sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Fábulas Negras
Fábulas Negras Produções Artísticas é uma empresa dirigida pelo cineasta Rodrigo Aragão, que têm mais de quinze anos de experiência no mercado dos efeitos especiais e entretenimento. Especializada em assustar pessoas, desenvolve técnicas, por meio de pesquisas e testes, que resulta num trabalho original e auto-suficiente, tornando-se referencia no meio.
Nosso produto esta em praças tão exigentes quanto São Paulo, Inglaterra, Alemanha, e China com cobertura na mídia, revista Rolling Stone, Bravo, Programa do Jô, entre outros. Hoje nossa maior vitrine é o longa-metragem Mangue Negro. Premiado filme de terror que, segundo a crítica especializada, é o divisor de águas do cinema de gênero brasileiro.
A empresa esta realizando o novo longa-metragem, A Noite do Chupacabras, com estréia prevista para 2011. Em 2012 iniciaremos o último filme da trilogia, Mar Negro.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Solaris - Stanislaw Lem (parte 14)
OS MONSTROS
Acordei no meio da noite e vi a luz acesa e Rheya encolhida na cama, envolta num lençol, os ombros sacudidos por soluços silenciosos.
Chamei-a pelo nome e perguntei qual era o problema, mas limitou-se a encolher-se ainda mais.
Ainda meio a dormir e quase que ainda imerso no pesadelo que me atormentava um minuto antes, sentei-me e protegi os olhos da luz para poder olhar para ela.
Continuava a tremer, e estendi-lhe os braços, mas Rheya afastou-me com um empurrão e escondeu a cara.
— Rheya...
— Não fale comigo!
— Rheya, o que aconteceu?
Vi sua face coberta de lágrimas e cheia de emoção. Grandes lágrimas infantis corriam-lhe pela cara abaixo, brilhavam ao chegar à covinha que tinha no queixo e caíam sobre os lençóis.
— Você não me quer.
— Do que está falando?
— Ouvi...
Meus maxilares contraíram-se: — Ouviste o que? Não entendeu direito...
— Entendi sim. Disse que eu não era Rheya. Quer que eu vá embora, e eu iria, iria mesmo... só que não posso. Não sei por quê. Tentei partir, mas não consegui. Sou tão covarde!
— Vamos, vamos... — abracei-a com toda a força. Para mim nada mais interessava além dela: tudo o resto não tinha qualquer significado. Beijei-lhe as mãos, falei, roguei, pedi perdão, fiz promessas sem fim, e disse-lhe que ela provavelmente tinha tido um sonho horrível e estúpido. Aos poucos ela foi acalmando e por fim deixou de chorar e tinha os olhos vítreos, como os de uma mulher sonâmbula. Afastou o rosto de mim.
— Não — disse ela por fim —, não diga essas coisas. Não vale a pena; já não é a mesma pessoa. — Ia começar a protestar, mas ela continuou. — Não, você já não me quer. Eu já sabia, mas fingia que não notava. Pensei que talvez fosse tudo imaginação minha, mas é verdade... você mudou. Não está sendo honesto comigo. Fala de sonhos, mas era você quem estava sonhando, e era a meu respeito. Disse o meu nome como se tivesse nojo de mim. Por quê? Me diz por quê?
— Rheya, minha pequenina...
— Não permito que fale assim, está ouvindo ? Não permito! Não sou tua pequena coisa nenhuma. Não sou nenhuma criança. Sou...
Rebentou em pranto e enterrou a face na almofada.
Levantei-me.
A ventilação sibilava docemente.
Estava frio e pus um roupão nas costas antes de me sentar a seu lado e de pegar seu braço: — Escuta, vou te contar uma coisa. Vou contar a verdade.
Rheya sentou. Podia ver suas veias pulsando sob a pele delicada do pescoço. De novo os maxilares se contraíram.
O ar parecia ainda mais frio e sentia a cabeça completamente oca.
— A verdade? — perguntou. — Palavra de honra?
