terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Prêmio Nebula



 Assim como o Hugo, o Nebula é um dos mais antigos e valiosos prêmios dentro do universo da FC e Fantasia em lingua inglesa.

Desde 1965, a Science Fiction and Fantasy Writers of America (SFWA) premia com o Nebula, os melhores trabalhos de FC ou Fantasia, dentro das faixas:

Novel: 40.000 palavras ou mais
Novella: De 17.500 a 40.000
Novelette: De 7.500 a 17.500
Short story:  Menos de 7.500 palavras
Script: Roteiro para cinema, TV ou rádio ou peça.

Os membros do SFWA podem sugerir trabalhos publicados durante o ano e até aqueles do ano anterior, desde que não tenham sido indicados anteriormente, até 15 de novembro. Entre esta data e 15 de Fevereiro do ano seguinte, os membros escolhem 5 ou mais de cada categoria.
Os 6 mais votados de cada categoria vão para a cédula de votação final como indicados para receber os prêmios. A votação final se dá até o final de Março.

Durante a cerimônia de entrega, outros prêmios dados pela SFWA também são as vezes entregues, como o
Author Emeritus pela contribuição aos gêneros, o Damon Knight Memorial Grand Master Award pelo conjunto da obra, o Bradbury Award pela excelência na arte, e Andre Norton Award, pelo melhor trabalho para jovens em FC e/ou Fantasia. A partir de 2009, a SFWA também premia pessoas que tiveram alguma relevância na ficção especulativa, com o Solstice Award. Assim como o título de Grand Master, trata-se de uma homenagem póstuma.

A SFWA conta com, aproximadamente, 1.500 membros, a maioria vivendo nos EUA. Para fazer parte da associação é necessário que o autor(a) tenha sua obra publicada em inglês, pertencente aos gêneros Ficção Científica, Fantasia ou terror, e que pague uma anuidade que varia de 60 a 100 dólares, dependendo do tipo de afiliação.





Melhor romance (novel) por ano de premiação:

1965 - Dune de Frank Herbert    
1966 - Babel-17 de Samuel R. Delany e Flowers for Algernon de Daniel Keyes
1967 - The Einstein Intersection de Samuel R. Delany    
1968 - Rite of Passage de Alexei Panshin    
1969 - The Left Hand of Darkness de Ursula K. Le Guin    
1970 - Ringworld de Larry Niven    
1971 - A Time of Changes de Robert Silverberg    
1972 - The Gods Themselves de Isaac Asimov    
1973 - Rendezvous with Rama de Arthur C. Clarke    
1974 - The Dispossessed de Ursula K. Le Guin    
1975 - The Forever War de Joe Haldeman    
1976 - Man Plus de Frederik Pohl    
1977 - Gateway de Frederik Pohl    
1978 - Dreamsnake de Vonda McIntyre
1979 - The Fountains of Paradise de Arthur C. Clarke    
1980 - Timescape de Gregory Benford    
1981 - The Claw of the Conciliator de Gene Wolfe    
1982 - No Enemy But Time de Michael Bishop    
1983 - Startide Rising de David Brin
1984 - Neuromancer de William Gibson    
1985 - Ender's Game de Orson Scott Card    
1986 - Speaker for the Dead de Orson Scott Card    
1987 - The Falling Woman de Pat Murphy    
1988 - Falling Free deLois McMaster Bujold    
1989 - The Healer's War de Elizabeth Ann Scarborough    
1990 - Tehanu: The Last Book of Earthsea de Ursula K. Le Guin    
1991 - Stations of the Tide de Michael Swanwick    
1992 - Doomsday Book de Connie Willis    
1993 - Red Mars de Kim Stanley Robinson    
1994 - Moving Mars de Greg Bear    
1995 - The Terminal Experiment de Robert J. Sawyer    
1996 - Slow River de Nicola Griffith    
1997 - The Moon and the Sun de Vonda McIntyre    
1998 - Forever Peace de Joe Haldeman    
1999 - Parable of the Talents de Octavia E. Butler
2000 - Darwin's Radio de Greg Bear    
2001 - The Quantum Rose de Catherine Asaro    
2002 - American Gods de Neil Gaiman    
2003 - The Speed of Dark de Elizabeth Moon    
2004 - Paladin of Souls de Lois McMaster Bujold     
2005 - Camouflage de Joe Haldeman   
2006 - Seeker de Jack McDevitt    
2007 - The Yiddish Policemen's Union de Michael Chabon
2008 - Powers de Ursula K. Le Guin


Prêmio Nebula de melhor romance (1965-2008) [ Download ]

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Prêmio Hugo



Frequentemente você lê no Capacitor Fantástico, que este ou aquele autor de FC foi indicado, ou recebeu, um prêmio Hugo, mas você conhece a história deste respeitado prêmio, ou como são escolhidos os vencedores?

Desde 1953, (e a partir de 1955 anualmente) o Hugo Awards premia o melhor livro de Ficção Científica ou Fantasia, de cada ano, publicado em inglês no ano anterior. Atualmente não apenas livros, pois existem 15 categorias, que vão de fanzine a editor, passando por filme, peça de rádio, webzine, graphic story, etc.

O nome do prêmio é uma homenagem ao "Pai da FC", o editor da revista Amazing Stories, Hugo Gernsback, responsável tanto por levar a Ficção Científica para o grande público, quanto fomentar o interesse em se escrever este gênero nos EUA. 

O formato do troféu muda a cada ano, mas mantendo uma referência ao foguete cromado, do troféu original desenhado por Jack McKnight e Ben Jason, a partir de um ornamento comum para automóveis da década de 50.

Atualmente cabe ao World Science Fiction Society, a organização do prêmio. A WSFS também é  responsável pelas famosas convenções de FC e Fantasia (Worldcon), que ocorrem pelo mundo.

O processo de votação se dá da seguinte forma:

Entre Janeiro e Março, os participantes da Worldcon daquele ano (que pagam algo em torno de 50 dólares para participar), escolhem cinco pessoas ou trabalhos de destaque no ano anterior, distribuidas pelas 15 categorias. Aproximadamente mais de 500 indicados ao todo.

Em Abril é divulgada a lista dos finalistas (os cinco mais votados) de cada categoria, e a cédula para votação é enviada para os membros da WSDS daquele ano. Por volta de Julho (dependendo da época da Worldcon) sai o resultado, e é feita uma cerimônia para entrega dos troféus.

Embora não exista prêmio em dinheiro, receber um Hugo, além do prestígio, impulsiona as vendas e promove o autor mundialmente.




Os vencedores de melhor livro de cada ano:

1946 - The Mule, Isaac Asimov (atribuído em 1996)
1951 - Farmer in the Sky, Robert A. Heinlein (atribuído em 2001) 
1953 - The Demolished Man, Alfred Bester
1954 - Fahrenheit 451, Ray Bradbury (atribuído em 2004)
1955 - They'd Rather Be Right (The Forever Machine), Mark Clifton e Frank Riley
1956 - Double Star, Robert A. Heinlein
1958 - The Big Time, Fritz Leiber
1959 - A Case of Conscience, James Blish
1960 - Starship Troopers, Robert A. Heinlein
1961 - A Canticle for Leibowitz, Walter M. Miller, Jr.
1962 - Stranger in a Strange Land, Robert A. Heinlein
1963 - The Man in the High Castle, Philip K. Dick
1964 - "Here Gather the Stars" (Way Station), Clifford D. Simak
1965 - The Wanderer, Fritz Leiber
1966 - Dune, Frank Herbert e "…And Call Me Conrad" (This Immortal), Roger Zelazny
1967 - The Moon Is a Harsh Mistress, Robert A. Heinlein
1968 - Lord of Light, Roger Zelazny
1969 - Stand on Zanzibar, John Brunner
1970 - The Left Hand of Darkness, Ursula K. Le Guin
1971 - Ringworld, Larry Niven
1972 - To Your Scattered Bodies Go, Philip José Farmer
1973 - The Gods Themselves, Isaac Asimov
1974 - Rendezvous with Rama, Arthur C. Clarke
1975 - The Dispossessed, Ursula K. Le Guin
1976 - The Forever War, Joe Haldeman
1977 - Where Late the Sweet Birds Sang, Kate Wilhelm
1978 - Gateway, Frederik Pohl
1979 - Dreamsnake, Vonda N. McIntyre
1980 - The Fountains of Paradise, Arthur C. Clarke
1981 - The Snow Queen, Joan D. Vinge
1982 - Downbelow Station, C. J. Cherryh
1983 - Foundation's Edge, Isaac Asimov
1984 - Startide Rising, David Brin
1985 - Neuromancer, William Gibson
1986 - Ender's Game, Orson Scott Card
1987 - Speaker for the Dead, Orson Scott Card
1988 - The Uplift War, David Brin
1989 - Cyteen, C. J. Cherryh
1990 - Hyperion, Dan Simmons
1991 - The Vor Game, Lois McMaster Bujold
1992 - Barrayar, Lois McMaster Bujold
1993 - A Fire Upon the Deep, Vernor Vinge e Doomsday Book, Connie Willis
1994 - Green Mars, Kim Stanley Robinson
1995 - Mirror Dance, Lois McMaster Bujold
1996 - The Diamond Age, Neal Stephenson
1997 - Blue Mars, Kim Stanley Robinson
1998 - Forever Peace, Joe Haldeman
1999 - To Say Nothing of the Dog, Connie Willis
2000 - A Deepness in the Sky, Vernor Vinge
2001 - Harry Potter and the Goblet of Fire, J. K. Rowling
2002 - American Gods, Neil Gaiman
2003 - Hominids, Robert J. Sawyer
2004 - Paladin of Souls , Lois McMaster Bujold
2005 - Jonathan Strange & Mr Norrell, Susanna Clarke
2006 - Spin, Robert Charles Wilson
2007 - Rainbows End, Vernor Vinge
2008 - The Yiddish Policemen’s Union, Michael Chabon
2009 - The Graveyard Book, Neil Gaiman


Prêmio Hugo de melhor livro (1946-2009) [ Download ]

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bruce Sterling




"...O povo da Ficção Científica precisa parar de se preocupar tanto com o passado ou o futuro remotos, e prestar mais atenção nos dias de hoje, na loucura desse nosso tempo. Escritores sérios precisam deixar um pouco estes mundos distantes, e partir para as ruas e pensar em um futuro em que as pessoas possam acreditar. Precisamos falar para uma nova audiência, não somente para o fã de FC, mas para as pessoas lá fora, para a população global, gente que está assistindo pela televisão, o antigo mundo se desintegrar, e que não sabem o que fazer com isso, o que pensar disso, ou mesmo como agir.

