclamar – diz o Escritor sem se virar – Por que me perturba? Eu não sei de verdade o que você deseja. Nem você sabe! E por Deus, não se distraia! Preste atenção no caminho… tudo que não precisamos agora é de você nos espancando…
Diante deles na trêmula névoa se vê erguida a caçamba de uma escavadora enferrujada e ao final eles param frente à suave descida que leva ao mesmo lugar de antes.
Param para olhar enfeitiçados o vale mágico.

O Stalker observa a encosta e nota algumas manchas negras.
- Bem, podem dizer que estão com sorte rapazes! Diz com a voz apagada – Ele se rendeu.
- Quem se rendeu? Pergunta passando por ele o Professor.
- O Açogueiro. Vêem as manchas pretas? O bandido entregou os pontos. Acabou! Podemos ir sem medo!
- Você enxerga um Açougue? Pergunta o Escritor e se senta ao chão – Bonito nome!
- Melhor não pode ser! Foi aqui que o Raposa usou de seu último coringa de carne e osso. Seu apelido era Kaschei o Imortal, um jovenzinho tonto...
- E você também me usou pra isso? Perguntou o Professor – Logo a mim? Nas mãos do Açougueiro?
- O que você pensa? O túnel e o Açougueiro valeram à pena! Só assim se pode seguir em frente. Uma chance em quatro... uma loteria! Mas na Zona não há jogos de azar...
- Isso é inconcebível! – disse o Escritor – Atravessar estes lugares mortais assassinando os amigos, e tudo por um saco de dinheiro...
- Em primeiro lugar – disse com firmeza o Stalker – não se vem até aqui com amigos. Além disso um Stalker não tem amigos. Seu amigo é ele mesmo, e em segundo lugar, por dinheiro se fazem coisas bem mais extremas. Será que você vive na lua?
- E se eu não tivesse ido? Pergunta o Professor.
- Chega! Grita o Stalker – Tivesse ido ou não... tivemos sorte e agora acabou. O túnel resultou em nada, o açougueiro se entregou. Acham que sou sádico? Pensam que fico feliz em ter que mandá-los para a morte? Bem, quer quer ir primeiro? Você? Perguntou ao Escritor – Você fez por merecer...
O Escritor balança a cabeça.
- Não! Já disse que não vou! Quero só olhar esta maravilha com meus próprios olhos. Sou um cético.
-Huh! Não tenha medo, eu disse que ele entregou os pontos. Mas se quer assim, eu vou primeiro. Que tal assim? Pergunta ao Professor.
- Vá, vá... só faltava isso, responde o Professor. Você nunca pensou em me perguntar antes...
- Como não? Perguntou o Stalker – Então para que veio aqui? Eu não precisei convencê-lo a vir... você mesmo pediu e me ofereceu dinheiro! Não?
Em vez de responder o Professor imitou o Escritor e sentou-se ao chão, colocando a mochila entre as pernas.

- Que barbaridade! Olhem os idiotas! Disse o Stalker desconcertado. – Arriscaram a vida, passaram por tudo isso para chegarem até aqui e vejam só o que fazem! Se sentam ai tranqüilos!
- E o fazemos acertadamente – diz o Escritor – você devia se sentar tambem. Precisamos descansar antes de regresar.
- Este bobalhão ficou careca e esse outro tem a polícia esperando por ele na cidade... peça ao menos que te devolvam o cabelo!
- Quem perde a cabeça não precisa de cabelo – disse o Escritor – deixa estar anjo da guarda, não se ofenda! Senta aqui com a gente, esperaremos um pouco e beberemos conhaque e então voltaremos para casa com a ajuda de Deus.
- Era só o que faltava! Para casa! Grita o Stalker fechando os pulsos.

O Stalker dá meia volta e se encaminha para a encosta. Seus passos decididos em um primeiro momento, vão perdendo força até se deter sem saber o que fazer. Dá meia volta e com o mesmo passo decidido regressa até eles.
- Está bem, pode me explicar por que não quer ir ? pergunta ao Escritor – Mas fale a verdade e pare com charlatanice!
- Não me importa. Estou com medo. Não me conheço e eu não confio em mim. A única coisa que sei com segurança é que ao longo de minha vida minha alma se encheu com tudo que não presta. Não quero descarregá-la encima de gente que não conheço e logo depois, como o Raposa, meter o pescoço na corda. É melhor eu encher a cara tranquilo e pacificamente na minha asquerosa mansão. Vai! Mas não pense que por estarmos vivos você não nos matou. Você nos matou! Mesmo estando vivos! E não vá achando que sabe tudo! O que pode saber um ingênuo como você! Chora lágrimas de arrependimento pela filha… me perdoe, mas você é como aquele bandido que tinha sangue até os cotovelos e levava no peito uma tatuagem que dizia ‘Não esqueço o amor de minha mãe’. Fica calmo Stalker. Não estamos ainda no ponto para merecer o lugar, nem devíamos ter vindo em busca da felicidade.
- Se eu estivesse limpo do pó e sujeira, é possível que eu tampouco tivesse vindo! Grita com raiva o Stalker.
- Está falando como o burro de Balaam! Diz o Escritor.
- Nao compreendo! Reclama o Stalker balançando a cabeça – Não compreendo...
- Sorte sua não compreender! Vá até lá e então compreenderá... mas então estará perdido! Você sempre se viu nas alturas, como se fosse melhor que todos... como se fosse um homem de ferro, altivo e livre, mas na realidade é um jumento e nada mais! E vai voltar de lá feito um incapacitado, meio morto e coberto de vergonha. Em comparação contigo, o Raposa pareceria um anjo. Acabou! Deixa-me em paz!

Enquanto discutiam o Professor havia retirado da mochila um cilindro prateado que ao sol brilhava pálido.
O cilindro sem detalhes lembrava na parte superior, o disco do telefone do centro de controle.
- O que é isso Professor? Perguntou o Escritor.
- Uma bomba atômica.
- Atômica?
- Sim, vinte quilotons.
- De onde veio isso e para que?
- Eu e meus amigos a fizemos, quero dizer, meus ex-amigos. Decidimos que precisávamos destruir este lugar. Ainda acho isso. O lugar não traz felicidade para ninguém. Mas se cair nas mãos erradas… dá medo de pensar. Mas agora já não sei... eles começaram a falar que isso era uma maravilha e uma esperança, que não se deve matar uma maravilha destas, e que não devemos matar a esperança. Nos arrependemos. De uma forma que só os cientistas sabem como. E eles esconderam a bomba, mas eu a encontrei – ergueu os olhos – vocês compreendem? Ainda estou certo do que devo fazer. Basta marcar quatro números e dentro de uma hora... o fim, ninguém mais vai vir até aqui.
Calou-se um instante antes de completar:
- E jamais na Terra haverá um lugar como este novamente.
- Pobrezinho... disse baixinho o Escritor.
- Compreendem? Trata-se de um principio geral – diz o Professor – Não faça nunca algo que não pode ser reversível. Enquanto este lugar estiver acessível, não haverá descanso para ninguém, nem sossego... nem descanso nem sossego.
Neste momento o Stalker explodiu.
- Maditos sejam! Por que fui me juntar a vocês! - grita – Porcaria de intelectuais! Charlatões! Eu devia ter ido, devia ter aceito o dinheiro sem pensar em mais nada, viveria à toda, como todos vivem! E me arrumaram uma encrenca! Me corroeram a alma, parasitas! E o que eu faço agora? Hein ? Não posso fazer nada! Não posso ir até lá, nem ficar aqui... Quer dizer que tudo foi inútil e que nunca mais haverá coisa alguma?
O Stalker agarra o Professor pelos ombros.
-Então acabe com tudo! Não será então de todo inútil! Ao menos haverá um proveito!
Leva as mãos à cabeça agitado. E logo se torna imóvel.
- Olha – susurra ele na cara do Escritor – Eu não valho nada, mas e minha mulher? Por minha filha, que tal? Não por mim, por mim não, mas por minha mulher! Ela é uma santa! A única coisa que ela tem é o bebê. Por minha mulher, hein?
Agarra o Professor e o sacode.
- Não! Não faça isso! Não deve! Não toque nela! Não há outra esperança!

