terça-feira, 12 de abril de 2011
McSweeney's Enchanted Chamber of Astonishing Stories
Suponho que há algo de atraente em uma palavra que todos usam com absoluta confiança, mas cujo significado exato não há duas pessoas que possam concordar. A palavra que eu estou pensando agora é GÊNERO, como uma dessas palavras em francês, como crêpe, que ninguém consegue pronunciar corretamente e sem soar pretensioso.
Entre aqueles de nós que usam o termo gênero para dar nomes a regiões em um mapa (Ficção Científica, Fantasia, Romance de Enfermaria) e não seções de um atlas (Épica, Tragédia, Comédia), há uma confusão profunda e duradoura. Para alguns de nós, Ficção Científica é qualquer livro vendido na seção de 'Ficção Científica' da livraria.
...
Gênero, em outras palavras, é - de um modo fundamental e talvez, inextirpável - uma ferramenta de marketing, um padrão mantido obstinadamente pelos editores e livreiros. Embora os caros estudos e a ampla pesquisa realizada pela indústria editorial permaneçam segredos bem guardados, aparentemente, algum tipo de desastre terrível ocorreria se toda ficção, fosse passada em Marte ou Manhattan, sobre um detetive particular ou um oftalmologista, fosse colocada junta, de Asimov e Auster a Zelazny e Zweig.
Porque mesmo para o melhor escritor de horror ou FC ou detetive de ficção, toda livraria, para parafrasear a banda War, é um gueto.
De vez em quando algum escritor, através de uma sagaz mudança de assunto ou de foco, ou através da chegada ao poder literário, graças aos seus fãs ao longo da vida, ou através de pura e inegável trapaça literária, consegue sair de lá.
As capas dos livros desses escritores são elegantes. Nas bibliotecas públicas, o pequeno círculo azul com o foguete ou o átomo, é retirado das vistas. Este livro, tem sido amplamente elogiado pela crítica mainstream, aprovado para discussão por clubes do livro, escolhido pelo Today Show.
Por isso, não pode se tratar de ficção científica. ...
Introdução por Michael Chabon
CONTENTS
LUSUS NATURAE by Margaret Atwood
WHAT YOU DO NOT KNOW YOU WANT by David Mitchell
VIVIAN RELF by Jonathan Lethem
MINNOW by Ayelet Waldman
ZEROVILLE by Steve Erickson
LISEY and THE MADMAN by Stephen King
7C by Jason Roberts
THE MINIATURIST by Heidi Julavits
THE CHILD by Roddy Doyle
DELMONICO by Daniel Handler
THE SCHEME of THINGS by Charles D'Ambrosio
THE DEVIL of DELERY STREET by Poppy Z. Brite
REPORTS of CERTAIN EVENTS in LONDON by China Miéville
THE FABLED LIGHT-HOUSE at VIÑA DEL MAR by Joyce Carol Oates
MR. AICKMAN'S AIR RIFLE by Peter Straub
ABOUT THE CONTRIBUTORS
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Star Trek Homepage
No site Star Trek além de se ter acesso a informações atualizadas sobre a série de FC mais famosa da TV, é possivel assistir em alta definição, episódios da série original, da série de animação e de praticamente toda a franquia, além de documentários e entrevistas!
domingo, 10 de abril de 2011
Robert Louis Stevenson
Robert Louis Balfour Stevenson (13 de novembro, 1850 - 03 de dezembro de 1894) nasceu em Howard Place, Edinburgh (Escócia).
Romancista, ensaísta, poeta, escreveu romances de aventura, romance e terror de considerável profundidade psicológica e que continuaram com certa popularidade por muito tempo após sua morte, através de livros e filmes.
Filho de um engenheiro civil, Stevenson sofreu desde a infância devido a fragilidade de sua saúde - quase morreu aos oito anos de febre gástrica.
Bem cedo mostrou uma grande disposição para escrever, mas seus problemas de saúde impediram a sua aprendizagem na escola. Costumava acompanhar o pai em suas visitas oficiais ao faróis da costa da Escócia e em viagens mais longas, acostumando-se assim desde início a viajar.
Conforme sua saúde melhorava, esperava-se que ele seguisse a profissão da família, na engenharia civil, e em 1868 Stevenson foi para Anstruther e depois para Wick estudar.
