sábado, 21 de maio de 2011
Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 11)
DEZ
CAINDO AOS PEDAÇOS
"Quem é seu astro de cinema favorito, Florzinha?" Greta perguntou.
"Audrey Hepburn. Eu só vi um filme dela quando eu tinha nove anos, mas ela estava maravilhosa. Não há mais filmes. Papai nunca aprovaria, eu acho."
"Papai!" Greta bufou. Arrancou um fio de polpa da fruta e baixou preguiçosamente em sua boca, amassando com a língua contra a parte de trás de seus dentes. Sentados em uma cavidade de breu na fruto, seus ouvintes não podiam vê-la fazer isso, mas era evidente que ela estava comendo novamente.
"E você, Neil? Quem é o seu favorito?“
"Charlton Heston. Eu costumava assistir a qualquer filme com ele."
"Eu também" disse Clay Kestner. "Ele e Marilyn. Vocês mais velhos se lembram de Marilyn Monroe?"
"Marilyn Monroe foi muito superestimado na minha opinião" Greta falou.
"O que você me diz sobre isso, camarada? Ei, amigo! Ainda está aqui?"
"Sim, eu ainda estou aqui. Eu nunca vi Marilyn Monroe. Foi antes do meu tempo."
"Oh, você perdeu, rapaz. Realmente perdeu."
"Eu vi Marilyn Monroe" disse Neil. "Ela não era de antes do meu tempo."
"E você ainda diz que Charlton Heston é o seu favorito?"
Clay Kestner emitiu uma risada franca, de caixeiro viajante, forte e sem graça. Anos antes, ele tinha sido meio-proprietário de um posto de gasolina.
"Oh, não sei", disse Neil nervosamente.
Greta riu também, pois Clay começou a fazer cócegas em seu pé.
"Você está todo molhado, todos vocês" disse ela ainda rindo. "Eu continuo dizendo que Kim Novak é a maior atriz que já viveu." Ela estava repetindo isso por quase quinze minutos, e parecia que ela iria dizer isso de novo.
Buddy estava entediado ao extremo. Pensou que seria melhor ficar lá trás com os outros do que ir junto com seu pai para mais uma exploração tediosa e sem propósito através das raízes do labirinto da Planta. Agora que os mantimentos foram reunidos, agora que eles tinham aprendido tudo sobre a Planta que havia para aprender, não havia nenhum motivo em perambular. E não adiantava ficar parado também. Não tinha percebido até então, que não havia nada a fazer, que escravo do trabalho ele tinha se tornado!
Levantou-se e seu cabelo (curto agora, como todos os outros) roçou o fruto. A polpa dos frutos, quando secava emaranhado ao cabelo, era pior que mordida de mosquito que não podia ser coçada.
"Onde você vai?" Greta perguntou, ofendida que seu público abandonasse no meio da sua análise sobre o charme peculiar de Kim Novak.
"Eu tenho que vomitar" disse Buddy. "Vejo vocês mais tarde".
Era uma desculpa bastante plausível. Os frutos, embora os nutrisse, possuia efeitos colaterais. Todos estavam, um mês depois (era a estimativa mais próxima), ainda sofrendo de diarréia, cólicas e dor de barriga. Buddy quase desejava ter o que vomitar: assim teria algo para fazer.
Pior que o problema do estômago eram os resfriados. Quase todo mundo sofria com estes também, e não havia outro remédio que não paciência, dormir e a vontade de recuperar-se.
Na maioria dos casos, estes eram suficientes, mas três casos de pneumonia haviam se desenvolvido, Denny Stromberg entre eles. Alice Nemerov fez o que podia fazer mas, como foi a primeira a confessar, não podia fazer grande coisa.
Buddy subiu a corda pela raiz. Aqui ele precisava andar agachado, o espaço vazio na raiz era de apenas um metro e trinta centimetros de diâmetro. Pouco a pouco, ao longo do mês passado, tinham ido para baixo algumas centenas de metros de profundidade, Orville tinha estimado pelo menos 300 metros.
Ora, o Edifício Alworth não era tão alto. Nem mesmo a Torre Foshay em Minneapolis!
Nessa profundidade, a temperatura chegava a agradáveis 21 graus.
Houve um rumor à frente.
"Quem é?" Buddy e Maryann perguntaram quase em uníssono.
"O que você está fazendo aqui?" Buddy perguntou à sua esposa, em tom ríspido.
"Fazendo mais corda, mas não me pergunte porquê. É apenas algo para fazer. Isso me mantém ocupada. Eu tenho desfiado algumas raízes, e agora estou atando-as." Ela riu baixinho. "As raizes são provavelmente mais fortes do que as cordas. Aqui, pegue minhas mãos e vou te mostrar como fazê-lo."
"Você!" Quando as mãos de Buddy tocaram a dela, ela continuava tricotando.
"Por que você quer fazer isso?"
"Como você mesmo diz, é algo para se ocupar."
Ela começou a guiar seus dedos desajeitados. "Talvez se eu me sentar atrás de você..." Sugeriu.
Mas não conseguia nem fechar os braços ao redor dela. Sua barriga estava no caminho.
"Como ele está?" Buddy perguntou. "Será que demora?"
"Ele está bem. Deve ser para qualquer dia desses."
Funcionou como ela esperava: Buddy sentado atrás dela, apertou suas coxas contra as pernas dela, os braços peludos embaixo dos dela, apoiando-os como os braços de uma cadeira.
"Então me ensine" disse ele.
Ele era um aluno lento, não habituado a este tipo de trabalho, mas sua lentidão só fez dele um aluno mais interessante. Eles gastaram uma hora ou mais antes dele estar pronto para iniciar sua própria corda. Quando terminou, as fibras escapavam, como pedaços de fumo no cigarro feito por um novato.
De dentro do tubérculo, veio a música de riso de Greta, e depois o grave de Clay acompanhando.
Buddy não tinha desejo de voltar. Nenhum desejo de ir a qualquer lugar, exceto de volta à superfície, ao ar fresco, seu brilho, sua mudança de estações.
Maryann aparentemente, tinha pensamentos semelhantes.
"Você acha que já é o Dia da Marmota?"
"Oh, eu diria que mais uma semana. Mesmo se fôssemos até lá, onde poderíamos ver ou não o sol, duvido que ainda exista alguma marmota para procurar por sua sombra."
"Então, o aniversário de Flor deve ser hoje. Devemos lembrá-la."
"Quantos anos ela tem agora? Treze?”
"É melhor não deixá-la ouvir isso. Ela tem quatorze anos e é muito enfática sobre o assunto."
Outro som saiu da fruta: grito angustiado de uma mulher. Em seguida, um silêncio sem ecos. Buddy deixou Maryann no mesmo instante para descobrir o que tinha causado-o. Voltou em breve.
"Foi Mae Stromberg. Denny está morto. Alice Nemerov está com ela agora."
"Pneumonia?"
“Isso, ele já não conseguia mais se alimentar."
"Ah, pobrezinho."
A Planta era muito eficiente. De fato, não podiam ser batidas. Já haviam provado isso. Quanto mais você aprendia sobre o assunto, mais você deveria admirá-la.
Se você fosse o tipo que admira essas coisas.
As suas raízes, por exemplo. Eram ocas. As raízes das plantas da Terra, (o pau-brasil é comparável) são sólidas e todas de madeira. Mas para quê? A maior parte das raízes, na verdade, é matéria morta. O único trabalho da raiz é o transporte de água e minerais até as folhas e, quando forem sintetizados em alimentos, levá-los de volta para baixo novamente. Para isso uma raiz deve manter-se rígida o suficiente para suportar a pressão constante do solo e da rocha ao redor dela. Todas essas coisas a Planta fazia muito melhor, considerando suas dimensões, mais eficiente do que as plantas da Terra.
O espaço aberto dentro da raiz permitia uma maior passagem de água, mais rápido e mais longe. As traqueídes e os vasos que conduzem a água de uma raiz comum não tem um décimo da capacidade dos capilares expansíveis que formam as teias de aranha da Planta. Do mesmo modo, as vinhas que revestem as raízes ocas podiam, em um único dia, transportar toneladas de glicose e outros materiais líquidos das folhas até os tubérculos de frutos e raízes ainda em crescimento nos níveis mais baixos. Estes estavam para o floema das plantas comuns, o que um gasoduto intercontinental está para uma mangueira de jardim.
O espaço oco dentro da raiz servia a um propósito maior: abastecer regiões inferiores da Planta com ar. Essas raízes, que se estendiam até abaixo do solo arejado, não tinham, como outras raízes, uma fonte independente do oxigênio. Ele precisava ser trazido para elas. Assim, desde as pontas de suas folhas até o mais distante broto, a Planta respirava. Era essa capacidade de variar o transporte rápido e de grande escala que tinha que ser levado em conta para a taxa de crescimento da Planta.
