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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

H.P. Lovecraft's Cthulhu - The Whisperer in Darkness






H.P. Lovecraft's Cthulhu - The Whisperer in Darkness  [ Download ]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Notas quanto a escrever Ficção Fantástica - Lovecraft




A razão que encontro para escrever histórias é dar a mim mesmo a satisfação de visualizar mais clara, detalhada e estavelmente as vagas, fugidias, fragmentárias impressões de espanto, beleza e aventurosa expectativa que me vêm de certas visões (cênicas, arquitetônicas, atmosféricas, etc.), idéias, ocorrências e imagens encontradas na arte e na literatura.

Escolho as histórias fantásticas porque melhor se enquadram com minha inclinação - sendo que um de meus desejos mais fortes e persistentes é alcançar, nem que por um instante, a ilusão de uma estranha suspensão ou violação das irritantes limitações do tempo, do espaço e das leis naturais que eternamente nos aprisionam e frustram nossa curiosidade acerca dos infinitos espaços cósmicos que jazem para além do alcance de nossa vista e poder de análise.

Essas histórias freqüentemente enfatizam o elemento do horror, já que o medo é nossa emoção mais profunda e forte e uma das que melhor se prestam à criação de ilusões desafiadoras da natureza.
O horror e o desconhecido ou estranho estão sempre intimamente conectados, a tal ponto que é difícil criar um quadro convincente de esfacelamento da lei natural ou alienação cósmica ou “exterioridade” sem acentuar a emoção do medo. A razão por que o tempo é tão fundamental em muitas de minhas narrativas reside em que esse elemento me aparece como a coisa mais profundamente dramática e terrível do universo. O conflito com o tempo me parece ser o tema mais potente e frutífero de toda a expressão humana.

Enquanto a forma que escolho para escrever histórias é, obviamente, especial e quem sabe estreita, continua sendo porém um tipo persistente e permanente de expressão, tão velho quanto a própria literatura.

Sempre haverá uma pequena parcela de pessoas que sentirão uma ardente curiosidade sobre o espaço desconhecido e exterior e um ardente desejo de escapar da prisão do conhecido e do real em direção a essas terras encantadas de aventuras incríveis e possibilidades infinitas, que os sonhos nos franqueiam e que coisas como matas profundas, fantásticas torres urbanas e pores-de-sol flamejantes sugerem freqüentemente. Essas pessoas incluem tanto grandes autores quanto amadores insignificantes como eu mesmo - Dunsany, Poe, Arthur Machen, M. R. James, Algernon Blackwood e Walter de la Mare constituindo-se em típicos mestres do gênero.

Quanto ao modo como escrevo um conto, não há um somente. Cada uma de minhas narrativas tem uma história específica. Vez ou outra transcrevi literalmente um sonho; mas usualmente começo com um estado de espírito ou uma idéia ou uma imagem que pretendo expressar e a revolvo em minha cabeça até que chegue a pensar numa boa maneira de lhe dar corpo numa cadeia de ocorrências dramáticas, capazes de serem registradas em termos concretos.

Tendo a repassar mentalmente uma lista das condições básicas ou situações que melhor se adaptem a esse estado de espírito ou idéia ou imagem, e então começo a especular acerca de explanações lógicas e naturalmente motivadas do referido estado de ânimo ou idéia ou imagem, em termos da condição básica ou da situação escolhida. O processo real de escrever é, com certeza, tão variado quanto a escolha do tema e da concepção inicial; mas, se a história de todas as minhas narrativas fosse analisada, é bem possível que o seguinte conjunto de regras pudesse ser deduzido do procedimento ordinário:






Leia o texto completo em O Arquivo de Renato Suttana

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Science Fiction Audiences - Watching Doctor Who and Star Trek


Why are Star Trek and Doctor Who so popular?

These two science fiction series have both survived cancellation and continue to attract a huge community of fans and followers.

Doctor Who has appeared in eight different TV and film guises and Star Trek is now approaching its fourth television incarnation.

Science Fiction Audiences examines the continuing popularity of two television ‘institutions’ of our time.

Through dialogue with fans and followers of Star Trek and Doctor Who in the US, Britain and Australia, John Tulloch and Henry Jenkins ask what it is about the two series that elicits such strong and active responses from their audiences.