Precisamos ir além de simplesmente usar o exótico como modelo de nossas fantasias, precisamos encontrar um interesse comum para as questões globais. Primeiro que tudo, precisamos tratar de traduzir nosso trabalho para outros idiomas, precisamos ir além daquilo que de nós é esperado, além dos parâmetros de publicação e marketing nacionais.

Precisamos disso para entrar em contato. Os muros, as barreiras, estão caindo por todo mundo.
Precisamos aproveitar para aprender, aprender com e sobre outras pessoas. 

A Ficção Científica tem a vantagem de possuir um (limitado) apelo internacional.
Se não fizermos um esforço, uma tentativa séria para entender e tentar "modelar" este futuro - um futuro verdadeiro - começando já, então, sendo totalmente honesto, deveríamos abandonar a Ficção Científica como um gênero. Não deveríamos tentar continuar com esta coisa, se formos abandonar o que é de direito e de nascença, seu clamor intelectual legítimo.

Existem outras formas de se escrever ficção que valha a pena ser lida, para quem procura diversão e simples escapismo, mas a Ficção Científica deveria servir para algo mais.

E ela poderia abraçar este desafio. Não seria tão difícil. Apesar de sua origem humilde, a FC já passou por coisa bem pior no passado e sobreviveu. Podemos ser loucos, mas não somos estúpidos.

Vamos deixar o lugar confortável, vamos correr grandes riscos e cometer erros de verdade, profetizar e nos expor ao ridículo, somos escritores de Ficção Científica, este é o nosso maldito trabalho.

Ao menos poderemos dormir sossegados, pela pureza de nossas intenções." 



Trecho de 'Shinkansen', incluso em FC, hackers, política, ciberpunks em 50 textos

Bruce Sterling ( The Agberg Ideology, Artificial Life, Buckymania, Creation Science, Digital dolphins in the dance od biz, Gurp's Labour Lost, Internet, Magic Vision, Midnight on the Rue Jules Verne, My Rihla, Outer cyberspace, Shinkansen, Slipstream, The spearhead of Cognition, A statement of principle, Superglue, Updike's Version, Bicycle repairman, Crystal express, Distraction, Heavy Weather, In Paradise, Islands in the Net, Luciferase, Our Neural Chernobyl, Sneaking for Jesus 2001, The hacker crackdown, The interoperation, The littlesr jackal, The wonderful power of storytelling, Think of the prestige, Mozart in Mirrorshades ) [ Download ]

sábado, 2 de janeiro de 2010

Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 10



CAPÍTULO 10
Este capítulo é dedicado à Anderson’s Bookshops, uma lendária livraria infantil de Chicago. A Anderson’s é uma antiga empresa familiar, que começou como um mercado de outros tempos: além de outras coisas, também vendia livros. Hoje é um império de sucesso em livros infantis e com incríveis e inovadoras práticas de venda que unem crianças e livros de maneira realmente excitante. A melhor delas são as feiras móveis de livros, quando eles enviam enormes caminhões abarrotados de livros diretamente para as escolas das crianças - voilá, feira de livros instantânea!
Anderson's Bookshops: 123 West Jefferson, Naperville, IL 60540 USA +1 630 355 2665

O que você faria se descobrisse que tem um espião no seu meio? Você poderia denunciá-lo, colocá-lo contra a parede e obrigá-lo a confessar. Mas você terminaria com outro espião e o novo espião seria mais cauteloso do que o anterior e talvez não pudesse ser descoberto tão fácil.

Aqui está uma idéia melhor: comece interceptando as comunicações do espião e passando-lhe informações erradas. Vamos dizer que os superiores dele o instruíram para obter informações sobre seus movimentos. Deixe o espião lhe seguir à vontade e tomar todas as notas que quiser, porém quando ele for enviar as informações ao Quartel General, substitua estas informações por falsas. Se quiser, mande informações erradas e estranhas para que ele seja desacreditado.Você pode fabricar uma crise de modo a fazer com que o outro lado revele a identidade de seus espiões. Resumindo, você os controlaria. 
Isso se chama ataque do homem-no-meio; se você parar para pensar é bem assustador. Alguém que fique nesta posição pode te prejudicar de muitas maneiras.

É claro, tem um jeito sensacional de escapar do ataque do homem-no-meio: Usando cripto. Com criptografia, não importa se o inimigo pode ver suas mensagens, porque ele não pode decifrá-las, alterá-las e reenviá-las. Esta é uma das principais razões para usar criptografia.

Mas lembre-se: para a criptografia funcionar, você precisa ter chaves para as pessoas com quem você quer falar. Você e seu parceiro precisam compartilhar este segredo, ter algumas chaves para que possam criptografar e descriptografar mensagens de modo que o homem-do-meio fique de fora.
É onde reside a idéia da chave pública. É um pouco trabalhosa, mas é inacreditavelmente funcional também.
Em criptografia de chave pública, cada usuário fica com duas chaves. São longas cadeias matemáticas ininteligíveis, e possuem uma propriedade quase mágica. Qualquer coisa que você embaralhe com uma chave o outro poderá entender e vice-versa. E são as únicas chaves com as quais você poderá fazer isso - se você pode desembaralhar uma mensagem com uma chave, você sabe que pode embaralhar com a outra (e vice-versa).

Então você usa uma destas chaves (não importa qual) e você a publica. Deste modo ela não é mais secreta. Qualquer um no mundo poderá conhecê-la. Por este motivo, obviamente, ela se chama “pública”.
A outra chave você guarda no canto mais longínquo do seu cérebro. Protege-a com a sua própria vida. Não deixa que outra pessoa fique sabendo dela. É chamada chave privada (Duh!)
Agora digamos que você é um espião e quer falar com seus chefes. Suas chaves públicas são conhecidas por todos. Ninguém conhece a sua chave privada, só você. Ninguém sabe a chave privada deles a não ser eles.

Você quer mandar uma mensagem. Primeiro você a criptografa com sua chave privada. Você poderia mandar a mensagem deste jeito, e funcionaria bem, desde que eles soubessem quando a mensagem chegasse e foi você que a mandou. Como? Porque se eles podem decriptografá-la com sua chave pública, significa que só pode ter sido criptografada com sua chave privada. É o equivalente a pôr seu selo ou assinatura no fim da mensagem. Isso diz “Eu escrevi isso e ninguém mais. Ninguém a adulterou ou alterou.”
Na verdade, isso infelizmente não mantém sua mensagem secreta, porque sua senha pública é bem conhecida (e tem que ser, ou você estaria limitado a mandar mensagens para as poucas pessoas que têm sua chave pública). Qualquer um que interceptar a mensagem vai poder lê-la. Eles não podem mudá-la e fazer parecer que veio de você, mas se você não quiser que qualquer um saiba o que está dizendo, então precisa de uma solução melhor.

Então, ao invés de só criptografar a mensagem com sua chave privada, você também a criptografa com a chave pública de seus chefes: agora ela está duplamente fechada. A primeira criptografia- a chave pública de seus chefes - só pode ser aberta com a chave privada de seus chefes. A segunda criptografia- sua chave privada - só é aberta com sua chave pública. Quando seus chefes receberem a mensagem, eles a abrirão com ambas as chaves e agora eles terão certeza de que a) você a escreveu e b) apenas eles podem ler.
Muito legal! O dia que eu descobri isso, Darryl e eu imediatamente trocamos chaves e passamos meses trocando mensagens como se fossem altos segredos militares sobre onde iríamos nos encontrar após a escola ou onde quer que Van pudesse nos encontrar.

Mas se você quer entender sobre segurança, você precisa considerar as possibilidades mais paranóicas. Do tipo, o que aconteceria se eu te enganasse pensando que minha chave pública é a chave pública de seu chefe? Você poderia criptografar a mensagem com sua chave privada e minha chave pública. Eu descriptografaria a mensagem, leria, criptografaria novamente com a chave pública verdadeira do seu chefe e a mandaria. Assim o seu chefe saberia que ninguém, a não ser você, poderia ter escrito a mensagem e ninguém, a não ser ele, poderia ter lido.

E eu ficaria no meio, como uma aranha gorda na teia, e todos seus segredos me pertenceriam.
Agora, a maneira mais fácil de consertar isso é anunciar amplamente sua chave pública. Se for realmente fácil para qualquer um saber qual é sua verdadeira chave, as coisas para o homem do meio ficam muito, muito difíceis. Mas sabe o que mais? Fazer as coisas serem bem conhecidas é tão difícil quanto guardar um segredo. Pense nisso - quantos bilhões de dólares são gastos em comerciais de xampu e outras porcarias apenas para fazer com que muitas pessoas conheçam o que algum anunciante quer que elas saibam?