A Planta era econômica, não desperdiçava nada. Como suas raízes eram profundas afundando-se espessa, a Planta digeria até si mesma, formando assim o buraco no que a complexa rede de capilares e vinhas tomavam forma. A madeira que não era mais necessária para manter um exoesqueleto rígido virava alimento.
Mas a economia fundamental da Planta, sua excelência final, não consistia em nenhuma dessas características parciais, mas sim no fato de que todas as Plantas serem uma só Planta.
Como alguns insetos têm em sua organização social, conquistar seus membros individuais teria sido impossível, de modo que as plantas, formavam um todo único e indivisível, aumentando sua potência efetiva exponencialmente. Os materiais que não estavam disponíveis para um, poderiam para outro ser supérfluo. Água, minerais, ar, alimentos, tudo era compartilhado no espírito do verdadeiro comunismo: de acordo com sua capacidade e sua necessidade.
Os recursos de um continente inteiro estavam à sua disposição.
O mecanismo pelo qual ocorria a socialização das Plantas individuais era muito simples.
Assim como as raízes, o primeiro ramo brotado da raiz primária vertical,movia-se por uma espécie de tropismo comum em direção às raízes parentes de outras plantas. Quando se reconheciam, se fundiam. Quando estavam indissoluvelmente mescladas, se separaram, buscando a união em um nível mais profundo.
Muitos se tornando um.
Você tinha que admirar a Planta. Era realmente uma coisa muito bonita, se olhasse para ela de forma objetiva, como por exemplo, Jeremias Orville olhava.
Claro, tivera vantagens que outras plantas não tinham tido. Não tivera que evoluir por si mesma. Também foi muito bem cuidada. Mesmo assim, ocorreram pragas. Mas que estavam sendo cuidadas. Esta era afinal, apenas sua primeira temporada na Terra.
Quando Anderson, Orville e os outros homens (aqueles que tinham se oferecido em colaborar) retornaram da exploração profunda na Planta, Mae Stromberg já havia desaparecido com o cadáver do filho. Em suas últimas horas com o menino, ela não havia dito uma palavra ou chorou uma lágrima, e quando ele morreu, ela enlouqueceu. A perda do marido e da filha tinha se dado com muito menos calma, ela sentia talvez, que poderia se dar ao luxo de perdê-los, poderia pagar por isso e lamentar posteriormente. Angústia é um luxo. Agora ela era só pesar.
Haviam 29 pessoas sem contar Mae Stromberg. Anderson chamou-os para uma assembléia de imediato.
Dos 29, apenas duas mulheres com pneumonia e Alice Nemerov estavam ausentes.
"Tenho medo" Anderson começou, depois de uma breve oração, "de estarmos caindo aos pedaços."
Havia alguma tosse e um arrastar de pés. Ele aguardou, e em seguida, continuou:
"Não posso culpar ninguém aqui por Mae ter fugido. Eu não posso culpar Mae também. Mas aqueles de nós que foram poupados deste último golpe e guiados pela Divina Providência, aqui, aqueles de nós, isto é...".
Ele parou emaranhado em suas próprias palavras, algo que acontecia com ele cada vez mais.
Ele apertou a mão à testa e respirou fundo.
"O que eu quero dizer é isto: Nós não podemos apenas comer leite e mel. Há trabalho a ser feito. Temos de nos fortalecer para o que vem à frente, e...isto é, não devemos deixar-nos espairecer. Eu tenho ido mais para baixo nesses túneis infernais e descobri que a fruta lá é melhor. Menor e mais firme, menos doce. Eu também descobri que há menos oxigênio... Quero dizer que estamos nos transformando em um bando de...qual era a palavra?"
"Viciados" Orville, disse.
"Um bando de viciados. Exatamente. Agora isso deve parar" Ele bateu a palma da mão com o punho cerrado em ênfase.
Greta, que levantara sua mão durante a segunda parte do discurso, enfim falou sem esperar permissão:
"Posso fazer uma pergunta?"
"O que é Greta?
"Que trabalho? Eu simplesmente não consigo ver o que é que estamos negligenciando."
"Bem, nós não temos feito o trabalho, menina. Isso é fácil de ver."
"Não respondeu a minha pergunta."
Anderson ficou horrorizado com a desfaçatez dela. Dois meses atrás, poderia ter tido apedrejada como uma adúltera, e agora a prostituta exibia seu orgulho e rebeldia para que todos vissem.
Ele deveria ter respondido com um golpe. Ele deveria ter domado seu orgulho, ela tinha agido como uma meretriz com o irmão de seu marido. Não ter reagido ao desafio era uma fraqueza, e todos puderam ver isso também.
Depois de um longo silêncio, ele retornou ao seu discurso como se não tivesse havido nenhuma interrupção.
"Nós temos que combater a letargia! Não podemos parar. Vamos nos manter em movimento a partir de agora. Todo dia. Não vamos sentar. Nós vamos explorar."
"Não há nada para explorar, Sr. Anderson. E por que deveríamos passar todos os dias explorando? Por que não limpar um lugar que é confortável e viver lá? Há comida suficiente em apenas uma dessas batatas grandes."
"Chega! Isso é o bastante Greta! Eu já disse tudo o que eu vou fazer. Amanhã!"
Greta se levantou, mas ao invés de avançar para a luz do lampião, ela se afastou.
"Não! Eu estou farta e cansada de receber ordens como um escravo. Eu já tive o suficiente, eu estou indo embora! Mae Stromberg fez a coisa certa!"
"Sente-se Greta!" o velho ordenou estridente. "Sente-se e cale a boca."
"Não mesmo. Não mais. Estou indo embora. Chega. De agora em diante, eu farei o que quiser e qualquer um que quiser vir é bem-vindo."
Anderson puxou da pistola e apontou para a figura sombria fora da luz da lamparina.
"Neil, você deve dizer para sua esposa se sentar. Ou vou matá-la. E vou atirar para matar, por Deus, eu vou!"
"Senta Greta!" Neil pediu.
"Não vai atirar em mim e quer saber por que você não vai atirar em mim? Porque eu estou grávida. Não iria matar seu próprio neto agora, iria? E não há dúvida de que ele é seu neto."
Era uma mentira, uma mentira completa, mas serviu ao seu propósito.
"Meu neto?” Anderson repetiu espantado. "Meu neto!"
Ele virou a Python para Buddy.
Sua mão tremia com raiva ou simplesmente com uma enfermidade, não se podia dizer.
"Não fui eu!" Desabafou Buddy. "Eu juro que não fui eu."
Greta tinha desaparecido na escuridão, e três homens sairam correndo atrás, ansiosos para segui-la. Anderson disparou quatro tiros mirando as costas de um dos homens. Então, totalmente exaurido, sem sentidos, caiu sobre a lamparina que apagou-se. Extinguiu-se.
O homem que ele havia matado fora Clay Kestner. A quarta bala, passando pelo peito de Clay, tinha perfurado o cérebro de uma mulher que pulou em pânico reagindo ao primeiro disparo de Anderson.
Haviam agora 24 deles, sem contar com Greta e os dois homens que se foram com ela.
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terça-feira, 17 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Monsters
Assim como Splice, Monsters passou pelas nossas videolocadoras (ainda existem?) e salas de cinema, sem despertar a merecida atenção.
Na onda de filmes de baixo orçamento, mas de produção caprichada, o primeiro longa do diretor Gareth Edwards (com locações em Belize, Guatemala e México) não conta com nenhuma estrela no reduzido elenco, mas vem com um roteiro delicado e de condução idem, que irá decepcionar aquele desavisado que espera assistir outro filme pegajoso de alienígenas gosmentos e mocinhas histéricas.
A história é surpreendentemente simples.
Seis anos atrás, a NASA descobriu vida alienígena em nosso sistema solar. Uma sonda foi lançada para coletar amostras, mas ao voltar caiu na América Central. Logo novas formas de vida começaram a surgir. Em um esforço para conter a contaminação, metade do México foi colocado em quarentena, como uma zona infectada. Militares americanos e mexicanos lutam para tentar conter as criaturas.
A história começa quando um jornalista, cínico e sem esperança, concorda em escoltar uma jovem turista (prestes a embarcar em um casamento sem paixão) através da zona infectada no México até a segurança da fronteira dos EUA.
Lá pela metade do filme, fica claro que o filme não é sobre monstros (que igual a Cloverfield raramente são vistos) mas sobre nós, seres humanos, e que os monstros (eles existem) na verdade são outros.
Site oficial.
domingo, 15 de maio de 2011
Marion Zimmer Bradley
Marion Eleanor Zimmer Bradley (03 de junho de 1930 - 25 de setembro de 1999) nasceu em uma fazenda em Albany, Nova York (EUA), durante a Grande Depressão.
