segunda-feira, 26 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
Henry Kuttner e C.L.Moore
Catherine Lucille Moore (24 de Janeiro de 1911 - 4 de Abril de 1987) nasceu em Indianápolis, Indiana (EUA).
Catherine Lucille Moore ou C.L.Moore, é considerada uma desbravadora dentro dos gêneros Ficção Científica e Fantasia, pois através de seu trabalho, conquistou respeito dos leitores e da crítica, numa época em que nenhuma outra mulher escrevia estes gêneros. Leitora de revistas como Amazing Stories, Catherine resolveu mandar uma das suas próprias histórias (Shambleau) para a revista Weird Tales, que não só a comprou, como também propôs a Catherine, um contrato de publicação. Ao longo da década de 30, C.L.Moore passaria a ser um nome constante desta revista.
Henry Kuttner é considerado por muitos como um dos cinco maiores escritores de Ficção Científica e Fantasia da década de 40. Conseguia produzir brilhantes insights com seus personagens, valorizando o aspecto humano, sem menosprezar o aspecto tecnológico/fantástico. Seu estilo requintado levou um crítico a descrever suas histórias como 'uma espiadela em um santuário secreto através de uma janela'. Trabalhava como agente literário, antes de vender sua primeira história, "The Graveyard Rats", para a revista Weird Tales em 1936.
Neste mesmo ano, Kuttner escreveu uma carta para "o escritor C.L.Moore", declarando ser fã de seus contos, pensando se tratar de um homem. A troca de cartas entre eles, acabou levando ao casamento em 1940, e a partir daí, e ao longo dos 10 anos seguintes, Kuttner e Moore passariam a escrever em parceria. Neste período, se utilizaram de mais de 15 pseudônimos para publicar, sendo Lewis Padget e Laurence O'Donnel os mais utilizados.
Ambos fizeram parte do Lovecraft Circle (Círculo Lovecraft), um grupo de escritores fanáticos por H.P.Lovecraft e que se correspondiam através de cartas com este, e Kuttner acabaria tornando-se amigo de Lovecraft, assim como de Clark Ashton Smith, passando a contribuir frequentemente escrevendo sobre o mito Cthulhu.
Também escreviam para a televisão e peças para rádio-teatro.
Ao final da década de 50, ambos se sentindo exauridos, afastaram-se um pouco da literatura, dedicando-se a psicologia. Formaram-se na University of Southern California e a partir daí, seus escritos passaram a rarear.
Com a morte de Kuttner em 1958, vítima de um ataque do coração, Moore registraria seu nome em algumas obras solo, republicadas a partir dai, ainda escrevendo ou reescrevendo contos interrompidos e também para séries policiais e de mistério para TV.
Marion Zimmer Bradley está entre os autores que se declararam influenciados pela prosa de Kuttner, e Roger Zelazny já declarou que Dark World, de Kuttner e Moore, foi sua mais forte inspiração para escrever a série Amber.
Bradbury chamava Kuttner de 'O Mestre negligenciado' e dedicou um livro a ele, assim como Richard Matheson.
Henry Kuttner (Android, Call him demon, Cold War, Don't look now, Gallegher plus, Juke-box, Mimsy were the borogoves, Mutant, Private eye, Return to otherness, See you later, Sword of tomorrow, The best of Henry Kuttner I, The creature from beyond infinity, The dark World, The ego machine, The portal in the picture, The proud robot, The sky is falling, The time axis, The well of the worlds, This is the house, Valley of the flame, Vintage season, We guard the black planet, c/C.L.Moore Earth last citadel, Prisioner in the skul, Aureola, El twonky, La maquina ambidextra, Las ratas del cemeterio, Lo mejor de Henry Kuttner II, Los engendros de dagon, Clash by night, Two handed engine, El beso siniestro, El horror de Salem,El robot vanidoso) [ Download ]
C.L.Moore (Daemon, Fruit of knowledge, Greater than Gods, Julhi, Miracle in Three Dimensions, No woman born, Shambleau, Song in a minor key, The best of C L Moore, The black gods kiss, The cold gray God, The tree of life, Tryst in time ) [ Download ]
sábado, 24 de outubro de 2009
Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Introdução
Eu escrevi Pequeno Irmão em um ataque de fúria entre 7 de maio de 2007 e 2 de julho de 2007; exatamente oito semanas desde o dia em que comecei e o dia que terminei. (Alice, para quem o livro é dedicado, teve que me agüentar digitando o capitulo final às 5 da manhã em nosso hotel em Roma, onde celebrávamos nosso aniversário de casamento.)
Sempre sonhei com um livro assim, que se materializasse, pronto, saindo da ponta dos meus dedos, sem suor, sem sofrimento - mas não foi exatamente tão divertido quanto eu pensei que seria. Houve dias que escrevi 10.000 palavras, debruçado sobre meu teclado em aeroportos, em trens, em táxis - qualquer lugar que eu pudesse digitar.
O livro tentava sair da minha cabeça, não importando que para isso eu deixasse de dormir, perdesse refeições e que meus amigos começassem a perguntar se eu estava com problemas.
Quando meu pai era um jovem estudante universitário em 1960, ele era um dos poucos sujeitos da contracultura que pensava que os computadores eram algo de bom. Para a maioria dos jovens daquela época, os computadores representavam a desumanização da sociedade. Os estudantes da universidade seriam reduzidos a números em um cartão perfurado, onde estava escrito ‘Não curve, não fure, não dobre ou rasgue’, levando a alguns estudantes usarem um broche onde se lia ‘Sou um estudante, não curve, não fure, não dobre ou rasgue. ’ Computadores eram vistos como um meio para facilitar com que as autoridades dominassem o povo, fazendo-o obedecer às suas vontades.
Quando eu tinha 17 anos, o mundo parecia caminhar para ser mais livre. O muro de Berlin estava prestes a cair. Computadores - que tinha até então sido uma coisa de nerds esquisitos - estavam em toda parte e o modem que eu usava para me conectar com BBS (Bulletin board system) locais agora permitia que me conectasse com o mundo inteiro através da Internet e de serviços online como ‘GEnie’. Minha longa experiência de vida como um ativista sofreu uma aceleração absurda quando vi que o principal problema com o ativismo, a organização, estava se tornando mais fácil. (Ainda me lembro da primeira vez que passei a usar um banco de dados de mail-list ao invés dos endereços de correspondência escritos a mão). Na União Soviética as ferramentas de comunicação eram usadas para levar informação - e revolução - aos cantos mais distantes do maior estado autoritário que o planeta já viu.