Seu dom com as palavras já haviam se manifestado e recebeu uma medalha de prata da Sociedade de Artes de Edimburgo por um artigo sugerindo melhorias no farol principal. Mas muito antes disso, ele tinha começado como um autor. Sua primeira publicação, o panfleto anónimo da Pentland Rising, tinha aparecido em 1866.
Aos dezoito anos abandonou o nome de batismo e passou a assinar Robert Louis.
Estar ao ar livre na vida de engenheiro forçava sua resistência física em demasia, e em 1871 foi estudar e trabalhar num escritório em Edimburgo. Entre paredes agora tinha tempo para dedicar-se aos artigos, contos e fantasias que enviava para vários jornais e revistas.
Em Fontainebleau em 1876 Stevenson conheceu um americana, Sra. Osbourne, a mulher que depois se tornaria sua esposa. Casaram-se e Stevenson resolveu experimentar a vida na América, mais propriamente São Francisco. A experiência de viver no oeste americano não lhe favoreceu de forma alguma e no outono ele retornou para a Escócia, com sua esposa e enteado, para a casa de seus pais em Edimburgo. Seu estado de saúde continua a ser muito preocupante. Ele passou os meses de verão na Escócia, escrevendo artigos, poemas, e, sobretudo, o seu primeiro romance, 'The Sea-Cook', posteriormente conhecida como 'A Ilha do Tesouro'.
O romance comovente e inspirador foi bem recebido e tornou Stevenson popular. Ele planejava uma grande quantidade de trabalho, mas seus planos foram frustrados em janeiro de 1884 pelo sério agravamento de sua saúde, um ataque seguido de prostração longa e incapacidade para o trabalho, e por surtos continuos. Em julho daquele ano, foi levado para a Inglaterra, em Bournemouth. Em 1885 ele publicou, o seu volume de poemas, 'A Child's Garden' e uma história 'O ladrão de corpos'. Apesar de seu estado, seu estilo alcançara seu auge.
No início de 1886 ele atingiria o gosto do público com precisão em seu conto 'O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde'. No verão do mesmo ano, publicou 'Kidnapped', que tinha sido escrito em Bournemouth. No entanto, o que se seguiu foi um período de prostração física tão grande, que 1886 e 1887 foram os anos menos produtivos da vida de Stevenson. Em julho de 1887, ele publicou seu livro de poemas líricos chamado 'Underwood', logo após o falecimento de seu pai. Os laços que o prendiam à Inglaterra estavam rompidos. Determinado a recomeçar, vendeu sua casa em Bournemouth e com a mãe, esposa e enteado, mudaram-se para Nova York.
Ele nunca voltaria a por os pés na Europa novamente. Decidira buscar pela saúde viajando pelos trópicos. Stevenson fez várias viagens para o Havaí e se tornou amigo do rei David Kalakaua, com quem passava muito tempo.
Os quatro últimos anos de sua vida inquieta foram gastos em Samoa, tais como nunca tinha apreciado antes e em ambientes singularmente pitorescos. Em Novembro de 1890 fez sua morada em Vailima, onde construiu uma casa pequena de madeira, 500 pés acima do nível do mar. Inesperadamente se tornou um vigoroso empregador de mão de obra, um plantador, acima de tudo um poderoso chefe benigno. Ele reuniu em graus em torno dele "uma espécie de clã feudal e servos" e mergulhou, mais com ardor generoso do que com a frieza do julgamento, na conturbada política do país. Assumiu a causa do rei deposto Mataafa,
e escreveu um livro, Oito Anos de Dificuldades em Samoa (1892), na tentativa de conquistar a simpatia britânica para seus amigos nativos.
No final de sua vida, voltou-se aos romances sobre a Escócia, além de colaborar com autores ingleses e americanos. Em 1894 fora contratado para escrever dois romances, mas não viveu para completar sequer um. Stevenson morreu de hemorragia cerebral em Vailima, Samoa, aos 44 anos.
Robert Louis Stevenson ( O Médico e o Monstro, Dr. Jekyl and Mr. Hyde, O Clube dos Suicidas, El Diablo en la Botella, A Ilha do Tesouro, La Flecha Negra, O Ladrão de Cadáveres, Tha Art of Writing, The Black Arrow, Tresure Island ) [ Download ]
sábado, 9 de abril de 2011
Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 5)
QUATRO
Adeus civilização ocidental
Em 22 de agosto de 1979, conforme instruções de 4 de julho de 1979, foram iniciados os preparativos para a incineração do artefato mostrada nos mapas como "Duluth- Superior"
As condições meteorológicas eram ideais: por 17 dias não houve chuva, apenas uma umidade no período da manhã.