Escritora feminista prolífica de romances de fantasia heroica, mistério, western, fantasia gótica e ficção científica, começou a escrever aos 19 anos e vendeu seu primeiro conto aos 22 anos.
Em 1965 graduou-se Bachelor of Arts pela Universidade de Hardin Simmons em Abilene, no Texas. Depois, mudou-se para Berkeley, Califórnia, para prosseguir seus estudos de pós-graduação na Universidade da Califórnia.
Em romances como 'As Brumas de Avalon', MZB, como é conhecida graças ao seu amigo e editor Donald A. Wollheim, era uma incentivadora constante da igualdade entre os sexos. Suas histórias de fantasia apresentavam heroínas não-tradicionais para os jovens leitores e principalmente jovens escritoras com quem se relacionava como uma grande família, em sua casa em Berkeley.
'As Brumas de Avalon', permaneceram durante três meses na lista de livros mais vendidos do The New York Times.
Confundida e questionada muitas vezes quanto aos seus envolvimentos com a feitiçaria Wicca, ela declarou que para ser uma escritora de fantasia, necessitava conhecer em profundidade outros campos como psicologia, parapsicologia, mitologia, religiões, para trazer autenticidade ao seu trabalho.
Sua série de ficção científica com toques de fantasia, 'Darkover', foi um grande sucesso no mundo inteiro. Trata-se da saga da humanidade criando uma nova civilização num mundo estranho, diferente de tudo o que jamais existiu na Terra. Cada livro constitui uma história completa e independente, sendo que o conjunto relatava o desenvolvimento de uma sociedade nova e fascinante. Ela escreveu sozinha a primeira parte da série e mais tarde em colaboração com outros autores.
MZB estava sempre incentivando a participação de novos escritores a partir de seu trabalho. 'A sacerdotisa de Avalon' por exemplo, é uma obra póstuma de Marion Zimmer Bradley, concluída por sua colaboradora, Diana L. Paxson.
Em 2000, MZB recebeu o prêmio póstumo The World Fantasy Award pelo conjunto de sua obra.
Marion Zimmer Bradley ( A queda da Atlântida, Avalon, As Brumas de Avalon, Clingfire trilogy, Darkover, Sword and sorceress, Witchlight, Dos para conquistar, El trillium negro, La antorcha, Viaje interminable, Brass Dragon, Endless Universe, Falcons of Narabedia, The Spell Sword, Ghostlight, Hunters of the red moon, Lythande, The Best Of MZB, The catch trap, The Dark Intruder & other stories, The Fall of Atlantis, The ruins of Isis, The Stars are waiting, Lady of the Trillium, Glenhaven ) [ Download ]
sábado, 14 de maio de 2011
Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 10)
NOVE
OS VERMES PASTARÃO DOCEMENTE
Quando eles se aventuram para baixo na raiz nova, sete metros abaixo (onde como Orville havia prometido, era razoavelmente mais quente), chegaram a uma espécie de encruzilhada. Haviam três novos ramos para escolher, cada um tão cômodo como aquele através do qual eles estavam viajando. Dois descendentes, com raízes adequadas, embora na frente seguissem perpendicular à direita e à esquerda da principal, e o outro direto para cima.
"Isso é estranho" Buddy observou. "Raízes não sobem."
"Como você sabe que está subindo?" Orville perguntou.
“É só olhar. Está subindo. Para cima é…para cima. O oposto de para baixo.”
"Este é o ponto. Nós estamos olhando para a raiz de cima, que pode estar sob nós, crescendo de outra planta, talvez."
"Você quer dizer que essa coisa poderia ser apenas uma única grande Planta?" Anderson perguntou, entrando no círculo de luz da lamparina, carrancudo. Ele se ressentia de cada atributo adicional da Planta, mesmo aqueles que serviriam ao seu propósito.
"Todas ligadas aqui em baixo desse jeito?"
"Há um modo de descobrir, senhor, seguir a raiz. Se nos levar para outra raiz primária..."
"Nós não temos tempo para brincar de escoteiros. Não até que tenhamos encontrado o material que caiu por este buraco. Será que vamos chegar até eles desta maneira? Ou será que temos de recuar e descer a raiz principal pela corda?"
"Eu não saberia dizer. Desta forma é mais fácil, mais rápido e, no momento, mais seguro. Se as raízes se juntam como esta, talvez possamos encontrar um outro caminho de volta para a raiz principal mais para baixo. Então, eu diria que..."
"Eu direi" disse Anderson, retomando de alguma forma sua autoridade.
Buddy foi enviado à frente com a lamparina em uma ponta da corda, os outros trinta
seguiram depois, em fila indiana. Anderson e Orville na retaguarda, tendo somente os sons à frente para orientá-los: e tanto a luz e a corda não iam tão longe.
Mas havia uma plenitude de som: o arrastar dos pés sobre os galhos, os palavrões, Denny Stromberg chorando. Por vezes Greta perguntava nas trevas: "Onde estamos?" ou "Onde diabos estamos?" Mas isso era apenas um ruído entre muitos outros.
As trinta e uma pessoas que se deslocavam através da raiz estavam ainda bastante chocados. A corda que seguravam era sua motivação e vontade.
Anderson tropeçava nas raízes. Orville colocou um braço em volta da cintura do homem velho para firmá-lo. Anderson arrancou-o com raiva.
"Acha que estou sou algum tipo de inválido?" disse. "Sai daqui!"
Mas da próxima vez que tropeçou, foi de cabeça ao chão áspero, arranhando seu rosto. Levantando-se, teve uma vertigem e teria caído novamente sem a ajuda de Orville. Apesar de tudo, ele sentiu uma pontada de gratidão para o braço que lhe segurara.
Na escuridão, ele não podia ver Orville sorrindo.
O trajeto seguia para baixo com a raiz, passando por dois cruzamentos como aquele acima. Ambas as vezes Buddy virou à esquerda, de modo que desciam em espiral.
O oco da raiz não deu nenhum sinal de diminuir. Não havia perigo de perder-se, já que o rendado do interior da raiz era uma trilha inconfundível através do labirinto.
Um tumulto na frente da fila os obrigou a parar. Anderson e Orville abriram caminho para a frente.
Buddy entregou a luz a seu pai.
"É um beco sem saída", anunciou. "Vamos ter que voltar por onde viemos."
A raiz oca era larga neste ponto, mas a teia se raízes preenchia-a de forma condensada. Em vez de quebrar sob a força da golpe de Anderson, que arrancou em punhados, parecia tecido podre. Anderson pressionou uma dessas peças entre as mãos. Era feito o algodão doce e rosa das festas.
"Vamos avançar através dessa coisa", anunciou Anderson. Ele deu um passo para trás, em seguida, jogou o seu ombro, como um jogador de futebol americano atacando-a. Seu impulso valeu-lhe dois metros e meio à frente. Então, já que não havia nada sólido sob seus pés, ele começou lentamente a afundar. Sob seu peso, o algodão doce cedeu. Buddy esticou o braço para frente, e Anderson foi capaz apenas de agarrar a ponta dos dedos. Anderson puxou Buddy para aquilo com ele. Buddy, caindo em uma posição horizontal, serviu como um pára-quedas, e afundaram mais lentamente até parar de todo, em segurança, alguns metros abaixo.
Assim que caíram, um cheiro doce e forte, como de frutas podres, encheu o ar.
Orville foi o primeiro a perceber a boa sorte. Ele agarrou um pedaço da massa densa e a mordeu. Pode sentir o sabor anis característico da Planta, mas havia além disso uma plenitude e doçura, uma satisfação, que era nova. Sua língua reconheceu antes de sua mente e quis mais. Não, não apenas a língua, a barriga dele. Cada célula do seu corpo desnutrido quis mais.
"Atira-nos a corda” Anderson gritou com voz rouca. Ele não estava ferido, mas abalado.
Em vez de jogar a corda, Orville, com um grito de felicidade, despreocupado, mergulhou na massa sedosa. Assim que foi engolido em sua escuridão, ele se dirigiu ao velho e disse:
"Suas orações foram atendidas, senhor. Nos conduziu através do Mar Vermelho, e agora o Senhor está nos alimentando do maná. Prove isso! Nós não temos que nos preocupar com os mantimentos. Este é o fruto das Plantas. Este é o maná do céu."
No tumulto breve sobre a borda, Mae Stromberg torceu seu tornozelo. Anderson sabia manter sua autoridade contra a fome cruel. Ele hesitou em comer a fruta, pois poderia ser venenosa, mas precisava de seu corpo tenso contra uma vontade por demais cuidadosa. Se o resto deles iria ser envenenado, ele poderia muito bem se juntar a eles.
