segunda-feira, 20 de junho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Prometeus, um prelúdio para Alien?
Na mitologia grega, Prometeu é um titã, conhecido por sua astúcia e inteligência, responsável por roubar o fogo de Zeus e o dar aos mortais. Como castigo, Prometeu foi acorrentado a uma rocha no Cáucaso, onde seu fígado era devorado por uma águia durante o dia, para vê-lo regenerar-se de noite (devido à sua imortalidade), e ser devorado no dia seguinte e assim se repetindo por toda eternidade.
O papel de Prometeu na lenda seria o de proteger a raça humana contra um mal com poderes superiores.
Quando Ridley Scott anunciou no final de 2010, que estava iniciando a produção de um prelúdio para o seu Alien, O oitavo passageiro de 1979, especulações tomaram a internet, fazendo-o já então, o filme mais aguardado do ano de 2012.
O roteiro original de Jon Spaihts foi revisado por Damon Lindelof (da série Lost), e batizado como 'Prometheus' e H.R. Giger (o criador do design original) foi contratado para dar consultoria na criação das naves e criaturas.
Porém, uma onda de boatos e disputas logo no início deste ano, passaria a capitalizar a atenção de todos. Após uma acirrada disputa sobre quais seriam os nomes escalados para os papeis principais, a 20th Century Fox anunciou o adiamento da volta à franquia.
O que seria uma prequela do primeiro filme, trinta anos antes da descoberta feita pela tripulação do cargueiro Nostromo, se transformou em outro filme, também relacionado com a mitologia criada por Ridley Scott.
Apesar do sigilo, muito se especula que a ação poderá tratar da terraformação (criar condições de ambiente semelhantes aos da Terra) de um planeta inóspito, para possibilitar a colonização humana.
Fontes de dentro da equipe de produção garantiram que para manter a conexão com o universo Alien, o diretor fará uso do personagem batizado Space Jockey.
A criatura teve um papel relativamente pequeno e muito pouco se sabe sobre seus antecedentes.
No fime Alien, quando o rebocador comercial Nostromo desce ao planetoíde LV-426, em resposta a um sinal interpretado como um pedido de socorro, os membros da tripulação, Dallas, Lambert e Kane, encontram seu corpo e percebem que ele foi o responsável pela transmissão do sinal que os levou até a espaçonave abandonada. Eles também percebem que seu peito parece ter sido aberto a partir do interior. Presumivelmente a criatura foi infectada por um 'facehugger', como é chamado o estágio responsável por 'semear' os ovos dentro dos hospedeiros.
O diretor James Cameron também chamava a criatura de "O Grande Paciente Dental". Estas enormes criaturas parecidas com elefantes podem ter sido as primeiras vítimas dos Xenomorfos e talvez também seus criadores.
Apesar de não ter aparecido nos filmes seguintes da série, Space Jockey, também conhecido como O Piloto, voltou a surgir em romances, games e quadrinhos que exploram o universo Alien. Em 'Earth Hive' de Steve Perry, os Space Jockey coletam ovos xenomorfos, e no romance 'Original Sin' de Michael Friedman, Piloto pertence a uma raça chamada de Mala'kak.
Na adaptação do filme Alien para os livros, feita por Alan Dean Foster, o androide Ash descreve Space Jockey como sendo de uma raça de criaturas nobres e espera que a humanidade possa encontrá-los no futuro sob circunstâncias mais agradáveis. Também deixa transparecer que eles são maiores, mais fortes e possivelmente mais inteligentes do que os humanos.
Garantidos no elenco estão Charlize Theron, Michael Fassbender, Guy Pearce, Sean Harris, Noomi Rapace, Idris Elba, Kate Dickie, Logan Marshall-Green, Benedict Wong e Emun Elliott.
As filmagens que iniciaram na Inglaterra prosseguem na Islândia, e tem previsão para chegar aos cinemas (em 3D) em 8 de junho de 2012.
Acompanhe as novidades sobre as filmagens em:
Alien Explorations
Aliens versus Predator Galaxy
Alien Prequel News
Prometheus Movie News
Alien Harvest - Roteiro de Jon Spaihts [ Donwload ]
Earth Hive - Steve Perry [ Download ]
Original Sin - Michael Friedman [ Dowmload ]
sábado, 18 de junho de 2011
Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 15)
TREZE
CUCO, JUG-JUG, PU-WE, TO-WITTA-WO!
Há pessoas que não conseguem gritar mesmo quando a ocasião pede enfaticamente para gritar.
Qualquer sargento pode dizer aos homens, bons soldados, que quando correrem para enfiar uma baioneta nas vísceras de um boneco de serragem, devem fazê-lo com um tipo qualquer de grito de guerra, ou na melhor das hipóteses imitando um, um hesitante Morra! Morra! Morra!
Não é que estes homens não tivessem as emoções primordiais de ódio e sede de sangue, mas se tornaram muito civilizados, desligados da experiência de uma fúria incontrolável e pura.
Talvez uma verdadeira batalha desperte isso neles, talvez não.
Há mais emoções primordiais, mais elementares para a sobrevivência, do que o ódio e a sede de sangue, mas elas também podem ser silenciadas, com maneiras civilizadas.
Apenas situações extremas podem libertá-las.
Orville Jeremiah era um homem muito civilizado. Os últimos sete anos o libertara de muitas formas, mas ele não havia apagado a sua civilidade até muito recentemente, quando os acontecimentos lhe ensinaram a desejar a consumação de sua vingança acima de sua própria felicidade e segurança.
Era um começo.
Mas quando estava ao lado de Flor, o machado em sua mão invisível, ele próprio invisível, ouvindo os gritos que o medo arrancava de sua garganta, a emoção mais primordial do amor venceu, quebrou o Jeremias civilizado. Deixando cair a arma, ficou de joelhos e começou a beijar o corpo jovem que agora era a coisa mais importante e bonita do mundo.
"Flor" ele chorou de alegria. "Flor, Flor!"
E continuou sem sentido repetindo o nome dela.
"Jeremias! É você, meu Deus, eu pensei que era ele!"
E ele ao mesmo tempo: "Como eu poderia ter amado um fantasma, sem corpo, quando tudo isso...perdoe-me! Você pode me perdoar?"
Ela não conseguia entendê-lo. "Perdoar você!" Ela riu e chorou e eles disseram muitas coisas um ao outro sem pensar, sem compreender mais do que o fato de ainda não assimilarem que estavam apaixonados.