"Duluth-Superior", foi esquartejada, e cada um destas seções foi dividida em três seções, como mostrado nas fotografias, tiradas da altura de 133 km.
A ação começou às 20:34 horas do dia 23 de agosto de 1979.
Este artefato fora construído sobre vários montes baixos de formação natural, topograficamente semelhante ao artefato "São Francisco". Aqui no entanto, os elementos principais de construção eram de madeira, que queimava rapidamente. A incineração começou nas áreas mais baixas de cada seção, e as correntes ascendentes de ar naturais agiram quase tanto como os aparelhos de queima.
Com exceção das seções II-3 e III-1 perto do lago antigo(ali por alguma razão, os elementos do artefato eram maiores e construídos de pedra e tijolo, em vez de madeira), a incineração completa foi alcançada em 3,64 horas.
Quando o trabalho em cada seção tinha sido realizado satisfatoriamente, o equipamento dessa seção foi transferido para as seções 11-3 e III-1 e esses pontos foram incinerados as 01:12 de 24 de agosto 1979.
Houve falhas mecânicas na secção IV-3. A avaliação de danos foi enviada para o Instituto de Suprimentos, e uma cópia da avaliação seguiu anexa.
Mamíferos que habitavam a periferia das Seções I, II, IV, fugiram para os campos adjacentes, devido à insuficiência de equipamentos e a abertura do terreno.
As estimativas atuais são de 200 a 340 mamíferos de grande porte, construtores de artefatos, e entre 15.000 a 24.000 pequenos mamíferos, dentro dos limites estabelecidos de erro provável.
Todos os insetos devoradores de madeira foram erradicados.
As operações foram iniciadas para rastrear os mamíferos que escaparam e outros mamíferos que vivem além dos limites da "Duluth-Superior", mas o equipamento é limitado.
(Consulte o formulário de requisição 80Q-B: 15 de agosto de 1979, 15 maio de 1979, 15 fevereiro de 1979.)
Após a incineração, as cinzas foram niveladas nas concavidades do artefato, e as operações de semeadura foram iniciadas em 27 de agosto de 1979.
Com base nos resultados das amostras colhidas a partir de 12 de Maio de 1979 a 04 de julho de 1979, esta unidade, será removida seguindo uma rota ao longo da costa sul do Lago Superior.
(Consulte o mapa do "Estado de Wisconsin")
Amostragem indicou que esta área era a mais densamente povoada com mamíferos indígenas.
O obsoleto Modelo 37-MG esferoidal será utilizada para esta operação, devido à escassez dos modelos 39-MG e 45-MH. Apesar de seu volume, este modelo é adequado para o extermínio da vida de mamíferos, tais como são susceptíveis de encontrar. De fato, seu mecanismo termotropico é mais desenvolvido do que os dos modelos mais recentes. No entanto, em circunstâncias excepcionais, a operação do modelo 37-Mg, não pode, sem atraso, ser assumido pelo Banco Central de Inteligência desta Unidade.
O novo processo de incineração deverá proceder de forma mais lenta agora que este, o último dos artefatos chefe, foi nivelado e semeado. Os artefatos remanescentes são pequenos e espaçados. Apesar de que nossa amostra revelou que a maioria destes não são mais habitados, vamos, nos termos das instruções de 4 de Julho de 1979, efetuar a incineração completa.
Previsão para a conclusão do projeto: 02 de fevereiro de 1980.
"O que você acha disso, querida?" Perguntou ele.
"É muito bonito", disse ela. "E você fez isso só para mim?"
"Querida, o quanto eu sei, você é a única mulher no mundo."
Jackie sorriu um sorriso amargo, reservado para catástrofes sem esperança.
Ela fechou os olhos, não para não ver a cena, mas porque estava muito cansada, e sacudiu as cinzas de seu cabelo preto, curto e encaracolado.
Jeremias Orville abraçou-a. Não estava frio, mas parecia a coisa certa a fazer naquele momento, um gesto tradicional, como tirar o chapéu em um funeral. Calmamente, assistiu a cidade queimar.
Jackie estava esfregando o nariz ferido pela lã áspera de sua camisola.