Porém, 17 anos depois, as coisas estão bem diferentes. Os computadores estão sendo utilizados para nos espionar, nos controlar e nos espiar. A Agência de Segurança Nacional (NSA) tem ilegalmente usado grampos telefônicos para gravar todo o EUA e ainda o fazem. Companhias de aluguel de veículos, de transporte de massa e autoridades de trânsito observam nossos movimentos, agindo como delatores para bisbilhoteiros, policiais e bandidos que conseguem informações nossas através de acesso a bancos de dados.
A Administração de Segurança dos Transportes mantém uma lista de pessoas que, apesar de nunca terem sido presas por qualquer crime, são consideradas perigosas demais para voar. O conteúdo desta lista é secreto. A orientação que a criou é secreta. O critério para ser adicionado a esta lista é secreto. Nesta lista existem crianças de 4 anos, e senadores Americanos e veteranos condecorados - heróis de guerra.
Quem tem 17 anos hoje em dia, entende facilmente como um computador pode ser perigoso. Eles nasceram sob o pesadelo do autoritarismo dos anos 60. As sedutoras caixinhas sobre suas mesas e em seus bolsos acompanham cada movimento que fazem, os encurrala, sistematicamente os impede de alcançar a liberdade que eu gozei na minha juventude.
E tem mais: as crianças são claramente usadas como cobaias de um novo tipo de Estado tecnológico que está se aproximando, um mundo onde tirar uma foto será tanto pirataria (em um cinema, museu ou até mesmo na Starbucks) quanto terrorismo (em um espaço público), mas onde podemos ser fotografados, seguidos e catalogados centenas de vezes por dia por cada ditadorzinho, policial, burocrata e dono de loja. Um mundo em que qualquer medida, incluindo tortura, pode ser justificada apenas agitando as mãos e gritando ‘Terrorismo! 11/9! Terrorismo!’ até que todos aqueles que discordam sejam calados.
Não precisamos ir por este caminho.
Se você ama a sua liberdade, se você pensa que a privacidade dignifica a condição humana, luta pelo direito de ficar em paz, pelo direito de explorar suas idéias (por mais malucas que sejam) desde que não magoe outras pessoas, então você tem uma causa pela qual lutar, pelas crianças que têm seus web-browsers (navegadores) e celulares usados para prendê-los e segui-los por ai.
Se você acredita que podemos consertar o que está errado com diálogo - ao invés de censura - então você está no caminho certo.
Se você acredita em uma sociedade com leis, um lugar onde nossos legisladores precisam nos dizer as regras, e tem que seguir também estas leis, então você é parte da luta para que todas as crianças possam viver sob os mesmos direitos que os adultos.
Este livro tenciona ser parte da discussão sobre o significado de uma sociedade de informação: ela pressupõe o controle total ou a liberdade? Não se trata de um substantivo, mas de um verbo. Algo que você faz.
FAÇA ALGUMA COISA!
Este livro tem a intenção de ser algo que você possa fazer, não somente algo para ser lido.
A tecnologia que aparece neste livro é real ou quase. Você pode construí-la. Pode dividi-la com outros, e transformá-la (veja A COISA DOS DIREITOS AUTORAIS aí embaixo). Você pode usar as idéias para incendiar discussões importantes para acabar com a censura e ter uma Internet livre, mesmo que seu governo, seu patrão ou seu colégio não queiram.
FAÇA!
O pessoal do ‘Instructables’ criou alguns manuais sobre como construir a tecnologia neste livro. É fácil e muito divertido. Não há nada que recompense tanto no mundo quanto fazer coisas que tornam as pessoas mais livres. http://www.instructables.com/member/w1n5t0n/
Discussões: Há um manual do educador para este livro, que o meu editor, Tor compilou com toneladas de idéias para serem usadas na sala de aula, para ler em grupo e em discussões caseiras.
Combater a censura: O epílogo deste livro traz vários recursos para ampliar sua liberdade online, bloqueando bisbilhoteiros e impedindo bloqueio de conteúdo. Quanto mais gente souber disso, melhor.
SUAS HISTÓRIAS
Estou juntando histórias de pessoas que usaram a tecnologia para vencer quando confrontados com uma autoridade abusiva. Vou incluir as melhores histórias em um epílogo especial da edição britânica (veja abaixo) deste livro, e vou colocá-las online também. Enviem suas histórias para doctorow@craphound.com com o assunto "Abuses of Authority" (Abusos de Autoridade).
GRÃ-BRETANHA
Sou canadense e morei em diversos lugares (incluindo São Francisco, o cenário de Little Brother), e hoje vivo em Londres, Inglaterra, com minha esposa Alice e nossa pequena filha Poesy. Moro na Inglaterra há cinco anos e penso que amo este pais, mas tem uma coisa que sempre me incomodou: meus livros não estão disponíveis aqui. Algumas lojas mantêm estoques importados dos EUA, mas eu não tenho uma editora britânica.
Mas isso mudou! A HapperColins Inglesa comprou os direitos deste livro (assim como do meu próximo livro, ‘For the Win’) e ele será publicado pouco depois da edição Americana, em 17 de Novembro de 2008 (um dia depois da minha volta da lua-de-mel!)
Fico muito contente com isso. Não apenas por finalmente ter meus livros vendidos na terra que escolhi viver, mas também porque estou criando uma filha aqui, caramba, e a vigilância e a mania por controle neste país começa a dar nos nervos! Parece que a polícia e o sistema de governo se apaixonaram pelo reconhecimento por DNA, impressões digitais e gravação de vídeo de todos aqueles que algum dia possam fazer algo de errado. No começo de 2008, a autoridade maior da Scotland Yard (polícia inglesa) propôs seriamente que se coletasse o DNA de crianças de 5 anos que se mostrassem perigosas, pois elas cresceriam e provavelmente se tornariam criminosos. Na semana seguinte a polícia londrina espalhou pôsteres sugerindo que todas as pessoas que podem pagar por pequenas câmeras de vigilância são, provavelmente, terroristas.