A paixão tende a ser, se não completamente inocente, lenta.
Orville e Flor não podiam apreciar a felicidade de olhar por horas um nos olhos do outro, mas a escuridão permitia tanto quanto negava. Eles namoraram. Eles chamaram um ao outro pelos nomes carinhosos de romances colegiais (nomes que Orville não havia usado com Jackie, a não ser, quando as mãos de Orville caíram sobre ela, com expressões mais grosseiras), e estes querido, estes meu doce, minha amada, pareciam expressar filosofias de amor.
Eventualmente algumas palavras de senso comum perturbavam a solidão perfeita de seu amor, como seixos jogados em um lago tranqüilo.
"Os outros devem estar procurando por mim" disse ela. "Tenho que avisar que estou bem."
"Sim, eu sei, eu estava ouvindo Alice falar com você."
"Então você sabe que papai queria isso. Ele ia dizer isso quando..."
"Sim, eu sei."
"E Neil..."
"Eu sei isso também. Mas você não precisa se preocupar com ele agora."
Inclinando-se ele beijou o lóbulo macio de sua orelha.
"Não vamos falar sobre isso ainda. Posteriormente faremos o que temos de fazer."
Ela empurrou Orville para longe dela.
"Não Jeremias. Ouça-me, vamos lá para fora, para algum lugar longe de todos eles, do ódio, do ciúme. Algum lugar onde eles nunca vão nos encontrar. Podemos ser como Adão e Eva e pensar em novos nomes para os animais. Há um mundo todo lá fora."
Ela não disse mais nada, pois percebeu que havia mesmo um mundo todo lá fora. Estendeu uma mão para alcançar Orville puxando-o de volta e para empurrar o mundo para longe por um pouco mais, mas em vez da carne viva de Orville sua mão encontrou o quadril fraturado de Alice.
Ela sussurrou. "Isso não pode terminar aqui!"
"Não vai acabar" prometeu ele a seus pés. "Nós temos a vida inteira pela frente. Uma vida dura. Na minha idade, eu deveria saber."
Ela riu. Então para o mundo inteiro ouvir, ela gritou:
"Estamos aqui em baixo. Vá embora. Nós vamos encontrar nosso caminho de volta por nós mesmos."
Mas Buddy já havia encontrado-os, entrando no tubérculo por uma passagem lateral.
"Quem é esse com você?" Perguntou ele. "Orville é você? Eu deveria te dar uma surra por isso! Você não sabe que o velho está morto? Que inferno!"
"Não Buddy, você não entende." Ela disse. "Está tudo bem, Orville e eu estamos apaixonados."
"Sim, eu entendo tudo muito bem. Ele e eu vamos ter uma conversa sobre isso em particular. Eu só espero ter chegado aqui antes dele poder colocar o seu amor à prova. Pelo amor de Cristo Orville, esta menina tem apenas catorze anos! Ela é jovem o suficiente para ser sua filha. Ela é jovem o suficiente para ser sua neta."
"Buddy! Não é assim!" Flor protestou. "É o que o pai queria para nós. Ele disse para Alice e depois..."
Buddy avançou com a sua voz como um guia, tropeçando no corpo da enfermeira.
"Inferno!"
"É Alice. Se você apenas me ouvisse!"
Flor rompeu em lágrimas que a frustração misturava com tristeza.
"Sente-se" Orville disse "e cale a boca por um minuto. Você está tendo conclusões erradas, e há um monte de coisas que você não conhece. Não discuta, Buddy, ouça!"
"A questão então não é o que deve ser feito no caso de Neil, mas quem pode fazer isso" concluiu Orville. "Eu não acho que deveria ter que suportar esta responsabilidade, nem você. Pessoalmente eu nunca gostei da forma arrogante de seu pai de ser juiz, júri e escrever as leis. É uma honra ter sido nomeado como seu sucessor, mas uma honra que prefiro declinar. Este é um assunto para a todos opinarem".
"Concordo. Eu sei que se eu fizesse...o que tem que ser feito, eles diriam que foi por motivos pessoais. E isso não seria verdade. Eu não quero nada que ele tem. Não mais. Na verdade, a única coisa que eu quero agora é voltar e ver Maryann e meu filho".
"Então a única coisa a fazer é definir sobre como encontrar os outros. Flor e eu podemos ficar fora do caminho até que o assunto tenha sido resolvido. Neil pode ser rei por um dia, mas ele vai ter que dormir em algum momento, e haverá tempo suficiente para depô-lo."
"Tudo bem. Nós vamos voltar agora, mas não ao longo da minha corda. Seria muito fácil de se deparar com Neil dessa maneira. Se subir as videiras da raiz por onde veio, não haverá perigo de atravessar seu caminho."
"Se Flor concordar com isso, eu também concordo.”
“Jeremis seu velho estranho, eu posso subir essas raízes duas vezes mais rápido que qualquer outro de trinta e cinco anos de idade, e duzentos quilos".
Buddy ouviu o que ele supôs ser um beijo e apertou os lábios em desaprovação.
Embora em teoria, ele concordasse com tudo o que Orville havia dito em sua própria defesa e na de Flor, os tempos haviam mudado, o casamento precoce era agora algo positivo à maneira antiga, e Orville (este tinha sido o argumento de Flor) era certamente o mais cobiçado dos sobreviventes, e tinha a benção póstuma de Anderson para sua união. Apesar de todas essas irrefutáveis razões, Buddy não podia deixar de sentir um certo desgosto pela coisa toda. Ela ainda é uma criança, disse para si mesmo e isso para ele, era um fato indiscutível. Mas engoliu seu desgosto como uma criança engole alguns vegetais a fim de sair dali e fazer algo mais importante.
"Vamos dar o fora" disse ele.
Para retornar à raiz primária por onde Flor e Orville tinham descido era necessário voltar ao longo do caminho que Buddy tinha vindo e em seguida por uma ramificação angulosa da raiz, tão estreita que mesmo engatinhando era difícil.
Mas este foi apenas um prenúncio das dificuldades que enfrentaram para subir na raiz vertical.
As vinhas através da quais eles esperavam subir estavam cobertas com uma fina película de limo, a mão não conseguia agarrá-los com a firmeza para não escorregar. Somente nos pontos nodais, onde as videiras formavam uma espécie de estribo, é que se podia conseguir uma pegada segura, e não era sempre certo que haveria uma outra intersecção nodal. Tinham sempre que recuar e refazer o caminho ao longo de uma rede de videiras diferente. Ainda mais frustrante é que os pés (embora nus) estavam constantemente a escorregar destes estribos improvisados.