"Eu nunca realmente gostei dessa cidade", disse ela.
"Ela nos manteve vivos."
"É claro, Jerry. Eu não quero ser ingrata. Eu só quis dizer que... "
"Eu entendo. É apenas o meu conhecido sentimentalismo."
Apesar do calor dos braços, ela estremeceu.
"Nós vamos morrer agora. Nós vamos morrer com certeza."
"Queixo para cima, Miss Whythe! Tally-ho! Lembre-se do Titanic!"
Ela riu. "Eu me sinto como Carmen, na ópera, quando ela vira a Rainha de Espadas." Ela cantarolou o tema, e quando a última nota pareceu muito baixa, murmurou: "Era uma produção amadora."
"Não é de admirar que se sinta deprimida, com o mundo queimando", disse ele em sua melhor forma David Niven. Então, com um autêntico sotaque do centro-oeste: "Ei, olha! Lá vai o Edifício Alworth!"
Ela virou-se rapidamente, e seus olhos escuros dançou na luz da fogueira. O Edifício Alworth, o mais alto em Duluth. Queimou magnificamente. O centro da cidade estava em chamas agora. À esquerda do edifício Alworth, o First American National Bank, depois de um início tardio, inflamou-se ainda mais
esplendidamente devido à sua maior massa.
"Ooowh," Jackie gritou. "Wheee!"
Eles tinham vivido nestes últimos anos no cofre de depósito seguro, no porão do First American National Bank. Seu precioso estoque de latas de conserva e frascos ainda estava trancado no cofre, e provavelmente o canário ainda estava na gaiola no canto. Tinha sido uma casa muito aconchegante, embora houvessem poucos visitantes e eles tiveram que matar a maioria das pessoas.
Essa sorte não podia durar para sempre.
Jackie estava chorando lágrimas de verdade.
"Triste?" ele perguntou.
"Oh, triste não...déracinér (solitária) um pouco. E irritada comigo mesmo, porque não entendo. "
Ela fungou ruidosamente, e as lágrimas foram todas embora. "É tão horrivel, como eles costumavam chamar de um Ato de Deus. Como se Deus fosse a fonte de tudo que é irracional. Eu gostaria de saber o porquê das coisas." Então, depois de uma pausa: "Talvez tenham sido os cupins?”
"Os cupins!" Ele olhou para ela incrédulo, e seu rosto começou a mostrar sua covinha quando mentia. Ela puxou sua perna. Eles cairam juntos na risada.
À distância, o edifício Alworth desmoronou. Além, no porto seco, um navio estava de lado e as chamas esguichavam para fora de suas vigias.
Aqui e ali, corriam sobre os escombros os mecanismos incendiários podiam ser vislumbrados trabalhando. Desta distância pareciam realmente inócuos.
Lembraram Jackie nada mais do que aqueles Volkswagens do início dos anos 50, quando todos Volkswagens eram cinza. Eles eram diligentes, limpos e rápidos.
"Devem estar vindo no nosso caminho", disse ele. "Eles vão limpar os subúrbios em breve".
"Bem, adeus, Civilização Ocidental", Jackie disse, acenando para o inferno brilhante sem medo. Pois, como se pode ter medo de Volkswagens?
Eles encostaram suas bicicletas ao longo da alameda Skyline de onde tinham visto a cidade em chamas. Subindo a alameda eles tinham que andar com as bicicletas, porque a corrente de Orville estava quebrada.
A alameda abandonada por anos, estava cheia de buracos e detritos. Descendo de Amity Park, eles mergulharam no escuro, longe da luz do fogo. Desceram lentamente apertando os freios.
Na parte inferior do morro, uma voz clara feminina dirigiu-se para fora da escuridão:
“Pare!”
Eles saltaram das bicicletas e atiraram-se no chão. Tinham praticado isso muitas vezes. Orville puxou sua pistola.
A mulher entrou na mira, os braços sobre a cabeça, as mãos vazias. Ela era muito velha,
ou seja, sessenta ou mais e de uma maneira desafiadora e inocente.
Ela chegou muito perto.
"Ela é um chamariz!" Jackie sussurrou.
Isso era óbvio, mas onde os outros estavam, Orville não poderia dizer.
Árvores, casas, coberturas, carros enguiçados. Cada um deles poderia fornecer uma cobertura adequada. Estava escuro. O ar estava enfumaçado.