O Professor afasta suas mãos. O Escritor e o Stalker contemplam o Professor enquanto este desenrosca com esforço a parte superior do cilindro, a levanta e arranca alguns cabos que saem de dentro e começa a desmontá-la e arrancar peça após peça.

Neste instante o sol se põe e vem a escuridão.



FIM DA QUINTA PARTE

sábado, 3 de outubro de 2009

Stalker (A máquina dos desejos) - Parte 4 de 6


QUARTA PARTE


Perambularam por uma estrada secundária coberta de finíssimo pó.
A cada passo o pó se levantava e parava suspenso no ar durante certo tempo, imóvel.

Ao longo do caminho vários postes telegráficos decrépitos. Fazia calor e a colina tremulava longe.
O Professor, que ia na frente naquele momento se deteve, e derrepente virou-se para seus companheiros e falou desconcertado:
- Tem um automóvel ali… e seu motor está ligado.
- Não se importe com isso – falou o Stalker – está ligado há vinte anos. Melhor olhar para o chão e não se afaste do centro da estrada.

Passaram em frente a um caminhão novo em folha, como se tivesse recém-saído da fábrica.
Seu motor funcionava e do escapamento saia uma fumaça azulada. Mas as rodas estavam fundidas com a terra e pela porta entreaberta, via-se ao invés do chão da cabine, o mato crescendo.

Em certa ocasião, provavelmente no mesmo dia da Visita, um enorme caminhão transportava por esta estrada em um reboque especial, um tubo largo, de um metro de diâmetro para o gasoduto. O caminhão colidiu com um poste à esquerda da estrada e o tubo foi lançado do reboque atravessando o caminho. Provavelmente o tubo arrancou alguns postes telegráficos e telefônicos e que estavam agora tombados pela estrada.

Sobre os fios havia crescido um tipo de farrapo avermelhado que caia como cortina, fechando o caminho da estrada.

Junto ao acostamento a boca negra de um túnel. A terra adiante estava carbonizada, como se dela tivessem saído chamas.

- Precisaremos entrar por ali? Perguntou o Escritor sem falar com ninguém especificamente.
- Entraria se eu mandasse, disse friamente o Stalker recolhendo alguns cascalhos nas valas de escoamento da chuva. – Vamos, separem-se! Toma impulso com o braço e atira uma pedra pela boca do túnel.
Ouve-se uma pedra retumbando dentro. O Stalker aguarda um pouco e atira outra. Se repete o mesmo som e depois o silêncio.

- Bem, diz o Stalker sacodindo as mãos vagarosamente – Podemos… - volta-se para o Escritor e diz – Você, vai andando!

O Escritor começa a dizer algo, mas ao fim suspira resignado. Tira do casaco uma garrafinha chata, desenrosca a tampa e toma vários goles e a entrega ao Professor.
O Escritor limpa a boca com a manga do casaco. Não tirava os olhos do Stalker, parecendo esperar alguma coisa. Mas não havia nada que esperar.
- Agora estamos por conta do destino? Pronuncia com um riso forçado.
Dá um passo em direção, mas para diante da terrível goela negra.
Mete as mãos nos bolsos e se volta.
- E por que eu? Pergunta arcando as sobrancelhas – Por quê? Não vou!
O Stalker se aproxima dele e o Escritor recua.
- Vai sim! Rosnou o Stalker entre dentes.
O Escritor faz que não. O Stalker o acerta ao estômago e na cabeça, depois agarra-o e lhe dá algumas bofetadas.
- Claro que vai! Grunhe com ímpeto.

O Professor tenta segurá-lo pelo braço. O Stalker sem ver acerta uma cotovelada no Professor que lhe acerta o nariz, e faz com que seus óculos voem longe.

- Anda!
O Escritor limpa o sangue dos lábios, olha para a palma da mão e olha para o Stalker.
- Meu Deus… - exclama.
Uma profunda repugnância se espelha em seu rosto, e sem dizer uma palavra, cospe em direção dos pés do Stalker, dá meia volta e entra no túnel.
O Stalker de imediato se afasta e faz o mesmo com o Professor.

De dentro chegam chiados e pancadas e uma respiração entrecortada. O Professor ajeita os óculos com as mãos ainda tremendo. Uma das lentes está rachada. Silêncio.

- Me segue! Grita o Stalker e se lança dentro da boca negra.
Os dois saem em um recinto circular. Seguramente em outros tempos havia uma espécie de centro de controle ali. Mesas e cadeiras e sobre as mesas vários telefones (todos desligados) mapas topográficos meio podres, lápis esparramados. Ao chão vê-se caixas de conservas e garrafas. Não se sabe por que, mas há um carrinho de bebê também.

O Escritor está sentado numa das mesas, segurando uma garrafa.
- É isso! Quem está com medo? Disse animado o Stalker.
É evidente que está ali pela primeira vez e olha tudo com curiosidade, reparando em cada canto. O Escritor, lutando para abrir a garrafa, o observa entre sombrio e irônico.

- Quando digo que pode ir é porque pode – prossegue o Stalker – Me dê isso aqui! Por que tanta demora? –arranca a garrafa das mãos do Escritor e a destampa com habilidade – Onde devo servir? Não temos copos. Beberemos no gargalo, você primeiro, você merece…
Enquanto isso o Professor percorre o local, colocando os fones nos ganchos.

O Escritor dá um longo gole da garrafa e depois a apóia no joelho e lambe os beiços.
- Que foi? Está quente? Pergunta alegre o Stalker - É claro que o Raposa esteve por aqui, provavelmente descansou e se aliviou… mas tú bebe, bebe, vou tomar uma inteira, tem um monte delas.
- Querido Chingachguk (personagem de ficção, um índio moicano) - enfatiza o Escritor - Eu compreendo que seus rodeios não são outra coisa a não ser uma forma de pedir-me desculpas. Eu o perdôo. Você teve uma infância desgraçada, o meio em que foi criado, eu compreendo perfeitamente. Mas não se engane. Me vingarei sem falta!

O Stalker, virando outra garrafa, fala:
- É sério?
- Sim, sim, sou um homem vingativo como todos os escritores e artistas em geral. Agora mesmo não penso em outra coisa a não ser lhe meter uma bala entre as omoplatas… Mas o farei de um jeito mais elegante. Enfiarei uma agulha em teu crânio que vai lhe parecer que o mundo se tornou um inferno. Bem no cérebro, no seu sistema nervoso central…

Nesse mesmo momento, ouve-se um telefone tocar. Todos estremecem, e o Professor logo toma o fone e atende.
- Alô… ele diz.
Uma voz impaciente pergunta irritada:
- É dois-vinte-três- quarenta e quatro doze? Como está a ligação?
- Não sei, responde o Professor.
- Obrigado, só estou testando.
Ele ouve alguns apitos. Desliga. Os três se olham e depois para o telefone.