Tem um jeito mais barato de fazer isso: A rede de confiança. Digamos que, depois de sair do Quartel General, você e seus chefes sentem para um café e um conte ao outro suas chaves. Nada mais de homem-do-meio! Você tem certeza das chaves que possui porque foram todas colocadas em suas mãos.
Até aí, tudo bem. Mas existe um limite natural para se fazer isso: com quantas pessoas você consegue encontrar-se fisicamente e trocar chaves? Quantas horas do dia você quer se dedicar a escrever o equivalente a seu próprio catalogo telefônico? Quantas destas pessoas estão dispostas a fazer o mesmo por você?  

Pense nisso como um auxílio à lista telefônica. O mundo é um lugar com várias listas telefônicas e quando você precisa de um número, você pode procurar na lista. Mas muitos destes números você já conhece ou pode perguntar a alguém. Hoje, quando estou na rua com meu telefone celular, eu perguntaria a Jolu ou Darryl se eles têm o número que eu procuro. É mais rápido e fácil do que procurar online e eles também são mais confiáveis. Se Jolu tem o número e eu confio nele, então confio também neste número. Isso se chama “confiança transitiva” - a confiança que se move através da rede de nossos relacionamentos.
Uma rede de confiança é uma versão maior que isso. Digamos que eu encontre Jolu e pegue sua chave. Posso colocá-la no meu “chaveiro” - uma lista de chaves que eu assino com minha chave privada. Isso significa que você não pode abri-la com minha chave pública e fica claro para mim - ou alguém com minha chave, enfim - diz que “essa chave pertence a este cara.”
Então eu te passo meu “chaveiro” e a confiança de que eu pessoalmente verifiquei cada chave nele, você pode então acrescentá-lo ao seu “chaveiro”. Agora você encontra alguém e lhe passa seu “chaveiro”. O chaveiro começa então a ficar maior e maior, e determina que você confia no cara seguinte na corrente e ele confia no cara seguinte e assim vai, você está assim bastante seguro.

O que me traz de volta às festas de assinatura das chaves. Isso significa exatamente o que quer dizer, uma festa onde todos se encontram e assinam um as chaves dos outros. Quando Darryl e eu trocamos chaves foi tipo uma mini festa de assinatura de chaves, uma festa com apenas dois tristes geeks. Mas, com mais gente, está criada a semente da rede de confiança, e a rede se espalha a partir daí. Assim que qualquer um com seu “chaveiro” sai pelo mundo e encontra outras pessoas, acrescentam mais e mais nomes as suas chaves. Você não precisa encontrar gente nova a partir daí, apenas acreditar que a chave que você pegou das outras pessoas de sua rede é válida.
Por isso, rede de confiança e festas particulares são como arroz e feijão.

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‘Diz ao pessoal que é uma festa super-privada, somente convidados. É para não trazer ninguém de fora ou eles não serão admitidos!’ Eu disse.
Jolu me olhou sobre seu café. “Tá brincando não é? Se você disser isso, todo mundo vai trazer amigos de fora.”
“Argh” eu disse. Eu passava uma noite por semana com Jolu, atualizando o código do indienet. O Porco Melancólico pagava por isso, o que era realmente bizarro. Eu nunca tinha sido pago para escrever programas.  
“Então o que a gente faz? Só queremos pessoas em quem confiamos de verdade, e não queremos dizer o motivo até ter as chaves de todos e então poder mandar uma mensagem em segredo para eles.”
Jolu reescrevia e eu olhava sobre seu ombro. Isso se chamava “Programação extrema” o que era um pouco embaraçoso. Nós chamávamos apenas “programação”. Duas pessoas conseguem visualizar erros melhor do que uma. Como diz o clichê “duas cabeças...”.

Estávamos acabando a última lista de erros e prestes a acabar uma nova versão. Tudo gravado em background, assim nossos usuários não precisariam fazer nada, eles acordariam com um programa melhor esperando por eles. Era muito louco saber que o código que eu escrevi seria usado por centenas de milhares de pessoas, amanhã.

“O que faremos? Eu não sei! Acho que teremos que viver com isso…”
Lembrei dos nossos dias de  Harajuku Fun Madness. Desafios sociais envolvendo grande número de pessoas como parte de um jogo.
“OK, você está certo. Mas vamos ao menos tentar manter em segredo. Diga-lhes que podem trazer no máximo uma pessoa e tem que ser alguém que conheçam pessoalmente, no mínimo por uns cinco anos.”
Jolu olhou para a tela. “Hei, isso vai dar certo. Já posso ver. Quero dizer, se você me diz para não trazer ninguém, todos dirão ‘Quem diabos ele pensa que é?’ Mas quando você põe desta maneira, parece algo do tipo 007.”
Eu encontrei um erro. Bebemos mais café. Fui para casa e joguei um pouco de Clockwork Plunder, tentando não pensar em donos de chaves com perguntas estúpidas e dormi como um bebê.

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Sutro Baths era uma autêntica ruína romana de mentira, em São Francisco. Quando abriu em 1896, era a maior casa de banhos do mundo, um gigantesco solarium de vidro vitoriano repleto de piscinas e banheiras e até uma queda d’água. O declínio começou nos anos 50 e os proprietários a incendiaram em 1966 para receber o seguro. Tudo que restou foi um labirinto de pedra desgastada pelo tempo próximo às bordas de um penhasco em Ocean Beach. Se parece com uma ruína romana, desmoronada e misteriosa e além estão algumas cavernas que vão dar no mar. Quando o mar está alto e bravo, as cavernas se inundam e invadem as ruínas - são conhecidos casos ocasionais de turistas que se afogaram por lá.

Ocean Beach fica um pouco depois do parque Golden Gate, uma linha de precipícios com caríssimas residências abandonadas sobre o abismo de uma praia estreita e infestada por águas-vivas e surfistas malucos. Há uma pedra enorme e branca que se sobressai na praia rasa, chamada Seal Rock e costumava ser o lugar onde os leões marinhos se juntavam até que foram realocados para um ambiente mais propício para os turistas, em Fisherman Wharf.

À noite é difícil encontrar alguém por lá. É muito frio, com o spray de sal que impregna seus ossos se você deixar. As rochas são pontiagudas e há sempre vidro quebrado e de vez em quando, agulhas deixadas por viciados.

Um lugar sensacional para uma festa.

Minha idéia era espalhar alguns panos encerados no chão e alguns aquecedores químicos. Jolu sabia onde conseguir a cerveja - seu irmão mais velho, Javier, tinha um contato que tinha um lance de venda de bebidas para menores de idade, o que pagava bem e iria providenciar para nossa festinha privada, barris com gelo e quanta cerveja nós quiséssemos. Usei uma parte da grana que ganhei com a programação da indienet e o cara ficou de aparecer na hora, 8 da noite, uma hora após o pôr do sol e trazer seis barris de gelo em sua picape até as ruínas dos Banhos. E trouxe até um barril vazio.

“Vocês meninos, brinquem direito!” ele disse ajeitando seu chapéu de cowboy. Ele era um samoano gordo com um enorme sorriso e uma pavorosa camisa sem manga dando para ver os pêlos saindo do sovaco e da barriga. Tirei vintinho da minha grana e passei para a sua mão - sua margem de lucro era de 150%. Nada mal.

Ele olhou para a minha grana e disse “Você sabe, eu poderia tirar isso de você.” disse sorrindo. “Afinal de contas eu sou um criminoso.”
Guardei o dinheiro no bolso e olhei francamente nos olhos dele. Eu tinha sido estúpido de mostrar quanto dinheiro eu estava carregando, mas eu sabia que algumas vezes você tem que se garantir.
“Tô só de brincadeira contigo!” ele disse, finalmente. “Mas toma cuidado com este dinheiro. Não sai mostrando ele por aí.”
“Valeu!” eu falei. “Onde está a DHS quando se precisa dela?”
Seu sorriso ficou ainda maior. “Há! Eles nem são tiras de verdade. Aqueles pica-paus não sabem de nada.”
Olhei para sua picape. Bem em seu quebra-vento havia um passe rápido. Pensei quanto tempo demoraria até pegarem ele.
“Vai ter garotas aqui esta noite? É pra isso que você pediu tanta cerveja?”
Eu sorri e acenei para ele como se me despedindo. Ele entendeu a dica e foi embora. Seu sorriso nunca se abalava.

Jolu me ajudou a esconder as geladeiras nos entulhos, trabalhando à luz de pequenas lanternas de LED branco presas a nossas testas. Uma vez que estavam no lugar, jogamos pequenos porta-chaves com LEDs dentro dos isopores para facilitar encontrá-los depois. 
Era uma noite sem lua e com neblina, e as luzes de rua distantes nos iluminavam. Eu sabia que pareceríamos labaredas à mira infravermelha, mas não há como juntar um monte de gente sem ser visto. Eu estava preparado para ser mandado embora dali, como se fosse uma pequena festa de bêbados na praia.

Eu não bebia muito. Sempre tinha cerveja, maconha e ecstasy nas festas que ia desde que tinha 14 anos, mas eu odiava fumar (contudo sou meio favorável a um brownie de haxixe às vezes), ecstasy tem um efeito muito prolongado - leva um final de semana para ficar no barato e outro para voltar ao normal - e cerveja, bem, é legal, mas eu ainda não entendo o que tem de tão bom. Meu favorito são grandes e elaborados coquetéis, do tipo servido em uma réplica de vulcão de cerâmica, com seis camadas, em fogo e um macaco de plástico na beirada, mas isso tudo é mais teatral do que qualquer outra coisa.