Abri a boca para falar, mas não saiu qualquer som.
“Palavra de honra”... era uma expressão nossa, especial, o nosso antigo modo de fazer uma promessa incondicional. Uma vez proferidas essas palavras, a nenhum de nós era permitido mentir, nem mesmo refugiar-se numa meia verdade.
Recordei a época em que nos torturávamos mutuamente, num desejo exagerado de sinceridade, convencidos de que uma plena honestidade era a condição básica do nosso entendimento.
— Palavra de honra, Rheya — respondi muito sério, e ela esperou que eu continuasse. — Você também mudou, todos mudamos. Mas não era isso que eu queria dizer. Por uma razão qualquer, que nenhum de nós compreende, parece que... é forçada a permanecer junto de mim. E para mim isso é ótimo, porque também não quero afastar-me de você...
— Não, Kris. A mudança não está em você — murmurou Rheya. — Sou eu. Há alguma coisa errada. Talvez tenha algo a ver com o acidente...
Rheya olhava para o retângulo escuro e vazio onde estivera a porta.
Na noite anterior eu retirara os pedaços quebrados; teria de pôr uma porta nova.
Me veio uma ideia à cabeça:
— Tem conseguido dormir?
— Não sei.
— Que quer dizer com isso?
— Tenho sonhos... Não sei se são realmente sonhos. Talvez eu esteja doente. Fico deitada pensando e...
— E o quê?
— Tenho pensamentos estranhos. Não sei de onde vêm.
Foi necessária toda a minha força de vontade para dominar o tremor da voz e dizer-lhe para continuar, e contraí-me todo enquanto aguardava a resposta, como se estivesse à espera de um murro na cara.
— São pensamentos... — Sacudiu a cabeça, desesperada — ...à volta de mim.
— Não entendo.
— Tenho a impressão de que não brotam de mim, mas que vêm de fora. Não consigo explicar, não consigo traduzir essa sensação em palavras...
Interrompi, quase que involuntariamente:
— Deve ser uma espécie de sonho. — Depois, controlando-me de novo, acrescentei: — Vamos apagamos a luz, e esquecer nossos problemas até amanhã. Amanhã, se quiser, podemos inventar outra coisa. OK?
Rheya carregou no interruptor, e a escuridão envolveu-nos.
Estendido na cama, sentia sua respiração quente ao meu lado e a abracei.
— Com mais força! — sussurrou.
E depois de longa pausa, disse: —Kris!
— O quê?
— Te amo.
Quase gritei.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Autores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica batem papo com os leitores
Marcello Simão Branco e Cesar Silva, autores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, estarão dia 4 de dezembro de 2010, às 14 horas, na Moon Shadows Livraria para um batepapo com os leitores.
Cesar Silva e Marcello Simão Branco atuam na ficção científica e fantasia brasileira desde o início dos anos 80, e têm estabelecido uma das mais longas e produtivas parcerias. Ambos publicaram dois dos mais importantes fanzines da história do gênero no país. Silva com o Hiperespaço (1983-1988; 1993-2003) e Branco com o Megalon (1988-2004). Criaram em 1992 a Sociedade Brasileira de Arte Fantástica (SBAF), que organizou concorridas convenções de FC e horror na capital paulista — como as HorrorCons —, e promoveu o Prêmio Nova, durante os anos 90. Editaram a revista HorrorShow, da Editora Escala, em 1996 e 1997, e foram membros fundadores da editora Ano-Luz, que publicou antologias temáticas de 1998 a 2003.
Sobre os autores
Cesar Silva é publicitário, cartunista, editor e atua como diretor de arte da revista Casual. Como contista, fez parte das antologias Dinossauria Tropicália (1994), Outras Copas, Outros Mundos (1998), Vinte Anos no Hiperespaço (2003), e Rumo à Fantasia (2009). No campo do cartum, participou de livros como Humor Brasil 500 Anos (2000) e Tiras de Letra e Muito Mais (2004), entre outros. Mantém o blog Mensagens do Hiperespaço (mensagensdohiperespaco.blogspot.com).
