sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Secret Cinema apresenta BLADE RUNNER
Secret Cinema é uma comunidade de amantes do cinema. O grupo inglês Future Cinema responsável pela iniciativa, vem crescendo em número de adeptos e oferece uma experiência diferente a partir de um filme conhecido, uma nova forma de cinema. Como não poderia deixar de ser, as sessões que misturam teatro, vídeo, performances e música, ocorrem sempre clandestinamente, em locais e horários que são divulgados somente na última hora.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2010
Numa iniciativa dos jornalistas e pesquisadores de ficção científica e fantasia Marcello Simão Branco e Cesar Silva, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica foi publicado pela primeira vez em 2005. Apresenta um amplo e profundo panorama do cenário fantástico nacional, em suas três manifestações principais, a ficção científica, a fantasia e o horror, além de contemplar também as criações híbridas entre estes gêneros e os chamados trabalhos de “fronteira”, isto é, o fantástico abordado a partir da perspectiva do mainstream literário.
Contém notícias sobre prêmios e personalidades, listas dos livros lançados durante o ano, artigo sobre o mercado editorial, com dados estatísticos e tabelas. Resenhas de vários dos principais livros de autores brasileiros e estrangeiros, entrevista com a “Personalidade do Ano”, ensaio de um especialista convidado, e uma seção histórica com datas e resenhas de livros importantes.
Editora: Devir
Autores: Marcelo Simão Branco e César Silva
Acabamento: Brochura com laminação brilhante e orelhas
Número de páginas: 240
Dimensões: 14 × 21 cm
ISBN: 9772178624005
O Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2010 está disponível para venda na Livraria Moonshadows
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Capacitor Fantástico
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Tag: evento, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Horror, Mistério/Suspense
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Ficção Científica, mas não como você a conhece
Enquanto muita gente vem enchendo a bola de mais uma bienal do livro que em nada acrescenta à vida dos leitores (mas com certeza satisfaz aos interesses de editores e profissionais da área) a British Library está exibindo desde Maio de 2011, sua primeira exibição explorando a ficção científica através da literatura, cinema, desenho e som, Out of this World: Science Fiction but not as you know.
Segundo os organizadores, uma oportunidade para desafiar a percepção do público visitante para o gênero, graças às preciosidades da coleção particular da biblioteca, desde manuscritos do início da FC, até os romances de Cory Doctorow e China Miéville.
Os eventos incluem a participação de muita gente famosa como Alan Moore, Neil Gaiman, Brian Aldiss, John Clute, Michael Moorcock e Norman Spinrad entre outros.
Apenas para dar um gostinho...quem sabe você tem um troco sobrando e não dá um pulinho em Londres (é quase tão longe quanto o Riocentro, só que bem mais agradável.)
Sexta-feira dia 09/09/11 - Lemistry - 100 anos de Stanislaw Lem
O grande escritor europeu, Stanislaw Lem (1911-2006) transcende tanto a literatura polonesa quanto seu gênero escolhido, a ficção científica. Mais conhecido por seu romance Solaris, filmado duas vezes, ele era um contador virtuoso de histórias repletas de filosofia, comédia e alegorias. Celebrando o centenário de nascimento, os escritores John Gray, Toby Litt e Wojciech Orliński, e os cineastas Ari Folman (de Valsa com Bashir e atualmente filmando O Incrível Congresso de Futurologia, de Lem) e The Quay Brothers. Presidido pela jornalista e crítica Rosie Goldsmith.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
O Oitavo Passageiro - Alan Dean Foster (Parte 4)
— Turbulência — disse Ripley, e pôs-se a batalhar com seus controles.
Luzes de navegação e de aterrissagem — pediu Dallas. Queria perceber alguma coisa, a despeito do verdadeiro furacão que reinava fora. — Talvez possamos descobrir alguma coisa visualmente.
— Não há substituto possível para os instrumentos — disse Ash. — Não num tempo como esse.
— Também nada substitui um input máximo. De qualquer maneira, quero ver.
Luzes patentes acenderam-se debaixo do Nostromo. Mas não deram aquele campo de visão desimpedido que Dallas tinha desejado. Sua penetração nas nuvens era fraca. De qualquer modo, iluminaram os escuros painéis, clareando ao mesmo tempo a ponte e a atmosfera mental. Lambert sentiu menos agudamente que navegavam em tinta preta.