O Professor pega o aparelho novamente e disca rapidamente um número. Seu rosto possui uma expressão maliciosa.
- Pronto! Responde uma voz de homem.
- Perdoe-se me eu o incomodo, mas, por favor – diz o Professor – estava querendo lhe falar algo. Suponho que sabe quem está falando?
Pausa.
- Quem?
- É do edifício velho, a sala de caldeira, quarto bunker. Acertei?
- Vou chamar a polícia!
- É tarde – pronuncia jubiloso o Professor – estou fora de seu alcance. Sabe onde me encontro? Estou a dois passos do lugar, e você não pode fazer nada! Chame quem você quiser, escreva uma denûncia, pode formar uma comissão de especialistas em medicina, atiça meus funcionários se quiser, ameaça-os, faz o que quiser e quando quiser. Estou te telefonando para te dizer que você é um cretino e que apesar de tudo, estou a dois passos do lugar!
Pausa.
- Está me ouvindo? Pergunta o Professor ao telefone.
- Você compreende que é teu fim como cientista?
- Eu agüentarei. Valerá à pena.
- Compreende que a prisão te aguarda? Trabalhos forçados!
- Chega! Estou a dois passos! Acha que pode me assustar agora?
Pausa.
- Meu Deus – pronuncia o interlocutor invisível – A que ponto chegamos! Já faz tempo que você não pensa mais no trabalho! Tu não é sequer um Heróstrato (o jovem que pôs fogo no templo de Diana, por querer a imortalidade), tu só quer me xingar, você é o menininho que se alegra por ter conseguido colocar insetos na sopa… mas recorda demônio, como tudo começou! Que idéias, que imensidão! E agora só pensa em mim e em você. Onde estão os milhões e milhares de milhões de que falamos, os milhares de milhões de seres que não sabem nada! Meu Deus pense! Conclua tua… infâmia. Apesar de tudo ainda te lembro que és um assassino. Mata a esperança. Centenas de gerações virão depois de nós e cada uma destas milhares de milhões de pessoas te amaldiçoarão e o desprezarão.
O Professor aperta os botões e bate no gancho, mas a voz não se cala.
- Seguramente não está se importando agora com o que estou dizendo. Se sente dono da situação e não compreende nada… não desligue o telefone! Ouve o que tenho a lhe dizer, pois estou falando com você. O cárcere não é o pior que te espera. Você mesmo nunca irá se perdoar. Eu sei, já o vejo enforcado na cela, com os próprios suspensórios.
O Professor desliga o telefone com um golpe e permanece um tempo parado, sem se virar.

- A conversa foi divertida – comenta o Stalker e bebe um trago da garrafa.
- Não liguem para isso – diz o Professor – Foi simplesmente uma conversa com um colega.

Senta-se na mesa e toma a garrafa das mãos do Stalker. Examina o rótulo.
–Vamos meus amigos, bebam e descansem – diz o Stalker – bebam, pois nos falta um último trecho apenas. Se vira para o Escritor. – Bem, e tu? Por que se calou? O que queria me dizer?
- Não estou mais desgostoso. Por incrível que pareça – responde o Escritor. Ouça, é verdade que estamos a dois passos do lugar?
- Não exatamente dois passos de verdade, diria que estamos perto.
Um longo silêncio. Depois o Escritor diz:
- Sabem de uma coisa? Fizemos mal em vir até aqui. Que diabo! Não pensei que fosse assim. Não seguirei adiante.
- Como não seguirá? Pergunta o Stalker.
- Não irei. Vocês vão e eu os espero aqui. Os receberei quando voltarem felizes e contentes…
- Não camarada, isso não!
- Por quê? Tem outro túnel? Pergunta o Escritor com malícia. - Deixe que o Professor o prove. Ele se importa.
- Que? Que besteira está falando?
- Não importa a besteira de que falo. O que importa é que não seguirei em frente. Se dependesse de mim, vocês também não… como os qualificou o Professor? Benfeitores? Tampouco lhes deixaria ir.
- Que está dizendo? Ficou louco? Faltam só dois passos…
- O importante não é o que falta, mas sim o que percorremos! Está quase gritando – Nos divertimos bastante! E chegamos aqui!
- Aonde você chegou? Pergunta o Stalker com a voz rouca de ódio.
- Eu? Me diga você por que o Raposa se enforcou?
- Por que ele não foi ao lugar pela riqueza, mas pelo irmão menor.
- Por seu irmão?
- Foi. Ele o havia levado consigo para a Zona e em algum momento, ele trocou de lugar com ele. Muito tempo depois, quando velho, ficou com dor na consciência, voltou ao lugar de novo para restaurar a vida do irmão. Mas quando chegou ao lugar, de novo cedeu à cobiça e em vez do irmão quis mais dinheiro. Entende?
- Magnífico – disse o Escritor – Era o que eu pensava. Mas me explique o seguinte, por que ele se pendurou? Por que não voltou ao lugar denovo e desta vez pelo irmão? Ein?
- Isso eu também não sei, disse o Stalker sombrio.
- Pois eu sei. E eu também sei por que se enforcou. Ao Raposa o que é do Raposa e só do Raposa e de ninguém mais. Você mesmo me disse que neste lugar se realizam os desejos mais secretos. E o que ele gritou? Quero recuperar meu único irmão, quero a felicidade para todos os seres humanos, me dê inspiração! Neste lugar se realizam aqueles desejos que são da tua natureza, o essencial para você. Desejos que você sequer tem idéia, que te dominam e te guiam pela vida. Foi isso que aconteceu com o Raposa. Tu, meu anjo, não entendeu nada. Não foi a cobiça que o venceu. Ele ficou de joelhos naquele lugar e suplicou pela sua alma, como lhe parecia ser o certo a fazer, com toda sua consciência enferma, pediu que lhe devolvessem o irmão, mas recebeu um monte de dinheiro e não podia receber nada mais do que isso, por que ao Raposa o que é do Raposa. Por que a consciência, a tortura da sua alma são uma ficção, uma invenção da mente. Quando ele entendeu isso, se enforcou.


FIM DA QUARTA PARTE

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

HobbitCon 2009


Dias 10 a 12 de outubro de 2009, no Rio de Janeiro.

Programação:

- Oficinas de Origami, Construção de Cota de Malha, e Escrita Tengwar;

- Palestra de Reinaldo “Imrahil” Lopes abordando a influência religiosa sobre Tolkien e seu trabalho;

- Palestra de Luciano “Senhor dos Nove” Bastos apresentando as influências da obra do Professor sobre o universo de jogos de RPG e Card;

- Mesa Redonda coordenada pela escritora Rosana Rios, com a presença do autor e tradutor André Muniz de Moura e do pesquisador João “Mandos” Uberti. A mesa-redonda abordará o tema “Da Terra-média ao Picapau Amarelo: universos fantásticos e espaços de fantasia”;

- Quiz Valinor e o tradicional Concurso de Fantasias, ambos com premiação;

- Exposição de Memorabília com miiaturas, bonecos, livros, posters e outros objetos relacionados ao Senhor dos Anéis;

- Mesas de venda e estades com Conselho Branco Sociedade Tolkien, Valinor, Conselho Jedi, Academia da Frota Estelar, Gibilândia (Tauri Classics) e outros;

- Mini-curso de Desenho com o artista plástico brasileiro Douglas Costa, que também terá uma exposição de seus trabalhos de temática tolkieniana.

- Slide-show e sessão de autógrafos com o ilustrador canadense Ted Nasmith. Nasmith é conhecido mundialmente por suas imagens que retratam o universo tolkieniano.


Para os viajantes de outros estados, informações sobre caravanas (ou como montar uma) estão disponíveis no site oficial da HobbitCon 2009 .

A Comissão Organizadora ainda está buscando pessoas dispostas a trabalhar no evento como voluntários em diversas áreas. Aqueles que tiverem interesse evem escrever para o e-mail voluntariohc2009@gmail.com.

A HobbitCon 2009 é uma realização do Conselho Branco Sociedade Tolkien, através da Toca RJ, e tem parceria com SESC Rio de Janeiro, Image Power, Dúvendor, Valinor, Conselho Jedi e Frota Estelar (AFERJ).