A América não é o único país que perdeu a cabeça na ultima década.
Precisamos ter esta conversa com todo o planeta.
Como eu disse, a edição britânica estará à venda em 17 de Novembro (ISBN: 978-0-00-728842-7).
Ainda haverá uma edição limitada, com uma capa diferenciada, para as pessoas que enxergam os livros como se fossem itens de coleção. Se quiser saber mais detalhes, escreva um email para doctorow@craphound.com o assunto ‘LITTLE BROTHER UK EDITION’.
OUTRAS EDIÇÕES
Meu agente Russel Galen (e seu assistente Danny Baror) fez um excelente trabalho na pré-venda de direitos de ‘Little Brother’ em vários idiomas e formatos. Informações mais atualizadas você encontrará em http://craphound.com/littlebrother/download.
Audiobook da Random House.
Uma das condições do meu contrato com a Random House era de que eles não poderiam disponibilizar o áudio-livro usando do sistema ‘DRM’ (Digital Rights Management), que pretende controlar o uso e a cópia. Isso quer dizer que você não encontrará o áudio-livro de Little Brother para Audible e iTunes, pois a Audible se recusa a vender livros sem o sistema DRM (mesmo que o autor não queira) e iTunes só funciona com áudios-livro da Audible. De qualquer maneira, você pode comprar o arquivo em formato MP3 diretamente da RandomHouse.
Meu agente para direitos no estrangeiro já pré-vendeu edições para a Grécia, Rússia, França e Noruega. Não tenho as datas de lançamento, mas eu informarei através do site quando estiver disponível. Você também pode se inscrever na minha mala-direta, para maiores informações.
A COISA DOS DIREITOS AUTORAIS
A licença da Creative Commons que utilizo no meu livro ‘Little Brother’ provavelmente serve como dica de que eu tenho uma visão um pouco não-ortodoxa sobre direitos autorais. Aqui vai o que eu penso a respeito disso, em poucas palavras: Com apenas um pouco se chega longe, mais do que isso é exagero.
Gosto do fato de que os direitos autorais me permitem vender os direitos para meus editores e para a indústria de cinema e por ai vai. É bom, pois eles não podem simplesmente pegar minhas coisas sem permissão e ficarem ricos com isso sem me dar uma parte disso. Tenho plenas condições para negociar com estas companhias, possuo um bom agente e uma década de experiência com leis de direito autorais e licenciamento (inclusive no cargo de delegado da WIPO, uma agência da UN que trata sobre ameaça aos direitos autorais mundiais). Além do mais, mesmo se eu vender cinqüenta ou cem edições diferentes de Little Brother (o que seria estar no topo, um milionésimo de toda ficção vendida) ainda assim teria uma centena de negociações que eu precisaria gerenciar.
Odeio o fato de que fãs que querem fazer aquilo que os leitores sempre fizeram, tenham que jogar pelas mesmas leis que todos aqueles poderosos agentes e advogados. É uma coisa estúpida dizer que uma classe escolar tenha que falar com um advogado de uma empresa global gigantesca, para encenar uma peça sobre um livro meu. É ridículo dizer que pessoas que querem emprestar uma cópia eletrônica do meu livro para um amigo, precisem de uma licença para isso. Emprestar livros é algo mais antigo do que qualquer editor no planeta e é uma coisa bacana!
Recentemente vi Neil Gaiman dar uma entrevista em que respondia para alguém como ele se sentia a respeito da pirataria de seus livros. Ele disse, ‘Levante a mão se você descobriu seu escritor favorito de graça, por que alguém te emprestou uma cópia ou ganhou de alguém? Agora levante a mão se você descobriu seu escritor predileto numa prateleira de livraria e teve que pagar por isso’.
A audiência preponderante disse ter descoberto seus autores prediletos de graça, por ter ganhado um livro ou recebido emprestado. Quando se trata dos meus escritores preferidos não há limite. Comprarei sempre cada livro que eles publicarem, apenas para tê-los. (Às vezes compro mais do que um, apenas para poder presentear amigos que eu penso que precisam ler aquele livro!) Pago para vê-los vivos. Compro camisetas com a capa dos livros impressas.
Neil continuou dizendo que é parte de uma tribo de leitores, uma pequena minoria de pessoas pelo mundo que têm prazer ao ler, e compram livros porque amam livros. Uma coisa que ele sabe sobre as pessoas que baixam seus livros na Internet sem permissão é que são leitores, pessoas que amam os livros.
Aqueles que estudam os hábitos de pessoas que compram música descobriram algo curioso. Os maiores piratas são também aqueles que mais gastam. Se você pirateia música a noite toda, existe a chance de que você também seja uma dessas poucas pessoas que vão a uma loja de discos (lembra-se delas?) durante o dia.
Você provavelmente vai a shows no fim de semana, e provavelmente acompanha música. Se você é membro de uma tribo de viciados em música, você faz coisas que têm a ver com a música, desde cantar no chuveiro a pagar por uma cópia em vinil de um raro disco pirata vindo do leste europeu, de uma das suas bandas favoritas de death-metal.
A mesma coisa acontece com os livros. Trabalhei em livrarias, sebos e bibliotecas. Já acessei sites piratas de e-books (‘bookwarez’?) on-line. Sou um viciado em livros e vou a feiras de livros por diversão. E sabe o que mais? São as mesmas pessoas em todos estes lugares: Pessoas que amam os livros e que fazem tudo que se pode fazer com um livro. Eu compro edições malucas, edições horríveis chinesas dos meus livros prediletos, por que são malucas e horríveis e ficam muitos bem entre as outras oito ou nove edições que eu paguei destes mesmos livros. Procuro por livros na biblioteca, no Google, quando preciso de uma citação, carrego uma dezena deles no meu celular e centenas no meu laptop e tenho (hoje) mais de 10.000 livros guardados em um armazém em Londres, Los Angeles e Toronto.