Ele havia perdido, por enquanto, sua visão noturna, observando o fogo.
Determinado a parecer igualmente inocente guardou sua arma e levantou-se.
Ele ofereceu a mão para a mulher. Ela sorriu, mas não chegou mais próximo que isso.
"Eu não iria para lá meus queridos. Há uma espécie de máquina do outro lado. Uma espécie de lança-chamas, eu acho. Se vocês quiserem, eu vou lhe mostrar o melhor caminho."
"Como se parece esta máquina?"
"Nenhum de nós a viu. Acabamos de ver as pessoas queimarem ao chegaram ao topo da colina. Chocante."
Não era impossível, nem mesmo improvável, era igualmente possível e provável que estivessem sendo levados para uma armadilha.
"Um momento." Acenou para a mulher. Sinalizou para Jackie ficar onde estava e caminhou até o suave declive do morro. Examinou os restos que os anos tinham amontoado lá e agarrou uma vareta que devia ter caído de um carrinho de lenha.
No meio da encosta parou atrás de uma das Plantas que tinha quebrado o asfalto. Ele atirou a vara por sobre a crista.
Antes de chegar ao topo de seu arco, foi consumida por chamas, e antes de cair fora de vista, a chama estava morta. A madeira tinha sido totalmente incinerada.
"Você está certa" disse ele, voltando para a mulher. "E nós agradecemos."
Jackie levantou-se.
"Nós não temos nenhuma comida" ela anunciou, menos para a velha do que para aqueles que supostamente estavam escondidos ao seu redor.
O hábito de desconfiança foi forte demais por um instante.
"Não se preocupem, meus caros, vocês passaram no primeiro teste. No que nos diz respeito, vocês mostraram o seu valor. Se você soubesse quantas pessoas caminham direito para lá " Ela suspirou. "Meu nome é Alice Nemerov, R.N. Me chame de Alice". Então, quase como um adendo: “As letras significam que sou enfermeira, vocês sabem. Se você ficar doente, posso dizer-lhe o nome do que você tem. Mesmo prestar uma pequena ajuda, às vezes."
"Meu nome é Jeremias Orville, MS. Chame-me Orville. Minhas letras significam que eu sou um engenheiro de minas. Se você tiver uma mina, eu terei prazer de vê-la "
"E você, minha cara?"
"Jack Janice Whyte. Nenhuma letra. Eu sou uma atriz, pelo amor de Deus! Tenho as mãos finas, de modo que eu as usava para fazer um monte de comerciais de sabão. Mas eu posso atirar, e eu não tenho nenhum escrúpulo que eu saiba."
"Magnífico! Agora venha e conheça os outros lobos. Há um número suficiente de nós para um bando. Johnny! Ned! Christie! Todos vocês!Fragmentos de sombras se desprendam da escuridão e venham para a frente”.
Jackie abraçou Orville à cintura deliciada. Ela aproximou a boca de sua orelha, e ele se inclinou para ela sussurrar. "Sobreviveremos! Não é maravilhoso?"
Era mais do que eles esperavam.
Por toda sua vida Jeremias Orville tinha esperado por coisas melhores.
Ele esperava quando começou a faculdade em se tornar um cientista de pesquisa. Ao contrário, ele tinha ido para um trabalho confortável com mais segurança (parecia) em San Quentin. Tinha a esperança de deixar o emprego e Duluth, logo que economizasse 10.000 dolares, mas antes desta soma fabulosa, nem metade disso ser montada, estava casado e dono de uma bela casa suburbana (3.000 de entrada e dez anos para quitar o saldo). Ele esperava por um casamento feliz, mas até então (ele casou-se tarde, aos 30 anos) tinha aprendido a não esperar demais.
Em 1972, quando as Plantas vieram, estava a ponto de transferir toda essas esperanças para os ombros delgados de seu filho de quatro anos de idade. Mas Nolan mostrou-se incapaz até de suportar o peso da sua própria existência durante a primeira onda de fome que atingiu as cidades, e Theresa durou apenas um mês ou dois mais. Ele previra sua morte: pouco antes dela morrer, ele a abandonara.
Como todo mundo, Orville fingiu odiar a invasão (nas cidades nunca se esperava nada mais que isso), mas secretamente ele adorou, ele não queria mais nada. Antes da invasão, Orville havia parado no limiar de uma cinza, barriguda, meio idade e de repente, uma vida nova vida - havia sido jogada para ele.