Era como tentar subir uma escada de corda untada, e com degraus faltando.
"Não parece que estamos tentando nos matar?" Buddy perguntou retoricamente. "Eu não sei de onde esse limo está vindo, mas isso não parece que vai diminuir. Quanto mais alto formos, mais chances de quebrar o pescoço se cairmos. Por que não voltamos pela minha corda, afinal? Não é provável que vamos encontrar com Neil, e se o fizermos, basta não deixá-lo saber o que conversamos. Eu prefiro o risco de encontrá-lo a enfrentar outros cem metros por esta coisa untada."
Isto pareceu a atitude mais sensata, e eles voltaram para o tubérculo. A descida foi fácil como escorregar em cano liso. Seguindo a linha de Buddy por uma encosta suave, eles notaram que aqui também as videiras estavam umidas e escorregadias debaixo de seus pés descalços. Sentindo a camada de vinhas, Orville descobriu que um pequeno riacho do lodo descia a ladeira.
"O que você acha que é isso?" Buddy perguntou.
"Acho que a primavera finalmente chegou" Orville respondeu.
"E esta é o curso da seiva! Eu reconheço a sensação e o cheiro agora, oh, como conheço esse cheiro!"
"Primavera" Flor disse. "Nós vamos poder voltar à superfície!"
A felicidade é contagiosa (e não estavam lá todos os motivos para uma jovem ser feliz em qualquer caso?) e Orville citou parte de um poema:
"Primavera, a doce Primavera, o presente do ano ao rei;
Então cada coisa floresce, as empregadas na roda dançam,
O frio não fere, os lindos pássaros cantam,
Cuckoo, jug-jug, pu-we, to-witta-wo!” (n.t.: SPRING de Thomas Nashe)
"Que lindo poema!" disse ela pegando sua mão e a apertando.
"Um monte de bobagem!" Buddy disse "...Cuckoo, jugjug, pu-we, to-witta-wo!"
Os três riram alegremente.
O sol já parecia estar brilhando sobre eles, e nada mais era necessário para fazê-los rir de novo, só que um deles repetisse as velhas e tolas rimas elizabetanas.
Cerca de dois mil metros acima de suas cabeças, a terra revivia, sob a influência do sol brilhante, o fato que havia passado o equinócio. Mesmo antes das últimas manchas de neve terem derretido do lado sul das pedras, as folhas das Plantas grandes desfraldaram para receber a luz, começando sem mais delongas a executar seu trabalho como se outubro fora ontem.
Exceto pelo barulho das folhas estalando ao se abrirem (o que acabou em um dia), era uma primavera silenciosa. Não haviam pássaros a cantar.
As folhas gritavam famintas às hastes, secas devido ao frio inverno do norte, e as hastes gritavam famintas às raízes, onde a seiva aguardava. As folhas, necessárias para fazer o alimento novo, começavam a ferver por capilares inumeráveis. Onde esses capilares tinham sido quebrados pela passagem do homem, a seiva jorrava para fora e espalhava-se sobre as vinhas que cobriam as cavidades das raízes. À medida que mais e mais a seiva era derramada através das artérias da Planta que despertava, formava riachos, fundindo-se com outros riachos, gerando pequenos riachos, córregos e estes corriam para inundar as profundezas das raízes. Em depressões em que os capilares estavam ainda intactos, a seiva fora reabsorvida, mas em outros lugares, os níveis destes riachos subiam mais e mais inundando as raízes, como esgotos no repentino degelo de Março.
Em ambos os hemisférios, a Planta estava chegando ao final de uma longa estação e agora, em intervalos regulares sobre a terra verde, descendo dos céus primaveris, esferas imensas brilhantes, bombardeando e esmagado várias Plantas sob seu peso.
Vistos a distância, a paisagem se assemelhava a um leito de trevos cobertos com bolas cinzentas de basquete. Estas bolas de basquete em algumas horas ao sol, se partiam a partir das aberturas em suas bases e centenas de cílios exploratórios, cada um dos quais movendo-se para a Planta mais perto e então como eficazes brocas pouco a pouco começavam a perfurar o caule lenhoso na cavidade raiz abaixo. Quando uma passagem satisfatória tinha sido aberto, o cílio era atraído de volta para a bola de basquete cinza.
A colheita estava sendo preparada.
Neil tinha passado três vezes ao círculo de corda que ele havia feito para interceptar Buddy, e estava começando a ter a sensação de que havia sido pego em sua própria armadilha (embora como tinha acontecido, ele ainda não entendia).
Então como temia, Buddy podia ser ouvido retornando ao longo da raiz. Flor e Orvifie estavam com ele, todos rindo! Dele? Ele tinha que se esconder, mas não havia onde se esconder, e ele não queria se esconder de Flor. Então disse: "Ah, oi."
Eles pararam de rir.
"O que você está fazendo aqui?" Buddy perguntou.
"Bem, veja você, uh...Esta corda aqui,...Não, não é isso."
Quanto mais ele falava, mais confuso ficava, e Buddy mais impaciente também.
"Ah, não importa. Venha. Encontrei Flor. Orville também. Vamos nos juntar aos outros agora. É primavera. Você não percebeu o lodo – Hei – o que é isso?"
Ele tinha encontrado o ponto onde o fim de sua própria corda estava atada ao seu próprio meio.
"Essa certamente não é a interseção de onde partimos. Eu me lembro que eu tinha ido para baixo numa raiz tão pequena como esta."
Neil não sabia o que fazer. Ele queria bater na cabeça de seu irmão xereta, é o que ele queria fazer, e atirar em Orville apenas para ver a explosão de seus miolos.
Mas ele sentiu que isso era melhor ser feito longe de Flor, que não entenderia.
Uma conversa sussurrada estava acontecendo entre Buddy, Orville e Flor.
Então Buddy disse: "Neil, você fez..."
"Não! Eu não sei como...aconteceu sozinho! Não foi minha culpa!"
"Bem, você é um burro turrão!" Buddy começou a rir. "Porque, se você tivesse que cortar um galho de uma árvore, eu juro que você iria se sentar no lado errado ao fazê-lo. Você amarrou a minha linha em um círculo, não?"
"Não Buddy, juro por Deus! Como eu disse, eu não sei como..."
"E você não trouxe sua própria linha pela qual poderia voltar. Oh, Neil, como você fez isso?"