O ingresso para o dia 10 custará R$ 8 e parte da renda arrecadada será revertida para a compra e alimentos para pessoas de baixa renda.

HOBBITCON 2009 – Dia 10/10: SESC Copacabana: rua Domingos Ferreira 160.
Das 9:30 às 17:30h. Ingresso R$ 8 - Crianças até 5 anos não pagam.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Sete Belezas da Ficção Científica



O autor é crítico literário, com vários trabalhos publicados, principalmente sobre o cyberpunk.
A.B.L.


Assim como ser enforcado, ensinar cursos introdutórios de FC para estudantes da graduação foca a mente maravilhosamente.

Mesmo em pequenos seminários, não há muito espaço no programa para os teoristas importantes e historiadores do gênero.

Enquanto Suvin e Malmgren, Rose e Franklin, Lefanu e Bukatman podem fazer a lista de "Realidade Recomendada", eu acredito que o foco central têm de ser em textos modelares que servem à múltiplos propósitos simultaneamente. A maioria dos estudantes vêm para um curso introdutório de FC, porque eles experimentaram o sensassombro e gostariam de ter um pouco mais.

Uma classe típica na DePauw (onde, misericordiosamente, eu raramente tenho mais de 20-25 estudantes por classe) incluirá grandes vanguardistas e politécnicos, mas só muito raramente maiorais da literatura. Meu propósito é prover filmes e textos literários que satisfaçam o desejo por imaginação extravagante e as ferramentas para refletir sobre eles. Pelo fim do curso, eu espero que meus estudantes sejam capazes de discutir certas idéias - o sublime, a inovação histórica (o novum), o modo como os alienígenas são modelados a partir dos outros deste mundo, as mudanças culturais refletidas nas mudanças das preocupações do gênero - e para ligá-las à momentos específicos em textos específicos.

Assim, eu escolho meus textos não por sua significância histórica na história da FC, mas por sua riqueza como modelos: de fantasia, narrativa, utilização lingüística, crítica social.

Alguns dos textos que eu uso são A Máquina do Tempo, de Wells, Star Maker, de Stapledon, Nós, de Zamyatin, 1984 de Orwell, Frankenstein de Shelley, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Stevenson, Um Cântico para Leibowitz, de Miller, A Mão Esquerda da Escuridão, de Le Guinn (ocasionalmente Lathe of Heaven), The Female Man, de Russ, A Scanner Darkly de Dick (ou O Homem do Castelo Alto), Solaris, de Lem, Roadside Picnic de Strugatsky (e Stalker, de Tarkovsky), Neuromancer, de Gibson, The Girl Who Was Plugged In, de Tiptree, The Embedding, de Watson, Hyperion de Simmons, Red Mars de Robinson; filmes, além do anteriormente mencionado Stalker, incluem O Planeta Proibido, O Enigma de Outro Mundo, Metrópolis, 2001, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T.- O Extraterrestre, Alien - O Oitavo Passageiro, Blade Runner - O Caçador de Andróides, Videodrome, O Exterminador do Futuro I e II, isto é, os suspeitos usuais.

Uma lista real de textos varia de ano para ano, dependendo da disponibilidade dos livros e de meus próprios interesses.

Deve ser evidente por esta lista que eu pego a estrada "superior". Existem poucos textos aqui que têm o que Bruce Sterling chama de "virtude do gênero". Eles estão todos na linha divisória entre o gênero ficção e a alegoria/parábola literária, e eu não teria quaisquer escrúpulos de incluí-los numa lista de trabalhos "gerais" de ficção.

Talvez haja espaço para um curso do tipo "indispensáveis" (pulp-para-riqueza-cultural), num programa de artes liberal. Mas, a vida é curta, e a maioria dos estudantes não têm a energia ou o tempo para lerem trabalhos sérios de nenhum tipo, depois que deixam a universidade e tomam seu lugar na cadeia da escravidão salarial.

O tempo para ensinar o conteúdo indispensável é de quatro anos de universidade. Meus textos de FC devem também apresentar aos estudantes, importantes idéias filosóficas, sociais e literárias, que eles podem não encontrar em qualquer outro lugar, dado o estado da educação superior contemporânea.

Na primeira aula, eu dou aos estudantes a seguinte nota:

O QUE FAZ DA FICÇÃO CIENTÍFICA FICÇÃO CIENTÍFICA?
(Algumas hipóteses - verifiquem-nas)

1 - Neologismos - palavras inventadas, destinadas à se referir à imaginárias "novas realidades".

2 - Novums (ou nova, do latim para "coisas novas") - invenções imaginárias, descobertas ou aplicações que mudarão o curso da história. (Por exemplo, hiperdrive, viagem no tempo, viagem-mais-rápida-que-a-luz, clonagem, computação de interface neural, consciência artificial, ciborgues.)

3 - Extrapolação histórica/futurismo histórico - explicações históricas lógicas (explícitas ou implícitas) sobre como fomos do tempo real presente do autor para o futuro. Isto pode se aplicar ao desenvolvimento de uma tecnologia, uma sociedade, ou ao troço todo. O presente é descrito como a pré-história do futuro. (Em outras palavras, explicações sobrenaturais estão descartadas; assim como a descrição de um mundo sem conexão com a Terra humana.)

4 - Oxímoro - em algum lugar no núcleo do conto há uma contradição lógica absurda, ao menos visto da perspectiva do senso comum atual. Este oxímoro pode ser espetacularmente interessante. Alguns escritores enfatizam-no, alguns escritores o mantém em segundo plano. (Viagem no tempo é o mais óbvio; um universo alternativo é outro exemplo.)
N. do T.: um oxímoro é uma expressão que contém um paradoxo, como, por exemplo, "luz negra", ou "ruído surdo".

5 - Impertinência científica (relacionado ao oxímoro) - contos de FC (mesmo aqueles escritos por cientistas escrupulosos) geralmente violam em algum ponto leis científicas atualmente conhecidas. O propósito não é o de criticar o conhecimento científico atual (apesar de que se possa entrar nisso), mas de criar situações dramáticas misteriosas, sublimes, cômicas, ou metafisicamente intrigantes.

6 - Cronotópios sublimes - cronotópio vêm das palavras gregas para espaço e tempo; um cronotópio é um "espaço-tempo" literário onde as coisas ficcionais funcionam de acordo com suas leis particulares de tempo e espaço. Os trabalhos de FC geralmente descrevem um ou mais cronotópios especiais, que são admiravelmente estranhos e no fim das contas, chocantemente vastos e poderosos. (Por exemplo: ciberespaço, "A Galáxia", "o cérebro", planetas alienígenas, Terras futuras.)

7 - Parábola - qualquer que seja o conteúdo científico e a extrapolação histórica de um conto de FC, ele é construído na forma de uma parábola literária. A ciência e a tecnologia são veículos para contos morais; a moral pode ter muito que ver com a ciência e tecnologia, mas ela não provêm da ciência e tecnologia.

Não é meu hábito em outros cursos de literatura, começar com listas de tipos, mas a lista de FC têm se provado útil. Eu previno meus estudantes de que existem provavelmente poucos trabalhos que marcarão positivo em todas as Sete Belezas, o que lhes deixa margem considerável para investigarem os textos.

Eu estou certo de que as Sete Belezas podem ser criticadas.
Elas não formam um sistema de categorias logicamente integradas. Eu não forneço uma explicação teórica para elas em minhas classes. É uma lista pragmática, a qual inspira estudantes à fazerem buscas como jogos, e também a refletir sobre certos conceitos desafiantes. De que modo a viagem mais rápida que a luz poderia mudar a história? Por quê o ciberespaço de Gibson têm uma perspectiva sublime? Por quê os escritores de FC (mesmo os cientistas) violam alegremente as convenções da ciência? Qual é a conexão existente entre a linguagem e o modo como as pessoas percebem o mundo?