Marcello Simão Branco é jornalista, mestre e doutor em Ciência Política pela USP. Trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, redigiu revistas temáticas para a editora Mythos, e atua como professor de Relações Internacionais na Universidade Paulista (UNIP). É autor de Democracia na América Latina: Os Desafios da Construção (1983-2002) (2007), Os Mundos Abertos de Robert Silverberg (2004), e organizador da antologia Outras Copas, Outros Mundos (Ano-Luz; 1998).
A Moon Shadows fica na Av. Treze de Maio, 966, Bela Vista, São Paulo
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Dreams of Space - Books and Ephemera
No blog Dreams of Space o professor americano John Sisson exibe sua deliciosa coleção de livros e todo tipo de material educacional dos anos 30 aos 70, sobre a Corrida Espacial.
Mesmo para aqueles que não se interessam pelo assunto, é possível divertir-se com a ingenuidade das ilustrações e identificar, a partir desta doutrinação (lavagem cerebral?), os motivos pelos quais a ficção científica americana é tão bem sucedida.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Jeronymo Monteiro: o Pai da Ficção Científica Brasileira
A ficção científica no Brasil teve muitos precursores de peso que ajudaram a fundar as bases para a edificação do gênero tupiniquim, mas é na década de 1940 que surgiria o primeiro escritor brasileiro de ficção científica de fato.
Excelente matéria de Cláudio Tsuyoshi Suenaga, no Jornal do Bibliófilo.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Paprika
O aclamado escritor de ficção científica japonês, Yasutaka Tsutsui, escreveu Paprika (Papurika) em 1993, uma experiência sobre psicanálise no futuro. O romance rendeu uma ótima animação (de Satoshi Kon).
Os sete primeiros capítulos do livro estão agora disponíveis online (PDF).
A história: Três cientistas da Fundação para Pesquisa Psiquiátrica inventam a Mini-DC, uma máquina que permite gravar e assistir sonhos. A máquina, à princípio utilizada para terapia de doenças mentais, é roubada por um estranho que usa o dispositivo para invadir a mente das pessoas, quando acordadas, distraindo-as com seus próprios sonhos. O trio - Chiba, Tokita e Shima - mais um inspetor de polícia, tenta capturar o ladrão e evitar os ataques de sua própria psique.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
SFFB - SCI-FI Filmes do Brasil
O SFFB é um blog voltado exclusivamente para o cinema brasileiro de Ficção Científica.
Notícias atualizadas sobre lançamentos, a FC no cinema brasileiro, Ciência e Tecnologia, temas e muito mais.
No blog você também encontra assuntos relacionados à produção de filmes, como ótimas dicas para quem quer aprender a escrever roteiros.
domingo, 28 de novembro de 2010
Concurso de contos de Ficção Científica da Revista Mortal
Escreva um conto visionário sobre como você imagina que será São Paulo e/ou o Grande ABC daqui a 100 anos e concorra a vários livros, além de ter seu conto publicado pela Revista MORTAL.
Os ganhadores serão conhecidos em dezembro no site da MORTAL.
Regulamento: será aceito apenas 1 conto por participante. O texto deve ser enviado em arquivo Word, com espaçamento 1,5, na fonte Times New Roman, tamanho 12. Serão aceitos contos com até seis páginas.
O material deverá ser enviado para o e-mail: concurso@revistamortal.com.
Fica a critério do participante inscrever-se utilizando pseudônimo ou não. Só serão aceitos contos inéditos. O julgamento do conto vitorioso será feito pela equipe da Revista MORTAL. Os critérios para a escolha do vencedor serão: estilo, coesão, coerência e inventividade.
Prazos para o envio de textos: de 20 de setembro a 30 de novembro de 2010.
Direitos e esquerdos...