Orville e Flor se juntaram ao riso de Buddy.
"Oh, Neil!" Flor gargalhou. "Oh, Neil!"
Isso fez com que Neil se sentisse bem, ouvir Flor dizer o nome dele assim, e ele começou a rir junto com todos eles.
Ele era a piada!
Surpreendentemente parecia que Buddy e Orville não iam fazer oposição. Talvez soubessem o que era bom para eles!
"Parece que vamos ter que encontrar nosso caminho de volta da melhor forma possível" Orville disse com um suspiro quando estavam todos rindo. "Neil, você gostaria de nos guiar?"
"Não" disse Neil novamente sombrio e tocou o Python em seu coldre por garantia.
"Não, eu vou ser o líder, mas vou na retaguarda."
Uma hora depois, eles encontraram um beco sem saída, e sabiam que estavam completamente perdidos. Não era mais possível quebrar os vasos capilares com os braços. Estavam inchados de seiva e muito resistentes.
Foram obrigados por isso a ficar estritamente dentro dos limites de caminhos já abertos. Graças as explorações de Anderson, havia muitos destes. Demais deles.
Orville resumiu a situação: "Ao subsolo meus queridos! Vamos ter que tomar outro elevador para chegar lá."
"O que você disse?" Neil perguntou.
"O que eu disse foi que..."
"Eu ouvi o que você disse! E eu não quero que você use essa palavra de novo, entendeu? Tenho que lembrar para vocês quem é o líder aqui, hein?"
"Que palavra, Neil?" Flor perguntou.
"Meus queridos!" Neil gritou.
Neil era sempre capaz de gritar quando sentia que a ocasião pedia isso. Ele não era civilizado, e o primitivol estava muito próximo à superfície de sua mente. Parecia crescer próximo dela, o tempo todo.
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Entrevista com Bruce Sterling
Gunhead: Sou um estudante e me considero um ciberpunk de segunda geração. Deram-me a missão de entrevistar alguém de uma subcultura para um trabalho acadêmico e percebi que seu nome estava sempre entre os mais citados na comunidade ciberpunk.
Bruce Sterling: O que tem em mente?
Gunhead: Uma das coisas que a comunidade tem falado muito é sobre a possibilidade da vida moderna se aproximar tanto da ficção ciberpunk, que o gênero literário se tornaria obsoleto. Qual sua opinião sobre isso, e como você acha que isso está afetando ou afetará a literatura ciberpunk?
Bruce: Bem, não há realmente como a vida moderna ficar semelhante à literatura, é o que diz Rudy Rucker visionário ciberpunk. O mundo não está ficando mais parecido com um romance de Pat Cadigan. Não vejo isso como um problema sério. Nenhum movimento literário se tornou obsoleto por suas histórias serem muito realistas.
O mundo parece muito com uma ficção ciberpunk na Rússia moderna, e lá nunca ninguém ligou para ciberpunk. Eu diria que as pessoas mais interessadas em ciberpunk hoje são provavelmente do Brasil e da África do Sul. Eu suspeito que seja porque suas sociedades atingiram um estágio de transição técnica, onde as pessoas se surpreendem e se excitam ao ver um monte de ciber-coisas acontecendo.
Pessoas de outros países que poderiam ter sido escritores cyberpunk já não se importam muito sobre nada "ciber." Eles provavelmente não tem muito tempo para escrever novelas. É preciso um determinado conjunto de circunstâncias históricas para alimentar um movimento como esse. Quando revistas, jornais e livrarias estão obsoletos, quando máquinas de escrever manuais são desconhecidas, você pode ser levado a achar que a cultura ciberpunk, criada no início de 1980, é em si mesma obsoleta. Não que os livros fossem de alguma forma proféticos, é que as circunstâncias mudaram.
Gunhead: Então neste caso, você vê o resto da subcultura como a moda, os filmes e a música, sobrevivendo sem este componente literário, ou você acha que terão que inventar algo novo?
Bruce: Bem, claramente o componente literário está em menos apuros do que os filmes e a música. Todas essas empresas que tinham raízes em meios analógicos de produção e distribuição tem problemas semelhantes.
A tendência é para uma cultura que não está nem mesmo ciente que é uma cibercultura, já que uma vez que tudo é ciber, nada é ciber, e o ciber fica banal e chato.
Escritores de ficção científica têm geralmente fortes interesses que não são tradicionalmente literários. Se você for ver, o que, digamos Cory Doctorow, é claro que ele não é um "autor típico”, mesmo assim escreve best-sellers. Neal Stephenson gosta de trabalhar em laboratórios de foguetes. William Gibson desenvolve e vende roupas. Eu passo meu tempo com designers industriais e pessoas que trabalham com realidade aumentada. É muito difícil dividir uma cibercultura em seus componentes. É tudo misturado.
O steampunk parece lidar com isso melhor. Há alguns romancistas steampunk, mas eles não são realmente considerados líderes criativos daquela cena. São as pessoas com hobbies tecnológicos, social-networkers que ditam o ritmo do steampunk.
Gunhead: Se essa é a tendência que a massa, o público em geral está seguindo, então não seria a reação da contracultura, óbvio, ganhar a consciência do 'ciber’? Hoje em dia, quanto mais você navega na rede mais poder você pode exercer, e temos visto algumas revoluções por conta disso... Você acha que ciberpunk se tornará mais sobre política e aspectos técnicos, como ocorre em Pequeno Irmão (Little Brother) de Doctorow?
Bruce: Não, não mesmo. A contracultura é como a sombra de uma cultura, não é o oposto de uma cultura. É como imaginar uma contracultura sem eletricidade. Uma vez que você obtêm energia elétrica confiável, não é mais revolucionária (como a eletricidade foi para Lênin).
Pequeno Irmão é principalmente sobre sindicatos. Talvez estes sindicatos industriais antiquados, que têm estado em declínio durante décadas, voltem como redes sociais radicais. Eu não diria que Cory está de alguma forma prevendo o inevitável, mas parece ao menos plausível.
Ciberpunks sempre tiveram um ponto fraco quanto à questão dos dissidentes da Europa oriental nos anos 80. Era tipo uma espécie de aliança literária obscura do período. No final desta década havia revoluções e as redes samizdat (prática de tornar público material censurado), mas nunca "exercendo seu poder".