Ele (e qualquer outra pessoa que sobreviveu) aprendeu a agir sem escrúpulos como os heróis nas revistas de aventura baratas que havia lido quando garoto, às vezes tão sem escrúpulos como os vilões.
O mundo poderia morrer. Não importa: ele estava vivo novamente.
Houve a intoxicação, enquanto durou, de poder. Não o poder bacana de luvas caras que havia experimentado antes, mas uma nova espécie (ou mais antiga) de poder que vinha de ter a força para perpetuar a desigualdade extrema. Colocando a coisa de forma mais clara, ele trabalhara para o Governo. Primeiro, como chefe de uma turma de trabalhos forçados, mais tarde (dentro de poucos meses, pois o ritmo dos acontecimentos estava acelerando), como o diretor de operação da força de trabalho de toda cidade. Às vezes ele se perguntava qual a diferença que havia entre ele e, digamos, um Eichmann, mas ele não deixou que suas especulações interferissem em seu trabalho.
Na verdade, foi sua imaginação que deixou-o ver a insustentabilidade da posição no Governo e então fez os preparativos adequados para o colapso. Os agricultores não podiam ser pressionados muito mais longe. Eles tinham o hábito de independência e ressentiram-se com o parasitismo das cidades. Eles se revoltariam para manter a sua pouca comida para si mesmos. Sem rações para os escravos na cidade (é isso que eles eram - escravos) seria ou a revolta ou a morte. Em qualquer caso, eles morreriam. Então (depois das adequadas ficções burocráticas e subornos), Orville havia provisionado a sua fortaleza no porão do First American National Bank e aposentou-se da sua vida de serviço público.
Havia inclusive um romance que tinha progredido (ao contrário de seu casamento), exatamente como um romance deve progredir: um namoro fortemente contestado, declarações extravagantes, febres, ciúmes, triunfos... oh incessantes triunfos, e acompanhado sempre do afrodisíaco perigo mortal que cobria becos e lojas saqueadas da cidade que morria.
Por três anos, ele esteve com Jackie Whythe e parecia não mais do que um fim de semana de feriado.
Se era assim para ele, por que não seria o mesmo para os outros sobreviventes também? Será que todos não sentiam essa alegria clandestina em seus corações, como os adúlteros juntos em segredo em uma cidade estranha?
Deve ser assim, pensou ele. Tem que ser assim.
Além da turística Brighton Beach, as plantas cresciam mais densas na expansão urbana diluida. O grupo conhecido casualmente tinha vindo do território selvagem, onde poderiam ficar seguros. Conforme se deslocavam para nordeste na Rota 61, a penumbra da cidade em chamas atrás deles desapareceu, e à pouca luz das estrelas desaparecia devido a folhagem. Eles avançaram em total escuridão.
Moviam-se rapidamente, no entanto, apesar das Plantas terem quebrado a estrada, não tinham bloqueado o caminho. Não era como se precisassem lutar através do matagal antigo que crescia por aqui: os galhos não feriam os rostos, nem espinhos machucavam os pés de cada um. Sequer haviam mosquitos, uma vez que as Plantas tinham drenado os pântanos próximos. Os obstáculos só eram ocasionais
buracos e, às vezes, onde as Plantas haviam quebrado o asfalto suficiente para avançar a erosão, um canal.
Orville e os outros seguiam a rodovia até que a manhã brilhou cinzenta através da massa da floresta, então se viraram em direção à luz, em direção ao lago, que tinha sido visível certa vez para os carros que trafegavam por esta estrada.
Parecia perigoso seguir pela Rota 61 adiante, uma extensão da cidade e sujeita ao mesmo destino da cidade. E também eles estavam com sede.
Se a sorte estivesse com eles, poderiam até conseguir peixes no lago.
A rota havia sido forçada para eles pelas circunstâncias. Teria sido mais sábio, com o inverno chegando, mover-se para o sul, mas isso teria significado circundar a cidade em chamas, e de modo algum valeria a pena. Não havia água para o oeste, e a leste havia muita água. O Lago Superior, embora diminuído, ainda era um reservatorio eficaz.