Gostaríamos de esclarecer que nós do Capacitor Fantástico acreditamos que vivemos uma "nova era, em que a informação flui a velocidades surpreendentes" e os blogs/sites são agentes de transformação, na busca de uma sociedade mais justa.
O Capacitor Fantástico não vende ou recebe qualquer tipo de benefício financeiro do compartilhamento.
Compartilhar é uma coisa, comercializar é outra!
Pegando carona em P.Levy, "... permitir que toda a informação seja livre para que se possa aprender a partir dela, criando novos conhecimentos. A partir da descentralização de esforços e do valor conferido à contribuição oferecida, em detrimento do controle pela autoridade e da titulação possuída pelos colaboradores,... criando algo socialmente válido para uma comunidade."
Respeitamos todos aqueles que se sintam lesados ou que interpretem nossa atividade como uma agressão aos seus direitos autorais/editoriais, portanto, nos dispomos prontamente a retirar material que se caracterize como abusivo.
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Para entender melhor a diferença entre compartilhar (share) e comércio ilegal, leia este artigo !
sábado, 27 de novembro de 2010
Solaris - Stanislaw Lem (parte 13)
— Kris! — Ouvi chamar o meu nome, como se de grande distância. — Kris, o videofone!
— O quê? Oh, obrigado.
O instrumento já estava sinalizando há algum tempo, mas só agora o notava.
Levantei o auscultador:
— Kelvin.
— Snow. Estamos os três ligados ao mesmo circuito.
A voz aguda de Sartorius fez-se ouvir através do auscultador:
— Meus cumprimentos, Dr. Kelvin! — Era o tom de voz cauteloso, cheio de falsa segurança, de um conferencista que sabe que está em terreno pouco firme.
— Bom dia, Dr. Sartorius!
Quis rir; mas, nas circunstâncias presentes, dificilmente estaria em estado de ceder a um ataque de hilaridade. Afinal de contas, qual de nós era motivo de riso?
Na mão segurava um tubo de ensaio com um pouco de sangue. Sacudi-o. O sangue coagulou. Teria sido vítima de uma ilusão uns minutos antes? Estaria talvez, enganado?
— Gostaria, senhores, de apresentar certas questões em relação aos... fantasmas.
Eu ouvia Sartorius, mas minha mente recusava-se a registrar suas palavras. Pensava no sangue coagulado, e desligava-me daquela voz, que me distraía a atenção.
— As chamemos de criaturas Phi — interpôs Snow.
— Muito bem, aceito.
Uma linha vertical, que mal se apercebia e que cortava a tela como uma bissetriz, mostrava que eu estava ligado a dois canais: de cada lado dessa linha deveria ser possível ver-se uma imagem — Snow e Sartorius. Mas a tela permanecia escura.
Ambos os meus interlocutores tinham tapado as lentes dos seus aparelhos.
Cada um de nós fez várias experiências. A voz nasalada mostrava ainda a mesma cautela. Houve uma pausa.
— Sugiro que comecemos por fazer uma súmula de tudo o que até agora conseguimos descobrir — continuou Sartorius. — Depois lhes direi a conclusão a que pessoalmente cheguei. Se quiser fazer o favor de começar, Dr. Kelvin...
— Eu?
De repente, senti Rheya a observar-me. Pousei a mão sobre a mesa e fiz rolar o tubo de ensaio para baixo das prateleiras dos instrumentos. Depois sentei num banco, que puxei com o pé. Ia recusar a dar uma opinião, quando, para minha grande surpresa, ouvi-me responder:
— Certo. Ainda não fiz grande coisa, mas posso falar-lhe do que já fiz. Um exame histológico... de certas reações. Micro reações. Tenho a impressão de que... — Não sabia como continuar. De súbito reencontrei o fio da meada e continuei: — Tudo parece normal, mas é apenas uma camuflagem. Um disfarce. Em certo sentido, é uma super-cópia, uma reprodução superior ao original. Já explico o que quero dizer com isto. Existe no homem um limite absoluto, um termo para a divisibilidade estrutural, ao passo que aqui as fronteiras foram afastadas para longe. Estamos perante uma estrutura subatômica.