É muito claro hoje que temos grandes divergências entre a antiga estrutura formal de poder - "a comunidade internacional" - e a da internet mundial, que é mais como um flash mob (multidão que aparece em locais pré-determinados e realiza uma atividade e se dispersa em poucos minutos). Haverá muito mais disso por ai, pirotecnia política, mas não faz muito sentido chamar isso de uma situação “ciberpunk moderna”. Os adolescentes líbios no Facebook que querem acabar com Gadaffi, esses caras são os revolucionários modernos, mas não são ciberpunks.
Gunhead: Interessante. Enquanto a comunidade vem tentado constantemente definir o termo ciberpunk e aprender a lidar com a aridez de livros ciberpunk, outros aspectos como a moda e o cinema continuam a evoluir. Bandas e músicos estão descrevendo-se como ciberpunks mais agora do que antes, parece que estamos caminhando na direção de uma subcultura tradicional. Você acha que vai decolar com a garotada, da mesma maneira que dizem a subcultura gótica fez?
Bruce: Não acho. O gótico já era bem sucedido, já tinha elementos comportamentais antigos de contracultura, é mais correto dizer que o gótico persistiu. Nunca houve muitos garotos ciberpunks. Os caras que inventaram o ciberpunk na década de 80 eram adultos em seus vinte e tantos anos, trinta até. Os adolescentes liam, mas ela não foi criada por adolescentes.
Brian Eno disse que a cultura popular evolui em um cenário a partir de uma adaptação mal compreendida do que está acontecendo em algum lugar distante. Existe um caso clássico com Lauren Beukes, que é uma jornalista de música de Cape Town, que após ter uma filha, decidiu tentar escrever romances ciberpunk ('Moxyland' se passava na Cidade do Cabo do futuro e 'Zoo City', uma história de ação que se passa em Johannesburg e venceu o prêmio Arthur C. Clarke de 2011). Lauren começou realmente escrevendo ciberpunk, mas também sobre "township tech", que é um tipo de tecno-music da África do sul. É impossível de prever que algo que foi inventado em Vancouver, Austin ou San Francisco, encontre eco na Cidade do Cabo ou São Paulo ou Belgrado. Pode acontecer ou não, ou pode acontecer em outro tempo e ter outro nome. Muitos críticos vêem o ciberpunk como um eco distante e tardio da Ficção Científica New Wave londrina Talvez tenha sido.
Gunhead: Talvez. Obrigado pelo seu tempo Bruce, foi um prazer conversar com você. Algo a dizer para o pessoal do Cyberpunk Review?
Bruce: Bem, é sempre bom compreender as ferramentas e as abordagens - o que as pessoas criativas estão fazendo e como o fizeram - então colocar coisas legais de que você gosta tudo junto e dizer: "Eu vou fazer desse jeito".
http://www.cyberpunkreview.com/
quinta-feira, 16 de junho de 2011
CineClassik
Filmes de Ficção Científica, Horror e Fantasia, que você provavelmente nunca viu ou ouviu falar !
CineClassik.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
My Duck Is Dead
Postado por
Capacitor Fantástico
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Tag: Biblioteca Fantástica, cinema, Fantasia, Ficção Científica, Horror
terça-feira, 14 de junho de 2011
Videodrome
O controverso, o cult, o bizarro, distópico, cyberpunk, surreal, avant-gard, exploração underground noir, neo-noir, acid e muito mais subgêneros...é o que o blog VIDEODROME promete.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Estrelando... o computador
Lembram-se de H.A.L. de 2001 e MOTHER de Dark Star ? Bem, STARRING THE COMPUTER não trata de computadores da ficção, mas aqueles verdadeiros, os Amiga, Commodore, Macs, HPs e IBMs que tiveram seus quinze minutos de glória eternizados pelo cinema.
domingo, 12 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 14)
DOZE
FANTASMAS E MONSTROS
É melhor você se esconder, ela pensou, e foi assim que se perdeu.
Certa vez, quando Flor tinha sete anos, seus pais tinham ido para Duluth no fim de semana, levando o bebê, Jimmie Lee com eles, deixando-a sozinha na grande casa de dois andares na periferia de Tassel.
Era o décimo oitavo aniversário de casamento deles. Buddy e Neil, eram meninos grandes, um fora ao baile e outro para um jogo de beisebol. Ela assistiu um pouco de televisão e em seguida brincou com suas bonecas.
A casa estava muito escuro, mas era regra do pai nunca ligar mais de uma lâmpada por vez.
Ela não se importava em sentir-se um pouco assustada. Havia algo de bom nisso. Então ela apagou todas as luzes e fingiu que o monstro estava tentando encontrá-la no escuro. Mal ousando respirar e nas pontas dos pés, descobriu esconderijos seguros para todos os seus filhos: Lulu, porque ela era
negra, no depósito de carvão no porão, Ladybird, atrás de caixa dos gatos; Nelly, a mais velha, na lixeira sob a mesa do papai. Ficou mais e mais assustador. O monstro procurava-a por todos os lugares da sala, exceto no único lugar onde ela estava, atrás do terraço de pedra.
Quando saiu da sala, Flor subiu as escadas, mantendo-se próxima à parede para que não rangesse.
Mas fez um rangido, e o Monstro ouviu e veio atrás dela.
Com um grito excitado ela correu para o primeiro quarto e fechou a porta atrás dela. Era o quarto de Neil, e a imensa cabeça de alce com grandes chifres olhou com raiva para ela do seu posto sobre a cômoda. Ela sempre teve medo dos alces, mas estava com mais medo ainda do Monstro lá fora no corredor, escutando em cada porta para saber se ela estava lá dentro.
Entrou no armário de Neil, que estava entreaberto e se escondeu entre as botas fedorentas e velhos e sujos jeans. A porta do quarto se abriu. Estava tão escuro que não conseguia ver sua mão na frente de seu rosto, mas podia ouvir o Monstro fungando. Ele veio até a porta do armário e parou. Ele cheirava ela lá dentro.
O coração de Flor quase parou de bater, e orou a Deus e a Jesus que o monstro fosse embora.
O Monstro fez um barulho alto e terrível e abriu a porta, e pela primeira vez Flor viu o que parecia ser o Monstro. Ela gritou e gritou e gritou.
Neil foi o primeiro a chegar em casa naquela noite, e não conseguiu entender o que Flor estava fazendo em seu quarto com seu jeans sujo enfiado na cabeça, choramingando como se ela tivesse apanhado de cinta, e tremendo como um passarinho pego em uma tempestade de neve de abril.
Mas quando ele a segurou, seu corpinho tornou-se todo rígido, e nada a sossegaria a não ser dormir naquela noite na cama de Neil.