Tinha um gosto bom. Sim, pensou, deve parecer como um maná para eles. E assim que o fio açucarado condensou na língua em gotas de mel, ele odiou a Planta por parecer tão amiga deles e sua libertadora.
Por fazer o seu veneno tão delicioso.
Aos seus pés a lamparina queimava brilhante. O piso, apesar de forte o suficiente para segurá-lo, não era sólido. Ele tirou a faca do bolso, e cortou uma fatia da substância mais sólida do fruto. Era crocante como uma batata de Idaho, e suculenta. Tinha um ácido mais brando e menos gosto. Ele cortou um outro pedaço. Ele não conseguia parar de comer.
Ao redor de Anderson, fora do alcance da luz, estavam os cidadãos de Tassel (mas ainda haveria uma Tassel da qual eles pudessem ser chamados de cidadãos?) fungavam e comiam como porcos em um cocho. A maioria deles não se preocupou em arrancar nacos adequados, mas empurravam cegamente em sua boca, mordendo seus próprios dedos e engasgando na sua pressa gananciosa. A polpa se aderiu às suas roupas e seus cabelos emaranhados. Prendia-se aos cílios de seus olhos fechados.
Uma figura de pé avançou para a esfera da luz da lamparina. Era Orville Jeremiah.
"Sinto muito", disse ele, "se eu comecei tudo isso. Eu não deveria ter falado. Eu deveria ter esperado você dizer o que fazer. Eu não estava pensando direito."
"Está tudo bem" Anderson garantiu-lhe, com a boca cheia de frutas semi-mastigada. "Teria acontecido mesmo, não importa o que você fez. Ou o que eu fiz."
Orville sentou ao lado do homem mais velho.
"Pela manhã..." Começou a dizer.
"Manhã? Dever ser manhã agora."
De fato, eles não tinham como saber. Os únicos relógios que funcionavam, um alarme m relógio, e dois relógios de pulso, eram mantidos em uma caixa na Sala Comum por segurança.
Ninguém ao escapar do fogo tinha pensado em resgatar a caixa.
"Bem, quando todos estiverem alimentados e depois de dormir um pouco, foi o que eu quis dizer, então você pode prepará-los para o trabalho. Perdemos uma batalha, mas ainda há uma guerra para lutar."
O tom de Orville foi educadamente otimista mas Anderson achou-o opressivo. Ter chegado a um santuário depois de um desastre não apagava a memória do desastre. De fato, Anderson, só agora tinha parado de lutar contra isso, para ter o reconhecimento da magnitude.
"Que trabalho?" perguntou, cuspindo o resto do fruto.
"Qualquer trabalho que você disser, senhor. Explorar. Limpar um espaço aqui embaixo para se viver Voltar à raiz principal para recuperar os suprimentos que cairam por lá. Logo, você pode até enviar um olheiro para ver se algo se salvou do fogo."
Anderson não respondeu. Mau humorado reconheceu que Orville estava certo. Mau humorado admirou a sua desenvoltura, assim como, vinte anos antes, ele poderia ter admirado o estilo de luta de um oponente em uma briga no Red Fox Tavern. Embora Anderson achasse seu estilo um pouco extravagante, você tinha que dar crédito pelo bastardo se manter em pé.
Foi estranho, mas todo o corpo de Anderson ficou tenso, como se para uma luta, como se tivesse bebido.
Orville estava dizendo alguma coisa.
"...o que... você disse?" Anderson perguntou em tom zombeteiro. Ele esperava que fosse algo que lhe daria uma desculpa para arrebentar a cara dele, maldito pilantra inteligente.
"Eu disse que estou muito triste por sua esposa. Eu não consigo entender por que ela fez aquilo. Eu sei como você deve estar se sentindo."
Os punhos de Anderson se estenderam, a mandíbula fechou. Sentiu a pressão das lágrimas por detrás de seus olhos, a pressão que estava lá o tempo todo, mas sabia que não podia dar ao luxo de deixa-las sair. Ele não podia demonstrar a menor fraqueza.
"Obrigado", disse. Em seguida, cortou um outro pedaço sólido em cunha da fruta suculenta, dividiu-o em dois, e deu uma parte a Jeremias, Orville.
"Você se saiu bem esta noite", disse ele. "Eu não vou esquecê-lo."
Orville deixou-o com seus pensamentos, quaisquer que fossem e foi à procura de Flor.
Anderson, sozinho, pensava em sua esposa com uma tristeza, dura e muda. Não podia entender por que ela tinha, como ele achava, cometido suicídio. Ele nunca saberia, ninguém saberia, que ela tinha voltado pelo seu próprio bem. Ele ainda não tinha lembrado da Bíblia que tinha sido deixada para trás, e, mais tarde, quando lembrasse, ele iria se arrepender, nem mais nem menos, do que a morte de Gracie ou das centenas de outras perdas irremediáveis que tinha sofrido. Mas a Senhora tinha previsto com bastante precisão que, sem um artefato, no qual ela mesma não tinha fé, sem a sanção que emprestou a sua autoridade, o velho seria despojado, e que a sua força, a tanto tempo preservada, em breve entraria em colapso, como um telhado quando as madeiras estão podres.
Mas ela não tinha conseguudo, e seu fracasso nunca seria compreendido.
Mais do que o apetite, as pessoas exigiam por satisfação naquela noite. Saciados pelo alimento, homens e mulheres, sentiam uma fome insaciável que o restrito código da Sala Comum havia tanto tempo lhes negado. Ali, no calor e na escuridão, tal código não teria vez. Em seu lugar, a democracia perfeita do carnaval se proclamou, a liberdade reinou durante uma breve hora.
Mãos acariciando, como que por acidente outras mãos. A morte não teve escrúpulos para escolher maridos e mulheres, e nem eles. Linguas se limparam da doçura pegajosa de lábios encontrando outras línguas e se beijando.
"Eles estão bêbados" Alice Nemerov declarou de forma inequívoca.
Ela, Maryann e Flor sentaram-se em separado numa depressão escavada a partir da polpa da fruta, ouvindo, tentando não ouvir. Embora cada casal tentasse observar um silêncio decoroso, o efeito acumulativo era inconfundível, mesmo para Flor.
“Bêbados? Como pode?" Maryann perguntou. Ela não queria falar, mas a conversa foi a única defesa contra os sons voluptuosos das trevas. Falar e ouvir Alice falar, não ouviria os suspiros, os sussurros ou pensaria qual seria de seu marido.
"Estamos todos bêbados, minhas queridas. Bêbados de oxigênio. Mesmo com este fruto fedorento, eu sei como uma tenda de oxigênio cheira.”
"Eu não sinto cheiro de nada" disse Maryann.
Era verdade: seu resfriado havia atingido o estágio em que ela não podia mais sentir o cheiro adocicado da fruta.
"Eu trabalhei em um hospital, não? Então, eu devo saber. Meus queridos, estamos todos altos que nem pipas".
"Alta como a bandeira no quatro de julho" Flor disse. Ela realmente não se importava em estar bêbada, se fosse assim. Flutuante. Ela queria cantar, mas percebeu que não era a coisa certa a fazer. Agora não. Mas a canção, uma vez iniciada e mantida dentro de sua cabeça não faria mal:
Estou apaixonada, apaixonada, estou apaixonada, estou apaixonada, estou apaixonada por um rapaz maravilhoso.
"Shhh!" Alice fez.
"Desculpe-me!" Flor disse com uma risadinha. Talvez a música não tinha afinal sido totalmente dentro de sua cabeça. Então, porque sabia que era a coisa certa a fazer, quando embriagada, soluçou, graciosa, pressionado delicadamente as pontas dos dedos nos lábios. Então arrotou o gás em seu estômago.
"Está tudo bem, querida?" Alice perguntou, colocando a mão sobre o ventre cheio de Maryann. "Quero dizer, com tudo o que aconteceu..."
"Sim. Vê! Ele se mexeu!"
A conversa morreu, e o som recomeçou. Agora era um som irritante e persistente, como o zumbido de uma abelha. Maryann sacudiu a cabeça, mas o zumbido não parou.
"Ohhhh!" ela ofegou. "Ohhh!"
Alice acalmou-a.
"Quem você acha que está com ele?” Maryann desabafou.
"Por que você está brava sem nenhum motivo" disse Flor. "Ele provavelmente está com o papai e Orville."
A convicção de Flor quase balançou Maryann. Era possível. Uma hora atrás (Ou menos? Ou mais?) Orville tinha procurado Flor e explicado que ele estava levando seu pai (que, naturalmente, estava muito chateado) para um local mais privado, longe dos outros. Ele tinha encontrado um caminho para uma outra raiz, uma raiz enterrada ainda mais fundo na terra. Será que Flor queria ir lá com ele? Ou talvez preferiu ficar com as mulheres?