Se eu pudesse emprestar todos os meus livros físicos, sem abrir mão da posse deles, eu o faria.
O fato de eu poder fazer isso com uma cópia digital não é um erro. É uma característica e uma das melhores.
Fico embaraçado ao ver todos estes escritores e músicos e artistas expressando pesar pelo fato de que a arte possui esta incômoda característica, esta capacidade de ser compartilhada. É como assistir donos de restaurante chorando por causa da nova máquina de comida grátis e que irá alimentar um mundo de gente faminta, e por que ela os forçará a reconsiderar seus modelos de negócios. Sim, irá requerer muito deles, mas não vamos perder de vista o que mais interessa: Comida grátis!
O acesso universal ao conhecimento da humanidade está em nossas mãos pela primeira vez na história do mundo. Isso não é algo ruim.
No caso de não ser o bastante para você, aqui está o que considero a minha grande jogada, o porquê dar e-books faz sentido hoje.
Dar e-books me proporciona uma satisfação artística, moral e comercial. A questão comercial é aquela que mais freqüentemente vem à tona: como dar seus livros de graça e ainda assim ganhar dinheiro?
Para mim, e para a maioria dos escritores, o grande problema não é a pirataria, mas o anonimato. (Agradeço a Tim O’Reilly por este precioso aforismo).
Todas as pessoas que deixam de comprar um livro hoje, na maioria, não o compram por nunca terem ouvido falar que ele existe, não por que ganharam uma cópia de graça. Os mega-hiper-mais-vendidos livros de FC vendem meio milhão de cópias - em um mundo em que um evento como a San Diego Comic Con sozinho recebe 175 mil pessoas, dá para imaginar que a maioria das pessoas que gostam de FC (e junto a isso coisas como quadrinhos, games, Linux e por ai vai) na verdade não compram livros. Meu interesse maior é trazer maiores audiências para dentro deste círculo, mais do que garantir que cada um compre um ingresso para entrar.
E-books são verbos, não substantivos. Você os copia, é da natureza deles. E muitas das cópias têm um destino, uma pessoa para a qual elas foram planejadas, uma transferência manual de uma pessoa para outra, guardando uma recomendação intima entre duas pessoas que confiam umas na outras o suficiente para trocar bits. Este é o tipo de coisa com que os autores (deveriam) sonham. Fazendo meus livros disponíveis para serem passados à frente, torno mais fácil para as pessoas que gostam deles ajudarem a outras pessoas a também gostarem deles.
E tem mais: eu não vejo e-books substituindo os livros de papel para a maioria das pessoas. E não por que a tela do monitor não seja boa o bastante; se você for como eu, você já deve passar horas em frente a uma, lendo textos. Mas por mais que você goste desta ‘literatura de computador’, menos provavelmente você irá ler longos textos na tela, por que as pessoas que gostam de ficar na frente da tela fazem muitas outras coisas ao mesmo tempo. Nós estamos no Messenger, escrevendo e-mail, e usamos os navegadores de um milhão de maneiras diferentes. Temos os games rodando por detrás e infinitas possibilidades de músicas para ouvir.
Quanto mais coisa você faz com seu computador, você se dedica a menos coisas, pois a cada seis ou sete minutos começa algo diferente. Isso faz com que o computador seja um meio extremamente ineficaz para longas leituras, a não ser que você possua a autodisciplina de um monge.
A boa notícia (para os escritores) é que isso significa que os e-books acabam sendo um incentivo a comprar o livro impresso (que é, afinal de contas, mais barato, fácil de ter e de usar) do que o seu substituto.
Você provavelmente vai ler o bastante do livro na tela para perceber que precisa o ler no papel.
Então e-books vendem livros. Todo escritor que eu soube que distribuiu e-books para promover seus livros voltou a fazê-lo de novo. Este é o lado comercial de dar e-books de graça.
Agora o lado artístico. Estamos no século vinte e um. Copiar coisas nunca mais será mais difícil do que já é hoje (se isso acontecer será por que a civilização chegou ao seu fim e neste ponto, este será o menor dos problemas) Discos rígidos não serão mais enormes, caros ou com menor capacidade. As redes não serão mais lentas e difíceis de acessar. Se você estiver fazendo arte sem levar em consideração de que ela será copiada, então realmente você não estará fazendo arte para o século vinte e um. Existe algo encantador sobre fazer um trabalho que você não quer que seja copiado, da mesma maneira que é legal ir até uma vila dos pioneiros e ver como o ferreiro colocava ferraduras em um cavalo em sua forja tradicional. Mas dificilmente você vai achar que isso possa ser contemporâneo. Sou um escritor de ficção cientifica. É o meu trabalho escrever sobre o futuro ou ao menos sobre o presente. Arte que não se supõe ser copiada é coisa do passado.
Finalmente, vamos ver pelo lado moral. Copiar é natural. É como nós aprendemos (copiando nossos pais e as pessoas ao nosso redor). A primeira história que escrevi quando tinha seis anos, era uma versão excitante de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que eu acabara de ver no cinema. Agora que a Internet (a mais eficiente máquina copiadora do mundo) se tornou presente em toda parte, nosso instinto de copiar só aparecerá mais e mais. Não há como impedir meus leitores de copiar meus livros e, se eu o fizesse, seria um hipócrita.
Quando eu tinha 17 anos, eu gravava fitas, xerocava livros, tudo que eu podia. Se a Internet existisse na época, eu estaria usando-a para copiar o tanto quanto eu pudesse.
Não há como parar com isso, e as pessoas que tentarem terminar com isso estarão fazendo um mal maior do que a pirataria jamais o fará. A ridícula guerra sagrada da indústria de discos contra aqueles que compartilham arquivos (mais de 20 mil fãs de música processados e contando) exemplifica o absurdo da coisa toda. Se a escolha está entre permitir a cópia ou partir bufando contra tudo e contra todos, eu escolho a primeira.