Das Sete há, provavelmente (no momento, ao menos), pequena discordância sobre as três primeiras.

Embora Suvin tenha parado completamente com a extrapolação (1), não é difícil mostrar que extrapolação e analogia estão inextricavelmente entrelaçadas, como Leste e Oeste, metonímia e metáfora, Balzac e Stendhal, Miles e Coltrane. Extrapolações históricas são feitas através de analogias. Somente certos modelos de mudanças históricas serão usados para projetar uma linha de desenvolvimento para o futuro. Inversamente, uma analogia sócio-histórica é uma forma de projeção simulada, o mapeamento de uma estrutura em outra, de um espaço-tempo para outro. Enquanto houver um ambiente concreto com objetos e códigos socialmente significantes, a analogia assume que o leitor imaginará algum processo através do qual os objetos da realidade dele ou dela transformam-se naqueles do mundo da analogia.

Quando o ambiente é deliberadamente isolado da realidade do leitor, seus objetos perdem sua significância social e ganham qualidades "mágicas", essenciais, putativamente não-históricas. Quanto mais pura (isto é, menos extrapolativa) fôr a analogia, mais próxima da fantasia ela é.

Oxímoros e impertinência científica podem requerer alguma justificação. Eric Rabkin e mais recentemente Timo Siivonen (2), trouxeram à baila que há algo inerentemente oxomorônico sobre a FC - ela mistura categorias-domínios sociais, culturais e ontológicos como eventos inevitáveis. Em termos básicos, a FC assume que todos os aspectos da experiência podem eventualmente ser compreendidos e talvez mesmo manipulados por mentes humanas operando de acordo com regras "racionais".

A racionalidade putativa não é a racionalidade do presente, visto que (fiel às ambições humanísticas da ciência) uma das expectativas fundamentais da visão de mundo do Iluminismo científico é que a mente dos seres humanos se "expanda" à medida que eles aumentam seu conhecimento e seus poderes de manipulação.

Esta expansão leva ao entendimento do que será plenamente racional naquele tempo futuro, mas em termos das presentes limitações da consciência, parecem paradoxais, oximorônicas, ou absurdas. Alguns textos de FC jogarão com isso no nível temático (como quando "homens" se tornam como "deuses"), enquanto que outros assumem que este é o dispositivo básico da FC e o usam para criar mundos oximorônicos detalhados (como o cyberpunk).

A impertinência científica é talvez a única outra categoria, que eu não tenho visto sendo trabalhada em qualquer outro lugar, embora esteja implícita em muitos trabalhos de escritores e críticos.

Sua presunção é que a FC é inerentemente e essencialmente lúdica, e por isso, não-científica, que o objetivo do escritor de FC é brincar com a ciência e os conceitos lógicos, mas de um jeito que assevere a liberdade do escritor (e do leitor) em relação a um universo material. A FC dos quadrinhos é inerentemente impertinente.

É difícil chamar de sátiras os grandes trabalhos de FC em quadrinhos, visto que suas piadas são feitas à custa de ficções realísticas e quase-realísticas (como a FC) do uso de truques narrativos, lógica e cientificamente justificados. Todas as explicações científicas para fenômenos-FC são formas de algaravia inspirada, mesmo aquelas explicações cara-de-pau sublimes, como as comunicações taquiônicas do Timescape de Benford, ou os nanotelos Teilhardianos de Blood Music, de Bear.

O status privilegiado do cientista louco, dos "mcgyvers", e dos avançados interlocutores alienígenas, é um sinal claro de que a ciência praticada por nossos cientistas normais, pertinente como ela é, é um assunto sem graça.

Cronotópios sublimes são quase idênticos ao que Delany chama de paraespaços (3). Eu acrescentei à idéia de Delany somente o ponto de que na FC, cronotópios sublimes são dialeticamente relacionados ao espaço comum, o senso burguês compartilhado de tempo-espaço, material, imanente, realisticamente concebido.

Assim como o espaço comum é descrito ou evocado em termos familiares, ou mesmo opressivamente confinantes, assim o cronotópio paraespacial é descrito em termos sublimes. Esta sublimidade é freqüentemente óbvia e física, mas ela também pode ser conceitual, na concretização de certos enigmas filosóficos.

A categoria final, parábola, é também razoavelmente óbvia, embora as pessoas possam divergir sobre qual a importância que desejam atribuir à ela (o que é verdadeiro para todas as Belezas em questão). Incluindo-a por último, eu não quero dizer que esta é a essência da FC, e a mais importante e inclusiva categoria.

Nenhuma destas categorias é específica da FC, exceto talvez a novum. Contudo, o romance de produção socialista, especialmente em sua variedade stalinista, usa o novum tecnológico como um transformador da história, em termos de não-FC; deste modo, uma barragem ou um dínamo podem ter o mesmo papel estrutural que uma máquina do tempo ou uma espaçonave interestelar.

Além disso, em algumas situações, truques de FC são basicamente considerados ciência de verdade - o exemplo mais extremo sendo o Lysenkoísmo, um tema carinhosamente ridicularizado pelos irmãos Strugatsky, mas prenunciado na sátira de Swift à Royal Society. (4)


NOTAS:

1 - Darko Suvin, "Goodbye to Extrapolation", SFS 22:301, nº 66, Julho de 1995.
2 - Eric Rabkin, "Undecideability and Oxymoronism," Fiction 2000, ed. George Slusser e Tom Shippey (Athens: U Georgia P), 262-78; Timo Siivonen, "Cyborgs and Generic Oxymorons: The Body and Technology in William Gibson's Cyberspace Trilogy," SFS 23:227-44, nº 69, Julho de 1996.
3 - Samuel R. Delany. Silent Interviews (Hanover, NH: University Press of New England, 1994), 168.
4 - Referência à uma teoria contra-científica sobre a evolução das espécies, defendida durante o período stalinista por Trofim Denisovich Lysenko, e que rejeitava cabalmente o darwinismo.



Istvan Csicsery-Ronay, Jr. - Science Fiction Studies Nº 70 (NOV/1996) Traduzido por Alexis B. Lemos

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Science Fiction Cinema - Between Fantasy and Reality


Acknowledgements and Thanks
Preface
List of Illustrations

1. Introduction: The Formation of the Genre
Definitions and Approaches
Traditions, Forerunners and Science Fiction Films
Interview: Writer Brian Aldiss
Interview: Writer William Gibson

2. Science Fiction Films in the 1950s
Fathers, Sons and Alien Visitations
Romantic Encounters
Daddy’s Girl
Outside Influences
Interview: Actor Billy Gray

3. Spaced Out: Between the ‘Golden Years’
The Odyssey Begins
New Worlds and Old Worlds
Interview: Director Ken Russell

4. The Masculine Subject of Science Fiction in the 1980s
Blockbuster Era
The Family Films
The 1980s Cyborg Film
Science Fiction and the Global Film Market
Interview: Director Paul Verhoeven

5. Gender Blending and the Feminine Subject in Science Fiction Film
Horror and the Female Subject of Science Fiction as ‘Composite’Being
Replicating the Femme Fatale
Beyond the Femme Fatale
Mind over Matter
Female Hero Meets Femme Fatale
Interview: Director Paul Verhoeven (Part 2)

6. Alien Others: Race and the Science Fiction Film
Representations of ‘Blackness’ in Science Fiction of the 1960s and 1970s
The African American Alien in 1980s Science Fiction Film
Issues of Authenticity in the 1990s Virtual Reality Film
The Asian American and the ‘Oriental’
The ‘Oriental’ in the Euro-American Science Fiction Film
Interview: Actor Joe Morton

7. Generic Performance and Science Fiction Cinema
Externalising Performance
Internalising Performance
Interview: Actor Dean Norris

8. Conclusion: The Technology of Science Fiction Cinema
Computer Graphics Imagery and Contemporary Science Fiction
Interview: Special Effects Technician Stan Winston
Interview: Director Roland Emmerich

Bibliography
Films Cited
Index

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Brasil como Cenário Fantástico e lançamento do livro DIMENSÕES.BR


Mesa-redonda sobre literatura fantástica marca lançamento do livro Dimensões.BR

A Andross Editora promove, no dia 03 de outubro, às 15h, a mesa-redonda O Brasil como Cenário Fantástico, com os escritores Roberto de Sousa Causo e Helena Gomes, e mediação de Silvio Alexandre.