Alice pensou que Flor preferia ficar com as garotas no momento. Ela iria morar com o pai mais tarde, se quisesse.
Com a partida de Anderson foi-se a lamparina, tinha sido a deixa para tudo o que se seguiu.
Uma mão se estendeu das trevas e tocou a coxa de Flor. A mão de Orville! Não podia ser outro. Ela tomou a mão e apertou-a nos lábios. Não era a mão de Orville. Ela gritou. No mesmo instante, Alice pegou o intruso pela nuca. Ele gritou.
"Neil" exclamou ela. "Pelo amor de Deus! Esta é a sua irmã, seu idiota! Agora, saia! Vá procurar Greta .. Ou, por outro lado, talvez melhor não."
"Cale a boca!" Neil gritou. "Você não é minha mãe!"
Ela finalmente empurrou Neil para longe. Então deitou a cabeça no colo da Flor.
"Bêbado" ela repreendeu sonolenta. "Absolutamente bêbado."
Então começou a roncar. Em poucos minutos, Flor dormiu também e sonhou e acordou com um grito.
"O que é isso?" Maryann perguntou.
"Nada, foi só um sonho", disse Flor. "Você não estava dormindo?"
“Eu não posso."
Apesar de estar tranquilo agora, Maryann ainda ouvia com atenção. O que ela mais temia era que Neil encontrasse sua esposa. E Buddy. Juntos.
Buddy acordou. Ainda estava escuro. Seria sempre escuro daqui em diante.
Havia uma mulher ao lado dele, a quem ele tocou, apesar de não acordá-la. Não era nem Greta nem Maryann, ele reuniu suas roupas e se esgueirou para longe.
Pedaços da polpa pegajosa estavam agarrados em suas costas nuas e nos ombros, derretidos, desagradavelmente.
Ele ainda sentia a embriaguez. Bêbado e exaurido.
Orville tinha uma palavra para isso – qual era mesmo?
Desinchado.
O líquido escorrendo granulado pela sua pele nua, fê-lo tremer. Mas não de frio. Embora estivesse frio, chegou a pensar nisso.
Rastejando em frente com as mãos e os joelhos, ele encontrou outro casal dormindo.
"O quê?" disse a mulher. Ela soou como Greta. Não importa. Ele rastejou para outro lugar.
Encontrou um onde a polpa não tinha sido perturbada e recostou-se. Uma vez que você se acostumava com a sensação pegajosa, era bastante confortável: macio, quente, aconchegante.
Ele queria luz: a luz solar, da lamparina, mesmo a luz, vermelha instável da queima da noite passada. Algo na situação atual o horrorizava de uma forma que ele não entendia, não podia definir.
Era mais do que as trevas.
Ele pensou sobre isso e assim que caiu no sono novamente, a coisa veio até ele:
Vermes.
Eles eram vermes rastejando através de uma maçã.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
John Bolton Artbook
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Capacitor Fantástico
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Tag: Artbook, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Horror
quinta-feira, 12 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Daniel F. Galouye
Daniel Francis Galouye (11 de Fevereiro de 1920 - 07 de Setembro de 1976) nasceu em New Orleans, Louisiana(EUA).
Podemos dizer que Galouye foi um escritor que nos deixou poucos livros (cinco) e meia centena de contos, porém suas ideias e argumentos são tão originais que se diferenciavam de outros escritores com obras bem mais volumosas.
Escreveu principalmente contos, nos gêneros ficção científica apocalíptica, fantasia e mistério, para revistas populares nos anos 40 e 50 (Galaxy, Fantasy and Science Fiction), inclusive, como era hábito da época, utilizando diversos pseudônimos, como Dan Galouye, Daniel L. Galouye, Louis G. Daniels, Daniel F. Galouje, Daniel Galouye.
Frequentou a Louisiana State University, estudou jornalismo, foi piloto de provas da Marinha americana durante a segunda grande guerra (chegou a pilotar aviões-foguete protótipos), quando sofreu um acidente que lhe causou sequelas sérias, inclusive paralisia parcial, afetando sua carreira jornalistica e literária, além de abreviar sua vida.
Aos 32 teve publicado seu primeiro conto, Rebirth, na Imagination (revista famosa por divulgar space-operas intergaláticas), que publicou boa parte de seus primeiros trabalhos.
Graduou-se pela Pensacola Naval Air School e como tenente foi também responsável pelo treinamento de pilotos americanos no Hawai. Somente ao dar baixa na marinha, iniciou sua carreira de repórter, depois tornou-se editor em 1956, mas sua saúde debilitada levou-o a aposentar-se prematuramente nove anos depois.
Assim como seu contemporâneo Alfred Bester, teve uma carreira como escritor relativamente curta. Chegou a morar em New York, o centro de publicação da FC americana na época. Pode-se dizer que Galouye não é um autor celebrado nos dias de hoje, nunca esteve entre os mais populares da FC durante sua carreira de quase dez anos, porém sua verve imaginativa, seu talento inovador, permaneceu registrado em seus livros.
Dark Universe , publicado em 1961, é o melhor deles.
Em Dark Universe (Mundo tenebroso), seres humanos vivem em um mundo de absoluta e perpetua escuridão e orientam-se principalmente através do som. A luz é um ente abstrato e mágico, sobre a qual discutem frequentemente. Muitos dos seus habitantes veneram a luz, criando uma religião a partir dela.
Dark Universe foi indicada ao Hugo de 1961.
Em seus personagens, econtramos sempre a urgência de sobreviver em circunstâncias contrárias, criaturas esquecidas de suas histórias pessoais, sem saber o que se passa ao redor. De certo modo, suas histórias possuem uma similiaridade com as de A. E. van Vogt.
Apesar de Dark Universe ser tão elogido pela crítica, seu maior sucesso foi sem dúvida 'Counterfeit World' (aka Simulachron-3) de 1964. Num futuro próximo é inventada uma máquina capaz de criar um modelo cibernético igual ao nosso, utilizado a princípio para pesquisas de mercado. Dentro deste universo simulado, cada "indivíduo" é uma unidade virtual inteligente. Um dos gênios responsáveis pela invenção percebe uma série de circunstâncias estranhas dentro deste mundo virtual e passa a investigá-las.
Apesar de estarmos bastante habituados hoje com a expressão 'realidade virtual', Galouye foi um dos primeiros escritores a descrevê-la em detalhes.
Em 1973, o famoso diretor alemão de cinema, Rainer Werner Fassbinder, adaptou-o em uma série de episódios para a televisão chamada "Welt am Draht" (Mundo Conectado).
Em 1999, outro diretor de cinema, Josef Rusnak, levaria Simulacron-3 para hollywood, com sua adaptação chamada 'The Thirteenth Floor' (O 13° andar).
Galouye recebeu em 2007, o prêmio póstumo Cordwainer Smith Rediscovery, concedido a escritores falecidos que por seu trabalho, merecem ser descobertos pelos leitores de hoje.
Daniel F. Galouye ( Simulacron-3, Misión Diplomática, Ojos Artificiales, Mundo Tenebroso, A Scourge of Screamers, Dark Universe ) [ Download ]
sábado, 7 de maio de 2011
Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 9)
OITO
O caminho para baixo
Talvez nós vamos morrer, Maryann pensou quando eles tinham finalmente parado de correr e ela podia pensar. Mas isso era impossível. Estava tão frio! Ela desejava entender o que Anderson estava falando. Ele apenas disse: "Nós vamos ter que fazer um inventário."
Estavam todos parados na neve. Estava tão frio, e quando ela tinha caído, a neve tinha entrado dentro de seu casaco, por seu colarinho. A neve ainda estava caindo no escuro. Ela ia pegar um resfriado e o que ela faria? Onde viveria? E seu bebê – o que seria dele?
"Maryann?" Anderson perguntou. "Está conosco, não é?"
"Maryann!" Buddy latiu impaciente.
"Estou aqui" disse ela, fungando o liquido que escorria de seu nariz.
"Bem, o que você trouxe com você?"
Cada uma de suas mãos dormentes (ela tinha esquecido as luvas também) estava segurando algo, mas ela não sabia o quê. Ela ergueu as mãos para que pudesse ver.
"Candeeiros", disse ela. "Eram da cozinha, mas um deles está quebrado."
Então se lembrou de cair sobre ele e seu corte no joelho.
"Quem tem fósforos?" Orville perguntou.
Clay Kestner os tinha encontrado. Acendeu o candeeiro bom.
Com a luz Anderson contou os restantes:
"Trinta e um."
Houve um longo silêncio, enquanto cada sobrevivente examinava outros trinta rostos e registrava suas próprias perdas. Dezoito homens, onze mulheres e duas crianças.