Is it their particular intervention into the SF genre? Their expression of peculiarly ‘American’ and ‘British’ national cultures? Their ideologies and visions of the future, or their conceptions of science and technology? None of these works in isolation, because, as the plentiful interviews with fans and followers illustrate, audiences actively play with their entertainment according to complex and shifting categories of recognition, competence and pleasure.

Science Fiction Audiences responds to a rich fan culture which encompasses debates about fan aesthetics, teenage attitudes to science fiction, queers and Star Trek, and ideology and pleasure in Doctor Who.

It is a book both for fans of the two series, who will be able to continue their debates in its pages, and for students of media and cultural studies, offering a historial overview of audience theory in a fascinating synthesis of text, context and audience study.


Part I
1 Beyond the Star Trek phenomenon: reconceptualizing the science fiction audience
Henry JenkinsJohn Tulloch
2 Positioning the SF audience: Star Trek, Doctor Who and the texts of science fiction
John Tulloch
3 The changing audiences of science fiction
John Tulloch

Part II
4 ‘Throwing a little bit of poison into future generations’: Doctor Who audiences and ideology
John Tulloch
5 ‘It’s meant to be fantasy’: teenage audiences and genre
John Tulloch
6 ‘But why is Doctor Who so attractive?’: negotiating ideology and pleasure
John Tulloch
7 ‘But he’s a Time Lord! He’s a Time Lord!’: reading formations, followers and fans
John Tulloch
8 ‘We’re only a speck in the ocean’: the fans as powerless elite
John Tulloch

Part III
9 ‘Infinite diversity in infinite combinations’: genre and authorship in Star Trek
Henry Jenkins
10 ‘At other times, like females’: gender and Star Trek fan fiction
Henry Jenkins
11 ‘How many Starfleet officers does it take to change a lightbulb?’: Star Trek at MIT
Henry Jenkins
12 ‘Out of the closet and into the universe’: queers and Star Trek
Henry Jenkins
Notes
Index


Science Fiction Audiences - Watching Doctor Who and Star Trek - John Tullock e Henry Jenkins
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Lovecraft - graphic novel


Lovecraft graphic novel [ Download ]

H.P.Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft (20 de Agosto de 1890 – 15 de Março de 1937) nasceu em Rhode Island, EUA. Escritor celebrizado pelos seus livros de fantasia e terror, marcadamente gótico, enquadrados por uma estrutura semelhante à da ficção científica.

Durante a sua vida teve um número relativamente pequeno de leitores, mas a sua obra veio a tornar-se uma forte influência e referência em escritores de horror. Era assumidamente conservador e anglófilo, sendo por isso habituais no seu estilo os arcaísmos e a utilização de vocabulário e ortografia marcadamente britânicos.

Lovecraft é talvez um dos poucos autores cuja obra literária não tem meio-termo: volta-se única e exclusivamente para o horror, tendo como finalidade perturbar o leitor, depois de atraí-lo para a atmosfera, o ambiente, o clima daquilo que lê.

Um dos ingredientes da fórmula lovecraftniana para seduzir o leitor é o uso da primeira pessoa: a maior parte de seus contos foi escrita desta forma.
Algumas vezes, todos os acontecimentos são vividos pelo narrador, como em `The shadow out of time`; outras vezes, o narrador participa de parte dos fatos, em geral da pior parte deles.

A expressão Cthulhu Mythos foi criada, após a morte de Lovecraft, pelo escritor August Derleth, um dos muitos escritores a basearem suas histórias nos mitos deste.