Na manhã seguinte, ela acordou com febre, e seus pais tiveram que abreviar a sua viagem e voltar para casa e cuidar dela. Ninguém entendeu o que tinha acontecido, mas Flor não se atreveu a dizer-lhes sobre o Monstro, que eles não podiam ver.
Eventualmente, o incidente foi esquecido.
Como Flor crescia, o conteúdo dos seus pesadelos era submetido a uma gradual mudança: os monstros antigos não eram mais aterrorizantes do que a cabeça de alce sobre a cômoda.
A escuridão porém, era o próprio material do terror, e Flor, correndo e rastejando através das raízes, descendo e descendo, sentiu o velho medo repossuí-la.
De repente todas as luzes da casa tinham sido desligadas. A escuridão se encheu de monstros, como despejar água em uma banheira, e ela correu, desceu escadas e corredores para baixo à procura de um armário para esconder-se dentro.
Durante todos esses últimos e longos dias com seu pai morrendo, e mesmo antes, Flor tinha ficado muito só. Ela sentia que havia algo que ele queria dizer a ela, mas que não iria deixar-se dizer.
Pensou que ele não queria que ela o visse morrer, e ela tinha se forçado a ficar de fora.
Alice e Maryann, com quem ela costuma passar seu tempo, não tinham outra preocupação que não o bebê. Flor queria ajudá-las, mas ela era muito jovem. Ela estava naquela idade quando se fica incomodada com a presença do nascimento ou da morte. Ela ficava próxima destes grandes acontecimentos e lamentava-se por ser excluída do seu âmbito.
Imaginou-se morrendo: como ficariam tristes todos, por terem negligenciado-a!
Mesmo Orville não tinha tempo para Flor. Ou ele ficava desligado de si próprio ou ao lado de Anderson. Só Neil parecera mais chateado com doença do velho homem.
Quando Orville encontrava Flor, olhava para ela com tamanha intensidade que a menina afastava-se, corada e até mesmo um pouco assustada. Não sentia que o entendia mais, e isso, de certa forma, a fez amá-lo mais e mais desesperadamente.
Mas nenhuma dessas coisas teria feito fugir assim, exceto em fantasias. Foi só depois que ela havia visto a expressão no rosto de Neil, o jeito quase sonâmbulo de suas feições, quando ela tinha ouvido falar o nome dela naquele determinado tom de voz, foi então que Flor, como uma corça que captura o cheiro de um caçador, entrou em pânico e começou a correr para as profundezas da escuridão, buscando abrigo.
Correu cegamente, e por isso era inevitável que iria passar por cima de um dos declives em uma raiz primária. No escuro, mesmo se você fosse cuidadoso, isso aconteceria. O vazio engoliu tudo.
De joelhos dobrados, entrou pela primeira vez na polpa da fruta, em seguida, seu corpo lançado para a frente afundou-se profundamente, profundamente nela. Foi descer ilesa, apenas a alguns centímetros de distância do corpo quebrado, mas ainda respirando, de Alice Nemerov, RN.
Ele havia falhado, ele Jeremias Orville. Ao invés de vingar-se, ele tinha assistido, dia após dia, a morte de Anderson, sua agonia, sua humilhação, e ele sabia que Jeremias Orville, nada tinha a ver com isso. Foi a Planta e o simples acaso que tinha acabado com Anderson.
Orville tinham estado ali como Hamlet, e disse amém para as orações de Anderson, só havia enganado-se por sua sutileza. Ele tinha sido tão ganancioso achando que os sofrimentos de Anderson deviam a ele, e não de nenhuma Planta que tinha levado o velho e sua tribo para uma terra de leite e mel. E agora seu inimigo estava morrendo por um mero acidente, infetado por uma mordida.
Orville remoia sozinho, na escuridão profunda, uma imagem, um fantasma, que tomava forma no ar. A cada dia a aparição ganhava definição, mas ele sabia, mesmo depois do primeiro branco cintilante, que era Jackie. Mas uma Jackie que nunca tinha sido: jovem, ágil, doce, a essência da graça e delicadeza feminina. Ela o fez, com suas artimanhas familiares, declarar seu amor por ela. Ele jurou que a amava, mas ela não estava satisfeita, ela não iria acreditar nele. Ela fez-lhe dizer isso de novo e de novo.Ela o lembrou das noites que estiveram juntos, dos tesouros de seu corpo jovem...e o horror de sua morte. Então perguntou novamente: Você me ama?
Eu amo, eu amo, ele insistiu. Eu te amo. Como você pode duvidar disso?
Ele estava em agonia pelo desejo de possuí-la novamente. Ansiava por um último beijo, o leve toque, um sopro só, mas fora recusado.
Eu estou morta, ela lembrou, e você não se vingou de mim.
"Quem é que vai pagar por isso?" ele perguntou em voz alta, agarrando o machado, que ele vinha segurando na palma da sua mão durante todo este tempo.
"Me dê um nome e com este machado mesmo eu...".
Flor, o fantasma sussurrou, não sem uma pitada de ciúme.
Você me abandonou por aquela criança. Você cortejou uma criança.
Não! Era só para poder traí-la. Foi tudo por sua causa!
Então vá traí-la agora, e eu retornarei para você. Então, só então, eu vou te beijar. Então, quando você me tocar, sua mão vai sentir a carne. E com essas palavras ela desapareceu.
No mesmo instante, ele soube que não tinha sido real, que esta era possivelmente, o início da loucura. Mas ele não se importava. Embora não fosse real, ela estava certa.
Imediatamente ele foi em busca de sua vítima. Encontrou-a em pé à beira de um grupo ao redor do cadáver de seu pai. Alice Nemerov perto do cadáver e Neil Anderson também estava lá, delirando. Orville não prestou atenção a nada disso. Então Flor, como se estivesse sentindo sua intenção, correu loucamente pelos túneis escuros da Planta.
Ele a seguiu. Desta vez, faria o que devia ser feito, cuidadosamente rápido e com um machado.
Pressionando a polpa dura e crocante da casca do fruto entre as palmas das mãos, Flor foi capaz de espremer algumas gotas de água oleosa. Mas era quente nesta profundidade e mal conseguiu reavivar Alice. Começou novamente a massagear as mãos finas da velha, seu rosto, a carne flácida dos braços. Mecanicamente repetiu as mesmas palavras de conforto:
"Querida Alice, por favor...Tente acordar, tente...Alice, é Flor... Alice?... Está tudo bem agora. Oh, por favor!"