— Um minuto, espere um minuto! Por favor, seja mais preciso! — interrompeu Sartorius.
Snow nada disse. Seria mesmo o eco da sua respiração rápida aquilo que ouvi?
Rheya fitava-me de novo. Apercebi-me de que, na minha excitação, quase gritara as últimas palavras. Mais calmo, acomodei-me melhor no meu desconfortável poleiro e fechei os olhos. Como poderia ser mais preciso?
— O átomo é o último elemento da constituição do nosso corpo. A hipótese que coloco aqui é que os seres Phí são constituídos por unidades menores ainda que os átomos comuns, muito menores.
— Mésons — disse Sartorius. Não parecia absolutamente nada surpreendido.
— Não... Esses eu teria visto. O poder deste aparelho vai de um décimo a um vigésimo de angstrom, não é? Mas não se consegue ver nada, rigorosamente nada. Logo, não podem ser mésons. É mais provável que sejam neutrinos.
— Como justifica essa teoria? Os aglomerados de neutrinos não são estáveis...
— Não sei. Não sou físico. Talvez um campo magnético possa estabilizá-los. Isso não é da minha área. De qualquer modo, se as minhas observações estiverem corretas, a estrutura é composta por partículas pelo menos dez mil vezes menores que os átomos. Espere um pouco, ainda não acabei! Se as moléculas de albumina e as células fossem constituídas por micro-átomos, seriam proporcionalmente ainda menores. Isto se aplica aos corpúsculos, aos microrganismos, a tudo. Porém, as dimensões são as de estruturas atômicas. Portanto, a albumina, a célula e o núcleo da célula, nada são do que camuflagem. A estrutura real que determina as funções dos visitantes permanece secreta.
— Kelvin!
Snow soltara um grito abafado. Parei, horrorizado. Tinha dito “visitante”.
Rheya não tinha ouvido. Pelo menos, não tinha compreendido. A cabeça apoiada na mão, olhava para fora da janela, o delicado perfil sobressaindo sobre a madrugada cor de púrpura.
Os meus distantes interlocutores permaneciam silenciosos, ouvia-lhes a respiração.
— O que está dizendo tem certo fundamento — murmurou Snow.
— Sim —comentou Sartorius— se não houvesse outro fato a considerar: as partículas hipotéticas de Kelvin nada têm a ver com a estrutura do Oceano. O Oceano é composto de átomos.
— Talvez tenha a capacidade de produzir neutrinos — retorqui.
De repente senti-me farto de todo aquele palavreado. A conversa não tinha interesse e nem mesmo era divertida.
— A hipótese de Kelvin explica esta extraordinária resistência e a velocidade da regeneração — resmungou Snow. — Provavelmente têm também a sua fonte de energia; não carecem de alimento...
— Sou eu quem está aqui a presidir esta conferência — interrompeu Sartorius. O presidente auto-eleito do debate agarrava-se de modo exasperante ao seu papel. — Gostaria de pôr a questão da motivação que há por trás da aparição das criaturas Phi. Apresento-a da seguinte forma: O que são as criaturas Phi? Não são indivíduos autônomos, nem cópias de pessoas reais. São apenas projeções materializadas da nossa mente, baseadas em determinado indivíduo.
Fiquei impressionado com a verdade daquela descrição; Sartorius podia não ser muito simpático, mas também não era nada estúpido.
Juntei-me à conversa.
— Penso que tem razão. A sua definição explica por que aparece determinada pes... criação, e não outra qualquer. A origem da materialização está nas imagens mais duradouras da memória, nas imagens que estão particularmente bem definidas; mas nenhuma imagem pode ser completamente isolada, e, no decurso da reprodução, são absorvidos fragmentos de outras imagens relacionadas. Assim, os recém-chegados revelam por vezes um conhecimento mais extenso do que o do indivíduo de quem são a cópia...
— Kelvin! — gritou Snow mais uma vez.