DOAÇÕES E UMA PALAVRA AOS PROFESSORES E BIBLIOTECÁRIOS
Toda vez que coloco um livro online de graça, recebo emails de leitores que querem mandar-me uma doação em dinheiro pelo livro. Aprecio o espírito generoso destas pessoas, mas não estou interessado em dinheiro de doações, porque meus editores são muito importantes para mim. Eles contribuem imensamente para com o livro, tornando-o conhecido, apresentando-o a outros leitores que eu nunca conseguiria alcançar, me ajudando a fazer mais com o meu trabalho. Não tenho interesse de tirar os méritos deles.
Mas acho que encontrei uma maneira de direcionar esta generosidade para algo positivo.
O negócio é o seguinte: Existe um monte de professores e bibliotecários que adoraria receber exemplares desse livro para suas crianças, mas não tem grana para isso (os professores nos EUA gastam por volta de 1.200 dólares do próprio bolso com material escolar e o orçamento da escola não cobre as despesas ou as reembolsa. Por este motivo eu patrocino uma classe da escola elementar Ivanhoé, na minha velha vizinhança em Los Angeles; você também pode adotar uma classe.)
Existe esta gente toda que generosamente quer me pagar em agradecimento pelos meus e-books gratuitos.
Minha proposta é juntar as duas coisas.
Se você é um professor ou bibliotecário e quer um exemplar em papel deste livro, escreva um email para freelittlebrother@gmail.com, com seu nome e o nome e endereço da sua escola, e eu colocarei em meu site para que potenciais doadores possam ver.
Se você gostou da versão eletrônica do livro e quer doar em retribuição, procure por um professor(a) ou uma biblioteca que queira ajudar. Então entre no site da Amazon, ou na BarnesNoble ou seu site de venda de livros predileto e compre o livro. Mande uma cópia do recibo para freelittlebrother@gmail.com para minha assistente Olga. Se desejar agir de forma anônima e não quiser que saibamos de sua generosidade, agradecemos de qualquer maneira.
Não sei se isso irá terminar com centenas, dezenas ou algumas poucos exemplares sendo enviados desta forma, mas eu tenho grande esperança de que funcione.
DEDICATÓRIA
Para Alice, que me completa.
COMENTÁRIOS
Uma história sobre uma rebelião geek tecnológica é necessária e perigosa como compartilhar arquivos, liberdade de opinião e uma garrafa de água em um avião.
- Scott Westerfeld, autor de UGLIES e EXTRAS
Posso falar sobre Little Brother em termos de especulação política corajosa ou sobre o uso brilhante da tecnologia: cada uma delas faz do livro uma leitura obrigatória. Fiquei assombrado com a universalidade do rito de passagem de Marcus e sua luta, uma experiência que qualquer adolescente hoje irá passar quando chegar o momento em que tiver que escolher seu caminho na vida e como alcançá-lo.
- Steven C Gould, autor de JUMPER e REFLEX
Eu recomendo Little Brother mais do que qualquer outro livro que eu li esse ano e gostaria de colocá-lo nas mãos de tantos meninos e meninas inteligentes de 13 anos quanto eu pude, porque eu penso que isso pode mudar vidas. Porque algumas crianças, talvez poucas, não serão as mesmas após terminar de ler este livro. Talvez elas mudem politicamente, talvez tecnologicamente falando. Talvez seja o primeiro livro de suas vidas que irão amar e que despertarão o geek que vive dentro delas. Talvez elas queiram argumentar ou discordar dele. Talvez elas queiram ligar seus computadores e procurarem o que há por ai. Eu não sei. Ele me fez querer ter 13 anos de novo e poder o ler pela primeira vez, e sair por aí fazendo o mundo um lugar melhor ou ainda mais estranho e esquisito. É um livro maravilhoso e muito importante, na maneira que aborda falhas sem sentido.
- Neil Gaiman, autor de ANANSI BOYS
Little Brother é uma aventura assustadoramente real sobre como a tecnologia pode ser abusiva e utilizada erroneamente para aprisionar Americanos inocentes. Um adolescente se transforma de hacker em um herói que se dispõe a enfrentar sozinho o governo por seus direitos básicos à liberdade. Este livro é um cheio de ação, com histórias de coragem, tecnologia e demonstração de desobediência digital como forma de protesto civil.
- Bunnie Huang, autor de HACKING THE XBOX
Cory Doctorow é um contador de histórias rápido e vibrante que pega todos os detalhes de uma realidade alternativa e oferece um nova visão de como este jogo pode ser jogado no contexto de um ataque terrorista. Little Brother é um romance brilhante com argumentos ousados: jogadores de vídeo-game e hackers podem ser a nossa melhor esperança para o futuro.
- Jane McGonical, Designer, I Love Bees
O livro certo no tempo certo do autor certo - e não inteiramente por coincidência, o melhor livro de Cory Doctorow também
- John Scalzi, autor de OLD MAN'S WAR
É sobre crescer em um futuro próximo em que as coisas continuam indo de um jeito que estão indo hoje e sobre hacking se tornar algo habitual, mas principalmente sobre crescer e de mudar e olhar para o mudo e perguntar o que você pode fazer a respeito. A voz dos adolescentes é perfeita para isso. Não consegui parar de ler e eu amei o livro.
- Jo Walton, autor de FARTHING
Um irmão mais novo e digno para 1984 de George Orwell. Little Brother de Cory Doctorow é vivo, precoce e o mais importante, um tanto assustador.
- Brian K Vaughn, autor de Y: THE LAST MAN
"Little Brother" soa como um aviso otimista. É uma extrapolação a partir de eventos atuais para nos lembrar das ameaças à nossa liberdade. Mas também ressalta que ela ultimamente reside em nossas atitudes e ações como indivíduos. Neste mundo cada vez mais autoritário, eu espero especialmente que os adolescentes e os jovens o leiam e convençam seus iguais, seus pais e professores sobre a necessidade de ficar atentos.
- Dan Gillmor, autor de WE, THE MEDIA
SOBRE AS DEDICATÓRIAS PARA AS LIVRARIAS
Cada capítulo do livro é dedicado a uma livraria diferente. Uma livraria que eu adoro, que me ajudou a descobrir os livros que abriram a minha cabeça, e que me ajudou na minha carreira. Estas lojas não me pagaram nada por isso, eu sequer disse a elas o que faria, mas me pareceu que era a coisa certa a se fazer. Por fim, espero que você leia este e-book e decida comprar a versão em papel, e só faz sentido dizer isso, sugerindo alguns lugares onde você poderá encontrá-lo.