Eu gosto de ficar bêbado. Só não gosto da ressaca, e cara, eu sempre fico de ressaca. Provavelmente isso deve ter a ver com o tipo de drinques que são servidos em um vulcão de cerâmica.
Mas não dá pra dar uma festa sem colocar um tonel ou dois de cerveja no gelo. É o esperado. Faz a coisa toda funcionar. As pessoas fazem coisas bem estúpidas depois de muitas cervejas, mas não como meus amigos, e sim aqueles que têm carros. E pessoas fazem mesmo coisas estúpidas, não importa - cerveja ou maconha ou o que for, são todas secundárias ao fato principal.
Jolu e eu abrimos cada qual uma cerveja - Anchor Steam para ele e Bud Lite para mim - brindamos batendo as garrafas e sentamos numa pedra.
“Você disse para eles 9 da noite?”
“Sim!” ele disse.
“Eu também.”
Bebemos em silêncio. A Bud Lite era a coisa menos alcoólica no gelo. Eu precisava ter as idéias bem claras mais tarde.
“Você ficou com medo alguma vez?” eu disse ao fim.
Ele se virou para mim. “Não, cara, não fiquei. Eu sempre estou com medo. Tenho medo desde o minuto que as explosões ocorreram. Tenho tanto medo as vezes que não quero nem sair da cama.”
“Então por que está fazendo isso?”
Ele sorriu e disse:
“Talvez eu não faça isso por muito tempo. Quero dizer, é ótimo te ajudar. Legal mesmo! Não me lembro de ter feito algo assim tão importante. Mas, Marcus, meu camarada, tenho que te dizer...” e sua voz se arrastou até sumir.
“O quê ?” Eu sabia o que viria em seguida.
“Não posso fazer isso para sempre” disse, finalmente. “Talvez nem mais um mês. É muito arriscado. O DHS, não dá para brigar contra eles. É loucura. De verdade.”
“Você parece aVan.” eu disse. Minha voz soou mais amarga do que eu pretendia.
“Não estou te criticando, cara. Acho muito bacana você ser tão corajoso e fazer tudo isso. Mas não dá. Não posso viver minha vida o tempo todo apavorado.”
“O que está dizendo?”
“Estou dizendo que estou fora. Eu vou ser uma destas pessoas que agem como se tudo estivesse bem, como se tudo fosse voltar ao normal algum dia. Vou usar a internet como sempre usei e somente usarei a Xnet para jogos. Eu vou parar com tudo isso, é o que estou dizendo. Nunca mais vou fazer parte dos seus planos.”
Eu não disse nada.
“Eu sei que estou te deixando sozinho. E não queria isso, acredite. Não gostaria que você desistisse de mim. Você não pode declarar guerra ao governo dos EUA. Não é uma briga que alguém possa vencer. Ver você tentar é como assistir um pássaro se jogando contra o vidro de uma janela, de novo e de novo.”

Ele esperava que eu dissesse algo. O que eu queria dizer era, Jesus Cristo, Jolu, muito obrigado por me abandonar! Você se lembra como foi quando eles nos soltaram? Você se lembra como era o nosso país antes deles tomarem conta de tudo? Mas não era o que ele queria que eu dissesse. O que ele queria era:
“Eu entendo, Jolu. Eu respeito a sua escolha.”
Ele virou o resto da garrafa, puxou outra e arrancou a tampinha.
“E tem mais uma coisa...” ele falou.
“O quê?”
“Eu não ia dizer isso, mas quero que entenda o motivo de estar fazendo isso.”
“Caramba, Jolu, o que?”
“Eu odeio dizer isso, mas você é branco. Eu não sou. Gente branca pode ser pega com cocaína e só precisam passar pelo tratamento de reabilitação. Pessoas de cor são pegas com crack e vão para a prisão por vinte anos. Pessoas brancas vêem a polícia na rua e se sentem seguras. Pessoas de cor vêem os policiais na rua e pensam que estão ali pra te prender. Sabe o modo que o DHS está lidando com você? A lei deste país sempre foi assim conosco.”

Aquilo era injusto. Eu não pedi para ser branco. Eu não pensava que podia ser corajoso apenas por ser branco. Mas eu sabia o que Jolu estava dizendo. Se os policiais paravam alguém na Missão e pediam para ver a identidade, havia grande chance desta pessoa não ser branca. Qualquer risco que eu estivesse correndo, o de Jolu era maior ainda. Qualquer penalidade que eu tivesse que pagar, Jolu pagaria mais.
“Não sei o que dizer.” falei.
“Não precisa dizer nada. Eu só queria que você soubesse, para que pudesse entender.”
Vi algumas pessoas vindo pelo caminho na nossa direção. Eram amigos de Jolu, dois mexicanos e uma garota que eu conhecia de vista, pequena e engraçada, sempre com óculos escuros tipo Buddy Holly que a faziam parecer uma estudante de artes rebelde que sempre conseguia alcançar o sucesso nos filmes para adolescentes.

Jolu nos apresentou e demos cervejas para eles. A garota não quis e tirou da bolsa uma garrafinha pequena e prateada de vodka e me ofereceu. Tomei um gole - vodka quente requer um paladar apurado - e devolvi o frasco que era decorado com Parappa o Rapper.
“É japonesa” ela disse. “Eles têm estas garrafinhas para birita baseadas em jogos infantis. Totalmente demais!”
Eu me apresentei e ela se apresentou como ‘Ange’, e apertamos as mãos um do outro - sua mão era quente e seca com unhas curtas. Jolu apresentou seus camaradas, que eram seus conhecidos desde um acampamento de computadores na quarta série. Mais gente foi surgindo - cinco, então dez, e então vinte. Já era um grupo bem grande.

Tínhamos dito para que chegassem as 9:30 em ponto e aguardamos até as 9:45 para ver quem ainda apareceria. Quase 3/4 dos amigos de Jolu estavam presentes. Eu havia convidado todas as pessoas que realmente eu confiava. Ainda assim, eu era mais discriminador que Jolu, ou menos popular. Agora que ele me contou que estava saindo fora, me fez pensar que ele era menos discriminatório. Eu estava bravo com ele, mas tentava não demonstrar, concentrando-me em socializar com os outros. Mas ele não era estúpido. Ele sabia o que estava rolando. Eu podia ver que estava realmente deprimido. Bom.
“OK!” eu disse subindo em uma ruína. “OK, EI, ALÔ?” Alguns poucos mais próximos prestaram atenção em mim, mas aqueles ao fundo continuavam conversando. Levantei os braços como um juiz de futebol, mas estava escuro demais. Ao final tive a idéia de usar a lanterna LED do chaveiro para apontar cada um deles que ainda conversavam e atrair a atenção para mim. Aos poucos, a turma se aquietou.

Saudei a todos e agradeci por terem vindo e pedi que se aproximassem para que eu pudesse explicar o motivo de estarem ali. Podia dizer que estavam cientes da discrição da coisa, intrigados e um pouco calorentos por conta da cerveja.

‘É o seguinte. Todos vocês usam o Xnet. Não foi uma coincidência a Xnet ter sido criada logo apos a DHS tomar conta da cidade. As pessoas que a criaram são parte de uma organização devotada à liberdade individual, e criaram a rede para nos manter a salvo da DHS.”Jolu e eu já tínhamos trabalhado naquele discurso com antecedência. Nós não iríamos contar que estávamos por detrás disso tudo, não para todos.
Era muito arriscado. Ao invés, iríamos nos colocar como meros tenentes do exército de “M1k3y”, agindo para organizar a resistência local.
“A Xnet não é pura. Ela pode ser usada pelo outro lado, assim como nós. Sabemos que existem espiões da DHS que também a utilizam. Eles usam truques de engenharia social para tentar que nós nos revelemos, para poderem vir nos prender. Para que a Xnet tenha sucesso, precisamos pensar numa maneira de evitar que eles nos espionem. Precisamos de uma rede dentro da rede.”

Parei e esperei que entendessem. Jolu havia sugerido que poderia ser um pouco pesado para alguns entender que eles estavam sendo recrutados para uma célula revolucionária.
“Prestem atenção, não estou pedindo que façam nada. Vocês não precisam sair por ai causando interferência ou coisa assim. Vocês foram convidados para vir por serem pessoas legais e sabemos que podemos confiar em vocês. É com esta confiança que eu espero que contribuam esta noite. Alguns de vocês já conhecem a rede de confiança e as festas de assinatura de chaves, mas para o resto de vocês, eu vou explicar bem devagar como isso funciona...’ E foi o que fiz.
‘Agora o que eu quero de vocês esta noite é que encontrem aqui as pessoas e pensem o quanto podem confiar nelas. Nós ajudaremos a vocês a gerar chaves e compartilhar elas com os outros.’

Esta parte era complicada. Pedir para que trouxessem seus laptops não funcionaria, mas ainda precisávamos fazer algo muito complicado e que não funcionaria muito bem com papel e caneta.
Eu havia trazido um laptop que eu e Jolu montamos na noite anterior quase que a partir do zero. “Eu trouxe este laptop de confiança. Cada componente foi colocado dentro dele com nossas próprias mãos. Está executando uma versão não padrão de ParanoidLinux, a partir de um DVD. Se existe uma máquina confiável neste mundo, com certeza é esta aqui.”

“Eu tenho um gerador de chaves nela. Vocês vão vir aqui e fazer uma entrada aleatória - apertar as teclas, mexer o mouse - e isso será usado para criar uma chave aleatória pública e privada para você. Essa chave aparecerá na tela. Vocês poderão tirar uma foto dela com o celular e apertar qualquer tecla para que ela desapareça para sempre - ela não será guardada neste computador. Então o programa irá te mostrar a sua chave pública. Neste instante, você vai chamar todas as pessoas daqui em quem confiam e que confiam em você e eles vão tirar uma foto da tela com você junto dela, assim eles saberão de quem é a chave.”
“Quando vocês chegarem em casa, vão precisar converter as fotos em chaves. Isso vai dar um pouco de trabalho, eu receio, mas só precisarão fazer isso uma vez. Vocês precisam ser super cuidadosos ao digitar - um erro e estarão ferrados. Felizmente temos um jeito de dizer se deu certo; debaixo da chave tem um número menor, chamado “impressão digital”. Uma vez que você tenha digitado a chave, você pode gerar uma “impressão digital” dela. É só comparar. Se forem iguais, você está digitando certo.”