Só Snow reagia aos meus lapsos; Sartorius não parecia ser afetado por eles. Isto significaria que o visitante de Sartorius era menos perspicaz do que o de Snow? Por um momento imaginei o erudito Sartorius a coabitar com um estúpido anão.
— É certo que isso corresponde ao que temos observado — disse Sartorius. — Consideremos agora a motivação que há por trás das aparições! À primeira vista, é muito natural presumir-se que somos objeto de uma experiência. Mas quando examino essa hipótese, a experiência parece-me muito mal planeada. Quando procedemos a uma experiência, vamos aproveitando os resultados e, principalmente, anotamos com cuidado as deficiências dos métodos que empregamos. Em resultado disso, vamos introduzindo modificações no procedimento subseqüente. Mas no caso de que falamos, não se verificou uma única alteração. As criaturas Phi reaparecem exatamente como eram, em cada pormenor... tão vulneráveis como antes, de cada vez que tentamos... livrar-nos delas...
— Exatamente —interrompi—, uma retração sem mecanismo de compensação, como diria o Dr. Snow. Qual a conclusão?
— Apenas que a tese da experimentação não condiz com esta... esta incrível grosseria. O Oceano é... exato. A estrutura a nível duplo das criaturas Phi atesta essa precisão. Dentro dos limites citados, as criaturas Phi comportam-se do mesmo modo que os verdadeiros... os... hum...
Não sabia como desvencilhar-se.
— Os originais — disse Snow num sussurro.
— Sim, os originais. Mas, quando a situação já não corresponde às faculdades normais do...hum...do original, a criatura Phi sofre uma espécie de “desconexão de consciência”, imediatamente seguida, por manifestações pouco habituais e nada humanas...
— É claro — disse eu — que podemos nos divertir elaborando uma lista de comportamentos dos... dessas criaturas, uma ocupação inteiramente frívola!
— Não estou assim tão certo a respeito disso — protestou Sartorius.
Compreendi subitamente por que me irritava tanto: ele não conversava, ele discursava como se estivesse numa aula do Instituto. Parecia incapaz de se exprimir de qualquer outro modo.
— Chegamos aqui à questão da individualidade — continuou —, do que, tenho absoluta certeza, o Oceano não faz a mínima idéia. Penso que o aspecto... hum... delicado ou chocante da nossa presente situação, está absolutamente fora de sua capacidade de compreensão.
— Pensa que as suas atividades não são premeditadas?
Fiquei um tanto espantado com a opinião de Sartorius, mas, pensando melhor, concluí que não a poderia descartar tão facilmente.
— Não, ao contrário do colega Snow, não creio que haja malícia ou crueldade deliberada...
Snow interrompeu: — Não estou a sugerir que tenha sentimentos humanos; estou apenas tentando encontrar uma explicação para estas contínuas reaparições.
Com o secreto desejo de irritar o pobre Sartorius, disse:
— Talvez estejam ligados a um engenho que se repita infinitamente, sem parar, como um disco...
— Cavalheiros, rogo-lhes que não nos façam perder tempo! Ainda não acabei. Em circunstâncias normais, teria considerado que seria prematuro apresentar um relatório, mesmo provisório, sobre o progresso das minhas pesquisas; contudo, perante a situação dominante, penso que posso falar. Tenho a impressão, somente uma impressão, notem bem, de que a hipótese do Dr. Kelvin não deixa de ter certa validade. Refiro-me à hipótese de uma estrutura de neutrinos... Os nossos conhecimentos nesse campo são puramente teóricos. Não sabíamos se havia qualquer possibilidade de estabilizar tais estruturas. Agora se oferece uma solução claramente definida. Um meio de neutralizar o campo magnético que mantém a estabilidade da estrutura...
Uns instantes antes eu notara na tela, uns lampejos de luz. Apareceu uma faixa de cima a baixo, do lado esquerdo. Vi uma coisa cor-de-rosa afastar-se lentamente da vista. Depois a tampa das lentes deslizou, pondo a tela à vista.