Lovecraft criou também um dos mais famosos e explorados artefatos das histórias de terror, o Necronomicon, um fictício livro de invocação de demônios escrito pelo, também fictício, Abdul Alhazred, sendo até hoje popular o mito da existência real deste livro, fomentado especialmente pela publicação de vários falsos Necronomicons e por um texto, da autoria do próprio Lovecraft, explicando a sua origem e percurso histórico.

fonte:wiki

"Até mesmo dos horrores supremos, raramente a ironia está ausente. às vezes ela participa diretamente da composição dos acontecimentos; outras vezes só se refere a posição fortuita desses acontecimentos entre pessoas e lugares."
A Casa Abandonada [ Download ]

"Dizem que em Ulthar, lá atrás do rio Sakai, ninguém jamais mata um gato; e ao olhar para aquele que ronrona perto do fogo aceso da lareira, sei que é verdade. Pois o gato é chegado às coisas que o homem não pode ver."
Os gatos de Ulthar [ Download ]

"Tudo teve início, disse o velho Ammi, com o meteorito. Antes dessa época, não corriam
lendas fantásticas desde os tempos do julgamento das bruxas, e mesmo então os bosques do oeste não eram tão temidos como a pequena ilha do Miskatonic, onde o diabo presidia a reuniões ao pé de um curioso altar de pedras, mais antigo do que os índios. Não havia florestas assombradas, e o crepúsculo fantástico jamais fôra terrível, antes dos dias estranhos. Foi então que, ao meio dia, surgira a nuvem branca, a cadeia de explosões no ar e a coluna de fumaça vinda do vale nas entranhas da floresta."
A cor que veio do espaço [ Download ]

"A coisa mais misericordiosa do mundo,acho eu, é a incapacidade da mente humana correlacionar tudo que ela contém. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a mares
tenebrosos de infinidade, e não estávamos destinados a chegar longe. As ciências, cada uma puxando para seu próprio lado, nos causaram poucos danos até agora, mas algum dia a junção das peças do conhecimento disperso descortinará visões tão terríveis da realidade e de nossa pavorosa posição dentro dela que só nos restará enlouquecer com a revelação ou fugir da iluminação mortal para a paz e a segurança de uma nova idade das trevas.
Os teosofistas imaginaram o admirável esplendor do ciclo cósmico no qual o nosso mundo e
a raça humana são incidentes transitórios. Eles sugeriram estranhos remanescentes com termos que congelariam o sangue se não fossem mascarados por um suave otimismo. Mas não foi deles que me chegou o especial vislumbre de eras ancestrais proibidas que me arrepia ao lembrar e me enlouquece nos sonhos. Esse vislumbre, como todos os pavorosos vislumbres da verdade, revelou- se de uma hora para outra com a junção acidental de peças separadas, nesse caso, uma velha notícia de jornal e as anotações de um professor já falecido. Espero que ninguém mais junte essas peças. Se eu viver, jamais ajuntarei, deliberadamente, um elo a tão odiosa cadeia, com certeza. Imagino que o professor também pretendia guardar silêncio sobre a parte que sabia, e que teria destruído suas anotações se a morte súbita não o tivesse colhido. "
O Chamado de Cthulhu [ Download ]

"Para alguém que nunca encarou o perigo de uma execução legal, tenho um muito peculiar horror quando o assunto é a cadeira elétrica. Com efeito, creio que o tópico me faz
estremecer mais do que a certos homens que já foram a julgamento com o risco de suas vidas. A razão está em que associo a coisa a um incidente de quarenta anos atrás – um incidente bastante estranho que me levou à borda do abismo negro e desconhecido. "
O executor elétrico [ Download ]

sábado, 31 de janeiro de 2009

The shadow out of time - H.P.Lovecraft


“The Shadow out of Time” is H. P. Lovecraft’s last major story, written in a four-month period from November 1934 to February 1935. It was first published in Astounding Stories for June 1936. And yet, this text has never been published as Lovecraft wrote it -- until now.

The recent discovery of Lovecraft’s handwritten manuscript allows readers to appreciate this magnificently cosmic story exactly as originally written. All previous editions of the story contain hundreds of serious errors, including errors in paragraphing, omissions and mistranscriptions of many words and passages, and erroneous punctuation. But now, the breathtaking scope of this novella -- the story of the Great Race’s conquest of time and space by means of mind-projection, and the hapless fate of Professor Nathaniel Wingate Peaslee as a victim of the Great Race’s quest for all the secrets of the universe -- can, for the first time, be fully understood.


The shadow out of time [ Download ]
El abismo en el tiempo [ Download ]

A Ficção Científica em Lovecraft - Robert Silverberg

,
Estive relendo recentemente "The shadow out of time", uma história que encontrei pela primeira vez no distante ano de 1947, quando eu tinha 12 anos, na maravilhosa antologia de Donald A. Wollheim sobre os romances de Lovecraft.