Parker e Brett não podiam ver as nuvens de fora, mas podiam senti-las. A sala das máquinas mudou de posição subitamente, rolou para o lado oposto, voltou à posição primitiva.
Parker soltou uma praga.
— O que é isso? Você ouve?
— Sim, ouço.
Brett conferiu um mostrador, nervosamente.
— Queda de pressão na entrada número três. Devemos ter perdido uma das couraças de blindagem.
Apertou diversos botões.
— Não disse? Perdemos uma. Está entrando pó.
— Feche a abertura, feche-a.
— E o que pensa que estou fazendo?
— Bonito. Agora temos uma passagem cheia de pó.
— Isso não será problema, espero. — Brett ajustou um controle. — Vou contornar o número três e fazer sair o pó à medida que entra.
— Mas o desastre está feito — disse Parker. Não queria nem pensar no efeito que teriam tido todos os abrasivos do vento sobre o revestimento interno do orifício de entrada. O que será isso que estamos atravessando? Nuvens ou rochas? Se não batermos, aposto dinheiro vivo como teremos um curto-circuito a qualquer momento.
Alheios às maldições da sala de engenharia, os cinco tripulantes da ponte continuavam a lutar para que o rebocador descesse sem dano e o mais próximo possível da fonte do sinal.
— Acercando-nos do ponto de origem. — Lambert estudou um mostrador. — Descendo a vinte e cinco quilômetros. Vinte. Dez, cinco...
— Reduzindo a velocidade e virando — disse Dallas, debruçado sobre o leme manual.
— Curso exato, três graus quatro minutos à direita.
Dallas ateve-se a essas indicações.
— Conseguimos. Estamos a cinco quilômetros do centro do círculo de busca e a descida é estável.
— Apertando agora — e Dallas mexeu no leme mais uma vez.
— Três quilômetros. Dois.
Lambert parecia um tanto excitada, embora Dallas não pudesse saber se era em virtude do perigo ou da proximidade da fonte do sinal.
— Estamos praticamente por cima dela agora.
— Belo trabalho Lambert. Ripley, que tal o terreno? Ache-nos um lugar para a aterrissagem.
— Estou tentando, capitão.
Ela inspecionou vários painéis, e sua expressão de contrariedade aumentou a cada leitura. Dallas continuava a zelar para que a nave mantivesse sua descida no centro do alvo enquanto Ripley lutava para decifrar a superfície invisível do solo.
— Visibilidade nula.
— Estamos cientes disso — disse Kane. — Podemos ver por nós mesmos.
Os raros vislumbres do solo que os instrumentos haviam dado, tinham bastado para botá-lo de mau humor. Sugeriam um mundo deserto, desolado e hostil.
— O radar só me dá estática — Ripley gostaria que o material eletrônico reagisse a imprecaçôes tão prontamente quanto os humanos reagem. — O sonar só me dá estática.
O infravermelho, mais estática. Aguentem-se aí, que vou experimentar o ultravioleta. O espectro está suficientemente alto para que não haja interferência.
Um momento de espera. Depois, surgiram algumas linhas afinal.
Era a tão esperada leitura. Seguiram-se palavras brilhantemente iluminadas, e um croqui do computador.
— Isso resolveu o problema.
— Temos um lugar para aterrissar?
Ripley pareceu de todo tranqüila.
— Tanto quanto eu saiba, acho que podemos descer em qualquer lugar. A leitura diz que o solo é plano aí em baixo. Totalmente plano.
Dallas visualizou a lava muito lisa, uma crosta já resfriada mas fina, debaixo da qual se escondia um inferno em fusão.
— Sim, plano. Mas feito de quê? Água, areia, queijo fresco, ou como a Lua?
— Experimente lançar uma sonda de superfície, Kane. Obtenha uma definição. Eu baixo a nave o bastante para que nos livremos da maior parte dessa interferência. Se o solo é mesmo chato, pode chegar perto sem correr demasiados riscos.
Kane virou rapidamente vários interruptores.