A mulher parecia estar consciente, pois gemia.
"Você está bem? Alice?"
Alice fez um barulho. Quando falava, quando podia falar, sua voz estava anormalmente alta e estranhamente resoluta.
"Meu quadril. Eu acho...sim, está quebrado."
"Oh não! Oh, Alice! Isso... dói?"
"Como o inferno, minha querida."
"Porque ele fez isso? Por que Neil..."
Flor fez uma pausa, ela não se atreveu a dizer o que Neil tinha feito. Agora que Alice estava consciente, seu próprio medo caiu sobre ela novamente. Era como se ela tivesse revivido Alice apenas que poder ser capaz de dizer a ela, que o monstro não era real, apenas algo que ela tinha imaginado.
"Por que ele me jogou aqui em baixo? Porque, minha cara, o filho da puta assassinou seu pai, e porque eu sabia que era tolo o bastante para fazer isso. E acho que ele nunca gostou muito de mim."
Flor disse que não queria acreditar, que era um absurdo. Ela fez Alice dizer o que sabia, apelou para as evidências, refutou-as. Fez repetir cada detalhe da história, e ainda não acreditava. Seu irmão tinha falhas, mas não era um assassino.
"Ele me matou, não?" Era uma pergunta difícil de responder.
"Mas por que ele faria uma coisa dessas? Por que matar um homem que está quase morto? Não faz nenhum sentido. Não havia nenhuma razão."
"Foi por você, minha cara."
Flor quase podia sentir a respiração do monstro no pescoço.
"O que você quer dizer?" Ela agarrou a mão de Alice quase com raiva. "O que eu tenho com isso?"
"Porque ele deve ter achado que seu pai tinha a intenção de casar você e Orville Jeremiah."
"Papai...Eu não entendo!"
"Ele queria que Jeremias fosse o novo líder, para tomar seu lugar. Ele não queria isso, mas viu que teria que ser assim. Mas ele me proibiu de falar sobre isso. Eu lhe disse para esperar. Eu pensei que poderia mantê-lo vivo. Eu nunca pensei...".
Alice falava, mas Flor tinha parado de escutar. Ela entendeu agora o que seu pai queria lhe dizer e por que ele hesitou. Luto e vergonha inundaram-na: ela tinha se enganado com ele, ela sofrera sozinha. E ele só queria a sua felicidade, a felicidade que ela queria para si! Se ela pudesse voltar para pedir perdão, agradecer-lhe. Era como se Alice, por essas poucas palavras, acendesse todas as luzes na casa de seu pai e restaurasse a vida. Mas as palavras de Alice dissiparam essa ilusão.
"É melhor você tomar cuidado" disse ela severamente. "Não se atreva em confiar nele. Especialmente você."
"Oh não, não, você não entende. Eu o amo. E eu acho que ele me ama também."
"Orville não! É claro que ele te ama. Qualquer tolo pode ver isso. É com Neil que você deve prestar atenção. Ele é louco."
Flor não protestou. Ela sabia, melhor do que Alice, embora menos consciente até agora, que era verdade.
"E parte de sua loucura tem a ver com você."
"Quando os outros souberem o que ele fez, quando eu lhes contar..."
Flor não precisava dizer mais do que isso. Quando os outros souberem o que Neil tinha feito, ele
seria morto.
"É por isso que eu lhe disse. Então eles irão descobrir."
"Direi a eles mesmo. Nós temos que voltar. Agora. Aqui, coloque o seu braço em volta do meu ombro." Alice protestou, mas Flor não quis ouvir. A mulher era leve. Flor poderia levá-la se necessário.
Um grito angustiado separaram os lábios da mulher idosa, e ela empurrou o braço de Flor.
"Não, não, a dor...Eu não posso."
"Então eu vou buscar ajuda."
“Que ajuda? De quem? Um médico? Uma ambulância? Eu não pude ajudar seu pai a se recuperar de uma mordida do rato!" O som que penetrou acima delas foi mais eloquente do que quaisquer palavras que ela poderia ter pretendido dizer. Por um longo tempo Flor tocou os lábios dela para manter o silêncio. Quando sentiu que Alice estava pronta para ouvir, ela disse:
"Então eu só vou sentar aqui com você."
"E me ver morrer? Vai demorar um pouco. Não mais que dois dias, no entanto, e na maioria das vezes eu estarei fazendo esses barulhos terríveis. Não haveria conforto para mim. Mas há algo que você pode fazer. Se você for forte o suficiente."
"Seja o que for, eu vou fazê-lo."
"Deve prometer."
Pegou a mão de Flor e apertou em garantia. "Deve fazer por mim o que Neil fez por seu pai."
"Matar você? Não! Alice, você não pode me pedir isso."
"Minha querida, eu fiz isso no meu tempo para aqueles que pediram. Alguns deles tinham menos razão do que eu. Uma seringa de ar, e a dor..."
Neste momento ela gritou.
"Flor, eu lhe peço."
"Alguém pode vir. Nós faremos uma maca."
"Sim, alguém pode vir. Neil pode vir. Você pode imaginar o que ele faria se ele me encontrasse ainda viva?"
"Não, ele não o fará!" Mas imediatamente ela sabia que ele faria.
"Você deve, minha querida. Vou fazer que cumpra a sua promessa. Mas beije-me em primeiro lugar. Não, não assim, nos lábios."
Os lábios trêmulos de Flor pressionaram contra os de Alice, rígidos com o esforço para conter a dor.
"Eu amo você" sussurrou. "Eu amo você como minha própria mãe."
Então ela fez o que Neil tinha feito.
O corpo de Alice se afastou instintivamente, um protesto irrefletido e Flor soltou-a.
"Não!" Alice suspirou. "Não me torture, faça-o!"
Flor não soltou até a velha estar morta.
A escuridão cresceu mais escura, e Flor pensou que podia ouvir alguém descendo pelas vinhas da sobrecarregada raiz. Houve um ruído alto quando um corpo desceu pela polpa da fruta.
Flor sabia que era o monstro: e ele se pareceria com Neil.
Ela gritou e gritou e gritou.
E o monstro tinha um machado.
"Retorne logo" ela implorou.
"Eu prometo."
Buddy abaixou-se para sua esposa, errando os lábios na escuridão (a luz, por ordem de Neil, fora ficar com o corpo do velho) e beijando o nariz em seu lugar. Ela riu feminina. Então, com um excesso de cautela, ele tocou um dedo no braço de seu filho pequeno.