O evento, que será realizado na Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, é gratuito e marca o lançamento da antologia Dimensões.BR - Contos de Literatura Fantástica no Brasil, que reúne 56 contos de autores novos e veteranos.

A programação segue, às 16h, com a leitura dramática de cinco contos da coletânea, com a intérprete Cristiana Gimenes. Às 17h, está prevista a sessão de autógrafos com os autores.

“Na concepção do livro, nossa idéia era apresentar histórias com diferentes elementos fantásticos, mas que acontecessem exclusivamente em território brasileiro”, explica o editor da Andross, Edson Rossatto.

A organização de Dimensões.BR foi feita pela escritora Helena Gomes, que analisou pouco mais de 260 contos durante sete meses para chegar aos 56 selecionados. Há escritores de vários estados brasileiros. A antologia traz ainda a participação especial do autor de thrillers nacionais, Luis Eduardo Matta, e da premiada escritora Rosana Rios, com vinte anos de carreira e mais de cem livros publicados.

A Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa fica na Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, em São Paulo.






Programação do evento de lançamento

Data: 03 de outubro de 2009, das 15 às 20 horas

Local: Biblioteca Viriato Correa de Literatura Fantástica - R. Sena Madureira, 298, Vl. Mariana, São Paulo, SP - Tel: 11 5573-4017 Mapa


15h00min : MESA- REDONDA "O BRASIL COMO CENÁRIO FANTÁSTICO"
Mediação:

Silvio Alexandre
É idealizador e organizador do Fantasticon — Simpósio de Literatura Fantástica. É também um dos curadores do prêmio HQMIX, além de atuar como editor de livros.
Contato: silvio.a@bn.com.br

Integrantes:
Roberto de Souza Causo
É escritor e pesquisador de ficção científica. Desde muito jovem vem colaborando com fanzines e revistas nacionais e estrangeiras de ficção científica e fantasia, tendo seus trabalhos publicados na Argentina, Brasil, Canadá, China, Finlândia, França, Grécia, Portugal, República Checa e Rússia. É correspondente brasileiro da publicação norte-americana Locus e mantém uma coluna no site Terra Magazine. Entre seus livros estão A Dança das Sombras (Editora Caminho), Terra Verde (Editora Cone Sul), A Sombra dos Homens e A Corrida do Rinoceronte (Devir). Autor do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil: 1875 a 1950 (UFMG).
Contato: rscauso@yahoo.com.br

Helena Gomes
É jornalista, professora universitária e autora dos livros Assassinato na Biblioteca, Lobo Alpha, Código Criatura, Kimaera – Dois mundos e do infantil Nanquim – Memórias de um cachorro, da Pet Terapia, além da saga A Caverna de Cristais. É co-organizadora da antologia Anno Domini – Manuscritos Medievais, da Andross Editora. Expõe suas obras no site http://mundonergal.blogspot.com.
Contato: helena@andross.com.br


16h00min : LEITURA DRAMÁTICA DE CONTOS DO LIVRO DIMENSÕES.BR

Intérprete:

Cristiana Gimenes
Formada em Artes Cênicas pela Unicamp, é contadora de histórias e faz parte da Cia Em Cena Ser. Recentemente compôs o espetáculo Histórias de Terror de Edgar Allan Poe (O Sepultamento Prematuro e O Poço e o Pêndulo). Recebeu menção honrosa no concurso Feminina Dramaturgia 2007, promovido pelo Núcleo 184 com o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro, com o texto infantil inédito O Enigma da Família Astolfo. É co-autora e adaptadora de diversos espetáculos, contações e intervenções desenvolvidas pelos grupos de teatro com os quais trabalhou. Contato: cristiana@andross.com.br

Sinopse: Cinco contos publicados no livro Dimensões.BR serão interpretados no palco por Cristiana Gimenes.



17h00min : LANÇAMENTO DO LIVRO DIMENSÕES.BR
Sinopse: Em coquetel promovido pela Andross Editora, os autores do livro DIMENSÕES.BR se disponibilizarão para dedicatórias aos convidados.

domingo, 27 de setembro de 2009

Alive in Joburg



Em 2005, o diretor de cinema Neill Blomkamp lançava um curta chamado Alive in Joburg.

O sucesso de crítica e junto ao público, favoreceu ao diretor conseguir um contrato (Sony Pictures) e verba necessária para dirigir o badalado longa District 9, uma clara metáfora ao racismo, utilizando de elementos da Ficção Científica.

Não foi a única incursão de Neill no gênero. No ano seguinte ele filmaria um curta, Tempbot, uma análise sensível em imagens, sobre a relação amorosa entre um estágiário robô e uma colega de escritório

Neill, que nasceu na África do Sul, é documentarista e possui na sua carreira, trabalhos de boa repercussão em festivais, sempre explorando as diferenças, os contrastes entre raças (alienígenas e humanos, negros e brancos), ou de poder (ricos e pobres, patrões e empregados) ou mesmo na mescla de foto-realismo e imagens computadorizadas.

A história de Alive in Joburg se passa nos anos 90 em Johannesburg, lar para refugiados extraterrestres cujas naves imensas (mais de um quilômetro de diâmetro) pairam sobre a cidade.

Ao chegarem em nosso planeta, os visitantes foram bem recebidos e foi permitido que eles (usando bio-trajes) vivessem entre as pessoas. No entanto, pouco a pouco, os extraterrestres foram levados para outras partes da cidade, começaram a cometer crimes para sobreviver e frequentemente acabavam entrando em choque com a polícia.

Em tom de documentário (especialidade do diretor), o filme mostra através de flashes jornalísticos e cenas de rua no estilo câmera-na-mão, a tensão crescente entre humanos e visitantes, principalmente quando se descobre que uma das naves está roubando energia da cidade.

Fica evidente, através das entrevistas, que os visitantes trabalham em sua maioria, quase como escravos e que foram forçados a viver sob péssimas condições. Como o Apartheid ainda existia, os visitantes vivem entre a população negra oprimida.

Uma bela fábula-filme que nos convida a refletir, além de um apelo à compaixão.





Murray Leinster


William Fitzgerald Jenkins (16 de Julho de 1896 - 8 de Junho de 1975) nasceu em Norfolk, Virgínia (EUA).

William serviu durante as duas guerras mundiais no Comitê de Informação do Exército, mas foi ao final da primeira que ele se tornou escritor free-lancer, adotando o pseudônimo.

Os primeiros trabalhos de Leinster apareceram em revistas populares, como Weird Tales e posteriormente tornou-se um nome constante na Astounding Stories, já nos anos 30.
Escreveu também com outros pseudônimos, como Will Fitzgerald e Will F. Jenkins.

Leinster foi um escritor prolífico, de prosa fácil e admirado por sua versatilidade, escrevendo em diversoss gêneros, como western, mistério e terror, mas foi com a Ficção Científica, que ganhou fama.

Leinster escreveu e publicou mais de 1.500 contos e artigos ao longo de sua carreira. Escreveu roteiro para mais de dez filmes e diversas peças para rádio e séries de televisão, incluindo Land of the Giants (Terra de Gigantes) e Time Tunnel (O Túnel do Tempo).