— Controlando. Análise ativada. Ainda captando estática.
Cautelosamente, Dallas aproximou a astronave da superfície.
— Ainda barulhento, mas melhorando.
Mais uma vez Dallas perdeu altitude. Lambert não tirava o olho dos instrumentos. Eles tinham altura mais que suficiente para estarem em segurança, mas, à velocidade em que iam, isso podia mudar de repente se algo de errado acontecesse com os motores ou se alguma corrente desse outro mundo começasse a soprar de súbito de baixo para cima. Não podiam reduzir mais a sua velocidade. Com o vento que havia, poderiam perder o controle da nave.
— Clareando, clareando... Agora!
Kane estudou as leituras e linhas fornecidas pelo analista de imagens:
— Já esteve em fusão, anteriormente. Mas não mais. E não há muito tempo, segundo a análise. É principalmente basalto, um pouco de riólito, com camadas superpostas de lava. Mas estas, ocasionais. Tudo resfriado e sólido, hoje em dia. Nenhum sinal de atividade tectônica.
Kane lançou mão de mais alguns instrumentos para aprofundar sua investigação dos segredos da crosta daquele mundo minúsculo.
— Nenhuma falha geológica de importância debaixo dos nossos pés ou em nossa vizinhança imediata. O lugar me parece excelente para a aterrissagem.
Dallas pensou um pouco.
— Você está seguro da composição da superfície?
— É velha demais para ser diferente — o oficial de ciência parecia melindrado. — E tenho conhecimentos bastantes para verificar a idade das rochas ao mesmo tempo que sua composição. Pensa o senhor que eu deixaria a nave descer pela chaminé de um vulcão?
— Está bem, está bem. Desculpe. Estou apenas procurando certificar-me. Não faço uma aterrissagem sem mapas nem balizamento desde os tempos da escola. Estou um tanto nervoso.
— E não estamos todos?
— E se baixássemos? — ninguém fez objeção. — Vamos botá-la no chão. Vou descer em espiral tão bem quanto possa. Mas você, Lambert, mantenha uma vigilância rigorosa daquele pulso intermitente. Não queremos pousar na cabeça da nave sinistrada. Advirta-me se chegarmos perto demais.
Alguns reajustes foram feitos, algumas ordens dadas e executadas por fiéis servidores eletrônicos. O Nostromo começou a evoluir em espiral rumo à superfície, enfrentando lufadas de ventos contrários e rajadas de ar negro a cada metro do caminho.
— Quinze quilômetros e descendo — anunciou Ripley em voz neutra. Doze... dez...oito.
Dallas acionou um comando.
— Velocidade de descida. Cinco.. .três.. .dois... Um quilômetro.
O mesmo comando foi de novo tocado.
— Diminuindo... Ativar os motores de aterrissagem.
— Feito.
Operando o seu console, Kane parecia confiante.
— Descida controlada agora por computador.
Um alto zumbido, áspero, encheu a ponte quando a Mãe assumiu a responsabilidade da descida, regulando os últimos metros com uma precisão que nenhum piloto terrestre
poderia igualar.
— Descendo sobre pás de aterrissagem — disse Kane.
— Desligue os motores.
Dallas efetuou uma última verificação antes da aterrissagem e virou várias chaves para DESLIGADO.
— Motores desligados. Engenho de descida funcionando corretamente.
A ponte vibrava com uma palpitação forte, ritmada.
— Novecentos metros e descendo.
Ripley vigiava seus controles.
— Oitocentos... setecentos... seiscentos.
Continuou a contar de cem em cem metros. E logo já contava de dez em dez.
A cinco metros do solo o rebocador hesitou, pairando por cima da superfície envolta em densas trevas e varrida por ventos de tempestade.
— Descer as patas — disse Kane, e correu a executar a manobra que Dallas começava a ordenar. Um gemido fino, quase indistinto, fez-se ouvir na ponte. Várias pernas telescópicas de aço projetaram-se do corpo da astronave, que ficou semelhante a um grande besouro surgindo de um pesadelo. As pás de aterrissagem roçavam quase a superfície ainda invisível da rocha abaixo deles.