Todos estremeceram. OK, eu estava pedindo para fazer algo bem estranho, mas ainda assim era preciso.




Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Capítulo 10 [ Download ]

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2.0.1.0. e contando...



O Capacitor Fantástico deseja a todos um 2010 repleto de FC/Fantasia/Terror/Mistério/Fantástico !



















quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Os melhores livros de Ficção Científica e Fantasia (2000 a 2009)



Declare (2001) é um romance de fantasia de Tim Powers, uma versão inovadora para o gênero espionagem.

O reino mundano da biologia, se rende ao domínio das forças sobrenaturais que manipulam nossa vida à sua vontade, e alguns seres humanos são cúmplices das entidades e djinns. Os soviéticos aceitam, com fatalismo, uma poderosa rainha djinn como patronesse, zelando pela manutenção e expansão das fronteiras da URSS e do comunismo, implicando que para isso, agentes russos devam ser enviados para o Monte Ararat, local onde a  aliança será firmada. Contra esta perspectiva apocalíptica, as potências ocidentais mobilizam seus serviços secretos para uma uma missão com o objetivo de manter fechada a rolha na garrafa do gênio.

O livro ganhou o World Fantasy Award e o International Horror Guild, e foi indicado para o Prêmio Locus.





Cloud Atlas (2004), o romance do autor britânico David Mitchell, ganhou o British Book Awards Literary Fiction Award e o Richard&Judy de Livro do Ano, e foi pré-seleccionados para o Booker Prize, Nebula, Arthur C. Clarke Award, e outros prêmios, colocando-o entre os mais premiados na história recente da FC.

O virtuoso Mitchell evoca uma variedade de gêneros, de Melville ao noir californiano, até a fantasia distópica. Temos um funcionário ingênuo, numa viagem à Polinésia do século XIX, uma aspirante a compositora que se insinua na casa de um gênio sifilítico; um jornalista que investiga uma usina nuclear, uma editora com um perigoso best-seller em suas mãos, e um humano clonado que está sendo criado para o trabalho escravo.
Estas histórias são divididas e organizadas em torno de uma sexta história, de um narrador em uma ilha pós-apocalíptica, que constitui o cerne do romance.





Mélusine (2005) é um romance de fantasia de Sarah Monette.

A história gira em torno de duas personagens: Félix Harrowgate, um mago e membro da alta sociedade da Magia, e o ladrão Mildmay, a Raposa, que vivem em regiões muito diferentes da cidade de Melusina.

O destino os reune quando Félix é acusado de destruir o cristal Virtu, uma esfera que canaliza a energia mágica em Melusina. Mildmay, por outro lado, compromete-se por um furto menor. O roubo abre o caminho para uma série de acontecimentos infelizes, que forçam Felix e Mildmay, à uma parceria que nenhum deles poderia ter previsto ou desejado.





Burn (2005) é um romance de ficção científica de James Patrick Kelly, e recebeu um prêmio Nebula.

Prosper Gregory Leung é um agricultor que foi recrutado para ajudar a combater os incêndios florestais em seu planeta natal de Walden. Após ser ferido no cumprimento do dever, ele é enviado para recuperar-se em um hospital, onde acaba por entrar em contato com um jovem governante do planeta Kenning.

Kelly extrapola intrigantes aspectos humanos ao nos apresentar uma colônia de "humanos verdadeiros", que rejeitara a tecnologia avançada, em troca de uma vida de simplicidade voluntária.






Natural History (2004) de Justina Robson é um romance ousado e original de FC, uma obra impressionante, de idéias arrojadas e personagens inesquecíveis.

Retrata um mundo do futuro, em que criaturas especiais e sensíveis, chamadas forged (forjados), foram criadas para funções específicas.  Quando crianças, elas vivem uma vida rica em realidade virtual, onde desenvolvem suas funções biológicas. No entanto, quando adultos recebem órgãos e personalidades que são projetadas para atender a finalidades específicas. Já não são permitidas no espaço virtual, e estão presos em corpos mecânicos, desprovidos das ricas experiências e das relações com os quais foram criados.

Embora a ideia de híbridos da engenharia genética não seja em nada nova, a forma com que Robson dá vida aos forged é deslumbrante, e Robson não deixa o leitor ignorar as implicações sexuais, biológicas e éticas.





Camouflage (2004), o romance de ficção científica escrito por Joe Haldeman, ganhou os prêmios Nebula e o Tiptree James, Jr.

Um milhão de anos antes da aurora do Homo sapiens, dois imortais alienigenas vagam pela Terra, desmemoriados de sua origem ou finalidade. Mais tarde, no ano de 2019, um artefato em formato de ovo, é descoberto ao largo da costa de Samoa, enterrado nas profundezas do oceano.

O misterioso artefato faz com que os dois seres alienígenas se questionem sobre o significado do objeto e sua relação com ambos. 





Seeker (2005) é um romance de ficção científica de Jack McDevitt e recebeu o prêmio Nebula, além de ter sido indicado ao John W. Campbell Award.

A história se passa cerca de 10.000 anos no futuro, após a raça humana ter se expandido a ponto de habitar incontáveis mundos.

Alex Bento e seu parceiro Chase Kolpath, se especializaram em um novo tipo de arqueologia espacial, envolvendo vasculhar bases abandonadas e espaçonaves desertas, em busca de itens valiosos.

Porém um dia se aproxima de Alex uma misteriosa mulher, que pede a ele para verificar o valor de um copo cheio de símbolos estranhos. Depois de alguma pesquisa, descobrem que a taça é uma relíquia de 9.000 anos de idade, de um dos primeiros veículos FTL (mais rápido que a luz), o Seeker.

Seeker era uma nave-colônia, tripulada por uma facção conhecida como Margolians, que estavam fugindo de uma sociedade opressora, na esperança de se estabelecer em um mundo livre.
Mal sabem eles que este é apenas o começo de uma aventura que os levará aos confins do Universo.





Hominids (2003) de Robert J. Sawyer, ganhou o Hugo e foi indicado para receber o Nebula, devido a sua originalidade e extrapolação científica única.

Hominids é um romance de ficção especulativa, e também o primeiro livro da série Neanderthal Parallax, uma trilogia que analisa duas espécies estranhas uma para a outra, e unidas na busca incessante do conhecimento.

Nós somos uma dessas espécies, a outra é a do Homem de Neandertal, de um mundo paralelo, onde eles, e não o Homo sapiens, tornaram-se a inteligência dominante. Nesse mundo, a civilização Neanderthal alcançou status de cultura e possui uma ciência comparável à nossa, mas diferentes em sua história, sociedade, filosofia, etc.

Durante um experimento em uma mina no Canadá, Ponter Boddit, um físico Neanderthal, acidentalmente perfura a barreira entre os mundos, e é transferido para o nosso universo.
Ele é capturado e estudado, sozinho e confuso, um estranho em uma terra estranha.

O contato entre humanos e neandertais cria um relacionamento cheio de conflitos, um desafio filosófico que ameaça a existência das espécies, mas igualmente rico em possibilidades de cooperação e de crescimento em vários aspectos científicos e até espiritual.





Never let me go (2005) é um romance de ficção especulativa do escritor britânico Kazuo Ishiguro.

O livro foi indicado para os prêmios Booker Prize, Arthur C. Clarke e o National Book Critics Circle  Award e a revista Time nomeou-o como melhor romance de 2005 e o incluíu na lista dos 100 melhores em língua inglesa (1923-2005). Ele também recebeu uma ALA Alex Award.

A história se passa em uma Inglaterra distópica, em que os seres humanos são clonados para fornecer órgãos para transplante, e Kathy, uma jovem de 31 anos, e seus amigos, foram criados para serem doadores.






Mortal Engines (2004) é o primeiro romance de Philip Reeve, da série steampunk Hungry City Chronicles.

O livro, que ganhou o prêmio Nestlé Smarties Book Prize, e foi indicado para o Whitbread, é ambientado em um mundo pós-apocalíptico steampunk, devastado em eras passadas por um holocausto nuclear conhecido como "Sixty Minute War".

Para fugir dos terremotos, vulcões e outras instabilidades geológicas, um homem chamado Nikola Quercus, projetou um sistema que permite que cidades inteiras se tornem veículos imensos, conhecidos como Traction Cities, e que devem consumir umas as outras, a fim de sobreviver em um mundo privado da maior parte dos recursos naturais.

A Europa, parte da Ásia, o norte da África, a Antártida e o Ártico, são habitadas por Traction Cities, e a América do Norte tornou-se um deserto radioativo. As nações deixaram de existir, sendo cada cidade um Estado.

Londres é a Traction Cities principal do livro.
Em Londres os Engenheiros são responsáveis por manter as máquinas. Os Historiadores são responsáveis por recolher e preservar artefatos antigos, altamente valorizados. Os Navegadores são responsáveis pela direção e por traçar o curso de Londres. Os Comerciantes são responsáveis pela economia.

Uma aventura excitante, violenta e tremendamente cativante.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os melhores livros de Ficção Científica e Fantasia (2000 a 2009)



Look to Windward (2000) é uma space-opera do escritor escocês Iain M. Banks, parte da série conhecida como Culture.