Pequeno Irmão - Introdução [ Download ]
Pequeno Irmão - Cory Doctorow
O CAPACITOR FANTÁSTICO começa hoje a trazer para vocês, um livro que tem gerado boas críticas, indicado a diversos prêmios e que foi escrito por um dos autores de ficção mais interessantes e antenado dos últimos tempos: CORY DOCTOROW.
A cada sábado, um capítulo de Pequeno Irmão (Little Brother).
Se desejar baixar o livro completo em inglês, use este link.
Esta versão em português é exclusividade do CAPACITOR FANTÁSTICO, e já foi enviada para Cory, que respondeu dizendo que adorou a iniciativa.
Divirtam-se !
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Frank R. Paul

Talvez o que Isaac Asimov significou para a Ficção Científica como escritor, Frank R. Paul o foi como desenhista, capista e ilustrador.
É impossível falar do surgimento da FC nos Estados Unidos, através das pulp magazines (revistas populares) da primeira metade do século XX, sem utilizar uma ilustração feita por este arquiteto vienense que, antes de ser descoberto por Hugo Gernsback, trabalhava em um pequeno jornal em Nova Jersey.
Para Gernsback, Paul criou quase duzentas capas, fazendo inclusive ilustrações internas.
É creditado a 'FRP', como é também conhecido, o primeiro desenho de uma estação espacial, além de ter desenhado as primeiras capas dos livros de escritores famosos como Bradbury, de quem foi amigo.
Pertence a Paul, grande parte do mérito de povoar o imaginário de uma nação (e por que não dizer do mundo), com alienígenas, robôs e foguetes espaciais, em um tempo em que o americano médio sequer possuia um telefone.

















Frank R.Paul Gallery
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Steampunk você já conhece, mas e GREENPUNK ?

Assim como o Ciberpunk e o Steampunk, o GREENPUNK é também um movimento, uma filosofia e um gênero literário que, ao invés de focar em um futuro distópico ou tecno-vitoriano, especula a partir da consciência ecológica dos nossos dias - tanto para o bem, através da busca e da discussão de estratégias - quanto para o mal, pintando cenários catastróficos.
A utilização de energia limpa, como o reaproveitamento de energia cinética e veículos que geram seu próprio combustível, é apenas um dos temas mais comuns deste tipo de literatura.
No Greenpunk, ecopatrulheiros e petrocriminosos estão disputando o futuro do nosso planeta.
Nada mais condizente com a atualidade. Na luta contra as mega-corporações agressoras e poluentes, saem os hippies abraçadores de árvore e entram os ecologistas radicais do Greenpeace.
Dois nomes do 'movimento' ? Paolo Bacigalupi e Matt Staggs.
Greenpunk.net e Manifesto Greenpunk
Leia talvez o primeiro conto assumidamente Greenpunk (e assim se faz História)
... e aguardem uma coletânea Greenpunk para os próximos meses...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Christmas on Mars
Christmas on Mars é um musical natalino de Ficção Científica recheado de humor negro.
Parece estranho?
O grupo de rock Flaming Lips lançou em 2008 esta produção de orçamento limitado e que praticamente só foi exibido em alguns festivais.
Apesar disso, tem tudo para se tornar um cult-movie.
A trama do filme se passa numa colônia em Marte. Para combater a depressão (e o suicídio), o Major Syrtis (Steven Drozd) resolve celebrar o Natal e o nascimento do primeiro humano em Marte.
Quem acompanha filmes de FC vai reconhecer facilmente diversas influências de outros filmes famosos (como Dark Star e Solaris), entre homenagens (2001) e paródias (Eraserhead).
Christmas on Mars [ Download via torrent ]
domingo, 18 de outubro de 2009
Entrevista com Jeff VanderMeer sobre o lançamento da antologia Steampunk

Então, o que é "steampunk"?
"Algo cool, com uma linguagem elaborada. Ciência inventada - reinventada" disse James Blaylock, um pioneiro do steampunk e autor do livro Lord Kevlin's Machine.
"Steampunk (um sub-gênero da ficção científica) oferece em quantidade, aquilo que é mais visualmente excêntrico e aventureiro, sobre a época vitoriana e suas especulações científicas."
A antologia Steampunk editada por Ann e Jeff VanderMeer, faz barulho e cliques com engenhocas, dirigíveis e robôs a vapor de doze metros de altura.
As treze histórias contidas nesta coleção são reforçadas por um prefácio, uma introdução e dois ensaios. Os editores não são novatos neste tipo de ficção. Ann VanderMeer é editora da Weird Tales e Jeff VanderMeer é vencedor do prêmio World Fantasy, autor de Shriek: bem como de uma coleção de histórias conectadas, situadas no mundo imaginário de Ambergris.
"Em Steampunk", escrevem os VanderMeers em seu prefácio, "nós tentamos fornecer uma mistura do tradicional e do idiossincrático, o novo e o velho, mantendo-se fiel à idéia de steampunk como uma diversão pseudo-vitoriana sombria. Você vai encontrar histórias sobre golens mecânicos, máquinas infernais, os personagens de Júlio Verne e é claro, dirigíveis."
A antologia resultante é tanto prazeirosa como um alívio, já que os VanderMeers encontraram uma maneira de reforçar o gênero sem sugerir (ou impor) um conjunto restrito de parâmetros.
"Steampunk", diz Magpie Killjoy, editor da SteamPunk Magazine, "é uma forma filosófica de reanalisar nossas interações com as máquinas. Para este fim, encontramos na era dos motores a vapor, as promessas, verdadeiras e falsas, que nos foram oferecidas por volta do século 19. Assim steampunk é uma estética, um gênero, uma subcultura, e uma filosofia que gira em torno deste entendimento. "
No coração do steampunk, como um ethos, diz Paul DiFilippo, autor dos romances Joe's Liver e Fuzzy Dice, existe o desejo de "voltar a uma época em que a tecnologia e o artesanal ainda não tinham sido separados, quando partes do nosso mundo permaneciam inexploradas, onde o heroísmo individual vinha antes de tudo, quando a linha entre o bem e o mal era clara, e você poderia vestir-se bem. "
Pergunta: Você tem uma estratégia como antologista?