Sartorius lançou um grito de angústia:
— Vai embora! Vai embora!
Vi-lhe as mãos a esvoaçar e a lutar, depois os braços, sempre cobertos pelas mangas da bata de laboratório. Um reluzente disco dourado brilhou por um instante, depois tudo ficou às escuras. Só então me apercebi de que aquele disco dourado era um chapéu de palha...
Respirei fundo.
— Snow?
Uma voz exausta respondeu:
— Sim, Kelvin... — Ao ouvir-lhe a voz, compreendi que me tornara muito seu amigo e que preferia não saber quem, ou o quê, lhe fazia companhia. — Chega por hoje, não acha? — perguntou.
— Concordo. — Antes que ele pudesse desligar, acrescentei apressado: — Ouça, pode vir me ver aqui na sala de operações, ou na minha cabina?
— OK, mas não sei quando poderá ser.
A conferência estava terminada.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Mostra de filmes de Ficção Científica que marcaram a história do cinema
Até o dia 19/12, acontece a Mostra Ficção Científica, na Biblioteca Viriato Corrêa (Rua Sena Madureira, 298 - Vila Mariana - São Paulo).
ENTRADA GRÁTIS !!
PROGRAMAÇÃO:
Final Fantasy
Final Fantasy: The Spirits Within, Japão/EUA, 2001, 106 min, cor
Direção: Hironobu Sakaguchi
Elenco: Donald Sutherland e Matt McKenzie Em pleno ano de 2065, o caos e destruição rondam a Terra. Um meteoro atingiu o planeta e lançou ao longo de toda a superfície terrestre milhões de aliens, que têm por objetivo extinguir toda a vida do planeta. Cientistas buscam salvar não apenas o planeta Terra mas também a si mesmos. A partir de 14 anos.
Dia 26 de novembro às 16h
O Quinto Elemento
The Fifth Element, EUA, 1997, 126 min, cor
Direção: Luc Besson
Elenco: Com Bruce Willis, Gary Oldman e Milla Jovovich No século XXIII, um taxista de Nova York se envolve em uma aventura na qual tem de deter um ser demoníaco que percorre a galáxia a cada 5000 anos. Para a Terra não ser destruída, ele precisa encontrar 4 pedras que representam os elementos e colocá-las em volta de uma bela mulher, que é o quinto elemento. A partir de 12 anos.
Dia 26 de novembro às 18h
A Guerra dos Mundos (1953)
War of the Worlds, EUA, 1953, 85 min, cor
Direção: Byron Haskin
Elenco: Gene Barry, Les Tremayne e Ann Robinson Os habitantes de uma cidade no sul da Califórnia (EUA) são surpreendidos por uma invasão alienígena. O cientista Dr. Forrester é escalado para investigar o meteorito que atingiu a cidade e descobre que, na verdade, o que caiu na superfície é uma nave vinda de Marte. Livre.
Dia 27 de novembro às 16h
Jornada nas Estrelas – O Filme
Star Trek - The Motion Picture, EUA, 1979, 136 min, cor
Direção: Robert Wise
Elenco: William Shatner e Leonard Nimoy
Quando um identificado alienígena destrói três poderosos navegadores Klingon, o capitão James T. Kirk retorna à U.S.S. Enterprise para assumir o comando da missão que deve deter o alienígena invasor. Livre.
Dia 28 de novembro às 18h
De Volta para o Futuro
Back to the Future, EUA, 1985, 111 min, cor
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox e Christopher Lloyd Marty McFly embarca na genial loucura de Doc Brown e acaba retornando até 1955, onde encontra seus próprios pais, e muda a história da sua vida. Livre.
Dia 3 de dezembro às 16h
Minority Report – A Nova Lei
Minority Report, EUA, 2002, 148 min, cor
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Cruise, Samantha Morton e Colin Farrel Não há crimes em Washington D.C. graças à tecnologia que identifica os assassinos antes que eles cometam seus crimes. Mas quando o chefe da divisão é acusado de um futuro crime, ele tem só 36 horas para provar sua inocência e descobrir quem está tramando contra ele. A partir de 14 anos.