A civilização Chelgrian entrou em colapso graças a uma guerra civil que matou cinco bilhões de Chelgrianos.
O Major Quilan ainda sofre pela morte de sua esposa durante a guerra civil Chelgrian, quando ambos eram soldados. Oferecida a oportunidade de vingar-se, Quilan recebe a mente de um general morto, através de um 'soulkeeper', um dispositivo normalmente usado para armazenar a personalidade de seu dono em caso de morte. Quilan é então enviado para Masaq Orbital (um gigantesco anel espacial, frequentado por diversas culturas alienígenas, por se tratar de um paraíso de prazer e diversão).

Para protegê-lo, sua memória original é inibida, até que ele atinja seu alvo.
No entanto, ele agora possui memórias que remontam à Guerra, e precisa lutar com seus próprios demônios, sobre o seu papel naquela missão.

Look to Windward pode ser considerado a última peça do quebra-cabeças montado por Banks, um romance maduro, com doses de terror, por vezes com passagens hilariantes. Observações sociais elaboradas, seqüências de ação e intriga intensas, são as marcas do equilíbrio conseguido por Banks, e que tornaram Look to Windward um dos romances mais importantes de FC mundial.





Perdido Street Station (2001) escrito por China Miéville, explora um mundo fictício, industrial e capitalista, habitado por humanos e xenians, seres humanóides parte inseto, ou parte pássaro, ou cactus, etc, onde a magia e a tecnologia co-existem, apesar desta última não ter evoluido da maneira tradicional, uma combinação de alquimia, ciência vitoriana steampunk.

O romance foi indicado para o Nebula e o Hugo, e recebeu os prêmios British Society Derleth Fantasy, o Arthur C. Clarke, o Ignotus e Kurd Laßwitz Award.


Isaac Dan der Grimnebulin é um cientista excêntrico e corpulento que vive com sua namorada Lin, de uma raça de insectóides. Enquanto ela é uma artista, Isaac, que é visto como um pária pelos acadêmicos devido ao seus métodos pouco conformes, se vê diante de um desafio. Restabelecer as asas do multilado garuda Yagharek, cortadas por sua tribo, como castigo por um crime que ele alega não ter equivalente entre os humanos. Isaac é provocado pela natureza aparentemente impossível da tarefa, e reúne todos os animais voadores para estudar em seu laboratório - incluindo uma larva multicolorida não identificável, obtida através de meios ilícitos.

Isaac descobre que a lagarta se alimenta de uma droga alucinógena chamada "dreamshit", e começa a alimentá-la, involuntariamente assim estimulando sua metamorfose em uma borboleta incrivelmente perigosa, hipnótica e  que se alimenta dos sonhos das pessoas, deixando-as catatônicas.

Quando a criatura escapa, toda a cidade corre perigo, e apenas Isaac pode encontrar um jeito de salvá-los.





Oryx and Crake (2003) é uma ficção científica distópica da autora canadense Margaret Atwood.

Oryx e Crake foi selecionada para o Man Booker Prize.

Oryx e Crake analisa criticamente a evolução científica e tecnológica, tais como o xenotransplante e a engenharia genética, principalmente a criação de animais híbridos como "wolvogs (cruzamento de lobos e cães)," rakunks "(quati e gambá), e" pigoons "(suínos e babuínos, para fornecer orgãos para transplantes).

Esta sociedade, que não só tolera mas favorece a comercialização tão extrema e a mercantilização da vida, também produziu uma diferença agravada entre ricos e pobres, bem como pornografia infantil on-line.

Oryx and Crake não procura imaginar novas descobertas; o romance extrapola apenas com base em tecnologias que estão, em princípio, disponíveis atualmente, e através de evoluções sociais e econômicas, questiona suas escolhas éticas, chegando a conclusões radicais.





Rainbows End (2006) é um romance de ficção científica de Vernor Vinge e foi premiado com o Hugo de Melhor Romance. O livro é ambientado em San Diego, Califórnia, em 2025.

Os avanços tecnológicos retratados no livro, sugerem que o mundo está passando por crescentes mudanças, talvez destinadas a uma singularidade tecnológica, um tema recorrente de Vinge (também em não-ficção).
  
Robert Gu é um homem que lentamente se recupera da doença de Alzheimer, graças aos avanços da tecnologia médica. Robert (que sempre foi ligeiramente tecnofóbico) deve se adaptar a um mundo onde quase tudo está conectado em rede, e a convivência com a tecnologia é constante.

Ao mesmo tempo Robert e sua neta Miri, se veem envolvidos numa trama complexa sobre um oficial de inteligência traidor, um intelecto escondido (e possivelmente sobre-humano) por trás de um avatar de um coelho antropomórfico, e uma sinistra tecnologia de controle da mente com graves implicações.

Como em outros trabalhos de Vinge, a discussão da segurança e da privacidade, em um mundo cada vez mais digital/virtual, é um dos principais temas do livro. À sua maneira, ele analisa as implicações da rápida evolução tecnológica que potencializa perigosamente tanto indivíduos descontentes que ameaçam perturbar a sociedade, quanto aqueles que procuram impedí-los de todas as formas.





Time Traveler's Wife (2003) é o livro de estréia da escritora americana Audrey Niffenegger.

Uma história de amor entre um homem com uma doença genética (crono-deslocamento), que faz com que o tempo se comporte de maneira imprevisível, e sua esposa, uma artista que tem que lidar com suas ausências freqüentes e perigosas.

Niffenegger escreveu a história como uma metáfora para relacionamentos fracassados.
O romance examina questões sobre o amor, a perda e o livre-arbítrio, utilizando as viagens no tempo para explorar as falhas de comunicação nas relações, enquanto também investiga questões existenciais mais profundas.

O livro se tornou um best-seller e até Março de 2009 tinha vendido cerca de 2,5 milhões de cópias nos Estados Unidos e no Reino Unido, ganhando o Exclusive Books Boeke Prize e um British Book Award e logo terá uma adaptação para o cinema.





Stories of Your Life And Others (2002) é uma coleção de contos do escritor Ted Chiang, e com exceção de "Liking What You See: A Documentary", foram todos publicadas anteriormente.

Uma maravilhosa coletânea para um dos escritores mais imaginativos da ficção científica, um livro obrigatório  para quem aprecia ficção científica (ou mesmo quem não gosta de FC).

Chiang adquiriu uma enorme reputação através dos contos reunidos neste livro.
Contos vencedores de prêmios desejados, como o Hugo, Nebula, Theodore Sturgeon Memorial, Sidewise.

É raro um escritor tornar-se tão proeminente tão rapidamente. Neste caso porém, é merecido.
Como um hábil malabarista, Chiang trabalha com múltiplas concepções do que é normal, nos deixando maravilhados com sua destreza. Provavelmente este tipo de distorção da realidade, só poderia ser feita com tal intensidade, somente em histórias curtas. Ainda assim, a coisa mais surpreendente é o sentimento impregnado em seu trabalho, sempre acompanhado pelo exercício intelectual.
Suas histórias são audaciosas, desafiadoras, e ao mesmo tempo comoventes.

Talvez o maior elogio que se possa fazer a Ted Chiang, seja compará-lo com outros dois grandes escritores, como Philip K. Dick e Borges, porém, com mais embasamento científico.





Nekropolis (2001) é um romance escrito por Maureen F. McHugh, que oferece uma visão extraordinária,  de um mundo futuro, mal tocado pelo passar dos séculos, ainda cravado nas raízes do passado.

Hariba passou sua juventude entre as coroas de flores de papel que sua mãe meticulosamente construía, brincando com outras crianças entre fileiras de prédios antigos em ruínas. Mas quando uma indiscrição de seu irmão mais velho, tira de Hariba, qualquer possibilidade de vir a casar-se, ela concorda em submeter-se a um processo de tecnobiologia, destinado a tornar-la dócil e subserviente (e menos humana) a quem queira pagar por seus serviços. Desta forma ela poderia escapar da vida limitada e da desesperança quanto ao seu destino... embora sem nunca poder voltar a ser verdadeiramente livre.

Vencedora de um Hugo, McHugh possui um estilo provocador e deslumbrante, tão cativante que conquistou  leitores de autores aclamados de fantasia, como Ursula K. Le Guin e Margaret Atwood.





City of Saints and Madmen (2006) é uma coleção de contos de fantasia do escritor Jeff Vandermeer.

As histórias de City of Saints and Madmen se passam em Âmbar, uma cidade povoada por seres humanos, depois que seus habitantes originais, uma raça de cogumelos humanóides, foram violentamente expulsos para as profundezas da terra. Essas criaturas, embora longe da vida cotidiana em Âmbar, continuam a interferir na vida da cidade, em suas sinistras e secretas atividades noturnas.

VanderMeer é um mestre de situações inusitadas, capaz de criar cenários fabulosos e divertidos personagens bizarros. Dono de uma prosa sofisticada e hipnótica, um dos melhores escritores de fantasia pós-moderna.





Pushing Ice (2005) é uma space-opera do autor galês Alastair Reynolds.

Pushing Ice começa em um futuro distante, onde os governadores eleitos da humanidade se reúnem para decidir sobre uma cerimônia para homenagear uma mulher que consideram responsáveis pelo avanço tecnológico e pela expansão territorial da raça humana, Bella Lind.

Para explicar o seu papel, a história volta aos primórdios da exploração do sistema solar, onde Lind é o capitão da Rockhopper, uma nave usada para a mineração de cometas de gelo.
Em uma missão de rotina, Lind é informada de que lua de Saturno, Janus, se desviou da sua órbita normal, e está acelerando para fora do sistema solar. A Rockhopper, única nave capaz de capturar Janus, assume a tarefa, apesar de suas limitações de combustível e suprimentos.

No entanto, em sua abordagem, Janus revela-se não ser um satélite desgarrado...