Suas ideias influenciaram escritores como Isaac Asimov.

É creditado a Leinster a popularização do tema 'universos paralelos'.
Quatro anos antes de 'The Legion of Time', de Jack Williamson, Leinster escrevera 'Sidewise in Time', publicado pela primeira vez em 1934, na Astounding Stories. Esta foi provavelmente, a primeira vez que o estranho conceito de mundos alternativos foi explorado pela Ficção Científica.

No conto 'A logic called Joe' de 1946, Leinster descreve o primeiro computador pessoal.

No ano 2000 os herdeiros de Leinster processaram os Estúdios Paramount por considerarem que o filme Star Trek:First Contact se utilizava do título 'First Contact', um dos contos mais conhecidos de Murray Leinster. A corte americana negou o direito sobre a expressão, considerando que, apesar de Leinster ter sido o primeiro a usar este termo, ele se tornara um termo genérico dentro da FC, para descrever o primeiro encontro do homem com espécies alienígenas.


Murray Leinster (Ataque desde la cuarta dimension, Four from planet Five, El doctor de las estrellas, El planeta disierto, Guerra a los Djinns, Inspector Colonial, Proxima Centauri, Nobody saw the Ship, Space Plataform, Operacion terror, Punto del control Lambda, A logic named Joe, Get off my world, Keyhole, Pipeline to Pluto, Symbiosis, The duplicators, The ethical equations, The fourth dimensional demonstration, The lonely planet, The mad planet, The pirates of Zan, The wailing asteroid, Tallen three, Exploration team, First Contact, From beyond the stars, Invaders of Space, Med Ship, Morale, Nightmare planet, Planet of sand, Planets of adventure, Propagandist, Second Landing, Sidewise in Time, Space tug, The Aliens, The best of Murray Leinster, The boomerang Circuit, The Corianis disaster, The gadge had a ghost, The Mole pirate, The mutant weapon, The nameless something, The fifth dimensional catapult, Time Tunnel ) [ Download ]

sábado, 26 de setembro de 2009

Stalker (A máquina dos desejos) - Parte 3 de 6


TERCEIRA PARTE


O Stalker abre os olhos.
Permanece deitado por um pouco, ouvindo com atenção.
Logo se levanta e sai da sombra e para junto ao Professor e ao Escritor que estão dormindo. Os examina com cuidado, primeiro um e depois o outro. Sua expressão é concentrada e parece medir-los, finalmente mordendo o lábio inferior, ordena em voz baixa:
- De pé!

A estreita ravina entre as colinas está cheia de um liquido viscoso e turvo.
Seguem por um terreno pantanoso e podre. Sobre a superficie da água vê-se uma névoa repulsiva. O Stalker vai à frente com o Escritor e o Professor ao final. Respiram com dificuldade, vê-se que estão exaustos.

Derrepente o Stalker para como se tivesse tropeçado em um obstáculo invisível. Parece preso ao chão e move a cabeça cheirando o ar.
O Escritor se detém ao lado e apoia-se num bastão, percebe algo errado.
- O que se passa? Pergunta.
- Silêncio! Disse com a voz baixa o Stalker

Faz um movimento como se fosse andar, mas está imóvel no mesmo lugar. Mete a mão no bolsinho e puxa uma arruela, vai lançá-la mas não se decide. A arruela cai ao chão. Seu rosto lívido está banhado de suor.

- Se não for isso... sussurra.
Retrocede abrindo os braços. Depois sem olhar, pega o bastão do Escritor e o afunda ao pântano junto ao seu pé.
- Por aqui será mais seguro... venham, sigam-me!
Avançam com cuidado, afundando até os joelhos quase.
- Pra que? Pergunta o Escritor aborrecido e cansado.
O Stalker não responde, tateando o caminho com a vara, ele vai se afastando da parte seca.

Em meio à névoa, com água na cintura, caminham com dificuldade, caindo e se levantando, submergindo e voltando à tona cuspindo e tossindo. Não podem parar, pois o pântano os engoliria.

Subitamente o Professor afunda até a altura do pescoço, se esforça para sair, mas não consegue.
- Socorro! Grita com suas últimas forças.
O Stalker se vira. Seu semblante reflete sincero horror.
- Aonde pensa que vai? Grita com a voz rouca e avança para o Professor – A mochila! A mochila!
O Professor faz um movimento com a cabeça ainda na superfície.
- O bastão! Dê-me o bastão! Grita afônico.
-Tire a mochila!
- Largue da mochila, seu idiota! Grita o Escritor igualmente impotente preso ao pântano.
- O bas... - a cabeça do Professor afunda e reaparece e ele ruge – Me dá o bastão seu imbecil!
Tenta agarrar-se ao bastão estendido e falha, por fim o encontra e o segura com as duas mãos.
É então puxado para a parte seca.

- Você ia direto pro fundo, feito uma pedra, grita com ele o Stalker – E me levaria com você.
O Escritor havia sido deixado sozinho, arrastando-se pelo pântano, sem largar a mochila.
- Não devia ter nos metido ali, argumenta o Professor.
- A você não importa onde decido meter-nos.
- Pois a mochila também pouco te importa!
- O que leva dentro dela? Um tesouro? Levantou a voz o escritor, mas o Professor fingiu não o ouvir.
- Parece mentira! Estávamos indo por um caminho plano e seco, e derrepente você cisma em nos enfiar nesta... latrina!
- O olfato me disse que deveríamos fazê-lo... entende? O olfato!
- Que olfato!
- Quatro olhos imbecil! O Stalker bate em seus joelhos e pedaços de barro seco caem.
- Meus olhos não são da sua conta! E basta! Uma besteira atrás da outra...
- Não é besteira! Eu devia te bater com este cajado! Me dá a garrafa… por causa de calças secas esteve a ponto de ir para outro mundo.
- Que calças? Perguntou o Escritor.
- Não é o que ele leva na mochila? Ou seria comida?
- O que levo na mochila não importa! Eu não podia me libertar, não podia! Teria me afogado antes de largar a mochila, maldito seja!
- Bom, já basta! O Stalker se levantou e tomando a frente, escrutinou o caminho – Onde viemos parar? Não conheço este lugar! Por que o canalha do Raposa não assinalou nada sobre este pântano... e tem algo ali... claro, pode ser que tenha aparecido depois dele...
- A propósito – deixou ouvir sua voz o Professor – O Raposa foi o único que chegou ao tal lugar?
- Não conheço outros.
- E quem tentou e não chegou lá? Perguntou de pronto o Escritor.
- Sei de alguns. Eu também não cheguei.
- E para que tentaram? Perguntou o Professor.
- Cada qual tinha seu sonho... Dinheiro principalmente, claro. Acha que não sei por que você está aqui? Quer que eu diga? Não te admitiram na expedição científica e você está aqui para provar que foi um equivoco! Quer resolver assuntos pessoais e fazer alguma descoberta que os deixe de queixo caídos. Que digam: Olha, o nosso Professor é realmente um homem importante! Vamos lhe dar um prêmio Nobel.
- Está bem... e você?
O Stalker calou-se contrariado.
- Tenho meus motivos... familiares.
- Como o Raposa? Perguntou baixinho o Professor.

O Stalker se virou bruscamente e o encarou, mas o Professor tinha os olhos cerrados, os braços cruzados sobre o peito.
- Não me compare com ele! Disse o Stalker em tom ameaçador – Você não o conhece, nunca o viu e nem me conhece. Não há como comparar.
- Não sabe de nada, disse o Professor sem abrir os olhos.
- Deixe-o, está bem – disse irritado o Escritor –...fique com seu ‘não sabe nada de nada’. Não sabe nem o que é o binômio de Newton. Motivos familiares... perdeu tudo nas corridas, não tem o que comer em casa, não quer trabalhar por que é um pobretão de nascimento... amigo das biritas e das cartas... e das mulheres, claro, um mendigo e uma bruxa pedindo dinheiro... e com um monte de filhos, uns bandidos que não saem da carceragem... 'não sabe nada de nada'...