Dia 3 de dezembro às 18h
Dia 18 de dezembro às 16h
Os Thunderbirds
Thunderbirds, EUA, 2004, 94 min, cor
Direção: Jonathan Frakes
Elenco: Bill Paxton, Brady Corbet e Dominic Colenso Alan é um jovem que sempre se sentiu em segundo plano em sua família. Seu pai é um ex-astronauta milionário e lidera a organização Resgate Internacional junto com seus outros filhos. Numa armadilha, a família é capturada e só Alan pode salvá-los. A partir de 10 anos.
Dia 5 de dezembro às 18h
De Volta Para O Futuro II
Back to the Future II, EUA, 1989, 104 min, cor
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox e Christopher Lloyd No segundo filme, Marty faz mirabolantes passeios entre o futuro e o passado, vai até 2015, e aprende da maneira mais complicada possível como é perigoso tentar mudar o presente. Livre.
Dia 10 de dezembro às 16h
Exterminador do Futuro
The Terminator, EUA, 1985, 107 min, cor
Direção: James Cameron
Elenco: Arnold Schwarzenegger e Linda Hamilton Após muitas guerras, em 2029, a raça humana está em extinção e um cyborg foi desenvolvido e enviado ao passado para mudar a história. Livre.
Dia 10 de dezembro às 18h
Barbarella
Barbarella, EUA, 1968, 98 min, cor
Direção: Roger Vadim
Elenco: Jane Fonda e Ugo Tognazzi
No ano de 40000 as guerras já foram abolidas há muito tempo, mas Barbarella recebe um comunicado do Presidente da Terra, dizendo que uma arma foi inventada e que isto pode perturbar a paz no Universo. Assim, sua missão é evitar que tal mal aconteça. A partir de 14 anos.
Dia 11 de dezembro às 16h
De Volta Para O Futuro III
Back to the Future III, EUA, 1990, 113 min, cor
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox e Christopher Lloyd O terceiro filme é uma homenagem a todos os filmes de faroeste, com Marty e Doc Brown viajando até 1885 e se metendo nas mais incríveis aventuras, em pleno tempo das diligências. Livre.
Dia 17 de dezembro às 16h
Os 12 Macacos
Twelve Monkeys, EUA, 1995, 129 min, cor
Direção: Terry Gilliam
Elenco: Bruce Willis, Madeleine Stowe e Brad Pitt Um solitário viajante do tempo vindo do ano de 2035 deverá resolver um mistério para salvar seu povo de um vírus letal, encontrando o grupo 12 macacos que está envolvido com este vírus. A partir de 16 anos.
Dia 17 de dezembro às 18h
Metrópolis
Metoroporisu, Japão, 2001, 109 min, cor
Direção: Rintaro
Elenco: Yuka Imoto e Kei Kobayashi
Baseado nos quadrinhos de Osamu Tezuka. No mundo industrial de Metrópolis, Duke Reid é um poderoso líder com planos para construir uma super robô. Mas seu plano corre riscos por causa de seu filho e isso pode destruir o universo. A partir de 14 anos.
Dia 18 de dezembro às 18h
Laranja Mecânica
A Clockwork Orange, Inglaterra, 1963, 137 min, cor
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Malcolm Mcdowell, Patrick Magee e Michael Bates No futuro, Alex, líder de uma gangue de delinquentes, cai nas mãos da polícia e é usado em um experimento destinado a refrear os impulsos destrutivos, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca. A partir de 18 anos.
Dia 19 de dezembro às 18h
Chris Foss
Postado por
Capacitor Fantástico
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00:00
Tag: Desenho, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Horror
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Boris Vallejo
Postado por
Capacitor Fantástico
às
19:12
Tag: Desenho, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Horror
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
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