"Eu amo você", disse sem se preocupar em definir se estava se dirigindo a ela ou a criança, ou talvez ambos. Ele não reconhecia a si mesmo. Ele só sabia que, apesar dos terríveis acontecimentos dos últimos meses e, especialmente da última hora, sua vida parecia de alguma forma ter ganho um significado que não tinha há anos. As considerações sombrias não poderiam diminuir a plenitude de suas esperanças, nem diminuir o brilho da sua satisfação.
Mesmo no pior desastre, na maior das derrotas, a máquina da alegria continuava a moagem para alguns poucos felizardos.
Maryann parecia mais consciente do que ele em seu pequeno círculo encantado, pois ela murmurou:
"Que coisa terrível."
"O quê?" Buddy perguntou. Sua atenção estava nos dedinhos minúsculos de Buddy Junior.
"Alice. Eu não consigo entender por que ele fez aquilo.”
"Ele é louco" disse Buddy movendo-se relutantemente para fora do círculo.
"Talvez ela o tenha xingado. Ela tem, ela tinha, uma língua afiada, você sabe. Quando ele voltar, eu vou ver o que houve. Sabe-se lá que idiotice ele fará a seguir. Orville vai ajudar, e há outros também.”
“Mas ele tem uma arma e nós não. E o importante agora é encontrar Flor."
"Claro que sim. Isso deve vir em primeiro lugar. É que é uma coisa tão terrível."
"É uma coisa terrível" ele concordou. Ele podia ouvir Neil chamando-o de novo.
"Eu tenho que ir agora." Ele começou a se afastar.
"Eu queria que a luz estivesse aqui, para que eu poder vê-lo mais uma vez."
"Parece que você não acha que eu vou voltar."
"Não! Não diga isso, nem mesmo de brincadeira. Você vai voltar. Eu sei que você vai. Mas Buddy?"
"Maryann?"
"Diga mais uma vez."
"Eu te amo".
"E eu te amo."
Quando ela teve certeza de que ele se fora, acrescentou: "Eu sempre te amarei."
Os vários membros do grupo de busca seguiam seu caminho através do labirinto de raízes divergentes sobre uma única corda fina, trançada por Maryann a partir da fibra do cipó. Quando qualquer membro do grupo separava-se do corpo principal, amarrava sua própria bobina de corda na corda comum, que levaram de volta para o tubérculo, onde Anderson estava deitado ao lado da luz vigilante.
Neil e Buddy desceram para mais distante ao longo da corda comum. Quando perceberam estavam em um cruzamento de novas raízes. Buddy atou uma extremidade de sua corda para o final da linha principal e saiu para a esquerda. Neil fez o mesmo para a direita, mas por uma curta distância.
Depois sentou-se para pensar.
Neil não confiava em Buddy. Nunca confiou. Agora que seu pai morrera, ele não teria que confiar ainda menos? Pensou que era tão inteligente quanto, e Buddy fez aquele moleque. Como ele era o único homem no mundo que nunca teve um filho? Neil o odiava por outros motivos também, que iam longe em sua mente. Não seria presumível que Neil Junior, se viesse a existir, seria o resultado de outras sementes que não a sua. Isso era um pensamento que não tinha tido ainda.
Neil estava preocupado. Percebeu que vários dos homens haviam mostrado uma resistência à sua autoridade, e esta resistência parecia mais forte em Buddy. Um líder não pode permitir que a sua liderança seja desafiada. Seu pai sempre foi duro sobre isso. Não parecia fazer qualquer diferença para Buddy que Anderson escolhesse Neil para assumir por ele. Buddy tinha sido sempre um selvagem, um rebelde, um ateu. Isso é o que ele era! Neil pensou surpreso com o quão perfeitamente a palavra definiu tudo em seu irmão. Um ateu! Por que não percebera isso antes?
De uma forma ou de outra, ateus tinham que ser excluidos. Devido ao ateísmo ser como um veneno no reservatório da cidade, como... Mas Neil não conseguiu lembrar do resto. Havia passado um longo tempo desde que seu pai tinha dado um bom sermão contra o ateísmo e contra a Suprema Corte.
Na esteira desta percepção outra nova idéia veio para Neil. Foi para ele uma verdadeira inspiração, uma revelação, quase como se o espírito de seu pai descesse do céu e sussurrasse em seu ouvido.
Ele ligaria a linha de Buddy em círculo! Então quando Buddy tentasse voltar, acabaria seguindo a corda em círculo. Uma vez que você entendesse o conceito básico, era muito simples.
Havia um percalço no entanto, quando você pensava sobre isso com cuidado.
Uma parte do círculo estaria aqui, neste cruzamento, e Buddy poderia talvez, descobrir o final da linha principal, onde ainda estava atado Neil. Mas não se o círculo não chegasse neste cruzamento!
Rindo de si mesmo, retirou o nó da corda de Buddy e começou a seguir enrolando a corda para cima à medida que avançava. Quando percebeu que ele tinha voltado o suficiente, amarrou ao longo de um ramo menor da raiz, desenrolando a corda enquanto engatinhava junto. Esta raiz pequena ligada a outra igualmente pequena, e dai para outra. As raízes da planta iam sempre circulando em torno de si, e se você ficasse só girando na mesma direção, você geralmente voltava ao ponto onde começou.
E com certeza Neil logo estaria de volta à raiz maior, onde ele pegou a linha de Buddy.
Buddy provavelmente não iria muito longe.
O truque de Neil estava indo esplendidamente bem. Tendo quase chegado ao final do comprimento da corda, ele atou à outra extremidade que formava um círculo perfeito. Agora, Neil pensou com satisfação, deixaria-o tentar encontrar o caminho de volta.
Que tentasse! O ateu!
Neil começou a andar para trás a maneira que ele tinha vindo, usando a corda de Buddy como uma guia, rindo por todo o caminho.
Só então ele se notou que havia algum tipo de lodo engraçado sobre suas mãos e suas roupas também.
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Astromonster
Astromonster. Mais um parada obrigatória para os amantes do cinema kaiju (que em japonês quer dizer 'besta estranha', mas que costuma ser traduzida como 'monstro') e tokusatsu (efeitos especiais).
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Illustrated Journal of Cinematic Diversions
Nada melhor que o horror, horror, horror...
E lindas garotas, é claro !
Illustrated Journal of Cinematic Diversions
quarta-feira, 8 de junho de 2011
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