Talvez uma das vilas à beira do lago tivesse barcos utilizáveis, e no caso eles poderiam virar piratas, como a frota de rebocadores tinha se tornado três anos antes, quando Duluth Harbor secou. Mas a melhor direção provável era a de continuar para nordeste ao longo da margem do lago, saqueando as fazendas e vilas e se preocupar com o inverno, quando o inverno chegasse.
O Lago Superior fervilhava com peixe-lua. Cozidos, eram bons mesmo sem sal. Depois o grupo discutiu, numa tentativa de otimismo, sua situação e perspectivas. Não havia muito a decidir: a situação ditou seus próprios termos. A reunião foi na verdade, menos uma discussão do que uma competição entre os dezesseis homens para ver quem iria assumir a liderança. Exceto pelos casais, eles não conheciam uns aos outros. (Havia pouca vida social nesses últimos anos, a única comunidade que sobrevivera nas cidades fora bandos de pilhagem, e se algum destes os homens esteve em um bando desses antes, não estava falando sobre isso agora.) Nenhum dos candidatos para a liderança parecia disposto a discutir os detalhes de sua própria sobrevivência. Tal reticência era natural e conveniente: ao menos eles não haviam se tornado embrutecidos a ponto de exultar sua depravação e se gabar de sua culpa. Eles tinham feito o que tinham feito, mas eles não estavam necessariamente orgulhosos disso.
Alice Nemerov salvoou-os deste constrangimento, narrando sua própria história, que era totalmente livre de aspectos desagradaveis. A partir dos primeiros dias da fome ela tinha estado no hospital principal, vivendo na ala de isolamento.
O pessoal do hospital vinha negociando suas habilidades e seus suprimentos médicos conseguindo sobreviverem até mesmo no pior dos tempos, exceto, aparentemente, no fim. Os sobreviventes eram principalmente enfermeiros e estagiários, os médicos tinham se retirado para suas casas de campo, quando, após o fracasso do Governo, a anarquia e a fome passaram a dar as cartas na cidade. Nos últimos anos, Alice Nemerov tinha sobrevivido, escondendo-se em sua inocência e com a certeza de que suas habilidades seriam um passaporte, mesmo entre os sobreviventes mais pobres, segura no conhecimento de que ela tinha ido muito além do ponto onde ela precisasse se preocupar com o estupro. Assim, ela veio a conhecer muitos de seus colegas refugiados, e efetuado suas apresentações com calma e tato. Ela contou também de outros sobreviventes e expedientes curiosos pelos quais eles mal se salvaram da inanição.
"Ratos?" Jackie perguntou, tentando não parecer hiper delicada em sua repulsa.
"Ah, sim, minha cara, muitos de nós tentamos isso. Eu admito que foi muito desagradável."
Vários de seus ouvintes balançaram a cabeça em concordância.
"E haviam canibais também, mas eles eram pobres almas culpadas, não como você acha que um canibal seria. Eles estavam sempre pateticamente ansiosos por falar, eles viviam muito sozinhos. Felizmente, nunca me deparei com um quando estava com fome, ou o meu sentimento poderia ser diferente."
Como o sol elevado do meio-dia, o cansaço fez baixarem as guardas e as pessoas passaram a falar de seu próprio passado. Orville percebeu pela primeira vez que ele não era bem o monstro injusto que ele às vezes pensava de si mesmo. Mesmo quando revelou que tinha sido um chefe de equipes de trabalho do Governo, seus ouvintes não pareceram indignados ou hostis. A invasão tinha transformado todos em relativistas: tolerantes uns aos outros, como se fossem delegados na convenção de antropólogos culturais.
Estava quente, e eles precisavam dormir. A quebra das barreiras da solidão tinha cansado seus espíritos, quase tanto como a marcha tinha cansado seus corpos.
O bando estabelecera sentinelas , mas um deles deve ter dormido.
A oportunidade para a resistência já tinha passado antes que se percebesse.
Os agricultores, seus ossos mal-vestidos de carne como a carne fosse jeans rasgados, estavam em desvantagem de três para um, mas os agricultores foram capazes, enquanto os lobos dormiam (cordeiros, talvez não seria melhor dizer?) de confiscar a maioria das armas e impedir a utilização do resto.
Com uma exceção: Christie, a quem Orville tinha pensado que ele poderia vir a gostar, conseguiu atirar em um fazendeiro, um homem velho, na cabeça.
Christie foi estrangulada.