— Quatro metros... ufa! — Ripley interrompeu o que ia dizendo. E o Nostromo interrompeu a sua descida. As pás tocaram rocha dura, resistente, mas os maciços amortecedores calçaram o contacto.
— Estamos em terra.
Algo rompeu-se. Um circuito menor, provavelmente, ou talvez uma sobrecarga não de todo compensada, a que ninguém acudira prontamente. Um choque terrível correu pela astronave. O metal do casco vibrou com um gemido metálico, fantasmagórico.
— Não sei onde está! Perdi! — gritava Kane quando as luzes se apagaram.
Instrumentos pediam atenção ao mesmo tempo e ruidosamente, no escuro, à medida que a falha elétrica repercutia até as extremidades nervosas do Nostromo.
Quando o choque chegou à engenharia, Parker e Brett preparavam-se para uma nova rodada de cervejas. Uma série de canos enfileirados no teto pré-moldado explodiu prontamente. Três painéis no cubículo de controle inflamaram-se, enquanto a válvula de pressão mais próxima inchava, rebentando logo depois.
Não havia mais luzes, e eles se puseram a tatear em busca de lanternas manuais, de bateria. Parker tentou achar o botão que controlava o gerador de reserva, que alimentava a astronave na falta dos motores.
Uma certa confusão controlada reinava na ponte. Quando as exclamações e perguntas amainaram, foi Lambert quem deu forma à indagação geral:
— O gerador secundário já devia ter entrado em ação a essa altura.
Deu um passo, mas bateu com o joelho na quina de um console.
— Por que não está funcionando? — perguntou Kane. Encostado à parede, palpou-a com a mão. — Controles de reserva de aterrissagem... aqui. — Passou os dedos por diversos botões com que estava familiarizado. — Botão do compartimento de proa, aqui... Junto dele deve estar... Sua mão se fechou no controle de luz de emergência, e torceu-o. Um clarão muito tênue revelou várias silhuetas fantasmagóricas.
Com essa luz de Kane como guia, Dallas e Lambert localizaram suas próprias barras luminosas. As três fontes juntas davam luz suficiente para trabalharem.
— O que aconteceu? Por que o gerador não acendeu? E qual foi a causa do acidente?
Ripley ligou o intercomunicador:
— Sala de máquinas, o que houve? Qual é a situação aí?
— Péssima. — Parker parecia ocupado, zangado e preocupado ao mesmo tempo. Um zumbido longínquo, como que de asas aflitas de algum inseto monstruoso, fazia um fundo para as palavras dele. Cresciam de intensidade e apagavam-se quase, como se houvesse dificuldade em manter a comunicação com o alto-falante que era onidirecional.
— Pó por toda parte, nos motores, foi isso o que aconteceu. Ocorreu durante a descida. Acho que não fechamos a escotilha a tempo, e não nos livramos do pó a tempo. Temos um fogo elétrico aqui atrás.
— E não é pequeno — acrescentou Brett. Foi sua única contribuição à conversa. Parecia fraco, a distância.
Houve um intervalo, em que apenas podiam ouvir pelo sistema de intercomunicação o esguicho dos extintores químicos.
— As entradas ficaram entupidas — explicou por fim Brett aos seus alarmados ouvintes —, depois superaquecidas. Queimamos uma célula inteira, penso eu. Cristo, está uma zorra completa aqui embaixo...
Dallas olhou para Ripley.
— Aqueles dois me parecem por demais ocupados. Um de vocês me responda. Alguma coisa estourou. Espero que tenha sido só no departamento deles, mas pode ser pior. O casco foi fendido? — O capitão respirou. — Se foi, onde? E quais as proporções do desastre?
Ripley examinou rapidamente os instrumentos de pressurização, depois correu os olhos pelos diagramas individuais para situar-se bem. E pôde responder com alguma confiança:
— Não vejo nada de maior. Ainda temos pressão normal em todos os compartimentos. Se há um buraco, é minúsculo, e a auto-selagem do casco já se encarregou de obturá-lo.
Ash estudou seu próprio console. Como os outros, tinha alimentação própria, independente, para o caso de falha maciça da energia como a que estavam experimentando naquele momento.
— O ar em todos os compartimentos não mostra sinais de contaminação pela atmosfera exterior. Penso que estamos ainda estanques, capitão.