Como já disse mais de uma vez, ler essa história mudou a minha vida e agora, com uma nova edição sendo publicada, quero falar sobre isso novamente.

O livro de Donald continha quatro histórias curtas de Ficção Científica: H. G. Wells - "The First Man in the Moon", John Taine - "Before the Dawn", Olaf Stapledon - "Odd John" e o romance de Lovecraft. Cada uma, do seu jeito, contribuiu para dar forma à imaginação do jovem que iria crescer e escrever centenas de histórias de ficção.

Stapledon falava diretamente para mim, que era, nas circunstâncias, um garoto peculiar, cercado por gente normal; Wells abria meus horizontes para as viagens através do espaço; Taine me propiciava uma viva recriação da era mezozóica, que como a maioria dos garotos da minha idade, era obcecado por dinossauros e desesperadamente queria experimentar tudo isso. Mas foi Lovecraft, eu penso, que teve o impacto mais significativo no desenvolvimento das minhas intenções como um criador de Ficção Científica (FC).

Havia uma qualidade visionária que me maravilhava e eu desejava escrever como ele, porém, sem habilidade para fazê-lo quando tinha 12 anos, tinha que me satisfazer escrevendo péssimas imitações dele.

Devotei muito esforço por muitas décadas até poder criar histórias que se aproximassem da grandeza de Lovecraft.

Note que eu me refiro a "The shadow out of Time" como FC, e que Donald incluiu em sua coletânea, explicitamente chamada "Romances da Ciência", apesar de Lovecraft ser convencionalmente considerado como um escritor de histórias de terror. E ele era. A maioria de suas melhores histórias são de terror, de fato, geravam o mesmo estranhamento especulativo utilizado em FC nos trabalhos de Robert A. Heinlein, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke.

A grande diferença é que para Robert, Isaac e Arthur, a ciência é excitante e maravilhosa, enquanto que para Lovecraft, a ciência é fonte para o terror.

Porém, uma história que é dirigida pelo temor à ciência ao invés da admiração não é menos FC.

E era o que a ficção de Lovecraft também fazia. "Elder Gods of the Cthulhu" não são nada mais do que alienígenas de outra dimensão que vêm invadir a Terra e este é um tema clássico de FC.
Outras histórias de Lovecraft como "The Rats in the Walls" e "The Colour out of Space" podem, também, ser consideradas FC.

Ele não estava particularmente interessado nos impactos da tecnologia na vida dos seres humanos, em escrever sátiras sócio-políticas do tipo de George Orwell ou em inventar engenhocas. Para ele, a ciência era fonte de visões aterrorizantes. Que terríveis segredos jaziam enterrados no distante passado? Que terríveis transformações o futuro nos traria? Desta forma, ele via os segredos como abominações, assim como as transformações, o que garantia que fazia parte do gênero de horror e o afastava do espectro da FC, como a de Arthur, Isaac e Robert.

É interessante perceber que a maioria das primeiras ficções de Lovecraft apareceram pela primeira vez na revista pioneira de horror e fantasia chamada Weird Tales, "The Shadow out of Time" já havia sido, apropriadamente, publicada primeiro em junho de 1936, na revista Astounding Stories, que era a revista dominante em FC na época e que lançara escritores importantes como John W. Campell, Jack Williamsom e E. E. Smith.



Devo ressaltar que o editor da Astounding Stories, F. Orlin Tremaine, não estava satisfeito de expor seus leitores, acostumados a uma prosa de ficção bastante básica ao estilo mais elegante de Lovecraft. Tremaine submeteu "The shadow out of Times" a diversos cortes e edições na tentativa de homogenizá-la, tornando-a mais familiar aos seus leitores. Desta forma, cortando rudemente os parágrafos cuidadosamente escritos pelo estilo de Lovecraft. Assim também alterou pontuações e removeu deliciosos arcaísmos do vocabulário. Esta versão foi reimpressa muitas e muitas vezes durante anos, mas agora, uma nova edição está para ser lançada, baseada nos manuscritos originais de Lovecraft que, inesperadamente, apareceram em 1995.
A nova edição, pelos editores S.T. Joshi e David E. Shultz, publicada com elegante acabamento pela Hipocampus Press, traz uma deliciosa ilustração de um 'monstro olhudo', conforme apareceu no original de 1936.