Jeff VanderMeer: Procuramos [Ann e eu] trabalhar como uma equipe, a partilhar tarefas e dividi-las conforme nossas outras atividades de trabalho permitam. Temos uma abordagem consistente contudo, de querer que nossas antologias sejam bem organizadas, abrangentes e não apenas profundas, mas também surpreendentes de alguma forma. Se um leitor ao ler nossas antologias, não encontrar algo de muito diferente e maravilhoso, talvez então não estejamos fazendo bem nosso trabalho.
Pergunta: Que desafios você enfrenta como um antologista em geral e em particular com o steampunk?
JV: Não é só escolher a combinação certa de material, mas ser capaz de adquiri-la para a reedição nas antologias. Para as antologias originais, certificamos de torná-las as mais abertas possíveis aos novos escritores.
Pergunta: Quais são os prós e os contras de trabalhar em conjunto?
JV: Eu não escuto muito bem às vezes. Mas nós raramente discutimos. Acho que em geral, trabalhar juntos nos aproxima.
Pergunta: Houve algo engraçado e/ou frustrante durante este processo?
JV: Em Steampunk não. Em New Weird tivemos Clive Barker que nos telefonou para dizer que seu conto fora publicado com erros tipográficos. Realmente não é o que se espera para a primeira conversa por telefone com alguém. Mas ele disse que gostou muito da antologia e era um erro de digitação que o perseguia por dezoito anos.
Pergunta: Num programa de rádio recentemente você falou sobre "tecnologia verde" em relação ao steampunk. Pode explicar melhor?
JV: Embora possa não ser verdade para a indústria da era vitoriana, eu sinto que um segmento da cultura moderna steampunk vê a re-mecanização da tecnologia, como uma maneira de nos mover em direção ao pensamento ecológico. No sentido de que poderiamos ser capazes de consertar as coisas (quem realmente pode, hoje em dia, consertar seu próprio carro, já que está tudo computadorizado?), o primeiro passo para ser verdadeiramente independente, plantar sua própria comida, etc. Um futuro de sustentabilidade exige que tomemos esta medida em um nível individual.
Pergunta: Nas duas últimas décadas você produziu uma grande variedade de trabalhos de edição, blogs para a Amazon.com, jornalismo para lugares como o The Washington Post e Publisher's Weekly e, claro, escreveu contos e romances. Será que aquilo que você escreve, que não é ficção, inspira você para escrever ficção?
JV: Não-ficção sob a forma de entrevistas e opiniões me expõe a outras formas de pensar a escrita. Eu também, muitas vezes, uso da não-ficção na minha ficção, para soar irônico ou absurdo.
Pergunta: O que você mais gosta em escrever?
JV: O ato físico da escrita - à mão ou teclando, perder-se neste processo. Envolver-se numa situação e com o personagem. Escrever um livro é um ato de imersão.
Pergunta: Onde uma história começa para você?
JV: No final. Até que eu saiba onde termina uma história ou um romance, na minha cabeça, eu não consigo começar. Até lá não posso colocar nada no papel. O fim geralmente muda quando eu chego nele, mas deve ter algum sentido antes de eu começar.
Pergunta: Você surpreendeu - e espantou - um bom número de fãs seus, por ter escrito Predator: South China Seas.
JV: Trabalhando em um mundo compartilhado, como o universo de Predator, eu tinha muita preocupação com o público. Eu estava interessado em escrever um romance que iria satisfazer o público de Predator primeiro, e se pudesse satisfazer também meus leitores, tudo bem. Mas esse não era o objetivo.
Eu acho que com mundos compartilhados você tem que respeitar o público específico dele, enquanto que para os meus romances, a melhor maneira de servir ao meu público é ignorá-lo. Satisfazer-me em primeiro lugar. Isso significa, claro, que o livro Predador é muito menos pessoal e também muito diferente do meu trabalho habitual. Estou feliz com os resultados, mas não tenho ideia do que o meu público vai pensar. Eu só espero que os fãs de Predator gostem.
Pergunta: E onde se inicia uma antologia para você?
JV: Isso realmente depende da antologia. Primeiro, qualquer antologia que eu faço é uma colaboração com minha esposa Ann, que atua como co-editora. Depende do projeto e de outras limitações de tempo. Às vezes uma editora nos procura, como foi o caso de New Weird e de Steampunk. Em outros casos temos uma idéia e buscamos uma editora.
A chave, no início, é tentar certificar-se do projeto da editora e do formato (capa dura ou não) se adequa corretamente. É também um desafio inicial de pensar a antologia em termos de restrição e oportunidade. O que significa dizer que você pretende explorar a idéia da forma mais completa e profunda possível, mantendo um foco que vai dar a forma da antologia.
Pergunta: Que história da antologia Steampunk realmente te ganhou?
JV: Eu amo "The Minutes of the last Meeting' de Stephan Chapman. Ela tem uma bela estrutura experimental e acessível. Eu também amo a maneira perversa que só Joe R.Lansdale dá ao gênero steampunk, como uma espécie de Deus impaciente.
Texto original
sábado, 17 de outubro de 2009
Jeff VanderMeer

Jeffrey Scott VanderMeer (7 de Julho de 1968) nasceu na Pennsylvania (EUA) e viveu sua infância nas Ilhas Fiji, onde seus pais trabalhavam para a Peace Corps. Por conta disso, grande parte de sua vida foi passada entre Ásia, Europa, Africa e Estados Unidos. Esta experiência, como não poderia deixar de ser, acabou influenciando-o profundamente.
Jeff iniciou sua carreira de escritor nos anos 80 e logo se tornou uma espécie de porta-voz do sub-gênero literário steampunk, embora se defina como um escritor de realismo mágico, um explorador do surreal e do fantástico.
Em 2001 foi relacionado pela Locus, como um dos dez mais promissores escritores de ficção especulativa.