— Essa é a melhor notícia que recebo em sessenta segundos. Kane, ligue os painéis externos que ainda estejam com energia.
O oficial executivo ajustou uns três pinos. Houve um visível tremeluzir, um bruxuleio, um vislumbre de vagas formas geológicas, depois completa escuridão outra vez.
— Nada. Estamos tão cegos do lado de fora quanto aqui dentro. Temos de ligar a energia sobressalente pelo menos para sabermos onde estamos. As baterias não são bastante fortes nem mesmo para a menor projeção de imagens.
Os censores auditivos exigiam menos energia. Traziam as vozes daquele mundo para dentro da cabine. Os sons distorcidos da ventania cósmica subiam e desciam contra os receptores impossíveis, enchendo a ponte de uma algaravia, como peixes a discutir.
— Quisera que tivéssemos descido à luz do dia, disse Lambert, espreitando por uma escotilha escura que lhe devolvia apenas o próprio rosto ansioso. — Teríamos sido capazes de ver sem instrumentos.
— Mas o que há com você, Lambert? — Brincou Kane. — Será que tem medo do escuro?
Ela, porém, não sorriu de volta.
— Não é o escuro que conheço que me dá medo, mas o que não conheço.Especialmente quando há neles sons como o dessa pulsação de alarme — respondeu. E concentrou de novo sua atenção na janela coberta de pó.
Sua disposição em expressar alto e bom som o que lhes ia, a todos, na alma, não contribuiu para aliviar a tensão na ponte. Exígua sempre, parecia agora sufocante naquela quase-escuridão.
E o silêncio que reinava entre eles agravava o clima de nervosismo geral.
Foi um alívio quando Ripley anunciou:
— Conseguimos reparar a intercomunicação.
Dallas e os outros se imobilizaram, na expectativa. Todos a olhavam. Ripley remexeu no amplificador.
— É você, Parker?
— Sim, sou eu.
Pelo tom, o engenheiro estava fatigado demais para assumir sua habitual petulância.
— Qual é a situação aí?
Mentalmente, Dallas cruzou os dedos.
— E o fogo? Dominado?
— Sim, finalmente, conseguimos apagá-lo. — Ele suspirou, e o som não era muito diverso dos silvos da ventania. — Chegou a atingir aquele velho sistema de lubrificação que reveste as paredes do corredor até o nível C. Houve um momento em que pensei que nossos pulmões ficariam inteiramente ressequidos. Mas a camada combustível era mais fina do que eu pensava e queimou toda ela tão rapidamente, que não houve tempo de esgotar nossa provisão de ar respirável. Os purificadores estão agora removendo o gás carbônico a contento.
Dallas molhou os lábios secos.
— E os prejuízos? Não importam os danos superficiais. Tudo o que me interessa é desempenho e funcionamento da nave.
— Vejamos... Dois painéis totalmente perdidos.
Dallas podia vê-lo a enumerar os itens nos dedos.
—... A unidade divisora da carga secundária está fora de combate e pelo menos três celitas do módulo doze se foram. Com tudo o que isso implica.
Deixou que a notícia tivesse todo o seu impacto antes de acrescentar:
— Quer saber também os dados miúdos? Dê-me uma hora e terá uma lista exaustiva.
Deixe isso para lá. Mas espere um segundo na linha. — Voltou-se para Ripley e comandou:
— Tente os painéis outra vez.
Ela o fez, sem resultado. Permaneceram tão vazios como o cérebro de um contador da Companhia.
— Temos de nos arranjar sem eles por mais algum tempo, é só — disse-lhe o capitão.
— Parker — continuou Ripley. — Está certo de que isso foi tudo?
Curiosamente, simpatizava agora com Parker e Brett, e era a primeira vez que isso acontecia desde que se tinham tornado membros daquela tripulação. Ou desde que ela passara a integrar o grupo, pois Parker pelo menos era mais antigo no Nostromo.
— Até agora, foi — Parker tossiu no alto-falante. — Estamos tentando agora recuperar toda a potência anterior das máquinas. Doze módulos paralisados causaram grande confusão por aqui. Quando tivermos examinado tudo que o fogo devorou, poderei falar de energia.