Mae Stromberg começou a chorar. Ela perdera o marido e uma filha, embora seu filho estivesse com ela. Em meio ao pânico Denny não tinha sido capaz de encontrar o sapato do pé esquerdo, e Mae tinha arrastado-o do incêndio em um dos trenós das crianças. Anderson, que tenham concluído o inventário, mandou que Mae ficasse quieta.
"Talvez haja mais comida lá atrás," Buddy estava dizendo a seu pai. "Talvez não esteja tão queimada que não possamos comê-la."
"Eu duvido", afirmou Orville. "Os lança-chamas malditos são muito rigorosos."
"Quanto tempo poderemos durar racionando?" Buddy perguntou.
"Até o Natal," Anderson respondeu secamente.
"Se durar até o Natal", afirmou Orville. "Essas máquinas estão provavelmente vasculhando a floresta agora, atrás de qualquer um que escapou do fogo. Há também a questão de onde passaremos a noite. Ninguém pensou em trazer tendas."
"Nós vamos voltar para a cidade velha", disse Anderson. "Podemos ficar na igreja e usar as tábuas como lenha. Alguém sabe onde estamos agora? Toda Planta maldita nesta floresta parece com outra Planta maldita."
"Eu tenho uma bússola", Neil se voluntariou. "Vou levar-nos lá. Apenas me sigam."
Na distância um grito, um grito muito breve.
"Eu acho que veio daquele lado", disse Neil, que se deslocou em direção ao grito.
Formaram uma falange larga com Neil na cabeça e caminharam pela neve. Orville puxando Greta no trenó, e Buddy com Denny Stromberg em suas costas.
"Posso segurar sua mão?" Maryann perguntou a ele. "As minhas estão adormecidas".
Buddy deixar que ela unisse sua mão a dele, e caminharam juntos durante meia hora em absoluto silêncio. Então ele disse: "Estou feliz que você está salva."
"Oh!" Foi tudo que conseguiu dizer. Seu nariz estava escorrendo como uma torneira pingando, e ela começou a chorar também. As lágrimas congelaram em seu rosto frio. Ah, ela era tão feliz!
Eles quase atravessaram a aldeia sem perceber. Uma polegada de neve tinha coberto as cinzas frias e niveladas. Denny Stromberg foi o primeiro a falar.
"Onde nós vamos agora, Buddy? Onde vamos dormir?"
Buddy não respondia. Trinta pessoas esperaram em silêncio Anderson, que estava chutando as cinzas com a ponta da bota, conduzindo-os através deste Mar Vermelho.
"Nós devemos ajoelhar e rezar", disse ele. "Aqui, nesta igreja, devemos ajoelhar e pedir perdão pelos nossos pecados." Anderson ajoelhou sobre neve e cinzas.
"Deus onipotente e misericordioso...".
Uma figura saiu do mato, correndo, tropeçando, sem fôlego, uma mulher em roupas de dormir, com um cobertor enrolado como xale. Caiu de joelhos no meio do grupo, não conseguia falar. Anderson acabou de orar. Na direção de onde tinha vindo, a floresta brilhava fracamente, como se, à distância, uma vela estava queimando em uma janela.
“É a Sra. Wilks" Alice Nemerov anunciou, e no mesmo momento Orville disse: "É melhor rezar em outro lugar."
"Não há nenhum outro lugar", disse Anderson.
"Deve haver" Orville insistiu. Sob a pressão das horas de crise, ele tinha perdido a noção da sua motivação original de salvar os Andersons para sua vingança pessoal, para uma agonia lenta. Seu desejo era mais primário, auto-preservação.
"Se não sobraram casas, ainda deve haver lugar para se esconder: uma toca, uma caverna, um bueiro..."
Algo que ele disse tocou-lhe a memória. Uma toca? Uma caverna?
"Uma caverna! Flor, muito tempo atrás, quando eu estava doente, você me disse que tinha estado em uma caverna. Você nunca tinha visto uma mina, mas você esteve em uma caverna. Era aqui perto?"
"Perto da margem do lago... o velho lago. Próximo do Resort Stromberg. Não é longe, mas eu não vou lá desde que eu era uma garotinha. Eu não sei se ainda é lá".
"Como um grande caverna é isso?"
"Muito grande. Pelo menos, eu achava."
"Você poderia nos levar até lá?"
"Eu não sei. É difícil no verão encontrar o caminho através das plantas. Todos os marcos antigos se foram, e com a neve...".
"Leve-nos lá, menina! Agora! "Anderson disse asperamente. Era ele novamente, nem mais nem menos.
Deixaram a mulher semi-nua para trás, deitada na neve. Não era crueldade: era simplesmente o esquecimento. Quando eles foram embora, a mulher olhou para eles e disse: "Por favor"
Mas o povo a quem ela se retratava não estava mais lá. Talvez nunca tenham estado lá. Ela se levantou e deixou cair o cobertor. Fazia muito frio. Ela ouviu o som de zumbido novamente e correu cegamente de volta para a floresta, na direção oposta daquela que Flor tinha tomado.
As três esferas incendiárias deslizaram para o local onde a mulher se deitara, rapidamente convertendo a manta em cinzas, e seguiram atrás de Sra Wilks, seguindo o rastro de sangue.
Grande parte da costa do antigo lago ainda era reconhecível sob o manto de neve: a formação das rochas, as escadas descendo para a água e até um poste que tinha feito parte do píer do resort.
A partir do cais Flor estimou uma centena de metros até a entrada da caverna.
Ela passou ao longo do rochedo que subira três metros acima da praia e jogou a luz da lamparina em fendas. Para onde quer que ela apontava, Buddy retirava a neve com uma pá, que, junto com um machado, ele tinha resgatado da Sala Comum. Os outros raspavam a neve (que tinha mais de um metro de profundidade entre as pedras) com as mãos nuas ou como estivessem.
O trabalho era lento, Flor lembrou-se da entrada da caverna na metade do rochedo, então alguém tinha que escalar as rochas cobertas de neve para poder cavar. Apesar do perigo envolvido, eles não tiveram tempo de ser cuidadosos. Atrás das nuvens, a partir do qual a neve caia com constância, não havia lua, a escavação prosseguiu na escuridão quase total. Em intervalos regulares um deles pedia uma parada repentina no trabalho e ficavam se esforçando para ouvir sons reveladores de seus perseguidores que alguém tinha pensado ter ouvido.
Flor, sob o peso da responsabilidade a qual estava desacostumada, tornou-se errática, correndo de pedra em pedra. "Aqui" ela dizia e, em seguida "Ou aqui? "
Ela estava a quase duzentos metros do cais, e Buddy começou a duvidar de que havia uma caverna. Se não existisse, então certamente eles tinham chegado ao fim.
A perspectiva da morte perturbou-o mais do que não entender o propósito dessas queimadas. Se isto fosse uma invasão (e até mesmo seu pai não poderia duvidar de que agora, o Bom Deus não precisa de construir máquinas para sua vingança), o que os invasores queriam? Seriam as Plantas os invasores? Não, não, eram apenas Plantas. Aquele infeliz que supostamente era o real invasore - dentro dos globos incendiários (ou quem construiu-os e colocou-os para trabalhar) - queria a Terra não por outra razão mas para suas malditas Plantas.
Seria a Terra então, a sua fazenda? Se sim, porque nunca houve nenhuma colheita?
Isso feria seu orgulho, pensar que sua raça, sua espécie, o seu mundo estava sendo derrotado com tal aparente facilidade. O pior, o que não podia suportar era a suspeita de que tudo isso não significava nada, que o processo de aniquilação era algo quase mecânico: os destruidores da humanidade não estavam em outras palavras, numa guerra, mas apenas pulverizando o jardim.
A abertura da caverna foi descoberto inadvertidamente, Denny Stromberg caiu através dela. Sem o acaso feliz, eles poderiam muito bem ter passado a noite inteira sem encontrá-la, já que haviam passado por ela.
A caverna se estendia além do que a luz do lampião permitia ver da entrada, mas antes de explorar sua profundidade, todos já estavam lá dentro. Todos os adultos exceto Anderson, Buddy e Maryann (todos com menos de um metro e sessenta e oito) tiveram que curvar-se ou mesmo rastejar pra não bater a cabeça ao teto. Anderson declarou ser o momento certo para uma oração silenciosa, para o qual Orville foi grato. Encolhidos próximos uns dos outros buscando o calor, suas costas contra a parede inclinada da caverna, tentaram recuperar o seu sentido de identidade, de propósito, de qualquer sentido perdido nas horas passadas em debandada em meio à neve.
A lamparina foi deixada acesa, uma vez que Anderson considerou que os fósforos eram mais preciosos que o óleo.