Durante todo o discurso o Stalker ficara ruborizado, tentando dizer algo e interrompê-lo, mas sem poder. E quando o Escritor se calou então disse:
- Você... como pode falar assim de mim? O que sabe? Você é um escritor vagabundo e vendido à melhor oferta... deveria escrever nas paredes de banheiros, seu aproveitador... e da minha filha, o que você sabe? Nasceu inválida, sabe disso? É apenas uma criaturinha, mas a fazem sofrer porque é cega e anda com muletas! Tudo que eu trouxe da Zona gastei com médicos, que nunca prometeram cura alguma. Professores tão bons! Como você! Para que falar com você, imbecil!

Levantou-se bruscamente e saiu dali desaparecendo na névoa.

- Não devia ter dito isso – disse o Professor.
- Por quê? Me diga por quê? Tudo que ele disse foi mentira. Acabou de inventar!
- Não mesmo. Eu o conheço faz tempo. Sua biografia é de meter medo. Começou como Stalker ainda cedo, esteve várias vezes na prisão e só se deu mal na vida. E a sua filha é mesmo uma mutante, uma vitima da Zona, como dizem os jornais. Faz tempo que trabalhou no instituto, então...
- De todo jeito ele mente. Não se trata da filha. Falou da filha pela primeira vez. Mas os marginalizados não gostam de ser chamados assim. Precisam de ajuda, que lhes dêem de bandeja nobres sentimentos... o patrão diante do coitado, o trata com benevolência, mas volta para casa com um saco de dinheiro...
Faz uma pausa.

O Professor sorri sarcasticamente.
- Que volte com migalhas, mas já é uma fortuna. Que volte vivo, sorte dele. Que o alcance uma bala da patrulha, azar o dele. E tudo o destino...
- Que sabedoria desanimadora é essa?
- Folclore local. Você esquece sempre que estamos na Zona. Na Zona não se pode fazer movimentos bruscos, nem soltar expressões ásperas.
- Perdão, mas não gosto quando enchem de filosofia aquilo que é o mais elementar possível.
- Bom... mas você gosta de alguma coisa... de uma maneira geral?
- Gostava de escrever, mas agora não gosto de nada.
- Você nunca pensou no que vai acontecer com todas as pessoas que acreditam neste lugar para o qual estamos indo? Perguntou o Professor.
- Muitos acreditam que ele existe, mas como chegarão até lá?
- Chegarão meu amigo, chegarão. Um entre cada mil consegue chegar. Por que o raposa chegou... e o raposa não é o pior. Tem outros. Não precisam de ouro, nem tem assuntos familiares para tratar. Donos do mundo, meu caro! Rechaçaram o mundo inteiro à sua vontade, todos frustrados imperadores da Terra, grandes inquisidores, Fuhrers de todo o tipo, benfeitores e simpatizantes... Já pensou nisso?
- Francamente não, respondeu o Escritor.
- Pois pense. Estou inclinado a pensar nas histórias assustadoras que ocorrerão. Nas boas não, mas nas assustadoras sim...
O Escritor torceu a boca e olhou firme o Professor.
- Apesar de tudo você não compreende estas pessoas – disse ao fim – mais uma vez os filósofos de plantão. Claro, é possível que consigam refazer o mundo inteiro, mas na realidade não se importam com o mundo, tudo o que quer são as mulheres, aguardente e quanto mais dinheiro melhor... porque lhes falta imaginação Professor! Ou em último caso, desejarão que um automóvel atropele seu chefe. Compreende de onde saem todos estes Fuhrers? Mesmo que não goste de mulheres, ou não se importe com os críticos, ou tenha um bafo horroroso, você professor, vai se convencer disso quando chegar ao local, por que eu te conheço muito bem. Tem escrito na sua cara que pensa em fazer um bem monstruoso para toda a humanidade. Outro em meu lugar ficaria assustado com isso. Mas eu... vê? Estou tranquilo.
- Parece tranquilo – disse o professor – Sim. Você nos analisa com sua própria régua. Não sei se você seria um bom político ou sociólogo... Mas e você?
- Não se meta em meus assuntos. Para mim o mundo de vocês não vale um peido. Do mundo de vocês só me interessa um homem, este aqui – o Escritor aponta com o dedo para o próprio peito – Este homem não é o máximo? Está muito bem neste mundo, apesar de tudo tem assentado tijolos de ouro...
- Ouça – disse o Professor – Não se engane. Você mesmo disse que estava indo para lá em busca de inspiração, em busca de beleza e tranquilidade...
- Mas quando 'aquilo' souber quem eu sou, terei tranquilidade, inspiração e beleza...
- E se entender que você é uma porcaria? E se entender que você não só não fez bom uso de seus tijolinhos de ouro, mas que os roubou de outros? Que bela tranquilidade!
- Isso, meu querido Einstein, não é problema seu. Dedique-se por favor à salvar a sua humanidade, mas sem contar comigo.
- Sim, sim, eu compreendo. O que me preocupa é outra coisa. A mim me parece que você simplesmente quer que todos te deixem em paz, se possível para sempre.
- Palavras sábias.
- Todos e, portanto, você também – disse o Professor – por este motivo eu te peço que pense bem no porquê você está indo até aquele lugar. Pense bem! Por que existem milhares de milhões de seres que não tem culpa alguma por você ser um merda!

O Stalker volta.
- Chega de descansar! Andando!


FIM DA TERCEIRA PARTE

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Grimoire dos Vampiros



Eles querem seu sangue... E eles o terão...

Séculos de existência trouxeram mudanças, caminhos alternativos, pintaram o cenário para novas experiências... Mas no final tudo se resume a um único fato: sede! Inexorável e maldita, cortante e sufocante. Contra ela nem toda a força e invencibilidade faz diferença. A racionalidade se perde, o controle se esvai como areia fina entre dedos mortos... Apenas o instinto impera soberano e ditador. E os dentes brilham ao luar em satisfação antecipada.

Será uma questão de tempo até que eles alcancem você. E um único gesto selará seu destino: o momento em que abrir a primeira página deste grimoire sangrento. Inevitável como o dia e a noite, seres de olhos penetrantes o cercarão, ávidos para tocá-lo, ansiosos para sentir a pele, inebriados pelo cheiro... Famintos por seu sangue! Amores, paixões, desejos, bestialidade, violência e muito sangue escorrem das folhas desse tomo sobrenatural. São cinquenta histórias que o perseguirão desde a primeira leitura, cinquenta diferentes tipos de maldições postas sobre suas costas. Cinquenta tentativas de alcançar a jugular do leitor distraído ao menor sinal!

Arme-se com sua cruz, banhe-se na água benta e cerque-se pelo alho antes de abrir esse livro. Mas lembre-se: aqui você não enfrentará o conhecido. Não há certezas, ou garantias, de nada...



O Grimoire dos Vampiros. Antologia de contos vampirescos que a Editora Folha da Baixada está organizando para oferecer ao leitor. E a Editora tem a honra de convidar você, escritor parceiro, a participar de mais essa jornada, rumo ao fascinante mundo das criaturas sobrenaturais mais sensuais e intrigantes da história da humanidade.

Atreva-se a encarar esse desafio, afie seus dedos e escreva seu conto.

A eternidade o aguarda em nossas páginas.

EDITORA FOLHA DA BAIXADA


Organização da Antologia: Georgette Silen
Contatos: grimoiredosvampiros@gmail.com