The Yiddish Policemen's Union (2007), do autor americano Michael Chabon, é um romance de ficção alternativa, baseado na premissa de que, durante a II Guerra Mundial, a solução para proteger os refugiados judeus foi a de estabelecê-los no Alasca.

O livro ganhou os principais prêmios de ficção científica como o Nebula, o Locus, o Hugo e o Sidewise,
e foi indicado para o British Science Fiction Association Award, e o Edgar Allan Poe Award.

Em 1940, durante a II Guerra Mundial, os Estados Unidos implementaram a oferta de terras no Alasca, para a ocupação temporária dos refugiados judeus europeus, que estavam sendo perseguidos pelos nazistas.

Sitka é o centro do assentamento judaico no Alasca e agora uma grande metrópole de língua iídiche.
As terras além da fronteira de Sitka são povoadas principalmente por nativos do Alasca, em constante atrito com os judeus, mas há também casamentos inter-raciais e trans-culturais.

A independência de Sitka nos últimos sessenta anos se vê ameaçada quando o presidente (cristão evangélico) dos Estados Unidos, propõe a 'reversão' de Sitka para os Estados Unidos.

Mas isso não parece preocupar Meyer Landsman, um policial desonesto e alcoolatra, ocupado em investigar um estranho assassinato. Com a seu parceiro meia-nativo, meio-judeu, e seu chefe (que é também sua ex-esposa), Landsman perambula entre perigosas gangues de ortodoxos e rabinos criminosos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Os melhores livros de Ficção Científica e Fantasia (2000 a 2009)



The Years of Rice and Salt (2002) é um romance de história alternativa, utilizando-se dos principais elementos religiosos do budismo e do islamismo, escrito pelo consagrado autor Kim Stanley Robinson.
Uma experiência em pensar sobre um mundo onde, nem o cristianismo, nem as culturas europeias, tiveram parte significativa da História.

Lugares conhecidos recebem novos nomes, a maioria de origem árabe ou chinês. Por exemplo, a Europa torna-se Firanja, Grã-Bretanha e Irlanda se tornam o Sultanato Keltic e a Espanha torna-se Al-Andalus, enquanto o Oceano Pacífico e Austrália são chamados por nomes chineses e a América do Norte se torna Yingzhou, a terra do mito chinês.

Ganhou o Prêmio Locus de Melhor romance de ficção científica.





Acácia (2007) é um romance de fantasia-épica, escrito por David Anthony Durham.

Leodan Akaran, governante do Mundo Conhecido, herdou gerações de aparente paz e prosperidade, conquistada há séculos por seus antepassados. De seus quatro filhos ele esconde a realidade negra do tráfico de drogas e de vidas humanas, da qual depende a sua prosperidade. Ele espera poder mudar isso, mas forças poderosas estão em seu caminho. Um assassino enviado por uma raça chamada de Mein, exilado há muito em uma fortaleza de gelo no norte gelado, ataca Leodan no coração de Acacia, enquanto outros inimigos desencadeam ataques de surpresa por todo o império. Em seu leito de morte, Leodan põe em execução um plano para permitir que seus filhos consigam escapar, cada um com seu destino em separado. Seus filhos começam uma jornada para vingar a morte de seu pai e restaurar o império, desta vez sobre a base da liberdade universal.

O romance é notável pela complexidade do mundo imaginado por Durham, no qual forças políticas, econômicas, mitológicos e moralmente ambíguas, influenciam os destinos da população étnica e culturalmente diversa.





Air ou Air:Or Have not Have (2005) é um romance de Geoff Ryman, que ganhou os prêmios British Science Fiction Association Award, o Tiptree James, Jr. Award, e o Arthur C. Clarke Award, além de ser indicado para os prêmios Philip K. Dick Award, Nebula e John W. Campbell Memorial Award.

O romance inicialmente nasceu como um conto, publicado na revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction, intitulado Have not Have ("Já não temos") em 2001.

É a história de Chung Mae, uma mulher inteligente mas analfabeta, nascida de uma pequena aldeia no país fictício do Karzistan (vagamente baseado no Cazaquistão), e seu papel de liderança na reação às dramáticas experiências em todo o mundo, com uma nova tecnologia de informação chamada AIR.

AIR é o intercâmbio de informações (semelhante a Internet), que ocorre de um cérebro para outro, destinado a conectar todo o mundo. Um teste do AIR é realizado na cidade de Mae, nas montanhas, e tudo derrepente se transforma, especialmente para Mae, que foi afetada mais do que qualquer outra pessoa.






The Secret History of Moscow (2007) é um extraordinário romance de fantasia escrito por Ekaterina Sedia.

Cada cidade tem seus lugares secretos e Moscou não é diferente.
Galina é uma mulher jovem, presa como muitos de seus contemporâneos, na incerteza econômica e aparente ilegalidade do seu país. No meio a todo este caos, sua irmã Maria se transforma em uma gralha e voa para longe... Galina busca ajuda em Yakov, um policial investigando uma onda de desaparecimentos recentes.
Sua busca irá levá-los para um reino subterrâneo de magia, cavernoso e sombrio, onde divindades pagãs vivem exiladas e criaturas de contos de fadas ainda sussurram  histórias para quem quiser ouvir.





City at the End of Time (2008) é um romance de ficção científica escrito por Greg Bear.

Um grupo de vagabundos desajustados na moderna Seattle; Ginny, Jack, e Daniel, são atormentados por estranhas visões, de um lugar chamado "Kalpa". Este é o nome da cidade que dá o título ao livro, cem trillões de anos no futuro, Kalpa permanece como o último bastião da realidade, contra um inexplicável fenômeno que destruiu todas as leis da física, destruindo o resto do antigo universo.

Uma experiência visceral da teoria cosmológica, desafiador e imaginativo.
City at the End of Time foi indicado para os prêmios Locus e W. John Campbell Memorial Awards.





In the Courts of the Crimson Kings (2008) é um romance de ficção alternativa do escritor S.M.Stirling, que se passa no planeta Marte, em um universo alternativo similar ao nosso, em que as sondas americanas e soviéticas encontraram vida inteligente e civilizações em Vênus e Marte.

Influenciado pelas obras de escritores como Ray Bradbury, a história se inicia em 1962, quando vários e famosos autores de ficção científica estão assistindo uma sonda espacial norte-americana pousar em Marte.

...E vêem os marcianos chegarem em um veículo e carregar a sonda com eles...

Stirling, com muito estilo e imaginação, faz um vigoroso pastiche dos contos de ficção científica do passado, evocando a Marte de Edgar Rice Burroughs.





Spin State (2003) é um romance de FC hard, de Chris Moriarty, e foi finalista dos prêmios Philip K. Dick, John Campbell, Spectrum e Prometeu.

Na melhor tradição ciberpunk, a Major Catherine Li, com trinta e sete viagens pelo espaço em velocidade mais rápida que a luz, possui um backup de quinze anos de sua memória. Mas nenhum implemento cibernético pode prepará-la para o que ela encontra no planeta Compson: uma colônia de mineração que uma vez ela chamou de lar, e para a qual é enviada após uma malfadada missão.

Intrigas interestelares, assassinatos, perseguições à milhares de quiôometros debaixo da superfície de um mundo alienígena, os becos escuros da espionagem e uma conexão com uma AI que pode literalmente fundir sua mente, a aguardam em Compson.





Blindsight (2006) é um romance de ficção científica hard de Peter Watts. indicado para o prêmio Hugo na categoria de melhor novela.

Oitenta anos no futuro, a Terra se torna consciente de uma presença alienígena, quando centenas de micro-satélites de vigilância, detectam uma nave alienígena se aproximando e a nave Teseu, com uma inteligência artificial no comando e a tripulação de cinco passageiros, é enviada para realizar o primeiro contato com a gigantesca nave alienígena chamada Rorschach.

Blindsight se concentra nos conceitos de identidade, cognição e os problemas da inteligência, inovando com sua visão desconcertante, a familiar história na FC, do primeiro contato com vida extraterrestre.





Glasshouse (2006) é um romance de ficção científica do britânico Charles Stross e pode ser considerado como uma sequência de Accelerando, embora possa também ser lido isoladamente.


A humanidade espalhou-se por toda a galáxia no século 27, utilizando-se da tecnologia dos buracos-de-minhoca, adquirida de alienígenas.

Robin, um orto-humano do sexo masculino, está se recuperando de um processo de amputação de memória em um centro de reabilitação. Embora ele não se lembra de sua vida passada, suspeita que viveu momentos traumáticos como um participante de uma série de guerras que duraram muitos anos.
Suspeitando que pessoas desconhecidas querem lhe matar, ele concorda em participar de um experimento radical, que tentará recriar as "Eras Negras", o final do século 20 e início do século 21.

Conforme a experiência se desenrola, ele começa a suspeitar que tudo não é o que parece ser, e que os criadores do experimento estão envolvidos em uma sinistra conspiração.

No contexto do romance, "glasshouse" refere-se a uma prisão militar. Stross também se refere a Glasshouse como uma espécie de pan-óptico, uma prisão construída de tal forma que os guardas no centro pode ver tudo o que os presos estão fazendo, mas os presos nunca podem saber se os guardas os estão assistindo.

Glasshouse foi indicado para os prêmios Hugo, Campbell e Locus Awards.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os melhores livros de Ficção Científica e Fantasia (2000 a 2009)

Mordidos pelo mosquitinho do fim de ano, não podíamos deixar de fazer a nossa lista, com o que de melhor foi publicado em Ficção Científica e Fantasia estrangeira nos últimos dez anos.

Para uma tarefa como esta, coletamos indicações de outras listas, além daqueles livros que incluímos por que gostamos. E como não poderia deixar de ser, tivemos que bolar um critério para explicar por que deixar fulano ou ciclano de fora dela. Bem, deixamos de fora algumas continuações de séries, de space-operas e semelhantes, por achar que não representaram nada de novo, apenas mais-do-mesmo.