Tudo aconteceu muito rápido, mas não rápido demais para Jackie dar um último beijo em Orville. Quando ela foi puxada para longe dele, rudemente, por uma agricultora jovem que parecia melhor alimentada do que a maioria, ela estava sorrindo o sorriso especial, amargo, reservado apenas para ocasiões como aquela.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
O Outro Pé - Damon Knight
[...
A zona de turbulência nos continuum espaço-tempo, causada pela desastrada experiência de Herr Professor Klementi, espalhou-se para fora, partindo de duas linhas.
No dia 13 de agosto de 1970, por volta de sete horas da manhã, um bloco de edifícios de apartamentos na parte baixa de Omaha, Nebr, desapareceu abruptamente. As pessoas das ruas vizinhas foram atingidas pela implosão, que destruiu janelas a dez quarteirões de distância. Esquadrões de socorro acorreram ao local, mas havia muito pouco a fazer. A explosão não deixou crateras, somente escavações de pequena proporção, rapidamente inundadas pela água dos reservatórios explodidos, onde se erguiam os edifícios.
Quando os engenheiros da cidade desligaram os registros principais e bombearam a água, verificou-se que nada restara além de um buraco no chão. Setecentas pessoas e trinta mil toneladas de alvenaria, aço e concreto das fundações dos edifícios haviam desaparecido como bolhas de sabão.
Para muitos, a responsável pela tragédia foi uma arma secreta africana e a venda pânica de ações atingiu Wall Street. As relações com a União Africana foram prejudicadas por muitas semanas e um encarregado de negócios negro em Chicago foi assaltado na rua. Porém nada mais aconteceu até abril seguinte.
Na madrugada de três de abril, a traineira Mary G. Beyers, ao largo de Atlantic City, Nova Jérsei, navegando em águas calmas, a cento e dez quilômetros do Cabo May, foi atingida por um repentino vagalhão, que a fez virar por estibordo. Correndo para a amurada, a tripulação viu uma monstruosa bolha de ar emergir das profundezas do Atlântico, trazendo consigo destroços de mobília, roupas e meia dúzia de cadáveres.
O Mary G. Beyers recolheu um deles a bordo: era o corpo de um homem em roupa de trabalho. Documentos em sua carteira o identificaram como Irwin Vogt, de Omaha...
Na Lua, no ano de 1950, perto da orla sul da cratera Hermann, surgiu uma flor em botão. Era um gerânio comum, cultivado, Pelargonium domesticum, germinando em um canteiro circular de terra escura. Uma nuvem de vapor envolveu-a quase que instantaneamente. A flor tombou, murchou, perdeu a cor e, finalmente, tornou-se cinzenta como as próprias cinzas ao seu redor. Trinta anos mais tarde, um homem, num trator lunar, indo de Little Washington para Grimaldi, viu o esqueleto cinzento e tomou-o por uma formação mineral incomum. Estabeleceu as coordenadas e anotou mentalmente o fato para mencioná-lo mais tarde ao selenólogo da Base de Grimaldi, mas esqueceu-o.
A turbulência aumentou. O transtorno que Klementi começara ainda não chegara ao fim...]
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
O mapa-múndi de O Homem do Castelo Alto
[...No entanto, era um fato; o Pacífico não fizera nada para a colonização dos planetas. Estava envolvido – ou melhor, atolado – na América do Sul. Enquanto os alemães estavam ocupados em lançar no espaço enormes sistemas robotizados, os japoneses queimavam as florestas do interior do Brasil, erguendo edifícios de apartamentos de oito andares, de barro, para ex-caçadores de cabeças. Até os japoneses lançarem seu primeiro foguete, os alemães teriam posto o sistema solar no bolso. Segundo os pitorescos e antigos livros de história, os alemães ficaram para trás enquanto o resto da Europa consolidava seus impérios coloniais. Mas, refletiu Frink, desta vez não iam chegar por último; aprenderam....]
O Homem do Castelo Alto - Philip K.Dick
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Manmachine
Sinopse:
No futuro, as empresas controlam todos os assuntos humanos. As máquinas evoluiram ao ponto de se tornarem uma nova raça, e a procura de sua própria relação com Deus constitui sua principal obsessão. A guerra ameaça a sobrevivência da raça humana e Manmachine levanta-se como um herói improvável: um assassino, mais propenso ao vício e a neurose, atacado constantemente por flashbacks.
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