Ganhou o Prêmio World Fantasy de 2000( seis vezes finalista deste prêmio) com o romance 'The Transformation of Martin Lake'. E em 2003 dividiu a premiação por ser também editor da antologia Leviathan 3.
Fundou sua própria (pequena) editora, Ministry of Whimsy, onde lança novos talentos do gênero fantástico.
Mais recentemente, Jeff passou a explorar outras mídias. Um de seus contos, 'A new face in Hell', foi transformado em animação por Joel Veitch, e Jeff foi responsável por escrever para a famosa editora de quadrinhos Dark House, o tie-in 'Predator: The South China Seas'.
Jeff mora na Florida, é casado com Ann Kennedy, escritora e editora da Buzzcity Press e das revistas Silver Web e Weird Tales.
Site de Jeff VanderMeer
Jeff VanderMeer (A heart for Lucretia, Balzac's War, Dradin in Love, Flight is for those who have not yet crossed over, Ghost in the machine, Mahout, Quin's Shangai Circus, The secret life of Dave Driscoll, The third bear, Three days in a border town, The surgeon (com Cat Rambo), Veniss Underground) [ Download ]
Stalker (A máquina dos desejos) - Parte 6 de 6

SEXTA PARTE
Outra vez no bar.
O lugar está vazio. Atrás do balcão o corpulento atendente com o avental manchado.
Nossos personagens estão sentados na mesa do canto, sujos, maltrapilhos, com a barba de vários dias por fazer. À frente de cada um, há uma caneca de cerveja meio vazia.
O Escritor começa um discurso:
- …imagino este prédio como um gigantesco templo. Tudo que a imaginação já criou, a fantasia e o pensamento ousado do homem são tijolos de ouro, com que foram levantadas as paredes deste templo. Filosofia, livros, pinturas, teorias éticas, tragédia, sinfonias... até mesmo, porque não, as ideias científicas fundamentais. Tudo isso se deve a vossa tecnologia, os altos fornos, as colheitas… tudo para que se trabalhasse menos e se devorasse mais. As ideias científicas são os andaimes, guindastes... naturalmente necessários para se construir o templo, sem eles o templo seria impossível, mas eles cedem e desmoronam, e são erguidos de novo. Primeiro de madeira, depois pedra, de aço e plástico finalmente, mas não passam de guindastes e andaimes para se levantar o grande templo da cultura, objetivo maior e infinito da humanidade. Tudo morre, tudo é esquecido e desaparece, fica somente este templo... falando com franqueza, a humanidade existe unicamente para...
O Professor toma um gole da caneca e grunhe:
- Você se atreve a responder... para que serve a humanidade?
- Não me interrompa – diz o Escritor – é pouco educado! Existe unicamente – continua – para produzir obras de arte! Imagens da verdade absoluta.
Pausa.
O Escritor sorri irônico.
- É uma piada – acrescenta – Olhe aqui a cerveja... é cerveja isso não? Que tal tomarmos outra rodada?
- Não tenho mais dinheiro, fala o Professor.
- Eu tampouco, profere abatido o Escritor.
- Você acha mesmo que em toda parte vão te fazer fiado – diz irritado o Professor para o Escritor.
- Sim, menos aqui...
O Stalker deixa sobre a mesa várias moedas pequenas, junto com lixo, e move as moedas com um dedo contando-as.
- Aqui está – diz ele – tem o bastante para outras canecas.
Junto da mesa aparece o atendente, coloca com destreza as canecas entre eles, cheias de cerveja e cobertas de espuma. Retira aquelas vazias. O Stalker com ar compungido, observa o atendente e acerta a pilha exigua de moedas. O atendente faz um gesto tranquilizador e desaparece.
- É um leitor meu – diz o Escritor com ares de superioridade – ele me reconheceu!
O Stalker e o Professor olham para o sembante sujo do Escritor, para o enorme hematoma do seu olho direito, e o trapo ensanguentado sobre ele, olham e depois sem dizer uma palabra, bebem um grande gole das canecas.
- Não – diz o Stalker – isso não é beber de verdade camaradas! Vou telefonar agora mesmo para minha mulher e ordenar que me traga dinheiro.
O Escritor o segura pela manga.
- Para que? Telefonarei para qualquer redação.
O Stalker o rechaça.
- Calma ai... fui eu quem os convidou, e não você. Fique quieto ai!
Vai até o telefone público, marca um número e neste momento enxerga pela janela suja sua mulher chegando ao Bar. Desliga e retorna para a mesa.
Sua mulher vai até eles e diz ao marido:
- O que faz aqui sentado? Vamos embora!
- Agora mesmo – diz – mas sente-se um pouquinho. Sente conosco. Por que está com pressa?
Ela se senta satisfeita, pega-o pelo braço e olha para o Escritor e o Professor.
- Sabem que minha mãe era contra meu casamento com ele? Por que ele era um bandido de verdade. Metia medo a toda comarca! Era jovem e ágil como... bem, minha mãe dizia: É um stalker, um suicida, vai passar a vida na cadeia... e os filhos? Lembra, ela dizia, como são os filhos de um stalker... eu não discutia, eu sabia perfeitamente que era um suicida, que passaria a vida na cadeia e sabia quanto aos filhos. Mas o que eu podia fazer? Estava certa que seria feliz com ele. Sabia também, é claro, que passaria por maus momentos, porém mais vale uma felicidade amarga que uma vida apagada. Mas pode ser que tudo isso só tenha me ocorrido agora. Ele chegou junto de mim e disse carinhosamente ‘Vem comigo!’ e eu fui. E nunca me arrependi. Nunca! Passamos maus momentos. Tive que superar o medo. Passei vergonha, mas nunca me arrependi e nunca invejei a ninguém. Ele tampouco. O destino é assim. A vida é assim, somos como somos. E se não existissem tristezas na vida, não existiriam as alegrias. Seria muito pior. Nem haveria esperança. Assim é. Agora temos que ir. Vamos! Deixei a bebê sozinha.
Levantam.
- Estes são meus amigos – diz o Stalker – Até agora não consegui nada melhor...
Se vão.
O Escritor e o Professor observam o casal se afastar.
FIM

