Depois de cinco minutos entregue à oração, Anderson, Buddy, Neil e Orville (embora não da hierarquia da família, mas aquele que pensou nas cavernas e em mais coisas além do que Anderson se importava de contar) exploraram o fundo da caverna. Era grande, mas não tão grande quanto eles esperavam, estendendo cerca de vinte metros e estreitando continuamente. Na sua extremidade distante, havia uma pequena reentrância cheia de ossos.
"Lobos!" Neil disse.
Uma inspeção mais detalhada confirmou serem esqueletos dos lobos, limpos, no topo da pilha.
"Ratos", Neil afirmou. "Só ratos."
Para alcançar a área mais profunda da caverna tinham que se espremer passando pela raiz gigante de uma Planta que tinha quebrado a parede da caverna. Além da pilha de ossos que os homens examinaram, esta era a única outra característica excepcional da caverna. A raiz da Planta, a este nível muito pouco se distinguia do seu tronco. Tinha a parte exposta na caverna, o mesmo diâmetro do tronco da Planta, cerca de quatro a cinco metros de diâmetro. Perto do chão da caverna, a superfície lisa da raiz estava desgastada, assim como os troncos lisos verdes eram muitas vezes mastigados por coelhos famintos.
Aqui, no entanto, parecia haver mais de uma mordidela.
Orville inclinou-se para examiná-la.
"Coelhos não fazem isso. Atingiu o cerne da madeira".
Ele estendeu a mão para dentro do buraco escuro. A camada periférica de madeira não penetrava mais do que trinta centímetros, além disso seus dedos encontraram o que parecia um emaranhado de cipós e além disso (com o ombro todo pressionando contra o buraco), nada, o vazio, o ar.
"Esta coisa está oca!"
"Bobagem", disse Anderson. Ele ficou ao lado de Orville e empurrou seu braço dentro do buraco.
"Não pode ser", disse ele, sentindo o mesmo que o outro.
"Coelhos certamente não fariam esse buraco" Orville insistiu.
"Ratos" Neil repetiu, mais do que nunca confirmando seu julgamento. Mas, como de costume, ninguém prestou atenção nele.
"Vazio como o caule de um dente de leão, vazio."
"Ela está morta. Cupins devem ter feito o serviço."
"As únicas Plantas que vi mortas, Sr. Anderson, são aquelas que matamos. Se você não se opor, eu gostaria de ver o que há lá embaixo."
"Eu não vejo que bem que possa fazer. Você tem uma curiosidade doentia sobre estas Plantas, rapaz. Às vezes tenho a impressão de que você está mais do lado delas do que do nosso."
"Seria bom", afirmou Orville dizendo uma meia verdade (pois ele ainda não se atrevia a expressar sua esperança real), "se puder fornecer uma porta dos fundos para a caverna, uma saída de emergência para a superfície, no caso de sermos seguidos aqui."
"Ele está certo sobre isso, você sabe," Buddy disse.
"Eu não preciso de sua ajuda para fazer a minha cabeça. Nem de você", acrescentou Anderson, quando ele viu que Neil tinha começado a sorrir. "Você está certo de novo Jeremias..."
"Me chame de Orville, senhor. Todo mundo me chama assim".
Anderson sorriu com azedume.
"Muito bem. Vamos começar a trabalhar agora? Pelo que me lembro, um dos homens conseguiu trazer um machado. Ah, foi você, amigão? Traga isso aqui. Enquanto isso, você (indicando Orville), vai garantir que todos vão para o fundo da caverna, onde está mais quente. E talvez mais seguro. Além disso, encontre alguma maneira de bloquear a entrada, senão a neve vai cobrí-la de novo. Use o seu casaco, se necessário."
Quando a abertura para a raiz tinha sido suficientemente alargada, Anderson empurrou a lamparina e apertou seu torso ossudo através dela. A cavidade estreitava-se rapidamente acima, tornando-se mais um emaranhado de cipós, havia pouca possibilidade de uma saída, pelo menos não sem muito trabalho duro. Mas abaixo havia um abismo que se estendia muito além do alcance da luz da lamparina. A eficácia da lamparina era ainda mais reduzida pelo que parecia ser uma rede de gaze ou teia de aranha que enchia a cavidade da raiz. A luz que passa através desse material, mostrou-se difusa e suavizada, para além de uma profundidade de cinco metros se podia discernir apenas um brilho rosado disforme.
Anderson atacou estas tranças de gaze, sem resistência, e elas se romperam. Suas mãos calejadas não poderiam mesmo senti-las.
Anderson contorceu-se para fora do buraco estreito para a caverna propriamente.
"Bem, não vai ser útil para escapar. É sólido para cima. Vai para baixo, porém, mais longe do que eu posso ver. Olhem por si mesmos, se quiserem."
Orville afundou-se no buraco. Ficou lá muito tempo, Anderson tornou-se irritado. Quando reapareceu, ele quase sorria.
"É para onde nós vamos, Sr. Anderson. É perfeito!"
"Você está louco", disse Anderson com naturalidade. "Já está ruim onde estamos."
"Mas o ponto é" (E esta tinha sido a sua esperança, não expressa original.) "Vai estar quente lá embaixo. Depois de conseguir descer uns quinze metros abaixo da superfície, encontraremos confortáveis dez graus centígrados. Não há inverno nem verão lá embaixo. Se preferir mais quente basta apenas ir para baixo para mais profundo. Aquece um grau para cada dezoito metros."
"Ah, o que você está falando?" Neil chiou. "Isso soa como um monte de besteira."
Ele não gostou da maneira que Orville, um estranho, estava dizendo a eles o que fazer todo o tempo. Ele não tinha o direito!
"Não é uma coisa que eu deveria saber, sendo um engenheiro de minas? Não é por isso que estou vivo, afinal."
Ele deixou que pensassem sobre isso e em seguida, continuou calmamente:
"Um dos maiores problemas em trabalhar em minas profundas é mantê-los a uma temperatura suportável. O mínimo que podemos fazer é ver o quão para baixo vai. Deve ser uns quinze metros pelo menos, que seria apenas um décimo da profundidade."
"Não tem nada quinze metros abaixo do solo" Anderson opôs. "Nada além de pedra. Nada cresce na rocha."
"Diga isso para a Planta. Eu não sei se ela segue tão fundo, mas volto a dizer que deveríamos explorar. Nós temos um pedaço de corda, e mesmo se nós não tivéssemos, aqueles cipós segurariam qualquer um de nós. Eu os testei."
Ele fez uma pausa antes de voltar para o argumento decisivo:". Além do mais, é um lugar para se esconder se essas coisas vierem atrás de nós."
Seu último argumento era tão válido quanto eficaz. Buddy desceu pela corda para a primeira ramificação secundária a partir da raiz vertical principal (Buddy tinha sido escolhido porque era o mais leve dos homens), quando houve um rangido na entrada da da caverna, como quando as crianças tentam encher uma garrafa de vidro com areia.
Uma das esferas, havia seguido-os à caverna, estava agora tentando abrir seu caminho através da estreita entrada.
"Atire!" Neil gritou para seu pai. "Atire!" Começou a pegar a Python no coldre de seu pai.
"Eu não pretendo desperdiçar munição boa. Agora, tire suas mãos de mim e vamos empurrar as pessoas para baixo pelo buraco."
Orville não precisou argumentar mais. Não havia nada além para fazer. Nada. Eles eram bonecos do destino agora. Recuou e ouviu como se a esfera tentasse entrar na caverna à força. De certa maneira, ele pensou, essas esferas não eram mais inteligentes do que uma galinha tentando abrir caminho através de uma cerca de arame. Porque não bastava atirar? Talvez as três esferas tivessem que estar agrupadas sobre o seu alvo antes que pudessem disparar. Elas eram, quase certamente, autômatos. Orientavam os seus próprios destinos não mais do que os animais que foram programados para perseguir.
Orville não tinha nenhuma simpatia para com as máquinas burras e nenhuma com suas presas.
Ele se imaginou naquele momento como senhor das marionetes, até que o real senhor das marionetes, movimenta-se um dedo, e Orville passaria a correr atrás de seus semelhantes.
A descida pelo buraco da raiz foi rápida e eficiente. O tamanho do buraco assegurava que não mais de uma pessoa passasse por vez, mas o medo que essa pessoa conseguisse descer tão rápido quanto podia. O invisível (a lamparina ia abaixo com Buddy) a presença da esfera de metal batendo-se ao teto e nas paredes da caverna era uma forte motivação para a velocidade.
Anderson fez cada pessoa retirar sua roupa de frio volumosa e empurrá-la através do buraco à sua frente. Por fim só Anderson, Orville, Clay Kestner, Neil e Maryann permaneciam. Era evidente que para Clay e Neil (o maior dos homens da aldeia) e para Maryann, agora em seu oitavo mês, o buraco teria que ser ampliado. Neil cortava a madeira macia com pressa frenética.