Apesar da revisão de Tremaine, alguns leitores da Astounding ainda achavam Lovecraft ótimo, mesmo para a sensibilidade de 1936. Reações a essa história foram, geralmente favoráveis, conforme podemos ver nas cartas dos leitores publicadas em agosto de 1936.

É claro que eu não tinha idéia que Tremaine havia mexido no estilo de Lovecraft quando li a história pela primeira vez, onze anos depois de sua primeira publicação. Apesar disso, posso ver agora, na nova versão, o poder notável que foi retirado daquele texto pelos cortes de Tremaine. Talvez o uso de parágrafos menores tivesse tornado mais fácil o entendimento para alguém na pré-adolescência. Em todo caso, em 1947, eu achei que "The shadow Out of the Time" era a melhor coisa que eu havia lido.

A passagem-chave para mim está no quarto capítulo, em que Lovecraft conjura uma visão inesquecível de um ser gigantesco movendo-se em uma estranha biblioteca cheia de horríveis anais de outros mundos e de outros universos junto a seres sem forma que viviam em outros universos. Eram as descrições desses outros seres que haviam povoado o mundo em um passado esquecido, e as crônicas assustadoras de grotescas inteligências que viveram milhares de anos depois da morte do último ser humano.

Eu queria, apaixonadamente, explorar aquela biblioteca, e sabia que não podia. Eu queria saber mais a respeito dos pré-humanos hiperboreanos, dos construtores de Tsathoggua e sobre todos os abomináveis Tcho-Tcho que Lovecraft escolhera me contar, sem falar que eu me depararia com a mente de Yiang-Li, o filósofo do cruel império Tsan-Chan que vivera no ano cinco mil depois de Cristo ou conhecer o rei de Lomar, que governara a terrível terra polar por cem mil anos antes que os ynutos amarelos viessem do oeste e os invadissem.

Devo ter lido esta página do conto de Lovecraft dez mil vezes, é a página 429 da antologia de Donald e é a página 56 da nova edição. E, mesmo agora, relendo-a esta manhã, senti-me quixotesco procurando absorver cada palavra dela, sentindo o mesmo encantamento que comecei a conhecer sobre os mistérios de reinos imaginários perdidos do passado e do futuro.

O que é extraordinário em Lovecraft, em "The shadow out of time" é a sensação de uma história alternativa da terra, diferente do que estudamos, dos trilobites se tornando anfíbios e répteis até os primitivos mamíferos que me recordam a quarta série, mas o selvagem zigue-zague de espécies pré-humanas e raças alienígenas vivendo em nosso planeta bilhões de anos antes do nosso tempo, seres que não deixaram o menor traço ou fóssil mas em quem eu desejava de todo coração acreditar.

É a última palavra em fantasia arqueológica, pois o protagonista de Lovecraft nos leva direto às ruínas de uma cidade que, na sua história, ao menos, permanece conservada na remota Austrália. É aqui que o caminho escolhido por Lovecraft faz o horror emergir da ciência.

Para o narrador, assim como qualquer arqueólogo que eu já conheci, é bastante assustador aproximar-se deste estranho mundo. Ele é visitado nos sonhos por visões que agora ele passa a viver no mundo real, "idéias e imagens de um terror absoluto surgem para mim, e obscurecem meus sentidos"; ele parece achar que conhece aquela cidade em ruínas, pois a viu em seus sonhos. Sua sanidade se esvai. Ele luta contra ondas de pavor que o cercam de forma inimaginável, de uma maneira que se pode esperar apenas de um conto escrito por Lovecraft.

Eu também ficaria por demais assustado se eu me encontrasse raptado telepaticamente e atirado em uma civilização de 150 mil anos atrás, como o protagonista. Porém, uma vez de volta, perceberia que eu consegui sobreviver a tudo. Eu me lembraria de tudo pelo encantamento, não por causa do monstruoso, apavorante, terror lovecraftiano; se eu tropeçasse nos arquivos dessa civilização perdida.