Deixamos de fora também nomes do calibre de Gaiman e  Rowling, por pensar que já obtiveram exposição o suficiente (e convenhamos, nem sempre por merecimento).

Dos autores com mais de um livro selecionado, escolhemos aquele mais citado, e não incluímos também, livros lançados no segundo semestre de 2009.

Lamentamos somente que não exista, para a maioria destes títulos, qualquer previsão de lançamento no Brasil. Vale lembrar que estamos disponibilizando Little Brother (Pequeno Irmão) de Cory Doctorow, em uma versão própria nossa, um capítulo a cada sábado.

Portanto de hoje até o último dia do ano, estaremos trazendo aqueles que foram os melhores livros de FC e Fantasia na nossa opinião. Esperamos que gostem!






Bones of the Earth (2002) é um romance de ficção científica de Michael Swanwick. Indicado para o Prêmio Nebula, o Hugo, o Campbell, e o Locus Awards.

O paleontólogo Richard Leyster atingiu o auge de sua profissão: uma posição no Museu Smithsonian mais um novo sítio com fósseis de dinossauro para pesquisar, publicar seus trabalhos e aprender. Nada poderia ser melhor - até que um estranho chamado Harry Griffin entra no escritório de Leyster com uma oferta de emprego e uma geladeira portátil.

Nela está a cabeça de um estegosauro recém abatido. A Griffin foi confiado um extraordinário presente; uma tecnologia mantida escondida da humanidade, para uma finalidade não revelada pelos seres conhecidos por alguns poucos como os Imutáveis. A única condição é não alterar a história conhecida. Se o pacto for quebrado, o contrato se torna nulo.

A viagem no tempo se tornou uma realidade, milhões de anos antes do que racionalmente poderia acontecer.  Richard Leyster e seus colegas tornam realidade as suas fantasias mais desejadas. Eles estudam os dinossauros de perto, em seu próprio tempo e ambiente. Porém uma palavra errada, um único ato errado, poderia ser desastroso para o projeto e para o mundo. O trabalho de Griffin é fazer tudo dar certo, tudo que supostamente deveria acontecer deve acontecer, não importando quem seja magoado... ou morto.





The Magician's Apprentice (2009) é um romance de fantasia de Trudi Canavan. É o início da história que ocorre centenas de anos antes da trilogia The Black Magician.

Na remota aldeia de Mandryn, Tessia serve como assistente para seu pai, o curandeiro da aldeia - para a frustração de sua mãe, que preferia que ela encontrasse um marido. Apesar de saber que as mulheres não são bem aceites pelo Sindicato dos Curandeiros, Tessia está determinada a seguir os passos do pai. Ao tratar uma paciente na residência do mago local, Senhor Dakon, Tessia é forçada a lutar contra os avanços de um mago visitando Sachakan, e instintivamente usa sua mágica. Como um mágico natural, cujos poderes se manifestam sem serem invocados, o Senhor Dakon legalmente deve levá-la como aprendiz e treiná-la.

Apesar das muitas horas de estudo e auto-disciplina, a vida nova de Tessia também oferece mais oportunidades do que ela jamais esperaria, e um excitante novo mundo se abre para ela. Há roupas finas e servos e viagens regulares para a cidade de Imardin.

Mas junto com o privilégio, Tessia está prestes a descobrir que seus dons mágicos trazem consigo uma grande responsabilidade. Eventos conduzirão as nações para a guerra, magos rivais entrarão em conflito, e um ato inesperado de feitiçaria ocorrerá, tão brutal que seus efeitos serão sentidos por séculos...




Little Brother (2008) de Cory Doctorow é um romance de ficção especulativa, que se passa nos dias atuais. Indicado a diversos prêmios de Ficção Científica, o livro discute com inteligência e linguagem fácil, os impactos do governo em nossas vidas e o preço que estamos dispostos a pagar em nome da segurança.

Na história, um grupo de jovens se vê no centro de um incidente que abalaria o mundo (semelhante ao 11/9), a explosão da ponte da Baia de San Francisco por terroristas. Os jovens são levados presos e submetidos a interrogatórios. Mais tarde, já libertos porém traumatizados pelo desaparecimento de um deles, os jovens percebem que o pesadelo não se limitava ao interior das celas do centro de detenção, mas espreita as esquinas de sua cidade, tomada agora pela polícia e por medidas severas de segurança. O que fazer para garantir que seus direitos não sejam desrespeitados? Como vencer aquilo que não pode ser vencido? A resposta está nas páginas deste ótimo livro de Cory Doctorow e que o Capacitor Fantástico vem trazendo na forma de capítulos (Pequeno Irmão), a cada sábado.





Black Man (2006) de Richard Morgan, é thriller-noir-futuristico, e que levanta questões sobre a natureza da humanidade. Conta a história de Carl Marsalis, uma variante genética conhecida como um "treze" (thirteen), caracterizado pela alta agressividade e baixa sociabilidade.

Criados inicialmente para uso militar, os 'trezes' mais tarde foram confinados em reservas ou exilados para Marte. Carl, tendo vencido por sorteio e ganho o direito de regressar de Marte, trabalha secretamente rastreando 'trezes' renegados. Morgan vai além do clichê do super-homem geneticamente melhorado, para examinar como a personalidade é moldada.





Anathem (2008) é um romance de ficção especulativa de Neal Stephenson que se passa no planeta Arbre. Milhares de anos antes dos acontecimentos do romance, a sociedade estava à beira do colapso. Os intelectuais (filósofos e cientistas) foram viver protegidos em conventos, em comunidades monásticas, mas sem os elementos religiosos. Com um acesso limitado a ferramentas e a tecnologia, eles são vigiados por agentes que servem aos poderosos no mundo exterior (conhecidos como o Poder Secular).

O narrador e protagonista é Erasmas Fraa. Sua professora, Orolo, descobre que seres extraterrestres estão orbitando Arbre, fato que o Poder Secular está tentando encobrir. Orolo secretamente observa os estrangeiros ilegalmente e Erasmas pede para ajudar a recolher estes dados.
Após o banimento de Orolo, o Poder Secular, juntamente com vários outros membros do governo, exigem que Erasmas ajude com um projeto secreto, quando a presença da nave alienígena se torna de conhecimento público.

Grande parte do livro é dedicado a discussões de matemática, física e filosofia.
Um livro singular, um desafio ao leitor que penetra o mundo labirintico e erudito deste premiado autor.





The Road (2006) é um romance pós-apocalíptico de Cormac McCarthy. Uma viagem empreendida por um pai e seu filho, durante um período de vários meses, através de uma paisagem devastada por um cataclisma sem nome, que destruiu toda a civilização e quase toda a vida na Terra.

O romance foi premiado com o Pulitzer de Ficção e o James Tait Black Memorial Prize.

O cenário é sombrio, o sol é obscurecido por uma camada de cinzas tão grossa que respiram através de máscaras, e as plantas não crescem. Os sobreviventes vivem em meio a violência e ao canibalismo. Percebendo que não vão sobreviver mais a um inverno na cidade, o pai leva-os por uma paisagem desolada para o litoral, sustentado por uma vaga esperança de encontrar outras "pessoas boas".

Em face de todos estes obstáculos, o homem e o menino tem apenas um ao outro. O homem mantém a pretensão, de que existe um núcleo de ética em algum lugar na humanidade.





Old Man's War (2005) é um romance de ficção científica militar de John Scalzi, indicado para o Prêmio Hugo de melhor romance.

A narrativa em primeira pessoa é sobre um velho soldado aposentado chamado John Perry e suas façanhas no CDF (Colonial Defense Forces).
E em um universo densamente povoado por diversas formas de vida, os colonos da Terra devem lutar para conseguir seu sustento.
Old Man's War introduz uma nova forma de viagem interestelar mais-rápida-que-a-luz, chamada Skip Drive. Este mecanismo simplesmente pega um objeto, como uma nave espacial, e cria um buraco no universo e coloca o objeto em seu destino, só que em um universo novo, essencialmente idêntico.





Pattern Recognition (2003), é um thriller de ficção científica de William Gibson, que se passa no mundo contemporâneo. A história segue Cayce Pollard, um consultor de marketing de 32 anos, que tem uma sensibilidade psicológica para símbolos corporativos.

O romance analisa o desejo humano em buscar padrões, ou o significado e os riscos de encontrar padrões em dados sem sentido. Outros temas incluem métodos de interpretação da história, a familiaridade cultural com nomes de marcas, e as tensões entre a arte e a comercialização.

O livro foi indicado para receber o maior prêmio de FC britânica, assim como o prêmio Arthur C. Clarke e Locus.





Evolution (2004) é uma coleção de contos de ficção científica hard de Stephen Baxter, que poderia ser definida no conjunto, como uma saga que conta em episódios a história da humanidade, do início ao fim (?),
de 565 milhões de anos atrás, de proto-mamíferos até 500 milhões de anos no nosso futuro.

O protagonista principal do livro é a evolução em si (apesar dos primatas como grupo, constituirem um outro protagonista). Do aparecimento das primeiras civilizações até a extinção humana (ou a extinção da cultura humana), assim como o fim do planeta Terra e o renascimento da vida em outro planeta.





Spin (2005) é um romance de ficção científica de Robert Charles Wilson, e ganhou o Prêmio Hugo de melhor romance. É o primeiro livro de uma trilogia.

Uma membrana artificial (Spin) foi colocada ao redor do planeta Terra, bloqueando e filtrando radiações e bloqueando a visão das estrelas. A história segue quatro protagonistas principais, cada um dos quais lida, de maneiras distintas, com a certeza de que a humanidade está condenada.