— E consertos? Vocês podem se arranjar sozinhos?
Dallas revisava, na cabeça, o relatório do engenheiro.
Poderiam, achava ele, remendar os danos iniciais, mas o problema das celitas levaria tempo. Que dano teria o módulo doze era coisa em que preferia não pensar no momento.
— Não podemos fazer grande coisa aqui, mesmo que você o deseje.
— Não pensei que pudessem. Não esperava isso. Mas o que poderão fazer?
— Podemos mudar o itinerário de alguns desses duetos e realinhar tomadas inutilizadas. — Temos de cuidar primeiro da avaria grossa. E será impossível concertar os duetos sem botar a nave em dique seco. Teremos, por enquanto, de fazer de conta.
— Entendo. O que mais?
— Já disse. O módulo doze. E digo logo o mais grave: perdemos uma célula principal.
— Como? Foi o pó?
— Em parte — Parker interrompeu-se, trocou palavras inaudíveis com Brett, depois voltou ao alto-falante. — Alguns fragmentos se aglutinaram no interior dos orifícios de entrada, empastaram-se, provocaram um excesso de aquecimento e, em seguida, o fogo. Você sabe como são sensíveis esses propulsores. A coisa varou a blindagem e fez explodir o sistema inteiro.
— Há algo que você possa fazer? — perguntou Dallas. O sistema tinha de ser reparado de qualquer maneira. Era impossível substituí-lo.
— Penso que sim, e Brett também. Temos primeiro de limpá-lo inteiramente, inclusive com o aspirador. Aí veremos de fato como está. E como se comporta. Se agüentar firme depois de raspado, então tudo estará bem. Se não, podemos tentar um remendo com metal. Mas se descobrirmos alguma fissura longitudinal, aí então...
E sua voz sumiu-se.
— Não falemos de problemas finais como esse — sugeriu Dallas. — Atenhamo-nos ao mais imediato, e esperemos que não haja outros.
— De acordo.
— Certo — disse Brett; e pela direção da voz trabalhava em alguma coisa à esquerda do engenheiro.
— Ponte desligando.
— Engenharia desligando. Guardem o café quente.
Ripley torceu o interruptor da intercomunicação e olhou, expectante, para Dallas. Este estava sentado, quieto. Pensava.
— Quanto tempo levará para ficarmos de novo em condições operacionais, Ripley?
— Admitindo que Parker esteja correto a respeito das proporções da avaria, que ele e Brett façam os reparos mencionados, e que a maquinaria se agüente?
Ela estudou as suas leituras, e considerou o problema por um momento.
— Se eles conseguirem consertar os duetos estragados, e reparar o módulo doze pelo menos de maneira a que ele possa receber sua porção da carga, como antes, eu diria entre quinze e vinte horas.
— Nada mau. Eu tinha calculado dezoito. — «Não sorria, mas estava um pouco mais esperançoso. — E os auxiliares? Talvez devam estar prontos para entrar em ação logo que tivermos nossa energia de volta.
— Estou trabalhando nisso — disse Lambert, e reajustou instrumentos que não se podiam ver. — Estaremos prontos aqui quando eles estiverem prontos na engenharia.
Dez minutos mais tarde um pequenino alto-falante na estação de Kane deixou escapar uma série de pulsações breves mas agudas. Kane estudou um instrumento, depois ligou seu comunicador individual:
— Ponte. Aqui, Kane.
Exausto mas satisfeito consigo mesmo, Parker falou do fundo da nave:
— Não sei quanto tempo vai agüentar... algumas das soldas que tivemos de fazer são, necessariamente, precárias. Mas se tudo marchar como deve, podemos refazer uma por uma, dar uma caprichada, quando tivermos tempo para isso. E aí terão mais segurança. Vocês já devem ter energia agora.
O executivo torceu uma válvula. As luzes brilharam na ponte, leituras armazenadas piscaram, depois acenderam-se, e houve grunhidos e murmúrios de aplauso do resto da tripulação.
— Temos a energia e as luzes de novo em boas condições — informou Kane. — Bom trabalho o de vocês dois.
— Todo trabalho nosso é bom — respondeu Parker.