Mas se "The shadow Out of Time" é exagerada, ela é gloriosamente exagerada, até quando tenta nos assustar. Ela cria uma sensação, pelo menos enquanto se lê, que a História não começou nas cavernas conforme a nossa ciência conta, mas que o mundo já existia num passado incalculável quando o homem evoluiu e a povoou diversas vezes, junto a outras raças inteligentes, muito antes do primeiro mamífero sequer ter aparecido.

Isto é que é maravilhoso na Ficção Científica.

Eu convoco você a procurá-la para ler. Nela, Lovecraft nos faz testemunhas de uma escavação do nosso passado há cento e cinqüenta milhões de anos atrás, a maior de todas as descobertas arqueológicas, talvez a maior de todos os tempos. A tumba de Tutancâmon foi feita apenas há uma fração de segundos atrás, se comparada.

Eu me sinto de volta a quando tinha 12 anos, novamente relendo hoje esta estonteante história, e penso que poderia ter sido verdade.

domingo, 1 de junho de 2008

Considerações sobre escrever Ficção Fantástica por H.P. Lovecraft

Arkan23

A razão de escrever histórias é dar para mim mesmo, a satisfação em poder visualizar mais claramente e detalhadamente, aquela vaga,ilusória e fragmentada impressão do fantástico, do belo, e experimentar o excitamento que transmitem-me certas coisas (cênicas, arquitetônicas, o clima, etc), idéias que ocorrem e imagens com que nos deparamos, na arte e na literatura.

Eu escolhi o gênero fantástico pois é o que melhor se encaixa com minhas inclinações - um dos meus desejos mais persistentes e intensos é criar momentaneamente, a ilusão de uma estranha suspensão ou violação dos limites do tempo, espaço e das leis da natureza, que sempre nos aprisionam e frustram nossa curiosidade sobre o infinito dos espaços cósmicos, além do raio de alcance de nossa visão ou análise. Estas histórias freqüentemente enfatizamo elemento do horror por que o medo é nossa emoção mais forte e profunda, e a que melhor se permite criar ilusões sobre outra natureza desafiadora.

O horror e o desconhecido ou o estranho estão sempre conectados, de forma que é difícil criar uma imagem convincentearrancada de uma lei natural ou de um espaço alienígena ou fora deste mundo, sem usar da emoção do medo. A razão pela qual o tempo interpreta um papel importante em muitos dos meus contos é por que este elemento tece em minha mente como a mais profunda e dramática e inflexivelmente força do universo.

Conflitos com o tempo me parecem o mais potente e frutífero tema de toda a expressão humana.

Como a minha escolha, por uma forma de escrever ser tão obviamente especial e restrita, não é menos um tipo de expressão tão velha quanto a própria literatura. Sempre houve uma pequena porcentagem de pessoas que sentem uma ardente curiosidade sobre o desconhecido, um desejo de escapar da casa-prisão, do que é conhecido como real, para estas terras encantadas de aventuras incríveis e infinitas possibilidades, que os sonhos nos oferecem, coisas como densas florestas, torres urbanas fantásticas e que fulgurantes ocasos momentaneamente nos sugerem.

Estas pessoas incluem grandes autores, como também insignificantes amadores como eu mesmo -Dunsany, Poe, Arthur Machen, M. R. James, Algernon Blackwood, e Walter de la Mare são mestres neste campo.

Cada história que escrevo é diferente da outra.
Uma vez ou outra eu escrevo sobre um sonho, mas usualmente eu costumo começar com uma sensação, uma idéia ou uma imagem que tento expressar e que só se resolve na minha cabeça quando consigo pensar em uma boa maneira de dar corpo a ela, dentro de uma cadeia de acontecimentos dramáticos, capazes de serem descritos em termos concretos.

Costumo me utilizar de uma lista mental, de condições básicas ou situações que melhor se adaptam a esta sensação, idéia ou imagem, e então começo a especular logicamente e sobre explicações naturalmente motivadas por aquela sensação ou idéia ou imagem, em termos da condição básica ou da situação escolhida.