Maryann desceu primeiro pela abertura ampliada. Quando ela alcançou seu marido, que estava escarranchado no v inverso formado pela divergência do ramo novo com a raiz maior principal, suas mãos estavam feridas de ter escorregado na corda com demasiada presa. Assim que ele a abraçou, toda a sua força pareceu escapar de seu corpo. Ela não podia ir em frente.
Neil foi o próximo a descer, em seguida Clay Kestner. Juntos, carregaram Maryann até a raiz secundária.
Anderson gritou:
"cuidado ai embaixo!" E uma chuva de objetos, alimentos, cestas, potes, roupas, o trenó, tudo que o povo havia trazido com eles desde o fogo caiu no abismo. Buddy tentou contar os segundos entre o momento em que eles foram soltos e o momento em que bateram no fundo, mas depois de um certo ponto, ele não conseguia distinguir os sons dos objetos ricocheteando nas paredes da raiz e a queda marcante ao final, se é que havia.
Anderson desceu após a última das provisões ter caído.
"Como Orville vai descer?" Buddy perguntou. "Quem vai segurar a corda para ele?"
"Eu não me preocupei em perguntar. Onde está todo mundo?"
"Lá em baixo..."
Buddy fez um gesto vago na escuridão da raiz secundária. A lamparina iluminava o eixo principal, onde a descida era mais perigosa. A raiz secundária divergia em um ângulo de quarenta e cinco graus. O teto (por aqui poderia ser dito haver piso e teto) erguia-se a uma altura de pouco mais de dois metros. Toda a superfície da raiz era um emaranhado de cipós, de modo que a inclinação era fácil de escalar. O espaço interior foi preenchido com a mesma teia frágil, embora aqueles que tinham precedido Anderson tinham arrancado a maior parte dela.
Orville desceu pelos cipós, o fim da corda atada na sua cintura, à maneira de um alpinista. Uma precaução desnecessária, uma vez que os cipós, ou o que quer que fossem agüentavam firmes. Quase rígidos na verdade, por ser tão estreitamente unidos.
"Bem", afirmou Orville com uma voz tão grotesca de bom ânimo, "aqui estamos, sãos e salvos. Vamos descer até onde os mantimentos estão?"
Naquele momento ele sentiu uma sublimidade quase divina, pois tinha segurado a vida de Anderson em suas mãos, literalmente, por uma corda e cabera a ele decidir se o velho morreria naquele momento ou sofreria ainda mais um pouco.
Não tinha sido uma escolha difícil, mas, ah, tinha sido sua!
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
L5
L5 é uma minissérie de ficção científica hard para distribuição online.
Imagine voltar de uma aventura desgastante apenas para descobrir que sua casa está abandonada, vazia.
Não apenas sua casa, mas seu bairro, sua cidade, na verdade tudo parece ter desaparecido. Isso é o que acontece com a tripulação da primeira missão tripulada a estrela de Barnard - retornam após o despertar da animação suspensa para descobrir que sua nave enviou-os em uma excursão relativista enquanto eles dormiam, dilatando o tempo de forma tão severa que quase 200 anos se passaram na Terra.
Seguindo as tradições da FC hard, a exploração de sua própria civilização irá levá-los em uma jornada trans-humanista e espiritual.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Unidentified Enemy
Invasão do mundo: Batalha de L.A. como filme pode não ser grande coisa, mas o site de divulgação é espetacular!
Assista ao filme!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Splice - A nova espécie
Splice é um uma dessas joías do cinema que talvez por conta de uma campanha de propaganda tímida, acaba por não receber a atenção compatível com sua grande qualidade.
Neste filme de 2009, dirigido por Vincenzo Natali, um casal de geneticistas brilhantes e pouco convencionais, Elsa e Clive (Sarah Polley e Adrian Brody), são bem sucedidos em criar organismos amorfos para fornecer material genético para produtos farmacêuticos. Quando a diretoria da empresa na qual trabalham, resolve tirar proveito financeiro da extração das enzimas valiosas, ao invés de focar na continuação das pesquisas, eles decidem continuar suas experiências para criação de um organismo humano híbrido, por conta e risco.
O filme consegue com maestria atravessar por diversos gêneros, do horror ao thriller psicológico, indo além do tema banal do criador versus criatura. Seus atores, principalmente Sarah Polley, que nos envolve com seu personagem, joga tanto com nossa simpatia quanto com nossa indignação. Ela e o marido Clive, vivem uma relação profissional em desacordo com suas motivações íntimas.
Um filme perturbador e que gera questionamentos dolorosos, sem respostas fáceis.
Assista ao filme !
domingo, 1 de maio de 2011
Jack Williamson
John Stewart Williamson (29 de abril de 1908 - 10 de Novembro de 2006) nasceu em Bisbee, Arizona (EUA). Em busca de melhores pastagens, sua família migrou para o Novo México em 1915. A família logo voltou para o Texas.
Foi através da biblioteca da sua cidade que Williamson quando jovem, descobriu a revista Amazing Stories.
Aos 20 anos vendeu para esta mesma revista seu primeiro conto (The Metal Man) e na década de 30 já era um autor estabelecido, e conta-se que Isaac Asimov quando adolescente, ficou emocionado ao receber um cartão postal de Williamson, seu ídolo, felicitando-o pelo seu primeiro conto publicado e dizendo: "Bem-vindo às fileiras".
Williamson serviu no exército americano na Segunda Guerra Mundial como meteorologista.
Como o término da guerra, passou a ser um colaborador regular de revistas populares, embora não atingindo o sucesso financeiro. Publicou diversas vezes em colaboração com Frederik Pohl.
Uma de suas primeiras séries, a famosa "A Legião do Espaço", era uma "space opera" cujos personagens foram retirados de 'Os Três Mosqueteiros' acrescido de 'Falstaff'.
Mas sem dúvida, Williamson sempre será lembrado por 'With folded hands'. Nesta história há pela primeira vez a introdução do robô como o conhecemos, chamados simplesmente de humanóides, que passariam a aparecer em vários de seus romances.
Professor emérito de inglês na Eastern New Mexico University (ENMU). Mais tarde se doutorou pela Universidade do Colorado, com uma dissertação sobre H.G. Wells. Graças a Jack Williamson, a Biblioteca da ENMU tem uma das maiores coleções de ficção científica do mundo.
No campo da ciência legítima, Jack Williamson cunhou a palavra de terraformação.
Obteve o título de Grão-Mestre em 1976 e foi presidente da SFFWA (Science Fiction and Fantasy Writers of America) entre 1978 e 1980, e recebeu prêmios numerosos demais para serem listados em detalhes.
Williamson escreveu continuamente até pouco antes de sua morte, com mais de 50 romances e pelo menos 15 coleções de contos.
Perguntado sobre as recompensas de ser um escritor, respondeu:
"Para mim, acho que a maior recompensa é a satisfação de criar. Criar uma história e colocá-la no papel da forma que deve ser. Eu nunca escrevi bestsellers ou ganhei uma grande quantia de dinheiro com isso, mas quando eu olho para trás, vejo que fui capaz de passar a maior parte da minha vida fazendo algo que eu gostava. Quando olho para as pessoas ao meu redor, muitos deles estão trabalhando por dinheiro, em empregos que odeiam. Para mim tem sido amplamente compensador. É claro, escrever é um trabalho árduo, sentado muitas horas à máquina de escrever ou no computador, batendo nas teclas. Por muitos anos como um escritor de revistas populares, tentando desesperadamente ganhar a vida, trabalhei em histórias que foram mal concebidos ou não chegaram a bom termo. Nos últimos anos eu tive mais liberdade para escrever apenas o que eu queria escrever. Uma história não funciona a menos que seja algo que você realmente acredita. O leitor não vai acreditar, não vai se interessar se você não está interessado. Meus arquivos estão cheios de idéias abandonadas, histórias inacabadas que não deram certo, porque eu não me importava, não sabia o suficiente sobre a motivação, ou os personagens, ou o que eu queria dizer."
Jack Williamson ( El Hombre de metal, El principe del Espacio, Los Humanoides, Terraformar la Tierra, The Ultimate Earth, After World's End, Afterlife, Brother to Demons, Brother to Gods, Dark Star One, Eldren series, Hindsight, Hole in the world, Manseed, Nitrogen Plus, Star Bright, The firefly tree, The Happiest creature, The Hummanoids, The Legion of Time, The pygmy planet, The story Roger never told, The trial of Terra, Three from the Legion, Through the Purple Cloud Part, With Folded Hands, El paraje muerto, LA era de la Luna, La legion del Espaço, Mas Oscuro de lo que Pensais ) [ Download ]
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