— Certo. — Brett devia estar junto do intercomunicador dos fundos, junto dos motores, a julgar pelo zumbido igual que fazia um elegante contraponto à sua resposta, monossilábica como sempre.
— Não fiquem muito excitados — continuou Parker. — Os novos encadeamentos devem agüentar, mas não prometo nada. Estamos apenas juntando o que podemos aqui atrás, e o melhor que podemos. Alguma novidade desse lado aí?
Kane sacudiu a cabeça, mas lembrou-se de que Parker não podia ver o gesto.
— Não, nada.
Depois, deu uma olhadela pela vigia mais próxima. As luzes da ponte lançavam seu débil clarão sobre um trecho Pouco característico do solo, pelo menos inteiramente árido, e tempos em tempos, a tempestade que rugia lá fora expunha à vista uma nuvem mais densa de areia ou um fragmento maior de rocha. E havia, então, um breve lampejo, fruto do reflexo. Mas era tudo.
— Pura rocha. É verdade que não podemos ver muito longe. E sabemos tão pouco que talvez estejamos a cinco metros do oásis local...
— Pois continue a sonhar... — disse Parker. Em seguida, gritou algo ininteligível para Brett e encerrou a transmissão com um esmerado:
— Entrarei em contato se sobrevierem problemas. Façam o mesmo.
— Mandaremos um cartão postal — respondeu Kane. E desligou.
O Oitavo Passageiro - Alan Dean Foster (Parte 4) [ Download ]
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Prototipagem, FC e o Projeto Amanhã
Science Fiction Prototyping (SFP) é uma metodologia emergente que utiliza o processo de escrita baseada em ficção científica para explorar como as descobertas científicas e tecnologias podem afetar a vida de seres humanos no futuro.
Um exemplo de SFP é o Projeto Amanhã (Tomorrow Project), uma iniciativa patrocinada pela Intel, para investigar as implicações do avanço tecnológico sobre nossas vidas e o planeta.
"Este é um momento único na história. Ciência e tecnologia progrediram a um ponto que o que construímos é apenas restringido pelos limites de nossa própria imaginação. O futuro não é somente um ponto fixo na frente de nós, impotentes para alterá-lo. O futuro é construído todos os dias pelas ações das pessoas. Cabe a todos nós sermos participantes ativos no futuro." é o que prega o futurista Brian David Johnson da Intel.
O Projeto Amanhã fomenta discussões com artistas da música, filósofos, escritores e cientistas, para obter suas visões para o mundo que está vindo e o mundo que eles gostariam de construir.
Um dos frutos desta iniciativa foi o livro 'The Tomorrow Project'. Quatro autores best-sellers da ficção científica, Douglas Rushkoff, Ray Hammond, Scarlett Thomas e Markus Heitz, criaram contos sobre a tecnologia de amanhã.
O livro está disponível para download, incluindo uma introdução escrita por Brian David Johnson.
Todas as quatro histórias nesta coleção são baseadas em tecnologias que Intel está atualmente desenvolvendo em seus laboratórios.
Cada história é única em sua própria visão e interpretação da vida no futuro, mas cada uma delas capta o drama humano futuro. A tecnologia é simplesmente uma parte do drama.
Scarlett Thomas nos dá um retrato de uma família em um mundo que é familiar ainda que engenhoso em suas conexões tecnológicas.
Markus Heitz traz um conto fascinante de alerta, sobre colocar nossos desejos humanos e a nossa capacidade de construir um futuro em que não vamos querer viver.
Douglas Rushkoff nos fala sobre último dia de trabalho do Dr.Spiegel de Leon, literalmente, o último dia de trabalho do homem. Um desafio do que significa ser humano.
E finalmente Ray Hammond nos coloca em uma corrida para salvar a vida de um ente querido. É uma corrida que é auxiliada e prejudicada por uma complexidade de dispositivos, sensores e conexões.
Estas histórias mostram-nos que, em última análise as histórias do nosso futuro não são sobre tecnologia, megatendências ou previsões, mas que o futuro é sobre as pessoas.





















