O processo de escrita, é claro, varia conforme a escolha do tema e do conceito inicial, mas se analisarmos todas as minhas historias será possível perceber que seguem uma lista de regras em sua maioria.Preparo uma sinopse ou cenário de eventos, na ordem das ocorrências - não necessariamente na ordem da narração.
Descrevo cobrindo todos os pontos vitais e determino todos os incidentes planejados. Detalhes, comentários e as conseqüências são desejadas neste esboço. Preparo uma segunda sinopse, desta vez na ordem da ocorrência, com mais detalhes e mais notas, mudando a perspectiva, criando o clímax.Mudo então a sinopse original para se adequar, se uma mudança for criar uma ocorrência dramática intensa e efetiva na história.

Insiro ou retiro incidentes à vontade - nunca estando preso à concepção original, mesmo se o resultado final seja uma história totalmente diferente daquela primeiramente planejada.
Agora escreva - rápida e fluentemente e não de forma crítica - seguindo a segunda sinopse. Mudo a trama sempre que o processo de desenvolvimento parecer sugerir tal mudança, não se prendendo a nenhum desenho prévio. Se o desenvolvimento revelar novas oportunidades para efeito dramático, volte depois para reconciliar as partes antigas com o novo plano.
Insira e retire seções inteiras se necessário ou desejável, tente inícios e términos diferentes, até encontrar aquele que melhor se apresente.
Mas certifique-se que todas as referências sejam reconciliadas com o desenho final.
Remova palavras desnecessárias, sentenças e parágrafos ou mesmo elementos, observando a precaução de sempre conciliar as referências.
Revise o texto inteiro, prestando atenção ao vocabulário, a sintaxe, o ritmoda prosa, a proporção das partes, harmonize refinadamente, de forma convincente as transições (cena a cena), certifique-se do início, do fim, dos climaxes, etc., garantindo suspense dramático, o interesse, a plausividade e atmosfera, e vários outros elementos. Prepare uma cópia limpa (próxima do apresentável) mas não hesite em acrescentar seus toques e revisões onde achar preciso. O primeiro desses estágios é sempre puramente mental - um cenário de condições e acontecimentos na minha cabeça, e que nunca se fixam até eu estar pronto para preparar uma sinopse detalhada de eventos na ordem da narração. Também, por vezes, começo a escrever antes que saiba como vou desenvolver aquela idéia - este inicio cria um problema para ser explorado.

Existem, penso, quatro tipos de histórias fantásticas, uma expressa um sentimento ou sensação, outra expressa uma concepção pictorial, a terceira expreessa uma situação geral, uma condição, lenda ou concebida intelectualmente e a quarta um quadro bem definido ou uma situação dramática ou um clímax.

Estes contos podem ser categorizados em dois tipos, aquele em que se mostra pelo terror, devido a algum tipo de condição ou fenômeno e aqueles em que existe uma ação por parte dos personagens, em conexão com uma condição bizarra ou um fenômeno.
(continua...)

Ler a versão em espanhol do site Malacandra

domingo, 16 de dezembro de 2007

H.P. LOVECRAFT - 40 contos




01 - A morte alada
02 - A árvore
03 - A casa abandonada
04 - A coisa na soleira da porta
05 - A história do Necronomicon
06 - A lua
07 - A maldição de Sarnath
08 - A memória
09 - A música de Erich Zann
10 - À procura de Iranon
11 - A tumba
12 - A última carta de HPL
13 - Algumas notas
14 - Azathot
15 - Carter
16 - Celephais
17 - Dagon
18 - Desespero
19 - Ex-Oblivione
20 - Fechado na catacumba
21 - Nas montanhas da loucura
22 - Notas quanto à escrever Ficção Fantástica
23 - Nyarlathotep
24 - O ancião
25 - O caso de Charles Dexter Ward
26 - O chamado de Cthulhu
27 - O desafio
28 - O executor
29 - O festival
30 - O horror de Dunwich
31 - O horror no museu
32 - O inominável
33 - O terrível velho
34 - Os gatos de Ultar
35 - Os sonhos
36 - Outros deuses
37 - Polaris
38 - Um sussurro nas trevas
39 - Vento frio
40 - Yuggoth
40 contos de H.P.Lovecraft [ Download ]
Desenho de Drew Posada